Trabalhos Da Semana Jgf Todos Os Documentos Juntos

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Trabalhos Da Semana Jgf Todos Os Documentos Juntos

  1. 1. «Frases soltas deste tipo — que leio agora como se me soassem ao ruído das tesouras no ar dos barbeiros antes da tesourada verdadeira. "Faz um frio esganiçado..." "Os moços trazem sol nas veias. Os velhos, luar!" "Há pessoas cujas caras são chapéus de coco com feições!" "O Destino é um estranho, um intruso." "As mãos, os lenços dos braços..." "Nada se parece tanto com um grito como um grito." "Os olhos dela lembravam [...] noites de sol." "Entrelaçavam os dedos como se quisessem ter a impressão de que os multiplicavam." "Ler um livro é pedir olhos emprestados para ver o mundo." "Pobre rapariga! Pobre vestido com nervos!" "Deus não sabe classificar plantas nem animais. Desconhece o vasconço científico dos botânicos e dos zoólogos. E não sabe ler nem escrever. É um ignorante!" "Um sonhador é um fabricante de fantasmas."» José Gomes Ferreira, Dias Comuns, II, p. 78 [Ilustrar uma destas frases poéticas de José Gomes Ferreira, mas como se fossem interpretadas à letra (por alguém ingénuo que não conseguisse perceber o seu sentido figurado).] "Há pessoas cujas caras são chapéus de coco com feições!" [Tiago F., 7.º 2.ª]
  2. 2. [Teresa, 7.º 2.ª] [Carolina, 7.º 3.ª]
  3. 3. "Os olhos dela lembravam [...] noites de sol." [Rita, 7.º 3.ª]
  4. 4. [Elizângela, 7.º 1.ª] [José Luís, 7.º 2.ª] [Soraia, 7.º 5.ª]
  5. 5. [Belângela, 7.º 5.ª] "As mãos, os lenços dos braços..." [Marta S., 7.º 2.ª] [Ricardo, 7.º 1.ª]
  6. 6. [Gonçalo, 7.º 5.ª] "Faz um frio esganiçado..." [Laura, 7.º 3.ª]
  7. 7. [Tiago, 7.º 5.ª] [Afonso, 7.º 6.ª]
  8. 8. "Pobre rapariga! Pobre vestido com nervos!" [Joana B., 7.º 5.ª] "Deus não sabe classificar plantas nem animais. Desconhece o vasconço científico dos botânicos e dos zoólogos. E não sabe ler nem escrever. É um ignorante!" [Mário, 7.º 6.ª]
  9. 9. "Um sonhador é um fabricante de fantasmas." [Susana, 7.º 3.ª]
  10. 10. [Joana D., 7.º 5.ª] [Simão, 7.º 3.ª]
  11. 11. [Sara, 7.º 6.ª] [Ana G., 7.º 6.ª]
  12. 12. [João R., 7.º 3.ª] [António Pedro, 7.º 3.ª]
  13. 13. [Catarina, 7.º 1.ª] [Joana, 7.º 2.ª]
  14. 14. [André, 7.º 2.ª] [Pedro M., 7.º 6.ª]
  15. 15. [Madalena, 7.º 3.ª] [Diogo, 7.º 2.ª]
  16. 16. [Frederico M., 7.º 2.ª] [António S., 7.º 3.ª]
  17. 17. [João L., 7.º 6.ª] "Ler um livro é pedir olhos emprestados para ver o mundo." [Joana A., 7.º 6.ª]
  18. 18. "Os moços trazem sol nas veias. Os velhos, luar!" [Tiago F., 7.º 2.ª] [Marta, 7.º 3.ª]
  19. 19. [Francisco Gonçalves, 7.º 3.ª] "Entrelaçavam os dedos como se quisessem ter a impressão de que os multiplicavam." [João B., 7.º 5.ª]
  20. 20. "O Destino é um estranho, um intruso." [João C., 7.º 2.ª] [Ana M., 7.º 6.ª]
  21. 21. «Estive a reler os Calligrammes [de Apollinaire]» José Gomes Ferreira, Dias Comuns, II, p. 152 [Desenhar um caligrama (ou outro tipo de «poema-visual»), a partir de poema de José Gomes Ferreira:] Que temos nós com a primavera? Não nos sai dos olhos nem da boca, mas da terra que não é nossa. Primavera para quê? Malmequeres para quê? Para a aceitação com perfumes deste silêncio de fossa? José Gomes Ferreira, Poesia-III, p. 139 [João C., 7.º 2.ª]
  22. 22. (Madrigal para a Inventada.) Vou inventar uma flor para pôr no teu cabelo. Uma flor com asas de lume donde, em vez de perfume, saiam sons de violoncelo. E eu posso dizer à Terra: «Sim. Bendito seja o teu ventre entre as mulheres. Mas basta de malmequeres!» José Gomes Ferreira, Poeta Militante, I, p. 263 [Catarina, 7.º 2.ª]
  23. 23. [Marta, 7.º 5.ª] E se, de repente, voassem dos teus olhos duas pombas azuis? Então, sim, poeta, cairia pela primeira vez no mundo o espanto da primavera completa. José Gomes Ferreira, Poeta militante, I, p. 262 [Carolina, 7.º 2.ª] Não queriam que eu cantasse as flores? Pois cá estou a cantá-las — pobre dormir de cores em voos cativos
  24. 24. que os mortos atiram das valas para o remorso dos vivos. José Gomes Ferreira, Poesia-II, p. 28 [Carlota, 7.º 5.ª] (Marcha fúnebre para uma borboleta pisada.) Pobre borboleta morta que se desfez num sopro de poeira de asas! Que ficou de ti no mundo? O desenho dum voo com rasto de pólen?
  25. 25. Um corpo caído de cores mais inúteis? Uma nódoa apenas sem a grandeza da morte — porque a morte é só humana? (Quero lá saber!... O que me dói é tudo ser borboleta morta.) José Gomes Ferreira, Poeta Militante, I, p. 191 [Mariana, 7.º 5.ª]
  26. 26. [Micaela, 7.º 6.ª] Ouve, sol: quando vejo a minha sombra no chão a desnhar a vala da fronteira da solidão — apetece-me dar um salto e estrangulá-la. José Gomes Ferreira, Poeta Militante, I, p. 231
  27. 27. [Carolina, 7.º 6.ª] o sol da fogueira, na estrada a arder... E eu parei estremecido num esperar de mistério. Que vai acontecer? A criação na minha frente dum novo ser soprado de azul?... ...uma árvore diferente
  28. 28. José Gomes Ferreira, Poeta militante, p. 138 [Raquel, 7.º 5.ª]
  29. 29. (Outra canção de amor para a Inventada.) Onde poisaste os olhos não nasceram flores nem astros de tempestade. Ficou apenas o pudor do pólen a perfumar a lua de complicações de fantasmas... E este silêncio de duas mãos que se procuram no amor entrelaçado das aranhas. José Gomes Ferreira, Poeta militante, I, p. 279 [Paulo, 7.º 1.ª]
  30. 30. (Mais uma definição de poeta num carro eléctrico para Almirante Reis.) Poeta o que é? A Um homem que leva B o facho da treva B no fundo da mina C — mas apenas vê A o que não ilumina. C José Gomes Ferreira, Poesia-III, p. 10 [Escrever um poema que comece pela mesma pergunta e que cumpra o mesmo esquema rimático (a-b-b-c-a-c) do poema de José Gomes Ferreira] Poeta o que é? Poeta o que é? Um homem de lápis na mão É aquele que cantava e cheio de imaginação, a quem amava, numa cadeira sentado, quando fazia sol na terna na esplanada do café: loja do senhor José, não pára até o poema estar acabado. ou que cantava na taberna. [João R., 7.º 3.º] [António A., 7.º 3.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Um grande sonhador, É um filósofo revolucionário o antigo trovador, que vive num armário. que sonha pelo mundo fora, Filósofo sensível, para escrever o que é é o que é. um poema que adora. Mas sem um fusível... [Simão, 7.º 3.ª] [António S., 7.º 3.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Uma homem que agrava Ser ou não ser, eis a questão: e depois lava para quem fala do coração a dor com uma rima é uma pessoa que sente, e para quê? Escreve sobre tudo o que vê Para que não a exprima. e, quando sonha, sonha com a mente. [André, 7.º 3.ª] [Susana, 7.º 3.ª] Poeta o que é? Um escritor ou um sonhador? É alguém que vê e sente também. [Rita, 7.º 3.ª]
  31. 31. Poeta o que é? Poeta o que é? Um homem valente, É um homem igual, de coração quente, mas com carácter especial: que enfrenta o amor com um leve coração, com a sua fé. coração que vê e lê É um grande autor. o seu poema em acção. [Miguel M., 7.º 3.ª] [Carolina, 7.º 2.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Uma pessoa especial, É um homem que faz com muito moral. e também traz Gosta de inventar poesia e alegria, — eeeeé! —, para ti e para mim, como se vê. para mais tarde editar. Tudo é sabedoria. [Laura, 7.º 3.ª] [Catarina, 7.º 2.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Homem transparente, Uma criança que esconde passa para o papel o que sente. a riqueza de um conde, Frases e palavras são o seu num castelo encantado destino, ou no alto de uma sé: nunca sendo o que se lê o seu sonho apaixonado. — é isto que imagino. [José Luís, 7.º 2.ª] [Marta, 7.º 3.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Um mágico feiticeiro, Será um trovador um amigo verdadeiro. ou aquele que desenha o mundo com a cor, No papel conta os seus pensamentos aquele que grita, e um pouco triste é, aquele que é, quando revela os seus desalentos. ou, simplesmente, o que imita [José Luís, 7.º 2.ª] [Francisco, 7.º 3.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Tristezas ou alegrias Pessoa que sonhava que iluminam nossos dias, e imaginava como por magia. histórias, Arrasta a maré e que é numa corrente de fantasia. capaz de pôr em verso as suas memórias. [André, 7.º 2.ª] [Silvana, 7.º 3.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Um homem que leva É um pensador aquele treva da vida e da dor, do meu jardim, que o amor aumenta. mas apenas vê Então, por que é o que não tem fim. que tanto lamenta? [Frederico M., 7.º 2.ª] [Teresa, 7.º 2.ª]
  32. 32. Poeta o que é? Poeta o que é? Caneta que retrata, Um ser que leva paixão que não mata. as memórias onde neva Às vezes, cruel... o desgosto e a felicidade fina, Mas sempre com fé que tão fina é, sobre o papel. que a luz nem a ilumina. [Tiago F., 7.º 2.ª] [Bruno Rafael, 7.º 5.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Ver na treva Um homem que escreve o que seu amor leva e que leva uma vida leve? sem grande custo. Não, é um homem que nos faz ver Ser poeta é o que é com as palavras ser justo. sentir-se bem a ler. [Joana, 7.º 2.ª] [João B., 7.º 5.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Um homem que tenta, É um louco pensa e inventa, que, por pouco, tentando ser original! não salta da imaginação E o melhor o que é? para a realidade, O resultado final. mas leva paixão no coração. [João C., 7.º 2.ª] [Joana D., 7.º 5.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? A branda serenidade, Um fiel sonhador. o puro aroma, a claridade, Viaja na sua cabeça, o perfume das rosas, sem que ninguém lhe agradeça, muita, muita fé, sabendo o que não vê a cantilena das prosas. e cada vez mais sabedor, [Rita, 7.º 2.ª] porque lhe falta um porquê! [Joana B., 7.º 5.ª] Poeta o que é? Um poeta é o sol a brilhar, Procurando por ti é uma cabeça a pensar... Espero que procures É ser flor que desabrocha, por mim, é escrever aquilo que se vê, no princípio do fim, ser mar que bate na rocha. no céu ou no mar, [Carla, 7.º 5.ª] algures, pensando sempre em me amar. Poeta o que é? [Belângela, 7.º 5.ª] Alguém ao sabor do vento e, por um momento, Poeta o que é? num mundo imaginário A alma que escreve com sentimento, onde poucos chegam até. sem nunca perder o pensamento, Haverá tal cenário? querendo explicar o que diz, [Mariana, 7.º 5.ª] para que todos tenham fé, tornando tudo feliz. [Joana A., 7.º 6.ª]
  33. 33. Poeta o que é? Poeta o que é? Poeta é uma pessoa A pessoa que se inspira que sonha e que voa; para poder ter a sua ira; no fundo, mas também pode ser alguém que gosta é alguém de escrever e apenas vê que pensa no mundo. a vida em que aposta. [Pedro M., 7.º 6.ª] [João Paulo, 7.º 6.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? Levar a vida a brincar Um homem inspirado, sem nada para reclamar, nunca saturado, ouvir a chuva cair que faz arte. aqui mesmo ao pé, E que arte é? sem deixar de sorrir. Uma arte que não parte. [Carolina, 7.º 6.ª] [João Afonso, 7.º 6.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? A inspiração que chama Alguém que imagina, e leva até à fama, pessoa que atina a paixão desmedida, num mundo melhor, inspirada uma vez alguém com fé para o resto da vida. numa paz maior. [Cátia, 7.º 6.ª] [Francisco, 7.º 6.ª] Poeta o que é? Poeta o que é? É ser diferente; Uma criança consciente, ver o mundo de forma insistente, que segue a mente, expressá-lo de maneira intensa. a fazer palavrões Mas o poeta é um ser humano, pois é, daquilo que não lê, em tudo o que sente e no que pensa. intrigando-se sobre como serão os corações. [Micaela, 7.º 6.ª] [Sara, 7.º 6.ª]
  34. 34. Enquanto faço a barba Já reparaste que a tua pele enruga o espelho? Estás a envelhecer. (Só por fora, espero.) Peço-te por todos os deuses que não enchas os poucos minutos que te restam de vida com paixões medíocres! José Gomes Ferreira, Imitação dos Dias, p. 102 [Como fez José Gomes Ferreira, escrever poucas linhas inspiradas por te veres atentamente ao espelho (mesmo sem ser para fazer a barba).] Enquanto me vejo ao espelho, penso como poderia ser se tivesse cabelos ruivos, olhos verdes e lábios carnudos. Poderia ser feliz também? Bem, eu não tenho cabelos ruivos, ollos verdes e lábios carnudos, mas sou feliz, quando me olho no espelho e imagino que tenho cabelos ruivos, olhos verdes e lábios carnudos. Não é preciso ter cabelos ruivos, olhos verdes e lábios carnudos para ser feliz. Eu sou feliz mesmo sem me olhar ao espelho... [Carlota, 7.º 5.ª] Enquanto me penteio, reparo que o meu cabelo está a cair e a perder a cor brilhante e luminosa, a sua força e os caracóis perfeitos. Também reparo que estou a ficar com borbulhas na cara e com rugas. [Ana Gabriela, 7.º 5.ª] Enquanto lavo a face A pele nota-se nitidamente e apresenta o acne da puberdade. Um sinal que mostra o futuro não muito longínquo, mas longe demais para uma vida. [Bruno Rafael, 7.º 5.ª] Enquanto faço a barba Estou mesmo a ficar velho, já com barba — espero que seja só quanto ao aspecto físico! O que será que vou fazer amanhã na aula de Português? Espero que amanhã ele não venha, que assim poderei ficar a jogar futebol. (Por favor, Deus, faz com que o prof amanhã não venha.) Pronto, agora é só pôr um bocado de after-shave, e já está. [Rui, 7.º 3.ª]
  35. 35. Que horror! Sou mesmo uma anormal: onde é que já se viu um olho amarelo e outro azul? Detesto ver-me ao espelho. E esta borbulha o que é que faz aqui? Espero que seja da adolescência... Se não, sou capaz de cortar este meu pedaço de pele ou então fazer uma plástica. Bem, pensando melhor, tenho é de me acalmar, afinal isto trata-se. Vou pôr lentes de contacto e um cremezito, e os olhos às cores e as borbulhas desaparecem. Yes! [Carolina, 7.º 3.ª] Enquanto me vejo no espelho, penteio-me ou lavo os dentes. Depois do banho, vejo que a minha pele está seca e que estou despenteado. Mas gosto de mim tal como sou. [Rafael, 7.º 1.ª] No espelho, observo uma rapariga.Uma rapariga que, tal como todas as outras, tenta descobrir o sentido da vida, luta pelos seus objectivos, tenta resolver os seus problemas... Afinal, de que outra maneira se consegue aproveitar a vida? [Marta S., 7.º 2.ª] Enquanto me penteio Já reparaste que o cabelo não me cresce? Parece que quer ficar assim... Espero que cresça depressa para fazer uma popa. [Diogo, 7.º 2.ª] Quando olho para o espelho, vejo catorze anos de vida, vivida umas vezes com tristezas, outras com alegrias, mas também antevejo um futuro, promissor e sonhador, de uma vida que, espero, seja boa. [Tânia, 7.º 6.ª] Olho para o espelho e penso que sou um miúdo normal, igual aos outros, apesar de um pouco maluco. Acho que sou um tanto feio; por isso penso que me vou assustar e o espelho partir-se, o que nunca aconteceu. A minha aparência deixa muito a desejar, mas, ao menos, não tenho rugas. [João Baila, 7.º 6.ª] Ena pá, porque é que ainda acredito que vou olhar para o espelho e sorrir? A única coisa que vejo é um rapaz insensato, que não sabe o que quer da vida. Oh! Lindo... A minha respiração embaciou o espelho. Agora, sim, parece aquelas reportagens em que as imagens são demasiado horrorosas para serem vistas por crianças e se embacia a câmara para não se olhar. Bem, pelo menos agora já não precisas de ver a tua feiosa aparência. [Mário, 7.º 6.ª]
  36. 36. Esperança obrigatória [...] Quase noite. Olho, com o nariz achatado no vidro, a rua encrespada pelo vento que entorta e desgrenha as casas, as árvores e os candeeiros. Um automóvel, já de faróis acesos, fura, por entre a chuva, um corredor de luz enrugada por onde corre uma velhota de farripas soltas, os braços atados no embrulho de uma criança enrolada no xaile. (Ao fundo, o guarda-nocturno, abrigado na porta do costume, sopra o frio dos dedos...) E eu para aqui fechado nesta náusea de andar de um lado para o outro de cá para lá, de lá para cá... —, sonâmbulo de irritação! Homens: estou farto de chuva e quero sair!... Evadir-me!... Caminhar pelas ruas em liberdade de sol, de vida, de cheiro a giestas nos cabelos das mulheres e ninhos de ouro nos olhos das crianças! Mas não. A chuva continua. Continua sempre, sempre, sempre. Que remédio senão esperar que ela acabe, enquanto traço na humidade da vidraça riscos de esperança. Primeiro uma flor. A seguir um sol... Um pequenino sol de rumor de lágrimas. Assim: José Gomes Ferreira, Imitação dos Dias, pp. 191-192 [Escrever texto que, como acontece com «Esperança obrigatória», inclua um desenho. Esse texto, tal como o de José Gomes Ferreira, deverá ser de «prosa poética».] Espreito pela janela do quarto para a noite, que é só iluminada pela luz das estrelas e da lua, que brilham neste momento. Oiço o som do vento e dos carros a passarem, calmante, com o vidro embaciado por causa da humidade. Limpei-o com a manga da camisola, para que pudesse ver o pouco que consigo ver, os ramos das árvores a movimentarem-se ao som do vento. Já cansado, deixo-me dormir, enquanto olhava para as estelas e a lua, que iluminavam a noite profunda. Assim: [Rui, 7.º 3.ª]
  37. 37. Chegou a primavera, doce e serena como uma criança. Os dias são luminosos e belos — até parece que saíram de uma tela. As flores e as árvores parecem exércitos coloridos a combater com grande bravura. O sol, redondo como um balão, galopa com pés de lã, pelas casas, pelas serras, pelos céus, arrebata os nossos corações. Ah, que esplendor! A primavera é uma mistura de sentimentos, um orgulho, uma vaidade. Do pôr ao nascer do sol tudo é simples e belo como uma flor... [Rita, 7.º 2.ª] Numa noite muito escura estava eu na janela da sala a ver os carros que passavam na rua. Estava a jogar um jogo que me tinham ensinado: primeiro, dizíamos um número de um a dez; depois, víamos os carros que passavam até esse mesmo número e era esse o carro. A mim tinha saído uma vez uma carrinha de ciganos, toda estragada e sem pintura. A carrinha era assim: [Ana Gabriela, 7.º 2.ª] A luz entra pelas janelas e espalha-se no castelo. Bate numa caixa de grades castanhas, amareladas. Nos lençóis brancos está escondida uma melodia que entra nos dois ouvidos muito pequenos e, lá dentro, sonham fadas, anões, reis e rainhas, mundos a haver. A melodia acabou ali. Os lençóis brancos agitam-se e um sorriso nasce e volta a nascer de novo. A luz entra nos olhos de Maria, cheios de vida, alegres e de cor escura.. Um braço estende-se, o outro também, e duas mãos abrem. Como duas flores que nascem, com cinco pétalas cada uma. Está a pedir um colo. Um colo mágico, cor-de-rosa, de reis e rainhas. Nesse colo, Maria canta a sua melodia. [Carla, 7.º 5.ª]
  38. 38. A lua, a mais bela paisagem da noite. Aquela que aparece ao alto de cèu, a rainha da noite que aparece sempre rodeada dos seus mais belos súbditos, as estrelas que brilham sem parar. É ela que controla o horizonte que jamais alguém avistara. De tanta beleza junta, conta-se que os mais belos olhos ficaram cegos ao mirar a deusa da noite. Santo ficou o homem que, segundo se conta, foi ter com a nossa rainha. Teve a sorte de poder pisar com os seus pés as fendas e os buracos que nela havia. Pôde ainda visitar o seu reino e apreciar com toda a delicadeza e sensatez as suas súbditas. De sete em sete dias a podemos observar de variadas maneiras. Para isso, é só observar, primeiro, o seu reino; depois, os súbditos; a seguir, aparece ela com a sua coroa única no universo para dar nas vistas, a ver tudo o que passa com o seu belo rosto! A deusa da escuridão passa todo o tempo a tomar conta do seu reino. [Ana S., 7.º 6.ª] Uma pena voa casa adentro, numa fúria de pureza. Encanta o olhar de quem a seguir com sentimento de liberdade. Mil e uma ideias apagam a imaginação e um milhão de sonhos escondidos penetram nas mentes lúcidas que a viram poisar no chão de mármore frio. Alguém, sensível, levantou-se do seu lugar e dignou-se a tirar a pena do chão frio da casa vazia. Foi pô-la num lugar onde pode voar de novo. Mas a pena não voa, enquanto não encontrar quem por ela olhe com fervor. Com o fervor de quem tem amor, sentimento para dar... E um vulto que, passando na noite triste, se ocultou na sombra clara olhou... e conseguiu. Voou, fazendo a pena voar, e poisou na esperança de, um dia, de novo a encontrar. O céu tremeu e a terra exaltou o seu berro, como se no meio dos dois algo maior se encontrasse.
  39. 39. Na despedida do sol, a lua abraça o escuro em vão, e a pena, dançando no vento, caiu hipnotizada pelo ondular de um mar que, misterioso, muda de personalidade como quem colhe uma flor. Mas a pena não se perdeu; num barco a passar, um dia alguém a amará e, de novo, uma pena voará. [Joana L., 7.º 6.ª] A VELHINHA LAREIRA DA CASA DA MINHA AVÓ A noite aproximava-se e o caminho ainda era longe. Estávamos a três dias do Natal e toda a minha família me esperava: Como eu desjava lá chegar. Toda esta magia do Natal me encantava. Só de pensar naqueles doces conventuais que a minha avó faz, até sinto água na boca. Olho pelo vidro e tudo é escuro à minha volta. Abri um pouco a janela e logo senti aquele ar gelado a bater-me constantemente junto da face, e vieram-me à memória os longos serões passados à lareira junto da minha família. Já passava da meia-noite quando, finalmente, cheguei àquela velhinha aldeia lá para os lados de Montalegre. Como tudo parece magia, vieram-me à memória os tempos de criança, assim que vi toda aquela minha gente. As lágrimas correram-me face abaixo. Como está velhinha a minha avó! Mal entrei em casa da minha avó, lá estava aquela lareira acesa velhinha, que tanto me fascina. [João Tomás, 7.º 6.ª]
  40. 40. [Escrever espécie de legenda (entre poema, curta descrição, pequeno comentário) para estes quadros — sobre que o próprio José Gomes Ferreira escreveu também] AGORA O MEU RETRATO PINTADO PELA OFÉLIA Acordava cedo saía da cama e vestido do segredo do pijama ia acordar a Ofélia para ela o pintar com aquela cor quase amarela bem diferente do pijama com que eu dormira ........................................................................ José Gomes Ferreira, inédito facsimilado em Operário de Palavras, p. 46 Retrato de José Gomes Ferreira, de Ofélia Marques O seu ar desconfiado dá arrepios como uma noite de Inverno. O cabelo com risco ao lado parece esvoaçar com a força do ar que sobre ele embate. O cigarro aceso que tem na mão vai-se queimando e o fumo que dele sai vai-se dissipando à medida que se aproxima da cara. A camisa tem uns botões desapertados em cima. Os lábios grossos não esboçam qualquer sorriso, por mais forçado que seja. [Ana Morais, 7.º 6.ª] Porque não consigo dormir? José Gomes Ferreira Só este cigarro me ajuda a um grande poeta é... [descontrair. Com um cigarro na mão. Como a noite vai longa De branco o que é? na janela do meu quarto, Um pijama, olhando o luar, meio aberto, a brisa da noite faz esvoaçar o meio fechado. [meu cabelo Um grande poeta é... e me ajuda a pensar. [Mafalda, 7.º 3.ª] [João Tomás, 7.º 6.ª]
  41. 41. O QUADRO DO RAUL JOSÉ PINTADO PELA OFÉLIA MARQUES Com este quadro do pequeno Raul José (perguntarão: quem é? Respondo: o meu filho que, com tanto brilho, sofre a arquitectura), graças a este quadro a Ofélia encontrou com finura o fluido da linha verdadeira que da linha verdadeira que marca e marcará o padrão das crianças da família Ferreira — que assim serão de geração em geração, até à sombra derradeira. José Gomes Ferreira, inédito facsimilado em Operário de Palavras, p. 47 Raul Hestnes Ferreira, por Ofélia Marques O menino exemplar, com um olhar triste, como se estudasse num seminário. [Raquel, 7.º 5.ª] Menino sonhador, de olhar encantador e olhar angelical, representa algo sem igual. [Marta G., 7.º 2.ª] O retrato é expressivo, os seus olhos mostram um olhar ingénuo e meigo, a boca é desenhada e as orelhas grandes. A franja bate-lhe no rosto. Usa uma camisola com gola em bico e segura o que me parece ser um quadro. [Ana G., 7.º 6.ª] Com olhar profundo, mente envolvida em pensamentos, parece infeliz com a vida. Seus olhos entristecidos mostram essa infelicidade, seu ar inteligente mostra ser boa gente. [Tiago P., 7.º 2.ª] Quem diria que Raul iria tornar-se o arquitecto da nossa escola? [Catarina, 7.º 1.ª]
  42. 42. DIANTE DO MEU RETRATO PINTADO PELO FRED KRADOLFER Eu. Jovem. Exactamente aos 30 anos de vida em que choviam, como agora chovem, ilusões de sombras já desiludidas. ............................................................. José Gomes Ferreira, inédito facsimilado em Operário de Palavras, p. 43 Retrato de José Gomes Ferreira, por Fred Kradolfer Em tempos de paz e alegria houve uma alma de grande dimensão. Era elegante e a sua mente brilhante, mas o que chamava mais a atenção era o seu coração cintilante. [Bruno Rafael, 7.º 5.ª]
  43. 43. UM QUADRO DO STUART Uma estrada sem ninguém, Sem uma árvore, um bicho. Escuto uma fonte além mas não vejo o seu esguicho. E aquela sombra? Vai? Vem Ou é somente um capricho. o espectro de não sei quem ao vento que leva o lixo? .............................................. José Gomes Ferreira, inédito facsimilado em Operário de Palavras, p. 43 Desenho de Stuat Carvalhais Uma estrada larga e comprida, em cujas bordas está um homem, talvez a trabalhar. A paisagem tem algum terreno à volta, onde se pode ver o formato de uma cruz em madeira. O resto é preenchido por céu. [Marta, 7.º 5.ª] Em vez de campo, parece mar. Agradam-me particularmente as laranjeiras e a colina escarpada até aos camponeses, que trabalham nas hortas. [Afonso, 7.º 6.ª] São os caminhos que se percorrem na vida, até se chegar ao fim. Passa-se por obstáculos e curvas enormes, talvez até se caia, mas levantamo-nos sempre, até ao sinal de que acabou a jornada. Connosco vem sempre céu, que está sempre lá e pode testemunhar tudo. Só ele pode estar sempre connosco. Se nos arriscamos a sair da estrada, aí sim, pode ser o nosso fim. [Ana S., 7.º 6.ª] No meio de terras e estrada céu limpo se poderá ver. Que paisagem tão descansada e praticamente desabitada! Num trabalho árduo, um homem trabalha. Será por ter fé em Jesus que perto tem uma cruz. [Cláudia, 7.º 5.ª]
  44. 44. «Uma das últimas invenções do meu filho Alexandre é o que ele chama a «música de rãguarda». Isto é: enrouquece voz, em coaxar de imitação de rã, e repete tudo o que ouve, desde Mozart a Stravinski, transfigurado por esse filtro caricatural. É irresistível de graça — e às vezes com mais significado do que ele supõe. Música de rãguarda...» José Gomes Ferreira, Dias Comuns, I, p. 62 [Criar um neologismo, ao estilo de «ranguarda», escrevendo ainda o seu verbete de dicionário.] CHORRIR — Verbo. Chorar e rir simultaneamente. «Aquela miúda, há um bocado, chorria: nem percebi se estava alegre ou triste. [Sara, 7.º 1.ª] COMIPAPORMIGA — Substantivo, masc. Caixa de metal, de tamanho relativamente grande, em cuja extremidade principal existe um tubo, que é posto dentro de um formigueiro, para sugar as formigas, que se vão depositando no interior da caixa; na outra extremidade há um segundo tubo, por onde as formigas são expulsas, uma vez que as bocas dos papa-formigas são identificadas pelas máquina. «Numa reserva natural da Escócia foi colocado um comipapormiga, porque os papa-formigas tinham dificuldade em chegar às formigas». [Marta, 7.º 3.ª] SERPENTOLITAR — Verbo. Arrastar os pés e ser tolo; rastejar e ser tolo. «O Marcelo serpentolita a toda a hora, tanto que até irrita». [João Marcelo, 7.º 5.ª] CARPRENDER — Verbo. Aprender o ofício de carpinteiro. «Vou deixar a escola: carprenderei com o meu pai». [André, 7.º 3.ª] JOMAR — Verbo. Chamar alguém da janela. «— Joma o João, Isabel. Não vês que vai ali ao fundo da rua?». [Ricardo, 7.º 1.ª] AVESTRALGAR — Verbo. Cavalgar numa avestruz. «No sábado fomos à quinta do meu avô e avestralgámos a tarde toda» [Mariana, 7.º 5.ª] RELOGIOFOBIA — Substantivo, fem. Medo do tiquetaque dos relógios. «Ontem, no mercado, vi um homem que, ao passar pelo relógio, começou a gritar: ele deve sofrer de relogiofobia». [Rúben, 7.º 5.ª]
  45. 45. GIGANORME — Adjectivo. 2 gén. Que é de tamanho muito grande. «Ela tinha um cão giganorme, quase parecia um cavalo». [Soraia, 7.º 5.ª] ALIVRAR — Verbo. Pensar em livros inexistentes. «Estás desatento ao que a tua mãe está a dizer, porque alivras demasiado». [João Tomás, 7.º 6.ª] PAPICHANAR — Verbo. Falar acerca de papas. «Os jornalistas, depois da morte de João Paulo II, papichanam vinte e quatro horas por dia». [Pedro Mayo, 7.º 6.ª] FUGITIR — Verbo. Fugir à verdade, sem mentir ou enganar; mudar de assunto. «Perguntei à minha irmã onde tinha estado e ela fugitiu-me, mudando o tema da conversa sem eu reparar». [João Baila, 7.º 6.ª] RADIOFONAR — Verbo. Escutar música da rádio através de fones. «Estou a radiofonar a última música dos Marron 5 na FM». [Carolina, 7.º 6.ª] CONFOLHAR — Verbo. Confundir a partir do olhar (ou por hipnose). «Alexandrino confolhou-me». [Francisco, 7.º 6.ª] PLEISTACIONAR — Verbo. Jogar Playstation. «Eu pleistaciono muito, quando não tenho que fazer». [Ana S., 7.º 6.ª] ANTEMER — Verbo. Recear ligeiramente antes de ter medo; antecipar angústias. «Não antemas: eu estou contigo». [Enoque, 7.º 6.ª] VIOMECENTO — Adjectivo. Mandão; que quer ser o centro das atenções. «Pedro Santana Lopes é viomecento». [Sara, 7.º 6.ª] TELEVISAR — Verbo. Ver televisão durante um período de tempo relativamente longo. «Ontem televisei com a minha amiga o dia todo». [Ana Morais, 7.º 6.ª] LEGUMINAR — Verbo (Culinária), Cortar os legumes em lâminas. «A minha mãe legumina sempre as couves». [Micaela, 7.º 6.ª]
  46. 46. [Dada lista de primeiros versos de poemas de José Gomes Ferreira, escrever um poema começado por um desses versos] Vai-te, poesia, Noite, que faço eu aqui, tu, que és mera fantasia. no meio destas ruas sombrias? Vemo-nos qualquer dia, Só casas e noite, e só tenho duas Numa esquina escura [lamparinas e sombria, para iluminar estas escuras esquinas. com os teus sonhos irreais, dia após dia, Mas eu não páro de gritar; a fazer-nos viver, será que alguém me pode ajudar, uma vez mais, nesta noite, escura e fria, uma vida que não havia sem algo para me aquecer? e nunca há-de haver. Será que é aqui que eu vou morrer? Só isto te pedia... [André, 7.º 1.ª] Não vou pensar em morrer, vou procurar algo para me aquecer. O Sonho ao poder Mas eu não vejo nada, a não ser Abre a tua imaginação, uma vasta escuridão que me turva a para poderes sonhar! [visão. Sonhar com uma canção, Mas afinal, noite, que faço eu aqui? sonhar com a magia a tocar no ar. [Nuno, 7.º 1.ª] Já chega de sonhar com tudo o que não existe, Aqui... no mundo que, com a chave, num sítio de tu abriste... onde não fugi. e assim nunca mais ficarei triste... Aqui, Pararei de sonhar, porque acho que me perdi. a vida não é só um sonho! Mas aqui amei assim. Abre os olhos e verás [Rafael, 7.º 1.ª] a realidade... e não ficarás preso à grade Hoje o luar dos teus sonhos. está belo. [Bárbara, 7.º 1.ª] O luar é como uma rosa que não dura para sempre Noite, que faço eu aqui... mas que depois se volta a ver. Dei por mim a observar No luar, a alegria é como um as lindas estrelas dessa noite: mar de alergia. noite linda, de lua cheia! [Bruno P., 7.º 1.ª] Mas que faço eu aqui... Olhei para o luar, lá Talvez pela primeira vez estava um lindo anjo. sinto-te presente Olhou para mim... com tanta sensatez De repente, lembrei-me nesse teu olhar imergente. que aquele mundo não me pertencia. Porque não falas? Olhei para as estrelas Reage! cheio de dúvidas e Não te escondas disse: «noite, que faço eu aqui...» nesse teu pequeno traje. [Elizângela, 7.º 1.ª] [Paula, 7.º 1.ª]
  47. 47. Hoje o luar contigo tão bravo, é tão maravilhoso como tu! vou-me afogar. Quem sabe se um dia [Ana G., 7.º 6.ª] este sonho se concretiza! [Sara, 7.º 1.ª] Hoje o luar está diferente, a lua reflecte um olhar de tristeza. O Sonho ao poder Será da guerra que há no mundo? não passa de miragem Não! Talvez seja do tempo; sem grandes vantagens; até as estrelas nem estão tão lindas mas, com força e coragem, hei-de como de costume. [fazer de ti o que prometi: A lua está cheia e grande uma realidade para se ver. mas só! [Eliana, 7.º 1.ª] Será que está triste connosco? A confusão que há na terra Ouve, silêncio, é por causa do homem porque me rodeias todas as noites, e até a lua se entristece. ao luar que me passa pela janela? Porque sempre te revelas? As estrelas não brilham, Na noite, na escuridão de velas, são só uns pontos que estão se a tua vida no céu. O que aconteceu? não é uma novela? Elas também sentem e vêem [Paulo, 7.º 1.ª] e o mundo está todo como elas. Nem todas as mãos É com o luar que falo e vejo são o que são, o que se passa na terra. mas alguns colegas meus Mas hoje está tudo triste. também não. Tão triste, que nem a lua berra. [João M., 7.º 6.ª] [Ana S., 7.º 6.ª] Aquela nuvem parece um cavalo, E se houvesse uma deusa escondida outra, uma mão naquele canto que tanto odeio, que parecia que ia dar um estalo; naquele canto tão solitário? Vi uma igual a um cão, Porque será que ninguém lhe liga? mas nenhuma mais bela que uma flor que representava o amor. Melhor, porque será que está ali? [Francisco, 7.º 6.ª] Gostava de um dia descobrir, gostava de um dia saber a sua história. Cala-te, mar, Gostava de um dia sorrir que és tão barulhento: e sentar-me ao pé daquele canto quando chocas com as rochas sem o odiar pela sua solidão. és como uma corneta [Ana M., 7.º 6.ª] a bater na terra. Cala-te, mar, Os outros foram para o comício, que me dói a cabeça, enquanto fiquei no vício, ao ouvir-te gritar. a estragar os meus pulmões. E eles a divertirem-se, Quero que te cales, num palácio de grandes salões... mas não para sempre. [João L., 7.º 6.ª] Acalma-te, mar, que quero nadar:
  48. 48. Eh, amigo lagarto, na sua mente, leva-me lá para os teus lados, um sentimento, uma fraqueza ou alegria, deixa-me ficar do teu tamanho, que represente o que é ou o que seria. para passar despercebido. Faz um jogo Se não me deixares ir contigo, com o que sente eu fico por cá. e acaba por expressar Fico só comigo, o que realmente sente. Fico na solidão. [Tiago, 7.º 6.ª] Talvez me dedique a uma profissão, Tu... talvez uma coisa normal, Pessoa em que penso, talvez fique a cuidar do meu cão, pessoa com que sonho, pois não existe outro igual. pessoa em que me vejo. [João Afonso, 7.º 6.ª] És a pessoa O general entrou na cidade, que ninguém pensa que é! toca a marchar, Por ti vamos cumprir as suas ordens, chovem lágrimas minhas. pois, se não, teremos de pagar. No meu pensamento, estás tu O general gosta de ordem, em qualquer momento! gosta de organização. [Pedro Mayo, 7.º 6.ª] Enquanto marchamos, é melhor fazer uma canção, Eh, amigo lagarto, para assim esquecer tens uma vida de descanso: as mágoas do coração. dormes ao sol, [João Afonso, 7.º 6.ª] bebes. Deixas o teu amigo Cala-te, mar. nas portas do perigo Quando vou à praia, e arranjas outro. oiço o mar, Comes moscas e mosquitos, penso que estou a delirar. deixando-nos em paz. A água está fria: dá para andar a [Paulo, 7.º 6.ª] pé. Olhas para as rochas, vês burriés; Um grito no meio da solidão olhas para trás, pensas que estás a para ajudar ser seguido, a passar a escuridão, muitas vezes pelo inimigo. um grito para me lembrar Andas e andas com medo, do medo que passei, é o mar a falar de todas as coisas que dei. com um rochedo. Nunca esquecer que temos coração, Cala-te mar, que nos fazes chorar. nem que seja para dar um grito, [Tânia, 7.º 6.ª] mas pela nossa gratidão. [Micaela, 7.º 6.ª] A poesia não é um dialecto. É apenas ficção. Tu, outra vez, Tristeza, O poeta escreve o que sente, pára de me aborrecer, embora de maneira diferente. solta-te do meu corpo, viaja para outro lugar. O poeta procura, [Carolina, 7.º 6.ª]
  49. 49. Chove... Quando te beijo nos olhos Não sei o que fazer. de encontros e desencontros, Vou pagar às nuvens imagina como seria para parar de chover. viver dentro deles [Carolina, 7.º 6.ª] ................................................. [Cláudia, 7.º 2.ª] Ó vento que trazes os gritos do mundo, de pessoas desesperadas, Um anjo cigano, afundadas no imundo, de brinco na orelha esquecidas nas arcadas, e mãos vazias, que caem num poço sem fundo. pele queimada, [Luís, 7.º 6.ª] como a de quem anda ao sol, nestes dias Talvez pela primeira vez do céu desceu tenhas tido uma razão e olhou-me com olhos para me abandonares de vez. de profunda sinceridade: Mas partiste-me o coração. deu-me esta estrela [Luís, 7.º 6.ª] que até hoje me tem olhado. Nem todas as mãos [Matilde, 7.º 2.ª] servem para trabalhar: umas, esforçam-se bastante; A minha solidão outras, ficam a olhar. é o meu passatempo. [Luís, 7.º 6.ª] A minha alegria é como o vento: Aqui... vai, vem, depressa ou lento. desenhando ondas [André, 7.º 2.ª] de um mar sem fim, usando um lápis de pau de pedra Chove... que só se cola a mim. Tristemente, olhamos para o céu, [Sara, 7.º 6.ª] a ver a chuva cair. Quando a chuva pára, Tu respira-se um ar de alívio que me atormentas — de quem quer sair. o coração [Bruno S., 7.º 5.ª] e me fazes cair num poço É tão fácil dizer, sem fundo, numa floresta É tão fácil falar, profunda, Só é difícil dizer de tristeza O que se está a pensar. e ansiedade, [Rita, 7.º 5.ª] que depois se transforma Quando te beijo nos olhos, em momentos Sinto o teu olhar, de alegria... tão suave e tão doce, Quando tu chegas, a olhar o luar. [Mónica, 7.º 5.ª] e eu, feita estúpida, acredito em mentiras... [Silvana, 7.º 3.ª]
  50. 50. Hoje o luar Todos os punhais que fulgem nos mudou! [gritos Nesta noite em que a lua nasceu da carne tocada pela dor e [vermelha, infelicidade o meu coração desabafou, dos perseguidos e oprimidos, a dor já não me pertence; inimigos da religião, neste momento, injustiçados e julgados não choro. pelo desejo de liberdade. Agora és tu, só tu, [Gonçalo, 7.º 5.ª] que me procuras, nesta noite de luar. Cala-te, mar! [Carla, 7.º 5.ª] Cala-te, luar! Deixa-me ouvir, A história dos teus olhos o teu pensar. Nasceu num rio, [João Tomás, 7.º 6.ª] Fui eu que a criei E ninguém se riu. Noite, que faço eu aqui, nestas trevas tão negras? A história dos teus olhos Pudesse eu escapar, É bela como a vida, para as estrelas voar. Toda a gente olha para ela [Joana, 7.º 2.ª] Com uma cara divertida. Grito na solidão A história dos teus olhos com todo o meu coração, É emocionante, mas foi tudo em vão, Cada vez que a oiço porque ninguém tem coração. É perturbante... Grito na felicidade, [Luís, 7.º 5.ª] mas ninguém me acompanha na fidelidade! Talvez pela primeira vez [José Luís, 7.º 2.ª] O homem soubera o que é a dor, Sentindo talvez São onze horas da manhã, O que é o amor. não me apetece levantar. O amor, Só de pensar que no trabalho O que é isso? vou ter de me cansar... Um sentimento de dor? Bem... Não, um sentimento que faz um amor. tem mesmo de ser, [João B., 7.º 5.ª] vou-me levantar, os dentes lavar, Aqui... Ah!... Não me posso esquecer Aqui estou eu, da pasta levar. Sentada neste vazio, [Rita, 7.º 2.ª] Sozinha outra vez. Surgiste e a noite ficou diferente, E agora todas as cores tudo ficou mais belo. Que preenchem a minha vida Pudesses tu ser uma dama num castelo Desapareceram. e eu o príncipe encantado. O tempo vai passando, Sente as palavras da minha boca, À medida que me torno chove bastante no teu reino. Nesta página vazia. É pena, o poema acabou. [Mariana, 7.º 5.ª] [Tiago P., 7.º 2.ª]
  51. 51. Quando te beijo nos olhos, Eh, amigo lagarto, apetece-me beijar-te: ao menos tenho um amigo, no teu nariz avermelhado; que não escolhe os amigos nos teus lábios rosados; por dinheiro, nem pelo modo como na tua bela face. se vestem, Preciso de ti, mas pelo que são. volta para mim... [Simão, 7.º 3.ª] [Mafalda, 7.º 3.ª] Aquela nuvem parece um cavalo, Aqui... a outra parece um elefante, Aqui há conhecimento. a outra, uma girafa e ainda Aqui aprende-se. um leão. Aqui há alegria. Não sabia que havia Aqui brinca-se. um zoo nas nuvens. Aqui há amigos. [António A., 7.º 3.ª] Aqui conversa-se. Aqui... onde escrevo. Um anjo cigano, [António S., 7.º 3.ª] com as asas invisíveis, com roupa rasgada, São onze horas da manhã. com pouco dinheiro, Acordar, acordar, mas com grande coração com a brisa marítima Ilumina o meu dia, as ondas rebentando nos meus faz do teu [ouvidos, o meu coração. as velas dos barcos suaves, [João R., 7.º 3.ª] navegando nas calmarias dos meus olhos... Vivam apenas, [Diogo, 7.º 3.ª] vivam e deixem viver, alegres e contentes, é assim que a vida deve ser... [João R., 7.º 3.ª] Um anjo cigano, a esvoaçar pelos céus, sem fazer ninguém sorrir e sem nada contentar. [Miguel R., 7.º 3.ª]
  52. 52. «LISTA DOS DESEJOS IRREALIZÁVEIS QUE LEVAREI COM DESGOSTO PARA A COVA: 1.° Não ter o meu retrato pintado por Nuno Gonçalves, que ninguém sabe quem é, e ainda bem, para esse desejo se tornar mais irrealizável. 2.° Ouvir improvisar o Schumann, sentado (eu, claro) num sofá ao lado do hálito de Clara Week. 3.° Encontrar uma carteira a abarrotar de notas e pegar- lhe com as mãos enluvadas para evitar as impressões digitais — não vá algum policia do Julgamento Final descobri-las e identificá-las. 4.° Oferecer a Cleópatra uma caixa de lenços de papiro. 5.° Ter espreitado ao mesmo tempo que Galileu pela primeira e célebre luneta feita com um tubo de órgão talvez para que um dia se pudesse captar melhor a música das esferas solidificadas. 6.° Ver a minha própria múmia no Museu Britânico.» José Gomes Ferreira, Calçada do Sol, p. 81 [Ao estilo destes «desejos irrealizáveis», formular desejos impossíveis de concretizar.] Ouvir o Beethoven ao vivo, em Lisboa, ao lado da Britney. Descobrir que tenho primos em Marte. Transformar-me num telefone para ouvir as conversas das outras pessoas. [Ana Gabriela, 7.º 5.ª] Conhecer pessoalmente a Britney Spears e dar-lhe um beijinho no umbigo. Ir ao Love dance com 13 anos. [Tiago, 7.º 5.ª] Tirar umas fotos com o Brad Pitt. Dançar com o Pedro Granger. Dar a volta ao mundo acompanaha por Catarina Furtado. [Rita, 7.º 5.ª] Viajar no tempo até Roma antiga, conhecer o Astérix e o Obélix, participando na conquista da Gália. Desempenhar o papel de Hermione no filme Harry Potter e a Câmara dos Segredos e ganhar um óscar pela minha actuação.
  53. 53. Acompanhar o Júlio Verne na viagem de balão, na sua Volta ao Mundo em 80 dias. [Mariana, 7.º 5.ª] Dar um pontapé no rabo do Salazar; Fazer um grande concerto esgotado com os Nirvana; Conhecer Newton e descobrir primeiro do que ele as leis da garvidade. [Joana D., 7.º 5.ª] Ter uma entrevista particular com o Salgueiro Maia, com o Otelo Saraiva de Carvalho e com o Salazar, em que faria um confronto entre os três sobre o 25 de Abril. Ser um desenho animado na televisão, por um dia. Conseguir falar com os animais ou plantas e interagir com as cenas da televisão, mesmo sendo telenovelas ou desenhos animados. [Paula, 7.º 1.ª] Passear no Nilo acompanhado de Cleópatra. Decobrir uma ilha cheia de dinossauros que vivessem em liberdade. [Francisco, 7.º 6.ª] Que os países ricos não avancem enquanto os países mais pobres não se igualem a estes. Que as pessoas não tenham medo do comunismo. Que as pessoas não pensem que «ter» é melhor do que «ser». [Pedro Mayo, 7.º 6.ª] Ouvir um concerto de Beethoven, sentada, e a meu lado estar o próprio Beethoven. Fazer uma viagem no tempo, para voltar à época do Galileu e ver as estrelas com ele a meu lado. Descobrir a vacina contra a sida e ser conhecida no mundo inteiro como a cientista heroína da sida. [Catarina, 7.º 2.ª] Ser filha de uma rainha e de um rei. Descobrir o fogo, ao mesmo tempo que os primatas. [Ana, 7.º 2.ª] O meu pequeno blusão de ganga, que ainda me serve, nunca mais deixar de me servir e que eu poder usá-lo durante milhões de anos. [Mafalda, 7.º 3.ª] Conhecer o elenco todo da trilogia O Senhor dos Anéis. Poder tirar o meu curso de Psicologia sem ter de estudar muito. Pôr na cabeça do Homem os erros que comete e que prejudicam a terra e todos os outros seres. [Joana L., 7.º 6.ª]
  54. 54. «O Nikias trazia ontem um embrulho e, interrogado pelo Carlos, explicou que se tratava de "delicadezas" para a ceia dessa noite em sua casa: finíssimo lombo de porco, caviar russo, queijo dinamarquês, etc. Fazia anos, em suma. (Parabéns! parabéns!) E o bom do Nikias rejubilava, sem disfarçar a volúpia que lhe suscitava o calor das coisas boas da vida — vinhinhos especiais, pratos bem apurados, guloseimas raras... Tudo com o indispensável toquezinho snobe, a especiaria mágica que obriga os homens a comerem, com aristocracia, as bodegas de que não gostam...» José Gomes Ferreira, Dias Comuns, II, p. 17 [Tendo em conta o que o amigo de José Gomes Ferreira, o pintor Nikias Skapinakis, designava como «delicadezas», fazer lista com outras iguarias, segundo o teu gosto.] Gelado; Bolo Floresta Negra; Pizza; Bombons Praliné. Queijo da Serra; [Mariana, 7.º 5.ª] Frutos silvestres; Coca Cola; Mortadela; Ovo estrelado, mexido e Queijo amanteigado da Serra escalfado; da Estrela; Hamburger; Queijo fresco; Batata frita; Fiambre; Cenoura crua; Paio; Iogurte; Chouriço; Leite; Orégãos; Gomas. Caril; [João B., 7.º 5.ª] Noz Moscada; Chocolates; Queijo amarelo de Serpa; Queijo suíço. Cocktail de lagosta; [Rui, 7.º 5.ª] Courgettes gratinadas; Velouté de gambas; Ostras; Fondue de queijo; Lagosta grelhada; Bife Tártaro; Sapateira; Sushi; Bife de espadarte; Pato lacado; Faisão; Souflé de chocolate; Arroz de Lampreia. Chaud-Froid; [Soraia, 7.º 5.ª]
  55. 55. Gambas; cogumelos e, para terminar, gelado Lagosta; frito. [Micaela, 7.º 6.ª] Queijo francês; Champanhe francês; Amêijoas; Brigadeiros; Carangueijo; Ostras; Mexilhão; Lombo recheado com Caviar suìço; ameixas; Fiambre nobre; Queijo da Serra. [Francisco, 7.º 6.ª] Queijo nobre; Berbigão; Esmeraldas; Lameginhas; Rissóis de camarão com um Canivetes; molhinho de camarão especial; Delícias do mar; Secretos; Sapateira; Queijo francês; Santola; Comida mexicana; Búzios. Bolinhos de amêndoa; [Patrícia, 7.º 1.ª] Abacaxi; Uma fatia de pão de milho da Picanha; Serra da Estrela generosamente Bifinhos com cogumelos; barrada com Soft cheese rondelé. Champanhe; Depois, como prato principal, Banana cortada às rodelas, lasanha bem recheada com carne com açúcar por cima; temperada e coberta com um Marmelada; delicioso molho de tomate. Para sobremesa, uma fatia Manga; de pudim do Abade de Priscos. Torradas. Acompanhando tudo isto, um [Mafalda, 7.º 3.ª] sumo natural das deliciosas laranjas do Algarve com uma colher de Paté de atum; açúcar amarelo. Camarão; [João Afonso, 7.º 6.ª] Rissóis; Croquetes; Nada melhor do que uma pizza tropical média, com massa Empadas; alta e fofa, acompanhada por um Paté de sardinha; sumo de laranja natural e, para Manteigas; rematar, um gelado de nata regado Presunto; com chocolate. Isto sem falar da Folhados; comida chinesa: essa sim é que me Almofadinhas. põe os olhos "em bico". Temos os [Miguel M., 7.º 3.ª] crepes, a galinha com amêndoa, massa de arroz de galinha e
  56. 56. «Por exemplo: teria coragem de publicar esta gazetilha que me saiu agora? Desculpa a brincadeira, mas vou pôr no plural o teu apelido, Manuel Bandeira —para nele caber a de Portugal e a brasileira. Sim, porque a tua Arte também é nossa, embora não o queiras. E vamos passar a chamar-te Manuel Bandeiras. Não. Não tenho coragem de publicar esta merda. Porque em Portugal, meus senhores, até as porcarias têm de ser graves!» José Gomes Ferreira, Dias Comuns, III, p. 157 [Em aula, lemos dois poemas de Manuel Bandeira e a sua biografia; escrever meia dúzia de linhas sobre a ideia com que se ficou acerca deste poeta brasileiro] Julgo que Manuel Bandeira é um poeta que expressa nos seus textos muitos sentimentos, mas que, por outro lado, é também realista e brincalhão. Gosta de contrariar muitas vezes o sentido do que escreve. No início de um dos poemas que lemos na aula, tudo parecia previsível, mas o final foi inesperado. [Ana G., 7.º 6.ª] Acho que o Manuel Bandeira escreveu os poemas com o coração e um pouco de fantasia. Tenho pena de não ter conhecido mais poemas seus, porque adorei os que li. [Elizângela, 7.º 1.ª]
  57. 57. «A espantosa quantidade de caracóis que este ano surgiu em Albarraque (milhares e milhares e milhares!) inspirou-me no domingo uma narrativa que nunca escreverei. Mas tive o gosto de imaginá-la e isso, no fundo, é o que me apaixona. Aliás, não seria difícil escrevê-la, pois se resumia à descrição minuciosa dum cerco insólito de milhões e milhões e milhões de caracóis à minha casa de Albarraque, onde a Rosalia, eu, o Alexandre e a Maria nos defenderíamos barricados no desespero. Por fim os caracóis acabavam por vencer e penetrar na fortaleza. Mas assim que nos viam — ó espanto! — refugiavam-se todos nas cascas cheios de medo. Medo de quê? Não sei. De nada. Medo. De vencer, talvez. Sorri... e quando o meu filho Raul José apareceu, continuámos a falar de caracóis. — E se os caracóis crescessem até atingirem um metro de comprimento... — propus-lhe. — Moles, espapaçados, a aprenderem a tornar-se carnívoros...» José Gomes Ferreira, Dias Comuns, II, p. 213 [Escrever o relato de uma ocupação da terra por caracóis.] A pouco e pouco, o homem começou a extinguir-se no planeta terra. Os últimos homens tornaram-se escravos dos caracóis. A terra mergulhava numa lentidão imensa, devida aos seus habitantes. Os prédios deixaram de existir, porque os caracóis tinham sempre às costas as carapaças de argila. Havia mais empregos nas limpezas da rua, porque o muco que os caracóis deixavam punha as cidades pegajosas. Fizeram-se grandes plantações de alfaces e couve, mas, a certa altura, os caracóis cansaram-se de trabalhar e, quando os humanos se extinguiram, começaram a domesticar as formigas. Fez-se, em grande escala, fábricas de armaduras para o corpo e a concha. Começaram a adorar um novo deus. As formigas foram transformadas em robôs, mas, por comerem folhas das árvores e outras verduras, os caracóis ficaram sem alimento. Surgiram epidemias — uma delas tornou-os canibais; outra, muito rápidos. Os caracóis do mar, descontentes pela acção dos seus parceiros, ataram-nos e ambas as partes ficaram com muitas baixas. Os poucos que restaram comeram-se uns aos outros. Os
  58. 58. caracóis do mar, como estavam fora do seu habitat, morreram: não estavam preparados para viver em terra. Passaram-se biliões de anos e a terra ficou habitada pelos Macrohumas, uma nova espécie, que vivia em condições bastante adversas. [Francisco, 7.º 3.ª] Estamos no futuro. O ano é 2100. Os caracóis evoluíram, não para grandes caracóis mas para caracóis pequenos, inteligentes, rápidos e carnívoros: são os seres vivos mais rápidos a comer, a fazer a digestão e a... reproduzirem- se. Todos os dias, cada fêmea tem uma hora dedicada à reprodução. Numa hora, são capazes de se reproduzir duzentas e cinquenta e nove vezes, e não precisam de machos para se reproduzir, já só dão à luz fêmeas. Depois de nascerem, já têm todas as capacidades adultas, tal como a de dar à luz. Têm uma média de vida de quarenta e cinco anos. Como é que evoluíram tão rápido? No ano 2007, George W. Bush ordenou que se fizesse uma bomba nuclear que matasse apenas árabes. Durante uma experiência para o desenvolvimento dessa bomba, houve um acidente e caracóis foram expostos a radioactividade, e evoluindo depois, secretamente, a uma velocidade incrível. Sempre que os caracóis vêem um qualquer animal, devoram- no imediatamente. Pensamos ser a única espécie animal viva e começamos a pensar que eles também comem plantas e a si próprios, e que não se reproduzem tanto para não se extinguirem. Sobrevivemos barricados nos refúgios nucleares. Os mantimentos estão mesmo no fim. Vamos morrer. [António S., 7.º 3.ª] O ATAQUE DOS CARACÓIS Tudo começou quando, há cinco anos, numa pobre vila de Portugal, um miúdo viu um gigantesco caracol. O caracol, com pelo menos um metro, mole e espapaçado, lutava no meio de uma manada de vacas. E, por muito estranho e aterrorizante que seja, o caracol comia uma vaca. Este episódio foi o primeiro de milhares de relatos de pessoas de todo o mundo, que tinham visto caracóis, ao que parecia, carnívoros. Desde então, estes monstros nojentos têm destruído cidades e exércitos de todo o mundo. A velocidade desta raça de caracóis
  59. 59. estava desenvolvida; e os caracóis libertavam das suas antenas um tal poder, que tomavam as pessoas em casa. A flora mundial estava devastada, a vida animal quase aniquilada e as pessoas acondicionadas em grandes colónias distribuídas por diversas partes do globo. As colónias humanas eram comandadas pela pessoa mais exigente no combate a estes caracóis. A morte e a doença alastraram pelas colónias e a força e o armamento ficavam fracos e gastos, impossibilitando uma boa defesa. As provisões tornaram-se um problema, ameaçavam acabar. Até que, no dia quatro de Julho, houve um ataque final a todas as colónias. Todas caíram e os sobreviventes foram mortos ou comidos pelos bichos. Até hoje, o império mundial é comandado pelos caracóis. Quem sabe se, algures no espaço, outros seres de outros planetas esterão a observar os acontecimentos? Talvez resolvam agir. Quem sabe... [Bruno Rafael, 7.º 5.ª] «Manhã. Abro a janela. Que sol! E a estas horas — imaginem! — centenas de infelizes, inclinados sobre as máquinas de escrever das repartições públicas, tocam nas teclas dos seus instrumentos burocráticos a melodia dos ofícios. Que sol! Hoje devia ser feriado nacional!» José Gomes Ferreira, Imitação dos Dias, p. 71 [Ilustrando a mesma ideia transmitida na frase de José Gomes Ferreira, anotar outras acções que também pareçam ficar mal num dia de sol.] Pessoas trancadas em casa a ver a porcaria da televisão. [Catarina, 7.º 1.ª] Dezenas de coitados que, a estas horas, acabaram de adormecer, depois de uma noite de «borga»;
  60. 60. Tantos indivíduos metidos dentro quarto, sem sequer terem aberto a janela para respirar um pouco de ar puro, agarrados ao vício da PS2 e do PC. [Frederico S., 7.º 2.ª] Os padres que estejam num confessionário, sem luz; Os homens das obras, que, mesmo ao ar livre, sentem demasiado o calor do sol. [Pedro V., 7.º 3.ª] Um grupo de alunos fechado numa sala de aulas; Um grupo de pessoas fechadas num autocarro parado numa fila de trânsito; Estar dentro do banco, numa fila enorme para ser atendido; Estar na cama, doente, sem poder sair do quarto. [Raquel, 7.º 5.ª] Estar fechado em casa, a estudar: Estar numa cama de hospital: [João Pedro, 7.º 5.ª]
  61. 61. «Mas a escada de salvação do meu prédio [...] serve também de Anfiteatro de Reunião das senhoras vizinhas que ali passam, em má-língua de convívio, as melhores horas do dia. Horas de trabalho, a descascar ervilhas e a discutir os preços dos géneros com as varinas e as hortaliceiras, e horas de recreio amargo, a trocar queixumes e suspiros a respeito das últimas catástrofes e lástimas públicas. Não param as gargalhadas, os comentários, as cantigas, as ameaçqs, os berros, as descomposturas: "Ó sr.ª D. Maria empresta-me aquilo?"... "Ó sr.ª Mariana: já veio o correio?" As criadas levam recados, confidenciam poucas vergonhas, esventram as casas dos patrões. As intrigas escorregam, nervosas, de degrau em degrau. E, volta e meia, vai tudo raso. "Sim, sua desavergonhada! Bem a vi, há dias, entrar na casa do vizinho, sua esta! À socapa, sua porca! Pela escada de salvação, sua aquela!"» José Gomes Ferreira, Os Segredos de Lisboa, p. 25 [Escrever outras falas soltas que pudessem ser trocadas por vizinhos numa escada de prédio semelhante.] — Viu a nossa vizinha? É mesmo antipática, nem nos falou. Só porque foi ao «Preço Certo em Euros» deve pensar que é melhor que nós... — Já viu o filho daquela? Comprou um carro novo. Quem pode, pode. — Senhora Natália, como é que está o seu pai? Quantos anos é que ele já tem? — Você viu ontem a Quinta da Celebridades? Aquela Elsa Raposo é uma falsa: aquilo com o Gonçalo Diniz é só jogo. Cá para mim, quem vai ganhar é o Miguel Melo ou o Gonçalo da Câmara Pereira. [Tiago, 7.º 5.ª] — Dona Esmeralda, é verdade que a esposa do vizinho do quinto andar deixou o marido? — Ah, Dona Henriqueta, a senhora sabe lá...
  62. 62. — Veja só que foi uma semana para fora com um e disse ao marido que estava a fazer um estágio em Bruxelas. — E era um gaiato, não era? — Então, ela tem cinquenta e cinco, e ele, vinte e cinco. [Susana, 7.º 3.ª] — Aqueles miúdos passam a vida a jogar à bola: qualquer dia partem o vidro. — O Senhor Doutor está muito bem na vida, não nos liga nenhuma, não acha? — E aquela do quarto andar fala mal de todos nas costas... [João Baila, 7.º 6.ª] — Ai, eu já não posso com o meu marido... A Dona Lurdes não está a ver como é que ele está. Acorda sempre mal disposto e depois ainda reclama por tudo. — Já viu que a vizinha do andar de cima, depois de viúva, compra tudo de marca... — Ó Dona Guilhermina, viu se a minha filha já saiu com o namorado? [Cláudia, 7.º 2.ª] — Ó Senhora Ana, o seu filho já veio dos Estados Unidos? — Olá, bom dia, Dona Fátima. O seu pai já está melhorzinho? — Então, Senhora Dona Clotilde? Sabe dizer-me quando é a reunião? [Ana Gabriela, 7.º 5.ª]
  63. 63. [Escrever um texto em que não surja nunca a letra A. Terá de surgir em algum momento «Zé Gomes».] Entro, vou-me, nem sei por onde. Sozinho, escondo-me dos meus medos, dos meus receios que escurecem visivelmente o tempo que vivo, que vivi e o tempo que irei viver. Indo e vindo, simplesmente espero por sugestões diferentes, nem sei porquê. Rumo, espero eu, por um novo destino onde os meus receios, os meus medos, de modo nenhum me encontrem. Espero e desejo que me levem: o tempo dorme. O sorriso só existe no sonho, ninguém consegue pôr-me num sonho. Vivo simplesmente no desejo de poder ter um sonho. Queimo-me e de modo nenhum consigo sentir dor. Estou morto? Penso que sim, isto é muito esquisito. Sou um beco triste que consegue temer o sol. Silencioso e sombrio é como me sinto. Espero que isto dure muito pouco. Se houvesse um futuro melhor... Quero morrer. Zé Gomes [Francisco, 7º 3ª] Junto de um belo rio no Porto, Zé Gomes, sempre bem disposto, comprou peixe, que levou, temperou, cozeu com legumes e comeu com imenso gosto. [Nuno, 7.º 5.ª] [Escrever um período em que cada palavra comece por nova letra do alfabeto. Há ainda outra obrigação: que o período termine com «Zé Gomes».] A bonita Catarina dormia, enquanto Francelina girava histericamente, imaginando João lavando-se, mesmo nu — o pateta, que raciocinava, sabia tudo: udometria, vasectomia, xilografia, Zé [Gomes]. [Carolina, 7.º 2.ª] António Belo começou, despreocupado e feliz, gostando, habilmente interessado, jogando lentamente, minuciosamente; nunca obeso, pouco queixoso, responsavelmente sabedor, tagarela, ubíquo, vendo, xexé, Zé [Gomes]. [Joana, 7.º 2.ª]
  64. 64. «O nosso professor de francês nasceu no Minho e, até em francês, trocava os vvvvvvv pelos bbbbbbb.» José Gomes Ferreira, Calçada do Sol, p. 47 [Escrever texto com o máximo de palavras com BB e VV, trocando sempre estas letras.] VÁRVARO, O VEVÉ VOMVEIRO Era uma vez um vevé chamado Várvaro, que bibia numa bibenda, em Vraga. Era um rapaz que adoraba tudo o que tibesse a ber com os vomveiros. Os seus vrinquedos eram carros de vomveiros e vonecos com fatos de vomveiros. O seu bestuário era roupa de vomveiros. Ninguém savia a razão pela qual ele era fanático por tudo o que tinha a ber com os vomveiros. Uns pensabam que tinha a ber com a profissão do pai. Num dia à noite, seu pai saiu para uma emergência. Foi emvora, e Várvaro começou a vrincar aos vomveiros, enquanto a mãe fazia o jantar. Várvaro subiu a um móbel (a imitar um prédio), para salbar uns vonecos que tinha posto em cima do armário. Ao descer, pôs mal o pé e caiu, magoando-se e gritando muito. Sua mãe oubiu-o e foi logo a correr ber o que se passaba, deixando o jantar a fazer. Depois de estar a tratar o Várvaro, lembrou-se que tinha o jantar a fazer. Quando foi à cozinha, habia um incêndio pela casa. Enquanto telefonaba para os vomveiros, o Várvaro foi vuscar a mangueira ao quintal. Depois de ter acavado de apagar as lavaredas, chegaram os vomveiros. Quando o pai chegou a casa, disse-lhe que estaba muito orgulhoso dele e que era igual a si. [Simão, 7.º 3.ª] Eu bi uma baca a destruir um baso bermelho que estaba cheio de rosas vonitas. Quando a Viatriz oubiu aquele varulho todo e foi ber o que se passaba, biu o baso todo destruído no chão. Só lhe apetecia verrar. [Laura, 7.º 3.ª]
  65. 65. [Escrever um texto, mesmo em prosa, que comece por uma destas frases (epígrafes de poemas de José Gomes Ferreira). a) «Passeio por um bairro pobre de Lisboa»; b) «Manhã de domingo. As igrejas enchem-se de esqueletos vestidos de medo»; c) «Nesse verão estivemos todos juntos na praia».] (Passeio por um bairro pobre de Lisboa.) Deslumbramento desta manhã mil vezes repetida com o ouro das mãos do sol a apalparem o vento, o vento-fêmea que se desoe num lençol e nos seis da roupa estendida. Peles de cadáveres que uma volúpia branca desespera — enforcados pela cólera da primavera. José Gomes Ferreira, Poeta Militante, II, p. 63 Passeio por um bairro pobre de Lisboa, numa simples manhã de domingo, e observo casas pequenas em ruas longas e estreitas. Os seus habitantes aparentam ter mais de 60 anos de idade, a maior parte das senhoras por cima da sua roupa tem um avental de xadrez apertado dos lados, com um bolso redondo na frente. Deixando aquele bairro, dirigi-me para o Rossio para tomar um café e depois fui pelas portas de Santo Antão até ao teatro Politeama. Como não tinha nada para fazer nem ninguém à minha espera, comprei um bilhete para a peça A Rainha do Ferro-Velho, com Maria João Abreu, José Raposo e João Baião, de Filipe La Féria. Quando saí de lá, desci até à estação do Rossio e apanhei o comboio para Sintra, onde vivo. Chego à conclusão de que, quanto mais vou a Lisboa. mais gosto de lá estar e cada vez aprecio mais o povo lisboeta; mas, depois, acabo por adorar o silêncio e o sossego da minha humilde casa na serra, mesmo ao lado de um café onde, todos os dias de manhã, durante o Outono e o Inverno, tomo o meu chocolate quente com uma sandes de fiambre com pouca manteiga. Enfim, sou mais uma vítima da rotina que é a vida. [Paula, 7.º 1.ª] Passeio por um bairro pobre de Lisboa. Não se vê vivalma, apenas se ouve um ou outro cão a ladrar escondido dos gatos abandonados, que se passeiam por entre os grandes arbustos que cobrem os jardins mal tratados do bairro. Mais parece uma pequena
  66. 66. cidade-fantasma, como aquelas que se vêem nos filmes de terror. Confesso que é quase aterrador passear sozinha pelas ruas deste bairro. Acelero o passo, mas algo me assusta: um barulho esquisito. Procuro alguma coisa à minha volta que possa ter provocado aquele barulho. Olho para cima e reparo que era apenas uma velhinha a estender roupa. Sinceramente, acho que nunca fiquei tão feliz por ver uma pessoa! Finalmente, reparo que a rua está prestes a acabar, para dar início a outra. Fico contente. Ouço um cão a ladrar, muito perto dali. Pregou-me um susto de morte, de tal modo que tropecei num buraco e quase caía. Já descobri mais uma lágrima de tristeza de Lisboa. [Ana Morais, 7.º 6.ª] (Manhã de domingo. As igrejas enchem-se de esqueletos vestidos de medo.) Doente de febres subtis posso lá reduzir o Sonho do Maior Segredo a esta burocracia de morte mole! Não, não invejo esta gente que ajoelha feliz diante do Medo com feições de sol. José Gomes Ferreira, Poeta Militante, II, p. 62 Manhã de domingo. As igrejas enchem-se de esqueletos vestidos de medo e o sino da torre começa a tocar, a missa vai começar, os idosos começam a rezar. O padre levanta-se e ouvem-se os sapatos do velho. O pai nosso faz eco nesta igreja friorenta e os corpos, vestidos de medo, começam a chorar, por causa deste velho homem, que era amado por todos. As mulheres pegam nos terços e começam a falar para Deus, com os olhos fechados de medo. [Afonso, 7.º 6.ª] (Nesse verão estivemos todos juntos na praia: o Manuel Mendes e a Bá, o Chico e a Maria Keil, o José Bacelar e a Maria Luísa, o José Rocha e a Selma. E eu mergulhava no mar aos Vivas à República!) Carcavelos. «Aqui nesta praia amarela...»
  67. 67. tanto esperei em vão pelo princípio do mundo com os pés a doerem-me nas conchas de sangue nu dos tapetes... Depois despia-me e desafiava o mar para sentir na pele aquele frio antigo tão doce de alfinetes. José Gomes Ferreira, Poeta Militante, II, p. 226 Nesse verão estivemos todos juntos na praia, eu, a Mafalda, a Marta e o Simão. Fomos para a Costa da Caparica nas férias e «abancámos» em minha casa; fizemos um acantonamento. Às vezes, como a casa fica quase em cima do mar, íamos para a praia durante a noite, por volta das onze horas. Como é costume, nas férias não há horas para nada (pelo menos, para nós não havia). Levantávamo-nos quase sempre às dez horas da manhã. Eu e o Simão preparávamos ovos com bacon, depois vestíamos os biquinis e os fatos de banho e «ala para a praia, que se faz tarde», dizíamos nós. Passadas algumas horas, vínhamos da praia e, enquanto os outros tomavam banho, a Marta e a Mafalda faziam o almoço. À tarde, ficávamos em casa, mais propriamente no terraço, a fazer os trabalhos de casa. Quando os acabávamos, íamos ver televisão ou comprar um gelado ou uma gofre. Por volta das 21 horas, começávamos a fazer o jantar ou então íamos a um restaurante de um amigo do meu pai que nos oferecia o jantar, desde que, a seguir, lavássemos a louça toda. Estas férias foram cansativas mas as mais divertidas que alguma vez tive. [Carolina, 7.º 3.ª]
  68. 68. «Nos meus tempos de escola as azedas ocupavam na lista das paixões juvenis um lugar primacial. // Eram umas ervas ácidas, impossíveis de trincar sem caretas, que vinham logo a seguir ao futebol e ficavam um pouco antes do Texas Jack e do Júlio Verne.» José Gomes Ferreira, O Mundo dos Outros, p. 57 Portanto, José Gomes Ferreira organiza uma espécie de top das suas «paixões juvenis»: 1. Futebol; 2. Azedas; 3. Texas Jack; 4. Júlio Verne. [Fazer uma lista equivalente de «paixões juvenis».] 1. Doces; 2. Play Station 2; 1. Amigos; 3. Ver Tv; 2. Dançar; 4. Ler livros de aventuras; 3. Compras; 5. Dormir; 4. Centro Comercial; 6. Ir ao cinema; 5. Cão. 7. Ir à praia; [Bárbara, 7.º 1.ª] 8. Futebol. [Nuno, 7.º 1.ª] 1. Bicicleta; 2. Computador; 1. Jogos de video; 3. Futebol; 2. Televisão; 4. Pop/Rock. 3. Ir a casa de amigos; [Ricardo, 7.º 1.ª] 4. Jogar à apanhada; 5. Sporting; 1. Natação; 6. Praia; 2. Escola; 7. Cinema; 3. Amigos; 8. Andar de bicicleta. 4. Banda Desenhada; [Rafael, 7.º 1.ª] 5. Animais (papagaios); 6. Pizzas; 1. Amigos; 7. Doces. 2. Futebol; [Eliana, 7.º 1.ª] 3. Desenho; 4. Bob Marley; 1. Estar com os amigos de manhã; 5. Computador; 2. Chegar a casa e brincar com o 6. Praia; meu cão; 7. Cinema; 3. Ver televisão depois do estudo; 8. Gomas; 4. Jogar playstation; 9. Ténis; 5. Ver um filme a seguir ao jantar. 10. Bonsai. [João G., 7.º 3.ª] [André, 7.º 1.ª]
  69. 69. 1. Pintar; 4. Família; 2. Revistas; 5. Amigos(as); 3. Computador; 6. Máquina fotográfica; 4. Filmes; 7. Televisão; 5. Actores; 8. Aulas; 6. Música; 9. Escola; 7. Telenovelas; 10. Rádio; 8. Trabalhos Manuais; 11. Cobertor; 9. Cantores. 12. Cama; [Silvana, 7.º 3.ª] 13. Batatas fritas; 14. Gomas; 1. Futebol; 15. Gelados; 2. Quinta-feira; 16. Pastilhas; 3. Pizza; 17. Almofada; 4. Coca-cola; 18. Vivenda no Alentejo; 5. Batatas fritas; 19. Férias; 6. Amigos; 20. Piscina. 7. Descansar; [Mafalda, 7.º 3.ª] 8. Sexta-feira; 9. Estudo Acompanhado. 1. Internet; [Rui, 7.º 3.ª] 2. Amigos; 3. Passear; 1. Cinema; 4. Ouvir música; 2. Música; 5. Dançar; 3. Televisão; 6. Conversar; 4. Animais selvagens; 7. Gelados; 5. Futebol; 8. Verão; 6. Natação; 9. Góis; 7. Basquetebol; 10. Piscina. 8. Pizza; [Rita, 7.º 2.ª] 9. Ténis; 10. Andar de bicicleta; 1. Compras; 11. Andar de skate 2. Algarve; 12. Patinagem. 3. Mar; [Laura, 7.º 3.ª] 4. Gatos; 5. Surf; 1. Voleibol; 6. David Beckham; 2. Nicole Kidmen; 7. Cristiano Ronaldo; 3. Bryan Adams; 8. Piscinas gigantes; 4. Gomas; 9. A cor laranja; 5. Carne; 10. Esparguete à Bolonhesa. 6. Paintball; [Teresa, 7.º 2.ª] 7. Chocolates; 8. Voar; 1. Música; 9. Escrever; 2. Desporto; 10. PS-2. 3. Escola; [Miguel M., 7.º 3.ª] 4. Amigos; 5. Diversão; 1. Mãe; 6. TV; 2. Avó/Avô; 7. Filmes; 3. Afilhada; 8. Jogos (de todos os tipos);
  70. 70. 9. Estudar (certas coisas); 10. Compor (músicas); 1. Estar com os meus amigos; 11. Escrever (de tudo); 2. O skate; 12. Futebol (Sporting) 3. Messenger; [Ana S., 7.º 6.ª] 4. Televisão. [José Abril, 7.º 5.ª] 1. Ficar na escola à tarde; 2. Ir às compras; 1. Futebol; 3. Estar no msn; 2. Dança; 4. Festas de anos; 3. Novelas; 5. Britney Spears; 4. Pintar; 6. Agatha Ruiz de la Prada; 5. Animais; 7. Ginástica rítmica; 6. Jogar no computador; 8. Cinema; 7. Jogar no game box color; 9. Dançar; 8. Ouvir música; 10. Cantar; 9. Estar com os amigos e família; 11. Divertir-me. 10. Ver filmes. [Joana B., 7.º 5.ª] [Catarina, 7.º 5.ª] 1. Rex, o cão polícia; 1. Sair com os amigos; 2. Ir ao cinema; 2. Ficar à tarde na escola; 3. Ténis; 3. Ir às compras; 4. Música; 4. Ir a festas; 5. Escrita; 5. Estar no msn; 6. Coleccionar; 6. Ver televisão; 7. A amizade; 7. Dançar; 8. O amor. 8. Ouvir música; [Joana D., 7.º 5.ª] 9. Ir ao futebol; 10. Ir ao cinema; 1. Playstation; 11. Ir ao parque de diversões; 2. Férias; 12. Ir ao teatro; 3. Judo; 13. Jogar computador. 4. Leitura; [Rita, 7.º 5.ª] 5. Escuteiros; 6. Fins de semana 1. Surf; 7. Futebol; 2. Colegas; 8. Viagens; 3. Escola; 9. Empadão de carne; 4. Festas; 10. Homem-Aranha. 5. Música; [Bruno Rafael, 7.º 5.ª] 6. Patinar; 7. Família; 8. Compras; 1. Praia; 9. Estudar; 2. Mar; 10 Televisão. 3. Sol; [Tiago, 7.º 5.ª] 4. Ouvir música; 5. Passear com os amigos; 1. Minha família; 6. Voleibol; 2. Amigos; 7. Futebol; 3. Animais; 8. Conchas. 4. Estrelas; [Raquel, 7.º 5.ª] 5. Meias às riscas;

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