Os Cadernos IHU divulgam pesquisas, produzidas por professores/pesquisadores epor alunos de pós-graduação, e trabalhos de ...
Olhares multidisciplinaressobre economia solidária:Reflexões a partir de experiências    do Programa Tecnosociais         ...
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS                                                    Reitor                           ...
SumárioApresentação..........................................................................................................
Planejamento estratégico participativo: relato da experiência de implementação na ATUROI – Priscila da Rosa Boffe Renata d...
Apresentação    O cenário atual de complexas e rápidas mu-                   riqueza econômica, mas também que permi-dança...
de triagem de resíduos sólidos na perspectiva         Sinos, o que pode contribuir para uma refle-da economia solidária.  ...
Uma proposta de indicadores sociais                e econômicos para a avaliação de             empreendimentos econômicos...
para incubação de cooperativas populares, de Cançado       vimento humano. Os três eixos contemplam(2009). O segundo é um ...
Inscrição estadual                                       tatuto: se foi produzido pelos cooperados ou foi                 ...
através de um índice de alto empreendedorismo                  Cada coeficiente era formado por algunse solidarismo, para ...
Quadro 3 – Alto empreendedorismo e solidarismo Coeficiente de alto empreendedorismo: 1) Recursos principais à montante (in...
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mento), ou mesmo em redes de comercialização                nhecimento e autonomia. Este item poderia es-com outros empree...
Quadro 3 – Indicadores e variáveis                     Eixo econômico                                                Eixo ...
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CANÇADO, Airton. 2009. Metodologia dos Indicadores de                 LISBOA, Armando de Melo; SOARES, Cláudia Bisaggio.De...
Um olhar sobre os processos grupais em um         empreendimento de economia solidária                                    ...
calizadas na referida região, já proprietários de           Estudantes de Direito, na UFRGS, em junho desuas casas, sentir...
sobreviver. Somente duas cursaram o Ensino                      4  A dinâmica do grupoMédio. As demais, por absoluta falta...
5 Participação                                                    de trabalho do empreendimento na perspectiva            ...
do que seus membros não terão medo de expres-                    que se acha imerso o mundo contemporâneo.sar-se, na procu...
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Olhares multidisciplinares sobre economia solidária: Reflexões a partir de experiências do Programa Tecnosociais

  1. 1. Os Cadernos IHU divulgam pesquisas, produzidas por professores/pesquisadores epor alunos de pós-graduação, e trabalhos de conclusão de alunos de graduação, nasáreas de concentração ética, trabalho e teologia pública. A periodicidade é bimensal
  2. 2. Olhares multidisciplinaressobre economia solidária:Reflexões a partir de experiências do Programa Tecnosociais Carlos Roncato Célia Maria Teixeira Severo Cláudio Ogando Priscila da Rosa Boff Renata dos Santos Hahn
  3. 3. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS Reitor Marcelo Fernandes de Aquino, SJ Vice-reitor José Ivo Follmann, SJ Instituto Humanitas Unisinos Diretor Inácio Neutzling Gerente administrativo Jacinto Aloisio Schneider Cadernos IHU Ano 10 – Nº 41 – 2012 ISSN: 1806-003X Editor Prof. Dr. Inácio Neutzling – Unisinos Conselho editorial Profa. Dra. Cleusa Maria Andreatta – Unisinos Dr. Marcelo Leandro dos Santos – Unisinos Prof. MS Gilberto Antônio Faggion – Unisinos Dra. Susana Rocca – Unisinos Conselho científico Prof. Dr. Agemir Bavaresco – PUCRS – Doutor em FilosofiaProfa. Dra. Aitziber Mugarra – Universidade de Deusto-Espanha – Doutora em Ciências Econômicas e Empresariais Prof. Dr. André Filipe Z. de Azevedo – Unisinos – Doutor em Economia Prof. Dr. Castor M. M. B. Ruiz – Unisinos – Doutor em Filosofia Dr. Daniel Navas Vega – Centro Internacional de Formação-OIT-Itália – Doutor em Ciências Políticas Prof. Dr. Edison Gastaldo – Unisinos – Pós-Doutor em Multimeios Profa. Dra. Élida Hennington – Fundação Oswaldo Cruz – Doutora em Saúde Coletiva Prof. Dr. Jaime José Zitkosky – UFRGS – Doutor em Educação Prof. Dr. José Ivo Follmann – Unisinos – Doutor em Sociologia Prof. Dr. José Luiz Braga – Unisinos – Doutor em Ciências da Informação e da Comunicação Prof. Dr. Juremir Machado da Silva – PUCRS – Doutor em Sociologia Prof. Dr. Werner Altmann – Unisinos – Doutor em História Econômica Responsável técnico Marcelo Leandro dos Santos Revisão Isaque Gomes Correa Editoração eletrônica Rafael Tarcísio Forneck Impressão Impressos Portão Universidade do Vale do Rio dos Sinos Instituto Humanitas Unisinos – IHU Av. Unisinos, 950, 93022-000 São Leopoldo RS Brasil Tel.: 51.3590-8223 – Fax: 51.3590-8467 www.ihu.unisinos.br
  4. 4. SumárioApresentação..................................................................................................................................................... 5Uma proposta de indicadores sociais e econômicos para a avaliação de empreendimentoseconômicos solidários – Cláudio Ogando.............................................................................................................. 7 1 Introdução.............................................................................................................................................. 7 2  Indicadores: referências........................................................................................................................ 7 3  Construindo um índice......................................................................................................................... 11 3.1  Indicador 1 – Empreendimento.................................................................................................. 12 3.2  Indicador 2 – Infraestrutura......................................................................................................... 13 3.3  Indicador 3 – Organização........................................................................................................... 13 3.4  Indicador 4 – Democracia participativa..................................................................................... 14 3.5  Indicador 5 – Remuneração......................................................................................................... 15 3.6  Indicador 6 – Comercialização.................................................................................................... 15 3.7  Indicador 7 – Redes....................................................................................................................... 15 3.8  Indicador 8 – Apoio...................................................................................................................... 16 4 Resultados............................................................................................................................................... 17 5  Considerações finais.............................................................................................................................. 19 Referências.................................................................................................................................................. 19Um olhar sobre os processos grupais em um empreendimento de economia solidária – Célia Maria Teixeira Severo.. 21 1 Introdução.............................................................................................................................................. 21 2 Histórico................................................................................................................................................. 21 3 Participantes........................................................................................................................................... 22 4  A dinâmica do grupo............................................................................................................................ 23 5 Participação............................................................................................................................................ 24 6  Processos grupais.................................................................................................................................. 25 7  Considerações finais.............................................................................................................................. 26 Referências.................................................................................................................................................. 28O trabalho com as unidades de triagem de resíduos sólidos urbanos: a experiência do Tecnosociais no municípiode São Leopoldo – Cláudio Ogando e Carlos Roncato.......................................................................................... 29 1 Introdução.............................................................................................................................................. 29 2  Questão ambiental................................................................................................................................. 29 3  Questão social........................................................................................................................................ 34 4  Considerações finais.............................................................................................................................. 36 Referências.................................................................................................................................................. 37
  5. 5. Planejamento estratégico participativo: relato da experiência de implementação na ATUROI – Priscila da Rosa Boffe Renata dos Santos Hahn.................................................................................................................................... 38 1 Introdução.............................................................................................................................................. 38 2  Economia solidária, autogestão e cooperação.................................................................................. 38 3  Planejamento estratégico empresarial................................................................................................ 40 4  Planejamento estratégico participativo............................................................................................... 41 5  Implementação de um planejamento estratégico participativo na ATUROI................................ 43 5.1  Avanços e dificuldades no planejamento estratégico participativo........................................ 44 5.2  Resultados atingidos e oportunidades não alcançadas............................................................. 46 6  Considerações finais.............................................................................................................................. 47 Referências.................................................................................................................................................. 47 4
  6. 6. Apresentação O cenário atual de complexas e rápidas mu- riqueza econômica, mas também que permi-danças em dimensões materiais e simbólicas da tam refletir sobre quais bens e serviços devemvida humana, acompanhado de diferentes e su- ser produzidos, suas características, conceitoscessivas crises como a econômica e ambiental, e sentidos. Talvez sejam formas onde a ques-revela talvez muito mais que transformações e/ tão deixa de ser apenas relativa à eficiência pro-ou transição de paradigmas. Revela uma mu- dutiva, relacionando-se também com a vida edança de época. A literatura tem denominado com a liberdade. Como mostra Sen (1999),3 asessa transição como a passagem da moderni- pessoas não devem avaliar somente as caracte-dade para a pós-modernidade, ou ainda de uma rísticas objetivas dos bens, como também suaprimeira para a segunda modernidade e, até participação no próprio ato de escolha e seusmesmo, chamando de passagem à modernida- reflexos. A eficiência não pode ser o único cri-de tardia. Tais denominações são propostas por tério para produzir.Harvey (2003), Beck (2010) e Giddens (2003),1 É no bojo dessa tentativa de retomar umarespectivamente. concepção mais plural da economia como fon- O certo é que o período conhecido como te de vida, de sustentabilidade, de construçãomodernidade, iniciado no século XVI, consoli- sociocultural que se insere a economia soli-dado no final do século XVIII, presente ainda dária. Poder conhecer e analisar criticamentehoje, traz o positivismo para as ciências, inclusi- algumas das suas experiências torna-se opor-ve a economia. Esta, caso quisesse ser respeitada tuno diante da complexidade que se apresen-como ciência, deveria se “libertar das amarras da ta às tentativas de construções alternativas. Aética e das veleidades metafísicas da antropologia” contribuição dos artigos que formam esse ca-(BRUNI; ZAMAGNI, 2010 p. 112)2. Assim, não derno vão nessa direção. O primeiro deles visasurpreende que as ciências econômicas tenham contribuir na criação de indicadores sociais eadotado visões racionais e, com o aparente esgo- econômicos para a avaliação de empreendi-tamento do projeto da modernidade, busquem re- mentos econômicos solidários, o que ainda épensar seus escopos, suas teorias e práticas. pouco trabalhado. Uma abordagem pouco co- Nesse sentido, buscar compreender outras mum à economia solidária também é encon-formas de concepção da economia e suas re- trada no segundo artigo, que analisa processoslações torna-se relevante. São formas que bus- grupais em um empreendimento que não tevecam não só a produção de bens e serviços, de continuidade, analisando o que fora decisivo para tal. O quarto artigo segue a perspectiva de contribuições singulares, ao abordar o proces-1 HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa so- so de planejamento estratégico participativo bre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, cuja prática ainda mereceu reduzida atenção 2003. acadêmica. Por fim, o terceiro artigo mostra a BECK, Ulrich. Sociedade de risco – Rumo a uma outra mo- dernidade. São Paulo: Editora 34, 2010. complexa dinâmica do trabalho das unidades GIDDENS, Anthony. Modernidade e identidade. Tradução Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.2 BRUNI, Luigino; STEFANO, Zamagni. Economia Civil: eficiência, equidade, felicidade pública. Vargem Grande 3 SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Trad. port. Paulista, SP: Cidade Nova, 2010. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 [1999]. 5
  7. 7. de triagem de resíduos sólidos na perspectiva Sinos, o que pode contribuir para uma refle-da economia solidária. xão crítica e, além, esboçar possibilidades de Dessa forma, esta publicação traz reflexões se (re)pensar a economia na direção de umasobre metodologias de incubagem e outros as- sociedade sustentável.pectos da economia solidária, a partir da expe-riência do Movimento e do Fórum de Econo- Prof. MS Lucas Henrique da Luzmia Solidária, em São Leopoldo e no Vale dos Integrante do Instituto Humanitas Unisinos – IHU 6
  8. 8. Uma proposta de indicadores sociais e econômicos para a avaliação de empreendimentos econômicos solidários Cláudio Ogando1 Introdução Então, a objetivo é o de elaborar um índice econômico e social de empreendimentos de eco- Este artigo busca propor um índice de ava- nomia solidária. Dentro da avaliação proposta,liação de empreendimentos de economia so- além de fatores como viabilidade econômica, sãolidária, na tentativa de analisar sua viabilidade abordadas questões sociais tais como igualdadeenquanto empreendimento econômico, levando entre os participantes, democracia nas decisões eem consideração seus aspectos sociais. No que capacidade de organização interna. Empreendi-se refere à incubação de empreendimentos de mentos dessa natureza não devem ser avaliadoseconomia solidária, é comum vermos estudos de apenas a partir da viabilidade econômica, masviabilidade econômica para sua avaliação assim também a partir do que ele pode promover comocomo estudos traçando perfis socioeconômicos oportunidade de qualificação social (PAUGAM,dos associados desses mesmos empreendimen- 2003) e de igualdade para seus membros, atravéstos. Ambas as análises são importantes para um da prática de seus princípios de solidarismo. Estediagnóstico, como subsídio para o planejamento índice permite primeiramente o diagnóstico maisdo trabalho a ser realizado. Porém, não tão cor- refinado de um empreendimento, servindo deriqueiro é vermos uma análise de viabilidade que subsídio para seu planejamento, buscando umaleve em conta os aspectos sociais e comunitários construção junta aos associados.desses empreendimentos. Como diz Lisboa e Para compor o índice proposto, serão utilizadasSoares (2003, p. 177), algumas referências de índices desenvolvidos em enquanto os indicadores econômicos convencionais, em outros estudos. A partir da sua exposição, chego a geral, têm um caráter monetário e quantitativo, a práti- um índice que corresponde à minha perspectiva e ca da economia solidária aponta para a necessidade de ao objetivo deste estudo. Após a determinação do construir indicadores qualitativos capazes também de índice serão realizados alguns testes em empreen- avaliar a solidez da sociedade, seu grau de confiança e dimentos, sem determo-nos na análise mais apro- coesão social, indicando situações-limite e evidenciando fundada dos empreendimentos, vendo apenas se pontos de não retorno, alargando portanto as possibili- dades de acompanhamento das ações humanas. este índice refletirá a realidade que observamos ao longo do tempo – levando-se sempre em conta os Se um empreendimento solidário só tem ra- limites de um índice.zão de existir através destes valores de coesãodo grupo (GAIGER, 2000; FRANÇA FILHO,LAVILLE, 2004), se as iniciativas sociais já fo- 2  Indicadores: referênciasram associadas ao sucesso do empreendimento(ASSEBURG, OGANDO, 2006; GAIGER 2003), Este estudo e a proposição dos índices par-cabe tentar medir esses fatores sociais também tem principalmente de dois estudos anteriores: ocomo fatores de viabilidade do empreendimento. primeiro é Metodologia dos indicadores de desempenho 7
  9. 9. para incubação de cooperativas populares, de Cançado vimento humano. Os três eixos contemplam(2009). O segundo é um estudo sobre a racionali- tanto aspectos de natureza quantitativa comodade dos empreendimentos solidários, baseados qualitativa.nos índices de solidarismo e empreendedorismo, Segundo o autor, os indicadores e variáveisintitulado A racionalidade dos empreendimentos eco- do eixo legislação auxiliam na criação do em-nômicos solidários, de Gaiger (2007). Após a apre- preendimento e na formalização de processos esentação destes dois estudos e seus respectivos atividades inerentes à existência legal dos empre-índices, proporei meu próprio índice para a ava- endimentos. Isso orienta os associados a cumprirliação dos empreendimentos e aplicá-lo-ei a uma obrigações legais desde o momento em que suasamostra aleatória de empreendimentos, para ve- organizações nascem.rificarmos sua aplicabilidade. O eixo viabilidade econômico-financeira, por Cançado (2009) aplicou seus indicadores em sua vez, permite identificar custos e taxas muitasgrupos de economia solidária incubados por vezes ignorados. Segundo o autor, muitas vezesuma incubadora universitária. A incubação de o empreendimento funciona sem saber sua realempreendimentos solidários é uma forma de saúde financeira. O empreendimento com es-assessoria dada aos grupos de economia solidá- se conhecimento pode fazer investimentos, terria, geralmente realizada por entidades de apoio mais associados ou ter um fundo de reserva quee fomento, como incubadoras universitárias ou permita que em momentos de dificuldade nãoONGs. Essa assessoria oferece subsídios de for- seja obrigado a fechar e tenha uma continuidademação técnica e política aos grupos, visando a para além de seu período de incubação e apoio.forma democrática e participativa. São ofereci- O eixo capacitação/desenvolvimento huma-das formação e acompanhamento nos processos no é a etapa mais qualitativa da metodologia dade tomada de decisão e implementação de ativi- incubação. Afinal, são esses indicadores que jus-dades econômicas, tais como produção, trabalho, tamente diferenciam um empreendimento soli-finanças e comércio. Após um período em que o dário de um empreendimento tradicional.grupo se apropria dos processos de gestão e ma- De forma geral, os índices da pesquisa de re-nutenção do empreendimento, findado o proces- ferência de Cançado (2009) dividem-se de acor-so de formação, geralmente esses grupos passam do com o Quadro 1 abaixo.pelo processo de desincubação, em que deixamde ter a necessidade de serem acompanhados, ou Quadro 1 – Indicadores de Cançadoa ter um acompanhamento menos contínuo. 1) Eixo legalização Como bem escreve Cançado (2009), o uso de 1.1) Livros Obrigatóriosindicadores pode ser útil para avaliar o momento Livro de matrículaem que um empreendimento de economia soli-dária, ao ser acompanhado por uma entidade de Livro de atas de assembleia geralapoio, está pronto para ser desincubado. Ainda Livro de atas do conselho de administraçãosegundo o autor, os processos de desincubação Livro de atas do conselho fiscal“possuem um acompanhamento (quando pos- Livro de presença dos associados em assem-suem) baseado em metas específicas, como le- bleias geraisgalização, determinada renda por cooperado ou 1.2) Estatuto e regimento internoqualquer outra meta que especifique um passono caminho da autossustentabilidade da organi- Estatutozação” (CANÇADO, p. 14). Regimento interno Na sua proposta de índice, Cançado (2009) 1.3) CNPJ, Inscrição Estadual, Inscrição Municipal/baseia-se em três eixos: legislação, viabilidade Alvaráeconômico-financeira e capacitação/desenvol- CNPJ 8
  10. 10. Inscrição estadual tatuto: se foi produzido pelos cooperados ou foi copiado e até mesmo se fica na sede. Inscrição municipal/Alvará O segundo estudo utilizado como referência 2) Eixo viabilidade econômico-financeira (GAIGER, 2007), utilizou índices de análise de 2.1) Custos alto e baixo solidarismo e empreendedorismo, Custos fixos para avaliar a base de dados do Primeiro Ma- peamento Nacional de Economia Solidária. Os Custos variáveis índices propostos serviram como teste de con- 2.3) Preço de Custo e Preço de Venda sistência da base de dados dos questionários apli- Preço de Custo cados junto aos empreendimentos de economia Preço de Venda solidária no Brasil. O mapeamento, que teve sua primeira etapa 2.4) Taxa de administração realizada em 2005 e foi ampliado em 2007, foi Baseada nos custos/necessidades da cooperativa a primeira grande amostragem que se teve, em Acompanhada mensalmente âmbito nacional, dos empreendimentos econô- Discutida com os cooperados micos solidários e a primeira tentativa de identi- 2.5) Ponto de equilíbrio ficar estes empreendimentos e sua dimensão em território nacional. As informações nele coleta- Calculado das constituem um retrato da economia solidária Atualizado quando alterado custos e preços no Brasil no ano de 2007. O trabalho foi reali- 2.6) Relatório de Gestão zado para o Ministério do Trabalho e Emprego Feito mensalmente – MTE, através da Secretaria Nacional de Eco- nomia Solidária – SENAES, e buscava identifi- Completo car e caracterizar a economia solidária no Brasil; 3) Eixo capacitação/desenvolvimento humano fortalecer a organização e integrar redes de pro- 3.1) Capacitação dução, comercialização e consumo; promover o Estudando – educação formal (média dos associados) comércio justo e o consumo ético; subsidiar a formulação de políticas públicas; e facilitar a rea- Se tem preparação técnica para a atividade lização de estudos e pesquisas; dar visibilidade 3.2) Desenvolvimento humano à economia solidária para obter reconhecimento Curso/oficina de cooperativismo/economia e apoio público – SENAES (2005). Estes dados solidária/autogestão compõem o Sistema Nacional de Informações Participação dos associados na incubação em Economia Solidária – SIES4. Conhecem o estatuto e regimento interno O índice de solidarismo e empreendedoris- mo permitiu determinar se os empreendimentos Participação em assembleias e reuniões mapeados realmente possuíam os critérios míni-Fonte: elaborado pelo autor, com base em Cançado (2009). mos de empreendedorismo e solidarismo para serem considerados empreendimentos econômi- cos solidários. Se as hipóteses negativas fossem O autor opta por utilizar um sistema de por- rejeitadas, os empreendimentos teriam passadocentagem para avaliação, atribuindo pesos di- no teste.ferentes a cada um destes critérios de aferição. Após esta etapa foi feita uma análise paraCada eixo é dividido em indicadores, como é pos- identificar aqueles com melhor desempenhosível ver no Quadro 1, e cada um possui um valortotal de 100%. Estes indicadores dividem-se emalguns itens. Esses itens podem ainda dividir-se 4 Disponível em: http://www.mte.gov.br/ecosolidaria/em algumas condições, tais como no caso do es- sies.asp. 9
  11. 11. através de um índice de alto empreendedorismo Cada coeficiente era formado por algunse solidarismo, para poder avaliar algumas tipo- indicadores e cada um destes indicadores con-logias de empreendimentos, características co- tinha algumas perguntas do questionário rela-muns de empreendimentos bem sucedidos e se tivas àquele critério que se pretendia analisar.os fatores sociais e econômicos se relacionavam Os critérios para avaliar os aspectos negativosentre si. Este índice foi mais voltado ao estudo principais, relacionados às situações de baixo ee pesquisa para ver potencialidades e a racionali- alto empreendedorismo e solidarismo foram osdade destes empreendimentos (GAIGER, 2007). seguintes: Quadro 2 – Coeficientes de baixo solidarismo e empreendedorismo Coeficiente de baixo empreendedorismo: 1) Insumos, matérias-primas e recursos iniciais doados 2) Sede e equipamentos principais cedidos ou emprestados 3) Produção destinada unicamente ao autoconsumo dos sócios 4) Despreparo para a prática de comercialização 5) Resultados da atividade econômica insuficientes para pagar as despesas do ano 6) Incapacidade de remunerar os sócios que trabalham no empreendimento 7) Inexistência de benefícios, garantias e direitos para os sócios trabalhadores 8) Presença permanente de trabalhadores não sócios, na produção ou outros setores 9) Inexistência de cuidados com os resíduos produzidos pelo empreendimento Coeficiente de baixo solidarismo: 1) Empreendimento sem nenhuma atividade coletiva declarada 2) Inexistência de assembleia ou reunião do coletivo de sócios 3) Inexistência de outras instâncias de direção e coordenação de caráter participativo 4) Inexistência de mecanismos de participação dos sócios nas decisões 5) Trabalho no empreendimento restrito a não sócios 6) Ausência de participação em redes ou fóruns de articulação 7) Ausência de relacionamentos ou de participação em movimento sociais e populares 8) Ausência de participação ou de desenvolvimento de ação social ou comunitária 9) Inexistência de iniciativa com vistas à qualidade de vida dos consumidoresFonte: GAIGER, 2007. 10
  12. 12. Quadro 3 – Alto empreendedorismo e solidarismo Coeficiente de alto empreendedorismo: 1) Recursos principais à montante (insumos, matérias-primas e recursos iniciais) de propriedade   do empreendimento 2) Sede, equipamentos e espaço principais de comercialização próprios 3) Comercialização principal no mercado estadual, nacional ou internacional 4) Uso de estratégias e ausência de dificuldades de comercialização 5) Obtenção, sem dificuldades, de crédito para investimento 6) Geração de sobra líquida e independência de financiamentos 7) Remuneração e vínculo regulares dos trabalhadores sócios e não sócios 8) Investimento na formação de recursos humanos 9) Férias ou descanso semanal para os sócios que trabalham no empreendimento Coeficiente de alto solidarismo: 1) Coletivização da produção, do trabalho ou da prestação de serviços 2) Decisões coletivas tomadas pelo conjunto de sócios 3) Gestão de contas transparente e fiscalizada pelos sócios 4) Participação cotidiana na gestão do empreendimento 5) Matérias-primas ou insumos principais de origem solidária 6) Comercialização solidária e preocupação com os consumidores 7) Participação em movimentos sociais e em ações sociais ou comunitárias 8) Participação em redes políticas ou econômicas solidárias 9) Ações de preservação do ambiente naturalFonte: GAIGER, 2007. Tal como pondera o autor, “não cabe aqui surável realidade. Por isto, não podem ser ab-analisar estes resultados e a partir daqui tirar solutizados”. Uma vez tendo sido apresentadoconclusões, mas apenas utilizar estes indicadores dois índices de análise dos empreendimentos –(tendo conhecimento do seu contexto, uso e re- um para aplicação direta, em que entram fatoressultados) para montarmos aquele que acharmos qualitativos e que serve como um diagnóstico demais apropriado para o uso no dia a dia, junto acompanhamento dos grupos (nosso objetivo),aos empreendimentos” (2007, p. 17). e outro quantitativo, que analisa o conjunto de empreendimentos trazendo tipologias a partir de um maior número, – cabe agora propor aquele3  Construindo um índice que abrange as contribuições trazidas pelos dois. Como referência para a proposição do índice, Segundo Lisboa e Soares (2003, p. 176), “in- além das duas pesquisas, outro importante fatordicadores são sempre instrumentos limitados foi o questionário utilizado pelo Mapeamentoporque refletem aspectos parciais da incomen- Nacional de Empreendimentos de Economia So- 11
  13. 13. lidária. Algumas questões podem ser consideradascooperativa. No Brasil, como ainda se discutemais importantes para os grupos e determinantes o marco legal que regulamentará o empreendi-para buscarmos o grau da prática da solidariedade mento econômico solidário como ente jurídico,e o nível de empreendedorismo, enquanto outras a única forma de organização de caráter econô-perguntas são apenas complementares. mico formal é a cooperativa. Essas três formas, É sempre bom lembrar, como diz Lisboa e Soa-porém, não tornam imediatamente fácil identifi-res (2003), que indicadores refletem os valores de car se um empreendimento é mais ou menos so-seus idealizadores. E avaliar é sempre emitir umlidário. O grupo informal por vezes se confun-juízo. Não se trata de um problema puramente de com a economia informal, as associações setécnico, de estatísticas neutras, pois o debate acer- confundem com associações comunitárias semca dos valores abarca o conjunto da sociedade. fins lucrativos e as cooperativas se confundemCom todas essas questões em vista, apresento a com empresas que são cooperativas apenas naseguir as variáveis que, acredito, possam dar umforma jurídica.bom panorama do empreendimento e servem co- A cooperativa costuma ser o caminho naturalmo propostas para a formação do índice. de um empreendimento que já tem uma caminha- Cançado (2009) divide o seu índice em três ei- da e quer se formalizar. Porém, é preciso que sexos, enquanto meu índice será dividido em dois, tenha certeza de que é esse o melhor caminhotal como Gaiger (2007). Essa perspectiva condiz e qual a hora propícia, uma vez que a forma demais com a abordagem teórica advinda da Socio- gestão é estruturada e os gastos, maiores. Teori-logia Econômica, do conceito de imbricação do camente, a cooperativa implica em um grau desocial e econômico. Os índices referentes à legis- organização avançado; esses grupos, por lei, sãolação, utilizados por Cançado (2009), de um mo- obrigados a ter uma organização contábil quedo geral entraram no eixo econômico do índice, exige um grau maior de dedicação e responsabi-como se vê a seguir. lidade. Além disso, implica que esses associados Dividi-o em dois eixos básicos (social e eco- legalmente tenham direitos iguais.nômico), totalizando oito indicadores. Cada in- Por isso esse é o primeiro critério de pontua-dicador tem um número específico de variáveis, ção de nosso indicador. Mas como ressalta Can-não sendo necessariamente o mesmo número çado (2009), durante muito tempo a formalizaçãopara cada indicador. Optei deixar o mesmo nú- era o primeiro passo da incubação. Porém os em-mero para cada eixo, sendo 20 variáveis para o preendimentos não tinham condições de recolhereixo social e 20 para o econômico, totalizando 40 recursos, o que os fazia continuar irregulares ouvariáveis, distribuídas nos oito indicadores. Cada até inviabilizava o empreendimento. No nosso ín-variável vale um ponto, totalizando 40 pontos. Ao dice será atribuído um ponto para a formalizaçãofinal, somam-se todas as variáveis e divide-se por do empreendimento, seja como associação ou co-quatro (ou multiplique-se por 0.25) e teremos o mo cooperativa.resultado do índice em referência a 10, que seria Outra questão de grande relevância é o tempoa pontuação total para aquele empreendimento. (longevidade) dos empreendimentos, que indi- Darei agora uma visão geral de todos os in- ca maturidade e coesão. É impossível precisar odicadores, apresentando as variáveis de cada um quanto dura um empreendimento de economiadeles, com uma breve explicação e justificativa so- solidária em média, uma vez que o mapeamen-bre cada um. to aborda apenas aquelas em atividade. Porém, é possível apontar que o índice não difere mui-3.1  Indicador 1 – Empreendimento to de pequenas e médias empresas brasileiras A economia solidária, como forma de or- (GAIGER, OGANDO, 2009). No caso de nossoganização, possui basicamente três maneiras índice, soma-se um ponto àqueles empreendimen-distintas de ser: grupo informal, associação ou tos que tiverem perdurado mais de cinco anos. 12
  14. 14. O número de associados é outro bom indicativo de microcrédito com outros empreendimentos,de maturidade do empreendimento. Um empre- já é uma importante conquista. Por outro lado,endimento que, ao conseguir um rendimento o endividamento e a inadimplência são pontosbom para seus associados, preocupa-se em in- negativos para o empreendimento (mas que nãocorporar novas pessoas ao grupo, que também serão computados em nosso índice).possam se beneficiar, é um empreendimento Outro fator que será considerado é o patrimô-com mais alto grau de solidariedade e empre- nio coletivo. Isso porque alguns empreendimen-endedorismo. No índice proposto no presente tos têm a sede e os equipamentos, mas não sãotrabalho, soma-se um ponto àquele empreendi- seu patrimônio real, e sim consignados, cedidos.mento que tiver mais de cinco pessoas. Nesse caso, é um ponto a mais se for de fato Por fim, neste primeiro indicador a variável do grupo, pois denota duas coisas: a união doreferente à gênese do empreendimento. Um empre- grupo através do que eles conquistam e mantêmendimento que se origine de uma iniciativa es- em comum, que é de todos os associados e opontânea, que venha dos próprios trabalhadores patrimônio em si, que garante mais recursos esem necessidade de indução externa (prefeitura, garantias para investimentos, para o desenvolvi-igrejas etc.), geralmente de um mesmo ciclo mento e independência. O patrimônio comumde convivência (comunidade, trabalhadores de ou coletivo também demonstra fazer parte dauma mesma classe), é pontuado como sinal da democracia praticada pelo grupo, pois aquelasimbricação do social e econômico. Por outro pessoas são donas e decidiram quando e comolado, um empreendimento que foi “montado” investir seus recursos.terá possivelmente menos chance de manter-seem atividade e mais chance de não resistir a dis- 3.3  Indicador 3 – Organizaçãoputas internas. Neste item está o nível de organização do empreendimento. Isso, após a gênese do empre-3.2  Indicador 2 – Infraestrutura endimento, significa o modo como ele vai se es- Nosso segundo indicador diz respeito à infra- truturando e desenvolvendo. Talvez aqui estejaestrutura, que remete a uma sede e equipamen- um dos focos mais diretos do trabalho diário detos. Isso, para um estudo de viabilidade, é algo assessoria e de acompanhamento da incubaçãomuito importante, e para nossa análise não po- de um empreendimento.de ser diferente, pois um empreendimento com O primeiro item a ser considerado é o estatutouma infraestrutura já deu um importante passo, do empreendimento e o regimento interno. O estatutomuitas vezes fruto de uma longa trajetória de luta é a lei interna do empreendimento, que deter-dos participantes. A infraestrutura é um impor- mina os direitos e os deveres de cada associado.tante item para um empreendimento. Se a sede O regimento interno refere-se mais às normasé própria, cedida ou alugada; se os equipamentos do trabalho diário, como horários, responsabili-são do próprio empreendimento e se já os tem dades etc.são importantes para diagnosticar o potencial de O segundo item deste indicador são as atas eprodução de empreendimento e seu ativo. demais controles, como registro de visitas e os Da mesma forma o acesso ao crédito e financia- controles diários das atividades de um empreen-mento é outro importante fator. Isso porque, mes- dimento. Isso mostra a organização e a transpa-mo que um empreendimento não esteja fazendo rência do grupo. Em seguida, o controle de caixa,uso de crédito, é muito comum manifestarem a que é o acompanhamento da saúde financeiranecessidade de acesso a ele, para pequenos inves- do grupo e ajuda a prever e controlar gastos etimentos e capital de giro. Se o empreendimento o valor recebido por cada associado. O diagnós-tem acesso a este crédito, seja pela formalização, tico e viabilidade do empreendimento também são umseja por fazer parte de uma rede de cooperação importante fator de organização. Outro ponto 13
  15. 15. importante é o planejamento, que clarifica as Com base no SIES, estabeleci alguns fatores,metas e necessidades principais do grupo. Os retirados de perguntas do questionário5, que po-registros e licenças são importantes para o funcio- deriam ser considerados para a análise da igual-namento do grupo e, por fim, se o empreendi- dade entre os trabalhadores. São aspectos quemento recolhe o INSS. levam em conta a participação dos sujeitos como proprietários do empreendimento, atuando nas3.4  Indicador 4 – Democracia participativa decisões referentes à gestão econômica e à apro- Agora entramos mais especificamente nas priação direta dos resultados.questões sociais, que são o cerne e o espírito do Os resultados servem para demonstrar a par-grupo para se definirem como solidários. Se eles ticipação coletiva nas esferas políticas que deter-realizam o trabalho coletivo, dividido igualmente minam a igualdade nos resultados econômicosentre todos, recebendo o mesmo valor, pode-se dos empreendimentos. A decisão coletiva, tomadadizer que estão seguindo os princípios solidários através de assembleia de sócios, é um indicadortal e qual. Se esses grupos ainda têm uma boa indispensável do grau de socialização da sua baseconvivência, mesmo que com a presença de confli- material e demonstra que os caminhos que serãotos (ademais constitutivos da vida coletiva), mas tomados por estes empreendimentos são deci-com significativa união, eventualmente até além didos e antecipados por todos. Isso inclui, emdo trabalho, é fator bastante favorável e não po- maior ou menor medida, decisões sobre inves-de ser ignorado. Percebe-se, contudo, que esta é timentos, forma de comercialização, eleição deuma questão diferente da gênese do empreendi- coordenação e outras formas diretivas.mento, aquela do primeiro indicador. Às vezes O trabalho coletivo demonstra que os empreen-as pessoas vêm do mesmo local e até da mesma dimentos têm sua base produtiva formada porfamília, mas não têm um bom relacionamento, trabalhadores associados, cujo trabalho sustentaenquanto em outros casos passam a ter no grupo o empreendimento e para os quais fluem seus re-uma família. Esse indicador é fundamental pa- sultados diretos e indiretos. O início do processora um empreendimento solidário. É importante de trabalho possui uma igualdade e ela se man-a pessoa que estiver fazendo esta avaliação não tém em grande parte nas instâncias de decisãoperguntar estas questões diretamente para os e distribuição, rompendo a lógica de separaçãoassociados, mas de fato conhecer o empreendi- entre capital e trabalho das empresas capitalistas.mento através da observação e acompanhamen- De acordo com Asseburg e Gaiger (2008, p.to, na convivência com o grupo. 9) a homogeneidade das contribuições em capi- Segundo se viu em pesquisa realizada na área tal ou trabalho entre os sócios, indica justamen-(OGANDO, 2011), foi possível perceber que te “se existem sócios mais proprietários ou maisessa solidariedade não se dá de maneira unifor- trabalhadores que os demais, em vista dos pro-me em todos os empreendimentos. Geralmente váveis desequilíbrios que esse fato viria a acar-ocorre em iniciativas em que a força de trabalho retar no grau de influência de uns sobre outrosde cada um é diretamente necessária para o bom ou na partilha dos resultados”. De acordo comandamento do grupo, como no setor de recicla- essa pesquisa, naqueles empreendimentos ondegem, ou fábricas recuperadas. Em outros casos, as relações eram mais desiguais desde seu pontoporém, esta igualdade não é tão constante, como de partida estas tendências se agravaram, ten-associações de produtores rurais que se unem dendo a assumir um caráter de empresa dirigidaapenas no momento da comercialização, ou as- pelos sócios-fundadores, mesmo que com umsociações pela defesa de interesses comerciais. grau de solidarismo e atenção aos trabalhadores, 5 Disponível em: http://www3.mte.gov.br/ecosolidaria/ sies_form_empreendimento.pdf. 14
  16. 16. mas perdendo seu caráter associativo. Porém foi ma para os empreendimentos e tema de muitaconstatado que nos casos estudados, entre os discussão e troca de experiências entre incuba-EES mais bem sucedidos, pelo contrário, era tí- doras. Seja pelas limitações pela forma jurídicapica a presença de interesses e de quotas de par- – impossibilidade de emissão de nota fiscal, eticipação semelhantes. por isso de venda para revendedores ou para o Além dessas variáveis, são consideradas tam- poder público, é um dos problemas mais apon-bém a gestão coletiva, com eleições dentro do tados – seja pela concorrência ou pela falta deperíodo habitual, instâncias de direção, a não espaços, este é um problema enfrentado pelosconcentração das decisões e do controle do em- empreendimentos.preendimento em uma mesma família ou em um Neste item proponho como itens positivosgrupo de pessoas, conselho administrativo, co- de avaliação: 1) número e diversidade de produtos;ordenação etc.; divulgação interna dos resultados, 2) forma de comercialização – se apenas na sede, sesejam eles financeiros ou da gestão do empre- houver sede; se em feiras e outros espaços; seendimento; e princípios básicos da economia solidária, para revendedores – e se isso é um problema oucomo igualdade, solidarismo, cooperação, sendo não; 3) divulgação: se o empreendimento possuipraticados e lembrados. alguma ação neste sentido, ou mesmo de agre- gar o valor da participação na economia solidária3.5  Indicador 5 – Remuneração para vender o produto e 4) preocupação ambiental, Essa questão trata da saúde financeira do gru- que mostra a preocupação com o entorno e apo, crucial para a vida do empreendimento. Um preocupação com a produção sustentável e nãofator importante de ser analisado é se este em- exploratória. A preocupação com o consumidorpreendimento é a única fonte de renda dos associados. poderia entrar também, mas preferi deixar de fo-Isso é um ponto positivo, pois significa dedica- ra, por ser um item que não se aplica a todos osção exclusiva, dentro da lógica de imbricação da tipos de empreendimentos (por exemplo, reci-vida social com o trabalho. Se estivermos ava- clagem, clubes de trocas, consórcios para uso deliando este empreendimento e sua força, isso é equipamentos etc.).um fator a ser considerado. Alguns grupos estãomais para grupos de convivência, que se reúnem 3.7  Indicador 7 – Redesalgumas vezes por semana e o que ganham na- A rede é um fator fundamental na econo-quele trabalho é, geralmente, uma renda comple- mia solidária. As formas de contatos para es-mentar dos associados. O segundo fator, central tabelecer-se uma rede social entre os empreen-neste quesito, é se consegue remunerar a todos. Outro dimentos podem ser de diversas formas. Entrefator, complementar, é se está conseguindo fazer elas estão: troca solidária, participantes do mes-um caixa, seja para investimento ou eventualida- mo fórum ou das mesmas feiras, que possuemdes, também chamado de fundo. Depois, se o uma mesma forma de distribuição do produto,empreendimento consegue proporcionar benefí- que fazem parte de uma cadeia produtiva ou atécios, tais como férias remuneradas, recolhimento mesmo que estão ligados por terem a mesma en-de INSS, alimentação ou outros. Por fim, se o tidade de apoio e por isso participarem de pro-empreendimento distribui o mesmo valor para todos gramas de capacitação em conjunto.os associados, evitando que tenham alguns que Por isso serão avaliados cinco itens gerais: par-“sejam mais donos do que outros”. ticipação em fóruns (de economia solidária ou não), uma vez que a interação com outros grupos para3.6  Indicador 6 – Comercialização a troca de experiências é fundamental. Participação A comercialização poderia ser apenas um em feiras de economia solidária ou outras. Partici-item de remuneração ou de infraestrutura. No pação em uma cadeia produtiva (caso o empreendi-entanto, é apontado como um grande proble- mento compre ou venda para outro empreendi- 15
  17. 17. mento), ou mesmo em redes de comercialização nhecimento e autonomia. Este item poderia es-com outros empreendimentos. Relação com o tar em outro indicador, mas muitas vezes ele émovimento da economia solidária em geral (participa- alavancado por parcerias com as secretarias deção em fórum de economia solidária, eventos de educação das prefeituras. Outro ponto impor-formação etc.). E participação em algum outro movi- tante que costuma vir em decorrência do apoiomento social (MTD, MST, MNCR etc.). é a capacitação técnica dos associados do empre- endimento. Caso tenha recebido ou receba a3.8  Indicador 8 – Apoio capacitação também considerar como um pon- O apoio é um importante fator para o sucesso to positivo. E, por fim, se o empreendimento éde um grupo e um dos principais meios de in- contemplado por algum projeto (fora os apoios decentivos e políticas públicas voltadas à economia incubação e técnicos, mas de recursos).solidária. Todos os temas aqui tratados de uma Dessa forma, as variáveis se dividiram em oi-forma ou de outra são abordados ou proporcio- to categorias chamadas de indicadores. É importantenados pela incubação. Além disso, a incubação salientar que não se trata de um questionário. Is-permite aliar as questões técnicas às questões de so deve ser observado junto do grupo e pontua-pesquisa, reflexão e sistematização. Além disso, o do após cada item ser devidamente avaliado. Asapoio, principalmente através da incubação, per- experiências em aplicação de questionários, pa-mite a convivência com outros empreendimen- ra diversas finalidades, mostram que as pessoas,tos, para troca de experiências sobre atividades de um modo geral, tentam passar uma realidadecomuns, sobre economia solidária, e a vivencia idealizada, dependendo da expectativa que ima-de um modo geral. ginam que os pesquisadores tenham. As infor- Outro ponto importante é o apoio de outras esfe- mações coletadas devem ser discutidas e traba-ras, como setores organizados da sociedade civil lhadas com o grupo e, se necessário, a partir da(ONGs, OSCIPs) e do governo, no caso prefeitu- observação do próprio grupo, ser corrigidas.ras que tenham programas de economia solidária É importante ressaltar que os itens elencadose até mesmo um setor especialmente dedicado a para compor os indicadores aparecem frequen-essa questão, projetos e políticas publicas volta- temente nas pesquisas sobre economia solidáriados para essa área. e no trabalho com cotidiano com os empreendi- Por fim, mas não menos importante e que mentos; foram, por essa razão, utilizadas comocontará como ponto positivo, é se os associados referência. Segue-se abaixo um quadro com aestão na escola, recebendo educação formal, a fim distribuição das variáveis por indicador.de melhorar níveis de escolaridade, adquirir co- 16
  18. 18. Quadro 3 – Indicadores e variáveis Eixo econômico Eixo social Infraestrutura Organiza- Comerciali- Remunera- Empreendi- Democracia Redes Apoio ção zação ção mento participativa Sede (própria) Estatuto e Diversidade Única Formalizado Trabalho Participação Incubação regimento de produtos forma de coletivo em fórum renda Equipamentos Ata e Formas de Está conse- Tempo Decisões Participação Outro tipo controles comercializa- guindo coletivas em feiras de apoio ção (assembleia) (ONG, Prefeitura) Acesso a Controle Divulgação Caixa Número de Gestão cole- Cadeia Educação crédito ou de caixa externa (fundo) associados tiva (conse- produtiva formal financiamento lhos etc.) solidaria Patrimônio Diagnos- Questão Benefícios Gênese Divulgação Adesão ao Formação comum tico / ambiental comunitária interna Movimento técnica viabilidade da economia solidária   Planeja-   Mesmo   Relações Participação Projetos mento valor para interpessoais em Mo- todos vimentos sociais   Registros e       Adesão aos     licenças Princípios da economia solidaria   Recolhi-             mento de INSSFonte: elaborado pelo autor.4 Resultados Abaixo seguem-se os dados aplicados a alguns Alegre, sendo quatro grupos de reciclagem, umempreendimentos. Usei para teste empreendi- de artesanato e um de alimentação.mentos do município de São Leopoldo e Porto 17
  19. 19.   Empreendimento E1 E2 E3 E4 E5 E6 1 Formalizado 1 1 1 1 1   2 Tempo 1   1 1 1 1 3 Número de associados 1 1 1 1 1   4 Genese comunitária 1 1 1 1 1 1 5 Sede (própria)     1 1 1 1 6 Equipamentos 1 1 1 1 1 1 7 Acesso a crédito   1 1 1     8 Patrimônio comum         1 1 9 Estatuto e regimento 1 1 1 1 1   10 Ata e controles 1 1 1 1     11 Controle de caixa 1 1 1   1 1 12 Diagnóstico / viabilidade 1 1 1 1 1 1 13 Planejamento 1 1 1 1 1 1 14 Registros e licenças 1 1 1   1   15 Recolhimento de INSS 1           16 Única forma de renda 1 1 1 1     17 Está conseguindo 1 1 1 1 1 1 18 Caixa (fundo)   1 1       19 Benefícios             20 Mesmo valor para todos 1 1 1   1 1 21 Diversidade de produtos         1 1 22 Forma de comercialização             23 Divulgação externa         1   24 Questão ambiental 1 1 1 1 1   25 Trabalho coletivo 1 1 1     1 26 Decisões 1 1 1     1 27 Gestão (conselho etc.) 1 1 1 1     28 Divulgação interna 1 1 1       29 Relações interpessoais   1 1     1 30 Princípios da economia solidária 1 1 1   1 1 31 Participação em fóruns 1 1 1 1 1 1 32 Participação em feiras   1     1 1 33 Cadeia produtiva         1   34 Movimento da economia solidária   1     1 1 35 Movimentos sociais 1           36 Incubação 1 1 1 1 1 1 37 Outro tipo de apoio 1 1 1 1 1   38 Educação formal             39 Formação técnica 1 1 1 1 1 1 40 Projetos 1 1 1 1 1 1   Total 27 29 29 20 26 21   IES 6,75 7,25 7,25 5 6,5 5,25Fonte: elaborado pelo autor. 18
  20. 20. Sobre os resultados, é importante observar de acordo com o que podem ser consideradosque, levando-se em conta fatores como relações pontos relevantes e a ser objeto de maior aten-interpessoais e igualdade, é possível ver que gru- ção, tanto para agentes de apoio e fomento co-pos que parecem mais desenvolvidos e à frente mo para os próprios trabalhadores.dos outros, mas que não possuem tanta igualda- É importante lembrar que, mesmo efetivan-de tiveram um resultado inferior. O que algumas do esforços para quantificar os fatores analisa-vezes era percebido em conversas com associa- dos, sua percepção sempre terá uma dimensãodos, foi possível quantificar. subjetiva. Por exemplo, alguém pode julgar um Alguns grupos, que pareciam melhores em grupo como sendo bastante unido e outra pes-um estudo de viabilidade econômica, na verda- soa o vê como conflitivo. Porém, a medida é útil:de não eram. Com uma avaliação por este índice a) é uma forma de partir de um mesmo crité-(afinal estamos avaliando empreendimentos soli- rio de avaliação, mais objetivo e compreensível edários), foi possível ver de maneira mais clara e b) serve como uma listagem de pontos a seremfiel a verdadeira realidade e até riscos que outros observados e melhorados (ou mantidos, quandoestudos não mostram, como a separação do gru- bem avaliados).po, ou a possibilidade de alguns controlarem o É interessante mais de uma pessoa fazer agrupo agindo como donos. aplicação do índice no mesmo empreendimento Alguns pontuaram mais nos quesitos de or- para ver se os resultados são semelhantes, assimganização, outros pela união. Mas, de um modo como é interessante aplicar em diferentes perío-bem geral, refletiu observações feitas no dia a dos e comparar resultados, vendo o que melho-dia. Um estudo de cada indicador futuramente rou e o que eventualmente possa ter piorado.pode ser interessante e a relação deles com os Segundo Cançado (2009), é recomendadoproblemas dos grupos, ou com sua natureza, o seguir sempre um padrão para a aplicação dosque não é o objetivo do presente trabalho. indicadores, levando-se em conta sempre os Foi observado também que os grupos que mesmos critérios (principalmente naqueles quemais pontuaram foram aqueles que existiam podem dar margem a uma avaliação mais sub-e eram acompanhados há mais tempo, o que jetiva) e manter uma frequência de acompanha-aponta uma tendência da importância deste mento e aplicação do índice proposto a fim deacompanhamento feito pelas EAFs. A tentativa fazer uma série histórica sobre a evolução destesde cobrir todos esses quesitos talvez permita um empreendimentos e suas tendências. As açõesbom resultado do cumprimento das necessida- devem acontecer em função e no tempo dodes e dificuldades de um grupo econômico soli- grupo, seguindo suas prioridades, sendo a ava-dário que busca sua viabilidade sem perder suas liação um indicador para facilitar a visualizaçãocaracterísticas. pelos associados e para subsidiar seu trabalho de planejamento.5  Considerações finais Referências O objetivo deste trabalho foi refletir sobre asquestões sociais e econômicas que potencialmen- ASSEBURG, Hans; OGANDO, Cláudio. 2006. A economiate podem demonstrar o desenvolvimento de um solidária no Rio Grande do Sul. São Leopoldo. Unesco.empreendimento, refletindo sobre a questão da ASSEBURG, Hans & GAIGER, Luiz Inácio. 2008. A eco- nomia solidária e a redução das desigualdades. São Leopol-imbricação entre o social e o econômico. Depois, do. 21 pgs. Disponível em: <http://www.ecosol.org.br/analisar indicadores já propostos para esta ques- txt/desigualdades.pdf>. Acesso em: 23 março 2012.tão de potencialidade de um empreendimento epor fim, tendo isso em mãos, propor um índice 19
  21. 21. CANÇADO, Airton. 2009. Metodologia dos Indicadores de LISBOA, Armando de Melo; SOARES, Cláudia Bisaggio.Desempenho para incubação de Cooperativas Populares. Salvador. 2003. Indicadores da economia solidária. In: CATTANI,IES. 2009. Antônio. (Org.) A outra economia. Editora Veraz. Porto Ale-FRANÇA FILHO, Genauto; LAVILLE, Jean-Louis. 2004. gre, p. 122 – 234.Economia solidária: uma abordagem internacional […]. Por- PAUGAM, Serge. Desqualificação social: ensaio sobre a novato Alegre: Ed. da UFRGS. pobreza. São Paulo: Educ/Cortez, 2003.GAIGER, Luiz Inácio. Os caminhos da economia solidá- OGANDO, Cláudio. Economia Solidária e desigualdades. Umaria no Rio Grande do Sul. In: _______. A outra racio- analise a partir da Nova Sociologia Econômica. Dissertação denalidade da economia solidária. Conclusões do Primeiro Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC.Mapeamento Nacional no Brasil. Revista Crítica de Ciências Florianópolis, 2011.Sociais, Coimbra, Centro de Estudos Sociais, n.79, p. 57-77, SENAES. Atlas da economia solidária no Brasil. Brasí-2007. lia. MTE, 2005. Disponível em: http://www.mte.gov.br/_______. Eficiência sistêmica. In: CATTANI, Antônio. ecosolidaria/sies_atlas_parte_1.pdf>. Acesso em: 10 abril(Org.) A outra economia. Editora Veraz. Porto Alegre, 2003. 2012.p. 125-129. 20
  22. 22. Um olhar sobre os processos grupais em um empreendimento de economia solidária Célia Maria Teixeira Severo1 Introdução para a transformação desta em uma outra socie- dade, mais justa e cidadã, onde “uma outra eco- Desde seu surgimento e no decorrer de toda nomia acontece”.sua existência os seres humanos estão inseridos Neste contexto, almeja-se o aumento daem algum tipo de grupo social: família, amigos, produção e da renda dos envolvidos/as, mastrabalho, clubes culturais, recreativos, associa- de forma sustentável e sem agressões ao meioções políticas ou religiosas. Em suma, grupos ambiente, assim como das sobras resultantes docom os quais os indivíduos buscam identificar-se trabalho, a serem distribuídas de forma justa eem interesses comuns e de modo afetivo, visan- igualitária, possibilitando a melhoria da qualida-do à satisfação de suas necessidades de relacio- de de vida e de trabalho dos/as integrantes dosnamento social em seus diversos níveis. empreendimentos, de suas famílias e das comu- Tais relacionamentos se constituem a partir nidades onde se encontram inseridos.dos interesses e necessidades sociais, assim como Na tentativa de compreender a dinâmicaexigências e transformações da realidade econô- social de um destes modelos organizativos,mica e política. Entretanto, o imperativo do neoli- busca-se neste artigo refletir sobre o empreendi-beralismo e da globalização econômica traz à so- mento econômico solidário denominado Grupociedade mundial efeitos cada vez mais perversos; de Artesanato/Padaria Comunitária, ligado às Co-diante disso, a questão social vem sofrendo grada- operativas Habitacionais e localizado na zonativamente nítidas transformações. O que está em nordeste da cidade de São Leopoldo/RS. Essejogo são mudanças profundas nas relações entre empreendimento foi um dos espaços coletivoscapital e trabalho nos processos produtivos, na assessorados pelo Programa Tecnologias Sociaisgestão e concepção das funções do Estado. para Empreendimentos Solidários – Tecnoso- Acirraram-se a competitividade entre as em- ciais, a incubadora de empreendimentos solidá-presas e as exigências crescentes de concorrên- rios de geração de trabalho e renda da Universi-cia. Nesse caso, a lógica é produzir mais com me- dade do Rio dos Sinos – a Unisinos.nores custos. Introduz-se, então, a flexibilização Desde maio de 2007, esse acompanhamentodas relações trabalhistas, ou seja, os benefícios por parte da incubadora deu-se de forma maisdos/as trabalhadores/as são reduzidos e as leis sistemática, visando assessorar o grupo em seuque os/as protegem são alteradas. processo de formação, educação, autogestão Quando se pensa em alternativas de sustenta- e potencialização, sempre de forma dialógica ebilidade socioeconômica para os que estão à mar- solidária.gem do mercado de trabalho capitalista e neo-liberal, as associações, cooperativas e empreen-dimentos solidários passam a ser um importan- 2 Históricote instrumento de reação, tanto como forma deresponder às necessidades materiais de trabalho Em meados de 2006, os membros associa-e renda, como também de construir elementos dos de uma das cooperativas habitacionais, lo- 21
  23. 23. calizadas na referida região, já proprietários de Estudantes de Direito, na UFRGS, em junho desuas casas, sentiram a necessidade de se organi- 2007 e da 14ª FEICOOP – Feira Estadual de Co-zar buscando gerar trabalho e renda para melho- operativismo, em Santa Maria-RS, em julho doria de sua qualidade de vida. Um grupo de doze mesmo ano.mulheres optou por dedicar-se à confecção de Também promoveu feiras para comercializa-artesanato. ção na própria comunidade em que o grupo está Com o importante apoio financeiro da coope- inserido, recebendo encomendas para forneci-rativa, realizaram cursos de “fuxico”, de artigos mento de lanches em eventos e festas particulares,confeccionados com rolinhos de jornal trança- além de participar das oficinas sobre economiados, pintados e envernizados, muito semelhantes solidária promovidas pelo Tecnosociais/Unisi-a objetos de vime, e outros artigos. nos, com apoio do MDS/PNUD, em setembro e Começaram a dar visibilidade ao grupo par- outubro de 2007. Os temas das oficinas foram:ticipando da Feira Popular de Economia Soli- comunicação, planejamento, aspectos legais e tri-dária na zona norte da cidade de São Leopoldo, butários e gestão de empreendimentos solidários.promovida pela Secretaria Municipal de Desen- Pela trajetória do grupo, uma das suas in-volvimento Econômico e Social, através de seu tegrantes foi a Brasília-DF nos dias 7, 8 e 9 deDepartamento de Economia Solidária. novembro de 2007, com a coordenadora do No início de 2007, aprimoraram seus conhe- Programa Tecnosociais, professora Dra. Veracimentos através de uma nova capacitação, tam- Regina Schmitz. Neste encontro puderam rela-bém patrocinada pela cooperativa habitacional, tar e avaliar a experiência do empreendimentocom o curso de técnica em decupage, que consiste no Segundo Encontro Nacional do Programaem realizar colagem com pintura em objetos pa- de Promoção da Inclusão Produtiva de Jovensra decoração. PNUD/MDS. Nesse mesmo período, outro grupo de mu- Nesse contexto, em relação ao Grupo de Ar-lheres resolveu dedicar-se a produção de alimen- tesanato/Padaria Comunitária das Habitacionais,tos e, desde o início de maio de 2007, retomou um dos objetivos do processo de incubagem foiimportante processo de reestruturação, discutin- o de compreender o processo grupal em anda-do coletivamente e de forma gradual cada etapa mento e buscar dialogicamente o entrelaçamentoa ser vencida no sentido de fortalecer e capacitar entre os saberes popular e acadêmico, no senti-as participantes na geração de trabalho e renda, do de valorizar a iniciativa do grupo, capacitá-lona perspectiva da economia solidária. para a autogestão, a ação coletiva, o bem-estar e Para isso, tem contado com a assessoria do o desenvolvimento da comunidade em que estáPrograma Tecnosociais, da Unisinos, que opor- inserido, além da geração de trabalho e renda.tunizou diversas oficinas, bastante interativas, so-bre comunicação, gestão, atendimento e vendas,além da formação do preço dos produtos, tanto 3 Participantesde alimentação como de artesanato. Outro avan-ço do grupo foi em relação à parceria firmada Quem eram, afinal, estas pessoas com ascom uma empresa distribuidora de alimentos, quais trabalhamos, analisando e refletindo so-que ofereceu vagas em seus vários cursos de ca- bre suas trajetórias de vida? Eram mulheres.pacitação, dentre eles confeitaria e panificação, a Tinham entre 16 e 50 anos. A maior parte de-fim de que elas qualificassem seus produtos. las eram chefes de família, com filhos e filhas, Como resultado de tanto empenho, o grupo algumas negras, mas todas há muito excluídasnão parou mais e expandiu seu espaço de atua- do mercado formal de trabalho.ção. Recebeu o convite para participar da Feira Faziam faxinas, produtos alimentícios, pinta-de Economia Solidária no Encontro Gaúcho de vam paredes em troca de parcos recursos para 22
  24. 24. sobreviver. Somente duas cursaram o Ensino 4  A dinâmica do grupoMédio. As demais, por absoluta falta de opor-tunidade, estudaram muito pouco ou sequer se O grupo não possuía uma coordenação for-alfabetizaram. Sentiram na pele e na alma as difi- mal. Existiam, sim, lideranças que o impulsiona-culdades advindas de casamentos desfeitos – dos vam e o representavam na grande maioria daspais ou os próprios – mas nem por isso deixa- situações. Embora as decisões fossem tomadasram de cultivar um profundo amor e desvelo pe- coletivamente, havia duas mulheres que, cadala família. uma à sua maneira, acabavam envolvendo o gru- Tornaram-se cuidadoras de netos, filhos do- po e quase sempre o direcionando. Uma era maisentes, esposos com enfermidades graves, às ve- expansiva, combativa e rápida nas percepções. Azes em momentos em que elas próprias mais ne- outra era mais delicada, comprometida e centra-cessitavam de apoio e cuidados. da, mas, de um modo geral, também interferia Todas começaram a trabalhar muito cedo, al- significativamente nos rumos do grupo.gumas para ajudar os pais a criar os irmãos me- De qualquer forma, eram elas que normal-nores, outras em busca da própria subsistência. mente direcionavam as ações que deviam serMais tarde, dedicaram-se com afinco ao trabalho executadas e assumiam as responsabilidades,para sustentar suas próprias famílias, em prejuízo como também as representações em outros es-de seu lazer e de sua saúde, na busca determina- paços políticos e associativos. Também se podeda, segundo elas, por “dar aos filhos e filhas o que não destacar que existia constante diálogo entre astiveram”, além da oportunidade de estudo e maior integrantes.qualidade de vida. Semanalmente elas se reuniam para discutir Em função disso, desenvolveram um forte não só as questões pertinentes ao grupo, comosenso coletivo, principalmente no momento em também aquelas que envolviam a Cooperati-que, juntamente com outros moradores da co- va Habitacional e a comunidade em que estãomunidade, fundaram a Cooperativa Habitacio- inseridas. Esta articulação social faz com quenal, onde lutaram, trabalharam e conquistaram ocorresse a mobilização entre os atores na co-suas casas. Tinham fortes atuações em outros es- munidade, promovendo o protagonismo dospaços políticos, com assento como delegadas no moradores, bem como a ação/reflexão pertinen-Orçamento Participativo Municipal, no Conse- tes ao cotidiano em que vivem.lho da Cooperativa, além de integrarem o Fórum Em relação à autogestão, pode-se dizer quede Economia Solidária de São Leopoldo. o processo era incipiente devido à falta de ex- Elas eram muito mais do que simples parti- periência. Todavia, era promissor, principalmen-cipantes de um grupo. Eram, naquele momen- te pela atuação da incubadora que oportuni-to, oito mulheres e um importante elo as unia: zou espaços para exercitá-la e para discuti-la. Aeram solidárias nas dificuldades comuns em apropriação dessa prática de gestão do empre-seus cotidianos. endimento demandaria o comprometimento, a Eram carismáticas, extrovertidas, estavam responsabilidade e a interdependência entre assempre à disposição para falar de suas vidas, ex- associadas, o que nem sempre era compreendidoperiência e vivências. Abriam suas casas, suas me- e aceito, pois era muito forte no imaginário so-mórias e seus corações e falavam sobre si mesmas ciocultural a reprodução do modelo hegemônicocom o desprendimento de quem viveu as últimas hierarquizado, diretamente vinculado ao padrãodécadas do processo histórico nacional e mundial fordista de produção e que está enraizado noscom a garra e a coragem de sobreviventes e com a modelos mentais e culturais da grande maioriacerteza da superação dos desafios. da população. 23
  25. 25. 5 Participação de trabalho do empreendimento na perspectiva da participação democrática e solidária, oportu- De modo geral, ao reunirem-se em torno de nizou esta evolução e a ruptura do paradigma douma tarefa específica, na consecução de um obje- modelo de trabalho hierarquizado e dominante.tivo, seus participantes deixam de ser um simples Ainda segundo Bordenave (1992, p. 16),agrupamento de indivíduos para tornarem-se de a participação tem duas bases complementares: umafato um grupo, onde cada um permanece com base afetiva – participamos porque sentimos prazer ema sua identidade e sua diferença, embora com- fazer coisas com outros – e uma base instrumental – par-prometido com o resultado final, num processo ticipamos porque fazer coisas com os outros é maiscomplexo e dinâmico. eficaz e eficiente que fazê-las sozinhos. Para Bordenave (1992, p. 18), Os resultados são alcançados através da con- A participação é o caminho natural para o homem fiança de todos em assumir compromissos, pois exprimir sua tendência inata de realizar, fazer coisas, há comunicação genuína entre os participantes, afirmar-se a si mesmo e dominar a natureza e o mun- e suas habilidades se complementam, resultan- do. Além disso, sua prática envolve a satisfação de do em investimento constante no crescimento outras necessidades não menos básicas, tais como a do grupo. interação com os demais homens, a autoexpressão, o Os problemas que afetam seu funcionamen- desenvolvimento do pensamento reflexivo, o prazer de criar e recriar coisas e, ainda, a valorização de si to são detectados e resolvidos através dos pro- mesmo pelos outros. cessos de autoanálise e avaliação contínuos, de modo que até mesmo os conflitos passam a ser Desse modo, entende-se que participação encarados como fatores de crescimento e de-vai muito além da mera presença física em um senvolvimento do grupo, inerentes às relaçõesevento, em uma entidade. Pressupõe-se um tal interpessoais.comprometimento com a causa, com a organiza- No grupo em questão, isso nem sempre foição e com os demais envolvidos, de forma que a fácil. Muitas vezes algumas “perdiam a paciên-contribuição de cada indivíduo seja fundamental cia” com as integrantes menos comprometidas,na consecução dos objetivos comuns, no plane- com maior grau de dificuldade em acompanharjamento, gestão, controle e nas decisões grupais. os processos de aprendizagem ou incomodadas Para que a participação realmente se efetive, com as falhas na comunicação, o que acarretouos membros de um determinado grupo devem desentendimentos e atitudes que acabaram pormanter a mente aberta em relação aos demais, no desanimar o restante do grupo.que diz respeito às opiniões divergentes e à reso- Nesse contexto, é importante observar a co-lução de problemas que afetam o seu funciona- municação entre os elementos do grupo, não sómento, além de desenvolver alto grau de respeito a verbal mas também a que se dá através de sinaise cooperação. Este é o sentido da reciprocidade não verbais expressados, pois podem interferirnecessária para o aprimoramento das relações no bom andamento dos trabalhos. Em suma, se-entre os indivíduos nos grupos sociais. gundo Torres (1985, p. 31), “a comunicação é o No grupo analisado, considera-se que a parti- processo através do qual os homens transmitemcipação foi relativamente ativa, na medida em que e perpetuam a sua experiência cultural”.a maioria comparecia às reuniões – embora sua Ao se trabalhar com processos de interaçãomensuração não possa ficar restrita à presença fí- social, devem-se ter bem claras as possibilidadessica, certamente – e envolvia-se nas decisões, algu- de controle e pressões que surgem no interiormas mulheres de maneira mais expansiva, outras dos grupos. Estas forças podem ser de coopera-menos, mas desafiadas constantemente a fazê-lo. ção, de competição, de conflito ou de integração. A metodologia dialógica adotada pela incuba- Em relação aos conflitos, quanto mais integradodora, sendo desenvolvida diretamente no local estiver o grupo, mais eles se tornarão visíveis, da- 24
  26. 26. do que seus membros não terão medo de expres- que se acha imerso o mundo contemporâneo.sar-se, na procura pelas soluções e alternativas. Alicerçada em um sistema de produção capitalis- No caso enfocado neste estudo, podem ser ta, a sociedade aboliu de sua cultura o respeito àsrelevantes as colocações de Mailhiot (1991, p. várias etapas da vida humana, passando a valori-69-70), com base nas teorias de Schutz e Lewin, zar a capacidade de produzir bens materiais maissegundo as quais “as relações interpessoais não do que o ser humano em si.podem tornar-se mais positivas, mais socializa- Por outro lado, segundo Muraro e Boffdas e o grupo integrar-se de modo definitivo, en- (2002), historicamente sistemas como o patriar-quanto subsistirem entre os membros fontes de cado e o capitalismo não só limitaram o espaçobloqueio e de filtragens em suas comunicações”. e a participação da mulher na sociedade como Ainda segundo o autor, também inibiram a efetivação de seus próprios direitos como práticas justas e igualitárias, atra- a gênese de um grupo e sua dinâmica são determina- das, em última análise, pelo grau de autenticidade das vés de construções sociais que definem e articu- comunicações que se iniciam e se estabelecem entre lam os âmbitos masculino e feminino, gerando seus membros. Já se aceita como um dado da reali- relações de poder, discriminação e subordinação. dade que somente em um clima de grupo em que as Na busca do objetivo de que cada participante comunicações são abertas e autênticas, as necessidades seja sujeito da ação, agente na promoção de sua interpessoais podem encontrar satisfações adequadas (MAILHIOT, ibidem, p. 72). cidadania e de sua integração, com dignidade, na sociedade em que vivemos, é que foi desenvol- Nessa perspectiva, algumas pessoas – e este vido o presente texto, procurando compreenderparecia ser o caso do grupo estudado – estão este universo tão rico, desvelando algumas pe-buscando novas alternativas de vida, participa- culiaridades e deixando aflorar as subjetividades.ção e geração de trabalho e renda em grupos,associações ou ações conjuntas, coletivas e or-ganizadas, onde demonstram que, mobilizados, 6  Processos grupaisrepresentam uma força inconteste. Segundo Torres (1985), ao considerar-se que Quando as pessoas são estimuladas a participar e es- tão motivadas, os resultados obtidos serão considera- os níveis das relações sociais podem ser profun- velmente melhores e, além disso, o próprio processo dos e intensos ou mesmo mais superficiais, po- será um grande aprendizado, possibilitando ao grupo dem-se classificar os grupos humanos em duas incorporar atitudes de trabalho e de vida pessoal, que grandes categorias: primários e secundários. certamente promoverão o seu desenvolvimento. A Embora os grupos primários6 tenham uma própria possibilidade de participação já proporciona isto, e ainda propicia um clima desafiador (BORGES, influência decisiva na vida das pessoas com a 2002, p. 1038). evolução das sociedades modernas, eles não têm condições de satisfazer todas as suas necessi- Então, concebe-se que as questões que envol- dades. Daí a procura pelos grupos secundáriosvem as mudanças no mundo do trabalho, num para que os indivíduos sintam-se realizadoscontexto de neoliberalismo e globalização, bem integralmente.como as que não promovem a legitimação e efeti- Nesse processo, podem ocorrer resistênciasvação da cidadania na atualidade, estão diretamen- às mudanças, dado que os seres humanos não vi-te conectadas com a realidade das integrantes doreferido grupo, e a organização em empreendi-mentos econômicos solidários passou a ser, para 6 “O principal grupo primário é a família, responsávelelas naquele momento, uma alternativa importan- principal pela formação que permite ao indivíduo viver bem em uma determinada sociedade. É o grupo que lhete para a busca de soluções nesta área. dá origem e consequentemente aquele do qual ele de- Pode-se tentar compreender as transforma- pende mais e com quem afetivamente tem mais compro-ções citadas através dos novos paradigmas em misso” (TORRES, 1985, p. 13). 25

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