Your SlideShare is downloading. ×
0
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Análise de macário, de álvares de azevedo
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Análise de macário, de álvares de azevedo

4,314

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
4,314
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. Macário,Álvares de Azevedo Manoel Neves
  • 2. MACÁRIO spleen, melancolia e mal-do-século A PEÇA [um drama romântico]Macário é um drama [peça que surgiu da fusão da tragédia com a comédia, no Romantismo]de caráter nitidamente sentimental, em que se nota liberdade de composição expressa em: narrativa dialogada diário íntimo teatro compõe-se de 2 episódios foge à regra das 3 unidades
  • 3. PRIMEIRO EPISÓDIO macário e satã no brasil Macário, jovem estudante de 20 anos, entra numa taberna e pede vinho; a taberneira informa-lha só haver aguardente; Macário recusa; tb recusa a comida – couve com toucinho – e atira o prato na mulher; chega um desconhecido e observa Macário; oferece-lhe vinho; diz que já se encontrou com Macário três vezes e perguntase o jovem era poeta, pois numa destas vezes contemplava romanticamente a natureza; o protagonista responde rudemente q sua mula estava cansada; então é avisado de que sua mula fugira com a mala; Macário lamenta a perda de seu cachimbo; o desconhecido lhe oferece um cachimbo especial; Macário diz q é estudante e q não conheceu seus pais; ama as mulheres, mas abomina o romantismo; falam de poesia e o jovem critica a poesia de sua época; falam ainda sobre o mar e sobre as mulheres, q o jovem diz amar, apesar de nunca ter tido um verdadeiro amor: para ele a mulher ideal teria q ser virgem, bela e inocente, mas ele nunca a encontrou, pois só andava com prostitutas; o desconhecido se revela – é Satã; Macário não se assusta, pois procurara pelo Cujo há dez anos; discutem literatura; os dois seguem rumo à cidade de São Paulo, criticada por ambos; a casa doInimigo ficava na entrada da cidade, em frente ao cemitério; os dois continuam conversando e revelam-se irônicose descrentes em relação à vida; Macário cita autores da literatura universal; Satã fala da beleza de uma vigem nua
  • 4. PRIMEIRO EPISÓDIO macário e satã no brasil o Cujo diz q havia amado uma mulher q depois morrera; Macário, sob efeito dos poderes do Maligno, adormece sobre uma tumba e sonha que, na escuridão, havia uma mulher muito pálida q abraçava e beijava cadáveres;Satã acorda o protagonista; e diz ser aquela mulher a mãe de Macário, q estava agonizante; irritado o protagonista expulsa Satã; novamente o cenário é a estalagem do início deste primeiro episódio; Macário acorda [estivera dormindo?]; a mulher da estalagem vê uma marca no chão – um pé de cabra.
  • 5. SEGUNDO EPISÓDIO macário, penseroso e o diabo, na itália cenário: Itália [um vale, um rio, uma mulher acalentando um homem em seu colo]Macário, pensando na morte, encontra a mulher com o homem adormecido em seu colo, e a chama de messalina insinuando q os dois estivessem cometendo ato libidinoso, então verifica q o rapaz estava morto – afogara-se a mulher é uma louca; sente-se feliz, pois, em sua loucura, acredita q o filho está vivo;Macário encontra Penseroso, q divagava sobre o amor; Macário fala em morrer e seu interlocutor fala sobre o amor Macário afirma q tivera uma noite de gozo e q agora queria morrer; falam sobre mulheres e música; Macário está fraco; chega Satã e mostra certa inclinação homossexual em relação a Macário; Satã leva Macário q acorda ese sente entediado e aborrecido com o Diabo; Satã conta a história de uma virgem q conseguira evitar a sedução de um rapaz q lhe escrevera; Macário adormece; Macário, mais tarde, volta a conversar com Penseroso, q agora está amargurado, sofrendo o mal do amor; Macário o chama para uma orgia; numa sala repleta de livros, Penseroso fala sobre um livro q Macário lhe dera – um livro triste; criticando o ceticismo, Penseroso fala no progresso; Macário é descrente – critica a arte, a poesia da época; falam de amor e de mulheres; Penseroso sofre; são citadas páginas de seu diário íntimo em que há queixas de amor.
  • 6. SEGUNDO EPISÓDIO macário, penseroso e o diabo, na itália numa rua, Penseroso encontra o Dr. Lárius; o amigo de Macário está pálido, pois tomou veneno;em uma sala, Penseroso encontra a italiana, sua amada; ela diz q o ama, q será sua, mas ele não acredita nisso ele já tomou veneno e vai morrer – é masoquista: prefere morrer romanticamente de amor a viver e amar;em seu quarto, Penseroso agoniza e afirma: ela não me ama; chega um dos amigos de Penseroso, Humberto; nada mais pode ser feito; os outros amigos estão ausente: Davi está na caça e Macário está bêbado; na porta de uma taverna, Macário está junto com Satã; o jovem quer fugir, mas Satã diz q o seguirá e q a vozdele [do Cão] se fará ouvir na carne e no desespero de Macário; mais tarde, noutra rua: Macário e Satã estão debraços dados; olham pela janela de uma taverna; lá dentro há muito vinho, mulheres e orgia; eles escutam tudo.
  • 7. PERSONAGENS satãusa roupa negra e ponche vermelho; tem pé de cabra, mãos frias; bebe o melhor vinho e fuma o melhor cachimbo está sempre com Macário, por quem demonstra sentir certa inclinação sexual; é irônico e encarna o princípio anti-romântico; é a encarnação do mal, do vício e do prazer; remete à figura literária de Mefistófeles, de Goëthe PERSONAGENS macário modelo do ultra-romantismo byroniano: tem vinte anos, mas se sente como um velho de quarenta; é ateu, desregrado, irreverente e amargo; carrega na alma a ironia e o spleen de sua época; estuda Direito; gosta de conhaque e vinho, mas repudia a cachaça; ama as mulheres, mas detesta o romantismo; ao invés de morrer, como Penseroso, continua vivo, acompanhado de Satã, mergulhado na descrença, na dúvida, no spleen e na voluptuosidade.
  • 8. PERSONAGENS penserosotal qual ocorre em Lira dos vinte anos, que se compõe por uma binomia estrurural – face de Ariel e face de Caliban em Macário, os dois protagonistas [Macário e Penseroso] acabam por compor uma unidade; se Macário é a face perversa, lunar, cética e desidealizada, Penseroso é a face doce, sentimental, crente, estudiosa, nacionalista; seus pensamentos são dirigidos à mulher amada; seu coração está cheio de sonho e de amor; é ufanista;
  • 9. REPRESENTAÇÕES DA MULHER o ultra-romantismo em ação comparada ao vinho e ao fumo [objeto de prazer e de evasão]Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite semmulher... não me pergunteis se fumo! comparada a um anjo, a uma criança inocenteQuereria que um anjo a cobrisse sempre com um véu, a banhasse todas as noites do seu óleo divinopara guardá-la santa!... Quereria que ela viesse criança transformar-se em mulher nos meus beijos.Sim: é um anjo que nos adormece, e nos seus braços nos leva a uma região de sonhos de harmoniasdesconhecidas. Sua alma se perde conosco num infinito amor, como essas aves que voam à noite, ese mergulham no seio do mistério. ainda idealizada, é a Eleita, uma figura de conto de fadasEu a quereria virgem n’alma como um corpo. Quereria que ela nunca tivesse sentido a menor emoçãopor ninguém. Nem por um primo, nem por um irmão... Que Deus a tivesse criado adormecida n’almaaté ver-me, como aquelas princesas encantadas dos contos que uma fada adormecera por cem anos.
  • 10. REPRESENTAÇÕES DA MULHER o ultra-romantismo em ação associada ao desconhecido, ao mistério, à morte e ao demônioHá cinco mil anos tem o corpo da mulher e o anátema de uma virgindade eterna. Tem todas as sedes,todos os apetites lascivos, mas não pode amar. Todos aquels em que ela toca se gelam. Repousou oseu seio, roçou suas faces em muitas virgens e prostitutas, em muitos velhos e crianças, bateu a todasas portas da criação, estendeu-se em todos os leitos e com ela o silêncio... Essa estátua ambulante équem murcha as flores, quem desfolha o outono, quem amortalha as esperanças. desconhecida e incompreensívelIsso de mulheres, nem eu, que sou o diabo, entendo. Quem entende o vento, as ondas e o murmurardas folhas? A mulher é um elemento. A santa mais santa, a virgem mais pura, há instantes que sedaria a Quasímodo; a Messalina mais capaz de enjeitar Romeu ou Don Juan. impura, pecadora, venenosa, lascivaA mulher que se vende corpo e alma, porque sua alma é tão desbota como seu corpo. Para falar maisclaro, as mulheres são lascivas. Acredita que faço-te um favor muito grande em preferir-te à moça deum frade que me trocaria pelo seu Menino Jesus.
  • 11. O ULTRA-ROMANTISMO tédio, melancolia, descrença, subjetivismo liberdade de criação que culmina, por vezes, na inverossimilhançaO drama se caracteriza pela ausência da regra das três unidades e por uma irregularidade estrutural.Note que não há verossimilhança nem conexão entre as cenas. Não há explicações para o fato deMacário estar, na primeira parte, no Brasil, e, na segunda, na Itália. evasão, exotismoÉ típico do romântico evadir da realidade – quer pela fantasia, pelo uso de bebidas, pelo fumo oumesmo pelo culto à mulher. O exotismo comparece por intermédio do culto de lugares longínquos eexcêntricos. spleen, ceticismo, descrença, mal-do-século, morteE quando não há amor, nem vinho, nem fumo, há o “spleen” encarnado na sua forma mais lúgubrenaquela velha taverneira repassada de aguardente que tresanda. [...] Vinte anos! Mas meu peito tembatido nesses vinte anos tantas vezes como a de um outro homem em quarenta. [...] Duvido sempre.descreio às vezes. Parece-me que este mundo é um logo. O amor, a glória, a virgindade, tudo é umailusão.
  • 12. O ULTRA-ROMANTISMO tédio, melancolia, descrença, subjetivismo amor associado à morteDeitei-me com ela. Estive algumas horas. [...] No outro dia de manhã, voltei. A casa estava fechada.Bati. Não me responderam. Entrei. Uma mulher velha saiu-me ao encontro. Perguntei-lhe pela outra.Silêncio, disse-me a velha – está deitada ali no chão. Morreu esta noite. [...] Esse amor foi umadesgraça. Foi uma sina terrível. Ó meu pai! Ó minha segunda mãe! Ó meus anjos! Meu céu! Minhascampinas! É tão triste morrer. Ah! que dores horríveis! tenho fogo no estômago... Minha cabeça mesufoca... Ar! Preciso de ar! Eu te amei, eu te amei tanto... amor associado à solidão, ao sonho, à noite e à naturezaA solidão tem segredos amenos para quem sente. O coração de mancebo é como essas flores pálidasque só abrem de noite, e que o sol murcha e fecha. Tudo dorme. A aldeia repousa. Só além, junto dasfogueiras os homens da montanha e do vale conservam suas saudades. Mais longe a toada monótonada viola se mistura à cantilena do sertanejo, ou aos improvisos do poeta singelo da floresta, a almaignorante e pura que só sabe das emoções do sentimento, e dos cantos que lhe inspira a naturezavirgem de sua terra. O rio corre negro a meus pés, quebrando nas pedras sua escuma prateada pelosraios da lua que parecem gotejar dentre os arvoredos da margem. No silêncio sinto minha almaacordar-se embalada nas redes moles do solo. É tão doce sonhar, para quem ama! No que estará elapensando agora? Cisma, e lembra-se de mim? Dorme e sonha comigo? Ou encostada na sua janela aoluar sente uma saudade por mim! morbidez da imaginação, expressa pela ironia romântica

×