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Análise de quincas borba
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Análise de quincas borba

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  • 1. Quincas Borba,de Machado de Assis Manoel Neves
  • 2. O REALISMO análise psicológica Estudam-se as motivações que impulsionam as personagens.análise psicológica Tome-se como exemplo a aproximação que Palha faz de Rubião em Quincas Borba. Machado de Assis estuda detidamente os mecanismos detipificação social ascensão social do II Império. Veja-se, por exemplo, o conto “Teoria do medalhão”. Através da descrição detalhada de objetos, personagens e verossimilhança costumes obtém-se um efeito de real, que visa a trazer o leitor para a cena. Ceticismo e niilismo pontuam a obra de Machado de Assis, pessimismo como se observa na metáfora das batatas, da qual se depreende que viver é ser devorado.
  • 3. O REALISMO análise psicológica o corpus burguesia fluminense fins do século XIX doenças da alma adultério falsas amizades dissimulaçãointeresse financeiro arrivismo social ostentação de aparências arrivismo social as personagens planejam e executam um projeto de ascensão social
  • 4. O ENREDO quincas borba no presente da enunciação, Rubião se recorda da sua vida pregressa [de professor a capitalista] Quincas Borba, o filósofo, vai a Barbacena receber herança; apaixona-se pela irmã de Rubião Quincas Borba adoece; cria teoria do humanitismo [lei do mais forte]; vai para o RJ e morre testamento [Rubião receberia a herança desde que cuidasse do cachorro Quincas Borba] Rubião vai ao RJ tomar posse da herança; dentro do trem conta sua história a Palha e Sofia Palha e Sofia ajudam Rubião [receber herança, montar casa, investimentos, sociedade] Caso Deolindo + Camacho + Candidatura a Deputado + Comensais + Carlos MariaRubião corteja Sofia durante o aniversário desta; Sofia se irrita e conta a Palha [a culpa é de Sofia] A sociedade Palha-Rubião está a pleno vapor [rompe sociedade] + investimentos em O atalaia A crise se avizinha: Rubião faz a barba igual à de Napoleão II: loucura; amigos se afastam Rubião é recolhido à casa de saúde mental; Palha liquida negócios; recolhe dois contos de réisRubião foge da clínica [c/ o cachorro] e recebe 150 mil réis para passagem; morre em Barbacena.
  • 5. HUMANITISMO a lei do mais forte humanitismo Explicação científica que busca dar conta do que é o homem, segundo filósofo Quincas Borba alegorias humorísticas morte da avó de Quincas Borba conflito entre as duas tribosNão há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinara supressão de uma delas; mas rigorosamente não há morte, há vida, porque a supressão deuma é a sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí ocaráter conservador e benéfico da guerra. uma análiseposto que a filosofia pressupõe a ética, e que a teoria de Quincas Borba é uma paródia da teoria evolucionista, pode-se afirmar que o humanitismo é uma filosofia anti-filosófica, ou irônica.
  • 6. A FILOSOFIA MACHADIANA quincas borba humor negroEra uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona – um triste molambo de mulher –,chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passear umhomem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era dela. – É minha, sim,meu senhor; é tudo o que eu possuía neste mundo. – Dá-me então licença que acenda ali o meucharuto? amargura e ironia na observação do ser humanoE não faltará quem ache que a alma deste homem é uma colcha de retalhos. Pode ser;moralmente as colchas inteiriças são raras! O principal é que as cores se não desmintam umasàs outras – quando não podem obedecer à simetria e regularidade. Era o caso do nosso homem.Tinha o aspecto baralhado à primeira vista; mas atentando bem, por mais opostos que fossemos matizes, lá se achava a unidade moral da pessoa.
  • 7. SINTAXE DAS PERSONAGENS palha & rubião condição humilde [nascimento de Cristo] Cristiano ascensão econômica [nome irônico] Palha conhece Rubião na estação de Vassouras Palha varrer: pegar para si os bens de outrem auxilia na execução da herança e fornece senhas para ingresso na sociedadeindica onde Rubião deve investir e acaba por se tornar tutor e sócio do mineiro Rubião, perdulário, dissipa os bens (Palha avisa e depois rompe sociedade)usa Sofia como isca para atrair o mineiro, mas se irrita com a “cena do jardim” Palha acreditava que o mineiro nunca passaria à ação, daí os ciúmes
  • 8. SINTAXE DAS PERSONAGENS palha & rubião loucura de rubião quando a sociedade de Palha e Rubião começa a dar lucros, aquele a aborta [a loucura é uma forma de fugir da realidade adversa] arrivismo e ingratidãoquando a loucura de Rubião se manifesta, Palha escarnece [interna-o a pedido de D. Fernanda] Palha executa os bens de Rubião e custeia sua passagem para Barbacena
  • 9. SINTAXE DAS PERSONAGENS camacho & rubião estilo meio magro e meio inchado ideias colhidas aqui e ali Camacho sem partido definido caricatura dos políticos do II Império jornal atalaia divulga o “caso Deolindo”; divulga ideias de Camacho e de Rubião; ora defende, ora ataca o governo [caricatura dos políticos do II Império] o arrivismo de camachoempobrecido Rubião, Camacho alega mudanças na direção do jornal e abandona o mineiro [o rompimento de Camacho, tal qual o de Palha, corrobora na loucura de Rubião.]
  • 10. SINTAXE DAS PERSONAGENS sophia & rubião a sabedoria mundana [consente em ser usada no projeto de Pilhagem de Rubião] Sofia delicada, vaidosa e independente tão arrivista quanto o marido a fidelidade por um fio 01) SOPHIA E RUBIÃO: Cena do jardim [crítica ao lugar-comum do Romantismo]; 02) SOPHIA E RUBIÃO: A esposa de Palha dá esperanças e depois as frustra; 03) SOPHIA E CARLOS MARIA: Flertes e danças [desejo de ser infiel];04) SOPHIA E CARLOS MARIA: Seduzida e abandonada [não vai ao casamento da prima: ciúmes].
  • 11. SINTAXE DAS PERSONAGENS sophia & rubião indiferença e solidariedade 01) reluta em dizer a Rubião que Maria Benedita era a noiva que ser-lhe-ia oferecida;02) sente ciúmes dos rápidos progressos intelectuais da prima e do namoro com Carlos Maria; 03) “adoece” no dia em que o casal Carlos Maria-Maria Benedita viaja para a Europa; 04) trabalho voluntário pelos flagelados de Alagoas X indiferente ao sofrimento de Rubião.
  • 12. SINTAXE DAS PERSONAGENS sophia e dona fernanda visita à casa da Rua do Príncipe para reaver o cãoSem que nenhuma recordação pessoal lhe viesse daquela miserável estância, sentia-se presa deuma comoção particular e profunda, não a que dá a ruína das cousas. Aquele espetáculo nãolhe trazia um tema de reflexões gerais, não lhe ensinava a fragilidade dos tempos, nem a tristezado mundo, dizia-lhe tão-somente a moléstia do homem, de um homem que ela mal conhecia, aquem falara algumas vezes. E ia ficando e olhando, sem pensar, sem deduzir, metida em simesma, dolente e muda. SOFIA DONA FERNANDA pede um funcionário para buscar o cão convida Sofia para buscar o cão mando ver [alma exterior] vamos nós mesmas [alma interior]quer sair rapidamente daquele lugar repugnante condói-se da situação do cão e do dono da casa
  • 13. SINTAXE DAS PERSONAGENS sophia e dona fernanda visita à casa da Rua do Príncipe para reaver o cãoDona Fernanda coçava a cabeça do animal. Era o primeiro afago depois de longos dias desolidão e desprezo. Quando Dona Fernanda cessou de acariciá-lo, e levantou o corpo, ele ficou aolhar para ela, e ela para ele, tão fixos e tão profundos, que pareciam penetrar no íntimo um dooutro. A simpatia universal, que era a alma desta senhora, esquecia toda a consideraçãohumana diante daquela miséria obscura e prosaica, e estendia ao animal uma parte de simesma, que o envolvia, que o fascinava, que o atava aos pés dela. Assim, a pena que lhe dava odelírio do senhor, dava-lhe agora o próprio cão, como se ambos representassem a mesmaespécie. E sentindo que a sua presença levava ao animal uma sensação boa, não queria privá-lodo benefício. - A senhora está-se enchendo de pulgas, observou Sofia. Dona Fernanda não aouvia. Continuou a mirar os olhos meigos e tristes do animal, até que este deixou cair a cabeça eentrou a farejar a sala
  • 14. SINTAXE DAS PERSONAGENS sophia e dona fernanda visita à casa da Rua do Príncipe para reaver o cãoSaíram. Sofia, antes de pôr o pé na rua, olhou para um e outro lado, espreitando se vinhaalguém; felizmente, a rua estava deserta. Ao ver-se livre da pocilga, Sofia readquiriu o uso dasboas palavras, a arte maviosa e delicada de captar os outros, e enfiou amorosamente o braço node D. Fernanda. Falou-lhe de Rubião e da grande desgraça da loucura; assim também dopalacete de Botafogo. Por que não ia com ela ver as obras? Era só lanchar um pouco e partiriamimediatamente.
  • 15. QUINCAS BORBA, O NOME E O HOMEM quincas borba joaquim Javé, o que levanta ou restabelece elevação ou preparação Quincas, quinquinharias Quincas, bagatelas borba fontes nascentes; gago; bolha [metáfora da efemeridade da existência] dos santos na carta que envia a Rubião diz ser Santo Agostinho [loucura]
  • 16. QUE(M) É “QUINCAS BORBA”? quincas borba para Quincas Borba para o filósofo, Quincas Borba é ele [que continuaria vivo por suas ideias e no nome do cão]; para Rubiãopara Rubião, Quincas Borba é o filósofo [que continuaria vivo por suas ideias e no nome do cão]; para Dona Fernanda para o Dona Fernanda, Quincas Borba é o cachorro, em cuja condição vê espelha a do dono; para o Leitor para o leitor, Quincas Borba é o nome de uma personagem ficcional e o nome do livro.
  • 17. UM SONHO DE RUBIÃO quincas borbaUma noite, Rubião sonhou com Sofia e Maria Benedita. Viu-as num grande terreiro, apenasvestidas de saia, costas inteiramente despidas; o marido de Sofia, armado de um azorrague decinco pontas de couro, rematando em bicos de ferro, castigava-as desapiedadamente. Elasgritavam, pediam misericórdia, torciam-se, alagadas em sangue, as carnes caíam-lhe aosbocados. Agora, por que razão Sofia era a Imperatriz Eugênia, e Maria Benedita uma aia sua, é oque não sei dizer com exatidão. ‘São sonhos,m sonhos, Penseroso”’ exclamava uma personagemdo nosso Álvares de Azevedo. Mas eu prefiro a reflexão do velho Polonius, acabando de ouviruma fala tresloucada de Hamlet: ‘Desvario embora, lá tem o seu método’. [...] Rubião,indignado, mandou logo cessar o castigo, enforcar o Palha e recolher as vítimas. Uma delas,Sofia, aceitou um lugar na carruagem aberta que esperava pelo Rubião, e lá foram a galope, elagarrida e sã, e ele glorioso e dominador. Os cavalos, que eram dous à saída, eram, daí a pouco,oito, quatro belas parelhas. Ruas e janelas cheias de gente, flores chovendo em cima deles,aclamações... Rubião sentiu que era o Imperador Luís Napoleão; o cachorro ia no carro aos pésde Sofia. 01) símbolos: rivalidade Palha x Rubião; desejo de poder; erotismo sádico; mania de grandeza 02) antecipa a cena em que Rubião entrará na carruagem, causando medo em Sophia; 03) antecipação da loucura do protagonista.
  • 18. SINTAXE DAS PERSONAGENS rubião pedro primeiro papa imperador do Brasil rubião rubi [alusão ao enriquecimento do professor] rúbia [cor dourada]: alude a rubiácea [café] alvarenga simetria fonética com Alcântara, sobrenome do Imperador lancha [transporte]: Rubião transporta as personagens a loucura de Rubião é análoga à esquizofrenia das elites/do governo ante a escravidão:necessita-se do escravo e dos escravocratas [para a manutenção do aparato social-exportador] a manutenção da escravidão é incompatível com as aspirações modernas da elite/governo.
  • 19. SINTAXE DAS PERSONAGENS rubiãorepresentação alegórica dos eventos da história do Brasil ascensão social de Rubião construção do romance boom do café 1886 a 1891 enriquecimento da elite agrária representação alegórica dos eventos históricos estabilidade do governo de D. Pedro II Abolição da Escravidão e Proclamação da República
  • 20. O REALISMO EM QUINCAS BORBA aspectos temático-estruturaisniilismo: fidelidade na apresentação das personagens; análise psicológica; narrativa lenta e pormenorizada; falsas pistas que levam o leitor ao engano: Palha escreve carta que Sophia envia a Rubião, junto com a cesta de morangos; Sophia, para fugir à curiosidade do Major, inventa a história do Padre Mendes;Carlos Maria mente para Sophia, ao dizer que estivera toda noite em frente à casa dela; Cocheiro inventa o caso do adultério da Rua da Harmonia [nome irônico]; Rubião mente sobre o cachorro à comadre e sobre a carta ao médico.