Jornal cidadão (edição 31)
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    Jornal cidadão (edição 31) Jornal cidadão (edição 31) Document Transcript

    • Jornal-laboratório produzido pelos alunos de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul - Ano IX - Número 31 - Agosto de 2008 Paulo Medeiros EDIÇÃ MULH O ER Mães especiais Mulheres que têm filhos deficientes lutam por direitos básicos e ainda precisam lidar com o preconceito. Vera de Camargo não conseguiu que seu filho, portador de atraso de desenvolvimento psicomotor, fosse atendido em nenhuma instituição, e decidiu fundar a Associação Mantenedora de Mães Especiais (AMME), que há nove anos presta assistência a pessoas com deficiência. Página 7 Taila de Farias A motorista de lotação Luíza Magno Miranda Leite salvador O Hospital e Maternidade Leonor Mendes Barros,localizado no Belenzinho, é considerado um centro dereferência na coleta e estocagem de leite materno. De-senvolvido pelo governo estadual, o programa dos Luta desigualBancos de Leite Humano (BLH) faz a coleta de leiteexcedente de mães em período de amamentação para Elas são motoristas, policiais, engenheiras. Enfrentaram o preconceito e hojeatender recém-nascidos e bebês com problemas cau- disputam vagas antes destinadas exclusivamente aos homens. Mas ainda há muitosados pela falta de leite. Página 5 para ser conquistado: em geral, elas recebem salários inferiores aos dos homens e demoram mais tempo para conseguir emprego. Página 4 Seme Amaral Mulheres no crime Treino do De acordo com o Departamento Penitenciário futebol feminino Nacional (Depen), nos últimos seis anos a popula- no Juventus ção carcerária feminina aumentou cerca de 50%. As drogas estão entre os principais motivos dos roubos e furtos cometidos por mulheres que, em sua maio- ria, tinham um emprego regular quando cometeram o delito. Página 2 Corpo perfeito A cada ano, cresce o número de mulheres que sesubmetem a cirurgias plásticas no Brasil. A queda nos Meninas de chuteirapreços e a facilidade no pagamento são alguns dos atra-tivos. Os médicos alertam que, antes de fazer qual-quer tipo de cirurgia, a interessada deve pesquisar e O Clube Atlético Juventus, localizado na Mooca, é o pioneiro no futebol femini-escolher uma clínica de sua confiança. Algumas mu- no do país. Desde 1982, o clube tem revelado muitos talentos, como Thais Duartelheres acreditam que, ao fazer uma plástica, é possível e Ingrid Carolina, que garantiram vaga no Mundial Feminino Sub-17, que será rea-ter um corpo igual às modelos de revistas. Página 6 lizado na Nova Zelândia entre 28 de outubro e 16 de novembro de 2008. Página 8
    • PÁGINA 2 - AGOSTO DE 2008 POLÍCIA EDITORIAL Elas também cometem crimes “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”Políticas de encarceramento não evoluem no mesmo ritmo do registro de delitos Simone Beauvoir Kênia Honda A mulher carrega consigo inú- Kênia Honda Suas pesquisas mostram dias meros estereótipos passados de gera- rotineiros, cercados de regras, o so- ção para geração, mas em meio a isso A mulher vem conquistando frimento é nítido. Segundo ele, ra- ela criou forças para lutar por seusimportantes espaços na sociedade ramente se vêem comportamentos direitos, batalhas travadas dia-a-diabrasileira, inclusive nos índices de mais alegres. De acordo com uma que foram tomando grandes propor-criminalidade. As violações, normal- secretária (que preferiu omitir a iden- ções até mudar conceitos hoje vistosmente por roubo ou furto, têm tidade), que passou dois meses na como antiquados. O direito ao voto, acomo um dos principais motivos prisão, as principais dificuldades são pílula, a inserção no mercado de tra-as drogas, delitos sem tanta gravi- a saudade dos familiares, a má ali- balho foram passos cruciais para suadade, mas que deixam um rastro mentação e os rigorosos horários. afirmação e reconhecimento nos maisde sofrimento. “Eu tinha que dormir cedo, às 17 diversos setores da sociedade. Segundo dados do Departa- horas”, comenta ela. Apesar das Por isso, nesta 31º edição do jor-mento Penitenciário Nacional (De- lembranças ruins, elas não apreci- nal Cidadão, teremos a mulherpen), pouco mais de 5% da popu- am as visitas, pois não querem que como tema principal. Ao seu redor,lação carcerária é composta pelo sexo os filhos as vejam presas. os assuntos abordados serão variados,feminino. À primeira vista, um O psicólogo diz que o encarcera- deixaremos um pouco de lado esta ima-dado sem tanta importância, mas mento é uma das realidades que en- gem de frágil, submissa e daremos lu-considerando o crescimento de cer- PREÇO – Mulheres pagam caro pelos erros cometidos no crime volvem a condição da mulher em gar à mulher moderna que, mesmo emca de 50% dos últimos seis anos, nossa sociedade e esta realidade está meio a dificuldades, busca e conquis-podemos perceber que no futuro trevistadas por ele assumem que já Braunstein, em sua tese de dou- cada vez mais presente. A preocupa- ta seu lugar.essa estatística será bem maior, pois foram ou são usuárias de algum tipo torado pela USP, com o título Mu- ção agora é fazer com que as tarefas Nesta idéia, os alunos do 6º se-não existem medidas de recupera- de entorpecente ou de bebidas al- lheres encarceradas, passou mais de de reeducar, ressocializar e reintegrar mestre de Jornalismo da Unicsul fo-ção específicas. Apesar da diferença, coólicas, sendo que a maconha é a seis anos na Penitenciária Feminina sejam realizadas de forma eficiente, ram às ruas à procura de histórias eelas são expostas às mesmas condi- mais utilizada. Em segundo lugar, do Butantã colhendo dados. Lá, ele o que, de acordo com suas pesqui- informações pertinentes. Não é umações disciplinares que os homens. está a influência de amigos e apenas pôde perceber a predominância de sas, não está ocorrendo. Elas mos- rotina fácil. São mães que enfrentam Os motivos são muitos e, de em terceiro, o dinheiro, pois apesar jovens entre 19 e 29 anos, sendo tram que instituições prisionais não tudo e todos para dar melhores condi-acordo com o psicólogo Hélio de profissões de baixa valorização que quase 85% possuem até o ensi- são capazes de atender esses termos, ções de vida aos seus filhos tão espe-Braunstein, as drogas estão em pri- social, a maioria estava empregada no fundamental como nível de es- pois tratam isso de forma minimi- ciais, além de se preocuparem com osmeiro lugar. Cerca de 60% das en- quando cometeu o delito. colaridade. zada, descontínua e improvisada. demais. A solidariedade torna-se um ato natural não só com estranhos, mas também com aqueles que vivem Quando um crime justifica outro lado a lado, enfrentado problemas de saúde que deixam marcas eternas.“Fui investigada, assumi o que fiz, não neguei nada a ninguém e não me arrependo” O futebol ganhou espaço com as jogadoras brasileiras premiadas como Aldrey Mére culdades...” Como se não bastasse tudo que gião imperava a política dos coro- as melhores do mundo, mas ainda há Porém, não foi possível susten- já havia passado, tomar conhecimen- néis que geralmente mantinham muito que evoluir, pois grande parte Aos 79 anos, Maria Isabel tar essa situação e aos 18 anos ela to desses fatos levaram Maria Isa- boas relações com as cafetinas. “Na- da população ainda desconfia da boa(como prefere ser identificada) nos resolveu relatar para sua mãe o que bel a premeditar o assassinato do quela época, quando era constatado qualidade delas no esporte, o que nãoconta o que a fez matar seu padras- estava passando com o padrasto: padrasto para dar um fim na situa- que um homem violentava mulhe- as impede de continuar e provar o con-to na sua juventude. Nascida numa “Ela não acreditou em mim e me ção que alimentava sua revolta. res, tudo era acobertado. A própria trário, assim como no mercado de tra-pequena cidade da região sul, pró- expulsou de casa... eu não tive esco- Conviver com a presença de um dona da casa onde eu trabalhava balho, onde elas ignoram o preconcei-xima à divisa com o Paraguai, ela lha, virei prostituta num cabaré...” homem sem escrúpulos e tomar tomou as providências junto às au- to e ocupam cargos importantes, an-ficou órfã de pai ainda na adoles- O padrasto de Maria Isabel era conhecimento das atrocidades co- toridades para deixar tudo limpo.” tes dominados pelos homens, obtendocência. Sua família passou por mui- freqüentador da casa onde ela tra- metidas por ele a deixava mais deci- Alguns meses depois, Maria Isabel sucesso e respeito profissional. Exem-tas dificuldades. A mãe casou-se no- balhava. Depois que saiu de casa, dida a cometer o crime. “Preparei conheceu um homem que a tirou plo disso são a policial Cristina Ric-vamente e quando tudo parecia me- descobriu que ele passou a violen- tudo. Amarrei ele e fui cortando em da prostituição e se casou com ela. ciarelli, a engenheira Marianne Ben-lhorar um golpe de violência trans- tar sua mãe e tomou conhecimento pedaços, dizendo: isso foi por mim, “Vivi com esse homem e cuidei dele cini Silva e a motorista de lotaçãoformou de maneira trágica o desti- dos crimes cometidos por ele com isso pela minha mãe, isso por todas até ele morrer. Sempre foi muito Luíza Magno Miranda, entrevista-no de Maria Isabel. outras seis mulheres antes de se ca- as outras mulheres. Deixei ele lá, es- bom para mim, nunca me levan- das nesta edição. Aos 16 anos, ela passou a ser sar, inclusive com a própria irmã. correndo..., depois terminei enfor- tou nem a voz.” Destaque também para as cam-molestada sexualmente pelo pa- Era um homem extremamente vio- cando. Eu matei e não neguei para O crime prescreveu e hoje ela panhas de doação de leite materno e adrasto: “Ele casou com ela e come- lento e abusava de suas amigas pros- ninguém, me vinguei por todas as vive com familiares num sítio. Traz criação dos bancos de leite humanoçaram os abusos, mas eu não con- titutas também. “Numa noite, ele mulheres que ele violentou...” no olhar marcas de sofrimento, mas para atender mães com dificuldadestei para ela... ele era bom para ela, usou tanto sexualmente minha mãe Maria Isabel foi investigada pela convicção nas palavras quando afir- para amamentar seus filhos.não deixava faltar nada em casa... e bateu tanto nela que ela caiu doen- polícia. Os antecedentes criminais do ma não ter se arrependido do que Neste dia-a-dia maçante, algumastive medo de contar e ela se separar te numa cama. Depois daquela noi- seu padrasto foram levantados e o fez. Faz questão de dizer: “Eu falo mulheres acabam se desviando e fa-dele e nós voltarmos a passar difi- te, ela nunca mais andou”, diz. crime foi abafado, pois naquela re- para as mulheres que apanham, que zendo parte de uma minoria pouco sofrem abusos sexuais, para darem conhecida: as que cometeram algum seu grito de liberdade. Façam algu- tipo de delito - os motivos são vários e ma coisa, se mexam. Hoje em dia as histórias, surpreendentes, que fe- Reitora Jornal-laboratório do Curso de tudo é muito diferente, porque, se rem esta imagem de fragilidade. Sueli Cristina Marquesi Comunicação Social (Jornalismo) arranhar, já vai preso. Não fiquem Mas em meio a tudo isso elas não Pró-reitor de Graduação da Universidade Cruzeiro do Sul Carlos Augusto Baptista de Andrade Ano IX - Número 31 - Agosto de 2008 agüentando caladas. Não incentivo deixam de lado a vaidade, caracterís- Pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa Tiragem: 3 mil exemplares a violência, acho que tudo pode ser tica própria e companheira insepará- Luiz Henrique Amaral Telefone para contato: 6137-5706 Pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários resolvido na base da conversa. Se vel. Bom, assunto é o que não falta Renato Padovese Professores-orientadores eu tivesse falado na primeira vez, para este ser tão enigmático. Coordenador do Curso de Comunicação Social Cecília Luedemann, Dirceu Roque de Sousa, talvez não teria chegado a tanto e Boa leitura. Carlos Barros Monteiro Flávia Serralvo, Luciana Rosa e Valmir Santos. tudo poderia ter sido evitado.”
    • COMPORTAMENTO AGOSTO DE 2008 - PÁGINA 3Lei protege mulher de violência doméstica Respaldo jurídico e psicológico são boas medidas para diminuir o número de agressões Fotos Tomás Lombardi Aldrey Mère tâncias entorpecentes aumentou de Tomás Lombardi cinco anos para cá. Até para pes- Virginia Delfino soas de 40, 50 anos”. Os casos de pessoas que cometem a agressão O cenário que aparentemente sem estar nessas condições tam-soa como lugar comum na cabeça bém acontecem, porém em umdas pessoas ao ouvir falar de um número bem mais reduzido.crime de violência doméstica pode Quando a vítima toma a deci-ser pior do que parece. A falta de são de denunciar o agressor e vaiorientação jurídica e psicológica gera até uma Delegacia da Mulher, elaum caos que fere a constituição fa- recebe toda a orientação e prote-miliar. A Lei Maria da Penha, nú- ção necessárias para poder seguirmero 11.340, de 7 de agosto de adiante com sua decisão, sem so-2006, cria mecanismos que ajudam frer nenhuma ameaça por parte doa mulher a ter um aparato jurídico agressor. A Lei prevê uma integra-por trás da difícil decisão de denun- ção maior entre outros órgãos eciar seu agressor. secretarias, o que resulta em uma A violência doméstica e fami- rede sintonizada de atendimentoliar contra a mulher se caracteriza à vítima de violência doméstica eem qualquer ação ou omissão ba- familiar, no aspecto assistencial,seada no gênero que lhe cause judicial, atendimento psicológico emorte, lesão, sofrimento físico, se- abrigos. Esse amparo é extendidoxual ou psicológico e dano moral aos filhos da vítima, que muitasou patrimonial no espaço domés- EQUIPE - Profissionais da 5ª Delegacia de Defesa da Mulher vezes presenciam as cenas de agres-tico, com ou são dentro de casa, sofrem agres-sem vínculo fa- de experiência de até um ano, agora a pena máxi- agressor do lar ou a proibição de sões físicas e até abusos sexuais.miliar, no âmbi- “A Lei respalda em violência do- ma é de até três anos de detenção. contato físico ou por qualquer meioto da família, ou melhor a mulher e méstica, fala so- O que acontece é que houve a subs- de comunicação com ela e seus fa-em qualquer re- pune de maneira bre os benefí- tituição do TC (Termo Circunstan- miliares. Quem élação íntima de cios que a lei ciado de Ocorrência Policial), pela Na maior parte das ocorrênciasafeto no qual o mais severa trouxe para as Lei Maria da Penha e as delegacias registradas, os agressores cometem Maria da Penha Maia é umaagressor conviva o agressor” mulheres víti- passaram a autuar o agressor em os delitos sob o efeito de bebidas brasileira que lutou durante noveou tenha convi- mas de agres- flagrante delito, não só pela agres- alcoólicas ou substâncias entorpe- anos para que seu agressor fossevido com a ofen- são. “A Lei res- são, mas também pelo crime de centes, e essas últimas sofreram au- condenado. Com 60 anos e trêsdida. palda melhor a mulher e pune de ameaça. A mulher, ao tomar co- mento nos últimos anos. Segun- filhas, hoje ela é líder de movi- A delegada da 5ª Delegacia de maneira mais severa o agressor”, nhecimento da Lei, percebe que tem do a delegada, “nós, que trabalha- mento de defesa dos direitos dasDefesa da Mulher, na Zona Leste comenta Marli. A punição pela Lei um respaldo maior, condições de mos com violência contra a mu- mulheres, vítima emblemáticade São Paulo, Marli Maurício Tava- número 9.099, de 1995, para lesão solicitar medidas de proteção de ur- lher, percebemos que em todas as da violência doméstica.res, que possui mais de dez anos corporal dolosa de natureza leve era gência, como a retirada imediata do idades o consumo de outras subs- Casos atendidos “Ele é um péssimo marido, mas um bom pai” Lesão corporal, estupro, aten- Fabíola Loyolla grande número de mulheres ser tado violento ao pudor, rapto, Rodrigo Moreira conivente com seus agressores. “É ameaça, calúnia, difamação e in- Wagner Di Palma muito comum ouvir de uma mu- júria. A Delegacia de Defesa da lher que o marido bate nela, mas Mulher também atua em casos A maioria dos casos de violên- não deixa faltar comida para os fi- de separação de casais, pensão ali- cia familiar aparenta ser uma sim- lhos. Ou seja, ele é um péssimo mentícia, partilha de bens e bus- ples reação a determinados compor- marido, mas um bom pai”, afirma ca de filhos. tamentos como adultério ou mes- a psicóloga. mo fruto de um estado alterado de Com medidas que chegaram consciência. Porém, por trás dessa juntamente com a Lei Maria da Pe- máscara de vidro da bebida e das nha, é previsto que a mulher não Delegacias de drogas ilícitas, se esconde geralmen- pode desistir da ocorrência depois Defesa da Mulher te um passado recheado de expe- de ter decidido processar criminal- riências moralmente danosas. mente. Isso pode ocorrer na fase da Zona Leste De acordo com a psicóloga Eli- judicial do processo, mas não se re- 5ª Delegacia zabeth Boldi, que atua há mais de BRINQUEDOTECA - Espaço para as crianças dentro da delegacia pete o fato de vítimas que retiram a Rua Dr. Corintho Baldoíno 11 anos na Fundação Estadual do queixa logo após retornar para casa Costa, 400, Vila Zilda. Bem Estar do Menor (Febem), a ma isso dentro de casa”, ressalta zenadas em uma área que a psicolo- e “entrarem em um acordo” com Fone: 2293-3816. viloência doméstica pode ser con- Elizabeth. gia chama de memória mnemôni- seu agressor. 7ª Delegacia seqüência de situações vividas na in- O maior perigo encontra-se nas ca. No futuro, o sujeito reproduz, Na tentativa de reduzir esse pro- Rua Dríades, 50, 2° andar, fância. “Em geral, todo abusador crianças mais novas. As informações mesmo que inconscientemente, blema, que ainda está presente em Vila Jacuí. foi abusado de certa forma”, expli- mais importantes para a formação boa parte da infância vivida nessa muitos lares brasileiros, é preciso Fone: 6154-1362. ca. Essa situação se atrela ao fato de do possível adulto que ela se torna- idade. Portanto, é necessária muita incentivar a denúncia da agressão 8ª Delegacia os pais não darem atenção na hora rá se processam na fase da primeira atenção na hora de expor as crianças dentro de casa e, mais do que isso, Av. Osvaldo Valle Cordeiro, 190, das brigas e discussões para as infância. Esta fase, compreendida a fatos que possam marcá-las de for- ter consciência de que os filhos po- Jardim Brasília. crianças que estão inseridas no seio entre zero e sete anos, é primordial ma negativa. dem levar essa experiência por toda Fone: 6742-1701. familiar. “Possivelmente a pessoa para a aprendizagem da criança. É Outro ponto que não pode dei- a vida e até repetir os atos violentos que agride vivenciou de alguma for- quando as informações são arma- xar de ser lembrado é o fato de um quando possuírem uma família.
    • PÁGINA 4 - AGOSTO DE 2008 TRABALHO Mulheres disputam cargos masculinos Um olhar sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro Fotos Ana Carolina Contri Fernanda Blanes rio de engenha- Francis Brescia Visitando obras, ria, onde acom- Raquel Zambon Marianne descobriu panha obras na Taila de Farias capital e no in- sua vontade terior paulista, A entrada das mulheres no mer- de estudar fiscalizando acado de trabalho teve início durante engenharia civil execução dasa Primeira Guerra Mundial, quan- fundações edo a partida dos homens para os prestando con-campos de batalha fez com que elas dentro da Po- sultoria de solos.assumissem os negócios da famí- lícia. A engenheira afirma não terlia. Entretanto, foi somente a partir Na época problemas em trabalhar cercadade 1970 que o público feminino em que Cristi- por pedreiros e construtores. Oconsolidou sua conquista de espa- na iniciou sua único preconceito que ela diz terço no cenário profissional. carreira, as po- sofrido não ocorreu pelo fato de Apesar da coragem por enfren- liciais eram ser mulher, e sim pela falta de ex-tarem uma jornada diária dupla – obrigadas a periência no início da carreira.dividida entre o trabalho e os cui- usar cortes de Solteira e sem filhos, Mariannedados com o lar –, o esforço das cabelo extre- recebe total apoio dos pais em suasmulheres não parece ser tão reco- mamente cur- decisões. Segundo ela, o maior or-nhecido quanto o dos homens na tos. Ela con- gulho dos dois foi vê-la colocar pelarealidade brasileira. versou com primeira vez o capacete branco, sím- Segundo dados da Fundação MARIANNE – A engenheira civil supervisionando obras de fundação um superior a bolo da profissão dos engenheiros.Sistema Estadual de Análise de respeito e dis- O artigo 7° da ConstituiçãoDados (Seade) referentes a 2007, a lheres que ocupam cargos tipicamen- cadeira: “O senhor tem seguro de se que seria uma tristeza cortar seus Brasileira proíbe diferenças de sa-participação das mulheres no mer- te masculinos. vida?”. No final da viagem, o pas- cabelos por causa de seu filho pe- lários, de exercício de funções e decado de trabalho em São Paulo caiu Um exemplo desta realidade é sageiro acabou lhe dando os para- queno, que adorava brincar com eles. critério de admissão por motivode 55,4% para 55,1%. Elas ganha- Luíza Magno Miranda, 43 anos, que béns por seu modo de conduzir. A partir daí, as policiais receberam de sexo, idade, cor ou estado civil.ram uma média de R$ 5,42 por hora trabalha como motorista de lota- Luíza mora com o marido e os dois autorização para manter os fios lon- Essas mulheres são grandes exem-trabalhada, enquanto os homens re- ção na linha Tatuapé-Jardim Ivã. Na filhos, que aprovam sua profissão. gos, contanto que os prendessem plos para a sociedade brasileira,ceberam R$ 6,96. Já o tempo mé- profissão desde 2006, Luíza afirma Ela garante que continuará dirigin- em coques. pois provam que talento nada temdio para conseguir um emprego os- gostar muito do que faz. De fato, do, e levando seu dia-a-dia com Sua força e competência acaba- a ver com gênero.cilou em torno de 21 meses para as ela já havia atuado anteriormente muita leveza e feminilidade. ram por modificar a opinião dosmulheres e apenas 13 meses para em um ramo dominado por ho- A mooquense Cristina Riccia- que a rodeavam. Atualmente, a po-os homens. mens: era montadora de toca-fitas relli, 42 anos, ganha a vida traba- licial continua sua carreira atuando Em São Paulo, o salário da Se as desi- em uma empresa lhando como policial. Ela ingres- no TRE à paisana. Seu marido e mulher equivale a 83,78% dogualdades no multinacional. sou na profissão há 20 anos, moti- dois filhos têm muito orgulho dela. valor recebido pelo homem.mercado de tra- Luíza garante que A motorista vada por uma relação tempestuosa Já Marianne Bencini Silva, 30 No ano de 2007, a taxa de de-balho são tão continuará dirigindo e conta que já so- que mantinha com o ex-marido. anos, possui uma história profis- semprego feminina ficou emevidentes, elas freu preconceito Cristina afirma ter sido discri- sional bastante peculiar. Ela iniciou 17,8% , e a masculina, emse tornam ainda levando seu dia-a-dia pelo caminho minada no início da carreira. Os co- carreira em uma empresa familiar 12,3%. Do total de vagas cria-mais acentuadas com muita leveza e profissional esco- legas a consideravam fraca e despre- que fabricava artefatos de cimento. das neste período, apenas 30%quando nos re- feminilidade lhido. Certa vez, parada, especialmente quando tinha E foi visitando obras, coletando di- foram ocupadas por mulheres.ferimos a mu- um passageiro de enfrentar perseguições nas ruas. mensões e orçando pedidos que ela entrou no lotação Sua família também não apoiava descobriu sua e perguntou se seu trabalho, pois julgava-o extre- vontade de estu- uma mulher real- mamente perigoso. Porém, a poli- dar engenharia ci- mente iria dirigir. cial não deixou que as críticas a aba- vil. Hoje, ela tra- Ela respondeu, lassem – ela lutou por amor à pro- balha em um im- em tom de brin- fissão e acabou até mudando regras portante escritó- Percentual do rendimento da mulher em comparação ao do homem – Janeiro 2008 Fonte: IBGELUÍZA – Dia de trabalho no lotação CRISTINA – Mudando as regras da Polícia
    • SAÚDE AGOSTO DE 2008 - PÁGINA 5Doação de leite humano ajuda a salvar vidas Bancos de leite são responsáveis pela coleta e distribuição do alimento necessário aos bebês Fotos Paulo Medeiros Natália Fernandes José Guardia Mattar, o leite estoca- Paulo Medeiros do alimenta preferencialmente be- bês prematuros, doentes, interna- Todos os anos, a Secretaria de dos nos Cuidados IntermediáriosEstado da Saúde realiza uma cam- (CI) ou Unidade de Terapia Inten-panha para reforçar a doação de leite siva (UTI). “O leite ajuda na re-materno e aumentar o número de cuperação e no desenvolvimentodoadoras nos Bancos de Leite Hu- dos recém-nascidos prematuros oumano (BLH) do Estado. O projeto doentes de forma mais rápida e efi-visa coletar leite excedente de mu- caz, por isso a preferência para esteslheres em período de amamenta- casos mais delicados”, revela.ção para ajudar a salvar vidas de re- O leite humano, após ser cole-cém-nascidos e bebês doentes in- tado, passa por um processo deternados. pasteurização, é submetido a con- De acordo com a Secretaria da troles de qualidade, estocado e de-Saúde, há leite humano estocado pois distribuído aos recém-nasci-nos BLH para atender a demanda dos e bebês impossibilitados dede consumo de receber direta-um mês quando mente o leite doo ideal é que haja “Precisamos de seio materno.leite materno o doações para “Após a avalia-suficiente para ção do controleaté quatro meses estocar leite de qualidade dode utilização. No suficiente e depois leite e a partir daEstado de São distribuí-lo.” quantidade dePaulo, há 50 calorias de cadaCentros especia- um, é feita a dis- EXEMPLO - Hospital Leonor Mendes de Barros é referência em doações de leite humano em São Paulolizados que, juntos, coletam uma tribuição, de acordo com cada ne-média de 1,5 mil litros de leite hu- cessidade. Bebês menores e mais cadado serve para abastecer cerca de ALEITAMENTO já que contém todos os nutrientesmano por mês. Desse resultado, magros recebem leite com alto ín- 390 beneficiados. responsáveis pelo seu desenvolvi-cerca de 7% correspondem ao leite dice de calorias, e as crianças com Segundo a coordenadora, a O aleitamento é um processo mento. Para a mãe, este período re-arrecadado no Hospital e Materni- peso e altura padrão ficam com o campanha realizada pela Secretaria importante para mães e bebês. O força o vínculo afetivo com o filho,dade Leonor Mendes Barros, Cen- leite menos calórico”, explica a co- de Saúde é importante para a cons- trabalho realizado no projeto en- além de diminuir a incidência dotro de Referência Paulista de BLH, ordenadora. cientização das mães e a conseqüen- globa desde instrução alimentar, câncer de mama e de ovário.localizado no Belenzinho. “O BLH do Leonor funciona te manutenção do estoque dos ban- com dicas do que a mãe deve ou Os bancos de leite possuem Os BLH são unidades ligadas a como um banco convencional. Pre- cos de leite, principalmente no pe- não comer durante a amamentação, profissionais que ajudam mães comum hospital materno ou infantil, cisamos de doações para estocar lei- ríodo de férias. “As doações costu- até o auxílio para extração do leite. dificuldade na amamentação. Pro-responsáveis por promover e incen- te suficiente e depois distribuí-lo”, mam cair no final de ano, quando Os BLH reforçam a idéia de que blemas como rachaduras nas ma-tivar a doação de leite e todo o pro- diz Maria José. Por mês, o BLH do as famílias viajam. Nesse período amamentar é uma ação de extrema mas, ocasionadas devido à maneiracesso que o envolve. Centro de Referência Paulista rece- os BLH ficam com sua capacidade importância para mães e filhos. Nos incorreta de amamentar, empedra- Segundo a coordenadora do be cerca de 105 litros de leite, prove- menor e por isso as campanhas aju- primeiros seis meses de vida, o leite mento do leite e dores são resolvi-BLH do Hospital Maternidade nientes de uma média de 70 doa- dam a manter o volume de leite ar- materno é a única fonte de alimen- dos com a parceria feita entre mãesLeonor Mendes de Barros, Maria doras mensais. Esse material arre- mazenado”, completa. to necessária para a saúde do bebê, e orientadoras. A importância de um simples gesto Bruna Toledo ciso tranqüilidade para que aos imaginar que poderia ser seus fi- poucos se acostume”. Lidiane es- lhos precisando de ajuda. “O fato A necessidade de leite do BLH clarece ainda que a dor é causada de saber que um bebê está crescen-para a filha recém-nascida fez com apenas no início da extração, e ocor- do e se recuperando com a suaque a mamãe de primeira viagem, re quando a retirada do leite não é doação é o incentivo para que esseLidiane Pereira, observasse a im- feita da forma correta. “Achava que simples ato se torne um hábito”,portância deste simples gesto. “Só não tinha leite, o aleitamento me conclui.passei a me interessar pela doação ajudou a ver o quanto essa expe-de leite quando minha filha preci- riência é simples e hoje tenho leite COMO DOARsou e hoje sei o quanto essa atitu- o suficiente para alimentar minhade ajuda vidas”, revela. filha e doar o excesso”, diz. Todas as mães que se encon- Após um parto prematuro, de “É muito gratificante se saber tram em período de amamentaçãosete meses, no Hospital Materni- que está ajudando a quem preci- podem doar o leite produzido emdade Leonor Mendes de Barros, a sa”, confirma a nova mamãe, que excesso em qualquer Banco de Lei- ESTOQUE - Leite armazenado atende 390 crianças por mêspromotora de viagens acompanha pretende continuar com a doação. te Humano. A coleta do leite devea recuperação de sua filha, hoje in- “Assim como minha filha preci- ser feita diretamente no BLH ou para um BLH.ternada no CI (Cuidados Interme- sou, sei que há muitas outras em domicílio. Nos casos em que a Para doar, as mães não podem Serviçodiários) do hospital. “Nos primei- crianças que necessitam apenas do mãe deseja fazer a retirada em casa, consumir bebidas alcoólicas, fu- BLH referência da cidade de Sãoros dias não conseguia retirar meu fundamental para sobreviver e por é necessário comparecer a qualquer mar ou tomar remédios. Uma ali- Paulo - Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barrosleite, mas com a ajuda das instru- isso quero doar leite enquanto ti- banco de leite e adquirir frascos es- mentação balanceada, com carnes Avenida Celso Garcia, 2.477, 3ºtoras do BLH e com força de von- ver”, promete. terilizados para o depósito do magras, verduras e frutas, e ainda andar - Belenzinhotade superei esse desafio. O pro- Para finalizar, a promotora de material. O leite coletado precisa ser o cuidado com o excesso de leite Atendimento das 7 às 19 horascesso de retirada do leite envolve viagens destaca que todas as mães congelado imediatamente e enca- de vaca, café, ovos e refrigerantes Fone: (11) 2692-4068 E-mail: blhleonor@ig.com.bro fator psicológico, por isso é pre- em fase de amamentação devem minhado o mais rápido possível garantem o sucesso na doação.
    • PÁGINA 6 - AGOSTO DE 2008 SAÚDE Cresce número de cirurgias plásticas Vaidade e bem-estar impulsionam o avanço de intervenções estéticas entre as mulheres no Brasil Fotos Douglas Terenciano Douglas Terenciano tre as intervenções mais rio. “Estudamos muito para pós-operatório. “Apesar de sentir procuradas estão a dermo- chegar aonde chegamos, en- muita dor, ficar com marcas roxas A procura pela cirurgia plástica lipectomia no abdômen, tão posso garantir que sabe- no corpo, o pós-operatório foi bomtem aumentado muito na última para mulheres que fizeram mos do que estamos falan- e teve boa cicatrização”, finaliza.década, geralmente por mulheres de trabalho de parto recente, e do. Se passamos uma dieta Outra mulher, mais experiente20 a 40 anos. Algumas decidem fa- prótese mamária e lipoas- ou dissemos que é necessário e não menos vaidosa, é a secretáriazer a cirurgia depois do nascimento piração, para aquelas mais usar uma cinta, siga as orien- Menna Pinaff, 47 anos, mãe de doisde um filho, e outras, apenas por vaidosas. tações”, lembra. filhos. Desde o nascimento da se-vaidade. Atualmente, as cirurgias É possível separar as Para Aquino é melhor tra- gunda filha, ela pensa em fazer aplásticas não são mais privilégio pacientes por período: nos balhar com a estética, mas ex- cirurgia de abdominoplastia. “Apósapenas das classes A e B – a queda meses de janeiro e dezem- plica que pode trabalhar com duas gestações, mesmo fazendonos preços e a facilidade no paga- bro, as principais interessa- a cirurgia reconstrutora tam- dieta, o corpo não voltava ao nor-mento têm aumentado o número das são mães e professo- bém. “A formação é a mes- mal, o que me deixava muito des-de mulheres com menor poder ras; de maio a setembro, são ma, são cinco anos de espe- confortável em relação a minha apa-aquisitivo que aderem a esse tipo mulheres que desejam exi- cialização, durante dois anos rência”, diz. Ela destaca que valeu ade cirurgia. bir uma nova aparência. é um trabalho geral e os ou- pena fazer a cirurgia, seu bem estar Dono de uma clínica de estética “Elas procuram esses me- tros três, plástica. Neste pe- mudou desde então. “Ao fazer asno Tatuapé, Jonathas Aquino, 34 ses porque é necessário fi- ríodo, trabalhamos mais a re- pazes com o espelho, você acaba re-anos, está formado há dez anos e car três meses sem tomar construtora, por causa dos fletindo por fora o quanto está bemespecializou-se em cirurgias plásti- sol, para voltar bem no ve- hospitais públicos. É questão consigo mesmo”, comenta a secre-cas há cinco. “Para a cirurgia ser bem rão”, comenta Aquino. de satisfação pessoal mesmo. tária. Assim como a estudante, Men-sucedida, é necessário que o médico O médico alerta que, Aquino: sempre um novo desafio Gosto de trabalhar com a ma- na ficou com trauma do pós-ope-seja cirurgião e que exista a empatia antes de fazer qualquer tipo moplastia e lipoaspiração, tal- ratório. “Foi a pior parte da cirurgia,com o mesmo”, explica o médico, de cirurgia, a interessada deve pes- todas as dúvidas sejam tiradas. vez por ser o que mais faço”, finali- ficava praticamente o dia inteiro dei-que coloca músicas durante a cirur- quisar e escolher uma clínica de sua “Existem pessoas que procuram a za o médico. tada, mal podia levantar e andar”,gia para relaxar suas pacientes. En- confiança. “Ter a indicação do espe- plástica achando que é possível ficar O Cidadão conversou com finaliza. cialista também ajuda muito igual à modelo da revista”, revela. duas mulheres de diferentes na escolha do profissional, é Durante a consulta, o médico pode faixas etárias que se submete- por isso que não trabalho analisar psicologicamente a pacien- ram a cirurgias plásticas. Uma com marketing.” Porém, ape- te e explicar até onde é possível che- delas é a estudante Tábata nas a indicação não é suficien- gar. “Já aconteceu de uma mulher Garcia, 25 anos, que passou te – é preciso saber se a cirur- querer fazer uma cirurgia para con- por uma lipoaspiração e se gia é viável ou não. “Cada ci- seguir reconquistar seu marido”, re- diz contente com o resulta- rurgia é única, um novo de- corda. Nestes casos, Aquino explica do. “Minha auto-estima ficou safio. Pode-se dizer que vai de que é preciso ter jogo de cintura e elevada, me sinto muito pessoa para pessoa, por contornar a situação. “Geralmente bem”, comenta. Ela diz ain- exemplo, existem seios mais são essas pacientes que não gostam da que não esconde o moti- fáceis e outros mais compli- do resultado, às vezes por não al- vo que a levou a fazer a cirur- cados para fazer a mesma ci- cançar o objetivo, às vezes por não gia: “Por pura vaidade, fiz a rurgia”, ressalta Aquino. se sentirem bem com a mudança”, cirurgia somente por estética. O especialista explica que avalia o cirurgião. Segui uma ótima dieta que a relação médico-paciente é Tão importante quanto a con- meu médico me passou e as- muito importante, as consul- sulta médica, a indicação do espe- sim que perdi peso realizei a tas antes da cirurgia são extre- cialista, a certeza de ser cirurgião e a cirurgia”. Para ela, a parte maisTábata: aumento da auto-estima mante necessárias, para que empatia, é o cuidado pós-operató- difícil de fazer a cirurgia foi o Menna: pazes com o espelhoMulheres mostram como vencer o câncer de mama Kênia Honda Bruna Toledo lidou muito bem com a situação. da é fundamental em todos os ca- Kênia Honda Além de Maria, suas duas filhas, sos. Maria Ercilia, por exemplo, Célia, 58 anos, e Vilani, 56 anos, e a manteve-se sempre de bom humor Dados do Instituto Nacional do neta Cristiane, 35 anos, tiveram cân- e confiante. “A baixa estima faz comCâncer (INCA) revelam que em cer de mama. Apesar dos danos fí- que o sistema imune caia, dificulta-2008 surgirão no Brasil cerca de sicos e psicológicos, três delas já con- do mais o tratamento”, explica49.400 novos casos de câncer de seguiram vencer a doença, que é uma Mascarenhas.mama. O número é grande, mas as das mais temidas pelo sexo femini- Segundo Damiana de Carvalho,chances de cura também são. De acor- no. Vilani recebeu o diagnóstico há 76 anos, que também conviveu comdo com o médico Ruy Mascarenhas, seis meses e continua com o trata- a doença, o que mais a ajudou foi oque atua no Instituto do Câncer Dr. mento através da hormonioterapia, apoio de seus parentes. “A cura é aArnaldo, um dos principais passos que impede o crescimento do tu- família. Eu recebia visita até as 9para que isso aconteça é o diagnós- mor. horas da noite”, diz ela. Todas astico precoce. Outro ponto impor- Célia e sua mãe dizem que a par- entrevistadas foram unânimes a res-tante, segundo Mascarenhas, é que te mais difícil era a quimioterapia e peito da importância da fé na pos-a mulher está mais colaborativa, seus efeitos colaterais, mas hoje, com sibilidade de cura. Segundo elas, éprocurando atendimento e lidando os avanços da medicina, existem preciso acreditar firmemente na re-melhor com a situação. injeções que minimizavam conside- cuperação. Mascarenhas recomenda Conviver com esse mal não é ravelmente o mal-estar e ajudam na a suas pacientes que mantenham afácil e requer muita força. A família recuperação do paciente. esperança sempre. Enquanto elade Maria Ercilia dos Santos, 79 anos, Estar com a auto-estima eleva- existir, haverá luta. PERSEVERANÇA - Mulheres lutam contra a doença sem perder
    • MULHERES AGOSTO DE 2008 - PÁGINA 7 Mães especiais superam dificuldades Mulheres encontram em seus filhos uma nova visão da vida Kamila Otelinger Alexsandro Monteiro zer e cultura”, explica Vera. Atual- forma diferente. Nós crescemos prin- Andréa Jocys mente a AMME atende 80 crianças cipalmente no lado humano”. Thiago Rufino e adolescentes em período integral, Segundo o psicólogo junguia- desenvolvendo oficinas pedagógi- no Antônio José de Souza, “a figu- Apesar das dificuldades encon- cas, formação profissional e acom- ra materna é importante na aquisi-tradas pelas mães de crianças espe- panhamento de psicólogos e fisio- ção da identidade da criança que in-ciais, o apoio de profissionais e ins- terapeutas. terage com o universo externo atituições pode transformar a reali- No caso de Silvia Saldanha, 42 partir do ‘olhar’ da mãe”. Ele afir-dade dessas famílias, trazendo uma anos, o maior empecilho no trata- ma que mães capazes de adminis-nova perspectiva, que ajuda a lidar mento de sua filha Janete, 25 anos, trar melhor as dificuldades da vidacom as experiências do dia-a-dia e a que tem paralisia cerebral, é a loco- criam em torno da criança um espa-acabar com o preconceito. moção. “Ela fez tratamento duran- ço “maternante” capaz de possibi- A maior luta dessas mulheres é te muito tempo, mas resolvi parar litar afeto e segurança. Crianças comgarantir “direitos básicos: saúde, porque, além da dificuldade de alguma deficiência exigem mais des-educação e socialização”, diz Vera de transporte, via a minha filha triste e se ambiente.Camargo, 56 anos, fundadora da não apresentava melhora. Quando Souza complementa que “asAssociação Mantenedora de Mães eu questionei o médico se o trata- mães nem sempre lidam bem comEspeciais (AMME) e mãe de Mar- mento apresentaria bom resultado, “Janete é alegria, me tornou um ser humano melhor”, diz Silvia alguma deficiência, sobretudo secelo de Camargo, 26 anos, portador ele se isentou da responsabilidade essa deficiência for apenas um sin-de atraso de desenvolvimento psi- do acompanhamento”, diz Silvia. não me dá trabalho”, relata. dos os exames, mas nenhum deles toma de ambiente hostil. Em todocomotor (ADNPM). Como seu fi- Com o passar do tempo, Janete A experiência da maternidade acusou algum problema.” o caso recomenda-se uma psicote-lho não se enquadrava nos critérios desenvolveu algumas habilidades e trouxe diversas mudanças na vida Atualmente Rafael está na séti- rapia à mãe tendo em vista o inves-de elegibilidade das instituições exis- preferências. “Ela associou algumas dessas mulheres. “Como ser huma- ma série e tem uma rotina sem res- timento emocional e até físico quetentes, há nove anos começou o palavras para as suas principais ne- no, ela me fez amadurecer bastante, trições; anda de bicicleta e ajuda seu ela terá que empenhar. Ao consta-projeto que “presta assistência às cessidades como fome e banho. Ja- porque eu fui uma adolescente re- pai no serviço. O convívio com ou- tar uma deficiência, o papel da fa-pessoas com deficiência, promoven- nete gosta de ouvir Xuxa o dia todo; belde, dei trabalho aos meus pais. tras crianças ajuda no seu desenvol- mília é se reorganizar através da com-do a inclusão através de ações so- não gosta de futebol e nem de mú- Ela me ajudou a crescer. Quando vimento. “A interação foi funda- preensão, do diálogo e do cuidado.ciais, de habilitação, reabilitação, la- sica sertaneja, ela é muito boazinha, descobri que estava grávida deveria mental. Ele sempre fala e se lembra A base estrutural da família funda- Lívia Maturana ter entrado em pânico, porque era das pessoas, mesmo que fiquemos mentada nas ações citadas evita o adolescente. Mas fiquei feliz, por- muito tempo distantes. Nesse pon- estresse e o abandono”. que temos uma ligação muito for- to, ele tem uma facilidade muito Em casos como os das mães te”, diz Silvia. grande”, diz Terezinha. Vera, Silvia, Terezinha e tantas ou- Em casos em que a deficiência O convívio com essa realidade tras que tiveram dificuldade para não afeta muito o desenvolvimen- trouxe outra percepção para a famí- encontrar acompanhamento ade- to da criança, a mãe não encontra lia. “Não tínhamos preconceito, ape- quado, existem instituições e pro- dificuldades na busca de acompa- nas encarávamos de maneira diferen- fissionais que prestam atendimen- nhamento adequado. Terezinha da te. Sempre fui uma pessoa religiosa, to especializado para mães e filhos. Silva, 45 anos, encontrou em uma portanto tenho outro conceito. Mas, Na AMME, é necessária apenas a escola pública boas condições para quando você convive com isso, pas- inscrição para que o caso seja enca- o aprendizado de seu filho Rafael, sa a encarar o ser humano de uma minhado para uma triagem. 19 anos. “Nós tentamos uma EMEI porque achávamos que lá a Associação Mantenedora de Mães Especiais (AMME). Aceita voluntários alfabetização seria um pouco mais para eventos, captação de recursos e doações espontâneas. leve, comparada com a primeira es- Av. dos Remédios, 1.157, Osasco, Tel: (11) 3096-9514. cola particular onde ele não acom- site: www.amme.org.br panhou. Na época, insisti tanto com UNICSUL (Anália Franco) - Núcleo de Estudos e Atendimento Psicológico (NEAP). Rua Prof. João de Oliveira Torres, 306, São Paulo, Tel: (11) 2268-0867.“Ele se relaciona bem com as pessoas”, conta Terezinha o médico para que fossem feitos to- SAÚDE 85% de atingidos por LERs são mulheres Gilberto Munhoz Rafael Pazin A procura por auxílio médico “necessitam ser diagnosticadas nos lesões, médicos indicam a realiza- ocorre, na maioria dos casos, no primeiros estágios”, explica Bruna. ção de alongamentos diários para Especialistas afirmam que estágio 2, em que as dores se tor- Hoje, cerca de 60% dos casos em acelerar a circulação sangüínea e au- mulheres são as principais vítimas nam freqüentes mas regridem com que são seguidas as indicações de mentar a quantidade de oxigênio das Lesões por Esforço Repetiti- repouso, o que não ocorre em eta- tratamento há cura. Contudo, exige disponível para os músculos tra- vo (LERs). De acordo com a fi- pas mais avançadas. A faixa etária boa disciplina e condições psicoló- balharem. sioterapeuta Bruna de Souza Fer- mais atingida está entre 20 e 30 anos, gicas favoráveis. Karin teve dificul- Atualmente empresas incenti- rari, isso ocorre porque geralmen- como é o caso da dona-de-casa Ka- dade para seguir o tratamento por- vam a prática de exercícios dentro do te as mulheres são mais atarefadas rin Solano da Silva, que fez sua pri- que um dos procedimentos era a ambiente de trabalho, a fim de mini- e preocupadas do que os homens. meira visita ao médico aos 24 anos. imobilização temporária de um dos mizar os danos causados pela jorna- Elas acumulam diversas tarefas “As dores começaram a aparecer braços, o que impossibilitaria a con- da de trabalho extensa. As ferramen- durante o dia, realizando ativida- sempre que terminavam os afaze- tinuidade de suas tarefas – fato que tas utilizadas são a ginástica laboral e des em casa, no trabalho e algu- res domésticos”, diz ela. a levou a não seguir as indicações um sistema de computador que en- mas ainda dispõem de tempo para Ao contrário do que muitos médicas. tra em stand-by automaticamente se dedicar aos estudos. pensam, as lesões têm cura, porém Para prevenir o surgimento das para que a pessoa se exercite. A fisioterapeuta Bruna Ferrari
    • PÁGINA 8 - AGOSTO DE 2008 ESPORTESPrática do futebol feminino cresce no país Mulheres estão cada vez mais presentes no esporte que era de domínio masculino Fotos Seme Amaral Douglas Terenciano sas dispostas a investir no esporte. Marco Antônio Oliveira “Falta patrocínio no futebol femi- nino. As garotas, para serem pro- O Clube Atlético Juventus, lo- fissionais, têm que ser registradas, ecalizado na Mooca, investe no fu- isso tem um custo”, explica.tebol feminino desde 1982 e é Mesmo com todos os proble-considerado o pioneiro do país. mas, a treinadora vê com bons olhosHoje conta com cerca de 60 garo- o crescimento do futebol femininotas entre 5 e 25 anos, que sonham no país e garante que o Brasil, comcom um futuro no esporte, que um pouco mais de incentivo, podehá alguns anos era praticamente até se tornar uma potência mundialde domínio masculino. Algumas no esporte. “Se o Brasil tiver estru-meninas, na maioria de baixa ren- tura, não perde para ninguém noda, vêm do interior e até mesmo futebol feminino”.de fora do Estado para tentar a Um dos principais empecilhossorte no futebol. que as mulheres sofriam era o pre- A treinadora e responsável pelo conceito. Até pouco tempo atrás,futebol feminino do Juventus, futebol era praticamente um espor-Magali Fernandes, 43 anos, nos te masculino, e hoje, com o sucessoconcedeu uma entrevista, na qual da seleção brasileira e recentementecomenta a evolução do esporte no tendo sido Marta eleita a melhor jo-país. A treinadora destaca que o clu- gadora do mundo, tem diminuídobe tem uma grande preocupação esse problema. “Antigamente ascom os estudos das meninas. “O meninas jogavam escondidas dosJuventus oferece bolsas integrais SONHO - Meninas em busca de uma vida melhor com a profissionalização no futebol feminino pais e agora os próprios pais as le-em colégios par- vam para os treinos”, finaliza a trei-ticulares para as dizer que for- ano passado. rio e todas têm nadora Magali.mais jovens e “Se o Brasil tiver mou boa parte Lembra tam- “Na Alemanha, contrato”, co-curso superior estrutura, das jogadoras da bém que o fute- o futebol é evoluído menta Magali.para as que pos- não perde para seleção brasileira bol feminino porque as jogadoras Apesar de o Serviçosuem mais ida- vice-campeã evoluiu no país, Juventus contarde”. Assim, o ninguém no futebol mundial, per- porém ainda recebem salário e com patrocínio Para saber informações so-clube espera que feminino.” dendo para a tem um longo todas têm contrato.” de instituições bre peneiras, entre em contatoas garotas não Alemanha na caminho a per- educacionais e de diretamente com a treinadorasofram com decisão em 2007. correr em relação empresas como Magali Fernandes pelo telefoneuma possível desilusão no espor- Entre elas está Cristiane Oliveira, aos outros países europeus. “Na o Grupo Empresarial Trofa, no res- 6165-7937, de terça à sexta-feira,te e podem seguir suas carreiras pro- eleita a terceira melhor jogadora de Alemanha, o futebol é evoluído tante do Brasil a situação é bem di- das 14 às 17 horas.fissionais. Segundo a treinadora, as futebol do mundo pela FIFA no porque as jogadoras recebem salá- ferente, já que são poucas as empre-meninas tiveram um “ano brilhan-te” pelo clube em 2007, conquis-tando títulos importantes como o Garotas sonham com futuro através da chuteiraCampeonato Paulista Universitá-rio, Campeonato GEBS Infantil e Atualmente no Juventus há acrescenta Thais. Kaká e Marta fo-ainda um vice no GEBS Juvenil. duas atletas que foram vice-cam- ram eleitos pela FIFA os melho- Atualmente, há duas atletas no peãs sul-americanas sub-17 com a res jogadores de futebol do mun-Juventus que foram vice-campeãs seleção brasileira no Chile e garanti- do em 2007 pelas belas perfor-sul-americanas sub-17 com a sele- ram vaga no Mundial que será reali- mances em campo.ção brasileira, e garantiram vaga no zado na Nova Zelândia, em novem- A família tem um papel funda-Mundial que será realizado na Nova bro: Ingrid Carolina Frisan e Thais mental na vida das meninas, atéZelândia, em novembro: Thais Duarte Guedes, 14 e 15 anos, res- para apoiar e entender que seguirDuarte e Ingrid Carolina (veja ma- pectivamente. uma carreira no futebol femininotéria ao lado). Ambas se entusiasmam em di- não é o mesmo que aparecer em Magali, que desde 1995 exerce a zer o quanto foi importante partici- jogos ao vivo e participar de pro-função de treinadora, orgulha-se em par do campeonato sul-americano. gramas esportivos aos domingos, “Aprendi muito lá no Chile, foi uma como acontece com o masculino, grande troca de experiências”, lem- porém disso as garotas não têm do bra Thais. Já Ingrid destaca que isso que reclamar. “Meus pais incentivam pode trazer benefícios na formação bastante e sempre que podem acom- delas. “Sem dúvida isso ajuda ain- panham os jogos”, relata Ingrid. da mais em nossa carreira, uma ex- PROMESSA - Thais e Ingrid são esperanças de futuro no clube Com Thais não é diferente: “Mi- periência internacional é sempre im- nha família me apóia e isso é muito portante”, diz. jogar na Europa”, comenta Ingrid. guns anos, era coisa de homem. Se importante, principalmente quan- O futebol feminino não é dife- Thais vai mais longe: “Meu objeti- uma mulher fosse vista jogando do vou fazer viagens e ficar alguns rente do masculino quando se trata vo é jogar na Europa, o Brasil ainda bola, seria mal falada com certeza”, dias sem vê-los, essa é a parte mais de futuro profissional, tanto lá está longe de ser a elite do futebol emenda Ingrid. dificil de querer seguir esta carreira.” como cá as garotas sonham em jo- feminino mundial.” Apesar de o Sobre a questão de ídolos no Ela ainda deixa um recado para as gar no exterior devido às melhores Brasil ser considerado o país do fu- esporte, ambas são unânimes em garotas que sonham com um futu- condições de estrutura e as valori- tebol e ter pouquíssimos clubes dis- citar Kaká, no masculino, e Marta, ro profissional no futebol femini- zações salariais. “Tenho vontade, postos a oferecer e incentivar o fu- no feminino. “O que a Marta e o no: “Não desista, não pare de crer, sim, de fazer minha base no Brasil, tebol feminino, e já foi pior, comen- Kaká estão fazendo no futebol os sonhos de Deus jamais vãoA treinadora Magali Fernandes mas meu grande sonho mesmo é tam as meninas. “O futebol, há al- nos últimos anos é incrível”, morrer.”