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O Melhor

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O Melhor de Margareth Weis, autora de dragonlance

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Transcript

  • 1. 1 O Melhor Margaret Weis á muito tempo, no começo do mundo... Eu sabia que quatro viriam. Meu pedido urgente os trouxera. Quaisquer que fossemseus motivos; e entre este grupo diverso, sabia que seus motivos eram vários; elesestavam aqui. Eles eram os melhores, com certeza os melhores. Eu estava na porta da Hospedaria, e avaliando-os, meu coração ficou mais calmo doque estava dias e dias atrás. Os quatro não sentaram juntos. Claro, pois não conheciam um ao outro, exceto talvezpela reputação. Cada um sentou em sua própria mesa, comendo e bebendo quietamente,sem fazer apresentações deles mesmos. Eles não precisavam disso. Eles eram osmelhores. Mas, embora nada fosse dito com suas bocas; usando-as para beber a tãofamosa cerveja da região; eles colocaram seus olhos para trabalhar: analisando cada um,tirando suas medidas. Fiquei feliz em ver que cada um parecia ter gostado do que vira.Eu não queria sangue ruim no meio deste grupo. Sentado bem na entrada da Hospedaria, baixo em estatura, mas grande em coragem,estava Orin. O anão era famoso nesta região por sua habilidade com seu machado, assimcomo a maioria dos anões. Sua lâmina Corte-Agudo estava sobre a mesa perante ele,onde poderia manter os olhos e a mão sobre ela. O verdadeiro talento de Orin estava sobas montanhas, como diziam. Ele atravessou mais cavernas de dragões que qualqueroutro anão que já viveu. E ele nunca se perdeu, nem para entrar, e mais importante, nempara sair. Muitos caçadores de tesouros devem suas vidas; e mais ou menos um terço deseu tesouro; a seu guia, Orin Dark-Seer. Sentada próximo ao anão, na melhor mesa que a Hospedaria pudesse oferecer, estavauma mulher de incrível beleza. Seu cabelo era longo e negro como a escuridão da noite;seus olhos penetravam as almas dos homens, assim como a cerveja penetrava o corpodaqueles que a bebiam. Os fregueses da taverna; um bando de pobres coitados; teriamficado bisbilhotando envolta dela com suas línguas de fora, se não fosse por sua roupacheia de marcas. Ela estava bem vestida, não me confunda. A roupa que ela usava, erado mais fino e mais caro veludo em todo país. Em sua cor azul marinho, reluzia a luz dofogo. Eram os ornamentos prateados nas mangas e bainha de sua túnica, que chamavaatenção dos puxa-sacos e beijoqueiros.Pentagramas, estrelas, círculos entrelaçados, entre outros. Marcas Cabalísticas. Seusbelos olhos me olharam, e eu a saudei, Ulanda a Feiticeira, veio diretamente de seufabuloso castelo, escondido na floresta da Neblina Azul. Sentado próximo a uma porta; o mais próximo da porta que ele pôde chegar; masainda dentro da Hospedaria, estava um membro dos quatro que eu conhecia bem. Eu oconhecia porque fui eu quem deu a chave de sua prisão para libertá-lo. Ele era magro erápido, com uma cabeleira ruiva, olhos verdes e matreiros que encantavam muitasviúvas para dispor de seus bens, desfazendo de tudo por seu amor. Seus dedos finospodiam entrar e sair de um bolso tão rápido quanto sua faca cortava uma bolsa de umcinto. Ele era bom, tão bom que nunca era pego. Reynard Mão-Lisa cometeu umpequeno erro. Tentou roubar minha bolsa. Diretamente a frente de Reynard; para o contrapeso da balança; estava um homem deporte nobre e aparência áspera. Os fregueses o deixaram em paz, por respeito e tambémpela longa espada brilhante, e pela armadura branca que usava, com o símbolo da rosa. 1
  • 2. 2Eric Virtuoso, Cavaleiro da Rosa, um Paladino Sagrado. Eu estava maravilhado econtente em vê-lo. Eu mandei meus mensageiros à Torre do Alto Clero, implorando aosCavaleiros que ajudassem. Eu sabia que responderiam, pois são honrados. Eresponderam, me mandando seu melhor Cavaleiro. Todos quatro eram os melhores, mais que melhores. Olhei para eles e me sentiapavorado, sem jeito. “Acho que você já deveria fechar Marian” – eu disse à bela moça que cuida do bar. Os quatro caçadores de dragões olharam pra mim e nenhum deles saiu. Os freguesespor outro lado, entenderam a mensagem; beberam suas cervejas e saíram semresmungar. Eu não vinha a esta região por muito tempo; atualmente vim a trabalho; eclaro, eles me colocariam à prova. Tive então que ensiná-los a me respeitar. Isso foiuma semana atrás; e um dos homens, eu ouvi, continuava caído. Diversos outrosrecuavam e esfregavam suas cabeças embriagadas; eles passavam rapidamente por mim,todos educadamente me desejando uma boa noite. “Eu tranco a porta” – eu disse à Marian. Ela também saiu, me desejando; com um sorriso matreiro; uma boa noite. Eu sabiabem que ela queria fazer minha boa noite ficar melhor, mas eu tinha negócios aresolver. Quando ela saiu, eu fechei e tranquei a porta. Claramente, isso deixou Reynardpreocupado; ele já estava procurando por outra saída; e então eu fui direto ao assunto: “Não precisam perguntar por que estão aqui. Vocês vieram em resposta ao meupedido de socorro. Eu sou Gondar, Intendente do Rei Frederick. Fui eu quem os envioua mensagem. Eu agradeço por vossa rápida resposta e desejo boas vindas a todosvocês..... bem, à maioria de vocês,” – olho asperamente para Reynard que dá um sorrisoforçado – “ao Burgo de Frederick.” Sir Eric levantou-se e fez uma saudação cortês. Ulanda me examinou com seus olhosmaravilhosos. Orin resmungou. E Reynard estava chacoalhando moedas em seu bolso.Os fregueses não terão dinheiro pra cerveja de amanhã, eu acho. “Todos sabem porque eu vos enviei o pedido,” – continuei – “pelo menos, tem idéiado que seja pela parte da história que pude tornar pública.” “Por favor Intendente, sente-se,” – disse Ulanda com um gesto gracioso. “e nos contea parte da história que não pode tornar pública” O cavaleiro se juntou a nós, e também o anão. Reynard ia se juntar, mas Ulandalançou-lhe um olhar atento. Nem um pouco ofendido, deu um falso sorriso e encostou-se ao bar. Os quatro esperaram educadamente que eu continuasse. “Eu digo a vocês que isto é absolutamente confidencial” – Eu disse em voz baixa.“Como sabem, nosso bom Rei Frederick viajou para o norte por convite de seu meio-irmão, o Duque de Norhampton. Muitos na corte haviam aconselhado Vossa Majestadepara não ir. Nenhum de nós confiava nesse Duque cobiçoso e enrolado. Mas VossaMajestade era um parente amável, e para o norte ele partiu. Agora nosso maior medo serealizou. O Duque está mantendo o Rei como refém, pedindo um resgate de sete cofrescheio de ouro, nove cofres cheio de prata, e doze cofres com jóias preciosas.” “Em nome de Paladine1, nós devíamos destruir e queimar o castelo deste Duque”disse Eric da Rosa. Com sua mão agarrou o punho de sua espada. “E não veríamos Vossa Majestade nunca mais.” – falei tristemente. “Não foi por isso que nos trouxe aqui” resmungou Orin. “para resgatar seu Rei. Elepode ser um bom rei para todos eu sei, mas...” O anão encolheu os ombrosdesinteressado.1 Paladine é um deus do bem, protetor dos cavaleiros sagrados. 2
  • 3. 3 “Sim, mas você nem se importa se um rei humano vai viver ou morrer, não é Orin?”falei sarcástico. “nem deveriam; vocês anões tem seu próprio rei.” “E alguns de nós” disse Ulanda calmamente “que nem rei temos!” Queria saber se os boatos que ouvi sobre ela eram verdadeiros; que ela atraía jovenspara seu castelo e os mantia lá até que se cansasse deles, então os transformava emlobos, forçando-os a guardar sua moradia. À noite, diziam que se podia ouvir seus uivosde angústia. Olhando aqueles olhos maravilhosos, pensei comigo; devia valer a pena! Eu me coloquei de volta ao trabalho. “Ainda não contei o pior,” disse “Eu coletei o resgate, pois este reino é rico. Osnobres despejaram seus tesouros. Suas esposas sacrificaram suas jóias. O tesouro foicarregado numa carruagem, pronta pra partir pro norte, quando...” Limpei minha garganta, queria ter bebido uma caneca de cerveja. “Um enormedragão vermelho surgiu do céu e atacou a caravana do tesouro. Tentei ficar e lutar, mas”fiquei envergonhado “nunca fiquei paralisado com tanto medo assim. Só sei que euestava todo encolhido no chão tremendo de medo. Os guardas fugiram em pânico.” “O grande dragão se pôs no caminho do Rei. Devorou os cavalos com o maiorprazer, então erguendo a carruagem e todo seu tesouro com suas garras, a fera malditasaiu voando.” “Dracofobia” disse Orin, que já havia passado por esta situação. “Embora nunca tenha acontecido comigo, ouvi dizer que a dracofobia pode serdevastadora”. Sir Eric colocou sua mão compadecidamente sobre a minha. “Foi umamagia estúpida que te abateu, Intendente, não precisa ter vergonha.” “Magia estúpida?” repetiu Ulanda, lançando um olhar fechado ao cavaleiro. Pude verque ela estava pensando em que excelente lobo ele não seria. “Ah, posso imaginar o tesouro” Reynard suspirou prazeroso “Que bela visão, e deveter mais, muito mais no ninho deste dragão.” “E há” disse Orin “Você acha que foi só o seu reino que fora roubado, Intendente?Meu povo estava transportando um carregamento de pepitas de ouro de nossas minas aosul, quando um dragão vermelho; e arranco minhas barbas se não for o mesmo; desceudos céus e levou nosso carregamento embora.” “Pepitas de ouro!” Reynard se entusiasmou “Quanto valem essas pepitas, emmédia?” Orin olhou com a cara feia “Pode esquecer mão-leve” “O nome é Mão-Lisa” disse Reynard, mas o resto do grupo nem ligou. “Eu recebi uma mensagem de minhas irmãs do leste” dizia Ulanda “que este mesmodragão foi responsável pelo roubo de vários artefatos poderosos de nossa convenção. Euos descreveria para vocês, mas são secretos e muito perigosos para pessoasinexperientes” acrescentou ela, para o bem de Reynard. “Nós também sofremos por causa deste verme” disse Eric bravo “Nossos irmãos dooeste nos mandaram um presente, uma relíquia sagrada – um osso do dedo de VinusSolamnus2. O dragão atacou a escolta, massacrou-os a um único homem e carregounosso artefato.” Ulanda fez uma cara e deu risada “Eu não acredito! O que um dragão ia querer comum velho osso mofado?” O cavaleiro fechou a cara. “Esse osso estava envolvido em um diamante, tão grandequanto uma maçã. O diamante era carregado num cálice de ouro, incrustado com rubis eesmeraldas. E o cálice carregado numa travessa de prata com uma centena de safiras.” “Pensei que vocês, cavaleiros sagrados, fizessem votos de pobreza” Reynardinsinuou cinicamente “Talvez eu devesse freqüentar a igreja novamente.”2 Um grande guerreiro do passado, fundador da Ordem dos Cavaleiros. 3
  • 4. 4 Eric ficou de pé e olhando com raiva para o ladrão, o cavaleiro sacou sua espada.Reynard se escondeu atrás de mim. “Acalme-se, Senhor cavaleiro” eu continuei contando “O caminho para o ninho dodragão passa por um penhasco liso sem nenhum apoio para as mãos ou para os pés.” O cavaleiro olhou para os dedos finos de Reynard e seu corpo magro. Embainhandosua espada, Eric se sentou novamente. “Você descobriu o ninho!?” Reynard gritou. Ele estava tão agitado e excitado quequase me abraçou. “Isso é verdade, Intendente?” Ulanda se encostou próximo a mim. Eu podia sentirseu aroma de ervas e almíscar. Suas gélidas pontas dos dedos tocaram minha mão.“Você encontrou o ninho do dragão?” “Por Paladine, espero que sim. Assim felizmente poderei deixar esta vida, e passar aeternidade no reino abençoado de meu deus, se eu pudesse ter uma chance de lutar comesse verme” jurou Eric, e erguendo seu medalhão sagrado que usava em seu pescoço,deu um beijo nele para selar seu juramento. “Como eu perdi o resgate de meu rei” eu disse “Jurei não comer nem dormir até queeu tivesse seguido essa fera até seu ninho. Por muitos dias e noites cansativas eu segui atrilha: uma moeda brilhante caída no chão, uma jóia que caiu da carruagem. A trilha melevou direto a um pico conhecido como Montanha Negra. Um dia eu esperei paciente,observando. E fui recompensado; eu vi o dragão saindo de seu ninho e já sei por ondeentrar.” Reynard começou a dançar pela taverna, cantarolando e estalando seus longos dedos.Eric da Rosa sorriu. Orin Dark-Seer deslisou seu dedão carinhosamente sobre a lâminade seu machado. Ulanda me deu um beijo no rosto. “Você tem que me visitar qualquernoite, Intendente, assim que esta aventura terminar” ela sussurrou. Os quatro e eu passamos a noite na Hospedaria e estávamos de pé bem antes doamanhecer para começar nossa jornada. A Montanha Negra se avistou lá adiante, seu pico era escondido por uma nuvemperpétua de fumaça cinzenta. A montanha recebeu esse nome por sua rocha ser negra ebrilhante, lançada diretamente das entranhas do mundo. Às vezes a montanha aindatreme, só para nos lembrar que está ativa, mas ninguém ainda vivo podia lembrar daúltima vez que ela cuspiu fogo. Nós chegamos lá no fim da tarde. Os raios de solbrilhavam vermelhos no penhasco que haveríamos de escalar. Olhando bem lá em cima,dava pra ver o grande buraco escuro que era a entrada para o ninho do dragão. “Não há nenhum apoio para mão. Por Paladine, você não estava exagerando,Intendente” disse Eric olhando sério. Ele passava a mão na rocha negra e lisa. Reynard riu. “Bah! Eu já escalei paredes de castelos que eram tão lisas quanto aspernas da... bem, deixa isso pra lá; mas que eram lisas eram.” O ladrão enrolou uma grande quantidade de corda em seu ombro. Começou apreparar uma bolsa cheia de pinos e um martelo, mas eu o detive. “O dragão pode ter voltado. Se tiver, a fera escutará você bater os pinos na rocha” Euolhei para cima “A subida não é tão alta, apenas difícil. Uma vez que você subiu, joguea corda aqui para nós, e poderemos escalá-la.” Reynard concordou. Ele estudou o penhasco cuidadosamente; todos ficaram sérios,sem piadas. Então, para o espanto de todos ali assistindo, ele grudou na rocha como umaaranha e começou a escalar. Eu sabia que Reynard era bom, mas tenho que admitir, não sabia que era tanto.Observei-o escalando aquele penhasco liso, enfiando seus dedos em minúsculos 4
  • 5. 5buracos; raspando seus pés para conseguir subir, agüentando firme às vezes um esforçofeito por vontade própria. Eu estava impressionado. Ele era o melhor. Nenhum outro homem poderia ter feitoaquilo. “Os deuses estão conosco em nossa missão sagrada” disse Eric reverente, olhandoReynard rastejando naquela parede de rocha negra como um lagarto. Ulanda desinteressada escondeu um bocejo, cobrindo a boca com sua delicada mão.Orin andava de um lado pro outro, no pé do penhasco, impaciente. Eu continuava aobservar Reynard, admirando seu trabalho. Ele alcançou a entrada da caverna edesapareceu lá dentro. Logo depois ele voltou e abanou sua mão indicando que tudoestava bem. Reynard jogou uma ponta da corda para nós. Infelizmente, a corda que ele trouxe eramuito curta e nós não conseguíamos alcançá-la. Orin começou a xingar, mas Ulanda riu;ela estalou seus dedos e disse uma palavra. A corda se agitou e de repente aumentou detamanho até o chão. Eric olhou a corda enfeitiçada com desconfiança, mas era seu único jeito de subir.Ele agarrou firme a corda. Então, parecendo pensar em algo, se virou para a feiticeira edisse: “Senhorita, eu creio que suas mãos delicadas não foram feitas para escalar cordas,e nem está vestida para subir montanhas. Se me permite a confiança, eu a carregarei atélá em cima.” “Me carregar?” Ulanda olhou para ele, depois deu uma risada. Eric não entendeu e ficou sério “Me desculpe, mas...” “Perdoe-me, Senhor cavaleiro” Ulanda disse suavemente “Mas eu não sou umadonzela fraca e indefesa. E seria bom que se lembrasse disso. Todos vocês!” Dizendo isso, Ulanda tirou de seu bolso, um lenço de seda rendado e o colocouaberto no chão. Ficando em pé sobre aquele grande lenço, ela pronunciou algumaspalavras que soaram como o tinir de um carrilhão. O lenço se tornou tão duro quantoaço, e começou a flutuar lentamente carregando a feiticeira nele. Sir Eric arregalou os olhos. Ele fez o sinal contra o mal. Ulanda flutuou calmamente lá pra cima do penhasco. Reynard estava lá pronto paraajudá-la na entrada da caverna. O ladrão esbugalhou os olhos quando viu aquilo. Eleestava praticamente babando. Todos nós pudemos ouvir suas palavras. “Que parceira interessante você seria! Querida, eu lhe darei metade... bem, um quartodo meu tesouro por um pedaço desse tecido.” Ulanda pegou a plataforma de aço e agitou no ar. E novamente o lenço era seda erendas. Ela o colocou cuidadosamente num bolso de sua vestimenta. O ladrão não tirouos olhos de cima. “Não está à venda” Ulanda disse e encolheu os ombros. “de qualquer forma, vocênão daria valor nenhum a ele. Se alguém tocá-lo, a não ser eu, o lenço se enrolará norosto da infeliz pessoa, e a sufocará até a morte.” Ela sorriu docemente para Reynard. Ele olhou para ela, e decidiu que estava dizendoa verdade; engoliu seco, e saiu de perto rapidamente. “Que Paladine me proteja” disse Eric obstinado. Colocou suas mão na corda,começou a escalar. Este cavaleiro era forte. Envolto em couraça, cota de malha e umaespada pendurada ao lado, ele subiu pela corda com facilidade; pelo paredão de pedranegra. O anão foi rápido em seguí-lo e agilmente chegou lá em cima. Era a minha vez. Jáestava anoitecendo, mas o sol da tarde havia aquecido a rocha. Me puxar para cimanaquela corda foi um trabalho quente. Escorreguei uma vez; senti tanto medo que gelou 5
  • 6. 6o estômago. Mas eu me virei pra segurar, suspirei aliviado quando Eric me puxou pracima da borda e para as sombras frias da caverna. “Onde está o anão?” Perguntei, notando que apenas três dos meus companheirosestavam ali. “Ele foi examinar o caminho” disse Eric. Eu concordei, feliz por poder descansar. Reynard enrolou a corda e a escondeuembaixo de uma pedra para usá-la na volta. Eu olhei envolta. Por todos os lados dacaverna pude ver marcas deixadas pelo corpo pesado do dragão, raspadas contra arocha. Nós estávamos examinando estas quando Orin retornou, sua cara barbada surgiucom um largo sorriso. “Você estava certo, Intendente. Este é o caminho para o ninho do dragão. E esta é aprova.” Orin segura sua descoberta na luz. Era uma pepita de ouro. Reynard olhouambiciosamente e eu sabia que ia haver problemas. “Isto prova!” Orin repetiu, seus olhos brilhavam como o ouro. “Este é o buraco dafera. Nós o pegamos! Agora pegamos.” Eric da Rosa, com uma cara séria, sacou sua espada e se dirigiu por um enorme túnelque leva à entrada da caverna. Surpreso, Orin deteve o cavaleiro e o puxou de volta. “Cara, você é besta?” o anão indagou “Você vai entrar pela porta da frente da casa deum dragão? Então, por que você não toca a campainha pra ele saber que estamos aqui?” “E há outra entrada?” perguntou Eric irritado com o tom superior de Orin. “A porta dos fundos” disse o anão graciosamente. “A passagem secreta. Todos osdragões têm uma saída de emergência em seus lares. E nós a usaremos.” “Você está dizendo que teremos que escalar até o outro lado dessa montanhasangrenta?” Reynard protestou “Depois de todo trabalho que tivemos para chegaraqui?” “Nãão, mão-leve” Orin zombou “Nós vamos, através da montanha. É mais fácil,mais seguro. Sigam-me.” Ele foi para um lugar, que para mim parecia apenas uma rachadura na parede e nadamais. Mas uma vez que nos esprememos por ela, descobrimos um túnel que levavaainda mais fundo no interior da montanha. “Este lugar é mais escuro que o coração da Rainha Negra” murmurou Eric, logo queentramos na fenda. Embora ele tenha falado baixo, suas palavras ecoaram por todacaverna. “Ora” resmungou o anão “O que você quer dizer com escuro? Eu posso verperfeitamente.” “Mas nós humanos não! Podemos arriscar usar uma luz?” eu sussurrei. “Nós não chegaremos longe sem luz” Eric lamentou. Ele quase bateu a cabeça numadas rochas mais baixas do teto. “Que tal uma tocha?” “As tochas queimam. E conta-se que há outras criaturas morando nesta montanhaalém do dragão!” Reynard advertiu. “Isso serve?” perguntou Ulanda. Tirando uma varinha ornamentada do seu cinto, ela a ergueu. Não falou nada, mas –como se fosse afetada pela escuridão – a varinha começou a brilhar com uma fraca luzbranca. Orin balançou sua cabeça descontente com a fragilidade dos humanos, e adentroutúnel abaixo. Nós o seguimos. O caminho ia pra baixo, pra cima, prum lado, pro outro, dava voltas, círculos eencruzilhadas diversas... um verdadeiro labirinto. Como Orin não se perdia e nem se 6
  • 7. 7enganava, estava além de mim. Todos tinham suas dúvidas (Reynard se expressouclaramente), mas Orin nunca vacilou. Nós logo perdemos a noção do tempo andando naquela escuridão sob a montanha.Eu apostaria que ficaríamos andando por toda noite. Mesmo sem encontrar nenhumapista, nós teríamos sentido a presença do dragão só pelo cheiro. O ar não estava pesado, nem fétido; não nos deixou enjoados, nem sufocados. Eraum aroma, uma brisa que lembrava sangue e enxofre, ouro e ferro. Não era penetrante,mas pairava pelos corredores estreitos como a poeira, incomodando, insistente. Sóquando Ulanda reclamou ofegante que não poderia ficar mais nenhum minuto nesse“buraco abafado”, foi quando Orin nos trouxe até uma paragem. Rindo falsamente eleolhou para nós. “É isso aí!” ele disse. “Isso o quê?” perguntou Eric duvidoso, olhando para mais uma rachadura na parede.(Lembrando que já havíamos visto um monte de rachaduras!) “A outra entrada para o lar do dragão” disse o anão. Espremendo-nos pela rachadura, nós nos encontramos num outro túnel, este eramuito mais largo que qualquer um outro que encontramos. Não podíamos ver a luz dodia, mas podíamos sentir o cheiro do ar fresco, então soubemos que o túnel ligava com oexterior da montanha. Ulanda ergueu sua varinha para iluminar a parede e lá estavam asmarcas feitas pelo corpo do dragão. Para confirmar isso, algumas escamas vermelhasbrilhavam no chão. Orin Dark-Seer fez o impossível. Ele nos trouxe, seguros pela montanha. O anãoestava todo orgulhoso consigo mesmo, mas sua alegria estava prestes a acabar. Nós paramos para descansar, beber água, comer alguma coisa para manter nossasenergias. Ulanda estava sentada ao meu lado, me contando em voz baixa as maravilhas do seucastelo, quando de repente Orin saltou de pé. “Ladrão!” O anão gritou. Ele foi pra cima de Reynard. “Me devolve!” Eu estava de pé; e o ladrão também, e aí me colocou entre ele e o anão enfurecido. “Minha pepita de ouro!” Orin berrou. “Vamos repartir e compartilhar!” disse Reynard desviando do anão de um lado parao outro. “Achado não é roubado” Pra completar, Orin tentava acertar o ladrão com seu maldito machado por entreminhas pernas. “Intendente, façam eles se calarem!” Eric ordenou, como se eu fosse um de seussubordinados, “Eles acabarão alertando o dragão.” “Idiotas! Eu termino com isso!” Ulanda enfiou a mão numa bolsa de seda que usavaem seu cinto. Nesse momento eu achei que perderíamos o ladrão e nosso guia, mas de repenteestávamos com problemas bem maiores. “Orin! Atrás de você!” eu gritei. Vendo pela expressão de puro medo em meu rosto que isso não era um truque, Orinse virou. Um cavaleiro – ou o que teria sido um cavaleiro uma vez – estava se aproximando denós. Sua armadura protegia ossos, e não carne. Seu elmo chacoalhava em seu crânioseco e sem cabelos. Ele segurava uma espada em sua mão esquelética. Atrás dele eu vi oque parecia um batalhão desses horrores, embora na verdade eram apenas seis ou sete. “Eu ouvi falar disso!” Eric disse aterrorizado. “Estes uma vez, foram homens vivosque ousaram atacar o dragão. O verme os matou e agora força seus corpos deterioradosa servi-lo”. 7
  • 8. 8 “Eu os libertarei dessa miséria” Orin gritou. Saltando em sua direção, o anão bateuno morto-vivo com seu machado. A lâmina cortou as pernas do cavaleiro morto aomeio. O esqueleto tombou; e o anão riu. “Vocês não precisam se preocupar com este problema” ele nos disse “Afastem-se” O anão foi atrás do segundo. Mas naquele momento, o primeiro esqueleto pegou seusossos e começou a colocá-los de volta no lugar! Num instante estava inteiro de novo. Oesqueleto desceu a espada na cabeça do anão. Felizmente, Orin estava usando um elmo de aço resistente. A espada não o feriu, masa pancada deixou o anão cambaleando. Ulanda que já estava com sua mão dentro da bolsa, tirou do saco um pó nocivo epulverizou no esqueleto guerreiro mais próximo dela. O esqueleto virou um facho defogo, numa explosão que quase pega o ladrão, que por sua vez estava tentando tirar umpunhal ornamentado que estava no cinturão do esqueleto. Depois disso, Reynard muito esperto, saiu do caminho e ficou assistindo a briga numcanto. Eric da Rosa sacou sua espada mas não atacou. Segurando-a pelo punho, ele a ergueuna frente de um desses esqueletos andantes. “Eu peço a Paladine que liberte este nobrecavaleiro da maldição que o aprisiona a essa vida miserável” O morto-vivo se desmanchou num monte de pó aos pés do paladino. Orin, que estavatrocando golpes com dois deles por algum tempo, e agora estava levando o pior nabatalha, saiu numa retirada estratégica. Ulanda com sua magia e Eric com seu poder dafé deram conta do restante dos esqueletos guerreiros. Eu saquei minha espada, mas vendo que minha ajuda não seria necessária, euobservei admirado. Quando todos os guerreiros foram reduzidos a pó ou cinzasflamejantes, os dois retornaram. O cabelo de Ulanda nem sequer despenteou. E Ericnem chegou a suar. “Não há ninguém como vocês dois nesta terra que faria o que fizeram” Eu disse aeles, e com razão. “Eu sou boa em tudo o que faço” Ulanda disse. Ela bateu o pó de suas mãos. “Muitoboa” acrescentou ela com um sorriso encantador e um olhar para mim, debaixo de seuslongos cílios. “Meu deus Paladine estava comigo” Eric disse humildemente. O anão ofendido olhou com raiva. “Quer dizer que meu deus Reorx3 não estava?” “O bom cavaleiro não quis dizer isso” fui rápido para terminar a discussão. “Semvocê, Orin Dark-Seer nós já teríamos servido de comida para o dragão. Por que vocêacha que os esqueletos nos atacaram? Porque estamos chegando muito perto do ninhodo dragão, e isso é devido inteiramente à sua esperteza. Nenhum outro homem nestaterra poderia ter nos trazido a salvo tão longe, e todos sabemos disso.” Nisso, eu olhei sutilmente para Eric que entendeu o recado, e mesmo forçado,cumprimentou cordialmente o anão. Ulanda rolou seus lindos olhos, contudo murmuroualgo gracioso. Eu dei um ligeiro chute na canela de Reynard, e ele relutante devolveu a pepita deouro; ela parecia significar mais para o anão, do que nossas palavras e elogios. Orin nosagradeceu, claro, mas sua atenção estava no ouro. Ele examinou desconfiadamente,preocupado que Reynard pudesse ter trocado a pepita verdadeira por uma falsa. O anãomordeu a pedra, e a poliu em seu colete. Finalmente certo que o ouro era real, Orinenfiou ela dentro da sua armadura de couro, por segurança. O anão estava tão entretido em seu ouro que nem notou Reynard assaltando sua bolsapor trás. Eu percebi, mas achei prudente não mencionar isso.3 Reorx é o deus da forja e criador dos anões. 8
  • 9. 9 Como eu disse, nós estávamos perto do ninho do dragão. Nós fomos adiante, com atenção dobrada, mantendo vigilância para qualquer inimigoque pudesse aparecer. Nós estávamos perto, muito perto agora. Tudo estava quieto.Muito quieto. “Você não acha que escutaríamos alguma coisa?” Eric sussurrou pra mim. “Só arespiração do dragão já basta. Um bicho daquele tamanho faria mais barulho que umacachoeira aqui dentro.” “Talvez ele não esteja em casa” Reynard disse. “Ou talvez isso signifique que chegamos num beco sem saída” disse Ulandafriamente. Virando uma curva do túnel, nós paramos e olhamos. A feiticeira estava certa. Anossa frente, bloqueando nosso caminho, tinha uma parede sólida de rocha. Orin ficou sem jeito. Alisando sua barba ele deu uma olhada pra nós todos envolta.“Mas este deve ser o caminho” murmurou ele, chutando inconsolado a parede. “Nós teremos que voltar” disse Eric bravo “Paladine está me ensinando uma lição.Eu deveria ter encarado a fera numa batalha honrada. Nada de se espreitar como um...” “Ladrão?” completou Reynard “Muito bem senhor cavaleiro, você pode voltar pelaporta da frente se quiser; eu vou entrar pela janela.” Com isso, Reynard fechou seus olhos e começou a alisar a parede; pela aparência,parecia que ele estava fazendo amor com ela. Passava suas mãos nela, seus dedosestavam tateando e apalpando. Ele até cochichava coisas como cantadas e bajulações.Então, com um sorriso triunfante, ele colocou seus pés em duas impressões no rodapéda parede, colocou suas mãos em dois buracos em cima e pressionou. A parede de rocha cedeu, então começou a deslizar para um lado! Um raio de luz vermelha se acendeu na fenda. O ladrão saltou da parede, e indicoucom a mão a abertura que havia criado. “Uma porta secreta” disse Orin “eu sabia o tempo todo” “Você quer voltar para entrada agora?” Reynard perguntou para o cavaleirocinicamente. Eric olhou feio para o ladrão, mas parecia que ele tinha pensado melhor sobreencontrar com o dragão cara-a-cara numa luta leal. Ele sacou a espada e esperou aparede se abrir completamente para que pudesse ver lá dentro. A luz que saía dessa passagem era muito brilhante. Todos nós fechamos os olhos eesfregamos, tentando ajustá-los à repentina claridade depois daquela escuridão dostúneis. Nós ouvíamos e aguardávamos pelo dragão. Nenhum de nós tinha dúvida queeste era o lugar, a moradia da fera. Não ouvimos nada. Tudo estava mortalmente quieto. “O dragão não está em casa” Reynard esfregou suas mãos com prazer “Habbakuk 4está comigo hoje” Ele saiu correndo pra entrar, mas Sir Eric pôs a mão em seu ombro eo impediu. “Eu vou na frente” ele disse “É um direito meu” Com a espada na mão, e uma prece nos lábios, o paladino sagrado adentrou no lar dodragão. Reynard se arrastou logo atrás dele. Orin, mais cuidadoso foi depois do ladrão.Ulanda pegou um estranho pergaminho em seu cinto. Segurando-o firme, ela entrou nacaverna logo após o anão. Eu saquei meu punhal. Mantendo a guarda atrás de mim,entrei por último. A porta começou a fechar. Eu parei. “Nós vamos ficar presos aqui!” Eu gritei o mais alto que pude.4 Habbakuk é um deus do bem. 9
  • 10. 10 Os outros não prestaram atenção em mim. Eles haviam descoberto a sala do tesourodo dragão. O brilho da luz vinha de um poço de lava borbulhante num canto da gigantescacâmara subterrânea. O chão da caverna tinha sido alisado pelo rastejo do enorme corpodo dragão. Um grande monte brilhante, alto como o castelo de Sua Magestade, estavaamontoado no centro da caverna. Aqui estavam reunidos cada objeto de valor do reino, belos e preciosos. O ouro tinhao brilho vermelho do fogo, e jóias de todas as cores do arco-íris cintilavam e reluziam.A prata refletia os sorrisos dos caçadores de dragão. E melhor de tudo, a caverna estavadeserta. Sir Eric caiu de joelhos e começou a rezar. Ulanda ficou estarrecida e boquiaberta. Orin estava emocionado de alegria. Mas nessa altura, a porta secreta já tinha se fechado. Nenhum deles percebeu. “O dragão não está em casa!” Reynard gritou e mergulhou naquela pilha de ouro. Na minha pilha de ouro. O ladrão começou a enfiar a mão no ouro. No meu ouro. Eu fui atrás dele. “Nunca tire conclusões apressadas” eu disse. Com meu punhal, dei a ele a morte que um ladrão merece. Eu o apunhalei pelascostas. “Achei que você podia, pelo menos, dar uma olhada” eu disse a ele gentilmente,gesticulando para meu tesouro. “Já que você é o melhor” Reynard morreu então. A cara mais espantada que eu já vi. Eu acho que ele não tinhaentendido muito bem o que aconteceu. Mas Ulanda sim. Ela era esperta aquela feiticeira. Ela descobriu tudo imediatamente,mesmo antes que eu tirasse meu anel de transformação, mas já era tarde. Agora, finalmente, após semanas ter ficado apertado nessa minúscula forma, eu pudeme esticar. Meu corpo cresceu, lentamente tomando sua forma original, a imensa formavermelha, quase preenchendo a caverna. Segurei o anel na frente dos olhos dela. “Você estava certa” eu disse a ela, em voz trovejante, e segurando a jóia no que eraagora uma garra. “Sua convenção possuía muitos objetos arcanos poderosos. Este éapenas um deles.” Ulanda olhava pra mim aterrorizada. Ela tentou usar seu pergaminho, mas adracofobia era demais para ela. As palavras mágicas não sairiam de seus lábios pálidose ardentes. Ela foi gentil bastante para me convidar a passar a noite com ela, então eu fiz umfavor a ela. Eu a deixei ver, antes de morrer, uma demonstração da mágica que agoraestava sob minha propriedade. Apropriadamente, era um dos meus mais caros artefatos – um colar feito de dentes delobos encantados – que envolveu seu lindo pescoço e estraçalhou sua garganta. Todo esse tempo, Orin Dark-Seer estava batendo na minha perna traseira com seumachado. Eu o deixei dar umas pancadas; afinal, o anão não era um tipo ruim, e ele me fez umfavor me mostrando as fraquezas de minhas defesas. Contudo, quando ele ia me ferir, eume enchi dessa disputa. Agarrei-o e joguei numa poça de lava derretida. Eventualmenteele se tornou parte da montanha – um fim apropriado para um anão. Tenho certeza queele gostou. 10
  • 11. 11 Restou então, Sir Eric da Rosa, que quis todo tempo me enfrentar numa batalhahonrada. Eu fiz o que ele queria. Ele me encarou bravamente, e chamou Paladine para lutar ao seu lado. Mas Paladine devia estar ocupado com outra coisa naquele momento, pois ele nemapareceu. Eric morreu nas chamas da glória. Bem, ele morreu nas chamas. Eu creio que sua alma foi direto para o peito de Huma5, como diz a canção. Se euestiver correto, seu deus terá que lhe dar algumas explicaçõeszinhas. Eles estavam mortos agora. Todos quatro. Apaguei o fogo, e varri as cinzas do cavaleiro. Então eu enfiei os outros dois corposna passagem secreta. O ladrão e a feiticeira iriam ficar no lugar dos guerreirosesqueletos que fui forçado a sacrificar para manter as aparências. Rastejando de volta para minha pilha de tesouro, eu dei uma arrumadinha onde oladrão havia bagunçado. Então subi no topo dela, me estiquei todo, e me acomodeiprofunda e luxuosamente entre o ouro, a prata e as jóias. Estendi minhas asas envolta dotesouro, parei para admirar o efeito luminoso do fogo nas minhas escamas vermelhas.Enrolei minha longa cauda envolta das pepitas de ouro dos anões, acomodei meu corpoconfortavelmente sobre as jóias dos cavaleiros, e coloquei minha cabeça nos tesourosmágicos da convenção das feiticeiras. Eu estava cansado, mas satisfeito. Meu plano funcionou magnificamente bem. Eu melivrei deles. Eles foram os melhores. Muito melhores. Mais cedo ou mais tarde, separados ou juntos, eles viriam atrás de mim. E elespodiam me pegar dormindo. Eu me coloquei sobre o tesouro mais aconchegante e fechei os olhos. Eu ganhei meudescanso. E poderia dormir tranqüilamente... agora. Tradução: Leonardo Rosati5 Huma foi um grande herói do passado. 11