Modernismo no enem

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Modernismo no enem

  1. 1. linguagens, códigos e suas tecnologias Modernismo no ENEM Manoel Neves
  2. 2. INSTRUÇÃO Modernismo no ENEMA discussão sobre gramática na classe está “quente”. Será que os brasileiros sabem gramática? Aprofessora de Português propõe para debate o seguinte texto:
  3. 3. TEXTO Modernismo no ENEM PRA MIM BRINCARNão há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. Ascariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falarcomo as cariocas que não sabem gramática.– As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde. BANDEIRA, Manuel. Pra mim brincar. Disponível em: http://www.tirodeletra.com.br/entrevistas/ManuelBandeira2.htm
  4. 4. QUESTÃO 01 ENEM-1998Com a orientação da professora e após o debate sobre o texto de Manuel Bandeira, os alunoschegaram à seguinte conclusão:uma das propostas mais ousadas do Modernismo foi a busca da identidade do povo brasileiro eo registro, no texto literário, da diversidade das falas brasileiras.apesar de os modernistas registrarem as falas regionais do Brasil, ainda foram preconceituososem relação às cariocas.a tradição dos valores portugueses foi a pauta temática do movimento modernista.Manuel Bandeira e os modernistas brasileiros exaltaram em seus textos o primitivismo da naçãobrasileira.Manuel Bandeira considera a diversidade dos falares brasileiros uma agressão à LínguaPortuguesa.
  5. 5. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA oralidade, princípio através do qual se defende que se escreva do mesmo modo como se fala,e o coloquialismo [defesa da linguagem informal, coloquial] foram duas das principaiscaracterísticas da Primeira Geração do Modernismo [1922-1930], da qual Manuel Bandeira fazparte. No texto analisado, defende-se a poesia da língua coloquial. Por isso, deve-se assinalar aalternativa “a”.
  6. 6. INSTRUÇÃO Modernismo no ENEM“Poética”, de Manuel Bandeira, é quase um manifesto do movimento modernista brasileiro de1922. No poema, o autor elabora críticas e propostas que representam o pensamento estéticopredominante na época.
  7. 7. TEXTO Modernismo no ENEM POÉTICAEstou farto do lirismo comedidoDo lirismo bem comportadoDo lirismo funcionário público com livro de pontoexpediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário ocunho vernáculo de um vocábulo.Abaixo os puristas. [...]Quero antes o lirismo dos loucos.O lirismo dos bêbadosO lirismo difícil e pungente dos bêbadosO lirismo dos clowns de Shakespeare– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro. Aguilar, 1974.
  8. 8. QUESTÃO 02 ENEM-2000 Com base na leitura do poema, podemos afirmar corretamente que o poeta:critica o lirismo louco do movimento modernista.critica todo e qualquer lirismo na literatura.propõe o retorno ao lirismo do movimento clássico.propõe o retorno ao lirismo do movimento romântico.propõe a criação de um novo lirismo.
  9. 9. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMNo trecho extraído de “Poética”, há uma crítica explícita ao formalismo parnasiano, o que seobserva, principalmente, nas duas primeiras estrofes.Propõe-se, então, uma ruptura com este estilo literário e a criação de um novo modelo delirismo, mais livre e que rompa com padrões e modelos.Assinale-se, pois, a alternativa “e”.
  10. 10. INSTRUÇÃO Modernismo no ENEMO quadro e o texto a seguir referem-se à questão 03.
  11. 11. Tarsila do Amaral: Operários.
  12. 12. TEXTO Modernismo no ENEMDesiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguaisenquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçamverticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmideque tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora. GOTLIB, Nádia Battella. Tarsila do Amaral, a modernista. São Paulo: Senac, 2001.
  13. 13. QUESTÃO 03 ENEM-2003O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versostranscritos em:Pensem nas meninas Somos muitos severinosCegas inexatas iguais em tudo e na sinaPensem nas mulheres a de abrandar estas pedrasRotas alteradas. suando-se muito em cima.(Vinícius de Moraes) (João Cabral de Melo Neto)Não sou nada. O funcionário públicoNunca serei nada. não cabe no poemaNão posso querer ser nada. com seu salário de fomeÀ parte isso, tenho em mim todos os sonhos sua vida fechada em arquivos.do mundo. (Fernando Pessoa) (Ferreira Gullar) Os inocentes do Leblon Não viram o navio entrar (...) Os inocentes, definitivamente inocentes tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam pelas costas, e aquecem. (Carlos Drummond e Andrade)
  14. 14. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA ideia de que a consideração das pessoas enquanto mera força de trabalho é desumanizadora,pois ignora as características e valores individuais, encontra-se tanto no quadro de Tarsila,segundo a crítica Nádia Gotlib, quanto nos versos de João Cabral de Melo Neto, quecorrespondem à fala de um flagelado migrante nordestino que foge da seca e da miséria.Marque-se, pois, a alternativa “b”.
  15. 15. INSTRUÇÃO Modernismo no ENEMO poema a seguir pertence à poesia concreta brasileira. O termo latino de seu título significa“epitalâmio”, poema ou canto em homenagem aos que se casam.
  16. 16. XISTO, Pedro. Epithalamium. Disponível em: http://ipsislitteris.opsblog.org/files/2010/09/epithalamium.jpg
  17. 17. QUESTÃO 04 ENEM-2004Considerando que símbolos e sinais são utilizados geralmente para demonstrações objetivas, aoserem incorporados no poema “Epithalamium - II”,adquirem novo potencial de significação.eliminam a subjetividade do poema.opõem-se ao tema principal do poema.invertem seu sentido original.tornam-se confusos e equivocados.
  18. 18. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMOs símbolos usados no poema de Pedro Xisto potencializam novas significações para oselementos ali representados. Marque-se, pois, a alternativa “a”.
  19. 19. TEXTO Modernismo no ENEM BRASILO Zé Pereira chegou de caravelaE perguntou pro guarani da mata virgem– Sois cristão?– Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da MorteTeterê tetê Quizá Quizá Quecê!Lá longe a onça resmungava Uu! Ua! uu!O negro zonzo saído da fornalhaTomou a palavra e respondeu– Sim pela graça de DeusCunhem Babá Canhém Babá Cum Cum!E fizeram o CarnavalANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2001.
  20. 20. QUESTÃO 05 ENEM-2004Este texto apresenta uma versão humorística da formação do Brasil, mostrando-a como umajunção de elementos diferentes. Considerando-se esse aspecto, é correto afirmar que a visãoapresentada pelo texto éambígua, pois tanto aponta o caráter desconjuntado da formação nacional, quanto parecesugerir que esse processo, apesar de tudo, acaba bem.inovadora, pois mostra que as três raças formadoras – portugueses, negros e índios – poucocontribuíram para a formação da identidade brasileira.moralizante, na medida em que aponta a precariedade da formação cristã do Brasil como causada predominância de elementos primitivos e pagãos.preconceituosa, pois critica tanto índios quanto negros, representando de modo positivo apenaso elemento europeu, vindo com as caravelas.negativa, pois retrata a formação do Brasil como incoerente e defeituosa, resultando emanarquia e falta de seriedade.
  21. 21. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMO poema “Brasil”, de Oswald de Andrade, insere-se na vertente antropófaga da PrimeiraGeração do Modernismo e propõe uma leitura crítica da formação da identidade brasileira.Ao pôr os três atores do processo de formação da identidade brasileira em ato e dar-lhes fala,percebe-se uma visão democrática e inaugural. Entretanto, quando se observa que, do contatodos três elementos, surge o Carnaval, pode-se [até] afirmar que a visão do sujeito poético sejaambígua.A única opção condizente com o ponto de vista que perpassa a obra de Oswald de Andrade [dadécada de 1920] é a alternativa “a”. Ressalve-se, entretanto, que o escritor modernista faz umarevisão crítica da história cultural brasileira e adota uma perspectiva totalmente inovadora, seconsiderarmos, por exemplo, o discurso nacionalista ufanista presente nos livros de História doBrasil até a década de 1970.
  22. 22. QUESTÃO 06 ENEM-2004 A polifonia, variedade de vozes, presente no poema resulta da manifestação dopoeta e do colonizador apenas.colonizador e do negro apenas.negro e do índio apenas.colonizador, do poeta e do negro apenas.poeta, do colonizador, do índio e do negro.
  23. 23. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMNo poema “Brasil”, além da voz do sujeito poético, é possível constatar que o locutor dá voz aoportuguês [3], ao índio [4] e ao negro [9]. Assinale-se, pois, a alternativa “e”.
  24. 24. INSTRUÇÃOModernismo no ENEM Leia estes poemas.
  25. 25. TEXTO Modernismo no ENEM AUTORRETRATO Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico profissional.Manuel Bandeira. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395.
  26. 26. TEXTO Modernismo no ENEM POEMA DE SETE FACES Quando eu nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. [...] Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo mais vasto é o meu coração.Carlos Drummond de Andrade. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53.
  27. 27. QUESTÃO 07 ENEM-2005 Esses poemas têm em comum o fato dedescreverem aspectos físicos dos próprios autores.refletirem um sentimento pessimista.terem a doença como tema.narrarem a vida dos autores desde o nascimento.defenderem crenças religiosas.
  28. 28. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMNo primeiro poema, o sujeito poético fala do seu fracasso generalizado vida afora - não sabeescolher gravatas, não consegue escrever prosa, crônicas, fazer música; é um falhado, umdoente, um tísico profissional. Já no segundo poema, percebe-se que a postura esquiva,esquisita, gauche acompanha o sujeito poético desde a infância. A alternativa que contempla talanálise é a letra “b”.
  29. 29. QUESTÃO 08 ENEM-2005No verso “Meu Deus, por que me abandonaste” do texto 2, Drummond retoma as palavras deCristo, na cruz, pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras de outrem equivale aemprego de termos moralizantes.uso de vício de linguagem pouco tolerado.repetição desnecessária de ideias.emprego estilístico da fala de outra pessoa.uso de uma pergunta sem resposta.
  30. 30. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA apropriação de trechos de outro texto para construir um novo se chama intertextualidade.Marque-se, pois, a alternativa “d”.
  31. 31. TEXTO Modernismo no ENEM NAMORADOS O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: — Antônia, ainda não me acostumei com o seu [corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. — Você não sabe quando a gente é criança e de [repente vê uma lagarta listrada? A moça se lembrava: — A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: — Antônia, você parece uma lagarta listrada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: — Antônia, você é engraçada! Você parece louca.Manuel Bandeira. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.
  32. 32. QUESTÃO 09 ENEM-2006No poema de Bandeira, importante representante da poesia modernista, destaca-se comocaracterística da escola literária dessa épocaa reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas.a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano.a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado.a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário dessa época.o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Realismo.
  33. 33. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMNo poema “Namorados”, de Manuel Bandeira, nota-se a presença de um diálogo, em que osinterlocutores conversam livremente, valendo-se do discurso coloquial, como se vê em Aindanão me acostumei com o seu corpo, com a sua cara. É possível, ainda, entrever o uso de versoslivres e brancos.A tentativa de aproximar a literatura do cotidiano e da fala usada no dia-a-dia e o uso deestrofes irregulares e de versos livres e brancos são características específicas da primeirageração do modernismo brasileiro. Marque-se, pois, a alternativa “b”.
  34. 34. TEXTO Modernismo no ENEM ERRO DE PORTUGUÊSQuando o português chegouDebaixo de uma bruta chuvaVestiu o índio.– Que pena.Fosse uma manhã de solO índio tinha despidoO português. ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2001.
  35. 35. QUESTÃO 10 ENEM-2006O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de formamarcanteo regionalismo do Nordeste.o concretismo paulista.a poesia Pau-Brasil.o simbolismo pré-modernista.o tropicalismo baiano.
  36. 36. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMO primitivismo, que consiste em construir textos que focalizam o índio ou cenas da colonização,é uma das tendências estéticas da Poesia Pau-Brasil, de 1924, retomada posteriormente pelacorrente da Antropofagia, de 1928, igualmente liderada por Oswald de Andrade. Assinale-se,pois, a alternativa “c”.
  37. 37. INSTRUÇÃO Modernismo no ENEMNo poema “Procura da poesia”, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética dese fazer com palavras o que o escultor Michelângelo fazia com mármore. O fragmento a seguirexemplifica essa afirmação.
  38. 38. TEXTO Modernismo no ENEM PROCURA DA POESIA Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. (...) Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: trouxeste a chave?Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14.
  39. 39. QUESTÃO 11 ENEM-2005 Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:a nostalgia do passado colonialista revisitado.a preocupação com o engajamento político e social da literatura.o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos.a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética.a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria.
  40. 40. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMAssinale-se a alternativa “c”, pois em “Procura da poesia”, o locutor fala das mil faces secretasdas palavras. Tal referência permite pensar nas múltiplas possibilidades de sentido das palavrasescolhidas para se fazer um poema.
  41. 41. INSTRUÇÃOModernismo no ENEMTextos para as questões 12.
  42. 42. TEXTO I Modernismo no ENEMAgora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia preso como umnovilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelonão lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuara arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como opai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados,maltratados, machucados por um soldado amarelo. Graciliano Ramos. Vidas secas. São Paulo: Martins, 23.ª ed., 1969, p. 75.
  43. 43. TEXTO II Modernismo no ENEMPara Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil parauma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, aoinvés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas secas, elaborando uma linguagem, umaestrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, masnão se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidadebrasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos,ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de terpensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas secas faz é, com pretenso nãoenvolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essaspessoas seriam plenamente capazes. Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, n.° 2, 2001, p. 254.
  44. 44. QUESTÃO 12 ENEM-2007 Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:I. O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30.II. A incorporação do pobre e de outros marginalizados indica a tendência da ficção brasileira dadécada de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as camadas populares.III. Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30 conseguiram, com suas obras,modificar a posição social do sertanejo na realidade nacional. É CORRETO apenas o que se afirma em I II III I e II II e III
  45. 45. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMO romance regional, ou de tensão exteriorizada, da Segunda Geração do Modernismo, temprofunda conotação engajada e denuncia, quase sempre, os problemas que enfrentavam asclasses menos favorecidas no interior do país, o que acontece em obras como São Bernardo,Vidas secas e Capitães da areia. Como se trata de obras literárias, sua função é primordialmentecriar uma representação artística e não interferir diretamente no real. Posto isso, pode-seafirmar que estão corretas as afirmativas I e II. Marque-se, pois, a alternativa “d”.
  46. 46. Antonio Rocco. Os imigrantes.
  47. 47. TEXTO Modernismo no ENEMUm dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de umporto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. — É aqui! Buenos Aires é aqui! —Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades nos trens dosanimais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. — Buenos Aires é aqui! —Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam através domato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas donde acabava de sair obraço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e mulheres, antefeitores de espingarda ao ombro. Oswald de Andrade. Marco Zero II – Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991.
  48. 48. QUESTÃO 13 ENEM-2007Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Roccoreproduzida acima, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar quea visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista.a pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil.os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil.Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante.Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos.
  49. 49. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMTanto o quadro de Rocco quanto o texto de Andrade tratam das dificuldades enfrentadas pelosimigrantes recém-chegados ao Brasil. Marque-se, pois, a alternativa “c”.
  50. 50. TEXTO Modernismo no ENEM O CANTO DO GUERREIRO Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros, — Ouvi meu cantar. Valente na guerra, Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? — Guerreiros, ouvi-me;— Quem há, como eu sou?DIAS, Gonçalves. O canto do guerreiro.
  51. 51. TEXTO Modernismo no ENEMAcabou-se a história e morreu a vitória.Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela seacabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furospuxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão dodeserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terranão sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber doHerói? ANDRADE, Mário de. Macunaíma. São Paulo: Itatiaia, 1999.
  52. 52. QUESTÃO 14 ENEM-2007 A leitura comparativa dos dois textos acima indica queambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e heroica,como símbolo máximo do nacionalismo romântico.a abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é discriminatória em relação aospovos indígenas do Brasil.as perguntas “— Quem há, como eu sou?” [primeiro texto] e “Quem podia saber do Herói?”[segundo texto] expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira.o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas comoresultado do processo de colonização no Brasil.os versos em 1ª. pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente, masforam silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.
  53. 53. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMAssinale-se a alternativa “c”, pois os textos apresentam a imagem do indígena em doismomentos muito distintos da história da literatura brasileira.Em “O canto do guerreiro”, poema representativo do pensamento em voga no Romantismo,idealiza-se a força e a bravura do silvícola; já no fragmento do “Epílogo” do romanceMacunaíma – obra que apresenta o ponto de vista através do qual o íncola é apresentado naPrimeira Geração do Modernismo – registra-se a extinção da tribo do herói.
  54. 54. TEXTO Modernismo no ENEM Ó meio-dia confuso, ó vinte-e-um de abril sinistro, que intrigas de ouro e de sonho houve em tua formação? Quem ordena, julga e pune? Quem é culpado e inocente? Na mesma cova do tempo cai o castigo e o perdão. Morre a tinta das sentenças e o sangue dos enforcados... — liras, espadas e cruzes pura cinza agora são. Na mesma cova, as palavras, o secreto pensamento, as coroas e os machados, mentira e verdade estão.MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Aguilar, 1972. (fragmento)
  55. 55. QUESTÃO 15 ENEM-2009O poema de Cecília Meireles tem como ponto de partida um fato da história nacional, aInconfidência Mineira. Nesse poema, a relação entre texto literário e contexto histórico indicaque a produção literária é sempre uma recriação da realidade, mesmo quando faz referência aum fato histórico determinado. No poema de Cecília Meireles, a recriação se concretiza pormeiodo questionamento da ocorrência do próprio fato, que, recriado, passa a existir como formapoética desassociada da história nacional.da descrição idealizada e fantasiosa do fato histórico, transformado em batalha épica que exaltaa força dos ideais dos Inconfidentes.da recusa da autora de inserir nos versos o desfecho histórico do movimento da Inconfidência: aderrota, a prisão e a morte dos Inconfidentes.do distanciamento entre o tempo da escrita e o da Inconfidência, que, questionadapoeticamente, alcança sua dimensão histórica mais profunda.do caráter trágico, que, mesmo sem corresponder à realidade, foi atribuído ao fato históricopela autora, a fim de exaltar o heroísmo dos Inconfidentes.
  56. 56. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA forma como o poema, publicado em 1953, retoma os eventos ligados à Inconfidência Mineirademonstra que a autora não se preocupou em relatar exatamente o que aconteceu, mas emapresentar uma versão artística daquele episódio da história nacional. Ao evocar o 21 de abril —dia de 1792 em que Tiradentes foi enforcado —, o texto mostra que, com o passar dos anos, osfatos da Inconfidência vão caindo na “cova do tempo” e ficando cada vez mais indistintos:misturam-se então “culpado e inocente”, “mentira e verdade”, “castigo e perdão”. Ao sercantado em verso, aquele movimento político atingiu uma dimensão histórica profunda,inserindo-se no imaginário do povo brasileiro, igualando-se a grandes eventos da civilizaçãoocidental que motivaram poemas, tais como: a Guerra de Tróia, tema da Ilíada, e o retorno deUlisses a Ítaca, tema da A Odisseia (ambos poemas do grego Homero); a viagem de Vasco daGama às Índias e Os Lusíadas, de Luís de Camões. Assinale-se, pois, a alternativa “d”.
  57. 57. TEXTO Modernismo no ENEMNo decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturasindependentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo elemuito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticosetc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Emnossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que noBrasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais. CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.
  58. 58. QUESTÃO 16 ENEM-2009Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem dedeterminadas regiões nacionais, sabe-se queo romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando emrelevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectosculturais trazidos de fora pela imigração europeia.José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática daurbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelotemário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assumefrequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo aformação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas quecaracterizam o nosso povo.Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas dasdécadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano emconfronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.
  59. 59. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA única opção que apresenta comentários pertinentes relativos à literatura regionalistabrasileira é a letra “c”.
  60. 60. QUESTÃO 17 ENEM-2009Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem dedeterminadas regiões nacionais, sabe-se queo romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando emrelevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectosculturais trazidos de fora pela imigração europeia.José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática daurbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelotemário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assumefrequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo aformação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas quecaracterizam o nosso povo.Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas dasdécadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano emconfronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.
  61. 61. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA única opção que apresenta comentários pertinentes relativos à literatura regionalistabrasileira é a letra “c”.
  62. 62. TEXTO Modernismo no ENEMNestes últimos anos, a situação mudou bastante e o Brasil, normalizado, já não nos parece tãomítico, no bem e no mal. Houve um mútuo reconhecimento entre os dois países de expressãoportuguesa de um lado e do outro do Atlântico: o Brasil descobriu Portugal e Portugal, em umretorno das caravelas, voltou a descobrir o Brasil e a ser, por seu lado, colonizado por expressõeslinguísticas, as telenovelas, os romances, a poesia, a comida e as formas de tratamentobrasileiros. O mesmo, embora em nível superficial, dele excluído o plano da língua, aconteceucom a Europa, que, depois da diáspora dos anos 70, depois da inserção na cultura da bossa-nova e da música popular brasileira, da problemática ecológica centrada na Amazônia, ou daproblemática social emergente do fenômeno dos meninos de rua, e até do álibi ocultista dosromances de Paulo Coelho, continua todos os dias a descobrir, no bem e no mal, o novo Brasil.Se, no fim do século XIX, Sílvio Romero definia a literatura brasileira como manifestação de umpaís mestiço, será fácil para nós defini-la como expressão de um país polifônico: em que já não édeterminante o eixo Rio-São Paulo, mas que, em cada região, desenvolve originalmente a suaunitária e particular tradição cultural. É esse, para nós, no início do século XXI, o novo estilobrasileiro. STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004 (adaptado).
  63. 63. QUESTÃO 18 ENEM-2009No texto, a autora mostra como o Brasil, ao longo de sua história, foi, aos poucos, construindouma identidade cultural e literária relativamente autônoma frente à identidade europeia, emgeral, e à portuguesa em particular. Sua análise pressupõe, de modo especial, o papel dopatrimônio literário e linguístico, que favoreceu o surgimento daquilo que ela chama de “estilobrasileiro”. Diante desse pressuposto, e levando em consideração o texto e as diferentes etapasde consolidação da cultura brasileira, constata-se queo Brasil redescobriu a cultura portuguesa no século XIX, o que o fez assimilar novos gênerosartísticos e culturais, assim como usos originais do idioma, conforme ilustra o caso do escritorMachado de Assis.a Europa reconheceu a importância da língua portuguesa no mundo, a partir da projeção quepoetas brasileiros ganharam naqueles países, a partir do século XX.ocorre, no início do século XXI, promovido pela solidificação da cultura nacional, maiorreconhecimento do Brasil por ele mesmo, tanto nos aspectos positivos quanto nos negativos.o Brasil continua sendo, como no século XIX, uma nação culturalmente mestiça, embora aexpressão dominante seja aquela produzida no eixo RJ-SP, em especial A ligada às telenovelas.o novo estilo cultural brasileiro se caracteriza por uma união bastante significativa entre asdiversas matrizes culturais advindas das várias regiões do país, como se pode comprovar na obrade Paulo Coelho.
  64. 64. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMO texto de Stegagno Picchio trata da heterogeneidade cultural oriunda da constituiçãomultirracial do Brasil. Segundo a autora, no início do século XXI não só outros países passaram areconhecer a importância das múltiplas culturas que compõem o Brasil, mas também ospróprios brasileiros. Marque-se, pois, a alternativa “c”.
  65. 65. TEXTO Modernismo no ENEM CONFIDÊNCIA DO ITABIRANOAlguns anos vivi em Itabira.Principalmente nasci em Itabira.Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.Noventa por cento de ferro nas calçadas.Oitenta por cento de ferro nas almas.E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem Horizontes.E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,é doce herança itabirana.De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;este orgulho, esta cabeça baixa...Tive ouro, tive gado, tive fazendas.Hoje sou funcionário público.Itabira é apenas uma fotografia na parede.Mas como dói!
  66. 66. QUESTÃO 19 ENEM-2009Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Comseus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e osdilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, comose percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista osprocedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acimarepresenta a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização deexpressões e usos linguísticos típicos da oralidade.apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatose dados históricos.evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagensque representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição doindivíduo.critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia emcomparação com as prendas resgatadas de Itabira.apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infânciae do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.
  67. 67. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMA alternativa que apresenta um comentário pertinente ao poema transcrito é a letra “c”.Destaque-se o fato de, na obra de Drummond, haver uma tensão entre o eu e o mundo.No poema em análise, percebe-se que o locutor, desde os primeiros versos, mostra aimpossibilidade de se dissociar a constituição do eu poético dos traços recebidos do ambienteque o cerca.
  68. 68. INSTRUÇÃO Modernismo no ENEMTexto para as questões 20 e 21.
  69. 69. TEXTO I Modernismo no ENEM[...] já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum,piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitascoisas de fora sem ceder contudo no que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia aexistência escandalosa de imaginados valores, coluna vertebral de toda ‘ordem’; mas não tivesequer o sopro necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o sufoco; é esta consciência queme libera, é ela hoje que me empurra, são outras agora minhas preocupações, é hoje outro omeu universo de problemas; num mundo estapafúrdio — definitivamente fora de foco — cedoou tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e você que vive paparicando as ciênciashumanas, nem suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o mundo dos valores,ninguém arruma a casa do capeta; me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito,seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavoraainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi oexílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes [...]. NASSAR, R. Um copo de cólera. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  70. 70. TEXTO II Modernismo no ENEMRaduan Nassar lançou a novela Um copo de cólera em 1978, fervilhante narrativa de umconfronto verbal entre amantes, em que a fúria das palavras cortantes se estilhaçava no ar. Oembate conjugal ecoava o autoritário discurso do poder e da submissão de um Brasil que viviasob o jugo da ditadura militar. COMODO, R. Um silêncio inquietante. IstoÉ. Disponível em: http://www.terra.com.br. Acesso em: 15 jul. 2009.
  71. 71. QUESTÃO 20 ENEM-2009Considerando-se os textos apresentados e o contexto político e social no qual foi produzida aobra Um copo de cólera, verifica-se que o narrador, ao dirigir-se à sua parceira, nessa novela,tece um discursoconformista, que procura defender as instituições nas quais repousava a autoridade do regimemilitar no Brasil, a saber: a Igreja, a família e o Estado.pacifista, que procura defender os ideais libertários representativos da intelectualidadebrasileira opositora à ditadura militar na década de 70 do século passado.desmistificador, escrito em um discurso ágil e contundente, que critica os grandes princípioshumanitários supostamente defendidos por sua interlocutora.politizado, pois apela para o engajamento nas causas sociais e para a defesa dos direitoshumanos como uma única forma de salvamento para a humanidade.contraditório, ao acusar a sua interlocutora de compactuar com o regime repressor da ditaduramilitar, por meio da defesa de instituições como a família e a Igreja.
  72. 72. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMNão há complacência por parte do locutor. Por intermédio de um discurso cáustico, ele acabapor criticar os ideais de humanidade, bondade e certeza. Marque-se, pois, a alternativa “c”.
  73. 73. QUESTÃO 21 ENEM-2009Na novela Um copo de cólera, o autor lança mão de recursos estilísticos e expressivos típicos daliteratura produzida na década de 70 do século passado no Brasil, que, nas palavras do críticoAntonio Candido, aliam “vanguarda estética e amargura política”. Com relação à temáticaabordada e à concepção narrativa da novela, o texto Ié escrito em terceira pessoa, com narrador onisciente, apresentando a disputa entre um homeme uma mulher em linguagem sóbria, condizente com a seriedade da temática político-social doperíodo da ditadura militar.articula o discurso dos interlocutores em torno de uma luta verbal, veiculada por meio delinguagem simples e objetiva, que busca traduzir a situação de exclusão social do narrador.representa a literatura dos anos 70 do século XX e aborda, por meio de expressão clara eobjetiva e de ponto de vista distanciado, os problemas da urbanização das grandes metrópolesbrasileiras.evidencia uma crítica à sociedade em que vivem os personagens, por meio de fluxo verbalcontínuo de tom agressivo.traduz, em linguagem subjetiva e intimista, a partir do ponto de vista interno, os dramaspsicológicos da mulher moderna, às voltas com a questão da priorização do trabalho emdetrimento da vida familiar e amorosa.
  74. 74. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMAssinale-se a alternativa “d”, porque, no fragmento 01, há um locutor de primeira pessoa que,por intermédio de uma linguagem altamente agressiva e contínua [fluxo de consciência] fazconsiderações críticas acerca da sociedade.
  75. 75. INSTRUÇÃOModernismo no ENEMTextos para a questão 22.
  76. 76. TEXTO Modernismo no ENEMLogo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhesproporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém,que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os noveaos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam,indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezesos lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às cançõesque vinham das embarcações... AMADO, J. Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).
  77. 77. TEXTO Modernismo no ENEMÀ margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro -ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades decachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado. TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).
  78. 78. QUESTÃO 22 ENEM-2010Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literáriarecorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.
  79. 79. SOLUÇÃO COMENTADA Modernismo no ENEMApenas na alternativa “d” há um comentário pertinente aos dois textos – os lugares a que serefere o narrador são marcados pela exclusão social, a saber, um casarão abandonado e umaárvore.

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