Your SlideShare is downloading. ×
0
Psico-Oncologia Luciane Slomka Especialista em Psico-Oncologia Mestre em Medicina e Ciências da Saúde
 
Histórico da Psico-Oncologia <ul><li>Final séc. XIX: Freud refere a integração mente/corpo com “Estudos sobre a Histeria” ...
Histórico <ul><li>Anos 80: Publicação da Revista de Psicologia da Saúde </li></ul><ul><li>1981: Robert Adler “Psiconeuroim...
 
Jimmie Holland <ul><li>O que são respostas normais ao câncer? </li></ul><ul><li>Quais são anormais, refletindo um sofrimen...
Definição americana <ul><li>Uma subespecialidade da oncologia que procura estudar as duas dimensões psicológicas presentes...
Definição Brasileira <ul><li>1° Encontro Brasileiro de Psico-Oncologia: 1989, em Curitiba </li></ul><ul><li>1993: Primeiro...
Definição Brasileira  (Gimenez, 1994)‏ <ul><li>A Psico-Oncologia representa a área de interface entre a Psicologia e a Onc...
Definição Brasileira <ul><li>Na assistência ao paciente oncológico, sua família e profissionais de saúde envolvidos com a ...
Definição Brasileira <ul><li>Na organização de serviços oncológicos que visem ao atendimento integral do paciente, enfatiz...
Alguns dados <ul><li>60% dos casos de câncer são preveníveis, o que torna o trabalho de prevenção essencial </li></ul><ul>...
Desafios <ul><li>Modelo biomédico e a dificuldade de fazer surgir a importância dos aspectos emocionais; </li></ul><ul><li...
Desafios <ul><li>Psico-Oncologia X Psicologia Hospitalar </li></ul><ul><li>A condução de um processo psicoterápico: </li><...
<ul><li>Existe uma personalidade típica do paciente oncológico? </li></ul><ul><li>Carvalho (1994): SE existirem personalid...
Prognósticos <ul><li>Ponto crítico para médicos e pesquisadores </li></ul><ul><li>Estabelecidos a partir de estatísticas r...
Siegel (1997)‏ <ul><li>A importância de perguntar ao paciente o que ele está sentindo e  ouvir  a resposta. Se o paciente ...
A arquitetura do câncer
Algumas características <ul><li>Etiologia desconhecida (fantasias); </li></ul><ul><li>Crescimento desordenado de células; ...
Sobre o câncer <ul><li>O paciente tem sua realidade modificada pelas conseqüências das características clínicas e efeitos ...
O câncer me tem ou eu tenho câncer? <ul><li>Sou um paciente que tem câncer </li></ul><ul><li>OU </li></ul><ul><li>O câncer...
“ Enfermidade Sagrada” <ul><li>Desde Hipócrates, denomina-se assim uma série de enfermidades que representariam algo malig...
Quimioterapia <ul><li>Tratamento agressivo; </li></ul><ul><li>Morte indiscriminada de células cancerígenas e saudáveis; </...
Radioterapia <ul><li>Tratamento diário; </li></ul><ul><li>Radiação invisível por alguns segundos/minutos; </li></ul><ul><l...
Estadiamento do câncer <ul><li>Avaliação da extensão da doença no momento do descobrimento de sua existência </li></ul><ul...
Classificação TNM <ul><li>T: Tamanho e/ou grau de extensão do tumor primário; </li></ul><ul><li>N: Presença ou ausência de...
T - Tumor Primário <ul><li>TX O tumor primário não pode ser avaliado </li></ul><ul><li>T0 Não há evidência de tumor primár...
N - Linfonodos Regionais   <ul><li>NX Os linfonodos regionais não podem ser avaliados. </li></ul><ul><li>N0 Ausência de me...
M - Metástase à Distância   <ul><li>MX A presença de metástase à distância não pode ser avaliada. </li></ul><ul><li>M0 Aus...
Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Tumores curáveis (potencialmente curáveis pela quimio): </li></ul><ul><ul><li>Doe...
Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Melhora da sobrevida (quimio traz melhora substancial de sobrevida mas dificilmen...
Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Efeito paliativo (alívio de sintomas, sem efeito de aumento de sobrevida)‏ </li><...
Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Respostas ocasionais </li></ul><ul><ul><li>Sarcomas </li></ul></ul><ul><ul><li>Tu...
Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Sem resposta </li></ul><ul><ul><li>Melanoma maligno (com envolvimento visceral)‏ ...
Efeitos de um tratamento anti-neoplásico <ul><li>Mudanças físicas </li></ul><ul><li>Mudanças hormonais </li></ul><ul><li>M...
Possíveis respostas do paciente a um diagnóstico de câncer <ul><li>Choque/negação </li></ul><ul><li>Medo/regressão </li></...
O diagnóstico <ul><li>Como é dada e recebida a notícia? </li></ul><ul><li>Doença silenciosa: O descontrole do corpo; </li>...
O tratamento <ul><li>Castigo (pensamentos mágicos); </li></ul><ul><li>Medo da morte; Punição; Culpas; </li></ul><ul><li>Me...
Exemplo <ul><li>Paciente com ca de ovário, 46 anos, solteira, sem filhos; </li></ul><ul><li>Desconfiança desde 2007 </li><...
Exemplo <ul><li>Radioterapia: 30 dias que eu finjo que estou de férias; </li></ul><ul><li>“ Posso morrer atropelada quando...
A doença é uma ferida narcísica <ul><li>Não existe representação da morte; </li></ul><ul><li>Inconscientemente, estamos co...
A Negativa (Freud)‏ <ul><li>“ O conteúdo de uma imagem ou idéia reprimida pode abrir caminho até a consciência, com a cond...
Intervenções voltadas para: <ul><li>Adaptação à doença e tratamento; </li></ul><ul><li>Perturbações psicológicas decorrent...
A questão imunológica <ul><li>Todos estamos, todos os dias, apresentando disfunções celulares potencialmente cancerígenas;...
Avaliação do paciente oncológico <ul><li>Investigar: </li></ul><ul><ul><li>História da doença (como se iniciaram os sintom...
Fazer da queixa o ponto de partida... <ul><li>Como o paciente fala de sua doença? Como se refere a ela? </li></ul><ul><li>...
Fazer da queixa o ponto de partida... <ul><li>Sente medo? Do que? Como? </li></ul><ul><li>Como representa a morte?  </li><...
Desafios (texto Psicossomática)‏ <ul><li>Pensamento operatório </li></ul><ul><li>O paradoxo psicossomático </li></ul><ul><...
Pensamento Operatório <ul><li>Uma das grandes descobertas da Psicanálise </li></ul><ul><li>Pierre Marty, Michel de M’Uzan,...
Caso 1 Texto
Desafios (texto Psicossomática)‏ <ul><li>Pensamento operatório </li></ul><ul><li>O paradoxo psicossomático </li></ul><ul><...
Paradoxo Psicossomático <ul><li>“ Depois que adoeci, recuperei minha alegria” </li></ul><ul><li>Se dá no espaço entre as i...
O problema econômico do masoquismo (Freud, 1924)‏ <ul><li>“ ...se o princípio do prazer domina os processos psíquicos de t...
Patomasoquismo ou masoquismo da doença <ul><li>Investimento masoquista do órgão doente e, portanto, um investimento psíqui...
Patomasoquismo ou masoquismo da doença <ul><li>O ganho psíquico obtido por este ciclo não é uma aquisição definitiva e sua...
 
 
Desafios (texto Psicossomática)‏ <ul><li>Pensamento operatório </li></ul><ul><li>O paradoxo psicossomático </li></ul><ul><...
Depressão Essencial <ul><li>Depressão sem expressão; </li></ul><ul><li>Sinais desprovidos de densidade; </li></ul><ul><li>...
Depressão Essencial <ul><li>Depressão essencial tem a ver com negatividade (André Green); </li></ul><ul><li>Quando escutam...
Falta <ul><li>No paciente neurótico nos faz pensar; </li></ul><ul><li>No paciente deprimido essencial (psicossomático) não...
2 categorias de negatividade <ul><li>Uma de defesa dinâmica, que mantém a funcionalidade dos objetos; </li></ul><ul><li>Ou...
Discurso do paciente <ul><li>Não aparece representação recalcada, clivada ou forcluída (sem simbolização)‏ </li></ul><ul><...
Como devo fazer? <ul><li>Nos pacientes operatórios é importante estimularmos ativamente o diálogo, para encontrar o pacien...
Como devo fazer? <ul><li>Permitir o esvaziamento por outras vias! SOMOS QUEM CONTÉM TODA ESSA DESCARGA </li></ul><ul><li>M...
Como devo fazer? <ul><li>M. Fain </li></ul><ul><li>“ nos doentes graves, o  barulho  de sua desorganização somática corre ...
Faixa de Moebius
Faixa de Moebius <ul><li>Descrita pelo matemático August Ferdinand Moebius em 1861; </li></ul><ul><li>Superfície sem borda...
Faixa de Moebius <ul><li>Psicanálise: uso introduzido por Lacan - A partir da faixa, quis demonstrar a estrutura do sujeit...
Faixa de Moebius <ul><li>Os fenômenos psicossomáticos, mais especificamente no caso do câncer, são o ponto de “torção” da ...
A técnica em Psico-Oncologia
Psicoterapias breves <ul><li>Intervenção de crise </li></ul><ul><li>Psicoterapia comportamental </li></ul><ul><li>Psicoter...
Abordagem psicossocial de caráter breve <ul><li>Controle do medo e da fantasia de recidiva; </li></ul><ul><li>Ajuste a mud...
Que geram... <ul><li>Alívio de sintomas; </li></ul><ul><li>Crescimento; </li></ul><ul><li>Mudança; </li></ul><ul><li>Amadu...
Objetivos da psicoterapia de apoio <ul><li>Promover relacionamento de apoio com a equipe; </li></ul><ul><li>Reforçar a for...
Como se molda a psicoterapia breve <ul><li>Confiança e interesse; </li></ul><ul><li>Configurar um problema aceitável pelo ...
O caminho do processo terapêutico <ul><li>Ligação; </li></ul><ul><li>Trabalhar resistências; </li></ul><ul><li>Transferênc...
A primeira sessão <ul><li>Atenção ao histórico da doença, mesmo que no início o foco do paciente seja apenas na ronologia ...
A primeira sessão <ul><li>Não excluir o familiar; usar a percepção do familiar </li></ul><ul><li>Cuidado com o desejo de s...
Após a primeira sessão <ul><li>Focar na compreensão dinâmica do paciente; </li></ul><ul><li>Costurar sessões – conexões; <...
Após a primeira sessão <ul><li>Aprofundar a compreensão da problemática do paciente; </li></ul><ul><li>Revisar com o pacie...
O que não fazer! <ul><li>Evitar sentimentos intensos; </li></ul><ul><li>Violar fronteiras; </li></ul><ul><li>“ Aconselhar”...
O que não fazer! <ul><li>Falar mais do que o próprio paciente; </li></ul><ul><li>Minimizar suas contribuições; </li></ul><...
O que não fazer! <ul><li>Esquecer o por quê da consulta; </li></ul><ul><li>Culpar o paciente; </li></ul><ul><li>Adotar o p...
O poder de uma sessão <ul><li>Como mobilizar sentimentos sem ter certeza da continuidade? </li></ul><ul><li>Necessidade de...
Algumas questões... <ul><li>A sensação recorrente de estar vivendo “com a espada sobre a cabeça”; </li></ul><ul><li>“ Psic...
Algumas questões... <ul><li>A importância dos mecanismos de defesa (proteção contra o trauma); </li></ul><ul><li>Trabalhar...
CASOS
Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>Comunicação “fecha ostra” (Costa e Lopez)‏ </li></ul><ul><li>Perguntas fechad...
Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>Perguntas múltiplas as quais o paciente não vai saber qual responder </li></u...
Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>“ Aconselhar” demais como: “deve, tem que, não deve fazer assim, não fique as...
Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>Dar soluções, tentar resolver os problemas dos outros; ao invés de ajuda-los ...
Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Realizar perguntas abertas e dirigidas: “Como está seu ânimo hoje?”; </li></ul...
Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Perguntar sem dar nada por entendido: “O que entendes por neoplasia?” “Sabes o...
Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Identificar atribuições: “A que você atribui seu mal-estar? O que acredita que...
Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Resumir devolvendo ao paciente o que foi compreendido: “Se eu entendi bem o qu...
Casos <ul><li>Paciente silencioso; </li></ul><ul><li>Paciente só sintomas; </li></ul><ul><li>Paciente muito bem; </li></ul...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Aula Psicoonco 10

3,878

Published on

Aula sobre fundamentos basicos da Psico-Oncologia, manejo com o paciente e familiares

0 Comments
4 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
3,878
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
224
Comments
0
Likes
4
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "Aula Psicoonco 10"

  1. 1. Psico-Oncologia Luciane Slomka Especialista em Psico-Oncologia Mestre em Medicina e Ciências da Saúde
  2. 3. Histórico da Psico-Oncologia <ul><li>Final séc. XIX: Freud refere a integração mente/corpo com “Estudos sobre a Histeria” </li></ul><ul><li>Acontecimento psíquicos podem trazer consequências orgânicas </li></ul><ul><li>Freud + Jung = Medicina Psicossomática </li></ul><ul><li>1939: Oficialização da American Psychosomatic Medicine Association </li></ul><ul><li>1970: Divisão de Psicologia da Saúde da Associação Americana de Psicologia </li></ul>
  3. 4. Histórico <ul><li>Anos 80: Publicação da Revista de Psicologia da Saúde </li></ul><ul><li>1981: Robert Adler “Psiconeuroimunologia” </li></ul><ul><li>1987: Simonton </li></ul><ul><li>1992: LeShan </li></ul><ul><li>Década de 70: Jimmie Holland (Memorial Sloan Kettering Cancer Center)‏ </li></ul>
  4. 6. Jimmie Holland <ul><li>O que são respostas normais ao câncer? </li></ul><ul><li>Quais são anormais, refletindo um sofrimento que possa interferir no plano de tratamento? </li></ul><ul><li>Qual a prevalência de problemas psicológicos que indicam a necessidade de psicoterapia? </li></ul><ul><li>As reações emocionais afetam o curso da enfermidade positivamente ou negativamente? </li></ul><ul><li>Quais intervenções e métodos de enfrentamento podem reduzir o sofrimento? </li></ul>
  5. 7. Definição americana <ul><li>Uma subespecialidade da oncologia que procura estudar as duas dimensões psicológicas presentes no diagnóstico do câncer: </li></ul><ul><ul><li>O impacto do câncer no funcionamento emocional do paciente, sua família e profissionais de saúde </li></ul></ul><ul><ul><li>O papel das variáveis psicológicas e comportamentais na incidência e na sobrevivência ao câncer. </li></ul></ul>
  6. 8. Definição Brasileira <ul><li>1° Encontro Brasileiro de Psico-Oncologia: 1989, em Curitiba </li></ul><ul><li>1993: Primeiro curso de extensão em Psico-Oncologia no Instituto Sedes Sapientiae </li></ul><ul><li>1998: Curso de especialização na mesma instituição </li></ul>
  7. 9. Definição Brasileira (Gimenez, 1994)‏ <ul><li>A Psico-Oncologia representa a área de interface entre a Psicologia e a Oncologia e utiliza conhecimento educacional, profissional e metodológico proveniente da Psicologia da saúde para aplicá-lo: </li></ul>
  8. 10. Definição Brasileira <ul><li>Na assistência ao paciente oncológico, sua família e profissionais de saúde envolvidos com a prevenção, o tratamento, a reabilitação e a fase terminal da doença; </li></ul><ul><li>Na pesquisa e no estudo de variáveis psicológicas e sociais relevantes para a compreensão da incidência, da recuperação e do tempo de sobrevida após o diagnóstico de câncer; </li></ul>
  9. 11. Definição Brasileira <ul><li>Na organização de serviços oncológicos que visem ao atendimento integral do paciente, enfatizando de modo essencial a formação e o aprimoramento dos profissionais da Saúde envolvidos nas diferentes etapas do tratamento. </li></ul>
  10. 12. Alguns dados <ul><li>60% dos casos de câncer são preveníveis, o que torna o trabalho de prevenção essencial </li></ul><ul><li>Políticas de saúde/ações comunitárias </li></ul><ul><li>Alta porcentagem de casos curáveis, o que indica necessidade de uma ênfase cada vez maior no trabalho de reabilitação física e emocional. </li></ul>
  11. 13. Desafios <ul><li>Modelo biomédico e a dificuldade de fazer surgir a importância dos aspectos emocionais; </li></ul><ul><li>A questão da medicação excessiva; </li></ul><ul><li>Divisão entre posições teóricas que dificulta visão unificada do homem e a integração dos tratamentos; </li></ul><ul><li>Questões em aberto (texto); </li></ul>
  12. 14. Desafios <ul><li>Psico-Oncologia X Psicologia Hospitalar </li></ul><ul><li>A condução de um processo psicoterápico: </li></ul><ul><ul><li>Deve-se focalizar no câncer e suas consequências, em uma terapia breve focal, ou buscar nas origens da personalidade do paciente, explicações para o próprio desenvolvimento do câncer? </li></ul></ul>
  13. 15. <ul><li>Existe uma personalidade típica do paciente oncológico? </li></ul><ul><li>Carvalho (1994): SE existirem personalidades predisponentes ao câncer, isso indica a possibilidade de um trabalho psicoterápico de prevenção. </li></ul><ul><li>Temoshok (1992)‏ </li></ul><ul><ul><li>Personalidade tipo A (tendência a doenças cardíacas)‏ </li></ul></ul><ul><ul><li>Personalidade tipo C (não tem crises de raiva, parecem relaxadas, não competitivas. Sob essa aparente calma há um grande dificuldade de auto-afirmação, raiva não expressa, ansiedade e sentimentos reprimidos e uma profunda desesperança. </li></ul></ul>
  14. 16. Prognósticos <ul><li>Ponto crítico para médicos e pesquisadores </li></ul><ul><li>Estabelecidos a partir de estatísticas referentes àquele tipo de câncer, naquele órgão e naquele grau de estadiamento; </li></ul><ul><li>O que o médico pode saber é a porcentagem do tempo de sobrevida ou de mortalidade; </li></ul><ul><li>Como lidar com porcentagens? </li></ul><ul><li>Como trabalhar isso com nossos pacientes? </li></ul>
  15. 17. Siegel (1997)‏ <ul><li>A importância de perguntar ao paciente o que ele está sentindo e ouvir a resposta. Se o paciente melhorar acima do esperado, aprender com a resposta. </li></ul>
  16. 18. A arquitetura do câncer
  17. 19. Algumas características <ul><li>Etiologia desconhecida (fantasias); </li></ul><ul><li>Crescimento desordenado de células; </li></ul><ul><li>Não reconhecimento do corpo-estranho pelo corpo-ego; </li></ul><ul><li>Falha no sistema imunológico; </li></ul><ul><li>Falha no “sistema imunológico emocional”? O que veio antes? </li></ul>
  18. 20. Sobre o câncer <ul><li>O paciente tem sua realidade modificada pelas conseqüências das características clínicas e efeitos dos tratamentos, sempre muito agressivos; </li></ul><ul><li>Vive com a certeza da incerteza, também denominada “Síndrome de Damocles”; </li></ul><ul><li>Cede-se ao tumor um sentido natural de imortalidade. </li></ul>
  19. 21. O câncer me tem ou eu tenho câncer? <ul><li>Sou um paciente que tem câncer </li></ul><ul><li>OU </li></ul><ul><li>O câncer não faz mais parte de mim </li></ul>
  20. 22. “ Enfermidade Sagrada” <ul><li>Desde Hipócrates, denomina-se assim uma série de enfermidades que representariam algo maligno e que seus enfermos possuíam a “maldição” de carregá-la. Vistas como emissárias de castigo e de condutas ou pensamentos culposos inconscientes; </li></ul><ul><li>Essas condutas persistem, culturalmente adaptadas: isolamento, segregação, despersonalização, agressividade, etc; </li></ul><ul><li>Ex: Epilepsia (Hipócrates), lepra, peste, sífilis, tuberculose, câncer. </li></ul>
  21. 23. Quimioterapia <ul><li>Tratamento agressivo; </li></ul><ul><li>Morte indiscriminada de células cancerígenas e saudáveis; </li></ul><ul><li>Perda de cabelo; </li></ul><ul><li>Feridas na boca e trato gastrintestinal; </li></ul><ul><li>“ Pior do que a própria doença”; </li></ul><ul><li>O estigma de estar sem cabelos e a culpa por sentir essa dor como uma das maiores. </li></ul>
  22. 24. Radioterapia <ul><li>Tratamento diário; </li></ul><ul><li>Radiação invisível por alguns segundos/minutos; </li></ul><ul><li>Relação íntima com a equipe e com os “colegas” de tratamento; </li></ul><ul><li>Pode ser o final do tratamento adjuvante ou usada antes de uma cirurgia para diminuir o tumor ou até em pacientes terminais para conforto/alívio da dor. </li></ul>
  23. 25. Estadiamento do câncer <ul><li>Avaliação da extensão da doença no momento do descobrimento de sua existência </li></ul><ul><li>Classificação dos casos em grupos semelhantes quanto ao comportamento, evolução clínica e prognóstico; </li></ul><ul><li>Estadios de I a IV </li></ul>
  24. 26. Classificação TNM <ul><li>T: Tamanho e/ou grau de extensão do tumor primário; </li></ul><ul><li>N: Presença ou ausência de metástases em linfonodos regionais; </li></ul><ul><li>M: Presença ou ausência de metástases à distância; </li></ul>
  25. 27. T - Tumor Primário <ul><li>TX O tumor primário não pode ser avaliado </li></ul><ul><li>T0 Não há evidência de tumor primário </li></ul><ul><li>Tis Carcinoma in situ </li></ul><ul><li>T1, T2, T3, T4 Tamanho crescente e/ou extensão local do tumor primário. </li></ul>
  26. 28. N - Linfonodos Regionais <ul><li>NX Os linfonodos regionais não podem ser avaliados. </li></ul><ul><li>N0 Ausência de metástase em linfonodos regionais. </li></ul><ul><li>N1, N2, N3 Comprometimento crescente dos linfonodos regionais </li></ul>
  27. 29. M - Metástase à Distância <ul><li>MX A presença de metástase à distância não pode ser avaliada. </li></ul><ul><li>M0 Ausência de metástase à distância </li></ul><ul><li>M1 Metástase à distância </li></ul>
  28. 30. Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Tumores curáveis (potencialmente curáveis pela quimio): </li></ul><ul><ul><li>Doença de Hodgkin </li></ul></ul><ul><ul><li>LLA em crianças </li></ul></ul><ul><ul><li>Linfoma de Burkitt </li></ul></ul><ul><ul><li>Coriocarcinoma </li></ul></ul><ul><ul><li>Sarcoma de Ewing </li></ul></ul><ul><ul><li>Linfoma histocístico </li></ul></ul><ul><ul><li>Tumor de Wilms </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma testicular </li></ul></ul><ul><ul><li>Rabdomiossarcoma embrionário </li></ul></ul><ul><ul><li>Retinoblastoma </li></ul></ul>
  29. 31. Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Melhora da sobrevida (quimio traz melhora substancial de sobrevida mas dificilmente cura)‏ </li></ul><ul><ul><li>Leucemia aguda </li></ul></ul><ul><ul><li>Neuroblastoma </li></ul></ul><ul><ul><li>Mieloma múltiplo </li></ul></ul><ul><ul><li>Linfoma não-Hodgkin agressivo </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de pequenas células do pulmão </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de mama, estômago, ovário e cortex adrenal </li></ul></ul><ul><ul><li>Sarcoma osteogênico </li></ul></ul><ul><ul><li>Insulinoma maligno </li></ul></ul>
  30. 32. Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Efeito paliativo (alívio de sintomas, sem efeito de aumento de sobrevida)‏ </li></ul><ul><ul><li>Linfoma não hodgkin </li></ul></ul><ul><ul><li>Leucemia linfocítica crônica </li></ul></ul><ul><ul><li>Leucemia granulocítica crônica </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de próstata, endométrio ou cérvix uterino </li></ul></ul><ul><ul><li>Câncer de glândulas endócrinas </li></ul></ul><ul><ul><li>Tumores carcinóides </li></ul></ul>
  31. 33. Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Respostas ocasionais </li></ul><ul><ul><li>Sarcomas </li></ul></ul><ul><ul><li>Tumores cerebrais </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de pulmão </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de cabeça e pescoço, tireóide, cólon, reto e fígado </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de bexiga </li></ul></ul><ul><ul><li>Melanoma maligno (pele e nódulos)‏ </li></ul></ul>
  32. 34. Resposta tumoral à quimioterapia <ul><li>Sem resposta </li></ul><ul><ul><li>Melanoma maligno (com envolvimento visceral)‏ </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de esôfago </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma de pâncreas </li></ul></ul><ul><ul><li>Hipernefroma </li></ul></ul>
  33. 35. Efeitos de um tratamento anti-neoplásico <ul><li>Mudanças físicas </li></ul><ul><li>Mudanças hormonais </li></ul><ul><li>Mudanças comportamentais Não sou </li></ul><ul><li>Mudanças cognitivas mais o </li></ul><ul><li>Mudanças de personalidade mesmo </li></ul>
  34. 36. Possíveis respostas do paciente a um diagnóstico de câncer <ul><li>Choque/negação </li></ul><ul><li>Medo/regressão </li></ul><ul><li>Crenças mágicas e esperanças irreais </li></ul><ul><li>Barganha Agressividade </li></ul><ul><li>(distancia)‏ </li></ul><ul><li>Decepção </li></ul><ul><li>(depressão) Reorientação </li></ul><ul><li>(redirecionamento)‏ </li></ul>
  35. 37. O diagnóstico <ul><li>Como é dada e recebida a notícia? </li></ul><ul><li>Doença silenciosa: O descontrole do corpo; </li></ul><ul><li>Ninguém pergunta sobre algo que ignora e que já não esteja em sua mente; </li></ul><ul><li>Usar a palavra câncer? </li></ul><ul><li>Trabalhar sentimentos da família; </li></ul><ul><li>Informação: limita e enquadra as fantasias destruidoras e terroríficas. </li></ul>
  36. 38. O tratamento <ul><li>Castigo (pensamentos mágicos); </li></ul><ul><li>Medo da morte; Punição; Culpas; </li></ul><ul><li>Medo externo (real) X medo interno (razões internas, próprias da história de vida do sujeito); </li></ul><ul><li>O psicólogo deve reconhecer e permitir a expressão tais sentimentos; não rechaçá-los e nem reforçá-los; </li></ul><ul><li>Como trabalhar o princípio da realidade? </li></ul><ul><li>Cuidado ao trabalhar o externo e o interno. </li></ul>
  37. 39. Exemplo <ul><li>Paciente com ca de ovário, 46 anos, solteira, sem filhos; </li></ul><ul><li>Desconfiança desde 2007 </li></ul><ul><li>6 absorventes por dia </li></ul><ul><li>Dor a fez procurar médico em POA </li></ul><ul><li>“ Para mim é como se eu estivesse tratando uma gripe” </li></ul><ul><li>“ Gripe mata, catapora mata, só o tratamento que é diferente” </li></ul>
  38. 40. Exemplo <ul><li>Radioterapia: 30 dias que eu finjo que estou de férias; </li></ul><ul><li>“ Posso morrer atropelada quando sair daqui” </li></ul><ul><li>CONTROLE / ONIPOTÊNCIA </li></ul>
  39. 41. A doença é uma ferida narcísica <ul><li>Não existe representação da morte; </li></ul><ul><li>Inconscientemente, estamos convencidos de nossa imortalidade; </li></ul><ul><li>Confrontação real: para o paciente – busca de crenças mágicas; para o profissional – se estou como espectadora não sou eu. </li></ul>
  40. 42. A Negativa (Freud)‏ <ul><li>“ O conteúdo de uma imagem ou idéia reprimida pode abrir caminho até a consciência, com a condição que seja ‘negado’. A negativa constitui um modo de tomar conhecimento do que está reprimido; (...) Podemos ver como, aqui, a função intelectual está separada do processo afetivo (...) O resultado disso é uma espécie de aceitação intelectual do reprimido, ao passo que simultaneamente persiste o que é essencial à repressão.” (A negativa, 1925)‏ </li></ul>
  41. 43. Intervenções voltadas para: <ul><li>Adaptação à doença e tratamento; </li></ul><ul><li>Perturbações psicológicas decorrentes da doença e seu tratamento; </li></ul><ul><li>Qualidade de vida durante o tratamento; </li></ul><ul><li>Questões éticas e psicológicas no que se refere à equipe assistencial; </li></ul><ul><li>Cuidados paliativos; </li></ul><ul><li>Atenção à família como paciente; </li></ul><ul><li>Readaptação à vida após a cura. </li></ul>
  42. 44. A questão imunológica <ul><li>Todos estamos, todos os dias, apresentando disfunções celulares potencialmente cancerígenas; </li></ul><ul><li>O que faz um sistema imunológico detectar ou não essa disfunção? </li></ul>
  43. 45. Avaliação do paciente oncológico <ul><li>Investigar: </li></ul><ul><ul><li>História da doença (como se iniciaram os sintomas, de que forma, como percebeu?)‏ </li></ul></ul><ul><ul><li>O que ocorreu antes e logo depois do adoecimento? </li></ul></ul><ul><ul><li>O que estava acontecendo na vida do paciente no momento da descoberta? </li></ul></ul><ul><ul><li>Como evoluíram os sintomas? </li></ul></ul><ul><ul><li>Doença está ego-distônica ou ego-sintônica? </li></ul></ul>
  44. 46. Fazer da queixa o ponto de partida... <ul><li>Como o paciente fala de sua doença? Como se refere a ela? </li></ul><ul><li>Como descreve seus sintomas? </li></ul><ul><li>De que forma busca ajuda (caso o faça); </li></ul><ul><li>O que prioriza? </li></ul><ul><li>O que omite de seu quadro clínico (questão do sigilo/o que optou em não falar). </li></ul>
  45. 47. Fazer da queixa o ponto de partida... <ul><li>Sente medo? Do que? Como? </li></ul><ul><li>Como representa a morte? </li></ul><ul><li>Como a família representa a morte? </li></ul><ul><li>Crenças (estão relacionadas à resiliência): fé/espiritualidade/religiosidade; </li></ul><ul><li>Fantasias relativas ao morrer; </li></ul><ul><li>Representação familiar sobre o adoecimento: mitos, culpas, crenças. </li></ul>
  46. 48. Desafios (texto Psicossomática)‏ <ul><li>Pensamento operatório </li></ul><ul><li>O paradoxo psicossomático </li></ul><ul><li>Depressão essencial </li></ul>
  47. 49. Pensamento Operatório <ul><li>Uma das grandes descobertas da Psicanálise </li></ul><ul><li>Pierre Marty, Michel de M’Uzan, Christian David e Michel Fain </li></ul><ul><li>Escola Psicossomática de Paris </li></ul><ul><li>Pacientes com vida operatória na relação terapêutica: impedimento de contra-transferência, porque o objeto é percebido apenas como o duplo do sujeito; o objeto não emite nada além do duplo </li></ul>
  48. 50. Caso 1 Texto
  49. 51. Desafios (texto Psicossomática)‏ <ul><li>Pensamento operatório </li></ul><ul><li>O paradoxo psicossomático </li></ul><ul><li>Depressão essencial </li></ul>
  50. 52. Paradoxo Psicossomático <ul><li>“ Depois que adoeci, recuperei minha alegria” </li></ul><ul><li>Se dá no espaço entre as instâncias psíquica e somática do ser humano; </li></ul><ul><li>Dimensão masoquista está em jogo </li></ul><ul><li>Padrão de funcionamento de auto-flagelo </li></ul>
  51. 53. O problema econômico do masoquismo (Freud, 1924)‏ <ul><li>“ ...se o princípio do prazer domina os processos psíquicos de tal modo que o alvo imediato é o de evitar o desprazer e obter prazer, o masoquismo é então incompreensível. Se a dor e o desprazer podem ser eles próprios alvos e não mais advertências (sinais de alarme), o princípio do prazer está paralisado, o guardião de nossa vida psíquica está como sob efeito de um narcótico” </li></ul>
  52. 54. Patomasoquismo ou masoquismo da doença <ul><li>Investimento masoquista do órgão doente e, portanto, um investimento psíquico regressivo. </li></ul><ul><li>ANEL: Ciclo que parte da depressão essencial e que a ela retorna, a partir da somatização, com um ganho psíquico. </li></ul><ul><li>Para compreender esse ciclo dois termos são necessários: ausência de expressividade dolorosa e a regressão masoquista (patomasoquismo)‏ </li></ul>
  53. 55. Patomasoquismo ou masoquismo da doença <ul><li>O ganho psíquico obtido por este ciclo não é uma aquisição definitiva e sua perenidade depende tanto de fatores internos e individuais quanto fatores humanos e psicoterapêuticos </li></ul><ul><li>Ou seja, podemos intervir nesse processo. </li></ul>
  54. 58. Desafios (texto Psicossomática)‏ <ul><li>Pensamento operatório </li></ul><ul><li>O paradoxo psicossomático </li></ul><ul><li>Depressão essencial </li></ul>
  55. 59. Depressão Essencial <ul><li>Depressão sem expressão; </li></ul><ul><li>Sinais desprovidos de densidade; </li></ul><ul><li>Se revela muitas vezes através de um estado de tensão que os pacientes chamam de “stress”; </li></ul><ul><li>Mal estar vago mas persistente e análogo aos estados de angústia difusa </li></ul><ul><li>Queixas corporais: o corpo se impondo, ao contrário do psiquismo, como um objeto de expressão dolorosa </li></ul>
  56. 60. Depressão Essencial <ul><li>Depressão essencial tem a ver com negatividade (André Green); </li></ul><ul><li>Quando escutamos um paciente deprimido essencial ficamos sensíveis ao seu estado atônico </li></ul><ul><li>“ A transmissão da atonia se opera, habitualmente, pela transferência de algo sentido pelo paciente, ao psicanalista. O psicanalista se vê, então, tomado por alguma coisa de ordem afetiva, que é precisamento o que está faltando ao paciente.” </li></ul>
  57. 61. Falta <ul><li>No paciente neurótico nos faz pensar; </li></ul><ul><li>No paciente deprimido essencial (psicossomático) não nos faz pensar; </li></ul><ul><li>A falta da neurose tem pensamento presente enquanto a falta da depressão essencial tem vazio. </li></ul>
  58. 62. 2 categorias de negatividade <ul><li>Uma de defesa dinâmica, que mantém a funcionalidade dos objetos; </li></ul><ul><li>Outra mais radical, que age por supressão, tornando o funcionamento mental indisponível; </li></ul><ul><li>“ Poderíamos dizer de outro modo: num caso, algo existe mas está faltando, enquanto no outro, falta porque não existe” </li></ul>
  59. 63. Discurso do paciente <ul><li>Não aparece representação recalcada, clivada ou forcluída (sem simbolização)‏ </li></ul><ul><li>Não disponibilidade de formações intermediárias; </li></ul><ul><li>O acesso à interpretação está barrado; </li></ul><ul><li>COMO DEVO FAZER? </li></ul>
  60. 64. Como devo fazer? <ul><li>Nos pacientes operatórios é importante estimularmos ativamente o diálogo, para encontrar o paciente e retirá-lo de seu retraimento; </li></ul><ul><li>Pierre Marty </li></ul><ul><li>“ Uma relação a ser aberta... e um limite a não ser ultrapassado” </li></ul>
  61. 65. Como devo fazer? <ul><li>Permitir o esvaziamento por outras vias! SOMOS QUEM CONTÉM TODA ESSA DESCARGA </li></ul><ul><li>Michel de M’Uzan chamou os pacientes operatórios de “escravos da quantidade”, para sublinhar a obrigação de descarga à qual estão sujeitos pela quantidade de excitação que os habita. </li></ul><ul><li>Suportar a relação (o paciente pela estabilidade e constância e o terapeuta pela falta de reciprocidade e o primitivismo da transferência)‏ </li></ul>
  62. 66. Como devo fazer? <ul><li>M. Fain </li></ul><ul><li>“ nos doentes graves, o barulho de sua desorganização somática corre junto com o silêncio do seu psiquismo” </li></ul>
  63. 67. Faixa de Moebius
  64. 68. Faixa de Moebius <ul><li>Descrita pelo matemático August Ferdinand Moebius em 1861; </li></ul><ul><li>Superfície sem borda, ou seja, um objeto não orientável e unilateral; </li></ul><ul><li>Não apresenta frente/verso, dentro/fora, em cima/em baixo; </li></ul><ul><li>Única superfície contínua; </li></ul><ul><li>Representa unidade mente-corpo. </li></ul>
  65. 69. Faixa de Moebius <ul><li>Psicanálise: uso introduzido por Lacan - A partir da faixa, quis demonstrar a estrutura do sujeito, a relação entre demanda e desejo; </li></ul><ul><li>Em relação à psicossomática a faixa de Moebius possibilita representar, em uma superfície, um processo contínuo, onde dentro e fora se encontram, onde avesso e direito se comunicam = corpo e mente. </li></ul>
  66. 70. Faixa de Moebius <ul><li>Os fenômenos psicossomáticos, mais especificamente no caso do câncer, são o ponto de “torção” da faixa de Moebius; </li></ul><ul><li>O “salto misterioso” do psíquico para o somático (Freud, 1917) seria, provavelmente, o encontro dos lados, a torção; </li></ul><ul><li>Cuidado para não nos enredarmos somente na razão da torção ao invés de trabalharmos o impacto desta. </li></ul>
  67. 71. A técnica em Psico-Oncologia
  68. 72. Psicoterapias breves <ul><li>Intervenção de crise </li></ul><ul><li>Psicoterapia comportamental </li></ul><ul><li>Psicoterapia de apoio </li></ul><ul><li>Terapia de manutenção </li></ul><ul><li>Falar do caso do medo de deixar em aberto, como fazer uma sessão encerrar em si mesma sem deixar angústia flutuante </li></ul>
  69. 73. Abordagem psicossocial de caráter breve <ul><li>Controle do medo e da fantasia de recidiva; </li></ul><ul><li>Ajuste a mudanças na hierarquia familiar (ajuste de papéis); </li></ul><ul><li>Moderar estados de afeto desagradáveis; </li></ul><ul><li>Re-ligação com a vida; </li></ul><ul><li>Planejar o futuro; </li></ul><ul><li>Ajuste ao prognóstico; </li></ul>
  70. 74. Que geram... <ul><li>Alívio de sintomas; </li></ul><ul><li>Crescimento; </li></ul><ul><li>Mudança; </li></ul><ul><li>Amadurecimento; </li></ul><ul><li>Manutenção; </li></ul>
  71. 75. Objetivos da psicoterapia de apoio <ul><li>Promover relacionamento de apoio com a equipe; </li></ul><ul><li>Reforçar a força do paciente (habilidades de enfrentamento e capacidade de usar o ambiente); </li></ul><ul><li>Reduzir o estresse; </li></ul><ul><li>Promover o máximo grau possível de independência da doença; </li></ul><ul><li>Estimular autonomia nas decisões referentes ao tratamento (participação mais ativa); </li></ul>
  72. 76. Como se molda a psicoterapia breve <ul><li>Confiança e interesse; </li></ul><ul><li>Configurar um problema aceitável pelo paciente; </li></ul><ul><li>Oportunidade imediata de ação conjunta; </li></ul><ul><li>Atmosfera de empatia, esperança e realidade; </li></ul><ul><li>Aliar-se a aspectos sadios e adaptativos do paciente; </li></ul>
  73. 77. O caminho do processo terapêutico <ul><li>Ligação; </li></ul><ul><li>Trabalhar resistências; </li></ul><ul><li>Transferência; </li></ul><ul><li>Contratransferência; </li></ul><ul><li>Mostrar progressos, mesmo quando pequenos; </li></ul>
  74. 78. A primeira sessão <ul><li>Atenção ao histórico da doença, mesmo que no início o foco do paciente seja apenas na ronologia e nos sintomas; </li></ul><ul><li>Ir aos poucos mostrando que o que nós vamos ouvir ali é de outra ordem </li></ul><ul><li>O que o paciente imagina em relação ao tratamento (o que está por vir)‏ </li></ul>
  75. 79. A primeira sessão <ul><li>Não excluir o familiar; usar a percepção do familiar </li></ul><ul><li>Cuidado com o desejo de ser “agradável” </li></ul><ul><li>Propor continuidade, mostrar a necessidade e o que vai ser trabalhado </li></ul><ul><li>Estar PRESENTE </li></ul>
  76. 80. Após a primeira sessão <ul><li>Focar na compreensão dinâmica do paciente; </li></ul><ul><li>Costurar sessões – conexões; </li></ul><ul><li>Progressivamente avançar nas hipóteses; </li></ul><ul><li>Considerar sessões familiares </li></ul>
  77. 81. Após a primeira sessão <ul><li>Aprofundar a compreensão da problemática do paciente; </li></ul><ul><li>Revisar com o paciente o estado emocional atual e de todo o processo de tratamento; </li></ul><ul><li>Encerrar com relacionamento positivo: Acompanhamento (follow-up), por telefone, carta, etc. </li></ul>
  78. 82. O que não fazer! <ul><li>Evitar sentimentos intensos; </li></ul><ul><li>Violar fronteiras; </li></ul><ul><li>“ Aconselhar” demais; </li></ul>
  79. 83. O que não fazer! <ul><li>Falar mais do que o próprio paciente; </li></ul><ul><li>Minimizar suas contribuições; </li></ul><ul><li>Evitar conflito; </li></ul>
  80. 84. O que não fazer! <ul><li>Esquecer o por quê da consulta; </li></ul><ul><li>Culpar o paciente; </li></ul><ul><li>Adotar o paciente; </li></ul>
  81. 85. O poder de uma sessão <ul><li>Como mobilizar sentimentos sem ter certeza da continuidade? </li></ul><ul><li>Necessidade de deixar o mínimo possível de questões em aberto; </li></ul><ul><li>Fazer cada sessão ter um objetivo que seja atendido, nem que seja “apenas” o alívio </li></ul><ul><li>Reforçar defesas saudáveis ao final </li></ul><ul><li>Jamais mobilizar questões novas perto do final do encontro </li></ul>
  82. 86. Algumas questões... <ul><li>A sensação recorrente de estar vivendo “com a espada sobre a cabeça”; </li></ul><ul><li>“ Psicologismo” excessivo: Fantasias em relação ao surgimento da doença, por ser de origem desconhecida; </li></ul><ul><li>Avaliar resiliência/capacidade de coping </li></ul><ul><li>Passividade do paciente diante de seu corpo: O quanto tenta controlar o que lhe é viável (dia da consulta, horário de QT); se isso não é compreendido pode gerar raiva; </li></ul>
  83. 87. Algumas questões... <ul><li>A importância dos mecanismos de defesa (proteção contra o trauma); </li></ul><ul><li>Trabalhar no sentido da possibilidade de ressignificação da vida: Mudança; </li></ul><ul><li>Os pacientes passam pela experiência, nós de certa maneira permanecemos: o que geramos de transformação em nossas próprias vidas? </li></ul>
  84. 88. CASOS
  85. 89. Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>Comunicação “fecha ostra” (Costa e Lopez)‏ </li></ul><ul><li>Perguntas fechadas que impliquem em uma resposta desejada: “Você se sente melhor, não é mesmo?” </li></ul><ul><li>Impor, dizer às pessoas o que devem fazer. A imposição gera atitudes contrárias às que são propostas: “Coma, isso vai te fazer sentir melhor... não me diga isso!...Saia para passear!” </li></ul>
  86. 90. Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>Perguntas múltiplas as quais o paciente não vai saber qual responder </li></ul><ul><li>Dizer que não há motivo para preocupar-se quando o paciente está preocupado. </li></ul><ul><li>Ameaçar: “Levante-se agora mesmo, ou vou chamar a enfermeira!” </li></ul>
  87. 91. Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>“ Aconselhar” demais como: “deve, tem que, não deve fazer assim, não fique assim” </li></ul><ul><li>Desviar o foco de atenção somente para o físico: </li></ul><ul><li>- Terapeuta: Como você está? </li></ul><ul><li>- Paciente: o tratamento está muito difícil. Não sei se meu corpo aguentará. </li></ul><ul><li>- Profissional: mas você respira melhor desde que o tratamento começou?” </li></ul>
  88. 92. Fatores que dificultam a comunicação <ul><li>Dar soluções, tentar resolver os problemas dos outros; ao invés de ajuda-los a encontrar a solução que considerem mais oportuna a si mesmos. </li></ul>
  89. 93. Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Realizar perguntas abertas e dirigidas: “Como está seu ânimo hoje?”; </li></ul><ul><li>Identificar do modo mais específico possível as preocupações, necessidades e temores; </li></ul><ul><li>Motivar o paciente a se comunicar: “Bem...continue, estou te entendendo” </li></ul>
  90. 94. Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Perguntar sem dar nada por entendido: “O que entendes por neoplasia?” “Sabes o que é um catéter?” </li></ul><ul><li>Escutar os sentimentos e dar mostras de que se entendem e se aceitam </li></ul><ul><li>Explorar outros problemas: “Além desse problema, tens outras preocupações”? </li></ul>
  91. 95. Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Identificar atribuições: “A que você atribui seu mal-estar? O que acredita que lhe ajudaria nesses momentos”? </li></ul><ul><li>Pedir opinião: “Você acha que podemos falar do resultado de sua biópsia agora?” </li></ul><ul><li>Devolver percepções: “Parece que está sendo muito difícil para você; me dá a impressão de que você se sente...” </li></ul>
  92. 96. Fatores que facilitam a comunicação <ul><li>Resumir devolvendo ao paciente o que foi compreendido: “Se eu entendi bem o que lhe preocupa mais nesse momento...” </li></ul><ul><li>Procurar congruência entre comunicação verbal e não verbal. A comunicação não verbal é de grande importância principalmente àqueles enfermos que apresentam dificuldade em estabelecer a comunicação verbal; </li></ul>
  93. 97. Casos <ul><li>Paciente silencioso; </li></ul><ul><li>Paciente só sintomas; </li></ul><ul><li>Paciente muito bem; </li></ul><ul><li>Paciente melancólico; </li></ul><ul><li>Familiares invasivos; </li></ul>
  1. A particular slide catching your eye?

    Clipping is a handy way to collect important slides you want to go back to later.

×