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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde ...

Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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    • Universidade Presbiteriana MackenzieANÁLISE DE CONCURSOS DE ARQUITETURA BRASILEIROS APÓS 1978Matheus de Vasconcelos Casimiro (IC) e Ruth Verde Zein (Orientadora)Apoio: PIVIC MackenzieResumoO trabalho em questão busca compreender as características projetuais de propostas arquitetônicasque caracterizam determinados momentos históricos, entendendo que podem ser verificadas demaneira intensa através dos projetos apresentados em concursos nacionais de certa relevância egrande participação onde tenderão a comparecer variados modos de pensar arquiteturacaracterísticos de uma certo momento. Para esta pesquisa foram selecionados alguns concursosocorridos nas décadas de 1980/90/00 e obtido material de fontes primárias, angariados com osarquitetos participantes. O material obtido foi redesenhado e estudado, analisado-se tanto aconvocatória quanto as propostas selecionadas pelo júri.Palavras-chave: Concursos de Arquitetura, projeto, análise críticaAbstractThe issue in questions seeks to understand the characteristics of projective architectural proposalsthat characterize certain historical moments, understanding that can be checked in an intensive waythrough the projects submitted in national competitions of some importance and great interest onwhich will tend to appear different ways of thinking characteristic of architecture a certain time. For thisresearch we selected some contests ocurred in the decades of 1980/90/00 and material obtained fromprimary sources, raised with the architects involved. The material was redesigned and studied,analyzing the call of the competiotin and the proposals selected by the jury.Key-words: Architecture Contests, project, critical analysis 1
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 20111. INTRODUÇÃOA cada geração renova-se o esforço coletivo de pensar, falar e escrever arquitetura,buscando estabelecer as bases contemporâneas que avancem além dos já consagradosfeitos da geração passada. Para formar tal conceituação tempo presente é, porémimprescindível saber como a arquitetura foi pensada e elaborada anteriormente, paramelhor compreender os motivos que a levaram ser desta forma nos dias de hoje. E parapesquisar temas contemporâneos e recentes uma das bases de informação maisimportantes são os materiais constantes em periódicos de divulgação da arquitetura, quetem como papel conhecer e divulgar a produção recente. (ZEIN, 1991, p.45)A principal função que o pensamento crítico arquitetônico deve exercer não é o de apontarde maneira dogmática quais devam ser novas tendências, mas colaborar paraquestionamento e reflexão sobre essa produção e sobre os conceitos e premissas queadota. Para tanto, faz-se necessário a compreender essas arquiteturas no marco de amploshorizontes históricos, filosóficos e conceituais que não apenas se atenham a uma meraconstatação dos fatos, mas que tente captar essas realidades dentro de sua complexidadee variedade. (ZEIN, 1991, p.15)O presente trabalho pretendeu realizar uma pesquisa de base que permita iniciar umprocesso de conhecimento, levantando obras que tiveram relevância no seu tempo e quepodem ser um início para uma análise mais profunda sobre a arquitetura brasileira recente eseu contexto. Uma das melhores formas de coletar informações sobre o que se pensa daprodução da arquitetura contemporânea é por meio do levantamento de projetos realizadosem concursos. Esta pesquisa esteve vinculada ao grupo de pesquisa “Arquitetura: Projeto& Pesquisa & Ensino”, estando inserida na linha de pesquisa “Documentação e Acervo daArquitetura”, que tem como principal objetivo formar um repertório digital de acervos dearquitetura brasileira e disponibilizá-los via rede digital mundial como apoio à prática eensino de arquitetura; bem como dá continuidade ao projeto de pesquisa “Concursos deArquitetura 1978-2008”, aproveitando os levantamentos já realizados em trabalhosanteriores.1.1. RELEVÂNCIA DO TRABALHOOs concursos de arquitetura tem se confirmado como um importante objeto de estudo, poisé uma boa fonte de informação sobre a produção arquitetônica. Paulatinamente, asseleções públicas de projeto têm sido analisadas por pesquisas acadêmicas, deixando deser apenas interesse de ramo profissional e se tornando de grande relevância para o meiouniversitário. Embora ainda pouco explorados, aos poucos o número de publicações temcrescido consideravelmente. (FLYNN, 2001; FIALHO, 2002 e 2007; AMARAL, 2007; 2
    • Universidade Presbiteriana MackenzieSOBREIRA, 2008; CAMPOLINA, 2008; e SOUSA, 2009, são alguns exemplos no casobrasileiro). (VELOSO, 2009 p. 04)Vale ressaltar que a realização de concursos é vantajosa pelo fato de ter caráterdemocrático e igualitário na competição; por dar à instituição promotora a possibilidade deescolher um entre diversas de opções; e por ser um fiel retrato do seu tempo. Destaca-setambém como a principal desvantagem de realizá-lo os critérios a serem estabelecidos parao julgamento dos projetos, que na maioria das vezes são polêmicos. (VELOSO, 2009 p. 06)Muitos dos projetos vencedores de concursos não são executados, seja por motivofinanceiro ou político. Vários projetos destacam-se pela vanguarda e pela qualidade, e casofossem construídos marcariam a produção cultural contemporânea. No entanto, muitasanálises de concursos ficam comprometidas, pois muitos deles não chegaram a serconcretizados, sendo efetivamente realizados apenas 12% dos concursos propostos noBrasil, na década de 90. (PROJETO nº 251, 2001, p.61)Outro valor comprovado dos concursos é a sua geração de cultura e trabalho, pois reuniquantidade e diversidade de possibilidades para resolver um único problema objeto deanálise. Seu grande benefício é a oportunidade de gerar o surgimento de novas gerações,consagrando novos talentos que conseqüentemente impulsiona a renovação da profissão edas linguagens artísticas, como aconteceu com diversos arquitetos brasileiros que setornaram renomados graças ao sucesso em concursos. (BIANCO, 2002, p. 12)Muitos arquitetos consagrados já fizeram parte de concursos e contestam o julgamento dosprojetos, ressaltando esta questão como a principal desvantagem de participar dosmesmos. Isto porque tanto na arquitetura realizada como na idealizada, não há muitaclareza quanto às categorias analíticas e aos critérios utilizados para sua avaliação nemconsenso quanto ao que seria um projeto de qualidade. Torna-se indispensável nojulgamento profissional em arquitetura a discussão da qualidade do projeto e os critériosque os classificam segundo uma determinada hierarquia. (VELOSO, 2009, p. 07) A questãode julgamento de projeto deveria ser muito mais aprofundada, no entanto não é interessedesta pesquisa. Vale apenas salientar que grande parte do sucesso de um concursoarquitetônico está na seriedade e clareza com que o corpo de jurados conduz a seleção,sendo imprescindível que os avaliadores serem pessoas de referência no assunto a seranalisado.1.2. O PROBLEMA DA PESQUISAO projeto de pesquisa teve como base o material já sistematizado pela pesquisa“Concursos de Arquitetura”, em que foi feita a sistematização dos concursos de arquiteturapropostos após o ano de 1978. A partir deste trabalho, foram verificados quais os concursos 3
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011de maior relevância, e em seqüência, identificados os projetos de maior destaque. Após aescolha de quais foram os objetos de análise, foi realizada a seleção de projetos comrelevância em relação ao seu caráter artístico, social e funcional, procurando-se caracterizaros principais conceitos aplicados a arquitetura vigentes no contexto da realização doconcurso em que estava inscrito.1.3. OBJETIVOS GERAISComo objetivo geral, a pesquisa pretendeu não apenas coletar informações, mas buscoutambém identificar as idéias correntes concebidas nos projetos que participaram dosprincipais concursos de arquitetura no Brasil após o ano de 1978, recuperando para odebate obras de importância, mas que correm o risco de se tornarem desconhecidas pornão haver material sistematizado disponível sobre elas. O material relativo ao produto dapesquisa será disponibilizado para que possa acrescentar às futuras pesquisas referentesao assunto, dada a pouca disponibilidade das mesmas para consulta. Deste modo, otrabalho possibilita a produção do conhecimento podendo se tornar uma fonte de estudos ediscussões críticas.2. REFERENCIAL TEÓRICODiversas fontes bibliográficas reconhecem a importância dos concursos de arquitetura comocatalisador de debates e discussões, devido às diferentes respostas dadas ao problema ouprograma, e que reflete o pensamento contemporâneo acerca da arquitetura de umadeterminada época e de um determinado contexto. “Um concurso permite, na reuniãomomentânea de propostas distintas, mas que buscam atender a mesma demanda, umacomparação, no sentido de abrir um panorama sobre o estado da arte da arquitetura, numdado momento.) (ZEIN, 1991, p.149)Os concursos, enquanto eventos públicos devem por princípio ser baseados no registro, naformalidade e na publicidade de cada uma das etapas do procedimento: a intenção, aprogramação, a concepção e o julgamento. O discurso, em cada uma dessas etapas,sintetiza as visões dos atores e os conflitos que estão em jogo. Por essa razão,compartilhamos a visão de que o dispositivo experimental do concurso pode se constituircomo um lugar de observação teórica, histórica e crítica privilegiada. (SOBREIRA, 2009 p.06)Essa forma de socialização da atividade do arquiteto é uma forma de incentivar a produçãode obras com excelente qualidade, o que reflete nas instigantes soluções que podem vir aculminar em um bom projeto. Uma boa arquitetura é possível em qualquer parte do mundo,devendo ser variada de acordo com os condicionantes de tempo e lugar, podendo ser viável 4
    • Universidade Presbiteriana Mackenzieinclusive nas cidades caóticas modernas. A qualidade básica de uma boa arquitetura,portanto, é ser própria ao ambiente e momento em que está inserida. (ZEIN, 1991, p. 68)Os concursos são condições singulares para a produção arquitetônica, em que sãoexemplificados novas idéias e conceitos. “Considerando a temática de investigação sobre oprojeto de arquitetura e entendendo essa ação como uma prática reflexiva em relação aostemas sócio-culturais, tecnológicos e estéticos abordados pela arquitetura e o urbanismo, ouniverso dos concursos públicos de arquitetura evidenciam-se como categoria exemplar denovas ideias, investigação de novos conceitos e prospecção de valores. Talvez emnenhuma outra oportunidade de projeto se estabeleça condições tão ricas e abundantes dereflexão e debates sobre a arquitetura contemporânea e seus rumos.” (MARQUES, 2009,n/p)No Brasil os concursos são regidos pela lei federal 8.666/93, que os determina como formapreferencial de seleção para obras públicas, acarretando em possíveis projetos que nãopassaram por algum tipo de seleção. Em decorrência dessa permissividade da legislação ede outros fatores de ordem cultural, o número médio de concursos públicos de arquiteturarealizados anualmente no Brasil é significativamente inferior aos de países maisdesenvolvidos que os consagram como instrumento democrático para garantia da qualidadedo ambiente construído Entre 1857 e 2000, foram realizados 373 concursos de arquitetura,uma média inferior a três concursos por ano. Entre 2000 e 2007, foram registrados 32concursos nacionais de arquitetura média anual de quase cinco concursos. Porém, mesmosendo poucos, não há uma memória sistematizada dos concursos públicos realizados, poispouco restou da documentação dos concursos efetuados, (SOBREIRA, 2009, p. 06)Apesar da exigüidade de concursos brasileiros, pioneiras obras da arquitetura moderna sefirmaram nas principais regiões brasileiras por causa deles, tais como o edifício-sede daAssociação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Ministério da Educação e Saúde Pública,ambos de 1935. Todavia, mesmo assim, pode-se ver como é minimizada a influência dosconcursos no desenvolvimento da cultura arquitetônica. (MARQUES, 2009, n/p)Os concursos de projetos criaram melhores oportunidades, quando não, únicas, deinvestigação de conceitos, temas, tendências estéticas, debates estilísticos e filosóficos,prospecções tecnológicas, retrospectivas históricas e conteúdos específicos oferecidospelos certames, normalmente importantes, examinados através de cada projetoparticipante. Os concursos de arquitetura, de certa forma, têm sido a ponte de hibridaçãoqualificada entre meio acadêmico e ofício. Assim, a armazenagem de informações docontemporâneo apresenta-se como oportunidade de criar nova tradição, que qualifique aprodução acadêmica e profissional atual, e ofereça, nos próximos anos, material em 5
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011melhores condições do que aquela que recebemos do passado. No acesso aos projetosclassificados em concursos, propiciado pelo acervo, horizonte e memória se encontram.(MARQUES, 2009, p. 06)3. METODOLOGIAA produção de caráter investigativo, para novos conhecimentos de arquitetura, promovidapelos concursos, não tem recebido a devida valorização nas carreiras universitárias, comoprodução docente, como instrumento de pesquisa e investigação, como meio de produçãodo conhecimento arquitetônico. Esse é um velho novo problema devido distanciamento daprática de projetos de arquitetura em relação à pesquisa acadêmica, persistindo emseparações nas quais forças divergem na direção do exercício do ofício, em oposição aoconhecimento científico e vice-versa, além de preconceitos mútuos entre as posições, emque se revela a relação de exclusão simplificadora de atividades indissociáveis para aqualidade da disciplina. (MARQUES, 2009, p. 06)Evidentemente nem todo projeto de arquitetura traz investigação relevante, assim comonem todo texto, por ser científico, guarda garantia de qualidade. No entanto, o projeto podeser encarado como poderosa ferramenta de análise e prospecção, necessitando de critériosde valorização, novos procedimentos de organização acadêmica e metodologias paradocumentação do processo e dos resultados, de forma a oferecer material relevante àconstrução de novos saberes da arquitetura e urbanismo e acúmulo de conhecimentosadquiridos. (MARQUES, 2009, p. 07) Desta forma, a presente pesquisa utilizou em suametodologia elementos projetuais características do profissional da arquitetura e dourbanismo, e que pode ser organizada de modo a atender o requisito acadêmico do registrodo conhecimento.O projeto de pesquisa tem seguido a metodologia estabelecida desde o início, quedeterminou a priori três etapas principais, sendo elas a de levantamento de dados com basena bibliografia especializada e documentação técnica disponível; a sistematização dasinformações com a análise dos projetos; e a elaboração dos relatórios de pesquisa. Apesquisa teve como base o material já sistematizado pela pesquisa “Concursos deArquitetura”, em que foi feito o levantamento dos concursos propostos após o ano de 1978.A partir desta lista foram verificados quais concursos tinham maior relevância, sendopriorizados ainda os de fácil acessibilidade para obtenção de material. Os concursosescolhidos para estudo foram: Reurbanização do Vale do Anhangabaú, realizado em 1981;Parque Ecológico do Guarapiranga, realizado em 1990; e o Concurso Público Nacional deReconversão Urbana do Largo da Batata, em 2002; os dois primeiros já executados e oúltimo em execução na cidade de São Paulo. 6
    • Universidade Presbiteriana MackenzieForam vistos os projetos de maior destaque em cada concurso, pesquisando em fontessecundárias referências a estes projetos. A partir deste material selecionado, mais o acessoas fontes primárias, foi realizada a sistematização de tudo o que foi obtido, para então partirpara a etapa de análise crítica dos projetos melhores classificados nas seleções. Acompreensão dos projetos foi realizada por meio da realização de croquis dos principaisdesenhos técnicos, salientando este artifício projetual como um forte elemento decompreensão dos principais pontos dos projetos. Posteriormente foram desenvolvidostextos sintéticos como forma de registro da análise crítica dos concursos selecionados.4. RESULTADOSA presente pesquisa não tem como intenção apenas a coleta de informações, mas tembuscado também identificar as idéias correntes concebidas nos projetos que participaramde três concursos de arquitetura no Brasil selecionados, após o ano de 1978. Um dasmaiores importâncias deste trabalho está em recuperar as informações destes concursos,trazendo para debate obras de grande importância, mas que correm o risco de se tornaremdesconhecidas por não haver material sistematizado disponível sobre elas. Faz-seimportante, portanto, a compreensão dos debates recorrentes de cada época dos concursosestudados, que servirão de pano de fundo para as formulações das análises críticas.Uma grande vantagem da escolha dos concursos adotados para estudo é quecoincidentemente, os três foram realizados em década diferentes e subseqüentes. Isto fezcom que se tornasse muito mais rica a compreensão e a caracterização do contexto e dasidéias vertentes de cada época, principalmente a relação da produção arquitetônicabrasileira com o Movimento Moderno. Muito se tem falado sobre a revalorização dosprincípios modernos na arquitetura brasileira, todavia, essa retomada só faz sentido, se osconceitos abordados forem entendidos de forma ampla, como uma reforma profunda dadisciplina arquitetônica em frente a modernização do mundo. Em diversos centrosbrasileiros, a produção da arquitetura fragmentou-se em teorias e propostas completamentediversas entre si, colocando em contraponto o universalismo do “estilo” moderno. A partirdesta dispersão é possível determinar que a produção arquitetônica adotou aspectos deconsiderável abertura formal e material. (BASTOS, ZEIN, 2010, p. 379)É a partir dos anos 70 que se tem o triunfo da Arquitetura Moderna, pois houve aconstrução e consolidação do “urbanismo da modernidade”. Paulatinamente, amodernidade passa a ser confrontada de forma mais veemente, principalmente as questõesobjetivas que chegam a desafia o próprio sistema. Ao fim desta década, essa crise seráconhecida como “condição pós-moderna”, não atingindo os princípios apenas do mundo 7
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011arquitetônico, mas sim os diversos debates artístico-culturais. (BASTOS, ZEIN, 2010, p.195)A virada para os anos 80 tem em seu ramo ideológico uma grande complexidade, poisencontra-se um eixo variado de tendências, enfatizando-se o momento de crise damodernidade, no Brasil e no mundo. Entretanto, pode-se ver que esta crise não levou a suadissolução e transformação radical, mas a adoção de uma grande pluralidade, o que nosleva a uma situação muito mais atrelada a uma reflexão profunda do que vinha sendopregado, do que uma reorientação de todos os conceitos. Por isso se torna mais pertinentea utilização do termo “Modernidade reflexiva” do que “Condição Pós-moderna” nesteperíodo. (BASTOS, ZEIN, 2010, p. 195)A crise do Movimento Moderno nos anos 80 passou a ser vista de forma muito mais amenana seguinte década. A crise que estava sendo vista como a morte de diversas ideologias, foimais uma “marola”, em que se reformularam as utopias modernas em vista de um mundode recursos finitos, mais realista, sustentável e perene. Os anos entre 1985 e 1995iniciaram-se perigosos e turbulentos e terminam oportunos. Uma época de grandefertilidade em debates que seguem levantando questionamentos pertinentes até a primeiradécada do século XXI. (BASTOS, ZEIN, 2010, p. 189)Nos anos 90, as teorias se convergiram pelo fato de valorizarem aspectos comuns tal qual avalorização da forma do objeto único, oriunda da conjunção artística entre o repertório dopróprio arquiteto e o local de inserção da obra. Outra característica importante é o modocomo se encara o meio urbano, pois a cidade é trabalhada de forma híbrida, em que sevaloriza o aspecto do lugar. Portanto, os aspectos considerados numa problemática destetipo é a junção do conhecimento disciplinar da modernidade enquanto tradição e amanipulação do lugar de intervenção. (BASTOS, ZEIN, 2010, p. 379)No que se trata aos concursos de arquitetura, as décadas de 1960 e 1970, foi de grandedesestímulo, devido ao desaparecimento dos processos de seleção, assim como boa partedos ingredientes concorrentes na manutenção de cultura arquitetônica consistente. Passadoo período discricionário, após vinte anos de ausência de concursos públicos, a prática foiretomada com o polêmico concurso para a Biblioteca Pública do Rio de Janeiro, em 1984,com a participação de 168 projetos e muita discussão em relação ao resultado, ondeconfronto de teses revelava os debates inerentes ao momento de revisão e os aportes pós-modernos no meio. (MARQUES, 2009, p. 08)Nos anos seguintes, durante as décadas de 1980 e 1990, concursos de arquitetura tiveramo baixo índice de realização dos projetos vencedores e o alto índice de polêmicas, emdiversas oportunidades serviram para descortinar novas abordagens arquitetônicas da 8
    • Universidade Presbiteriana MackenzieArquitetura Moderna Brasileira, como a Câmara Legislativa de Brasília e o pavilhão doBrasil para a Feira de Sevilha. MARQUES, 2009, p. 08)4.1. LEVANTAMENTO DE DADOS E ANÁLISE CRÍTICAOs três concursos selecionados foram a Reurbanização do Vale do Anhangabaú (1981);Parque Ecológico do Guarapiranga, (1990); e o Concurso Público Nacional de ReconversãoUrbana do Largo da Batata, (2002). Devido ao agendamento dos escritórios, o primeiroconcurso a ser estudado foi o Parque Ecológico do Guarapiranga, em que foram visitadosos três primeiros colocados, se adquirido entrevistas com os arquitetos participantes e umbom material de análise Posteriormente foi prioridade o concurso do Largo da Batata, queteve por peculiaridade a grande quantidade de material disponível, em sua maioria já digital,devido ao ano de sua ocorrência, em 2002. Por último, buscaram-se os materiais doconcurso do Vale do Anhangabaú, sendo inviável apenas a visita ao escritório da segundacolocação, por se localizar na cidade de Curitiba – PR. Os demais escritórios fornecerammuitos materiais, no entanto, estes eram de pior qualidade e definição por causa da ação dotempo nos arquivos em que se teve acesso, o que impossibilitou o desenvolvimento daanálise críticas sobre os projetos.O Material coletado foi dividido em três etapas para facilitar a sistematização e a formulaçãodas análises. A primeira etapa consiste na organização de fichas com as informações decada concurso. Foram pesquisados também publicações em mídias arquitetônicas ou nomeio acadêmico, que além de serem importantes registros do que já foi feito sobre oconcurso, pode-se compreender também a repercussão destes na época de suasrealizações. A segunda etapa é apenas o registro dos materiais coletados, assim como asreferências dos arquitetos que os cederam. A terceira e última etapa consiste nosapontamentos e análises críticas desenvolvidas por projeto. 9
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 20114.1.1. REURBANIZAÇÃO DO VALE DO ANHANGABAÚ1ª ETAPA - Ficha Sintética Dados Gerais Categoria Arquitetônica - Concurso Público Nacional para Áreas Urbanas 1981 - São Paulo, SP. Organização – EMURB Áreas - Promoção – Prefeitura do Município de São Paulo por meio da Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento Urbano), da EMURB (Empresa Municipal de Urbanização), e da Secretaria de Implementação das Subprefeituras e A. R. PI. – Administração Regional de Pinheiros Júri: Arqto. Carlos Maximiliano Fayet; Arqto. Eduardo Leira; Arqto. Fábio Moura Penteado; Arqto. Jorge Wilheim; Arqta. Regina Prósperi Meyer. Fontes: Revista AU (42) jun-jul/92; Revista Arquiteto SP (1) jun/81, sp (74), (17); Circular-IAB-SP mai/81, SP jun/81, SP jul/81, SP ago/81, SP supl esp jun/81, SP supl esp jul/81; Revista modulo (42) mar-mai, (76), (64) mai-jun/81; Revista projeto (31) jul/81; Folha 16/09/1980, 17/06/1981, 07/12/1983; Estadão 14/09/1983, 14/09/1983, 06/12/1983, 02/02/1984, 21/07; A CSP 20/11/1972, 24/06/1974, 24/02/1975 Premiação: 1º - Arq. Carmem Lydia N. R. e Silva, Jamil J. Kifuri, Jonas Birger, Jorge Wilhiem, Marcelo Martinez, Maria Lucinda Aguiar, Michel Todel Gorski e Rosa Kliass 2º - Elgson Ribeiro Gomes, Péricles Varella Gomes, Carlos Guilherme Gloor, Heitor Carlos Moreira Filho, Maria Luiza Gomes, Orlando do Amaral Rodrigues 3º - Paulo Bastos, Siegbert Zanettini, José Salles Costa e Filho, Newton Massufumi Yamato, Maria de Fátima Araújo, Roberto Israel Eisenberg Saruê Menção Honrosa: 1- Carlos Bratke; 2- gian carlo gasperini; 3-Joel Ramalho Junior e Leonardo Oba.Descrição Sintética: O concurso realizado pela EMURB para o Vale do Anhangabaú, SãoPaulo, foi lançado em 1981, e seu contexto de preparo para a proposta, sugeria novasidéias para a questão central; resolver o conflito existente entre pedestres e veículos, efocar na reconquista de um espaço desperdiçado, embora precioso. A garantia da fluidez aoimportante tráfego de passagem, ampliando ao máximo sua vazão, o tratamento adequadodas áreas próximas às estações de metrô, o remanejamento das infra-estruturas e a adoçãode métodos construtivos que permitissem a implantação gradual, sem interrupção dotráfego Norte-Sul, também foi um dos requisitos básicos para a proposta. O concursoobjetivava basicamente, que a área deveria ser global, de caráter abrangente, envolvendocirculação viária e de pedestres, usos de espaços públicos, equipamentos que atendessema demanda da população local e metropolitana. Regulamentação de uso de solo e dasedificações, valorizando os edifícios tombados pelos poderes públicos ou considerados emzonas especiais. 10
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie2ª ETAPA - Material Coletado1º Colocado – Arquiteta Rosa KliassDia: 14 de Maio / 2010 Telefone de contato: 3167- 4676Endereço: Rua Jesuíno Arruda, nº 888, apto 131, Itaim Bibi.Material Coletado: Fotos de algumas plantas 2ª fase. Foi feita a indicação pela arquiteta que o material doconcurso poderia estar na biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.Foi concedida entrevista pela arquiteta.2º Colocado – Arquiteto Elgson Ribeiro GomesDia: Visita não realizada Telefone de contato: (41) 3252 - 43423º Colocado – Arquiteto Paulo BastosDia: Dia: 30 de junho / 2010 Telefone de contato: 3062 - 1022Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 835, Conjunto 04, PinheirosMaterial Coletado: Fotos das pranchas originais e de alguns croquis do projeto.O arquiteto não concedeu entrevista,4.1.2. PARQUE ECOLÓGICO DO GUARAPIRANGA1ª ETAPA - Ficha Sintética Dados Gerais Categoria Arquitetônica - Concurso Público Nacional para Áreas Urbanas 1990 - São Paulo, SP. Organização – IAB-SP Áreas - Promoção – Secretaria de Estado do Meio Ambiente Júri: Arq. Arilda Cardoso de Souza; Arq. Maria Helena Lobo de Queiróz; Agr. Sérgio Luis Pompéia; Arq. Sérgio Zaratin; Arq. Vera Maria de Aranha Severo. Fontes: Regulamento do Concurso; Revista Projeto - nº 153 (jan de 1992) projeto vencedor e nº 171 (jul de 1993) diversos projetos. Arquitetura Contemporânea no Rio Grande do Sul: Monitoramento e Acervo. Arquitetura de Concursos: 1984 – 2006. Acervo digital adquirido no Núcleo de Projetos Arquitetura da UniRitter com prancha do escritório sobre o parque. Material Parcialmente disponível em: http://www.uniritter.edu.br/w2/arquitetura/acervo/index.php?area=acervo RODRIGUES, Cristiane Gonçalves Pereira. Concursos Públicos Urbanos 1989-2004: Projetos e fragmentos da cidade. Dissertação de mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp079493.pdf. Acessado em agosto de 2010. SANTOS, Valéria Cássia dos. Concursos de arquitetura em São Paulo. Dissertação de mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2002. Premiação: 1º - Carlos Fayet e Cláudio Araújo 2º - Rosa Kliass 3º - Maria Madalena Ré Menção Honrosa - Bruno Pandovano Menção Honrosa - Eduardo CatellisDescrição Sintética: Concurso realizado no início da década de 90, para seleção depropostas e contratação de projeto para o Parque Ecológico do Guarapiranga, criado pelodecreto 30442 de 20/10/89. O concurso de idéias foi realizado em duas etapas, sendo aprimeira a apresentação uma proposta global, contemplando o programa e partido, e nasegunda etapa seria apresentado o desenvolvimento das propostas.O objetivo do concurso é obter um projeto que, com uma abordagem ampla, proponhasoluções específicas para cada um dos pontos levantados pelos conflitos diagnosticados naárea, apresentados pelo material de apoio cedido aos concorrentes. A criação de umparque com o porte e as características do Parque Ecológico do Guarapiranga, exige uma 11
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011precisão na conceituação de seu caráter e finalidade, sendo analisados diversos conceitosaplicados ao projeto, tais como a preservação ambiental, a técnica empregada, aabrangência do projeto, o programa proposto, entre outros.No edital foram explicitados a abrangência e o significado do parque, bem como oscondicionantes a serem observados. Os condicionantes de mais destaque são: A finalidadedo parque será de recuperação ambiental abrangendo a vegetação e a orla da represa; Oparque deverá ter um alcance metropolitano, considerando-se sua dimensão e sua inserçãono meio urbano; Deverá propor soluções que procurem equacionar os problemas deconflitos ambientais existentes; Deverão ser assegurados prioritariamente espaços para odesenvolvimento de ações de percepção e educação ambiental e para as atividades deabrangência social; Podem ser apresentadas propostas quanto à administração egerenciamento que garantam a implementação do programa projetado; Cada equipe deveráformular o seu programa de projeto, considerando as observações anteriormenteapresentadas, quanto a equipamentos, manejo das áreas e tratamento espacial, de formaque esse conjunto estruture um conceito de Parque Ecológico.2ª ETAPA - Material Coletado 1º Colocado – Arquiteto Carlos Fayet e Cláudio Araújo Dia: 22 de Julho / 2010- Contato com Cláudio Telefone de contato: (51) 9808-7245 e (051) 3388- Araújo realizado em Porto Alegre. 7570 Endereço: Endereço da casa da Beatriz (Filha): Dr. Vicente de Paula Dutra, nº 225, apto. 201 Material Coletado: Levantamento realizado pela Universidade Ritter (Porto Alegre – RS) com uma prancha que continha diversas informações conceituais, além das perspectivas. O arquiteto não concedeu entrevista 2º Colocado – Arquiteta Rosa Kliass Dia: 14 de Maio / 2010 Telefone de contato: 3167- 4676 Endereço: Rua Jesuíno Arruda, nº 888, apto 131, Itaim Bibi. Material Coletado: Relatório do Plano Diretor Previsto (impresso A4); Proposições Preliminares para as edificações (impresso A4) Foi concedida entrevista pela arquiteta. 3º Colocado – Arquiteta Maria Madalena Ré Dia: 28 de junho / 2010 Telefone de contato: 3865 - 6793 Endereço: Rua Juazeiro, 109. Sumaré Material Coletado: Fotos das pranchas desenvolvidas para a exposição na 2ª Bienal; Compilação do regulamento, do programa, de informações sobre a área e da legislação dada aos concorrentes; Planta do levantamento do existente e delimitação da área do concurso; Planta da vegetação da área; Síntese da proposta da equipe da Maria Madalena Ré; Proposta Técnica da segunda fase. Foi concedida entrevista pela arquiteta. 12
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie3ª ETAPA - Apontamentos e Análise CríticaI. Primeira Colocada –Arquiteto Maximiliano Fayet Imagem 01 – Implantação do primeiro colocado Fonte: Croqui realizado pelo aluno utilizando-se o material do projeto adquirido pelo arquiteto Cláudio AraujoA grande característica deste projeto está na questão de encarar o parque realmente comouma área de reserva ecológica. Percebe-se que esta proposta foi a mais radical comrelação a preservação, protegendo grande parte da área total, mantendo uma pequena áreapara uso intenso, e controlando o acesso ao interior do parque por portaria única. Pode-sever nas diversas diretrizes propostas para o local uma preocupação com relação àsinterfaces indesejáveis que o entorno intensamente urbanizado pode trazer para essa áreaverde, pensando em medidas que podem refrear a mancha urbana e garantir a preservaçãoambiental do parque. A principal diretriz para a proteção do parque com relação ao entornojá urbanizado pode ser vista na proposta de fechamento das principais vias que cortam oparque e na limitação dos acessos da circulação ao seu interior. Há a previsão de controleda ocupação das áreas próximas ao parque, de modo a conter ainda mais o avanço damancha urbana nesta área de preservação. Os demais usos são dispersos e estãopróximas as regiões limítrofes entre o parque e a região urbanizada. Esses equipamentosacabam delimitando o parque. Foram pensadas outras diretrizes de grande influência com apopulação do entorno, como o tratamento das águas do rio Embu-Mirim e Piraporinha, ocontrole de erosão nos morros, e a contenção de invasões ilegais por meio de um trabalhojunto à comunidade.O modo de encarar a população próxima ao projeto do Fayet se difere muito dos segundo eterceiro colocados, pois estes propõem uma relação muito mais forte com as áreasurbanizadas. O projeto da Kliass propõe centros de apoio a comunidade de modo a criaruma interface com os moradores da região e fazer o elo da função do parque com aspessoas do local. Esta relação de proximidade com os cidadãos têm o intuito de gerar a 13
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011identificação destes com o parque. O Projeto da Ré tem a relação com o entorno muito maisvoltada na disposição da intensidade dos usos propostos. Em determinados momentoscoloca grandes maciços arbóreos nos limites do parque com a urbanização, causandocontraste, em outros define nas bordas os equipamentos de grande uso do público.II. Segunda Colocada – Equipe da arquiteta paisagista Rosa Kliass Imagem 02 – Implantação do segundo colocado Fonte: Croqui realizado pelo aluno utilizando-se o material do projeto adquirido pela arquiteta Rosa KliassA característica principal do projeto da Rosa Kliass está na disposição das funções de todoo parque. Até por conta do seu conhecimento sobre o urbanismo, é visível em seu projetodiversas diretrizes que contemplam as características de uma urbanista. As funçõesdeterminadas de grande intensidade de uso do público são em áreas muitos maiores que osdemais colocados, e é a proposta com menos área de preservação. O uso da várzea temgrande destaque, pois apesar de encará-la como área de preservação, há diversos usosinclusive com a implantação de um grande equipamento: o Museu da Várzea. Emcontrapartida, o projeto do Fayet não determina nenhum uso na região da várzea, e nenhumpercurso para o usuário. As funções dadas por ele a essa região estão ligadas ao ambiente,pois propõe um controle da quantidade de água que a permeia oriunda da represa, de modoa evitar inundações, e lagoas de tratamento da água. A pouca circulação existente navárzea é por meio de passarelas.A arquiteta paisagista Maria Madalena Ré propõe trilhas de interpretação inclusive na regiãoda várzea, no entanto ela é feita com paçadissos elevados sobre a vegetação. O usoproposto é de baixa intensidade, e é uma medida que está na proposta intermediária entreos dois projetos: Nem propõe um equipamento de grande uso como a Kliass, nem isolacompletamente a várzea do usuário como o Fayet. As edificações, cujos desenhos já foramanteriormente apontados, obedecem ao zoneamento estabelecido para o parque, em queas gradações de uso são determinantes para a disposição de equipamentos que gerariamnovas centralidades. Os setores de usos com a relação dos equipamentos neles existentes, 14
    • Universidade Presbiteriana Mackenziejá em gradação de uso são: Interface comunidade – Escolas profissionalizantes, centrocomunitário, Recepção; Parque urbano - Conforto público, Observação, caixa d’água, Salãode Baile; Aquático – Vestiário, restaurantes; Parque Rural – Fazendinha, Horta, Pomar;Várzea – Lagoa, Centro de repovoamento, Museu da várzea, arvoredo.III. Terceira Colocada – Equipe da arquiteta paisagista Maria Madalena Ré Imagem 03 – Implantação do terceiro colocadoFonte: Croqui realizado pelo aluno utilizando-se material do projeto adquirido pela arquiteta Maria Madalena RéUma das questões mais abordadas no projeto da Ré é o problema da gestão do parque.Este foi um dos pontos colocados no edital do concurso, e este foi o único projeto que deurelevância a este aspecto. Há uma grande preocupação com a funcionalidade daspropostas, sendo todos os equipamentos pensados para ser bem exeqüíveis. Sua propostaestá entre os dois extremos dos outros dos projetos - de preservação do Fayet, e do usointenso da Kliass – incentivando o uso de todas as áreas do parque, de preservação ao deuso intensivo, inclusive da água da represa. A proposta da Ré tem maior dispersão dosequipamentos. Leva os usos para áreas mais internas do parque, onde outros projetos nãorealizaram nenhuma intervenção, dispondo os usos intensivos na forma de “L” na áreaurbanizada mais ao norte. Propicia que o usuário perpasse todas as zonas do parque e vejao dégradé dos usos, criando inclusive estares em todo o parque. Embora não seja explícitoo zoneamento no projeto da arquiteta, pode-se ver isso como uma preocupação do partido.Fayet Propõe poucas áreas de uso intensivo, é o que determina a menor área deste uso.Há a restrição dos principais equipamentos em uma zona demarcada, na área urbanizadaao norte, tendo o controle de acesso ao restante do parque. Os demais usos são dispersose estão próximas as regiões limítrofes entre o parque e a região urbanizada, sendo essesequipamentos delimitadores da borda do parque. O projeto da Kliass tem os usos dispostosde modo a ter um dégradé de intensidade de atuação. Seu projeto tem os usos muito bemdelimitados e concentrados, propondo quatro núcleos com caráter diferentes: aquático,urbano, rural e natural. Essas “tipologias” de parques obedecem a diminuição do uso 15
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011conforme o interior do parque, no entanto incentiva a entrada dos usuários a áreas muitomaiores do que os demais projetos. Um dos parques que atrairiam mais a população - ourbano fica localizado no centro do parque, próximo a represa, sendo o projeto que propiciao maior contato dos usuários com a Represa do Guarapiranga.4.1.3. CONCURSO PÚBLICO NACIONAL RECONVERSÃO URBANA DO LARGO DABATATA1ª ETAPA - Ficha SintéticaDados GeraisCategoria Arquitetônica - Concurso Público Nacional para Áreas Urbanas2002 - São Paulo, SP. Organização – IAB-SP Áreas -Promoção – Prefeitura do Município de São Paulo por meio da Sempla (Secretaria Municipal dePlanejamento Urbano), da EMURB (Empresa Municipal de Urbanização), e da Secretaria de Implementaçãodas Subprefeituras e A. R. PI. – Administração Regional de PinheirosJúri: Arqto. Carlos Maximiliano Fayet; Arqto. Eduardo Leira; Arqto. Fábio Moura Penteado; Arqto. JorgeWilheim; Arqta. Regina Prósperi MeyerFontes: Vitrúvius - http://www.vitruvius.com.br/institucional/inst37/inst037.asp RODRIGUES, Cristiane Gonçalves Pereira. Concursos Públicos Urbanos 1989-2004: Projetos efragmentos da cidade. Dissertação de mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidadede São Paulo. São Paulo, 2007. Disponível em:http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp079493.pdf. Acessado em agosto de 2010. LODE, Letícia Takeda. O concurso Público no Projeto Urbanístico. São Paulo, 1998-2004. Dissertaçãode Mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008.Júri: Premiação:1º - Tito Livio Frascino, Fernando Pires, Alexandre Stefani, Letícia Lodi, Andrea Soares e Rosa Maria Leal2º - Maria do Carmo Vilarino, Luis Mauro Freire, Fabio Mariz Gonçalves, Henrique Fina e Luis Ramos3º - Luis Espallargas Gimenez, Jaime Cunha Jr., Hortênsia Espallargas Zuniga, Liliane Silva, BrunoFaggiano e Érico CostaDescrição Sintética: O Concurso de Reconversão do Largo da Batata representou umaoportunidade muito valiosa em trabalhar um setor consolidado da cidade, de forma areorganizar e revalidá-lo como parte do vetor de crescimento a que pertence. Como marcada forte influência resultado da sua característica de local de passagem resulta o desenhoviário atual, principalmente impressa nas ruas Pinheiros e Butantã, apesar das modificaçõesque a área sofreu em todos estes anos. Mesmo de forma improvisada o Largo da Batata sefirmou como uma centralidade urbana de grande importância para a cidade. (LODE, 2008,pág. 99) Uma nova diretriz viária proposta, sem preocupação com as bordasremanescentes da via gerou um espaço de degeneração urbana. Sendo o único setor quenão conseguiu se beneficiar da Operação Urbana Faria Lima, por não criar atratividade.Esta condição pode ser observada até os dias de hoje, pela estagnação de seus usos econstruções e pela degradação dos espaços públicos. Sua condição de centralidade urbanapopular contrasta com toda a sua caracterização; por esta razão, o Largo da Batata é umareferência urbana importantíssima para a cidade. (LODE, 2008, pág. 102) 16
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie2ª ETAPA - Material Coletado1º Colocado – Equipe do Arquiteto Tito Lívio FranscinoDia: 30 de junho / 2010 Telefone de contato: 3151-4440Endereço: Rua Bento Freitas, 306, 6º andar, conjunto 62, Centro.Material Coletado Desenhos em DWG; Todas as imagens apresentadas nas pranchas; Memorial Descritivo;PowerPoint com apresentação sobre o trabalho.O arquiteto não concedeu entrevista.2º Colocado – Equipe do Arquiteto Luis Mauro FreireDia: 11 de maio / 2010 Telefone de contato: 7363 - 7714Endereço: Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 117, PinheirosMaterial Coletado PDF com todas as pranchas originais; PowerPoint com todas as explicações do partidodo projeto e dados que não estão nas pranchas.Foi concedida entrevista pelo arquiteto.3º Colocado – Equipe do Arquiteto Luis Spallargas GimenezDia: Dia: 14 de maio / 2010 Telefone de contato: 3023 - 2560Endereço: Travessa João Damasceno Fernandes, 11, Vila Ida, Alto de PinheirosMaterial Coletado Imagens com as perspectivas, plantas, elevações, cortes do projeto; Apresentação comas informações do partido arquitetônico.Foi concedida entrevista pelo arquiteto.3ª ETAPA - Apontamentos e Análise CríticaI. Primeiro Colocado – Equipe do arquiteto Tito Lívio Frascino Imagem 04 – Implantação do primeiro colocado Fonte: Imagem do projeto adquirido pelo escritório arquiteto Tito Lívio FrascinoO projeto da equipe do arquiteto Tito Lívio Frascino encara o problema do largo da Batatade forma muito mais pontual que as demais propostas. Não há citação do largo da Batatacomo um elemento importante para o bairro ou até mesmo para a metrópole, realizandopropostas apenas para a área delimitada pelo concurso. Desde o início pode-se ver seusobjetivos muito bem pontuados, citando bem focadamente as regiões a serem abordadas.Entretanto, não é muito evidente a sua metodologia de análise e quais os fatores que oslevaram a chegar aos objetivos mencionados. Nas pranchas apresentadas para o concursoo seu memorial de projeto é bastante sucinto, chegando diretamente ao seu objeto âncora,elemento forte de sua proposta, mencionando poucas vezes o motivo que o levou a estasolução como a ideal para o problema urbanístico do Largo da Batata. 17
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O principal foco de atuação é a “Esplanada”, sendo esta composta pela criação de espaçospúblicos, - como a feira livre – e um grande empreendimento associado. A partir destegrande marco arquitetônico é que se desenvolvem as demais propostas, sendo resolvidasprincipalmente as questões de circulação. É importante observar que a proposta da equipeparte de um elemento arquitetônico, e não apenas de taxas urbanísticas e questões legais.Pode-se dizer que os autores partem do pressuposto que a revitalização deste local urbanonecessita de propostas que não sejam apenas instrumentos urbanísticos, legando a umobjeto arquitetônico a possibilidade de revitalização da cidade.II. Segundo Colocado – Equipe do arquiteto Luiz Mauro FreireA proposta que angariou a segunda colocação faz um estudo global da região, inclusive deáreas além do limite proposto pelo edital do concurso. Após o detalhamento e zoneamentode cada setor há a formulação de propostas para cada área, dando ênfase na delimitadapelo regulamento do concurso. Por causa deste estudo é possível perceber que aspropostas feitas pela equipe estão mais descentralizadas e voltadas para a questão dacirculação geral, inclusive das previstas na Operação Urbana. Imagem 05 – Implantação do segundo colocado Fonte: Imagem do projeto adquirido pelo escritório arquiteto Luiz Mauro FreireAlém dos objetivos citados prioritariamente nas pranchas do concurso, a equipe enfatiza osinstrumentos dos modos de ação e as estratégias para a intervenção da área maisdetalhados que os seus concorrentes. Estes aspectos são salientados antes mesmo deapresentar as propostas de cada setor. É evidente a análise metodológica realizada pelaequipe, principalmente pelos mapas desenvolvidos para a macro área de estudo, em quesão levantados as características, deficiências e potencialidades de cada setor. Após toda aanálise setorial há a discussão das duas principais intervenções pontuais – o novo Largo dePinheiros e a Praça Cooperativa Agrícola. O principal aspecto a ser ressaltado deste projetoé a questão do desenho urbano. É a proposta em que as questões projetuais aparecemmais presentes, e não apenas no objeto arquitetônico em si, mas como uma intenção deorganização do espaço urbano. Este aspecto se diferencia dos demais concorrentes, pois o 18
    • Universidade Presbiteriana Mackenzieprimeiro colocado ressalta o objeto arquitetônico em si, e o terceiro colocado faz uso intensodos recursos urbanísticos.III. Terceiro Colocado – Equipe do arquiteto Luiz Esparllagas Imagem 06 – Implantação do terceiro colocado Fonte: Imagem do projeto adquirido pelo escritório arquiteto Luiz EsparllagasA terceira colocação do concurso foi dada ao projeto da equipe do arquiteto Esparllagas, emque se destaca por ser a única proposta em que se faz menção a história. Os objetivosdeste projeto não são detalhados explicitamente, estando citadas no decorrer de seudiscurso. Em contrapartida, ressalta-se a explicação da metodologia de análise da área, quetem base principalmente na história e nos eixos de circulação existentes. Há umapreocupação muito grande da equipe em estabelecer instrumentos urbanísticos para que aproposta seja viável, deixando em segundo plano as questões projetuais. Esta equipepropõe uma leitura dos eixos de circulação muito mais clara dos que os outros colocados, oque a permitiu articular a região com as demais áreas da cidade de forma muito maiscondizente com o real e fazer uma proposta integrada com esses eixos. Há uma integraçãomuito forte da capacidade de circulação da via com o seu uso do solo, fator este analisadosomente por esta equipe, e que deve ser norteador no projeto de intervenção urbana.Um aspecto muito evidente no projeto é a falta de um grande elemento polarizador. Aprincipal questão abordada é o equacionamento da circulação e do transporte, tendo comointervenção mais drástica a abertura da praça que ligaria a Igreja Monte Serrat a Av. FariaLima, resolvendo basicamente o problema de circulação dos pedestres. É notável tambémnesta postura, a intenção da valorização da Igreja, explorando o seu lado histórico. Assimcomo o segundo colocado, a equipe do Espallargas desenvolve uma grande análise deáreas além das delimitadas pelo edital do concurso. No entanto, sua principal diferença éque sua análise observou muito mais profundamente questões tais como verticalização, usodo solo, hierarquias viárias e áreas para desapropriação. Esta equipe desenvolveu muitosmapas de estudo da área dividindo as áreas de acordo com características urbanas, aocontrário da equipe do Freire que zoneou a partir dos principais pontos focais de interesse eatratividade da população. 19
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 20115. CONCLUSÃOO estudo de concurso se mostrou muito rico com relação a informações de projetos emdeterminadas épocas, além de serem oportunidades únicas para o desenvolvimento deprojetos normalmente de grande escala e repercussão, que acabam se tornando muitorelevantes para a constituição da história da arquitetura brasileira. Os materiais que sãodesenvolvidos para estes processos seletivos são de grande qualidade, além de muitasvezes serem as únicas oportunidades em que diversos arquitetos registrem, inclusive deforma textual, suas ideologias e intenções projetuais.O presente trabalho engajou-se na sistematização de todo o material coletado e procurouser o mais fiel possível no tocante ao registro dos desenhos, dos textos e das entrevistasadquiridas. Isto para que o produto referente a pesquisa possa ser disponibilizadoposteriormente para consultas de forma idônea, na tentativa se produzir um conhecimentosolidificado e que possa acarretar outras demais discussões críticas sobre o assunto. Asanálises críticas foram desenvolvidas após um árduo trabalho de entendimento dosprojetos, com formação de opinião a partir da identificação das atitudes projetuais de cadaequipe, e não tem pretensão de serem verdades absolutas sobre cada projeto participante,mas são pequenos ensaios para possíveis discussões futuras.6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBASTOS, Maria Alice Junqueira. ZEIN, Ruth Verde. Brasil: Arquiteturas após 1950. São Paulo, Editora Perspectiva, 2010.BIANCO, Alfredo Del. A linguagem dos Concursos : projetos de edificações em concursos públicos de arquitetura. Dissertação (Mestrado de Arquitetura e Urbanismo) Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo – Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2002.FIALHO, Valéria Cássia dos Santos. Arquitetura textos e imagem : a retórica da representação nos concursos de arquitetura. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo – Universidade de São Paulo, 2007.FIALHO, Valéria Cássia dos Santos. Concursos de Arquitetura e São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo – Universidade de São Paulo, 2002.FLYNN, Maria Helena de Moraes Barros. Anotação para uma História dos Concursos de Arquitetura no Brasil – 1857-1985. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) 20
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo – Universidade de São Paulo, 2001.LODE, Letícia Takeda. O concurso Público no Projeto Urbanístico. São Paulo, 1998-2004. Dissertação de Mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008MARQUES, Sérgio M. Arquitetura Contemporânea no Rio Grande do Sul : Monitoramento e Acervo. Disponível em : http://www.uniritter.edu.br/w2/arquitetura/acervo. Acessado em outubro de 2009.MARQUES, Sérgio M. Arquiteturas de Concursos no Sul: Monitoramento e Acervo (1984- 2006). IV Projetar 2009, FAU – Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, outubro de 2009.MISSAKA, Carolina Rodrigues. Levantamento, sistematização e análise dos concursos de arquitetura brasileiros de 1978 a 1992. MackPesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2008.PROJETO (251). São Paulo, Arco, 2001.SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil. 1900-1990. 2 Ed. São Paulo, Edusp, 2002.SOBREIRA, Fabiano José Arcádio. Concursos de Arquitetura e Sustentabilidade: entre a retórica e a prática. O enfoque ambiental dos concursos realizados no Brasil e no Canadá entre 2000 2 2007. IV Projetar 2009, FAU – Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, outubro de 2009.VELOSO, Maisa. O julgamento de projetos em contexto profissional: uma análise de quatro concursos de arquitetura no Brasil. IV Projetar 2009, FAU – Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, outubro de 2009.ZEIN, Ruth Verde. O lugar da crítica – ensaios oportunos da arquitetura. São Paulo, Rither dos Reis, 1991.ZEIN, Ruth Verde. CECCO, Ângelo Jr., RODRUIGUES, Cecília dos Santos. Pesquisa em arquitetura: repertoriando projeto. IV Projetar 2009, FAU – Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, outubro de 2009.6.1. Siteshttp//:arquiteturabrutalista.com.br. Acessado em julho 2010.http//:concursosdeprojeto.org. Acessado em outubro de 2010.http//:iab-rs.org.br. Acessado em outubro de 2010.http://www.vitruvius.com.br/jornal. Acessado em dezembro de 2010 21
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Contato: mtscasimiro@gmail.com e rvzein@gmail.com 22