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Felipe corres

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Felipe corres

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieA OBRA DE JOÃO ARTACHO JURADO NO EIXO DA AVENIDA SÃO LUÍS: OEDIFÍCIO VIADUTOSFelipe Corres Melachos (IC) e Cecília Rodrigues dos Santos (Orientadora)Apoio: PIVIC MackenzieResumoEste trabalho tem como escopo a obra do empreendedor João Artacho Jurado, com foco nos edifíciosque ele construiu na Avenida São Luís, em São Paulo, e especialmente no Edifício Viadutos. Aextensa obra dessa personagem controvertida que marcou as cidades de São Paulo, Santos eCampinas com seus empreendimentos entre as décadas de 1940 e 1960 foi objeto de polêmicas nasua época, passando a ser, até recentemente, rejeitada por críticos e estudiosos da arquiteturapaulista, rotulada de comercial e decorativa. O objetivo dessa pesquisa é recuperar o perfil de ArtachoJurado, que começou a ser estudado em um mestrado no programa de pós graduação da FAU-UPM,e aprofundar o estudo do Edifício Viadutos, contextualizado na arquitetura produzida em São Paulona época de seu lançamento e construção.Palavras-chave: Arquitetura moderna de São Paulo; João Artacho Jurado; Edifício ViadutosAbstractThis study has, as a general objective, the analysis of the works of Brazilian construction entrepreneurJoão Artacho Jurado, with a focus on his archictecture throughout the São Luís Avenue axis, morespecifically on the Viadutos building. The importance of this study comes from the fact that the worksof João Artacho Jurado are simply unique and its impact on the city of São Paulo is vivid and evenexemplified by the Viadutos building itself. The works of this proeminent figure on the paulistaarchitecture´s history has always divided opinions and caused a plethora of discussion, evoking theopinion of highly esteemed critics and being labeled merely commercial by his contemporaryintellectuals and architects. The purpose of this research projetct is to uncover the full history ofArtacho Jurado, a history which commenced its unveiling in a master´s thesis on the FAU – UPM, andto deepen the understanding about the Viadutos building, further exploring its insertion on thearchitecture being produced during the 50s in Sao Paulo (The Viadutos´s inauguration date andlocation).Key-words: Architecture; João Artacho Jurado; São Paulo. 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOA pesquisa em tela se propõe a investigar e estudar a obra do empreendedor imobiliárioJoão Artacho Jurado (1907-1983), assim como o impacto de suas realizações na cidade deSão Paulo entre as décadas de 1940 e 1960. Sendo considerada pela crítica e pelacomunidade intelectual paulista como "meramente comercial", a obra de Jurado foicondenada ao ostracismo editorial, e apenas recentemente tem sido objeto de pesquisaacadêmica e de publicações.Artacho Jurado era filho de imigrantes espanhóis não tendo logrado sequer a formação noensino fundamental, e mesmo assim conseguiu erguer um verdadeiro império da construçãocivil a partir da Construtora Monções 1. Como não tinha diploma do ensino superior,contratava arquitetos formados como Aurélio Marazi e Guido Petrella, e os engenheiros LuísDiógenes Zeppelini, Aurélio Marazzi, Guinio Patella, João Birman, e Luís Trappe paraassinar os projetos da construtora que fundou com o irmão Auréio, a Monções -mas era seunome que se destacava nas placas de obra, parte da publicidade de seus projetos e um dospontos fortes dos seus empreendimentos. Apesar das críticas direcionadas aos custososcanteiros de obra e aos “exageros ornamentais” aplicados nas fachadas, multicoloridos emultitexturados, seus edifícios foram um grande sucesso de venda.Uma análise arquitetônica e urbanística mais cuidadosa da obra do empresário revela acombinação de elementos como implantação no lote, escala, imponência do volume comcobertura destacada, "vivacidade” de materiais e profusa ornamentação, que destacam osedifícios construídos por Jurado na paisagem tornando-os marcos de referência urbana; emalguns dos seus edifícios, o Viadutos entre eles, a cobertura é concebida como um miranteque domina a cidade, combinado com um amplo salão vedado com vidro.Se o interesse pela obra de Artacho Jurado tem aumentado, tendo mesmo sido tema dadissertação de mestrado Ruy Debs Franco, publicada em livro com o nome de ArtachoJurado: Arquitetura Proibida, vários aspectos da obra ainda carecem de aprofundamento, ede pesquisa documental e bibliográfica complementares; ainda não contamos, por exemplo,com desenhos de projeto e material gráfico em geral que permitam entender com precisão aorganização dos espaços, a lógica estrutural dos edifícios, assim como os inúmeroselementos construtivos e ornamentais repetitivamente utilizados. Também ainda é escassaa produção bibliográfica contemporânea acerca de Artacho Jurado, enquanto que as1 Os dados sobre a vida de Artacho Jurado resumem a biografia do empresário , in: FRANCO, Ruy E.D. Artacho Jurado – Arquitetura proibida. São Paulo, SENAC, 2008. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenziepublicações sobre o empresário e sua obra enquanto ele vivia se resumiram a críticasincisivas, sendo a mais contundente e conhecida dentre elas presente no artigo “QueAudácia!” de autoria do arquiteto Eduardo Corona, publicado na revista Acrópole de número232, publicada em 1958.Consultando a reduzida produção bibliográfica sobre Artacho Jurado - alguns poucos artigosdentre os quais se destaca “As primeiras obras de Artacho Jurado”, de Ruy Debs Franco,além do livro do mesmo autor citado - nos orientou, portanto, a direcionar o trabalho para apesquisa exaustiva sobre um único edifício escolhido dentre a vasta produção daConstrutora Monções. Dada a extensão da obra de Artacho Jurado, distribuída pelascidades de São Paulo, Santos e Campinas, para que fosse possível chegar ao ponto dedetalhamento almejado, elegemos para pesquisa e estudo aprofundado o Edifício Viadutoscom seus vinte e três andares tipo, oito diferentes tipos de apartamentos, três poços deventilação e três núcleos de circulação vertical com doze elevadores, térreo com lojas,garagem e cobertura com terraço e salão: “o Viadutos é considerado, junto com o Bretagne,uma das duas maiores realizações paulistanas de Artacho Jurado, principalmente pelastipologias de plantas e pelas implantações.” (FRANCO, 2008, p.180) .Nosso objetivo primeiro foi situar o Viaduto em relação a outros edifícios residenciais emSão Paulo empreendidos pelo autor, inclusive aqueles localizados no eixo da Avenida SãoLuis, além de situá-lo em relação à arquitetura paulista moderna de vanguarda produzida naépoca em São Paulo. Também foi nosso objetivo criar parâmetros de leitura e análise quepudessem apoiar o estudo da obra impar de Artacho Jurado, suas constâncias e suassingularidades que rompem com os cânones de modernidade tradicionais. Ainda, nossopropósito foi reunir informações e documentação sobre o Edifício Viadutos, tombado peloCONPRESP a partir da proposta de tombamento da Bela Vista, no ano de 1992, para apoiarobras de manutenção e reforma de iniciativa do condomínio e ações de preservação quepossam vir a ser conduzidas pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura deSão Paulo. Também é preciso mencionar que o Viadutos está localizado na área de estudodo Grupo de Pesquisa da FAU-UPM: “A construção da cidade: arquitetura, documentação ecrítica”, inserindo-se na linha de pesquisa “Centro Histórico de São Paulo: Documentação eEstudos de Reabilitação”, sendo que os dados obtidos irão alimentar o “Banco de Dados doCentro Histórico de São Paulo” que vem sendo elaborado pelo grupo há cinco anos. 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011REFERENCIAL TEÓRICONas pesquisas em que se elege o campo da preservação como área de investigação, ametodologia de trabalho e as referências teóricas costumam se confundir em muitos pontos,como é o caso na pesquisa em tela na qual “(...) opera-se em um campo de conhecimentoespecífico, o da preservação do patrimônio, definido por uma história, por uma metodologiade trabalho, por um corpo de doutrinas e por um aparato de gestão e administraçãoinstitucionais específicos. (...) Considera-se que projetos de arquitetura e urbanismotrabalham com a idéia de ambiência, considerando a abrangência dessa noção, para emseguida reduzi-la à especificidade de cada projeto. A preservação da arquitetura, disciplinaimbricada no campo de conhecimento da preservação do patrimônio, propõe-se a operarincorporando elementos de outros campos com os quais se relaciona interdisciplinarmente,como história, história e crítica da arte, antropologia, teoria do restauro, o projeto dearquitetura e urbanismo, arqueologia” (SANTOS, CARRILHO, MEDRANO, 2007). Estespressupostos conduziram a pesquisa até o próprio edifício – em visitas individuais ecoletivas, e os arquivos, sempre em busca das peças gráficas do projeto original.Por outro lado, organizamos uma linha do tempo com o objetivo de situar a obra de ArtachoJurado em relação à produção da arquitetura paulista, brasileira e internacional,procedimento que esclareceu melhor as idéias de modernidade reivindicadas por ArtachoJurado, o grande sucesso de vendar de seus empreendimentos e a enorme oposição porparte dos arquitetos paulistas contemporâneos, especialmente o grupo que girava em tornodas Faculdades de Arquitetura do Mackenzie e da USP.A bibliografia sobre Artacho Jurado tem como principal referência o livro Artacho Jurado:Arquitetura Proibida, elaborado a partir do mestrado A obra de Artacho Jurado, do mesmoautor, Ruy Debs Franco. Esta constitui a única fonte substancial de informações sobre aobra de João Artacho Jurado. O livro é divido em seções, de acordo com os momento davida e obra de João Artacho Jurado e é apoiado em farta documentação iconográficafornecida pela família do empreendedor, identificada como “acervo Diva Jurado”, esposa deJurado. Segundo o autor, em entrevista concedida a Felipe Melachos, foi muito difícil oacesso a este material (que se apresenta desorganizado), dificultando a datação dasconstruções, lançamentos, e inaugurações dos edifícios. No que diz respeito ao acesso aosdesenhos técnicos dos edifícios, o autor esbarrou na mesma dificuldade que encontramosna nossa pesquisa, na resistência e má vontade dos administradores dos condomínios e nainflexibilidade dos órgãos de preservação. Como resultado o livro acaba por oferecer um 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenziepanorama genérico da obra de Artacho Jurado, o que de maneira nenhuma diminui a suaimportância na divulgação da obra de Jurado.O livro de Ruy Debs Franco conta ainda com os depoimentos de Irineu João Simonetti,diretor de vendas e diretor-gerente da Construtora e Imobiliária Monções entre os anos 1951e 1967, e dos arquiteto Giancarlo Gasperini (arquiteto contemporâneo de Jurado, atuandotambém na cidade de São Paulo); Sérgio Teperman (que em 1989 publicou na revista A&Umatéria polêmica sobre Jurado, analisando a totalidade de sua obra); João Kon (queconstruiu pelo menos duas centenas de edifícios altos na cidade de São Paulo, durante operíodo de funcionamento da Monções e mesmo depois); Maria Eugênia França Leme (querealizou seu trabalho de conclusão de curso sobre a obra do empreendedor, e editou umpequeno livro, em co-autoria com o jornalista santista Paulo Matos, divulgando o trabalho deJurado) e Alberto Botti (que executou um empreendimento vendido por Artacho Jurado),todos personagens marcantes na trajetória de João Artacho Jurado, que colaboraram naidentificação de documentos e para amarrar fatos dispersos em um acervo desorganizado,como reconhece o autor: ”alguns documentos e fotos não tem registro de data, autoria oulugar, o que leva à conclusão de que, sendo cópias de negativos, não chegaram a sercatalogados. (FRANCO, 2008, p. 21)Uma das grandes contribuições do livro de Franco é a indicação de fontes bibliográficas.Dentre os artigos citados, um processo de triagem aonde estas fontes foram analisadas emsua relação com o objeto de estudo, levou a uma análise com maior profundidade dotrabalho de Sérgio Teperman, e nos detivemos na critica feroz do arquiteto Eduardo Corona,“Que Audácia”, publicada na revista Acrópole no ano de 1958 (Apud FRANCO, 2008, ps.78a 80). Esta crítica é utilizada para contrampor as passagens do livro de Rui Debs Franco,que reproduz as entrevistas de R. Fugard por ocasião das visitas que fez ao EdifícioBretagne da Construtora Monções, e apresentadas mais a frente, analisando as duas idéiassobre a arquitetura moderna reveladas por esse debate.MÉTODOAinda de acordo com os autores, adotamos procedimentos técnicos para o estudo doedifício Viadutos que seguem aqueles estabelecidos para o reconhecimento, num primeiromomento, e depois para o aprofundamento do conhecimento sobre o objeto de estudo, eque têm como objetivo fornecer subsídios para a preservação do edifício (conservação,restauro ou intervenções projetuais de adaptação e ampliação), a saber: Pesquisa Históricae Pesquisa do Objeto; Aspectos Teóricos da Restauração; Projeto da Intervenção. O 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011trabalho de pesquisa desenvolvido aqui, correspondente também às atividades propostas edesenvolvidas na disciplina História e Teoria das Técnicas Retrospectivas do curso degraduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-UPM, correspondendo à etapa de PesquisaHistórica e Pesquisa do Objeto que “(...) trabalha metodologicamente as duas fontes deconhecimento sobre as quais se constrói a História da Arquitetura, e que devem definir ametodologia de trabalho, a corrente de interpretação da obra e o projeto de intervenção. APesquisa Histórica para o conhecimento da arquitetura trata das informações localizadasfora do objeto, em diferentes suportes, mas principalmente no levantamento de diferentesfontes documentais sobre um dado objeto de estudo, além da análise e interpretação dasinformações obtidas. A Pesquisa do Objeto trata da interpretação do objeto de pesquisa apartir dele próprio, considerando que o objeto informa sobre ele mesmo através deevidências, fragmentos ou do seu conjunto completo. Fazem parte dessa pesquisa aelaboração de estudos para conhecer o objeto, como o levantamento métrico-arquitetônico ea prospecção arqueológica, exercícios de exame acurado do próprio edifício e de seuestado de conservação; o monumento como documento (SANTOS, CARRILHO,MEDRANO, 2007).”Portanto, em um primeiro momento, tratamos de rever a bibliografia sobre a obra de ArtachoJurado para depois proceder à documentação fotográfica e levantamento de desenhostécnicos do edifício. O estudo foi desenvolvido em duas etapas. A primeira, de âmbito geral,consistiu no estudo da obra de Artacho Jurado e da Construtora Monções, localizando oEdifício Viadutos em relação aos projetos de edifício empreendidos por Jurado e em relaçãoà arquitetura paulista moderna de vanguarda, chamada de brutalista, e seus autoresarquitetos que polemizavam sobre os empreendimentos da Construtora Monções; os dadosreunidos situam historicamente a obra de Artacho Jurado em relação à produçãoarquitetônica de sua época e à cidade de São Paulo. A segunda etapa tratou de pesquisaiconográfica e de material técnico complementada pelo diagnóstico fotográfico realizadodurante as vistas ao edifício. As duas etapas foram apresentando desmembramentos,necessários para o aprofundamento do estudo, abrangendo a montagem de linhas dotempo, pesquisa de imagens sobre a arquitetura e desenho de interiores nos EstadosUnidos no período. As informações coletadas foram organizadas e a partir delas foramanalisados aspectos compositivos, construtivos e funcionais, do Edifício Viadutos.Paralelamente, demos início à pesquisa documental procurando dados mais específicosacerca do tombamento do edifício e elementos iconográficos que nos permitam entender oedifício do ponto de vista construtivo e projetual, comparando estes elementos com osdados levantados na primeira etapa e conseqüentemente dando mais vigor as noções deinserção histórica e inter-relações na obra de Artacho Jurado. A obra de Ruy Debs Franco 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzie(dissertação de mestrado, artigo no site Vitruvius, e livro) foi a principal referência para estasetapas de levantamento.Iniciamos também as visitas a edifícios de Artacho Jurado tanto em São Paulo quanto emSantos com o objetivo de fazer estudos comparativos entre as obras, além das visitastécnicas ao próprio Edifício Viadutos, objeto principal dessa pesquisa, onde procuramosobter com síndico do condomínio, sem sucesso, cópia da documentação gráfica do projetooriginal, indisponível em arquivos, e que não consta do processo de tombamento doViadutos, consultado no CONPRESP. Durante as visitas nos limitamos aos registrosfotográficos e desenho de detalhes do edifício que serviram de subsídios para asconclusões finais.A etapa seguinte consiste de um afunilamento da pesquisa em visitas ao Edifício Viadutos, eo estabelecimento de comparações e relações dos dados obtidos na pesquisa bibliográfica enas publicações previamente analisadas primeiro visando à obra de Artacho Jurado comoum todo, e depois as direcionando ao Edifício Viadutos. Estas comparações tambémincluem os desenhos e materiais iconográficos obtidos nas etapas anteriores. O principalobjetivo desta etapa é a formulação de plantas e desenhos detalhados sobre o EdifícioViadutos.O relatório final, devido ao objeto de pesquisa, deveria ter uma quantidade considerável deinformação gráfica na forma de plantas, cortes, elevações, e detalhes, resultado dasanálises e do levantamento métrico arquitetônico efetuado, mas as limitações físicas desteartigo não permitem uma inserção tão volumosa. Este produção serviu como complementoimportantes dos textos históricos e interpretativos produzidos e consultados, que têm comoobjetivo aprofundar a compreensão da natureza das soluções arquitetônicas encontradas noedifício Viadutos, ajudando a estabelecer inter-relações entre não somente a informaçãolevantada, mas como o passado pouco explorado de Artacho Jurado, seus outros edifícios,e inserção histórica de seu trabalho colaborando assim para um maior aprofundamento noconhecimento sobre a sua obra.RESULTADOS E CONCLUSÕESOs dados levantados neste trabalho tiveram como resultado o aprofundamento doentendimento da obra de João Artacho Jurado como um todo, e em especial do edifícioViadutos que representa as idéias e as formas de morar da construtora Monções. Esteaprofundamento se deu através do embasamento na referência teórica estrutural destetrabalho, Artacho Jurado: Arquitetura Proibida, do arquiteto Ruy Debs Franco. O estudo 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011cuidadoso desta referência revelou o quanto esta concretizou seus objetivos, já relatadosnas seção de referencial teórico, de proporcionar uma visão de conjunto com umaprofundamento apropriado da obra de João Artacho Jurado como um todo.Em 1934, Artacho Jurado começa a trabalhar com feiras e exposições, elaborando letreiros,e pequenos estandes, laboratório e incubadora de suas habilidades na construção civil.Segundo Franco, a ampla utilização de verdadeiros pavilhões nas coberturas de seusempreendimentos como no caso do edifício Pacaembu, foi influência direta de sua atividadeprofissional no ramo da arquitetura efêmera (Franco: 2008). Em 1946, os irmãos Juradocriam a Construtora Anhanguera, que se dedica à construção de residências para a classemédia, precursora da Construtora e Imobiliária Monções S. A..Segundo Carlos Lemos, “em São Paulo, logo depois da Segunda Guerra, deu-se incio àverticalização da cidade, mercê da enorme demanda de habitação, sobretudo devido àsconseqüências da Lei do Inquilinato, vinda desde 1941 (...). Alguns empreendedoresdominavam o mercado de imóveis e cada qual, desejando superar a concorrência,procurava oferecer, mormente em apartamentos em condomínio, soluções arquitetônicascativantes em terrenos bem situados. João Artacho Jurado e seu irmão, donos daconstrutora chamada Monções, tiveram uma estratégia inusitada: ofereciam o luxo à venda.Jurado tinha uma idéia própria do que fosse luxo e de como expressá-lo (...), o materializouno concreto armado, nas pastilhas coloridas, nos gradis, nos espelhos, nos mármores egranitos polidos, nas sancas de gesso, nos elementos vazados de argamassa armada ( ...)seus concorrentes não se atreviam a copiar-lo” (FRANCO, 2008, p. 10). Ruy Debs Francoatesta tanto nesta passagem como no decorrer de sua publicação, a opulência visual dasobras de Artacho Jurado e um cromatismo distinto daquele das correntes modernas, e umacomposição de fachada ornamentada com os recursos enumerados por Carlos Lemos.A partir de 1947, apenas prédios altos passaram a interessar os irmãos Jurado, que abriramo capital da recém criada Construtora e Imobiliária Monções para acionistas de grandeinfluência na sociedade paulista. Entre 1947 e 1948 são lançados no mercado os EdifíciosDuque de Caxias (Rua Barão de Campinas, número 243), Pacaembu (Avenida GeneralOlímpio da Silveira, número 386), e General Jardim (Avenida General Gurgel). Nestesempreendimentos foram introduzidos alguns elementos construtivos que em poucos anos setornariam marcos da Construtora Monções, como os pergolados; as varandas nacomposição das fachadas; o uso de pastilhas coloridas nas superfícies externas (que RuyDebs Franco, em excursão pelo ArtachoTour! do Arq!Bacana estipula ser fruto de umaassociação com uma fábrica de pastilhas na capital); sancas de iluminação indireta nasáreas comuns do condomínio; ênfase no coroamento dos edifícios , que contavam com tetojardim com pavilhões envidraçados e de caixilhos de piso a teto (herança dos tempos de 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenziefeira e que Franco classifica como “pavilhões modernos”), dos quais o exemplo maismarcante é o pavilhão na cobertura do Edifício Pacaembu.O hall de entrada nestes edifícios ainda não atingira as dimensões pretensiosas de seussucessores como o APRACS, Viadutos, e Bretagne, onde este espaço oblitera as relaçõescom a escala humana com pés direitos duplos e até triplos de modo a deliberadamenteintimidar seu usuário.A questão do uso pavimento térreo é uma variável na obra de Jurado que está relacionadacom o contexto o qual o edifício se encontra, de modo que sua obra em nos bairrosresidências de Higienópolis (São Paulo) e Boqueirão (Santos) não apresentam comercio emseus respectivos pavimentos térreos. No ano de 1949 também foi lançado o Edifício Piauícuja importância está no programa e em certos elementos arquitetônicos, que Franco relevaa seguir:“(...) as cores das pastilhas ainda são discretas, porém com novos elementosarquitetônicos, como a rampa para acesso de pedestres e o conjunto de pilotis [no térreo],entram em cena pela primeira vez nos projetos de Jurado, para nunca mais sair” (Jurado, p.142).Revendo o trabalho de Rui Debs Franco, e a bibliografia que ele relaciona, e consultamostrabalhos como o de Sérgio Teperman, que nos proporcionam um panorama geral da obrade Jurado, mas nos detivemos na critica feroz do arquiteto Eduardo Corona, “Que Audácia”,publicada na revista Acrópole no ano de 1958 (Apud FRANCO, 2008, ps.78 a 80), porconstituírem análises mais incisivas acerca da obra de Artacho Jurado. No artigo, Corona secontrapõe enfaticamente aos elogios do chefe de uma delegação de arquitetos norte-americanos, John R. Fugard, que em visita ao Edifício Bretagne da Construtora Monções, seconfessa, em material publicitário da empreendedora, impressionado com o edifício “a últimapalavra no tocante à arquitetura moderna” felicitando os arquitetos brasileiros “por essanotável realização, que se reveste de características pioneiras na avançada arquiteturamoderna”. Corona considera as obras da Monções como “exemplos que não devem serimitados pelos estudantes de arquitetura”, “o avesso da arquitetura contemporânea”,“aberrações na forma, na cor, no tratamento, no equilíbrio nas proporções”, “num dos pioresexemplos da arquitetura”, afirmando que Fugard havia sido ”tapeado deslavadamente (..).[Lhe] Aplicaram o ‘conto dos pilotis’, e o senhor, que parece tão culto, tão viajado, caiu comopato! Que pena! [...] A arquitetura contemporânea brasileira, que já adquiriu consistência,não permite mais o deboche, nem ser confundida como se fosse a (...) respeitosa” (ApudFRANCO, 2008, ps.78 a 80)Na verdade estão sendo contrapostas aqui duas idéias de modernidade: aquela dasvanguardas da arquitetura moderna nacional e internacional representadas por Eduardo 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Corona e por arquitetos como aqueles que ele cita em seu artigo, de 1958, como ÁlvaroVital Brasil, Rino Levi, Abelardo de Souza, Eduardo Kneese de Mello, Oscar Niemeyer, HelioUchoa e Zenon Lotufo, e uma outra idéia, aquela que Artacho Jurado abraça nos seusempreendimentos, identificada com a arquitetura comercial norte-americana divulgada pelocinema e por revistas como House and Garden, American Home, Better Homes & Gardens,Living for Young Homemakers, Ladies Home Journal, House Beautiful. Estas publicaçõesoperavam como um espelho dos valores do american way of life do período pós SegundaGuerra Mundial. Nestas revistas publicavam-se homes e não houses , predominando osinteriores de casa térreas ou sobradas, isoladas em jardins, e não de edifícios residenciais;e a modernidade é identificada com funcionalidade, praticidade e o “conforto moderno”propiciado por aparelhos elétricos facilitadores da vida da mulher ou de conforto para afamília americana.A originalidade maior dos projetos da Construtora Monções – ao mesmo tempo seu maiorcrime - talvez esteja na maneira como transportou cores, formas e texturas desses interioresnorte-americanos, predominantes em banheiros e cozinhas, para a fachada de seusedifícios residenciais, transfigurando-os em “criminosos ornamentos” tingidos de corespasteis - rosa, azul, verde, amarelo - de uma paleta datada; são as “aberrações na forma, nacor, no tratamento”, que iam se chocar com violência com os postulados da arquiteturamoderna, fazendo de Artacho Jurado, ainda nas palavras de Eduardo Corona, ”o dono domercado do mau gosto esplendoroso”.Em entrevista concedida ao Diário de São Paulo em 1953, Artacho Jurado afirma que: “nãohá nada de excepcional em [seus] projetos, a não ser a preocupação de proporcionar aosmoradores dos edifícios (...) um conforto igual ou mesmo superior ao das luxuosasmansões” (Apud FRANCO, 2008, p. 157). Luxo e conforto acessíveis a um número maior depessoas através da liberação do piso térreo (e o uso de pilotis faz parte desta estratégiacomercial) e de um terraço-cobertura que recebem acabamentos diferenciados, e onde sãolocalizados espaços de lazer de uso comum. O arquiteto Cristiano Stockler das Neves, umadas poucas vozes dentre os arquitetos a se levantar em defesa da Monções, exaltou o fatoda construtora dos irmãos Jurado fazer edifícios “para o corpo e também para o espírito, enão apenas uma máquina de morar, que o materialismo inventou, que o mimetismo adotoue que o esnobismo fomentou” (Apud FRANCO, 2008, p. 81).A combinação de projeto e marketing como estratégia dos empreendimentos imobiliários,desenvolvida desde a era das feiras, foram propulsores para a rápida ascensão daConstrutora Monções. Durante a construção do Edifício Piauí, Artacho Jurado notou quegrande parte do custo de construção era gasto em partes do edifícios que ficavam longe dosolhos dos consumidores, passando a se preocupar então em terminar as fachadas antes. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana MackenzieTambém investia as receitas iniciais em um apartamento modelo opulentamente decorado,pronto para visitação de futuros compradores. A setorização no pavimento térreo do Piauírecebeu uma atenção especial, sendo preenchida por áreas comuns do condomínio comograndes halls de entradas, salões de festas, bar, e jardim de inverno, e piscina.O Edifício Cinderela, de 1951, apresenta tipologia similar aos anteriores: residencial, debaixa ocupação, situado em área residencial, implantado em lote de esquina com doispavimentos por andar. A partir desta obra observa-se a ampliação das varandas promovidasa elementos de importância na composição das fachadas, aonde se utilizava dorebaixamento das divisórias entre apartamentos como recurso para fazer com que suasfachadas fossem marcados por eixos horizontais de grande peso formal. Estas varandas, dehorizontalidade tão acentuada, logravam a ilusão de uma única a unidade por pavimentonão obstante o porte do empreendimento. A riqueza cromática da fachada do Cinderela,assim como a variação de materiais com uso profuso das pastilhas como revestimento, onutrindo de uma certa atmosfera hollywoodiana, além da presença de jardim de inverno,amplo hall de entrada com sala de leitura e reunião, serão constantes nas obras posterioresda Monções..O edifício Viadutos foi lançado em 1951 pela Construtora e Imobiliária Monções , regida porseu slogan “rota segura de bons negócios”, se consolidando como seu maior lançamento aolado do Edifício Bretagne. No seu ano de lançamento competiam no mercado da construçãocivil paulista construtoras como a CNI, de Roxo Loureiro, que construiu os edifícios Copan, oEiffel, Montreal, Seguradoras, Galeria Califórnia, e Triângulo, todos projetos de OscarNiemeyer; CMF, de Cipriano Marques Filho; Otto Meinberg, responsável pelas obras deFranz Heep entre 1954 e 1958; e a Alfredo Matias. Não obstante, o Edifício Viadutosconstituiu um sucesso absoluto e suas unidades foram esgotadas em menos de umasemana.O lugar especial reservado ao Edifício Viadutos é decorrente da tipologia da planta eimplantação, no centro da praça General Craveiro Lopes, que o impõe na paisagem dacidade, segundo observa Giancarlo Gasperini: “(...) uma referência urbana fantástica! Setivesse um pouco mais de inteligência do pessoal que faz publicidade na cidade, teria quetirar fotografia daquela avenida com aquele prédio lá e daria uma referência... de cartãopostal,” (Gasperini, 2007, apud Franco, 2008, p. 180). O volume pouco convencional doViadutos traz nas fachadas, os clássicos azul e rosa claros das obras da Monções,apresentando um hexágono irregular porém simétrico como projeção, as varandas temdivisões entre apartamentos rebaixadas para dar a impressão de continuidade horizontal dovolume. José Marcelo do Espírito Santo assinala que o edifício Viadutos é “facilmenteidentificado na paisagem devido ao uso livre de cores e formas”. 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O edifício Viadutos tem 30.000 m² de área construída, e está localizado em um lote ao ladodo Viaduto do Jacareí e sua continuação rua Maria Paula, na praça General FranciscoHigino Craveiro Lopes, nº19. Para auxiliar na renda do condomínio, Jurado projetou noViadutos, de acordo com Franco, um “mega-suporte para a instalação de anúnciospublicitários”, explicitando assim seus “objetivos mercadológicos”. Os 368 apartamentos sãoorganizados em uma planta de andar tipo em forma de hexágono irregular. São dezesseisapartamentos de oito tipos diferentes, distribuídos em vinte e três andares tipos, servidospor doze elevadores, com três poços de ventilação, Em entrevista concedida a Ruy DebsFranco em dezembro de 2003, Irineu Simonetti descreve a maneira como Jurado resolveu acirculação vertical: “Era colocado elevador social, ele punha dois elevadores sociais, porquetinha vinte e cinco andares. Dois elevadores sociais e um de serviço em cada prumada.Então pegava três elevadores por prumada de quatro apartamentos. Com isso, você tinhadoze. Os elevadores sociais atendem ao hall social e o elevador de serviço ao hall deserviço, à forma clássica.” (Franco, p. 184) Todos os apartamentos têm varanda, podendoser de quarto-e-sala (característica presente em doze das dezesseis unidades do pavimentotipo) ou de dois dormitórios com dependências de empregada (característica presente emquatro das dezesseis unidades do pavimento tipo) 2.Durante as visitas ao edifício em companhia de Ruy Debs Franco, o autor chamou aatenção para o fato de sua estrutura estar super calculada. Assim, o edifícios apresentamais pilares do que o necessário, tanto que nas operações de junção de apartamentos aeliminação de pilares sem função estrutural foi algo costumeiro. Esta operação foi retratadapor Simonetti: “o cliente comprava dois apartamentos e queria fazer uma fusão. Ia para odepartamento de arquitetura, e vinha a sugestão em planta. A obra tinha um mapa [...] coma planta de todos os apartamentos, com as modificações que iam ser feitas no local.”(Franco, p. 184). O Viadutos foi implantado encima de uma “rocha bruta” de acordo comIrineu Simonetti, mediante a abertura de verdadeiras crateras com dinamite. O principalresponsável técnico pelo cálculo do edifício foi João Birman afirma que delicada, é aquestão das instalações prediais do Viadutos, cujas tubulações são embutidas em pilares. Osindico nos indicou a presença de muitos dutos correndo dentro dos pilares entupidos e cujaremoção ou mesmo reparos não superam os obstáculos impostos pela falta de consensoentre os engenheiros acerca das peculiares soluções estruturais de Artacho Jurado para oViadutos, onde nem todos os pilares tinham função garantida. Não conseguimos ter acesso2 As junções de apartamentos foram admitidas pelo sindico do condomínio durante nossas visitas ao edifícioViadutos, mas não estão registradas nos desenhos técnicos sob a guarda do condomínio, em condiçãodeplorável. A vetorização destes desenhos em arquivos de CAD , de modo a registrar as desconhecidasmodificações ocorridas no edifício com um todo eram um dos principais objetivos deste estudo, mas a resistênciado sindico impediram sua realização. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenziea este mapa de distribuição e junção dos apartamentos, que por sinal se encontra emcondições precárias, um dos objetos desta pesquisa, tanto por falta de colaboração porparte dos órgãos de preservação como do condomínio.O sucesso deste empreendimento foi incontestável devido principalmente a funcionalidadede sua planta (lograda apesar de uma volumetria irregular) e implantação de destaque, partede uma política de valorização de centro da cidade. A totalidade dos apartamentos foramvendidos em uma semana, Irineu Simonetti destaca a preocupação de Jurado com o“condômino sem despesa”, ao projetar as áreas comuns para locação de maneira a pagaras despesas do condomínio. Assim, seu térreo teria uma grande área destinada a lojas, oprimeiro pavimento seria uma espécie de “área econômica”, e o grande salão na coberturasabrigaria tanto festas dos condôminos como poderia ser locado para eventos externos.O pavimento térreo do edifício Viadutos é de uma suntuosidade impar, destacando-se adelicadeza nos candelabros, o espaço de pé direito duplo, o detalhe de acabamento doguarda corpo do mezanino. Este efeito ainda resiste, apesar das condições das unidadescomerciais localizadas no pavimento térreo. Estas se encontram descaracterizadas, comtrilhos de portas de garagem comerciais mutilando os pilares soltos, assim como painéis dealucobond em drogarias que alteram completamente a composição cromática e espacial doespaço, chegando até a invadir o logradouro público e a comover transeuntes, devido a suafalta de manutenção. A visão de pastilhas caídas em seus arredores é tocante.O grande salão na cobertura do Viadutos, assim como o terraço logo abaixo deste, refletema grande preocupação de Artacho Jurado com o coroamento dos edifícios coberturas comterraços e jardins,com forte influência do trabalho de Artacho Jurado nas feiras eexposições. Os espaços presentes neste coroamento constituem verdadeiros pavilhões paraabrigar bailes e festas, verdadeiros mirantes para a cidade.No edifício Viadutos, como também ocorreu o Cinderela, a vegetação do pavimento dacobertura foi removida em função da precariedade da impermeabilização no pavimento dacobertura. No centro da cobertura destaca-se o núcleo de circulação vertical, assim comouma porta que dá acesso a uma escada solta e em espiral, que por sua vez dá acesso aogrande pavilhão que coroa o edifício Viadutos. Este pavilhão, está atualmente interditado porrazões de segurança, já que o condomínio teve problemas com relação a combinação deusuários abusando de álcool e caixilhos antigos de vidro de piso a teto sendo a únicaproteção entre seus usuários e o pavimento inferior. A visão da cidade é potencializada erecortada por uma série de recursos arquitetônicos como o caixilho que vai do piso ao teto,e a proeminente da inclinação do mesmo. 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Ainda mais desafortunada foi a maneira que este pavimento, através da janela para os trêspoços, demonstrou a gritante precariedade em que se encontram os pavimentos tipo doedifício Viadutos, pavimentos que infelizmente não nos foi permitido o acesso por parte daadministração predial do condomínio. Uma breve espiada nestas janelas de caixilhostotalmente oxidados e inoperantes, revela poços de ventilação sombrios, muitas vezes semreboco e com caixilhos totalmente estragados. A comparação do Viadutos com um cortiçonão seria um exagero ao nos depararmos com esta visão, e contrasta enormemente equase paradoxalmente com a opulência presente no pavilhão de sua cobertura, em seushalls de entrada, e em sua facada com amplas varandas ajardinadas. Tristemente, umabreve caminhada na praça General Craveiro Lopes atesta esta deterioração, tendo em vistao grande número de pastilhas caídas no chão.Não obstante esta deterioração eminente, a qualidade inerente na espacialidade do edifícioViadutos rendeu a esta João Artacho Jurado sua locação até para produçõescinematográficas como em Até que a vida nos separe (1999), de José Zaragoza. CelsoFiovarante, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, concedida no final da década de 90,constata este episódio: “O vasto terraço de outro prédio, o Viadutos [...] serviu para criaçãocenográfica do apartamento do personagem de Marco Ricca em “Até que a vida nos separe”(1999), de José Zaragoza. Neste caso, o que o diretor de fato aproveitou não foi a divisãoproposta para os 368 apartamentos, mas sim sua ótima vista. O salão de festas no 25ºandar também foi usado como locação do filme.” (Franco, p. 186) 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana Mackenzie 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011REFERÊNCIASAZEVEDO, Ricardo Marques. “Sobre a historiografia”. Revista Arquitetura eUrbanismo,São Paulo, SP, ano 5, n. 26, p. 88-89, out./nov., 1989.BASTOS, Maria Alice Junqueira. Pós-Brasília: rumos da Arquitetura brasileira. SãoPaulo: Editora Perspectiva, 2003.BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1999.CAHEN, Nádia. O edifício como qualificador do espaço urbano no centro novo de SãoPaulo. Avenida São Luís, interpretação e proposta. São Paulo: FAU-Mackenzie, 2004.[Dissertação de mestrado].CAMPOS, Cândido Malta; SOMEKH, Nádia. A cidade que não pode parar – PlanosUrbanísticos de São Paulo no século XX. São Paulo: Mackpesquisa, 2002.CARVALHO, Bernardo. "Cidadão Artacho". Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 jan. 1990.Suplemento Semanal, Caderno D, p. 6.CECCO, Ângelo; SANTOS, Cecília R. dos; ZEIN, Ruth Verde. “Obras”. ArquiteturaBrutalista Paulista 1953-1973, São Paulo, [2007?]. Disponível em<http://www.arquiteturabrutalista.com.br/index1port.htm>. Acesso em 15 out. 2009.CESAR, João Carlos de Oliveira. Chromatic Harmony in Architecture and the Work ofArtacho Jurado. Colour: design and creativity, v. 5, p. (5) (2010) 6: 1, 2010.CORREIA, Sílvio Brand. “Abrem-se as portas da avenida Paulista ao progresso”, A Gazeta,30-6-1952, p. 12.CORONA, Eduardo. "Que Audácia!". Acrópole, São Paulo, SP, n. 232, p. 3, fev. 1958.ESPIRITO SANTO, José Marcelo do. "João Artacho Jurado: intrigante desafio dos meiostons". Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, SP, ano 5, n. 26, p.80-87, out./nov., 1989.FIORAVANTE, Celso. “CD-ROM revê cenários de cimento de Artacho Jurado”. Em Folha deSão Paulo, Ilustrada, seção “Arquitetura”, 4-9-1999.FORTE, Fernando. "Polêmico Artacho: do Kitsch ao Cult". Revista Arquitetura eUrbanismo, São Paulo, [200-?]. Seção Documentos . Disponível em :http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/174/artigo101178-2.asp>. Acessado em17 out. 2009.FRANCO, Ruy Eduardo Debs. A obra de João Artacho Jurado. São Paulo: [s.n], 2004.254p. [Dissertação de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo – Universidade PresbiterianaMackenzie, São Paulo, 2004]. 16
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