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  • 1. Expressões idiomáticas A expressão idiomática (expressão popular ou idiomantismo) pode ser definida como uma uni- dade sintática, lexicológica e semântica. É um conjunto de palavras que se caracteriza por não ser possível identificar seu significado através do sentido literal de seus termos individuais. Desta forma, em geral, é muito difícil ou mesmo impossível traduzi-la para outras línguas, pois sua interpretação é captada globalmente, sem necessidade de compre- ensão de cada uma das partes. São usadas frequentemente: nas situações informais do dia a dia, no noticiário da televisão, em anúncios dos jornais, no rádio, na tv, em discursos políticos, campanhas eleitorais, em filmes, em letras de música, na literatura, etc. O uso de expressões idiomáticas não se restringe a um aspecto específico da vi- da, nem a uma determinada camada social. São uma parte importante da comunicação informal, tanto escrita como falada, e também são usadas no discurso e na correspondência formal. Tudo o que se pode expressar usando expressões idiomáticas pode também ser transmitido por meio de frases convencionais. O motivo que leva um falante ou um escritor a usar expressões idiomáticas é o desejo de acres- centar à mensagem algo que a linguagem convencional não poderia suprir. Uma expressão idiomática pode enriquecer uma frase, dando-lhe força ou sutileza, pode enfatizar a intensidade dos sentimentos de alguém e pode ainda atenuar o impacto de uma declaração austera, com humor ou ironia. O uso que um fa- lante faz das expressões idiomáticas determina o seu grau de domínio da língua, possibilitando-o expres- sar-se de muitas maneiras. As expressões idiomáticas muitas vezes estão associadas a gírias, jargões ou contextos culturais específicos a certos grupos de pessoas que se distinguem pela classe, idade, região, profissão ou outro tipo de afinidade. Muitas destas expressões têm existência curta ou ficam restritas ao grupo onde surgiram, en- quanto algumas outras resistem ao tempo e acabam sendo usadas de forma mais abrangente, extrapolando o contexto original. Neste último caso, a origem histórica do seu significado muitas vezes se perde de todo ou fica limitada a um relativamente pequeno grupo de usuários da língua. Observações  Expressão idiomática não se confunde com provérbio. Os provérvios, bem como as expressões idio- máticas, são unidades codificadas, que denominam um conceito geral e têm um sentido convencional. O provérbio exprime uma verdade geral, uma situação genérica, uma relação independente das situações particulares. Este estatuto de frase genérica e verdade geral permite distingui-lo das frases idiomáticas. A expressão idiomática atualiza-se no discurso. Por outro lado, a expressão idiomática não veicula uma moral, uma verdade, mas descreve, complementa, torna mais expressiva uma determinada atribuição ao sujeito ou a uma determinada situação.  Na língua inglesa, o termo "idiom" corresponde ao conceito de "expressão idiomática" em português. Segundo o linguista John Saeed, um "idiom" pode ser definido como "um conjunto de palavras que se tornou fixo, petrificado, através do tempo e do uso" . Essa justa-posição de palavras, originalmente usada por um grupo determinado, altera a definição literal de cada palavra ali posicionada e cria um significado no- vo e original, desta forma enriquecendo a linguagem. A importância dos "idioms" em inglês é às vezes ainda maior que a das expressões idiomáticas no português, visto que o inglês tem carência, num certo sentido, de certas palavras e expressões. Deve-se observar que o termo idioma em português, significa uma língua (corrente ou extinta) fa- lada por seres humanos e usada como instrumento de comunicação verbal e/ou escrita. Desta forma a pa- lavra "idioma" não dever ser traduzida para o inglês por "idiom" e sim por "language". 1
  • 2.  A tradução das expressões idiomáticas (intralíngua ou interlínguas) exige do tradutor um conhecimento profundo da língua materna e da língua estrangeira. Traduzir não corresponde sempre a uma procura de equivalentes linguísticos (no caso das expressões, tais equivalências raramente sugerem uma outra expres- são) ... Traduzir expressões idiomáticas é ter em conta a especificidade de cada tipo de texto, mas também a especificidade de cada língua, de cada povo, os seus usos e costumes, a sua expressividade. Aquisição das expressões idiomáticas: na língua materna, as expressões idiomáticas adquirem-se no contato direto com a língua, na socialização do indivíduo. Não existe uma aprendizagem deste tipo de estruturas. No entanto, a partir dos cinco ou seis anos, as crianças começam a usar algumas expressões e, a partir daí, continuarão a enriquecer o seu dicionário mental. Para a língua estrangeira, o processo será idêntico às outras estruturas linguísticas, mas dificultado pela especificidade das expressões idiomáticas. Como não existe emersão linguística e o sujeito não pode aprender estas estruturas pelo contato direto com a língua, tem de recorrer ao processo de ensino/aprendizagem e armazenar no seu dicionário mental as tais “palavras” plurais. Expressões idiomáticas no Brasil e em Portugal Abrir o coração desabafar; declarar-se sinceramente Abrir o jogo denunciar; revelar detalhes Abrir os olhos a alguém convencer, alertar Agarrar com unhas e dentes não desistir de algo ou alguém facilmente Andar feito barata tonta estar distraído Armar-se até aos dentes estar preparado para uma qualquer situação Arrancar cabelos desesperar-se Arregaçar as mangas iniciar algo Bater as botas morrer, falecer Bater na mesma tecla insistir Baixar a bola acalmar-se, ser mais comedido Comprar gato por lebre ser enganado Com o cu na mão estar com medo Dar com o nariz na porta decepcionar-se, procurar e não encontrar Dar o braço a torcer voltar atrás numa decisão Dar com a língua nos dentes contar um segredo Dar uma mãozinha ajudar fazer algo contrariado; ser alvo de insultos / injustiças / contrariedades Engolir sapos sem reagir/revidar, acumulando ressentimento Estar com a cabeça nas nuvens estar distraído. Estar com a corda no pescoço estar ameaçado, sob pressão ou com problemas financeiros Estar com a faca e o queijo na mão estar com poder ou condições para resolver algo Estar com a pulga atrás da orelha estar desconfiado Estar com aperto no coração estar angustiado Estar com o pé atrás da porta/de pé estar desconfiado, cabreiro 2
  • 3. atrás Estar com os pés para a cova/o pé estar para morrer na cova Estar com uma pedra no sapato ter um problema por resolver Estar de mãos a abanar/abanando não conseguir o que pretendia Estar de mãos atadas não poder fazer nada Fazer com uma perna às costas/de fazer com muita facilidade olhos fechados Fazer tempestade em copo d'água transformar banalidade em tragédia Fazer um negócio da China aproveitar grande oportunidade Fazer vista grossa fingir que não viu, relevar, negligenciar Feito nas coxas de qualquer modo, sem cuidado Ficar à sombra da bananeira ficar despreocupado Gritar a plenos pulmões gritar com toda a força Ir desta para melhor morrer, falecer Lavar roupa suja discutir assunto particular Meter os pés pelas mãos agir desajeitadamente ou com pressa; confundir-se no raciocínio Meter o rabo entre as pernas submeter-se Onde Judas perdeu as botas lugar remoto O gato comeu a língua diz-se de pessoa calada Pendurar as chuteiras aposentar-se, desistir Ir pentear macacos ir chatear outra pessoa Pensar na morte da bezerra estar distraído/a Perder as estribeiras desnortear-se Pôr as barbas de molho precaver-se Pôr as cartas na mesa/lançar os expor os fatos dados Pôr mãos à obra trabalhar com afinco Pôr os pontos/pingos nos ís esclarecer a situação detalhadamente Procurar uma agulha num palheiro tentar algo quase impossível Prometer mundos e fundos fazer promessas exageradas Receber um balde de água fria inverter o entusiasmo em desilusão Riscar do mapa fazer desaparecer Sem pés nem cabeça sem lógica; sem sentido Sentir dor de cotovelo sentir despeito amoroso Sentir dor de corno sentir despeito amoroso Segurar a vela estar sozinho/a com um casal Ser um chato de galocha ser uma pessoa de comportamento desagradável Ter macacos (ou macaquinhos) no ter ilusões, achar que algo muito improvável de acontecer é bastante sótão possível Tirar água do joelho urinar Tirar o cavalo (ou cavalinho) da desistir com reluctância por motivo de força maior ou impedimento chuva hierárquico Trepar paredes estar desesperado Trocar alhos por bogalhos confundir fatos e/ou histórias Uma mão lava a outra (e as duas entreajuda; trabalhar em equipe ou para o mesmo fim lavam as orelhas) 3
  • 4. Virar casacas mudar de ideias facilmente; traídor Voltar à vaca fria voltar ao assunto com que se iniciou uma conversa Resolver um pepino solucionar um problema Expressões idiomáticas usadas ou com origem no Brasil Acertar na mosca acertar precisamente Abotoar o paletó morrer quando uma situação não resolvida acaba encerrada (especial mente Acabar em pizza em casos de corrupção quando ninguém é punido) Acertar na lata (ou na mosca) acertar com precisão, adivinhar de primeira A céu aberto ao ar livre Achar (procurar) chifre em cabeça procurar problemas onde não existem de cavalo Achar (procurar) pêlo em ovo buscar coisas impossíveis A dar com pau em grande quantidade Afogar o ganso fazer sexo (homem) Agarrar com unhas e dentes agir de forma extrema para não perder algo ou alguém Água que passarinho não bebe pinga, bebida alcóolica ficar em descanso (folgado); Se comprometer (normalmente em relação Amarrar o burro a relacionamentos) Amigo da onça falso amigo, amigo interesseiro ou traidor Andar na linha estar elegante ou agir corretamente (ver também "perder a linha") Andar nas nuvens estar desatento Ao deus dará abandonado, sem rumo Ao pé da letra literalmente Aos trancos e barrancos de forma atabalhoada, desajeitada Armado até os dentes exageradamente armado, preparado para uma situação Amarrar a cara fechar a cara e ficar zangado Armar um barraco criar confusão em público, discutindo ou brigando com alguém Arrancar os cabelos entrar em desespero Arrastar as asas (para alguém) enamorar-se, insinuar-se romanticamente para alguém Arregaçar as mangas dar início a um trabalho ou atividade com afinco Arrumar sarna para se coçar procurar por problemas Até debaixo d'água em todas as circunstâncias Babar ovo puxar o saco, idolatrar incondicionalmente Bafo de onça mau hálito Banho de água fria romper as espectativas de alguém, decepcionar, desiludir Banho de gato lavar superficialmente as partes do corpo Barata tonta perdido, desorientado, sem saber o que fazer Barra pesada situação difícil, ou pessoa grosseira e violenta Bate e volta ir e voltar a algum evento ou lugar rapidamente Bater as botas morrer Bater com as dez morrer Bater na mesma tecla insistir demais no mesmo assunto Bater papo conversar (informalmente) Boca do inferno entrando em problemas sérios 4
  • 5. Bode expiatório aquele que leva a culpa no lugar de outro expressão de encorajamento, para se seguir em frente mesmo frente a Bola pra frente adversidades Bom de bico galanteador, que tenta convencer os outros na conversa Borracho bêbado (ver Portugal) Botar a boca no trombone revelar um segredo, tornar algo público pular ou queimar etapas de forma inapropriada, geralmente Botar o carro na frente dos bois atrapalhando o andamento ou resolução de uma situação fazer algo com extrema intensidade, em geral em sentido positivo; Botar pra quebrar similar a "mandar ver" Briga de cachorro grande embate entre forças as quais se julga superiores Briga de foice (no escuro) mulher feia Cara de pau descarado, sem-vergonha Colocar melancia na cabeça querer aparecer, se exibir Comer água ato de sair para consumir bebida alcoólica (em grande quantidade) Comer cru e quente ser apressado e pouco perfeccionista Confundir alhos com bugalhos confundir ou misturar conceitos ou fatos quando alguém fala sobre um assunto chato e não se deseja continuar a Conversa com a minha mão conversa Chorar de barriga cheia reclamar sem motivo Chutar o balde / Chutar o pau da agir irresponsavelmente em relação a um problema barraca Dar bola (para alguém) insinuar-se romanticamente para alguém Dar a volta por cima se recuperar Dar com a cara na porta levar um fora, decepcionar-se, procurar e não encontrar Dar com a língua nos dentes contar um segredo Dar mancada descumprir promessa, relaxo, deslize Dar pau na máquina dar urgência Dar uma mãozinha dar uma pequena ajuda Deixar na mão não colaborar, abandonar Descascar o abacaxi resolver problema complicado Estar com dor de cotovelo estar despeitado devido a uma decepção amorosa Encher/entortar o caneco beber até cair Enfiar o pé na jaca embriagar-se, cometer excessos, cometer um erro Encher linguiça enrolar, preencher espaço com embromação Estômago de avestruz aquele que come qualquer coisa Ensacar fumaça fazer trabalho inútil Entrar pelo cano se dar mal, ficar encrencado Estar com a bola murcha estar sem ânimo Estar com a corda toda estar animado, empolgado Estar dando sopa estar inadvertidamente vulnerável Estar no bico do corvo estar para morrer Enxugar gelo insistir em um trabalho inútil Fazer boca de siri manter segredo sobre algum assunto Fazer nas coxas fazer sem cuidado Ficar a ver navios ficar sem nada ou sem coisa alguma Ficar de olho vigiar 5
  • 6. Ir catar coquinho ir fazer outra coisa Ir para o espaço não funcionar, falhar, dar errado Ir para o saco não funcionar, falhar, dar errado Lavar as mãos não se envolver Lavar a roupa suja acertar as diferenças com alguém Levar chumbo/ferro/pau fracassar ou dar-se mal; sofrer violência Levar toco ser dispensado(a) pela namorada(o) ser descartado, desprezado, bloqueado ou impedido por alguém Levar um fora (sentimental) Levar tudo por trás entender tudo de maneira pejorativa ou oposta Malhar meter pau Marcar touca distrair-se e perder uma oportunidade Meter o dedo na ferida insistir em situação problemática Molhar o biscoito fazer sexo (homem) Mudar da água para o vinho mudar totalmente, mudar radicalmente Mudar do saco para a mala mudar totalmente de assunto Na mão do palhaço ver-se numa situação fora de controle Não fazer bom cabelo não ouvir, não servir, não combinar bem Onde Judas perdeu as botas lugar muito distante expressão usada para menosprezar alguém ou estabelecer diferença de O que vem debaixo não me atinge nível entre os interlocutores Pagar o pato ser responsabilizado por algo que não cometeu Pé na jaca cometer excessos Pendurar as chuteiras aposentar-se, desistir Pensar na morte da bezerra distrair-se Perder a linha perder a educação, perder a elegância Pirar na batatinha pensar/imaginar ou propor coisa improvável ou impossível de acontecer Pisar na bola/no tomate cometer deslize Plantar bananeira colocar-se de cabeça para baixo Pôr minhoca na cabeça criar ou refletir sobre problemas inexistentes Procurar chifre em cabeça de procurar significados ou imaginar problemas que não existem cavalo/pêlo em ovo Procurar sarna para se coçar se envolver em problemas sem necessidade Quebrar o galho dar solução precária, improvisar atrapalhar namoro, acompanhar um casal ou ser o único solteiro numa Segurar vela roda de casais Sem pé nem cabeça confuso, sem sentido Dar uma de João sem braço fazer-se de desentendido Ser uma mala sem alça ser muito chato e difícil de ser tolerado Ser uma mão na roda ajudar muito, ser prestativo Ser uma pedra no sapato/no ser um estorvo, atrapalhar caminho Soltar a franga desinibir-se (geralmente assumindo um lado feminino/alegre) Tirar o cavalo da chuva desistir de algo ou alguém Tomar um chega para lá ser descartado Trocar as bolas atrapalhar-se, confundir-se Trocar os pés pelas mãos agir desajeitadamente, com pressa 6
  • 7. Trocar seis por meia dúzia trocar uma coisa por outra que não vai fazer a menor diferença Voltar à vaca fria retornar a um assunto inicial/principal numa discussão, após divagação Tempestade em copo d'agua dar importancia muito grande a uma coisa muito pequena Tirar de letra fazer algo com facilidade Expressões idiomáticas com origem em Portugal Acertar agulhas pôr-se de acordo ou combinar algo com alguém Acordar com os pés de fora estar mal disposto logo pela manhã Abrir o coração desabafar; declarar-se sinceramente Abrir o jogo denunciar; revelar detalhes Abrir os olhos a alguém convencer, alertar À sombra da bananeira despreocupado Agarrar com unhas e dentes não desistir de algo ou alguém facilmente. Água pela barba situação desesperante Aperto no coração estar angustiado Aproveitar a boleia ir junto, já que vais, eu também vou Armado até aos dentes estar preparado para uma qualquer situação Arrancar cabelos desespero Arregaçar as mangas iniciar algo Balde de água fria desilusão Barata tonta distraído/a Bater as botas morrer, falecer Bater na mesma tecla insistir Baixar a bola acalmar-se; ser mais comedido Cabeça de alho chocho distraído, esquecido Cabeça nas nuvens distraído, alheio Calinada pontapé na gramática, gafe, forma jocosa de se referir a erro ortográfico Cair das nuvens voltar à realidade Cara de caso estar preocupado Cartas na mesa fatos expostos Cabeça nas nuvens distraído Coisas do arco da velha coisas insólitas Comer como um abade comer muito, ser glutão Comprar gato por lebre ser enganado Cortar as vazas impedir algo ou alguém Chatear o Camões ir chatear outra pessoa Chorar sobre o leite derramado lamentar-se por algo que não tem solução/volta ou fato passado Com a corda no pescoço ameaçado, sob pressão ou com problemas financeiros Com a faca e o queijo na mão com poder ou condições para resolver algo Com uma perna às costas sem dificuldade nenhuma Dar com o nariz na porta decepcionar-se, procurar e não encontrar Dados lançados fatos expostos Dar o braço a torcer voltar atrás numa decisão ou opinião 7
  • 8. Dar com a língua nos dentes contar um segredo Dar uma mãozinha ajudar Dar troco dar conversa Dar a volta ao bilhar grande ir chatear outra pessoa De pedra e cal definitivo, para ficar Descalçar a bota resolver um problema Dor de cotovelo inveja Dor de corno despeito amoroso De olhos fechados sem dificuldade alguma fazer algo contrariado; ser alvo de insultos/injustiças/contrariedades sem Engolir sapos reagir/revidar, acumulando ressentimento Estar com os azeites estar aborrecido / chateado com algo Estar de mãos a abanar não conseguir o que pretendia Estar de mãos atadas não poder fazer nada Estar de trombas estar aborrecido / chateado com algo; má cara Estar-se nas tintas não querer saber, ser indiferente, ignorar deliberadamente Encostar a roupa ao pêlo bater em alguém Estar giro estar bonito, engraçado Estar fixe estar muito bom Estar feito ao bife estar em risco de ser tramado Fazer um negócio da China aproveitar de grande oportunidade Fazer vista grossa fingir que não viu; relevar; negligenciar Fazer tempestade em copo transformar banalidade em tragédia d'água Ficar a dizer: - Ó tio! Ó tio! ficar numa grande confusão que exige pedir a ajuda de alguém Ficar para tia ficar solteira Gritar a plenos pulmões gritar com toda a força Ir desta para melhor morrer, falecer Ir aos arames enervar-se, irritar-se Lavar roupa suja discutir em público Levar a peito tomar para si, transpor para o plano pessoal, ofender-se Macaquinhos na cabeça dar ou ter motivos para a desconfiança Meter os pés pelas mãos agir desajeitadamente ou com pressa; confundir-se no raciocínio Meter o rabo entre as pernas submeter-se Muitos anos a virar frangos muita experiência Não bater bem da bola não estar bom da cabeça Onde Judas perdeu as botas lugar remoto O 1º milho é dos pardais diz-se a pessoa impaciente O gato comeu a língua diz-se de pessoa calada Paninhos quentes com todos os cuidados Pão, pão, queijo, queijo diz-se daquilo que é muito simples Papas na língua (não ter...) dizer o que se pensa sem receio Passar a pente fino analisar ou escrutinar minuciosamente diz-se do cuidado e silêncio que se tem (sobretudo com o caminhar) para Pés de lã não se ser percebido por outros Pés para a cova estar para morrer 8
  • 9. Pendurar as botas aposentar-se, desistir Pentear macacos ir chatear outra pessoa Pensar na morte da bezerra estar distraído/a Pedra no sapato problema por resolver Pior que uma lesma enfurecido/a Pôr a cabeça em água cansar, extinguir a paciência Pôr a pata na poça fazer asneira Pôr as barbas de molho precaver-se Pôr mãos à obra trabalhar com afinco Pôr os pontos nos ís esclarecer a situação detalhadamente Pôr pulga atrás da orelha ficar desconfiado Pôr-se a pau estar atento Pregar uma peta enganar, mentir Prometer mundos e fundos fazer promessas infundadas ou exageradas Procurar uma agulha num tentar algo impossível palheiro Rebeubéu, pardais ao ninho grande alvoroço Riscar do mapa fazer desaparecer Sacudir a água do capote livrar-se de problemas ou de acusações Sem pés nem cabeça sem lógica; sem sentido Segurar a vela estar sozinho/a com um casal Ser um troca-tintas mudar de ideias facilmente; traídor Ter a barriga a dar horas ter fome Ter bicho carpinteiro estar irrequieto Ter lata ser descarado Ter macacos (ou macaquinhos) ter ilusões, achar que algo muito improvável de acontecer é bastante no sótão possível Tirar água do joelho urinar Tirar o cavalo (ou cavalinho) da desistir com reluctância por motivo de força maior ou impedimento chuva hierárquico Trinta por uma linha fazer muita algazarra por uma ninharia Trepar paredes estar desesperado Trocar alhos por bogalhos confundir fatos e/ou histórias Tocar ao bicho masturbar-se Uma mão lava a outra (e as entreajuda; trabalhar em equipa ou para o mesmo fim duas lavam as orelhas) Virar casacas mudar de ideias facilmente; traídor Voltar à vaca fria voltar ao assunto com que se iniciou uma conversa Expressões idiomáticas de origem histórica ou mitológica As expressões idiomáticas estão presentes em todas as línguas e culturas e caracterizam-se por não ser possível identificar seu significado apenas através do sentido literal das palavras que as compõem. As religiões, mitologias e a própria história costumam representar ricas fontes para geração de ex- pressões idiomáticas, que são preservadas através das gerações. Na cultura lusófona, muitas expressões referem-se especialmente a episódios da mitologia greco-romana, das religiões judaica e cristã e da história do mundo ocidental. 9
  • 10. Origem mitológica O julgamento de Páris. Peter Paul Rubens. trabalho de Sísifo - tarefa exaustiva, interminável e inútil. Origem: Na mitologia grega, Sísifo, rei de Corinto, era considerado o mais astuto de todos os mortais. Após ter provocado a ira de Zeus por denunciar o rapto da mortal Egina, Sísifo escapou algumas vezes de Tâ- natos, o deus da Morte, através de engenhosos ardis. Muito depois Hermes logrou levá-lo ao Hades, onde foi condenado, por toda a eternidade, a rolar até o cume de uma montanha uma grande pedra, que, ao alcançar o topo, despenca novamente montanha abaixo. esforço hercúleo ou titânico – esforço gigantesco, além (ou no limite) das possibilidades humanas. Origem: Héracles (nome original grego) ou Hércules (nome romano) era um herói e semi-deus, filho de Zeus e da mortal Alcmena e um importante personagem da mitologia greco-romana. Dotado de coragem e força descomunais, participou de inúmeros episódios heróicos, destacando-se seus famosos doze traba- lhos. Os Titãs eram criaturas formidáveis, descendentes do Céu, Urano e da terra, Gaia e destacam-se entre os seres que enfrentaram Zeus e os deuses olímpicos na sua ascensão ao poder. Dentre os mais famosos ti- tãs (masculinos) e titânides (femininos), podem-se mencionar Atlas, Hipérion, Prometeu, Reia e Tétis. bicho de sete cabeças – enorme ameaça ou dificuldade, requerendo grande coragem e/ou astúcia para ser superada. Origem: A expressão tem origem discutida, mas destacam-se duas interpretações. A primeira sustenta que sua origem está na mitologia grega, mais precisamente na história da Hidra de Lerna, uma monstruosa serpente com sete (ou nove) cabeças que se regeneravam mal eram cortadas e exalavam um vapor que matava quem estivesse por perto. A morte da Hidra foi o segundo dos famosos doze trabalhos de Hércules. De acordo com uma segunda teoria, a expressão seria uma referência à primeira das duas bestas do Apo- calipse de São João, descrita como um monstro de sete cabeças e dez chifres. calcanhar de Aquiles - ponto vulnerável, físico, moral ou intelectual. Origem: Aquiles foi um semi-deus e herói da mitologia grega, considerado o maior guerreiro da Guerra de Tróia e o personagem principal da Ilíada, de Homero. Quando Aquiles nasceu, sua mãe Tétis mergulhou seu corpo no rio Estige para torná-lo imortal; ficou, no entanto, vulnerável no calcanhar, parte do corpo pelo qual ela o segurava. No final da guerra contra Tróia, Aquiles foi efetivamente morto por uma flechada no calcanhar, desferida por Páris, príncipe troiano. toque de Midas - capacidade de enriquecimento fácil, que pode se voltar contra o beneficiado, como castigo por sua ambição desmedida. Origem: Midas foi um personagem da mitologia grega, rei da cidade frígia de Pessinus. Após ter libertado Sileno, mestre e pai de criação do deus Dionísio, recebeu, como recompensa que ele próprio escolhera, o dom de transformar qualquer coisa em ouro, pelo simples toque. Este dom mostrou-se trágico quando Midas percebeu que nunca mais poderia comer nem beber nada. Desesperado, quase morrendo de fome, Midas implorou a Dionísio que lhe retirasse o terrível dom. leito de Procrusto - aplicação arbitrária de uma medida única; sujeição forçada à opinião ou vontade de outrem. Origem: Procrusto (ou Procusto) era um bandido da Ática, famoso pelas torturas que infligia aos viajantes a que oferecia hospedagem, até que ficassem da medida de um leito de ferro que havia em sua casa. Se os hóspedes fossem mais altos, ele os amputava; se eram mais baixos, eram esticados até atingirem o com- primento correto. Ninguém sobrevivia, pois nunca uma vítima se ajustava exatamente ao tamanho da cama. Mais tarde, foi morto por Teseu, que lhe aplicou seu próprio castigo. Curiosamente, a tradição rabínica menciona que um dos crimes cometidos contra os forasteiros pelos habitantes de Sodoma era quase idêntico ao de Procusto, dizendo respeito à cama de Sodoma (mitat s'dom) na qual os visitantes da cidade eram obrigados a dormir. 10
  • 11. tomar a nuvem por Juno - iludir-se; tomar os desejos por realidade. Após apiedar-se de uma punição aplicada ao vilão Íxion, criador de cavalos, Zeus convidou-o para um ban- quete no Olimpo. Tendo-se embriagado pelo néctar, Íxion passou a assediar Hera (Juno, na mitologia romana), a própria mulher de seu anfitrião. Ao perceber as intenções do visitante, Hera alertou o esposo a respeito das intenções de seu convidado. Zeus, em lugar de irritar-se, achou divertida a situação, e para testar seu hóspede, moldou uma nuvem na forma de sua própria esposa e deixou-a a sós com Íxion, que a possuiu. Desse conúbio nasceu a raça dos Centauros, metade homens, metade cavalos. Como Íxion divul- gou aos mortais que havia possuído a esposa de Zeus, este o fulminou com um raio e o lançou ao Tártaro, onde foi preso a uma roda em chamas e condenado a nela girar pela eternidade. pomo da discórdia - motivo principal de uma disputa; algo que dá motivo a uma grande desavença. Origem: Ofendida por não tendo sido convidada para as núpcias de Tétis com Peleu, Éris, a deusa da Discórdia, resolveu vingar-se lançando sobre a mesa do banquete uma maçã de ouro, com a inscrição "Para a mais bela das deusas". As três deusas mais poderosas, Hera, Afrodite e Atena, imediatamente qui- seram o troféu. Para se livrar da delicada situação, Zeus, o senhor do Olimpo, transferiu a decisão para Páris, filho do rei Príamo, de Tróia, que havia demonstrado imparcialidade em uma disputa de touros contra o deus Ares. Em troca da maçã de ouro, Atena ofereceu a Páris uma vitória gloriosa na guerra; Hera, o rei- nado absoluto de toda a Europa e Ásia; Afrodite, o amor da mais bela mulher do mundo. Páris concedeu o título a Afrodite e a deusa prometeu-lhe o amor da belissima Helena, casada com o rei de Esparta, Me- nelau. Com a ajuda de Afrodite, Páris raptou Helena e levou-a para casar-se com ele em Tróia, evento que provocou a célebre Guerra de Tróia. profecia de Cassandra - profecia catastrófica, na qual ninguém acredita. Origem: Cassandra era uma das filhas de Príamo, rei de Tróia, que recebera do deus Apolo a proposta de ganhar o dom da profecia, em troca de entregar-se a ele. Cassandra aceitou a condição, mas depois de receber o dom, esquivou-se a cumprir o combinado. Para vingar-se, Apolo manteve o dom, mas condenou- a a uma completa falta de persuasão. Durante a guerra de Tróia, Cassandra por diversas vezes alerta os troianos de perigos iminentes (sendo o último deles a armadilha do cavalo de Tróia), mas invariavelmente não é ouvida. Após a guerra é levada como escrava e amante por Agamenon, chefe supremo dos exércitos gregos. presente de grego - presente ou oferta que traz prejuízo ou aborrecimentos a quem a recebe. Origem: Após 10 anos de sítio, sem derrotar as defesas das muralhas de Tróia, os gregos, num estratage- ma concebido por Odisseu, simularem terem desistido da guerra e embarcaram em seus navios, deixando na praia um enorme cavalo de madeira, que os troianos levaram para o interior de sua cidade, como símbolo de sua vitória. À noite, quando todos dormiam, os soldados gregos escondidos dentro do cavalo saíram e abriram os portões da cidade. O exército grego pôde assim entrar em Tróia, conquistar a cidade, destruí-la e incendiá-la. voto de Minerva - voto de desempate, dado por uma autoridade superior. Origem: Orestes era filho do rei grego Agamemnon, que foi assassindado por sua esposa, Clitemnestra e o amante, Egisto, logo após ter retornado da guerra de Tróia. Revoltado, Orestes vingou a morte do pai ma- tando Clitemnestra e Egisto. Segundo a tradição, aquele que cometesse um crime contra o próprio genos era punido com a morte pelas terríveis Erínias, para as quais o matricídio era o mais grave e imperdoável de todos os crimes. Sabendo do castigo que o esperava, Orestes apelou para o deus Apolo, que decidiu advo- gar em seu favor, levando o julgamento para o Areópago. As Erínias foram as acusadoras e Palas Atená (que corresponde à deusa romana Minerva), a presidente do julgamento. A votação, num júri formada por doze cidadãos atenienses, terminou empatada. Atena, então, proferiu sua sentença decisiva, declarando Orestes inocente. espada de Dâmocles - perigo iminente, fruto da inveja e/ou da ambição pelo poder. Origem: Dâmocles, cortesão e bajulador do rei Dionísio I de Siracusa, expressava constantemente sua inveja pela sorte do tirano. Para dar-lhe uma lição, Dionísio combinou que lhe passaria o poder por um dia. À noite, durante o banquete que o tirano lhe ofereceu, Dâmocles percebeu que sobre sua cabeça pendia a espada do tirano, suspensa por um fio de cabelo. Com isso este lhe fez perceber que o poder está sempre à mercê das mais perigosas ameaças. cova de Caco - esconderijo de ladrões. Origem: Caco era um célebre bandido da mitologia romana, metade homem e metade animal, filho do deus do fogo, Vulcano. Caco vivia numa caverna sob o monte Aventino, onde guardava o fruto de seus roubos. Certa feita, Hércules retornava para casa depois de haver roubado os bois de Gerião (um de seus famosos doze trabalhos) e parou para descansar às margens do Tibre. Naquela noite, Caco roubou oito dos melhores touros e novilhas do rebanho, arrastando-os pelas caudas para cobrir suas pegadas. Quando Hér- 11
  • 12. cules despertou, procurou em vão o gado perdido, mas, ao passar perto da cova de Caco, escutou uma das novilhas mugir. Seguindo o som, Hércules encontrou Caco e o matou, recobrando assim o gado roubado. caixa de Pandora - algo que gera forte curiosidade, mas que é melhor não ser revelado ou estudado. Origem: Pandora foi a primeira mulher, forjada por Hefestos e Atena por orientação de Zeus, para punir a raça humana, a quem Prometeu tinha acabado de dar o fogo roubado dos deuses. Pandora foi foi enviada a Epimeteu, irmão de Prometeu, como um presente de Zeus. Prometeu alertou o irmão quanto ao perigo de se aceitar o presente, mas Epimeteu ignorou a advertência e tomou Pandora como esposa. Pandora trou- xera consigo uma pequena caixa de ouro (ou jarra, ou ânfora, de acordo com outras tradições), colocada por Zeus em sua bagagem. Mal chegou à Terra, Pandora, movida por irresistível curiosidade, acabou abrin- do a caixa, liberando assim todos os males que haveriam de afligir a humanidade dali em diante: a dor, o sofrimento, a velhice, a doença, a miséria, a ambição, o ódio, a guerra, a loucura, a mentira, a paixão... No fundo da caixa, restou apenas a esperança. A vingança de Zeus estava consumada. Origem religiosa paciência de Jó - paciência, tolerância ou resignação acima dos limites razoáveis. Origem: Jó foi um personagem do Antigo Testamento, que viveu na terra de Uz, atual Iraque. Em função de uma aposta entre Deus e o diabo, foi vítima de muito sofrimento (incluindo a perda de sua fortuna, da saúde e de quase todos os parentes), para ver se ele mantinha sua fé a despeito de todas as adversidades. Ape- sar de incitado pela mulher e amigos a amaldiçoar a Deus, Jó aguentou firme todas as provações. Ao final, Deus o recompensou, devolvendo-lhe em dobro tudo o que perdera. sabedoria salomônica - grande sabedoria, utilizada para governar com justiça e equidade. Origem: Salomão, personagem bíblico, filho de Davi e terceiro rei de Israel, governou durante cerca de quarenta anos e ficou conhecido como um sábio governante e um juiz justo e imparcial. Ficou especial- mente notório seu julgamento do caso em que duas mães disputavam um bebê, onde distinguiu a falsa mãe da verdadeira simulando dividir o bebê em dois e dar metade a cada uma. Daniel na cova dos leões. Briton Rivière. cova dos leões - enorme perigo, do qual só se pode escapar com grande fé e coragem. Origem: Daniel, personagem do Antigo Testamento, um dos maiores exemplos de fidelidade e dedicação a Deus, foi lançado a uma cova de leões por haver desrespeitado com suas orações um decreto de Dario, rei dos Medos. Na manhã do dia seguinte, Dario foi até a entrada da cova e surpreendeu-se por encontrar Daniel são e salvo, sem que os leões lhe tivessem feito qualquer mal. Questionado pelo rei, Daniel afirmou que Deus havia enviado um anjo para protegê-lo, porque era inocente. Admirado com sua fé e com o poder do deus de Israel, Dario libertou o profeta. Madalena arrependida - alguém que se arrepende do passado e/ou muda radicalmente de estilo de vida. Origem: Maria Madalena é um personagem do Novo Testamento, apresentada como uma das discípulas mais devotas de Jesus Cristo. O Evangelho de Lucas, no Novo Testamento, cita: "Maria, chamada Mada- lena, da qual saíram sete demônios" (Os sete pecados capitais: Luxuria, Ódio, Cobiça, Avareza Orgulho, Gula, Preguiça). Apesar de não haver qualquer fundamento bíblico para considerá-la como uma prostituta arrependida dos pecados e que pediu perdão a Cristo, esta é a versão que vulgarmente ficou disseminada. lavar as mãos - eximir-se de responsabilidade. Origem: Pôncio Pilatos era prefeito (praefectus) da província romana da Judéia na época da pregação de Jesus Cristo. Quando o Sinédrio judaico lhe enviou Jesus para execução, Pilatos, por não ter nele encon- trado nenhuma culpa, ficou hesitante e tentou livrá-lo da morte, mas o povo de Jerusalém preferiu salvar Barrabás. Pilatos então, após lavar as próprias mãos, em sinal de renúncia de qualquer responsabilidade, condenou Jesus a morrer na cruz. onde Judas perdeu as botas - lugar distante ou inacessível. 12
  • 13. Origem: Após trair Jesus e receber seus 30 dinheiros, Judas Iscariotes, imerso em depressão e culpa, de- cidiu suicidar-se por enforcamento. Acontece que ele se matou sem as botas e os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Os soldados saíram em busca das botas de Judas, onde provavelmente estaria o di- nheiro. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro, mas a expressão atravessou os sé- culos. Origem histórica (ou pseudo-histórica) estilo lacônico - modo breve ou conciso de falar ou de escrever. Origem: O autodomínio, a sobriedade e a concisão eram algumas das características mais valorizadas pela sociedade de Esparta, cidade grega da região da Lacônia, situada na península do Peloponeso. amor platônico - relação afetuosa que exclui a atração sexual. Origem: O termo amor platônico foi utilizado pela primeira vez no século XV, pelo filósofo neoplatônico Marsilio Ficino, como um sinônimo de amor socrático. Ambas as expressões significam um amor centrado na beleza do caráter e na inteligência de uma pessoa, em vez de em seus atributos físicos, e se remetem ao laço especial de afeto entre dois homens a que o filósofo grego Platão tinha se referido em seu diálogo O Banquete, exemplificando-o com o afeto que havia entre Sócrates e seus discípulos homens, em parti- cular Alcibíades. ir além das sandálias - dar palpite em assunto que não seja de sua especialidade. Origem: O escritor latino Plínio menciona que Apeles, célebre pintor grego que viveu na Jônia no século IV a.C., tinha o costume de exibir suas novas obras na porta de seu ateliê e esconder-se para ouvir os co- mentários dos passantes. Quando um sapateiro comentou sobre um engano técnico que encontrou numa sandália pintada em um dos seus quadros, Apeles fez a correção naquela mesma noite. Na manhã seguin- te, vaidoso por perceber que o pintor havia considerado seu comentário, o sapateiro começou a criticar a forma com que Apeles havia pintado uma perna. Apeles saiu então imediatamente de seu esconderijo e exclamou "Ne sutor ultra crepidam": "Não vá o sapateiro além das sandálias". Diógenes. John William Waterhouse. atitude cínica - comportamento hipócrita, descarado, despudorado, insensível Origem: O Cinismo foi uma corrente filosófica grega fundada por Antístenes, discípulo de Sócrates, e cujo maior nome foi Diógenes de Sínope. Pelo fato de que a corrente pregava o desapego aos bens materiais e externos, assim como o mesprezo pelo sofrimento, a doença e a morte, tanto dos outros quanto de si pró- prio (preocupações das quais os cínicos desejavam libertar-se), o termo cínico passou à posteridade com uma conotação destorcida e pejorativa, por influência dos detratores da corrente. nó górdio – fulcro da questão; cerne de um problema complexo, resolvido de maneira simples e eficaz. Origem: Alexandre, o Grande, a caminho da Ásia Menor, escutou uma lenda que afirmava que quem desa- tasse um dificílimo nó, amarrado por Górdio, antigo rei da Frígia, dominaria toda a região. Após bastante re- fletir, Alexandre desembainhou sua espada e cortou o nó. Poucos anos depois Alexandre se tornou se-nhor da Ásia Menor. vitória de Pirro ou vitória pírrica - uma vitória obtida a alto preço, causando prejuízos irreparáveis. Origem: Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, era o general que comandou o exército grego, na campanha pelo controle da Magna Grécia. Após ter vencido a Batalha de Ásculo contra os romanos, em 279 a.C., com um número considerável de baixas, e ao ser parabenizado pela vitória, teria dito: "Mais uma vitória como es- ta, estou perdido". queimar as naus, queimar os navios ou queimar as caravelas - seguir em frente, com confiança abso- luta na vitória final. Origem: Agátocles, tirano de Siracusa, após o desembarcarque nas costas da África, numa expedição marí- tima contra os cartagineses, mandou queimar todos os próprios navios e marchou contra Cartago, onde 13
  • 14. alcançou a vitória. Fez isso para anular qualquer possibilidade de fuga ou recuo, pois sem os navios seria impossível voltar atrás. Conta-se que o mesmo estratagema foi utilizado por Menelau, Régulo, Juliano, Guilherme o conquistador e ainda por Cortez, no México. ficar para as calendas gregas - ser agendado ou transferido para uma data que jamais ocorrerá. Origem: As calendas eram o primeiro dia do mês romano, onde estes habitualmente realizavam seus paga- mentos. Ad calendas græcas é uma expressão latina que indica algo que jamais ocorrerá, pois as calendas eram inexistentes no calendário grego. erro crasso - falha grosseira de planejamento, com consequências trágicas. Origem: Marco Licínio Crasso era um aristocrata, general e político romano, que comandou a vitória da batalha da Porta Collina e esmagou a revolta dos escravos liderada por Espártaco. Em campanha contra os partos, porém, apesar da enorme superioridade numérica de seu exército, sofreu uma derrota fragorosa na batalha de Carras, em 53 a.C., em função de uma série de falhas táticas grosseiras. Mais de 20.000 solda- dos perderam a vida e cerca de 10.000 foram feitos prisioneiros; a cabeça e a mão direita de Crasso foram levadas ao rei parto, Orodes II. ai dos vencidos! - aos vencidos não resta senão resignar-se. Origem: Breno, foi um chefe celta que liderou o exército gaulês em 390 a.C., capturando e saqueando a ci- dade de Roma, após ter batido os romanos na batalha de Allia. Após um longo cerco, os romanos concor- daram em pagar um pesado resgate em ouro para libertar a cidade. Durante a pesagem do resgate, de acordo com a lenda, os romanos reclamaram contra o uso de pesos falsos. Breno atirou então a sua espa- da ao prato da balança, pronunciando a frase "Vae victis!", que significa "Ai dos vencidos!" agir como um vândalo - destruir ou depredar bens públicos por revolta ou simples prazer da destruição. Origem: A tribo germânica oriental dos Vândalos, procedente da Escandinávia, penetrou no Império Roma- no durante o século V, estabelecendo-se no norte da África, com base na cidade de Cartago. Em 455 os vândalos invadiram Roma, saqueando-a e destruindo edificações, monumentos, tesouros religiosos e obras de arte, que se perderam para sempre. Inês é morta - expressão utilizada, no sentido de “agora é tarde”, em relação a uma providência tomada atrasadamente. Origem: Inês de Castro uma nobre galega do século XIV, foi amante do futuro rei Pedro I de Portugal, de quem teve quatro filhos, para escândalo da corte e do próprio povo. Foi executada às ordens do pai deste, Afonso IV, tendo sido sua morte cantada por Camões, António Ferreira, João de Barros e muitos outros. Pe- dro só foi reconhecer que havia se casado secretamente com Inês, para dar legitimidade aos filhos, 5 anos mais tarde, quando já era Rei de Portugal. Em referência a esta decisão tardia, tornou-se popular a expres- são “É tarde. Inês é morta”. casa da Mãe Joana - lugar bagunçado, onde todos podem entrar, sem maiores cerimônias. Origem: Joana I de Nápoles, rainha de Nápoles e condessa de Provença no século XIV, foi acusada de participar do assassinato do marido e precisou passar um tempo refugiada em Avignon. Durante este período aprovou um decreto que regulamentava os bordéis da cidade, incluindo um artigo que dizia: "- et que siegs une porto... dou todas las gens entraron." Ou seja, ... e que tenha uma porta por onde todas as pessoas possam entrar. Colombo quebrando o ovo. William Hogarth. ovo de Colombo - solução aparentemente fácil e óbvia, mas que não ocorreu a ninguém anteriormente. 14
  • 15. Origem: Num banquete na casa do cardeal Ximenes, ao ouvir o comentário de que para descobrir a América bastava ter pensado nisso, Cristóvão Colombo desafiou os presentes a colocarem um ovo em pé sobre uma das extremidades. Como ninguém conseguiu, Colombo bateu ligeiramente a ponto do ovo na mesa e assim o colocou em equilíbrio estável. Todos retrucaram que assim também o fariam. Sem dúvida, retrucou Colombo, mas era preciso pensar isso, e ninguém o fez, senão eu. tempo de D. João Charuto - tempo muito antigo. Origem: Tempo muito antigo, de Dom João VI, quando iniciou-se a fabricação de charutos no Brasil. entregar a carta a Garcia - ter iniciativa, espírito empreendedor e capacidade para cumprir difíceis missões. Origem: Expressão originada num episódio ocorrido durante a Guerra Hispano-Americana. Quando se ini- ciou a guerra, o Presidente dos Estados Unidos, William McKinley, teve necessidade de comunicar rapi- damente com o comandante dos rebeldes cubanos, o General Garcia, que se encontrava nas montanhas de Cuba. Na impossibilidade de se comunicar por correio ou telégrafo, McKinley mandou chamar um jovem militar chamado Rowan e deu-lhe uma carta para entregar a Garcia. Rowan, sem nem perguntar onde esta- va o General, guardou a carta numa bolsa impermeável junto ao coração e em apenas três semanas, após várias aventuras, entregou a carta a Garcia e saiu pelo outro lado da ilha. até aí morreu Neves - expressão idiomática que significa “isto já sei, quero novidades”. Origem: Joaquim Pereira Neves, assessor do Regente Feijó e governador do Rio Grande do Norte, foi morto barbaramente pelos índios. Como durante muito tempo não se falava de outro assunto no Rio de Janeiro, a população da capital, entediada, começou a usar a expressão "até ai morreu o Neves", com o significado de “já sei disto tudo, quero novas notícias”. 15

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