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Revista soli-01-2012-web

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  • 1. Socialismo LibertárioRevista da Coordenação Anarquista Brasileira - Número 1 - Junho de 2012 NOSSA CONCEPÇÃO DE PODER POPULAR
  • 2. Revista Socialismo Libertário - N.1 jun/12
  • 3. SUMÁRIOEditorial04Nossa Concepção de Poder Popular08Declaração de Princípios da CAB20Organizações que Compõem a CAB22 Revista Socialismo Libertário Tiragem: 500 exemplares Impressão em São Paulo - Junho de 2012 Contato: secfao@riseup.net
  • 4. Editorial População e anarco-sindicalistas comemoram a libertação de prisioneiros na Espanha em 1936.H á 150 anos, homens e mulheres aspiraram movimento operário realizou uma greve geral em à união e à coordenação internacional vários estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e do incipiente movimento operário, para, Rio Grande do Sul. Tais mobilizações, ocorridas através do federalismo e da livre associação, em 1917, há 95 anos, também contaram com areunir a força necessária para golpear e derrubar o presença da militância anarquista, que ajudou acapitalismo. Durante esse processo, os anarquistas constituir o que chamamos hoje de luta sindical.estiveram presentes e constituíram parte significativa Os anarquistas também construíram espaços específicos para o debate de suas questões, paradesse esforço militante. estabelecer acordos, analisar a realidade em que viviam, produzir declarações públicas e planejar Estivemos nas barricadas da Comuna de Paris, suas ações. Esse foi o caso dos grupos anarquistasem 1871, nas experiências comunais das revoltas na formados no início do século, tais como a AliançaMacedônia, em 1903, nas lutas e nos sonhos criados Anarquista do Rio de Janeiro, em 1918 – que tevepela Revolução Mexicana de 1911, nos combates vida curta, atingida duramente pela repressãoencarniçados da Revolução Russa, de 1917. Aspiramos – e o Partido Comunista (libertário), de 1919.e construímos nossos sonhos libertários durante a Esta iniciativa organizacionista, recorrente,Revolução na Manchúria (1929-1931), a Revolução jamais foi apagada pelo tempo. No contextoEspanhola (1936-1939) e a Revolução Cubana, de da redemocratização (depois do Estado Novo1959. Mais tardiamente, estivemos nas universidades e getulista), os anarquistas brasileiros, após anosfábricas nos acontecimentos do Maio de 68 e nas lutas de ditadura, tentaram, apesar das dificuldades,contra as ditaduras da América Latina. Fizemos parte reorganizar-se numa Federação Anarquista deda Primeira Internacional (1864-1877), da Segunda âmbito nacional. Atuam neste período, de 1946 aInternacional (1889-1916) e da Internacional Anarco- 1959, a União Anarquista de São Paulo, a UniãoSindicalista, de 1922. Impulsionamos sindicatos de Anarquista do Rio de Janeiro, o grupo anarquistaintenção revolucionária e organizações anarquistas Ácratas do Rio Grande do Sul e individualidadesnas Américas, na Europa, na Ásia, na África e na de outros estados. Oceania. Temos mantido permanentemente, desde o Nesse processo, há 55 anos foi realizadasurgimento do anarquismo, nossa presença em meioàs lutas sociais nos cinco continentes. a Conferência Anarquista Americana, em Em solo nacional, nos misturamos, desde Montevidéu, no Uruguai, contando com aa Primeira República, aos combates classistas nos presença de delegados do Brasil, da Argentina,bairros, nas ruas e nas fábricas, sempre com a utopia dos Estados Unidos, do Paraguai, do México eda transformação radical sublinhando nossas ações. do próprio país sede, servindo como um dessesHá 100 anos, no estado de São Paulo, militantes espaços para a articulação e o fortalecimento dooperários decidiram dar um basta à educação anarquismo.vigente, elitizada, restrita e a serviço do pensamento Todas essas iniciativas demonstram adominante; unindo pensamento e ação, plantaram as vontade histórica dos anarquistas de se organizarsementes das escolas modernas. Cinco anos depois, o para intervir com maior vigor no terreno da luta
  • 5. Socialismo Libertário [edição 01] p. 5 Rebeldes magonistas libertam a cidade de Tijuana, no México, em 1911, do controle da ditadura federal.de classes: se há luta, há resistência; se há dominação, de organizações específicas anarquistas inseridashá organização e vontade de transformação social. socialmente, que contribuísse com a construção de Hoje, neste pedaço de terra da América um horizonte de auto-organização e emancipaçãoLatina chamado Brasil, no décimo aniversário do das classes oprimidas.Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), nós, O contato que, em 1994, foi travado comorganizações anarquistas que constituímos parte a Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e, conse-do FAO, humildemente damos continuidade às qüentemente, com toda sua história – desde 1956,aspirações, aos sonhos e às lutas de milhares de a FAU atuou ininterruptamente, parando apenasmulheres e homens que viveram para aportar grãos quando boa parte de seus militantes foram presos,de areia na construção de outra sociedade, socialista mortos, seqüestrados ou desaparecidos –, foi mar-e libertária. São 10 anos de uma caminhada que, cante neste processo. As relações políticas com aainda que modesta, julgamos conseqüente, com FAU foram decisivas para a opção que fizemos emtodas as dificuldades e desafios que implicam relação ao modelo de organização especificamentetal intento. Temos buscado a construção de uma anarquista que hoje adotamos.organização nacional, desde baixo, construída pela Por razão dessas relações, a Federaçãobase, de forma sólida e madura, nesse imenso e Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande dodiverso território, sem nunca perder do horizonte o Sul, foi fundada, em novembro de 1995; e, desdeobjetivo da revolução social. então, o intento conjunto se fortaleceu com outras No Brasil, parte de nossa geração, privada organizações posteriormente fundadas. O projeto dedo contato com os nossos “velhos” combatentes, construção de uma organização nacional anarquista,teve de se apoiar, em grande medida, em suas fundamentada no modelo organizativo da FAU, foipróprias realizações. Somos fruto de anos de impulsionado no Brasil por um processo que ficoudebates e articulações que visaram reorganizar o conhecido como Construção Anarquista Brasileira.anarquismo brasileiro, para que ele pudesse incidir A primeira tentativa nesse sentido foi a fundação, emnas lutas de seu tempo. Somos fruto das iniciativas 1997, da Organização Socialista Libertária (OSL),que buscaram formas distintas de associação e com núcleos no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rioorganização de classe, experimentos e experiências de Janeiro e Pará, que terminou se revelando umade contracultura, com todas suas contradições e iniciativa precipitada.limites. A depender da região, somos fruto do contato Em 2002, uma nova tentativa, pautadadireto com gerações mais antigas do anarquismo, em grande medida no acúmulo das experiênciascujo esforço jamais pode ser esquecido. Somos, anteriores, decidiu criar um fórum, o FAO. Eraenfim, uma geração de jovens que começou a militar um passo inicial, que tinha por objetivo permitirentre os anos 1980 e 1990 e que, a partir de então, o acúmulo necessário de debates, de acordos eassumiu para si a tarefa de atualizar o anarquismo, de experiências práticas, para a fundação de umavisando constituir uma ferramenta de luta, a partir organização anarquista nacional. A lição dos
  • 6. Socialismo Libertário [edição 01] p. 6 Operários e anarquistas marcham portando bandeiras negras pela cidade de São Paulo na greve de 1917.anos 1990 tinha sido aprendida: não podíamos últimos anos, se torna a Coordenação Anarquistacomeçar a “construir uma casa pelo telhado”. Brasileira (CAB). Assim, maiores esforços se fazem Desde a fundação do FAO, algumas or- necessários, e a responsabilidade que assumimos comganizações deixaram de existir e outras se con- esse passo também é grande. No entanto, as aspirações,solidaram e vêm sendo decisivas para esse esforço os sonhos e a vontade que temos de construir outracoletivo: o Coletivo Anarquista Zumbi dos Pal- sociedade, em que nós, classes oprimidas, sejamosmares (CAZP), de Alagoas, que comemorou em donas de nossos próprios destinos, é tamanha, que nãoabril seus 10 anos; a Federação Anarquista do Rio nos intimidamos.de Janeiro (FARJ), que já vai para seus 9 anos e É por isso que, nesse 10º aniversário doa Organização Anarquista Socialismo Libertário FAO, data do congresso de fundação da CAB,(OASL), de São Paulo, que vai para seu 3º ano de reafirmamos nosso compromisso militante de nosatividades. somar na construção de um povo forte, que ponha Outras organizações vêm aos poucos se abaixo o sistema de dominação capitalista a partirsomando ao processo e mantendo proximidade da luta direta, pela base, da construção federativa decom o FAO, estreitando os laços orgânicos: o nossas próprias instâncias de auto-organização, deColetivo Anarquista Bandeira Negra (Santa autogestão e de democracia direta. Amparados nasCatarina), o Coletivo Anarquista Luta de Classe experiências históricas daqueles que nos precederam,(Paraná), o Coletivo Mineiro Popular Anarquista comemoramos a fundação da CAB como mais um(Minas Gerais), a Organização Resistência importante passo na presença do anarquismo nas lutasLibertária (Ceará), o Coletivo Anarquista Núcleo sociais contemporâneas.Negro (Pernambuco), o Coletivo Libertário Neste primeiro número da revista SocialismoDelmirense (Alagoas) e outras iniciativas, Libertário, apresentamos um texto com nossasque estão em processo de nucleamento ou de concepções sobre o poder popular, tema que julgamosarticulação. essencial. Esperamos ter condições de, nos próximos O aniversário de 10 anos do FAO é números, aprofundar questões teóricas, estratégicasespecial para nós, já que, há mais de um ano, e conjunturais, de maneira a estimular esse processotemos debatido e apontado a necessidade de nacional.darmos um passo a mais na direção do nossoprojeto nacional. Queremos avançar, porém, sem Em memória aos milhares de militantes anarquistastirar o pé do chão, no sentido de proporcionar que fizeram história!uma maior organicidade entre as organizações Em memória aos oprimidos e às oprimidas, dee de responsabilidades e compromissos mais ontem, hoje e sempre!profundos. Para isso, decidimos passar de um Viva a revolução social! Viva a anarquia!fórum para uma coordenação: o FAO, por razão Rumo à organização nacional!desse ganho de organicidade conquistado nos
  • 7. NOSSA CONCEPÇÃO DE PODER POPULAR “Uma concepção e uma prática de autogestão têm, em sua produção específica, seu próprio discurso. Têm sua própria produção de poder que, nesse caso, é de poder popular.” Federação Anarquista Uruguaia (FAU)O especifismo, nossa corrente do inseridos, e é nesse sentido que concebemos anarquismo, em especial na América nossa proposta de poder popular, pautada em Latina, vem se preocupando há mais uma estratégia determinada de intervenção de meio século com a problemática social, de uma prática política, que possado poder popular. Nesse texto, tratamos de impulsionar nosso objetivo revolucionário eformalizar elementos relevantes dessa discussão, socialista.que hoje são compartilhados pelas organizaçõesque constituem a CAB. Nossa concepção de poder O anarquismo e o poder popularpopular constitui, simultaneamente, um objetivo euma estratégia, ambos os quais fornecem as bases O anarquismo surge durante o séculopara uma prática política ancorada no contexto XIX como uma forma de socialismo, ou seja,histórico e geográfico em que estamos inseridos, como uma de suas correntes, a qual conta,de maneira a fortalecer nossa intervenção no hoje, com uma longa história na luta dosconjunto de forças em jogo. Não se trata, dessa oprimidos, envolvendo embates, conquistas,maneira, de uma discussão puramente teórica derrotas, prazeres, sofrimentos e martírios.ou filosófica, que visa tão-somente conhecer arealidade ou refletir abstratamente sobre ela. Para “Há sacrifícios, lutas, sangue e sonhos nonós, o anarquismo é uma ideologia: um “conjunto interior desse conceito de socialismo. Háde idéias, motivações, aspirações, valores, uma longa história de resistências. É umaestrutura ou sistema de conceitos que possuem produção histórica vinculada aos anseiosuma conexão direta com a ação – o que chamamos dos de baixo. Não é uma ciência, mas umade prática política”. [FARJ. Anarquismo Social e aspiração, uma esperança do ser humano,Organização] das classes, coletivos e povos oprimidos.” Pensamos que o anarquismo deve, [FAU/FAG. Wellington Gallarza e Malvinanecessariamente, conceber essa prática política no Tavares: trabalho FAU-FAG por uma teoriaintuito de transformar a realidade em que estamos política libertária]
  • 8. Socialismo Libertário [edição 01] p. 9 Essa longa história do anarquismo, entendemos que o anarquismo sempre esteveinseparável das lutas que ocorreram e ainda pautado, desde seu surgimento, em estratégiasocorrem no sistema de dominação em que nos de poder popular. Quando Bakunin, porinserimos, constitui uma intensa memória, sobre exemplo, propunha um programa para aa qual constituímos nossas certezas ideológicas, intervenção dos anarquistas na Associaçãopautadas nos princípios que vêm fundamentando Internacional dos Trabalhadores, não faziaa ideologia anarquista. A longa história do outra coisa senão propor um projeto deanarquismo acumulou saberes, em mais de um poder popular, que pudesse transformarséculo de intensas batalhas, vividos e construídos a sociedade por meio de uma práticacoletivamente, a partir de um conjunto riquíssimo revolucionária dos trabalhadores. Podemosde experiências que buscaram um mesmo afirmar, diferentemente do que vêm sendoobjetivo finalista: promover a revolução social afirmado, que o anarquismo nunca foi contrae consolidar um sistema socialista e libertário, o poder, mas desenvolveu, ao mesmo tempo,chamado historicamente de socialismo libertário, críticas de um determinado tipo de podercomunismo libertário ou simplesmente anarquia. (dominação) e proposições de um outro tipo“O objetivo finalista originário do projeto socialista de poder.é o estabelecimento de uma sociedade igualitária, Todas as práticas anarquistas forjadasuma sociedade [...] sem classes”. [CAZP. Alagoas em meio às classes oprimidas e que tiverame o Poder Popular] Esse objetivo prevê o fim da e têm por objetivo torná-las protagonistasdominação de maneira geral, tanto da exploração de suas lutas e de seu próprio processoeconômica, quanto os outros tipos de dominação. de emancipação e libertação foram, e são,Para nós, é fundamental ultrapassar as discussões para nós, projetos de poder popular. Háde forma, dos termos em questão, e realizar uma germes de propostas de poder popular emabordagem que leve em conta os conteúdos lutas populares do passado e do presente.fundamentais da proposta anarquista. Por isso, Portanto, não compreendemos que a idéia
  • 9. Socialismo Libertário [edição 01] p. 10 não se tornar forças sociais. Dessa maneira, distinguimos esses dois conceitos: “uma “Há sacrifícios, lutas, sangue e sonhos no força social tem determinada capacidade interior desse conceito de socialismo. Há uma de realização. Capacidade de realização longa história de resistências. É uma produção pode ser entendida, como a possibilidade histórica vinculada aos anseios dos de baixo. Não é uma ciência, mas uma aspiração, uma de produzir de determinada força social, esperança do ser humano, das classes, coletivos quando colocada em ação pelo agente que e povos oprimidos.” a detém”. [Fábio López. Poder e Domínio] Assim, a capacidade de realização coloca-se no campo das possibilidades; um agente, um agrupamento pode ter uma capacidade de realização, mas transformará essa capacidadede poder popular seja algo novo; o anarquismo, em força social no momento em que intervierconforme enfatizamos, em sua longa história, nas forças em jogo. A força social implica quedesenvolveu alguns projetos de poder popular, a capacidade saia do campo da possibilidadesempre situados dentro dos marcos caracterizados e passe a fazer parte do campo da realidade.pelos seus princípios. Não se pode, também, confundir Quando refletimos sobre a questão do força social com poder. “Poder não pode serpoder popular, em realidade, retomamos parte mero sinônimo de força social, pois para tersignificativa das teorias e práticas desenvolvidas poder é necessário fazer uso de sua força epelos anarquistas ao longo da história mas, ao ela ter efeito – ou ao menos poder fazer usomesmo tempo, optamos por algumas delas em desta força (quando lhe convier) e isto serdetrimento de outras. Além disso, desenvolvemos o suficiente para conseguir o efeito”. [Fábioposições próprias, no intuito de revitalizar questões López. Poder e Domínio] O poder existe, deque julgamos fundamentais, para uma prática fato, quando há uma imposição de vontade depolítica adequada com o contexto em que estamos um agente ou conjunto de agentes por meioinseridos. da força social que consegue mobilizar para sobrepor as forças mobilizadas por aquelesO conceito de poder que se opõem. São distintos os entendimentos do concei- Poder e dominaçãoto de poder no campo da esquerda, e pela nossaprópria defesa do conceito de poder popular, en- Falar que qualquer sociedade possuitendemos ser necessário definir com algum rigor o relações de poder não significa, entretanto,nosso conceito de poder. afirmar que todas as sociedades, e todas Concebemos o poder como uma relação as relações sociais, fundamentam-se nasocial estabelecida a partir do enfrentamento entre dominação. É por isso que consideramosdiversas forças sociais, quando uma ou mais forças fundamental distinguir os conceitos de poderse impõem às outras. e de dominação. Qualquer sociedade possui uma relação A dominação é um tipo de poder, quedinâmica e permanente entre as forças que estão em caracterizamos como um poder autoritário,jogo. Por isso, qualquer sociedade possui relações contra o qual temos nos mobilizadode poder. Indivíduos, grupos, classes sociais historicamente. A dominação é uma relaçãopossuem capacidade de realização, que podem ou
  • 10. Socialismo Libertário [edição 01] p. 11 generalizada implica a substituição de um sistema de dominação por uma sociedade igualitária/libertária. “Podemos dizer que autogestão seria, em termos gerais, o poder efetivo de decisão sobre o conjunto das questões políticas, econômicas, sociais; não realizado de cima para baixo, a partir da cúpula, mas de baixo para cima, a partir da base. Definição que abrange diversos campos: formas de organização política, organização dos processos de produção e serviços, educação, aspectos culturais e ideológicos. A autogestão, assim concebida, com a amplitude que acreditamos estar nela implicada, é toda uma concepção que precisa de elementos coerentes para um autênticode poder hierárquica que pode se institucionalizar desenvolvimento. Implica uma transformaçãocom uns decidindo aquilo que diz respeito a radical, não apenas econômica – como, deoutros e/ou a todos. Ela explica as desigualdades forma limitada, é tratada muitas vezes –, masestruturais, envolve relação de mando/obediência também política e ideológica. A autogestãoentre dominador/dominado, alienação do não disciplina corpos para a submissão, paradominado, entre outros aspectos. É o fundamento a obediência e para o mando, mas tende abásico das relações de classes, ainda que não se destruir, a descontinuar a noção atual depossa reduzir dominação à dominação de classe. política como algo reservado a uma casta,[Alfredo Errandonea. Sociologia de la Dominación] dando um outro conteúdo a esse conceito:O anarquismo, desde seu surgimento, vem lutando a tomada, pelas próprias mãos, dos diversoscontra as distintas relações de dominação: entre as organismos sociais, em todos os níveis eclasses sociais, de gênero, de raça, imperialistas etc. sem intermediários, dos assuntos que lhePortanto, o anarquismo é contra um tipo de poder competem, visando construir uma ordemcaracterizado pela dominação que, infelizmente, social sobre essas bases. O que tambémcaracteriza o modelo de poder hegemônico no implica socializar a política; não desconstruircapitalismo. seu espaço específico, mas concebê-lo de uma Em oposição à dominação e ao modelo outra maneira.” [FAU. Poder, Autogestão ede poder que a caracteriza, o poder dominador, Luta de Classes: uma aproximação do tema]defendemos a autogestão e o federalismolibertário, caracterizados por um modelo de poder Conforme buscaremos demonstrar,autogestionário e federalista, chamado por nós de nossa concepção de poder popular estápoder popular. A autogestão e o federalismo são fundamentada nas noções de autogestãoo oposto da dominação e implicam a participação e de federalismo libertário em oposição àno planejamento e nos processos decisórios, dominação. Por isso diferenciamos poderproporcionalmente ao quanto se é afetado por eles, de dominação; o poder que defendemos,pessoal, grupal ou coletivamente. Sua aplicação construído a partir da idéia de autogestão
  • 11. Socialismo Libertário [edição 01] p. 12e de federalismo, constitui as bases de nosso e estabelecido pelas classes oprimidas emconceito de poder popular e se opõe radicalmente relação às classes dominantes, o qual forneceà dominação. as bases para uma nova sociedade. O poder popular, assim concebido, visa a supressãoO conceito de poder popular do capitalismo, do Estado e das relações de dominação de maneira geral, substituindo-os Como já enfatizamos, compreendemos que por uma nova estrutura de poder, estabelecida“o poder não é algo necessariamente antipopular”; a partir dos locais de trabalho e de moradia; só“o poder popular legítimo deve existir para oprimir pode consolidar-se, portanto, por meio de umos planos de tirania, que sempre surgem nas processo revolucionário.cabeças de alguns agentes”. [Fábio López. Poder e Opor nosso projeto de poder popularDomínio] Assim, nosso projeto de poder popular à dominação implica, obrigatoriamente,torna-se uma ferramenta, um tipo de contrapoder um combate árduo contra as forças sociaisao poder existente, caracterizado pela dominação. mobilizadas, fundamentalmente, pelas classes Em termos macro-sociais, podemos dizer dominantes. Em meio à luta de classes, queque concebemos o poder popular como um modelo caracteriza o sistema de dominação em quegeneralizado de poder pautado na autogestão estamos inseridos, temos uma posição muito
  • 12. Socialismo Libertário [edição 01] p. 13clara de, como parte das classes oprimidas – já O projeto estratégico deque compreendemos o anarquismo como uma nossa correnteideologia das classes oprimidas –, impulsionarum processo que conforme a capacidade de A coerência estratégica que marcarealização dessas classes em força social e, a partir a intervenção anarquista na realidadede sua intervenção como movimentos populares, fundamenta-se na noção, para nós bastanteconsiga impor nossa força às classes dominantes, óbvia, de que o objetivo deve condicionar aacabar com a dominação e estabelecer esse poder estratégia e esta a tática. Ou seja, os meios quepopular, pautado na autogestão generalizada. O utilizarmos conduzirão, necessariamente,poder popular deve, portanto, ser edificado pela a fins condizentes com eles. Se colocamosforça dos oprimidos, a partir da comunhão decertos princípios, irmanados solidariamente emsua diversidade e com um mesmo objetivo. “Ainda que o poder popular seja um“Não se trata de colocar o nome de poder popular projeto de longo prazo (quando a forçaàs velhas e conhecidas formas de ação política e de das classes oprimidas supera as forçasrepresentação que excluem o povo de toda instância das classes dominantes), ele começa ade decisão fundamental. Portanto, não se trata desenvolver-se e se fortalece a partir dassimplesmente se tomar das classes dominantes o experiências de mobilização e luta deatual poder político centralizado, e sim de difundi- curto prazo, forjadas sobre necessidadeslo, descentralizá-lo nos organismos populares, de imediatas da população. Portanto,transformá-lo em outra coisa. De transformá-lo em construir o poder popular exige umauma nova estrutura político-social. Tomar o poder atuação imediata e não de espera emé tomar o poder nas fábricas, nos campos, nas relação a outros fatores que possamminas, nas oficinas, nas escolas, nos hospitais, nas trazê-lo sem maiores esforços, pois é nacentrais elétricas, nos meios de comunicação, nas sociedade presente que se desenvolve ouniversidades, e o poder é dos trabalhadores e do embrião da sociedade futura.”povo quando são organismos por eles controlados,amplamente democráticos e participativos, ondeos que os assumem, apropriam-se das funçõestutelares exercidas desde a esfera estatal.” [FAG. o poder popular como um objetivoDeclaração de Princípios] estratégico a ser atingido por um processo revolucionário de mobilização e luta, não O poder popular é, portanto, ao mesmo há como não conceber estratégias e táticastempo um objetivo e uma estratégia defendidos condizentes com esse objetivo e que nospelo anarquismo especifista. Ele aproxima façam caminhar rumo a eles. Esse projetonosso ideal libertário de um projeto de poder estratégico do anarquismo especifistaimprescindível para levar a cabo as rupturas que caracteriza-se basicamente pelo que temosimplicam o alcance de nosso objetivo finalista e chamado de construção do poder popular enão possui relação com as concepções vigentes da criação de um povo forte. É nesse sentidode “tomada do poder” a partir das instituições que o poder popular ganha, também, umade dominação, como no caso do Estado, seja de função estratégica fundamental.maneira revolucionária ou reformista.
  • 13. Socialismo Libertário [edição 01] p. 14 que as emancipará e libertará complemente. “Ainda que o poder popular seja um projeto de longo prazo (quando a força das classes oprimidas supera as forças das classes dominantes), ele começa a desenvolver-se e se fortalece a partir das experiências de mobilização e luta de curto prazo, forjadas sobre necessidades imediatas da população. Portanto, construir o poder popular exige uma atuação imediata e não de espera em relação a outros fatores que possam trazê-lo sem maiores esforços, pois é na sociedade presente que se desenvolve o embrião da sociedade futura.” [OASL. Anarquismo especifista e poder popular] Por isso, sustentamos que o poder popular tem de começar a ser edificado na luta popular, organizada e protagonizada pelos diversos setores das classes oprimidas, em torno das questões mais imediatas, visando os processos de ruptura mais profundos. Construir o poder popular e criar um povo forte implicam, além de fazer as lutas de curto prazo, avançar para lutas de médio e longo prazo e, por isso, temos defendido a organização popular em uma frente de classes oprimidas, que pode fortalecer permanente a força social das classes dominadas, colocado- Afirmamos que a base do poder popular é as em oposição direta às forças mobilizadasa autogestão e o federalismo libertário; portanto, pelas classes dominantes. Tal processo denesse processo estratégico de mobilização e luta, organização popular, deve ser forjado “comocompreendemos que a autogestão e o federalismo resultado de um processo de convergênciadevem fundamentar a base de nosso programa de diversas organizações sociais e diferentesde intervenção na criação e na participação movimentos populares, que são fruto dade movimentos populares. Dentre as distintas luta de classes”. [FARJ. Anarquismo Socialestratégias defendidas historicamente pelos e Organização] Trata-se de rearticular osanarquistas, nossa estratégia de poder popular oprimidos em torno de um projeto comum decaracteriza-se por constituir uma estratégia de transformação social.massas. Isso significa que queremos contribuir Dentre as várias ferramentascom a organização das massas de maneira que elas existentes para a ampliação de força socialpossam ser protagonistas de suas lutas, de curto e está a organização. Quando nos propomos alongo prazo, responsabilizando-se tanto por suas organizar movimentos populares e participarconquistas e melhorias do dia-a-dia, como também deles com um programa determinado,pelo processo de transformação revolucionária, acreditamos que estamos potencializando
  • 14. Socialismo Libertário [edição 01] p. 15as forças das classes oprimidas a partir dessa entendemos poder estimular o fortalecimentoimportante ferramenta. “Construir o poder popular de maneira a criar os sujeitos capazes depopular implica, assim, desde já, organizar novos realizar essa transformação social de bases tãomovimentos sociais e integrar movimentos amplas. Organizar as diferentes expressões dejá existentes, defendendo uma posição de luta popular segundo nossos princípios é criarfortalecimento permanente. E ele só poderá um povo forte; um fator imprescindível para osurgir e realizar-se com e pelo povo, enquanto sucesso de nossa estratégia.classe.” [OASL. Anarquismo Especifista e Os sujeitos revolucionários não estãoPoder Popular] Em nossa intervenção no dados historicamente por uma posição históricasentido de criar movimentos populares e determinista e mecanicista; nem chegarão àneles ingressar, nos apoiamos em princípios consciência e à luz por meio da atuação de auto-que permitam impulsionar lutas de massas reivindicadas vanguardas.que possam contribuir no fortalecimento donosso projeto de poder popular; independência “Para construir povo forte e poder populare solidariedade de classe, combatividade e é preciso construir os sujeitos da mudança,ação direta, democracia direta, autogestão pois estes não são dados a priori. [...] Quantoe federalismo. Tais princípios, defendidos aos sujeitos revolucionários a estruturahistoricamente pelos anarquistas no seio das econômica-política é um ponto de partida, maslutas populares, nos servem de inspiração e não define mecanicamente os agentes sociaisde guia para a organização autogestionária no transformadores. [...] Todavia, os trabalhadoressentido de construir o poder popular. Construir o poder popular significaconstruir outras relações de poder que coloquemem xeque os poderes dominantes, suas estruturase instituições econômicas, políticas, jurídicas,militares, ideológicas, culturais; enfim, o statusquo. Trata-se de ousar derrotar o sistema dedominação e realizar, na plena solidariedadeda luta popular, o acúmulo de força socialnecessário para desequilibrar as relações sociaisimpostas pelas classes dominantes e, por meio doconflito social, avançar, acumular, potencializare romper com as estruturas sistêmicas atuais.Essa estratégia só poderá contribuir com esseprocesso de acumulação de forças e rupturasse estiver funcionando em nossas própriaspráticas políticas, que devem demonstrar umaconsonância entre discursos e ações. Compreendemos que a criaçãode um povo forte só poderá ocorrer se aslutas dos movimentos populares estiveremfundamentadas na autogestão. É somente pormecanismos ampliados de participação, queimplicam meios libertários e igualitários, que
  • 15. Socialismo Libertário [edição 01] p. 16enquanto não se reconhecem e enquanto não mundo novo, com outra forma de organizaçãopossuem vontade própria, continuam a ser peças social, e que ele é capaz de empoderar-se,reprodutoras da engrenagem do sistema. Criar protagonizar e transformar a realidade em quecapacidade política no povo é desenvolver seu está inserido.potencial organizativo e prático, potenciais estesque o próprio povo já possui em estado latente O papel da organizaçãouma vez que lida diariamente com as situações de específica anarquistatrabalho e dos problemas da vida social cotidiana.”[CAZP. Alagoas e o Poder Popular] Ainda que estejamos defendendo o poder popular como uma estratégia de O novo sujeito, capaz de construir o massas, isso não significa abrir mão de umprojeto de poder popular que defendemos, deve, outro elemento imprescindível, a nosso ver,portanto, necessariamente ser (re)construído. A na construção do poder popular; trata-se daintervenção que temos por meio de nossa prática organização específica anarquista.política busca essa reconstrução na luta contra afragmentação do tecido social, completamente “O problema do poder, decisivo em uma transformação social profunda, só pode ser resolvido a nível político, através da luta política. E esta requer uma forma específica “O problema do poder, decisivo em uma de organização: a organização política transformação social profunda, só pode ser revolucionária. Só através de sua ação, resolvido a nível político, através da luta enraizada nas massas, é possível se conseguir política. E esta requer uma forma específica a destruição do aparato estatal burguês e de organização: a organização política sua substituição por mecanismos de poder revolucionária. Só através de sua ação, popular.” [FAU. A Organização Política enraizada nas massas, é possível se conseguir Anarquista] a destruição do aparato estatal burguês e sua substituição por mecanismos de poder A organização específica anarquista, popular.” esse organismo político revolucionário, constitui, portanto, um elemento central em nossa estratégia de poder popular. Não no sentido autoritário e substituísta, que subjuga a capacidade das classes oprimidasesgarçado pelas práticas de dominação, e pelo no processo de transformação social, ou asacúmulo das lutas cotidianas, que geram saberes e quer substituir nessa luta. A organizaçãopráticas relevantes, com potencial transformador. anarquista é por nós compreendida como“É, portanto, no seio das lutas que se constrói o um agente que funciona como fermento oupoder popular e, por conseqüência outro sujeito motor das lutas populares: “a organizaçãohistórico, tanto no pessoal como coletivo. Um política não é direção, mas, antes de tudo, umsujeito que não é determinado a priori, mas motor das lutas”. [CAZP. Alagoas e o Poderhistoricamente, no seio das lutas dos movimentos Popular] Trata-se de uma diferenciação entresociais.” [OASL. Anarquismo Especifista e Poder o caráter de minoria ativa, que atribuímos àsPopular] Devemos estar convictos de que esse nossas organizações políticas (nível político),novo sujeito deve levar consigo a idéia de um e o caráter de vanguarda das organizações
  • 16. Socialismo Libertário [edição 01] p. 17políticas autoritárias, naquilo que diz respeito às Trata-se, portanto, de sustentarsuas relações com os movimentos populares (nível uma relação de complementaridade, emsocial). que a organização anarquista potencializa os movimentos populares e estes, por sua“Diferentemente da organização de vanguarda, o vez, constituem o campo privilegiado paranível político organizado como minoria ativa, que a prática política anarquista. Nessa relaçãoatua com ética, não possui relação de hierarquia autogestionária entre organização anarquistae nem de domínio em relação ao nível social. e movimentos, impulsiona-se o programaPara nós, como enfatizamos, os níveis político e anarquista, pautado em seus princípiossocial são complementares. [...] O nível político fundamentais e em sua estratégia, de maneiracomplementa o nível social, assim como o nível a reconstruir o tecido social, organizar associal complementa o político. Ao contrário do que classes oprimidas, estimular entre elas aspropõem os autoritários, a ética da horizontalidade práticas autogestionárias e caminhar para aque funciona dentro da organização específica construção do poder popular.anarquista se reproduz em sua relação com os Para nós, anarquistas especifistas,movimentos sociais. Quando em contato com o construir o poder popular implica, portanto,nível social, a organização específica anarquista uma prática dupla: como membros dasatua com ética e não busca posições de privilégio, classes oprimidas, nos organizarmosnão impõe sua vontade, não domina, não engana, nos movimentos populares em torno denão aliena, não se julga superior, não luta pelos associações amplas, que agregam militantes demovimentos sociais ou à frente deles. [...] O diferentes ideologias; ao mesmo tempo, comoobjetivo da minoria ativa é, com ética, estimular, anarquistas, nos organizarmos, pautados emestar junto ombro a ombro.” [FARJ. Anarquismo nossas posições ideológicas, para intervir naSocial e Organização] realidade de maneira mais adequada. Para
  • 17. Socialismo Libertário [edição 01] p. 18 suprimidas. Temos o dever de analisar e criticar as realidades, as forças em jogo, os agentes em “O nível político complementa o nível social, questão, nossos inimigos, aliados concretos e em assim como o nível social complementa o potencial. Essa análise, juntamente com nosso político. Ao contrário do que propõem os objetivo finalista e nosso conjunto de estratégias autoritários, a ética da horizontalidade que e táticas, constitui nosso projeto estratégico para funciona dentro da organização específica intervenção e transformação da sociedade. anarquista se reproduz em sua relação com Acreditamos que, enquanto houver os movimentos sociais. Quando em contato um sistema de dominação, haverá lutas pela com o nível social, a organização esp emancipação dos oprimidos, que possuem ecífica anarquista atua com ética e não ensinamentos genuínos ao nosso projeto de busca posições de privilégio, não impõe poder popular. É em meio a essas resistências sua vontade, não domina, não engana, não que acreditamos que o anarquismo deve aliena, não se julga superior, não luta pelos estar, contanto com toda a diversidade que movimentos sociais ou à frente deles. [...] caracteriza os diferentes terrenos populares nos O objetivo da minoria ativa é, com ética, quais atuamos; devemos fortalecer os valores estimular, estar junto ombro a ombro.” libertários que ideologicamente viabilizam a existência desse projeto. As dominações econômicas, caracteriza- das pela exploração capitalista; as dominaçõesisso, defendemos ser fundamental a afinidade políticas, caracterizadas pela divisão da sociedadeideológica, teórica, estratégica e prática dessas em governantes e governados e pelas opressõesorganizações anarquistas, que possuem como levadas a cabo pela força bruta, pela coerção,fundamento a responsabilidade e a disciplina ambas impulsionadas pelo Estado; as dominaçõesde seus membros, sempre pautadas na ética de ordem cultural e ideológica, fundamentadasanarquista. pelas idéias que circulam e fortalecem esse sistema – todas essas dominações devem serO sistema de dominação e o combatidas por nós. A cultura e a ideologiaprojeto anarquista de poder produzidas pelos sistemas de dominação criampopular sujeitos individualistas, sem identidades que lhes vinculem às classes oprimidas, completamente A luta contra a dominação implica incorporados ao sistema capitalista; esse émétodos de análise e teorias para a compreensão também um problema relevante, que tambémcrítica da realidade em que atuamos. devemos enfrentar.Caracterizamos o sistema de dominação O projeto de poder popular anarquistacontemporâneo como uma estrutura contrapõe, em todos esses níveis de dominação,dominadora, fundamentada nas relações alternativas autogestionárias de luta, “gerandosociais das distintas esferas, e que possui na espaços e estímulos para a participação emluta entre classes com interesses antagônicos sindicatos, cooperativas, centros comunitáriossua expressão mais relevante. e estudantis, nas organizações de protesto e nas O capitalismo, o Estado e as diferentes reivindicações: por trabalho, saúde, teto, terra”.estruturas e instituições que contribuem para [FAU. Poder, Autogestão e Luta de Classes] o estabelecimento desse sistema devem ser Nessas distintas práticas, é fundamental que sustentemos a retomada da economia e da
  • 18. Socialismo Libertário [edição 01] p. 19política por parte das classes oprimidas, assimcomo o estímulo ao desenvolvimento dasidentidades e culturas de classe dos distintosoprimidos, e também a difusão de uma éticapautada em valores; meios que devem sustentarnosso projeto de poder popular.A CAB e a construção dopoder popular Nossa proposta de anarquismo, comofermento e motor capaz de impulsionar aslutas populares, a nível nacional e continental,torna-se, portanto, completamente vinculada aesse projeto de poder popular que continuamosa impulsionar; uma estratégia e um objetivoque julgamos ser coerentes para o tempo e olugar em que atuamos. A ideologia anarquista constitui, paranós, a base fundamental de nossa práticapolítica; concebemos, portanto, que nossasidéias transformadoras possuem, a partirde nossa intervenção prática na realidade,a materialidade necessária para intervir nojogo de forças que caracteriza o sistema dedominação em que estamos inseridos e buscartransformá-lo com as práticas de intençãorevolucionária que nos são características. Não basta apenas desejar a utopiasocialismo libertário; precisamos caminharem sua direção. Nosso projeto de poderpopular parece adequado para enfrentar essedesafio, fundamentando nossas incansáveisintervenções, desde as questões mais comuns,cotidianas, de curto prazo, até aquelas queenvolvem planejamentos estratégicos de médioe longo prazo. A CAB tem por objetivo impulsionarum projeto de poder popular nas localidadesem que atua, fazendo do anarquismo a centelhaque deve incendiar os movimentos populares,rumo ao nosso ideal de socialismo e liberdade.Lutar, criar, poder popular!
  • 19. Nossa concepção organizativa do anarquismo Todos os grupos e organizações da CAB, assim como aqueles interessados em ser seus membros, devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pela CAB é compreendido a partir dos princípios político-ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir. o que é a Princípios políticos e ideológicos CAB? A compreensão, a defesa e a aplicação dos seguintes pontos: a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido deA transformação social, a prática política. Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) b) De um anarquismo em permanente é um espaço organizativo fundado em 2012 contato com a luta de classes dos movimentos que articula nacionalmente organizações populares de nosso tempo e funcionandoe grupos anarquistas que trabalham com base como ferramenta de luta e não como puranos princípios e na estratégia do anarquismo filosofia ou em pequenos grupos isolados eespecifista. A CAB surge como resultado dos dez sectários.anos do processo de organização, iniciado em c) De um conceito de classe que inclui todas2002, com o Fórum do Anarquismo Organizado as parcelas de explorados, dominados e(FAO). Durante essa década, avança em termos oprimidos da nossa sociedade.político-ideológicos e em relação aos trabalhos d) Da necessidade do anarquismo retomarnos movimentos populares. A fundação da seu protagonismo social e de buscar osCAB marca a passagem de um fórum para uma melhores espaços de trabalho.coordenação nacional, evidenciando um aumento e) Da revolução social e do socialismode organicidade e fundamentando as bases para libertário como objetivos finalistas de longoo avanço rumo a uma organização anarquista prazo.brasileira.
  • 20. Socialismo Libertário [edição 01] p. 21f) Da organização como algo imprescindível e q) Do compromisso militante e dacontrária ao individualismo e ao espontaneísmo. responsabilidade coletiva. Uma organizaçãog) Da organização específica anarquista como com membros responsáveis, que não éfator imprescindível para a atuação nas mais complacente com a falta de compromisso e adiversas manifestações da luta de classes. Ou irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesaseja, a separação entre os níveis político (da de um modelo em que os militantes sejamorganização específica anarquista) e social (dos responsáveis pela organização, assim como amovimentos sociais, sindicatos, etc.). organização seja responsável pelos militantes.h) Da organização anarquista como uma r) Os militantes que compõem a organizaçãoorganização de minoria ativa, diferindo-se esta têm, necessariamente, de estar inseridos emda vanguarda autoritária por não se considerar um trabalho social, bem como se ocupar desuperior às organizações do nível social. O atividades internas da organização (secretarias,nível político é complementar ao nível social e etc.)vice-versa.i) De que a principal atividade da organizaçãoanarquista é o trabalho/inserção social em Estratégia geralmeio às manifestações de luta do povo.j) De que a ética é um pilar fundamental daorganização anarquista e que ela norteia toda A estratégia geral do anarquismoa sua prática. que defendemos baseia-se nos movimentosk) Da necessidade de propaganda e de ela ter populares, em sua organização, acúmulode ser realizada nos terrenos férteis. de força, e na aplicação de formas de lutal) Da lógica dos círculos concêntricos de avançada, visando chegar à revolução e aofuncionamento, dando corpo a uma forma socialismo libertário. Processo este quede organização em que o compromisso se dá conjuntamente com a organizaçãoestá diretamente associado com o poder específica anarquista que, funcionando comode deliberação. Da mesma maneira, uma fermento/motor, atua conjuntamente comorganização que proporcione uma interação os movimentos populares e proporciona aseficiente com os movimentos populares. condições de transformação. Estes dois níveism) De que a organização deve possuir critérios (dos movimentos populares e da organizaçãoclaros de entrada e posições bem determinadas anarquista) podem ainda ser complementadospara todos que queiram ajudar (níveis de apoio por um terceiro, o da tendência, que agrega/colaborador).  um setor afim dos movimentos populares.n) Da autogestão e do federalismo para a Essa estratégia, portanto, tem por objetivotomada de decisões e articulações necessárias, criar e participar de movimentos popularesutilizando a democracia direta. defendendo determinadas concepçõeso) A busca permanente do consenso, mas, metodológicas e programáticas em seu seio, denão sendo possível, a adoção da votação como forma que possam apontar para um objetivo demétodo decisório. tipo finalista, que se consolida na construçãop) Do trabalho com unidade teórica, ideológica da nova sociedade.e programática (estratégica / de ação). Aorganização constrói coletivamente umalinha teórica e ideológica e da mesma forma,determina e segue com rigor os caminhosdefinidos, todos remando o barco no mesmosentido, rumo aos objetivos estabelecidos.
  • 21. ORGANIZAÇÕES QUE COMPÕEM A CAB:Federação Anarquista Gaúcha (FAG)Rio Grande do SulFundação: 18 de novembro de 1995A Federação Anarquista Gaúcha (FAG) contra a ALCA e o FMI e também de uma série é uma organização política anarquista de lutas com movimentos como o Movimento fundada em 18 de novembro de 1995, dos Trabalhadores Desempregados (MTD) efruto de um contexto de dispersão de diversos o Movimento dos Trabalhadores Rurais Semgrupos libertários espalhados por diferentes Terra (MST).regiões do Rio Grande do Sul – Juventude Além de nossa inserção social,Libertária, que reunia militantes de Porto Alegre, mantivemos, de 2001 até 2010, nossa antigaCanoas, Guaíba e Gravataí; Grupo Ativista sede federal, como local de reunião, oficinaLibertário (GAL), de Alegrete, e Coletivo de Ação de propaganda, debates de formação, culturaLibertária (CALIBRE), de São Leopoldo – que, e encontro. Nas dependências da sede,em meio a um ambiente de discussões e procura mantínhamos a biblioteca A Conquista dode alternativas de organização para a militância Pão, hoje instalada em nossa nova sede, oanarquista, acabam por se reunir e fundar a FAG. Ateneu Libertário A Batalha da Várzea. DesdeA experiência histórica da Federação Anarquista o início, não perdemos de vista o trabalho deUruguaia e seu modelo de organização, o propaganda, com cartazes, murais de rua eespecifismo, tiveram peso em nossa formação. campanhas diversas. Sempre apostamos naNesses mais de 15 anos, estivemos presentes construção do anarquismo nacionalmentee inseridos num conjunto de experiências da e, por isso, militamos em 1996 no Processoluta popular. Contribuímos modestamente na da Construção Anarquista Brasileira, comformação do Movimento Nacional dos Catadores diversos grupos, que acabou se mostrandode Materiais Recicláveis (MNCR); na construção precipitado e não tendo continuidade.de diversos Comitês de Resistência Popular Hoje, a FAG tem militância nas frentesnas periferias de Porto Alegre; organizando os sindical, estudantil, de comunicação (rádiosestudantes em conjunto com a companheirada comunitárias) e do campo (MST), atuandoda Tendência Libertária Mobilização cotidianamente na defesa da organizaçãoDireta (TLMD) nas universidades e escolas de base, da democracia e da ação direta, dasecundaristas, e militando por outro modelo de independência e solidariedade de classe,universidade nas vilas da grande Porto Alegre tendo como horizonte a construção do Poderatravés do Coletivo pela Universidade Popular Popular.(COLUP); participamos ombro a ombro das lutas
  • 22. Coletivo Anarquista Zumbi do Palmares (CAZP) Alagoas Fundação: 2 de março de 2002O Coletivo Anarquista Zumbi dos da tendência Resistência Popular, fato fundamental Palmares (CAZP) teve como berço de para a abertura das frentes sindical e comunitária. sua militância a atuação no movimento No âmbito político, ingressamos no FAO emestudantil; ao longo desta experiência, 2005, momento que nos permitiu dar saltos tantomilitou na base do movimento, em entidades na militância social, quanto no nível político-e agrupações estudantis. Praticando também organizativo, gradativamente passando a assumira solidariedade de classe, sempre buscamos os contornos de uma organização especifista.estar junto às lutas dos movimentos sociais Inseridos no processo de construção nacional daem Alagoas. militância anarquista de matriz especifista desde Hoje, além da presença nas lutas as terras alagoanas, temos como norte contribuirestudantis, também estamos organizados nas para que a força política e social do anarquismofrentes sindical e comunitária. A primeira, encontre ressonância nas lutas das classesjunto a trabalhadores da educação e da saúde, oprimidas por justiça e liberdade.buscando resgatar uma prática sindical comprotagonismo e democracia de base. Nacomunitária, buscamos o empoderamentopopular através de atividades que têmenvolvido cultura e comunicação, em especial.No ano de 2008, junto a outros companheiros,participamos da fundação, em nosso estado,
  • 23. de 2009, quando resolvemos dar prioridade a outras frentes de atuação. Essa mudança de prioridade implicou o nosso foco na construção de uma luta mais combativa no bairro Parque Geórgia, onde construímos a sede do Centro de Cultura Popular/Resistência Popular, com as nossas próprias mãos, e desenvolvemos uma rádio comunitária e outras atividades no espaço. Outros companheiros foram atuar na construção de uma frente sindical na área da educação, na Rusga Libertária qual estão até os dias de hoje, em atuação como Mato Grosso oposição da atual direção do SINTEP; em 2012, estamos trabalhando na construção de uma Fundação: 2006 chapa de oposição. Desde 2011, com novos ingressos naA militância, pudemos voltar à luta na frente Rusga Libertária (RL) é uma estudantil, atuando no Centro Acadêmico do organização anarquista com os curso de Ciências Sociais e também em uma princípios de ação direta, democracia Frente de Esquerda, realizando uma aliançadireta, federalismo, internacio-nalismo, tática com outras correntes de esquerda daclassismo e ética libertária, que foi fundada universidade, com as quais temos construídono início do ano de 2006 como fruto de um algumas lutas conjuntamente nos últimos anos.longo processo de discussão e reflexão entre Estivemos também na luta contra a privatizaçãoos anarquistas cuiabanos que têm como da SANECAP (empresa de distribuição de águaintenção retomar o anarquismo social e na capital que foi privatizada) e também contra amilitante que tanto impulsionou a luta do privatização da saúde pública.povo oprimido no passado. Atuamos em Nos últimos três meses de 2012,Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso. estivemos atuando na luta por moradia e contra Antes mesmo de atuar como a desocupação de aproximadamente 300 famíliasorganização política, já existia militância de um terreno próximo do bairro Parque Geórgia;em um bairro na periferia de Cuiabá, com parte de um projeto de “limpeza” dos centrosa construção sendo feita por companheiros urbanos por razão da Copa de 2014. A luta foique viriam construir a RL; esse trabalho, árdua, agitada e, no final, contou com uma grandeiniciado há mais de 10 anos, existe até os vitória, que há vários anos os movimentos sociaisdias de hoje. não presenciavam na cidade. Uma luta que Atuamos na luta pelo transporte trouxe, além de um forte espírito de solidariedadepúblico, com as bandeiras do passe livre e em grande parte dos moradores dessa ocupação,contra o aumento abusivo da passagem, atualmente transformada em um bairro, que,uma luta que teve grandes movimentações hoje em dia, está pronta para atuar em outrosna cidade em um determinado período. bairros que irão passar por resistências similares.Depois disso, nos dividimos em frentes de Essa vitória, juntamente com a dos moradores doatuação. Assentamento Canaã, é um marco histórico para Tínhamos militantes atuando na a luta popular combativa de Cuiabá e do própriofrente estudantil, no período das ocupações estado do Mato Grosso.de reitorias e da luta contra a reformauniversitária, trabalho que durou até o ano
  • 24. Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) Rio de Janeiro Fundação: 30 de agosto de 2003A FARJ possui três frentes de luta social. A A mais nova é a Frente Anarquismo mais antiga é a Frente Comunitária, cuja e Natureza (FAN), antes denominada Frente principal atuação se concentra no Centro Agroecológica. A FAN foi formada no finalde Cultura Social (CCS), localizado no bairro de 2007 com objetivo de fortalecer, apoiar ede Vila Isabel. Ali, são desenvolvidos diversos desenvolver junto aos movimentos sociaistrabalhos de inserção junto à comunidade, sendo rurais um trabalho político que busqueo mais importante o Pré-Vestibular Comunitário intensificar a luta de classes em torno daSolidariedade, organizado em conjunto com agroecologia, do trabalho de base cooperadocompanheiros do Núcleo Complexo dos Macacos e da educação integral sob a perspectivado Movimento dos Trabalhadores Desempregados da educação do campo. Após importantes“Pela Base!”, militantes da Organização Popular e avanços organizativos com a fundação doapoiadores, como ex-alunos e alguns professores. Núcleo de Saúde e Alimentação GerminalNo CCS-RJ funciona, desde 2001, a Biblioteca (extinto no Rio de Janeiro) e da CooperativaSocial Fábio Luz e, desde 2004, o Núcleo de de Trabalhadores em Agroecologia Floreal.Pesquisa Marques da Costa, ambos vinculados à Atualmente, os membros da FAN atuamorganização. no Movimento dos Trabalhadores Sem- A Frente de Movimentos Sociais Urbanos Terra (MST-RJ) e na coordenação político-(FMSU, antes denominada Frente de Ocupações) pedagógica de cursos de Licenciatura eminiciou sua atuação junto ao movimento de Educação do Campo da UFRuRJ.ocupações no Rio de Janeiro, tendo participado Os militantes da FARJ, a partir de suasda fundação da Frente Internacionalista dos Sem- inserções de base, também contribuíram comTeto (FIST) em 2005. Após ter se afastado da FIST, a construção da Organização Popular (OP),no final de 2007, a frente ampliou seus trabalhos um agrupamento de tendência reunindode inserção, passando a integrar o MTD-RJ e, diferentes militantes sociais que defendemposteriormente, constituindo o MTD “Pela Base!”, um método de se organizar, nas lutas e nascuja luta central se dá a partir das demandas dos reivindicações populares, que fortaleça odesempregados e precarizados. A FMSU também protagonismo das bases e a proposta doatua no Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro poder popular, com atuação no movimentoII (SINDSCOPE) construindo um sindicalismo estudantil, sindical e popular.pela base e articulado com os movimentospopulares, no Pré-Vestibular Solidariedade, nafavela da Maré (Baixa do Sapateiro) e com o LinhaCultural, atividade que trabalha o Hip Hop comoferramenta de contestação.
  • 25. Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL)São PauloFundação: 18 de novembro de 2009E m um processo que teve início nos primeiros sendo realizados a partir da participação da meses de 2008, a OASL organizou encontros militância da OASL na Organização Popular amplos para discutir o anarquismo Aymberê (OPA), um agrupamento deespecifista, visando rearticular o anarquismo na tendência que esteve à frente da organizaçãocidade. Com significativa influência da Federação do IX Encontro Latino-Americano deAnarquista do Rio de Janeiro (FARJ), o processo Organizações Populares Autônomasde dois anos culminou na fundação, nos fins de (ELAOPA).2009, da Federação Anarquista de São Paulo, No nível político, a OASL temposteriormente chamada de OASL. A FARJ participado do FAO desde 2010, e,participou dos grandes encontros de 2008 e 2009 organicamente, a partir de 2011, quandoe a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) do de recebeu, em São Paulo, o encontro anual2009, constituindo um suporte fundamental para do FAO e as Jornadas Anarquistas, com aa formação da organização. participação de militantes de vários países Desde seu surgimento, a OASL, em nível latinos. Trabalhando a organicidade interna,social, vem trabalhando com a participação e a a OASL vem constituindo suas secretarias,tentativa de criação de movimentos populares seus documentos orgânicos e programáticos,na área metropolitana da cidade. O trabalho e articulado as relações, que incluem visitasque possui mais tempo se dá no Movimento dos a outras organizações anarquistas. TemTrabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por meio realizado formações políticas internas,da regional Grande São Paulo, com o trabalho de debates, palestras e atividades públicas,base em assentamentos, com foco na formação para aproximação de pessoas. Juntamentepolítica e na educação; há também iniciativas na com a FARJ, desenvolveu um programa deprodução, com a venda de produtos dos assentados. formação política sobre anarquismo. NaDistintos trabalhos no nível comunitário foram propaganda, tem distribuído as publicaçõesrealizados desde o início do processo: na Zona do FAO e livros da Faísca Publicações,Leste da cidade, no centro e, mais recentemente, elaborado material para o site e para ona Zona Sul, com a participação na Rede Extremo Anarkismo.net, além de panfletos e materiaisSul. Houve experiências sindicais nos bancários específicos, como “Anarquismo Especifista ee, mais recentemente, tem se desenvolvido um Poder Popular”. Tem impulsionado a criaçãotrabalho com professores da rede pública, na de núcleos da organização em outras regiõesAPEOESP. Entre os estudantes, também, houve do estado.algumas iniciativas. Todos os trabalhos vêm
  • 26. Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN)Santa CatarinaFundação: Agosto de 2011O Coletivo Anarquista Bandeira Negra Na cidade de Joinville, o CABN atua também (CABN) surgiu na cidade de Florianópolis, junto ao Centro de Direitos Humanos (CDH) e estabelecendo posteriormente um núcleo na em Chapecó possui atuação sindical, presentecidade de Joinville e um pró-núcleo em Chapecó, no SINASEFE-SC (cuja base de trabalhadoresna perspectiva de formar uma organização é do Instituto Federal/SC) e na construçãoestadual. O CABN nasce inspirado pelo de uma seção sindical do ANDES para osanarquismo especifista, na tradição da Federação trabalhadores da Universidade Federal daAnarquista Uruguaia (FAU) e das organizações que Fronteira Sul.compunham o Fórum do Anarquismo Organizado Além dessas frentes de atuação,(FAO), atual Coordenação Anarquista Brasileira o CABN organiza o Círculo de Estudos(CAB), a qual integramos. Libertários em Florianópolis, que vem O CABN defende um anarquismo em agregando pessoas e incentivando debates sobcontato direto com as lutas populares, no seio a perspectiva libertária, além de outros eventosda classe trabalhadora. Desde o início, participa como o realizado no 1º de Maio, reivindicandodos movimentos sociais urbanos, especialmente um Dia do Trabalhador classista e combativo,nas lutas pelo transporte coletivo, tanto em frente ao esquecimento da data. Em Joinville,Florianópolis quanto em Joinville, além de atuar o CABN também constrói o Grupo de Estudosem grupos de mídia independente noticiando das Idéias e Práticas Anarquistas (GEIPA).as lutas sociais. Em Florianópolis, estamosiniciando trabalhos na frente comunitária e coma perspectiva de iniciar uma tendência libertáriano movimento estudantil, onde já atuamos emalgumas pautas como a construção do EIV-SC,estágio com os movimentos sociais do campo.
  • 27. Organização Resistência Libertária (ORL)CearáFundação: 2008 (MLDM), que articula em rede comunidades impactadas por esse mega-evento. NoA momento, a organização intensifica suas Organização Resistência Libertária (ORL) ações junto à luta destas comunidades, foi fundada no final de 2008, a partir da contribuindo com sua militância em articulação de estudantes anarquistas, que várias atividades, sempre no sentido deno ano anterior participaram de lutas estudantis que a luta assuma o caráter mais libertário(pela ampliação da isenção do vestibular da UFC possível, para que o movimento desenvolvae da ocupação da reitoria da mesma universidade autonomia, combatividade, autogestão econtra o REUNI), e ex-membros dos extintos se paute por relações horizontais em suasColetivo Ruptura e Comuna Libertária, que há decisões.algum tempo vinham acumulando discussões em No último ano, iniciamos atuaçãotorno da necessidade de uma atuação organizada na luta sindical, tentando impulsionardos anarquistas junto às lutas e movimentos com nossa modesta militância a luta dosociais. Foi exatamente este o ponto inicial que magistério público estadual, contra ospossibilitou a convergência entre essas duas levas ataques do governo à educação pública ede militantes e a formação de uma organização em enfrentando a burocracia sindical instaladatorno de objetivos políticos, métodos de atuação e no sindicato do magistério estadual háforma organizacional comuns. décadas. Nossa prática política tem se Atualmente, a ORL desenvolve sua pautado pelo fortalecimento da autonomiamilitância em duas frentes de trabalho: comunitária e da organização do magistério em oposiçãoe sindical. Há mais de dois anos a organização à estrutura parasitária mantida pela direçãoatua na frente de trabalho comunitário, junto a sindical, colaborando na construção decomunidades atingidas pelas obras da Copa do estruturas organizativas de base como aMundo de 2014. Contribuímos desde o início Rede de Zonais, que teve papel fundamentaldesta luta popular, que desembocou na criação e impulsionou as ações mais radicalizadasdo Movimento de Luta em Defesa da Moradia na última greve estadual dos professores.
  • 28. Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC)ParanáFundação: Outubro de 2010O CALC organiza seus trabalhos em frentes combativa. Essa frente vem iniciando dois e núcleos; neste momento, em uma frente trabalhos sociais, a organização de um pré- comunitária e outra estudantil, constituindo vestibular comunitário junto aos estudantesapenas um único núcleo (centro). Além do do Colégio Estadual Hildebrando de Araújodesenvolvimento dos trabalhos sociais, também se (Jardim Botânico), e uma formação políticaencontra nas suas atribuições a revenda de livros no Colégio Estadual Manoel Ribas voltado aosde editoras libertárias uma vez ao mês, a realização jovens da escola (Vila Torres).do Círculo de Estudos Libertários (CEL), espaço A frente comunitária tambémde estudo e formação e a edição de seu informativo concentra sua atuação na Vila Torres. Até anoNo Batente. passado, atuava através do Germinal, mas A frente estudantil tem sua militância no em função da desarticulação deste últimoColetivo Quebrando Muros (CQM), no movimento e uma aproximação com o CQM, passou aestudantil universitário, organizado por curso atuar em uma frente comunitária que estena UFPR, e que agora também possui trabalhos coletivo constituiu. Vem desenvolvendo desdeiniciados junto à comunidade da Vila Torres e aos outubro de 2008 trabalhos de inserção junto àestudantes secundaristas da rede pública de ensino. escola e a comunidade, como o apoio a hortaO CQM deixou de ser apenas uma tendência agroecológica do Colégio Estadual Manoelestudantil, tal como fora constituída em meados de Ribas e a participação na rede de grupos2009, passando a constituir, em 2012, novas frentes comunitários. Também vem participando desociais, caso da frente comunitária, que integrou espaços como as Jornadas de Agroecologia e oos ex-militantes do Germinal em seu coletivo, sem Grito dos Excluídos.deixar de manter seus núcleos por local de estudoem sua frente estudantil. Ao contrário, seu trabalhoestudantil vem se consolidando nos núcleosPolitécnico, Psicologia, Ciências Sociais, Históriae Direito, acumulando forças para a esquerda
  • 29. Coletivo Anarquista Núcleo Negro (CANN)PernambucoFundação: 2012O Coletivo Anarquista Núcleo Negro possui uma breve existência e surge de uma prática junto a movimentos por moradia,a ocupações urbanas, em um agrupamento que àépoca tinha o nome de Coletivo Autonomia. Precisávamos avançar para um modelode organização que desse suporte para nossasintenções dentro de um campo claramenteanarquista, afinal, aqueles que faziam parte docoletivo, identificavam-se com esta ideologia. Foidesta maneira que nos encontramos com o modelode organização especifista, reivindicado por algunsdos agrupamentos já com alguma história no país,ligados ao FAO. Hoje, o Núcleo Negro atua nomovimento sindical e comunitário através de duasfrentes de trabalho.
  • 30. 10 anos do Fórum do Anarquismo Organizado Rumo à Coordenação Anarquista Brasileira!No início de 2002 recomeçava de forma mais lúcida um processo de articulação nacional para o anarquismoorganizado e com inserção social no Brasil. Há dez anos foi criado o Fórum do Anarquismo Organizado – FAOcom o objetivo de articular grupos regionais e também lutar pela construção de uma organização anarquistabrasileira dotada de projeto político comum. De lá pra cá conseguimos fazer avançar este processo com aconsolidação de Organização Especificamente Anarquistas em alguns estados.Modestamente contribuímos para colocar o anarquismo no terreno da luta de classes formando parte deimportantes lutas na cidade e no campo com presença em diversos lugares no país. Atualmente, contandocom a participação e incidência em mais de dez estados brasileiros, decidimos dar uma passo à frente noprocesso nacional com a criação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Não estamos criando uma merasigla ou uma aparência sem correspondência com a realidade. Pelo contrário, decidimos pela coordenaçãode organizações anarquistas especifistas, pois necessitamos de uma organicidade que seja correspondente anossa capacidade e necessidade de intervir na realidade brasileira com perspectivas de mudança em prol doprojeto socialista e libertário.Estaremos realizando neste ano de 2012 um Congresso Anarquista com delegações das organizações regionaisque irão fundar a CAB e fazemos um convite às organizações anarquistas internacionais para participarem dasseguintes atividades na cidade do Rio de Janeiro:- 9 de Junho - Debate sobre a Organização Específica Anarquista com os companheiros da Federação AnarquistaUruguaia e da Coordenação Anarquista Brasileira.(inscrições: secfao@riseup.net)- 10 de junho - Ato Público de lançamento da Coordenação Anarquista BrasileiraCRIAR UM POVO FORTE!
  • 31. Coordenação Anarquista Brasileirawww.vermelhoenegro.net

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