Nem tudo é perfeito
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Fim do segundo capítulo e começo do terceiro... Espero que vocês gostem!

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Nem tudo é perfeito Nem tudo é perfeito Document Transcript

  • Como disse antes durante o período no qual você está no trem você vivencia altos e baixos.Nesse exato momento estou vivendo um dos momentos mais altos de todo o meu ano. Por umlado isso é ótimo, pois é como se o veneno nunca estivesse lá,mais por outro eu sei que tudo oque sobe,desce. Mas não vou me precipitar, pelo menos não hoje, agora nesse exatomomento.Já estava começando a escurecer agora, tudo o que eu podia enxergar agora era um pátio todocolorido, vívido, alegre. Nós já tínhamos levado as crianças para dentro, Rachel estavacuidando delas enquanto Richard e eu limpávamos o galpão em que nós tínhamos deixado asbacias com diferentes cores de tintas para carimbarmos nossas mãos e pés. Richard vinhatrazendo alguns panos, enquanto ele caminhava olhei para sua roupa... Ela nunca mais teriauma chance!Ele estava todo pintado de diferentes cores. Então olhei para mim mesma, euestava um lixo!Meu cabelo estava preso em um coque todo bagunçado com vários fios soltos.Minha roupa esta ainda pior que a de Richard, Isso porque eu tinha caído me cima datinta.Richard,que vinha se aproximando, percebeu minha expressão quando eu estava olhandopara minha roupa e começou a rir.“Não está tão ruim assim mais não sei se sua blusa vai sobreviver.” – Ele disse ainda rindo“É essa blusa definitivamente já passou da data de validade!” – Eu disseEle me passou um pano e nós começamos a limpar aquela enorme bagunça.Um silêcioconstrangedor estava começando a se instalar no momento até que tomei coragem e disse:“Então você estava estudando fora? Tipo intercâmbio ou alguma coisa assim?”“Na verdade eu estava fazendo faculdade na Alemanha...”“Sério? Nossa isso deve ser muito legal.” – Falei impressionada.“É... só que isso não era a coisa certa nem o tempo certo, então eu resolvi voltar... Dar umtempo das coisas.” – Ele falou como se você a primeira vez que ele tivesse falado isso em vozalta“Eu queria ter sua coragem.” – Confessei“Minha coragem? Oh... Para encarar tinta e crianças não precisa de tanta coragem assim” – Elefalou querendo fazer uma piada do assunto, ou esquivar-se dele.“Mais essa coragem não veio do nada... demorei meses até decidir mudar, sabe?” – Eleacrescentou respondendo minha pergunta.“E foi difícil encarar as pessoas depois de tudo? Quer dizer...sua família?” – Eu comecei a ficardesnorteada e ele percebeu isso.Ele pensou um pouco como se ele estivesse escolhendo as palavras para falar.Ele se aproximoude mim olhou em meus olhos e me disse:“É melhor encarar o problema antes que ele fique grande demais a ponto de não agüentarmosmais seguir em frente” – Ele falou calmamente. Olhei pra baixo,me afastei e sentei no chão.Ele olhou para mim como se ele soubesse exatamente o que eu estava falando e se sentou domeu lado.Escrito por Luisa Lessa
  • “Deixe-me adivinhar... sua mãe? – Ele perguntou tentando me acalmar. Então acenei com acabeça confirmando sua suposição. “Você quer conversar sobre isso?” “Na verdade não.” – Deixei toda a sinceridade transparecer em minha voz. “Eu vou estar aqui se você precisar.” – Ele pareceu compartilhar essa mesma sinceridade. “Você é sempre tão legal assim com pessoas desconhecidas que usam uma blusa do pateta?” “Só quando a blusa do pateta está manchada de tinta.” - Ele disse tentando aliviar a pressão. “Você sempre da atenção a caras que acham que são o supermen?” – Ele perguntou “Só quando eu vejo que eles podem ser realmente meus heróis”Nós trocamos um olhar e sorrimos um para o outro. Nós estávamos muito perto um do outrocomo se ele estivesse prestes a me abraçar. Então eu peguei um pincel que estava no chão edesenhei um “S” em seu braço. Ele riu pegou o pincel da minha mão e desenhou uma flor emmeu braço. Nós rimos de nossa situação, olhamos para a bagunça que nos aguardavarespiramos fundo e seguimos em frente.Já eram umas 20h30min... Depois de longas horas de trabalho duro no galpão eu tinha certezaque meus braços ficariam doloridos no dia seguinte. Eu havia acabado de passar uma dashoras mais legais de toda minha vida! Eu e Richard conversamos sem parar. É claro... Evitandoaquele assunto. Só conversamos sobre as crianças e o abrigo, porque no momento era a únicacoisa que nós tínhamos aparentemente em comum. Eu tinha ido me despedir das crianças eestava indo pegar meu carro. Richard estava na garagem de saída. “Te vejo amanhã?” – ele perguntou “Aham...” – afirmeiQuando olhei para dentro seu carro vi uma capa de violão. Então aquela minha curiosidadenatural veio a minha cabeça e perguntei...“Um violão? Você toca?”“Ah... só nas horas vagas.” – Ele disse meio envergonhado“Eu tentei aprender violão uma vez... mais sabe como é, minha mãe não me apoiou muito.”“Sei como é...” “ok. até amanhã então” – ele falou“Até amanhã supermen...” – Ele riu uma vez e olhou para sua marca de S no braço.“Durma bem jovem donzela” – Ele disse incorporado o supermen.3. Nem tudo é perfeito. Depois daquela tarde incrível na qual eu tinha vivenciado cheguei em casa toda manchada de tinta,rindo á toa lembrando de todos os momentos do dia.Por um estranho motivo acheiEscrito por Luisa Lessa
  • que minha mãe não is se importar se eu me atrasasse uns minutos (ou horas) como eu tinha feito hoje.Eu certamente estava errada. “Onde você estava?” - Ela gritou quando eu passei pela porta. “Mãe, por que você está tão estressada? Eu estava no abrigo...” “No abrigo coisa nenhuma... Eu dei duro para te dar tudo o que você tem e em troca, te vejo chegando em casa 9h da noite com a blusa toda manchada de tinta e além do mais...eu sei que você teve a delicadeza de jogar todas os papeis da faculdade no fundo do armário,rasgando metade delas.’’ “Não...não...mãe..eu...eu.....” “Eu não quero saber! Tudo o que eu sei é que isso jamais vai acontecer de novo.” Eu senti uma raiva dentro de mim...por que ela não se importava comigo? Porque meu pai,agora parado me encarando com uma cara de desapontado não falava nada?Será que ele pensava igual minha mãe? Porque todo mundo tem a idéia de que escolher o que fazer para o resto de nossas vidas é algo que nós podemos escolher com uma idade em que encontramos dificuldade para escolher nossa própria roupa? “Ótimo mãe!É impressionante como você tem o poder de estragar o dia de alguém!Hoje tudo estava indo perfeitamente bem até que você começou como suas idéias do que realmente é bom para mim ou não.” Ela olhou para mim com uma cara de que eu estaria de castigo até eu me casar. “Já sei... eu já estava indo para o meu quarto mesmo.” Subi as escadas correndo. Por que eu tinha feito aquilo?Agora eu não me aguentava mais. Um monte de pensamento veio a minha cabeça. O veneno começou a queimar com força. Olhei em cima da minha cabeceira e vi que minha mãe havia esqucido seu maço de cigarros ali em cima. Isso era um sinal que ela estava estressada, frustrada e brava com algo. Fiquei o encarando por alguns segundos... Será que eu seria todo o motivo de frustração dela? Isso não importava pra mim, ninguém a instruiu a se desgastar comigo. Desviei meus pensamentos desse assunto e resolvi tomar um banho. Marchei para o banheiro, chegando lá liguei a banheira e esperei que ela enchesse. Enquanto esperava... Distrai-me com minha imagem no espelho. Meus dedos longos e finos traçavam temerosamente o contorno de meu rosto; roçavam a parte inferior de meus olhos. Imaginei como e eu seria mais velha. A banheira já estava cheia... Então lentamente me despi e deslizei para dentro da banheira. A água era relaxante, eu podia fica lá pra sempre. O som do despertador me acordou de manhã. Levantei da cama desnorteada, peguei a primeira roupa disponível em meu armário. No andar de baixo, engoli rapidamente uma torrada acompanhada por um grande copo de café puro e forte. Vi meu reflexo no aço cromado da torradeira, decidi prender meu cabelo em um rabo de cavalo. Antes mesmo de me certificar que eu estava decente o suficiente para encarar os olhos avaliativos do resto das garotas, sai correndo para aula. Tudo isso evitando encontrar com minha mãe. Chegando a escola coloquei meu material na segunda carteira, como de costume. Antes que eu tivesse tempo de arrumar minhas coisas, Anna chegou toda animada e com um visual perfeito. “Hoje vai ser muito bom?” “Você gostou do meu cabelo?” “Ele não esta meio frisado?É que.. eu tenho que estar perfeita!”“Anna relaxa! Você esta perfeita! Como sempre!” – Tentei reconfortá-laEscrito por Luisa Lessa
  • Percebi que ela devia estar com um nível muito alto de cafeína em seu corpo.“Então... Como foi seu SPA caseiro ontem?” – Tentei ser amigável.“Ótimo! E o abrigo como foi?” – Ela falou tão rápido que mal pude entender.“Foi... bem.” – Antes que eu pudesse acabar de falar o professor já estava na sala. Esse era oprofessor mais severo que nós tínhamos. A matéria era bem chata...BiologiaEle entrou na sala e falou alta e claramente:“Hoje nós vamos analisar os órgãos de uma galinha... e antes que vocês abram suas bocas ecomecem a dizer que não querem fazer isso e devo-vos avisar que isso não é obrigatório - maisvale nota.”Ótimo!Começar o dia dissecando uma galinha!O que fizeram com o bom e velho sapo?OK, nãoera obrigatório. Mais toda vez que um professor fala ‘não é obrigatório mais vale nota’ ele estáquerendo dizer: ‘isso vale nota... Mais se você for ficar revirando os olhos e fazendo cara denojo é melhor você ficar de fora, e se essa for sua decisão pode dar um oi para a recuperação’.Então: laboratório - aqui vou eu! E não ia ser tão ruim assim, quer dizer... Só 50 min. até apróxima aula - artes.Ok. Eu estava com meu jaleco e minha luva. Nós observaríamos o professor retirar os órgãos edepois nos reuniríamos em grupos de cinco e cada um iria observar um órgão. Será que seriaassim na faculdade de medicina só que com pessoas de verdade?Será que esse seria umprocedimento tão comum para os estudantes de medicina que ao final do curso ao invés desentir náusea eles sentiriam prazer?Será que eu um dia vou conseguir fazer isso sem me sentirextremamente estranha; Igual me sinto agora?O professor já tinha começado a primeira incisão. Instantaneamente comecei a me imaginarno lugar do professor. Segurando aquele bisturi... Só que cortando não uma galinha mais umser humano. Eu definitivamente devia ter pulado o café da manhã hoje.“Lucy... Lucy... você está bem?” – Anna sussurrou seus olhos arregalados me encarando.Eu não consegui responder de imediato. E não estava nos meus 100%... Eu estava meio tonta;Mais era comum devido ao monte de questões na minha cabeça.“Lucy você esta muito pálida... fala alguma coisa. você está vai desmaiar?” – senti preocupaçãoem sua voz.É... Talvez eu fosse, mas a única coisa que eu consegui falar foi:“Eu não estou muito bem. Estou meio tonta.” - Então percebi que precisava de ar. Tentei falarmais alguma coisa mais minha garganta estava secar, não consegui. Anna tomou a iniciativapor mim.“Sr. Miller? Lucy não esta se sentindo bem. Ela está bem pálida. Eu acho que talvez devíamoslevá-la a enfermaria.”O Sr. Miller era bem severo mais ele era muito cuidadoso com seus alunos. Por um segundotoda a sala olhou para mim enquanto Sr. Miller se aproximava. Agora não tinha mais dúvidasEscrito por Luisa Lessa
  • eu estava quase desmaiando. E eu não conseguia tirar meus olhos daquela pobre criatura emcima do balcão. Ele mediu minha pulsação e fez uma careta. Então ele me perguntou: “Lucy você consegue falar alguma coisa?” Percebi que tinha que falar alguma coisa antes que todos achassem que eu estava morrendo. “Sim.” - Disse entre dentes. “Você acha que consegue chegar até a enfermaria?” “Claro” – Tentei aumentar o tom de minha voz, tentando parecer convincente. “Quando você chegar lá peça para eles te darem um pouco de sal e medirem sua pressão. – Ele disse preocupado agora. “Você quer que alguém te acompanhe?” “Não... não precisa” – Minha voz saiu trêmula, disse passando pela porta.Tudo estava girando. Parecia que a sensação estava piorando agora. Era como se um monte demedos e inseguranças viesse a minha cabeça. Eu podia sentir lágrimas pelo meu rosto. Por queeu estava chorando?Eu não estava ciente do que estava acontecendo com o meu corpo. Tudocomeçou a ficar distante agora... Escuro. Estava passando pelo corredor quando tudo apagou.Eu sabia que não tinha caído no chão, pois eu não tinha sentido nenhum impacto. Sentialguém tocando meu rosto e falando meu nome. Parecia a voz de alguém conhecido. Agoraalguém estava me carregando em seus braços. Demorei alguns segundos até que comecei aouvir melhor, minha cabeça não estava girando tanto como estava. Eu tentei abrir os olhos enão consegui de primeira, então tentei de novo. Quando abri meus olhos um garoto altoestava me carregando. Demorei um segundo para reconhecer quem era. Ele virou seu olharpara mim então tive certeza de quem era.“Richard?” – minha voz estava rouca.“Você sabe o que aconteceu?” – Ele perguntou preocupado“Eu estava indo para enfermaria e... e... tudo ficou escuro” – Falei desnorteada.Ele agora me colocou sentada no chão, passou um braço por minha cintura e o outro estavaem meu pescoço apoiando minha cabeça.“Está tudo bem agora. Acho que eu devo ir com você para enfermaria”Assenti envergonhada, não gostava de me sentir vulnerável. Tive a impressão de que tonturaestava voltando. Ele fez força para me levantar, depois ele posicionou novamente seus braçossobre minha cintura. Eu enrosquei meu braço em seu pescoço e apoiei parte do meu pesonele. Minha cabeça ficou em silêncio por um instante. Eu não consegui pensar, andar, falar. Eusó assistia a cena passivamente. Como em um filme, quando a mocinha em estado de choqueé salva por seu herói.Chegando a enfermaria eu já estava melhorando... Agora eu tinha certeza de onde estava. Esabia que não estava sonhando. Mas o que Richard estava fazendo aqui na escola? Ele nemestuda mais. Quando passamos pela porta da enfermaria, a enfermeira olhou para o Richard elogo abriu um sorriso.Escrito por Luisa Lessa
  • “Richard Darcy! Que surpresa vê-lo por aqui! Já faz algum tempo hein?” – Ela disse bemanimada. Até olhar para minha aparência - mais branca do que uma folha de papel.Olhei para cara de Richard... As coisas pareciam tão sem sentido agora (para mim pelo menos).Richard deu um sorriso para a enfermeira e antes que ele pudesse falar qualquer coisa elaperguntou:“O que temos aqui?” – Ela perguntou ao mesmo tempo em que me sentava em uma cadeira.“Ela desmaiou... eu acho que sua pressão deve estar baixa...” – Sua voz era calma.“Vamos ver...” – Ela mediu minha pressão e percebi uma pequena contração em seu lábio.“Dissecação de sapos?” – Tentou adivinhar ela.“Galinha...” – Eu disse... lembrando-me de que tinha uma voz.“Certo eu vou pegar um pouco de sal. Enquanto isso, ah... Richard coloque a cabeça dela parabaixo.” – Ela falou e saiu apressadaRichard se aproximou da cadeira me ajudando enquanto eu colocava meus cotovelos em meusjoelhos segurando minha cabeça para baixo. Depois de alguns segundos levantei-melentamente... E resolvi que devia falar algo.“Estou começando a desconfiar que você realmente é o supermen...Com todo aquele lance desalvar a donzela em perigo.” – Tentei deixar o clima mais leve.“Não na verdade hoje eu vim para ajudar meu ex-professor de artes...” – Ele disse abaixandominha cabeça de novo.Nesse momento tudo fez sentido. Eu podia finalmente entender a reação da Sra. Barton – oque era reconfortante depois de tudo que eu passei. Ontem eu tinha visto um violão em seucarro, mas, segundo ele era apenas um passa tempo. Seria mesmo? Quando ele levantouminha cabeça de novo eu perguntei.“Você é o ex-aluno que é músico?” – Eu queria uma confirmação.“Você não é da turma do Sr. Cole, é?” – Ele esboçou um sorriso e um traço de rubor surgindoem sua face.“Eu não acredito! Por isso você está aqui hoje, por isso todos te conhecem...” – Minhaspalavras saíram mais como uma confirmação de meus pensamentos ditos em voz alta.“Sabe, depois que me formei, nunca imaginei que me sentiria feliz de voltar nessa escola...”Nesse momento a enfermeira voltou com o sal. Ela me entregou um copinho de plástico comum pouco de sal e instruiu-me há colocar um pouco debaixo da língua. Em seguida ela mediuminha pressão novamente.“Obrigada por ter me ajudado... você me evitou uma enorme dor de cabeça!” – Dissehonestamente voltando meu olhar para Richard.“Não há de que. Mas você me assustou... Bastante.” – Ele pareceu hesitante. Fiz-me parecercalma mesmo com a curiosidade borbulhando em minha mente.Escrito por Luisa Lessa
  • A enfermeira saiu da sala por um instante e ele continuou.“Eu sei que não sou médico nem nada, mas, quando eu te encontrei você estava chorando... Epor minhas limitadas experiências não acho que seja pelo desmaio. Você está bem?” - Eleestava preocupado.“Eu... eu...” – Disse tentando enrolar, mas percebi que ele não deixaria isso passar, e eu nãoconseguiria mentir convincentemente.“Eu briguei com minha mãe noite passada... a história é muito longa” – Estava me enrolandonas palavras.“Eu gostaria de ouvi-la... Talvez agora não seria o momento prefeito para isso.” – Ele estavatentava parecer confiante – e eu queria confiar nele – mais eu ainda conseguia sentir uma levehesitação irradiando dele. E continuou. “O que você vai fazer depois da aula hoje?” “Nada... mais tarde eu vou ao abrigo, mais é só.” “Por que nós não vamos dar uma volta juntos depois da aula então?” – Ele agora estava sendo cauteloso. Eu congelei... Será que ele realmente estava tentando ser meu amigo?“Parece uma boa idéia...” – Disse lembrando-me da briga com minha mãe e de tudo que teriade enfrentar se eu voltasse para casa antes de ela ter saído.A Sra. Barton havia acabado de preencher alguns papéis deixados em cima de sua pequenaescrivaninha então, se aproximou com um olhar mais tranquilo e começou a falar.“Lucy você está melhor agora?”“Estou sim...” – Disse fazendo minha voz parecer o mais convincente o possível. Eu estava bemmelhor diante a tontura. Mas havia algo me incomodado. E para variar... Eu não sabia o que.Era como uma pequena pontada na boca de meu estômago, um desconforto que eu me jáacostumara.“Bem, você só teve uma queda de pressão. Agora sua pressão está estabilizando... Já está10/5. Na hora do almoço coma alguma coisa e se você se sentir mal de novo não pense duasvezes antes de vir aqui. Certo?”“Certo!” - Disse rapidamente, desejando sair logo daquela salinha pequena e fria.“Ah...Richard...Fique de olho nela por um tempo Ok?” – Ela perguntou a ele. Tive a impressãoque ela insinuara algo entre nós. Não pude deixar de corar com essa suposição da enfermeira.“Pode deixar enfermeira Barton.” – Ele respondeu com um tom indiscreto... Rindo pelo mesmomotivo de meu rubor, imaginei.“Agora vá antes que o sinal toque...” – Ela disse com uma voz tanto quanto maternal.“Obrigada Ms. Barton!” – Disse saindo pela porta. Richard veio logo atrás de mim.Escrito por Luisa Lessa
  • Escrito por Luisa Lessa