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Os princípios racionaisDesde seus começos, a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela pró...
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Texto chaui, marilena. convite à filosofia. 2003. a razão (capítulo 1 – unidade ii).

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  1. 1. Aula 2Texto: CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 2003. A razão (Capítulo 1 – Unidade II).Vários sentidos da palavra razãoCoração PirataRoupa NovaComposição: Nando - Aldir BlancLevo a vida como eu queroEstou sempre com a razãoEu jamais me desesperoSou dono do meu coração http://michelleata.blogspot.com/2010/06/musa-loucura.html10 MinutosAna CarolinaPor que você não atende asminhas ligações?Sei que você tem lá suas razõesOlho milhões de vezes sua fotoMe pergunto em que pontoperdemos o focoEsses poucos exemplos jános mostram quantossentidos diferentes apalavrarazão possui: certeza,lucidez, motivo, causa.1.Nessa frase, as palavras razões e razão não têm o mesmo significado, indicando coisasdiversas. Razões são os motivos do coração, enquanto razão é algo diferente de coração;este é o nome que damos para as emoções e paixões, enquanto “razão” é o nome quedamos à consciência intelectual e moral.2.A frase de Pascal pode ser traduzida da seguinte maneira: Nossa vida emocional possuicausas e motivos (as “razões do coração”), que são as paixões ou os sentimentos, e édiferente de nossa atividade consciente, seja como atividade intelectual, seja comoatividade moral.3. Ouvimos outras frases que elogiam as ciências, dizendo que elas manifestam o “progresso da razão ”. Aqui, arazão é colocada como capacidade puramente intelectual para conseguir o conhecimento verdadeiro daNatureza, da sociedade, da História e isto é considerado algo bom, positivo, um “progresso”.4. Algumas vezes ouvimos um professor dizer a outro: “Fulano trouxe um trabalho irracional; era um caos, umaconfusão. Incompreensível. Já o trabalho de beltrano era uma beleza: claro, compreensível, racional”. Aqui, arazão, ou racional, significa clareza das idéias, ordem, resultado de esforço intelectual ou da inteligência,seguindo normas e regras de pensamento e de linguagem.Fala-se, portanto, em razão objetiva (a realidade é racional em si mesma) e em razão subjetiva(a razão é uma capacidade intelectual e moral dos seres humanos). A razão objetiva é aafirmação de que o objeto do conhecimento ou a realidade é racional; a razão subjetiva é aafirmação de que o sujeito do conhecimento e da ação é racional. Para muitos filósofos, aFilosofia é o momento do encontro, do acordo e da harmonia entre as duas razões ouracionalidades.Origem da palavra razão: Na cultura da chamada sociedade ocidental, a palavra razão origina-se de duas fontes: a palavra latina ratio e da grega logos. Essas duas palavras são substantivosderivados de dois verbos que têm um sentido muito parecido em latim e em grego.Logos, ratio ou razão significam pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modocompreensível para outros.Desde o começo da Filosofia, a origem da palavra razão fez com que ela fosse considerada oposta a quatro outrasatitudes mentais: Ao conhecimento ilusório: As ilusões criam as opiniões que variam de pessoa para pessoa e de sociedadepara sociedade. A razão se opõe à mera opinião; Às emoções, aos sentimentos, às paixões, que são cegas, caóticas, desordenadas: A razão é vista comoatividade ou ação (intelectual e da vontade) oposta à paixão ou à passividade emocional; À crença religiosa, pois, nesta, a verdade nos é dada pela fé numa revelação divina: A razão é oposta àrevelação e por isso os filósofos cristãos distinguem a luz natural - a razão - da luz sobrenatural – arevelação; Ao êxtase místico: A razão ou consciência se opõe à inconsciência do êxtase.
  2. 2. Os princípios racionaisDesde seus começos, a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela própria estabelecee que estão em concordância com a própria realidade, mesmo quando os empregamos sem conhecê-losexplicitamente. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais, que respeitamos atémesmo quando não conhecemos diretamente quais são e o que são. Nós as respeitamos porque somos seresracionais e porque são princípios que garantem que a realidade é racional.1. Princípio da identidade, cujo enunciado pode parecer surpreendente: “A é A” ou “O que é,é”. O princípio da identidade é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar.2. Princípio da não-contradição (também conhecido como princípio dacontradição), cujo enunciado é: “A é A e é impossível que seja, ao mesmo tempoe na mesma relação, não-A”. Assim, é impossível que a árvore que está diante demim seja e não seja uma mangueira; que o cachorrinho de dona Filomena seja enão seja branco.Em que tipo de avaliação educacional o princípio da não-contradição se aplica?Princípio do terceiro-excluído, cujo enunciado é: “Ou A é x ou é y e não háterceira possibilidade”. Por exemplo: “Ou este homem é Sócrates ou não éSócrates”; “Ou faremos a guerra ou faremos a paz”. Este princípio define adecisão de um dilema - “ou isto ou aquilo” - e exige que apenas uma dasalternativas seja verdadeira.Princípio da razão suficiente, que afirma que tudo o que existe etudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existirou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode serconhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente costumaser chamado de princípio da causalidade para indicar que a razãoafirma a existência de relações ou conexões internas entre ascoisas, entre fatos, ou entre ações e acontecimentos.Pode serenunciado da seguinte maneira: “Dado A, necessariamente se daráB”. E também: “Dado B, necessariamente houve A”.

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