Da Espistemologia Do Professor

1,983 views

Published on

O descompasso entre o que os docentes acreditam realizar e aquilo que realmente realizam demonstra o descompasso entre a própria compreensão que têm de suas teorias de base; quer dizer, uma compreensão também equivocada.

0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
1,983
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
5
Actions
Shares
0
Downloads
92
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Da Espistemologia Do Professor

  1. 1. DA ESPISTEMOLOGIA DO PROFESSOR À PRAGMÁTICA DO EDUCADOR
  2. 2. <ul><li>“ A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação. (...) Qualquer debate acerca de metas educacionais carece de significado e importância frente a essa meta: que Auschwitz não se repita. Ela foi a barbárie contra a qual se dirige toda a educação. ” </li></ul><ul><li>(Adorno, Educação e Emancipação, 2000, p. 119) </li></ul>
  3. 3. <ul><li>A Educação é um processo humano. </li></ul><ul><li>A Educação é um processo profundamente pessoal, mas também social. </li></ul><ul><li>A Educação é um processo profundamente ético e moral. </li></ul>
  4. 4. Pitágoras <ul><li>“ Educai os jovens e não será preciso punir os adultos!” </li></ul>
  5. 5. Adorno <ul><li>“ Se existe algo que pode ajudar contra a frieza como condição da desgraça, então trata-se do conhecimento dos próprios pressupostos desta, bem como da tentativa de trabalhar previamente no plano individual contra esses pressupostos. Agrada pensar que a chance é tanto maior quanto menos se erra na infância, quanto melhor são tratadas as crianças. Mas mesmo aqui pode haver ilusões. Crianças que não suspeitam de nada da crueldade e da dureza da vida acabam por ser particularmente expostas à barbárie depois que deixam de ser protegidas.” </li></ul>
  6. 6. <ul><li>“ (...) O amor não pode ser exigido em relações profissionalmente intermediadas, como entre professor e aluno, médico e paciente, advogado e cliente. Ele é algo direto e contraditório com relações que em sua essência são intermediadas. O incentivo ao amor – provavelmente na forma mais imperativa, de um dever – constitui ele próprio parte de uma ideologia que perpetua a frieza.” </li></ul>
  7. 7. Professora / Professor <ul><li>A professora e o professor são os responsáveis diretos pelo processo educacional. </li></ul><ul><li>A pedagoga e o pedagogo são os especialistas em Educação. </li></ul><ul><li>Ambos são profissionais “institucionalizados”. </li></ul>
  8. 8. EDUCADOR / EDUCADORA <ul><li>O educar é algo extensível – embora nem sempre assim entendido – a todas as pessoas que, vinculadas à instituição promotora dos processos educativos – interagem, direta ou indiretamente, com os sujeitos e beneficiários do educar ofertado institucionalmente. </li></ul><ul><li>EDUCAÇÃO é coisa do coração . </li></ul>
  9. 9. EDUCAÇÃO – tarefa humana <ul><li>Na Educação podem-se destacar dois objetivos significativos: </li></ul><ul><ul><li>INFORMAÇÃO: transmissão de conhecimentos, instrumentalização para produção de conhecimentos. </li></ul></ul><ul><ul><li>FORMAÇÃO: construção da pessoa, preparação do cidadão consciente, autônomo, responsável, democrático. </li></ul></ul>
  10. 10. EDUCAÇÃO – tarefa humana <ul><li>O ser humano é um animal comunicacional </li></ul><ul><li>A comunicação humana pode ser utilizada para humanizar ou “coisificar” </li></ul><ul><li>“ Quem educa o educador?” (Marx) </li></ul>
  11. 11. Epistemologia do Professor <ul><li>Pesquisa de Becker (2002): </li></ul><ul><li>39 docentes de todos os níveis de ensino, de ambos os sexos, com idade entre 19 e 53 anos e tempo de magistério variando entre três meses e 34 anos, ministrando diversas disciplinas em escolas da rede pública ou particular . </li></ul>
  12. 12. <ul><li>O professor é majoritariamente empirista e apriorista (quando não inatista). </li></ul><ul><li>Crê-se construtivista. </li></ul><ul><li>Cisão entre o que julga ou reflete e o que faz; entre a reflexão e a prática. </li></ul>
  13. 13. “Pragmática” do Educador <ul><li>A educação é um processo fundamentalmente humano, e mais: </li></ul><ul><li>Por ser social... </li></ul><ul><li>Por interferir na “formação” da pessoa... </li></ul><ul><li>Porque pode decidir o “vir-a-ser” do Outro... </li></ul><ul><li>... É intrínseca e fundamentalmente ÉTICA ! </li></ul><ul><li>(Implica em consciência moral) </li></ul>
  14. 14. “Pragmática” do Educador <ul><li>O desenvolvimento moral e da consciência moral destaca: </li></ul><ul><ul><li>Descentração de si </li></ul></ul><ul><ul><li>Autonomia </li></ul></ul><ul><ul><li>Emancipação </li></ul></ul><ul><ul><li>Responsabilidade </li></ul></ul><ul><ul><li>Eqüidade </li></ul></ul><ul><ul><li>PÓS-CONVENCIONALIDADE </li></ul></ul><ul><ul><li>AGIR COMUNICATIVO </li></ul></ul>
  15. 15. RAZÃO INSTRUMENTAL <ul><li>COMO / MEIO </li></ul><ul><li>“ Não se sabe com certeza como se verifica a fetichização da técnica na psicologia individual dos indivíduos, onde está o ponto de transição entre uma relação racional com ela e aquela supervalorização, que leva, em última análise, quem projeta um sistema ferroviário para conduzir as vítimas a Auschwitz com maior rapidez e fluência, a esquecer o que acontece com estas vítimas em Auschwitz.” </li></ul><ul><li>(Adorno, 2000,p,133) </li></ul>
  16. 16. RAZÃO COMUNICATIVA <ul><li>FIM / CONSENSO </li></ul><ul><ul><li>Procedural </li></ul></ul><ul><ul><li>Dialógica </li></ul></ul><ul><ul><li>Respeito ao “Outro” – respeito mútuo </li></ul></ul><ul><ul><li>Performática </li></ul></ul><ul><ul><li>Democrática </li></ul></ul><ul><ul><li>Pretensões de “validez” </li></ul></ul>
  17. 17. “Pragmática” <ul><li>Educador deve ter – ele mesmo – um PROJETO de Vida e de Mundo. </li></ul><ul><li>Esclarecer para si próprio seu projeto e “comunicá-lo” – co-operativamente. </li></ul><ul><li>Buscar a solidariedade entre a Teoria e a Prática. </li></ul>
  18. 18. “REALIDADE” escolar <ul><li>Desânimo dos educandos </li></ul><ul><li>Descrença na Educação </li></ul><ul><li>Deslealdade dos colegas </li></ul><ul><li>Desestruturação do ambiente físico </li></ul><ul><li>Descaso das autoridades competentes </li></ul><ul><li>Descompromisso da sociedade </li></ul><ul><li>Violência </li></ul><ul><li>... </li></ul>
  19. 19. Síndrome do Burnout <ul><li>“ Já se viu que o professor faz muito mais do que as condições de trabalho permitem; já se viu que comparece no tecido social compondo o futuro de milhares e milhares de jovens que antes dele sequer poderiam sonhar. Mas existe um outro professor habitando nossas lembranças: um homem, uma mulher cansados, abatidos, sem mais vontade de ensinar, um professor que desistiu. O que nos interessa aqui são estes professores que desistiram, entraram em burnout .” </li></ul><ul><li>(Codo & Vasques-Menezes, 1999, p. 237) </li></ul>
  20. 20. Características <ul><ul><li>Exaustão emocional </li></ul></ul><ul><ul><li>Despersonalização </li></ul></ul><ul><ul><li>Falta de envolvimento pessoal no trabalho </li></ul></ul>
  21. 21. <ul><li>A atitude performática, o agir comunicativo podem conduzir à construção de um ambiente mais solidário, mais transparente, ou, no fim, menos falso. </li></ul><ul><li>As pessoas não se conduzirão pelo agir comunicativo por quererem, mas por ser necessário. </li></ul>
  22. 22. E a instituição/organização ESCOLA? <ul><li>Será que, tanto na teoria como na prática, está clara a missão da escola? </li></ul><ul><li>Que resultados temos obtido nos últimos processos de avaliação? SAEB – PROVÃO – PISA – VESTIBULARES – EXAMES DE ORDEM … </li></ul><ul><li>Em que aspectos a Escola evoluiu? ( Físico? Tecnológico? Didático-pedagógico? Epistemológico?) </li></ul>
  23. 23. EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS <ul><li>BASE : fazer cada vez melhor o que se tem a fazer!. </li></ul><ul><li>QUESTÃO-CHAVE : que profissionais-cidadãos a escola ajuda a preparar? </li></ul><ul><li>ALERTA : não há paradigma melhor e nem pior; há o mais adequado para responder ao contexto. </li></ul><ul><li>PARALELO : paradigma dominante versus paradigma da educação para o desenvolvimento de competências . </li></ul>
  24. 24. COMPETÊNCIA : Capacidade de mobilizar recursos visando abordar e resolver uma situação complexa. Desempenho e competência. O desempenho é um indicador da competência. Nem sempre desempenho fraco significa falta de competência.
  25. 25. <ul><li>Analise as afirmações abaixo e assinale com V as que podem ser consideradas verdadeiras, e com F as falsas, tendo em vista o conceito de competência que apresentamos: (Coloque PS quando pode ser verdadeira ou falsa) </li></ul><ul><li>1.( ) M. Schumacher é competente para dirigir carros de Fórmula I. </li></ul><ul><li>2.( ) Rubinho Barrichello é competente para dirigir carros de Fórmula I. </li></ul><ul><li>3.( ) O Schumacher tem demonstrado, por seu desempenho, ser mais competente que o Rubinho para dirigir carros de Fórmula I. </li></ul><ul><li>4. ( ) O Lula (L.I.L. da S.) é competente como Presidente do Brasil. </li></ul><ul><li>5.( ) O Guga (Gustavo Kuerten) é mais competente que o Vasco Moretto para dar aulas de Física. </li></ul><ul><li>6.( ) Não podemos afirmar que um médico é mais competente do que um advogado, pois eles enfrentam situações complexas diferentes. </li></ul>
  26. 26. Um modelo escolar baseado na competência – Vasco Moretto Competência Compromisso C C H L VC AE dar aula planejar a aula avaliar a aprendizagem
  27. 27. <ul><li>CC = conteúdos </li></ul><ul><li>H = habilidades: habilidade é saber fazer </li></ul><ul><li>L = linguagem: nenhuma palavra tem sentido em si mesma, quem lhe dá o sentido é o contexto em que é utilizada. </li></ul><ul><li>VC = valores culturais: os VC estabelecem âncoras para a linguagem e a construção de representações. </li></ul><ul><li>AE = administração do emocional </li></ul>
  28. 28. Valores culturais especiais: ética e moral!! <ul><li>Ética e moral: como diferenciar? </li></ul><ul><ul><li>MORAL: normas obrigação punição justiça </li></ul></ul><ul><ul><li>ETICA: princípios aconselhável felicidade generosidade </li></ul></ul><ul><ul><li>Pela Ética do utilitarismo: </li></ul></ul><ul><ul><li>“ devemos examinar as conseqüências de nossas ações” </li></ul></ul><ul><ul><li>“ As ações são éticas se as conseqüências forem boas para a maior parte dos sujeitos, isto é, se aumentar a felicidade e diminuir o sofrimento da maior parte das pessoas do grupo social” </li></ul></ul>
  29. 29. A ética e a moral do profissional da educação <ul><ul><li>Preparar bem as aulas. </li></ul></ul><ul><ul><li>Elaborar com cuidado os instrumentos de avaliação. </li></ul></ul><ul><ul><li>Buscar a formação continuada </li></ul></ul><ul><ul><li>Participar com responsabilidade dos conselhos de classe. </li></ul></ul><ul><ul><li>Não aprovar quem não tem as condições mínimas para isso. </li></ul></ul><ul><li>CONCLUSÃO : A competência é a condição ética nas relações entre professor e aluno. </li></ul>
  30. 30. Modelo de mudança dos professores Processos Sistema educativo Escola Comunidade educativa Alunos Mudança dos professores Ética prática Fatores de mudança Interações Tensionais Tipos de mudança Ação Retrocesso Níveis de mudança Padrões de ação Teorias da prática Níveis de mudança Single loop change Double loop change Áreas de mudança Conteúdos de mudança Teoria Reflexão Colaboração Investigação
  31. 31. Bibliografia <ul><li>ADORNO, T. Educação e emancipação . </li></ul><ul><li>CODO & VASQUES-MENEZES. Síndrome do Burnout . </li></ul><ul><li>MORETTO, V. “Evolução da instituição escolar por meio do desenvolvimento de competências.” – slides </li></ul><ul><li>SIMÃO; CAETANO & FLORES. “Contextos e processos de mudança dos professores: uma proposta de modelo.” </li></ul>

×