Pré Modernismo

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Pré Modernismo

  1. 2. Dê seu pitaco
  2. 3. "Novela pra mim é diversão... Chega de realidade... Legal são as pessoas sentarem diante de uma TV e simples-mente se divertirem". "Eu não consigo imaginar um ser humano diante da TV por nove, dez meses, sem que ele esteja pensando sobre alguma coisa." Sílvio de Abreu, autor de Belíssima Manoel Carlos, autor de Páginas da Vida
  3. 4. Na sua opinião, as obras de arte, de uma maneira geral, devem re-tratar todas as mazelas do tempo em que são produzidas ou ofere-cerem uma possibilidade para que o ser humano "escape" de sua realidade?
  4. 5. Sobre quais temas os artis-tas discorreriam em sua o-bras se quisessem retratar o Brasil desse início de sécu-lo?
  5. 7. CICLO DA BORRACHA E O DESBRAVAMENTO DA AMAZÔNIA REPÚBLICA DA ESPADA 1889-1894 POLÍTICA CAFÉ- COM -LEITE 1894-1930 GUERRA DE CANUDOS 1896-7 CANGAÇO e Pe CÍCERO REV. DA VACINA 1903 REV. DA CHIBATA 1910 GUERRA DO CONTESTADO 1912-16 GREVE GERAL 1917
  6. 8. As duas primeiras décadas do século XX não registram, no Brasil, convulsões semelhantes às ocorridas na Europa. A abolição da escravatura e o golpe republicano pouco haviam alterado as estruturas básicas do país. A economia - ainda voltada para as necessidades dos países europeus - assentava-se na dependência externa e no domínio interno dos cafeicultores.
  7. 9. Porém, algumas mudanças iam se desenhan-do. A urbanização, o crescimento industrial e a imigração modificam a fisionomia da sociedade brasileira. Nas cidades, começa a se formar uma classe média reformista. Simultaneamente, emerge uma massa popular insatisfeita e propensa a revoltas irracionais como, por exemplo, a rebelião contra a vacina obrigatória.
  8. 10. Na zona rural, produzem-se confrontos de maior ou menor intensidade dentro das clas-ses dominantes, das violentas mas restritas lutas entre coronéis em determinadas regiões até a verdadeira guerra civil - que se trava no Rio Grande do Sul - entre republicanos e maragatos. Não esqueçamos também que, nesse período, irrompem as revoluções camponesas de Canudos (1896-1897) e do Contestado (1912).
  9. 11. O que se convencionou chamar de Pré-Modernismo, no Brasil, não constitui uma "escola literária", ou seja, não temos um grupo de autores afinados em torno de um mesmo ideário, seguindo determinadas características. Na realidade, Pré-Modernismo é um termo genérico que designa uma vasta produção literária que abrangeria os primeiros 20 anos dO século passado.
  10. 12. Aí vamos encontrar as mais variadas tendên-cias e estilos literários, desde os poetas parna-sianos e simbolistas, que continuavam a produzir, até os escritores que começavam a desenvolver um novo regionalismo, além de outros mais preocupados com uma literatura política e outros, ainda, com propostas realmente inovadoras.
  11. 13. Augusto dos Anjos Euclides da Cunha Monteiro Lobato Lima Barreto Graça Aranha
  12. 14. EUCLIDES DA CUNHA <ul><li>Euclides da Cunha (1866-1909) nasceu no Rio de Janeiro, estudou na Escola Militar e fez curso de Engenharia. De formação positivista e republicano convicto, Euclides sempre mostrou grande interesse por Ciências Naturais e por Filosofia. </li></ul><ul><li>Viveu durante algum tempo em São Paulo e, em 1897, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo ao sertão da Bahia, para cobrir, como correspondente, a guerra de Canudos. </li></ul>
  13. 15. <ul><li>Cinco anos depois, o autor lançou Os Sertões , obra que narra e analisa os acontecimentos de Canudos à luz das teorias cientificistas da época. </li></ul><ul><li>Na condição de ex-militar, Euclides pôde informar com precisão os movimentos da guerra das três últimas semanas do conflito. Suas mensagens, transmitidas pelo telégrafo, permitiram que o Sul do país acompanhasse passo a passo a campanha, mobilizando e dividindo a opinião pública. </li></ul><ul><li>Cinco anos depois, o autor lançou Os Sertões , obra que narra e analisa os acontecimentos de Canudos à luz das teorias cientificistas da época. </li></ul>EUCLIDES DA CUNHA
  14. 16. <ul><li>Euclides da Cunha publicou ainda Contrastes e Confrontos (1907) e À Margem da História (1909). </li></ul><ul><li>Euclides deixou também vários outros escritos — tratados, cartas, artigos —, todos relacionados ao país, às suas características regionais, geográficas e culturais. </li></ul>EUCLIDES DA CUNHA
  15. 17. EUCLIDES DA CUNHA Tarcísio Meira e Vera Fischer, como Euclides da Cunha e Ana de Assis, na minissérie Desejo , de Gló-ria Perez, Rede Globo, 1990.
  16. 19. “ Livro posto entre a literatura e a sociologia naturalista, Os Sertões assinalam um fim e um começo:o fim do imperialismo literário, o começo da análise científica aplicada aos aspectos mais importantes da sociedade brasileira (no caso, as contradições contidas na diferença de cultura entre as regiões litorâneas e o interior)”. Antonio Candido EUCLIDES DA CUNHA
  17. 20. “ Seu estilo complexo, considerado por mui-tos como um verdadeiro ‘barroco científico’, traduz sua formação acadêmica; é inegável, no entanto, seu vigor estilístico, baseado principalmente na constante insatisfação, comunica-nos com veemência a violência trágica do que aconteceu em Canudos” Ulisses Infante
  18. 21. Os Sertões são uma obra monumental, na qual se mesclam ciência e literatura. Escrito com o intuito de denunciar, com rigor e objetividade científica, a tragédia que foi a campanha do Exército brasileiro em Canudos, o livro acaba por superar a mera finalidade informativa, atingindo alto valor literário. Os Sertões é um livro escrito numa prosa ampla, enérgica, imaginativa e arrojada até ao exagero, num estilo que parece imitar o drama da ecologia nordestina...
  19. 22. Divide-se a obra em três partes: “A Terra”, em que se descreve o meio geográfico (o cenário do drama); “O Homem”, em que se descrevem as condições da vida no Nordeste (as personagens do drama); “A Luta”, em que se narram as peripécias da Guerra de Canudos (ou seja, o próprio drama), até o massacre final dos habitantes da cidade arrasada.
  20. 23. AS TRÊS PARTES Em razão do enfoque determinista, o autor, partindo da análise das condições do meio natural, analisa o homem, seus componentes e seu meio social e, na última parte, enfoca a guerra como resultado dessa interação entre o homem e o meio.
  21. 24. mente científico), o rigor na descrição do pormenor e o imagismo dinâmico e intenso. Às vezes a leitura é trabalhosa, sobretudo por causa do vocabulário. A frase de Euclides da Cunha ora é extremamente breve e direta, ora é caudalosa e retorcida, sempre enervada por uma força rítmica irresistível . É notável, na concepção de Os Sertões , a influência do positivismo e de outras filosofias cientificis-tas da época. OS SERTÕES
  22. 25. OS SERTÕES
  23. 26. Em 1896, no sertão da Bahia, teve início um dos acontecimentos mais impressionan-tes e sangrentos de toda a história do Brasil: a Campanha de Canudos. Quatro expedições foram enviadas durante um ano contra mais de vinte mil habitantes da região: índios, mulatos, caboclos, pretos... sertanejos dirigidos pelo beato Antônio Conselheiro e munidos apenas de paus, pedras e armas rústicas. Os soldados traziam metralhadoras, granadas e canhões. Estavam poderosamente
  24. 27. armados e eram numericamente muitas vezes superiores aos revoltosos, mas perdiam todas as batalhas. A resistência do sertanejo assombrava o país, e a derrota de Canudos tornou-se para o Exército e para a República uma questão de honra nacional. Antônio Conselheiro chegou aqui fazendo muitos milagres, todo mundo se incutindo com as graças dele, achando que ele era um verdadeiro profeta de Deus. Mas &quot;deixa&quot; que ele era revoltado contra a República. Ele não
  25. 28. queria a república, queria a monarquia, o tempo dos reis da monarquia. Quando achou-se com o povo do nordeste ao lado dele, ele que se revoltou contra o governo. Aí o governo da Bahia teve de pedir auxílio ao governo do Rio de Janeiro, que mandou o canhão de guerra e o exército de lá. Veio com um tal de Marechal Bittencourt, que foi quem venceu Antônio Conselheiro.&quot; Vitalício José dos Santos, romeiro de Monte Santo - nascido em 1936.
  26. 29. Ao tentar compreender a psicologia do sertanejo, Euclides da Cunha fez um ensaio revelador sobre a formação do homem brasileiro. Desmistificou o pensamento vigente entre as elites do período, de que somente os brancos de origem européia eram legítimos representantes da nação. Mostrou que não existe no país raça branca pura, mas uma infinidade de combinações multirraciais. Previu um destino trágico para o Brasil, se o país continuasse a não levar em conta as diversas raças que o formaram. Mostrou que
  27. 30. o Brasil tinha contradições e diferenças étnicas e culturais extremas. Concluiu que havia uma necessidade imperiosa de se inventar uma raça. Caso contrário, o Brasil seria candidato a desaparecer. Para Euclides da Cunha, a mestiçagem enfraquecia o indivíduo e implicava uma perda de identidade - um problema para a concepção de nação. Para ele, o mestiço do litoral é degenerado e o sertanejo, retrógrado. No caso do sertão, porém, considerou que só esse mestiço se adaptaria à região.
  28. 31. Euclides da Cunha revelou que &quot;sertão&quot; é sinônimo de solidão do homem na terra, onde o abrigo da salvação está apenas nas poucas veredas. Ao criticar o beato, foi o primeiro que apregoou que a &quot;terra é do homem, não é de Deus nem do diabo.&quot; E a frase atribuída a Antônio Conselheiro, &quot;o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão&quot; é uma profecia que ecoa por todo o deserto nordestino, desde bem antes do Conselheiro. E sobrevive na esperança e na alma do sertanejo.
  29. 32. Igreja do Povoado do Bom Jesus, construída por Antônio Conselheiro
  30. 33. Cena do filme Guerra de Canudos, com José Wilker como Antônio Conselheiro
  31. 34. Vista geral do Arraial de Belo Monte (Canudos).
  32. 35. José Bento MONTEIRO LOBATO  Taubaté-SP, 1882  São Paulo-SP, 1948
  33. 36. – Urupês – Cidades mortas – Negrinha – Idéias de Jeca Tatu – A onda verde e O presidente negro – Na antevéspera – O escândalo do petróleo e Ferro – Mr. Slang e o Brasil e Problema vital – América – Mundo da lua e Miscelânea – A barca de Gleyre (2 volumes) – Prefácios e entrevistas
  34. 37. – Reinações de Narizinho – Viagem ao céu e O Saci – Caçadas de Pedrinho e Hans Staden – História do mundo para as crianças – Memórias da Emília e Peter Pan – Emília no país da gramática e Aritmética da Emília – Geografia de Dona Benta Literatura Infantil
  35. 38. MONTEIRO LOBATO – Saraus – Geografia de Dona Benta e História das invenções – D. Quixote das crianças – O poço do Visconde – Histórias de tia Nastácia – O Picapau Amarelo e A reforma da natureza – O Minotauro – A chave do tamanho – Fábulas – Os doze trabalhos de Hércules (2 tomos)
  36. 39. Estupenda figura de intelectual e homem de ação, escritor oscilante entre altos e baixos , polemista de mão cheia, errando e acertando com a mesma ênfase e a mesma honestidade, Monteiro Lobato é o grande nome da nossa literatura - em termos de ressonância social - na primeira metade do século XX . Infeliz em seu famoso artigo contra Anita Malfatti, é maravilhoso na batalha pela pesquisa do petróleo . Pintor medíocre e acadêmico, acaba amigo de modernistas radicais, como Oswald de An-
  37. 40. drade. Contista de adultos, preso aos cânones de um realismo ultrapassado , inventa a ficção contemporânea para as crianças brasileiras. E para quem acha pouco tudo isso, ele começa no país a atividade editorial com criatividade e uma visão tanto de empresário, quanto de humanista, revolucionando o setor. Suas derrotas no campo prático (editora e companhia petrolífera) nascem mais das circunstâncias do que de erros de perspectiva, e são compensadas pelo reco-
  38. 41. nhecimento dos leitores, especialmente da garotada. As histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo e seus habitantes - dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Emília, o marquês de Rabicó, o Visconde de Sabugosa, tia Nastácia e tantos outros - permanecem como modelos quase insuperáveis no gênero. Além de misturar realidade e fantasia , em doses sábias, Lobato soube valorizar o universo brasileiro , com seus referenciais mais próximos das crianças que a mitologia e a paisagem européias. Fora o sítio, com
  39. 42. seus matos, riachos, roças e costumes interioranos, há lugar nos livros para sacis, cucas, caiporas e mulas-sem-cabeça. Pode-se afirmar que ele nacionalizou o nosso imaginário infantil . Mas...
  40. 43. Especialistas em educação infantil vêem hoje com reservas alguns valores transmiti-dos pela literatura infantil de Monteiro Lobato, especialmente no tratamento dado à negra e serviçal Nastácia. – Cale a boca! [...] Você só entende de cebolas e alhos e vinagres e toucinhos. Está claro que não poderia nunca ter visto uma fada porque elas não aparecem para gente preta. Eu, se fosse Peter Pan, enganava Wendy dizendo que fada morre assim que vê uma negra beiçuda...
  41. 44. – Mais respeito com os velhos, Emília! – advertiu Dona Benta. – Não quero que trate Nastácia desse modo. Todos aqui sabem que ela é preta só por fora.
  42. 46. A literatura &quot;adulta&quot; compreende três obras de ficção: Urupês, Cidades mortas e Negrinha. São livros de contos e apresentam aquela dualidade dos textos pré-modernis-tas: TEMÁTICA NOVA Técnica narrativa e linguagem tradicionais O francês Guy de Maupassant serve de modelo: contos centrados em histórias de final imprevisto, que surpreendem pelo inesperado .
  43. 47. Lobato parece desco-nhecer o conto moder-no, aquele que acentua a atmosfera e os caracteres dos persona-gens. Prefere a reprodu-ção pitoresca de fatos e alguns de seus textos mais conhecidos não ul-trapassam o anedótico, caso de O colocador de
  44. 48. pronomes , de Negrinha ou do macabro misto de terror e mau gosto O bugio moqueado . Também a sua escrita está presa aos padrões do século passado , revelando-se pesada e acadêmica. Alguns vocábulos regionais que aparecem esporadicamente soam falsos e exóticos.
  45. 49. Já o aspecto inovador e pré-moderno nasce de certos registros do universo rural paulistano . Descreve esse cenário, que tão bem conhece, com meticulosidade e precisão. A &quot;pintura&quot; realista das &quot;cidades mortas&quot; - cidadezinhas decadentes do Vale do Paraíba, onde brilhara a civilização do café e que vão sendo abandonadas pelos fazendeiros, pelos comerciantes e, por fim, pelas autoridades, restando apenas o caboclo - é um elemento positivo na sua ficção.
  46. 50. Criou com Jeca Tatu um símbolo do cabo-clo - preguiçoso na primeira versão, do-entio e subnutrido a partir das demais versões - ao ponto de tornar-se o persona-gem literário mais famoso em todo o país . JECA TATU

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