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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Daniel grisotto

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieREQUALIFICAÇÃO DE RIOS URBANOS E SUAS PAISAGENSDaniel Grisotto (IC) e Ricardo Hernan Medrano (Orientador)Apoio: PIVIC MackenzieResumoEste trabalho tem o propósito de estudar o desenvolvimento urbano a partir dos rios e demonstrarcomo o processo de desenvolvimento e crescimento das cidades interferiu na alteração daspaisagens ribeirinhas. A partir de estudos de casos de revitalização a beira rio em várias cidades domundo, este trabalho visa analisar os métodos aplicados nos projetos de requalificação e sua relaçãocom a melhoria da paisagem urbana. Tendo como o caso especial o projeto de revitalização do rioPiracicaba na cidade homônima, o trabalho irá mostrar como essa área foi resgatada e reintegrada àcidade.Palavras-chave: rios, paisagens, recuperaçãoAbstractThis work aims to study the urban development from the rivers and demonstrate how the developmentprocess interfered with the growth of cities change in riverine´s landscapes. From case studies of theriverfront revitalization in cities around the world, this work aims to analyze the methods used inrehabilitation projects and their relation to the improvement of the urban landscape. Taking the specialcase as the revitalization project in the city of Piracicaba river of the same name, the work will showhow this area was rescued and reintegrated into the city.Key-words: rivers, landscape, recovery 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOOs rios são de extrema importância para o desenvolvimento as cidades – sabe-se quedesde a antiguidade elas eram fundadas às suas margens. Isso acontecia porque as terraspróximas às suas margens eram mais férteis para o cultivo de alimentos e tinham caça emmaior abundância. Estar próximo a um rio significava acesso fácil aos recursos maisimportantes para a sobrevivência humana: água e alimento. Os rios sempre foram, alémdisso, vias naturais de circulação, o que permitia às populações driblar outro desafio – oisolamento. Os rios desempenharam ao longo da história papel de fundamental relevânciapara diferentes grupos de pessoas, que estabeleceram com suas águas relação dedependência, respeito e até veneração.Com o passar do tempo, a relação do homem com os rios foi se transformando, sobretudoapós o início da Revolução Industrial, no final século XVIII, com o uso de novas técnicasprodutivas. Os rios e suas margens foram sofrendo as conseqüências de umdesenvolvimento econômico: poluição, crescimento desordenado, ocupação em áreas devárzea, desaparecimento da mata ciliar, entre outros problemas físicos de degradaçãoambiental.No Brasil, em conseqüência do desenvolvimento industrial, principalmente após a década de1930, com o avanço da técnica de produção e o êxodo rural, as cidades – sobretudo naregião sudeste - cresceram muito rapidamente impactando de forma negativa o meio físico.A degradação dos rios e das áreas ribeirinhas se deu de forma acentuada nas últimasdécadas já que qualquer ação ou idéia de preservação dos recursos hídricos tinha comopreocupação exclusivamente o abastecimento – era preciso cuidar para que a águacontinuasse chegando à população e para que não faltasse insumo à produção. Haviapreocupação com o abastecimento de água, não com os rios. Os aspectos ecológicos doambiente, como dinâmica hidrológica, preservação de matas ciliares, etc. foram sempredegradados devido aos efeitos das intervenções urbanas nos cursos d’água. Comoconseqüência desse mau trato aos rios, as problemáticas ecológica e epidemiológica, comoenchentes, transmissão de doenças e escassez para o abastecimento se tornaram cada vezmais presentes no contexto urbano. Isso levou a um novo arranjo das encostas, quepassaram a ser um ambiente urbano degradado e inseguro, sendo um problema para agestão pública e para os cidadãos.Um exemplo, e objeto de estudo deste trabalho, é o caso de Piracicaba, às margens do riohomônimo. Em 2001, após anos de depredação e esquecimento do poder público, parte daárea ribeirinha do rio Piracicaba, na Região da Rua do Porto foi alvo de um projeto derevitalização. O projeto, chamado de Plano de Ação Estruturador (PAE), foi elaborado por 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenzierenomados profissionais de diversas áreas, entre historiadores, sociólogos, arquitetos eurbanistas, paisagistas e engenheiros agrônomos, entre outros. O principal objetivo do PAEera resgatar a qualidade natural da área e implantar espaços públicos de uso cultural, tendocomo fundamento, equacionar desenvolvimento urbano com respeito à natureza. Passadosdez anos do projeto original, que foi implantado apenas em parte, este estudo propõe umanova ação na área, com um projeto de requalificação mais abrangente do que o implantadoem 2001 – contemplando pontos que não foram abordados no projeto inicial.Para o desenvolvimento deste trabalho, realizou-se uma pesquisa que passou pela análiseda importância dos rios para as cidades, desde sua importância como paisagem urbanaampliando os espaços físicos de recreação e lazer para a população até melhoria de todo osistema ecológico do centro urbano. Como será explicada no trabalho a requalificaçãodesses espaços verdes melhoram a qualidade de vida da população em quesitos comomelhoria da qualidade do ar e controle da temperatura, além de alguns casos resgate dacultura local, já que muitas vezes o rio está diretamente relacionado à cultura local.REFERENCIAL TEÓRICONo decorrer da história, as civilizações escolheram margens de rios, mares e lagos paraassentamento e instalação de seus núcleos urbanos. Essa proximidade se dava ao fato deas águas servirem para abastecer as habitações, para a ativação de maquinários deengenharia, como o monjolo ou a roda d’água, para o lazer, e atividades extrativistas comoa pesca, a mineração areia, argila e pedras. Após o período da Primeira RevoluçãoIndustrial e o fim do sistema feudal, grandes cidades surgiram em decorrência desteprocesso. Pode-se observar tal fato nesta passagem de O Manifesto do Partido Comunistade Marx e Engels: A burguesia submeteu o campo à cidade. Criou grandes centros urbanos; aumentou prodigiosamente a população das cidades em relação à dos campos e, com isso, arrancou uma grande parte da população do embrutecimento da vida ruralAs cidades passaram então, a alojar toda a esfera produtiva baseada no sistema demanufaturas com produção em escala. Logo, todos os detritos gerados tanto pelas novasindustrias como pela sua população tinham como destino final as águas dos rios, que agoraestavam inseridos nesses novos centros urbanos. A partir desse processo iniciasse o longoperíodo de descaso e poluição dos rios , que começaram com o passar do tempo e docrescimento ainda maior dessas cidades, a serem vistos como obstáculos a seremrompidos. 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011No Brasil essa relação do rio com seus habitantes, ocorre desde as sociedades indígenasque aqui viviam. Para eles o respeito com as águas dos rios fazia parte de uma questãocultural e de sobrevivência, pois era de onde retiravam seus alimentos através da pesca, douso da água para o cultivo agrícola, além, é obvio, de servirem de fonte de água pura. Noperíodo colonial os rios ofereciam para as cidades brasileiras, além de água, controle deterritório, alimentos, possibilidade de circulação de pessoas e bens sendo a principalmaneira de chegarem a outros territórios abrangendo assim, seu deslocamento a outrasregiões ribeirinhas e ampliando as terras conquistadas. (COSTA, 2000)Além disso, eles delimitam a configuração urbana os rios contribuem para melhoria dapaisagem urbana, e em alguns casos possuem fortes relações culturais com o local e seushabitantes. Como no caso das cidades nordestinas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) no rioSão Francisco ou nas cidades ribeirinhas da região Amazônica, que para compensar oisolamento a população está fortemente vinculada aos rios que servem para uso delogística, retirada de alimentos e também para fins festivos e comemorativos. (FRANCO,2002) O rio atua, ainda como coadjuvante de outros elementos para a formação da paisagem natural e cultural, como a topografia, solo, modelagem do relevo, vegetação. (GORSKI, 2010)Sob o aspecto físico da forma urbana, os rios são fortes elementos da paisagem e,geralmente, estruturam o tecido urbano que lhes é adjacente, tornando-se muitas vezeseixos de desenvolvimento do desenho da cidade, sendo em alguns casos considerados as“espinhas dorsais” do tecido urbano. A definição de paisagem no entanto é um tema muitoabrangente, pois as definições de paisagem, citadas por diversos autores, entre elesgeógrafos, biólogos, urbanistas e sociólogos são diversas de acordo com o foco estudado.No entanto nesse trabalho será estudada a idéia de paisagem relacionada ao meio urbano.Como o processo de desenvolvimento econômico e espacial alterou as paisagens naturaisdos rios.Paisagem é o local onde reside, e do qual faz parte o homem. É composto pelos bensnaturais, como a água, o solo, a fauna e a flora. Sendo assim, seu planejamento, suaproteção, seu desenho e os moldes de intervenção devem objetivar a composição doambiente humano. (LUZOTA, 2001) A natureza (descrita como a situação que não foi alterada pelo homem) se converte em paisagem, no que se refere aos componentes naturais, suas peculiaridades fisiográficas e ambientais. Pode também se transformar, de acordo com as influências históricas, culturais e tecnológicas do homem, refletindo conseqüentemente nos sistemas climáticos, naturais e sociais. (LUZOTA, 2001, 53) 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana MackenzieA paisagem pode ser ordenada tanto por forma fixas, como colinas e morros, ou por fluxos,como correntes climáticas, correntes hídricas de superfície. Essas formas presentes nanatureza e criadas por ação antrópicas não são apenas volumes, mas também movimentos,cores, odores e sons, como são os rios, que há tempos inspiram respeito e muitas vezesaguçam a percepção e a contemplação. Recriar essas formas (que foram degradadas)como elementos de continuidade é fundamental para a melhoria do espaço urbano.(FRANCO, 2002)Em relação à melhoria da paisagem, um dos elementos básicos que configuram o desenhourbano é o espaço livre, como áreas verdes, praças, largos, pátios, parques, jardins,margens de rios, lagos e córregos e outros, onde são desenvolvidas as atividades de lazer econvívio público. Devido a isso a preservação do verde existente nas margens dos riosserve como atrativo para passeios públicos e lazer, aumentando assim a vitalidade de áreasribeirinhas. Por isso é muito importante e fundamental a preservação do curso d’água e seuentorno, pois, como dito este é um meio de aproximação das pessoas.MÉTODOAs cidades sofreram nas últimas décadas com os problemas sociais, econômicos eambientais decorrentes da errônea ocupação e uso do solo o que gerou degradaçõescontínuas no meio físico, principalmente no que se refere à preservação de ambientesverdes dentro dos centros urbanos. O que ao longo do tempo gerou alterações visíveis emseu espaço físico. A degradação da qualidade ambiental ocorrida nos recursos hídricos afeta, direta ou indiretamente, a saúde, a segurança e o bem estar da população, assim como, as atividades sociais e econômicas, a fauna e a flora, tornando-se evidente através das paisagens [...] Nesse sentido, deve-se considerar que a gestão desses recursos deve valorizar não só o processo sócio-econômico relacionado ao meio ambiente, mas também associá-lo a outros fatores fundamentais à vida do homem, que são os valores sócio–culturais. (MELLO, 2009)Esses malefícios restringiram os rios, a sintomas perturbadores para a vida humana comomau cheiro, obstáculo à circulação, degradação e desvalorização das áreas periféricas aeles. Um dos casos de degradação é do rio Capibaribe, na cidade de Recife (PE), que como decorrer do processo de urbanização teve suas margens alteradas devido a contínuosprocessos degradativos como despejo de esgotos domésticos e do lixo, retificação ecanalização do rio. Hoje, no entanto, algumas áreas já receberam revitalização e são áreasde convívio público, porém ainda existem locais onde o rio é margeado por casas depalafitas sem nenhuma infra-estrutura como água e esgoto. 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Figura 1 - Casas de palafita sobre o rio Capibaribe, Recife/PE. Fonte: Ricardo Hernan MedranoA melhoria do uso e requalificação de regiões ribeirinhas visa a melhora da paisagem e daqualidade de vida populacional em todas as dimensões da vida urbana. Um exemplo daforte atuação dos rios nas paisagens urbanas, e de como esse resgate é importante paratoda a população, tanto como aumento da qualidade de vida, como por questões culturaisfoi a requalificação do rio Chenggyechon, que atravessa de leste a oeste a cidade de Seul,capital da Coréia do Sul.O rio antes canalizado, poluído e segregado sob uma via expressa elevada foi reintegrado àpaisagem com projetos e planos de ação de despoluição e renovação urbana, deixando apopulação de Seul em pleno contato com suas águas. Figura 2 - Rio Cheonggeychen antes da requalificação urbana. Fonte: http://mundopossivel.com.br/?p=1782O projeto incluía não só a melhoria das águas do Chenggeychon, mas também a criação deciclovias, parques, áreas de lazer e passeio. A recuperação resultou em melhoria do ar, hojemais limpo, diminuição da temperatura local, que chega a ficar até 3,6 graus abaixo dorestante da cidade, o surgimento de novos habitats de vida selvagem, reestruturando assima cadeia alimentar local e ampliação da área verde. Sobre os aspectos ecológicos arevitalização do rio Cheonggeycheon e suas margens adjacentes cumprem a função dedefesa contra inundações. A mobilidade da população melhorou muito, gerando vida aosdistritos vizinhos antes degradados e marginalizados que receberam pesados investimentosprivados na melhoria das edificações periféricas aos rios e hoje abrigam centros comerciais 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenziee empresarias, criando-se assim, uma diversidade de transeuntes, tanto para consumir,fazer negócios e principalmente visitar o novo cartão postal da cidade de Seul.Figuras 3 e 4 - Rio Cheonggeycheon após a requalificação urbana. Fonte: http://mundopossivel.com.br/?p=1782O projeto do rio Cheonggeycheon serviu de exemplo para o país que hoje promove maisuma requalificação de rios urbanos, com o projeto de despoluição e reestruturação dasmargens do rio Han, maior, e principal rio da capital sul coreana.Outros exemplos dessa possível transformação de áreas ribeirinhas com benefícios para omeio ambiente, para a cidade e para a sua população são os casos dos rios estrangeirosque serão citados agora:Rio Emscher, na AlemanhaO rio Emscher é um rio afluente do rio Reno e localiza-se a Oeste da Alemanha. Por maisde um século, o rio e seus afluentes receberam as mais pesadas cargas de poluentes quese tem notícia. Com o passar dos anos e com a crise do aço em 1970, muitas empresas eindústrias da região do Emscher fecharam as portas, gerando um alto índice dedesemprego. Antigas instalações da indústria pesada ficaram abandonadas durante anos.Preocupados com a péssima qualidade dos rios de toda a região, a ausência de parques epraças de uso publico e coletivo, e as precárias condições das habitações existentes,fizeram com que o governo tomasse medidas de revitalização da área.As novas intervenções tiveram como objetivo solucionar um problema hídrico da região,melhorando o seu desempenho, como também valorizar os cursos d`água como elementosde uma paisagem em transformação. Para isso foi criado o IBA (InternationaleBauausstellung) - Exposição Internacional de Construção. Esse projeto teve como medidasprincipais a criação de um novo zoneamento na região visando a recuperação da paisageme de seus elementos, tendo os cursos d’água como o eixo da paisagem. (ALVEZ, 2002)O projeto tinha como principais objetivos: 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 • Renovação da estrutura econômica, • Recuperação da paisagem e de seus elementos, tendo os cursos d’água como o eixo da paisagem. • Implantação de distritos industriais, agora para indústrias com tecnologias limpas, em antigas áreas de mineração. • Urbanização e construção de moradias com atuação também no campo social. Figura 5 – À esquerda, o rio antes da intervenção. No centro da foto, um córrego canalizado para o carregamento dos esgotos e resíduos químicos; a foto mostra a insalubridade do local. Foto da região doEmscher. Fonte: IBA – Internationale Bauausstellung Emscher-Park. Figura 6 - À direita, vista atual de parte da bacia do Emscher, Alemanha. Fonte: ALVEZ, Maristela Pimentel. A recuperação de rios degradados e sua inserção na paisagem urbana – A experiência do rio Emscher na Alemanha. São Paulo, Fauusp, 2002. (dissertação de mestrado)Rio Los Angeles, Estados Unidos da AmericaCom 94,45 Km, dos quais, 82 Km atravessam áreas urbanas (sendo 52 Km na cidade deLos Angeles), o rio Los Angeles localizado no estado da Califórnia (EUA), nasce no vale SãoFernando seguindo até o oceano Pacífico, onde deságua na baia de Long Beach.Abastecido pelas águas que escoam das montanhas de Santa Monica, Verdugo, SantaSuzana e São Gabriel, ele corre no sentido noroeste-sudeste, mantendo em alguns trechossua morfologia original. Suas margens começaram a ser habitadas durante o século XIX(1850) devido ao ciclo da mineração. O rio serviu de apoio como provedor de água etransporte, sendo considerado um importante corredor fluvial de fluxo de pessoas emercadorias, gerando desenvolvimento econômico e crescimento urbano. Durante oprocesso de desenvolvimento econômico da região, foram construídas estradas marginais,linhas férreas de transporte, armazéns e barracões industriais nas áreas lindeiras ao rio.Esse processo renegou e isolou o rio da maioria dos bairros adjacentes. 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana MackenzieNo entanto, após essas intervenções humanas desordenadas e da retificação eimpermeabilização das áreas de várzeas (ver figura 7), somadas ao despejo de resíduosquímicos e de esgoto tratado ocasionaram problemas com inundações e poluição a jusante(rio abaixo) ao longo das praias vizinhas. A união desses fatores (inundações e poluição daságuas), gerou problemas de salubridade, o que levou em 1990 a movimentos dereivindicação pró-revitalização do rio. Segundo Alva (1997), esse processo da degradaçãoambiental, visível na maior parte das grandes cidades do mundo, é o reflexo de uma crisesocial, econômica e política que se reflete na desintegração progressiva dos espaços dotecido urbano. (GORSKI, 2010) Figura 7 - Imagem do rio Los Angeles, na cidade de Los Angeles, pré-intervenção. Fonte:http://ladpw.org/wmd/watershed/la/.Em 2002 iniciou-se o processo de recuperação do Los Angeles River, com a aprovação doComitê de Revitalização, implantando em 2005 o Plano Diretor de Recuperação do Rio LosAngeles (The Los Angeles Master Plan). O projeto de reestruturação urbana do rio LosAngeles, oficialmente desenvolvido e aplicado em 2005 e finalizado em 2007, abordaquestões relacionadas à preservação de inundações, recuperação e proteção ambientaldestinadas ao desenvolvimento sócio-econômico.Essas propostas têm como objetivos principais, requalificar as margens do riotransformando-as em um longo “corredor” verde que atravessa a cidade, privilegiando avitalidade dos espaços livres (ver figura 8) existentes aumentando a identidade dos locaispor onde esse cinturão verde passa. Esse processo gerou uma melhor qualidade de vida dapopulação local com a criação espaços agradáveis para trabalhar, viver e descansar,ampliando locais com espaço de lazer e áreas institucionais. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Figura 8 - Proposta de requalificação dos espaços das margens do rio Los Angeles: Fonte: GORSKI, Maria Cecilia Barbieri. Rios e Cidades: Ruptura e Reconciliação. São Paulo, Senac, 2010.O objetivo principal do Plano é resgatar, além da função ecológica do rio, sua identidade emrelação à cidade, pontuando melhorias no acesso da população ao rio, a segurança e saúdepública. A partir dos objetivos gerais, foram definidas as diretrizes principais para o Plano,que foram divididas em quatro metas, melhoria do rio, diretrizes para bairros verdes,diretrizes relativas à captação de oportunidades para a comunidade e diretrizes relativas àvalorização socioeconômica e ambiental.Diretrizes relacionadas à revitalização do rio: • Valorizar as várzeas, com recuperação da vegetação ripária; • Restaurar a funcionalidade ecossistêmica, restabelecendo as funções ecológicas e hidrológicas; • Melhorar o tratamento e a qualidade da água • Possibilitar o acesso público e seguro.Esses processos estão diretamente ligados à idéia de melhoria da paisagem urbana, emelhoria da qualidade de vida da população. A melhoria da qualidade da água dos riosassociado à tentativa de renaturalização da estrutura física destes ambientes têmacarretado um aumento da biodiversidade local, na restauração da função ecológica, alémda utilização destes ambientes como áreas de lazer e valorização de espaços urbanos paraáreas urbanas degradadas. (BINDER, 1998)Diretrizes relativas aos bairros verdes 1 Criar um caminho verde contínuo; 2 Conectar a vizinhança ao rio; 3 Ampliar os espaços públicos e de recreação; 4 Vincular a presença do rio à identidade dos bairros; 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenzie 5 Incorporar elementos da arte pública ao longo do rio.Diretrizes relativas à captação de oportunidades para comunidade: 1. Tornar o rio um foco de atividades com lugares acessíveis, seguros e saudáveis; 2. Promover o sentido de cidadania; 3. Celebrar o rio como patrimônio cultural 4. Engajar a população local no processo de construção e planejamento do bairro; 5. Adaptar as áreas industriais ao conceito de “eco-industrial”, de modo a oferecer espaços abertos, segurança, limpeza e emprego para os moradores.Diretrizes relativas à valorização socioeconômica e ambiental: 1. Promover a qualidade de vida; 2. Aumentar a oferta de emprego, moradia e comércio; 3. Criar um desenho urbano ambientalmente adequado e diretrizes para uso e ocupação do solo; 4. Criar novas oportunidades de emprego, moradia e comércio 5. Concentrar esforços na requalificação das áreas subutilizadas e das comunidades carentes, em desvantagem social assegurando a equidade de acesso às áreas de lazer, ao trabalho, e a transporte.1 Figura 9 - Imagem das propostas de melhoria da paisagem do rio. Fonte: http://www.mlagreen.com1 Todos os dados acima mencionados relacionados às intervenções e diretrizes foram retirados do “Los AngelesMaster Plan”, e do livro GORSKI, Maria Cecilia Barbieri. Rios e Cidades: Ruptura e Reconciliação. São Paulo,Senac, 2010. 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011As propostas visam atuar em diversas escalas, de acordo com os objetivos acimamencionados. Essas diversas escalas de abordagem dão uma visão ampla doscondicionantes e determinantes que agem sobre a cidade e, ao mesmo tempo, permitemuma percepção local mais coerente com as dinâmicas regionais que atuam na produção ereprodução do espaço urbano. Assim, as cidades podem se adaptar às condiçõesgeoambientais dos rios, equalizando os problemas ligados ao uso e ocupação dos leitosfluviais e aproveitando suas potencialidades.Esses propósitos estão especificados no Plano.Rio Piracicaba, Piracicaba (São Paulo, Brasil) Figura 10 - Vista aérea da cidade de piracicaba. Fonte: Google Earth (04/12/2010 às 18h33min)Desde a fundação da cidade nas margens do rio de Piracicaba, em 1767, a Vila NovaConstituição , posteriormente chamada de Piracicaba, possui forte relaçao economica ecultural com as águas do rio. O próprio nome da cidade tem relação com suas águas, onome Piracicaba em Tupi Guarani significa “lugar onde o peixe para”. Segundo relatoshistóricos a cidade possui uma importante posição geografica servindo de apoio no séculoXVIII às embarcações que descian o rio Tietê dando retaguarda ao abastecimento do ForteIguatemi na fronteira Brasil-Paraguai, antigo ponto de conquista territorial entre espanhois eportugueses. No decorrer do século XIX a cidade passou a crescer e se desenvolvereconomicamente, por meio do desenvolvimento agrícola representado pelo cultivo de cana-de-açucar. Esse crescimento nas margens do rio acarretou obras aquitetonicas deimportante valor cultural e patrimonial como o Engenho Central, Complexo Industrial Boyes,o Belvedere do Parque do Mirante, a casa do Povoador e a Capela do Divino muitos delestombados e destacados como Patrimônio Histórico e Cultural. Com isso a Rua do Porto setornou um importante local cultural e histórico, já que se trata de um dos mais antigos 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzietecidos urbanos da cidade representando o principal espaço de recreação para apopulação.Figura 2 - Casa do povoador, primeira construção da cidade. Fonte relatório do Plano de Ação Estruturador para a região de Piracicaba (2001). Fonte: http://www.ipplap.com.br/docs/br_pae-parte2de3.pdfNo entanto, a partir da década de 1950 a cidade sofreu com o processo de crescimentodesordenado, que seguia o modelo urbanístico dos grandes centros urbanos brasileiros, quepriorizava o desenvolvimento econônico e desqualificava ou pouco se preocupava comquestões ambientais. Nesse período, com a implantação de indústrias, principalmente dosetor sucro-alcooleiro e metalúrgico, a cidade voltou as costas para os rios e passou acanalizar e retificar a maior parte de seus cursos em prol do desenvolvimento de malhasviárias. O despejo de esgoto não tratado poluiram e depreciaram as margens dos rios,tornando-as insalubres, degradando a paisagem.Além disso o desenvolvimento de novos bairros dava indícios da divisão social que seestabeleceria na cidade, gerando desvalorização dos terrenos do antigo núcleo colonial,provocando um exôdo das classes mais abastadas para esses novos loteamentos.As áreas próximas ao rio, principalmente as da região da Rua do Porto passaram a serlocais violentos e degradados, deixando a cidade mais distante do rio que tão importante foipara sua criação. Esse processo de degradação da região fez surgir a necessidade decriação de um plano diretor de requalificação da área histórica da cidade, visando a melhorada qualidade de vida da população e principalmente a utilização de forma racional dosrecursos naturais inerentes ao rio, visando a sustentabilidade ambiental, economica ecultural – como fica evidente no trecho do Plano de Ação Estruturador (PAE): O projeto não se baseia unicamente em embelezar as margens urbanas do rio ou solucionar problemas pontuais da região da rua do Porto, mas sim confrontar e solucionar problemas de questões diversas como ambiental (poluição, assoreamento e destruição das matas ciliares), socioeconômicas (violência, prostituição e tráfico de drogas), institucionais (fiscalização, restauração e conservação das edificações e do patrimônio histórico). (IPPLAP - Instituto de 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Pesquisa e Planejamento de Piracicaba. Plano de Ação Estruturador. Piracicaba, 2000, 35)O projeto Beira-Rio - Apresentação do Plano de Ação Estruturado (PAE)Considerado um projeto pioneiro em recuperação de rio urbano no Brasil, o programa derequalificação ambiental e urbanistica denominado Projeto Beira Rio, implantado em 2001,visou a requalifcação ambiental e urbana da cidade de Piracicaba, como um primeiroproduto que visava eaquacionar os conflitos e potencialidades da relação rio-cidade. Apósestudos sociais, ecológicos, urbanisticos geológicos entre outros o programa chegou a umresultado chamado de A cara de Piracicaba2, que pretendia ir além do ideal de implantaçãode impactos paisagisticos mas também solucionar problemas do território físico, culturais esocioeconômicos.No entanto, com o diagnóstico estabelecido, o programa que anteriormente apenas visavaintegrar o Plano diretor da cidade à orla do rio, evoluiu para uma proposta mais abrangente,ampliando as diretrizes ambientais pontuais das margens para toda a cidade eposteriormente visando a melhoria de toda a bacia hidrografica do Piracicaba, tornando-seum modelo de referência nacional. Para isso foi criado um projeto denominado de Plano deAção Estruturador (PAE) que, auxiliando o Plano Diretor da cidade, define diretrizes gerais eações concretas a serem implementadas seguindo os padrões ambientalmente adequados.Para alcançar os objetivos do projeto na escala urbana, o PAE setorizou o programa em oitotrechos poutuais (ver figura 12) de intervenção, que são:- Projeto Trecho-1: Beira Rio-Central (que contém o Projeto Start), localizado entre a ponte do Mirante e a ponte do Morato.- Projeto Trecho-2: Lar dos Velhinhos, localizado entre a ponte do Mirante e a ponte Lar dos Velhinhos.- Projeto Trecho-3: Bongue, localizado entre a ponte do Morato e a Ponte do Caixão.- Projeto Trecho-4: Corredor Eco-Social, localizado junto à av. Francisco de Souza.- Projeto Trecho-5: Corumbataí, localizado entre a ponte do Caixão e o limite oeste do perímetro urbano.- Projeto Trecho-6: Esalq-USP, localizado entre a ponte do Lar dos Velhinhos e a ponte do Rodoanel.- Projeto Trecho-7: Monte Alegre, localizado entre a ponte do Rodoanel e o limite leste do perímetro urbano.2 No chamado “Plano de Ação Estruturador” (PAE), documento representativo da segunda fase do Projeto Beira-Rio, que continua o pensamento sobre a sustentabilidade por meio de diretrizes urbanísticas para a relação rio-cidade, expressa num termo denominado pelo antropólogo urbano Arlindo Stefani como “A cara de Piracicaba”.In: http://www.ipplap.com.br/docs/br_pae_parte1de3.pdf. 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana Mackenzie- Projeto Trecho-8: pedreira do Morato – localizada no Bairro do Morato e calha do ribeirão do Enxofre. (IPPLAP - Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba. Plano de Ação Estruturador. Piracicaba, 2000) Figura 12 - Imagem aérea do trecho urbano do rio Piracicaba. Proposta idealizada pelo PAE demonstra os oito pontos primordiais da intervenção do projeto na escala urbana. Imagem retirada do site http://www.ipplap.com.br/docs/br_pae_parte1de3.pdfNa essência o PAE propõe a implantação de projetos geológicos, hidrológicos, econômicos,sociais , culturais e paisagisticos cuja meta é o equilibrio do binômio rio-cidade. Dentro doperimetro urbano do rio o Plano de Ação Estruturador tinha como fundamentação melhoraros aspectos degradados aplicando seis principais objetivos, que posteriormente seriamimplantados junto ao Plano Diretor. Os princípios são: 1. Recuperação da qualidade da água; 2. Preservação do cinturão meândrico; 3. Reestruturação do tecido urbano; 4. Intensificar o rio como caminho; 5. Conservar a paisagem; 6. Conectar o cidadão ao rio.Para alcançar essas medidas a proposta estabelece algumas diretrizes aplicadasrelacionadas aos objetivos anteriormente mencionados que são:1. Priorizar o saneamento, concluindo o sistema de interceptores paralelos ao rio e aconstrução da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e implantação da coleta seletiva e a 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011reciclagem de lixo e a industrialização dos residuos sólidos , gerando uma diminuição doescoamento do lixo e de resíduos para o leito do rio;2. Para preservação do cinturão meândrico, foi proposta a criação do corredor biológicochamado de “Eco-Social”, recuperando-o onde necessário e promovendo a conservaçãoambiental na faixa territorial envolvente ao cordão mendrico dos rios, como pode ser visto nafigura 12;3. Para reestruturação do tecido urbano, foi adotado o rio Piracicaba como cursoprincipal para a implantação de projetos e, posteriormente, os seus afluentes, e elaboradoum zoneamento ecológico-econômico do municipio, visando um novo paradigma deocupação. Criação de comportas ao lado do rio, para controle de enchentes; dinamizaçãodos usos da Rua do Porto (RDP) ; conexão da RDP com o Parque Beira Rio, como o PaçoMunicipal e com o tecido urbano central; valorização do percurso dos percursos dospedestres; desenvolvimento de novos transportes urbanos, principalmente os movidos aenergia limpa- como trólerbus; implemetação de um circuito turístico de bonde; incentivar arestauração das fachadas;4. Para incentivar o rio como caminho: explorar a visão da cidade a partir do rio, com aimplementação da navegação fluvial, e criar novos sistemas de transporte urbano;5. Para conservar a paisagem: proteger o patrimônio cultural e ambiental da cidade,por meio de instrumentos de uso e ocupação do solo, diretriz de gabarito e densidade aolongo da faixa de proteção do rio, prevenção e geração de emprego e renda, para evitar agentrificação3, manter e recuperar as paisagens memoráveis da cidade e implantar novasobras de arte urbana;6. Para conectar o cidadão ao rio: criar corredores verdes-chamados no projeto deCorredores Eco-Sociais, incluindo trilhas urbana incetivando o percurso a pé, integração dasmargens através de criação de passarelas de pedestres e trasposição por balsa, criação dedecks, mirantes entre a calçada e as margens do rio. As imagens abaixo de antes e depoisdemostram a melhoria na paisagem urbana da região.3 Neologismo usado no processo de caráter excludente e privatizador, para “enobrecimento” do espaço urbano,que, com ou sem intervenção governamental, ocorre em várias cidades do mundo, significando a expulsão demoradores tradicionais - geralmente pertencentes a classes sociais mais baixas- desse processo de valorizaçãoespacial e imobiliária. Fonte: GORSKI, Maria Cecilia Barbieri. Rios e Cidades: Ruptura e Reconciliação. SãoPaulo, Senac, 2010. 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana Mackenzie Figura 13 – À esquerda, implantação de espaços como decks e passarelas para aproximar o cidadão ao rio. Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/05.058/2551. Figura 14 - À direita, corte feito pelos autores do projeto. Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/05.058/2551Figura 15 - Restauração das residências ribeirinhas, prevalecendo a conservação do patrimônio arquitetônico. À direita antes, e à esquerda depois. Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/05.058/2551As principais medidas foram a preservação das edificações históricas da região, aimplantação de obras institucionais caracterizando a área como um pólo cultural,fortalecendo a cultura local, incentivando o turismo e ampliação de espaço verde para usodo público. Para isso foram aplicadas medidas que privilegiassem os pedestres, permitindoo “caminhar” intencionalmente aproximando o cidadão do rio e incorporando o rio nodesenvolvimento da cidade, tendo a cultura como definidora de projeto. Sobre a questãoambiental a preservação e “renaturalização” de áreas verdes degradas serviram paraequacionar problematicas socio-ambientais. O Projeto aplica a prevalência do pedestre, arecuperação do patrimônio público natural e construído, e valoriza a cultura como elementodefinidor consolidando a reaproximação do cidadão com o rio pois ele parte do pressupostode que rio e cidade em Piracicaba conformam um único e amplo sistema “bio-cultural”. 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Figura 16 - Foto aérea do trecho urbano do rio Piracicaba (2000). Proposta idealizada pelo PAE. Fonte: GORSKI, Maria Cecilia Barbieri. Rios e Cidades: Ruptura e Reconciliação. São Paulo, Senac, 2010.RESULTADOS E DISCUSSÃOÉ muito antiga a relação que se estabelece entre rios e cidades, pois a partir de rios(grandes, médios ou pequenos) que foram fundadas as cidades no decorrer da história dascivilizações. Isso ocorria pois os rios tinham muito a oferecer, fornecimento de água,alimentos, controle de territórios, capacidade de circulação de bens e pessoas, etc..No entanto no decorrer do progresso econômico e no processo de urbanização,principalmente a partir do século XX os rios sofreram constantes degradações do seu meiofísico. Políticas públicas de intervenções sobre os ecossistemas, que estabeleciam medidasimpróprias e de domínio sobre eles sem nenhuma compreensão de sua importância ecomplexidade, somados à industrialização e ao crescimento urbano desordenado sem leisregulamentadoras do uso correto dos recursos hídricos, o uso e ocupação inadequadas dosolo às suas margens, com técnicas de engenharia de retificação e canalização começarama transformar a estrutura ambiental dos rios, chegando em alguns casos aodesaparecimento dos cursos d’água na paisagem urbana.Devido ao colapso ambiental e social causados por essas ações de degradação contínua, apartir de 1960 começaram os primeiros movimentos de questionamento e reflexão sobre arelação entre sociedade e natureza. Nesse período foram criados órgãos e conselhosgovernamentais e internacionais que estudavam e analisavam novas maneiras dereestruturar e reintegrar áreas ambientais degradadas ao meio urbano. A importânciadessas intervenções de requalificação está não só na melhoria da qualidade ambiental mastambém em devolver aos rios sua importância como elementos históricos, culturais e 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana Mackenziepaisagísticos para os centros urbanos e para a população. No entanto os desafiosambientais demandam não apenas a implantação de projetos pontuais e específicos mastambém, uma mudança de mentalidade dos agentes governamentais, privados, dasorganizações sociais e institucionais e da sociedade para que se estabeleça umaconsciência madura da importância da proteção ambiental para um desenvolvimentosocioeconômico que melhore a vida de toda a população. Logo, os rios não devem sertratados apenas como um obstáculo à ocupação humana, mas sim como uma paisagemnatural, que atravessa a cidade – e, portanto, é parte o tecido urbano. É preciso integrar osrios à cidade e à população, com ações que visam resgatar não apenas a qualidade daságuas, mas também a paisagem.CONCLUSÃOProcuramos com este trabalho apresentar e estabelecer uma relação entre o conhecimentosobre o problema dos rios e a ocupação urbana, trilhando por alguns exemplos de projetosrealizados em diversos lugares, e com ênfase nas propostas feitas para a cidade dePiracicaba. Procuramos mostrar a importância do conhecimento adquirido para a realizaçãodos projetos bem como o valor e os benefícios que as intervenções em áreas de rios podemtrazer.REFERENCIASALMEIDA, Maria Soares. Transformações Urbanas: atos, normas, decretos, leis naadministração da cidade Porto Alegre 1937 / 1961. São Paulo, Fauusp, 2007. (Tese dedoutorado)ALVEZ, Maristela Pimentel. A recuperação de rios degradados e sua inserção na paisagemurbana – A experiência do rio Emscher na Alemanha. São Paulo, Fauusp, 2002.(dissertação de mestrado)ASCELRAD, Henri. “Sentidos da Sustentabilidade urbana”. In ACSELRAD, H (org.) Aduração das cidades: sustentabilidade e risco nas políticas urbanas. Rio de Janeiro: DP&AEditora: CREA-RJ, 2001. p. 27-55 (Coleção Espaços do Desenvolvimento)BINDER, Walter. Rios e Córregos, Preservar-Conservar-Renaturalizar. Projeto PLANAGUASEMA/GTZ de cooperação técnica Brasil-Alemanha. Agosto de 1998.BRASIL. Ministério do Meio Ambiente et al. Cidades Sustentáveis: subsídios à elaboraçãoda Agenda 21 brasileira. Brasília: MMA, 2000 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011CESP. Plano de desenvolvimento do Vale do Piracicaba. Empreendimento hídrico SantaMaria da Serra – Viabilidade técnico-econômica. São Paulo, Diretoria de Hidrovias eDesenvolvimento Regional da Companhia Energética de São Paulo,1996.COSTA, Lúcia M. Os rios e a paisagem urbana. Rio de Janeiro, PROARQ-FAU/UFRJ, 2000.DAEE/SVT. Planejamento da Bacia do Piracicaba. São Paulo, ConsultoriaPACICON/Serviço do Vale do Tietê, 2008.FRANCO, Maria de Assunção Ribeiro. Planejamento ambiental. São Paulo, Anablume:Fapesp, 2002.GORSKI, Maria Cecilia Barbieri. Rios e Cidades: Ruptura e Reconciliação. São Paulo,Senac, 2010.IPPLAP - Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba. Plano de Ação Estruturador.Piracicaba, 2000. Disponível em: http://www.ipplap.com.br/docs/br_pae_parte1de3.pdfJACOBS, Jane. Morte e Vida de Grandes Cidades. 2°ed. São Paulo, Editora WMF MartinsFontes, 2009.KAHTOUNI, Saide. Cidade das águas. São Paulo, RiMa, 2004.LUSTOZA, Regina Esteves. Análise da Paisagem Urbana e o Planejamento Ambiental emAnna Florencia, Ponte Nova, Minas Gerais. Viçosa, Universidade Federal de Visoça, 2001.(Dissertação de mestrado)MELLO, Vera Lúcia Mayrinck de Oliveira. Gestão das Paisagens de Rios Urbanos: O RioCapibaribe na Cidade do Recife/Pe/Brasil. Trabalho apresentado no simposio “El acceso alagua en América: historia, actualidad y perspectivas”, no 53 Congreso Internacional deAmericanistas, México, 2009.MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Manual de valorização ambiental. Brasília, 2005.Disponível em http://www.mmagov.br.SILVESTRI, Graciela. El color del río. Historia cultural del paisaje del Riachuelo. Quilmes,Universidad Nacional de Quilmes, 2003SOUZA, Maria Adélia. Meio ambiente e desenvolvimento sustentável: as metáforas docapitalismo. (mimeo). São Paulo, 2002.TUCCI, C. E. M. “Águas urbanas”. In: TUCCI, C. E. M. & BERTONI, J. C. (org.). Inundaçõesurbanas da América do Sul. Porto Alegre, ABRH, 2003.Contato: dgrisotto@uol.com.br e hmedrano@gmail.com 20

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