12   os manuscritos do mar morto
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12   os manuscritos do mar morto 12 os manuscritos do mar morto Document Transcript

  • 1 OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO - HISTÓRICOA DESCOBERTAEm 1947, no deserto da Judéia, no vale de Khirbet Qumran, junto às encostas doMar Morto, vivia uma tribo semibeduína conhecida como Taamireh. Juma Muhammad edh-Dhib, um jovem pastor de 15 anos, cuidava das cabras do seu pai, quando deu por falta de um animal, que logo tratou de procurar (ao lado, foto de um rebanho de cabras na região de Qumran).O jovem, ao explorar o local, percebeu uma fenda emuma rocha e começou a atirar pedras para testar a suapontaria. Após várias tentativas, ouviu um ruído dentroda caverna, parecendo o som de um vaso quebrando.Curioso, foi verificar o que seria aquele barulho.Ao olhar pela entrada da rocha avistou grandes jarros debarro, mas ao lembrar-se da lenda do espírito mau que mora numa caverna, oSheitan, voltou apressadamente para casa. Ao chegar à tenda contou a sua experiência ao seu irmão mais velho, Ahmed Muhammad, que ficou muito curioso. Ahmed então pediu ao irmão para levá-lo ao local e na manhã seguinte foram em busca dos vasos. Chegando ao local, Ahmed viu os vasos de barro (foto ao lado) e de imediatoentrou na gruta. Acreditando que encontraria tesouros emsue interior, transferiu todos os vasos para o seu irmão,que permanecia do lado de fora da caverna.Ahmed, ao sair da caverna, encontrou um embrulho feito depanos de linho. Abriu e viu um rolo feito de couro de cabras,com uma escrita desconhecida, e assim foi com todos os outros jarros. Outros exploradores encontraram centenas de pergaminhos em 11 cavernas. Além destes potes com os papiros, outras cerâmicas e artefatos domésticos também foram encontrados nas grutas (foto ao lado). Este material data do terceiro século a.C até 68 d.C., segundo testes realizados com carbono 14.
  • 2A Caverna IV (foto ao lado) foi uma das mais ricas em artefatos. Nela, formaencontrados milhares de fragmentos de 382 manuscritos diferentes.EXPLORANDO E ESTUDANDO OSMANUSCRITOSInicialmente os pastores tentaram, mas semsucesso, vender o material em Belém. Mais tarde,o material que possuíam foi finalmente vendidopara Athanasius Samuel, bispo do mosteiroortodoxo sírio São Marcos, em Jerusalém, e paraEleazar Sukenik, da Universidade Hebraica, emdois lotes distintos.A autenticidade dos documentos foi atestada em 1948. Em 1954, o governoisraelense, que já havia comprado o lote de Sukenik, comprou através de umrepresentante, os documentos em posse do bispo, por 250 mil dólares.Outra parte dos manuscritos, encontrada nas últimas dez cavernas, estavam noMuseu Arqueológico da Palestina, em posse do governo da Jordânia, que entãocontrolava o território de Qumram.O governo jordaniano autorizou apenas oito pesquisadores, a maioria padrescatólicos europeus, a trabalharem nos manuscritos. Em 1967, com a Guerra dosSeis Dias, Israel apropriou-se do acervo do museu.Porém, mesmo com a entrada de pesquisadores judeus, o avanço nas pesquisasnão foi signicativo. Apenas em 1991, com a quebra de sigilo em relação aosmicrofilmes que Israel havia enviado para algumas instituições pelo mundo, umnúmero maior de pesquisadores passou a ter acesso aos documentos, permitindoque as pesquisas, enfim avançassem significativamente.Os desdobramentos em relação aos resultados prosseguem e, recentemente, aUniversidade da Califórnia apresentou o "The Visualization Qumram Project"(Projeto de Visualização de Qumram), recriando em três dimensões a região ondeos manuscritos foram achados.O Museu de Israel já publicou na Internet parte do material sob seus cuidados e oInstituto de Antiguidades de Israel, do Museu Rockefeller, trabalha para fazer omesmo com sua parte do material.CONTEÚDO DOS MANUSCRITOS Os Manuscritos do Mar Morto foram escritos em três idiomas diferentes: Hebreu, Aramaico e Grego, totalizando quase mil obras.
  • 3A maior parte dos manuscritos encontra-se gravada em pergaminhos, sendo umapequena parcela em papiros e penas um deles em cobre (foto ao lado).De acordo com os estudiosos, os Manuscritos estãodivididos em três grupos principais: escritos bíblicos ecomentários, textos apócrifos e literatura de Qumram.Um quarto de todos os manuscritos são bíblicos,contendo todos os livros do Antigo Testamento, excetoEster, totalizando 22 livros. Os manuscritos maisnumerosos são Deuteronômio, Salmos e Isaías, sendoeste último mil anos mais velho do que qualquer outroanteriormente conhecido. Ele, ao contrário dos outros manuscritos, foi escrito em"folhas" feitas de pele de cabra e costuradas uma ao lado da outra, totalizandocerca de 7 metros (foto acima).Os Apócrifos são os livros sagrados excluídos da Bíblia e são ricamenterepresentadas, incluindo dois livros em escrita criptográfica, um livro de Enoque eum tratado sobre o livro de Moisés.. Ao final deste texto, há uma breve referênciaao Evangelho segundo Tiago.Os da literatura são manuscritos relacionados com a sociedade, incluindo visõesapocalípticas, manuais de disciplinas, hinários, comentários bíblicos, calendários eoutros escritos.Os pergaminhos não-bíblicos mais famosos são o Manual de Disciplina, oComentário de Habacuque, os Salmos de Ação de Graças, o antigo ritual daOrdem da Batalha, o Gênesis Apócrifo (uma história mais completa do Genesis,incluindo uma nova história de Abraão no Egito), um "Descrição da NovaJerusalém " e um Comentário sobre Jó.Até agora os estudiosos em geral concordam que os pergaminhos nos ensinam,pela primeira vez: (1) a vida de João Batista, (2) a data exata da Páscoa; (3) anatureza e origem da organização da Igreja Primitiva, (4) o significado da línguaestranha e os ensinamentos de João; (5) a origem do gnosticismo; (6) a naturezada Igreja como uma continuação de uma antiga tradição apocalíptica emessiânica, ignorada pelo judaísmo rabínico; (7) a natureza da terminologiaestranha do Novo Testamento como continuação de uma tradição antiga; (8) dacomunidade cristã, como seguidores do padrão das primeiras comunidadesapocalíptica no deserto, e (9) o antigo cenáriodos hebraico-apocalíptico dosescritos de Paulo.Portanto, oferecem uma vasta e inédita documentação sobre o período que foramescritos, revelando aspectos desconhecidos até então do contexto político ereligioso no período do nascimento do Cristianismo e do Judaismo rabínico. View slide
  • 4Um relatório parcial sobre essa descoberta, do arqueólogo inglês G. LankesterHarding, diretor do Departamento de Antiguidades da Jordânia, diz o seguinte: "A mais espantosa revelação dos documentos essênios até agora publicada é a de que os essênios possuíam, muitos anos antes de Cristo, práticas e terminologias que sempre foram consideradas exclusivas dos cristãos. Os essênios tinham a prática do batismo, e compartilhavam um repasto litúrgico de pão e vinho presidido por um sacerdote. Acreditavam na redenção e na imortalidade da alma. Seu líder principal era uma figura misteriosa chamada o Instrutor da Retidão, um profeta-sacerdote messiânico abençoado com a revelação divina, perseguido e provavelmente martirizado." "Muitas frases, símbolos e preceitos semelhantes aos da literatura essênia são usados no Novo Testamento, particularmente no Evangelho de João e nas Epístolas de Paulo. O uso do batismo por João Batista levou alguns eruditos a acreditar que ele era essênio ou fortemente influenciado por essa seita."Os Pergaminhos deram também novo ímpeto à teoria de que Jesus pode ter sido um estudante da filosofia essênia."Todos esses documentos foram preservados por quase dois mil anos, e suagrande importância teológica reside no fato de que a Bíblia data de uma traduçãogrega, feita pelo menos mil anos depois dos pergaminhos de Qumran terem sidoescritos.Hoje, os Manuscritos do Mar Morto encontram-se no Museudo Livro em Jerusalém (foto ao lado).AUTORIA DOS MANUSCRITOSA autoria dos documentos é até hoje desconhecida.Com base em referências cruzadas com outros documentos históricos, ela éatribuída aos essênios, uma seita judaica que viveu na região da descoberta eguarda semelhanças com as práticas identificadas nos textos encontradas. Otermo "essênio", no entanto, não é encontrado nenhuma vez em nenhum dosmanuscritos.O que se sabe é que a comunidade de Qumram era formada provavelmente porhomens, que viviam voluntariamente no deserto, em uma rotina de rigorososhábitos, opunham-se à religiosidade sacerdotal e esperavam a vinda de ummessias.A organização parece ter nascido no Egito, nos anos que precedem o FaraóAkhenathon, o grande fundador da primeira religião monoteísta, sendo difundidaem diferentes partes do mundo, inclusive em Qumran. View slide
  • 5Para medir o tempo, os Essênios utilizavam um calendário diferenciado, baseadono Sol. Ao contrário do utilizado na época, que consistia de 354 dias, seucalendário continha 364 dias, que eram divididos em 52 semanas. Isto permitiaque cada estação do ano fosse dividida em 13 semanas e mais um dia, unindocada uma delas.Ainda, o primeiro dia do ano e de cada estação sempre caía no mesmo dia dasemana, quarta-feira, já que de acordo com Gênesis, foi no quarto dia que a lua eo sol foram criados.Segundo os Manuais de Disciplina dos Essênios, encontrados dos Manuscritos doMar Morto, eles eram realmente originários do Egito. Durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C., formaram um pequeno grupo de judeus, que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto, e cujas colônias estendiam-se até o vale do Nilo. No meio da corrupção que imperava, os essênios conservavam a tradição dos profetas e da Pura Doutrina. Eram pacíficos e de boa fé, dedicavam-se ao estudo espiritualista, à contemplação e à caridade, longe do materialismo avassalador.Procuravam auxiliar o próximo, sem imolações no altar e sem cultuar imagens.Eram livres, trabalhavam em comunidade, e não tinham criados, pois acreditavamque todo homem e mulher eram seres livres.Era uma seita aberta aos necessitados e desamparados, mantendo inúmerasatividades onde a acolhida, o tratamento de doentes e a instrução dos jovenseram a face externa de seus objetivos.O silêncio era prezado por eles. Sabiam guardá-lo, evitando discussões empúblico e assuntos sobre religião. A voz, para um essênio, possuía grande poder enão devia ser desperdiçada. Através dela, com diferentes entonações, eramcapazes de curar um doente.Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela alimentação, pelo físico e pela higienepessoal.O EVANGELHO SEGUNDO TOMÉO Evangelho de Tomé, preservado em um manuscrito copta em Nag Hammadi, éuma lista de 114 ditos atribuídos a Jesus.
  • 6Alguns são semelhantes aos dos evangelhos canônicos de Mateus, Marcos,Lucas e João, mas outros eram desconhecidos até a descoberta desse manuscritoem 1945.Tomé não explora, como os demais, a forma narrativa, apenas cita - de forma nãoestruturada - as frases, os ditos ou diálogos breves de Jesus a seus discípulos,contados a Tomé o Gêmeo, sem incluí-los em qualquer narrativa, nem apresentá-los em contexto filosófico ou retórico.Duas características marcantes do Evangelho de Tomé, que o diferenciam doscanônicos, são a recomendação de Jesus para que ninguém faça aquilo que nãodeseja ou não gosta e a ênfase não na fé, mas na descoberta de si mesmo.Uma boa discussão sobre esse evangelho, em português, encontra-se no livro"Além de Toda Crença: O Evangelho Desconhecido de Tomé", da historiadoraElaine Pagels, que defende a tese de que o Evangelho de João teria sido escritopara refutar o de Tomé.Obtém-se nesse livro proveitosa aula sobre o início do Cristianismo e entende-semelhor a escolha dos evangelhos canônicos e a posterior rejeição aos demais,tratados como "heréticos".Segundo a tradição, São Tomé teria partido para as Índias acompanhado de JoãoCrisóstomo. O escritor Panteno, segundo Eusébio, também esteve na Índia econversou com Crisóstomo, mas nada comentou sobre Tomé._______________________________Sugestão de links:Wikipedia - Manuscritos do Mar Morto.QUMRANGaleria BíblicaManuscritos do Mar MortoMistérios Antigos
  • 7 OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E O LIVRO DE MÓRMONTexto traduzido e adaptado de Changing World of MormonismO apóstolo Orson Pratt declarou que: “Os manuscritos mais antigos de qualquer um dos livros do Antigo Testamento,nos dias de hoje, datam do século XII da era cristã." Journal of Discourses, vol.7, January 2, 1859. – veja-o integralmente AQUI.Embora esta afirmação pode ter sido verdadeira na época de Pratt, a descobertados Manuscritos do Mar Morto mudou esta idéia. Temos, agora, algunsmanuscritos que datam de antes da época de Cristo.Na Enciclopédia Compton, lemos: "Os manuscritos bíblicos, conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto, tem sido chamados pelos acadêmicos de ‘a maior descoberta de manuscrito dostempos modernos.’ Eles incluem livros do Antigo Testamento e textos não-bíblicos que datam de 100 aC a 68 AD "(vol. 6, p.41a).Em seu livro, The Ancient Library of Qumran, Frank Moore Cross Jr. descreve ospergaminhos: “Um esboço do conteúdo da Caverna IV pode ser útil .... No final de quatro anos de trabalho, 382 manuscritos foram identificados nesta caverna .... Dos manuscritos identificados até o momento, cerca de cem, pouco mais de um quarto do total, são bíblicos. Todos os livros do cânon hebraico ainda existem, com exceção do Livro de Ester .... “Três documentos muito antigos foram encontrados na Caverna IV .... Eles incluem uma antiga cópia de Samuel, preservada em apenas um punhado defragmentos; uma seção gasta e em pedaços deJeremias ... e uma cópia do Êxodo ... das quais apenas uma coluna e alguns poucos pedaços existem .... “O pergaminho arcaico de Samuel pode datarpor volta do final de 200 aC. A data do último quarto do século III é mais acurada. Jeremias é provavelmente de uma época um pouco mais adiante. O Êxodo arcaico ... parece ser mais velho do que os fragmentos de Samuel e, provavelmente, é mais antigo.
  • 8 “Uma cópia de Daniel está inscrita no pergaminho no final do século II aC ... “Os pergaminhos bíblicos de Qumran abrangem a data de cerca de três séculos. Alguns espécimes arcaico nos levam de volta para o final do século III, como vimos. A grande maioria, porém, data do século I aC e do primeiro século cristão ... (The Ancient Library of Qumran, by Frank Moore Cross, Jr., New York, 1961, pp.39, 40, 42, 43). Os estudiosos mórmons aceitaram a autenticidade dosPergaminhos do Mar Morto, embora não tenham percebido os graves problemasque esses manuscritos criaram para o Livro de Mórmon e para a Versão Inspiradade Joseph Smith da Bíblia.Werner Keller resumiu a situação relativa ao pergaminho de Isaías: “O texto de Isaías da caverna em Qumran tinha realmente sido copiado cerca de100 aC, como o Professor Albright foi o primeiro a reconhecer ... com a descoberta dos Pergaminho do Mar Morto de Isaías, temos um texto hebraico da Bíblia ....E o fato extraordinário e maravilhoso é que o antigo pergaminho de Isaías, assim como o livro do profeta em qualquer Bíblia impressa, seja em hebraico, grego, latim, alemão ou qualquer outra língua ... concorda com o nosso texto de hoje.” "Dezessete folhas de couro costuradas em um comprimento de quase sete metros – deve ser assim que o rolo do profeta parecia e que foi entregue a Jesus na sinagoga de Nazaré, para que ele pudesse lê-lo para a congregação. "E foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías." (Lc 4:16,17) O professor André Parrot escreveu: "Todo o movimento das mãos de Jesus foi trazido mais perto de nós, pois ainda podemos ver no verso do couro as marcasdos dedos das mãos dos leitores" (The Bible as History, by Werner Keller, William Neil, trans., New York, 1957, pp.423-24).Dr. Gleason L. Archer salienta sobre os pergaminhos de Isaías: "Mesmo que as duas cópias de Isaías descobertas na Caverna 1 de Qumran, perto do Mar Morto em 1947, eram de mil anos antes do que o manuscrito mais antigo conhecido e datado previamente (980 AD), eles mostraram-se idênticos, palavra por palavra, com a Bíblia hebraica padrão em mais de 95 por cento do
  • 9texto. Os 5 por cento de variação consistiram, principalmente, em lapsos óbvios dapena e em variações de ortografia "(A Survey of Old Testament Introduction, p.19).Os estudiosos da Bíblia têm motivos para alegrarem-se com a descoberta dosmanuscritos de Isaías, que remonta aos tempos antigos. Os estudiosos Mórmon,entretanto, são confrontados com um dilema, pois embora estes manuscritosapoiam o texto da Bíblia, eles podem ser uma das mais fortes evidências contra a" revisão inspirada" da Bíblia feita por Joseph Smith e sua “tradução" do texto deIsaías encontrada no Livro de Mórmon.Durante anos, os eruditos mórmons têm trabalhado para provar que o texto deIsaías no Livro de Mórmon é realmente uma tradução de um exemplar antigo deIsaías e, portanto, superior à tradução encontrada na Bíblia. Eles têm tentadomostrar um paralelo entre o texto de Isaías do Livro de Mórmon e algunsmanuscritos antigos. No entanto, esses paralelos são de pouco valor, porque osmanuscritos eram conhecidos e estudados na época de Joseph Smith (VerMormon Scriptures and the Bible, pp.9-10).Se os eruditos mórmons pudessem encontrar semelhanças entre o texto do Livrode Mórmon e documentos que não eram conhecidos na época de Joseph Smith,este tipo de prova seria impressionante. Os Manuscritos do Mar Morto, porexemplo, deveriam fornecer uma grande quantidade de provas para o Livro deMórmon se este fosse realmente um registro antigo.O pergaminho de Isaías encontrado em Qumran na Caverna 1 deve ter causadouma grande alegria entre os estudiosos mórmons, pois aqui está um manuscritode Isaías, que é centenas de anos mais velho do que qualquer manuscritoconhecido previamente. Certamente, se o Livro de Mórmon fosse verdadedeiro,este manuscrito estaria repleto de evidências que apoiariam o texto de Isaías noLivro de Mórmon e, assim, provariam que Joseph Smith foi um profeta de Deus.Entretanto, ao invés de provar a veracidade do Livro de Mórmon, os pergaminhosacabaram sendo uma grande decepção para os estudiosos mórmons.Lewis M. Rogers, que foi professor assistente na Universidade Brigham Young,escreveu um artigo intitulado "The Significance of the Scrolls and a Word ofCaution [O significado dos Manuscritos e uma palavra de cautela].” Neste artigo,ele declarou:“Os Santos dos Últimos Dias têm motivo para se alegrarem com os outros cristãos e judeus, pois uma nova luz e uma nova perspectiva foram trazidas pelos Manuscritos do Mar Morto. Mas ocasionalmente eles precisam ser lembrados de que suas esperanças e emoções tornam-nos vulneráveis. É bem possível que as afirmações do Livro de Mórmon e da teologia SUD não avançarão muito como consequência desta descoberta” (Progress in Archaeology, Brigham Young University, 1963, pp.46-47).
  • 10Wayne Ham fez mestrado no Departamento de Línguas Bíblicas na UniversidadeBrigham Young, em 1961. Sua dissertação comparou o pergaminho de Isaías como Livro de Mórmon, e é intitulada "A Textual Comparison of the Isaiah Passages inthe Book of Mormon with the Same Passages in the St. Marks Isaiah Scroll of theDead Sea Community". Depois de fazer este estudo, o Sr. Ham foi forçado aconcluir que o livro de Isaías não apóia o texto do Livro de Mórmon. Em um artigopublicado na Courage, em 1970, ele declarou:“Os Santos dos Últimos Dias estavam esperançosos de que estes pergaminhos de Isaías trariam alguma evidência de apoio ao Livro de Mórmon. Os Manuscritos doMar Morto de Isaías, que datam provavelmente do século II aC, são mil anos mais antigos que texto que era considerado o mais antigo do Antigo Testamento. “Após uma investigação profunda do assunto ... este autor não encontrou exemplos notáveis de apoio para as afirmações do livro de Mórmon.” (Courage, vol. 1, no. 1 de Setembro de 1970, p.20).O apologista mórmon Dr. Sidney B. Sperry, da Brigham Young University, teveque admitir que os Manuscritos do Mar Morto não ajudam o caso do Livro deMórmon: “Após a leitura dos Manuscritos com muito cuidado, eu cheguei à conclusão de que não há uma única linha neles que sugira que seus escritores sabiam oEvangelho como é entendido pelos Santos dos Últimos Dias. Na verdade, existem algumas passagens que parecem provar o contrário.... “Devemos estar especialmente interessados na luz que o livro de Isaías lançasobre o problema do texto de Isaías no Livro de Mórmon. Tenho comparado, com certo detalhe, o texto do pergaminho com seus paralelos no texto do Livro de Mórmon. Esta tarefa tediosa revelou que o livro raramente concorda com asdivergências do texto do Livro de Mórmon com o texto massorético convencional de Isaías e, consequentemente, a Versão Autorizada ....“O pergaminho de Isaías é de importância relativamente pequena para Santos dosÚltimos Dias para mostrar a antiguidade do texto de Isaías no Livro de Mórmon .... Os Manuscritos, sem dúvida, contribuem muito para a história do judaísmo e do cristianismo, e especialistas do Antigo e Novo Testamentos são apropriadamente muito preocupados com eles .... “Mas, além do seu valor técnico para os estudiosos, creio que a importância dos Manuscritos em um sentido religioso tem sido muito exagerado por alguns estudiosos. A sua importância prática para os Santos dos Últimos Dias é relativamente pequena” (Progress in Archaeology, pp.52-54).
  • 11 OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO E O MORMONISMO Nos últimos 58 anos, desde a descoberta dos "manuscritos do Mar Morto", em 1947, nas montanhas de Qunram, apologistas mórmons tem feito um grande alarde ao afirmarem que tais escritos confirmariam a fé mórmom. [1-9] O Professor Hugh Nibley da BYU, escreveu vários artigos, buscando paralelismos entre os ensinos dos Essênios e algumas crenças mórmons.Será que realmente os Essênios eram cristãos? Ou mais inda, seriam eles osmórmons do passado? Teriam eles experimentado todos os rituais mórmons?A seguir, veremos argumentos a favor, usados pelos estudiosos mórmons, e osargumentos contra.ARGUMENTOS A FAVOR:1 - Hierarquia de 12 na comunidade.Embora a idéia de doze esteja muito ligada à Cristo, ela remonta ao VelhoTestamento, como os 12 patriarcas e as12 tribos de Israel. Os Essênios eramobservantes da lei, e como Judeus, absorveram idéias ligadas à esta religião.2 - Batismos realizados em Qunran.Nessa comunidade, o batismo não tinha as características Cristãs, mas era, narealidade, parte de um ritual regular, e diário, cujo propósito era uma purificaçãocerimonial.Assim, batismos eram realizados antes de Jesus, mas certamente não com ascaracteristicas Cristãs, conforme instituido por Cristo. Mesmo o batismo realizadopor João Batista era diferente - confira em Mateus 28:19; Atos 18:24,25; Atos19:3-6.3 - Ensinos cristãosAs religiões da época pregavam:- os perigos da riqueza e os benefícios da pobreza;- a hospitalidade e amor entre os irmãos;- eram exclusivistas;- acreditavam em um cenário professoraluno, com um mestre e seus seguidores.Várias religiões, cristãs ou não-cristãs tem estes mesmos valores.
  • 12 Podemos afirmar que Essênios eram Cristãos devido às suas crenças similares ao cristianismo? Os paralelismos a favor provam algo? ARGUMENTOS CONTRÁRIOS 1 - Os Essênios eram estritamente legalistas, nãoacendiam fogo, e recusavam-se até mesmo a evacuar no Sábado. Preparavam-se antes, mas caso isso fosse nescessário, não podiam caminhar mais de 2000cúbitos.O "DOCUMENTO DE ZODIKE" determinava: "Ninguém deve comer coisa alguma que aconteça estar no campo, nem deve beber de nada que não estivesse previamente no acampamento" "Ninguém deve vestir roupas empoeiradas, ou estocadas , a não ser que primeirosejam lavadas e esfregadas com resinas de goma de incenso de árvores; ninguém deve bate-las com o punho" "Nínguém deve retirar nada da casa, ou trazer nada para dentro" "Ninguém deve apanhar uma pedra ou limpar poeira em uma residência."Em "O DOCUMENTO DE DAMASCO", os Essênios são proibidos de resgatarematé mesmo uma novilha recém-nascida no valado, no dia do Sábado.Em "O MANUAL DE DISCIPLINA", era determinado qual o tipo de pessoas queeles poderiam se associar. Como exemplo, mulheres em período menstrual ouapós o parto eram consideradas impuras.Compare estas práticas e ensinos com o dos cristãos em Marcos 2:23-27; Mateus12:5-8,11-12; Mateus 15:1-2,11; Mateus 11:19; Lucas 8:1-3.2 - Eram contra práticas adotadas no templo de Jerusalém, e não viam o templocomo característica central de sua religião, como os Judeus da época.3 - Não acreditavam na ressureição do corpo, embora cressem na imortalidade daalma.Frederic C. Howe falou: "Os essênios não podiam harmonizar a idéia de um espírito puro, sendo reunidocom um corpo que participou de uma substância material, e por conseguinte mau".
  • 13Cliford A. Wilson falou que eles criam pelo o menos na vinda de 2 messias. Operito no Velho Testamento Merril F. Unger explicou:"Há uma diferença radical no conceito messiânico como se encontra na bíblia, e o corrente entre os membros da comunidade de Qunram".O MANUAL DE DESCIPLINA exigia um juramento de ligação para voltar a lei deMoisés de acordo com tudo que ele ordenou. Confira Mateus 5:33-37.4 - Evitavam o contato com as mulheres, e tendiam a considerá-las tabus. Osrabinos da época, inclusive, recomendavam que fosse evitado qualquer contatocom mulheres em locais públicos! Atitude muito diferente daquela consideradacristã (compare com João 4:1-30, Lucas 8:1-3)HIÓLIPO, líder da igreja no século II escreveu:"Para que as mulheres dos apóstolos não duvidassem dos anjos, Cristo apareceu para elas, para que fossem os apóstolos de Cristo...Cristo apareceu para os apóstolos (homens) e disse: -Sou eu quem apareceu para estas mulheres e sou eu quem quis envia-las a vós"5 - Os essênios ensinavam a odiar os inimigos- compare com os cristãos (Mateus 5:43-45)O arqueólogo Dr. J. Price, Ph.D. no Oriente médio, exibiu em seu livro "Secrets ofThe Dead Sea Scrolls", uma tabela mostrando várias diferenças interessantesentre os essênios e os cristãos.Os mórmons não são os únicos a especular o assunto. Devido ao grandeconteúdo gnóstico contindo nos manuscritos, esotéricos como Edouard Schuréque escreveu "Os Grandes Iniciados - Jesus", e Edgar Cayce que inspirou o livro"Edgar Cayce on the Dead Sea Scrools", apontam conexões entre os essênios e oesoterismo, budismo, induismo e espiritismo.Portanto, as conexões e semelhanças entre os essênios e os cristãos nãoconstituem prova de que os pergaminhos retratassem, na verdade, um grupo queteria os mesmos princípios dos mórmons atuais.Na realidade, estes rolos contrariam as afirmações de Joseph Smith e outrasautoridades gerais da igreja mórmon, que afirmam que a Bíblia foi adulterada (INéfi 13:25-28).Quando estas cópias são comparadas com as utilizadas, percebe-se que contémessencialmente os mesmos escritos, mesmo estando separados por mais de milanos.
  • 14Ainda, as modificações feitas por Smith nos textos de Isaías, que estão no LdM,não são encontradas nos pergaminhos do Mar Morto.Veja mais detalhes AQUI.___________________________________Notas:1 - Andrew C. Skinner, "The Dead Sea Scrolls and Latter-day Truth," Ensign,February 2006, 44-49. Andrew Skinner explores the world of the Dead Sea Scrollsand how they are similar, as well as different, to those things taught by the Latter-day Saints.2 - "," Latter-day Saint Perspectives on the Dead Sea Scrolls, Eds., Donald W.Parry and Dana M. Pike (Provo, UT: FARMS) This free electronic version of theFARMS book is now available on-line. It includes several articles by LDS scholarswho discuss the details and significance of the Dead Sea Scrolls.3 - "The Dead Sea Scrolls," (Provo, Utah: Brigham Young University, 2002) A Website dedicated to an understanding of the Dead Sea Scrolls.4 - FARMS, "LDS Perspectives of the Dead Sea Scrolls," (Provo, UT: FARMS)MP3: 48 minutes.5 - Hugh W. Nibley, "Apocryphal Writings and Teachings of the Dead Sea Scrolls,"Temple and Cosmos (Salt Lake City: Deseret Book Company, 1992), 264-335Nibley reviews some of the issues related to the discovery of the Dead Sea Scrollsand the Nag Hammadi library, noting that, like the Book of Mormon, they wereburied with the expectation of being received by a later generation. He points to anumber of their teachings, including "cosmism," which in the literal interpretation ofscripture runs counter to the allegorical tendencies of later Christianity. He lectureson the importance of matter and space and how they relate to the larger picture of"worlds without number." He explains that although creations follow patterns, theyare characterized not by monotonous sameness but by refreshing individuality.Nibley also discusses the ordinances that were revealed to the early Christians toguide them back to the presence of the Father.6 - Hugh Nibley, "The Expanding Gospel," BYU Studies (City Unknown: BYU,1966), 1-21 Dr. Nibley demonstrates that traces of authentic gopsel doctrines canbe found in the previously forgotten writings of the ancients.7 - Daniel C. Peterson and William J. Hamblin, "The Great Religious Books of EarlyJudaism," (City Unknown: MeridianMagazine.com)8 - Gerald Smith, Comparing Covenants in Dead Sea Scrolls and Book of Mormon.9 - Gerald Smith, Comparison Between Nephis Psalm and Community Rule. Briefcomparison between Nephis Psalm (2 Ne 4), and a Psalm found in the CommunityRule scroll of the Dead Sea Scrolls (Geza Vermes translation).
  • 15 Após uma espera de 54 anos, manuscritos do mar Morto são editados na íntegraNotícia do jornal Le Monde(retirado do site UOL)Christiane GalusA editora Oxford University Press acaba de anunciar nos Estados Unidos apublicação dos últimos volumes dos manuscritos do mar Morto. O conjunto dos 39volumes, apresentado sob o título geral de "Discoveries in the Judaean Desert"(Descobertas no deserto de Judá), estará completo em janeiro, com o lançamentodo último volume, o qual inclui uma introdução geral e um índice remissivo.Esse anúncio, feito por Emmanuel Tov, professor da Universidade Hebraica deJerusalém e responsável pela publicação, pode parecer algo sem importância. Noentanto, ele encerra uma longa saga arqueológica, iniciada em 1955, com apublicação do primeiro volume desses manuscritos, a maior parte dos quais foiescrita em hebraico entre 250 a.C. e 68 d.C. As peripécias e as delongas queprejudicaram esses trabalhos de leitura e de transcrição durante 46 anos foramqualificadas por Geza Vermés, professor da Universidade de Oxford, de"escândalo acadêmico do século 20"."Um momento de máxima importância""Para os filólogos e os historiadores que trabalham nesses manuscritos, trata-seda conclusão de uma empreitada de marca maior e de um momento de máximaimportância. Com essa coleção agora disponível, chegou finalmente o tempo dassínteses", sublinha Francis Schmidt, diretor de estudos na Escola Prática deEstudos Avançados e especialista na história do judaísmo nas épocas helenísticae romana."De agora em diante, estamos ingressando num novo período de exploração e decomparação dos documentos, uma tarefa que vai exigir sem dúvida váriasdécadas de trabalho", precisa o especialista Marc Philonenko, membro do Institutde France e decano honorário da faculdade de teologia protestante deEstrasburgo. Com efeito, ele publicou na editora Gallimard (na coleção LaPléiade), em colaboração com André Dupont-Sommer, a primeira tradução emfrancês de uma parte dos manuscritos do mar Morto, com o título de "La Bible -écrits intertestamentaires" (A Bíblia - escritos sobre o Antigo e o NovoTestamento).Foi em 1947 que o "caso" dos manuscritos do mar Morto começou, perto dalocalidade de Qumrân, em terra jordaniana, no deserto superaquecido de Judá.Quando estava procurando uma ovelha perdida, um pastor da tribo beduína dosTeamré, Mohammed Ahmed el-Hamed, conhecido como "o Lobo", descobriu poracaso, dentro de uma caverna situada nas montanhas que dominam o mar Morto,
  • 16uma série de jarras afiladas, cada uma com cerca de 60 centímetros decumprimento.Algumas entre elas ainda tinham sua tampa intacta, em forma de tigela. Numadelas, ele encontrou pacotes embrulhados dentro de panos que continham trêsrolos de pergaminho, que a sua tribo vendeu posteriormente a um comerciante.Consultados sobre o seu valor, vários especialistas internacionais confirmaram aancianidade desses documentos, que remontavam a pelo menos um século a.C.Eles constituem, portanto, uma incrível descoberta: a de textos da Bíblia mil anosmais antigos que os documentos que eram conhecidos até então. Após arealização de outras pesquisas, foram encontrados na gruta n° 1 - existem 11grutas no total, naquele local - um conjunto de sete grandes rolos, que estão entreos mais bem conservados de todos os manuscritos do mar Morto. Em particular, orolo de Isaías, que mede 7,34 metros de cumprimento. Mais tarde, de 1952 a1956, por ocasião de escavações sistemáticas realizadas em Qumrân pela EscolaBíblica de Jerusalém, a descoberta de dez outras grutas permitiu trazer à luz dodia cinco outros rolos praticamente intactos - entre os quais o rolo do Templo, de8,75 metros de cumprimento -, além de incontáveis fragmentos de cerca de 700textos. A gruta n° 3, por sua vez, continha um misterioso rolo de cobre quebradoem dois, cujo significado ainda não foi esclarecido. Os sete rolos da gruta n° 1foram publicados dentro de um prazo razoável, alguns anos depois de terem sidoestudados por pesquisadores franceses, ingleses e americanos. No decorrer dosanos, os textos fragmentários das outras grutas também foram divulgados, comexceção dos da gruta n° 4, descoberta em 1952 pelo Padre Roland de Vaux,diretor da Escola Bíblica e Arqueológica francesa. Foi por intermédio daquelagruta que veio o escândalo.Trabalho de uma dificuldade extraordináriaO estado catastrófico desses manuscritos explica em grande parte a lentidão dostrabalhos de decodificação e a demora até a sua publicação. Com efeito, eles sãoconstituídos por 15 mil fragmentos, e até mais, dos quais muitos têm o tamanhode um selo postal. A decodificação desse gigantesco quebra-cabeça representouum trabalho de uma dificuldade extraordinária, dirigido inicialmente por umapequena equipe internacional de jovens pesquisadores reunida sob auspíciosjordanianos.No começo, "a equipe não incluía nenhum pesquisador judeu; o seu recrutamentofoi confiado ao Padre Roland de Vaux. O membro alemão do grupo, ClausHunzinger, logo se retirou, deixando uma equipe de sete jovens pesquisadores,formada, na maioria, por religiosos católicos que se dedicaram à reconstituição doquebra-cabeça", precisa Hershel Shanks, um especialista americano emarqueologia bíblica, no livro "LAventure des manuscrits de la mer Morte" (AAventura dos manuscritos do mar Morto, publicado pela editora do Seuil).Perto do final dos anos 50, após um imenso trabalho, a pequena equipe tinhaterminado grande parte dos trabalhos de reconstituição dos fragmentos. Os
  • 17integrantes distribuíram então entre eles os quinhentos textos recenseados comobjetivo de organizar a sua publicação. "Ao que tudo indica, eles assumiram umatarefa que estava muito acima de suas capacidades", explica Hershel Shanks.Durante as três décadas seguintes, essa equipe conseguiu publicar menos de umcentésimo dos quinhentos textos. Apesar dessa demora, os pesquisadores daequipe, determinados em preservar os seus direitos de publicação, proibiram oacesso aos seus documentos a outros cientistas. Nesse intervalo, com o adventoda guerra de Seis Dias, em 1967, vencida por Israel, o direito de controle dosmanuscritos havia passado para a autoridade israelense. As restrições da equipeda Escola Bíblica também acabaram esgotando a paciência dos orientalistasestrangeiros que não conseguiam aceder a esse tesouro. Alguns rumoresafirmando que o Vaticano estaria criando obstáculos em relação às pesquisaspara evitar a publicação de revelações embaraçosas no que diz respeito à origemdo cristianismo começaram a propagar-se."Não acredito nem um pouco na veracidade desses boatos!", exclama FrancisSchmidt. "Entretanto, é verdade que entre 1950 e 1955, a descoberta dosmanuscritos provocou um verdadeiro terremoto, uma vez que certos teólogostradicionalistas viram nesses textos um perigo para o dogma. Naquela época,nada garante que os exegetas tenham beneficiado de toda a liberdade paraexpressar seus pontos de vista."A revista especializada americana "Biblical Archaelogy Review", dirigida porHershel Shanks, iniciou então uma campanha virulenta para "libertar" osmanuscritos do mar Morto e torná-los acessíveis a todos. John Strugnell, umcientista americano de Harvard que foi nomeado responsável pelas pesquisassobre os manuscritos em 1987, ampliou então a equipe, contratando pela primeiravez pesquisadores judeus e israelenses. Na mesma época, o Ofício dasAntiguidades de Israel começou a reivindicar os seus direitos em relação àpublicação dos manuscritos.No final de 1990, John Strugnell deu uma entrevista ao jornal hebreu "Haaretz", naqual ele se declarou profundamente "antijudaico". Em decorrência do escândaloprovocado por essa afirmação, ele foi despedido e substituído por Emmanuel Tov,um professor da Universidade Hebraica. "Quando Emmanuel Tov substituiu JohnStrugnell, essa mudança resultou indiscutivelmente numa aceleração dostrabalhos", precisa Marc Philonenko. Apesar de algumas peripécias, EmmanuelTov, assessorado por uma centena de pesquisadores, terminou no espaço de umadécada a publicação dos manuscritos do mar Morto. Os últimos entre os 28volumes dedicados a essa obra acabam de ser editados "após 54 anos deexcitação, de espera e de tribulações"."Discoveries in the Judaean Desert", Oxford University (http://www.oup.co.uk) estádisponível na livraria La Procure em Paris ao preço de cerca de 28.000 francos(cerca de R$ 8.750). Cada volume comporta a edição do texto em hebraico ou emaramaico, mais a tradução em francês ou em inglês e ainda as fotos dos rolos.Vale notar também o lançamento do livro "Les Manuscrits de la mer Morte", de
  • 18Michael Wise, Martin Abegg e Edward Cook, publicado pela editora Plon, na suaedição traduzida do inglês para o francês. Preço: 190,22 francos (R$ 59,44).Tradução: Jean-Yves de Neufville