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Apropriação do Telemóvel como Ferramenta de Mediação em Mobile Learning:

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  • 1. Apropriação do Telemóvel como Ferramenta de Mediação em Mobile Learning: Estudos de Caso em Contexto Educativo
    Adelina Maria Carreiro Moura
    Doutoramento em Ciências da Educação,
    Especialidade em Tecnologia Educativa
    Braga, 26 de Maio de 2011
    Universidade do Minho
    Instituto de Educação
  • 2. Introdução
    • Com a evolução das tecnologias móveis um novo “paradigma” educacional tem emergido denominado por mobile learning ou m-learning(Attewellet al., 2009; Kukulska-Hulme & Traxler, 2005; Quinn, 2000; Ryu& Parsons, 2009) e é definido como a aquisição de qualquer conhecimento ou competência usando tecnologias móveis, em qualquer lugar e momento, resultando numa alteração no comportamento (Geddes, 2004, Yousuf, 2007);
    • 3. Estas tecnologias podem suprimir as limitações da aprendizagem confinada à sala de aula, oferecendo acesso a materiais de ensino e de aprendizagem em qualquer local e tempo (Kukulska-Hulme & Traxler, 2005; Song, 2008; Vavoulaet al., 2009; Pachleret al., 2010; Sharpleset al., 2006);
    • 4. Há necessidade de investigar a forma como estas tecnologias podem ser melhor utilizadas como ferramentas de aprendizagem formal e informal (Pachleret al., 2010; Sharpleset al., 2006);
  • Introdução
    • O telemóvel é considerado como a extensão do próprio corpo (Oksman & Rautiainen, 2003) e os seus proprietários já não podem viver sem ele, propondo Prensky (2001) a sua integração na sala de aula;
    • 5. Investigadores de todo o mundo (Kukulska-Hulme & Traxler, 2005; Pachleret al., 2010; Ryu & Parsons, 2009; Sharpleset al., 2006; Vavoulaet al. 2009) têm procurado formas de integrar as tecnologias móveis em contexto educativo, numa variedade de domínios, incluindo a matemática, ciências e línguas;
  • Introdução
    • Alguns autores sugerem que as tecnologias móveis vão transformar a educação nos próximos tempos (Pachleret al., 2010; Ryu & Parsons, 2009, Solowayet al., 2001). Mas para uma utilização eficaz é preciso compreender:
    i) como os alunos utilizam as tecnologias que guardam nos bolsos;
    ii) como se sentem relativamente a essas tecnologias;
    iii) as possibilidades e limitações que apresentam;
    iv) como estas tecnologias alteram o local de aprendizagem e as actividades que suportam.
    • A emergência de novos cenários educativos levou-nos a tentar compreender os desafios e oportunidades da integração de dispositivos móveis, como o telemóvel, no processo de ensino e aprendizagem.
  • Questões da Investigação
    • Como se processa a apropriação do telemóvel enquanto ferramenta de aprendizagem?
    • 6. Como é que artefactos como o telemóvel são usados na aprendizagem individual e colaborativa como elementos de mediação pedagógica?
    • 7. Que papel têm os artefactos na aprendizagem e desenvolvimento de competências de línguas dentro e fora da sala de aula?
    • 8. Que impactes têm as tecnologias móveis no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem?
  • Referencial Teórico para Integração de Tecnologias Móveis no Ensino
    • Abordagens Construtivistas (Bruner, 1966; Fosnot, 1996; Papert, 1999; Piaget, 1977);
    • 9. Teoria da Actividade (Vygotsky, 1978; Leontiev, 1978; Engeström, 2001);
    • 10. Modelo ARCS (Keller, 1987);
    • 11. Investigação em m-learning (Naismithet al., 2004; Kukulska-Hulme& Traxler, 2005; Kukulska-Hulme, 2009; Sharpleset al., 2007; Vavoulaet al., 2009; Shuler, 2009).
    • 12. O conceito de apropriação da ferramenta é definido neste trabalho como a integração de uma nova ferramenta em actividades de aprendizagem (Carrollet al., 2003; Waycott, 2004);
    • 13. A noção de mediação da ferramenta está ligada à ideia de que novas ferramentas podem modificar actividades (Waycott, 2004).
  • Referencial Teórico para Integração de Tecnologias Móveis no Ensino
  • 14. Referencial Teórico para Integração de Tecnologias Móveis no Ensino
    • Características da tecnologia móvel (Naismith et al., 2004)
    altamente portátil
    individual
    não obstrutiva
    disponível
    adaptável
    persistente
    útil
    fácil de usar
    • Características das estratégias pedagógicas (Chen et al., 2002)
    Urgência das necessidades de aprendizagem
    Iniciativa da aquisição do conhecimento
    Mobilidade do contexto de aprendizagem
    Interactividade no processo de aprendizagem
    Actividades de aprendizagem situada
    Integração do conteúdo de ensino
  • 15. Referencial Teórico para Integração de Tecnologias Móveis no Ensino
  • 16. Metodologia
    Tipo de Estudo
    Estudo de Casos Múltiplos - Abordagem qualitativa (Bell, 1997; Bogdan & Biklen, 1994; Coutinho & Chaves, 2002; Rey, 2002) de natureza interpretativa, incidindo sobre quatro casos múltiplos (Yin, 2005), mas com apenas uma unidade de análise: “Integração de tecnologias móveis (telemóvel) no processo de ensino e aprendizagem”.
    Técnicas de Recolha de dados e instrumentos utilizados
    • Inquérito
    - Questionário I - Caracterizar os participantes
    - Questionário II - Conhecer a reacção ao uso de podcasts para revisão de conteúdos de português e aperfeiçoamento da leitura e pronúncia em língua francesa
    - Questionário III - Analisar a reacção às actividades por SMS
    - Questionário IV - Estudar a opinião dos participantes sobre o uso do telemóvel como ferramenta de aprendizagem dentro e fora da sala de aula
  • 17. Metodologia
    • Entrevista
    - Entrevistas individuais
    . Permitiram recolher as reacções dos participantes à utilização do telemóvel como ferramenta de aprendizagem e compreender a interacção e comunicação estabelecida durante o desenvolvimento do estudo.
    - FocusGroup
    . Recolher informações complementares do uso do telemóvel como ferramenta de mediação.
    • Observação participante
    . Notas de Campo da professora/investigadora.
    • Análise documental
    . Produções dos alunos: SMS, conversas no MSN, emails, outros materiais produzidos pelos alunos.
  • 18. Participantes
    8
    Fem.
    10
    2
    Fem.
    3
  • 19. Participantes
    • Antes do estudo a maioria dos alunos (84%) não reconheceu utilidade, nem benefícios ao aproveitamento do telemóvel para apoio ao estudo.
    Aproveitamento do telemóvel para apoio ao estudo
    N=68
  • 20. Quadro Síntese das Actividades
  • 21. Produtos dos alunos
  • 22. Análise de Dados
    • Apropriação do telemóvel como ferramenta de aprendizagem
    • 23. O telemóvel como ferramenta de mediação pedagógica:
    aprendizagem individual e colaborativa
    • O Podcast e o SMS como recursos para mobile learning
    • 24. Potencial pedagógico do telemóvel
  • Apropriação do telemóvel como ferramenta de aprendizagem
    • Leitura no ecrã do telemóvel
    Para a grande maioria dos alunos (96%) o tamanho pequeno do ecrã parece não constituir um problema para a leitura através do telemóvel.
    “… a minha geração é mais para ler no ecrã do que para ler no papel. No papel a mim dá-me sono.” (CE07)
    • Escrita no teclado do telemóvel
    A maioria dos participantes (72%) parece encontrar satisfação em escrever no telemóvel, devido à rapidez, à facilidade e ao conforto. Os alunos adultos (turma D) foram os que tiveram mais dificuldades em escrever no telemóvel.
    “Desde o 1º dia em que comecei esta experiência passei a usar mais o SMS, já consigo escrever melhor mensagens no telemóvel “ (DT02).
    • Tipo de escrita
    A maior parte dos alunos (75%) prefere escrever usando a escrita padrão.
    Justificações
    ”Para não ficar viciado na escrita dos SMS” (A417, A426, A410);
    “Porque acabamos por escrever mal quando usamos x e k” (B410);
    “Porque tenho medo de me enganar quando tiver de escrever correctamente” (C405).
  • 25. Tempo de utilização do telemóvel por semana para tarefas escolares
    • 62% dos alunos referiram passar 1 a 4 horas por semana a usar o telemóvel para tarefas escolares. Os alunos adultos (Turma D) foram os que referiram passar mais de 5 horas por semana a usar o telemóvel.
    “Usei o telemóvel talvez duas a três vezes por dia para a disciplina. ” (DT05).
    “O telemóvel é mais rápido a organizar, não tem a trabalheira de virar folhas, escrever para aqui, escrever para acolá. No telemóvel é tudo automático, é só mexer com o dedo, com um dedo faz-se tudo” (CE07).
    • Os alunos mais críticos foram os alunos da turma A.
    Justificações
    Conveniência
    Utilidade
    88% dos alunos não têm dificuldade em estudar pelo telemóvel.
  • 26. O telemóvel como ferramenta de mediação pedagógica
    aprendizagem individual
    Frequência de utilização do telemóvel nas actividades
    N=68
    “Nós usamos muito o telemóvel para mandar mensagens, fazer telefonemas e se tivéssemos matéria lá [manuais de outras disciplinas], tornava tudo mais fácil, porque nós gostamos muito de mexer no telemóvel e com matéria dava-nos mais gosto estudar” (CE11).
  • 27. Utilidade do telemóvel na aprendizagem individual
    N=68
  • 28. aprendizagem colaborativa
    Justificações
    Interacção
    Comunicação
    Trabalho a distância
    Rapidez
    Utilidade do telemóvel na aprendizagem colaborativa
  • 29. O Podcast e o SMS como recursos para m-learning
    Podcasts para a aprendizagem de línguas
    • A maioria dos alunos (78%) concordou que os Podcasts são um recurso eficaz para aprender conteúdos ou rever a matéria.
    • 30. A totalidade dos alunos de Francês considerou que ouvir os textos do manual a partir de podcasts é uma forma eficaz de melhorar a pronúncia e a leitura.
    “Quando estou a passar a ferro, por exemplo, eu ponho o auricular no ouvido e estou a ouvir muitas vezes” (DE01);
    “Usei mais o mp4 para ouvir os textos quando não tinha nada a fazer” (DE04).
    “Ouvia os podcasts no autocarro, lia as fábulas a caminho da escola … uma pessoa não tinha nada que fazer e ocupava o tempo a ler os contos” (AE26).
  • 31. SMS: uma forma de m-learning para aprendizagem de línguas
    • A curiosidade e a motivação foram as reacções mais assinaladas pelos participantes quando receberam os SMS, não se sentindo incomodados pela invasão da privacidade.
    • 32. Para a maioria dos alunos o processo de escrita dos microcontos em pares por SMS foi fácil ou acessível.
    Valor pedagógico das actividades de aprendizagem por SMS
    “Nas actividades por SMS participei bastante porque acho que era uma forma mais didáctica de trabalharmos com a disciplina. Gostei…era mais interessante…porque podíamos estar em contacto com a professora a qualquer hora e em qualquer sítio” (CE05).
    N=68
  • 33. Reacção dos alunos às actividades por SMS
    Maior envolvimento na aprendizagem
    Motivação e interesse
    Satisfação
    Aprendizagem ubíqua
    Prática inovadora
    • Os alunos da turma A foram os que sentiram mais incómodo em receber SMS ao fim de semana.
    • 34. As alunas da turma B foram as que mais interacção estabeleceram com a professora, para pedir esclarecimentos, dar informações e para responder às actividades por SMS.
  • Potencial pedagógico do telemóvel
    Uso o telemóvel como caderno de estudo onde quero (A404);
    É mais fácil organizar os assuntos (A408);
    Acedi facilmente à informação entusiasmada (B410);
    Podíamos ler, ouvir e estudar onde e quando quiséssemos (C408);
    Tinha armazenado coisas interessantes e consultava-as quando necessário (C406);
    Passei a perceber melhor a gramática (C417);
    Consultava os conteúdos no telemóvel para melhorar a oralidade e a escrita (D405).
  • 35. Dificuldades encontradas nas acções executadas
    Limitações dos dispositivos
    Memória
    Saldo
    Funcionalidades multimédia
    N=68
    • Os alunos da turma A foram os que sentiram mais dificuldades/limitações em acompanhar as actividades com o telemóvel.
  • O telemóvel como ferramenta distractiva
    “Proibido?…isso já não se usa. Está proibido mas toda a gente usa na mesma” (AE27);
    “Acho que deve mudar a mentalidade de alguns dos professores em aceitar. O telemóvel deve ser utilizado, porque nos ajuda bastante em vários aspectos” (DE03);
    “Talvez mostrar às pessoas que o telemóvel não é só uma coisa má para a escola, que tem vantagens” (CE15).
  • 36. Implicações do uso do telemóvel como ferramenta de aprendizagem
    Principais benefícios do telemóvel como ferramenta de aprendizagem
    “É benéfico porque se tivermos dúvidas estamos sempre contactáveis com a professora. Podemos tirar as dúvidas a qualquer momento, sem precisar de esperar pela próxima aula” (AE05);
    “… [estar contactável com a professora] dá mais confiança com a professora” (BE03);
    Ubiquidade
    Conectividade e comunicação
    Facilidade e rapidez
    Organização
    Potencial pedagógico
  • 37. Uso do telemóvel no apoio à aprendizagem por outros professores
    “É bom que todos os professores comecem a utilizar as tecnologias. Para que as aulas não sejam tão aborrecidas ... as novas tecnologias é que nos incentivam a trabalhar” (AE04);
    “Quando a professora mandava a matéria por SMS acho que era uma maneira mais fácil de usar, nós estávamos sempre com o telemóvel na mão e então íamos ver para estudar . Acho que nas outras disciplinas também podia ser igual, se eles enviassem a matéria por SMS ia ser melhor” (BE09).
  • 38. Conclusões
    A apropriação do telemóvel como ferramenta de aprendizagem
    • Dos resultados inferimos que os alunos depois de terem começado a explorar as potencialidades do telemóvel como ferramenta de aprendizagem, descobriram os benefícios e utilidade do aparelho e passaram a usá-lo também como ferramenta de aprendizagem, integrando-o nas suas práticas educativas diárias de forma natural, tal como em estudos de Waycott (2004) e Waycottetal. (2005);
    • 39. As características do telemóvel tais como a sua natureza pessoal, a familiaridade, o controlo, a conveniência, a gestão pessoal da informação e a comunicação facilitaram a apropriação do telemóvel como ferramenta de mediação em m-learning;
    • 40. Verificamos que o telemóvel foi visto como introduzindo novas possibilidades e constrangimentos à actividade (Teoria da Actividade);
    • 41. O telemóvel, ao ser usado como ferramenta de aprendizagem, o artefacto transformou-se, deixando de ser uma ferramenta pessoal para ganhar um novo estatuto (Teoria da Actividade).
  • O telemóvel como ferramenta de mediação em m-learning
    • A maioria dos alunos perspectivouo telemóvel como uma ferramenta de mediação em m-learning;
    • 42. As limitações técnicas dos dispositivos dos alunos parecem não ter interferido na forma como se apropriaram da ferramenta para aprender, nem no nível de satisfação relativamente às experiências mediadas pelos seus telemóveis.
    “Eu antes nunca pensei que o telemóvel desse para aprender qualquer tipo de matéria. Mas hoje...depois destas experiências, digo que é uma óptima ferramenta de aprendizagem” (CE07).
    “… o potencial do telemóvel para aprender em qualquer lado e a qualquer hora é bastante bom pois motiva os alunos a interagir mais na sala de aula e a aprender mais, tanto dentro da sala como fora” (DE03).
  • 43.
    • O facto do telemóvel ser um objecto pessoal, facilitou a sua utilização e apropriação e a resolução de problemas ligados às limitações dos dispositivos;
    • 44. A proposta de trabalho colaborativo suportado pelo telemóvel incentivou à colaboração;
    • 45. O processo de ensino e aprendizagem foi considerado mais atractivo, aumentando a motivação pela aprendizagem;
    • 46. A qualidade da aprendizagem efectuada com o apoio do telemóvel foi considerada melhor do que sem o seu apoio;
    • O professor não desaparece com a tecnologia, ele passa a ter mais oportunidades, pois é uma peça fundamental no processo educativo;
    • 47. O professor não deve ter medo de levar para a sala de aula uma tecnologia pessoal, como o telemóvel, por pensar que perde o controlo sobre os alunos e as actividades;
    • 48. Os dispositivos móveis obrigam a uma reconceptualização de papéis (professor/aluno) e a novas dinâmicas na sala de aula;
    • 49. O aluno tem domínio sobre a tecnologia, por ser sua, e sobre a construção da sua aprendizagem;
    • 50. Não chega mudar a tecnologia, é preciso mudar as abordagens do processo de ensino e aprendizagem.
  • Apropriação do Telemóvel como Ferramenta de Mediação em Mobile Learning: Estudos de Caso em Contexto Educativo
    Adelina Maria Carreiro Moura
    Doutoramento em Ciências da Educação,
    Especialidade em Tecnologia Educativa
    Braga, 26 de Maio de 2011
    Universidade do Minho
    Instituto de Educação

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