Apostila de Libras - História e educação

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  • preciso urgente saber quem é o autor desta apostila para incluir em um trabalho
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Apostila de Libras - História e educação

  1. 1. SUMÁRIO LIBRAS A SURDEZ ...................................................................................... LIBR 07 CAUSAS DA SURDEZ ........................................................ LIBR 13 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO............................................ LIBR 19 A IMPORTÂNCIA DA AUDIÇÃO PARA AQUISIÇÃO DALÍNGUA ORAL ................................................................................................................ LIBR 21 A LINGUAGEM E SUA IMPORTÂNCIA .......................................... LIBR 27 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ............................................ LIBR 33 LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS ................................. LIBR 35 APARATO LEGAL – A SURDEZ E A INCLUSÃO ........................... LIBR 41 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ............................................ LIBR 47 A EDUCAÇÃO BÍLINGÜE PARA SURDOS ................................... LIBR 49 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO ................. LIBR 57 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ..................................... LIBR 63 OATENDIMENTOESCOLARPARAOALUNOCOMSURDEZ...... LIBR 65 A ESCRITA DO SURDO ................................................................. LIBR 69 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO ............................................ LIBR 75 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15.
  2. 2. REFERÊNCIA CRUZADA Libras APOSTILA INTERNET ATIVIDADE ASSUNTO ATIVIDADE ASSUNTO 1 A SURDEZ 1 Vídeoaula 1 2 CAUSAS DA SURDEZ 2 Vídeoaula 2 3 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO 3 Auto-avaliação 4 A IMPORTÂNCIA DA AUDIÇÃO PARA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ORAL 4 Vídeoaula 3 5 A LINGUAGEM E SUA IMPORTÂNCIA 5 Vídeoaula 4 6 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO 6 Auto-avaliação 7 LIBRAS - LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS 7 Vídeoaula 5 8 APARATOLEGAL- ASURDEZEAINCLUSÃO 8 Vídeoaula 6 9 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO 9 Auto-avaliação 10 A EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARASURDOS 10 Vídeoaula 7 11 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 11 Vídeoaula 8 12 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO 12 Auto-avaliação 13 O ATENDIMENTO ESCOLAR PARA O ALUNO COM SURDEZ 13 Vídeoaula 9 14 A ESCRITA DO SURDO 14 Vídeoaula 10 15 SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO 15 Auto-avaliação
  3. 3. LIBR – 7 Libras ATIVIDADE 1A SURDEZ OBJETIVO Contextualizar a disciplina no universo da educação. TEXTO Segundo dados do Mec e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo de 2000, estima-se que haja no Brasil cerca de 520 mil surdos com até 17 anos. Estamos, portanto, longe de considerarmos a surdez uma questão para ser relegada a segundo plano. Por ser a audição essencial para a aquisição da língua falada, podemos imaginar o quanto sua ausência traz de prejuízos para a pessoa com surdez. A surdez não é apenas a perda auditiva orgânica, física, mas está totalmente relacionada a questões sociais, pois somos constituídos por nossa história, nossas experiências e a ausência de uma língua afetam de forma significativa a leitura do mundo desde o relacionamento mãe/bebê. Problemas psicológicos também permeiam todas as experiências durante a vida da pessoa com surdez, basta observarmos que a grande maioria das crianças surdas são filhas de pais ouvintes, o que nos leva a refletir que o fato de receber um diagnóstico de seu filho, leva a família a um período de aceitação e adaptação, que chamamos de período de “luto”, e que pode se prolongar até a conscientização e superação de muitos entraves, passando, então, para o período da “luta”, da busca de recursos necessários para a criança. Enquanto esse processo se desenvolve, normalmente a criança tem seus estímulos reduzidos ao invés de uma estimulação precoce, tão importante para a sua experiência e aprendizagem. O surdo necessita de muitos estímulos visuais e também táteis para melhor ler e compreender o mundo que o rodeia. A título de ilustração, observemos a fala de Sarah Elizabeth, mãe de uma criança surda, referenciada por Sacks (1998, p.81): Ouvimos o diagnóstico da surdez profunda de nossa filha Charlotte quando ela estava com dez meses de vida. Durante esses três últimos três anos, vivenciamos uma série de emoções: descrença, pânico e ansiedade, raiva, depressão e tristeza e, finalmente, aceitação e apreciação. À medida que nosso pânico inicial se esvaiu, ficou claro que precisávamos usar uma língua de sinais com nossa filha enquanto ela era bem nova.
  4. 4. LIBR – 8 Libras ATIVIDADE 1 Começamos as aulas de língua de sinais estudando em casa o Inglês Exato em Sinais ( Signed Exact English, SEE), uma réplica precisa em sinais do inglês falado, que a nosso ver nos ajudaria a transmitir a nossa língua, literatura e cultura inglesa à nossa filha. Sendo pais ouvintes, sentíamos esmagados pela tarefa de aprender nós mesmos uma nova língua e simultaneamente ter de ensiná-la a Charlotte, por isso, a familiaridade com a sintaxe inglesa fazia com que essa língua de sinais nos parecesse acessível, (...) Queríamos desesperadamente acreditar que Charlotte era semelhante a nós. Depois de um ano, decidimos passar da rigidez do SEE para o Inglês em Sinais (Signed English), uma língua franca que mistura o vocabulário da Linguagem Americana de Sinais, que é mais visual- mente descritiva, com a sintaxe do inglês, que é familiar (...) (mas) as complexas estruturas lineares do inglês falado não se traduzem para uma língua de sinais interessante, e por isso tivemos que reorientar o modo como pensávamos a fim de produzir sentenças visuais. Fomos iniciados nos aspectos mais vívidos e excitantes da língua de sinais: expressões idiomáticas, humor, mímica, sinais totalmente conceituais e expressão facial. (...) Agora estamos passando para a Linguagem Americana de Sinais, estudando-a com uma mulher surda que é usu- ária nativa dessa linguagem, consegue comunicar-se por sinais sem hesitação e é capaz de codificar essa linguagem para nós, ouvintes. Estamos animados e estimulados com o processo de aprender uma linguagemengenhosaesensível,quepossuiimensabelezaeimagina- ção. É uma grande alegria perceber que a comunicação de sinais por Charlotte reflete padrões visuais de pensamento. Surpreendemo-nos pensando de modo diferente a respeito de objetos físicos, e de seu lugar e movimento, graças às expressões de Charlotte. Por mais que nos esforcemos e tentamos imaginar o que representa a surdez para uma pessoa nunca vamos conseguir, pois ocorre que já trazemos em nosso “arquivo” mental todos os registros sonoros, os quais temos tido contato desde nossa vida intra-uterina. Mesmo que fiquemos surdos neste exato momento, o que chamamos de surdez pós-lingüística, não será a mesma experiência de um surdo de nascença, pois a língua já está registrada e com ela todas as experiências sonoras que tivemos anteriormente. O que significa, então, para uma pessoa nunca ter tido possibilidade de ter acesso a uma língua falada? A pessoa com surdez pré-lingüística, isto é, surdez antes
  5. 5. ATIVIDADE 1 LIBR – 9 Libras de qualquer experiência em relação à língua falada, enfrenta barreiras muitas vezes intransponíveis. Ainda, de acordo com Sacks (1998, p.22): (...) nascer surdo é infinitamente mais grave do que nascer cego, pelo menos de forma potencial. Isso porque os que têm surdez pré- linguística, incapazes de ouvir seus pais, correm o risco de ficar se- riamente atrasados, quando não permanentemente deficientes, na compreensão da língua, ao menos que se tomem providências efica- zes com toda a presteza. E ser deficiente na linguagem, para um ser humano, é uma das calamidades mais terríveis, porque é apenas pelo meio da língua que entramos plenamente em nosso estado e cultura humanos,quenoscomunicamoslivrementecomnossossemelhantes, adquirimos e compartilhamos informações. Se não pudermos fazer isso, ficaremos incapacitados e isolados, de um modo bizarro – sejam quais forem nossos desejos, esforços e capacidades inatas. E, de fato, podemos ser tão pouco capazes de realizar nossas capacidades intelectuais que pareceremos deficientes mentais. A audição é um dos sentidos mais importantes para a vida humana, pois ela abre o caminho para a linguagem oral. A pessoa surda perde parte da conecção com o mundo comunicativo, sofrendo prejuízos no seu desenvolvimento lingüístico. Em seus estudos, Vygotsky ressalta que a linguagem tem um papel essencial na organização das funções psicológicas superiores. A linguagem é o instrumento por excelência que nos faz agir, pensar e modificar nossas relações sociais. Na nossa realidade brasileira, são relativamente poucos os surdos que dominam razoavelmente a língua portuguesa, geralmente por terem tido acesso a recursos, equipamentos, metodologias, professores particulares, fonoaudiólogos, além do diagnóstico e estimulação precoces. A grande maioria dos surdos difere dessa parcela privilegiada, tendo um diagnóstico tardio e iniciando seu atendimento especializado com idade mais avançada, o que contribui para aumentar a dificuldade lingüística e seu desenvolvimento cognitivo, pois perderam o melhor momento do desenvolvimento “optimal”, de maior plasticidade das funções neuropsicolingüísticas. A surdez pode ser classificada como leve, moderada, severa ou profunda. Observe o quadro abaixo dos tipos de perda auditiva:
  6. 6. LIBR – 10 Libras ATIVIDADE 1 - LIMITE NORMAL 0 A 25 DECIBÉIS - PERDA LEVE 26 A 40 DECIBÉIS - PERDA MODERADA 41 A 70 DECIBÉIS - PERDA SEVERA 71 A 90 DECIBÉIS - PERDA PROFUNDA ACIMA DE 90 DECIBÉIS Uma pessoa com perda leve apresenta dificuldade em perceber todos os fonemas e não consegue ouvir vozes baixas ou distantes, porém ela adquirirá a língua oral normalmente. Com uma perda moderada, a pessoa deixa de perceber a palavra, por ser, justamente, o limite da percepção desta, apresentando, normalmente, atraso de linguagem. Faz-se necessário intensificar a voz para que ela seja ouvida. A pessoa com perda severa identificará apenas alguns ruídos, só percebendo a voz bem forte. Ela necessitará de muito apoio, clínico e educacional, para a aquisição da língua oral. A perda auditiva profunda é a mais grave, por privar a pessoa, totalmente, das informações auditivas. Ela precisará de um atendimento especializado tanto na área clínica, como na educacional, o mais cedo possível para que possa amenizar suas dificuldades. As mais recentes pesquisas na área da surdez apontam que o mais importante para estes casos é a aquisição da língua de sinais, para garantir o livre intercurso de pensamento e linguagem interna. A surdez, portanto, é um “Problema que Merece uma Atenção Especial”. Vejamos, então, o texto retirado do site www.boasaude.uol.com.br, desenvolvido pelo Copyright © 2000 e Health Latin America, o qual aborda o referido tema: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 10% da popula- ção mundial tem algum déficit auditivo. Já a chamada surdez severa incide em uma em cada mil pessoas nos países desenvolvidos e em quatro em cada mil pessoas nos países subdesenvolvidos. No Brasil, calcula-se que 15 milhões de homens e mulheres tenham algum tipo de perda auditiva e que 350 mil nada ouçam. O ouvido é o órgão que capta esse som, transforma-o em estímulos elétricos e os envia ao nervo auditivo, para que cheguem ao cérebro. Ali, eles são decodificados como uma palavra, ou como uma canção. Quando esse precioso mecanismo apresenta falha, surgem as defi- ciências auditivas, que podem ter vários graus e culminar na surdez total. O som é energia mecânica de vibração do ar.
  7. 7. ATIVIDADE 1 LIBR – 11 Libras A surdez tem a sua classificação de acordo com a área do ouvido que apresenta a deficiência. Quando ela está relacionada a problemas do ouvido interno, cóclea, labirinto ou nervo auditivo (que transmite as informações geradas no ouvido até o cérebro), chama-se surdez neu- rossensorial.Normalmenteédedifíciltratamentoepossuiintensidades variadas. Muitas vezes é total. Podem surgir por causas congênitas e hereditárias, ou em razão de doenças sistêmicas, drogas tóxicas para o ouvido, trauma acústico sonoro e envelhecimento. O outro tipo é a surdez de condução do som do meio externo para o ouvido interno. Tudo o que obstrui a passagem do som, como “rolhas” de cera e as oti- tes (inflamações do ouvido), causa essa surdez, além de problemas na membrana timpânica ou nos ossinhos do ouvido que ampliam o som. Podemos citar ainda nesse grupo a surdez transitória, que acontece quando se está gripado ou se desce a serra ou, ainda quando se viaja de avião. Felizmente, na maior parte dos casos, a surdez de condução pode ser revertida por meio de tratamentos clínicos ou cirúrgicos. Caso a deficiência auditiva seja unilateral, causará poucos problemas, pois há a compensação do outro lado. Se atingir os dois ouvidos e, dependendo do grau, causará dificuldades sociais e de comunicação. No idoso, costuma gerar isolamento, o que pode levar à depressão e a problemas no trabalho e de relacionamento. Na criança, se a deficiência aparece já nos primeiros anos de vida, poderá causar distúrbios ou atrasos na aquisição da linguagem, além de problemas no desenvolvimento intelectual e de aprendizado. A de- tecção e a correção da doença devem ocorrer o quanto antes. Importante ressaltarmos que o artigo acima trata a surdez de uma forma clínica. REFERÊNCIAS CALOR provoca inflamação do ouvido. Revista Gente Ciente, Campinas, fev.2006. SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. BRASIL. Cadernos da TV Escola. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/SED, 2001. BRASIL. Libras em contexto: curso básico. Brasília: MEC/SEESP, 2001. JUNIOR, M.J.M. As origens sociais e políticas da noção de cultura surda na cidade do Rio de Janeiro. Espaço informativo técnico científico do INES, n. 21. Rio de Janeiro: INES, 2004.
  8. 8. LIBR – 12 Libras ATIVIDADE 1 ANOTAÇÕES
  9. 9. LIBR – 13 Libras ATIVIDADE 2CAUSAS DA SURDEZ OBJETIVO Fundamentar as causas da surdez. TEXTO São várias as causas da surdez, sendo que elas podem ser congênitas ou adquiridas. Entre as causas congênitas existem as pré-natais e as perinatais. São causas pré-natais: a hereditariedade, a má formação do ouvido, infecções maternas (rubéola, sífilis, caxumba, toxoplasmose), desnutrição, drogas, medicamentos ototóxicos e radiações. As causas peri-natais podem ser: anoxia, traumatismo, prematuridade, incompatibilidade do fator RH (mãe x bebê), doença hemofílica do recém-nascido. Já as causas adquiridas, pós-natais, estas podem ser: otite média, infecções viróticas (caxumba, sarampo, encefalite, meningite), tumores intracranianos, trauma acústico, medicamentos ototóxicos, presbiacusia, perfuração do tímpano, obstrução tubária e otosclerose. (Perfuração do tímpano, obstrução tubária e tumores intracranianos) As formas de prevenção são de suma importância, pois muitos tipos de surdez podem ser evitados. Mais uma vez recorramos às orientações do texto “Formas de Prevenção”, retirado do Copyright© 2000 e Health Latin America: A prevenção é a palavra-chave, pois é possível prevenir alguns tipos de surdez, um exemplo: a rubéola é a doença contagiosa que ataca gestantes nos primeiros meses de gravidez e pode afetar seriamente o desenvolvimentonormaldoaparelhoauditivodofetoecausarasurdez infantil. São instrumentos de prevenção: a vacina contra a rubéola em mulheres antes da gravidez; o tratamento de doenças como a sífilis, a toxoplasmose e o citomegalovírus; a imunização contra a meningite meningocócica; o tratamento adequado de otites na infância; e a pre-
  10. 10. LIBR – 14 Libras ATIVIDADE 2 cauçãonousodemedicamentospotencialmentetóxicosparaoouvido. Infelizmente, poucos hospitais e maternidades hoje fazem exame de audição em recém-nascidos. Ele é importante porque, se a deficiência auditiva não for percebida a tempo, causará alterações no desenvolvi- mento normal das vias auditivas cerebrais por falta de estimulação. Em casa e na escola, é importante observar o comportamento da criança. Atrasos no desenvolvimento da linguagem e da comunicação, alte- rações de comportamento, dificuldade no aprendizado e isolamento são indícios que pedem exames. Nas empresas e indústrias, testes de audição periódicos e proteção de ouvido para empregados expostos a muito barulho ajudam a prevenir a surdez ocupacional, relacionada a ruídos em ambiente de trabalho. De modo geral deve-se evitar a exposição a ruídos que agridem o ouvido. Os especialistas no assunto lembram que a surdez de condução pode ser tratada com medicamento ou cirurgia. Já a surdez neurossensorial dificilmente tem solução. Por isso, é necessário que se procure um especialista a qualquer sinal de perda de audição. Um diagnóstico precoce do problema pode impedir a progressão da surdez e, em casos raros, saná-la. Na presbiacusia (surdez do idoso), a perda de audição se deve ao desgaste provocado pelo envelhecimento. Nos casos em tratamento, a melhor opção para recuperar a audição é a prótese auditiva (aparelho de surdez). É fundamental ainda ressaltar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do problema auditivo, na infância, como forma de evitar que crianças tenham seu desenvolvimento afetado pela surdez. Podemos, assim, perceber a enorme importância da prevenção da surdez, como também do diagnóstico precoce para a atuação em cada caso de forma mais efetiva. Vale lembrarmos que através de artigo recente veiculado pela revista Gente Ciente intitulado “Calor provoca inflamação do ouvido” temos a possibilidade de avaliarmos as conseqüências do calor para a nossa audição, tendo, também, acesso a orientações sobre os cuidados necessários para a conservação de uma boa saúde auditiva. Vejamos um trecho do artigo: Com o aumento da temperatura, as praias e as piscinas são os locais prediletos para um banho refrescante. Nesses casos, o resultado pode ser o aumento das inflamações e infecções no ouvido, conhecidas como otite externa – um tipo de infecção que acomete o canal externo do órgão auditivo. Por ser quente, úmido e escuro, o canal pode facilmente inflamar-se ou infectar-se com fungos ou bactérias
  11. 11. LIBR – 15 Libras ATIVIDADE 2 (...) Afeta tanto adultos como crianças e deve ser diferenciada da otite média aguda, que apresenta uma incidência maior nos meses de in- verno e nas crianças (até os seis anos de vida). Quando o ambiente está úmido e quente, o contato constante com a água (muitas vezes imprópria para o banho), pode modificar o re- vestimento do canal auditivo externo gerando descamação e prurido (coceira). Como reação imediata, muitas pessoas costumam coçar o ouvido, e utilizam os mais variados objetos (cotonetes, tampas de caneta, agulhas de tricô, etc) o que pode causar sérios traumas no revestimento interno do ouvido. Estas microrrupturas na pele servem, então, como ótimas portas de entrada para microrganismos que po- dem causar infecções locais ou infecções mais importantes atingindo áreas vizinhas (...) (...) é preciso tomar muito cuidado com alguns tratamentos ou métodos caseiros: nunca pingue nada no ouvido. Algumas pessoas costumam utilizar álcool ou vinagre. Este tratamento pode causar desidratação da pele, predispondo a infecção (...) o ideal é que antes de praticar espor- tes aquáticos, a pessoa procure um otorrinolaringologista para ver se está tudo correto com o ouvido. Depois da piscina e da praia, se ficar uma sensação de que existe água dentro do ouvido é um sinal de que algo não está bem. Tente secar o ouvido com um secador de cabelo, posicionado a uns 10 centímetros de distância da orelha, selecionando uma temperatura e um jato de ar moderado. Caso permaneça a sen- sação de molhado e entupido, procure um otorrinolaringologista. Os sintomas mais comuns de otite externa são: dor de ouvido que piora quando a orelha é pressionada ou puxada; a coceira no canal externo, saída de secreção, inchaço e diminuição da audição. O tratamento inclui uma limpeza cuidadosa do canal auditivo externo, que deve ser
  12. 12. LIBR – 16 Libras ATIVIDADE 2 feita por um otorrinolaringologista. Habitualmente, são receitados me- dicamentostópicoseanalgésicos.Osmédicosnãorecomendamouso de xampu, sabão e outros agentes que irritam o canal, ou de hastes de diferentes espécies para manipular o ouvido (com o uso de cotonetes). Também, durante o período de inflamação, não é recomendado pra- ticar natação. Nunca pingue nada no ouvido sem o consentimento do seu otorrinolaringologista. Para prevenir a otite externa recorrente é preciso, em alguns casos, o uso de medicação, além de cuidados locais realizados em um consul- tório. É recomendável também não nadar em águas poluídas. Sempre que tiver dor de ouvido, procure um otorrinolaringologista, pois existem outras doenças que podem estar associadas à otite externa. Somente um especialista poderá orientá-lo. Como pudemos ver, essas orientações são esclarecedoras e nos conscientizam quanto aos problemas que podem afetar o nosso órgão da audição, ocasionando, muitas vezes, sérios comprometimentos. O OUVIDO - O ÓRGÃO DA AUDIÇÃO O ouvido é o órgão responsável pela captação dos sons e, conseqüentemente, pela aprendizagem da língua falada e esta se torna seriamente comprometida na pessoa com surdez por não acontecer de forma natural. Por isso que a surdez é vista como a perda que mais aliena o indivíduo, pois ela está diretamente ligada à comunicação. O ouvido humano está dividido em três partes: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno. O ouvido externo é composto pelo pavilhão auricular (orelha), e pelo canal auditivo. O ouvido médio é constituído pela membrana timpânica e pelo martelo, bigorna e estribo, que são três ossículos minúsculos. É no ouvido interno que se encontra a cóclea, a parte mais importante do ouvido, por ser a responsável pela percepção auditiva, e os canais semicirculares. (Ouvido externo, médio e interno)
  13. 13. LIBR – 17 Libras ATIVIDADE 2 FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO O som chega até nosso ouvido através de ondas sendo captadas pelo pavilhão auditivo e seguindo pelo canal auditivo. Quando ele chega ao ouvido médio, passa então a ter um movimento mecânico, fazendo a membrana timpânica vibrar, e esta por sua vez movimenta o martelo, a bigorna e o estribo. A partir daí, o estribo empurra a janela oval, sai pela membrana da janela circular pondo em movimento o fluído que fica no ouvido interno, passando então a ser uma mensagem elétrica. No labirinto membranoso, as terminações pilosas auditivas mandam a mensagem ao cérebro onde as vibrações serão identificadas e ouvidas. É interessante percebermos a delicadeza e perfeição de todo esse processo, para que possamos reconhecer e distinguir cada som que identificamos. Vejamos a descrição desta fisiologia retirada da enciclopédia wikipédia: Oouvidoouorelhahumananormalpodedistinguircercade400.000sons diferentes,algunsfracososuficienteparamoveramembranatimpânica tão pouco quanto um décimo da molécula de hidrogênio. O ouvido hu- mano registra sons que vão desde 20 Hz (Hertz) até 20.000 Hz. Um exemplo dessa propriedade é que uma pessoa pode ouvir desde o som de um mosquito numa tarde silenciosa de verão ou de um avião a jacto que aparece a voar no céu. Aqui estão dois sons diferentes tanto em intensidade como em características, que o sentido da audição humano pode reconhecer e rotular. Aaudiçãofuncionadaseguintemaneira:osompropaga-seproduzindo ondas sonoras que se deslocam até atingir a orelha. O mecanismo da audição transforma estas ondas em sinais elétricos que transmite como mensagens, através do nervo auditivo para o nosso cérebro que as interpreta. O aparelho auditivo humano é dividido em três partes cada uma com suas funções próprias sendo as três indispensáveis para o bom fun- cionamento da audição: ouvido externo ou orelha, ouvido médio e ouvido interno. REFERÊNCIAS CALOR provoca inflamação do ouvido. Revista Gente Ciente, Campinas, fev.2006.
  14. 14. LIBR – 18 Libras ATIVIDADE 2 SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. BRASIL. Cadernos da TV Escola. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/SED, 2001. BRASIL. Libras em contexto: curso básico. Brasília: MEC/SEESP, 2001. JUNIOR, M.J.M. As origens sociais e políticas da noção de cultura surda na cidade do Rio de Janeiro. Espaço informativo técnico científico do INES, n. 21. Rio de Janeiro: INES, 2004. ANOTAÇÕES
  15. 15. LIBR – 19 Libras ATIVIDADE 3SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO TEXTO Nesta primeira matéria faremos uma rápida reflexão sobre o real significado da surdez para uma pessoa, com suas devidas conseqüências. O Brasil apresenta um alto índice de pessoas com surdez ou com algum tipo de perda auditiva, o que nos leva a refletir sobre a necessidade da garantia ao respeito de seus direitos para que possam exercer com dignidade sua cidadania. Para que a língua oral seja desenvolvida de forma satisfatória, é necessário que tenhamos a audição preservada e em bom estado. E é essa língua oral que dará todo embasamento para a língua na modalidade escrita. Podemos deduzir, então, toda a problemática que a surdez acarretará ao indivíduo, principalmente em se tratando de uma surdez pré-lingüística. Se a criança não for estimulada, o quanto antes, poderá ter sérios comprometimentos, pois por ser a linguagem essencial para o nosso desenvolvimento como seres humanos, sua deficiência a afastará de toda a comunicação, acesso a informações, troca de experiências, enfim, do estado de cultura do homem. Não é apenas a questão da fala, propriamente dita, que envolve a pessoa surda, pois várias outras áreas como a emocional, psicológica, social e cognitiva poderão sofrer comprometimentos, se não tivermos um diagnóstico precoce para uma estimulação correta. Dependendo da perda auditiva, a qual é medida em decibéis, ela poderá ser classificada em leve, moderada, severa e profunda e, para cada uma delas, devemos atuar na estimulação de forma diferenciada. CAUSAS DA SURDEZ As causas da surdez podem ser congênitas (pré-natais ou perinatais) ou adquiridas (pós-natais). Entre as causas pré-natais a da maior incidência é a rubéola materna. Já nas causas adquiridas, a maior “vilã” é a meningite. A prevenção é indispensável, pois muitos tipos de surdez podem ser evitados. O diagnóstico precoce também é de suma importância, para que a criança possa ser atendida o mais rápido possível. O ouvido está divido em três partes: ouvido externo (pavilhão auditivo e canal auditivo), ouvido médio (membrana timpânica, martelo, bigorna e estribo) e ouvido interno (cóclea e canais semicirculares). Através da propagação do som, que produz ondas sonoras, ele chega até o pavilhão auditivo fazendo em seguida a membrana timpânica vibrar levando os ossículos a se movimentarem (de forma mecânica) e, em seguida, na janela oval, já em contato com o liquido, o estímulo passa a ser elétrico, levando a mensagem ao nervo auditivo, o qual encaminhará até a área específica do cérebro responsável pela decodificação de cada som.
  16. 16. LIBR – 20 Libras ATIVIDADE 3 ANOTAÇÕES
  17. 17. LIBR – 21 Libras ATIVIDADE 4 OBJETIVO Compreender as relações existentes entre a audição e a linguagem oral. TEXTO Para que uma criança desenvolva de modo satisfatório a língua oral, é necessário que a sua audição esteja em bom estado. Qualquer comprometimento auditivo irá afetar de modo significativo seu desenvolvimento total, tanto no aspecto da fala, propriamente dito, como também nos aspectos psicológicos e sociais. Imaginem, por exemplo, um bebê o qual a mãe ainda não saiba de sua surdez e que é deixado em um quarto escuro para adormecer. Com certeza esse bebê entrará em desespero, pois todo seu referencial é visual e ele poderá desenvolver sentimentos de abandono. Se esse fato ocorrer com freqüência poderá acarretar desequilíbrios emocionais. Enquanto a mãe não tem conhecimento das necessidades do filho surdo, ele não será tratado adequadamente, o que poderá ocasionar uma distância entre a comunicação de ambos, dificultando a integração de experiências. Mais uma vez podemos perceber a importância de um diagnóstico precoce. Assim que for diagnosticada a surdez, precisamos garantir o domínio de uma língua para proporcionar bases sólidas ao desenvolvimento cognitivo da criança. Futuramente, a aquisição do conteúdo escolar será a conseqüência desse processo e não a principal finalidade. Para que o desenvolvimento cognitivo de uma criança ocorra da melhor forma possível, é de suma importância que haja uma linguagem com a qual ela poderá mediar suas interações. Precisamos oferecer suporte imediato nos primeiros anos de vida. As crianças surdas que têm oportunidade de aprender a língua de sinais, desde cedo, além de conseguirem construir uma linguagem mais elaborada, se mostram mais atentas, receptivas e emocionalmente mais equilibradas. Vejamos o que nos diz o seguinte trecho de Oliver Sacks: A mãe, ao que me parece, detém um poder tremendo: comunicar-se apropriadamente com o filho ou não; introduzir perguntas que induzam à investigação, do tipo “Como?” “Por quê?” e “E se?” ou substituí-las por um monólogo indiferente composto de “ O que é isso?” e “ Faça A IMPORTÂNCIA DA AUDIÇÃO PARA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ORAL
  18. 18. LIBR – 22 Libras ATIVIDADE 4 isso.; transmitir um senso de lógica e causalidade ou deixar tudo ao ní- vel obtuso do inexplicável; introduzir um vívido senso de lugar ou tempo ou referir-se apenas ao aqui e agora; introduzir uma “ reflexão genera- lizada sobre a realidade”, um mundo conceitual que dará coerência e significado à vida e instigará a mente e as emoções da criança, ou dei- xar tudo no nível do não-generalizado, do não-questionado algo quase abaixo do nível perceptivo do animal. As crianças, ao que parece, não podem escolher o mundo em que desejam viver – nem o mundo físico nem o mundo mental e emocional; dependem, no princípio, do que lhes apresentar a mãe. Não é só a língua que deve ser introduzida, mas também o pensamento. Caso contrário, a criança permanecerá inapelavelmente presa a um mundo concreto e perceptivo (...) Os artigos abaixo, retirados, respectivamente, dos sites www.bradex.com.br e www.fonoaudiologos.net, vêm oferecer-nos mais informações a respeito da importância da audição para a aquisição da língua oral. A audição é considerada um dos sentidos essenciais ao desenvol- vimento global do ser humano, principalmente quanto aos aspectos lingüísticos e psicossociais. Inclusive, esta habilidade em ouvir já se inicia nos últimos meses de vida uterina. Os primeiros anos de vida da criança são considerados períodos críticos, pois propiciam, devido ao processo de maturação das vias auditivas centrais, o desenvolvimento da linguagem oral e das habilidades auditivas. Pensando justamente na estreita relação que a audição e a linguagem oral possuem e também no quanto à linguagem oral é parte integrante em todos os momentos da nossa vida diária, e que tal habilidade so- mente se desenvolverá se o sistema auditivo como um todo possuir completa integridade tanto a nível periférico como central, é de suma importância que o diagnóstico precoce da deficiência auditiva, assim como a intervenção fonoaudiológica seja enfatizada. Uma perda de audição pode ser considerada como qualquer diminui- çãonacapacidadedeouvire/oudetectarumsomdefalaouambiental, sendo que esta independe da causa, tipo ou grau. Pode ser causada em diferentes momentos da vida do indivíduo, ou seja, durante a gestação ou parto e após o nascimento. No entanto, quanto antes for diagnosticada, menos danos serão causados ao desenvolvimento da fala, social, escolar e psicológico da criança.
  19. 19. LIBR – 23 Libras ATIVIDADE 4 A ocorrência da perda auditiva é muito mais comum do que aparenta. Segundo pesquisa realizada por White, Vohr e Behrens (1993) há uma prevalência de 5,95 crianças com perda de audição neurossensorial e 20 com perda condutiva para cada 1000 neonatos nascidos vivos. A observação, pelos pais e/ou profissionais, de alguns aspectos refe- rentes à função auditiva podem colaborar propiciando um diagnóstico precoce, mas para que isso seja realmente possível, é importante que os pais saibam como seus filhos podem, de acordo com a sua faixa etária,responderoucomportar-seaosestímulossonoros,equaissons são mais fáceis de serem notados por apresentarem uma intensidade mais elevada ou uma freqüência específica. Mediante o diagnóstico da deficiência auditiva é fundamental que esta criança inicie um trabalho terapêutico com um fonoaudiólogo a fim de que este profissional possa trabalhar as habilidades auditivas otimizando a sua audição residual através do uso de um aparelho de amplificação sonora, enfatizando para os pais a importância que possuem neste processo de reabilitação e também o quanto às vi- vências proporcionadas a esta criança facilitarão todo o trabalho a ser desenvolvido. A utilização do aparelho auditivo irá possibilitar o desenvolvimento e aquisição da linguagem oral de forma funcional à vida em sociedade, já que irá melhorar os sons ouvidos pela criança tanto pela qualidade quanto pela quantidade, principalmente dos sons da fala, deixando-os o mais próximo possível do espectro da fala. Vejamos, agora, o que nos diz o segundo texto, escrito por Suelen Sabrina Teixeira Martins: Aaudiçãoéumdossentidosmaisimportantesparaavidahumana.Éa chave para a linguagem oral e uma forma de sentir o mundo. Podemos perceber que sem ela, o indivíduo perde parte do mundo real, podendo ter problemas emocionais e sociais. Qualquer indivíduo que não é exposto à estimulação auditiva nos primeiros anos de vida apresentará uma defasagem em seu desen- volvimento lingüístico. A prevenção da perda auditiva é uma forma de proteger e impedir que o indivíduo sofra as conseqüências da falta de estimulação auditiva sobre a função da linguagem.
  20. 20. LIBR – 24 Libras ATIVIDADE 4 Os primeiros anos de vida têm sido considerados como o período crí- tico para o desenvolvimento das habilidades auditivas e da linguagem. Esse é o período de maior plasticidade neuronal da via auditiva, ou seja, quando a audição mais se desenvolve. Nesse período, o siste- ma nervoso auditivo central pode ser modificado de maneira positiva ou negativa, dependendo da quantidade e qualidade dos estímulos sonoros captados. O diagnóstico audiológico realizado durante o primeiro ano de vida possibilita a intervenção médica e/ou fonoaudiológica, ainda nesse período crítico, permitindo um prognóstico mais favorável em relação ao desenvolvimento global da criança. Em 1994, o Comitê Americano sobre Perdas Auditivas (Joint Com- miteeon Infant Hearing) elaborou uma lista de fatores de risco para a deficiência auditiva para bebês, entre eles: • antecedentes familiares de perda auditiva hereditária; • consangüinidade materna; • infecções congênitas (rubéola, sífilis, citomegalovírus, herpes e toxoplasmose); • peso de nascimento inferior a 1.500g; • hiperbilirrubinemia; • medicação ototóxica (aminoglicosídios, associação com diuréticos, agentes quimioterápicos); • meningite bacteriana; • ventilação mecânica e permanência na incubadora por mais de sete dias; • alcoolismo materno ou uso de drogas psicotrópicas na gestação, entre outros.
  21. 21. LIBR – 25 Libras ATIVIDADE 4 As crianças consideradas de risco para a deficiência auditiva devem ser submetidas a uma avaliação auditiva denominada Exame da Ore- lhinha. Este exame ainda não é oferecido pelo SUS, sendo realizado apenas em clínicas particulares. Mas dada à importância dele, já existe um projeto de lei onde solicita que ele se torne obrigatório assim como o Exame do Pezinho. No Brasil, a deficiência auditiva tem sido detectada muito tardiamente, impedindo uma melhor qualidade de vida para a criança com defici- ência auditiva. É necessária uma maior conscientização por parte dos profissionais, que entram em contato primeiramente com o recém- nascido, para que eles possam auxiliar na detecção precoce da defi- ciência auditiva, fazendo a identificação dos bebês de alto risco. Além disso, o fonoaudiólogo é o profissional capacitado e habilitado dentro dessa área, para poder ajudar essa criança no processo de aquisição de linguagem. Cada vez se torna mais evidente a importância do diagnóstico precoce para a intervenção, o mais cedo possível, para que comprometimentos possam ser amenizados ou até mesmo evitados, conforme o caso. REFERÊNCIAS CALOR provoca inflamação do ouvido. Revista Gente Ciente, Campinas, fev.2006. SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. BRASIL. Cadernos da TV Escola. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/SED, 2001. BRASIL. Libras em contexto: curso básico. Brasília: MEC/SEESP, 2001. JUNIOR, M.J.M. As origens sociais e políticas da noção de cultura surda na cidade do Rio de Janeiro. Espaço informativo técnico científico do INES, n. 21. Rio de Janeiro: INES, 2004. ANOTAÇÕES
  22. 22. LIBR – 26 Libras ATIVIDADE 4 ANOTAÇÕES
  23. 23. LIBR – 27 Libras ATIVIDADE 5 OBJETIVO Estudar sobre a comunicação entre os indivíduos. TEXTO Segundo Piaget, “a linguagem é um sistema para representar a realidade tornando possível a comunicação entre os indivíduos, a transmissão de informações e a troca de experiências”. A linguagem tem função fundamental na vida de qualquer pessoa. É ela que nos constitui como sujeitos, como seres humanos capazes de interagirmos com o meio. É através dela que nos tornamos sujeitos participantes do mundo, podendo interagir e desenvolver social, emocional, cognitivamente e é a palavra que dá forma à atividade mental, nos motivando e levando a raciocinar, a abstrair, a discutir, enfim, a expressar nossas idéias. As relações sociais são mediadas pela linguagem, a educação é mediada pela linguagem e para termos acesso à língua escrita, precisamos ter certo domínio da língua falada. Partindo deste pressuposto podemos entender por que, muitas vezes, o surdo se torna alienado no mundo, pois privado da linguagem ele sofrerá inúmeras perdas. A criança ouvinte desenvolve e adquire a língua desde a mais tenra idade, pois está constantemente exposta a ela, tendo o canal receptivo, o ouvido, preservado aprende e interage com os pais e pessoas com as quais convive, de um modo natural. Desde muito cedo o bebê ouvinte começa a brincar com os sons que produz no balbucio e por ter retorno auditivo ele sente prazer nesta “brincadeira”, que já é um treino para o desenvolvimento da futura fala. Já o bebê surdo vai perdendo a interação, a conversa com a mãe do dia-a-dia e por não possuir retorno auditivo, apesar de iniciar a fase do balbucio, ele a interrompe precocemente por falta de estímulos. Para que se estabeleça uma comunicação com o bebê surdo e faça com que ela flua naturalmente é necessário fazermos uso de outros estímulos que envolvam o campo visual, por ser a visão o seu canal receptor. Várias pesquisas comprovam que a melhor maneira de favorecer esta A LINGUAGEM E SUA IMPORTÂNCIA
  24. 24. LIBR – 28 Libras ATIVIDADE 5 comunicação, o desenvolvimento da linguagem e aquisição de uma língua é através da língua brasileira de sinais (LIBRAS), o mais cedo possível, por ser a maneira de mais fácil assimilação e mais acessível ao surdo. É importante que a criança surda seja exposta em um ambiente lingüístico informal, em língua de sinais, para que ative mecanismos lingüísticos, os quais favorecerão na formação de sua consciência através da interação, onde seus questionamentos e suposições possam ser esclarecidos para a construção e estruturação de seus pensamentos. É interessante observarmos que a criança ouvinte, quando chega à idade escolar, já é possuidora do conhecimento e manejo da língua oral, sendo apenas necessário envolvê-la no processo de decodificação da língua escrita e do letramento. Por outro lado, na nossa realidade, na maioria das vezes, o aluno surdo chega à idade escolar sem conhecer e utilizar língua alguma, nem a língua falada, nem a língua de sinais. Vejamos o que nos diz Sacks sobre esse assunto. A língua deve ser introduzida e adquirida o mais cedo possível, senão seu desenvolvimento pode ser permanentemente retardado e prejudi- cado,comtodososproblemasligadosàcapacidadede“proposicionar” mencionados por Hughlings-Jackson. No caso dos profundamente surdos, isso só pode ser feito por meio da língua de sinais. Portanto, a surdez deve ser diagnosticada o mais cedo possível. As crianças surdas precisam ser postas em contato primeiro com pessoas fluentes na língua de sinais, sejam seus pais, professores ou outros. Assim que a comunicação por sinais for aprendida – e ela pode ser fluente aos três anos de idade -, tudo então pode decorrer: livre intercurso de pensamento,livrefluxodeinformações,aprendizadodaleituraeescrita e, talvez, da fala. Não há indícios de que o uso de uma língua de sinais iniba a aquisição da fala. De fato, provavelmente ocorra o inverso. Refletindo sobre essa realidade não é difícil percebermos a defasagem que acompanha o nosso aluno com surdez. Cabe a nós a responsabilidade de oferecer orientações às famílias no sentido de esclarecer a importância da comunicação nos primeiros anos de vida. Fazendo uso das palavras de Sacks (1998) “um ser humano não é desprovido de mente ou mentalmente deficiente sem uma língua, porém está gravemente restrito no alcance de seus pensamentos, confinado, de fato, a um mundo imediato, pequeno”. Reflitamos sobre o texto abaixo (BRASIL, 1997), que aborda questões relacionadas à linguagem e à surdez. A linguagem permite ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o que sente, registrar o que conhece e comunicar-se com outros ho-
  25. 25. LIBR – 29 Libras ATIVIDADE 5 mens.Elamarcaoingressodohomemnacultura,construindo-ocomo sujeito capaz de produzir transformações nunca antes imaginadas. Apesar da evidente importância do raciocínio lógico-matemático e dos sistemas de símbolos, a linguagem, tanto na forma verbal, como em outras maneiras de comunicação, permanece como meio ideal para transmitir conceitos e sentimentos, além de fornecer elementos para lançar, explicar e expandir novas aquisições de conhecimento. A linguagem, prova clara da inteligência do homem, tem sido objeto de pesquisa e discussões. Ela tem sido “um campo fértil” para estudos referentesàaptidãolingüística,tendoemvistaadiscussãosobrefalhas decorrentes de danos cerebrais ou de distúrbios sensoriais, como a surdez. Com os estudos do lingüista Chomsky (1994), obteve-se um melhor entendimento acerca da linguagem e do seu funcionamento. Suas considerações partem do fato de que é muito difícil explicar como a linguagempodeseradquiridadeformatãorápidaetãoprecisa,apesar das impurezas nas amostras de fala que a criança ouve. Chomsky, juntocomoutrosestudiosos,admite,ainda,queascriançasnãoseriam capazes de aprender a linguagem, caso não fizessem determinadas suposições iniciais sobre como o código deve ou não operar. E acres- centa que tais suposições estariam embutidas no próprio sistema nervoso humano. A palavra tem uma importância excepcional no sentido de dar forma à atividade mental e é fator fundamental de formação da consciência. Ela é capaz de assegurar o processo de abstração e generalização, além de ser veículo de transmissão do saber. Os indivíduos “normais” parecem utilizar, em sua linguagem, os dois processos: o verbal e o não verbal. A surdez congênita e pré-verbal pode bloquear o desenvolvimento da linguagem verbal, mas não im- pede o desenvolvimento dos processos não-verbais. Afasedezeroacincoanosdeidadeédecisivaparaaformaçãopsíqui- cadoserhumano,umavezqueocorreoativamentodasestruturasina- tas genético-constitucionais da personalidade, e a falta do intercâmbio auditivo-verbal traz para o surdo prejuízos ao seu desenvolvimento.
  26. 26. LIBR – 30 Libras ATIVIDADE 5 A teoria sobre a base biológica da linguagem admite a existência de um substrato neuroanatômico, no cérebro, para o sistema da lingua- gem, portanto todos os indivíduos nascem com predisposição para a aquisição da fala. Nesse caso, o que se deduz é a existência de uma estrutura lingüística latente responsável pelos traços gerais da gramática universal (universais lingüísticos). A exposição a um am- biente lingüístico é necessária para ativar a estrutura latente e para que a pessoa possa sintetizar e recriar os mecanismos lingüísticos. As crianças são capazes de deduzir as regras gerais e regularizar os mecanismos de uma conjugação verbal, por exemplo. Dessa forma, utilizam as formas “eu fazi”, “eu di” enquadrando-os nas desinências dos verbos regulares - eu corri, eu comi. As crianças “ditas normais” e também um grande número de crianças “com necessidades especiais” aprendem a língua de uma forma se- melhante e num mesmo espaço de tempo. No entanto, não se podem esquecer as diferenças individuais. Essas são encontradas nos tipos de palavras que as crianças pronunciam primeiro. Algumas emitem nomes de coisas, enquanto outras, evitando substantivos, preferem exclamações. Outras, ainda, expressam automaticamente os elemen- tos emitidos pelos mais velhos. Há crianças, no entanto, que apresentam dificuldades na aquisição da linguagem. Às vezes, a dificuldade aparece, principalmente, no que se refere à percepção e à discriminação auditiva, o que traz transtornos à compreensão da linguagem. Outras vezes, a dificuldade é relativa à articulação e à emissão da voz, o que produz transtornos na emissão da linguagem. Tudo isso pode ou não ter relação com a surdez, visto que muitas crianças que apresentam dificuldades lingüísticas não têm audição prejudicada. Por exemplo: a capacidade de processar rapida- mente mensagens lingüísticas - um pré-requisito para o entendimento dafala-parecedependerdolóbulotemporalesquerdodo cérebro.Da- nos a essa zona neural ou seu desenvolvimento “anormal” geralmente são suficientes para produzir problemas de linguagem. Segundo Luria (1986), os processos de desenvolvimento do pensa- mentoedalinguagemincluemoconjuntodeinteraçõesentreacriança e o ambiente, podendo os fatores externos afetar esses processos, positiva ou negativamente. Torna-se, pois, necessário desenvolver alternativasquepossibilitemàscrianças“comnecessidadesespeciais”
  27. 27. LIBR – 31 Libras ATIVIDADE 5 meios de comunicação que as habilitem a desenvolver o seu potencial lingüístico. Pessoas surdas podem adquirir linguagem comprovando assim seu potencial lingüístico. Já está comprovado cientificamente que o ser humano possui dois sistemas para a produção e reconhecimento da linguagem: o sistema sensorial que faz uso da anatomia visual/auditiva e vocal (línguas orais) e o sistema motor que faz uso da anatomia visual e da anatomia da mão e do braço (língua de sinais). Essa é considerada a língua natural dos surdos, emitida através de gestos e com estrutura sintática própria. Na aquisição da linguagem, as pessoas surdas utilizam o segundo sis- tema porque apresentam o primeiro sistema seriamente prejudicado. Váriaspesquisasjácomprovaramquecriançassurdasprocuramcriare desenvolver alguma forma de linguagem, mesmo não sendo expostas anenhumalínguadesinais.Essascriançasdesenvolvemespontanea- mente um sistema de gesticulação manual que tem semelhança com outros sistemas desenvolvidos por outros surdos que nunca tiveram contato entre si e com as línguas de sinais já conhecidas. Existem estudos que demonstram as características morfológicas. A capacidade de comunicação lingüística apresenta-se como um dos principais responsáveis pelo processo de desenvolvimento da criança surdaemtodaasuapotencialidade,paraquepossadesempenharseu papel social e integrar-se verdadeiramente na sociedade. Entre os grandes desafios para pesquisadores e professores de sur- dos situa-se o de explicar e superar as muitas dificuldades que esses alunos apresentam no aprendizado e uso de línguas orais como é o casodaLínguaPortuguesa.Sabe-seque,quantomaiscedotenhasido privado de audição e quanto mais profundo for o comprometimento, maiores serão aquelas dificuldades. No que se refere à Língua Por- tuguesa, segundo Fernandes (1990), a grande maioria das pessoas surdas já escolarizada continua demonstrando dificuldades tanto nos níveis fonológico e morfossintático, como nos níveis semântico e pragmático. É de fundamental importância que os efeitos da língua oral portu- guesa sobre a cognição não sejam supervalorizados em relação ao desempenho do portador de surdez, dificultando sua aprendizagem e diminuindo suas chances de integração plena. Faz-se necessário, por
  28. 28. LIBR – 32 Libras ATIVIDADE 5 conseguinte, a utilização de alternativas de comunicação que possam propiciar um melhor intercâmbio, em todas as áreas, entre surdos e ouvintes. Essas alternativas devem basear-se na substituição da au- dição por outros canais, destacando-se a visão, o tato e movimento, além do aproveitamento dos restos auditivos existentes. Face ao exposto, pode-se concluir que o portador de surdez tem as mesmaspossibilidadesdedesenvolvimentoqueapessoaouvinte,pre- cisando, somente, que tenha suas necessidades especiais supridas, visto que o natural do homem é a linguagem. REFERÊNCIAS SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. BRASIL. A linguagem e a surdez, n. 4, vol. II, p. 279-282. Brasília:MEC/SEESP, 1997. (Série Atualidades Pedagógicas). BRASIL. Cadernos da TV Escola. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/SED, 2001. BRASIL. Libras em contexto: curso básico. Brasília: MEC/SEESP, 2001. QUADROS, R. M. de. Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. ANOTAÇÕES
  29. 29. LIBR – 33 Libras ATIVIDADE 6SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO TEXTO Como já analisamos na matéria anterior, a audição é indispensável para o desenvolvimento global da criança. A falta de um diagnóstico precoce de surdez, além de contribuir para o atraso do desenvolvimento da criança, dificulta o relacionamento mãe-bebê. A garantia de acesso a uma língua, no caso a de sinais, é direito de toda criança surda para que ela possa desenvolver-se cognitivamente, interagindo com o outro. No caso do bebê surdo, a melhor opção para o desenvolvimento da linguagem interna é o contato precoce com a língua de sinais. Bebês que têm tido acesso a ela têm se demonstrado mais atentos, receptivos e equilibrados. O grande agravante é que a maioria dos bebês surdos vêm de lares de pais ouvintes. Então, é essencial que se ofereça o contato com um adulto surdo, que poderá oferecer-lhe, de modo natural, o acesso à língua de sinais. Por ser a mãe, regularmente, a pessoa de maior contato com o bebê, portanto, detentora de grande poder comunicativo, é essencial que ela seja bem orientada para melhor estimulá-lo lingüisticamente. Os primeiros anos de vida é o melhor período para o desenvolvimento do processo de maturação das vias auditivas centrais, para o desenvolvimento da linguagem oral e habilidades auditivas. Portanto, a mãe precisa estar bem conscientizada das necessidades do seu filho. A LINGUAGEM E SUA IMPORTÂNCIA A comunicação entre indivíduos, a transmissão de informações e a troca de experiência são algumas das funções da linguagem mencionadas por Piaget. Por nos constituir como seres humanos capazes de interagir com o meio, a linguagem é fundamental para a vida do ser humano. É a palavra que vai dar forma a atividade mental fazendo com que, através da interação com o outro e com o meio possamos pensar, refletir, ponderar, imaginar, raciocinar, abstrair e criar. Precisamos oportunizar aos surdos, o acesso a todas essas funções, oferecendo-lhes precocemente a língua de sinais, a qual lhes dará o acesso ao desenvolvimento das atividades mentais. Para ativar seus mecanismos lingüísticos é de suma importância que a criança surda seja exposta a ambiente lingüístico informal e, conseqüentemente, após a aquisição da língua de sinais, tudo poderá decorrer de modo natural.
  30. 30. LIBR – 34 Libras ATIVIDADE 6 ANOTAÇÕES
  31. 31. LIBR – 35 Libras ATIVIDADE 7LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS OBJETIVO Apresentação e contato com a língua de sinais. TEXTO A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS foi adotada por votação em 1993 na Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo (FENEIS). Trata-se de uma língua gesto-visual por ser emitida através de “gestos” no espaço e recebida, captada através do órgão visual, os olhos. É uma língua natural, pois surgiu e se desenvolveu naturalmente entre surdos brasileiros e por possuir toda complexidade de qualquer outra língua falada, cumprindo com o mesmo objetivo, que é o de transmitir um pensamento e desenvolver a comunicação, ela é viva e autônoma. Através da utilização da língua de sinais os seus usuários podem discutir qualquer assunto. Desde a década de 60, a linguagem Libras vem sendo estudada e pesquisada por lingüistas que tem comprovado que ela possui todos os elementos classificatórios de que uma língua necessita, tais como gramática, semântica, sintaxe entre outros, recebendo, assim, o status de língua e não apenas um mero conjunto de gestos. Ao contrário do que muitos pensam, a Libras expressa tanto idéias concretas quanto abstratas e é ela que melhor satisfaz as necessidades de seus usuários. As línguas de sinais não são universais, isto é, não são a mesma no mundo todo. Justamente por ser natural e não uma língua “criada”, o que a levaria à extinção, ela possui características próprias da comunidade e cultura onde o grupo está imerso. Há diferenças dentro do próprio país, que podemos considerar como sotaques ou regionalismos. No Brasil, além de Libras, há um grupo indígena, Tupi-Kaapor, na Amazônia, que faz uso de uma outra língua de sinais, desde a década de 80, por ter na época uma incidência de surdez de 2% da totalidade de sua população.
  32. 32. LIBR – 36 Libras ATIVIDADE 7 A interação com um adulto surdo é de suma importância para que o bebê surdo desenvolva a língua de sinais, pois como qualquer outra língua, ela necessita de prática para a sua aprendizagem através de uma interação informal. Como a maioria dos surdos são filhos de pais ouvintes é importante proporcionar o contato com o surdo adulto, o mais cedo possível, para que não haja prejuízo da criança em termos lingüísticos, cognitivos e até mesmo emocionais. A Libras precisa ser a primeira língua dos surdos, pois é ela que irá oferecer oportunidade para que eles se tornem pessoas comunicadoras. Fazendo uso das palavras de Junior (2004) “A Libras seria uma resposta à necessidade de se comunicar sem o uso da audição, ou seja, uma resposta cultural encontrada pelos surdos para uma necessidade prática e específica do seu dia-a-dia”. As línguas de sinais são constituídas pela combinação de 5 (cinco) parâmetros os quais formarão os sinais propriamente dito. Estes parâmetros podem ser comparados à estruturação das línguas orais nos seus vários níveis (fonológico, morfológico, sintático e semântico). Os parâmetros são os seguintes: - Configuração das mãos: são as formas que a mão assume para executar o sinal que podem ser tanto as letras do alfabeto manual, como o de outras formas. Podemos citar como exemplo uma configuração da mão com a letra “y” para DESCULPA quando executada no queixo; TELEFONE, quando executada no ouvido; AZAR quando executada sobre o nariz. (Desculpa | Telefone | Azar) - Ponto de articulação: é o local no qual o sinal é feito. Aproveitando os exemplos acima, podemos observar que em cada palavra o sinal foi feito num ponto diferente do corpo (queixo, ouvido, nariz). - Movimento: os sinais podem ter ou não algum movimento. Nos exemplos dados acima apenas a sinalização de DESCULPA tem movimento, pois ele é feito batendo duas vezes no queixo, ao passo que os outros dois sinais são isentos de movimento.
  33. 33. LIBR – 37 Libras ATIVIDADE 7 - Direcionalidade: os sinais podem ter uma direção quando feitos. Normalmente os sinais que indicam o passado (antes, ontem, ano passado, há muito tempo atrás) são executados com movimentos para trás. Já os que indicam futuro (depois, amanhã, eterno, futuro) são feitos com movimento para frente. Podemos também citar verbos com concordância que são feitos dependendo da relação sujeito/objeto. - Expressão: Ela pode ser facial ou corporal e tem suma importância para a língua de sinais. Dependendo da expressão utilizada muda o significado do sinal. Por exemplo, o dedo indicador em riste colocado na frente dos lábios pode ser um pedido de silêncio ao passo que se executado com uma expressão mais severa, passa a ter o significado de “cale a boca!”. Também podemos notar que conforme a tensão que utilizamos para realizar o sinal combinado com a expressão facial e corporal, podemos, por exemplo, estar falando de uma simples brisa ou de um vendaval, de um simples fogo ou de um incêndio, uma garoa ou uma tempestade. É impossível falarmos de sentimentos, sem utilizarmos a expressão. Assim, o sinal é elaborado através da combinação destes cinco parâmetros. Há pessoas que acham que a língua brasileira de sinais é nossa língua portuguesa representada por sinais ou mesmo pelo alfabeto manual. Isso não é verdade, pois ela tem sua própria estrutura independente de qualquer outra língua. Os sinais podem ser icônicos ou arbitrários. Os icônicos representam a forma ou o movimento do objeto ao qual se faz referência e isso faz com que o sinal seja mais facilmente compreendido. Por exemplo, o sinal de CASA, COMER, BEBER, entre vários outros. Porém a iconicidade não é o mais importante para a construção dos sinais, como em qualquer outra língua, a tendência é a arbitrariedade do sinal (palavra). Abaixo apresentaremos outras definições e explicações do que vem ser a LIBRAS. O que é Libras (retirado do site: www.libras.org.br) Libras é a sigla da Língua Brasileira de Sinais As Línguas de Sinais (LS) são as línguas naturais das comunidades surdas. Ao contrário do que muitos imaginam, as Línguas de Sinais não são simplesmente mímicas e gestos soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação. São línguas com estruturas gramaticais próprias. Atribui-se às Línguas de Sinais o status de língua porque elas também são compostas pelos níveis lingüísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico. O que é denominado de palavra ou item lexical nas línguas oral-auditivas são denominados sinais nas línguas de sinais.
  34. 34. LIBR – 38 Libras ATIVIDADE 7 O que diferencia as Línguas de Sinais das demais línguas é a sua modalidade visual-espacial. Assim, uma pessoa que entra em contato com uma Língua de Sinais irá aprender uma outra língua, como o Francês, Inglês etc. Os seus usuários podem discutir filosofia ou política e até mesmo produzir poemas e peças teatrais. A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) tem sua origem na Língua de Sinais Francesa. As Línguas de Sinais não são universais. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que sofre as influências da cultura nacional. Como qualquer outra língua, ela também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos), o que a legitima ainda mais como língua. Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. Nas línguas de sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros que formarão os sinais. A LÍNGUA DE SINAIS BRASILEIRA (Ronice Muller Quadros) Existem diferentes línguas de sinais para cada comunidade de surdos. Como já foi mencionado, existe a língua de sinais americana que é usada por surdos dos Estados Unidos, há a língua de sinais brasileira que é usada pelos surdos dos grandes centros urbanos do Brasil e assim por diante. Os estudos da língua de sinais americana começaram na década de 50 através de uma descrição realizada por Willian Stokoe, publicada em 1965 pela primeira vez (STOKOE et al., 1976). Esse trabalho representou uma revolução social e lingüística. A partir dessa obra, várias outras pesquisas foram publicadas apresentando perspectivas completamente diferentes do estatuto das línguas de sinais (BELLUGI; KLIMA, 1972; SIPLE, 1978; LILLO-MARTIN, 1986) culminando no seu reconhecimento lingüístico nas investigações da Teoria da Gramática com Chomsky (1995:p. 434, nota 4) ao observar que o termo “articulatório” não se restringe à modalidade das línguas faladas, mas expressa uma forma geral da linguagem ser representada no nível de interface articulatório- perceptual incluindo, portanto, as línguas sinalizadas. Quase que em paralelo a esses estudos, iniciaram-se as pesquisas sobre o processo de aquisição da linguagem em crianças surdas filhas de pais surdos (MEIER, 1980; LOEW, 1984; LILLO-MARTIN, 1986; PETTITO, 1987). Essas crianças apresentam o privilégio de terem acesso a uma língua de sinais em iguais condições ao acesso que
  35. 35. LIBR – 39 Libras ATIVIDADE 7 as crianças ouvintes têm a uma língua oral-auditiva. No Brasil, a língua de sinais brasileira começou a ser investigada na década de 80 (FERREIRA-BRITO, 1986) e a aquisição da língua de sinais brasileira nos anos 90 (KARNOPP, 1994;QUADROS,1995) . Todos esses estudos concluíram que o processo das crianças surdas adquirindo língua de sinais ocorre em período análogo à aquisição da linguagem em crianças adquirindo uma língua oral-auditiva. Assim sendo, mais uma vez, os estudos de aquisição da linguagem indicam universos lingüísticos. O fato de o processo ser concretizado através de línguas espaciais e visuais, garantindo que a faculdade da linguagem se desenvolva em crianças surdas, exige uma mudança nas formas como esse processo vem sendo tratado na educação de surdos. A língua de sinais brasileira é a língua de sinais que se constituiu naturalmente na comunidade surda brasileira. Tal língua apresenta todos os níveis de análise de quaisquer outras línguas, ou seja, o nível sintático (da estrutura), o nível semântico (do significado), o nível morfológico (da formação de palavras), o nível fonológico (das unidades que constituem uma língua) e o nível pragmático (envolvendo o contexto conversacional) . História da Libras (Raquel Bonino) A primeira instituição brasileira criada para apoiar a alfabetização dos surdos foi o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), criado por D. Pedro II, em 1857. Dezoito anos depois, em 1875, foi publicado o primeiro livro com os sinais usados por aqui, o Iconographia dos Signaes dos Surdos- Mudos, de Flausino da Gama. O autor utilizou os mesmos sinais franceses, colocando a tradução em português. Daí a influência da língua francesa de sinais na brasileira. - Esse sinais do livro deveriam ser usados concomitantemente com outros já usados no Brasil naquele período (1875). Provavelmente havia dois sinais e um “vingou”. Pude observar em viagem aos Estados Unidos que há sinais do livro de Flausino que são usados pela ASL [American Sign Language], o que comprova o parentesco lingüístico entre as três línguas – analisa a lingüista Tanya Amara Felipe. Quase um século depois, em 1969, estudiosos descobriram que no Brasil há outra língua de sinais usada pelos índios urubus-caapores, do Maranhão, que têm elevada taxa de surdez (1 surdo para cada 75 ouvintes). Naquela década também foram publicadas, por iniciativa estrangeira, mais duas obras sobre os sinais brasileiros e que por muitos anos foram usadas no ensino de sinais: Linguagem das Mãos, de E. Dates; e Linguagem de Sinais do Brasil, de H. Hoeman. Ambas muitos influenciadas pela ASL. Só na década de 80 é que estudos mais aprofundados em lingüística foram
  36. 36. LIBR – 40 Libras ATIVIDADE 7 feitos. Nessa época, constituíram-se as principais instituições de apoio ao surdo. São Paulo e Rio de Janeiro influenciaram os sinais dos outros Estados por terem sido os pioneiros no estudo do tema. Foi em 2002 que o governo federal reconheceu a Libras como língua. Com a lei, a educação inclusiva dos surdos passou a ser obrigatória nas escolas públicas de todos os níveis. Dados do Censo 2000, reunidos pelo IBGE, indicam que dos 5,7 milhões de brasileiros com algum grau de deficiência auditiva, pouco menos de 170 mil se declararam surdos. REFERÊNCIAS BRASIL. Cadernos da TV Escola. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/SED, 2001. BRASIL. Libras em contexto: curso básico. Brasília: MEC/SEESP, 2001. SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. ANOTAÇÕES
  37. 37. LIBR – 41 Libras ATIVIDADE 8 OBJETIVO Favorecer o contato com a legislação. TEXTO O Brasil foi um, entre tantos outros países, que optou por um sistema educacional inclusivo proposto nos documentos elaborados na Declaração de Salamanca (1994), considerada mundialmente um dos mais importantes documentos que norteiam a inclusão social e onde o foco central é a diversidade humana constituída pelos mais variados indivíduos de nossa espécie e muitos dos quais têm necessidades educacionais especiais. Leia abaixo um pequeno trecho da referida declaração. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais Reconvocando as várias declarações das Nações Unidas que cul- minaram no documento das Nações Unidas “Regras Padrões sobre EqualizaçãodeOportunidadesparaPessoascomDeficiências”,oqual demandaqueosEstadosasseguremqueaeducaçãodepessoascom deficiências seja parte integrante do sistema educacional. Notando com satisfação um incremento no envolvimento de governos, gruposdeadvocacia,comunidadesepais,eemparticulardeorganiza- ções de pessoas com deficiências, na busca pela melhoria do acesso à educação para a maioria daqueles cujas necessidades especiais aindaseencontramdesprovidas;ereconhecendocomoevidênciapara tal envolvimento a participação ativa do alto nível de representantes e de vários governos, agências especializadas, e organizações inter- governamentais naquela Conferência Mundial. 1. Nós, os delegados da Conferência Mundial de Educação Especial, representando 88 governos e 25 organizações internacionais em assembléia aqui em Salamanca, Espanha, entre 7 e 10 de junho de 1994, reafirmamos o nosso compromisso para com a Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e urgência do providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino e reen- dossamos a Estrutura de Ação em Educação Especial, em que, pelo APARATO LEGAL – A SURDEZ E A INCLUSÃO
  38. 38. LIBR – 42 Libras ATIVIDADE 8 espírito de cujas provisões e recomendações governo e organizações sejam guiados. 2. Acreditamos e Proclamamos que: • toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, • toda criança possui características, interesses, habilidades e neces- sidades de aprendizagem que são únicas, • sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educa- cionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades, • aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades, • escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e al- cançando educação para todos; além disso, tais escolas provêem uma educaçãoefetivaàmaioriadascriançaseaprimoramaeficiênciae,em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional. 3. Nós congregamos todos os governos e demandamos que eles: • atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramen- to de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais. • adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de po- lítica, matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes razões para agir de outra forma. • desenvolvam projetos de demonstração e encorajem intercâmbios em países que possuam experiências de escolarização inclusiva.
  39. 39. LIBR – 43 Libras ATIVIDADE 8 •estabeleçammecanismosparticipatóriosedescentralizadosparapla- nejamento, revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com necessidades educacionais especiais. • encorajem e facilitem a participação de pais, comunidades e organi- zações de pessoas portadoras de deficiências nos processos de pla- nejamento e tomada de decisão concernentes à provisão de serviços para necessidades educacionais especiais. • invistam maiores esforços em estratégias de identificação e inter- venção precoces, bem como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva. • garantam que, no contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de professores, tanto em serviço como durante a for- mação, incluam a provisão de educação especial dentro das escolas inclusivas. A inclusão destas pessoas, não só nas escolas, mas em toda a sociedade, favorecendo sua participação ativa na constituição da igualdade de oportunidades, vem garantir-lhes a formação de cidadãos que têm seus direitos legais e, acima de tudo, humanos, respeitados. A inclusão é uma responsabilidade governamental e incluir não significa apenas dar acesso, mas principalmente oferecer todo apoio necessário para que o aluno tenha condições de permanência e continuidade. Frente a esses pressupostos pôde-se notar que as leis, decretos e diretrizes passaram a contemplar de modo mais significativo as pessoas com necessidades especiais de todas as áreas. O Conselho Nacional de Educação aprovou a Resolução n.02/2001, onde no seu parágrafo 2º do art.12 podemos ver a ênfase dada aos alunos surdos nos seguintes dizeres: “Deve ser assegurada, no processo educativo de alunos que apresentam dificuldades de sinalização diferenciadas dos demais educandos, a acessibilidade aos conteúdos curriculares mediante a utilização de linguagens e códigos aplicáveis, como o sistema Braille e a língua de sinais, sem o prejuízo do aprendizado da língua portuguesa, facultando-lhes e às suas famílias a opção pela abordagem pedagógica que julgarem adequada, ouvidos os profissionais especializados em cada caso”. Em abril de 2002, o então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, sancionou a lei de n.1.0436 que veio reconhecer a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como meio legal de comunicação e expressão, constituindo um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos nas comunidades de pessoas surdas do Brasil.
  40. 40. LIBR – 44 Libras ATIVIDADE 8 Essa mesma lei já fazia menção à obrigatoriedade do sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal em garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em níveis médio e superior, o ensino da Língua Brasileira de Sinais, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Três anos depois da lei n.10436, o Decreto n.5.626, de 22 de dezembro de 2005, veio regulamentá-la. Este decreto dispõe de forma bem detalhada sobre a formação do professor e instrutor de Libras; o uso e difusão da Libras e da Língua Portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação; da formação do tradutor e intérprete de Libras/Língua Portuguesa; da garantia do direito à educação das pessoas surdas ou com deficiência auditiva; da garantia do direito à saúde das pessoas surdas ou com deficiência auditiva e do papel do Poder Público e das empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos, no apoio ao uso e difusão da Libras. A lei, portanto, já existe, resta-nos agora fazê-la cumprir, pois a partir do momento que nos tornamos conscientes delas, passa a ser nossa responsabilidade agilizar meios para favorecer as pessoas que necessitam e não têm tal conhecimento. Isso também faz parte de uma verdadeira e consciente inclusão social. Uma das primeiras iniciativas, no sentido de certificar as pessoas que já dominam a Libras para poderem trabalhar nos mais variados segmentos, foi a prova de proficiência em Libras (Prolibras), que já teve a sua segunda aplicação no mês de outubro de 2007. Precisamos continuar a luta pelo reconhecimento e divulgação da Libras, no sentido de conscientizarmos as pessoas da importância e necessidade de seu uso para atender as especificidades das pessoas surdas, as quais são nossos semelhantes e têm os mesmos direitos, apenas necessitando de um outro caminho para construir sua aprendizagem, por lerem o mundo de um outro modo, pois são extremamente visuais. Transcrevo abaixo a Lei de n.10.436/02 para sua apreciação. LEI FEDERAL N. 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002 Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais, a Libras, a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual- motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.
  41. 41. LIBR – 45 Libras ATIVIDADE 8 Art. 2º Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar ao uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil. Art. 3º As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor. Art. 4º O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras – como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, conforme legislação vigente. Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais – Libras – não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa. Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de abril de 2002; 181º da Independência e 114º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza REFERÊNCIAS BRASIL. Cadernos da TV Escola. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/SED, 2001. BRASIL. Libras em contexto: curso básico. Brasília: MEC/SEESP, 2001. SACKS, Oliver. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. ANOTAÇÕES
  42. 42. LIBR – 46 Libras ATIVIDADE 8 ANOTAÇÕES
  43. 43. LIBR – 47 Libras ATIVIDADE 9 TEXTO LIBRAS Libras é a língua brasileira de sinais que foi adotada por votação na FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo) no ano de 1993. É uma língua de modalidade espaço-visual por ser sinalizada pelo emissor por gestos no espaço e captada pelo receptor através da visão. Libras é uma língua natural que se desenvolveu nas comunidades surdas brasileiras. Ela tem estrutura própria e é composta por todos os elementos classificatórios que qualquer outra língua oral possui. A libras, portanto, pode expressar tantos idéias concretas como abstratas. Ela não é universal, pois cada país possui sua língua de sinais. É interessante ressaltarmos que dentro do próprio país também temos diferenças regionais. A libras precisa ser a primeira língua dos surdos e para isso é importante expor o bebê surdo, o mais cedo possível, em contato com um usuário de línguas de sinais para que ele possa se desenvolver de modo similar ao bebê ouvinte, tendo o seu campo visual bem estimulado. O surdo, por não fazer uso da audição, concentra toda a sua atenção no campo visual e é por esse motivo que a língua de sinais é a mais viável para sua comunicação. As línguas de sinais são constituídas por cinco parâmetros: - Configuração das mãos; - Ponto de articulação; - Movimento; - Direcionalidade; - Expressão. APARATO LEGAL O Brasil está em consonância com os postulados da Declaração de Salamanca (1994) os quis norteiam a educação inclusiva. A educação inclusiva visa à valorização de toda pessoa com necessidades educacionais especiais, dentro da diversidade humana, buscando e lutando pelos seus direitos para que possam exercê-los como verdadeiros cidadãos. A partir de então os órgãos governamentais têm buscado através de leis e decretos favorecer essa inclusão. Exemplo disso foi a Resolução 02/2001, a qual entre outra providências, assegura a acessibilidade aos conteúdos curriculares mediante o uso SÍNTESE PARA AUTO-AVALIAÇÃO
  44. 44. LIBR – 48 Libras ATIVIDADE 9 de linguagens e códigos aplicáveis (Libras e Braille) aos alunos que apresentam dificuldade de sinalização. A Lei 10.436/02 também veio apoiar a inclusão do surdo, por reconhecer a língua brasileira de sinais como meio legal de comunicação. Ela também faz referência à obrigatoriedade dos sistemas educacionais incluir a libras como disciplina em alguns cursos superiores. O Decreto 5.626/ 05 veio regulamentar a Lei 10.436/02, dispondo detalhadamente sobre a formação do professor e instrutor de Libras; o uso e difusão de Libras e da Língua Portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação; da formação do tradutor e intérprete de Libras/Língua Portuguesa; da garantia do direito à educação das pessoas surdas ou com deficiência auditiva; da garantia do direito à saúde das pessoas surdas ou com deficiência auditiva e do papel do Poder Público e das empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos, no apoio ao uso e difusão de Libras. ANOTAÇÕES
  45. 45. LIBR – 49 Libras ATIVIDADE 10A EDUCAÇÃO BÍLINGÜE PARA SURDOS OBJETIVO Verificar possibilidades e deveres na educação bilingue. TEXTO A educação de surdos no Brasil, como também em todo o mundo, teve durante seu percurso três fases mais marcantes: o oralismo, a filosofia da comunicação total e o bilingüismo. A fase do oralismo visa a “recuperação” da pessoa com “deficiência auditiva” e como o próprio nome diz o seu foco é a língua oral. Esta é trabalhada através de treino sistemático e de modo formal. A criança é treinada para desenvolver os resíduos auditivos e aprender a leitura labial fazendo uso da fala, sendo aconselhado, pelos profissionais desta linha, a não serem expostos à comunidade surda que faz uso de comunicação gestual. A maior crítica a esse método puro é que apesar do tempo que se investe com esses treinos, a criança surda não consegue captar muito através da leitura labial, sendo que consegue apenas efetuar tal leitura com pessoas do seu cotidiano e quando se dirigem diretamente a ela. Segundo alguns estudiosos, numa palestra ou um programa jornalístico de TV, por exemplo, ela conseguirá compreender somente cerca de 20% da mensagem. Por aceitarem a linguagem oral como única e exclusiva opção, muitos pesquisadores se referem ao oralismo como uma imposição social por parte de uma maioria lingüística e que não leva em consideração questões relacionadas à comunidade e cultura surdas. Na filosofia da comunicação total, vemos que todos os recursos podem ser utilizados como: treino da fala, uso da prótese auditiva, leitura labial, gestos naturais, língua de sinais, dramatizações, expressão facial, alfabeto manual, leitura da escrita, tudo com o objetivo de desenvolver conceitos e a linguagem da pessoa surda. Porém, nessa filosofia passa-se a utilizar o bimodalismo, o que também não é viável, pois não reconhece a língua de sinais como uma verdadeira língua. Os profissionais começam a usar o português
  46. 46. LIBR – 50 Libras ATIVIDADE 10 sinalizado, ou seja, o uso simultâneo de sinais e fala, portanto, os sinais são utilizados dentro da estrutura da língua portuguesa. Vários teóricos criticam essa filosofia por se apresentar na forma de uma pseudolíngua intermediária. Surge, então, o enfoque bilíngüe na educação dos surdos, onde o acesso e a utilização de duas línguas não lhes deve ser negado, respeitando, portanto, a opção de cada um, além de oferecer-lhes mais oportunidades. A educação bilíngüe para surdos consiste na aquisição de duas línguas em momentos distintos no contexto escolar, no caso do Brasil, a Libras e a Língua Portuguesa na sua modalidade escrita e quando possível na modalidade falada. A língua de sinais deve ser a primeira língua (L1) do surdo e a língua falada pela comunidade a segunda (L2). Devemos, então, ensinar o português com metodologia de segunda língua, pois o surdo é considerado, neste ponto de vista, um “estrangeiro”. Precisamos estar cientes de que o momento de interação com ambas as línguas necessita ser distinto para que uma não venha prejudicar ou utilizar a estrutura da outra, o que seria um erro, pois cada uma delas possui sua própria estrutura. Vários estudos apontam como período ideal para a aquisição de línguas os três primeiros anos de vida. Portanto, precisamos trabalhar precocemente com essas crianças para obtermos resultados satisfatórios. A proposta bilíngüe acredita e possibilita ao surdo o direito que ele tem de ser ensinado na sua língua materna, por ser ela o meio mais viável para a sua aprendizagem. O professor de uma escola bilíngüe precisa conhecer profundamente a língua portuguesa e a língua de sinais, reconhecendo esta última como meio de comunicação eficaz entre seus usuários, além de oportunizar no ambiente bilíngüe o acesso às mais variadas informações. No bilingüismo é necessário que se respeite a autonomia da língua de sinais. Por ser o instrutor surdo a pessoa mais fluente em Libras, sua presença é indispensável em sala de aula para proporcionar acesso aos conteúdos curriculares e discussões na língua de sinais, além de informações e atualidades. O texto abaixo é muito enriquecedor, pois vem explicitar-nos sobre o direito que toda criança surda tem de ter acesso às duas línguas. O direito da criança surda de crescer bilíngüe François Grosjean Universidade de Neuchâtel, Suíça Toda criança surda, qualquer que seja o nível da sua perda auditiva, deveterodireitodecrescerbílingue.Conhecendoeusandoalínguade sinais e a língua oral (na sua modalidade escrita e, quando for possível, na sua modalidade falada) a criança alcançará um completo desenvol- vimento das suas capacidades cognitivas, lingüísticas e sociais.
  47. 47. LIBR – 51 Libras ATIVIDADE 10 O que necessita fazer a criança surda com a linguagem? Através da linguagem a criança surda deve cumprir uma série de tarefas: 1. Comunicar com seus pais e familiares o mais cedo possível. Uma criança ouvinte, normalmente, adquire a língua nos primeiros anos de vida se está exposta a ela e pode percebê-la. O uso da língua é um meio importante para estabelecer e solidificar os vínculos sociais e pessoais entre a criança e seus pais. O que é uma realidade para a criança ouvinte deve ser também para a criança surda. A criança surda deve ser capaz de comunicar com os seus pais através de uma língua natural, tão pronta e integralmente quanto possível. Através da linguagemocorregrandepartedoestabelecimentodevínculosafetivos entre a criança e seus pais. 2.Desenvolversuascapacidadescognitivasduranteainfância.Através da língua a criança desenvolve suas capacidades cognitivas, capaci- dades de importância crítica para seu desenvolvimento pessoal. Entre essas capacidades encontramos diferentes tipos de raciocínio, pen- samento abstrato, memorização etc. A ausência total de uma língua, a adoção de uma língua não natural ou o uso de uma língua que é pobrementepercebidaouconhecidapodeterconseqüênciasnegativas importantes no desenvolvimento cognitivo da criança. 3. Adquirir conhecimentos sobre o mundo. A criança adquirirá conhe- cimentos sobre a realidade exterior principalmente através do uso da língua. Comunicando com os seus pais, familiares e outras crianças ou adultos, a criança intercambiará e processará a informação sobre o mundo que a rodeia. Estes conhecimentos servirão como base para as atividades que ocorrerão na escola e facilitarão a compreensão da língua.Nãoexisteumaverdadeiracompreensãodalínguasemoapoio de tais conhecimentos. 4. Comunicar integralmente com o mundo circundante. A criança surda, como a criança ouvinte, deve ser capaz de comunicar de modo integral com todas aquelas pessoas que formam parte de sua vida (pais, irmãos, grupos de pares, professores, adultos etc.). A co- municação deve proporcionar uma certa quantidade de informaçãos numa língua apropriada para o interlocutor e adequada ao contexto.
  48. 48. LIBR – 52 Libras ATIVIDADE 10 Em alguns casos será a língua de sinais, em outros será a língua oral (em alguma de suas modalidades) e noutros serão ambas as línguas alternadamente. 5. Pertencer culturalmente a dois mundos. Através do uso da língua a criança surda deverá converter-se progressivamente em mem- bro do mundo ouvinte e do mundo surdo. Deverá identificar-se, ao menos em parte, com o mundo ouvinte que é quase sempre o mundo de seus pais e familiares (90% das crianças surdas têm pais ouvintes). Mas a criança também deverá entrar em contato, logo que possível, com o mundo das pessoas surdas, seu outro mundo. A criança deve sentir-se cômoda em ambos os mundos e deve ser capaz de identificar-se com cada um deles na medida do possível. O bilingüismo é o único modo de satisfazer essas necessidades. Obilingüismoéoconhecimentoeusoregulardeduasoumaislínguas. Um bilingüismo língua oral/língua dos sinais é a única via através da qual a criança surda poderá ser atendida nas suas necessidades, quer dizer, comunicar com os pais desde uma idade precoce, desenvolver as suas capacidades cognitivas, adquirir conhecimentos sobre a re- alidade externa, comunicar plenamente com o mundo circundante e converter-se num membro do mundo surdo e do mundo ouvinte. Que tipo de bilingüismo? O bilingüismo da criança surda implica o uso da língua de sinais, usada pelacomunidadesurda,ealínguaoralusadapelamaioriaouvinte.Esta últimaadquire-senasuamodalidadeescritae,quandopossível,nasua modalidade falada. Em cada criança as duas línguas jogarão papéis diferentes: em algumas crianças predominará a língua de sinais, em outras predominará a língua oral e noutras haverá um certo equilíbrio entre ambas as línguas. Ainda, devido aos diferentes níveis de surdez possíveis e à complexa situação de contato entre ambas as línguas (quatro modalidades lingüísticas, dois sistemas de produção e dois de recepçãoetc)podemosencontrardiferentestiposdebilingüismo,istoé, a maioria das crianças surdas adquirirá níveis distintos de bilinguismo e “biculturalismo” (Ser “bicultural” significa identificar-se culturalmente com duas comunidades lingüísticas.). Nesse sentido não se diferen- ciamdemetadedapopulaçãomundial,aproximadamente,queconvive com duas ou mais línguas (estima-se que há no mundo, atualmente, tantas pessoas – se não mais – bilíngües quanto monolíngües). Como
  49. 49. LIBR – 53 Libras ATIVIDADE 10 outras crianças bilíngües, as crianças surdas usarão ambas as línguas nas suas vidas cotidianas como membros integrantes de dois mundos, neste caso, o mundo ouvinte e o mundo surdo. Qual é o papel da língua de sinais? A língua de sinais deve ser a primeira língua (ou uma das primeiras) adquirida pelas crianças com uma perda auditiva severa. A língua de sinais é uma língua natural, plenamente desenvolvida, que as- segura uma comunicação completa e integral. Diferentemente da língua oral, a língua de sinais permite às crianças surdas em idade precoce se comunicar com os pais plenamente, desde que ambos adquiram-na rapidamente. A língua de sinais tem papel importante no desenvolvimento cognitivo e social da criança e permite a aquisição de conhecimentos sobre o mundo circundante. Permitirá à criança um desenvolvimento de sua identificação com mundo surdo (um dos dois mundos aos quais a criança pertence) logo que entre em contato com esse mundo. E mais, a língua de sinais facilitará a aquisição da língua oral, seja na modalidade escrita ou na modalidade falada. É sabido que uma primeira língua adquirida com normalidade, trata-se de uma língua oral ou de uma língua de sinais, estimulará em grande medida a aquisição de uma segunda língua. Finalmente, o fato de ser capaz de utilizar a língua de sinais será uma garantia de que a criança maneja pelo menos uma língua. Apesar dos consideráveis esforços feitos por partedascriançassurdasedosprofissionaisqueosrodeiam,eapesar do uso de suportes tecnológicos, o fato é que muitas crianças surdas têm grandes dificuldades para perceber e produzir uma língua oral na sua modalidade falada. Esperar vários anos para alcançar um nível satisfatório que pode não ser alcançado, e negar durante esse tempo o acesso da criança surda a uma língua que satisfaça as suas neces- sidades (a língua de sinais) é praticamente aceitar o risco de um atraso no seu desenvolvimento lingüístico, cognitivo, social ou pessoal. Qual é o papel da língua oral? Ser bilíngüe significa saber e utilizar duas ou mais línguas. A segunda língua das crianças surdas será a língua oral usada pela comunidade ouvinte à qual também pertencem. Esta língua, na sua modalidade falada e/ou escrita, é a língua de seus pais, irmãos, parentes, futu- ros amigos, empregados etc. Quando aqueles que convivem com a
  50. 50. LIBR – 54 Libras ATIVIDADE 10 criança surda não conhecem a língua de sinais é importante que a comunicaçãosefaça,aindaqueistosópossaocorreratravésdalíngua oral. Também a língua oral, principalmente na sua modalidade escrita, será um meio importante para a aquisição de conhecimentos. Grande quantidade do que aprendemos se transmite através da escrita, tanto emcasacomodepoisnaescola.Porisso,oêxitoacadêmicodacriança surda e seus futuros sucessos profissionais dependerão en grande medida de um bom manejo da língua oral na sua modalidade escrita e, quando possível, na modalidade falada. Conclusões É nosso dever permitir à criança surda a aquisição de duas línguas, a língua de sinais da comunidade surda (como primeira língua se a sua perda auditiva é severa) e a língua oral da maioria ouvinte. Para isso, a criança deve ter contato com as duas comunidades lingüísticas e deve sentir a necessidade de aprender e usar ambas as línguas. Contar exclusivamente com uma língua, a língua oral, devido aos recentes avanços tecnológicos, é jogar com o futuro da criança surda. É arriscar seudesenvolvimentocognitivoepessoalenegar-lheapossibilidadede se identificar culturalmente com os dois mundos aos quais pertence. Ter contato desde uma idade precoce com duas línguas oferecerá à criançamuitomaisrecursosdoquetendoapenasumalíngua,qualquer que seja seu futuro e qualquer que seja o mundo em que escolherá viver (às vezes só num deles). Ninguém se arrepende de saber várias línguas, mas sim quando sabe pouco, ainda mais quando o próprio desenvolvimento está em jogo. A criança surda deveria ter o direito de crescer bilíngüe e é nossa responsabilidade ajudá-la nisso. REFERÊNCIAS DAMÁZIO, Mirlene F. M. Atendimento educacional especializado: pessoa com surdez. Mirlene Ferreira Macedo Damázio. Brasília: SEESP/SEED/MEC, 2007. QUADROS, R. M. de. Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. QUADROS, R. M. de. Aquisição de L1 e L2: o contexto da pessoa surda. In: Anais do SEMINÁRIO DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO BILINGÜE PARA SURDOS, 1997, Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Educação (MEC), 1997. BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro: UFRJ, 1995.
  51. 51. LIBR – 55 Libras ATIVIDADE 10 ANOTAÇÕES
  52. 52. LIBR – 56 Libras ATIVIDADE 10 ANOTAÇÕES
  53. 53. LIBR – 57 Libras ATIVIDADE 11 OBJETIVO Contribuir para que o aluno conheça os vários atendimentos disponibilizados. TEXTO O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um serviço ao qual todo aluno com necessidades educacionais especiais tem direito e é nosso dever mobilizar ações para garantir sua efetivação. Ele deve ser organizado no turno contrário ao da classe regular. Acreditamos ser pertinente ressaltar a importância do curso de AEE, elaborado recentemente pelo MEC, cujo material contempla o Decreto n.5.626/05. O texto abaixo sintetiza o referido material desenvolvido por Damázio (2007) nos oferecendo informações preciosas. O texto, sob uma visão inclusiva, discorre sobre a realidade de uma escola que aceitou o desafio de trabalhar com alunos surdos em turmas comuns, propondo- se a quebrar barreiras lingüísticas e pedagógicas, porém com o apoio do Atendimento Educacional Especializado. De um modo geral, a educação do surdo é permeada por barreiras que dificultam a aprendizagem, pois as propostas educacionais não estão estruturadas adequadamente para atendê-lo e muitas vezes não oferecem os estímulos necessários para o desenvolvimento cognitivo, sócio afetivo, lingüístico e político-cultural. Há divergências e muita polêmica entre os pesquisadores no que concerne à educação do surdo ser efetivada em escolas regulares ou especiais. Isso ocorre devido às propostas pedagógicas não contemplarem a diversidade lingüística destes alunos. O discurso sobre as diferenças que levam em consideração a cultura, a identidade e a comunidade surda é defendido por seus adeptos alegando o respeito às especificidades e criticado por outros que acreditam que se pode incorrer na segregação. A autora nos coloca a necessidade de buscarmos, nestas relações entre diferenças, novos rumos para a vida coletiva. Frente à visão inclusiva precisamos refletir sobre quais processos curriculares e pedagógicos necessitam de ser repensados para que os direitos constitucionais sejam respeitados, oferecendo educação de qualidade, desde cedo, aos surdos. O ambiente educacional deve ser estimulador e desafiador, como para qualquer outro aluno e embora seja necessário o conhecimento e utilização da Língua de Sinais, por parte dos professores, somente ela não é suficiente para garantir a escolarização do aluno surdo. Faz-se também referência a uma pesquisa realizada por Poker (2001), onde se comprova que a escola O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

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