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A história da loucura
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A história da loucura

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  • 1. A HISTÓRIA DA LOUCURASEGUNDO FOUCAULT- ALGUNS ELEMENTOS
  • 2. Revisitando
    "A HISTÓRIA DA LOUCURA"
    O contexto e os fundamentos da concepção psiquiátrica sobre a Loucura
    e as origens do pensamento psicopatológico e nosológico.
    O homem não pode suportar muita realidade. T.S.Eliot
  • 3. REVISITANDO A HISTÓRIA DA LOUCURA.
    A exclusão da Loucura – A grande Internação.
    O paradigma da medicina moderna, a invenção da doença e
    contradições da psiquiatria.
    A internação, o tratamento moral.
    Contençâo, Disciplina, o lugar da medicação no tratamento moral.
    Poder, Saber e psiquiatria. A função PSY
    A Teoria da Crise e Psquiatria.
  • 4. Hieronymus Bosch . A nau do Loucos
  • 5. A exclusão da Loucura – A grande Internação
    A exclusão da Loucura do concerto civilizatório, a ruptura do diálogo com ela é o elemento central que engendra o SABER e o contexto terapêutico da psiquiatria, no seu nascimento. Os processos de segregação e exclusão do louco são anteriores à criação do manicômio, no final do século XVIII. Mas é um fenômeno cuja precedência é muito mais lógica e estrutural do que temporal.
    Antes do nascimento do Manicômio e da Psiquiatria a Loucura já era, sistematicamente, excluída e “internada”. Não era objeto de um saber e práticas específicas, mas compunha o leque amplo e heterogêneo de sujeitos “fora da ordem” que sofriam processos de exclusão, por exemplo, na forma da “internação” em estabelecimentos que tinham função, tipicamente, disciplinar e de controle da ordem social e não terapêutica.
    Estas estruturas de natureza semi-jurídica proliferaram na Europa, a partir da segunda metade do século XVII e, foram o principal mecanismo para lidar com os fora da ordem por cerca de 150 anos. São exemplos históricos deste tipo de dispositivo as “Casas de Correção”, na Alemanha, as “Casas de Trabalho”, na Inglaterra e o Hospital na França.
    Nestes locais se confinaram pobres, ociosos, vagabundos, libertinos, loucos, numa proporção tal que se pode falar de uma “Grande Internação”. Um exemplo concreto foi o Hospital Geral de Paris, criado em 1657, o qual pouco tempo depois de sua fundação já abrigava 1% da população daquela cidade, cerca de 6000pessoas*.
    Foucault M. A Grande Internação. In: Foucault M. História da Loucura.
    São Paulo: Editora Perspectiva; 1978, p. 45-78
  • 6. Revisitando “História da Loucura”
    No prefácio do livro História da Loucura*, podemos depreender que Foucault não queria contar a história dos loucos em confronto com os indivíduos racionais, nem a história da Loucura em oposição à Razão. O acento era na constituição de um monólogo da Razão sobre a Loucura, o qual instaura uma região de silêncio, marcando esta divisão incessante, mesmo que sempre modificada, no decorrer do tempo.
    Não coube à psiquiatria definir os limites entre a razão e a loucura, no entanto, a partir do final do século XVIII, ela se encarregou, ou melhor, lhe foi atribuído o estatuto de guardião desta fronteira. E num esforço combinado de saber/poder construiu os marcos indicativos desses limites, um deles o próprio conceito de doença mental como elemento chave e legitimador de uma prática de divisão e captura do sujeito da Loucura.
    *Foucault, Michel. Prefácio ( Folie et déraison ). Em: Foucault, Problematização do Sujeito: Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise. Coleção Ditos & Escritos I. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1999.
  • 7. Tony Robert-Fleury (1838–1911). 1876 painting: Citizen Pinel Orders Removal of the Chains of the Mad at the Salpêtriére. Image provided by Art Resource. Philippe Pinel Releasing Lunatics from Their Chains at the Salpetriere Asylum in Paris in 1795
  • 8. Revisitando “História da Loucura”
    • O processo acima, historicamente determinado – no sentido de Foucault – se traduz numa forma histórica de relação com a Loucura.
    • 9. Está na raiz das construções teóricas da psiquiatria.
    • 10. Fundamenta a lógica e a “ética” da Internação como elemento central da prática manicomial.
    • 11. Sustenta as práticas terapêuticas.
    • 12. As contradições apontadas por alguns, na prática da psiquiatria, entre um imperativo de controle/ normalização social/resposta à ordem pública e, a suposta intenção terapêutica, que a psiquiatria reivindica, seria aparente. Talvez um epifenômeno, na medida em que a intenção terapêutica se subsume àqueles imperativos.
  • Hieronymus Bosch
    A extração da pedra da Loucura
  • 13. Desde a antiguidade: práticas sociais diversas diante da loucura.
    A partir do final do século XVIII, na sociedade ocidental: a internação em instituições Psiquiátricas como forma hegemônica de abordagem da loucura
  • 14. Como se dá esta passagem?
    A Grande Internação (século XVII): população
    heterogênea (mendigos, vagabundos, mágicos,
    libertinos.....e loucos) mantida em casas de correção e
    trabalho, em regime de reclusão.
  • 15. A HISTÓRIA DA LOUCURA SEGUNDO FOUCAULT- ALGUNS ELEMENTOSCont...
    Reestruturação do espaço social - Revolução Francesa
    (final do século XVIII): nenhum cidadão pode ser
    privado de liberdade arbitrariamente - com exceção do
    “louco”.
  • 16. O nascimento do hospital psiquiátrico: os ditos loucos São internados em instituições especiais
    Tratamento moral: cada vez que se comete um ato indevido, o paciente é punido, para reconhecer seus erros. Arrependimento=cura!
  • 17. Algumas contradições:
    Embora se diga que o louco não é culpado de sua doença, ele é tratado para tornar-se capaz... de sentir culpa!
    Embora se diga que a punição foi substituída pelo tratamento, a punição passa a fazer parte do tratamento!
  • 18. O nascimento da psiquiatria: com o isolamento dos loucos
    nos manicômios, desenvolve-se o trabalho de descrição e
    denominação dos diversos tipos de “doença mental’.
    A psiquiatria e sua inscrição problemática na medicina: o
    impasse do ideal da “unidade nosológica natural “,
    inaplicável aos transtornos psíquicos.
  • 19. 1.3 REFORMA PSIQUIÁTRICA: BREVE HISTÓRICO
    As reformas que buscam acoplar serviços extra-
    hospitalares ao hospital: a psiquiatria de setor e a psiquiatria preventiva.
    As reformas que instauram uma ruptura com as
    anteriores, questionando o conjunto de saberes e
    práticas da psiquiatria vigente: a antipsiquiatria e a psiquiatria democrática.
  • 20.  CONDIÇÕES E PERSPECTIVAS DAS REFORMAS PSIQUIÁTRICAS
    Condições comuns ao desencadeamento dos
    processos mais interessantes de Reforma Psiquiátrica:
    Costumam surgir em momentos de efervescência
    política e cultural.
    Ligam-se à conquista de políticas públicas efetivas
    na área social - particularmente, um Sistema
    Nacional de Saúde, destinado a toda população
  • 21. Desvinculam-se de concepções e tendências tecnicistas
    e/ou corporativistas
    Buscam interlocução mais ampla com a sociedade.
  • 22. Situação nos anos 70:
    Acentuado crescimento do parque manicomial brasileiro (cerca de 100.000 leitos em 313 hospitais psiquiátricos, 20% públicos e 80% privados conveniados ao SUS, concentrados principalmente no Rio, São Paulo, Minas Gerais).
    Os gastos públicos com internações psiquiátricas
    ocupavam o 2º lugar entre todos os gastos com
    internações do Ministério da Saúde.
  • 23. Eram raras outras alternativas de assistência - mesmo as
    mais simples, como o atendimento ambulatorial.
    O poder público não exercia controle sobre a
    justificativa, a qualidade e a duração das internações.
  • 24. A REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA
    Denúncias e críticas diversas a esta situação no final dos
    anos 70, durante a redemocratização do país:

    Surgimento do Movimento de Trabalhadores de Saúde
    Mental: trabalhadores da área se organizaram,
    apontando os graves problemas do sistema de
    assistência psiquiátrica
  • 25. Interlocução com os movimentos de outros países -
    particularmente, com a importante experiência
    italiana da psiquiatria democrática.
    Denúncias de violações de direitos humanos em
    hospitais psiquiátricos atingiram a opinião pública
    de todo o país.
  • 26. Situação atual da Reforma Psiquiátrica (anos 2000):
    Em 2001: aprovação da Lei Nacional da Reforma
    Psiquiátrica (Lei Paulo Delgado)
    Em 2002: realização da III CONFERÊNCIA NACIONAL DE
    SAÚDE MENTAL. A extinção dos hospitais psiquiátricos e
    a construção de uma rede assistencial pautada pelo
    respeito à cidadania foram afirmados como princípios da
    Reforma Psiquiátrica Brasileira.
  • 27. Também em 2002, iniciou-se o Programa Nacional de
    Supervisão e Avaliação Hospitalar- PNASH- versão
    psiquiátrica, que vistoria anualmente os hospitais
    psiquiátricos brasileiros.
    Fechamento progressivo dos hospitais psiquiátricos:
    são agora 44.067 leitos psiquiátricos ainda
    cadastrados no SUS, em 231 hospitais.
  • 28. O número de leitos foi reduzido em mais da metade, a
    partir dos anos 80
    O ritmo desta redução tende a aumentar: de 2003 a
    2004 foram fechados 16 hospitais, com 5000 leitos
    Implantação da rede substitutiva: em 1996, havia 154
    CAPS cadastrados junto ao Ministério da Saúde;
    atualmente são mais de 600
  • 29. Há cerca de 300 Serviços Residenciais Terapêuticos
    (moradias protegidas). O auxílio-reabilitação do Programa
    De Volta Para Casa é recebido por mais de 1000
    pessoas.
  • 30. Singularidade da Reforma Psiquiátrica Brasileira: o
    envolvimento da sociedade civil, sobretudo através da
    organização de técnicos, familiares e usuários no
    movimento da luta antimanicomial. “A participação social,
    esta grande ausente dos processos de transformação de
    Saúde Mental em todo o mundo, adquire carta de
    cidadania aqui no Brasil” (Manoel Desviat
  • 31. Finalidade da Reforma Psiquiátrica: não apenas tratar
    tecnicamente de maneira mais adequada o portador de
    sofrimento mental, mas, sobretudo, construir um espaço
    social onde a loucura encontre algum cabimento.
  • 32.
  • 33. http://2.bp.blogspot.com/_55anICIekBQ/TEdABmQSmCI/AAAAAAAABbI/ZFqaNuZ0Jvw/s1600/imagem10.bmp

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