Terceiro Setor e Comunicação Estratégica para Mobilização Social

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Apresentação da profa Adélia Fernandes no evento Terceiro Setor e Comunicação Estratégica para Mobilização Social. …

Apresentação da profa Adélia Fernandes no evento Terceiro Setor e Comunicação Estratégica para Mobilização Social.
Centro Universitário de Belo Horizonte, 28/03/2009

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  • Muito interessante esta sua apresentação, professora Adélia. Toca muito no quesito responsabilidade e faz lembrar que o jornalismo político ganhou corpo com Karl Marx à frente da Gazeta Renana, em 1842, levando à opinião publica a verdadeira situação em que se encontrava a população em comparação às elites. Sem contar que a sua pesquisa a respeito das condições de vida dos camponeses do distrito de Mosela, no Oeste da Alemanha, é reconhecida como o trabalho fundador do gênero reportagem.
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  • 1. Jornalismo e Terceiro Setor Prof a Adélia Barroso Fernandes
  • 2. Ementa
    • 1 - A comunicação e o jornalismo como lugar de construção do mundo comum e do espaço público.
    • 2 -O renascimento da sociedade civil no Brasil contemporâneo.
    • 3 - A importância do debate sobre a cidadania e os Direitos Humanos.
    • 4 - O papel do jornalismo, e dos jornalistas, para a luta dos movimentos sociais, das ONGs etc., para a ampliação dos direitos e o respeito às diferenças.
    • 5 – Jornalismo público
  • 3. Mundo Comum
        • Os homens são diferentes e precisam de um espaço para construir algo comum a todos.
        • O encontro de pessoas diferentes, para construir algo comum a todos é o mundo comum.
        • Só no mundo comum as diferenças podem aparecer.
        • O mundo comum abre a possibilidade da pluralidade, ou seja, a realidade vista de vários ângulos.
        • O mundo comum é agonístico, é conflituoso.
        • Lugar de trocas comunicativas.
        • Lugar de visibilidade, quando os homens saem da obscuridade de suas subjetividades
  • 4. Comunicação e Espaço Público ou Esfera Pública
    • Na Grécia o Público e o privado eram bem separados.
    • Espaço privado, privação.Família, senhor da casa, escravo, mulher.
    • Quem pode participar do debate público: homens, livres, moradores, corajosos.
    • Espaço Público Romano. Público e privado bem separados.
    • Público é tudo que diz respeito ao império. Expansionista. Guerra, invasão, riqueza.
    • Quem participa do espaço público: homem, livre, rico.
    • Idade Média não tem público, só privado. Público significa uso de todos.
    • As cidades voltam a crescer, os burgueses enriquecem e querem o poder político.
    • A burguesia faz uma ruptura com a rígida estrutura de poder e dominação do Antigo Regime.
  • 5. Comunicação e Espaço Público ou Esfera Pública
        • Esfera de homens livres, usando a razão e a consciência.
        • O espaço público burguês é o lugar ideal para se discutir as condições e os procedimentos do poder
        • Encontros em cafés. Escrevem jornais, revistas e livros.
        • A imprensa torna-se fórum importante de debate crítico.
        • Argumento substitui a vontade arbitrária.
        • Racional, lógico (raciocínio do convencimento por argumentos lógicos, racionais e válidos)
        • Debate / Negociação / Liberdade de opinião / Propostas / Agonístico / Oposição / Concorrência
        • Igualdade de voto e participação.
        • Decisão majoritária / Deliberação
  • 6. Comunicação e Espaço Público ou Esfera Pública
        • Algumas características da esfera pública foram incorporadas como lei, por exemplo, a liberdade de imprensa.
        • Quando os grupos enviam argumentos para a esfera pública a sociedade discute e apresenta novos argumentos, que provocam contra argumentos.
        • A esfera pública cria a opinião pública.
        • O Estado, assim como outras instâncias, tem que enfrentar a opinião pública.
        • A opinião pública legitima ou não as decisões públicas.
        • Na modernidade, a esfera pública torna-se a intermediária entre o Estado e a sociedade.
        • Assuntos privados tornaram –se publicamente relevantes.
        • Assuntos públicos que são tratados em segredo.
  • 7. Comunicação e Espaço Público ou Esfera Pública
    • A democracia é antes de tudo um espaço com regras para possibilitar a entrada de novos temas, novos debates. Na democracia o fluxo comunicativo deve facilitar que esses novos temas apareçam.
    • Democracia deliberativa e procedimental.
    • Somente uma cultura democrática pode garantir a coexistência de igualdade e de diferentes modos de vida.
    • A imprensa é um grande espaço público
  • 8. Sociedade civil no Brasil contemporâneo
    • O conceito de sociedade de sociedade civil é utilizado para demarcar o território social ameaçado pela burocracia estatal e pela economia. As forças da economia capitalista, a valorização do individualismo e a burocracia estatal ameaçam a solidariedade, a autonomia do cidadão.
    • A sociedade civil não quer o poder, mas influenciar as mudanças sociais e as decisões do Estado e da Economia.
    • A sociedade civil enriquece a esfera pública pois traz à cena questões dos sujeitos, do cotidiano, que de forma concreta afetam a vida de milhares de pessoas.
    • O Estado (primeiro setor) e o Mercado (segundo setor) sozinhos não foram capazes de dar respostas às formas comunitárias de solidariedade e às necessidades de inúmeros grupos sociais. O mercado prometeu igualdade de oportunidades e riqueza para todos e o Estado prometeu proteção contra a violência, a pobreza, etc.
    • Se ao Estado não interessa uma mobilização cívica.
    • Se ao mercado não interessa uma mobilização pelos direitos humanos.
    • Cabe à sociedade Civil articular uma luta que seja ao mesmo tempo local e global, econômica e estatal, social e individual.
  • 9. Sociedade civil no Brasil contemporâneo
    • Movimentos sociais
    • A história do Brasil não é democrática. Regimes autoritários entrecortados por breves períodos de democracia.
    • Além disso, temos uma das piores distribuições de renda do mundo. Muita concentração de terras e de capital.
    • Mas, movimentos sociais recentes indicam a construção de uma prática associativa e uma cidadania mais ativa.
    • Os movimentos sociais tem que estabelecer três frentes de luta:
    • 1 - para mudar a lei
    • 2 - para convencer a sociedade da justeza de suas reivindicações e conseguir apoio de outros movimentos.
    • 3 – mudar a situação econômica dos envolvidos, quando for o caso.
  • 10. Sociedade civil no Brasil contemporâneo
    • Ongs
    • Aparecem a partir de 1970, na Europa do leste. Muitas Ongs são internacionais.
    • Questões éticas e morais revalorizam a vida humana.
    • Luta pelos direitos sociais se ampliam.
    • Crescimento das ONG´s – novas parcerias com o poder público e privado.
    • O poder público repassa verba às ONG´s que repassam a vários movimentos e associações. As ongs ajudam os movimentos sociais a se auto-sustentarem.
    • Mas o apoio do governo é instável, muda o governo e movimentos são varridos do cenário.
  • 11. ONG´s
    • Articulam vários movimentos Institucionalizados
    • Eficientes
    • Perenes
    • Contínuos
    • Fazem balancetes
    • Pagam funcionários
    • Orçamento faz parte do trabalho
    • Querem resultados de impactos
  • 12. MOVIMENTOS SOCIAIS
    • Não institucionalizados
    • Fluxos e refluxos de temas
    • Sem eficácia operacional
    • Polivalentes
    • Multiformes
    • Lutam por mudanças a longo prazo, de preconceito arraigados
  • 13. Cidadania
    • Na Grécia – homem, livre, morador da pólis, corajoso
    • No Império Romano – homem, livre, rico
    • Na Idade Média – desaparece, ficando apenas o termo uso público, como uso do moinho.
    • Na modernidade – homem, branco, rico, letrado, cristão
    • Concepção Democrática – cidadão que tenta conciliar o bem próprio e o bem comum, disputando no espaço público o Direito a Ter Direito.
    • O capital consegue impor regras que assegurem a confiabilidade, estabilidade para que o capital circule livremente no mundo. Os indivíduos não têm essa proteção.
    • A cidadania relacionada ao Estado enfraquece-se cada vez mais. Agora as normas são internacionais e partem de grupos econômicos.
    • Ainda não foi criada a cidadania transnacional.
    • Com o enfraquecimento do Estado, os indivíduos tendem a ligar-se por afetividade, identidades, etnias, religiosidade, de forma global.
    • Construção de uma cidadania baseada nos Direitos Humanos (enfrentando a economia e o Estado)
    • Esfera pública mais global começa a ser desenhada com as novas tecnologias de comunicação.
  • 14. Os Direitos Humanos
    • Depois das duas guerras mundiais os homens sentiram necessidade de colocar limites à sua própria capacidade de atrocidades.
    • Cria-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948.
    • 1.a Geração de direitos – CIVIL
    • Direito a vida, Integridade Física, Liberdade de ir e vir
    • Liberdade de expressão (assumindo autoria e respondendo pelo que diz)
    • O Brasil, apontado como o país no ocidente que mais desrespeita esses direitos.
    • Maiores problemas: vida doméstica, presídios e assassinatos nas ruas.
    • Maiores vítimas: mulheres, crianças, negros e jovens negros
  • 15. Os Direitos Humanos
    • 2.a Geração de direitos – POLÍTICO
    • Movimentos sociais,Sindicatos,Partidos,Clubes,Associações,Cooperativas
    • Não permitido: Organizações Paramilitares e Neonazismo
    • 3.a Geração de direitos – SOCIAL
    • Educação, Saúde, Habitação, Alimentação
    • + parceiros privados
    • + Sociedade
    • + Iniciativa Privada
    • 4.a Geração de direitos – AMBIENTE
    • 5.a Geração de direitos- GENÉTICO
    • Os direitos humanos apelam pela igualdade e pela diferença: mulheres, negros, deficientes, homossexuais, doentes mentais, idosos, crianças,
  • 16. O papel do jornalismo
    • Jornalismo - espaço reflexivo da cidadania e dos direitos humanos
    • 1 – À medida em que a sociedade avança os jornalistas são compelidos a noticiar as conquistas. Por exemplo, uma notícia sobre uma lei que protege uma categoria social num país, ajuda outro país a lutar.
    • 2 - Os jornais apresentam as várias vozes sociais sobre um tema, construindo um verdadeiro debate no espaço público.
    • 3 – Os cidadãos tomam conhecimento de novos direitos, reconhecem uma falta ou um sofrimento ao verem um notícia. (a existência de delegacias especializadas, o que é assédio moral, etc).
  • 17. O papel do jornalismo
    • Mudanças no jornalismo – Ombudsman e colunas do cidadão.
    • Os jornais reconhecem que erram e começam a criar espaços para auto-crítica e sugestões dos cidadãos.
  • 18. O papel do jornalismo
    • O terceiro setor produz seu jornalismo, editorias especiais, o jornalismo comunitário
    • Há uma profissionalização da comunicação no terceiro setor, alimentando inclusive os jornais de referência
    • Seminários para jornalistas sobre alguns assuntos, cartilhas para jornalistas e elaboração de jornais próprios.
  • 19. Jornalismo Cívico ou Jornalismo Público
    • Anos 80 nos EUA
    • Defende um novo jornalismo, o jornalismo público ou cívico.
    • Para este movimento não há duvida que o jornalismo atual está em crise, bem como a própria democracia.
    • O jornalismo precisa incentivar a vida pública ou ele mesmo vai acabar.
  • 20. Jornalismo Cívico ou Jornalismo Público
    • Deve ser uma força de revitalização da vida pública.
    • Ir além da missão de dar notícias para uma mais ampla.
    • Acabar com a visão de observador desprendido e assumir uma postura participante.
    • Deve redefinir seus valores e aproximá-los da sociedade.
    • Conceber o público como atores na vida democrática, tornando prioritário estabelecer ligações com os cidadãos.
    • Deve evitar o excesso de negativismo
    • O jornalista é um ator político e não deve se esquecer disso.
  • 21. Jornalismo Cívico ou Jornalismo Público
    • A imprensa deve ultrapassar sua função primária de informar e contextualizar e analisar os fatos, abordando as soluções que o Estado e a sociedade vem encontrando para os problemas e indicando formas de participação dos cidadãos nos esforços coletivos e em favor do desenvolvimento humano.
    • A imprensa, por iniciativa própria ou em parceria, deve promover ações e edições especiais em favor do desenvolvimento humano, engajando-se em campanhas públicas e projetos sociais, ou seja, atuando no campo da responsabilidade social e da cidadania empresarial.
  • 22. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
    • BRITO E SILVA, Valéia Getúlio. Direitos Humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais: construção, ação e debate. In: Direitos Humanos e Cotidiano. LIMA, Ricardo Barbosa (cord). Goiânia: Bandeirantes, 2001.
    • COMPARATO, Fábio Konder. A nova cidadania. Revista Lua Nova, São Paulo, n.28-29, Centro de Estudos Contemporâneos, 1993.
    • COSTA, Sérgio. Contextos da construção do espaço público no Brasil. São Paulo: Novos Estudos CEBRAP, 1997. n.47.
    • COSTA, Sérgio. Do simulacro e do discurso: esfera pública, meios de comunicação de massa e sociedade civil. Revista Comunicação e Política. n.5, v.4, 1995.
    • EKSTEROWICZ, Anthony J. et al. Jornalismo público e conhecimento público. In: TRAQUINA, Nelson. Revista de comunicação e linguagem. Lisboa: Relógio d’água, 2000.
    • DAGNINO, Evelina (org.) Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania. In: Os anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1994.
    • FERNANDES, Adélia Barroso. A mídia e os fluxos comunicativos do espaço público. Revista Geraes da comunicação social da UFMG, Belo Horizonte: UFMG, 2000.
    • ______. Jornalismo e cidadania: configurações da luta por direitos legais dos doentes mentais nos espaços públicos. In: BARBOSA, Marialva. Estudos de Jornalismo II. Campo Grande: INTERCOM, 2001.
    • FERNANDES, Rubem César. O que é o terceiro setor? In: IOSCHPE, Evelyn Berg. 3º setor desenvolvimento social sustentado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
    • GOHN, Maria da Glória. Os Sem Terra, ONGs e Cidadania. São Paulo: Cortez, 2000.
    • ______. Teorias dos Movimentos Sociais. São Paulo: Loyola, 1997.
    • ______. História dos movimentos e lutas sociais. A construção da cidadania brasileira. São Paulo: Loyola, 1995.
    • HABERMAS, Jurgen. Direito e democracia. entre faticidades e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. v.II. Cap. VIII.
    • MAIA, Rousiley Celi M. Dos dilemas da visibilidade midiática para a deliberação pública. In: LEMOS, André (org). Mídia.BR. Porto Alegre: Sulina, 2004.
    • NAVES, Rubens. Novas possibilidades para o exercício da cidadania. PINSKY, Jaime e PINSKY, Carla Bassanezi. História da Cidadania. São Paulo: contexto, 2003
    • SILVA, Luiz Martins da. Jornalismo Público: o social como valor-notíca. In: FRANÇA, Vera (org). Livro da Compós 2002. Porto Alegre: Sulina, 2003.
    • TRAQINA, Nelson. O estudo do jornalismo no século XX. São Leopoldo: Unisinos, 2001.
    • VIEIRA, Liszt. Cidadania e globalização. Rio de Janeiro: Record, 1999.