Educação                                                          sem fronteiras                                          ...
© 2009 Anhanguera Publicações             Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de                      ...
Nossa Missão, Nossos Valores                      _______________________________                A Anhanguera Educacional ...
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AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico                                       Apresentação                                ...
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Autores                                       ____________________                                                        ...
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Sumário                                                ____________________             MÓDULO – COMUNICAÇÃO E METODOLOgIA...
MÓDULO – DIREITO SOCIAL E MOVIMENTOS SOCIAIS                               UNIDADE DIDÁTICA – DIREITO E LEgISLAÇÃO SOCIAL ...
Módulo                                           COMUNICAÇÃO                                          E METODOLOGIA       ...
Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica                  Apresentação               Prezado Aluno,          ...
AULA 1 — O Conhecimento e a Ciência                                                                                       ...
Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica                Assim também nasce um novo homem crente no           ...
AULA 1 — O Conhecimento e a Ciência                  Outro aspecto importante a ser considerado                 O senso co...
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AULA 3 — O Processo de Pesquisa                                                             AULA                          ...
Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica            ração, a elaboração do projeto, a execução do pla-       ...
AULA 3 — O Processo de Pesquisa              lumbrada em diferentes nuanças e aspectos ao olhar                         Es...
Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica            fluência do entrevistador nas respostas do entre-        ...
AULA 3 — O Processo de Pesquisa                 Como nas ciências sociais trabalha-se com gru-                       popul...
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AULA 4 — A Pesquisa Qualitativa              tativas de características ou comportamentos” (RI-                   possam s...
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Servico social 2009_4_3

  1. 1. Educação sem fronteiras SERVIÇO SOCIAL Autores Professora Especialista Edilene Maria de Oliveira Araújo Professora Ma. Amirtes Menezes de Carvalho de Silva Professora Ma. Angela Cristina Dias do Rego Catonio Professora Ma. Maria Clotilde Pires Bastos 4 www.interativa.uniderp.br www.unianhanguera.edu.br Anhanguera Publicações Valinhos/SP, 200900_Abertura_SSocial_4Sem.indd 1 5/28/09 3:24:30 PM
  2. 2. © 2009 Anhanguera Publicações Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Ficha Catalográfica realizada pela Bibliotecária impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua Alessandra Karyne C. de Souza Neves – CRB 8/6640 portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2009 S514 Serviço social / Edilene Maria de Oliveira Araújo ...[et al.]. - Valinhos : Anhanguera Publicações, 2009. 256 p. - (Educação sem fronteiras ; 4). ISBN: 978-85-62280-44-3 1. Comunicação – Metodologia da pesquisa. 2. Direito – Legislação social. 3. Movimento social. I. Araújo, Edilene Maria de Oliveira. II. Título. III. Série. ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS CDD: 360 Presidente Prof. Antonio Carbonari Netto Diretor Acadêmico Prof. José Luis Poli Diretor Administrativo Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior ANHANGUERA PUBLICAÇÕES CAMPUS I Diretor Chanceler Prof. Diógenes da Silva Júnior Profa. Dra. Ana Maria Costa de Sousa Reitor Gerente Acadêmico Prof. Dr. Guilherme Marback Neto Prof. Adauto Damásio Vice-Reitor Gerente Administrativo Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira Prof. Cássio Alvarenga Netto Pró-Reitores Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior Pró-Reitora de Graduação: Profa. Heloisa Helena Gianotti Pereira Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. UNIDERP INTERATIVA Diretor Prof. Dr. Ednilson Aparecido Guioti Coodernação Prof. Wilson Buzinaro COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Aparecida Lucinei Lopes Taveira Rizzo / Profa. Maria Massae Sakate / Profa. Adriana Amaral Flores Salles / Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora) PROJETO DOS CURSOS Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Figliolini Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Profa. Ana Lúcia Américo Antonio Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira Biazetto Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 2 5/28/09 3:24:30 PM
  3. 3. Nossa Missão, Nossos Valores _______________________________ A Anhanguera Educacional completa 15 anos em 2009. Desde sua fundação, buscou a ino- vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição de Ensino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e privilegia a preparação dos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho. A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará sempre preocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis- tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhor relação qualidade/custo, adotaram-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições de ensino. As unidades no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valores da Anhanguera. Atuando também no Ensino a Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es- tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da Uniderp Interativa, nos seus pólos espalhados por todo o Brasil. Boa aprendizagem e bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente — Anhanguera Educacional00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 3 5/28/09 3:24:31 PM
  4. 4. . 00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 4 5/28/09 3:24:31 PM
  5. 5. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Apresentação ____________________ A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência no desenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos, arrojados, pluralistas, democráticos. Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par- ceiros e congêneres no país e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passou para o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo compromisso com a qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos propósi- tos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e a ascensão social. Reconhecida pela ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si mais um desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportunida- des de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educação a Distância. Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que, em pouco tempo, saiu das frontei- ras do Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do país, possibilitando o acesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída. O Centro de Educação a Distância atua por meio de duas unidades operacionais: a Uniderp Interativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN). Com os modelos alternativos ofereci- dos e respectivos pólos de apoio presencial de cada uma das unidades operacionais, localizados em diversas regiões do país e exterior, oferece cursos de graduação, pós-graduação e educação continuada, possibilitando, dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias dinâmicas e inovadoras. Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento da Instituição e realizado inúmeras benfeitorias na estrutura organizacional e acadêmica, com re- flexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro- Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabiliza a compra, pelos alunos, de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado e estimula-os a formar a própria biblioteca, promovendo, assim, a melhoria na qualidade de sua aprendizagem. É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, de formação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos, preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena na sociedade. Prof. Guilherme Marback Neto00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 5 5/28/09 3:24:31 PM
  6. 6. 00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 6 5/28/09 3:24:31 PM
  7. 7. Autores ____________________ AMIRTES MENEZES DE CARVALHO E SILVA Graduação: Pedagogia – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – 1998 Pós-graduação: Fundamentos da Educação – Área de Concentração: Psicologia da Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – 2001 Mestrado: Em Educação – Área de Concentração: Psicologia – Universidade de Mato Grosso do Sul – UFMS – 2003 EDILENE MARIA DE OLIVEIRA ARAÚJO Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidades Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1986 Pós-graduação Lato Sensu: Formação de Formadores em Educação de Jovens e Adultos – Universidade Nacional de Brasília – UNB – 2003 Pós-graduação Lato Sensu: Gestão de Iniciativas Sociais – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – 2002 Pós-graduação Lato Sensu: Administração em Marketing e Comércio Exterior – UCDB – 1998 ANgELA CRISTINA DIAS DO REgO CATONIO Graduação: Letras – Língua Portuguesa e Língua Inglesa/Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande/MS – 1996 Especialização: Comunicação Social/Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, São Paulo/SP, 1999 Mestrado: Comunicação Social/Universidade Metodista de São Paulo – IMESP, São Bernardo do Campo/SP, 2000 MARIA CLOTILDE PIRES BASTOS Graduação: Pedagogia com Habilitação em Administração e Supervisão Escolar de 1º e 2º Graus – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 1981 Pós-graduação Lato Sensu: Metodologia do Ensino Superior – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP – 1988 Pós-graduação Strictu Sensu: Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – 199700_Abertura_SSocial_4Sem.indd 7 5/28/09 3:24:31 PM
  8. 8. 00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 8 5/28/09 3:24:31 PM
  9. 9. Sumário ____________________ MÓDULO – COMUNICAÇÃO E METODOLOgIA DA PESQUISA UNIDADE DIDÁTICA – ESTÁgIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL AULA 1 Estágio supervisionado e a prática do saber ...................................................................................... 3 AULA 2 Legislação e a profissão do assistente social ....................................................................................... 13 UNIDADE DIDÁTICA – COMUNICAÇÃO SOCIAL AULA 1 Linguagem e sua função social ........................................................................................................... 23 AULA 2 Modalidades verbais e não verbais na comunicação ......................................................................... 29 AULA 3 Comunicação: conceitos e modelos ................................................................................................... 33 AULA 4 Funções da linguagem e tipos de comunicação................................................................................. 38 AULA 5 Habilidades em comunicação............................................................................................................. 42 AULA 6 Comunicação e novas tecnologias da comunicação ......................................................................... 46 AULA 7 Relações humanas ............................................................................................................................... 49 AULA 8 Comportamento e moda .................................................................................................................... 51 UNIDADE DIDÁTICA – METODOLOgIA DA PESQUISA CIENTÍFICA AULA 1 O conhecimento e a ciência ................................................................................................................ 59 AULA 2 O método científico ............................................................................................................................ 63 AULA 3 O processo de pesquisa ....................................................................................................................... 67 AULA 4 A pesquisa qualitativa ......................................................................................................................... 72 AULA 5 Leitura e registro ................................................................................................................................. 76 AULA 6 Apresentação de trabalhos acadêmicos – Normas da ABNT ............................................................ 79 SEMINÁRIO INTEGRADO..................................................................................................................... 9400_Abertura_SSocial_4Sem.indd 9 5/28/09 3:24:32 PM
  10. 10. MÓDULO – DIREITO SOCIAL E MOVIMENTOS SOCIAIS UNIDADE DIDÁTICA – DIREITO E LEgISLAÇÃO SOCIAL AULA 1 A aplicabilidade do direito no serviço social ..................................................................................... 97 AULA 2 A pessoa e seu inter-relacionamento social ....................................................................................... 106 AULA 3 A institucionalização da sociedade..................................................................................................... 118 AULA 4 O direito familiar ................................................................................................................................ 132 AULA 5 A estruturação dos direitos constitucionais e as garantias fundamentais: direitos humanos e cidadania ........................................................................................................................................... 143 AULA 6 O direito infraconstitucional e suas aplicações no serviço social – a legislação social e a proteção da sociedade ........................................................................................................................................ 160 AULA 7 O direito trabalhista e as relações políticas de trabalho .................................................................... 169 AULA 8 O direito previdenciário – sistema brasileiro de seguridade social .................................................. 193 UNIDADE DIDÁTICA – MOVIMENTOS SOCIAIS AULA 1 Movimentos sociais............................................................................................................................. 209 AULA 2 Aspectos teóricos – histórico dos movimentos sociais no Brasil ...................................................... 212 AULA 3 Movimentos sociais e cidadania ......................................................................................................... 215 AULA 4 Políticas sociais – a contribuição dos movimentos sociais ............................................................... 218 AULA 5 A sociedade civil e a construção de espaços públicos........................................................................ 221 AULA 6 O caráter educativo do movimento social popular ........................................................................... 223 AULA 7 Os movimentos sociais e a articulação entre educação não formal e sistema formal de ensino .... 226 AULA 8 Movimentos sociais em suas diferentes expressões ........................................................................... 229 AULA 9 Tendências dos movimentos sociais na realidade brasileira contemporânea .................................. 232 AULA 10 Redes de ações coletivas ...................................................................................................................... 239 SEMINÁRIO INTEGRADO..................................................................................................................... 24300_Abertura_SSocial_4Sem.indd 10 5/28/09 3:24:32 PM
  11. 11. Módulo COMUNICAÇÃO E METODOLOGIA DA PESQUISA Professora Ma. Maria Clotilde Pires BastosModulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 57 5/19/09 8:43:23 AM
  12. 12. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica Apresentação Prezado Aluno, Nesta Unidade Didática você refletirá sobre o processo de investigação científica no Serviço Social. O módulo Metodologia Científica foi pensado para trazer até você as questões mais atuais que estão re- lacionadas ao processo de construção do conhecimento científico, o processo de investigação científica e as indagações acerca do método em ciências sociais. Nessa perspectiva, as temáticas eleitas visam subsidiá-los nos conhecimentos necessários para o entendimento da ciência, do método científico, o reconhecimento das ciências sociais como campo científico, além da normalização de trabalhos acadêmicos. Para que você possa aproveitar melhor os estudos, verifique a bibliografia indicada na lista de referências, as sugestões indicadas no material impresso e online, bem como as atividades solicitadas em cada aula. Seremos parceiros nesta caminhada; contudo, lembre-se de que o curso depende muito de você e que sua participação é fundamental. Bom trabalho! Professora Ma. Maria Clotilde Pires Bastos 58Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 58 5/19/09 8:43:23 AM
  13. 13. AULA 1 — O Conhecimento e a Ciência Unidade Didática – Metodologia da Pesquisa Científica AULA ____________________ 1 O CONHECIMENTO E A CIÊNCIA Conteúdo • O processo histórico de construção da ciência moderna • Diferentes tipos de conhecimento • Definição de Ciência Competências e habilidades • Conhecer o processo de construção da ciência moderna • Identificar diferentes tipos de conhecimento • Caracterizar a ciência e o conhecimento científico Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presencial com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo O PROCESSO HISTÓRICO DE CONSTRUÇÃO As transformações ocorridas no pensamento DA CIÊNCIA MODERNA científico estiveram vinculadas a outros aconteci- A busca de explicações racionais acerca dos fe- mentos importantes e que representaram profun- nômenos do mundo acompanha os seres humanos das modificações na estrutura social, tais como a há muito tempo, entretanto as explicações pauta- emergência da burguesia, o desenvolvimento da economia capitalista, a revolução industrial etc. das em critérios de comprovação e objetividade, tal A burguesia emergente valorizava o trabalho ma- como modernamente se concebe, nasceu no século nual e a expansão dos seus domínios requeria o de- XVII em meio a grandes transformações no contex- senvolvimento de invenções e tecnologia, de modo a to social. Nessa época, configurou-se o movimento dominar a natureza utilizando seus recursos de todas denominado “Renascimento Científico” cujo aspec- as formas. A Revolução Industrial acelerou esse pro- to principal foi o de romper com as tradicionais for- cesso, pois a racionalização do trabalho e a produção mas de conhecer, lançando as bases para uma nova e comercialização em larga escala exigiam a constru- concepção de saber. ção de equipamentos cada vez mais sofisticados. 59Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 59 5/19/09 8:43:24 AM
  14. 14. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica Assim também nasce um novo homem crente no Assim é que a partir do século XVII o conheci- poder da razão e da transformação do mundo. Dife- mento científico passa a ser reconhecido como um rente do homem medieval, que temia a Deus e bus- tipo de conhecimento específico separando-se do cava na vida após a morte as recompensas por uma conhecimento filosófico e no século XIX o otimis- vida sem pecados, o homem que nascia no interior mo cientificista foi tal que muitos autores afirma- dessas transformações recolocava-se como figura vam que somente a ciência poderia oferecer todas as central e retomava o domínio da sua vida. explicações a partir do método científico. Dessa forma, o conhecimento aceito é aquele Para Morais (1988), há uma questão importante marcado pela razão, experimentação, demonstração a ser tratada no que se refere à atividade científi- e comprovação, utilizando o método científico, cri- ca: será a ciência una ou dividida? Quando se pensa térios diferentes dos até então aceitos, fundamenta- nas suas finalidades, pode-se afirmar que é una, mas dos especialmente na revelação e autoridade divina. quando se considera a amplitude de objetos passí- O novo método científico mostrou-se fecundo e veis de serem investigados, também será dividida. aos poucos foi adaptado a outros campos de pesqui- Chauí (2000, p. 260) pondera que “ciências, no plu- sa, fazendo surgir diversas ciências particulares. ral, refere-se às diferentes maneiras de realização do Segundo Morais (1988), a preocupação científica ideal de cientificidade, segundo os diferentes fatos já estava presente na Idade Antiga, entretanto, gre- investigados e os diferentes métodos e tecnologias gos e romanos favoreceram o desenvolvimento das empregadas”. Seguindo a classificação apresentada chamadas ciências formais pois não consideravam pela autora, as ciências podem ser divididas em: ma- a experimentação como algo importante. Para os temáticas ou lógico-matemáticas, ciências naturais, gregos, havia o desprezo pelas atividades manuais, ciências humanas ou sociais e ciências aplicadas. consideradas menos nobres, sendo as atividades da O breve histórico apresentado demonstra que a “razão” consideradas elevadas. Já os romanos, cujas sociedade ocidental contemporânea desenvolveu preocupações eram mais pragmáticas, não valoriza- um ideal de cientificidade baseado principalmente vam a experimentação. na demonstração e prova, cujos aspectos principais Já na Idade Média, tendo em vista o predomínio são: distinção entre sujeito e objeto, criação de uma da visão religiosa, não havia condições para o de- senvolvimento do pensamento científico. linguagem específica e própria, importância do mé- todo, uso de instrumentos tecnológicos etc. Isso leva Assim, somente quando o homem recoloca-se à crença de que os resultados obtidos pela ciência no centro dos fatos históricos e busca compreender a natureza sem medo de profaná-la, é que se tor- ocorrem de forma independente do desejo, convic- na possível o desenvolvimento do racionalismo e ção e interesse do cientista, portanto a ciência seria experimentalismo científico. Morais (1988) afirma neutra. Essa visão cientificista parte do pressuposto que na Idade Moderna, especialmente a partir do de que a ciência pode conhecer tudo e esse conheci- Renascimento, são oferecidas as condições objetivas mento permitirá manipular tecnicamente a realida- para a transformação da concepção do pensamento de de forma ilimitada. Essa forma de encarar a ciên- até então predominante. cia traz no seu interior a possibilidade de exercer o Sem dúvida, o que se observa é que, muito em- controle sobre o pensamento humano agindo como bora o pensamento científico estivesse manifesto uma forma de controle social; é a chamada ideolo- ao longo da história humana, foi a partir do desen- gia da competência. Nesse sentido, a sociedade está volvimento do experimentalismo que se criou uma formada por pessoas que sabem (competentes) e as atitude mental diferenciada em face do mundo na- que não sabem, cabendo às primeiras o direito de tural, condição necessária para o desenvolvimento exercer o comando e controle sobre as demais, que do pensamento científico moderno. deverão executar as determinações. 60Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 60 5/19/09 8:43:24 AM
  15. 15. AULA 1 — O Conhecimento e a Ciência Outro aspecto importante a ser considerado O senso comum quanto à ciência moderna é sua ligação íntima com O senso comum ou conhecimento vulgar é o co- a técnica. Originalmente, técnica (do grego téchne) nhecimento popular que busca explicar os fatos, mais se aproximava da arte no sentido de habilida- sem perquirir suas causas. Ele é fruto do acúmulo de; com o desenvolvimento do conhecimento cien- de experiências pessoais, portanto assistemático, tífico, também houve a possibilidade da construção fragmentado e muitas vezes simplista e ingênuo. de instrumentos para ampliar e potencializar suas funções. Morais (1988, p. 51) afirma que “houve um O conhecimento teológico tempo em que se ensinava que a ciência é o conheci- O conhecimento teológico ou religioso busca ex- mento, e a técnica, a aplicação desse conhecimento”. plicações a partir de entes divinos ou sobrenaturais. A ciência moderna, levando à construção de instru- Esse tipo de conhecimento torna impossível buscar mentos que possibilitam conhecimentos mais exa- as causas dos fenômenos, pois estas se encontram tos, transforma a técnica em tecnologia, objetiva o fora do âmbito da condição humana; é dogmático. conhecimento por meio de um objeto técnico. Em face do desenvolvimento do modelo produ- O conhecimento filosófico tivo capitalista, a ciência e a tecnologia tornaram-se O conhecimento filosófico busca investigar cau- parte integrante da atividade econômica e assim o sas e razões dos fenômenos por meio das ideias, montante de recursos financeiros a serem destina- relações conceituais que não podem ser reduzidas dos a pesquisas científicas são definidos a partir do a observação empírica. Esse tipo de conhecimen- to tem por finalidade questionar, refletir de forma seu uso, distante do controle social. mais ampla sobre as questões humana incluindo objetivos e conclusões da própria ciência. Diferentes tipos de conhecimento A necessidade de conhecer o funcionamento da O conhecimento científico natureza visando dominá-la levou a diferentes for- Muitas são as caracterizações elaboradas sobre mas de explicação sobre o mundo. Assim, desde in- o conhecimento científico; para este estudo, esta- terpretações místicas até as científicas são tentativas remos adotando a sistematização apresentada por de dar um sentido para os fenômenos e fatos que Oliveira (apud Ander-Egg, 2001, p. 50): ocorrem, ou seja, são formas diferentes de se pro- cessar o conhecimento. [...] ciência é um conjunto de conhecimentos racio- nais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, Todo conhecimento consiste em uma relação en- sistematizados e verificáveis, que fazem referência tre o sujeito (cognoscente) e o objeto (aquilo que a objetos de uma mesma natureza, subdividindo- será conhecido), que produz uma imagem (repre- os em: sentação). Para Ruiz (1996, p. 90), “todo conheci- • conhecimento racional, isto é, que tem exigên- mento consiste numa relação sui generis entre o su- cia de método [...]; jeito cognoscente e o objeto conhecido: relação de • certo ou provável, já que não se pode atribuir à assimilação do objeto pelo sujeito, relação de pro- ciência a certeza indiscutível de todo saber que a dução do objeto pelo sujeito, relação de coincidên- compõe [...]; • obtidos metodicamente, pois não se os adquire cia ou de identificação entre sujeito e objeto”. ao acaso ou na vida cotidiana [...]; A fim de melhor caracterizar o conhecimento • verificáveis, pelo fato de que as afirmações que científico, é importante identificar outras formas de não podem ser comprovadas ou que não passam se conhecer, pois a ciência não é o único modo de se pelo exame da experiência não fazem parte do explicar a realidade. âmbito da ciência [...]; 61Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 61 5/19/09 8:43:24 AM
  16. 16. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica • relativas a objetos da mesma natureza, ou seja, e empírica” e o de Trujillo Ferrari (apud LAKATOS, objetos pertencentes a determinada realidade, que 1999, p. 80), que entende a ciência como “[...] um guardam entre si características de homogeneidade. conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, Definição de ciência capaz de ser submetido à verificação”. Observa-se, Muitos autores apresentam conceitos de ciência. assim, a coincidência de alguns aspectos considera- Destacamos o apresentado por Megale (1989, p. 41), dos importantes para a compreensão do conceito e que afirma: “ciência é o conjunto de conhecimentos que serão comuns em maior ou menor grau entre obtidos através da investigação sistemática, objetiva os autores. * ANOTAÇÕES 62Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 62 5/19/09 8:43:25 AM
  17. 17. AULA 1 — O Conhecimento e a Ciência Unidade Didática – Metodologia da Pesquisa Científica AULA ____________________ 2 O MÉTODO CIENTÍFICO Conteúdo • Origens do método científico • Etapas do método científico • Tipos de métodos Competências e habilidades • Contextualizar as origens do método científico • Identificar as principais características do método científico • Apresentar os principais tipos de métodos científicos Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presencial com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo ORIGENS DO MÉTODO CIENTÍFICO Vários filósofos buscaram estabelecer uma concep- No âmbito das ciências modernas, o método ção sobre o método, entretanto até o século XVII os exerce papel tão relevante que muitas vezes se con- problemas filosóficos estavam mais vinculados à ques- funde a ciência com o seu método. Entretanto, a tão do ser. A Filosofia antiga não indaga sobre a reali- utilização do método não é privilégio da ciência. dade do mundo. É Descartes que propõe como méto- A palavra método vem do grego methodos (meta = do, começar duvidando de tudo; é a dúvida metódica. através de; hodos = caminho), ou seja, é a orienta- É a partir da Idade Moderna, que as questões do co- ção, o guia para se conseguir algo. No seu sentido nhecer ganham vulto tendo em vista o fator subjetivi­ mais amplo, significa o conjunto de procedimentos dade. A partir dessa época os filósofos preocupam-se utilizados para se alcançar conhecimento seguro de forma mais racional; na ciência, método é a ordem muito mais com o sujeito cognoscente tendo em vista imposta no caminho para se chegar a um fim de- a sua dúvida de se pode ou não alcançar a verdade. terminado. Assim, depreende-se que, pelo método, Chauí (2000) afirma que no decorrer da história pode-se demonstrar ou verificar conhecimentos. o método sempre desempenhou o papel de regula- 63Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 63 5/19/09 8:43:25 AM
  18. 18. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica dor do pensamento, pois “guia o trabalho intelectual ressaltar que toda pesquisa necessita ter claramen- [...] e avalia os resultados obtidos” (p. 159); contu- te formulado um problema, entretanto, nem todos do, foi a partir do desenvolvimento da ciência mo- os problemas são passíveis de tratamento científico derna que se colocou a necessidade da construção por não poderem ser respondidos, comprovados de procedimentos que permitissem a demonstração por demonstração. Como afirma Gil (1996, p. 27), a do conhecimento por meio da evidência, levando à pesquisa científica não pode responder “a questões organização do método científico. de ‘engenharia’ e de valor porque sua correção ou Ao se tratar do método científico, uma importan- incorreção não é passível de verificação empírica”. te questão merece ser elucidada: a diferença entre Richardson (1999) sugere formular a pergunta uti- método e metodologia, pois muitas vezes toma-se o lizando como, o que e quando preferencialmente a significado de um pelo outro. Por método entende- por quê. se a organização das etapas fundamentais do pro- Tendo sido o problema identificado, coloca-se a cesso de pesquisa a partir das teorias que orientam necessidade de buscar informações acerca do fenô- a busca da verdade. Já metodologia incorpora o mé- meno que será investigado. Nessa etapa, as princi- todo e as técnicas, ou seja, os instrumentos para a pais fontes de informação são aquelas que apresen- investigação científica (coleta, tabulação, análise e tam alguma sistematização sobre o assunto, espe- interpretação de dados etc.). cialmente livros, relatórios, periódicos, internet etc. Na sequência do processo está a formulação da Etapas do método científico hipótese, ou seja, a elaboração de resposta prévia ao A investigação da natureza de forma científica, problema formulado. A hipótese normalmente é le- ou seja, utilizando o método científico, requer do vantada quando o investigador já realizou revisão da investigador uma constante atitude de reflexão e literatura pertinente ao fenômeno em estudo, ob- crítica diante da realidade e do permanente ques- tendo considerável conhecimento sobre o problema tionamento acerca das conclusões obtidas. Muito que permite a tentativa de resposta; é evidente que embora essa atitude deva também fazer parte da vida a hipótese será testada no processo de investigação e cotidiana das pessoas, para o cientista deve ser um assim poderá ser comprovada ou refutada. exigência que compreende alguns passos ou etapas. Para Richardson (1999), o meio formal de testar Neste estudo utilizaremos a sistematização apresenta- a hipótese é a predição que consiste na tentativa de da por Richardson (1999, p. 26-29), que compreende: predizer o resultado da hipótese pelo uso da esta- a observação, a formulação de um problema, a ob- tística. O raciocínio é que se a resposta é acertada, tenção de informações referenciais, o levantamen- os resultados são específicos e, muito embora rara- to de hipóteses, a predição, a experimentação e a mente a predição seja totalmente perfeita, é funda- análise. mental para o teste da hipótese. Pode-se afirmar que a observação é o primeiro A experimentação visa comparar os resultados momento da investigação, pois compreende infor- obtidos, mediante a realização de atividades que, mações mais gerais obtidas por meio da experiência dadas determinadas condições, permitam obter res- cotidiana ou mesmo de leituras realizadas, o que ca- postas a partir da manipulação intencional, e cons- racteriza como diferencial é que “essas observações titui-se em etapa importante do método científico. devem ser sensíveis, mensuráveis e passíveis de re- A análise configura-se como a fase final do mé- petição, para que possam ser observadas por outras todo científico e consiste na confirmação ou não da pessoas” (RICHARDSON, 1999, p. 26). hipótese levantada, permitindo construir, confirmar A partir da observação, o pesquisador constata ou rejeitar determinada teoria. alguma questão que necessita ser respondida e parte Uma questão se coloca: e quanto às ciências so- para a formulação do problema de pesquisa. Cabe ciais? Haveria um método específico para as ciên- 64Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 64 5/19/09 8:43:25 AM
  19. 19. AULA 2 — O Método Científico cias sociais? O humano como objeto de investigação tre eles [...], generalização da relação [...]”. Ou seja, passa a ter importância a partir do século XIX, con- após a observação de um fenômeno, faz-se o grupa- tudo, como nesse momento os critérios de cientifi- mento dos fatos segundo as suas relações constantes cidade já estavam estabelecidos, houve a incorpora- para generalizar para todos os fenômenos da mes- ção dos mesmos métodos e técnicas utilizados nas ma espécie. ciências da natureza para a análise dos fenômenos sociais. Contudo, por não ser possível uma trans- Método dedutivo – contrariamente à indução, o posição pura e simples dos métodos das ciências método dedutivo parte de enunciados mais gerais naturais para o estudo dos fenômenos humanos, os para chegar aos particulares ou menos gerais. Se- resultados obtidos tornaram-se pouco científicos gundo Oliveira (2001, p. 62), “a dedução como for- e, portanto, foram muito contestados. Richardson ma de raciocínio lógico tem como ponto de partida (1999) reflete que o fracasso das ciências sociais se um princípio tido como verdadeiro a priori. O seu deveu à transferência acrítica da metodologia das objetivo é a tese ou conclusão que é aquilo que se ciências físicas e naturais ao fenômeno humano. pretende provar”. É importante enfatizar que a de- Para o autor, as bases da pesquisa empirista utiliza- dução e a indução são procedimentos do raciocínio da nas análises dos fenômenos sociais levou “a uma que se complementam no processo da investigação. deturpação total da meta fundamental das ciências sociais: o desenvolvimento do homem e da socieda- Método dialético – A dialética tem sua origem na de” (p. 30). Grécia e em seus primórdios significava a arte de Somente a partir dos anos 1980, já no século XX, dialogar. Em Platão e Aristóteles já é possível iden- há uma real ruptura com os modelos até então con- tificar no conceito o aspecto de transformação, por solidados e ocorre uma mudança radical no estudo intermédio da contradição, entretanto, é Hegel que dos fenômenos humanos e sociais. Richardson pon- sistematiza a dialética como processo, movimento, dera ainda que as características do método cientí- mudança, transformação a partir de leis próprias. fico valem para qualquer ciência, contudo, “o que A história é vista como obra humana dentro de um muda é a aplicação de regras e instrumentos que processo dinâmico e não somente como a ocor- devem estar adequados para a medição dos fenô- rência de fatos. Para Hegel, esse processo se dá nas menos sociais. Por exemplo, fenômenos qualitativos ideias, na razão; sendo determinado pela reflexão, não podem ser analisados com instrumentos quan- pelo pensamento, e, assim, o objeto é identificado titativos” (p. 30). como consciência abstrata. Marx busca o conceito Assim, ainda que com muita controvérsia, os fe- desenvolvido por Hegel trazendo-o para a realidade nômenos humanos e sociais tornam-se objetos de objetiva, ou seja, o desenvolvimento não se dá pelo ciências específicas, tendo métodos próprios para pensamento, mas mediante as práticas sociais reali- análise desses fenômenos. zadas materialmente pelos homens. São três as leis da dialética: a transformação da Tipos de métodos quantidade em qualidade, a interpenetração dos con- Método indutivo – é um processo mental que trários e a negação da negação. parte do registro de fatos singulares ou menos ge- • Lei da passagem da quantidade à qualidade – rais, mas suficientemente constatados, para alcançar define que a passagem de um objeto para outro conclusões mais gerais. No método indutivo, anali- com características diferentes (qualidade) se dá sam-se as partes para compreender o todo. Lakatos pelo aumento quantitativo de determinadas e Marconi (1998, p. 87) consideram três elementos características do objeto. principais no procedimento da indução: “observa- • Lei da unidade e luta dos contrários – estabele- ção dos fenômenos [...], descoberta da relação en- ce que na contradição é que se dá o movimen- 65Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 65 5/19/09 8:43:25 AM
  20. 20. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica to, ou seja, os elementos que não podem existir que cria o novo não elimina totalmente o ve- sem o outro também buscam superar-se. Ao lho, pois mesmo o novo significando um novo tempo em que um só existe em função do ou- objeto possui qualidades do elemento antigo. tro, também busca sua ultrapassagem. São for- ças antagônicas que convivem em um mesmo O método desempenha um papel fundamental movimento; são faces de uma mesma moeda. no processo de pesquisa; por meio dele se constroem • Lei da negação da negação – explica que a o objeto e as etapas que orientarão a investigação. transformação do objeto em seu contrário se Portanto, a definição do método não deve ser vista dá pela negação. O novo é construído pela ne- como uma atividade burocrática, mas como as ba- gação do velho, que por sua vez, ao envelhecer, ses sobre as quais estarão sendo construídos os co- é negado por algo novo. Na luta dos contrários nhecimentos acerca do objeto em estudo. * ANOTAÇÕES 66Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 66 5/19/09 8:43:26 AM
  21. 21. AULA 3 — O Processo de Pesquisa AULA Unidade Didática – Metodologia da Pesquisa Científica ____________________ 3 O PROCESSO DE PESQUISA Conteúdo • O que é pesquisa • Tipos/caracterização da pesquisa • Fases da pesquisa • Instrumentos e técnicas para coleta de dados em pesquisa social Competências e habilidades • Conceituar o que vem a ser pesquisa científica • Caracterizar os diferentes tipos de pesquisa • Identificar as fases de elaboração da pesquisa • Identificar as principais técnicas para coleta de dados em pesquisas sociais Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presencial com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo A PESQUISA: DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÀO Gil (1991, p. 19), a pesquisa é “o procedimento ra- E TÉCNICAS cional e sistemático que tem como objetivo propor- A pesquisa científica é um processo reflexivo que cionar respostas aos problemas que são propostos”. visa construir conhecimentos a partir de procedi- A partir dessas definições é possível identificar que mentos racionais e sistemáticos. Santos (2000, p. 15) a pesquisa é um meio de se produzir conhecimen- caracteriza a pesquisa como “atividade intelectual tos aplicando, para isso, metodologias apropriadas intencional que visa responder às necessidades hu- de forma racional, organizada, metódica e reflexiva manas”. Lakatos e Marconi (1995, p. 155) afirmam voltada à resolução de problemas. que a pesquisa “é um procedimento formal, com A preparação de uma pesquisa científica requer método de pensamento reflexivo, que requer um um planejamento, para mais racionalmente se or- tratamento científico e se constitui no caminho para ganizarem os procedimentos. Essa preparação com- conhecer ou para descobrir verdades parciais”. Para preende quatro grandes etapas ou fases: a prepa- 67Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 67 5/19/09 8:43:26 AM
  22. 22. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica ração, a elaboração do projeto, a execução do pla- p. 23) esquematiza as etapas decorrentes daquelas, nejado e a elaboração do relatório final. Gil (1996, conforme o fluxograma a seguir: Formulação Construção Determinação Operacionalização do Problema de Hipóteses do Plano de Variáveis Elaboração dos Pré-teste dos Instrumentos Seleção da Amostra Coleta de Dados Instrumentos de Coleta de Dados Análise e Interpretação Redação do Relatório dos Dados da Pesquisa A fase de preparação é o momento em que o inves- A apresentação formal do projeto pode variar tigador define o tema a ser pesquisado, realiza a de- conforme o autor utilizado ou o convencionado por vida revisão de literatura a fim de identificar o atual cada Instituição de Ensino, entretanto, os questio- estágio de estudos sobre o assunto, bem como se há namentos levantados deverão estar contemplados fontes de dados disponíveis para que possa realizar no sentido de atender aos objetivos inerentes a qual- o estudo. A revisão de literatura também permite a quer projeto de pesquisa. delimitação mais clara do problema a ser estudado e Um dos aspectos fundamentais no processo de o estabelecimento de hipóteses (quando for o caso) pesquisa refere-se à formulação do problema a ser ou respostas provisórias ao problema enunciado. investigado, pois na busca da sua solução é que se es- tará apropriando, construindo e transformando co- Na etapa seguinte estará organizando o plano ou nhecimentos. Dessa forma, pode-se afirmar que toda projeto de pesquisa, elemento fundamental no pro- pesquisa inicia-se com um problema, entretanto nem cesso, pois permite ao pesquisador estabelecer metas todo problema é passível de tratamento científico. de forma clara, dentro de um prazo possível, com Lakatos e Marconi (1995) definem problema como técnicas mais adequadas em face do que se pretende uma dificuldade apresentada no entendimento de investigar e atendendo a determinado orçamento. A um assunto efetivamente importante e para o qual terceira etapa pode ser compreendida como a etapa se vai buscar uma solução. Para Gil (1991), um pro- de execução do projeto ou plano, quando os dados blema será científico quando for passível de ser ve- serão coletados, tabulados e analisados, e a quarta e rificado, observado empiricamente ou manipulado. última etapa refere-se à elaboração do relatório final A formulação do problema não é tarefa fácil visto de pesquisa, quando serão apresentados os resulta- que não se trata de tão-somente identificar o que se dos do estudo dentro de normas e padrões previa- pretende investigar, é preciso ter clareza e objetivi- mente estabelecidos (NBR 14724 da ABNT). dade. Sugere-se formular o problema em forma de O projeto de pesquisa vem responder aos seguin- pergunta (ou questão) delimitando-o a uma abran- tes questionamentos: gência que o torne viável de ser resolvido, com ma- • O que investigar? teriais e técnicas disponíveis e acessíveis ao pesqui- • Por que investigar? sador. Gil (1991) recomenda ter cuidado quando o problema referir-se a valores, pois por basear-se em • Para que e para quem investigar? aspectos subjetivos corre-se o risco de comprometer • Fundamentado em quais fontes de informação? a validade dos resultados obtidos. • Que soluções são propostas? • Como, com o que ou onde pesquisar? Classificação das pesquisas • Quais recursos orçamentários são necessários? A realização de uma pesquisa, especialmente nas • Qual é o tempo necessário para cumprir as etapas? ciências sociais, não segue um modelo único tendo • Quais fontes foram consultadas? em vista a complexidade própria da vida social vis- 68Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 68 5/19/09 8:43:26 AM
  23. 23. AULA 3 — O Processo de Pesquisa lumbrada em diferentes nuanças e aspectos ao olhar Essa organização pretendeu apresentar uma for- do investigador. ma de classificação; determinados tipos ocorrem Neste estudo, adotaremos a classificação siste- com mais regularidade em pesquisas sociais, en- matizada por Gil (1991), que as organiza a partir tretanto, em alguns casos pode-se recorrer a vários de dois critérios principais: quanto aos objetivos e tipos em uma mesma pesquisa para se responder à quanto aos procedimentos técnicos utilizados. questão investigada. Quanto aos objetivos gerais A coleta de dados Visa criar maior aproximação com o tema, proporcionando maior Em face da pesquisa que será realizada e dos ob- Pesquisa familiaridade com o problema; na maioria jetivos definidos pelo pesquisador, as informações Exploratória dos casos, assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso. poderão ser obtidas de diferentes fontes, sendo três Visa descrever as características as principais: a utilização de documentos, a obser- Pesquisa de determinada população ou Descritiva fenômeno utilizando técnicas vação, e as entrevistas e questionários. padronizadas para coleta de dados. Os documentos se referem ao material escrito Visa identificar os fatores que ao qual o investigador poderá ter acesso, podendo Pesquisa determinam a ocorrência de determinados Explicativa fenômenos. Busca explicar a razão, “o distinguir-se em: documentos oficiais (normalmen- porquê” de acontecerem. te provenientes de governo ou de empresas), docu- mentos pessoais, material de imprensa e utilitários Quanto aos procedimentos técnicos utilizados (catálogos, folhetos etc.). É desenvolvida a partir da utilização de Pesquisa material impresso elaborado – livros, A observação como técnica para coletar dados Bibliográfica artigos científicos, material eletrônico, deverá atender às características próprias de cada almanaques etc. pesquisa e se realiza mediante contato do investiga- É desenvolvida a partir de fontes Pesquisa documentais, que podem ou não ter dor com o fenômeno em estudo. Essa técnica é fun- Documental recebido tratamento analítico. damental em pesquisas sociais, pois permite apre- Pesquisa Consiste na reprodução de um fenômeno ender fatos e aspectos para os quais outros tipos de Experimental a partir de condições controladas. instrumentos se mostram limitados, contudo deve Utiliza os mesmos procedimentos da pesquisa experimental, diferindo no ser utilizada de forma combinada com outras téc- Pesquisa aspecto de que, neste caso, os fatos nicas. Ex-post-facto são espontâneos, não podendo o pesquisador controlar as variáveis. Segundo Dencker (2001, p. 146), a observação Baseia-se na interrogação direta ao pode ser realizada de duas formas: direta e indireta. grupo que se pretende investigar; “Observação direta, como o próprio nome já diz, é a neste caso, recorre-se à amostra que deverá ser significativa para possibilitar realizada diretamente sobre o objeto da observação, Levantamento generalizações. As pesquisas desse tipo enquanto a indireta é feita de tal modo que o obser- não são adequadas quando se tratar de estudos de problemas referentes a vado não se percebe como o principal elemento da relações e estruturas sociais complexas. investigação”. Tem como base o estudo de um ou Estudo de poucos objetos visando conhecê-lo(s) de A entrevista é compreendida como um diálogo Caso forma profunda e detalhada. entre duas pessoas (entrevistador e entrevistado) É realizada de forma articulada a uma com objetivos claramente definidos. Essa técnica Pesquisa-ação ação diante de um problema detectado no processo de pesquisa. permite obter as informações diretamente da pes- Há interação entre o pesquisador e soa, bem como a observação de toda a situação e o grupo de interesse da pesquisa e, reação do entrevistado. Assim como a observação, Pesquisa muito embora tenha semelhança com a Participante a entrevista como técnica para coleta pode ter sua pesquisa-ação, procura distinguir a ação espontânea (popular) da ação científica. validade questionada tendo em vista a possível in- 69Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 69 5/19/09 8:43:27 AM
  24. 24. Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica fluência do entrevistador nas respostas do entre- termos que sejam amplamente conhecidos, atentar- vistado, ou mesmo a distorção que pode ocorrer se somente aos objetivos da pesquisa, limitá-lo em na análise do material obtido. Entretanto, em que extensão e cuidar para não ser tendencioso. Sugere- pesem esses aspectos, Minayo (2001, p. 59) destaca a se testar os questionários antes de aplicá-los, ou seja, importância da noção de entrevista em profundida- realizar um pré-teste em que um grupo pequeno de “que possibilita um diálogo intensamente corres- responderá ao questionário de modo a identificar pondido entre entrevistador e informante [...] Esse seus pontos falhos e que mereçam ser revistos, a fim relato fornece um material extremamente rico para de verificar se atendem às expectativas. análises do vivido”. Para se alcançar a validade nas respostas, é im- Forma de registro portante preparar a entrevista atentando-se ao que O registro das informações obtidas no processo de será indagado e cercando-se de certos cuidados para coleta de dados é de fundamental importância; as- não interferir nas respostas do entrevistado. Quan- sim, para não se deparar com a ausência de algum to à organização, buscar marcar com antecedência, dado relevante, é conveniente estabelecer a forma de obter algum conhecimento prévio sobre o entrevis- realizar e organizar os registros. tado, preparar as perguntas e criar uma situação de Quando se tratar de entrevistas, é possível utili- discrição. No decorrer da entrevista, é importante zar, além do recurso da anotação, a gravação, a par- estar mais preparado para ouvir do que para falar, tir do consentimento do entrevistado. intervir no momento oportuno em que uma ques- O uso da filmagem é também uma forma interes- tão tenha relevância para ser aprofundada e buscan- sante de realizar os registros, pois permite rever as do manter-se fiel aos objetivos da entrevista, não situações vivenciadas pelo grupo estudado e que por permitindo desvios no que se pretende. vezes escapam ao olhar do investigador. Assim como O questionário pode ser definido como um ins- a filmagem, a fotografia permite reter informações trumento impessoal e que permite maior facilida- importantes no momento em que se realiza o es- de na coleta de informações. Nesse instrumento, o tudo, pois o efeito das transformações do tempo cer- investigador estabelece as questões, cujas respostas tamente estará modificando formas, paisagens etc. serão obtidas de forma escrita, podendo o entrevis- Minayo (1994) alerta que em estudos sociais é im- tado responder livremente ou assinalar as alternati- portante que se utilize o “diário de campo”, que são vas predeterminadas. anotações sistemáticas realizadas pelo pesquisador e Assim, o questionário poderá apresentar per- que estarão enriquecendo as análises e descrições. guntas do tipo aberta e/ou fechada, a depender do objetivo da pesquisa. As perguntas abertas são aque- Algumas considerações sobre a amostragem las que permitem a livre resposta do entrevistado, A amostra é um recurso a ser utilizado quando ficando a seu critério a extensão da resposta a ser a população-alvo for muito grande para ser usada fornecida. As perguntas fechadas são aquelas cujas inteira. Por população-alvo compreende-se o grupo respostas já se encontram previamente estabeleci- formado pelos indivíduos ou elementos que pos- das, ficando o entrevistado no papel de somente as- suem determinadas características definidas para sinalar a alternativa que achar mais adequada. um estudo; assim, a amostra representa uma parte A elaboração de um questionário requer alguns (um subconjunto) desse grupo. Richardson (1999) cuidados por parte do investigador: procurar ini- acrescenta que, além do tamanho da população-al- cialmente explicar de forma objetiva a finalidade vo, os custos e o tempo são fatores importantes na do questionário não se esquecendo de agradecer a utilização da amostragem, pois essa técnica permite colaboração de quem o respondeu, apresentar as reduzir custos e minimizar as distorções decorrentes questões de forma compreensível e com palavras e da variação do tempo de obtenção das informações. 70Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 70 5/19/09 8:43:27 AM
  25. 25. AULA 3 — O Processo de Pesquisa Como nas ciências sociais trabalha-se com gru- população-alvo fossem idênticos, uma amostra de pos humanos cuja característica principal é a hete- um só elemento seria perfeitamente representativa. rogeneidade, a técnica da amostragem permite sele- As amostras podem ser de dois tipos: as proba- cionar as amostras mais adequadas ao propósito da bilísticas e as não probabilísticas, em que somente investigação. as últimas poderão permitir generalizações estatís- Uma característica importante das amostras é ticas por estarem apoiadas no princípio da inferên- que o resultado obtido a partir dos dados da amos- cia estatística. As amostras do tipo probabilística tra deverão permitir as generalizações, ou seja, o que caracterizam-se, principalmente, por permitir que é característica da amostra também é característi- cada elemento da população-alvo tenha a probabi- ca de todo o conjunto que não se pôde observar. O lidade de fazer parte da amostra. Os principais tipos fato de se utilizar uma amostra e não a população- de amostras probabilísticas são: amostra aleatória alvo total pode levar a erros que poderão ser mini- simples, amostra sistemática, amostra por conglo- mizados quando se conhecem todos os parâmetros merado e amostra estratificada. da população-alvo, pois nesse caso pode-se calcular As amostras não probabilísticas utilizam critérios o erro da amostra. Quando não se conhecem esses baseados no raciocínio e na lógica para compor a parâmetros, é preciso estabelecer critérios visando amostra e não no princípio do acaso. Os principais ti- minimizar a margem de erro. Contandriopoulos et pos são: amostras acidentais, amostras de voluntários, al. (1999, p. 60) indicam dois critérios para se discu- amostras por escolhas racionais e amostras por cotas. tir essa margem: O tamanho da amostra depende de vários fatores intrinsecamente articulados ao que se pretende in- Quanto maior a “fração da amostra”, menor o “er- vestigar, aos custos decorrentes da coleta de dados e ro da amostra”. Intuitivamente é fácil conceber que, quanto maior a amostra em relação à popula- aos métodos estatísticos a serem utilizados. ção-alvo, mais segura é a representatividade dessa Qualquer que seja o método utilizado, é preciso amostra. Inversamente quanto mais homogênea ter-se clareza que cada um apresentará vantagens e for a população-alvo, menos necessária será uma desvantagens e que não há apenas um que seja uni- grande amostra. No limite, se todos os elementos da versalmente válido para todas as situações. * ANOTAÇÕES 71Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 71 5/19/09 8:43:27 AM
  26. 26. Unidade Didática – Metodologia da Pesquisa Científica Unidade Didática — Metodologia da Pesquisa Científica AULA ____________________ 4 A PESQUISA QUALITATIVA Conteúdo • Pesquisa qualitativa – conceito e características • O qualitativo e o quantitativo – diferentes faces de um mesmo processo Competências e habilidades • Compreender o que é a pesquisa qualitativa • Identificar as características da pesquisa qualitativa • Relacionar pesquisa qualitativa e quantitativa Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com professor interativo 2 h/a – presenciais com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo O QUE É PESQUISA QUALITATIvA? A pesquisa qualitativa pode ser definida como As pesquisas sociais têm sido marcadas pela uti- uma abordagem que busca entender determinado lização de metodologias do tipo quantitativo na fenômeno de forma aprofundada, descrevendo-o, abordagem e análise dos fenômenos que investiga, analisando-o e interpretando-o. Muito mais do que contudo nos últimos anos um tipo de abordagem descrições estatísticas que visam à generalização dos resultados, a pesquisa qualitativa trabalho com outro tem se mostrado promissor por ter como foco as- nível de realidade que nem sempre pode ser mensu- pectos que privilegiem a subjetividade na compre- rado ou transformado em dados quantitativos. ensão e entendimentos do objeto de estudos. Um aspecto importante nas pesquisas qualitati- Embora vista com desconfiança por alguns pes- vas é a não padronização da forma de abordagem e quisadores, a pesquisa qualitativa tem ganhado força tratamento do objeto de estudo, muito comum em em áreas importantes. Sobre isso, Neves (1996, p. 1) pesquisas de cunho quantitativo. “A pesquisa qua- comenta: “Surgido inicialmente no seio da Antropo- litativa pode ser caracterizada como a tentativa de logia e da Sociologia [...] esse tipo de pesquisa ga- uma compreensão detalhada dos significados e ca- nhou espaço em áreas como a psicologia, a educação racterísticas situacionais apresentadas pelos entre- e a administração de empresas”, entre outras. vistados, em lugar da produção de medidas quanti- 72Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 72 5/19/09 8:43:28 AM
  27. 27. AULA 4 — A Pesquisa Qualitativa tativas de características ou comportamentos” (RI- possam servir de parâmetro para se chegar à verda- CHARDSON, 1999, p. 87). de dos fenômenos. Contudo, a questão da credibili- É possível afirmar que há uma tentativa de apreen- dade está vinculada a questões muito específicas das der a riqueza da dimensão humana em toda sua ciências sociais, principalmente quando se conside- magnitude, sem que isso signifique o aprisionamen- ra o seu nascedouro. to a fórmulas e padrões previamente definidos. Segundo Santos Filho (2000), no século XIX uma Godoy (1995, p. 62) enumera algumas caracterís- das questões principais para os pesquisadores que ticas que permitem identificar as pesquisas do tipo discutiam os fenômenos humanos e sociais foi o qualitativa: problema da unidade das ciências. No século ante- rior, as ciências da natureza demonstraram que, pelo 1 – o ambiente natural como fonte direta dos dados método científico baseado na quantificação e gene- e o pesquisador como instrumento fundamental; ralização dos resultados, seria possível predizer com 2 – o caráter descritivo; vistas a alcançar dados muito precisos, que revelas- 3 – o significado que as pessoas dão às coisas e à sua sem a verdade sobre os fenômenos observados. vida como preocupação do investigador; 4 – enfoque indutivo. Então, as questões sociais, que nesse momen- to revelavam toda sua complexidade, passam a ser O que se depreende é que o aspecto subjetivo tem pauta de indagação no sentido da busca de métodos destaque. que pudessem garantir o mesmo sucesso alcançado Segundo Minayo (2001, p. 23), nas ciências so- pelos métodos utilizados nas ciências da natureza. ciais a pesquisa qualitativa se ocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado: Duas respostas ou posições foram assumidas diante desse problema. Uma defendia a unidade das ciên- Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, cias e, portanto, a legitimidade do uso do mesmo motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o método em todas as ciências. A outra posição era que, corresponde a um espaço mais profundo das favorável à tese da peculiaridade das ciências so- relações, dos processos e dos fenômenos que não po- ciais e humanas e, portanto, defendiam um método dem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. científico específico para estas ciências (SANTOS FILHO, 2000, p. 15). Assim, a subjetividade ganha destaque ocupando um lugar fundamental na abordagem dos fenôme- A unidade das ciências teve no Positivismo de nos, pois a objetividade representada em diagramas, Comte sua maior defesa, e influenciou as ciências gráficos e quantificação nem sempre apreende a di- sociais principalmente na forma de apreensão e nâmica presente na vida e que é revelada a partir da análise dos fenômenos, pois para conferir atributos fala dos sujeitos que a constitui. e qualidade ao objeto de investigação adotou termos Richardson (1999, p. 90) corrobora esse pensa- matemáticos e a linguagem de variáveis, caracterís- mento quando afirma que “a pesquisa qualitativa tica das ciências da natureza. pode ser caracterizada como a tentativa de uma Minayo (2001, p. 23) sintetiza bem esse posicio- compreensão detalhada dos significados e caracte- namento quando define os seguintes critérios para rísticas situacionais apresentadas pelos entrevista- análise dos fenômenos sociais, com base nas ciên- dos, em lugar da produção de medidas quantitativas cias da natureza: de características ou comportamentos”. a – o mundo social opera de acordo com leis cau- As pesquisas qualitativas vêm ganhando espaço, sais; embora ainda não sejam aceitas por muitos pesqui- b – alicerce da ciência é a observação sensorial; sadores exatamente pela questão da validade cientí- c – a realidade consiste em estruturas e instituições fica, ou seja, como garantir que aspectos subjetivos identificáveis enquanto dados brutos por um lado 73Modulo01_SSocial_4sem_Unidade03.indd 73 5/19/09 8:43:28 AM

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