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A Morte do Palhaço
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A Morte do Palhaço A Morte do Palhaço Presentation Transcript

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    • A partir de 1851, Portugal conheceu um período de paz e estabilidade politica. No decorrer do período da regeneração (1851 – 1868), o país foi dotado de novas infra – estruturas como, por exemplo, caminhos – de – ferro, estradas, pontes e telégrafos o que permitiu o desenvolvimento da economia portuguesa, progressos técnicos e científicos em várias áreas. Criou-se o culto pela ciência – o “ Cientismo”.
    • No entanto, apesar dos progressos verificados , Portugal continuava a ocupar um lugar modesto entre as nações europeias. Faltavam riquezas naturais, espírito de iniciativa e investimentos. Podemos considerar que a sociedade portuguesa deste século era essencialmente rural, o que se pode ilustrar através de quadros de alguns pintores da época tal como: José Malhoa ( 1855 – 1933) e Silva Porto ( 1817 – 1890)
    • Rebanho
    • Clara
    • Socialmente, esta época caracteriza-se por uma ligeira ascensão da burguesia, devido ao seu triunfo com a revolução de 1820, ganhando crescente importância ao longo do séc. XIX. De inicio, imitou o modo de vida da nobreza, mas com o passar do tempo foi adquirindo consciência de classe.
    • Os modelos tradicionais são substituídos por uma nova mentalidade, em que se privilegia o mérito pessoal, a fortuna e o nível cultural. Naquele tempo vestiam-se assim :
    • Alta Burguesia Média e Baixa Burguesia
    • O operariado, em número reduzido, usufruía de condições de trabalho e de vida muito duras. A ruína dos pequenos proprietários e a pobreza do campesinato conduzem à imigração para o Brasil no final do século.
    • carvoeira e lavadeira servente do gás e vendedora de capachos
    • O acontecimento mais marcante deste século foi talvez o Ultimato Inglês ( imposição da Inglaterra a Portugal para o abandono das terras entre Angola e Moçambique), situação que foi aproveitado pelos Republicanos para fazerem uma certa “propaganda” contra a monarquia, o que levou posteriormente à sua queda e à Implantação da República.
    • Culturalmente, Portugal é marcado por importantes movimentos literários e artísticos. Entre eles, o Romantismo, caracterizado pela exaltação de sentimentos e da imaginação e valorização da natureza, e o Realismo, que procura retratar com objectividade a realidade social. Como grandes vultos destes movimentos, destacam-se Alexandre Herculano e Almeida Garrett no Romantismo, e Antero de Quental e Eça de Queirós no Realismo.
    • Na segunda metade do século, surgiram outras correntes artísticas a arquitectura do ferro, o Impressionismo e também o Simbolismo. Este último reagia contra tudo o que representava materialismo e racionalismo. Pregavam o subjectivismo, o misticismo e a sugestão sensorial. Para isso, usavam símbolos e recursos cromáticos. O seu precursor foi o poeta francês Baudelaire ,abordando na sua poesia temas como: miséria , bêbados, etc.
    • Este movimento caracterizou-se pelo interesse pelo pessimismo, miséria, inconsciente e morte. Os Simbolistas procuram o mais profundo do “ eu “, buscam o inconsciente e o sonho. Em Portugal, destacaram-se Camilo Pessanha, Cesário Verde, Eugénio de Castro e também, em certa medida, Raul Brandão, entre outros.
    Camilo Pessanha Cesário Verde
    • Na viragem do século (anos 20), Portugal viveu certa instabilidade social e política, devido às sucessivas revoltas que os Republicanos não conseguiam deter, levando à queda da 1ª República e à Ditadura Militar.
    • Foi , pois, neste ambiente que viveu o escritor Raul Brandão, autor de várias obras, entre as quais “ A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore”, sobre a qual me irei debruçar e escrever algumas linhas.
    Raul Brandão
    • Raul Germano Brandão nasceu na Foz do Douro a 12 de Março de 1867, localidade onde passou a sua adolescência e mocidade. Sendo filho e neto de homens do mar, o oceano e os homens do mar foram um tema recorrente da sua obra.
    • Depois de uma passagem menos feliz por um colégio do Porto, Raul Brandão gravita para o grupo dos nefelibatas, sendo sobre o seu signo que desperta para o mundo das letras e publica as suas primeiras obras. Em 1891, terminado o curso secundário e depois de uma breve passagem, como ouvinte, pelo Curso Superior de Letras, matricula-se na Escola do Exército, onde inicia uma carreira militar caracterizada por longas permanências no Ministério da Guerra Nas suas próprias palavras: no tempo em que fui tropa vivi sempre enrascado . Paralelamente, mantém uma carreira de jornalista e vai publicando extensa obra literária.
    • Em 1896 foi colocado no Regimento de Infantaria 20, em Guimarães, cidade onde conhece a sua futura esposa. Casa no ano seguinte, iniciando a construção de uma casa, a Casa do alto. Aí se fixará em definitivo, embora com prolongadas estadias em Lisboa e noutras cidades. Reformado no posto de capitão, em 1912, inicia a fase mais fecunda da sua produção literária.
    • Visitou os Açores no verão de 1924 no âmbito das visitas dos intelectuais .Dessa viagem resultou a publicação da obras As ilhas desconhecidas - Notas e paisagens (Lisboa, 1926). Basta dizer que é em As ilhas desconhecidas que se inspira o conhecido código de cores das ilhas açorianas: Terceira, ilha lilás; S. Miguel, ilha verde...
    • Faleceu a 5 de Dezembro de 1930, aos 63 anos de idade, deixando uma extensa obra literária e jornalística.
    • Impressões e Paisagens (1890);
    • História de um Palhaço (1896);
    • O Padre (1901);
    • A Farsa (1903);
    • Os Pobres (1906);
    • El-Rei Junot (1912);
    • A Conspiração de 1817 (1914);
    • Húmus (1917)
    • Memórias (vol. I), (1919);
    • Teatro (1923);
    • Os Pescadores (1923);
    • Memórias (vol. II), (1925);
    • As Ilhas Desconhecidas (1926);
    • A Morte do Palhaço e o Mistério das Árvores (1926);
    • Jesus Cristo em Lisboa , em colaboração com Teixeira de Pascoaes, (1927);
    • O Avejão (1929) (teatro);
    • Portugal Pequenino , em colaboração com Maria Angelina Brandão, (1930);
    • O Pobre de Pedir (1931);
    • Vale de Josafat (vol. III das Memórias ), (1933).
    • Nesta obra existem várias personagens : D. Felicidade, o Doido, o Anarquista, o Pita, a Patroa, o Gregório, uma Velha e o Palhaço.
    • O Palhaço é um homem honesto , com sentimentos e que adora sonhar. Tal como outras personagens trabalha num circo onde o seu objectivo é fazer rir a pessoas. Durante as suas actuações , o Palhaço, em cada gesto ou palavra, exprime o seu estado de espírito e a sua vida. Ele não sabe o que significa amar, apenas o experimentou em sonhos. Um dia Camélia despertou-lhe a atenção, a atenção do amor. Camélia ria-se sempre que ele lhe fazia algo. Assim, pediu ajuda a Pita que lhe disse certas verdades. “ Estiveste este tempo todo a viajar nos teus sonhos, nunca desceste à realidade. Agora que acordaste, é tarde. Vai-te a ela, diz-lhe que a amas ”. Estas foram as palavras de Pita para com o Palhaço. Encheu-se de coragem mas, mais uma vez, a coragem não foi a suficiente para exprimir o que sentia. Embora em todas as actuações as exprimisse, Camélia acabara sempre por se rir das suas lágrimas e dos seus sentimentos.
    • Mais um espectáculo. Este sim, o último espectáculo para o Palhaço. Com a raiva à flor da pele, cortara um dos cordões do trapézio onde Lídio, namorado de Camélia, se encontrava.
    • “ Pergunta então: um palhaço não tem direito ao amor, embora seja belo por dentro e a alma só lhe abrase em amor? Quem passou a vida a sonhar, se chega ao momento em que a vida não se compreende sem amor, não tem direito de ser amado? Amar ou morrer? Amar ou morrer?”.
    • Estas foram as suas últimas palavras antes de Camélia responder: “ Amar! Amar !” Mas já era tarde. O Palhaço foi até ao cimo do circo e atirou-se como uma pedra! Morreu onde nasceu, morreu sem ser amado, mas morreu amando uma mulher, Camélia!
    • Em conclusão , é uma intriga centrada principalmente numa personagem ,o Palhaço, que vive permanentemente desligado da realidade, transportando-se para o mundo do sonho, do irreal, visto que a realidade é dura e cruel. Sofre, e dá preferência ao “mundo dos sonhos”onde pode, sem limites, “ser quem quiser”, “viver” e “realizar” os seus desejos e fantasias. Vive numa permanente ilusão, da qual não se consegue desligar.
    • Dor, sofrimento e sonho são a tónica dominante desta obra de Raul Brandão.
  •  
    • A visão brandoniana da vida como farsa trágica é ilustrada pela “História de um palhaço – Vida e diário de K. Maurício” (1896). Nesta obra, posteriormente refundida, “A morte do Palhaço e o mistério da árvore”, 1926, o autor analisa o mal do fim-do-século (pessimismo, neurose, obsessão da morte, sentimentalidade mística).
    • A história de um palhaço aparece no Simbolismo, na época de Eugénio de Castro e a publicação da sua famosa obra “Oaristos” – 1890. Tal como os Simbolistas, R. Brandão parece colocar o emotivo e o indefinido acima do racional organizado. Dá preferência ao sonho e à evasão sobre a realidade prosaica , através de um vocabulário, por vezes, pouco comum e de uma estrutura pouco rígida, com capítulos que, por vezes, nos parecem deslocados. Não é original nem na história nem na caracterização básica de personagens.
    • Nesta obra, o autor constrói conversas com e sobre o palhaço. Cada personagem representa algo na sociedade: o palhaço representa o sonho. Há também o Pita, o homem que se entregou à vida, o doido, o anarquista, a patroa e o Gregório (antigo chefe de repartição), todos eles reunidos na casa de hóspedes da D. Felicidade.
    • O autor faz um percurso pelo mundo interior das figuras e também de transformação de situações.
    • Raul Brandão escreveu sobre a existência humana e, nesta obra, as personagens dialogam entre si, e o autor através da falas expressa a sua opinião sobre três estados em que o homem pode viver: o primeiro será viver pelo sonho; o segundo será viver entre o sonho e a vida terrena e o terceiro é a entrega à vida mundana.
    • Em toda a obra predominam temas de oposição. Ilustrando esta afirmação , registam-se os exemplos do “ amor mal sucedido entre o homem velho e desajeitado e a mulher jovem e bela”, o amor correspondido entre dois bailarinos moços e cheios de vida; o real e o representado - o palhaço que ama a bailarina tem de representar a farsa do amor; o Palhaço sofre e faz rir; morre e parece vivo”. Nesta obra identificam-se claramente oposições entre “ a vida e o sonho”; “a vida e a farsa” ; “ o amor e a indiferença”; “ a vida e a morte”; “ o sonho e a realidade”. Existe um simbolismo cromático, por exemplo: “ risos de fogo; lábios vermelhos ; ferida escarlate” ,“ negrume da vida; seda negra; cavalo negro ”. O leitor apercebe-se do contraste entre o vermelho e o negro. Por outro lado, aparece-nos também o branco, símbolo da pureza e do inatingível: “ mármore branco”; “papel branco “ ; “graça de cisne”.
    • Predomina, ao longo da obra, um contraste que marca a oposição entre a atitude dos espectadores durante o espectáculo e a vivência dolorosa de sentimentos muito íntimos. Nesta narrativa , assistimos, por um lado, à euforia provocada pelo espectáculo e ao drama interior das figuras.
    • Os primeiros cinco parágrafos convidam-nos a participar no espectáculo de circo com uma crescente vibração e entusiasmo, marcados pelas luzes, pela euforia da música, movimento dos artistas, reacções do público e cores. A intensidade da luz vai aumentando, e os artistas fazendo coisas cada vez mais difíceis, por exemplo: “ a mulher fura arcos; a patinadora grácil e rápida; fúria do galope “. Aparecem as cores: branco, púrpura, lilás, verde, amarelo, branco e negro.
    • No 6º e 7º parágrafos, o leitor, nesta atmosfera de alegria e movimento, é convidado a
    • entrar no mundo interior de uma personagem -o palhaço - agora isolado do todo. Passa---se ao plano da figura central, o palhaço. Ultrapassa-se a sua figura de palhaço, num conhecimento mais fundo das suas inquietações. A seguir, o entusiasmo cresce e os movimentos dos artistas são cada vez mais difíceis: “ Lídio , no trapézio, equilibrava-se num perigo enorme ”; A galopada- o palhaço agarrado à crina do animal. O circo estava como que hipnotizado!
    • Mas ,então, algo sucedeu e o leitor só se apercebe mais tarde, pois a transformação da situação inicial não nos foi dada discursivamente. Deduzimo-la momentos mais tarde, e há uma nova penetração na intimidade do palhaço, entre a interrogação “ Quem cortou a corda? “
    • Na 3ª parte do texto Lídio salva-se e o palhaço morre, mas o público não o entende, a música continua. Só mais tarde é que se dá conta da tragédia.
    • Na minha opinião “A morte do Palhaço “ é uma obra bastante difícil, mas que consegue marcar o leitor pelas características referidas, conferindo-lhe um papel relevante dentro do vasto universo literário português.
    • AMARAL, Cláudia, PINTO, Ana Lídia, NEVES, Pedro Almiro, Descobrir a História 8 ,
    • 8º Ano, Porto Editora
    • COELHO, Jacinto Prado , Dicionário da Literatura ,
    • vol. 1 e 2, Ed. Figueirinha, 1978
    • http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/rbrandao.htm
    • http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Brand%C3%A3o
    • http://www.vidaslusofonas.pt/raulbrandao.htm
    • http://www.rascunho.net/critica.php?id=622
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