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Aula de Semiótica para os alunos do curso de pós graduação da Universidade de Mogi das Cruzes

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Semiótica Presentation Transcript

  • 1. Semiótica – uma visão geral da Semiótica de Charles S. Peirce Profa. Dra. Luci M. M. Bonini
  • 2. Charles Sanders Peirce
    • Charles Sanders Peirce nasceu no ano de 1839, em Cambridge, Massachussets, nos EUA, no dia 10 de setembro. Filho do matemático, físico e astrônomo Benjamin Peirce, Charles, sob influência paterna, formou-se na Universidade de Harvard em física e matemática, conquistando também o diploma de químico na Lawrence Scientific School.  
  • 3.
    • Entre 1884 e o ano de sua morte, em 19 de abril de 1914, Peirce escreveu cerca de 80 mil páginas de manuscritos, vendidos por sua esposa à Universidade de Harvard, e que vem sendo publicados há várias décadas. Além desses escritos, Peirce deixou textos em periódicos esparsos: resenhas, artigos e verbetes de dicionários. Esse conjunto de trabalhos forma a obra de um pensador original, definida por  William James  como "lampejos de luz deslumbrante sobre um fundo de escuridão tenebrosa".
    • Fonte uol.com.br
  • 4.
    • A Semiótica Peirciana pode ser considerada uma Filosofia Científica da Linguagem.
    • A Fenomenologia é a ciência que permeia a semiótica de Peirce, e deve ser entendida nesse contexto.
    • Para Peirce, a Fenomenologia é a descrição e análise das experiências do homem, em todos os momentos da vida.
  • 5.
    • Nesse sentido, o fenômeno é tudo aquilo que é percebido pelo homem, seja real ou não.
      • Seus estudos levaram ao que ele chamou de Categorias do Pensamento e da Natureza, ou Categorias Universais do Signo.
      • São elas a
        • Primeiridade, que corresponde ao acaso, ou o fenômeno no seu estado puro que se apresenta à consciência,
        • a Secundidade, corresponde à ação e reação, é o conflito da consciência com o fenômeno, buscando entendê-lo
        • a Terceiridade, ou o processo, a mediação. É a interpretação e generalização dos fenômenos.
        • Fonte: fotodicas.com
  • 6. Homem como ser de linguagem
    • Todos os animais do planeta têm uma sistema de comunicação próprio  sistema herdado geneticamente, só muda na velocidade da evolução biológica e independe de aprendizado.
    • Ser humano  único que desenvolveu milhares de sistemas de comunicação, verbais e não-verbais diferentes.
      • Existem, ainda hoje, 3.500 línguas naturais distintas. Cada uma delas só se transmite por aprendizagem, no convívio social.
  • 7. Experiência Cognição Conceptualização Recortes culturais Conceitos Processos simbólicos Semiotização Competência sistema Desempenho Discurso “Visão de mundo” Sistemas de valores Sistemas de crenças Imaginário coletivo Texto SABER COMPARTILHADO SOBRE O MUNDO
  • 8.
    • A língua e os seus discursos constituem, em conjunto, um processo semiótico.
    • Um processo semiótico produz, sustenta e reflete o sistema de valores de uma comunidade humana, o sistema de crenças, o imaginário coletivo, o ‘saber compartilhado sobre o mundo’ .
      • o ser humano é um animal cultural, social e histórico
  • 9.
    • A língua e seus discursos e as semióticas não-verbais, conferem a uma comunidade humana
    • a sua memória social
    • a sua consciência histórica
    • a consciência de sua identidade cultural
    • a consciência de sua permanência no tempo
    “ somos os produtores de nossos discursos e o resultado de nossos discursos” Lacan
  • 10. Teoria Geral dos Signos: Semiótica
    • É alguma coisa que representa alguma coisa para alguém
      • é determinado pelo objeto
      • representa o objeto
      • só pode representar o objeto
      • pode até mesmo representá-lo falsamente
      • representar um objeto significa que o signo está apto a afetar uma mente  produzir nela algum tipo de efeito  esse efeito produzido é chamado de interpretante do signo
      • o interpretante é imediatamente determinado pelo signo e mediatamente determinado pelo objeto
      • o objeto também causa interpretante mas através do signo
  • 11. O QUE É SEMIÓTICA?
    • Quer saber mais? Centro de Estudos Peirceanos: http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/semiotica/semiotica.htm
  • 12.
    • "O nome semiótica vem da raiz grega  semeion , que quer dizer  signo ." "Semiótica, portanto, é a ciência dos signos, é a ciência de toda e qualquer linguagem." (p.7) "A Semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno de produção de significação e de sentido." (p.13)  Santaella, L. (1983).  O que é Semiótica . São Paulo: Brasiliens
  • 13.
    • "A Semiótica peirceana não é uma ciência aplicada, nem é uma ciência teórica especial, ou seja, especializada." A Semiótica, ou lógica, "é uma ciência formal e abstrata, num nível de generalidade ímpar". (p.43) Santaella, L. (1992).  A assinatura das coisas . Rio de Janeiro: Imago.
  • 14.
    • "Semiótica é a ciência dos signos e dos processos significativos (semiose) na natureza e na cultura." (p.17) A Semiótica, como teoria geral dos signos, tem a sua etimologia do "grego semeîon, que significa ‘signo’, e sêma, que pode ser traduzido por ‘sinal’ ou ‘signo’." (p.21) Nöth, W. (1995).  Panorama da Semiótica: de Platão a Peirce . São Paulo: Annablume.
  • 15.
    • "Semiótica é o estudo ou doutrina dos  signos , algumas vezes considerada como uma  ciência  dos signos; uma investigação sistemática da natureza, propriedades e tipos de signo..." (p.179) Colapietro, V.M. (1993).  Glossary of Semiotics . New York: Paragon House.
  • 16. TEORIA GERAL DO SIGNO DE PEIRCE
    • Peirce esclarece que algo ou qualquer coisa independente de sua natureza é também um signo
    • Assim o objeto da semiose é tanto imanente quanto transcendente
  • 17. FENOMENOLOGIA
    • A tarefa da fenomenologia é traçar um catálogo de categorias
    • Faculdades de que necessitamos :
      • Qualidade de ver o que está diante dos olhos, como se apresenta, não substituído por uma interpretação
      • Qualidade de discriminar de maneira resoluta;
      • Qualidade de generalizar
  • 18. Primeiridade
    • É original aquilo que é primeiro.
    • A primeiridade é um estado de qualidade daquilo que é variado, múltiplo, impreciso, dada a multiplicidade de possibilidades.
    • Não é a imprecisão da ausência, mas sim, da fartura. Para Peirce a primeiridade é uma qualidade de sensação, só a qualidade, pois o que produz essa sensação ainda é incorpóreo..
  • 19. Secundidade
    • É segundo tudo aquilo que é terminado, que tem como elemento o conflito.
    • Se você empurra uma cadeira, ela com sua massa e seu peso resiste até que sua força seja maior à sua resistência e ela mude de lugar.
    • Causa e efeito, ação e reação, memória, realidade, polaridades negativo/positivo, doce/salgado, vida/morte. Se primeiro é vir a ser, o segundo é a existência mesma.
  • 20. Terceiridade
    • É a mediação. O início é primeiro e o segundo é o fim, entre eles está o terceiro. É terceiro aquilo que representa algo para alguém, é a mediação entre a consciência e o que está fora dela.
    • O terceiro é geral. A generalidade é um terceiro porque a aceitamos, porque ela nos faz ter a idéia do que a realidade é efetivamente.
  • 21.
    • Toda lei é um terceiro porque denota algo que ocorre repetidamente, um desvio na estrada é um terceiro em relação ao início e o fim desta estrada pois me faz entender que ela faz a mediação entre outras localidades; se lanço uma pedra para o alto, sei que ela voltará. Tudo o que pensamos é a mediação entre a realidade e o que está em nossa consciência.
  • 22.
    • A terceiridade nos delega um poder sobre o futuro porque na medida em que repetidas ações, ou ainda repetidas palavras ou idéias vão sendo utilizadas com determinados sentidos, com determinados significados eles podem nos trazer leis para as nossas ações futuras.
    • Conduzindo-nos a outras significações, essas ações e palavras podem gerar dúvidas, ao gerar dúvidas ampliamos seus espectros e ampliaremos no futuro suas generalidades.
  • 23. Realidade e Pensamento
    • A distinção geral entre Mundo Interior e Exterior reside no fato de que os objetos interiores submetem-se prontamente às modificações que desejamos, e os exteriores são fatos difíceis, ninguém pode fazer nada com eles. (Os Pensadores, Peirce, 1980, p.19)
  • 24.
    • A associação de idéias é regulada por três princípios – semelhança, contigüidade, causalidade. Seria igualmente verdadeiro dizer que os signos denotam segundo esses três princípios. Uma coisa é signo daquilo que lhe está associado por semelhança, contigüidade ou causalidade; o signo relembra a coisa significada . (Peirce, Os Pensadores, p.80)
    • ... A vida do pensamento e da ciência é inerente a símbolos... (idem p.100)
  • 25.  
  • 26.
    • “ Pode-se fotografar a mesma montanha de diversos ângulos, em diferentes proximidades, de variados lados, ou mesmo de cima, se tomarmos a foto de um helicóptero, por exemplo. Em cada uma dessas variações, são distintos os objetos imediatos, pois varia o modo como o mesmo objeto dinâmico, a montanha, nelas aparece . (Santaella, 2002, 19)
  • 27.  
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  • 31.  
  • 32. O método semiótico: semiose
    • A semiose é um processo de revelação, e todo processo de revelação envolve em sua natureza a possibilidade de engano ou traição.
    • Todo método que revele algo (alguma verdade sobre o mundo, ou algum aspecto sobre o mundo ou algum campo de investigação) na medida em que revela é um método semiótico. (John Deely p 29)
  • 33. SEMIOSE
    • Processos irreversíveis, auto-organizatórios já em algumas reações.
    • O tempo é o desenrolar da semiose, por isso cada comunidade vive num tempo diferente, pois a semiose que se opera dentro dela tem velocidade diferentes das outras, isso não significa que uma comunidade é melhor ou pior, apenas está em semioses diferentes
    • Tendência para a autocorreção, para a verdade, para chegar a um contato efetivo com a realidade
    • Ação dos signos. Quando o futuro exerce influência sobre o presente temos aí uma semiose
  • 34.  
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  • 37.
    • é, portanto: uma conexão formal extrínseca entre o sujeito conhecedor e o objeto conhecido. – possível logo de início. É muito fácil ver-se o que é o interpretante do signo: é tudo que está explícito no signo mesmo, não se considerando o contexto e circunstâncias de produção deste signo
  • 38. As partes de que se compõe o signo
    • O signo é um todo, é algo que não pode ser dividido, no entanto, podemos dizer que ele é composto de três partes, elas são inseparáveis, já que o signo é uma unidade de representação da realidade.
  • 39. O representâmen
    • Peirce denominou de representâmen o corpo do signo, sua materialidade. A materialidade do signo nada tem a ver com o objeto que ele representa, às vezes poeticamente é possível, porém para efeitos didáticos, digamos que essa materialidade é aquela que utilizamos para fazer o signo aparecer.
  • 40. O objeto
    • O signo comporta dois objetos: a) imediato e b) dinâmico
    • a) Objeto imediato: é aquele que o signo carrega dentro de si mesmo. O signo ÁGUA carrega dentro de si mesmo vários objetos: o Mar Vermelho separado, representado no cinema, b) Objeto dinâmico: é aquele que está na realidade, que pertence, pertencerá ou pertenceu ao mundo não semiótico.
  • 41. O Interpretante
    • O signo comporta três interpretantes:
      • a) interpretante imediato: é o significado, ou imagem mental que o signo está apto a produzir em nossas mentes.. b) interpretante dinâmico: é o significado ou imagem que o signo efetivamente produziu ou produz na minha mente, ou na sua. No instante que se depara com o representâmen ele desperta em nossa mente algum efeito. c) interpretante em si, ou interpretante final: deverá ser o resultado final do processo de semiose, são as várias explicações, significados, efeitos e imagens que o signo é capaz de produzir na medida em que ele transita em várias mentes, por várias gerações e assim por diante. Esse significado seria muito amplo, e, dada a vastidão do seu conceito nós só podemos imaginar esse tipo de interpretante.
  • 42. As tricotomias
    • Como já observamos, Peirce classifica os fenômenos sempre em três categorias.
    • Ele denomina de tricotomias as relações que o signo estabelece entre os objetos que denotam, ou entre os representâmens ou ainda entre os interpretantes.
    • Serão três tricotomias, das quais ele saca dez classes de signos e segundo sua fórmula será o três elevado à décima potência, gerando 59.049 tipos de signos.
  • 43. O signo e seu representâmen
    • QUALI-SIGNO - qualidade, originalidade, estado quase. Não pode atuar como signo até que esteja corporificado
      • Repare que a simples possibilidade de algo se manifestar como um signo é um signo.
    • SIN-SIGNO - Um evento real que é um signo. Algo que funcione como um signo de alguma coisa.
    • LEGI-SIGNO - Todo signo convencional. Toda aquela representação que foi convencionalizada pelos homens. As palavras por exemplo
  • 44. O signo e seu objeto
    • ÍCONE - denota um objeto por força de sua semelhança com seu objeto, ainda que esse objeto exista ou não.
      • Qualquer coisa pode ser ícone de qualquer coisa na medida em que seja semelhante a essa coisa em algum aspecto. Uma pintura abstrata, uma música instrumental, etc
    • ÍNDICE - Atua como signo do objeto que representa na medida em que é afetado por este.
      • Um girassol pode ser signo do sol na medida em que o acompanha durante o dia.
    • SÍMBOLO - se refere ao objeto que denota por força de uma convenção, de uma lei.
      • A palavra é um símbolo por exc elência.
  • 45. O signo e seu interpretante
    • Peirce afirma ser essa uma tricotomia das relações com o pensamento, da natureza das leis.
    • REMA - É um signo que para seu interpretante é um signo de possibilidade, ele é entendido como um possível objeto.
    • DICENTE - É um signo que para seu interpretante é representado como um existente, é entendido como representando seu objeto. Um exemplo dado por Peirce é a bússola
    • ARGUMENTO - É um signo que para seu interpretante é um signo de lei, representa seu objeto em seu caráter de signo. .
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  • 47. Antropossemiose
    • Inclui todos os processos sígnicos em que os seres humanos se envolvam, todos os processos sígnicos que são específicos da espécie humana – a língua se insere nessa teia
    • O papel da semiótica no processo educacional é analisar a antropossemiose no discurso educacional, no tecido formado pelas relações das diferentes linguagens emanadas dos diferentes aparatos tecnológicos ou não utilizados como veículos de informação e conhecimento
  • 48. O MÉTODO SEMIÓTICO
    • A semiose é um processo de revelação , e todo processo de revelação envolve em sua natureza a possibilidade de engano ou traição.
    • Todo método que revele algo (alguma verdade sobre o mundo, ou algum aspecto sobre o mundo ou algum campo de investigação) na medida em que revela é um método semiótico. (John Deely p 29)
  • 49.
    • Um método implementa um ou alguns aspectos de um ponto de vista. Na verdade um método consiste exatamente na implementação sistemática de algo sugerido por um ponto de vista. Entretanto um ponto de vista que pudesse ser totalmente implementado por um único método seria bastante acanhado. Quanto mais rico um ponto de vista, tanto mais diversos são os métodos necessários para a exploração das possibilidades de entendimento latentes nele. (J. Deely, p.27)
  • 50. O conceito de linguagem em Peirce
    • Não há nenhuma estrutura atômica no mundo tal que corresponda a ela palavras uma a uma. (John Deely, p37)
    • A linguagem como rede objetiva é parte de um todo maior de relações objetivas. A rede lingüística se alimenta da estrutura da experiência como um todo e é transformada por ela em sua irredutibilidade ao ambiente físico. (idem, p.38)
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    • "Signo é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse poder de representar, substituir uma outra coisa diferente dele." (p.58) Santaella, L. (1983).  O que é Semiótica . São Paulo: Brasiliense.
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    • "Defino um Signo como qualquer coisa que, de um lado, é assim determinada por um Objeto e, de outro, assim determina uma idéia na mente de uma pessoa, esta última determinação, que denomino o  Interpretante  do signo, é, desse modo, mediatamente determinada por aquele Objeto. Um signo, assim, tem uma relação triádica com seu Objeto e com seu Interpretante (8.343)." (p.12) Santaella, L. (2000).  A teoria geral dos signos: Como as linguagens significam as coisas . 2 a  ed. São Paulo: Pioneira.
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