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Manuel Bandeira (com textos)
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Manuel Bandeira (com textos) Manuel Bandeira (com textos) Presentation Transcript

  •  A INFÂNCIA (imagens do Recife e do Rio deA INFÂNCIA (imagens do Recife e do Rio deJaneiro), poetização da memória e do imaginárioJaneiro), poetização da memória e do imaginário(relações afetivas, primeiras leituras).(relações afetivas, primeiras leituras).PRINCIPAIS TEMAS A MORTE - diante dela o eu-poético oscilaA MORTE - diante dela o eu-poético oscilaentre o desencanto e amargura e a irreverênciaentre o desencanto e amargura e a irreverênciarisonha, na verdade, Bandeira dessacraliza arisonha, na verdade, Bandeira dessacraliza amorte.morte.
  •  O ONÍRICO, O DEVANEIO - não só comoO ONÍRICO, O DEVANEIO - não só comofuga mas como afirmação das potências dafuga mas como afirmação das potências daimaginação e da poesia.imaginação e da poesia.PRINCIPAIS TEMAS O COTIDIANO - todos os seus matizes - oO COTIDIANO - todos os seus matizes - osimples, o insignificante, mas ao mesmo tempo osimples, o insignificante, mas ao mesmo tempo obelo e o sublime.belo e o sublime.
  •  O AMOR - desencanto e frustração, masO AMOR - desencanto e frustração, mastambém o prazer. A questão do desejo e seustambém o prazer. A questão do desejo e seusrevezes sempre vêm à tona. A beleza feminina, arevezes sempre vêm à tona. A beleza feminina, asensualidade.sensualidade.PRINCIPAIS TEMAS A PRÓPRIA POESIA - em exercíciosA PRÓPRIA POESIA - em exercíciosmetalinguísticos o poeta reflete sobre seu ofíciometalinguísticos o poeta reflete sobre seu ofíciorevelando-nos o profundo entranhamento entrerevelando-nos o profundo entranhamento entrepoesia e vida.poesia e vida.
  • REFLEXÃO EXISTENCIAL - como poeta doREFLEXÃO EXISTENCIAL - como poeta doséculo XX, Manuel Bandeira pensa o homemséculo XX, Manuel Bandeira pensa o homemmoderno, seu ceticismo, seus medos, suasmoderno, seu ceticismo, seus medos, suasesperanças. Sua poética é marcada, nesse campo,esperanças. Sua poética é marcada, nesse campo,por uma extrema lucidez que não aborta opor uma extrema lucidez que não aborta ohumanismo e a fraterna solidariedade.humanismo e a fraterna solidariedade.PRINCIPAIS TEMAS
  •  Libertação contínua dos moldes, reafirmaçãoLibertação contínua dos moldes, reafirmaçãodo coloquial em poesia.do coloquial em poesia. Valorização da cultura e do imaginárioValorização da cultura e do imagináriopopular.popular. Poesia como arte das palavras - o manuseioPoesia como arte das palavras - o manuseioseguro e sempre renovado da linguagem comoseguro e sempre renovado da linguagem comoimperativo máximo do fazer poético.imperativo máximo do fazer poético.PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
  •  Tematização do cotidiano, do corriqueiro,Tematização do cotidiano, do corriqueiro,incorporação do "pequeno", do insignificanteincorporação do "pequeno", do insignificantecomo tema poético.como tema poético. Concisão aliada ao ludismo - significar aoConcisão aliada ao ludismo - significar aomáximo com o mínimo de palavras. Aliarmáximo com o mínimo de palavras. Aliareconomia e criatividade.economia e criatividade.PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
  • TEXTOSTEXTOSPARA LEITURA EPARA LEITURA EANÁLISEANÁLISE
  • Eu faço versos como quem choraEu faço versos como quem choraDeDe desalentodesalento , de desencanto, de desencantoFecha meu livro se por agoraFecha meu livro se por agoraNão tens motivo algum deNão tens motivo algum de prantoprantoMeu verso é sangue ,Meu verso é sangue , volúpiavolúpia ardenteardenteTristezaTristeza esparsaesparsa , remorso, remorso vãovãoDói-me nas veias amargo e quenteDói-me nas veias amargo e quenteCai gota à gota do coração.Cai gota à gota do coração.DESENCANTODESALENTO:Desânimo, abatimentoPRANTO:Choro, tristezaVOLÚPIA:Prazer sexualESPARSA:Espalhada, vulgarizadaVÃO:inútil
  • E nesses versos de angústia roucaE nesses versos de angústia roucaAssim dos lábios a vida correAssim dos lábios a vida correDeixando umDeixando um acreacre sabor na bocasabor na bocaEu faço versos como quem morre.Eu faço versos como quem morre.DESENCANTOACRE:Azedo
  • Quando a Indesejada das gentes chegarQuando a Indesejada das gentes chegar(Não sei se dura ou(Não sei se dura ou caroávelcaroável),),talvez eu tenha medo.talvez eu tenha medo.Talvez sorria, ou diga:Talvez sorria, ou diga:- Alô, iniludível!- Alô, iniludível!O meu dia foi bom, pode a noite descer.O meu dia foi bom, pode a noite descer.(A noite com os seus(A noite com os seus sortilégiossortilégios.).)Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,A mesa posta,A mesa posta,Com cada coisa em seu lugar.Com cada coisa em seu lugar.CONSOADAafável, gentil,feitiço, malefício, bruxaria
  • Eu quero a estrela da manhãEu quero a estrela da manhãOnde está a estrela da manhã?Onde está a estrela da manhã?Meus amigos meus inimigosMeus amigos meus inimigosProcurem a estrela da manhãProcurem a estrela da manhãEla desapareceu ia nuaEla desapareceu ia nuaDesapareceu com quem?Desapareceu com quem?Procurem por toda parteProcurem por toda parteDigam que sou um homem sem orgulhoDigam que sou um homem sem orgulhoUm homem que aceita tudoUm homem que aceita tudoQue me importa?Que me importa?Eu quero a estrela da manhãEu quero a estrela da manhãESTRELA DA MANHÃ
  • Três dias e três noitesTrês dias e três noitesFui assassino e suicidaFui assassino e suicidaLadrão, pulha, falsárioLadrão, pulha, falsárioVirgem mal-sexuadaVirgem mal-sexuadaAtribuladora dos aflitosAtribuladora dos aflitosGirafa de duas cabeçasGirafa de duas cabeçasPecai por todos pecai com todosPecai por todos pecai com todosPecai com malandrosPecai com malandrosPecai com sargentosPecai com sargentosPecai com fuzileiros navaisPecai com fuzileiros navaisPecai de todas as maneirasPecai de todas as maneirasESTRELA DA MANHÃ
  • Com os gregos e com os troianosCom os gregos e com os troianosCom o padre e o sacristãoCom o padre e o sacristãoCom o leproso de Pouso AltoCom o leproso de Pouso AltoDepois comigoDepois comigoTe esperarei com mafuás novenas cavalhadas comereiTe esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei[terra e direi coisas de uma ternura tão simples[terra e direi coisas de uma ternura tão simplesQue tu desfalecerásQue tu desfalecerásProcurem por toda à parteProcurem por toda à partePura ou degradada até a última baixezaPura ou degradada até a última baixezaEu quero a estrela da manhã.Eu quero a estrela da manhã.ESTRELA DA MANHÃ
  • Quando a morte cerrar meus olhos durosQuando a morte cerrar meus olhos duros- Duros de tantos vãos padecimentos,- Duros de tantos vãos padecimentos,Que pensarão teus peitos imaturosQue pensarão teus peitos imaturosDa minha dor de todos os momentos?Da minha dor de todos os momentos?Vejo-te agora alheia, e tão distante:Vejo-te agora alheia, e tão distante:Mais que distante - isenta. E bem prevejo,Mais que distante - isenta. E bem prevejo,Desde já bem prevejo o exato instanteDesde já bem prevejo o exato instanteEm que de outro será não teu desejo,Em que de outro será não teu desejo,SONETO INGLÊS Nº 1
  • Que o não terás, porém teu abandono,Que o não terás, porém teu abandono,Tua nudez! Um dia hei de ir emboraTua nudez! Um dia hei de ir emboraAdormecer no derradeiro sono.Adormecer no derradeiro sono.Um dia chorarás... Que importa? Chora.Um dia chorarás... Que importa? Chora.Então eu sentirei muito mais pertoEntão eu sentirei muito mais pertoDe mim feliz, teu coração incerto.De mim feliz, teu coração incerto.SONETO INGLÊS Nº 1
  • Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade,Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade,conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis,conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis,dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentesdermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentesem petição de miséria.em petição de miséria.Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a numMisael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a numsobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura...sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura...Dava tudo o que ela queria.Dava tudo o que ela queria.Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita,Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita,arranjou logo um namorado.arranjou logo um namorado.Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, umMisael não queria escândalo. Podia dar uma surra, umtiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.Viveram três anos assim.Viveram três anos assim.TRAGÉDIA BRASILEIRA
  • Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado,Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado,Misael mudava de casa.Misael mudava de casa.Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, RuaOs amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, RuaGeneral Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel,General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel,Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp,Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp,outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi,outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi,Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privadoPor fim na Rua da Constituição, onde Misael, privadode sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e ade sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e apolícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestidapolícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestidade organdi azul.de organdi azul.TRAGÉDIA BRASILEIRA
  • Eurico Alves, poeta baiano,Eurico Alves, poeta baiano,Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito,Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito,Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant’Ana.Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant’Ana.Sou poeta da cidade,Sou poeta da cidade,Meus pulmões viraram máquinas inumanas eMeus pulmões viraram máquinas inumanas eaprenderam a respirar oaprenderam a respirar o[gás carbônico das salas de cinema.[gás carbônico das salas de cinema.Como o pão que o diabo amassou.Como o pão que o diabo amassou.Bebo leite de lata.Bebo leite de lata.Falo com A., que é ladrão.Falo com A., que é ladrão.Aperto a mão de B., que é assassino.Aperto a mão de B., que é assassino.ESCUSA
  • Há anos que não vejo romper o sol, que não lavo os olhosHá anos que não vejo romper o sol, que não lavo os olhos[nas cores das madrugadas[nas cores das madrugadasEurico Alves, poeta baiano,Eurico Alves, poeta baiano,Não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais daNão sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da[roça.[roça.ESCUSA
  • Amanhã que é dia dos mortosAmanhã que é dia dos mortosVai ao cemitério. VaiVai ao cemitério. VaiE procura entre as sepulturasE procura entre as sepulturasA sepultura de meu pai.A sepultura de meu pai.Leva três rosas bem bonitas.Leva três rosas bem bonitas.Ajoelha e reza uma oração.Ajoelha e reza uma oração.Não pelo pai, mas pelo filho:Não pelo pai, mas pelo filho:O filho tem mais precisão.O filho tem mais precisão.POEMA DE FINADOSO que resta de mim na vidaO que resta de mim na vidaÉ a amargura do que sofri.É a amargura do que sofri.Pois nada quero, nada espero.Pois nada quero, nada espero.E em verdade estou morto ali.E em verdade estou morto ali.
  • Estou farto do lirismo comedidoEstou farto do lirismo comedidoDo lirismo bem comportadoDo lirismo bem comportadoDo lirismo funcionário público com livro de ponto expedienteDo lirismo funcionário público com livro de ponto expediente[protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.[protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionárioEstou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário[o cunho vernáculo de um vocábulo.[o cunho vernáculo de um vocábulo.Abaixo os puristasAbaixo os puristasTodas as palavras sobretudo os barbarismos universaisTodas as palavras sobretudo os barbarismos universaisTodas as construções sobretudo as sintaxes de exceçãoTodas as construções sobretudo as sintaxes de exceçãoTodos os ritmos sobretudo os inumeráveisTodos os ritmos sobretudo os inumeráveisEstou farto do lirismo namoradorEstou farto do lirismo namoradorPolíticoPolíticoRaquíticoRaquíticoSifilíticoSifilíticoPOÉTICA
  • De todo lirismo que capitula ao que quer que sejaDe todo lirismo que capitula ao que quer que seja[fora de si mesmo[fora de si mesmoDe resto não é lirismoDe resto não é lirismoSerá contabilidade tabela de co-senos secretário do amanteSerá contabilidade tabela de co-senos secretário do amante[exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes[exemplar com cem modelos de cartas e as diferentesmaneiras de agradar às mulheres, etcmaneiras de agradar às mulheres, etcQuero antes o lirismo dos loucosQuero antes o lirismo dos loucosO lirismo dos bêbedosO lirismo dos bêbedosO lirismo difícil e pungente dos bêbedosO lirismo difícil e pungente dos bêbedosO lirismo dos clowns de ShakespeareO lirismo dos clowns de Shakespeare— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.POÉTICA
  • A primeira vez que vi TeresaA primeira vez que vi TeresaAchei que ela tinha pernas estúpidasAchei que ela tinha pernas estúpidasAchei também que a cara parecia uma pernaAchei também que a cara parecia uma pernaQuando vi Teresa de novoQuando vi Teresa de novoAchei que os olhos eram muito mais velhos que o resto doAchei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do[corpo[corpo(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto[do corpo nascesse)[do corpo nascesse)Da terceira vez não vi mais nadaDa terceira vez não vi mais nadaOs céus se misturaram com a terraOs céus se misturaram com a terraE o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.TERESA
  • POEMA DO BECOQue importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha doQue importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha dohorizonte?horizonte?— O que eu vejo é o beco.— O que eu vejo é o beco.