Principios da aps 2010

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Aula ministrada no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde do Centro de Pesquisas René Rachou, Mestrado e Doutorado Acadêmicos. Disciplina Seminários em Saúde Pública. Coordenadora Zélia Profeta

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Principios da aps 2010

  1. 1. Atenção Primária evolução história e contexto mundial Leonardo Cançado Monteiro Savassi Coordenador da Residência em Medicina de Família e Comunidade de Betim Diretor de Publicações da SBMFC Médico de Família e Comunidade [email_address]
  2. 2. A falta de limite claro para os gastos em saúde no contexto da Medicina Científica pode torná-la inviável se a esses gastos não corresponderem melhorias na saúde de uma determinada população. (Aguiar, 2005)
  3. 3. Definição de alguns termos (OU: vamos deixar claro do que estamos falando aqui…)
  4. 4. Definição de alguns termos APS : Atenção Primária a Saúde: “Atenção de primeiro contato. Continua, global e coordenada que se proporciona à população sem distinção de gênero, ou enfermidade, ou sistema orgânico” (B. Starfield). “Cuidados que propiciam a manutenção básica de saúde, serviços terapêuticos e a coordenação das necessidades e serviços comunitários” (DeCS) Atenção Básica : “ A Atenção Básica é um conjunto de ações, de caráter individual e coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação.” (MS) “interpretação oficial (brasileira) da APS, baseada no Programa Saúde da Família” (Aguiar)
  5. 5. Definição de alguns termos PSF: Estratégia que visa a reestruturação da APS do SUS. Equipes com no mínimo médico/ enfermeiro/ auxiliar de enfermagem/ 4 ACS que devem atender de forma integral a no máximo 800 famílias ou 4.000 pessoas. (MS). “ (...) reorganizar a prática da atenção à saúde e substituir o modelo tradicional . (...) ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde, de forma integral e contínua. (...)atendimento na unidade básica de saúde ou no domicílio. (...) Assim, esses profissionais e a população acompanhada criam vínculos de co-responsabilidade (DeCS)
  6. 6. Definição de alguns termos Médico de Família e Comunidade: “ Especialista Clínico da Integralidade” (SBMFC). “ Médico para a vida toda” (SBMFC). “ Especialidade médica reconhecida pelo CNRM desde 2001 (desde 1981 como MGC)” (CNRM) “ Médicos pessoais, responsáveis pela prestação de cuidados abrangentes e continuados a indivíduos independente da idade, sexo ou afecção. Prestam cuidados a indivíduos no contexto das respectivas famílias, comunidades e culturas, respeitando sua autonomia”. (WONCA)
  7. 7. Definição de alguns termos Médico Generalista: “O profissional médico que não se especializa em nenhuma área particular da medicina, não é sujeito à certificação de especialista e geralmente provê cuidados primários” (Gusso) Clínico Geral: Especialidade médica reconhecida pelo CNRM que trata de adultos e ocupa a maior parte do tempo em atividades intrahospitalares. É também conhecida como medicina interna” (CNRM) “ Especialidade médica voltada para o diagnóstico e tratamento das doenças dos sistemas de órgãos internos dos adultos” (sinônimo de clinica geral e medicina interna) (DeCS)
  8. 8. Médico de Família e Comunidade X APS X MFC APS = atenção primária à saúde - “LUGAR” MFC = Medicina de Família e Comunidade - Especialidade PSF = Programa Saúde da Família – Estratégia/política de Estado ( Gusso 2005)
  9. 9. Evolução e consolidação da APS
  10. 10. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>1910 “Relatório Flexner”, </li></ul><ul><li>Luta pelo ideário científico </li></ul><ul><li>Medicina como ciência embasada. </li></ul><ul><li>Define padrões de entrada, amplia para 4 anos </li></ul><ul><li>a duração dos cursos de medicina; introdução </li></ul><ul><li>do ensino laboratorial; estímulo à docência em </li></ul><ul><li>tempo integral; expansão do ensino clínico, especialmente em hospitais ; vinculação das escolas médicas às universidades; ênfase na pesquisa biológica; vinculação da pesquisa ao ensino; estímulo à especialização médica ; controle do exercício profissional pela profissão organizada. </li></ul>( Aguiar 2005) Abraham Flexner http://www.nndb.com/people/241/000115893
  11. 11. Evolução Histórica da APS 1910 “Relatório Flexner”, O paradigma flexneriano proporcionou todo o avanço científico e tecnológico da Medicina com evolução de métodos terapêuticos, propedêuticos, somando pesquisa à prática. Importante valorizar o ambiente sociocultural e de trabalho no qual e para o qual as diretrizes flexnerianas foram elaboradas ( Aguiar 2005) Abraham Flexner http://www.nndb.com/people/241/000115893
  12. 12. <ul><li>Alma-Ata (1977) vem de movimentos de valori- </li></ul><ul><li>zação da APS em vários países, dentre eles: </li></ul><ul><li>Alemanha 1847 </li></ul><ul><li>“ A medicina é uma ciência social e a política nada </li></ul><ul><li>mais é do que a medicina em grande escala.” </li></ul><ul><li>Conceito da Medicina Social: </li></ul><ul><li>Investigando epidemia de F. Tifóide em área rural da Prússia não recomendou soluções médicas, mas investimento na qualidade de vida através de “radical” reforma econômica, política e social; </li></ul><ul><li>Delineamento inicial do conceito ampliado de saúde, de uma seara médica para um objeto da esfera política </li></ul>Rudolf Virchow http://clendening.kumc.edu/dc/pc/v.html
  13. 13. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>Rússia 1864 - Projeto “Zemstvo” (distrito) </li></ul><ul><li>Assembléias distritais deliberativas compostas por nobres, donos de terra e trabalhadores rurais. </li></ul><ul><li>Rede de centros de saúde em áreas rurais, criação de cargos e organizações sanitárias nas províncias </li></ul><ul><li>Em 1872, o Zemstvo de Perm criou o cargo de médico sanitário, responsável por estudos para evitar surtos em suas áreas. </li></ul><ul><li>Em 1885, o Zemstvo de Moscou criou o primeiro Instituto de Médicos Sanitários. </li></ul><ul><li>A experiência sanitária dos Zemstvo foi ainda aperfeiçoada e levada adiante pelos bolcheviques na revolução de 1917 </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>Inglaterra 1920 </li></ul><ul><li>Regionalização dos serviços de </li></ul><ul><li>saúde com “Primary health centers” com </li></ul><ul><li>serviços de medicina curativa e preventiva </li></ul><ul><li>através de médicos generalistas. </li></ul><ul><li>Hierarquização dos serviços: PHCs como </li></ul><ul><li>porta de entrada para o restante do sistema </li></ul><ul><li>= centros de saúde secundários, unidades de serviços suplementares e um hospital universitário (teaching hospital) </li></ul><ul><li>A APS inglesa beneficia-se da relação simbiótica entre uma emergente camada de “general practitioners” e o NHS. </li></ul>Bertrand Dawson http://www.time.com/time/magazine/0,9263,7601300901,00.html
  15. 15. Evolução Histórica da APS Inglaterra 1920
  16. 16. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>China – 1965 </li></ul><ul><li>Comitês Comunais Chineses promoviam campanhas de saúde, saúde ambiental, a realização de cuidados preventivos e tratamento. </li></ul><ul><li>“ Médicos de pés descalços”, treinados a participar das atividades agrícolas, por proventos, e estreitar laços com a comunidade na qual viviam e trabalhavam. </li></ul><ul><li>OMS queria divulgar essa experiência, mas não teve autorização do governo chinês que não a considerou suficientemente madura para ser divulgada. Isto não impediu a influência das idéias chinesas no delineamento da proposta de APS em Alma-Ata. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>EEUU 1961 </li></ul><ul><li>NEJM, “The Ecology of Medical Care” estudou a procura dos serviços de saúde por usuários americanos (White et al., 1961). </li></ul><ul><li>O artigo alertou para o pouco conhecimento do processo de tomada de decisão pelo paciente – que decide procura o serviço de saúde, trata seu problema por vias alternativas ou ignora-o. </li></ul><ul><li>Também chamou a atenção para a real distribuição ecológica do uso dos serviços e das necessidades de saúde, argumentando que ela não era levada em conta na organização dos serviços de saúde ou no treinamento de profissionais </li></ul>
  18. 18. 1961
  19. 19. 2001
  20. 20. Evolução Histórica da APS Canadá 1974 - Relatório Lalonde (1974): Conceito de Campo da Saúde (Health Field): ampliar a visão corrente de saúde, até então reduzida à existência de “bons serviços de atendimento médico”. Visão de saúde como conseqüência de características presentes em quatro categorias: estilo de vida, condições biológicas, ambiente e serviços de saúde. Reconhece fatores sociais, ambientais e estilos de vida como determinantes da saúde, lançando assim as bases do conceito de promoção de saúde como “uma estratégia eficaz para melhorar a saúde e a qualidade de vida”
  21. 21. ALMA ATA 1977 FONTE: OPAS http://www.paho.org/english/dd/pin/almaata25.htm
  22. 22. Evolução Histórica da APS Alma Ata (Cazaquistão)“Saúde para todos até o ano 2000”. “ Atenção Primária à Saúde é a assistência sanitária essencial baseada em métodos e tecnologias práticos, cientificamente fundados e socialmente aceitáveis, acessível a todos os indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam suportar em todas e em cada uma das etapas de seu desenvolvimento, em um espírito de auto-responsabilidade e autodeterminação. ” … (OMS, 1978)
  23. 23. Evolução Histórica da APS Alma Ata (Cazaquistão)“Saúde para todos até o ano 2000”. “ A Atenção Primária é parte integrante tanto do sistema nacional de saúde, do qual constitui a função central e o núcleo principal, como do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. Representa o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde e leva, na medida do possível, a atenção da saúde aos lugares onde as pessoas vivem e trabalham. Constitui o primeiro elemento de um processo permanente de assistência sanitária ” (OMS, 1978)
  24. 24. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>Alma Ata: “personalização” da APS em cada país </li></ul><ul><li>Apesar do caráter flexível da proposta, destacam-se ao menos oito ações elementares, cujas execuções seriam desejáveis: </li></ul><ul><li>educação sobre os principais problemas de saúde e métodos para sua prevenção e controle; </li></ul><ul><li>promoção da distribuição de alimentos e nutrição apropriada; </li></ul><ul><li>abastecimento adequado de água potável e saneamento básico; </li></ul><ul><li>assistência materno-infantil e planejamento familiar; </li></ul><ul><li>imunização contra as principais doenças infecciosas; </li></ul><ul><li>prevenção e controle das doenças endêmicas locais; </li></ul><ul><li>tratamento adequado de doenças e traumatismos comuns; </li></ul><ul><li>distribuição de medicamentos essenciais. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>Evolução Histórica da APS </li></ul><ul><li>Para isto, sugeriram-se quatro tipos de intervenções em saúde: </li></ul><ul><li>Promoção </li></ul><ul><li>Prevenção </li></ul><ul><li>Tratamento </li></ul><ul><li>Reabilitação </li></ul><ul><li>suportadas por um sistema de referência e contra-referência integrado eficiente, de forma a melhorar progressivamente a assistência sanitária completa, e dar prioridade aos mais necessitados </li></ul>
  26. 26. A APS no Mundo
  27. 27. Organização dos sistemas de saúde <ul><li>Sistemas de saúde : 2 modelos de proteção: </li></ul><ul><li>Bismarckiano : seguros sociais de saúde (“Social Health Insurance” – SHI) de contratação compulsória financiados por contribuições vinculadas ao trabalho assalariado </li></ul><ul><li>Beveridgiano : serviços nacionais de saúde (“National Health Services” – NHS) ordenados por autoridades estatais e financiados com recursos fiscais. </li></ul><ul><li>- 15 países da UE (maio/2004): </li></ul><ul><li>- 8 NHS, APS financiada por impostos gerais </li></ul><ul><li>- 7 SHI Atenção ambulatorial financiada por contribuições de empregadores/trabalhadores proporcionais a salários. </li></ul>Giovanella 2006
  28. 28. Organização dos sistemas de saúde <ul><li>Sistemas de saúde : 2 modelos de proteção: </li></ul><ul><li>Em sete (5 com NHS) dos 15 países da EU o generalista é “gatekeeper”, Unidade de Saúde é porta de entrada obrigatória do sistema de saúde, e filtro para serviços prestados por especialistas </li></ul><ul><li>Na maior parte dos países com esquemas de SHI (5 em 7 países) não há separação da atenção ambulatorial em níveis – entre a atenção prestada por clínicos gerais e aquela prestada por especialistas –, sendo livre aos segurados a escolha entre a procura direta ao clínico geral ou ao especialista. </li></ul>Giovanella 2006
  29. 29. Organização dos sistemas de saúde <ul><li>Responsabilidade pelo primeiro contato: </li></ul><ul><li>- compartilhada com outros profissionais em alguns países . </li></ul><ul><li>Itália e Espanha: generalistas e pediatras responsáveis pelo primeiro nível de atenção, </li></ul><ul><li>Suécia: enfermeiras e ginecologistas, parte das crianças por pediatra. </li></ul><ul><li>Inglaterra e Holanda: dentistas, enfermeiras, visitadoras domiciliares, educadores de saúde, fisioterapeutas, parteiras, etc. </li></ul>Giovanella 2006
  30. 30. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>A prática dos GPs na Europa: </li></ul><ul><li>- varia muito em relação ao número de consultas realizadas por um clínico ao dia (16 a 50) </li></ul><ul><li>- também em relação ao tempo/ intervalo destinado na agenda à marcação de cada consulta de rotina (10 a 20 minutos) </li></ul><ul><li>- e ao tempo médio de cada contato com cada paciente (5 a 15 minutos). </li></ul>Giovanella 2006
  31. 31. <ul><li>A prática dos generalistas na Europa: </li></ul>Cenário Atual da APS no Mundo European Observatory on Health Care Systems 2006
  32. 32. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>A prática dos generalistas na Europa: </li></ul>Jepson 2001
  33. 33. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Países com “ gatekeeper ” também dispõem de sistema de inscrição de pacientes. </li></ul><ul><li>A inscrição nos serviços é realizada por iniciativa do cidadão/ segurado com alguma liberdade de escolha – e possibilidade posterior de troca –, entre profissionais de saúde ou serviços atuantes em determinado espaço geográfico. </li></ul>Giovanella 2006
  34. 34. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Reino Unido </li></ul><ul><li>- NHS: década de 40/50. </li></ul><ul><li>Equipe: GPs, enfermeiras, gestores e pessoal administrativo. </li></ul><ul><li>Enfermeiras Comunitárias, visitadores de saúde, parteiras e outros trabalhadores da APS usualmente empregados pela organização local da APS mas ligados a uma unidade ou a uma área geográfica que contenha menor número de unidades. </li></ul><ul><li>Serviços Comunitários, como de Saúde Mental, ou de escolas de saúde, que trabalham em uma área geográfica maior e usualmente cooperam com a equipe. </li></ul>RCGP 2007
  35. 35. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Reino Unido </li></ul><ul><li>99% da população registrada com GPs </li></ul><ul><li>Aproximadamente 90% do contato de pacientes com o NHS. </li></ul><ul><li>Usuários por GP: 1.850 </li></ul><ul><li>Média de consulta/habitante/ano: </li></ul><ul><li>para GPs especificamente = ? </li></ul><ul><li>mas em média há 5.9 consultas/pessoa/ano (1996) </li></ul><ul><li>Média de tempo/consulta GPs = 9.4 minutos. </li></ul>European Observatory on Health Care Systems 2006
  36. 36. RCGP 2003
  37. 37. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Espanha </li></ul><ul><li>- SNS </li></ul><ul><li>Equipe: médicos de família ou de atenção primária, pediatras, enfermeiras, assistentes sociais e suporte administrativo. </li></ul><ul><li>População coberta por CAPs variável, até 9.581 pessoas/PHC, mas Madrid, por exemplo, tem a “equipe de APS” da manhã e da tarde. </li></ul>European Observatory on Health Care Systems 2006
  38. 38. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Espanha </li></ul><ul><li>99.1% (2003) cobertos pela Saúde Pública. </li></ul><ul><li>Usuários por Médico: 2.500 (equipe “fechada”) </li></ul><ul><li>Média de consulta/habitante/ano = 5,5 </li></ul><ul><li>Média de tempo/consulta = 7,8 minutos. </li></ul><ul><li># consultas por dia: PHC (média nacional): 25.4 consultas </li></ul>European Observatory on Health Care Systems 2006
  39. 39. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Portugal </li></ul><ul><li>- SNS, subsistemas de seguro privado por profissão e individual/ voluntário. </li></ul><ul><li>Centros de Atenção Primária (Setor Público) controlados pela gestão (Centros Administrativos). </li></ul><ul><li>Em média 28 000 pessoas cobertas por CAPs (de >100 000 ~ < 5000 pessoas) </li></ul><ul><li>Em média 80 profissionais/CAP (01 MGF~200 profissionais) </li></ul><ul><li>Pessoas vivendo em pobreza absoluta: 22% (2002) </li></ul><ul><li>(> porcentagem dos EU15 ) </li></ul>European Observatory on Health Care Systems 2006
  40. 40. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Portugal </li></ul><ul><li>Pacientes se registram com MGF escolhido dentro da área geográfica. </li></ul><ul><li>MGF trabalham com listas de pacientes, em média 1500. </li></ul><ul><li>Há listas de MGF. Algumas > 2000, outras <1000. </li></ul><ul><li>Pessoas podem trocar de MGF via relatórios para os CAs. </li></ul><ul><li>Aproximadamente 750 000 cidadãos não tem um MGF. Muitos preferem visitar serviços de emergência. </li></ul><ul><li>Média de tempo/consulta = 8,2 minutos. </li></ul>European Observatory on Health Care Systems 2006
  41. 41. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Portugal </li></ul>European Observatory on Health Care Systems 2006
  42. 42. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Canadá </li></ul><ul><li>- 3 formas: MF privada, Unidades de MF, CLSCs (centres locaux des services communautaires ). </li></ul><ul><li>Equipe dos CLSCs: Médico e enfermeira </li></ul><ul><li>Para a macroárea (território de vários médicos): psicólogo, assistente social, fisioterapeuta , nutricionista e TO.   </li></ul><ul><li>Necessidades de RH decididos regionalmente pelo perfil demográfico e epidemiológico, disponibilidade de profissionais e recursos. </li></ul><ul><li>Essa equipe em média serve de 4 a 7 territórios. </li></ul>Turcotte 2008 e CFPC
  43. 43. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Canadá </li></ul><ul><li>Nos CLSCs (Quebec): aproximadamente são </li></ul><ul><li>2000 habitantes/1MF + 2 ou 3 enfermeiras (que cumprem o papel de enfermeira e técnica ao mesmo tempo) </li></ul><ul><li>Não há adscrição oficial, exceto para Serviços de Saúde Mental. </li></ul><ul><li>Territorialização pelo órgão gerenciador regional. </li></ul>Turcotte 2008 e CFPC
  44. 44. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Cuba </li></ul><ul><li>- SNS </li></ul><ul><li>Equipe: Médicos de Família e Enfermeiras. </li></ul><ul><li>99.7% da população atendida por médicos familiares </li></ul><ul><li>Usuários por Médico: cerca de 1.000 </li></ul><ul><li>Uma equipe/ unidade (profissionais moram no 2 o /3 o andares). </li></ul><ul><li>Consultas “noturnas”, mediante prévio acordo. </li></ul><ul><li>MF ou enfermeira acompanham paciente nas interconsultas sempre que necessário e apresentam o caso ao especialista. </li></ul><ul><li>População geograficamente determinada </li></ul>MinSap -anuario 2006 (BVS)
  45. 45. Cenário Atual da APS no Mundo <ul><li>Chile </li></ul><ul><li>SNSS </li></ul><ul><li>Configuração de equipe: Médico Familiar, enfermeira, parteira, nutricionista e paramédicos treinados. </li></ul><ul><li>Centros de APS municipais cobrem 47% da população </li></ul><ul><li>Média de consulta/habitante/ano = 1,22 </li></ul><ul><li>Usuários por Médico: ? </li></ul><ul><li>Saúde Pública funciona a base de “programas” </li></ul>Profile OMS
  46. 46. A APS que queremos
  47. 47. Definição de APS Duas interpretações (Tarimo & Webster (1997) : APS como um nível de atenção em saúde ou como uma abordagem dos problemas de saúde Nível de atenção: tal concepção limita o seu significado a uma noção técnico-administrativa, ou a uma idéia de como deve ser o contato de um indivíduo com o sistema de saúde e seu trânsito pelo mesmo Abordagem: incorporação dos princípios e valores da APS com o objetivo de mudança profunda no serviço de saúde e interação ampla com o sistema econômico e desenvolvimento social. D ividida em quatro princípios básicos: a) Acesso universal e cobertura de acordo com necessidades; b) Envolvimento individual e comunitário; c) Ações intersetoriais e d) Uso de tecnologia apropriada e custo-efetiva
  48. 48. Definição de APS Estratégia: compreende e afeta todo um sistema de saúde e toda a população à qual esse sistema deve servir, propondo resolver , ou minimizar, os problemas econômicos e gerenciais que permeiam os serviços de saúde, e lidando com formas apropriadas de gerenciamento dos recursos de saúde disponíveis para estimular ou causar impacto, eqüidade, eficiência e participação sociais, articulação intersetorial e cooperação com outras comunidades ou países que também compartilhem da mesma visão sobre APS.
  49. 49. <ul><li>Definição de APS </li></ul><ul><li>“ APS é primeiro contato, com cuidado contínuo, compreensivo e coordenado provido a populações não diferenciadas por sexo, doença ou sistema orgânico” </li></ul><ul><li>(Barbara Starfield) </li></ul><ul><li>Primeiro nível do sistema: complexo mas com baixa densidade tecnológica (≠ baixa complexidade) </li></ul><ul><li>“ Focar a saúde em uma constelação de outros determinantes de saúde, como o meio social e físico além da enfermidade individual” (BS) </li></ul>
  50. 50. <ul><li>Definição de APS </li></ul><ul><li>A APS lida com problemas mais comuns e menos definidos, onde os pacientes devem ter acesso direto a uma fonte de atenção continuada ao longo do tempo. </li></ul><ul><li>É menos intensiva em termos de capital e de trabalho e menos hierárquica, sendo portanto mais maleável e capaz de responder as necessidades sociais de saúde. </li></ul><ul><li>Problemas freqüentes (não simples) </li></ul>
  51. 51. Definição de APS A APS pode ser distinguida de outros tipos de atenção pelas características clínicas de seus pacientes e de seus problemas: Espera-se que os médicos de APS vejam uma maior variedade de diagnósticos comuns, mais consultas relacionadas a prevenção e examine mais pacientes “antigos com problemas novos”.
  52. 52. <ul><li>Princípios da APS </li></ul><ul><li>Características Fundamentais </li></ul><ul><li>Acessibilidade ; </li></ul><ul><ul><li>Longitudinalidade ; </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Integralidade; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Coordenação </li></ul></ul></ul><ul><li>Aspectos Derivativos </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>Centrado na Família </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>Competência Cultural </li></ul></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>Orientado para a Comunidade </li></ul></ul></ul></ul></ul>
  53. 53. <ul><li>Princípios do SUS: </li></ul><ul><li>Os Princípios Doutrinários do SUS </li></ul><ul><li>Universalidade de acesso; </li></ul><ul><ul><li>Eqüidade na assistência à saúde; </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Integralidade da assistência. </li></ul></ul></ul><ul><li>Os Princípios Organizativos do SUS </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>Controle Social (participação da comunidade); </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>Descentralização político-administrativa; </li></ul></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>Regionalização/Hierarquização </li></ul></ul></ul></ul></ul>
  54. 54. <ul><li>Princípios da APS: </li></ul><ul><li>1) Atenção ao primeiro contato / Acessibilidade : </li></ul><ul><li>A idéia de uma “porta” traduz o fato da pessoa não conhecer suficientemente os detalhes técnicos da atenção a saúde para avaliar de maneira informada a fonte e a época apropriadas para atenção a seus problemas. </li></ul><ul><li>A falta da porta de entrada acessível leva a não obtenção ou adiamento da atenção adequada, ou a gastos adicionais. </li></ul><ul><li>Reconhecendo a multicausalidade e os determinantes sócio-culturais do processo saúde-doença, a APS adequa o cuidado às necessidades das pessoas e comunidades. </li></ul>
  55. 55. <ul><li>Princípios da APS: </li></ul><ul><li>1) Atenção ao primeiro contato / Acessibilidade : </li></ul><ul><li>O acesso é o elemento estrutural mais necessário para o uso da atenção ao primeiro contato, já que o indivíduo irá utilizar ou não o serviço de saúde dependendo do seu grau de acessibilidade. </li></ul><ul><li>Se a acessibilidade é a adequação entre a oferta e demanda de serviços podemos definir alguns fatores de acesso: disponibilidade de serviços, acessibilidade geográfica, comodidade ou acesso sócio-organizacional, possibilidade de pagamento ou acessibilidade financeira e aceitabilidade. </li></ul>
  56. 56. <ul><li>Princípios da APS: </li></ul><ul><li>2) Longitudinalidade: </li></ul><ul><li>“ capacidade de lidar com o crescimento e as mudanças de indivíduos ou grupos no decorrer de um período de anos” </li></ul><ul><li>Implica em um local , indivíduo ou equipe que sirva como fonte continuada de atenção independente do problema. </li></ul><ul><li>Atenção longitudinal significa que indivíduos identificam uma fonte de atenção como ‘sua’; que prestadores reconhecem a existência dessa fonte habitual de atenção, orientada para a pessoa; e que a relação existe por um tempo definido ou indefinido, até que seja explicitamente alterada. </li></ul>
  57. 57. <ul><li>Princípios da APS: </li></ul><ul><li>3) Integralidade: </li></ul><ul><li>O conceito de integralidade exige que se reconheça a variedade completa de necessidades relacionadas à saúde do paciente e se disponibilize os recursos para abordá-la. </li></ul><ul><li>O recurso identificado como necessário nem sempre é disponível ou capaz de ser prestado por esse nível de atenção, porém é o reconhecimento das necessidades e a relação entre indivíduo/ coletividade/ equipe, para alcançá-lo, que melhor descreve o conceito de integralidade. </li></ul>
  58. 58. <ul><li>Princípios da APS: </li></ul><ul><li>4) Coordenação da atenção: </li></ul><ul><li>“ estado de harmonia numa ação ou esforço em comum”. </li></ul><ul><li>A coordenação é a disponibilidade de informações sobre problemas e serviços anteriores e o reconhecimento daquela informação, na medida em que se relacionada às necessidades do presente atendimento. </li></ul><ul><li>Diz respeito também ao exercício da referência e da contra-referência entre os serviços de saúde, com foco na pessoa e “advogando” para a mesma dentro do sistema de saúde. </li></ul>
  59. 59. WONCA <ul><li>Princípios da APS: (aspectos derivativos). </li></ul><ul><li>centrado na família : conhecimento dos membros da família e dos problemas de saúde dos membros da família; </li></ul><ul><li>competência cultural : providências para atender a necessidades especiais associadas às características culturais e prestação de serviços especiais para atender às necessidades culturais; </li></ul><ul><li>orientado para a comunidade : mecanismos para alcance do conhecimento das necessidades de saúde da comunidade, participação nas atividades comunitárias e envolvimento comunitário na unidade </li></ul>
  60. 60. Onde buscar maiores informações: Associação Mineira de MFC www.smmfc.org.br Sociedade Brasileira de MFC www.sbmfc.org.br Grupo de Estudos em Saúde da Família www.smmfc.org.br/gesf Ministério da Saúde www.saude.gov.br SES/MG www.saude.mg.gov.br ESTA AULA: sites.google.com/site/leosavassi
  61. 61. Referencias bibliográficas Aguiar; Raphael A construção internacional do conceito de atenção primária a saúde (APS) e sua influência na emergência e consolidação do sistema único de saúde no Brasil. UFMG: Dissertação, 2005. Alves, Cláudia R.L. & cols. Avaliação do conhecimento de alunos do Curso de Especialização em Saúde da Família da UFMG sobre a saúde da criança e do adolescente – 2002-2003. Rev. Méd. Minas Gerais 2005. 15(4): 214-19 AMMFC, Fonohosp. Curso Preparatório para Concurso Público de Betim . AMMFC, Fonohosp: Belo Horizonte, 2007. Barbosa, JMR. 1o Censo de Recursos Humanos da Atenção Primária do Estado de Minas Gerais. Observatório de RH em Saúde. Belo Horizonte: UFMG, 2006. 144p. Gusso; Gustavo F.D. Panorama da Atenção Primária à Saúde no Brasil e no mundo: informações e conceitos. USP: São Paulo, 2005. Palestra. Machado, Maria H. Perfil dos Médicos e Enfermeiros de Saúde da Família no Brasil: Rio de Janeiro: FIOCRUZ/DAB-MS, 2000.
  62. 62. Referencias bibliográficas Oliveira, Vinícius A. Medicina de Família e Comunidade: Discussões sobre uma Especialidade Médica. UFMG: Dissertação, 2007. Pereira; Rodrigo P.A. Acolhimento . AMMFC: Grupo de Estudos em Saúde da Família, 2006. Savassi, Leonardo C M. Formação do Profissional Médico para a ESF. COSEMS-MG: Belo Horizonte, 2006. Palestra. Savassi, Leonardo C M. Princípios da APS. RMMFC HPRB: Betim, 2008. Palestra. SBMFC. Formação e qualificação do Médico de Família e Comunidade através de Programas de Residência Médica no Brasil, hoje: Considerações, Princípios e Estratégias. SBMFC: Rio de Janeiro, 2005. SBMFC. Projeto de Expansão da Residência em Medicina de Família e Comunidade. SBMFC: Rio de Janeiro, 2005.

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