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5360 3477 modelo de artigo 13102012

  1. 1. A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UM CEI DE CURITIBA-PR CASTRO, Gisele Yumi Freitas de – PUCPR gisele.castro@pucpr.br WINKELER, Maria Sílvia Bacila - PUCPR silvia.bacila@gmail.com Eixo Temático: Didática: Teorias, Metodologias e Práticas Agência Financiadora: não contou com financiamentoResumoAs crianças aprendem por meio da imitação fazendo-se necessário um bom trabalho para quepossamos formar bons cidadãos e mais do que isso, bons cidadãos-leitores. A leitura comoprática social na Educação Infantil, com crianças de 2 a 5 anos, foi objeto de estudo destetrabalho. Para tanto a vivência de três meses em um Centro de Educação Infantil (CEI) foi desuma importância para compor esse relato. A observação possibilitou a análise da proposta daescola sobre a leitura e a prática pedagógica nesta dimensão. Também foi aplicado umquestionário aos professores e entrevistas a algumas crianças de cinco anos, a fim de relatar apercepção dos mesmos sobre a importância da leitura. Para a pesquisa foi utilizado daabordagem qualitativa apontadas por Bogdan e Biklen. A utilização dos instrumentos decoleta de informações foi baseada em Ens. Para fundamentação teórica deste estudo foramutilizados os autores: Ferreiro, Goodman, Rego e Teberosky, os quais possibilitaram afundamentação sobre a leitura. Por meio das práticas capazes de proporcionar às criançasmomentos de construção do saber, a leitura nessa etapa sugere de forma prazerosa,possibilitando às crianças o desenvolvimento de vários fatores como: imaginação, emoções,sentimentos, ampliação contínua do vocabulário além de lhe permitir entrar em um universoque ela irá se apropriando aos poucos: o universo letrado.Palavras-chave: Prática Pedagógica. Leitura.Educação Infantil.Introdução O presente artigo é produto de uma pesquisa realizada em um Centro de EducaçãoInfantil que atende crianças de 2 a 5 anos na região de Curitiba, com a finalidade de conhecer
  2. 2. 14026a importância da leitura para as crianças, a investigação através dessa vivência é relevantepara o aprimoramento das práticas educadoras enquanto estudantes universitárias dePedagogia. A vivência divide-se em momentos significativos para a estruturação do processoevolutivo da pesquisa, bem como a organização do relatório. Esses momentos foram divididosem: fundamentação teórica, metodologia e apresentação de análise de dados. O mesmoapresenta os resultados de uma pesquisa realizada em duas visitas a um Centro de EducaçãoInfantil (CEI) de Curitiba onde foram observadas crianças de 2 a 5 anos. Observamos oquanto à leitura pode ser prazerosa e enriquecedora quando o profissional da área daEducação usa da criatividade e afetividade para compor a sua organização em sala de aula. Os resultados desta pesquisa podem permitir, em um curto espaço de tempo (foiutilizado de três meses de vivência em ambiente escolar), uma melhor avaliação daimportância da leitura para os pequeninos. Sendo assim, a pesquisa faz-se importante àmedida que servirá de auxílio aos docentes para que possam aperfeiçoar sua prática com ascrianças, orientando-as e estimulando-as nesse processo que pode ser prazeroso para osprimeiros contatos com a linguagem escrita. Nosso primeiro passo foi concentrar os esforços na atualização de dados, observando ainteração, aluno, professor, recursos e a leitura de mundo, ou seja, a vivência das crianças.Inicialmente, imaginamos que seria possível partir de planos convencionais como a roda daleitura, que atualmente é prática diária no âmbito escolar de Educação Infantil. Utilizamos deinstrumentos para a pesquisa a realização de entrevista com as crianças e questionário para oeducador, a fim de analisarmos a importância da leitura para crianças de 2 a 5 anos em umCEI em Curitiba – PR. Visando determinar um diferencial no trabalho realizado nesta escola, foramobservados: a sala de aula, o comportamento das crianças diante das atividades de leitura, osrecursos utilizados, e a satisfação das crianças e professores frente aos desafios. Realizamostambém a análise documental do Projeto Pedagógico da Escola na qual pouco se refereespecificamente à leitura. Contribuíram para fundamentação da pesquisa autores importantes como: Ferreiro, aqual muito contribuiu para nos auxiliar na pesquisa; Goodman que nos trouxe uma ideiainicial de como é trabalhada a questão da leitura nas escolas; Teberosky (1996), que relatacomo o professor é importante nesse processo de leitura inicial, além desses ainda podemoscontar com Rego (1987), Sandroni (1991) entre outros. Aos quais nos possibilitaram fazer
  3. 3. 14027uma excelente pesquisa, que vem contribuir para a importância da leitura na EducaçãoInfantil.A importância da preparação do: educador, dos recursos e da criança para o ensino eaquisição da leitura Os estudos sobre a aquisição, adequação e práticas de leitura tem sido cada vez maisrecorrentes, fazendo com que o desenvolvimento de projetos nessa área tenha sustentáveis ecompetentes obras de autores que elaboram pesquisas a cerca da temática “importância daleitura”. Conforme Ferreiro (1987) para ensinar a ler precisamos aprender técnicas edesenvolver situações para compor o desenvolvimento da leitura. É percebido que os recursosutilizados para a concepção da leitura interferem nos objetivos a serem alcançados. A criançaestabelece um contato com a leitura segundo a criação de uma nova realidade e em seguidaaprende a ler e desenvolve o gosto por tal atividade. Como exemplo, podemos citar a leitura de embalagens de alimentos, as placas nasruas e com o tempo adquirem percepção e leitura de mundo. De acordo com Ferreiro (1987, p.21) “... aprender a ler começa com o desenvolvimento do sentido das funções da linguagemescrita. Ler é buscar significado, e o leitor deve ter um propósito para buscar significado notexto”. A leitura e escrita são práticas sociais. Sendo assim, a criança desenvolve a linguagemfalada, lida e escrita pela interação com o meio social e também fazendo ligação com o queela já sabe.Como formar leitores Um dos projetos analisados é o projeto “Contador de histórias”, que consiste em umacaixinha com diferentes livros de histórias, selecionados de acordo com a idade e interessedos alunos. O aluno escolherá o seu livro preferido dentre os que estão na caixinha, levarápara casa para ler com os pais e fazer o registro sobre a história, que poderá ser através daescrita, de desenhos, montagem, colagem ou alguma outra forma criativa que ele preferir. Nasala de aula, o aluno poderá apresentar para os colegas o livro que leu. Segundo Sandroni e Machado (1991, p.12) “a criança percebe desde muito cedo, quelivro é uma coisa boa, que dá prazer”. As crianças bem pequenas interessam-se pelas cores,formas e figuras que os livros possuem e que mais tarde, darão significados a elas,
  4. 4. 14028identificando-as e nomeando-as. A partir disso, ela começa a gostar dos livros, percebe queeles fazem parte de um mundo atraente, onde a fantasia apresenta-se por meio de palavras edesenhos. De acordo com Sandroni e Machado (1991, p.16) “o amor pelos livros não é coisaque apareça de repente”. É preciso ajudar a criança a descobrir o que eles podem oferecer.Assim, pais e professores têm um papel fundamental nesta descoberta: serem estimuladores eincentivadores da leitura. Nesse sentido pode-se dizer que a capacidade e a curiosidade pelaleitura está intimamente ligada a motivação e aos modelos de leitor ao qual as crianças vãoseguir.A proposta do CEI sobre leitura Através da análise da Proposta Pedagógica do CEI podemos perceber que osprofessores realmente se preocupam e trabalham com a leitura independentemente da faixaetária das crianças, apresentando a leitura como trabalho diário realizado em sala. A propostaapresenta como práticas de leitura: • Participação nas situações em que os adultos lêem textos de diferentes gêneros como contos, poemas, notícias de jornal, informativos, parlendas, trava línguas etc; • Participação em situações em que as crianças leiam, ainda que não façam de maneira convencional; • Reconhecimento do próprio nome dentro do conjunto de nomes do grupo nas situações em que isso se fizer necessário; • Observação e manuseio de materiais impressos como livros, revistas, histórias em quadrinhos, previamente apresentado ao grupo; • Valorização da leitura como fonte de prazer e entretenimento (Projeto Político Pedagógico,2009, p. 67) Também podemos confirmar essa informação por meio da análise do caderno deplanejamento das professoras, que apresenta todo dia a leitura de uma história diferente paraas crianças, uma vez por semana visita a biblioteca e diariamente elas trabalham com ocantinho da leitura, onde as crianças podem manipular livros, revistas, jornais, gibis conformea sua preferência demonstrando cuidado pelos mesmos. Segundo Teberosky (1996, p. 25) “aleitura diária permite às crianças um contato com a linguagem formal dos livros e com o texto
  5. 5. 14029escrito que as motiva a aprender, ao mesmo tempo em que condiciona suas aprendizagensposteriores”.A percepção de professores sobre a leitura Para realizar a pesquisa, o grupo utilizou a abordagem qualitativa que atende ascaracterísticas apontadas por Bogdan e Biklen (1982, apud LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.11-13) que são: a) A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como principal instrumental – contato direto do pesquisador com o ambiente e a situação real investigada; b) A análise de dados seguirá um processo indutivo – processo em que parte-se do particular para o geral; c) Os dados coletados serão predominantemente descritivos – retratando as perspectivas dos sujeitos; d) Preocupação com o processo é maior do que com o produto – prevalece à importância de todo o processo que a pesquisa percorre; e) O significado que as pessoas dão as coisas e a sua vida são focos de atenção pelo pesquisador – a preocupação do investigador é com os significados. Conforme Ens (2007), os instrumentos e os procedimentos de pesquisa referem-se adeterminados tipos de dados a serem coletados, podendo ser aplicados em conjunto. Paracoletar os dados foram utilizados os seguintes procedimentos: entrevista com as crianças,questionário com os professores e análise do Projeto Político Pedagógico e dos cadernos deplanejamento das professoras. Os dados a serem apresentados estão divididos em três partes: aproposta da escola sobre a leitura na Educação Infantil, a percepção de professores e alunossobre a importância da mesma. Foram aplicados questionários as quatro professoras que trabalham no CEI,desenvolvendo seu trabalho com crianças de 2 a 5 anos que permanecem na escola emperíodo integral. Em conversa informal todas relataram que realmente o trabalho com a leiturase faz importante e que é feito diariamente. As professoras A e B, que dão aula para a turmado Pré I (4 anos) e Pré II (5 anos) disseram que ultimamente a visita a biblioteca não estavasendo realizada semanalmente por problemas de falta de funcionários de quadro deprofessoras auxiliares. Enquanto as professoras C (Maternal I - 2 anos) e D (Maternal II – 3
  6. 6. 14030anos) falaram que estavam sim indo a biblioteca regularmente conforme o solicitado pelapedagoga. Quando perguntamos com que frequência elas liam para as crianças todasresponderam que diariamente. Analisando a resposta apresentada pelas professoras podemosconsiderar que o trabalho com relação à leitura tem se dado de forma coerente, pois oReferencial Curricular Nacional da Educação Infantil (RCN) nos apresenta que “as práticas deleitura para as crianças que ainda não sabem ler convencionalmente têm um grande valor emsi mesmas, sendo que nem sempre são necessárias atividades posteriores” (1998, v.3, p. 141),sendo assim o trabalho de leitura deve acontecer diariamente e não são necessárias atividadesdepois da leitura, ela deve acontecer somente pelo ato de ler. Na segunda pergunta do questionário: “As crianças manipulam livros, jornais, revistas,materiais escritos?” foram preenchidas da seguinte maneira: professora A, 5 vezes porsemana; professora B, igualmente a A; professora C, 2 vezes por semana e a professora D, 3vezes por semana. Segundo Teberosky (1996, p. 85) “para entrar no mundo da escrita éimportante que as crianças interajam com uma grande diversidade de textos, já que sãocapazes de produzir e reproduzir textos narrativos, descritivos, de fixação, cartazes, textos emjornais, etc.” É observado que através da visita ao CEI que o trabalho a cerca da leitura tem sedado com mais frequência nas salas das crianças de 4 e 5 anos (Pré I e Pré II), nessas salas jáexiste um trabalho voltado para a leitura e até mesmo para o início da alfabetização. Enquantoque, nas turmas de 2 e 3 anos (Maternais I e II) o trabalho com relação a leitura acontece, masnão diariamente. Diante deste fato podemos perceber que erroneamente as professoras C e Dnão permitem que as crianças utilizem e manipulem materiais impressos diariamente,impossibilitando as crianças o contato direto com a leitura, o que pode acabar prejudicando-asno futuro. Quando questionadas: “Com que freqüência levam as crianças a biblioteca?”, todasderam a mesma resposta: 1 vez por semana. Segundo Sandroni (1991, p. 31) “a biblioteca é ofator que dá oportunidade de desfazer um condicionamento, apresentando uma gama deopções de leitura, facilitando a livre escolha da criança e promovendo um contato agradávelcom os livros”. Para a autora as crianças deveriam freqüentar à biblioteca desde cedo, paraque possam aos poucos tendo um contato prazeroso com os livros e para que possam seapropriar da escrita.
  7. 7. 14031 Diante disso podemos perceber que as professoras têm utilizado desse bem preciosopara o desenvolvimento das crianças que é a biblioteca. A visita a mesma é feita uma vez porsemana para que as professoras possam fazer o rodízio e também para que a mesma possa serlimpa semanalmente. Ao perguntarmos se as crianças manipulavam livros elas também foram unanimes naresposta: “Sim”, mas também reforçaram na pergunta posterior do questionário relatando queas crianças não podem manipular os livros conforme a escolha deles e sim conforme omaterial que é disponibilizado por elas. Teberosky (1996) menciona sobre a importância dascrianças escolherem o material que vão utilizar na sala isso acontece, mas na bibliotecainfelizmente não. As professoras relataram que o CEI trabalha com o cantinho da leituradiariamente, mas também fizeram uma crítica dizendo que os materiais manipulados pelascrianças já estão muito velhos, rasgados e mal cuidados. Observa-se que o cantinho da leitura é extremamente importante, pois ele permite acriança ir se descobrindo enquanto ser leitor. E possibilita ainda um contato muito importantecom a função da leitura, à medida que vai descobrindo que as palavras escritas nos livrosservem para nomear as coisas e também para expressar emoções, sentimentos etc. Ou seja, eladescobre que tudo o que é falado pode ser escrito e o que lhe possibilita isso é a prática deleitura, o contato direto com os materiais escritos e um bom professor mediador. Na pergunta sobre qual tipo de material impresso elas mais utilizavam foramapresentadas as respostas seguindo a ordem do que elas mais usavam para o que menosusavam: livros, revistas e rótulos. Percebe-se que o livro é a preferência das professoras e também o meio que elas maisutilizam quando se fala em leitura. Mas também é de extrema importância trabalhar com avariedade de materiais impressos para que a criança vá descobrindo as funções da escrita e daleitura e também a diferença entre eles. Para o Referencial Curricular Nacional para EducaçãoInfantil (1998, vol. 3) faz-se importante o manuseio de materiais, de textos diversos para queas crianças conheçam de forma gradativa as características formais da linguagem e a diferençaentre os mesmos. Finalizando com a pergunta: “Porque a leitura na Educação Infantil é importante?”,tivemos as seguintes respostas: professora A: “Porque possibilita a criança o contato com alíngua escrita, desenvolve a concentração, memória e a atenção da mesma, além de ampliar ovocabulário e poder possibilitar o contato inicial e o prazer pela leitura.”, professora B:
  8. 8. 14032“Porque abre uma nova descoberta de mundo, onde as crianças se veem inseridas e começama sentir que realmente os livros são importantes.”, professora C: “É importante para odesenvolvimento da criança.”, professora D: não respondeu.Percepção dos alunos de cinco anos sobre a leitura A entrevista com as crianças foi realizada individualmente na biblioteca e se deu deforma bem natural, deixando as crianças à vontade para responder, tornando a entrevistaquase uma conversa informal, mas sem desconfigurar seu objetivo, o de saber como ascrianças enxergam esse processo de leitura mesmo sendo tão pequenas e sem saber ao certoaonde esse mundo mágico dos livros vai parar. Na primeira questão, quando questionamos se as crianças ouvem histórias todos osdias, elas responderam que sim. Que todo dia a professora seleciona um livro para fazer aleitura para eles. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) apresentaa leitura como atividade permanente, pois responde às necessidades básicas de aprendizageme de prazer para as crianças e esses conteúdos necessitam de uma constância. Dessa formapodemos entender que o trabalho está coerente visto que as professoras leem diariamente paraas crianças. Quando questionadas se aprendiam coisas através da leitura apenas duas criançasresponderam: aluno A – “Eu aprendo o nome de algumas coisas novas que eu não sabia”;aluno B – “Eu aprendi que não pode desperdiçar a água porque se não vamos ficar sem ela”.Assim podemos identificar que nessa idade as crianças vivenciam a leitura, mas algumas nãoconseguem associar que o que aprenderam foi por meio da leitura. Disponibilizar para as crianças rótulos, livros e outros materiais do cotidiano são maissignificativos na composição da linguagem e a aplicação da leitura. Segundo a autora: A leitura de histórias é um contato essencial com textos escritos. Histórias são um modo de criação de uma imagem mental, enquanto desenhos representam imagens no papel. É possível, a partir de um desenho, construir uma história. O processo é um ciclo completo. (GOODMAN, 1995,p.103) Quanto à avaliação é muito importante não classificar os alunos. Certa vezobservamos que uma professora dividiu a sala em dois grupos e os classificou de bons e ruins.Um dos alunos nos contou que estava feliz por estar no grupo dos bons, porém como já sabia
  9. 9. 14033ler e escrever a professora lhe dizia que não deveria se pronunciar nas aulas já que dominavao assunto. Na Educação Infantil deve-se preservar o direito ao brincar, esse momento é muitorico e significativo. Vygotsky salienta a importância do lúdico em suas pesquisas, (REGO,1999). O momento de promoção do direito ao brincar ajuda a externar a vivência e contribuipara a socialização. Os valores culturais são desenvolvidos pelos adultos e por isso as criançasprecisam do nosso olhar pesquisador frente as suas leituras. Precisamos desmistificar osprocessos e acreditar no entendimento das crianças e o aprendizado que eles são capazes deabsorver para logo produzir seus próprios pensamentos. Diante da realidade de nossostempos, com o bombardeio de informações, a criança precisa de conhecimento para que seudesenvolvimento na leitura ocorra de forma eficiente. Para tanto percebemos que o educadordeve promover a brincadeira e um ambiente livre de todos os estereótipos. Existe o direito aidentidade e respeitar o ser livre no espaço educativo. Respeitar o diferente e o diversocontribui para a formação cultural e o olhar sobre o ambiente, o objeto e o indivíduo. Segundo Ferreiro (1987), crianças que recebem estímulos têm maiores chances decompreensão de leitura e escrita. O estímulo deve ser propagado de forma mais eficiente, emambiente escolar e em casa. De acordo com Goodman (1995), as salas de aula precisamrefletir os ricos ambientes alfabetizadores, nos quais as crianças estão mergulhadas fora daescola. A criança pode experimentar o imaginário e estabelecer seus próprios parâmetrossegundo a sua realidade. Observamos também através da entrevista que os alunos gostammuito dos livros “pop-ups”. Nesses livros as gravuras costumam “pular” para fora do livropossibilitando maior interação e surpresa a cada momento da história relatada. Através da entrevista com as crianças percebe-se que o trabalho com relação à leituraestá sendo trabalhado de forma coerente fazendo com que as crianças desenvolvam váriascaracterísticas de um aluno-leitor e a criticidade.Considerações finais Partindo da nossa proposta inicial de analisar a importância da leitura na EducaçãoInfantil percebemos que muitas são as aprendizagens que as crianças fazem por meio dela. Verificamos que o Projeto Político Pedagógico do CEI apresenta como atividadepermanente o manuseio de livros e materiais escritos e também apresenta diversos objetivos
  10. 10. 14034com relação à leitura, preocupados em fazer com que as crianças não apenas manipulemdiversos materiais escritos, mas principalmente que tenham um contato com a linguagemescrita e possam desenvolver aos poucos o prazer pela leitura. O Projeto também apresenta um referencial para as professoras de como deve ser otrabalho com relação à mesma, de modo que possibilite a crianças um contato com alinguagem oral e escrita em situações cotidianas com adultos, para capacitar as crianças aoexercício do ato de ler (mesmo que não convencionalmente). Também podemos verificar apercepção dos professores com relação à leitura. As crianças de cinco anos evidenciarammuita curiosidade sobre a leitura e demonstraram que aprendem muito através dos livros. A leitura é um processo constante que se inicia muito cedo, em casa a partir do que acriança tem contato no dia a dia, deve-se aperfeiçoar na escola e continuar pela vida toda. Acriança que houve histórias desde muito cedo, que tem contato com livros e materiaisimpressos e que é estimulada terá um bom desenvolvimento, além é claro de ampliaratividades básicas como: atenção, memória, concentração, memorização, aumento dovocabulário entre outros. Percebendo que as crianças da Educação Infantil têm um enormedesejo pela leitura e a veem como algo mágico que abre as portas para novas aprendizagenssentimos a necessidade de pesquisar sobre: como os professores do ensino fundamentalrealizam o trabalho com relação à leitura. Os professores que proporcionam uma leitura agradável, sem forçar, com naturalidade,farão despertar na criança um hábito que poderá acompanhá-la pela vida. Se o professoracreditar que além de informar, instruir ou ensinar, o livro pode dar prazer, encontrará meiosde mostrar isso à criança. E ela vai se interessar por ele, vai querer buscar no livro esta alegriae satisfação. Tudo está em ter a chance de conhecer a grande magia que o livro proporciona.Enfim, a leitura infantil é um amplo campo de estudos que exige do professor conhecimentopara saber adequar os livros às crianças, gerando um momento propício de prazer eestimulação. REFERÊNCIASBRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério daEducação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998.Disponível em:
  11. 11. 14035http://www.atontecnologia.com.br/clientes/araucaria/04_arquivos/04_concursos_publicos/047/referencial_curricular_vol1.pdf Acesso em: 24 jun de 2011.CENTRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL SANTA BERTILLA BOSCARDIN. ProjetoPolítico Pedagógico. Curitiba: 2009ENS, Romilda Teodora. O significado da formação de professores. 2007. Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/posteres/GT08-1746--Int.pdf> Acesso em:29 set. 2010.FERREIRO, Emilia. Os processos de leitura e escrita: novas perspectivas. Porto Alegre:Artes Médicas, 1987.GOODMAN, Yetta M. Como as crianças constroem a leitura e a escrita. Ed.Artes Médicas– Porto Alegre / RS, 1995.LÜDKE, Menga e ANDRÉ, Marli E. D. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas.São Paulo: EPU, 1986.MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos."RCNs (ReferenciaisCurriculares Nacionais)" (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira -EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002,http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=108, visitado em 13/5/2011.REGO, Teresa Cristina. Uma perspectiva histórico-cultural da educação.7. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.SANDRONI, Laura, Machado, Luiz. A criança e o livro. São Paulo: Editora Ática, 1991.TEBEROSKY, Ana. Além da Alfabetização. Ed. Ática, São Paulo, 1996.

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