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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  • 1. Universidade Presbiteriana MackenziePOSIÇÃO EM PÉ NO TRABALHO DOS AUXILIARES EDUCACIONAIS EAGENTES DE SEGURANÇA E SUAS PERCEPÇÕES QUANTO ÀACESSIBILIDADE NA ÁREA EXTERNA DO CAMPUS ITAMBÉ DAUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE.Fernando de Souza Carvalho (IC) e Raquel Cymrot (Orientadora)Apoio: PIBIC MackenzieResumoO presente trabalho é baseado nos conceitos de ergonomia, desenho universal e saúde dotrabalhador. O estudo busca estimar a incidência de desconforto/dor nos membros superiores,inferiores e coluna vertebral dos auxiliares educacionais e agentes de segurança que trabalham naUniversidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Itambé uma vez que estes profissionaisdevem permanecer na posição em pé por longos períodos. Outro objetivo é conhecer a percepçãodestes mesmos profissionais quanto à questão da acessibilidade na área de circulação externa entreos prédios do campus. Para tanto, foi realizada uma pesquisa anônima com tais profissionais, pormeio de um instrumento de pesquisa em forma de formulário. O funcionário não era obrigado aparticipar da pesquisa, sendo cumpridos os procedimentos éticos necessários. Setenta e seis porcento dos funcionários participaram da pesquisa. Após coletados, os dados foram consolidadossendo então realizada uma análise descritiva destes. Foram realizados alguns testes estatísticos não-paramétricos tais como para independência de pares de variáveis aleatórias (teste Quiquadrado outeste exato de Fisher) e teste para a comparação de vários níveis de um fator, originários de ummesmo elemento experimental (teste de Friedman). Os resultados obtidos foram interpretados econclusões foram obtidas. Dentre alguns resultados relevantes destaca-se que quase 70% dosfuncionários relataram sentir desconforto ou dor nos membros superiores, coluna ou membrosinferiores.Palavras-chave: saúde do trabalhador, acessibilidade, análise estatística.AbstractThis work is based on the concepts of ergonomics, universal design and employees’ health. The studyaims at estimating the incidence of discomfort / pain in upper and lower limbs and spine of educationalassistants and security officers working at Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) at Itambécampus, once these professionals must remain standing for long periods. Another aim is to know theperception of such professionals on accessibility in the area of external circulation among buildings inthe campus. For such purpose, an anonymous survey was made with these professionals, through asurvey form. The employee was not compelled to participate in the survey, and the necessary ethicalprocedures were met. Seventy-six percent of the employees participated in the survey. Oncecollected, the data were consolidated and then a descriptive analysis of the same was made. Somestatistics nonparametric tests were done such as independence test for pairs of random variables(Chi-Square test or Fishers exact test) and test for comparison of various levels of a factor, originatingfrom the same experimental element (Friedman test). The results obtained were interpreted andconclusions were drawn up. Among some relevant results, it should be highlighted that nearly 70% ofthe employees reported discomfort or pain in their upper limbs, spine or lower limbs.Key-words: employees’ health, accessibility, statistics analysis 1
  • 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 20111 INTRODUÇÃONa vida cotidiana, indivíduos podem assumir posturas que causem algum impacto em suasaúde. Há, em especial, algumas classes de profissionais cuja atividade torna necessário àmanutenção de uma dada posição que pode não ser a ideal.No Brasil, assim como em outros países com o mesmo grau de desenvolvimento, aincidência de doenças ocupacionais, segundo as estatísticas oficiais, é muito baixa.Possivelmente, isso se deve à falta de diagnostico e ao sub-registro (MENDES, 1988;FORÇA SINDICAL, 2002).A atividade profissional obriga muitos indivíduos a passar grande parte de seu expedienteem uma única posição, em pé. Entretanto, poucos dentre estes profissionais, têmconhecimento das possíveis conseqüências de tal postura em sua saúde. A nota técnica060 de 2001 do Ministério do Trabalho e Emprego ressalta que todo esforço de manutençãopostural leva a uma tensão muscular estática que pode ser nociva à saúde. Os efeitosfisiológicos dos esforços estáticos se devem à compressão dos vasos sangüíneos, uma vezque o sangue deixa de fluir, fazendo com que o músculo não receba oxigênio nemnutrientes, acarretando a manutenção dos resíduos metabólicos que ao se acumularprovocam dor e fadiga muscular. As manutenções estáticas prolongadas podem tambéminduzir ao desgaste das articulações, discos intervertebrais e tendões. (BRASIL, 2001).A Ergonomia é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entreseres humanos e outros elementos de um sistema. Nela, aplica-se teoria, princípios, dadose métodos, a fim de proporcionar o bem estar do ser humano e o desempenho global dosistema de forma otimizada (INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, 2008).Embora a ergonomia tenha nascido durante a Segunda Guerra Mundial, somente a partir dadécada de 90, os conhecimentos por ela proporcionados vêm sendo utilizados para fins desegurança, conforto e eficiência no trabalho (IIDA, 2005; DUL; WEERDMEESTER, 2000).Neste artigo, os profissionais em estudo serão os auxiliares educacionais e os agentes desegurança cujas respectivas ocupações os levam a manter-se na posição em pé por umtempo relativamente longo, devido ao fato desta função necessitar, entre outras atividades,de deslocamentos contínuos.Segundo Ramos [1998?], a partir da promulgação da Constituição de 1988, a SociedadeCivil e o Estado no Brasil passaram a priorizar o homem como ser de direitos uma vez queesta estabeleceu em seu texto que a cidadania e a dignidade da pessoa humana devemnortear toda e qualquer conduta dos cidadãos e autoridades de modo a viabilizar “aconstrução de uma sociedade livre, justa e solidária, capaz de promover o bem de todos,sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de 2
  • 3. Universidade Presbiteriana Mackenziediscriminação” (BRASIL 1988 apud RAMOS [1998?], não paginado). Neste contexto, “odireito de acesso aos espaços culturais e artísticos aos portadores de deficiência representaa implementação, a efetivação dos princípios e objetivos traçados pela própria Constituição”(RAMOS [1998?], não paginado) e o acesso à Universidade faz parte deste universocultural.O Desenho Universal teve sua origem na década de 1970 visando a “[...] simplificar a vidade todos, elaborando produtos, informações e ambientes construídos mais utilizáveis pormaior número possível de pessoas, a baixo custo ou sem nenhum custo extra.” (CENTERFOR UNIVERSAL DESIGN, 1997 apud LOPES, 2005, p.11). O desenho universal devecontemplar todos os cidadãos, inclusive os com deficiências físicas, sensoriais ouintelectuais e os que se enquadram na categoria de mobilidade reduzida que incluindoobesos e gestantes. Muitos locais, ainda hoje, não se mostram preparados para recebertodas as pessoas, dificultando as atividades cotidianas para parte da população. Éfundamental que a acessibilidade seja analisada sob o prisma do desenho universal.Esta pesquisa realizou um levantamento de dados com os auxiliares educacionais e agentesde segurança que trabalham no Campus Itambé da Universidade Presbiteriana Mackenzie,uma vez que eles permanecem grande parte de seu expediente de trabalho na área externadentro do Campus, observando a movimentação na área. O presente estudo abordou apercepção destes funcionários com respeito à questão da acessibilidade, dentro doCampus.1.1 OBJETIVOO objetivo deste trabalho é identificar o perfil e conhecer os problemas de saúde que afetamos auxiliares educacionais e agentes de segurança da Universidade PresbiterianaMackenzie, Campus Itambé, bem como pesquisar suas percepções a respeito da questãoda acessibilidade na área externa dentro do Campus. O trabalho considerou aspectosrelativos à segurança ocupacional, em especial a ergonomia.1. 2 JUSTIFICATIVATem-se como foco principal o levantamento das condições de trabalho e agravos à saúderelatados pelos auxiliares educacionais e agentes de segurança da Universidade para que,desta forma, medidas preventivas possam ser tomada a fim de lhes proporcionar melhorqualidade de vida.Tendo em vista que a Universidade Presbiteriana Mackenzie tem uma grande circulação depessoas, não só alunos, como também professores, funcionários e visitantes, a percepçãodos auxiliares educacionais e agentes de segurança quanto à acessibilidade na áreaexterna do Campus é suma importância, uma vez que no exercício de suas atividades 3
  • 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011profissionais estes funcionários entram em contato direto com quem circula pela áreaexterna do Campus. Estes funcionários testemunham diversas situações que, uma vezconhecidas, podem sinalizar a necessidade de mudanças a fim de garantir, da forma maisampla possível, o acesso a todos os cidadãos ao Campus, levando em conta o desenhouniversal.2 REFERENCIAL TEÓRICOPara a realização desta pesquisa alguns tópicos foram especialmente estudados. Estesestão apresentados a seguir:2.1 SAÚDE DO TRABALHADORA Engenharia da Segurança do Trabalho, segundo a resolução 359 de 1991 do ConselhoFederal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), deve voltar-se “precipuamentepara a proteção do trabalhador em todas as unidades laborais, no que se refere à questãode segurança, inclusive higiene do trabalho”. (CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA,ARQUITETURA E AGRONOMIA, 1991, p. 1).Segundo a Norma Regulamentadora nº 4 do Ministério do Trabalho e Emprego, asempresas privadas e públicas que possuam empregados regidos pela Consolidação dasLeis do Trabalho (CLT) devem manter Serviços Especializados em Engenharia deSegurança e em Medicina do Trabalho, visando promover a saúde e proteger a integridadedo trabalhador no local de trabalho. Tais serviços devem ter em seus quadros defuncionários pelo menos um Engenheiro de Segurança do Trabalho. (BRASIL, 2008). Oestudo da saúde e integridade do trabalhador deve ser, portanto, um tema relevante dentroda Engenharia.Segundo a nota técnica 60 de 2001 do Ministério do Trabalho e Emprego, a manutenção dapostura em pé imóvel apresenta as seguintes desvantagens: (BRASIL, 2001, p. 3). • tendência à acumulação do sangue nas pernas o que predispõe ao aparecimento de insuficiência valvular venosa nos membros inferiores, resultando em varizes e sensação de peso nas pernas; • sensações dolorosas nas superfícies de contato articulares que suportam o peso do corpo (pés, joelhos, quadris); • a tensão muscular permanentemente desenvolvida para manter o equilíbrio dificulta a execução de tarefas de precisão; • a penosidade da posição em pé pode ser reforçada se o trabalhador tiver ainda que manter posturas inadequadas dos braços (acima do ombro, por exemplo), inclinação ou torção de tronco etc.; • a tensão muscular desenvolvida em permanência para manutenção do equilíbrio traz mais dificuldades para a execução de trabalhos de precisão. 4
  • 5. Universidade Presbiteriana Mackenzie2. 2 ERGONOMIAO termo “ergonomia” deriva dos termos gregos “ergon” (trabalho) e nomos (leis naturais). Aergonomia estuda as relações do homem com o seu ambiente de trabalho, levando emconta a segurança e o conforto. O aperfeiçoamento de projetos de máquinas, ambientes eprodutos foi possível levando em conta a análise de dados obtidos em experiências delaboratório que medem o desempenho do ser humano em diferentes atividades (IIDA, 2005).Os conhecimentos ergonômicos são bastante amplos e sua aplicação pode gerar grandesbenefícios tanto no ambiente de trabalho, reduzindo o sofrimento dos trabalhadores emelhorando sua produtividade, quanto na qualidade de vida da população em geral. Taisbenefícios são possíveis uma vez que a ergonomia engloba uma grande variedade detemas, como antropometria, biomecânica, fisiologia, toxicologia, engenharia mecânica,desenho industrial, eletrônica e informática entre outros, estudando a postura e osmovimentos corporais, os fatores ambientais, controles, cargos e tarefas. Uma vez que osprojetos são elaborados para atender a 95% da população, pessoas com medidas bemdiferentes da média acabam tendo dificuldade de adaptação a equipamentos, sistemas etarefas projetados para uso coletivo (IIDA, 2005; DUL; WEERDMEESTER, 2000).Projetos que levam em conta a ergonomia devem respeitar, segundo Guérin et al. (1997,apud ROCHA, 2002) quatro princípios, a saber: a diferenciação entre tarefa (prescrição dotrabalho a ser realizado) e atividade (trabalho efetivamente realizado), reconhecimento dadiversidade do interior das situações produtivas (variabilidade), carga de trabalhoenvolvendo as diferentes dimensões humanas e o modo operatório, relacionado comresposta individual de acordo com as situações de trabalho.2.3 O DESENHO UNIVERSALA expressão de desenho universal foi utilizada pela primeira vez em 1985 nos EstadosUnidos, por Ron Mace o qual afirmou que o desenho universal deve criar ambientes ouprodutos de modo que possam ser utilizados pelo maior número de pessoas possível, combaixo custo ou sem nenhum custo extra. O conceito de desenho universal surgiu dasexigências e necessidades de dois grupos sociais distintos: dos movimentos dos que tinhamalguma deficiência e sentiam suas necessidades postas de lado pelos profissionais da áreade construção e arquitetura, e da iniciativa de alguns arquitetos, urbanistas e designers quebuscavam uma maior igualdade dos valores e uma visão maior na criação dos projetos(CAMBIAGHI, 2007).O Desenho Universal propõe um uso democrático para o espaço, adaptando-se assim aosmais variados perfis de usuários: apregoa que todas as pessoas, crianças ou idosos, oumesmo quem tenha alguma limitação física (temporária ou permanente), tenham condições 5
  • 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011igualitárias na qualidade de uso de um ambiente construído, seja este interno ou externo. Deacordo com os dados do XI Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística (IBGE) no ano 2000, 14,5% da população brasileira enfrenta algumabarreira, dificultando o acesso a residências, ruas, meios de transporte, mobiliário urbano,escolas entre outros. Ultrapassar estes obstáculos é uma meta proposta pelo DesenhoUniversal, que pode ser associado aos conceitos de projetos arquitetônicos em que há aremoção de barreiras (BERNARDI, 2007).Campos ([2000-?]) destaca que o desenho universal é um novo paradigma que surgiu dasidéias de inexistência de barreiras, desenho acessível e tecnologia assistiva. O autorassocia os conceitos de Desenho Inclusivo e Desenho para todos. Tal desenho leva a umenfoque diferenciado para produtos, serviços e ambientes de modo que possam ser usadospor todas as pessoas, independentemente da idade, habilidade ou condição de saúde. Estaidéia está ligada diretamente ao conceito político de uma sociedade inclusiva e suaimportância vem sendo reconhecida por governos, indústria e comércio, devendonecessariamente ser levada em conta também por arquitetos, engenheiros e designers.Cambiaghi (2007), em acordo com a Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) daSecretaria Especial da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida (SEPED) doMunicípio de São Paulo, apresentou de forma mais detalhada os sete princípios básicos doDesenho Universal, conforme desenvolvido nos Estados Unidos da América pelo Center forUniversal Design, a saber: equiparação nas possibilidades de uso; flexibilidade no uso; usosimples e intuitivo; informação perceptível; tolerância ao erro; mínimo esforço físico edimensionamento de espaços para acesso de todos os usuários.Lanverly (2010) destaca que apesar da criação dos sete princípios do desenho universal játer duas décadas, estes só começaram a ser praticados no Brasil a partir da publicação dalei 10098/2000 de 2000 que tem por finalidade a eliminação de barreiras nas vias públicas.Tal lei estabelece critérios básicos para a promoção da acessibilidade dos indivíduos comdeficiência e mobilidade reduzida. “O objetivo desta lei é a superação de barreiras eobstáculos em vias públicas, espaços públicos, mobiliário urbano, construção e reforma deedificações, nos meios de transporte e comunicação” (LANVERLY, 2010, p. 44). A autoraafirma ser o desconhecimento técnico do tema uma grande dificuldade para a aplicação dosreferidos princípios.2.4 ALGUNS TESTES NÃO-PARAMÉTRICOSA seguir serão apresentados os testes não-paramétricos utilizados neste trabalho. 6
  • 7. Universidade Presbiteriana Mackenzie2.4.2 Teste QuiquadradroO teste Quiquadrado é usado para testar se dois grupos diferem quanto a algumacaracterística, quando “os dados consistem em freqüências em categorias discretas”(SIEGEL; CASTELLAN, 2008, p. 134), isto é, serve para testar se duas variáveis aleatóriassão independentes.Os dados são então dispostos em uma tabela de contingência com uma variável nas linhase a outra nas colunas. Neste caso tem-se uma tabela de dupla entrada (as duas variáveis).Seja r o nº de níveis da primeira variável e c o nº de níveis da segunda variável. Tem-se queo grau de liberdade será igual a (r-1) (c-1) e o valor do Quiquadrado observado será igual a: r c (o ij − eij ) 2 r c 2 oij χ =∑ 2 ∑ =∑ ∑ −n i =1 j =1 eij i =1 j =1 eij(1)Com eij igual ao produto das marginais da observação oij dividido pelo tamanho da amostran.Quando a tabela de contingência não for 2 x 2, a prova que Quiquadrado pode ser aplicadasomente se o número de células com freqüência inferior a 5 for menor que 20% do total decélulas e se nenhuma célula tiver freqüência esperada inferior a 1. Se essas condições nãoforem satisfeitas pelos dados na forma em que foram coletados originalmente, opesquisador deve combinar categorias de modo a aumentar as freqüências esperadas nasdiversas células. Se em uma tabela 2 x 2, houver alguma freqüência esperada inferior a 5, oteste Quiquadrado não poderá ser usado. Neste caso recomenda-se a utilização do testenão-paramétrico exato de Fisher (COSTA NETO, 2002).2.4.2 Teste exato de FisherO teste exato de Fisher é usado para testar independência entre pares de variáveisaleatórias com dois níveis cada uma (tabela de contingência 2 x 2). Tal teste é utilizadoquando as suposições para o uso do teste Quiquadrado não se verificam.O teste exato de Fisher é baseado na distribuição hipergeométrica. Calcula-se aprobabilidade do resultado ocorrido acrescida das probabilidades dos resultados ainda maisextremos. Este será o nível descritivo do teste e a hipótese de independência das variáveisaleatórias deverá ser rejeitada se seu valor for inferior ao nível de significância do teste(SIEGEL; CASTELLAN, 2008). 7
  • 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 20112.4.3 Teste de FriedmanO teste de Friedman deve ser usado quando se deseja saber se as classificações dosdiversos aspectos foram extraídas da mesma população ou de populações com mesmamediana. Neste caso só devem ser utilizados os dados cuja totalidade de aspectos foiclassificada (SIEGEL; CASTELLAN, 2008). Os dados consistem k amostrascorrespondentes (mesmo grupo com N indivíduos em k condições) e devem ter no mínimoem escala ordinal. Para este teste, os dados são colocados em uma tabela de dupla entradacom N linhas (cada linha corresponde a um indivíduo) e k colunas (cada coluna correspondea uma das condições).Atribui-se postos dentro de cada linha (medidas de um mesmo elemento, isto é, para cadaindivíduo, atribuem-se postos para as k condições). O teste de Friedman determina se ostotais dos postos para condição j (indicados por Rj), com 1 ≤ j ≤ k diferem significativamentedos valores que seriam esperados devido ao acaso. (SIEGEL; CASTELLAN, 2008). Deve-seentão calcular: k 12 2 χr = ∑ ( R j ) 2 − 3 N (k + 1) Nk ( k + 1) i =1 (2)Se k = 3 e N ≥ 10 ou se k = 4 e N ≥ 5 ou se k ≥ 5, χ 2 terá distribuição Quiquadrado com (k r– 1) graus de liberdade. Rejeita-se a hipótese de que as k amostras foram extraídas damesma população se χ 2 for maior que o quiquadrado crítico observado com (k – 1) graus rde liberdade.3 METODOLOGIAFoi construído um instrumento de pesquisa anônimo. Para elaboração das questõespertinentes, contou-se com a colaboração dos funcionários Instituto PresbiterianoMackenzie, entidade mantenedora da UPM: a Engenheira de Segurança Maria YolandaTrindade Pinheiro e o médico do trabalho Dr. Aldemir Natucci Rizzo. O instrumento foiaplicado na forma de formulário, isto é, o aluno fazia as perguntas e anotava as respostas.Por envolver pesquisa com seres humanos, o projeto desta pesquisa foi submetido eaprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade PresbiterianaMackenzie.Os agentes de segurança e auxiliares educacionais foram avisados previamente por seussuperiores, da realização desta pesquisa. Foi então fornecida uma listagem de todos osagentes educacionais e de segurança que trabalham no Campus Itambé. Em um segundo 8
  • 9. Universidade Presbiteriana Mackenziemomento, Após a manifestação do aceite e autorização por escrito dos agentes desegurança e auxiliares educacionais, foi realizada a coleta dos dados por meio da aplicaçãodo formulário de pesquisa anônimo e não obrigatório para os agentes de segurança eauxiliares educacionais. Tal formulário foi composto por vinte e uma perguntas.As questões de 1 a 3 caracterizam o respondente quanto ao gênero, faixa etária e função(auxiliar educacional ou agente de segurança). As questões de 4 a 7 caracterizam orespondente quanto ao tempo que exerce a função, qual a carga horária semanal noMackenzie, se há outra carga horária semanal resultante de outra ocupação e qual operíodo em trabalha na função.Na questão 8 pede-se ao pesquisado para assinalar quais os elementos que podem trazeralguma insegurança, no espaço do Campus Itambé, bem como determinar a área próxima adetecção destes problemas, caracterizando assim a percepção sobre a acessibilidade esegurança dos mesmos. Desta forma, a questão 8 tratou dos problemas verificados pelosrespondentes no exterior e no contorno dos prédios. As alternativas foram definidas tendocomo base as normas técnicas e de segurança do trabalho NR 8 (BRASIL, 2001), NR 17(BRASIL, 2007). As normas regulamentadoras (NR) são estabelecidas pelo Ministério doTrabalho e Emprego e se referem à saúde e segurança dos trabalhadores.A NR 8, sobre edificações, considera as condições de circulação como pisos, escadas,passagens, rampas, paredes e coberturas de edifícios. Esta NR “[...] estabelece requisitostécnicos mínimos que devem ser observados nas edificações, para garantir segurança econforto aos que nelas trabalhem.” (BRASIL, 2001, p. 1).A NR 17, norma regulamentadora que trata de ergonomia, estabelece no item 17.5 que “[...]as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às característicaspsicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.” (BRASIL,2007, não paginado).As questões 9 e 10 solicitam ao respondente que quantifiquem o número máximo de horasque permanecem em pé fora do expediente e esclarecer qual o tipo de atividade que oimpede de se sentar neste tempo.As questões 11, 12 e 13 pedem ao respondente para identificar se atualmente sente algumdesconforto nos membros superiores, coluna ou membros inferiores e no caso dopesquisado não sentir nenhum desconforto solicita-se que o mesmo vá para a questão 19.No caso afirmativo pede-se para que o respondente determine há quanto tempo sente estesdesconfortos, quais os desconfortos e suas intensidades. A questão 14 descreve assituações em que há alguma melhora destes desconfortos. As questões 15 e 16caracterizam a freqüência com que o entrevistado usa algum medicamento ou acessório 9
  • 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011para aliviar o desconforto. A questão 17 procura avaliar quantos destes que afirmam teralgum desconforto procuraram algum profissional e qual o tipo de profissional procurado(público, convênio etc.). Na questão 18 solicita-se ao respondente que diga se já teve algumdistúrbio nos membros inferiores, coluna ou inferiores e em caso afirmativo, é arguido qual odistúrbio e qual o tratamento realizado.A questão 19 pergunta ao funcionário se ele pratica alguma atividade física e em casoafirmativo, solicita-se que determine a frequência desta atividade. As questões 20 e 21 sãodissertativas e respectivamente pergunta qual a sugestão do funcionário para minimizar odesconforto e solicita um resumo das atividades diárias na função.A pesquisa foi realizada nos meses de novembro e dezembro de 2010. Não foi possívelrealizar a pesquisa com a totalidade dos auxiliares educacionais e agentes de segurança.Alguns funcionários não foram localizados, pelo pesquisador, no período estabelecido paraa execução da pesquisa. Ressalta-se também, que coube ao funcionário aceitar ou nãoparticipar da pesquisa, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido apósconhecimento da Carta de Informação ao Sujeito de Pesquisa. Durante o processo de coletade dados não houve recusas em responder o formulário, entretanto foi um processo umpouco descontinuado. Algumas vezes o formulário estava sendo preenchido quando oprofissional em questão era solicitado para a execução de alguma tarefa, tornando-senecessário continuar o preenchimento em outro horário.Segundo Bolfarine e Bussab (2005, p. 14) “O propósito da amostra é o de fornecerinformações que permitam descrever os parâmetros do universo, da maneira maisadequada possível. A boa amostra permite a generalização de seus resultados dentro delimites aceitáveis de dúvidas”. A amostra foi, portanto não probabilística, mas porindepender do pesquisador poderá ser considerada uma amostragem criteriosa. O critériode amostragem foi objetivo uma vez que seu protocolo descritivo foi inequívoco, produzindoamostras com as mesmas propriedades, independente de quem as selecionou(BOLFARINE; BUSSAB, 2005).Depois de realizada a pesquisa, os dados foram tabulados, consolidados sendo entãorealizada uma análise estatística dos dados por meio de análise descritiva e construção deintervalos com 95% de confiança (I.C.) para as variáveis pertinentes.Nível descritivo de um teste de hipótese é a probabilidade de se obter, à luz da hipótesealternativa, estimativas mais desfavoráveis ou extremas do que a fornecida pela amostra(MAGALHÃES; LIMA, 2010). Todos os testes de hipótese foram realizados utilizando-se umnível de significância de 5%, sendo também calculados seus respectivos níveis descritivos(valor-P). Desta forma foram rejeitadas as hipóteses cujos níveis descritivos apresentaram 10
  • 11. Universidade Presbiteriana Mackenzievalores inferiores a 0,05. Para todos os testes de hipótese foram calculados seusrespectivos níveis descritivos, P.A fim de testar se existe independência entre um par de variáveis aleatórias, foi utilizado oteste Quiquadrado de independência, Quando este não pode ser usado em função dosdados não satisfazerem as suposições necessárias, foi utilizado o teste Exato de Fisher. Oteste de Friedman foi usado para análise da questão 13 do instrumento de pesquisa.Os dados foram analisados com a utilização do programa estatístico Minitab, disponível noLaboratório de Simulação de Processos de Produção HSBC do prédio 4 da Escola deEngenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.4. RESULTADOS E DISCUSSÃOA amostra foi composta de 52 dentre os 68 auxiliares educacionais e agentes de segurançao que representa 76,47% da população. A validação da amostra foi realizada baseando-sena variável disponível, função exercida, havendo independência entre as variáveis participarda pesquisa e função exercida (P = 0,355).O gráfico 1 apresenta os gráficos de setor para as variáveis características do pesquisado,tais como a idade, o gênero, a função e o período de trabalho. Idade Faixa Etár ia Gênero de 2 0 a 2 9 anos Gêner o 7 ,7 % 9 ,6 % de 3 0 a 3 9 anos masculino de 4 0 a 4 9 anos feminino 1 5 ,4 % de 5 0 a 5 9 anos 3 0 ,8 % 6 9 ,2 % 6 7 ,3 % Função Período Função P er íodo auxiliar educacional matutino/vesper tino agente de segur ança vesper tino/notur no 3 4 ,6 % 4 4 ,2 % 5 5 ,8 % 6 5 ,4 % Gráfico 1 – Gráficos de setor para as variáveis: faixa etária, gênero, função exercida e período de trabalhoVerifica-se que a idade predominante está entre 30 e 39 anos, sendo quase 70% dosfuncionários do gênero masculino, aproximadamente dois terços exercendo a função deagente de segurança e pouco mais da metade trabalhando no período matutino / vespertino. 11
  • 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A Tabela 1 apresenta algumas estatísticas descritivas para as variáveis: tempo na função(em anos), carga horária semanal na UPM, carga horária semanal em outras ocupações enúmero de horas em pé fora do expediente.Tabela 1 – Média, desvio padrão, coeficiente de variação mínimo e máximo para algumas variáveis de interesseVariável média desvio padrão coeficiente de variação mínimo máximoTempo na função 4,37 2,84 64,92 0,2 17Carga horária na UPM 46,36 1,68 3,62 42,25 48Carga horária em outras ocupações 0,15 1,11 721,11 0 8nº de horas em pé fora do expediente 2,91 1,98 67,95 1 12Nota-se que o tempo médio na função foi de 4,37 anos (I.C. = [3,57; 5,17]) indicando quenão há muitos funcionários recém-contratados. A carga horária dentro da UPM pouco variou(obteve o menor coeficiente de variação, igual a 3,62), uma vez que variou de 42,25 horasaté 48 horas, com I.C. = [45,89; 46,83]. A carga horária média em outras ocupações foimuito pequena (igual a 0,15 horas) uma vez que um único funcionário possui outraocupação com carga horária semanal igual a 8 horas. Esta situação gerou o maiorcoeficiente de variação (igual a 721,11), retratando a grande heterogeneidade ocorrida. Onúmero médio de horas que o funcionário fica em pé em um dia, fora do expediente da UPMfoi de 2,91 horas (I.C. = [2,36; 3,47]). É relevante apontar que houve funcionário que relatoupassar até 12 horas a mais em pé, além do expediente, valor este pouco provável de serusual, uma vez que o funcionário necessita dormir algumas horas diariamente.Foi perguntado aos auxiliares educacionais e agentes de segurança, baseando-se em suaspercepções, se eles notavam algum elemento que dificultasse a movimentação ou quepudesse trazer alguma insegurança no espaço do Campus Itambé. As respostas estãoapresentadas abaixo nos gráficos 2 e 3: 12
  • 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie Gráfico 2 – Gráficos de setor para problemas relatadosA ausência de piso tátil para deficientes visuais foi o problema mais indicado (98,1%),seguido de problemas no piso (material escorregadio, trincas) e desnível no piso, ambosrelatados em 84,6% das respostas. Vale ressaltar que a pesquisa foi realizada no ano de2010, antes das mudanças de piso realizadas no campus. Iluminação insuficiente esinalização deficiente também foram problemas bastante apontados (respectivamente em40,4% e 34,6% das respostas). 13
  • 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Gráfico 3 – Gráficos de setor para outros problemas relatadosPara cada um dos problemas observados, foi pedido que fossem assinalados os prédiospróximos às áreas de detecção dos mesmos e no caso deste problema se repetir por todocampus, pedia-se que o espaço fosse preenchido com a palavra “campus”. Como resultadoos prédios mais mencionados foram os prédios 6, 11 e 24, bem como a entrada da RuaPiauí. Durante as entrevistas algumas situações merecem ser mencionadas como, porexemplo: um dos funcionários mencionou que existem áreas de embarque/desembarque nocampus, mas estas são destituídas de uma cobertura. Se estiver chovendo e um cadeirantenecessitar desembarcar, se sua cadeira for elétrica o funcionário que estiver auxiliando odesembarque corre o risco de levar um choque. Outra menção importante é o fato de queestes profissionais presenciaram várias quedas de alunos, professores, funcionários evisitantes nas escadas externas, estando ou não chovendo. De acordo com alguns dosauxiliares educacionais e agentes de segurança deveria haver antiderrapante nestasescadas.O formulário perguntou também qual atividade, fora do expediente, que o funcionário realizaem pé. Foi permitido assinalar mais de uma resposta. Os resultados obtidos foram osseguintes: 86,54% afirmaram ficar em pé no transporte, 57,69% em funções domésticas,7,69% em atividades de esporte/lazer, 1,92% ficam em pé durante o exercício de outroemprego/atividade e 1,92% durante a execução de outras atividades. 14
  • 15. Universidade Presbiteriana MackenzieUm dos tópicos principais abordados no instrumento de pesquisa foi no quesito seatualmente o funcionário sente algum desconforto nos membros superiores, coluna oumembros inferiores e qual a localização deste desconforto. Trinta e cinco funcionários dentreos cinqüenta e dois pesquisados (67,31%) relataram sentir desconforto ou dor em algumlocal (I.C.p= [0,5455; 0,8006]. O gráfico 4 apresenta a proporção de problemas relatados,dentre aqueles que responderam afirmativamente sentir algum desconforto ou dor. Gráfico 4 – Gráfico de setor para o relato de desconforto ou dor nas diversas localizaçõesTornozelo e pés (55,8%) e pernas (53,8%) foram os locais mais apontados, seguidos porcoluna, ombros e pescoço (todos com 25%) e joelhos (17,3%). Quadril, braços e coxasforam apontados por menos de 10% dos pesquisados que sentiam desconforto ou dor. Nãohouve relatos de desconforto ou dor nos cotovelos, antebraços, punho e mãos. Os dadosindicam que os problemas estão relacionados com a posição em pé de trabalho. O númeromédio de queixas foi igual a 2,12 (I.C. = [1,53; 2,89]), apontando que tal número devesuperar uma queixa. O valor máximo encontrado foi de dez locais diferentes nos quais ofuncionário sentia desconforto ou dor.Com relação à variável tempo com desconfortos/dores, as respostas obtidas foram que40,0% dos entrevistados não sabem dizer a quanto tempo tem estes desconfortos/dores,14,29% relatam ter tais sintomas há no máximo um mês, 17,14% os tem de 1 a 3 meses,20% entre 3 e 6 meses e 8,57% acima de 6 meses.Ainda com relação aos desconfortos e dor, o gráfico 5 apresenta a intensidade sentida nosvários tipos de desconforto ou dor e o gráfico 6 mostra os intervalos com 95% de confiança 15
  • 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011para a intensidade dos desconfortos e dor. Vale ressaltar que 0 corresponde a não sinto, 1a muito leve, 2 a leve, 3 a moderado, 4 a forte e 5 a muito forte. Gráfico 5 – Gráfico de setor para a intensidade dos vários desconfortos e dores relatadas Gráfico 6 – intensidade desconforto/dor com usando intervalo com 95% de confiançaNota-se que cansaço e dor alcançaram na escala um valor médio que quase corresponde àintensidade moderada. Não houve desconforto ou dor que em média alcançasse a escala deforte ou muito forte, porém individualmente, cansaço, estalos, dor, formigamento ou 16
  • 17. Universidade Presbiteriana Mackenzieadormecimento, peso e limitação de movimento alcançaram as escalas de forte ou muitoforte.Foi realizado o teste não paramétrico de Friedman a fim de testar se as intensidades médiasatribuídas aos vários desconfortos e dor foram iguais. Tal hipótese foi rejeitada (P = 0,000),tendo cansaço e dor obtidos as maiores soma dos postos Rj, respectivamente iguais a 296,5e 287,0, enquanto choques, limitação de movimento, perda de força e outros alcançaram asmenores somas de postos Rj, respectivamente iguais a 130,0, 128,5, 122,5 e 121,5.Quando solicitados que respondessem quando havia melhora no desconforto ou dor comoresultado tem-se que 88,57% responderam que há melhora com repouso durante a noite,45,71% responderam que a melhora é proveniente do repouso em fins de semana, 11,43%com repouso nas férias e 8,57% com repouso durante o revezamento em outras tarefas. Orespondente podia escolher mais de uma alternativa. Salienta-se a importância do descansoà noite e nos finais de semana.Quanto ao uso de remédio, emplastros ou compressas, dentre os que sentem algumdesconforto e dor, 62,86% nunca os utilizam, 5,71% os utilizam raramente, 11,43% osutilizam às vezes e 20% os utilizam quase sempre. Ressalta-se que a opção “sempreutilizo” não foi escolhida por nenhum auxiliar educacional ou agente de segurança. Dos 13funcionários (25%) que alegaram usar medicamento, a totalidade informou que este foiprescrito por um médico.Quanto ao uso de algum acessório (meia elástica, palmilha etc.) para tentar aliviar odesconforto, 48,57% nunca o utiliza, 8,57% o utiliza raramente, 20,00% o utiliza às vezes,8,57% o utiliza quase sempre e 14,29% sempre o utiliza, mostrando que praticamente ametade dos que sentem desconforto ou dor não se utilizam de acessórios para melhora deseu estado.Quanto aos que procuraram algum serviço médico para resolver o desconforto 93,30%utilizaram algum plano de saúde/convênio, 13,33% procuraram serviços particulares, 6,67%procuraram o serviço público de saúde e 6,67% se dirigiram ao serviço médico doMackenzie. Outra vez era permitido marcar mais de uma alternativa.Somente os 35 funcionários que sentem algum desconforto/dor responderam à questão sefizeram algum tratamento devido a distúrbios nos membros superiores, inferiores ou coluna,e destes, apenas quatro (11,43%) responderam afirmativamente a esta questão. Osdistúrbios citados foram: deslocamento do joelho, hérnia de disco, rompimento do tendão,artrose e tendinite no joelho. Entre os quatro funcionários que relataram já ter tido taisdistúrbios, a totalidade utilizou medicamentos, fisioterapias e acupuntura, sendo que trêsdeles (75,00%) utilizaram outros recursos: dois procedimentos cirúrgicos e um RPG. 17
  • 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Com relação a pratica de atividade física 61,54% dos entrevistados disseram não praticaratividade física, 26,92% vão à academia e 11,54% jogam futebol. Entre os que têm algumaatividade física, as frequências relatadas da referida atividade foram as seguintes: 30,00%uma vez por semana, 20,00% duas vezes por semana, 40,00% três vezes por semana e10,00% relataram fazer atividades físicas com outras frequências.Com relação às sugestões para minimizar os desconfortos/dores, algumas das principaisrespostas obtidas foram: redução da carga horária semanal, utilizar compressas de água,óleo de massagem, descansar um pouco, manter os pés para cima durante um curtointervalo de tempo, fazer alguns alongamentos, descansar durante a noite ou fins desemana, permanecer algum tempo sentado e fazer revezamentos entre os setores.O relato das atividades desempenhadas em um dia normal de trabalho pouco variou, tantopara auxiliares educacionais quanto para agentes de segurança e pode ser resumido como:atuação na segurança patrimonial, auxílio na locomoção de pessoas e veículos dentro docampus e orientar, bem como zelar, pelo bem estar de alunos, visitantes, professores etc.A seguir foram realizados alguns teste de hipótese com a finalidade de testar se haviaindependência entre pares de variáveis aleatórias pertinentes. Por motivo de espaço, serãorelatados apenas os testes que resultaram em dependência estatística, utilizando-se umnível de significância de 5%.Para poder se realizar o teste de independência envolvendo a variável faixa etária, asclasses foram agrupadas em dois níveis, a saber: menos de 40 anos e 40 anos ou mais. Foientão utilizado o teste exato de Fisher. Houve dependência entre percepção de problemasrelacionados a puxadores de portas inadequados (tipo/altura) (P = 0,010) e outrosproblemas detectados (P = 0,034), sendo que nos dois casos os mais velhos detectaramproporcionalmente mais os problemas mencionados. Cabe realçar que nenhum tipo dedesconforto ou dor foi dependente da variável faixa etária.Quanto ao gênero, houve dependência entre esta variável e percepção de problemas comrespeito à iluminação insuficiente (P = 0,007) com funcionários do gênero masculinodetectando proporcionalmente mais tal problema. Esta dependência pode ser devido a umavariável de confundimento que é o período de trabalho uma vez que há proporcionalmentemais funcionários do gênero masculino no período vespertino / noturno (P = 0,017).A variável gênero foi dependente de algumas variáveis utilizando-se um nível designificância de 10% e não de 5%. Como a amostra é pequena, um aumento do tamanhoda amostra em trabalhos futuros pode levar a confirmação de dependência entre asvariáveis aleatórias gênero e outros problemas detectados no campus (P = 0,081), comfuncionárias do gênero feminino detectando proporcionalmente mais outros problemas, em 18
  • 19. Universidade Presbiteriana Mackenzieacordo com resultados do trabalho de Mackpesquisa “Acessibilidade e segurançaocupacional nos edifícios da Escola de Engenharia da Universidade PresbiterianaMackenzie: estudo de caso e proposta de projeto piloto”, no qual alunas, professoras efuncionárias também detectaram proporcionalmente mais vários problemas quandocomparado aos respondentes do gênero masculino. Também em relação a outro local paradesconforto ou dor, o gênero feminino assinalou esta opção proporcionalmente mais (P =0,090).Também somente ao nível de significância de 10% houve dependência entre gênero e sentirpeso (moderadamente ou mais), sendo o nível descritivo P igual a 0,061, com asfuncionárias relatando proporcionalmente mais tal desconforto.A variável função exercida foi dependente de sentir estalos, moderadamente ou mais, (P =0,044) e de sentir peso, moderadamente ou mais, (P = 0,014), com em ambos os casos,auxiliares de ensino sentindo proporcionalmente mais o desconforto. Nem sempredependência estatística implica em causa e efeito, sendo neste caso, difícil a interpretaçãodos resultados. Novas pesquisas poderão esclarecer se estas relações foram fortuitas ounão.Quanto à variável período (matutino/vespertino ou vespertino/noturno), esta não foiindependente das variáveis: ausência de instalações (outras) adaptadas aos deficientesfísicos (rampas, telefones etc.), com valor-P igual a 0,036; iluminação insuficiente (P =0,000), sinalização deficiente (P = 0,000), Em todos os casos, funcionários do períodovespertino/noturno detectaram proporcionalmente mais tais problemas. Os problemas deiluminação insuficiente e sinalização deficiente ficam mais evidentes quando escurece, fatoque deve ter contribuído para tal dependência estatística.Somente ao nível de significância de 10%, houve dependência entre as variáveis corrimão(falta ou inadequação) e puxadores de portas inadequados (tipo/altura), ambos com valor-Pigual a 0,080, tendo proporcionalmente mais detecção destes problemas entre osfuncionários do período vespertino/noturno. Novas pesquisas com maior tamanho deamostra podem confirmar tais resultados.Ainda analisando a variável período, esta não foi independente das variáveis: sentircansaço, moderadamente ou mais (P = 0,024) e sentir dor, moderadamente ou mais (P =0,024). Em ambos os casos, funcionários do período vespertino/noturno relataramproporcionalmente mais tais alternativas.CONCLUSÕESOs problemas no campus mais detectados pelos auxiliares de ensino e agentes desegurança foram relativos ao piso como ausência de piso tátil para deficientes visuais, 19
  • 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011problemas no piso (material escorregadio, trincas) e desnível no piso, seguidos poriluminação insuficiente e sinalização deficiente, estes últimos detectados proporcionalmentemais por funcionários do período vespertino/noturno.As atividades que exigem postura em pé, fora do expediente, mais relatadas foram notransporte e nas funções domésticas.Quanto a sentir desconforto ou dor nos membros superiores, coluna ou membros inferiores,quase 70% dos funcionários responderam tal questão afirmativamente, sendo talporcentagem bastante expressiva. Os tornozelos, pés e pernas foram os locais maisapontados, em acordo com a função exercida que sobrecarrega os membros inferiores.Menos de 15% relatam sentir este desconforto/dor a menos de um mês, indicando que assoluções não são encontradas rapidamente.Cansaço e dor foram os sintomas de maiores intensidades, correspondendoaproximadamente à intensidade moderada. Os desconfortos/dores melhoram em suamaioria com repouso a noite, sendo o repouso de fim de semana também importante paraminimizar tais sintomas.Quase 63% dos que sentem algum desconforto e dor alegaram nunca usar remédios,emplastros ou compressas. Já acessórios como meia elástica e palmilha são usados porpouco mais das metade dos funcionários que sentem algum desconforto/dor.O plano de saúde ou convênio é o serviço procurado por quase a totalidade dos funcionáriosque relatam sentir algum desconforto/dor sendo que menos de 7% dos funcionários se dirigeao serviço médico do Mackenzie, o que dificulta o diagnóstico pela instituição, da existênciade funcionários com tais desconfortos.Outro dado relevante é que aproximadamente 60% dos funcionários não fazem atividadefísica.Novas medidas já estão sendo tomadas para melhorar a qualidade de vida dos auxiliares deensino e agentes de segurança, como o uso de banquinhos. Espera-se que esta pesquisapossa contribuir para tomadas de decisões que beneficiem tais funcionários.Medidas de substituição do piso já foram tomadas. Espera-se que o conhecimento dapercepção a respeito da questão da acessibilidade na área externa dentro do Campustambém possa auxiliar às tomadas de decisão para melhoria de acessibilidade no CampusItambé. 20
  • 21. Universidade Presbiteriana MackenzieAGRADECIMENTOSOs autores agradecem a colaboração da engenheira de segurança Maria Yolanda TrindadePinheiro, do médico do trabalho Dr. Aldemir Natucci Rizzo, do gerente administrativo Sr.Marco Antonio Cardoso do Nascimento, de Luís Veríssimo de Souza Neto, de Antonio deLima Alves e de Giane Alves, funcionários do Instituto Presbiteriano Mackenzie, entidademantenedora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.REFERÊNCIASBERNARDI, N. A aplicação do conceito do desenho universal no ensino de arquitetura: ouso de mapa tátil como leitura de projeto. Tese (Doutorado em Engenharia Civil)-Faculdadede Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual deCampinas, Campinas, 2007. Disponível em<http://cutter.unicamp.br/document/?code=vtls000414064&opt=1>. Acesso em: 09 fev. 2011.BOLFARINE, H.; BUSSAB, W. O. Elementos de amostragem. ABE-Projeto Fisher, SãoPaulo: Edgard Blücher, 2005.BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Nota Técnica 060 / 2001 – Ergonomia –indicação de postura a ser adotada na concepção de postos de trabalho. Brasília: MTE,2001. Disponível em: <http://www.mte.gov.br/seg_sau/comissoes_cne_notatecnica.pdf>.Acesso em: 15 out. 2009.BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 4 – Serviços Especializados em Engenhariae Segurança e em Medicina do Trabalho. Brasília: MTE, 2008. Disponível em:<http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_04a.pdf>. Acesso em: 16out. 2009.BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 8. - Edificações. Brasília: MTE, 2001.Disponível em: <http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_08.pdf>.Acesso em: 18 abr. 2010.BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 17. Ergonomia. Brasília: MTE, 2007.Disponível em: <http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_17.asp>.Acesso em: 18 abr. 2010.CAMBIAGHI, S. Desenho Universal. Métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas. SãoPaulo: Senac, São Paulo, 2007. 21
  • 22. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011CAMPOS, I. Design Universal na Arquitetura. [200-?]. Disponível em:<http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=32&Cod=94>. Acesso em: 20 fev.2011.CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA. Resolução Nº359, de 31 de Julho de 1991. Brasília, 2004. Disponível em:<http://normativos.confea.org.br/downloads/0359-91.pdf>. Acesso em: 16 out. 2009.COSTA NETO, P. L. O. Estatística. 2 ed. São Paulo, Edgard Blücher, 2002.DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia Prática. São Paulo: Edgard Blütcher, 2000.FORÇA SINDICAL A Força Sindical e a Segurança e Saúde do Trabalhador. Saúde emDebate, Rio de Janeiro, v. 26, n. 62, p. 290-373, set./dez. 2002.IIDA, I. Ergonomia – Projeto e Produção. 2. ed. rev. São Paulo: Edgard Blütcher, 2005.INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION What is Ergonomics. Hsinchu, 2008.Disponível em <http://www.iea.cc/browse.php?contID=what_is_ergonomics>. Acesso em:17 out. 2009.LANVERLY, L. C. S. Acessibilidade em espaços públicos: o caso do centro de Maceió.Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)–Faculdade de Arquitetura e Urbanismoda Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2010. Disponível em <http://mx.mackenzie.com.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2156>. Acesso em: 09fev. 2011.LOPES, M. E. Metodologia de análise e implantação de acessibilidade para pessoas commobilidade reduzida e dificuldade de comunicação. 2005. Tese (Doutorado em Arquitetura eUrbanismo)–Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, SãoPaulo, 2005.MAGALHÃES, M. N.; LIMA, A. C. P. Noções de Probabilidade e Estatística. 7 ed. São Paulo:Edusp, 2010.MENDES, R. O impacto dos efeitos da ocupação sobre a saúde de trabalhadores. I -Morbidade. Revista de. Saúde Pública, São Paulo, v. 22, p. 311-26, 1988.RAMOS, P. R. B. Portador de deficiência: direito de acesso aos espaços culturais eartísticos. Brasília, [1998?]. Disponível em<http://www.mp.ma.gov.br/site/ArquivoServlet?nome=Noticia98A81.doc>. Acesso em: 17out. 2009.ROCHA, J.C. Modelo de gestão para programas de ergonomia industrial. 2002. Dissertação(Mestrado em Ciência no curso de Engenharia Aeronáutica e Mecânica na área de 22
  • 23. Universidade Presbiteriana MackenzieProdução)–Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, 2002. Disponívelem <http://www.bd.bibl.ita.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=221>. Acesso em: 09 fev.2011.SIEGEL; S.; CASTELLAN JR., N. J. Estatística não-paramétrica para ciências docomportamento. Métodos de Pesquisa. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.Contato: nandopibic@gmail.com e raquel.cymrot@mackenzie.br 23

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