Pontifícia Universidade Católica de São Paulo                              Luciana Moherdaui                             I...
Luciana Moherdaui             Interfaces nômadesUma proposta para orientar o fluxo noticioso na Web     DOUTORADO EM COMUN...
Folha de aprovação              Banca examinadora              Rogério da Costa - Orientador              Giselle Beiguelm...
Agradecimentos       Este trabalho ficaria sem fôlego não fossem as orientações de GiselleBeiguelman e Rogério da Costa. G...
“Nenhum conhecimentoprecede a experiência, todoscomeçam por ela”Immanuel Kant                               5
ResumoEsta pesquisa analisa a interface jornalística na Web, embora a conclusão possa serestendida a outros protocolos e a...
AbstractThis research analyzes the news on the Web interface, although the finding can beextended to other protocols and a...
SumárioÍndice de figuras                                             PG 10Índice de tabelas                               ...
As quatro fases do Jornalismo de Internet           PG 119            Para analisar a interface, Foucault                 ...
Índice de figurasFigura 1. Mosaic, primeiro browser gráfico                                 PG 35Figura 2. Netscape Naviga...
Figuras 26, 27, 28. Interfaces da Folha de S.Paulo na Webdurante a Copa 2006                                              ...
Figura 55. Reconhecimento facial do Facebook                            PG 108Figura 56. Primeiro blog da Web, de Tim Bern...
Figura 77. Mapa do Google sobre avanço da gripe aviária por região     PG 128Figura 78. Interface do Le Monde, 1996       ...
Figura 104. Caneta ótica, de Ivan Sutherland, 1965                     PG 167Figura 105. Sistema Augment/NLS, processador ...
Figura 121. Desaparecimento das categorias, proposta porClay Shirky: hierarquia com links                                 ...
Figura 140. Interface da Globo News ao vivo com a cobertura daocupação do Morro do Alemão                                 ...
Índice de tabelasTabela 1. Nomenclaturas                                         PG 61Tabela 2. Computador e interface ont...
Introdução    Quando o projeto2 desta tese foi elaborado, em meados de 2008, pensava-se aWorld Wide Web, o protocolo multi...
vieram os diretórios e depois deles os portais, os cliques para e-commerce”                (apud FERRARI: 2002, p. 17).   ...
mundo, com base na Teoria do Jornalismo, mais especificamente o newsmaking, etendo como cerne a narrativa, a afirmação do ...
digital e rede social (Social News e jornal como rede social). Ou seja, as interfaces,antes estáticas, tornaram-se nômades...
defende a não hierarquização da narrativa: “Na Web não há hierarquia absoluta.Cada leitor é um agente de seleção, de bifur...
Mas as conclusões do LIDE2011 não chegam perto da reformulação conceitualimpulsionada pela dinâmica das redes. Talvez por ...
Ubuweb (base de dados de poesia sonora, escrita e visual), Flickr, Gizmodo, TheHuffington Post e Wired, entre outros15, e ...
Definir Jornalismo e sistematizar conceitos que correspondem à sua prática,como newsmaking (produção de notícias), gatekee...
representação de uma mídia em outra (BOLTER; GRUSIN: 2000) e mediavisualization - mistura de formatos e formas (MANOVICH: ...
Objetivos secundários   1. Investigar como o avanço da tecnologia possibilita novos formatos e      examinar que modelos t...
•   Estudo da composição das interfaces do corpus da pesquisa por meio    de questionário de avaliação que levou em conta ...
Capítulo 1                 “Falar em             cibercultura é                   negar a                 realidade”      ...
Capítulo 1: Internet das CoisasA rede mundial de computadores          A Internet, a rede mundial de computadores, foi cri...
Alohanet. A IBM anunciou o computador System/370 com suporte para memória ea Intel um processador mais veloz, 0 4004. Tamb...
O homem não pode esperar plenamente para duplicar esse                         processo mental artificialmente, mas ele ce...
que lhe dá autonomia, ele está preso em um sistema de remissões a outros livros,outros textos, outras frases: nós em uma r...
(...) Não podemos esquecer que Internet e Web são coisas                            diferentes (...). E acho todos os nave...
Figura 1. Mosaic, o primeiro browser gráfico                                         Figura 2. Netscape Navigator28Economi...
O resultado foi uma vertiginosa queda na Nasdaq, bolsa de valores na qualaquelas empresas negociavam suas ações: em 10 de ...
metrificado e distribuído), conceitos abordados pelos filósofos franceses GillesDeleuze e Félix Guattari no quinto volume ...
velho mundo da Web aberta, pagar por conteúdo on-line parecia                         estranho, na melhor das hipóteses, j...
Tudo agora é ciberespaço       Mas há outra questão de igual importância: o ambiente criado pela Internet.Há, de fato, um ...
“A imaginação, a memória, o conhecimento, a religião, são vetores davirtualização que nos fizeram abandonar a presença mui...
Pierre Lévy utiliza a definição de Gibson em Cibercultura (1999) e a amplia:“O ciberespaço de Gibson torna a geografia móv...
milhões via banda larga fixa, segundo dados da Organização das Nações Unidas(ONU) referentes a janeiro de 201137.        G...
entender. A Internet traz a todos os lugares alguns dos enigmas da vida nacidade grande” (2009)39.       O russo Lev Manov...
Hoje, o sujeito carrega a interface e acessa a informação que está no espaçode fluxos, principal base da sociedade em rede...
articulado. A elite dominante informacional segue de mãos dadas com suacapacidade de desorganizar grupos de sociedade, cuj...
Figuras 5 e 6. Internet das Coisas não se resume a tablets ou smartphonesFiguras 7 e 8. Após 2011, domicílios irão gerar m...
Um dos exemplos mais intrigantes dessa realidade é o Sixth Sense45, dolaboratório de Pattie Maes, pesquisadora do Media La...
Figura 10. Passagem aérea atualiza status do vooFigura 11. Projetor, câmera e marcadores coloridos utilizados para acessar...
Figura 12. Jornal impresso mostra vídeo de noticiário ao vivo          Pesquisas em computação e design recentes, como ess...
A Web não morreu       É sobre essa interface remodelada pela conexão ubíqua e pela Internet dasCoisas que a autora desta ...
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Figura 15. Comparação entre uso de aplicativos e Web (Flurry)        A julgar pelos números, a Web continuará a ser utiliz...
Figura 16. Número de interfaces criadas na Web a cada 60 segundos         Jornalismo de Internet         A Web mudou a for...
matéria da agência Associated Press e uma descrição gráfica dos tipos de bombasusadas em ataques terroristas55. No Brasil,...
das gravações em áudio (37 fitas com 22 horas) de uma conversa entre Monica esua amiga Linda Tripp na qual contava sua his...
Interfaces nômades - Uma proposta para orientar o fluxo noticioso na Web
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Interfaces nômades - Uma proposta para orientar o fluxo noticioso na Web

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Tese de Doutorado em Processos de criação nas mídias defendida na PUC/SP em maio de 2012 e revisada em agosto do mesmo ano.

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  1. 1. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Luciana Moherdaui Interfaces nômades1 Uma proposta para orientar o fluxo noticioso na Web DOUTORADO EM COMUNICAÇÃO SÃO PAULO Maio, 20121 Esta tese foi elaborada com o apoio do UOL (www.uol.com.br), através do Programa UOL BolsaPesquisa, processo número 20080102180000.
  2. 2. Luciana Moherdaui Interfaces nômadesUma proposta para orientar o fluxo noticioso na Web DOUTORADO EM COMUNICAÇÃO Tese apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em Comunicação e Semiótica na linha de Pesquisa Processos de Criação nas Mídias. Orientação: Rogério da Costa SÃO PAULO 2012 2
  3. 3. Folha de aprovação Banca examinadora Rogério da Costa - Orientador Giselle Beiguelman (FAU/USP) Pollyana Ferrari (PUC/SP) Lúcia Leão (PUC/SP) Cícero Inácio da Silva (UFJF/MG) 3
  4. 4. Agradecimentos Este trabalho ficaria sem fôlego não fossem as orientações de GiselleBeiguelman e Rogério da Costa. Giselle por ter deixado esta jornalista epesquisadora voar, indefinidamente, e Rogério por aparar as arestas e torná-lorealidade nas cerca de 300 páginas que se seguem. Também foram absolutamente fundamentais os apoios recebidos pelaCoordenação do Programa de Comunicação e Semiótica (COS) da PUC/SP,(Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), pela CAPES (Coordenação deAperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), cuja Bolsa de Estudo permitiu arealização de um projeto pessoal e profissional, o Doutorado, e pelo Programa UOLBolsa Pesquisa por contribuir com minha formação acadêmica. Tenho especial apreço pelo coletivo inteligente que colaborou amplamenteem minha pesquisa mesmo sem, às vezes, ter-se dado conta, por meio de redessociais ou conversas informais. Às vezes, em comentários sobre Jornalismo ou pelaleitura de posts. Um deles, especialmente feito por Leão Serva, ex-chefe no iG ehoje meu amigo. Trata-se de uma piada contada nas redações toda a vez que surgeuma reforma gráfica: “com fio ou sem fio?” Explico: grosso modo, os projetos gráficos baseiam-se em uma máxima quesurgiu após a grande mudança instituída no Jornal do Brasil por Jânio de Freitas, nofinal dos anos 1950: as reformas de jornal alternam-se por tirar e colocar fios. Emjunho de 1959, o jornalista, atual colunista da Folha de S.Paulo, decidiu arrancar osfios das páginas e aumentar o tamanho das fotos no JB. Dizia que os leitores nãoliam fios. Também integravam o time Odylo Costa Filho, Ferreira Gullar, AlbertoDines e Reynaldo Jardim. A todos a minha gratidão, essa palavra-tudo, como diria Carlos Drummondde Andrade (1902-1987). 4
  5. 5. “Nenhum conhecimentoprecede a experiência, todoscomeçam por ela”Immanuel Kant 5
  6. 6. ResumoEsta pesquisa analisa a interface jornalística na Web, embora a conclusão possa serestendida a outros protocolos e aplicativos. O objetivo principal é repensar aexibição da notícia que circula no fluxo. A migração da cultura de página estáticapara a cultura de dados (BERNERS-LEE: 2009) modificou o padrão decomunicação que vigorou no século 20. Foram incorporados à transmissão,publicação e recepção os seguintes termos: anotar, comentar, responder, agregar,cortar, compartilhar, download, upload, input e output (MANOVICH: 2008, p. 226).Esta tese parte do pressuposto de que os projetos de Jornalismo para a Internet sãoconstituídos sob a lógica do jornal impresso, com hierarquia e diagramação emcolunas (NELSON: 2001) quando a dinâmica atual indica a implosão da página, aperda do processo de padronização editorial. Nesse sentido, a discussão seráfundamentada a partir de noções de revezamento, agenciamento (DELEUZE;GUATTARI, 2007, p. 180), mapa (DELEUZE; GUATTARI: 2006, p. 21-23) e teoriasdo Jornalismo.Palavras-chave: jornalismo, Internet, interface, agenciamento, tag 6
  7. 7. AbstractThis research analyzes the news on the Web interface, although the finding can beextended to other protocols and applications (apps). The main objective is torethink the view of news circulating in the right flow. The migration of static pageculture to the culture data (BERNERS-LEE, 2009) changed the pattern ofcommunication prevailed in the 20th century. The following terms wereincorporated into the transmission, publication and reception: annotate, comment,reply, add, cut, share, download, upload, input and output. (MANOVICH, 2008, p.226). This thesis assumes that journalism projects for the Internet are made underthe logic of the printing press, with hierarchy and in columns (NELSON, 2001)when the current dynamics of the implosion of the page indicates, the loss of thestandardization editorial process. In this reality, the discussion will be based fromnotions of relay assemblage (DELEUZE; GUATTARI, 2007, p. 180), map (DELEUZE;GUATTARI, 2006, p. 21-23) and theories of Journalism.Keywords: digital journalism, interface, agency, tag 7
  8. 8. SumárioÍndice de figuras PG 10Índice de tabelas PG 17Introdução PG 18Capítulo 1. Internet das Coisas PG 29 A rede mundial de computadores PG 30 Economia: a primeira bolha PG 35 Tudo agora é ciberespaço PG 39 Computação ubíqua PG 43 A Web não morreu PG 50 Jornalismo de Internet PG 53 Bem além do papel PG 59 Design gráfico faz a diferença PG 63 Metáfora como ponto de partida PG 68 A interface é a mensagem PG 71 Corpo informacional PG 74 Agenciamentos que reconfiguram a interface PG 77Capítulo 2. Estética Power Point PG 84 Ponto de vista jornalístico PG 85 Nem toda informação é notícia PG 88 A realidade pela lente do Jornalismo PG 90 Design de superfície, redundância e imperativo PG 93 Nos gadjets, um pouco além da repetição PG 103 Tudo é igual para todos PG 106 Como a interface mudou o Jornalismo PG 110 O jornal foi parar dentro do Facebook PG 115 Desconstruindo conceitos PG 117 8
  9. 9. As quatro fases do Jornalismo de Internet PG 119 Para analisar a interface, Foucault PG 129 O que caracteriza o Jornalismo de Internet? PG 132Capítulo 3. Interfaces nômades PG 147 Rupturas e remediações PG 148 A Web de Ted Nelson PG 153 Por uma crítica da metáfora PG 156 Uma nova linguagem visual híbrida PG 161 A primeira interface de conversação PG 165 Tag para desenhar PG 170 Arquitetura da informação ainda dá conta? PG 176 Interface como superfície PG 177 A inteligência distribuída deslocou a fonte PG 180 A influência da arte digital PG 185 Links tomam o lugar das prateleiras PG 189 Notícia em rede PG 195 Twitter põe em xeque a manchete PG 199 No Facebook, jornal mantém a tradição PG 205 O jornal como rede social PG 207 A implosão da página estática PG 214 Conclusão PG 223 Bibliografia PG 239 Anexos PG 251 Formulário de observação e ficha técnica PG 251 Relatório final do Programa Bolsa UOL de Pesquisa PG 254 Interfaces pesquisadas PG 258 2012 PG 258 2009 PG 273 2008 PG 288 9
  10. 10. Índice de figurasFigura 1. Mosaic, primeiro browser gráfico PG 35Figura 2. Netscape Navigator PG 35Figura 3. Receita por usuário na Internet PG 38Figura 4. Projeção da Internet das Coisas em 2020: 50 bilhões PG 45Figuras 5, 6. Internet das Coisas não se resume a tablets ou smartphones PG 46Figuras 7, 8. Após 2011, domicílios irão gerar mais tráfego na Internet PG 46Figura 9. Projeto Sixth Sense (MIT): usando a palma da mão paradiscar um número PG 47Figura 10. Projeto Sixth Sense (MIT) 2 : passagem aérea atualizastatus do voo PG 48Figura 11. Projeto Sixth Sense (MIT) 3: projetor, câmera e marcadoresde cor utilizados para acessar dados PG 48Figura 12. Projeto Sixth Sense (MIT) 4: jornal impresso exibe vídeo denoticiário ao vivo PG 49Figura 13. Projeto Morph, da Nokia PG 49Figura 14. Pesquisa da Wired sobre uso de aplicativos PG 51Figura 15. Comparação entre uso de aplicativos e consumo de Web PG 52Figura 16. Número de interfaces criadas na Web a cada 60 segundos PG 53Figuras 17, 18. Interfaces da CNN em 11 de setembro de 2001 PG 55Figura 19. Cobertura da posse de Barack Obama no Facebook via CNN PG 59Figura 20. Interface da primeira página do Sunday Tribune PG 65Figura 21. Primeira página do The New York Times impresso, 1860 PG 67Figura 22. Primeira página do The New York Times, impresso 1980 PG 67Figuras 23, 24, 25. Versões impressas das capas do cadernode Esporte da Folha de S.Paulo durante a Copa 2006 PG 69 10
  11. 11. Figuras 26, 27, 28. Interfaces da Folha de S.Paulo na Webdurante a Copa 2006 PG 70Figura 29. Cena de Johnny Mnemonic (1995), de Robert Longo PG 75Figura 30. Cena de eXistenZ (1999) , de David Cronenberg PG 76Figura 31. Cena de Videodrome (1982), de David Cronenberg PG 76Figura 32. Infográfico da ComScore sobre o aumento do acesso àsredes sociais no mundo PG 80Figura 33. Infográfico do Ibope sobre acesso às redes sociaisno Brasil PG 81Figura 34. Infográfico do Nielsen sobre tempo pelos americanosna Internet PG 82Figura 35. Diagramação da Folha Online entre layout Web e impresso PG 94Figura 36. BBC, 2008: abusa da repetição ao oferecer customização PG 95Figura 37. Terra, 2009: palavras repetidas na edição PG 95Figura 38. Folha Online, 2008: redundância e uso de setas no espaçotridimensional que é a Web PG 96Figura 39. Folha.com, 2011. Ainda com uso de setas, mas semRedundâncias PG 96Figura 40. Estadão.com, 2008, palavras repetidas na edição PG 97Figura 41. Estadão.com, 2011, eliminação da redundância PG 97Figura 42. Globo Online, 2008, palavras repetidas na edição PG 98Figura 43. Globo Online, 2011, com pouca redundância PG 98Figuras 44, 45. Interfaces da CNN para iPad PG 103Figuras 46, 47. Interfaces da ABC News para iPad PG 104Figuras 48, 49. Interfaces das redes ABC News e CNN para iPhone PG 104Figuras 50, 51. Interfaces da Wired para iPad PG 105Figuras 52, 53. Interfaces da Wired para iPhone PG 105Figura 54. Estrutura de arquitetura da informação na Web PG 106 11
  12. 12. Figura 55. Reconhecimento facial do Facebook PG 108Figura 56. Primeiro blog da Web, de Tim Berners-Lee PG 110Figura 57. Localização do post de Sohaib Athar via Google Maps PG 112Figura 58. Esquema tradicional da coleta de notícias e do seuprocessamento PG 112Figura 59. Post com anúncio da morte de Bin Laden por KeithUrbahn, antigo chefe de gabinete de George W. Bush PG 112Figura 60. Enquete no Facebook para saber quem noticiou primeiroa morte de Amy PG 113Figura 61. Interface do The New York Times com a notícia da mortede Amy Whinehouse PG 114Figura 62. Interface do Daily Mail com a notícia da morte deAmy Whinehouse PG 114Figura 63. Interface do Washington Post Reader no Facebook PG 115Figura 64. Interface do The Guardian APP no Facebook PG 116Figura 65. Interfaces impressa e de Web do The Bugle Beacon PG 119Figuras 66, 67. Interfaces impressa e de Web da Folha de S.Paulo PG 121Figura 68. A apresentação da Folha Digital, exemplo de metáfora, 2009 PG 121Figura 69. Interface da Folha.com, 2011 PG 123Figura 70. Interface de O Globo na Web, 2011 PG 123Figura 71. Interface do Google Flip, 2011 PG 123Figura 72. Interface do MSNBC , 1997 PG 125Figura 73. Interface do Último Segundo, 2011 PG 125Figura 74. Interface do Huffington Post, 2011 PG 126Figura 75. Mapa coletivo feito com aplicativo do Google mostraavanço da gripe aviária PG 127Figura 76. Twitter do jornal USA Today com informações sobre agripe aviária PG 128 12
  13. 13. Figura 77. Mapa do Google sobre avanço da gripe aviária por região PG 128Figura 78. Interface do Le Monde, 1996 PG 133Figura 79. Interface da BBC, 1997 PG 134Figuras 80, 81. Interfaces da edição número 17 da NEO (1997),a primeira revista em CD-ROM no Brasil PG 137Figuras 82, 83. . Interfaces da revista NEO,edição número, 16 PG 138Figuras 84, 85, 86, 87. Interfaces da revista NEO,edição número, 16 PG 138Figura 88. Cobertura do Estadão sobre a morte de Michael Jackson,2007 PG 141Figura 89. Cobertura do The New York Times sobre a morte deMichael Jackson PG 141Figura 90. Cobertura do Último Segundo sobre a morte de MichaelJackson PG 142Figuras 91, 92. Versões brasileira e inglesa de destaque em vídeoda BBC sobre a Líbia, 2011. PG 143Figura 93. Interface da CNN sobre a Líbia, 2011 PG 143Figuras 94, 95. Movie Map, primeiro sistema hipermídia, desenvolvidopelo Massachussets Institute of Tecnology PG 144Figura 96. Zite, aplicativo para customizar conteúdo para iPad PG 145Figura 97. PointCast, primeira tecnologia push, de 1996 PG 146Figura 98. Interface do El Pais, 1996 PG 150Figura 99. Diagrama do Xanadu, sistema de hipertexto de Ted Nelson PG 154Figura 100. Apple 1, lançado em 1976 pela empresa de Steve Jobs PG 158Figura 101. Macintosh, lançado em 1984 pela Apple PG 158Figura 102. Logomarca do Napster, criado por Shaw Fanninge Sean Parker PG 159Figura 103. Sketchpad, primeira interface de conversação, 1962 PG 167 13
  14. 14. Figura 104. Caneta ótica, de Ivan Sutherland, 1965 PG 167Figura 105. Sistema Augment/NLS, processador baseado emtexto e mouse PG 168Figura 106. A arquitetura Augment/NLS, de Doug Engelbart PG 168Figura 107. Grail, sistema de reconhecimento por gesto, de Tom Ellis PG 169Figura 108. Dynabook, computador pessoal para desenvolvidopara crianças por Alan Kay PG 169Figura 109. Nuvem de tags dos tópicos mais comentados daThe Economist PG 170Figura 110. Base de dados sobre os 66 anos da bomba de Hiroshimafeita por meio da plataforma do Google Earth PG 172Figura 111. Tackable, aplicativo para telefones celulares para uma redesocial fotográfica desenvolvida em parceria com San José Mercury News PG 172Figura 112. Interface de busca em tempo real no Twitter via Google PG 173Figura 113. Ushahidi, plataforma de criação de mapa open sourceutilizada pela BBC para mostrar os problemas causados pela grevedo metrô em Londres PG 173Figura 114. Revisit, aplicativo para visualização em tempo real deposts sobre temas específicos PG 174Figura 115. TimeSpace, mashup noticioso do The Washington Post,com texto, áudio, vídeo e fotos produzidos ao redor do mundo PG 174Figura 116. How Twitter tracked the News of the World scandal,termômetro do The Guardian sobre como o microblog reagiu àsdenúncias de grampos contra celebridades no Reino Unido PG 175Figura 117. Cascade, projeto do NY Times Lab para avaliar ocomportamento dos leitores em relação ao conteúdo do jornal PG 175Figura 118. Esboço arquitetura de informação para interfaces PG 177Figura 119. Twitter da Mônica Bérgamo com notícia sobre a saídade Fátima Bernardes da bancada do Jornal Nacional (Rede Globo) PG 184Figura 120. Desaparecimento das categorias, proposta porClay Shirky: hierarquia PG 190 14
  15. 15. Figura 121. Desaparecimento das categorias, proposta porClay Shirky: hierarquia com links PG 190Figura 122. Desaparecimento das categorias, proposta porClay Shirky: hierarquia com muitos links PG 191Figura 123. Desaparecimento das categorias, proposta porClay Shirky: apenas links PG 191Figura 124. Your Life, Our Movie, de Fernando Velázquez PG 193Figura 125. 10 x 10, de Jonathan Harris PG 193Figura 126. The Origin of Species, de Ben Fry PG 194Figura 127. We Feel Fine, de Jonathan Harris e Sep Kamvar PG 194Figura 128. Proposta de uso de hashtag no Twitter, de Chris Messina PG 195Figura 129. Cartaz do Revolution Tools PG 197Figura 130. Cartaz do protesto thinkflickrthink PG 198Figura 131. Blog do Twitter indica hashtags e perfis a serem seguidospara obter com últimas notícias sobre o terremoto do Japão PG 202Figura 132. Interface de emergência do Google sobre o terremotodo Japão PG 203Figura 133. Mapa colaborativo com informações sobre o terremotodo Japão PG 204Figura 134. Twitter Stories, interface não hierárquica para criação enarrativas por meio de hashtags PG 205Figura 135. Interface textual Social APP do The Guardian no Facebook PG 206Figura 136. Interface Social Reader no Facebook PG 207Figura 137. Interface do HuffoPost Social News PG 208Figura 138. TimesPeople, rede social de recomendação para textos doThe New York Times PG 209Figura 139. Mashup com aplicativo do Google Maps sobre a ocupação doMorro do Alemão, no Rio de Janeiro, atualizado pelo Twitter do jornalO Globo e dos cidadãos PG 215 15
  16. 16. Figura 140. Interface da Globo News ao vivo com a cobertura daocupação do Morro do Alemão PG 215Figura 141. Interface do UOL News com a cobertura completa daocupação do Morro do Alemão PG 216Figura 142. Interface do Google Search sobre a ocupação do Morro doAlemão PG 217Figura 143. Interface de busca em tempo real do Twitter via GoogleMaps com notícias sobre o morro do Alemão PG 217Figura 144. Reprodução do Google Earth com vídeos e informaçõessobre o Alemão PG 218Figura 145. Cena de A era da estupidez, de Franny Armstrong PG 218Figura 146. Interface do Twitter exibida no YouTube com posts sobreos protestos no Egito PG 219 16
  17. 17. Índice de tabelasTabela 1. Nomenclaturas PG 61Tabela 2. Computador e interface ontem e hoje PG 72Tabela 3. Novo paradigma da comunicação PG 83Tabela 4. Critérios de Noticiabilidade PG 90Tabelas 5. Comparação entre jornalismo impresso e de Internet PG 152Tabela 6. Comparação entre jornalismo impresso e de Internet PG 155Tabela 7. Comparação entre jornalismo impresso e de Internet PG 156Tabela 8. Jornalismo ontem e hoje PG 180 17
  18. 18. Introdução Quando o projeto2 desta tese foi elaborado, em meados de 2008, pensava-se aWorld Wide Web, o protocolo multimídia da Internet, como uma página estática,com a lógica do projeto gráfico de jornais, calcada em hierarquia3, diagramação ecolunas (NELSON: 2001), e o browser um emulador do paginador. Inclusive o título (Os critérios de composição no Jornalismo Digital – Em busca deum modelo ideal de páginas noticiosas) remetia a uma clara tentativa de reordenara miscelânea configurada pela edição das interfaces naquele período – marcado,sobretudo, por excesso de redundância e imperativo. O uso de redes sociais ainda não era tão representativo como hoje. A curva decrescimento, principalmente do Facebook, começou a aumentar significativamenteem 2009, segundo a ComScore. Dados da empresa que mede audiência na Internetmostra que 1,2 bilhão de pessoas acessam redes sociais em todo o mundo. Outra característica marcante da produção jornalística na Internet são osportais e os chamados sites noticiosos. Steve Outing, um dos mais importantesestudiosos do tema, definiu portal como um agregador de diversas fontes deconteúdo, centralizados em vários destaques na “página inicial” (OUTING: 1999apud FERRARI: 2002). Quem melhor mostrou a forma pela qual as interfaces foram sendo apropriadasdesde o surgimento do protocolo de Berners-Lee foi Elliot Zaret, então editor daMSNBC, em 2000, no artigo The Theory of Portal Evolution: No começo, tínhamos a Web. Muita informação, vários cliques e isso parecia bom. Mas muito rapidamente começou a aparecer muita informação e ferramentas de busca foram necessárias para encontrar o conteúdo espalhado como em teias de aranha. E depois das ferramentas de busca2Para ler a íntegra do projeto, ver: http://bit.ly/wwbeOs. Acesso jan. 2012.3 O dicionário Houaiss define hierarquia como: “organização fundada sobre uma ordem deprioridade entre os elementos de um conjunto ou sobre relações de subordinação entre osmembros de um grupo”. 18
  19. 19. vieram os diretórios e depois deles os portais, os cliques para e-commerce” (apud FERRARI: 2002, p. 17). Essa lógica de portais começa a ser questionada por esta jornalista quando há apercepção do estrondoso interesse no consumo de notícias por meio de redessociais. Levantamento da Nielsen Wire já apontava, em 2010, baixa nos índices:entre 2009 e 2010, a empresa registrou queda de 19% no tempo que osamericanos gastavam acessando portais – de 5,5% para 4,4%. Já o interesse porredes sociais havia aumentado 43% no mesmo período – 15,8% para 22,7%4. No Brasil, embora o Ibope tenha mostrado em 2010 que 60% dos internautasdisseram que as redes sociais são suficientes para se manterem informados5,afirmou um ano depois que “portais são absolutamente relevantes e são areferência para o adulto.” O portal como espaço estriado, metrificado, com fronteiras delimitadas, já foracriticado amplamente por André Lemos, professor e pesquisador da UniversidadeFederal da Bahia (UFBA). Para Lemos, os portais são currais porque "configuram-se como estrutura de informação (conteúdo) que tratam as pessoas como boisdigitais forçados a passar por suas cercas para serem aprisionados em seuscalabouços interativos" (2000). Também contribuiu para a mudança de perspectiva desta tese o anúncio doengenheiro britânico Tim Berners-Lee no TED (sigla em inglês para Technology,Entertainment, Design) de 2009, um dos mais importantes eventos de tecnologia domundo: a migração da cultura de página para a cultura de dados. Se antes a proposta era analisar a composição, o design de interfacesjornalísticas dos jornais (em sites e portais) de maior audiência no Brasil6 e no4 WHAT AMERICANS do online: Social media and games dominate activity. Nielsen Wire, EUA, 2ago 2010. Disponível em: http://bit.ly/yuF8Sp. Acesso jan. 2012.5 Ver nota 75.6 De acordo com dados do Instituto Ibope: Globo Notícias (G1), UOL Notícias Folha (Folha.com), TerraNotícias, Estadão.com.br, Google News, iG News (Último Segundo), R7 Notícias, BBC, The New YorkTimes, Band.com.br, CNN, MSNBC, El País, The Guardian e Huffington Post. 19
  20. 20. mundo, com base na Teoria do Jornalismo, mais especificamente o newsmaking, etendo como cerne a narrativa, a afirmação do pai do WWW levou a uma abordagemcompletamente diferente. É óbvio que o newsmaking foi fundamental na primeirafase da pesquisa e também para a sua conclusão. Igual importância tem a narrativa. Porém, essas interfaces, objeto destapesquisa, passaram a ser observadas sob os pontos de vista do designinformacional, da auto-organização do browser e das dinâmicas das relações que seestabelecem nas redes sociais, principalmente Twitter e Facebook. Não fazia mais sentido aplicarem-se à pesquisa critérios para composição dapágina, cujo modelo partia da organização das primeiras páginas dos jornaisimpressos. Nem tampouco usar as nomenclaturas orientadas pela reprodução demetáforas analógicas, como site ou homepage, por exemplo, cujo público-alvo é osujeito cartesiano. Também não mais cabia propor um modelo de página com base no idealkantiano, conforme designava o projeto original, algo que a razão pura exige, masque não é dado no campo da experiência. Conceito próximo ao de o matemático alemão Richard Dedekind (1831-1916),que o definiu como um sistema algébrico que atendia a determinadas condições.Mediante a sistematização, Dedekind preferia enfatizar propriedadesfundamentais dos objetos matemáticos, em oposição às suas representaçõesparticulares. É verdade que quando transpostos à Web, os valores-notícia de composição(WOLF: 2002) não fazem jus aos projetos gráficos que mudaram o Jornalismoimpresso nos anos 1960 e 1970. Alguns não alcançam sequer a metáfora de suasversões tradicionais. Porém numa observação mais aprofundada feita, principalmente, a partir dedois pontos indica que é possível rever o design informacional na Internet: arte 20
  21. 21. digital e rede social (Social News e jornal como rede social). Ou seja, as interfaces,antes estáticas, tornaram-se nômades7e implodiram o processo comunicacionalbaseado na hierarquia. Esse raciocínio deu origem ao título desta tese. Implodir a página significa perder a padronização editorial. Essa é atualmente agrande questão para os jornais, já que o conceito de edição está em xeque. Ainformação principal não está mais na manchete, mas no buzz gerado na rede. Aspessoas não seguem mais editorias, buscam notícias por tags, hashtags8 ou emperfis de jornalistas, cidadãos, instituições ou empresas de comunicação, entreoutros, nas redes sociais. As tags são também constituidoras de interfaces. Há um sem número deexemplos na arte digital e nas redes sociais que demonstram essa possibilidade.Outro detalhe importante é que nem tags nem hashtags podem ser editadas já umavez publicadas. Não há como o Jornalismo poder controlá-las. É curioso anotar que se fala da não linearidade do texto jornalístico na Webdesde os primeiros trabalhos publicados, na década de 1990 (sejam eles escritospara academia ou para o mercado). Ao longo dos anos, importantes pesquisadores pregaram essa característicacomo uma das definidoras do WWW (assim como hipertextualidade,multimidialidade, interatividade, teleação e memória, entre outras) e propuseramformatos outros (FERRARI: 2007; SALAVERRÍA: 2005, PAUL: 2005, MCADAMS:2005, MEADOWS: 2003; MIELNICZUK: 2003; MURRAY: 2003, MANOVICH: 2001;DEUZE: 2001; LÉVY: 1999; LANDOW: 1995). Ao que se refere à narrativa, a proposta de Pollyana Ferrari, em sua tesedoutoral para a Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (USP),7 Um nômade não tem pontos, trajetos, nem terra, embora evidentemente ele os tenha. Eles sereterritorializam na própria desterritorialização. A terra deixa de ser terra e tende a se tornarsimples solo ou suporte (DELEUZE; GUATTARI: 2007, p. 53).8 Tags e hashtags são etiquetas, palavras-chave utilizadas na rede para marcar conteúdo. Ashasgtags carregam o sinal sustenido # e são características do Twitter. 21
  22. 22. defende a não hierarquização da narrativa: “Na Web não há hierarquia absoluta.Cada leitor é um agente de seleção, de bifurcação, ou de transversalidade, emcamadas rizomáticas” (2007, p. 186-187). Ted Nelson fizera afirmação semelhante no começo dos anos 2000 e antes doWWW, com seu Xanadu, na década de 1960. Giselle Beiguelman corrobora essaideia em O livro depois do livro (2003). Embora haja diversas propostas para narrativas textuais e constituições deinterfaces como o Xanadu, de Nelson, o design de interface ficou relegado aoformato jornal. Isso é percebido nos excelentes projetos para a Internet assinados porempresas mundo afora, como García Media9, capitaneada por Mario García,passando pela Case i Associats10, de Francisco Amaral, e Institute for the Future ofthe Book11, comandado por Bob Stein, responsável pelo redesenho de Wired e TheNew Yorker (Web e tablet). O design assemelha-se, nas palavras do pesquisadorrusso Lev Manovich, a um PowerPoint com mídias distribuídas (2008, p. 45). De modo algum tal informação é exagero. Em 2011, os principais profissionaisdessa área participaram do LIDE2011 (Linguagem, Informação e DesignEditorial)12, entre eles, Chiquinho Amaral, que definiu o desenho do iPad para OEstado de S.Paulo como “editado e diagramado”. A estética da base de dados inexistiu naquele debate nem tampouco aimportância da não diagramação e da não hierarquização empurradas pelas redessociais. De modo geral, conclui-se que a Web se assemelhará ao papel; os projetossão pautados pela hierarquia, e o iPad é uma banca de revistas, ainda que suainterface seja horizontal e vertical.9 Para saber mais sobre a García Media, ver: http://bit.ly/wkkKs5. Acesso jan. 2012.10 Para saber mais sobre a Case i Associats, ver: http://bit.ly/zHGRK1. Acesso jan. 2012.11 Para saber mais sobre o Institute for the Future of the Book, ver: http://bit.ly/AogqNY. Acessojan. 2012.12 Para saber mais sobre o LIDE2011, ver: http://bit.ly/xJoeKA. Acesso jan. 2012. 22
  23. 23. Mas as conclusões do LIDE2011 não chegam perto da reformulação conceitualimpulsionada pela dinâmica das redes. Talvez por uma questão mercadológica,como afirmaram os designers Gabriel Gianordoli e Jorge Oliveira: “A Appledescobriu que revista se compra na banca. Na banca da Apple Store!”. Para osprofissionais, “caiu o conceito de página,” conforme Berners-Lee havia previsto noTED ao anunciar a cultura de dados. E as redes são um reflexo dessa mudança: operam por agenciamentos coletivosde enunciação, orquestrados por produser/prosumer e um coletivo inteligente quetransformam a interface em um “mapa aberto, conectável em todas as suasdimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificaçõesconstantemente” (DELEUZE; GUATTARI: 2006, p. 22). Na rede, o design é fruto de revezamento: uma tensão constante entreinformação e contrainformação (DELEUZE: 2011), poder e contrapoder(FOUCAULT: 1999; CASTELLS: 2009)13. Embora, a configuração seja a de um espaço liso por excelência, sem fronteirasdelimitadas, nômades, há sempre a tentativa de estriá-lo (DELEUZE: GUATTARI:2007, p. 80), como ocorreu recentemente com os protestos contra as leisantipirataria (SOPA) e de propriedade intelectual (PIPA) nos Estados Unidos. Se aprovadas fossem, essas leis permitiriam bloquear interfaces quesupostamente violassem direitos autorais de empresas americanas, penalizandotambém companhias com sede nos Estados Unidos que liberarem acesso a essesconteúdos. Porém, uma crítica feita pelo governo Barack Obama14 e movimentos nas redessociais capitaneados por Google, Wordpress, Wikipedia, Craiglist (classificados),13 Michel Foucault define contrapoder como ações de resistência contra aparelhos de captura(1999, p. 30). Já para o Manuel Castells, trata-se da capacidade de um ator social resistir ouenfrentar relações de poder institucionalizadas (2009, p. 47-49).14 CASA BRANCA critica lei antipirataria. Link Estadão. 16 jan. 2012. Disponível em:http://bit.ly/y09rCh. Acesso jan. 2012. 23
  24. 24. Ubuweb (base de dados de poesia sonora, escrita e visual), Flickr, Gizmodo, TheHuffington Post e Wired, entre outros15, e cidadãos mundo afora fez com que oCongresso adiasse indefinidamente a votação dos projetos16. São os percursos pelos quais o Jornalismo passou – desde a publicação daquelaque é considerada a primeira tese produzida pelo alemão Tobias Peucer, em 1690,quando foram sistematizados critérios de noticiabilidade e práticas da profissão, àapropriação das redes sociais por esse campo da Comunicação – que interessam aesta tese abordar. O objetivo é contribuir para os estudos sobre design informacional na Internet,especificamente ao que se refere à interface da notícia que circula no fluxo cujotempo é atemporal (CASTELLS: 2002, p. 553-560). Por essa razão, o primeiro capítulo apresenta uma revisão histórica doJornalismo produzido na Internet desde os anos 1970, quando o The New YorkTimes realizou suas primeiras experiências em rede com o InfoBank, serviço deinformação com artigos do jornal. Em 1969, a BBC já havia realizado testes comvideotexto. A expansão da Internet das Coisas bem como o fim da ideia de ciberespaçocomo um divisor entre real e virtual dão evidências consistentes da reconfiguraçãoda interface jornalística. A notícia pode ser acessada desde dispositivos portáteis auma parede envolvida por tinta digital17, sem formatos previamente definidos.Também é passado em revista o design gráfico de jornais para um entendimentomelhor sobre a forma pela qual se dá a atual exibição de notícias na rede.15 Para saber quem mais protestou contra o SOPA, ver: http://bit.ly/y1XTzU. Acesso jan. 2012.16 SOPA é retirada da pauta do Congresso dos EUA. Link Estadão. 20 jan. 2012. Disponível em:http://bit.ly/yDYpwT. Acesso jan. 2012.17 A tecnologia da tinta digital consiste de duas camadas de esferas microscópicas – metade pretas,metade brancas – que mudam de posição ao receberem estímulos elétricos. Como a tecnologiadispensa a iluminação backlight e só é necessário aplicar energia para alterar a imagem, e não paraexibi-la, este sistema consome muito menos bateria do que uma tela de cristal líquido tradicional.Para saber mais sobre tinta digital, ver: http://bit.ly/z4qwk9 e http://bit.ly/x0r4uf. Acesso jan.2012. 24
  25. 25. Definir Jornalismo e sistematizar conceitos que correspondem à sua prática,como newsmaking (produção de notícias), gatekeeper (seleção de notícias) eagenda-setting (agenda de pautas), são fundamentais no segundo capítulo paracompreender como a cultura de dados modificou o padrão de comunicação quevigorou no século 20, baseado em transmissão, publicação e recepção. A esse padrão foram incluídos os seguintes termos: anotar, comentar,responder, agregar, cortar, compartilhar, remix, download, upload, input, output ecrowdsorcing. (MANOVICH: 2008, p. 226). Essa reconfiguração paradigmática ocorreu em termos no Jornalismo praticadona Internet. A constituição da interface observada no final dos anos 2000 reveladapor duas pesquisas (uma feita em 2008 e a outra em 2010) aplicadas aos jornaisque compõem o corpus desta tese indica, além da vertente estruturalista,problemas já apontados aqui: redundância, imperativo, além da não aplicação devalor-notícia de composição, que norteia na mídia impressa o design das páginas. Esse raciocínio se estende ao longo dos capítulos 2 e 3. Em 2012, novaanálise mantém a mesma estrutura. Outras duas questões pertinentes a este trabalho sobre o Jornalismo deInternet foram: 1) a desconstrução de algumas características tomadas como exclusivas, comomultimidialidade e interatividade, por exemplo; 2) a não aplicação das quatro fasesestabelecidas – metáfora, Internet + metáfora; Internet + open source e JDBD(Jornalismo Digital em Base de Dados) – por uma simples razão: na rede, o browseré um paginador e, sendo assim, uma página em branco, diagramada em colunas ehierarquizada. Portanto, não é possível observá-lo do ponto de vista da evolução (FOUCAULT:2007, p. 28). O mais correto é uma análise cujo método se divide em: remediação - 25
  26. 26. representação de uma mídia em outra (BOLTER; GRUSIN: 2000) e mediavisualization - mistura de formatos e formas (MANOVICH: 2010). É no terceiro capítulo que começa a tomar forma a interface da notícia quecircula no fluxo principalmente por causa dos elementos de ruptura, comofiltragem colaborativa (baseada na transferência do gosto) e recomendação(JOHNSON: 2001, p. 143-145). Mais a nova linguagem visual híbrida, proposta por Lev Manovich, que leva emconta o uso de tags, não para atomizar informação, mas com o objetivo deaprofundá-la (2010); da crítica da criação baseada na metáfora, da falta devocabulário crítico específico; da importância da arte digital como parâmetro deinterface não hierarquizada; da relação com a fonte, que se deslocou especialmentecom o Wikileaks. Também não se pode deixar de mencionar como nomadismo, agenciamentocoletivo de enunciação e revezamento são a chave para o Jornalismo operar nasredes sociais sem abandonar as teorias que o sustenta. A seguir, o escopo do projeto mostra de que maneira esta tese foi constituídaentre 2008 e 2012:Objeto: interface jornalísticaCorpus: Globo Notícias (G1), UOL Notícias Folha (Folha.com), Terra Notícias,Estadão.com.br, Google News, iG News (Último Segundo), R7 Notícias, BBC, The NewYork Times, Band.com.br, CNN, MSNBC, El País, The Guardian e Huffington Post.Objetivos e Hipóteses Objetivo principal: repensar a interface da notícia que circula na Web 26
  27. 27. Objetivos secundários 1. Investigar como o avanço da tecnologia possibilita novos formatos e examinar que modelos têm sido gerados a partir dessas inovações. 2. Verificar se a ativação desses potenciais (geração de novos formatos) depende das formas sociais das apropriações dessas tecnologias e de fatores como modelo de negócio ou resistência administrativa ou profissional/corporativa à mudança, entre outros. 3. Averiguar os parâmetros editoriais sobre arquitetura na Web. Se os jornais seguem um padrão de identidade visual. Se existe algo que os diferencie. Hipótese central: A interface teve que se deslocar porque a produção noticiosaestá se modificando? Hipóteses secundárias 1. O Jornalismo de Internet atual não consegue converter em seus interesses a notícia que circula nas redes sociais. 2. A interface se auto-organiza por revezamento e agenciamento. 3. A Social News alterou significativamente a forma pela qual a notícia é produzida e disseminada. 4. A Web não é o único protocolo a permitir uma estética do banco de dados. Metodologia O método de pesquisa está sistematizado em: • Pesquisa bibliográfica para ampliar o quadro referencial teórico- metodológico • Sistematizar a historicidade dos modelos de interfaces jornalísticas desenvolvidas desde que surgiram as primeiras até os atuais formatos em uso na Internet e apresentar tendências. 27
  28. 28. • Estudo da composição das interfaces do corpus da pesquisa por meio de questionário de avaliação que levou em conta os seguintes conceitos: alteridade (HALL: 2001); interface (JOHNSON: 2001); arquitetura da informação (ROSENFELD; MORVILLE: 1998); interatividade (MEADOWS: 2003); usabilidade (NIELSEN: 2000); teleação (MANOVICH: 2001); remediação (BOLTER; GRUSIN: 2000); semelhança e similitude (FOUCAULT: 2002; 2007); endoestética (GIANETTI: 2006); cultura cíbrida (BEIGUELMAN: 2004) e narrativas (MOHERDAUI: 2007). Tais conceitos serão definidos na p. 99. 28
  29. 29. Capítulo 1 “Falar em cibercultura é negar a realidade” Lev Manovich 29
  30. 30. Capítulo 1: Internet das CoisasA rede mundial de computadores A Internet, a rede mundial de computadores, foi criada pelo governo dosEstados Unidos em 1969 para uso militar, como proteção contra um possívelataque russo durante a Guerra Fria. Chamada inicialmente Arpanet, começou afuncionar em quatro computadores na Universidade da Califórnia (UCLA, sigla eminglês)18. O nome Arpanet tem origem na Agência de Projetos de Pesquisa Avançadado Departamento de Defesa dos EUA (DARPA, sigla em inglês). Depois, a redeinterligou outros centros de pesquisas e universidades. Ao se expandir para outrospaíses, ganhou o nome de Internet e foi apropriada em todo o mundo por indivíduos egrupos: (...) O resultado foi uma arquitetura de rede que, como queriam seus inventores, não pode ser controlada a partir de nenhum centro e é composta por milhares de redes de computadores autônomos com inúmeras maneiras de conexão, contornando barreiras eletrônicas. (...) Essa rede foi apropriada por indivíduos e grupos no mundo inteiro e com todos os tipos de objetivos, bem diferentes das preocupações de uma extinta Guerra Fria (CASTELLS: 2002, p. 44). Dois anos depois, empresas jornalísticas começaram a utilizar a Internetpara distribuir informação. A inglesa BBC e o The New York Times foram osprimeiros a fazer parte dela. Ainda em 1969, a BBC iniciou testes com um novoformato de mídia para transmitir texto e gráficos por computador: o videotexto. OTimes criou o InfoBank, serviço de informação com artigos do jornal por meio deum sistema chamado Biennial Reporting System (BRS)19. A década de 1970 foi marcada por grandes inovações tecnológicas, como odesenvolvimento do primeiro sistema de rede sem fio baseado em rádio, o18 NEW MEDIA Timeline (1969) - Poynter. Disponível e m http://bit.ly/k39HLd. Acesso jul. 2011.19 Para saber mais sobre o BRS, ver: http://bit.ly/kRc4kg. Acesso. Ago. 2011. 30
  31. 31. Alohanet. A IBM anunciou o computador System/370 com suporte para memória ea Intel um processador mais veloz, 0 4004. Também chegaram ao mercado oscomputadores pessoais: Altair, criado por Ed Roberts, parceiro de Bill Gates, eApple, de Steve Jobs e Steve Wozniak. Não foi diferente com o Jornalismo. O primeiro registro de uso decomputador para envio de texto ocorreu na redação da Associated Press, naCarolina do Sul, em novembro de 1970. Na mesma década, os jornais trocaram aprodução mecânica pela computadorizada. Jornalistas passaram a criar banco dedados, e os jornais a vendê-los. A imprensa começava a decretar o fim do uso da máquina de escrever. OThe Wall Street Journal iniciou a transmissão de edições via satélite e o videotextochegou às agências de notícias. São também do mesmo período os correioseletrônicos e os disquetes, hoje substituídos por computação na nuvem20, entreoutros dispositivos de armazenamento de dados. Nos anos 1980, vieram os laptops para facilitar o trabalho dos profissionaisde imprensa, que podiam enviar suas matérias de qualquer lugar, e serviços delinha discada para conexão à Internet, como o Bulletin Board System (BBS). Entre asnovidades estão: computador pessoal de IBM, Apple (Machintosh), Compaq,modens, sistemas operacionais MS-DOS e Windows, Sistema de Domínio daInternet (DNS, sigla em inglês), impressoras a laser. Nos jornais, foram lançadas operações de teletexto e audiotexto. Dez anos depois, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee anunciou a WorldWide Web. O protocolo de Berners-Lee tornou realidade as associações entretextos, cuja menção foi feita pela primeira vez pelo também engenheiro, mas deorigem americana, Vanevar Bush21, em, 194522:20 Para saber mais sobre computação na nuvem, ver: http://bit.ly/pZPiNm. Acesso mar. 2012.21 Para saber mais sobre Vanevar Bush, ver: http://bit.ly/pTYQk2. Acesso mar. 2012.22 BUSH, V. As we may think. In: http://bit.ly/nbUKuv. Acesso mar. 2012. 31
  32. 32. O homem não pode esperar plenamente para duplicar esse processo mental artificialmente, mas ele certamente deve ser capaz de aprender com ele. Em pequenas coisas que ele pode até melhorar, para ter em seu registro uma relativa permanência. A primeira ideia, no entanto, é retirar da analogia as preocupações selecionadas. Seleção por associação, em vez de indexação, pode inclusive ser mecanizada. Não se pode esperar, portanto, para igualar a velocidade e flexibilidade com que a mente segue uma trilha associativa, mas deve ser possível ter a mente decisiva no que diz respeito à permanência e clareza dos itens advindos do armazenamento. Considere um dispositivo futuro para uso individual, que é uma espécie de arquivo privado mecanizado e biblioteca. Ele precisa de um nome, e uma moeda ao acaso, memex vai nomeá-lo. A memex é um dispositivo no qual uma loja individual vende seus livros, registros e comunicações e que é mecanizado a fim de poder ser consultado com flexibilidade e extrema velocidade (BUSH: 1945). Anos mais tarde, Theodor Holm Nelson ou Ted Nelson, como é conhecido ofilósofo e sociólogo americano23, cunhou o termo que denomina tais associações:hipertexto24. É dele também hipermídia, uma espécie de extensão do hipertexto,porém com documentos que contêm gráficos, vídeos, áudios, textos e links que seentrelaçam na Web25. Aliás, uma das principais características da Web - e, talvez, a que mais bem adefina - é o link. David Weinberger escreveu em The Hyperlinked Metaphysics ofthe Web que a Web só existe por causa dos hiperlinks (2000). O hipertexto é também uma forma de recuperar informação. Essa noçãoestá presente nos estudos de Roland Barthes. Ele a chamou Lexia, unidades deleitura ou blocos de significação (1970, p. 20). Em Arqueologia do Saber, Michel Foucault afirma que a ideia de referênciade uma obra à outra está diretamente relacionada à de hipertexto: “além do título,das primeiras linhas e do ponto final, além de sua configuração interna e da forma23 Para saber mais sobre Ted Nelson, ver: http://ted.hyperland.com. Acesso mar. 2012.24 Hipertexto é um texto exibido no computador ou em outro dispositivo com referências(hiperlinks) a outro texto. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Hypertext. Acesso mar.2012.25 O termo hipermedia é uma extensão do hipertexto que contém gráficos, áudio, vídeo, texto ehiperlinks. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Hypermedia. Acesso mar. 2012. 32
  33. 33. que lhe dá autonomia, ele está preso em um sistema de remissões a outros livros,outros textos, outras frases: nós em uma rede” (2007. p.26). O conceito de intertextualidade remete também à linkagem. Foi cunhadopor Julia Kristeva e muito utilizado por Jacques Derrida: “todo texto se constróicomo um mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de outrotexto” (KRISTEVA: 1969, p. 146). Embora discípulo de Vanevar Bush, Ted Nelson ponderou sobre anecessidade de categorizar as informações para que possam mais tarde serrecuperadas. Para Nelson, não há nada de mal em categorizar. “O problema é queesses sistemas têm vida curta. Em poucos anos, tornam-se estúpidos” (LANDOW:1995, p. 27). Entretanto, é possível categorizar e fazer associações sem que a estruturadetermine: por meio de input inteligente de dados e tags, aliados à programação.Essa ação conjunta muda a perspectiva não só da narrativa em base de dados, masdo design de interface. A tag é um termo ou palavra-chave associado a umainformação para relacionar conteúdo26. O uso de tags será detalhado mais adiante. Nelson é hoje um dos críticos mais contundentes da Web, maisespecificamente do modo pelo qual são constituídas interfaces, navegação e links. Édo teórico americano a famosa frase: “uma interface deve ser tão simples que uminiciante, numa emergência, não leve mais de dez segundos para entendê-la"(tradução em inglês de “a user interface should be so simple that a beginner in anemergency can understand it within ten seconds”). Para Nelson, o projeto do WWW é “limitado, os links são unidirecionais,levam a um só lugar. Todos do mesmo jeito. O browser simula o papel, édiagramado em colunas e é hierarquizado”. A Web, afirma o sociólogo, “é coisa dopassado, quadrada demais”.26Para saber mais sobre tags, ver http://bit.ly/qWlfh7. Acesso dez.2011. 33
  34. 34. (...) Não podemos esquecer que Internet e Web são coisas diferentes (...). E acho todos os navegadores ruins, ultrapassados e limitados. Passei a década de 90 estudando o que era possível fazer para criar um sistema que substituísse a Web e aproveitasse todas as possibilidades da Internet. Então, criei esse sistema novo, o Xanadu Spaces, que substitui a Web (NELSON: 2007). O sociólogo americano propôs, antes de o protocolo surgir, o Xanadu27,primeiro software a ter links conectados a outros documentos. O Projeto Xanaducomeçou na década de 1960. Trata-se de um sistema de hipertexto, com uma interface inteligente delinkagem que respeita os direitos autorais e permite uma navegação nãosequencial, por associação, como é cérebro humano. O Xanadu ainda não foifinalizado, mas a forma pela qual foi concebido e os conceitos criados contribuírampara o que a Web é atualmente. É verdade que os browsers têm limitações. Quem não se lembra dosprimeiros? E de suas interfaces? Mosaic, primeiro browser gráfico, lançado peloCentro Nacional de Aplicações de Super Computação (NCSA), em Champaign,Illinois, Netscape Navigator, da Netscape, e Explorer, da Microsoft. Vieram outrosdepois, como Google Chrome, Mozilla e Safari. E é verdade que eles também simulam o papel. Simulavam no inicio da Webe continuam a simular, mas agora com um detalhe: são incrementados comnovidades tecnológicas. Mas a estrutura permanece a mesma.27 A íntegra do projeto Xanadu está disponível em: http://bit.ly/snGeBH. Acesso dez. 2011. 34
  35. 35. Figura 1. Mosaic, o primeiro browser gráfico Figura 2. Netscape Navigator28Economia: a primeira bolha Entretanto, não se trata apenas de uma questão técnica ou conceitual. Hátambém que se considerarem fatores econômicos e culturais. Empresas operamem uma lógica capitalista e os primeiros anos da Web foram marcados pelaprimeira bolha da Internet, um processo de especulação em torno de empresas queconstituíram ou migraram seus negócios para a rede, especialmente comércioeletrônico, de 1995 a 2000, com altos investimentos em projetos às chamadasstart-ups29.28 As imagens dos browsers Mosaic e Nestcape são reproduções da Wikipedia.29 Para saber mais sobre startups, ver http://bit.ly/ocDvQp. 35
  36. 36. O resultado foi uma vertiginosa queda na Nasdaq, bolsa de valores na qualaquelas empresas negociavam suas ações: em 10 de março de 2000, a bolsaregistrou baixa de 4% e não parou mais de cair. As perdas alcançaram 75%. O lucro demorou a chegar a esses setores, e não são muitas as companhiascom balanços positivos de suas operações, à exceção de grandes players como aGoogle, criada em 1998 e cuja busca o levou a lucros exorbitantes30. São tambémexemplos bem-sucedidos a rede social Facebook e Groupon, serviço de vendacoletiva, entre outros. Há quem acredite que os serviços de venda coletiva são um dos pontoscentrais da segunda bolha da Internet porque criam problemas para seusparceiros. De um lado, porque a maioria vende audiências fictícias. Depois, porqueas promoções pouco agregam às empresas (NASSIF: 2011). Por exemplo, uma pizzaria vendia pizzas a R$ 15,00. Entrava em umapromoção e o site de compras oferecia a R$ 3,00. A pizzaria lotava, mas de umpúblico que, passada a promoção, dificilmente voltaria lá. Não era seu público alvo.Esse risco está restrito à economia americana. No Brasil, projetos dessa naturezaestão sendo avaliados com uma dose a mais de realismo (IBIDEM). Embora a Internet seja a primeira mídia pública a ter uma economia pós-Gutenberg (SHIRKY: 2010, p. 53), modelo de negócio nesse setor continua sendoum ponto nevrálgico até hoje, sobretudo após o Jornalismo ter incorporado asredes sociais em sua produção diária, cuja lógica de funcionamento opera nacontramão de portais e sites constituídos para aglomerar conteúdo. As redes sociais, ao contrário, pulverizam o conteúdo e reconfiguram o fazerjornalístico, principalmente em relação aos critérios de noticiabilidade, cuja teoriaserá detalhada mais adiante. Trata-se de uma relação tensionada entre espaço liso(nômade, sem fronteiras delimitadas) e estriado (aparelho do Estado, institucional,30 Para conhecer a história da Google, acesse: http://bit.ly/FaeZn ou http://bit.ly/mM1l0F. Acessojul. 2011. 36
  37. 37. metrificado e distribuído), conceitos abordados pelos filósofos franceses GillesDeleuze e Félix Guattari no quinto volume de Mil Platôs (2007). Para Deleuze e Guattari, os nômades são como máquinas de guerra, ou seja,uma máquina de movimentação permanente no território, e os aparelhos decaptura dependem da noção de sujeitos universais. Tudo vale para todos, a regra éabsoluta, não funciona com desvio. Observados sob essa ótica, os portais seriam aparelhos de captura, queoperam em espaços estriados, e redes sociais como o Twitter (www.twitter.com) eFacebook (www.facebook.com) seriam as máquinas de guerra, nômades do espaçoliso em constante tensão com aparelhos de captura. De novo, o que está em jogo é um modelo que dê conta dessa nova dinâmica.Um caminho, talvez, seja a economia baseada em aplicativos já que desde 2007vários jornais ligados à mídia tradicional fecharam ou deixaram de produzir versãoimpressa. E muitos estão na Internet lutando por paywall e assinaturas. Em artigo para o Nieman Journalism Lab, Nicholas Carr, autor do best-sellerThe Big Switch: Rewiring the World, from Edison to Google, afirmou que osaplicativos serão o grande commodity em 201231: Aplicativos prometem ser a maior força de reformulação da mídia em geral e meios de comunicação, em particular durante 2012. A influência será exercida diretamente – por meio de uma proliferação de aplicativos mídia especializada, bem como indiretamente - por meio de mudanças nas atitudes dos consumidores, expectativas e hábitos de compra. Há todos os tipos de implicações para os jornais, mas talvez o mais importante é que a explosão app torna muito mais fácil de cobrar por notícias online e outros conteúdos. Isso é verdade não apenas quando o conteúdo é entregue por meio de aplicativos formais, mas também quando é entregue por meio de sites tradicionais, que podem, eles próprios, ser vistos pelos clientes como uma forma de app. No31ARE NEWSPAPERS civic institutions or algorithms? Big Think, EUA, 16 jan. 2012. Disponível em:http://bit.ly/ydfh8x. Acesso jan. 2012. 37
  38. 38. velho mundo da Web aberta, pagar por conteúdo on-line parecia estranho, na melhor das hipóteses, já na pior, repugnante. No novo mundo do app, pagar por conteúdo online, de repente parece normal. O que é uma loja de aplicativos, a não ser uma série de paywalls? A economia baseada em aplicativos pode apresentar bons resultadosprincipalmente por duas razões: a primeira delas é a segmentação, que permitemonitorar os usuários e, com isso, pensar em estratégias de marketings específicaspara eles, o que é valiosíssimo para os anunciantes. A outra é o fato de que, embora as pessoas queiram consumir conteúdográtis na Internet, estão dispostas a pagar entre US$ 0,99 e US$ 3,99 por aplicativosna Apple Story, por exemplo. Em julho de 2011, a empresa anunciou 15 bilhões dedownloads em seu e-commerce. E pagou US$ 2,5 bilhões a desenvolvedores32. Figura 3. Infográfico receita por usuário - Reprodução KissMetrics32 EM TRÊS ANOS, loja de aplicativos da Apple atinge 15 bilhões de downloads. G1, São Paulo, 7julh. 2011. Disponível em: http://glo.bo/yuCTpu. Acesso jan. 2012. 38
  39. 39. Tudo agora é ciberespaço Mas há outra questão de igual importância: o ambiente criado pela Internet.Há, de fato, um novo ambiente? Trata-se de um mundo virtual? Ciberespaço? Seriauma espécie de Second Life, como defendeu Ted Nelson, em 2007 à revista Época?:“Second Life é um exemplo de inovação dos programas de interação entre homense máquinas. A interface em 3D é o futuro da Internet. Vai provocar uma revoluçãotão grande quanto a Web”33. Na maioria das vezes, utilizada para definir o irreal, a palavra virtual temorigem no latim medieval virtualis, derivado de virtus, força, potência. Na filosofiaescolástica, o virtual é o que existe em potência e não em ato. Jean Baudrillard odefiniu como o desaparecimento do real (LÉVY: 1998, p. 24,25). Paul Virilio ochamou implosão espaço-tempo. Pierre Lévy o assume como um modo de ser fecundo e poderoso, que põeem jogo processos de criação, abre futuros, perfura poços de sentido sob aplatitude da presença física imediata. O filósofo francês é contrário à oposição entre real e virtual. Para Lévy, ovirtual não se opõe o real, mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duasmaneiras de ser diferentes. Virtual é o inapreensível enquanto real é o tangível. Ovirtual não é imaginário, ele produz efeitos. O virtual é a atualização do real(IBIDEM, p. 12, 15, 21). Gilles Deleuze fez uma distinção entre possível e virtual em Différence etRépétition (1968): o possível já está todo constituído, mas permanece no limbo. Opossível se realizará sem que nada mude em sua determinação nem em suanatureza. É um real fantasmático, latente. O possível é exatamente como o real: sólhe falta a existência. Para Michel Serres, o virtual é a não presença.33 A SEGUNDA vida da Internet. REVISTA ÉPOCA, São Paulo, mar. 2007. Disponível em:http://glo.bo/jXbVu3. Acesso jun. 2011. 39
  40. 40. “A imaginação, a memória, o conhecimento, a religião, são vetores davirtualização que nos fizeram abandonar a presença muito antes da informatizaçãoe das redes digitais”, escreveu Pierre Lévy em O que é o virtual? (1998). Paraexplicar a não presença, Lévy cita como exemplos o texto e o hipertexto: (...) O senso comum faz do virtual, inapreensível, o complementar do real, tangível. Essa abordagem contém uma indicação que não se deve negligenciar: o virtual, com muita frequência, não está presente. (...) Estará o texto aqui, no papel, ocupando uma porção definida do espaço físico, ou em alguma organização abstrata que se atualiza numa pluralidade de línguas, de versões, de edições, de tipografias? Ora, um texto em particular passa a apresentar-se como a atualização de um hipertexto de suporte informático. Este último ocupa virtualmente todos os pontos da rede ao qual está conectada a memória digital onde se inscreve seu código? Ele se estende até cada instalação de onde poderia ser copiado em alguns segundos? (LÉVY, 1998, p. 19,20). Claro que é possível atribuir um endereço a um arquivo digital. Mas nessa era de informações on-line, esse endereço seria de qualquer modo transitório e de pouca importância. Desterritorializado, presente por inteiro em cada uma de suas versões, de suas cópias e de suas projeções, desprovido de inércia, habitante obíquo do ciberespaço, o hipertexto contribui para aqui e acolá acontecimentos de atualização textual, de navegação e de leitura. Somente esses acontecimentos são verdadeiramente situados. Embora necessite de suportes físicos pesados para subsistir e atualizar-se, o imponderável hipertexto não possui um lugar (IBIDEM). Essa ideia de não lugar, de não presença, também está presente na definiçãode ciberespaço. Aliás, muitas vezes utilizado como sinônimo de mundo virtual oumundo digital. Foi o escritor Willian Gibson quem cunhou o termo em 1982 e opublicou dois anos mais tarde em seu famoso livro Neuromancer: O ciberespaço. Uma alucinação consensual vivida diariamente por bilhões de operadores autorizados, em todas as nações, por crianças aprendendo altos conceitos matemáticos... Uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de todos os computadores do sistema humano. Uma complexidade impensável. Linhas de luz abrangendo o não espaço; nebulosas e constelações infindáveis de dados. Como marés de luzes de cidade (GIBSON: 2003, p. 67-68). 40
  41. 41. Pierre Lévy utiliza a definição de Gibson em Cibercultura (1999) e a amplia:“O ciberespaço de Gibson torna a geografia móvel da informação normalmenteinvisível. O termo foi imediatamente retomado pelos usuários e criadores de redesdigitais.” E vai além: Eu defino ciberespaço como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial de computadores e das memórias de computadores. Essa definição inclui o conjunto de sistemas de comunicação eletrônicos (aí incluídos os conjuntos de redes hertzianas e telefônicas clássicas), na medida em que transmitem informações provenientes de fontes digitais ou destinadas à digitalização (LÉVY: 1999, p. 92). Em 2007, em entrevista ao jornal americano The Washington Post34, Gibsonanunciou o fim do ciberespaço. Para o escritor, agora o ciberespaço é aqui. Quando escrevi Neuromancer, quase 25 anos atrás, o ciberespaço estava lá, e nós estávamos aqui. Em 2007, o que não nos importamos mais em chamar de ciberespaço está aqui, e aqueles momentos sem conectividade, cada vez mais raros, estão lá. E aí está a diferença. Não houve um amanhecer tingido de vermelho em que nos levantamos, olhamos pela janela e dissemos: ‘Oh meu Deus, tudo é ciberespaço agora. (WASHINGTON POST: 2007). O argumento de Gibson é bastante coerente. No Brasil, no início dos anos2000, para acessar a Internet era preciso um computador, um modem e um cabo derede. Hoje, basta um dispositivo35 móvel (celular, tablet ou smartphones, entreoutros) com conexão sem fio. No primeiro trimestre de 2011, 24,4 milhões debrasileiros utilizaram banda larga móvel36. Em todo o mundo, o número de pessoascom acesso à rede tem aumentado consideravelmente. Em 2000, eram 250 milhões. No final de 2010, ultrapassou dois bilhões depessoas. Também registrou crescimento expressivo a conexão móvel. Em todo omundo, 940 milhões acessaram a Internet via banda larga móvel contra 55034GARREAU, J, 2007.35O dicionário Houaiss define dispositivo como: em máquinas, peça ou mecanismo com uma funçãoespecial ou aparelho construído com determinado fim; engenho.36 USO de banda larga no Brasil cresceu 138%. Último Segundo, São Paulo, 12 mai. 2011.Disponível em http://bit.ly/jrmKWt. Acesso jan. 2012. 41
  42. 42. milhões via banda larga fixa, segundo dados da Organização das Nações Unidas(ONU) referentes a janeiro de 201137. Graças à computação ubíqua (ou ubicomp, abreviação em inglês deubiquitous computing), a Internet implodiu a divisão real e virtual, transformando-se em Internet of Things38 (Internet das Coisas) e jogou por terra todos essesconceitos. O termo computação ubíqua foi cunhado por Mark Weiser em 1988quando estava à frente do Departamento de Tecnologia do Centro de Pesquisa daXerox, em Palo Alto (Parc, sigla em inglês). Para Weiser, o futuro da tecnologia da informação é ser um utilitário, algocomo o gás e a eletricidade (KRANENBURG: 2008, p. 7). E essa realidade já fazparte do cotidiano: Computação ubíqua (muitas vezes referida como ubicomp) descreve um conjunto de processos onde a tecnologia da informação tem sido completamente integrada em objetos e atividades do cotidiano: a tal ponto que o usuário muitas vezes nem percebe ao fazê-lo. Ubicomp não é apenas uma parte de nossas cidades do futuro. Seus dispositivos e serviços já estão aqui. Pensar no uso de cartões pré-pagos inteligentes para o uso de transportes públicos ou as etiquetas exibidas em nossos carros para ajudar a regular os preços de congestionamento, ou a maneira pela qual as corporações encaminham e transportam mercadorias em todo o mundo. Estes sistemas irão expandir geometricamente na próxima década, construindo os blocos para as nossas cidades do futuro (IBIDEM). O escritor Americano Clay Shirky, um dos mais importantes pesquisadoressobre cultura digital da atualidade e autor de Cultura da Participação (2010),arrancou o termo de seu dicionário: “A ideia com a qual eu cresci, de ir a umlugar separado do mundo real, é algo que os meus alunos não conseguem37 NÚMERO de internautas ultrapassa 2 bilhões, afirma ONU. Interactive Advertising Bureau, SãoPaulo, 27 jan. 2011. Disponível em: http://bit.ly/uQbs0E. Acesso jan. 2012.38 O termo Internet of things foi cunhado por Kevin Ashton em 1999. Para saber mais sobre Ashton, ver:http://bit.ly/AdUhlj. Acesso jan. 2012. 42
  43. 43. entender. A Internet traz a todos os lugares alguns dos enigmas da vida nacidade grande” (2009)39. O russo Lev Manovich também o fez. Em entrevista a O Estado de S.Paulo em2009 afirmou o seguinte: Nos anos 90, só se falava de virtual, ciberespaço e cibercultura. Éramos fascinados pelas possibilidades que os espaços digitais ofereciam. O virtual, que existe à parte do real, dominou a década. Agora, a Web é uma realidade para milhões, e a dose diária de ciberespaço é tão grande na vida de uma pessoa que o termo não faz mais muito sentido. O mundo alternativo tão falado na ficção cyberpunk, nos anos 80, foi perdido. O virtual agora é doméstico. Controlado por grandes marcas, tornou-se inofensivo. Nossas vidas online e offline são hoje a mesma coisa. Para os acadêmicos que ainda usam o termo cibercultura para falar da atualidade, eu recomendo que acordem e olhem para o que existe em volta deles.40 A ideia de algo sem fronteiras, permanentemente conectado, sedimentou-se, sobretudo com a popularização da banda larga e dos dispositivos móveis -celulares, com funções que não se restringem somente a discar e a tirar fotos, etablets, cuja principal característica é a mobilidade. Esvazia-se a lógica da janela(transparente) e espelho (reflexo) proposta por David J. Bolter e Diane Gromala emWindows and Mirror (2003). Para Bolter e Gromala (p. 26, 27), o equilíbrio entre ser transparente ereflexivo é a referência que marca a diferença entre ciberespaço e mundo real: "(...)Nenhuma interface pode ser ou deve ser perfeitamente transparente, porque ainterface vai quebrar em algum momento, e o usuário terá que diagnosticar oproblema”. A relação janela e espelho será aprofundada mais adiante. Computação ubíqua39 THIS MUCH I know. The Guardian, Londres, 15 feb. 2009. Disponível em: http://bit.ly/aBPwN.Acesso jan. 2012.40 “FALAR em cibercultura é negar a realidade”. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 21 ago. 2009.Disponível em: http://bit.ly/peFS57. Acesso jan. 2012. 43
  44. 44. Hoje, o sujeito carrega a interface e acessa a informação que está no espaçode fluxos, principal base da sociedade em rede, fundamentada em conhecimento,com processos descentralizados e empresas reorganizadas pela economiainformacional41. O espaço de fluxos é a organização material das práticas sociais detempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos (CASTELLS: 2002, p. 501). Por fluxos, o sociólogo Manuel Castells entende as sequências intencionais,repetitivas e programáveis de intercâmbio e interação entre posições fisicamentedesarticuladas mantidas por atores sociais nas estruturas econômica, política esimbólica da sociedade42. O espaço de fluxos pode ser descrito pela combinação de três camadas desuportes materiais que, juntas, o constituem (IBIDEM, p. 502-505): a) circuito de impulsos eletrônicos (microeletrônica, telecomunicações,processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em altavelocidade – também com base em tecnologias da informação. Esse é o suportematerial de práticas simultâneas, estrategicamente cruciais na sociedade em rede); b) nós e centros de comunicação (localização de funções estrategicamenteimportantes que constroem uma série de atividades e organizações locais emtorno de uma função chave na rede). A localização no nó conecta a localidade comtoda a rede. Os nós e os centros de comunicação seguem uma hierarquiaorganizacional de acordo com seu peso relativo na rede. Mas essa hierarquia podemudar conforme seu peso relativo na mesma rede; c) organização espacial das elites gerenciais dominantes - e não daclasse -, que exercem funções direcionais em torno dos quais todo esse processo é41 A economia global/informacional é organizada em torno de centros de controle e comandocapazes de coordenar, inovar e gerenciar as atividades interligadas das redes de empresas.(CASTELLS: 2002, p. 469).42 Práticas sociais dominantes são aquelas que estão embutidas nas estruturas sociais dominantes.Estruturas dominantes são procedimentos de organizações e instituições cuja lógica internadesempenha papel estratégico na formulação das práticas sociais e da consciência social para asociedade em geral (IBIDEM, p. 501). 44
  45. 45. articulado. A elite dominante informacional segue de mãos dadas com suacapacidade de desorganizar grupos de sociedade, cujos interesses sãorepresentados dentro da estrutura dos interesses dominantes. Embora ainda não seja realidade, a Internet das Coisas em pouco tempoestará em todo o canto, disponível a toque, voz ou gesto. E quando alcançar essaescala de conectividade, Giselle Beiguelman, diretora de redação da revistasElecT43 e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade deSão Paulo (FAU/USP), aposta na mudança de nomenclatura para rede mundial decomputadores, pessoas, geladeiras e tudo o mais que nos cerca: Enquanto a Internet das Coisas não se impõe, a rápida evolução das aplicações, que envolvem nanotecnologia, sensores e sistemas de redes sem fio confirma a sua probabilidade. O uso cada vez mais comum de etiquetas inteligentes baseadas em códigos de barra com grande capacidade de armazenamento de informações, como o QR-Code, é um indicador preciso desse processo de coisificação das redes (2011). Pesquisa realizada pela empresa de tecnologia Cisco aponta que, desde2008, há mais coisas conectadas a Internet do que pessoas no planeta. A estimativaindica que em 2020 mais de 50 bilhões de coisas estejam plugadas44: Figura 4. Projeção da Internet das Coisas em 2020: 50 bilhões43 O FIM do virtual. sElecT, São Paulo, 25 ago. 2011. Disponível em: http://bit.ly/unMrTs. Acessojan. 2012.44 INTERNET DAS coisas: para 2020, mais de 50 bilhões de coisas conectadas à Internet, superandoo número de pessoas conectadas. Tecnoarte News, São Paulo, 18 jul. 2011. Disponível em:http://bit.ly/pdju3e. Acesso jan. 2012. 45
  46. 46. Figuras 5 e 6. Internet das Coisas não se resume a tablets ou smartphonesFiguras 7 e 8. Após 2011, domicílios irão gerar mais tráfego na Internet 46
  47. 47. Um dos exemplos mais intrigantes dessa realidade é o Sixth Sense45, dolaboratório de Pattie Maes, pesquisadora do Media Labs, do MIT, e liderado pelodesigner indiano Pranav Mistry, que o desenvolveu durante oito meses a um custode US$ 350. Maes e Mistry apresentaram o projeto no TED 2009 (sigla em inglêspara Technology, Entertainment, Design)46. No Sixth Sense, o sujeito é uma interface conectada. Ele interage comqualquer informação por meio de gestos. “A proposta é transformar todo o mundoem computador”, diz o indiano: O protótipo integra projetor de bolso, espelho e câmera, que, em formato de um colar acoplado ao tórax, são ligados a um minilaptop. A câmera captura os gestos da mão, envia esses dados para o laptop e um software baseado em algoritmos de visão computacional rastreia e interpreta os movimentos das mãos de acordo com os marcadores coloridos que o usuário deve usar nos dedos (INFO EXAME: 2009). Com isso, além dos proveitos acima, é possível utilizar o Sixth Sense para coletar informações sobre objetos em tempo real. Por exemplo, o sistema pode ser instruído com um gesto para rastrear a capa de um livro e projetar dados das resenhas da Amazon.com sobre ele (IBIDEM). Figura 9. Usando a palma da mão para discar um número45 Para saber mais sobre o Sixth Sense, ver: http://bit.ly/sTQbs0. Acesso jan. 2012.46 http://bit.ly/uNNYcx. Acesso jan. 2012. 47
  48. 48. Figura 10. Passagem aérea atualiza status do vooFigura 11. Projetor, câmera e marcadores coloridos utilizados para acessar dados 48
  49. 49. Figura 12. Jornal impresso mostra vídeo de noticiário ao vivo Pesquisas em computação e design recentes, como essa de Mistry, mostramque as informações estarão integradas aos objetos cotidianos e não mais reduzidasa dispositivos específicos como computadores de mesa e celulares (BEIGUELMAN:2011), como o Morph, da Nokia47, dispositivo de comunicação baseado emnanotecnologia, sensitivo, funciona por meio de toque, autolimpante, temsuperfície superhidrofóbica e captura informações sobre o meio ambiente. E o mais interessante: a estrutura de nanoescala eletrônica permite oalongamento, que o transforma em vários formatos: um pequeno tablet, umapulseira ou um celular48. Figura 13. Conceito Morph - Reprodução Nokia47 http://bit.ly/sokmXz. Acesso jan. 2012.48 http://bit.ly/u0Wp2v. Acesso jan. 2012. 49
  50. 50. A Web não morreu É sobre essa interface remodelada pela conexão ubíqua e pela Internet dasCoisas que a autora desta tese se debruça. Trata-se de compreender de que forma ainterface reconfigura os conceitos que orientam o Jornalismo, maisespecificamente o newsmaking. E a busca desse entendimento começa pela WorldWide Web. Porque foi a Web que deu expressão ao Jornalismo praticado naInternet, cujo histórico será detalhado adiante. A WWW possui ao mesmo tempo características que a assemelham a umpaginador de papel e a permitem implodir a página impressa. Ao contrário do queescreveu o editor-chefe da revista Wired, Chris Anderson, a Web não está morta e odesign de interface dos dispositivos móveis, principalmente os tablets, corroboraesse pressuposto, ainda que os aplicativos estejam na ordem do dia. Em agosto de 2010, Anderson afirmou que as pessoas estão substituindobrowsers por aplicativos. Ou seja, o protocolo WWW deixa de ser o principal pontode navegação pela rede. Para ele, “a Internet é a verdadeira revolução tãoimportante como a eletricidade”49. Você acorda e verifica o seu e-mail no iPad de cabeceira - que é um app. Durante café da manhã você navega no Facebook, Twitter, e The New York Times - mais três apps. No caminho ao escritório, você ouve um podcast no seu smartphone. Outro app. No trabalho, você rola através de feeds RSS em um leitor e tem conversas Skype e mensagens instantâneas. Mais aplicações. No final do dia, você chega em casa, faz o jantar enquanto ouve a Pandora, joga alguns jogos no Xbox Live, e assiste a um filme no serviço de streaming Netflix. Você passou o dia na Internet - mas não na Web. E você não está sozinho (ANDERSON: 2010). A conclusão do jornalista baseou-se em estudo encomendado para a Wiredsegundo o qual o tráfego de dados da Internet provém de vídeos e troca deconteúdos P2P (compartilhamento de arquivos).49THE WEB is Dead. Long Live the Internet. Wired, EUA, 17 ago. 2010. Disponível em:http://bit.ly/bknmCP. Acesso jan. 2012. 50
  51. 51. Outra pesquisa recente feita nos Estados Unidos comprova que osamericanos passam mais tempo conectados a aplicativos que ao WWW. Segundo aFlurry Analytics, entre junho de 2010 e junho de 2011, as pessoas passaram 74minutos na Web contra 81 minutos nos aplicativos. No período, o uso da Webcresceu 16%, ante 91% dos programas50. Essa não foi a primeira vez que a revista americana anuncia alternativas àWeb. Em 1997, artigo intitulado “Push!” sugeria que tecnologias como PointCast eMicrosoft’s Active Desktop dariam adeus ao protocolo de Berners-Lee51: “Kiss yourbrowser goodbye: The radical future of media beyond the Web”52. Ted Nelson, o pai do hipertexto, disse algo semelhante em 2007 noprograma Roda Viva, da TV Cultura, mas não matou o WWW: “A Web não vaidesaparecer, mas outras coisas surgirão, assim como e-mail, chat, VoIP (voz sobreIP) e Skype. São todas formas diferentes de comunicação, e haverá mais. Figura 14. Pesquisa da Wired sobre uso de aplicativos50 PEOPLE ARE spending more time in mobile apps than on the web. Business Insider, EUA, 20 jun.2011. Disponível em: http://bit.ly/ruv6qj. Acesso jan. 2012.51 Para saber mais sobre Tim Berners-Lee, ver. http://bit.ly/2PqQpx. Acesso jan. 2012.52 KISS YOUR browser goodbye: The radical future of media beyond the Web. Wired, EUA, mar.1997. Disponível em: http://bit.ly/fLCtD. Acesso jan. 2012. 51
  52. 52. Figura 15. Comparação entre uso de aplicativos e Web (Flurry) A julgar pelos números, a Web continuará a ser utilizada ainda por muitotempo. Dados do Go-Gulf.com indicam que diariamente (em média) um bilhão denovas interfaces são adicionadas ao protocolo. Um infográfico Go-Gulf publicado napróxima página dá a dimensão do que ocorre na Web a cada 60 segundos53. Na realidade, se analisada do ponto de vista dos espaços liso e estriado deDeleuze e Guattari, a interface gráfica da Internet foi constituída para ser umespaço liso por excelência, nômade, sem fronteiras delimitadas, embora não sejaessa a prática atual. Entretanto, ao operar em qualquer dispositivo, o WWW tem enormepotencial para implodir a interface tal como é configurada atualmente pelasempresas de comunicação e se auto-organizar a partir de tags, algoritmos eprogramação.5360 SECONDS - Things that happen on internet every sixty seconds. Go-Gulf.com. Jun. 2011.Disponível em: http://bit.ly/iRQItd. Acesso jan. 2012. 52
  53. 53. Figura 16. Número de interfaces criadas na Web a cada 60 segundos Jornalismo de Internet A Web mudou a forma pela qual o Jornalismo vinha sendo praticado até ocomeço dos anos 1990. É verdade que desde a criação da Internet pelos EstadosUnidos, em 1969, já havia iniciativas isoladas como as da rede inglesa BBC e ojornal The New York Times, que deram inicio às primeiras experiências detransmissão de informação pela rede (ver p. 30). Mas o potencial do Jornalismo da rede mundial de computadores foi, defato, percebido quando o mundo conectou-se à rede, em 1995, para acompanhar oatentado a um prédio do governo de Oklahoma City. O responsável pela morte de168 pessoas, o terrorista Timothy McVeigh, foi executado em 2001 em TerreHaute, Indiana54. Na época, foram incluídos na rede comunicados da Casa Branca, fotos dosestragos, lista de vítimas e reportagens atualizadas sobre a tragédia. O serviçoNewsday, do Prodigy publicou um mapa com a localização do atentado, uma54 MOHERDAUI, 2007. 53
  54. 54. matéria da agência Associated Press e uma descrição gráfica dos tipos de bombasusadas em ataques terroristas55. No Brasil, a Guerra de Kosovo incluiu o país nacobertura da rede. Na época, foi considerada a Guerra da Internet: A Guerra do Golfo, no início da década, marcou o apogeu da cultura televisiva. O mesmo tinha ocorrido com a Segunda Guerra Mundial em relação ao rádio. Nos ataques a Bagdá, pela primeira vez na história, todos os lances fundamentais do conflito apareciam em tempo real na tela da TV. Podia-se acompanhar cada lance da batalha, como a queda de mísseis, numa espécie de mórbido videogame global. Parecia ser o desenho mais estranho e requintado da guerra neste milênio. Era um engano. O atual confronto no Kosovo experimentava o uso de uma efetiva e moderníssima arma: a Internet. Com o avanço das tecnologias da informação: habitantes de todos os recantos da Terra, de Paris a Luanda, de Tóquio a Ciudad del Leste, puderam participar efetivamente do conflito. À parte dos bombardeios e do deslocamento de tropas, desenvolveu-se uma guerra paralela, democratizada, calcada na difusão caótica de informação e opinião. Qualquer pessoa podia mover seu peão nesse tabuleiro, seja contando sua experiência nas regiões do conflito, seja emitindo suas opiniões ou multiplicando informações. Tratava-se de uma Terceira Guerra Mundial, da qual muitos podiam participar sem se levantar da cadeira do escritório. Cada um esperando se tornar o Davi da história. Dezenas de sites foram criados especialmente para tratar dos assuntos da guerra. Ambos os lados se desdobram para convencer a plateia mundial de suas razões. A ideia era seduzir e arregimentar. Pede-se sempre uma ação positiva de apoio (ou dinheiro) a este ou aquele lado. A jovem iugoslava Lana, por exemplo, escreveu um pungente apelo contra a guerra. Afirma que os sérvios estão sendo atacados injustamente e prejudicados pela ‘guerra das mídias’. Num e-mail que roda o planeta há dias, Lana escreve: ‘talvez estejamos defendendo você. É por isso que o mundo não pode deixar a verdade enterrada em crateras de mísseis Tomahawks’. Note-se que mensagem é um apelo ao mundo (FALCETA JR: 1999 apud MOHERDAUI: 2007, p. 33-34). Houve outras coberturas de enorme importância, como a divulgação, em1998, na Web, pelo colunista de fofocas Matt Drugde56 do caso envolvendo o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinsky. Naépoca, o relatório Kenneth Starr, com detalhes do caso, derrubou milhares deservidores em todo o mundo. A americana CNN disponibilizou na rede a íntegra55 IBIDEM.56 Para saber mais sobre Matt Drudge, ver: http://bit.ly/1Jxp9V. Acesso jan. 2012. 54
  55. 55. das gravações em áudio (37 fitas com 22 horas) de uma conversa entre Monica esua amiga Linda Tripp na qual contava sua história com Clinton57. A outra foi o atentado às torres gêmeas, em 2001. Conhecida como a Terça-feira Negra - matou milhares de pessoas e paralisou o país. O ataque terroristatambém congestionou a Internet. Interfaces noticiosas chegaram a ficar fora do arpor mais de duas horas. Somente nos EUA, 30 milhões de pessoas tentaram se conectar a rede paraenviar mensagens por e-mail ou programas de comunicação instantânea. Para ospadrões daquele ano, esse número representava um terço a mais do que o tráfegonormal. No dia anterior ao ataque, a média de tempo de conexão ficou em 5,5segundos. No dia 11 de setembro, saltou para 12,9 segundos58. Isso fez com que aWeb voltasse à interface de seus primeiros anos: tela com fundo branco e links.CNN, MSNBC e USA Today alteraram seus designs para facilitar a busca porinformações. A CNN, por exemplo, excluiu fotos, vídeos e áudio para reduzir o pesoda interface de 255 KB (kilobyte) para 20 KB (kilobyte)59. Figuras 17 e 18. Interfaces da CNN em 11 de setembro de 200157 MOHERDAUI, 2007, p. 64-65.58 IBIDEM.59 IBIDEM. 55

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