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O imigrante na literatura brasileira
 

O imigrante na literatura brasileira

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    O imigrante na literatura brasileira O imigrante na literatura brasileira Presentation Transcript

    • história da literaturaO imigrante na literatura brasileira Manoel Neves
    • INTRODUÇÃOo imigrante na literatura brasileira
    • COLONIZADOR OU IMIGRANTE? o imigrante na literatura brasileiraEm linhas gerais, considera-se que as pessoas que entraram no Brasil até 1822 foramcolonizadores. Portanto, para efeitos didáticos, tende-se a considerar imigrantes os queentraram no país após esta data.Sendo assim, a literatura sobre e do imigrante será aquela produzida após o Romantismo.
    • ESTRANGEIROS BENÉFICOS o imigrante na literatura brasileira
    • ESTRANGEIROS BENÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraPara conhecer toda a beleza das florestas tropicais é necessário penetrar nesses retiros tãoantigos como o mundo. Nada aqui lembra a cansativa monotonia de nossas florestas decarvalhos e pinheiros; cada árvore tem, por assim dizer, um porte que lhe é próprio; cada umatem sua folhagem e oferece frequentemente uma tonalidade de verde diferente das árvoresvizinhas. Vegetais imensos, que pertencem a famílias distantes, misturam seus galhos econfundem sua folhagem.SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. In.: SÜSSEKINK, Flora. O Brasil não é longe daqui. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. cientistas, viajantes requintados, pensadores e filósofos
    • ESTRANGEIROS BENÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraUm francês, não sabendo o que fazer para se sustentar, resolveu obter autorização para exercera Medicina e para isso teve que se submeter a um exame; o professor que o interrogou só sabiaum pouco de Matemática; as perguntas foram só sobre aritmética, e o francês obteve assim odireito de matar todos os que nele quisessem confiar. CONDE DE SUZANNET. In.: SÜSSEKINK, Flora. O Brasil não é longe daqui. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. o mundo tropical é devassado pelo olhar civilizado, superior, europeu
    • ESTRANGEIROS BENÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraLá fora reinava uma manhã de primavera, clara e seca. O mundo sorridente, como que cobertode ouro, jazia em silêncio. Incontáveis bandos de andorinhas cruzavam o silêncio do céu emfestivos gorjeios, enquanto banhavam suas penas no brilho do sol. Lá embaixo, no jardimestavam as laranjeiras em flor. Um perfume inebriante alcançava a janela. E novamente asconversas das crianças soavam como pequenas cascatas. Neste momento o sol surgiu brilhantee dourado lá fora. Dourada, a luz penetrava pelas janelas triplas até a mesa faustosamenteposta. Mas esta claridade não irradiava só dessa luz natural, ela vinha também do sol interiorque, devagarinho, imperceptivelmente, iluminava o rosto de todos os presentes. DEEKE, Emma. Liebe und pficht. In.: HUBER, Valburga. A literatura dos imigrantes alemães do Vale do Itajaí. Acesso em: 30/12/2011. Disponível em: http://proxy.furb.br/ojs/index.php/linguagens/article/viewArticle/929. não é escrita em língua portuguesa; deslumbramento com a paisagem tropical
    • ESTRANGEIROS BENÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraA venda era mantida por um homem instruído, que também mantinha uma escola. quandoentramos, fomos saudados pelo animado murmúrio das crianças, que recitavam em coro a liçãonum como contíguo. fomos até lá e deparamos com dez ou doze meninos sentados em bancos,decentemente trajados, todos lendo juntos em voz alta. Seus livros não passavam de cartascomerciais recebidas pelo seu mestre e tratando de vários assuntos relativos a negócios, sendocada folha protegida de maneira que os manuscritos tão preciosos não sofressem com omanuseio dos meninos. O professor via-se forçado a se valer desse recurso porque nãodispunha de livros, e dessa forma os alunos aprender a ler textos manuscritos antes dosimpressos. Algumas cartas eram quase incompreensíveis e muito mal escritas, e na minhaopinião teriam confundido qualquer escrivão do Registro Público.WALSH, Robert. Notícias do Brasil. In.: SÜSSEKINK, Flora. O Brasil não é longe daqui. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. natureza, costumes, etnografia, tudo é analisado pelo culto viajante europeu [literatura produzida pelo viajante europeu em meados do século XIX]
    • ESTRANGEIROS MALÉFICOS o imigrante na literatura brasileira
    • ESTRANGEIROS MALÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraJoão Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceuentre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; etanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para aterra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda com o que estavadentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro. […] Dormia sobre o balcão da própriavenda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estopa cheio de palha. […]João Romão não saia nunca a passeio, nem ia à missa aos domingos; tudo que rendia a suavenda e mais a quitanda seguia direitinho para a caixa econômica e daí então para o banco. AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 2001. comerciantes e negociantes [ingleses e portugueses]
    • ESTRANGEIROS MALÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraA civilização estrangeira é uma toxina secretada pelo adventício, para anular todos os meios dedefesa do organismo nacional, como o fenômeno biológico das invasões mortais das bactérias SALGADO, Plínio. O estrangeiro. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936. posicionamento xenófobo decalcado do primitivismo ingênuo da 1ª. Geração do Modernismo
    • ESTRANGEIROS MALÉFICOS o imigrante na literatura brasileiraFELÍCIO: Então a máquina supre todos estes ofícios?GAINER: Oh, sim! Eu bota a máquina aqui no meio da sala, manda vir um boi, bota a boi naburaco da máquina e depois de meia hora sai por outra banda da maquine tudo já feita.FELÍCIO: Mas explique-me bem isto.GAINER: Olha. A carne do boi sai feita em beef, em roast-beef, em fricandó e outras muitas; docouro sai sapatas, botas... [...]FELÍCIO: Que prodígio! Estou maravilhado! Quando pretende fazer trabalhar a máquinaGAINER: Conforme; falta ainda alguma dinheira. Eu queria fazer uma empréstima. Se o senhorquer fazer seu capital render cinquenta por cento dá a mim para acabar a maquina, quetrabalha depois por nossa conta.FELÍCIO, à parte: Assim era eu tolo... (Para Gainer). Não sabe quanto sinto não ter dinheirodisponível. Que bela ocasião de triplicar, quadruplicar, quintuplicar, que digo, centuplicar o meucapital em pouco! Ah!GAINER, à parte: Destes tolas eu quero muito. PENA, Martins. Os dous ou o inglês maquinista. Disponível em: http://biblio.com.br. Acesso em: 30/12/2011. caricatura que visa a denunciar o projeto de amealhamento do estrangeiro[tal pensamento subjaz à literatura produzida no Romantismo, no Naturalismo e no Modernismo]
    • ESTRANGEIRO VENCIDO PELO MEIO o imigrante na literatura brasileira
    • ESTRANGEIRO VENCIDO PELO MEIO o imigrante na literatura brasileiraO chorado arrastava-os a todos, despoticamente, desesperando aos que não sabiam dançar.Mas, ninguém como a Rita; só ela, só aquele demônio, tinha o mágico segredo daquelesmovimentos de cobra amaldiçoada; aqueles requebros que não podiam ser sem o cheiro que amulata soltava de si e sem aquela voz doce, quebrada, harmoniosa, arrogante, meiga esuplicante. (...) Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que elerecebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestasda fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matasbrasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era oveneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, queabre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, amuriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe osdesejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias,para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquelamúsica feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam emtorno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca. Isto era o queJerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 2001. o abrasileiramento de Jerônimo é visto negativamente pelo narrador de O cortiço
    • FIDELIDADE ÀS ORIGENS OU FUSÃO CULTURAL o imigrante na literatura brasileira
    • FIDELIDADE ÀS ORIGENS OU FUSÃO CULTURAL o imigrante na literatura brasileiraNão acredito que da fusão com espécies radicalmente incapazes resulte uma raça sobre que sepossa desenvolver a civilização. Será sempre uma cultura inferior, civilização de mulatos, eternosescravos em revoltas e quedas (...) Não, Milkau, a força é eterna e não desaparecerá; cada diaela subjugará o escravo. Essa civilização, que é o sonho da democracia, da fraternidade, é umatriste negação de toda arte, de toda a liberdade e da própria vida. O homem deve ser forte equerer viver, e aquele que um dia atinge a consciência de sua personalidade, que se entrega auma livre expansão dos seus desejos, àquele que na opulência de uma poesia mágica cria parasi um mundo e o goza, aquele que faz tremer o solo, e que é ele próprio uma floração da força eda beleza, esse é o homem e senhor. ARANHA, Graça. Canaã. São Paulo: Ática, 1998.o conflito entre Lentz e Milkau representa duas visões representativas do pensamento do alemãoq migrou para o novo mundo: isolar-se ou adaptar-se ao meio; tal pensamento é afim ao projeto modernista e encontra ecos, por exemplo, em Macunaíma e em Cobra Norato.
    • FIDELIDADE ÀS ORIGENS OU FUSÃO CULTURAL o imigrante na literatura brasileiraQuando Lisetta subiu no bonde (o condutor ajudou) viu logo o urso. Felpudo, felpudo. Eamarelo. Tão engraçadinho.Dona Mariana sentou-se, colocou a filha em pé diante dela.Lisetta começou a namorar o bicho. Pôs o pirulito de abacaxi na boca. Pôs mas não chupou.Olhava o urso. O urso não ligava. Seus olhinhos de vidro não diziam absolutamente nada. Nocolo da menina de pulseira de ouro e meias de seda parecia um urso importante e feliz.- Olha o ursinho que lindo, mamãe!- Stai zitta!A menina rica viu o enlevo e a inveja da Lisetta. E deu de brincar com o urso. Mexeu-lhe com otoquinho do rabo: e a cabeça do bicho virou para a esquerda, depois para a direita, olhou paracima, depois para baixo. Lisetta acompanhava a manobra. Sorrindo fascinada. E com um ardornos olhos! O pirulito perdeu definitivamente toda a importância. [...]Agora são as pernas que sobem e descem, cumprimentam, se cruzam, batem umas nas outras.- Deixa pegar um pouquinho, um pouquinho só nele, deixa? [...]- Scusi, senhora. Desculpe por favor. A senhora sabe, essas crianças são muito levadas. Scusi. MACHADO, Antônio de Alcântara. Brás, Bexiga e Barra Funda. Acesso em: 30/12/2011. Disponível em: http://biblio.com.br.Machado apresenta o personagens numa via de mão dupla: ao mesmo tempo em que os italianos se abrasileiram, os paulistas se italianizam cultural e linguisticamente
    • O ESTRANGEIRO CÔMICOo imigrante na literatura brasileira
    • O ESTRANGEIRO CÔMICO o imigrante na literatura brasileira Migna terra tê parmeras, Che ganta inzima o sabiá. As aves che stó aqui, Tambê tuttos sabi gorgeá. A abobora celestia tambê, Che tê lá na mia terra, Tê moltos millió di strella Che non tê na Ingraterra. Os rios lá sô maise grandi Dus rios di tuttas naçó; I os matto si perde di vista, Nu meio da imensidó. Na migna terra tê parmeras Dove ganta a galigna dangola; Na migna terra tê o Vaprelli, Chi só anda di gartolla.BANANÉRE, Juó. Migna terra. Acesso em: 30/12/2011. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Juó_Bananèreapesar de ser de 1915, nota-se o pendor paródico típico da 1ª geração do Modernismo
    • VERTENTE [ULTRA]NACIONALISTA o imigrante na literatura brasileira
    • VERTENTE [ULTRA]NACIONALISTA o imigrante na literatura brasileiraNão há mais patriotismo, não há mais nada. Os senhores podem querer entregar a Pátria aoestrangeiro, podem vendê-la, mas enquanto houver um mulato que ame este Brasil, que é eu,as coisas não vão tão simples, meus doutores. ARANHA, Graça. Canaã. São Paulo: Ática, 1998. nacionalismo xenófobo
    • VERTENTE [ULTRA]NACIONALISTA o imigrante na literatura brasileiraFora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém no negócio, e viera aoBrasil. [...] Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria daHortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitona. O Leonardo,fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo eramaganão. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu quepassava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela nopé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-lhe como envergonhada do gracejo edeu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era istouma declaração em forma, segundo os usos da terra; levaram o resto do dia de namoro cerrado;ao anoitecer passou-se a mesma cena de piscadela e beliscão, com a diferença de serem destevez um pouco mais fortes; e no dia seguinte, estavam os dois amantes tão extremosos efamiliares que pareciam sê-lo de muitos anos. ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo: Ática, 2001. apresentação detalhada dos costumes dos estrangeiros [exotismo] [romantismo, pré-modernismo, primitivismo ingênuo da primeira geração do modernismo]
    • VERTENTE NACIONALISTA [CRÍTICA] o imigrante na literatura brasileira
    • VERTENTE NACIONALISTA [CRÍTICA] o imigrante na literatura brasileira Costureirinha de São Paulo, ítalo-franco-luso-brasílico-saxônica, gosto dos teus ardores crepusculares, crepusculares e por isso mais ardentes, bandeirantemente !ANDRADE, Mário de. Tu. Acesso em 30/12/2011. Disponível em: http://acqua.wordpress.com veem-se positivamente a integração do estrangeiro e a miscigenação
    • VERTENTE NACIONALISTA [CRÍTICA] o imigrante na literatura brasileiraPulou da jangada no sufragante, foi fazer continência diante da imagem de Santo Antônio queera capitão de regimento e depois deu em cima de todas as cunhas por aí. Logo topou com umaque fora varina lá na terrinha do compadre chegadinho-chegadinho e inda cheirava no-mais! umfartum bem de peixe. Macunaíma piscou pra ela e os dois vieram na jangada brincar. Fizeram.Bastante eles brincaram. Agora estão se rindo um pro outro. ANDRADE, Mário de. Macunaíma. Acesso em 30/12/2011. Disponível em: http://downloadbaixatudo.globo.comao se relacionar com a portuguesa, Macunaíma revela ausência de preconceito cultural e racial;tal perspectiva subjaz ao relacionamento de Rodrigo Cambará e Helga, personagens de Verissimo
    • VERTENTE HISTÓRICO-REGIONALISTA o imigrante na literatura brasileira
    • VERTENTE HISTÓRICO-REGIONALISTA o imigrante na literatura brasileiraIrma está no fogão e Gertrud, suada e dolorida, junta-se a ela, com o pensamento encalhado naconstrangedora sensação de sentir-se igual a um rês, marcada e vigiada –/ gado/ onde/ – Irmapergunta, os olhos verdes procurando em redor e Gertrud continua –/ nós; nós somos gado. BOOS JÚNIOR, Adolfo. Quadrilátero, São Paulo: Melhoramentos, 1986. fracasso do projeto civilizatório que a implantação de colônias de imigrantes no Brasil
    • VERTENTE HISTÓRICO-REGIONALISTA o imigrante na literatura brasileiraCada um deles levava a sua enxada e uma lata de comida. Iam todos de tamancos e tinham nascabeças chapéu de palha de abas largas. Rodrigo não pôde deixar de sentir um certo mal-estarquando passou por eles. Na província as gentes antigas afirmavam que o trabalho é coisahonrosa e necessária e muitos continentinos olhavam com desprezo para os vagabundos e os“índios vagos”. Diziam que Deus ajuda quem cedo madruga. Pois Deus havia de ajudar osSchultz! – refletiu Rodrigo. Naquela madrugada, mal o sol começava a raiar, lá se iam eles para alavoura, falando muito alto a sua língua doida e dando grandes risadas. Rodrigo buscara consolonum pensamento que lhe vinha com frequência à cabeça: “A vida vale mais que uma ponchadade onças”. No fim de contas eles eram estrangeiros e tinham vindo com a tenção de encher osbolsos de dinheiro para depois voltarem para sua pátria. […] Os que ali haviam chegado atéentão lutavam com toda a sorte de dificuldades: a distância, a falta de meios de comunicação, aignorância dos nativos e a indiferença dos governos. Faziam, entretanto, o que podiam. Aospoucos iam realizando coisas, fundando colônias novas, cultivando a terra, exercendo, enfim,um apreciável artesanato. (...). Existiam nas colônias alemãs da Província mais de trintaengenhos para a fabricação de aguardente, vários teares para linho (linho que eles próprios,colonos, plantavam), curtumes, engenhos para mandioca, serrarias movidas a água, olarias,cervejarias e até uma oficina para lapidar pedras finas. VERISSIMO, Erico. O continente. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. aspectos positivos e negativos da imigração na constituição do Brasil [Segunda Geração do Modernismo Brasileiro]
    • VERTENTE TRANSCULTURAL o imigrante na literatura brasileira
    • VERTENTE TRANSCULTURAL o imigrante na literatura brasileiraA compreensão da própria origem não é um fato descartável, destituído de importância. Saberde onde procedemos é franquear o acesso a uma maneira peculiar de coletar maravilhas emistérios que permeiam ambas as margens do Atlântico. É carregar consigo uma bagagemafinada com certa visão de mundo inerente ao imigrante. PIÑON, Nélida. Coração andarilho. Rio de Janeiro: Record, 2010. [des]construção identitária segundo os parâmetros dos estudos culturais
    • VERTENTE TRANSCULTURAL o imigrante na literatura brasileiraO homem que deixara a clientela do restaurante manauara com água na boca já era um exímiocozinheiro na sua Biblos natal. Cozinhava com o que havia nas casas de pedra de Jabal alQaraqif, Jabal Haous e Jabal Laqlouq, montanhas onde a neve brilhava sob a intensidade doazul. [...] E quando visitava uma casa à beira mar, Galib levava seu peixe preferido, o sultanIbrahim, que temperava com uma mistura de ervas cujo segredo nunca revelou. No restaurantemanauara ele preparava temperos fortes com a pimenta-de-caiena e a murupi, misturava-ascom tucupi jambu e regava o peixe com esse molho. Havia outros condimentos, hortelã e zatar,talvez. HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. influência dos estudos antropológicos
    • VERTENTE EXISTENCIALISTA o imigrante na literatura brasileira
    • VERTENTE EXISTENCIALISTA o imigrante na literatura brasileiraA custo conteve as lágrimas quando tomou o lugar. Chorava assim quando no primeiro sábadosaiu de boné com o pai em direção à sinagoga. Caetano, Raul, Zé Paulo, Betinho, fizeram coro aofim da rua repetindo o gringuinho. Suspenso o chocalho deparou com os olhos do irmão nosseus. Blá-blá. Sorriso mole. Sentara-se. Abrira o livro na página indicada, tenteando, como cego,para entrar no compasso da leitura. Nem às figuras acostumara, nem às histórias estranhas paraele, que lia aos soltos. Fala gringuinho. Viera de trás a voz, grossa, de alguém mais velho. Falagringuinho. RAWET, Samuel. Contos do imigrante. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. desvincula a imigração de fatores econômicos
    • VERTENTE EXISTENCIALISTA o imigrante na literatura brasileiraRenúncia! Renúncia! Renúncia! como que um brado em uníssono, apesar do silêncio. Brado decontrações musculares, de oscilar de narizes de ombros caídos, de faíscas visuais. Em torno damesa havia esse elo a apertar, a constranger o quer que fosse de compreensão daquele mesmobrado. Encaram-no, apenas, na pausa, e não está ausente um leve sinal de asco. Clemente erguea cabeça a apreende este sinal que consegue lhe despertar um esboço de sorriso, e umpensamento irônico. Asco provocado pelas mesmas causas que há vinte anos despertavamsatisfações; pelas mesmas atitudes que então lhe traziam o conforto das simpatias, e mesmo acomplacência por certos exageros. Simplesmente esquecera de parar no tempo adequado,deixara o impulso ir além de um determinado limite e não procurara aquele meio-termo exato,justo, em que tudo se equilibra e se nivela, em que tudo são convenções, em que tudo seresume na conquista do estável, sereno, imóvel. Aos quarenta anos exigiam dele uma reviravoltacompleta, um abandono desse estado que, segundo eles, feria a integridade da família comprolongamentos e consequências inimagináveis. RAWET, Samuel. Contos do imigrante. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. confronto com diversas comunidades culturais; reflexão sobre formas de exclusão