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Contracultura - Contestação e resistência na vida social

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Seminário apresentado para a disciplina Socialidade das Mídias, ministrada pelo professor Henrique Magalhães, pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.

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  • 1. CONTRACULTURA Contestação e resistência na vida social Seminário apresentado para a disciplina Socialidade nas Mídias, do professor Henrique Magalhães Aluno: Alexandro Carlos de Borges Souza
  • 2. “ A contracultura floresce sempre e onde quer que alguns membros de uma sociedade escolham estilos de vida, expressões artísticas e formas de pensamento e comportamento que sinceramente incorporam o antigo axioma segundo o qual a única verdadeira constante é a própria mudança.” Timothy Leary Psicólogo, escritor e maior doidão de todos os tempos
  • 3. SUMÁRIO <ul><li>1. Conceito </li></ul><ul><li>2. Mitos contraculturais </li></ul><ul><li>3. Contraculturas históricas </li></ul><ul><li>4. Contraculturas contemporâneas </li></ul><ul><ul><li>4.1 – Geração Perdida </li></ul></ul><ul><ul><li>4.2 – Geração beat </li></ul></ul><ul><ul><li>4.3 – Anos 60 – Contracultura e juventude </li></ul></ul><ul><li>4.4 – Anos 70 - Glams, punks e Nova Era </li></ul><ul><ul><li>4.5 – Hackers, geeks, rappers, cyberpunks... </li></ul></ul><ul><li>5. Contracultura no Brasil </li></ul>
  • 4. 1. Conceito <ul><li>- Fenômeno de afirmação do indivíduo sobre sua própria vida, em contraponto aos ditames sociais e culturais vigentes. </li></ul><ul><li>- Ruptura e tradição (ou tradição de ruptura ) </li></ul><ul><li>- Essa tradição se conecta de 3 formas : </li></ul><ul><ul><li>● Contato direto </li></ul></ul><ul><ul><li>● Contato indireto ou mediado </li></ul></ul><ul><ul><li>● Ressonância </li></ul></ul><ul><li>- Experiência vivida ( estetização da vida) </li></ul>
  • 5. 1. Conceito <ul><li>- Princípios fundamentais: </li></ul><ul><ul><li>● Individualidade acima de convenções sociais </li></ul></ul><ul><li>● Desafio ao autoritarismo </li></ul><ul><ul><li>● Defesa de mudanças individuais e sociais </li></ul></ul><ul><li>Características secundárias: </li></ul><ul><ul><li>● Rupturas e inovações radicais em arte, ciência, espiritualidade, filosofia e estilo de vida </li></ul></ul><ul><ul><li>● Diversidade </li></ul></ul><ul><ul><li>● Comunicação aberta e compartilhamento irrestrito de informações </li></ul></ul><ul><ul><li>● Exílio ou fuga </li></ul></ul><ul><li>- Traços sociais : boemia | humor | hedonismo | elitismo </li></ul>
  • 6. 2. Mitos contraculturais <ul><li>- Natureza estética da contracultura reforça o valor do imaginário na sua construção </li></ul><ul><li>- Mito como codificações das nossas crenças, motivações, aspirações, anseios e temores </li></ul><ul><li>- Dois mitos fundamentais na civilização ocidental: </li></ul><ul><ul><li>● Prometeu (cultura clássica) </li></ul></ul><ul><ul><li>● Abraão (cultura judaico-cristã) </li></ul></ul>
  • 7. 2. Mitos contraculturais <ul><li>Prometeu </li></ul><ul><ul><li>● Humanista </li></ul></ul><ul><ul><li>● Antiautoritário </li></ul></ul><ul><ul><li>● Inovador </li></ul></ul>
  • 8. 2. Mitos contraculturais <ul><li>Abraão </li></ul><ul><ul><li>● Iconoclasta </li></ul></ul><ul><ul><li>● Individualista </li></ul></ul><ul><ul><li>● Auto-exilado ( dropout ) </li></ul></ul>
  • 9. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Na Antiguidade : </li></ul><ul><ul><li>● Cultura Socrática </li></ul></ul><ul><ul><li>● Taoísmo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Zen </li></ul></ul>
  • 10. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Socráticos (Atenas, séc. V a.C.) </li></ul><ul><ul><li>● Surgimento do indivíduo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Pensamento lógico e dedutivo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Crítica não-conformista à vida social </li></ul></ul>
  • 11. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Taoísmo (China, +- séc. V a.C.) </li></ul><ul><ul><li>● Obras: Tao Te King (Lao-Tsé) e o Chuang-Tzu </li></ul></ul><ul><ul><li>● Afirmação do caos: processos da vida como 'caminho' </li></ul></ul><ul><ul><li>● Negação da linguagem, da lógica e da moralidade </li></ul></ul><ul><ul><li>● Valorização da experiência </li></ul></ul>
  • 12. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Zen (China, séc. V / Japão séc. XII e XIII) : </li></ul><ul><ul><li>● budismo + taoísmo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Lenda de Bodhidharma /Hotei </li></ul></ul><ul><ul><li>● Filosofia centrada na noção de vazio </li></ul></ul><ul><ul><li>● Renúncia ao ego e à racionalidade </li></ul></ul><ul><ul><li>● Valorização do presente (extraordinária presença no momento) </li></ul></ul>
  • 13. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Contraculturas Medievais </li></ul><ul><ul><li>● Sufismo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Trovadorismo </li></ul></ul>
  • 14. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Sufismo (só Deus sabe – Idade Média Baixa) </li></ul><ul><ul><li>● Contracultura religiosa e islâmica </li></ul></ul><ul><ul><li>● Paixão como princípio / amor por Deus e pela criação </li></ul></ul><ul><ul><li>● Anulação do indivíduo pela paixão </li></ul></ul>
  • 15. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Trovadorismo (Espanha e Itália, séc. XII e XIII) : </li></ul><ul><ul><li>● Grupo reduzido </li></ul></ul><ul><ul><li>● Adoração da feminilidade </li></ul></ul><ul><ul><li>● Surgimento do cavalheirismo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Erotismo como temática </li></ul></ul><ul><ul><li>● Canção e outras formas poéticas </li></ul></ul>
  • 16. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Contraculturas Modernas </li></ul><ul><ul><li>● Iluminismo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Transcendentalismo </li></ul></ul>
  • 17. 3. Contraculturas históricas <ul><li>- Iluminismo (Europa e EUA, séc. XVII e XVIII) </li></ul><ul><ul><li>● Supremacia da razão científica </li></ul></ul><ul><ul><li>● Estabelecimento do Estado moderno </li></ul></ul><ul><ul><li>● A mídia como fator social determinante </li></ul></ul><ul><ul><li>● Defesa da liberdade de discurso/expressão </li></ul></ul>
  • 18. 3. Contraculturas históricas <ul><ul><li>- Transcendentalismo (EUA, séc. XIX) : </li></ul></ul><ul><ul><li>● Principais nomes: Emerson, Thoreau e Whitman </li></ul></ul><ul><ul><li>● Busca interior pelo elemento divino </li></ul></ul><ul><ul><li>● Exclusão voluntária da vida social </li></ul></ul><ul><ul><li>● Uso da imprensa alternativa </li></ul></ul><ul><ul><li>● Preponderância do indivíduo sobre o Estado </li></ul></ul>
  • 19. 4. Contraculturas contemporâneas 4.1. Geração Perdida <ul><li>- Paris, 1900 - 1940 </li></ul><ul><ul><li>● Surgimento das vanguardas artísticas </li></ul></ul><ul><ul><li>● Estilo de vida boêmio </li></ul></ul><ul><ul><li>● Antirracionalismo </li></ul></ul><ul><ul><li>● Importância para literatura moderna (Pound, Joyce, Eliot, Hemingway) </li></ul></ul>
  • 20. <ul><li>- EUA, anos 50 </li></ul><ul><ul><li>● Niilismo, êxtase e alienação </li></ul></ul><ul><ul><li>● Sincretismo cultural (blues e jazz) </li></ul></ul><ul><ul><li>● Subcultura juvenil: hipsters (boemia, gírias, relacionamentos interraciais, maconha e heroína) </li></ul></ul><ul><ul><li>● Ginsberg, Kerouac e Burroughs </li></ul></ul><ul><ul><li>● Primeira contracultura semiótica (uso da TV) </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.2. Geração Beat
  • 21. <ul><li>Duas fases </li></ul><ul><ul><li>● de 1960 a 1967 ( flower power ) </li></ul></ul><ul><ul><li>● de 1968 a 1972 (radicalização política) </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 60 – Contracultura e juventude
  • 22. <ul><li>- Surgimento de uma juventude de classe média, instruída e consumidora. Sobre esse grupo, nos diz Carlos Alberto M. PEREIRA (1992, p. 93): </li></ul><ul><ul><li>Era exatamente a juventude das camadas altas e médias dos grandes centros urbanos que, tendo pleno acesso aos privilégios da cultura dominante, por suas grandes possibilidades de entrada no sistema de ensino e no mercado de trabalho, rejeitava esta mesma cultura de dentro. </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 60 – Contracultura e juventude
  • 23. <ul><li>- Amplificação do movimento pelos meios de comunicação de massa. Comentam GOFFMAN & JOY (2007, p. 272): </li></ul><ul><ul><li>O inconformismo e a busca pessoal de uma identidade se transformaram em um movimento de massas, de muitas formas produzindo novas formas de conformismo, novas identidades grupais. </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 60 – Contracultura e juventude
  • 24. <ul><li>- Expansão do conceito de liberdade de discurso para liberdade sobre corpo e mente (Leary, Kesey e LSD). Ainda GOFFMAN & JOY (2007, p. 292): </li></ul><ul><ul><li>[Timothy] Leary chamou isso de a quinta liberdade, o direito de um ser humano controlar seus próprios estados de consciência. Em uma sociedade livre, o Estado não pode impedir as pessoas de alcançarem qualquer estado mental, desde que essas pessoas não se metam com as outras. </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 60 – Contracultura e juventude
  • 25. <ul><li>Subculturas juvenis: </li></ul><ul><ul><li>● Hippies </li></ul></ul><ul><ul><li>● Diggers </li></ul></ul><ul><ul><li>● Nova Esquerda (yippies) </li></ul></ul><ul><ul><li>● Panteras Negras </li></ul></ul><ul><ul><li>● Hell's Angels </li></ul></ul><ul><ul><li>● Weathermen (radicais políticos) </li></ul></ul><ul><ul><li>● Situacionistas e anarquistas (Europa) </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 60 – Contracultura e juventude
  • 26. ● Organização de movimentos sociais de defesa das minorias (mulheres, negros, homossexuais, etc) ● Ascensão da música como elemento de identidade juvenil em escala global (rock). 4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 60 – Contracultura e juventude
  • 27. <ul><li>- Fragmentação da cultura jovem em subculturas </li></ul><ul><li>- Glam </li></ul><ul><ul><li>● 1ª reação contracultural ao movimento hippie </li></ul></ul><ul><ul><li>● Crescimento da cultura gay </li></ul></ul><ul><ul><li>● Estética pop decadentista </li></ul></ul><ul><ul><li>● Estetização e sexualidade exacerbada </li></ul></ul><ul><ul><li>● David Bowie, Marc Boland, Lou Reed, Andy Warhol </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 70 – Glams, punks e Nova Era
  • 28. <ul><li>Novas configurações do hippie: </li></ul><ul><ul><li>● Cowboy junkie </li></ul></ul><ul><ul><li>● Político liberal </li></ul></ul><ul><ul><li>● Nova Era </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 70 – Glams, punks e Nova Era
  • 29. <ul><li>Punks: surgem nos EUA, como reação ao hippie, com tom reacionário. Depois é retrabalhado na Inglaterra </li></ul><ul><ul><li>● Atitude + subcultura + estilo musical + moda </li></ul></ul><ul><li>Fenômeno que reúne de forma indissociável aspectos políticos, estéticos e culturais. </li></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 70 – Glams, punks e Nova Era
  • 30. <ul><li>- Adriana AMARAL (2006, p. 132), citando Craig O’HARA, afirma: </li></ul><ul><ul><li>O punk é o somatório entre uma forma de arte, uma teoria e uma atitude política e pode ser visto basicamente de três formas: a) como uma tendência juvenil (ele salienta que essa é a visão mais mostrada na mídia); b) como mudança e rebelião; c) como voz de oposição. </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 70 – Glams, punks e Nova Era
  • 31. <ul><li>Punk: subcultura que sobreviveu à própria época. </li></ul><ul><li>- Ainda AMARAL (2006, p. 140): </li></ul><ul><ul><li>A transição da subcultura em pós-subcultura é marcada pela aceitação de que a subcultura não é necessariamente de cunho ideológico, mas que o pertencimento acontece, em muitos casos, através do estilo estético. Esse estilo estético das subculturas pode ser comparado ao neotribalismo maffesoliniano [...], no qual a estética torna-se o laço afetivo de ligação entre indivíduos sendo a principal característica das sociedades contemporâneas. </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Anos 70 – Glams, punks e Nova Era
  • 32. 4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Hackers, geeks, rappers, cyberpunks... <ul><li>Anos 90: multiplicidade de expressões subculturais. </li></ul>
  • 33. <ul><li>Tecnocultura : alicerçada nas contraculturas pós-Hiroshima. </li></ul><ul><li>Cultura hacker </li></ul><ul><ul><li>● acesso irrestrito a computadores </li></ul></ul><ul><ul><li>● Informação livre e disponível </li></ul></ul><ul><ul><li>● Desconfiança em relação à autoridade </li></ul></ul><ul><ul><li>● Promoção da descentralização </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Hackers, geeks, rappers, cyberpunks...
  • 34. <ul><li>Ciberdelia : cultura das raves e do tecnoxamanismo </li></ul><ul><ul><li>● Música eletrônica </li></ul></ul><ul><ul><li>● Realidade virtual / apologia à tecnologia </li></ul></ul><ul><ul><li>● Drogas </li></ul></ul><ul><ul><li>● Encontro de subculturas: Nova Era + geeks </li></ul></ul>4. Contraculturas contemporâneas 4.3. Hackers, geeks, rappers, cyberpunks...
  • 35. <ul><li>Tropicalismo : anos 60. </li></ul><ul><ul><li>● Precursores: Jorge Mautner (beat generation) </li></ul></ul><ul><ul><li>● Expoentes: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes (música); Torquato Neto, Paulo Leminsky e José Agrippino de Paula (literatura); Hélio Oiticica e Lygia Clark (artes plásticas) </li></ul></ul>4. Contraculturas no Brasil
  • 36. <ul><li>Punk BR : anos 80. </li></ul><ul><ul><li>● Adesão rápida de pessoas vindas da periferia </li></ul></ul><ul><ul><li>● Crescimento do anarcopunk nos anos 90. </li></ul></ul>4. Contraculturas no Brasil
  • 37. <ul><li>Manguebeat : subcultura nordestina dos anos 90 </li></ul><ul><ul><li>● Elementos ciberdélicos e hackers </li></ul></ul><ul><ul><li>● Descentralização cultural </li></ul></ul><ul><ul><li>● Revitalização da tradição popular na cultura pop </li></ul></ul>4. Contraculturas no Brasil
  • 38. Bibliografia AMARAL, Adriana. Visões Perigosas: Uma arque-genealogia do cyberpunk – comunicação e cultura. Porto Alegre: Sulina, 2006. DERY, Mark. Velocidad de Escape – La Cibercultura em el fin del siglo. Madrid: Siruela, 1998. GOFFMAN, Ken & JOY, Dan. Contracultura Através dos Tempos – Do mito de Prometeu à cultura digital. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida cultural na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002. PEREIRA, Carlos Alberto M. O Que É Contracultura. São Paulo: Brasiliense, 1992. TESSER, Paula. Mangue Beat: húmus cultural e social. LOGOS 26: comunicação e conflitos urbanos. Ano 14, 1º semestre 2007. Disponível em: < http://www.logos.uerj.br/PDFS/26/05_PAULA_TESSER.pdf > Acesso em 26/10/2010. VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
  • 39. CONTRACULTURA Contestação e resistência na vida social Seminário apresentado para a disciplina Socialidade nas Mídias, do professor Henrique Magalhães Aluno: Alexandro Carlos de Borges Souza

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