Floresta Amazônica
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  • 1. CENTRO PAULA SOUZA ETEC CUBATÃOTÉCNICO EM MEIO AMBIENTE A FLORESTA AMAZÔNICALuiz Fernando Santos de MouraRaquel Fernanda de Jesus Pinho Renan Maciel Alves Sabrina dos Santos Lucena Cubatão 2011
  • 2. Luiz Fernando Santos de Moura, 25Raquel Fernanda de Jesus Pinho, 41 Renan Maciel Alves, 32 Sabrina dos Santos Lucena, 34 A FLORESTA AMAZÔNICA Prof. André C. F. Vicente Cubatão 2011
  • 3. “A Amazônia é, sim, fundamental ao equilíbrio climático do planeta. Pode-se compará-la a um rim, atuando como regulador de diversas funções vitais.Intervenções mal planejadas certamente provocarão mudanças ambientais em escala mundial, cujas consequências são difíceis de conceber.” (JAMES LOVEJOCK)
  • 4. ResumoA Amazônica está localizada na parte noroeste da América do Sul. É a maior florestatropical do mundo com uma área total de aproximadamente 7 milhões de km², abri-gando a maior bacia hidrográfica do mundo, a Bacia do Rio Amazonas. O rio Ama-zonas é o maior rio do mundo em extensão e volume, possuindo a maior foz domundo. Com um clima bastante variável, é um berço para inúmeras espécies deanimais e plantas, sendo o local com maior biodiversidade do planeta. Porém, vemsofrendo uma grande devastação por parte do homem, como queimadas, a explora-ção extrativista excessiva, o trafico ilegal de animais e a caça predatória, podendoextinguir a floresta e toda essa biodiversidade que ela abriga.Palavras-chave: Floresta Amazônica, Bacia do Rio Amazonas, biodiversidade, de-vastação, exploração extrativista.AbstractThe Amazon forest is located in the northwestern part of South America is the largestrainforest in the world with a total area of approximately 7 million km ², housingthe worlds largest river, the Amazon Basin. The Amazon River is the longest river inthe world in size and volume, having the largest estuary in the world. With a highlyvariable climate, is a cradle for many species of animals and plants, making it thelargest biodiversity on the planet. However, has suffered a great destruction by hu-mans, such as fires, excessive extractive exploitation, illegal traffick-ing and poaching of animals, and can extinguish the forest and allthe biodiversity within it.Keywords: Amazon rainforest, Amazon Basin, biodiversity, deforestation, exploita-tion, extraction.
  • 5. Lista de TabelasTABELA 1 - TIPOS DE V EGETAÇÃO DA AMAZÔNIA ................................................................................ 13Lista de IlustraçãoFIGURA 1 - D IAGRAMA DA RECICLAGEM DA ÁGUA NA AMAZÔNIA ............................................................. 11FIGURA 2 - BACIA H IDROGRÁFICA AMAZÔNICA .................................................................................... 17FIGURA 3 - V ITÓRIA R ÉGIA .............................................................................................................. 22FIGURA 4 – S ERINGUEIRA ............................................................................................................... 23FIGURA 5 - CASTANHEIRA - DO-PARÁ ................................................................................................. 25FIGURA 6 - MOGNO ........................................................................................................................ 26FIGURA 7 - C ERAMBICÍDEO- GIGANTE ................................................................................................ 29FIGURA 8 - P IRARUCU .................................................................................................................... 31FIGURA 9 - P EIXE-SERRA ................................................................................................................ 32FIGURA 10 - S UCURI-V ERDE ........................................................................................................... 33FIGURA 11 - JACARÉ-AÇU ............................................................................................................... 34FIGURA 12 - TARTARUGA - DO-A MAZONAS .......................................................................................... 35FIGURA 13 - GAVIÃO-REAL .............................................................................................................. 36FIGURA 14 - P EIXE-BOI-DA -A MAZÔNIA ............................................................................................... 38FIGURA 15 - O NÇA - PINTADA ............................................................................................................ 40FIGURA 16 - A RIRANHA ................................................................................................................... 41FIGURA 17 - A RARA -AZUL-G RANDE .................................................................................................. 42FIGURA 18 - GATO - DO-MATO .......................................................................................................... 43FIGURA 19 - MACACO -ARANHA - PRETO .............................................................................................. 44FIGURA 20 - D ESMATAMENTO DA AMAZÔNIA BRASILEIRA ..................................................................... 46
  • 6. SumárioIntrodução................................................................................................................................81. O Nascimento da Amazônia........................................................................................92. Aspectos Físicos e Geográficos ............................................................................. 10 2.1. Clima ....................................................................................................................... 10 2.2. Vegetação .............................................................................................................. 12 2.2.1. Os tipos de vegetação da Amazônia no Brasil ............................................ 12 2.2.1.1. As Matas de Várzea ................................................................................. 13 2.2.1.2. As Matas de Igapó .................................................................................... 14 2.2.1.3. As Matas de Terra Firme ......................................................................... 14 2.2.1.4. As Áreas de Transição ............................................................................. 14 2.2.1.5. As Florestas Secundárias ........................................................................ 15 2.3. Solo ......................................................................................................................... 15 2.4. Relevo..................................................................................................................... 163. A Bacia Hidrográfica do rio Amazonas................................................................. 174. A Flora............................................................................................................................ 20 4.1. Plantas Aquáticas da Amazônia ......................................................................... 21 4.1.1. Victoria amazônica............................................................................................ 22 4.2. Plantas Terrestres da Amazônia ........................................................................ 23 4.2.1. Hevea brasiliensis ............................................................................................. 23 4.3. Ameaças a Flora Amazônica .............................................................................. 24 4.3.1. Bertholletia excelsa........................................................................................... 24 4.3.2. Swietenia macrophylla ..................................................................................... 255. A Fauna.......................................................................................................................... 27 5.1. A diversidade dos invertebrados ........................................................................ 28 5.1.1. Titanusgiganteus ............................................................................................... 29 5.2. A diversidade dos ambientes aquáticos............................................................ 30 5.2.1. Arapaima gigas.................................................................................................. 30 5.2.2. Pristis pectinata ................................................................................................. 31 5.3. A diversidade de anfíbios e répteis .................................................................... 32
  • 7. 5.3.1. Eunectes murinus ............................................................................................. 33 5.3.2. Melanosuchus niger.......................................................................................... 34 5.3.3. Podocnemis expansa ....................................................................................... 34 5.4. A diversidade das Aves........................................................................................ 35 5.4.1. Harpia harpyja ................................................................................................... 36 5.5. A diversidade dos Mamíferos.............................................................................. 37 5.5.1. Trichechus inunguis .......................................................................................... 38 5.5.2. Panthera onca ................................................................................................... 39 5.5.3. Pteronura brasiliensis ................................................................................... 40 5.6. Animais Ameaçados de Extinção ....................................................................... 41 5.6.1. Anodorhynchus hyacinthinus .......................................................................... 42 5.6.2. Leopardus tigrinus ............................................................................................ 43 5.6.3. Ateles paniscus ................................................................................................. 436. Ameaças à Floresta .................................................................................................... 45 6.1. Desmatamento ...................................................................................................... 45 6.1.1. A extensão e o Índice de Desmatamento ..................................................... 45 6.1.2. Causas de Desmatamento .............................................................................. 47 6.2. Queimadas............................................................................................................. 47 6.3. Construção de Hidrelétricas ................................................................................ 48 6.4. O Comércio Ilegal de Animais Silvestres e a Biopirataria .............................. 49 6.5. A Pesca Predatória ............................................................................................... 50Conclusão............................................................................................................................. 52Bibliografia ........................................................................................................................... 53Apêndices ............................................................................................................................. 56 Apêndice A - Animais Ameaçados de Extinção na Amazônia .................................. 56 Apêndice B - Peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção ............... 58 Apêndice C - Plantas Ameaçadas de Extinção............................................................ 59
  • 8. 8IntroduçãoA Floresta Amazônica se situa na América do Sul, fazendo parte dos territórios dePeru, Colômbia, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela eBrasil. Sendo a maior floresta tropical do mundo e contendo a maior biodiversidadedo mundo, Sua formação precisou de vários processos geográficos e climáticos, quepossibilitaram a existência de seres vivos no local. Com uma grande variação declima e de vegetação, Possui a maior Bacia Hidrográfica do mundo, a bacia do RioAmazonas, que também é a maior reserva de água doce do mundo. Com uma gran-de biodiversidade em sua fauna e sua flora, sofre muito com as ameaças que o ho-mem causa à floresta, como o desmatamento excessivo, a caça ilegal aos animais,que causou em extinções precoces de animais e deixou vários animais quase exti n-tos.
  • 9. 91. O Nascimento da AmazôniaDo ponto de vista da história geológica da Terra, a formação da floresta Amazônicaé extremamente recente. As condições para que exista uma floresta tropical úmidasó surgiu a seis milhões de anos atrás. E não foram somente fatores climáticos e asrelações entre as espécies, mas também processos geológicos que mudaram a for-ma do ambiente e resultou no estabelecimento de uma grande biodiversidade.De acordo com as informações já obtidas sobre a Amazônia, mostram que nemsempre a floresta esteve ali. Há mais de vinte milhões de anos atrás, a Amazôniaera um uma área com o clima árido, portanto não tinha umidade suficiente para su-portar uma floresta tropical. Mas entre 24 e 12 milhões de anos atrás, o mar pene-trava e regredia na região, mudando as características da região com o tempo.Um dos fatores geológicos, provavelmente o mais importante para o surgimento dafloresta Amazônica foi a formação da Cordilheira dos Andes. As primeiras mudançasque permitiram a formação da floresta amazônica foram induzidas por eventos geo-lógicos como o soerguimento da cordilheira dos Andes, há 12 milhões de anos.Apenas os fatores regionais relacionados a mudanças climáticas não seriam sufici-entes para influenciar os processos de seleção, diferenciação e extinção de espé-cies.
  • 10. 102. Aspectos Físicos e GeográficosA Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, com aproximadamente7milhões de km². No Brasil se encontram 3,64 milhões de km² dessa floresta semcontar as zonas de transição; se somado às zonas de transição, seu total será de4,24 milhões de km², correspondendo assim a 49% de todo o território brasileiro.Porém, vale lembrar que o homem degradou 650 mil km² -- mais de 20% da áreatotal amazônica. 2.1. ClimaO clima da Amazônia não é uniforme, apresentando grandes variações. Em algumasregiões é típico de savana (cerrado), com uma estação seca longa e bem definida, ebaixa umidade relativa do ar, como na transição entre Amazônia e semiárido; emoutras é super-úmido e praticamente sem estação seca, como nas encostas dosAndes. Até as imagens de satélite são capazes de detectar mudanças na vegetaçãodas florestas, com menos folhas na época da seca.A floresta amazônica encontra-se em estado que os ecólogos denominam “clímax”.Nele, a energia é reciclada localmente, ou seja, a complexa cadeia alimentar envol-vendo vegetais e animais reaproveita tudo. Esse estado se caracteriza pela absor-ção de energia pelas cadeias alimentares no reino vegetal e animal, e nele, o cicloda água, vinda do mar pelos ares à terra coberta de floresta e voltando da florestapela superfície fluvial ao mar eterno (ver Figura 1).A grande quantidade de chuvas transforma a Amazônia na maior bacia hidrográficado planeta. Sua distribuição, porém, não é uniforme, nem em termos de áreas geo-gráficas, nem de períodos definidos de seca e cheia, não sendo difícil que num mêschova até o dobro do que no mesmo período do ano anterior.Na Amazônia estão os maiores índices médios de chuvas do continente americano:8 mil mm/ano ( uma coluna de 8 m de chuva por ano) nos sopés dos Andes, no Perue no equador. Ali se diz que há a estação de chuva e a de diluvio. No Brasil, os mai-ores índices estão no noroeste do Amazonas, na região conhecida como “Cabeçado Cachorro” (3600 mm/ano) e na costa do Amapá (3200 mm/ano).
  • 11. 11 Figura 1 - Diagrama da reciclagem da água na AmazôniaFonte: Meirelles, 2006,O livro de ouro da Amazônia: . Rio de Janeiro: Ediouro.Cerca de 20% das chuvas caem em forma de aguaceiros (tempestades). Uma únicachuva, de algumas horas, pode representar 200 mm. Um aguaceiro significa cercade 1 mm/minuto. O impacto decorrente de uma tempestade desse tipo é 40 vezessuperior ao de uma chuva forte em uma zona temperada. Isso demonstra o potencialpara a erosão do solo se ele estiver exposto diretamente às chuvas.A Amazônia é cortada pela linha do Equador que passa praticamente onde está o rioAmazonas, com isso a região acima do tropico apresenta as estações do ano opos-tas às da região abaixo deste, enquanto na Venezuela, Colômbia e Guianas e nosestados de Roraima, Amapá e na parte norte do Amazonas é ‘inverno’ (período chu-voso), em parte do Peru, Bolívia e nos estados brasileiros ao sul do Amazonas, é‘verão’ (período seco).Uma das principais características da Amazônia é a constância das temperaturas. Aumidade alta é um dos principais responsáveis por isso, pois, ao absorver os raiosinfravermelhos emitidos pela superfície, a umidade não permite grandes e drásticasvariações. A média anula está entre 26°C na estação chuvosa e 27,5°C na estaçãoseca, uma variação média anual inferior a 2°C. Ao longo do dia a diferença entre atemperatura mais alta e a mais baixa chega a 10°C. Em zonas secas como os de-sertos e regiões semiáridas, em função da baixa umidade, as diferenças entre as
  • 12. 12altas temperaturas durante o dia e as da noite podem chegar a mais de 30°C, muitasvezes superiores às da floresta tropical. 2.2. VegetaçãoDe maneira geral, nas florestas de terra firme, classificadas como ombrófilas, densasou abertas, as árvores são 50% mais altas do que nas florestas temperadas. Comoas variações entre o período seco e chuvoso são pequenas e a umidade mantém-serelativamente alta, a maioria das árvores não perde folhas. Em função dessas altasumidades as florestas densas dificilmente sofrem com as queimadas em seu estadonatural.As grandes árvores da Amazônia cujas copas estão no dossel da floresta (dossel: éo estrato superior das florestas, que ao que tudo indica guarda as maiores biodiver-sidades do planeta, contendo, segundo estimativas, até 65% das formas de vida dasflorestas tropicais, onde atinge de 30 a 60 m de altura). Numa grande árvore podem-se encontrar mais de cem espécies de samambaias, bromélias, cactos, aráceas eoutras formas de vida vegetal. Só de orquídeas já foram encontradas, numa únicaárvore do Sudeste Asiático, mais de 50 espécies.Para se proteger das tempestades com ventos muito fortes, que superam os100km/h, muitas árvores do dossel da floresta possuem sistemas de troncos que seabrem próximos ao solo (como se fossem as asas laterais) ou raízes tabulares paragarantir sua estabilidade (as sapopemas), é o caso da samaumeira (Ceiba penta-dra), da figueira branca (Ficusdoliarius).Os ventos são os maiores responsáveis são os maiores responsáveis pela quedadas grandes árvores. 2.2.1. Os tipos de vegetação da Amazônia no BrasilO IBGE identifica no bioma amazônico do Brasil 70 tipos de vegetação não alteradaspelo homem e 6 tipos alteradas pelo homem. Há 7 grandes tipos de vegetação: ascampinaranas, as florestas estacionais deciduais, florestas ombrófilas abertas, for-mações pioneiras com influencia fluvial ou marinha, florestas ombrófilas densas, re-fúgios montanos, savanas amazônicas (ver na Tabela 1). Essas formas de vegeta-
  • 13. 13ção apresentam- se de varias maneiras, dependendo do clima, da formação geoló-gica, do relevo, do solo, da hidrografia, e de outros fatores naturais. Tabela 1 - Tipos de Vegetação da Amazônia Tipos de vegetação % s/ Amazônia SinônimosCampinaranas 4,10Florestas Estacionais Deciduais ou 4,67 Mata SecaSemideciduaisFlorestas Ombrófilas abertas 25,48Formações pioneiras com influencia 1,7fluvial e/ou marinhaFlorestas Ombrófilas densas 53,63Refúgios Montanos 0,029 TepuiSavanas Amazônicas 6,07 CerradoOutras formas de vegetação 4,15Fonte: Meirelles, 2006,O livro de ouro da Amazônia: . Rio de Janeiro: Ediouro.A primeira conclusão é de que 83,78% da vegetação amazônica no Brasil é compos-ta por formações florestais. Outra visão importante é sobre as áreas inundadas. ‘’Aterra firme’’ cobre a maioria da Amazônia – 96%. Menos de 4% da região é inundadade forma permanente ou temporária. 2.2.1.1. As Matas de VárzeaAs várzeas da bacia amazônica representam mais de 180 mil km², área pouco me-nor do que a do Estado do Paraná ou o dobro da de Portugal. Elas resultam de de-zenas de milhares de anos de deposição de sedimentos que se acumularam nosfundos dos rios. Na Amazônia os ciclos são de chuva (inverno) e seca (verão). D u-rante as secas as várzeas são alagadas, e a água do rio carrega grande quantidadede matéria orgânica para as matas e os campos. A deposição é lenta e ocorre no
  • 14. 14momento em que a água para de invadir os espaços inundáveis, e seu nível começaa baixar. A várzea forma-se em áreas planas e pode ser dividida em altas e baixas. 2.2.1.2. As Matas de IgapóAs matas de igapó: nos rios de água escura como o Negro, o Urubu e o Uatumã (noAmazonas), as áreas de florestas inundadas são chamadas de igapós, sua vegeta-ção permanece verde, com folhas largas, e as árvores maiores atingem 20 m. Hágrande quantidade de cipós e epífitas, e diversas plantas apresentam raízes que asajudam a respirar. 2.2.1.3. As Matas de Terra FirmeAs matas de terra firme: as florestas que não estão sujeitas à inundação represen-tam no Brasil mais de quatro quintos da cobertura vegetal da região. A maior partedas árvores não perdem folhas na estação seca, algumas delas, no entanto o fazem,os estudos indicam que as espécies de árvores variam bastante de região pra regi-ão, poucas árvores são comuns a toda região amazônica. 2.2.1.4. As Áreas de TransiçãoNo Brasil, a Amazônia faz divisa com o bioma do cerrado, ao sul, e do semiáridobrasileiro (caatinga), a leste. O ecótono Cerrado-Amazônia representa 4,85% do pa-ís.No Brasil as áreas de transição são as que mais sofreram com a ação do homem. OIbama aponta que foi desmatado mais de 60% desse bioma, que praticamente coin-cide com o “arco do desmatamento da Amazônia brasileira”. A grande preocupaçãose relaciona ao fato de nesse ecótono estar a maior concentração de matas secasdo Brasil. A situação do ecótono Caatinga-Amazônia é também critica, pois tambémcoincide com parte do arco do desmatamento, embora, esteja menos devastado.Este representa cerca de 1,7% do país.Fora do Brasil, a Amazônia faz divisa ao norte, na Venezuela, com a zona dos Lla-nos (formação savanica similar ao cerrado). A sudoeste, na Bolívia, também há for-mações savanicas, os Llanos da Bolívia. A oeste está a cordilheira dos Andes e a
  • 15. 15região de transição para as florestas submontanas. É importante lembrar que essasáreas de transição são de grandes dimensões, e as mudanças de vegetação, emgeral, ocorrem de maneira lenta. 2.2.1.5. As Florestas SecundáriasDevido à existência de mais de 60 milhões de ha de áreas desmatadas apenas noBrasil, das quais pelo menos 20%, ou seja, 12 milhões de ha, seriam de áreasabandonadas em franca regeneração espontânea, as florestas secundárias mere-cem atenção especial. Há regiões, como a de Altamira, no rio Xingu (Pará), que, se-gundo o INPA, apresentam mais de metade da área desmatada já coberta por flo-restas secundárias. 2.3. SoloA idade avançada da geologia do solo é uma das razoes para sua baixa fertilidadegeral, mas só nos solos originários dos Andes apresentam maior fertilidade; seu uso,no entanto, restringe-se devido à declividade e às chuvas. A maior parte do solo éconsiderada quimicamente pobre; são solos “lavados”. A explicação está no tempoem que a água esta em exposição que dissolve a maior parte dos minerais, mas emcasos extremos, como em algumas áreas de terra firme próximas a Belém, há tantaareia no solo, que é difícil manter culturas como a do milho de pé, A maior parte dasterras dos solos de baixa fertilidade está localizada em um dos dois grandes escu-dos, o das Guianas ao norte, o Brasileiro ao sul.O cientista Herbert Shubart faz a pergunta: “Se a maior parte do solo da Amazônia éde fertilidade tão baixa, como pode suportar uma floresta tão exuberante?”. Explica-se que a resposta está na reciclagem dos nutrientes pelos seres vivos, ou seja, afloresta absorve e recicla todos os nutrientes liberados pelas folhas, galhos, troncose animais mortos. Fazendo assim com que a floresta acabe “crescendo do solo” enão “nascendo do solo” devido a utilização da absorção e reciclagem desses nutri-entes.As folhas, galhos e raízes têm capacidade de captar e armazenar nutrientes que es-tá toda no Na floresta tropical, a capacidade de captar e armazenar nutrientes está
  • 16. 16toda no complexo sistema de folhas e raízes, obrigando as folhas, os galhos e asraízes cobrirem a maior superfície possível, garantindo-lhes dimensões gigantescas.E por quê o solo da floresta tropical sofre muito mais com a retirada de grandes ár-vores do que o solo da floresta de zonas temperadas e subtropicais?. Isso ocorreporquê boa parte do potássio, magnésio e fosforo necessários às plantas em cres-cimento é recuperada das águas que caem sobre as folhas.Quando ocorre o desmatamento, o solo fica exposto às chuvas e às altas temperatu-ras. A chuva endurece o solo, diminuindo sua capacidade de absorver a água, ouseja, o solo esta tão “duro” fazendo com que ao invés de dissolver a água acaba porfazer com que ela se escorra aumentando sua erosão.Segundo o Centro Internacional de Agricultura Tropical, da Colômbia, há grande va-riação de tipos de solo, segundo pesquisas 81% têm pH abaixo de 5,3 (alta acidez),e alto teor de toxidez de alumínio, 90% apresentam pouco fosforo (dentro de menosde 7ppm), e 56% possuem baixas reservas de potássio. A Amazônia é o reino das“carências minerais”. Isso explica a forma tradicional de utilização de seu solo, de-senvolvida ao longo de mais de cinco mil anos, a cultura da floresta tropical. 2.4. RelevoAfirma-se que apenas de 3 a 5% do espaço amazônico é de planícies aluviais. Masisso não significa que as áreas sejam tolamente planas. Segundo que Aziz Ab’Saberpode se afirmar que 95% da Amazônia são de “terras baixas, ora semiplanas, orasemionduladas”. Formando assim um conjunto de colinas.Avalia-se que a Amazônia esteja dividida entre metade. Uma metade da Amazôniaesteja a menos de altitude e outra metade estaria entre 100 a 500 metros. Acima de500m há áreas representativas apenas na encosta andina, e menos de 2% da regiãoestá acima de 500 metros.Entre o Amazonas e a Venezuela, há o Pico da Neblina, no qual é o ponto culminan-te do Brasil, que fica na Serra do Imeri, com 2993,8 metros. E seu segundo pontomais alto é o Pico 31 de Março, que também faz parte do Parque Nacional do Picoda Neblina.
  • 17. 173. A Bacia Hidrográfica do rio AmazonasA Bacia Hidrográfica do rio Amazonas é a maior bacia hidrográfica do mundo com6,925 milhões de km², ocupando cerca de 1/3 da superfície da América do Sul emseis países (Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela) (Figura 2). Sãomais de mil rios e afluentes que juntos correspondem por 15% das águas doces su-perficiais em forma líquida da Terra, sendo assim, a maior reserva mundial. Sendoos rios Solimões (Amazonas), Negro, Tapajós, Madeira e Xingu, os maiores e maisimportantes rios dessa bacia . Figura 2 - Bacia Hidrográfica Amazônica Fonte: http://wapedia.mobi/pt/Ficheiro:Amazonriverbasin_basemap.pngHá na Bacia Amazônica três tipos de águas, que variam conforme o ambiente geo-lógico e a cobertura vegetal por onde passam. A idade geológica da calha do rio de-termina sua coloração. As de formação geológicas mais recentes, como os Andes,
  • 18. 18são “brancas” (barrentas); as que vêm de formações mais antigas podem ser “escu-ras” ou “verde-azuladas”.As águas claras (barrentas ou brancas) têm visibilidade que varia de 0,1m a 0,5m; opH é o próximo de neutro (6,5 a 7,0). Nascem nos sopés dos Andes e correm deoeste para leste em direção ao oceano Atlântico. Seu aspecto barrento vem daquantidade de matérias orgânicas erodidas e de nutrientes. Entre estes está o pró-prio Amazonas (que se chama Solimões até encontrar o Negro) e seus formadores(Marañon, Huallagao e o Ucaialy), em sua margem esquerda o Japurá, o Napo (noEquador), o Içá (Putumayo no Equador e Colômbia), e em sua margem direita o Ju-ruá, o Purus, o Madeira e o Acre. A pesca é farta, e boa parte da matéria orgânica édepositada anualmente nas várzeas do Solimões e do Amazonas e demais afluen-tes, tornando-as bastante férteis.As águas escuras (pretas) são as de maior visibilidade, com mais de 4m, ácidas,com pH de 4,0 a 7,0 e pobres em matéria orgânica. Esses rios muitas vezes pene-tram florestas inundáveis (Igapós), onde a matéria orgânica (folhas, galhos e frutos)se decompõe rapidamente ao cair na água, razão de sua coloração. Entre os princi-pais estão o Negro, o Urubu, o Uatumã e o Trombetas. Eles nascem no planalto dasGuianas e correm de norte a sul, a partir da fronteira do Brasil com Colômbia e Ve-nezuela. Esses rios nascem em zonas onde há pouca erosão e pouca matéria orgâ-nica a transportar pelos rios, mesmo nos períodos de chuvas. Suas margens sãoimprecisas, e é comum observar florestas inundadas. Para o homem esses rios têmpouca pesca. A temperatura média do Negro é de cerca de 30°C, em torno de 1°C amais do que a do Amazonas.As águas azul-esverdeadas, com visibilidade variável de 1,50m a 2,50m, são bas-tante ácidas, com baixo teor de sais e pH de 3,5 a 4,0, e apresentam pouca matériaorgânica em suspensão. Boa parte desses rios nasce no Planalto Central do Brasil ecorre de sul a norte: o alto Guaporé (fronteira do Brasil e Bolívia), o tapajós, o Curuá-Uma e o Xingu (todos no Pará). Suas cabeceiras são de terrenos com bem menoserosão do que aqueles dos Andes. Nos períodos de chuva aumenta a quantidade dematéria orgânica. As margens (barrancos) são altas e estáveis. São rios um poucomais piscosos do que os de águas pretas, porém muito inferiores aos de águasbrancas.O Amazonas é o mais longo, o maior em volume de água e o rio com maior fozmundo. Nasce nos Andes peruanos, nas geleiras de Yarupa, onde chove 2.600
  • 19. 19mm/ano. A nascente do riacho Huarco com cerca de 15 cm perto do Cerro Huagra, a5 mil metros de altitude, é uma descoberta recente, da década de 1950. Nas terrasaltas bolivianas e peruanas há uma grande quantidade de matéria orgânica erodida,dos depósitos dos períodos glaciais que caracterizam o rio Amazonas e seus forma-dores. Nessa zona os deslizamentos de terras são muito frequentes.O Amazonas troca sete vezes de nome em seu curso. De Huarco, transforma-se emrio Toto, depois Santiago, e Apurimac, e então rio Ene, rio Tambo, depois Ucayali,recebe o Urubamba e, quando entra no Brasil, recebe o nome de Solimões até aconfluência com o Negro. Como Amazonas, percorre 1.600 km do rio Negro à foz.No total, segundo recentes medições do INPA são 6.627 (por um critério) ou 6.992km se considerados certos contornos do rio, antes de encontrar o Oceano Atlântico(o IBGE ainda o considera com 6.570 km). Recentemente ficou comprovado que orio Amazonas supera o Nilo, sendo o mais longo rio do mundo.Sua profundidade média está entre 40 e 50 m. Em frente à Óbidos (Pará), apresentasua menor largura, cerca de 1.500 m e a maior profundidade, estimada em 100 m, ea sua velocidade aumenta para 7 km/h. O local é conhecido como o “cotovelo doAmazonas”.A bacia Amazônica representa 16% do que todos os rios do planeta despejam deágua nos oceanos (120 mil m³/s). O volume de água na foz do Amazonas varia entre100mil m³/s (100 milhões de l/s) no período de seca e 300 mil m³/s no período dascheias. As águas barrentas do Amazonas chegam a ser lançadas até 330 km noOceano Atlântico.A vazão do Amazonas é cinco vezes superior à do segundo rio com maior vazão doplaneta, o Zaire, 12 vezes a do Mississipi, o maior da América do Norte. Se conside-rarmos em média 120 mil m³/s, isso significa que o consumo diário de uma cidade dedois mil habitantes seria suprido por pouco mais de um segundo da vazão de águado rio. O que o rio Tâmisa, que banha Londres, lança de água em um ano no ocea-no, o Amazonas faz em 24 horas.
  • 20. 204. A FloraA flora amazônica ainda é praticamente desconhecida. Com um fantástico potencialde plantas utilizáveis para o paisagismo, é constituída principalmente de plantasherbáceas de rara beleza, pertencentes às famílias das Arácea, Heliconiaceæ, Ma-rantácea, Rubiácea, entre outras. Essa flora herbácea, além do aspecto ornamental,seja pela forma ou pelo colorido da inflorescência, desempenha vital função no equi-líbrio do ecossistema.Como exemplo, temos as helicônias, com uma grande variedade de espécies comcoloridas inflorescências. São de presença marcante nas nossas matas úmidas etem uma importante função no equilíbrio ecológico. No continente americano, as he-licônias são polinizadas exclusivamente pelos beija-flores que, por sua vez, são osmaiores controladores biológicos do mosquito palha Phletbotomus, transmissor daleishmânia, muito abundante na Amazônia desmatada.A alimentação dos beija-flores chega a ser de até 80% de néctar das helicônias naépoca da floração das espécies.Com poucas espécies herbáceas e a grande maioria com espécies de grande porte,as palmeiras têm uma exuberante presença nas matas ribeirinhas, alagadas e nasserras, formando um destaque especial na paisagem amazônica. Muitas palmeirasamazônicas, como tucumã, inajá, buritirana, pupunha, caioué e outras espécies declassificação desconhecida foram muito pouco ou nada utilizadas para o paisagismo.Quanto às árvores, o vastíssimo mar verde amazônico tem um número incalculávelde espécies. Algumas delas, endêmicas em determinadas regiões da floresta, foramou estão sendo indiscriminadamente destruídas, sem que suas propriedades sejamconhecidas. Dentre as árvores mais conhecidas utilizáveis para o paisagismo, estãoo visgueiro, os ingás, a sumaúma, muitas espécies de figueiras, os taxizeiros, amoela de mutum, a seringueira e o bálsamo.Crescendo sob as árvores amazônicas, encontram-se plantas epífitas, como: bromé-lias, orquídeas, imbés e cactos. Essas plantas são importantes para a fauna que vi-ve exclusivamente nos galhos e copas das árvores. Dentre os animais que se inte-gram na comunidade epífita, temos os macacos, os saguis, as jaguatiricas, os gatos-do-mato, lagartos, araras, papagaios, tucanos e muitos outros que se especializaramnesse habitat acima do solo. Com o corte das árvores, as epífitas desaparecem e,com elas, toda a fauna associada.
  • 21. 21Muitas dessas plantas epífitas de rara beleza foram muito bem retratadas pela pinto-ra Margaret Mee, durante as várias excursões que realizou na floresta amazônica.Outrora abundantes em determinadas regiões, hoje grande parte dessas plantas seencontra em populações reduzidas.Certamente a região amazônica tem um gigantesco potencial madeireiro, de plantasutilizáveis para o paisagismo e de espécies vegetais com substâncias para uso me-dicinal. Mas é necessário que tais recursos sejam mantidos de forma renovável. Afloresta amazônica ensina que o extrativismo indiscriminado apenas desertifica, poisela é mantida pela camada de húmus em um solo fresco, muitas vezes arenoso.Portanto, é imprescindível utilizar a floresta de uma forma racional. Explorando-a,mas renovando-a com as mesmas espécies nativas; e, principalmente, preservandoas regiões de santuários de flora e fauna, que muito valerão, tanto no equilíbrio eco-lógico, quanto no regime de chuvas e na utilização para o turismo. A amazônica,com seus 6,5 milhões de Km² é a maior floresta tropical do mundo. Abrangendo no-ve países, ocupa quase metade da América do Sul. A maior parte da floresta – 3,5milhões de Km² – encontra-se em território brasileiro.Essa área, somada à da Mata Atlântica, representa 1/3 do total ocupado por florestatropicais no planeta. Além da mata, existem na Amazônia áreas de cerrados e outrasformações diversas, perfazendo um total de 5,029 milhões de Km², conhecido comoAmazônia legal. Com relação ao relevo, encontrando ali três formações principais.Ao sul localiza-se o planalto Central; ao norte, o planalto das Guianas; e, ao centro,a planície sedimentar amazônica, todos com altitudes inferiores a 1500m. Na planí-cie amazônica destacam-se dois tipos de relevo: as várzeas, que por se estenderemao longo dos rios estão sempre inundadas, e as terras firmes, que cobrem a maiorparte da planície e constituem o domínio da grande floresta. 4.1. Plantas Aquáticas da AmazôniaAs várzeas amazônicas são os ambientes onde ocorre a maior riqueza de plantasherbáceas aquáticas da região, e uma das maiores do mundo. Os sedimentos férteistrazidos pelas enchentes dos grandes rios nutrem as áreas marginais, o que favore-ce o crescimento dessas plantas que exigem quantidades de minerais elevadas.Apesar disso, em comparação com outras comunidades vegetais da região amazô-
  • 22. 22nica, a vegetação herbácea das várzeas foi relegada a um segundo plano pela i n-vestigação científica, até o início da década de setenta. Os poucos estudos anteri o-res àquele período envolviam classificações de algumas espécies, narrativas oudescrições de outras, com maior destaque apenas para espécies mais evidentes,como os capins aquáticos, ou exóticas, como a fabulosa Victória amazônica. 4.1.1. Victoria amazonicaConhecida como "rainha dos lagos", a vitória-régia (Victoria amazonica) (Figura 3) énome atribuído à espécie natural mais famosa do Amazonas em homenagem à rai-nha Victoria, da Inglaterra. Sua folha pode medir até 1,80 metros de diâmetro. Suasbordas são levantadas e espinhosas para evitar a ação destruidora dos peixes. Suasraízes se fixam no fundo da água, formando um bulbo ou batata com um cordão fi-broso revestido de espinhos. Com o passar do tempo, a flor muda de cor, do brancopara o rosa, ficando aberta durante o dia e fechada durante a noite. Na seca, as vitó-rias-régias praticamente desaparecem, voltando nas cheias. Figura 3 - Vitória Régia Fonte: http://www.portalamazonia.com.br/secao/amazoniadeaz/interna. php?id=259
  • 23. 23 4.2. Plantas Terrestres da AmazôniaNa Amazônia, as matas são extremamente densas possibilitando que um macaco vápulando de galho em galho desde o sopé dos Andes até o Oceano Atlântico. Essagrande quantidade de plantas apresenta uma diversidade incrível, mesmo o soloamazônico sendo relativamente pobre em nutrientes. Porém, a grande quantidadede matéria orgânica depositada acima do solo, torna a floresta propícia ao cresci-mento de diversas espécies arvores. As principais espécies de árvores da floraamazônica são o mogno, a seringueira e a castanheira-do-Pará. 4.2.1. Hevea brasiliensisHevea brasiliensis, mais conhecida como a seringueira (Figura 4), é uma planta se-midecídua, heliófita ou esciófita, característica da floresta Amazônica nas margensde rios e lugares inundáveis da mata de terra firme. Ocorre preferencialmente emsolos argilosos e férteis da beira de rios e várzeas. Trata-se de uma planta rústica,perene, adaptável a grande parte do território nacional, sendo uma espécie arbóreade rápido crescimento. É uma árvore de hábito ereto, podendo atingir 30 m de alturatotal sob condições favoráveis, iniciando aos 4 anos a produção de sementes, e aos6-7 anos (quando propagada por enxertia) a produção de látex (borracha). Figura 4 – Seringueira Fonte: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id= 1446
  • 24. 24Da família das Euphorbiaceae, o gênero Hevea tem como área de ocorrência aAmazônia brasileira, bem como Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Suri-name e Guiana. Das onze espécies do gênero, a originária do Brasil, H. Brasiliensisé a que tem a maior capacidade produtiva com a maior variabilidade genética.A espécie constitui uma boa opção para áreas degradadas por oferecer uma exce-lente cobertura vegetal ao solo. Ainda de acordo com os autores, a cultura propiciaganhos ambientais por estocar carbono em quantidades equivalentes ao da florestanatural. Além disso, a borracha natural extraída da seringueira substitui a borrachasintética, um derivado do petróleo. 4.3. Ameaças a Flora AmazônicaAtualmente, a flora da Amazônia está sofrendo cada vez mais, com a ação do ho-mem, as queimadas e o extrativismo predatório são as principais causas.Com todas essas algumas espécies de plantas começam a se tornar raras na flores-ta um exemplo é o mogno que sofre com o extrativismo, por ser uma madeira de boaqualidade e usada na fabricação de moveis. 4.3.1. Bertholletia excelsaA Castanheira do Pará (Bertholletia excelsa) (Figura 5), uma árvore da família botâ-nica Lecythidaceae, com tronco de até 4 m de diâmetro e altura de 30-45 metros. Ofruto é esférico, de 11 a 14 cm de diâmetro, com peso variando entre 700 gramas e1500 gramas.A Castanha do Pará é uma fruta típica do norte do Brasil e um dos principais produ-tos de exportação da Amazônia. Possui alto valor proteico e calórico além de ser ricaem selênio, substância que reduz o risco de cânceres como o de pulmão e de prós-tata e combate os radicais livres, agindo contra o envelhecimento, fortalece o siste-ma imunológico, atua no equilíbrio da tireoide.Pode ser consumida in natura, torrada, na forma de farinhas, doces e sorvetes. Oóleo da castanha é usado na fabricação de produtos de beleza para o cabelo. A cas-tanha tem uma casca fina, marrom e brilhante. A polpa é branca, farinhenta e sabo-rosa.
  • 25. 25 Figura 5 - Castanheira-do-Pará Fonte: http://radionews.musicblog.com.br/37782/As-Castanheiras-Estao-em-Plena-Floracao/ 4.3.2. Swietenia macrophyllaO Mogno (Swietenia macrophylla) (Figura 6) é uma árvore perenifólia a decídua. Asárvores maiores atingem dimensões próximas de 70 m de altura e 3,50 m de DAP(diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta. Uma árvorederrubada, no sul do Pará, forneceu 25 m³ de madeira.O seu fruto é uma cápsula lenhosa e ovoide, medindo de 10 cm a 22 cm de compri-mento e 6 cm a 10 cm de largura. É ereta e seca, com deiscência septifraga e decoloração marrom, semelhante à de Cedrela, mas muito maior. É grossa, penta cap-sular e provida de crassíssima coluna central prismática, contendo aproximadamen-te 40 sementes. Válvulas capsulares (seções lenhosas) podem ser encontradas,com frequência, embaixo das árvores.Na Amazônia é encontrada em Florestas Ombrófilas Abertas (no Acre, no Pará e emRondônia), em Florestas Ombrófilas Densas, sempre em floresta de terra firme, on-de apresenta alguma regeneração natural com rápido crescimento no seu habitat.Geralmente, o mogno cresce isolado ou em pequenos agrupamentos. Só muito ra-ramente se observam mais de quatro a oito indivíduos por hectare.
  • 26. 26 Figura 6 - MognoFonte: http://www.achetudoeregiao.com.br/Arvores/Mogno.htm
  • 27. 275. A FaunaA principal explicação para grande variedade na Amazônia é a teoria do refúgio. Nosúltimos 100.000 anos, o planeta sofreu vários períodos de glaciação, em que as flo-restas enfrentaram fases de seca ferozes. Desta forma as matas expandiram-se edepois reduziram-se. Nos períodos de seca prolongados, cada núcleo de florestaficava isolada do outro.Os invertebrados constituem mais de 95% das espécies dos animais existentes edistribuem-se entre 20 a 30 filos. Na Amazônia, estes animais diversificaram-se deforma explosiva, sendo a copa de árvores das florestas tropicais e o centro da suamaior diversificação. A pesar de dominar a Floresta Amazônica em termos de núme-ros de espécies, números de indivíduos e biomassa animal e da sua importânciapara o bom funcionamento dos ecossistemas, por meio de sua atuação como polini-zadores, agentes de dispersão de sementes, "guarda-costas", de algumas plantas eagentes de controle biológico natural de pragas, e para o bem-estar humano, os in-vertebrados ainda não receberam prioridade na elaboração de projetos de conser-vação biológica e raramente são considerados como elementos importantes da bio-diversidade a ser preservada. Mais de 70% das espécies amazônicas ainda nãopossuem nomes científicos e, considerando o ritmo atual de trabalhos de levanta-mento e taxonomia, tal situação permanecerá.Então os grupos animais dessas áreas isoladas passaram por processos de diferen-ciação genética, muitas vezes se transformando em espécies ou subespécies dife-rentes das originais e das que ficaram em outros refúgios.A riqueza da biodiversidade de animais cresce a cada dia com as novas descober-tas, mas está ameaçada pela caça, pela degradação e devastação das florestas ede seus vários ecossistemas. Ainda há muitos animais e plantas ainda não catalo-gados. Na Amazônia só se conhece 30%das espécies do reino animal.Um total de 163 registros de espécies de anfíbios foi encontrado para a AmazôniaBrasileira. Esta cifra equivale a aproximadamente 4% das 4.000 espécies que sepressupõem existir no mundo e 27% das 600 estimadas para o Brasil. O númerototal de espécies de répteis no mundo é estimado em 6.000, sendo 465 espéciesidentificadas no Brasil. Das 550 espécies de répteis registrados na bacia Amazônica62% são endêmicos. Existem, na Amazônia, 14 espécies de tartarugas de água do-ce e duas espécies de tartarugas terrestres, sendo cinco endêmicas e uma ameaça-
  • 28. 28da. Há ainda, três espécies de tartarugas marinhas que aninham em ilhas e praiasao longo da costa de estados da Amazônia, mas que não são consideradas comoparte da fauna da região. Quanto aos lagartos, existem pelo menos 89 espécies naregião, distribuídas em nove famílias, das quais entre 26 e 29% ocorrem tambémocorrem fora desta região. A distribuição, a abundância das populações de serpen-tes são bem menos conhecidos do que dos outros grupos de répteis na Amazônia, eos estudos existentes não permitem tecer recomendações seguras para a conserva-ção.As aves constituem um dos grupos mais bem estudados entre os vertebrados, como número de espécies estimado em 9.700 no mundo, sendo que, deste total, 1.677estão representadas no Brasil. Na Amazônia, há cerca de 1.000 raras, considerandoas que ocorrem em apenas uma das três grandes divisões da região (do rio Negroao Atlântico; do rio Madeira ou rio Tapajós até o Maranhão; e o restante ocidental,incluindo rio Negro e rio Madeira ou do rio Tapajós às fronteiras ocidentais do País).O número total de espécies de mamíferos existentes no mundo é estimada em4.650, com 502 representantes no Brasil. Na Amazônia, são registradas anualmente311 espécies, sendo 22 de marsupiais, 11 edentados, 124 morcegos, 57 primatas,16 carnívoros, dois cetáceos, cinco ungulados, um sirênio, 72 roedores e um lago-morfo.Esses números, entretanto, devem ser considerados apenas como aproximados,pois certamente serão modificados na medida em que revisões taxonômicas foremrealizadas e novas áreas sejam amostradas. 5.1. A diversidade dos invertebradosEstima-se que haja mais invertebrados nas florestas tropicais do que em todo o res-tante da Terra. Como a Amazônia representa a maior parte das florestas remanes-centes, na região deve estar a maior quantidade de invertebrados no planeta. Osinvertebrados representam 95% das espécies animais.Na Amazônia, segundo o INPA, estão também os excessos: o maior besouro co-nhecido, com 20 cm; a maior mosca, com 5 cm; a maior libélula, com 15 cm; a maiormariposa, com 30 cm; a maior cigarra, com 9 cm; e a maior vespa, com 7 cm.
  • 29. 29 5.1.1. Titanus giganteusO Cerambicídeo-gigante (Titanus giganteus) (Figura 7) é o maior besouro do mundo.Já foi confundido com uma barata, mais é um besouro puro, sendo o único membrode seu próprio gênero (família Cerambycidae).Este besouro grande é o maior besouro conhecido na floresta amazônica e do mun-do, sendo encontrado na Guiana Francesa, Brasil norte e Columbia. O besouro éencontrado somente nas regiões quentes e úmidas ao redor dos trópicos, muito per-to do equador. As larvas destes besouros alimentam de madeira morta, abaixo dasuperfície do solo.O Cerambicídeo-gigante não alimenta em sua fase adulta, vivem à custa das reser-vas de gordura que adquiriu em sua fase larval, vivendo simplesmente por temposuficiente para encontrar um parceiro e se reproduzir. É provável que eles atingem amaturidade dentro de raízes e ramos subterrâneos, e devem levar muitos anos paraatingir um tamanho grande o suficiente para saírem dali. Figura 7 - Cerambicídeo-gigante Fonte: http://www.insectnet.com/dcforum/User_files/47a2cb763fb22d25.jpg
  • 30. 30 5.2. A diversidade dos ambientes aquáticosA diversidade biológica dos ambientes aquáticos, tanto marinhos como de rios e la-gos, é muito pouco conhecida. Os cientistas acreditam que os ambientes aquáticossão muito vulneráveis às ações humanas e estão muito pouco protegidas. Essa di-versidade apresenta desde invertebrados (com especial interesse para camarões,moluscos e insetos que alimentam os peixes), aos crustáceos e os animais no topoda cadeia alimentar como peixes e mamíferos aquáticos (botos e peixe-boi).Em relação aos peixes, estima-se que existam cerca de 1400 espécies na Amazônia(cerca de 5,6% do total mundial). Esse número é superior ao de espécies de todosos outros rios do planeta e do oceano Atlântico. Pode superar 2,5 mil espécies, umavez que descobertas ocorrem regularmente, até a partir da revisão cientifica de in-formações, que classificavam, por exemplo, como uma única espécie a piraíba (Bra-chyplatystoma ssp.) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum), peixes de courobastante comuns nos grandes rios. 5.2.1. Arapaima gigasO peixe pirarucu (Arapaima gigas) (Figura 8), originário da bacia hidrográfica Ama-zônica, tem certas características biológicas e ecológicas que o torna particularmen-te atrativo para as populações locais. É um peixe grande que pode chegar ao com-primento de até três metros e pesar mais de 250kg, e é conhecido como o "GiganteAmazônico". Entretanto, devido á pesca predatória, sua sobrevivência está ameaça-da e seu tamanho médio está diminuindo, apesar de ainda serem encontrados al-guns indivíduos com mais de dois metros e pesando mais que 125 kg.Este peixe tem uma cabeça chata óssea, seguido de um corpo alongado que é es-camosa. Sua cauda é curta e atacarrada. A cor deste peixe é começa com um verdena cabeça depois para um azul mais escuro e verde que se desvanece na barrigabranca. As barbatanas na ponta da cauda são uma cor avermelhada, mas na épocao acasalamento a fêmea torna-se marrom e a cabeça do macho fica preta.
  • 31. 31 Figura 8 - PirarucuFonte: http://www.akatu.org.br/Temas/Sustentabilidade/Posts/Pirarucu-convert e-se-em-bom-negocio- para-reserva-extrativistaO pirarucu é um peixe predatório que tem origens na era Jurássica e é a principalfonte de proteínas para a população local, os ribeirinhos, que vivem ao longo dasmargens do rio. Nas últimas duas décadas, o processo de urbanização aceleradomudou a região e começou a desestabilizar o balanço do ecossistema de lagos, econsequentemente a economia de subsistência tradicional dos ribeirinhos que nãoestão envolvidos em atividades pesqueiras comerciais. O processo também causouum decréscimo rápido nos estoques naturais de Pirarucu, tornando necessárias asrestrições à pesca. 5.2.2. Pristis pectinataO peixe-serra (Pristis pectinata) (Figura 9) tem o focinho em formato de serra com 24a 32 dentes de cada lado, esqueleto cartilaginoso como os tubarões e raias. A serrapossui poros que são sensíveis ao movimento e à eletricidade.Pode entrar em rios, e é já foi encontrado na confluência dos rios Negro e Amazo-nas, a cerca de 720 km da foz.Espécie costeira, mas pode cruzar águas profundas para alcançar ilhas. Ascendemrios e pode tolerar água doce. Visto geralmente em baías, lagoas, estuários, e bocasde rio. E podem chegar até 120m de profundidade.Os peixes-serra se alimentam de peixes, camarões, lulas e organismos bentônicos.Reproduzem-se através da fertilização, como ocorrem em todos os elasmobrân-quios. A maturidade é atingida com aproximadamente 10 anos de idade.
  • 32. 32 Figura 9 - Peixe-serra Fonte: http://www.pesca.tur.br/artigos/especies-maritimas-ameacadas/ 5.3. A diversidade de anfíbios e répteisEm relação aos anfíbios (sapos, rãs, salamandras etc.), o Brasil possui 518 espé-cies, a segunda maior diversidade do globo. A Amazônia abriga 163 espécies, nú-meros que deverá crescer significativamente com o avanço das pesquisas, poisapenas um número pequeno de grandes rios navegáveis foi pesquisado. O ende-mismo em anfíbios ainda é pequeno, envolvendo apenas 12 espécies (7% do total).Das 6400 espécies de répteis (cobras, tartarugas, jacarés) conhecidas no mundo, há550 na Amazônia continental, 62% das quais endêmicas. Há quatro espécies de ja-caré. Até há três décadas, sua caça era permitida no Brasil. Em outros países a ca-ça persiste. De qualquer maneira, a caça, ilegal ou não, prossegue, e estima-se quea Amazônia seja o principal fornecedor de peles de jacaré. A maior procura atual-mente, assim como no caso das tartarugas, é por sua carne, especialmente por ga-rimpeiros e ribeirinhos. Há 89 espécies de lagartos na região, cerca de 2/3 é endê-mica. Quanto às cobras, acredita-se que haja mais de 300 espécies. Numa únicaregião do Peru, em Iquitos, pesquisadores identificaram 166 espécies de cobras.
  • 33. 33 5.3.1. Eunectes murinusA sucuri-verde (Eunectes murinus) (Figura 10) alimenta-se de capivaras, peixes,aves, felinos, veados, bezerros e até jacarés também fazem parte de seu cardápio.Para capturar sua presa, a sucuri costuma ficar a espreita nas margens de rios, la-gos ou pântanos. Quando uma vítima se aproxima da margem, normalmente parabeber água, a sucuri ataca, geralmente na região do pescoço. Em seguida, envolveo corpo da vítima e a aperta, matando-a por constrição. A presa pode ainda morrerafogada, puxada para o fundo do rio, lago ou pântano.Vivípara, a sucuri gesta seus filhotes por aproximadamente 240 dias, sendo que,geralmente, têm de 20 a 30 filhotes por cria, que nascem no começo da estação daschuvas. Como as pequenas serpentes são vítimas de diversos predadores, poucassobrevivem e chegam à idade adulta. Seus predadores são onças-pintadas, jacarésmaiores do que ela e as piranhas (somente quando a sucuri apresenta ferimentos).Contudo, o maior predador das sucuris são os homens, seja por medo da serpente,seja por interesse comercial. A pele da sucuri é muito valorizada, inclusive no exteri-or. Figura 10 - Sucuri-Verde Fonte: http://www.webanimal.com.br/cao/index2.asp?menu=curiosidade_suc uri.htm
  • 34. 34 5.3.2. Melanosuchus nigerO jacaré-açu (Melanosuchus niger) (Figura 11) habita rios e lagos da bacia amazô-nica, pertence à família alligatoridae. É também conhecido como caiamão-preto, ja-caré-aruana ou jacaré-gigante. Figura 11 - Jacaré-açu Fonte: http://www.portalamazonia.com.br/secao/amazoniadeaz/interna. php?id=895Tem o corpo coberto de faixas amarelas, mas é de cor preta. Os olhos e narinassão grandes . Ele pode ficar submerso, podendo chegar ate seis metros de compri-mento e ate trezentos quilos de peso.A reprodução ocorre uma vez por ano, em media as fêmeas põem de 40 a 50 ovos,e pode viver oitenta anos a chegar aos cem. Quando nascem correm risco de se-rem devorados por jiboias ou outros jacarés adultos. Alimentam-se de caranguejos,peixes e pássaros. Para nadar na água fazem um movimento ondulatório com acauda.É um dos répteis mais cobiçados da Amazônia, pois sua carne é muito saborosa e oseu couro serve para confecção de bolsa e sapatos. Considerado o mais desenvol-vido dos répteis, vive nos rios igarapés e lagos da Amazônia. 5.3.3. Podocnemis expansaA tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) (Figura 12) na verdade é um cága-do, isto é, um quelônio aquático que encolhe seu pescoço lateralmente para dentroda carapaça. Os cágados são quelônios de uma subordem chamada pleurodira, que
  • 35. 35seguiram um caminho evolutivo diferente do seguido pela maioria das outras tarta-rugas, que encolhem o pescoço em “S” e para dentro.Habita rios e lagos da Amazônia, vivendo aproximadamente 50 anos. Alimentam-sede pequenos peixes e plantas aquáticas.É o maior quelônio da América do sul. Atinge facilmente 50 kg, mas algumas che-gam a até 75 kg e um casco de 90 cm de comprimento. Por isso, foram muito caça-das, e ainda o são por povos ribeirinhos da floresta, por sua carne e pelos seusovos. Hoje, busca-se equilibrar o quanto se pode caçar deste animal com a reposi-ção de indivíduos pela reprodução, e a apanha de ovos foi proibida. Figura 12 - Tartaruga-do-Amazonas Fonte: http://www.animalzoom.org/port/animais1.htm 5.4. A diversidade das AvesEstima-se que há cerca de mil espécies de aves na Amazônia, 11% do total mundial.Destas, 283 são consideradas raras ou com distribuição restrita. Uma das regiõesmais prioritárias é a dos “Tepui”, os refúgios montanos, nos cumes de Roraima. NoBrasil como um todo são conhecidas 1677 espécies de aves. Este é o terceiro maiorgrupo do planeta, que conta com 9050 aves no total. O caso da região de Belém éum dos mais críticos. Ali o Museu Goeldi e a Conservation Internation estão traba-lhando para identificar a biodiversidade local no denominado Centro de Endemismode Belém. Estima-se que 60% das matas já tenham desaparecido.
  • 36. 36 5.4.1. Harpia harpyjaO Gavião-real (Figura 13) é uma ave accipitriforme da família Accipitridae. É conhe-cido também como Gavião-de-penacho, Guiraçu (uirá, guirá = ave, açu = grande),Hárpia e Uiraçu. Figura 13 - Gavião-real Fonte: http://www.wikiaves.com.br/291108&t=s&s=10238Embora não seja a maior das aves predadoras do planeta, é tida como a mais forte.Possui bico potente e garras enormes.Tem um crescimento populacional muito lento. Este fato, associado à destruição degrandes áreas florestais e à caça indiscriminada, torna a espécie ameaçada de ex-tinção em nosso País.Mede cerca de 105 cm de comprimento e até 220 cm de envergadura. O machomede cerca 57 cm de altura e pesa 4,8 kg. A fêmea mede cerca de 90 cm de alturae pesa até 9 kg.Alimenta-se de animais grandes, como a preguiça-real, mutuns, coatás, macacos-prego e guaribas, filhotes de veados, araras-azuis, seriemas, tatus, cachorro-do-mato e cobras. É rápido e forte em suas investidas, sendo capaz de arrancar pregui-
  • 37. 37ças agarradas a galhos de árvores. Há relato da captura de um macho de guaribaque pesava em torno de 6,5 kg.Faz ninho no alto das árvores maiores, como sumaumeiras e castanheiras, de ondeobserva tudo ao redor. O ninho, tão grande quanto o de um jaburu, é construído compilhas de galhos. Põe 2 ovos cinza-esbranquiçados entre setembro e novembro, osquais pesam em torno de 110 g e têm período de incubação de 52 dias. Geralmenteapenas um filhote sobrevive, levando cerca de 5 meses para voar, e de 2 a 3 anospara se tornar adulto, dependendo dos cuidados dos pais por um ano ou mais. Aespécie não se reproduz todos os anos, pois necessita de mais de um ano paracompletar o período reprodutivo.Espécie rara, habita florestas primárias densas e florestas de galeria. Vive solitárioou aos pares na copa das árvores. Apesar do seu tamanho, é bastante ágil e difícilde ser visto.Presente no Brasil em regiões florestais remotas, sobretudo na Amazônia, ou emáreas protegidas, como as reservas de Mata Atlântica, eles migram em algumasépocas do ano para o estado de São Paulo. Encontrado também do México à Argen-tina. 5.5. A diversidade dos MamíferosSão 311 espécies de mamíferos 9 mastofauna na Amazônia, cerca de 7% do totalmundial. Os estudos ainda são insuficientes e este número deverá aumentar comoprova a descoberta de novas espécies, inclusive primatas (macacos) nos últimosanos. Das 311 espécies há 22 de marsupiais (que não têm placenta, como gambás,cuícas), 11 de edentados (sem dente, como os tamanduás), 124 de morcegos, 57 deprimatas (macacos), 16 de carnívoros (onça, irara), duas de cetáceos (golfinhos),cinco de ungulados ( com casco, como os veados), uma de sirênio (“relativo às se-reias” – o peixe-boi), 72 de roedores (ratos, cotias, pacas, capivaras) e uma de la-gomorfo (lebre).
  • 38. 38 5.5.1. Trichechus inunguisPeixe-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis) (Figura 14) é o maior mamífero aquá-tico dulcícola da América do Sul. Corpo largo e cilíndrico, cauda modificada em for-ma de remo, arredondada, plana e horizontal. Pele lisa e de coloração cinza. Lábiosgrossos e com pelos, olhos pequenos, sem orelhas externas, membros anteriorescurtos modificados em nadadeiras, redondos, sem unhas nas pontas (as nadadeirasajudam o animal a escavar a vegetação aquática enraizada no fundo). Figura 14 - Peixe-boi-da-Amazônia Fonte: http://www.fapeam.am.gov. br/noticia.php?not=3267O Peixe-boi-da Amazônia é uma espécie endêmica da bacia Amazônica: Brasil, Co-lômbia, Equador, Peru e Venezuela.Alimenta-se de vegetais que crescem nas margens de rios, igarapés e lagoas, comogramíneas, algas e macrófitas. O principal período de alimentação de peixe-boi ocor-re na estação chuvosa, quando a obtenção de alimentos é facilitada, permitindo àespécie acumular gordura. O forrageamento é feito em áreas sazonalmente inundá-veis. Segundo Best, Trichechus inunguis pode mover-se cerca de 2,7 km/dia nasáreas de alimentação. Com isso controlam o crescimento das plantas aquáticas efertilizam com suas fezes as águas que frequentam, contribuindo para a produtivida-de pesqueira. Pode comer até 16 kg de plantas por dia e consegue armazenar até50 litros de gordura como fonte energética para a época da seca. Nessa época poderealizar pequenas migrações em busca dos canais principais da bacia Amazônica e
  • 39. 39aí permanecer por semanas sem se alimentar, consumindo as reservas energéticasacumuladas.Podem viver solitários, aos pares (normalmente fêmeas com filhotes) ou grupos deaté oito indivíduos (encontrados nas áreas de alimentação). Vivem cerca de 50anos.Com predadores em potencial são citados a onça (Panthera onca), que pode pene-trar em água pouco profundas e, em casos muito raros, grandes répteis, como o ja-caré-açu (Melanosuchus niger) e a anaconda (Eunectes murina). 5.5.2. Panthera oncaA onça-pintada (Panthera onca) (Figura 15), também conhecida como jaguar ou ja-guaretê é um grandefelino, do gênero Panthera, e é a única espécie Panthera en-contrado nas Américas. É o terceiro maior felino do mundo após o tigre e o leão, e omaior do Hemisfério Ocidental.Mamífero da ordem dos carnívoros, membro da família dos felídeos, é encontradanas regiões quentes e temperadas do continente americano.A onça pintada está fortemente associada com a presença de água e é notável, jun-tamente com o tigre, como um felino que gosta de nadar. Anda em grande parte soli-tária, mas é oportunista na seleção de presas. É também um importante predador,desempenhando um papel na estabilização dos ecossistemas e na regulação daspopulações de espécies de presas.Sobre a alimentação a onça-pintada é uma excelente caçadora. As patas curtas nãolhe permitem longas corridas, porém lhe proporcionam grande força, fundamentalpara dominar animais possantes como antas, capivaras, queixadas, tamanduás, ja-carés etc. Ocasionalmente esses felinos atacam e devoram grandes serpentes (ji-boias e sucuris), em situações extremas.Quanto a sua reprodução, as onças-pintadas são solitárias e só buscam a compa-nhia de um par durante a época de acasalamento. A gestação dura em média 100dias e até quatro filhotes podem ser gerados. Na época reprodutiva, as onças per-dem um pouco os seus hábitos individualistas e o casal demonstra certo apego,chegando inclusive a haver cooperação na caça. Normalmente, o macho separa-seda fêmea antes dos filhotes nascerem.
  • 40. 40A onça-pintada se espalhava, inicialmente, desde o sul dos Estados Unidos até onorte da Argentina, porém, seu território de ocupação diminuiu sensivelmente. Cos-tuma ser encontrada em reservas florestais e matas cerradas do Brasil, bem comoem outros locais ermos onde vivam mamíferos de pequeno porte de que se alimen-ta. Seu habitat preferencial são zonas florestais, mas a espécie também vive emplanícies pantanosas, savanas e até desertos. Figura 15 - Onça-pintada Fonte: http://interessante-curiosidades-animais.blogspot.com/2011/05/onca-pintada.html 5.5.3. Pteronura brasiliensisA Ariranha (Pteronura brasiliensis) (Figura 16) é ótimo nadador, mergulha bem, ali-menta-se principalmente de peixes e moluscos. Podendo ter de 23 kg a 34 Kg e comos machos podendo alcançar até 1,8 m de comprimento. Vive em bandos de até 20elementos à beira de rios e lagos, onde faz tocas para abrigar-se ou para procriação,sob as raízes das árvores ribeirinhas, no final, apresenta um compartimento maisalongado. São brincalhões e barulhentos. Semelhante à lontra, porém, mais escurae com uma distinta mancha branco-amarelada no queixo, garganta e peito de formavariável, com a ponta do focinho coberta de pelos. A cor geral, nas partes superio-res, é marrom-pardacenta e, inferiormente, mais clara. Quando molhada, a cor émais escura. Cauda musculosa é achatada dorso-centralmente do meio até a ponta
  • 41. 41e auxilia o deslocamento dentro d`água. O alimento principal é constituído de peixesque capturam no mergulho, saindo d`água para comer. Os pés são grandes e apre-sentam membrana interdigital. Os locais que apresentam melhores condições parasua sobrevivência são os parques florestais e reservas biológicas. Não há dadosprecisos sobre a reprodução da lontra. Mas sabe-se que sua gestação dura cerca de60 dias e que o número de filhotes varia entre um e cinco. A fêmea cuida da ninhadadurante um extenso período, elevando presas semi-abatidas para os filhotes. Aocompletar um ano, os filhotes começam a se dispersar. Figura 16 - Ariranha Fonte: http://www.conhecaopantanal.com.br/index.php?modulo=RkFV TkFfRkxPUkE=&id=Mjk= 5.6. Animais Ameaçados de ExtinçãoA extinção é um processo natural. Estima-se que um milhão de anos seja o períodode vida natural de uma espécie. Naturalmente estima-se que, em equilíbrio dinâmi-co, o planeta perca, de uma maneira genérica. No caso de espécies de aves, se-gundo Stuart Pimm e Clinton Jenkins, a perda natural seria de uma espécie a cadaséculo. No entanto, no estagio atual de degradação do planeta, verifica-se a perdade uma espécie a cada ano.
  • 42. 42Há diversas causas para a extinção – a introdução de espécies exóticas (cães e ra-tos em ilhas, o camarão-da-malasia no litoral brasileiro), a caça e pesca excessivas,a destruição do habitat natural pela pecuária, agricultura e urbanização, e, recente-mente, o aquecimento global e suas consequências.Nenhuma causa, no entanto, compara-se à recente intervenção humana nas flores-tas tropicais. Estimativas alarmistas preveem que ela venha a representar a perdade uma espécie superior por dia. Caso seja mantido o ritmo de exploração, a exti n-ção poderá ser de uma espécie por hora. Ao final de 50 anos, teremos perdido 10%das espécies florescentes da Terra, sem que jamais saibamos, de muitas delas, afunção no ecossistema e a eventual utilidade para o homem. Essa é uma perda si-lenciosa. 5.6.1. Anodorhynchus hyacinthinusA arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthius) (Figura 17), na natureza, pode serobservada voando ou com mais facilidade andando pelo chão. Após a formação docasal, passam a maior parte do tempo juntos dividindo todas as tarefas. Em julhocomeçam a inspecionar e reformar as cavidades, para o período de reprodução queestá começando. O pico de reprodução pode variar, mas em geral acontece de se-tembro a outubro, sendo que a criação dos filhotes pode se estender até janeiro oufevereiro do ano seguinte. Nesta época é comum ver a disputa por ninhos entre asararas-azuis e também com outras espécies. Figura 17 - Arara-Azul-Grande Fonte: http://animais.culturamix.com/informacoes/aves/a-arara-azul-pequena
  • 43. 43Costuma habitar florestas em regiões tropicais do planeta. Aqui no Brasil, podemosencontrar espécies de araras no Pantanal, na Floresta Amazônica e na região daMata Atlântica.Quando livremente, alimenta-se de sementes, insetos, frutas e alguns invertebradosde menor porte. 5.6.2. Leopardus tigrinusO gato-do-mato ou gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus) (Figura 18) é um fe-lino originário da América Central e América do Sul. É também conhecido tambémpelos nomes de gato-do-mato-pintado, gato-selvagem e gato-tigre. Alimenta-sede ratos, pássaros e insetos, e mede cerca de 50 centímetros.A idade de procriação mínima para fêmeas é 18 meses, com o máximo de idade aoredor 13 anos. Machos amadurecem há aproximadamente 15 meses, com um má-ximo de idade de 15 anos. Figura 18 - Gato-do-Mato Fonte: http://www.arkive.org/oncilla/leopardus-tigrinus/ 5.6.3. Ateles paniscusMacaco-aranha-preto (Ateles paniscus) (Figura 19) é um mamífero primata da famí-lia Atelidae, a espécie mais conhecida do gênero de Ateles. O macaco-aranha é o
  • 44. 44mais rápido e o mais acrobático dos mamíferos da floresta. Com rapidez quase im-perceptível aos olhos, o macaco escapa de seus predadores.O macaco aranha alimenta-se dos frutos das árvores tropicais, também comem inse-tos, ovos e até mesmo folhas.Quanto à reprodução a gestação é de 232 dias mais ou menos, nascendo apenasum filhote por gestação. A mãe cuida do filhote que fica agarrado na sua barrigaquando é muito novinho, até uns 4 meses e depois passa a ficar nas costas dela.Esses macacos só têm filhotes a cada 1 ou 2 anos.São bichos diurnos, dormem a noite, gostam de viver no alto das árvores, afinal, sãoágeis e pulam de galho em galho com muita facilidade. Raramente vão até o chão.Lá no alto estão mais protegidos e é lá que encontram os seus alimentos preferidos.Típicos da região de floresta amazônica, entre os rios Tocantins e Tapajós, Guianase em alguns lugares do México e também no Brasil e Ucrânia. Figura 19 - Macaco-aranha-preto Fonte: http://www.cenp.org.br/guia_ver.php?idConteudo= 6
  • 45. 456. Ameaças à FlorestaAs ameaças à Amazônia são muitas. Essas ameaças são caracterizadas pela explo-ração de recursos e uso das terras de forma irresponsável. As principais ameaças aFloresta Amazônica são o desmatamento ilegal, as queimadas criminosas, a cons-trução de grandes empreendimentos no meio da floresta e a caça indiscriminada deanimais silvestres. 6.1. DesmatamentoA ocupação intensa da Amazônia começou no início da década de 1970. Emboraáreas extensas ainda permaneçam intactas, a taxa de perda da floresta é dramática,em especial no “arco do desmatamento”, ao longo das bordas sul e leste. A perda dabiodiversidade e os impactos climáticos são as maiores preocupações. A vastidãodas florestas remanescentes significa que os impactos potenciais do desmatamentode forma continuada são muito mais importantes que os já severos impactos queocorreram até hoje. O combate ao desmatamento no Brasil é uma prioridade para ogoverno e para as organizações internacionais. O monitoramento e a repressão são,atualmente, as estratégias principais. Uma fiscalização efetiva e a arrecadação demultas daqueles que não possuem autorização do IBAMA, contudo, devem seracompanhadas pela compreensão necessária dos aspectos sociais, econômicos epolíticos para se tratar o problema por meio de mudanças na política. 6.1.1. A extensão e o Índice de DesmatamentoEm 2003, a área de floresta desmatada na Amazônia brasileira alcançou 648,5 x 10³km² (16,2% dos 4 x 106 km² da floresta original da Amazônia Legal, que é de 5 x 10 6km²), incluindo, aproximadamente, 100 x 10³ km² de desmatamento “antigo” (pré-1970) no Pará e no Maranhão (Figura 20; INPE, 2004). O índice atual e a extensãocumulativa do desmatamento abrangem áreas enormes. A extensão original da flo-resta amazônica brasileira era, aproximadamente, equivalente à área da EuropaOriental. O índice é frequentemente discutido no Brasil em termos de “Bélgicas” jáque a perda anual equivale à área desse país (30,5 x 10³ km²), enquanto que a so-ma cumulativa é comparada à França (547,0 x 10³ km²). A presença europeia, por
  • 46. 46quase cinco séculos, antes de 1970, desmatou uma área ligeiramente maior quePortugal. As explicações oficiais, assim como os motivos pelos quais os índices dodesmatamento flutuam (decretos influenciando os incentivos e programas para fisca-lização e arrecadação de multas), no entanto, são provavelmente incorretas, comoexplico aqui. Além disso, uma variedade de questões técnicas sobre as próprias es-tatísticas permanece em aberto (Fearnside & Barbosa, 2004). Figura 20 - Desmatamento da Amazônia BrasileiraPara o desmatamento acumulado, a parte preta de cada barra representa o desmatamento anterior à1970. Dados do INPE (2004), exceto o ano de 1978 (Fearnside, 1993b).
  • 47. 47 6.1.2. Causas de DesmatamentoNa Amazônia brasileira, o peso relativo dos pequenos fazendeiros versus grandeslatifundiários altera-se continuamente devido às pressões econômicas e demográfi-cas. Os grandes latifundiários são mais sensíveis às mudanças econômicas, taiscomo as taxas de juros e outros investimentos, subsídios governamentais para ocrédito agrícola, índice de inflação e preço da terra. Os incentivos fiscais foram umforte condutor do desmatamento nas décadas de 1970 e 1980 (Mahar, 1979). Embo-ra um decreto em 1991 tenha suspendido novos incentivos, os antigos continuam,ao contrário da impressão sustentada por afirmações de autoridades do governo deque tudo acabou. Outros incentivos, como o crédito subsidiado pelo governo comtaxas bem abaixo da inflação, tornaram-se muito mais escassos depois de 1984.Antes do Plano Real, em 1994, a hiperinflação dominou a economia do Brasil duran-te décadas. A terra era muito valorizada e os preços atingiam níveis mais altos doque poderiam ser justificados como um insumo para a produção agropecuária. a reti-rada das florestas possibilitava reivindicações pela terra e o desmatamento para aformação de pastagens era o mais barato e mais efetivo nesse sentido, embora sejaquestionável até onde essa atividade era usada como especulação de terra . A es-peculação de terra foi importante até por volta de 1987, quando houve um aumentosubsequente do lucro da pastagem a partir da produção de carne bovina (Mattos &Uhl, 1994; Margulis, 2003). A recessão econômica brasileira é a melhor explicaçãopara a queda nos índices do desmatamento de 1987 até 1991. Os fazendeiros nãotinham capacidade de expandir suas áreas desmatadas tão rapidamente e o gover-no não tinha recursos para a construção de rodovias e para projetos de assentamen-to. O impacto das medidas de repressão (p. ex., patrulhamento com helicópteros,confisco de motosserras, multas) foi, provavelmente, menor. A mudança política so-bre os incentivos fiscais também foi ineficaz. O decreto suspendendo os incentivos(nº 153) começou a vigorar em 25 de junho de 1991 – subsequente à maior quedaobservada no desmatamento. 6.2. QueimadasO número de queimadas na Amazônia apresenta uma tendência constante de cres-cimento ao longo dos anos, nitidamente a partir de 1996, mas com variações intera-
  • 48. 48nuais determinadas pelas condições climáticas. O ano de 1994 foi marcado por umaredução significativa das queimadas devido a uma combinação de situação econô-mica e condições climáticas desfavoráveis. Já o ano de 1997, até o início de 1998,foi marcado por um grande aumento das queimadas que culminaram com um episó-dio inédito e de grande repercussão com os incêndios no Estado de Roraima Quan-do os pequenos agricultores desmatam a floresta amazônica, no primeiro ano sóconseguem queimar uma pequena parte da fitomassa florestal: folhas, pontas degalhos, ramagens etc. No segundo ano, esse material lenhoso está mais seco equeima um pouco mais. Pesquisas da Embrapa Monitoramento por Satélite com 450propriedades rurais na região indicam que são necessários cerca de oito anos paraque o agricultor consiga queimar todos os resíduos lenhosos. Isso significa que umaárea desmatada queima repetidas vezes durante oito anos. Nesse sentido, o cons-tante desmatamento da Amazônia vai gerando um acúmulo de novas queimadas.Elas somam-se às queimadas das áreas ocupadas antigas onde são usadas regu-larmente como técnica agrícola para limpar pastos, eliminar restolhos de culturas,combater pragas e doenças, renovar áreas, obter brotação precoce em pastagensetc. 6.3. Construção de HidrelétricasA construção de 76 usinas hidrelétricas ameaça a Amazônia. Uma prova é o quehouve em Tucuruí. Setenta e seis novas usinas hidrelétricas das Centrais Elétricasdo Norte do Brasil S.A. (Eletronorte) vão inundar na Amazônia perto de 80 mil quilô-metros quadrados de florestas, área equivalente ao estado de Santa Catarina. Nin-guém pode saber ainda o que essa água vai sepultar em termos de ecossistema,vegetação ou fauna, nem o que isso vai significar para a natureza brasileira. A expe-riência de outras hidrelétricas já construídas na região – Tucuruí e Balbina – de-monstraram a incapacidade da Eletronorte em tratar das questões do meio ambien-te. A barragem de Tucuruí foi fechada para a formação do lago antes da retirada deuma floresta e com isso o país perdeu milhões de dólares em madeiras nobres alémde terem sido arrasados 6500 quilômetros quadrados de riquezas naturais e um lagoe um rio terem ficado seriamente poluídos pela floresta apodrecida. Desastres comoesse obrigaram os bancos internacionais a suspender os financiamentos do setorenergético devido a pressão de entidades ambientalistas mundiais. Mesmo depois
  • 49. 49das negociações com os bancos norte-americanos e depois do pacote ecológico dogoverno federal, o setor energético continua com os empréstimos suspensos atéSegunda ordem, enquanto outros projetos na Amazônia voltaram a ser discutidos.Sinal de que a credibilidade do setor ainda está balada. E não sem razão: nos pla-nos das centrais elétricas, o enfoque dado ao meio ambiente é basicamente o mes-mo dos últimos anos enquanto existem hidrelétricas ainda maiores do que Tucuruíprojetadas para regiões ecologicamente mais ricas e diversificadas. Ou seja, onde oimpacto contra o meio ambiente poderá ser maior do que o ocorrido em Tucuruí. 6.4. O Comércio Ilegal de Animais Silvestres e a BiopiratariaNo Brasil, o comércio de animais silvestres foi proibido a partir da Lei de Fauna, de1967. Até então, a captura e comércio de animais era comum em muitas regiões deAmazônia. Registros do século XIX relatam a intensa coleta de ovos de tartaruga.Dos ovos extraía-se o óleo, que era utilizado para iluminação das cidades da região.Estes animais, hoje raros e só recentemente retirados da lista de espécies em exti n-ção, eram “tão abundantes na água quanto os mosquitos no ar”.No início do século XX, a captura de peixes-boi (Trichechus inunguis) passou a serprática corriqueira. Sua carne era comercializada principalmente na forma de ‘mixira’(frita e conservada na gordura do próprio animal) e o couro, extremamente resisten-te, se prestava à manufatura de correias para motores dos mais diversos tipos.Nas décadas de 1950 e 1960, o comércio mais intenso era o de peles e as espéciesmais visadas eram os felinos (gatos-do-mato, jaguatiricas e onças) e mustelídeos(principalmente lontras e ariranhas). Estas peles recebiam o nome genérico de ‘fan-tasia’. A partir da Lei de Fauna, o comércio deste tipo de peles diminuiu, mas acabouabrindo brecha para o comércio de couro e carne de jacarés (cujo produto era con-siderado ‘pesca’ e não ‘caça’).Os psitacídeos (araras, papagaios e periquitos) sempre estiveram entre os principaisanimais capturados ilegalmente para serem comercializados para criação doméstica.Mais recentemente, há uma ‘moda’ mundial de criação de répteis em casa, e algu-mas cobras e lagartos amazônicos estão entre as espécies exportadas para estafinalidade.
  • 50. 50Porém, o tipo de comércio de animais que mais preocupa é o dos organismos quepossuem substâncias químicas que podem ou poderão ser usadas para a produçãode medicamentos, aromáticos, inseticidas e cosméticos. O desenvolvimento dastecnologias para extração de químicos, sua sintetização em laboratório, a manipula-ção genética e a possibilidade de registro de patentes sobre estes recursos, estágerando uma guerra. É esta guerra que está por trás da chamada ‘biopirataria’.Conforme a Convenção da Biodiversidade, cada país deve ter direito aos seus re-cursos genéticos, mas, na prática, a tecnologia tem ajudado os países mais desen-volvidos a obterem patentes de recursos que não são originários de seus territórios.As patentes vão desde os nomes, como “cupuaçu” e “açaí”, passam pelo registro deprocessamentos tradicionais, como a produção de “cupulate” (chocolate feito comsementes do cupuaçu), e podem chegar até as formulações químicas, como o prin-cípio ativo Captopril, que controla a pressão arterial, originário do veneno da jararaca(Bothrops jararaca). Hoje em dia, os royalties dos medicamentos que usam esseprincípio ativo não pertencem ao Brasil, mas ao laboratório norte-americano que fi-nanciou a pesquisa.Na recente disputa pelo cupuaçu, após intensa manifestação da sociedade e questi-onamento internacional, o direito ao uso deste nome e as técnicas de produção do“cupulate” foram “devolvidos” ao Brasil. No entanto, embora o país detenha essesdireitos em seu território, uma empresa japonesa mantém os direitos sobre seu usonos Estados Unidos e Europa.A problemática da biopirataria, no entanto, não envolve apenas disputas internaci o-nais. Mesmo dentro do território nacional há uma preocupação sobre como assegu-rar às comunidades indígenas e tradicionais o direito sobre o uso e benefícios gera-dos por produtos naturais que estão em seus territórios, e cujo valor para a ciência édescoberto a partir dos seus conhecimentos algumas vezes seculares. 6.5. A Pesca PredatóriaNa pesca, as espécies mais visadas hoje em dia são os grandes bagres: a piramu-taba (Brachyplatystoma vaillanti), a dourada (B. flavicans), o surubim (Pseudoplatys-toma fasciatum) e a piraíba, também chamada de “filhote” (B. filamentosum). A ex-ploração deste recurso se dá principalmente no estuário, onde a atividade é mais
  • 51. 51forte na seca, mas ocorre durante todo o ano. Nas demais regiões da Amazônia,onde acontece em menor intensidade, a atividade se concentra no período de águasbaixas.A pesca desses animais se dá em escala industrial, cuja produção é voltada princi-palmente para a exportação. Estes grandes animais são muito apreciados, pois de-les se pode tirar filés de excelente sabor e sem espinhas. Estudos têm apontadouma diminuição na captura destas espécies (de 28 mil toneladas em 1977 para 10mil toneladas em 1998), cuja causa mais provável é a diminuição dos estoques de-vido à super exploração. Assim, é necessário estabelecer medidas de controle paraque tal atividade econômica mantenha-se em níveis sustentáveis.Os especialistas acreditam que o principal problema para a sustentabilidade da pes-ca da piramutaba, que é a mais valiosa e conhecida destas espécies, é o fato de osanimais pescados no estuário serem em sua maioria jovens. O ciclo de vida da es-pécie inclui migrações de cerca de 3.500 km, principalmente na calha do Soli-mões/Amazonas. Os adultos sobem o rio e desovam, no Brasil, na área entre Taba-tinga e o rio Purus. Os jovens voltam para o estuário para crescer – e é quando sãointensamente capturados. Estima-se que 80% da captura são de animais muito pe-quenos, que são devolvidos ao rio, mas geralmente não resistem e morrem. A inter-rupção do ciclo de vida dessa parcela significativa da população tem afetado os es-toques pesqueiros da espécie.O pirarucu, maior peixe de escama da região, foi por muito tempo pescado de formaartesanal. Com a introdução das redes, animais cada vez menores começaram a sercapturados. A captura do tambaqui também sofreu um importante declínio, atribuídoà pesca. Um estudo no médio Solimões mostrou que a pesca destas espécies se dános lagos, onde residem os jovens, ou em áreas de queda de árvores no canal dorio, chamadas ‘pauzadas’. Acredita-se que este seja o local de desova destes ani-mais e que esta captura ocorreria na época da sua reprodução. Como o período dodefeso era único para toda a bacia e a reprodução varia de um lugar para o outro, oestudo propôs que o período de defeso fosse regionalizado para efetivamente prote-ger as espécies nesta fase.
  • 52. 52ConclusãoA Amazônia é um grande fator para sobrevivência de diversas espécies, inclusive oser humano, mas com essa grave depredação prejudica grande parte de sua biodi-versidade, pois, muitas espécies já foram extintas e muitas outras estão ameaçadasde extinção, abalando cada vez mais os ecossistemas. Se a situação não mudar,consequentemente, não só haverá grandes mudanças climáticas, como também,graves desastres ecológicos, ocorrendo o aumento do nível dos mares, inundaçõesconstantes, escassez de água potável em determinadas regiões e etc.
  • 53. 53BibliografiaA planta detelhada. (22 de Setembro de 2008). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Seringueira.com: http://www.seringueira.com/br/a-planta- detalhada/Wild Fact #805 – The Bigger they are, The Harder they Fall – Titan Beetle. (2010, Maio 24). Retrieved Outubro 04, 2011, from Wild Facts: http://www.wild- facts.com/wild-fact-805-the-bigger-they-are-the-harder-they-fall-titan-beetle/Arara-azul-grande. (29 de Junho de 2011). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Wikiaves: http://www.wikiaves.com.br/arara-azul-grandeGavião-real. (27 de Setembro de 2011). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Wikiaves: http://www.wikiaves.com.br/gaviao-realAmbiente Fauna. (s.d.). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Ambientebrasil: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/fauna/mamiferos/peixe- boi_ou_guaraba_(trichechus_inunguis).htmlAmbientebrasil. (s.d.). Floresta Amazônia - Fauna. Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Ambientebrasil: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/amazonia/floresta_amazonica/floresta _amazonica_-_fauna.htmlAvari, R. (s.d.). Tartaruga-do-Amazonas. Acesso em 05 de Outubro de 2011, disponível em Zoológico de São Paulo: http://www.zoologico.sp.gov.br/repteis/tartarugadoamazonas.htmBarclay, M. (n.d.). Titanus giganteus (titan longhorn, titan beetle). Retrieved Outubro 04, 2011, from Natural History Museum: http://www.nhm.ac.uk/nature- online/species-of-the-day/biodiversity/loss-of-habitat/titanus- giganteus/index.htmlBrandão, F. R., Gomes, L. d., & Chagas, E. C. (2006). Respostas de estresse em pirarucu (Arapaima gigas) durante práticas de rotina em piscicultura. Acta Amazonica, 36(3), 349-355.Carvalho, P. E. (2007). Circular Técnica 140. Embrapa Florestas. Colombo: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.Cicco, L. H. (s.d.). Arara Azul. Acesso em 03 de Outubro de 2011, disponível em Saúude Animal: http://www.saudeanimal.com.br/extinto3.htm
  • 54. 54Cicco, L. H. (s.d.). Onça Pintada. Acesso em 03 de Outubro de 2011, disponível em Saúde Animal: http://www.saudeanimal.com.br/extinto16.htmFearnside, P. M. (Julho de 2005). Desmatamento na Amazônia brasileira: história, índice e consequência. (J. M. Silva, Ed.) Diversidade, 1, pp. 113-123.Fernandes, T. (12 de Julho de 2007). O nascimento da floresta. Acesso em 06 de Setembro de 2011, disponível em Insttituto Ciência Hoje: http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/reuniao-anual-da-sbpc-2007/o- nascimento-da-florestaFloresta Amazônica. (s.d.). Acesso em 03 de Outubro de 2011, disponível em Brasil Escola: http://www.brasilescola.com/brasil/floresta-amazonica.htmFundação Roberto Marinho; Furnas Centrais Elétricas S.A.; Elerobrás; Eletronorte; Fundação Antonio Carlos Jobim. (2005). Ecologia dos Ecossistemas. In: Tom da Amazônia (pp. 52-74). Rio de Janeiro: Ipsis Gráfica e Editora.Hevea brasiliensis (rubber tree). (s.d.). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Royal Botanic Gardens: http://www.kew.org/plants-fungi/Hevea- brasiliensis.htmImprensa Nacional. (28 de Maio de 2004). Lista Nacional das Espécies de Invertebrados Aquáticos e Peixes Ameacadas de Extinção. Diário Oficial da União, pp. 136-142.Instituto Socio Ambiental. (2007). Almanaque Brasil Socioambiental. São Paulo: Instituto Socioambiental.Isto é Amazônia. (2006). Isto é Amazônia. Acesso em 30 de Setembro de 2011, disponível em Isto é Amazônia: www.istoeamazonia.com.brLopes, P. (s.d.). Castanha do Pará. Acesso em 06 de Outubro de 2011, disponível em Brasil Escola: http://www.brasilescola.com/frutas/castanha -do-para.htmMeirelles, J. A. (2006). O livro de ouro da Amazônia: . Rio de Janeiro: Ediouro.Ministério das Relações Exteriores. (s.d.). As 7 pragas da Amazônia. Acesso em 27 de Setembro de 2011, disponível em Passei Web: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/geografia/geografia _do_brasil/meio_ambiente/brasil_amazonia_destruicaoMinistério do Meio Ambiente. (26 de Maio de 2003). Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa nº 003. Brasília, Distrito Federal, Brasil.
  • 55. 55Ministério do Meio Ambiente. (23 de Setembro de 2008). Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa nº 6. Brasília, Distrito Federal, Brasil.MMA/SINIMA. (s.d.). Ariranha (Pteronura brasiliensis). Acesso em 03 de Outubro de 2011, disponível em Ambientebrasil: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/fauna/mamiferos/ariranha_(pteronura_ brasiliensis).htmlMorales, P. (s.d.). Pirarucu: Giant of the Aquarium. Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em WhoZoo: http://whozoo.org/Intro98/paomora/pirarucu2.htmPacievitch, T. (15 de Maio de 2008). Sucuri. Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Infoescola: http://www.infoescola.com/repteis/sucuri/Patro, R. (s.d.). Vitória-régia - Victoria amazonica. Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Jardineiro.net: http://www.jardineiro.net/br/banco/victoria_amazonica.phpPeixes de Água Salgada. (s.d.). Acesso em 05 de Outubro de 2011, disponível em Viva Terra: http://www.vivaterra.org.br/peixes_salgada_5.htmQue energia é essa? (s.d.). Acesso em 27 de Setembro de 2011, disponível em Pick-upau Brasil: http://www.pick- upau.org.br/mundo/hidreletrica_energia/hidreletrica.htmRede Amazônica. (s.d.). Amazônia de A a Z. Acesso em 2 de Outubro de 2011, disponível em Portal Amazônia: http://www.portalamazonia.com.br/secao/amazoniadeaz/categorias.php?acao =categoria&id=3Sucuri (Eunectes murinus). (s.d.). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em Ciência, Ficção e Interpretação: http://rpg_ficcao.sites.uol.com.br/Bestiario/Sucuri.htmTitan Beetle - Worlds Largest Beetle. (s.d.). Acesso em 04 de Outubro de 2011, disponível em FactZoo.com: http://www.factzoo.com/insects/beetles/titan- beetle-worlds-largest.html
  • 56. 56ApêndicesApêndice A - Animais Ameaçados de Extinção na Amazônia Nome Científico Autor, Data Nome Popular Caluromyslops irrupta Sanborn, 1951 Cuíca-de-colete Prlodontes maximus (Kerr, 1792) Tatu-canastra Myrmecophaga tridactyla Linaeus, 1758 Tamanduá-bandeira Ateles belzebuth E. Geoffroy, 1806 Coatá, Macaco-aranha Ateles marginatus E. Geoffroy, 1809 Coatá Saguinus bicolor Spix, 1823 Sagui-de-duas-cores Cebus kaapori Queiroz, 1982 Macaco-caiarara Saimiri vanzolinii Ayres, 1985 Macaco-de-cheiro Cacajo calvus calvus (I. Geoffroy, 1847 Uacari-branco Cacajo calvus novaesi Hershkovitz, 1987 Uacari-de-novaes Cacajo calvus rubicundus I. Geoffroy & Deville, Uacari-vermelho 1848 Chiropotes satanas Hoffmannsegg, 1807 Cuxiú-preto Chiropotes utahicki Hershkovitz, 1985 Cuxiú Speothos venaticus Lund, 1842 Cachorro-vinagre Leopardus tigrinus Schreber, 1775 Gato do mato Leopardus wiedii Schinz, 1821 Gato-maracujá Panthera onça Linnaeus, 1758 Onça-pintada Pteronura brasiliensis Gmelin, 1788 Ariranha Trinchechus inunguis Natterer, 1883 Peixe-boi-da-Amazônia Crax fasciolata pinima Pelzeln, 1870 Mutum-de-penacho Psophiaviridis obscura Pelzeln, 1857 Jacamim-de-costas- verdes Thalasseus maximus Boddaert, 1783 Trinta-réis-real
  • 57. 57Numenius borealis Forster, 1772 Maçarico-esquimóAnodorhynchus hyacinthinus Latham, 1790 Arara-azul-grandeGuaruba guarouba Gmelin, 1788 ArarajubaPyrrhuralepida lépida Wagler, 1832 Tiriba-perolaPteroglossus bitorquatus bitor- Vigors, 1826 Araçari-de-pescoço-quatus vermelhoDendrexetastes rufigula paraen- Lorenz, 1895 arapaçu-canela-de-belémsisDendrocincla merula badia Zimmer, 1934 Arapaçu-da-taoca- maranhenseOryzoborus maximiliani Cabanis, 1851 Bicudo, bicudo-verdadeiroPhlegopsis nigromaculata para- Hellmayr, 1904 Mãe-de-toaca-pintadaensisChelonia mydas Linnaeus, 1758 Tartaruga-verdeTaczanowskia trilobata Simon, 1895 AranhaStegodyphus manaus Kraus&Kraus, 1992 -Agacephala margaridae Alvarenga, 1958 Besouro
  • 58. 58Apêndice B - Peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinçãoNome Científico Autor, Data Nome PopularAnodontites elongates Swainson,1823 Marisco-pantaneiroAnodontites ensiformis Spix, 1827 EstileteAnodontites soleniformes Orbigny,1835 Marisco-de-água-doceAnodontites trapesialis Lamarck,1819 Prato, saboneteiraLeila esula Orbigny, 1835 LeilaMycetopoda siliquosa Spix, 1827 Faquinha-truncadaAnheteromeyenia ornata Bonetto & Ezcurra de Dra- Geléia-de-água go, 1970Metania kiliani Volkmer-Ribeiro & Costa, - 1992Isogomphodon oxyrhynchus Müller &Henle, 1839 QuatiPristis perotteti Müller &Henle, 1841 Peixe-serraPristis pectinata Latham, 1794 Peixe-serraPotamobatrachus trispinosus Collette, 1995 MangangáSartor tucuruiense Santos & Jégu, 1987 -Mylesinus paucisquamatus Jégu & Santos, 1988 PacuOssubtus xinguense Jegú, 1992 PacuCrenicichla cyclostoma Ploeg, 1986 JacundáCrenicichla jegui Ploeg, 1986 JacundáTeleocichla cinderella Kullander, 1988 -Hypancistrus zebra Isbrücker & Nijssen, 1991 Cascudo-zebraAguarunichthys tocantinsensis Zuanon, Rapp Py-Daniel - &Jégu, 1993
  • 59. 59Apêndice C - Plantas Ameaçadas de ExtinçãoNome Científico Autor Nome PopularAspilia paraenses (Huber) J.U.Santos -Digomphia densicoma (Mart. ex DC.) Pilg. -Jacaranda carajasensis A.H.Gentry -Bursera simaruba (L.) Sarg. -Licania aracaensis Prance -Licania bellingtonii Prance -Ipomoea carajasensis D. Austin -Ipomoea cavalcantei D. Austin -Costus fragilis Maas -Costus fusiformis Maas -Amburana cearensisvar. acrea- (Ducke) J.F. Macbr. Cerejeira, cumaru-de-cheiro, im-na burana-de-cheiroPeltogyne maranhensis Huber exDucke Pau-roxoAniba rosaeodora Ducke Pau-rosa, pau-rosa, itaúbaDicypellium caryophyllaceum (Mart.) Nees Cravo-do-maranhão, pau-cravo, casca-preciosaBertholletia excelsa Kunth Castanheira, castanheira-do- pará, castanheira-do-brasilEschweilera piresii S.A.Mori -Eschweilera rabeliana S.A.Mori -Swietenia macrophylla King Mogno, águano, caóbaMourera fluviatilis Aubl.Galeandra curvifolia Barb. Rodr. -Axonopus carajasensis M.N.C.Bastos -Euxylophora paraensis Huber Pau-amarelo, paucetin, amare- lão, espinheiro
  • 60. 60Nycticalanthus speciosus Ducke -Pilocarpus alatus C. J. Joseph exSko- - rupa