Servico social 2009_4_2

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Servico social 2009_4_2

  1. 1. Educação sem fronteiras SERVIÇO SOCIAL Autores Professora Especialista Edilene Maria de Oliveira Araújo Professora Ma. Amirtes Menezes de Carvalho de Silva Professora Ma. Angela Cristina Dias do Rego Catonio Professora Ma. Maria Clotilde Pires Bastos 4 www.interativa.uniderp.br www.unianhanguera.edu.br Anhanguera Publicações Valinhos/SP, 200900_Abertura_SSocial_4Sem.indd 1 5/28/09 3:24:30 PM
  2. 2. © 2009 Anhanguera Publicações Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Ficha Catalográfica realizada pela Bibliotecária impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua Alessandra Karyne C. de Souza Neves – CRB 8/6640 portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2009 S514 Serviço social / Edilene Maria de Oliveira Araújo ...[et al.]. - Valinhos : Anhanguera Publicações, 2009. 256 p. - (Educação sem fronteiras ; 4). ISBN: 978-85-62280-44-3 1. Comunicação – Metodologia da pesquisa. 2. Direito – Legislação social. 3. Movimento social. I. Araújo, Edilene Maria de Oliveira. II. Título. III. Série. ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS CDD: 360 Presidente Prof. Antonio Carbonari Netto Diretor Acadêmico Prof. José Luis Poli Diretor Administrativo Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior ANHANGUERA PUBLICAÇÕES CAMPUS I Diretor Chanceler Prof. Diógenes da Silva Júnior Profa. Dra. Ana Maria Costa de Sousa Reitor Gerente Acadêmico Prof. Dr. Guilherme Marback Neto Prof. Adauto Damásio Vice-Reitor Gerente Administrativo Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira Prof. Cássio Alvarenga Netto Pró-Reitores Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior Pró-Reitora de Graduação: Profa. Heloisa Helena Gianotti Pereira Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. UNIDERP INTERATIVA Diretor Prof. Dr. Ednilson Aparecido Guioti Coodernação Prof. Wilson Buzinaro COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Aparecida Lucinei Lopes Taveira Rizzo / Profa. Maria Massae Sakate / Profa. Adriana Amaral Flores Salles / Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora) PROJETO DOS CURSOS Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Figliolini Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Profa. Ana Lúcia Américo Antonio Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira Biazetto Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 2 5/28/09 3:24:30 PM
  3. 3. Nossa Missão, Nossos Valores _______________________________ A Anhanguera Educacional completa 15 anos em 2009. Desde sua fundação, buscou a ino- vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição de Ensino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e privilegia a preparação dos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho. A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará sempre preocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis- tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhor relação qualidade/custo, adotaram-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições de ensino. As unidades no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valores da Anhanguera. Atuando também no Ensino a Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es- tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da Uniderp Interativa, nos seus pólos espalhados por todo o Brasil. Boa aprendizagem e bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente — Anhanguera Educacional00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 3 5/28/09 3:24:31 PM
  4. 4. . 00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 4 5/28/09 3:24:31 PM
  5. 5. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Apresentação ____________________ A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência no desenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos, arrojados, pluralistas, democráticos. Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par- ceiros e congêneres no país e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passou para o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo compromisso com a qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos propósi- tos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e a ascensão social. Reconhecida pela ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si mais um desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportunida- des de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educação a Distância. Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que, em pouco tempo, saiu das frontei- ras do Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do país, possibilitando o acesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída. O Centro de Educação a Distância atua por meio de duas unidades operacionais: a Uniderp Interativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN). Com os modelos alternativos ofereci- dos e respectivos pólos de apoio presencial de cada uma das unidades operacionais, localizados em diversas regiões do país e exterior, oferece cursos de graduação, pós-graduação e educação continuada, possibilitando, dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias dinâmicas e inovadoras. Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento da Instituição e realizado inúmeras benfeitorias na estrutura organizacional e acadêmica, com re- flexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro- Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabiliza a compra, pelos alunos, de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado e estimula-os a formar a própria biblioteca, promovendo, assim, a melhoria na qualidade de sua aprendizagem. É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, de formação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos, preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena na sociedade. Prof. Guilherme Marback Neto00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 5 5/28/09 3:24:31 PM
  6. 6. 00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 6 5/28/09 3:24:31 PM
  7. 7. Autores ____________________ AMIRTES MENEZES DE CARVALHO E SILVA Graduação: Pedagogia – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – 1998 Pós-graduação: Fundamentos da Educação – Área de Concentração: Psicologia da Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – 2001 Mestrado: Em Educação – Área de Concentração: Psicologia – Universidade de Mato Grosso do Sul – UFMS – 2003 EDILENE MARIA DE OLIVEIRA ARAÚJO Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidades Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1986 Pós-graduação Lato Sensu: Formação de Formadores em Educação de Jovens e Adultos – Universidade Nacional de Brasília – UNB – 2003 Pós-graduação Lato Sensu: Gestão de Iniciativas Sociais – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – 2002 Pós-graduação Lato Sensu: Administração em Marketing e Comércio Exterior – UCDB – 1998 ANgELA CRISTINA DIAS DO REgO CATONIO Graduação: Letras – Língua Portuguesa e Língua Inglesa/Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande/MS – 1996 Especialização: Comunicação Social/Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, São Paulo/SP, 1999 Mestrado: Comunicação Social/Universidade Metodista de São Paulo – IMESP, São Bernardo do Campo/SP, 2000 MARIA CLOTILDE PIRES BASTOS Graduação: Pedagogia com Habilitação em Administração e Supervisão Escolar de 1º e 2º Graus – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 1981 Pós-graduação Lato Sensu: Metodologia do Ensino Superior – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP – 1988 Pós-graduação Strictu Sensu: Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – 199700_Abertura_SSocial_4Sem.indd 7 5/28/09 3:24:31 PM
  8. 8. 00_Abertura_SSocial_4Sem.indd 8 5/28/09 3:24:31 PM
  9. 9. Sumário ____________________ MÓDULO – COMUNICAÇÃO E METODOLOgIA DA PESQUISA UNIDADE DIDÁTICA – ESTÁgIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL AULA 1 Estágio supervisionado e a prática do saber ...................................................................................... 3 AULA 2 Legislação e a profissão do assistente social ....................................................................................... 13 UNIDADE DIDÁTICA – COMUNICAÇÃO SOCIAL AULA 1 Linguagem e sua função social ........................................................................................................... 23 AULA 2 Modalidades verbais e não verbais na comunicação ......................................................................... 29 AULA 3 Comunicação: conceitos e modelos ................................................................................................... 33 AULA 4 Funções da linguagem e tipos de comunicação................................................................................. 38 AULA 5 Habilidades em comunicação............................................................................................................. 42 AULA 6 Comunicação e novas tecnologias da comunicação ......................................................................... 46 AULA 7 Relações humanas ............................................................................................................................... 49 AULA 8 Comportamento e moda .................................................................................................................... 51 UNIDADE DIDÁTICA – METODOLOgIA DA PESQUISA CIENTÍFICA AULA 1 O conhecimento e a ciência ................................................................................................................ 59 AULA 2 O método científico ............................................................................................................................ 63 AULA 3 O processo de pesquisa ....................................................................................................................... 67 AULA 4 A pesquisa qualitativa ......................................................................................................................... 72 AULA 5 Leitura e registro ................................................................................................................................. 76 AULA 6 Apresentação de trabalhos acadêmicos – Normas da ABNT ............................................................ 79 SEMINÁRIO INTEGRADO..................................................................................................................... 9400_Abertura_SSocial_4Sem.indd 9 5/28/09 3:24:32 PM
  10. 10. MÓDULO – DIREITO SOCIAL E MOVIMENTOS SOCIAIS UNIDADE DIDÁTICA – DIREITO E LEgISLAÇÃO SOCIAL AULA 1 A aplicabilidade do direito no serviço social ..................................................................................... 97 AULA 2 A pessoa e seu inter-relacionamento social ....................................................................................... 106 AULA 3 A institucionalização da sociedade..................................................................................................... 118 AULA 4 O direito familiar ................................................................................................................................ 132 AULA 5 A estruturação dos direitos constitucionais e as garantias fundamentais: direitos humanos e cidadania ........................................................................................................................................... 143 AULA 6 O direito infraconstitucional e suas aplicações no serviço social – a legislação social e a proteção da sociedade ........................................................................................................................................ 160 AULA 7 O direito trabalhista e as relações políticas de trabalho .................................................................... 169 AULA 8 O direito previdenciário – sistema brasileiro de seguridade social .................................................. 193 UNIDADE DIDÁTICA – MOVIMENTOS SOCIAIS AULA 1 Movimentos sociais............................................................................................................................. 209 AULA 2 Aspectos teóricos – histórico dos movimentos sociais no Brasil ...................................................... 212 AULA 3 Movimentos sociais e cidadania ......................................................................................................... 215 AULA 4 Políticas sociais – a contribuição dos movimentos sociais ............................................................... 218 AULA 5 A sociedade civil e a construção de espaços públicos........................................................................ 221 AULA 6 O caráter educativo do movimento social popular ........................................................................... 223 AULA 7 Os movimentos sociais e a articulação entre educação não formal e sistema formal de ensino .... 226 AULA 8 Movimentos sociais em suas diferentes expressões ........................................................................... 229 AULA 9 Tendências dos movimentos sociais na realidade brasileira contemporânea .................................. 232 AULA 10 Redes de ações coletivas ...................................................................................................................... 239 SEMINÁRIO INTEGRADO..................................................................................................................... 24300_Abertura_SSocial_4Sem.indd 10 5/28/09 3:24:32 PM
  11. 11. Módulo COMUNICAÇÃO E METODOLOGIA DA PESQUISA Professora Ma. Amirtes Menezes de Carvalho e Silva Professora Ma. Angela Cristina Dias do Rego CatonioModulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 21 5/19/09 8:38:14 AM
  12. 12. Unidade Didática — Comunicação Social Apresentação O homem é um ser essencialmente social, e essa natureza social e sociável o leva a uma vida de convivências recíprocas. A maior parte de sua vida é de convivência, é a simultaneidade de vivências entre uns e outros. A comunicação constitui um dos alicerces da sociedade e das relações sociais. Seja pela escrita, pela palavra falada, pela imagem ou pelo som, os meios informativos passaram a compor um mundo peculiar, no qual o homem tem a oportunidade de saber, de conhecer, de se atualizar. Nesse panorama, o profissional de relações humanas assume importância fundamental no processo de comunicação. A disciplina de Comunicação Social está voltada para os profissionais que têm como um dos principais instrumentos de trabalho a palavra. Desenvolver as habilidades de comunicação é o principal objetivo da disciplina. O conteúdo aqui minis- trado permitirá ao acadêmico de Serviço Social melhor observar e empregar a comunicação no seu dia a dia, possibilitando-lhe maior possibilidade de interação com seus pares. É obrigação de qualquer profissional na área de comunicação aperfeiçoar-se e enriquecer-se no uso da língua como meio de compreensão e expressão. O desenvolvimento do hábito da reflexão faz o profissional preparar-se para desempenhar satisfatoriamente suas atividades. A importância da comunicação extrapola os limites do papel, porque a mensagem transmitida de forma eficiente permite atingir melhor as pessoas, o que poderá melhorar os relacionamentos sociais. O assistente social deve estar preparado para fazer uma leitura fiel e exata dos acontecimentos, sem deixar de lado a sim- plicidade e a clareza necessárias para a eficiência na comunicação. Professora Ma. Angela Cristina Dias do Rego Catonio 22Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 22 5/19/09 8:38:14 AM
  13. 13. AULA 1 — Linguagem e sua Função Social AULA ____________________ 1 Unidade Didática – Comunicação Social LINGUAGEM E SUA FUNÇÃO SOCIAL Conteúdo • Conceito de linguagem Competências e habilidades • Levar os acadêmicos a compreenderem o papel da linguagem na organização do pensamento, para que desenvolvam estratégias de comunicação no Serviço Social Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presencial com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo LINHA DO TEMPO DA COMUNICAÇÃO A seguir, temos um breve histórico do desenvol- vimento da comunicação. A linha do tempo abaixo demonstra as grandes transformações da comuni- cação ocorridas desde os primórdios do homem até os dias atuais. Observe-a atentamente. EVOLUÇÃO DA COMUNICAÇÃO Pré-história ........... comunicação visual 50.000 a.C. ......desenhos (sinais, traços) fumaça co- 4000 a 3000 a.C. .......desenhos pequenos, sinais explica- municação verbal sons, ruídos sons tivos (pictogramas dos sumérios) (primórdios da música) comunica- 3300 a.C. ................ egípcios (descoberta do papiro - ção física (gestos, dança) planta de folhas fortes) 23Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 23 5/19/09 8:38:14 AM
  14. 14. Unidade Didática — Comunicação Social 2400 a.C. .................sinais regulares (sons das palavras) 1500 a.C. ................ primeiras inscrições chinesas 1000 a.C. ................ alfabeto fenício - sem as vogais. Alfabeto grego - com as vogais 1455-56 ................. advento da tipografia - Gutem- 776 a.C. .................. primeiro registro do uso de um berg - 1.º livro impresso foi a pombo-correio para envio de Bíblia mensagens 1780 ..................... primeira caneta tinteiro-Sheller 200 a 100 a.C. ........ mensageiros humanos a pé ou 1792 ..................... telégrafo ótico - Chappe a cavalo são comuns no Egito e na China. Primeiras estações de entrega das mensagens 197 - 150 a.C. ........ Europa (escrita no couro - per- gaminho) 14 d.C. ................... os romanos estabelecem os ser- viços postais 200 d.C. ................. invenção da bússola (China). 200 d.C. ................. invenção do papel pelos chineses 200 – 250 d.C......... biblioteca de Alexandria (fuda- da pelos ptolomeus) Roma - primeiros jornais eram pregados na parede do senado Teatro grego - histórias e diálogos 1821 ...................... corrente elétrica – Faraday Trovadores - literatura ambulante, jornais falados 1827-37 .................. fotografia - Niepce e Daguerre 1829 ....................... invenção da máquina de escrever por Willian Austin Burst 1837 ...................... código morse - alfabeto de sons 1880 .......................... fonógrafo - Edison conseguir gra- var e conservar a voz humana 1876 ...................... telefone - Graham Bell 1878 ...................... lâmpada elétrica - Thomas Edison 1896 ...................... rádio - Marconi 1895 ...................... cinema - irmãos Lumiere 1896 ...................... realizada a primeira sessão de 305 d.C. ................. primeiras prensas de madeira cinema no Brasil inventadas na China (símbolos 1925 ..................... televisão – primeiras imagens eram entalhados em blocos de de televisão madeira) 1927 ..................... cinema falado - Lee de Forest 1200 d.C. ............... primeiras universidades são cantor de jazz fundadas na Europa 1945 ...................... válvula 24Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 24 5/19/09 8:38:15 AM
  15. 15. AULA 1 — Linguagem e sua Função Social 1946 ...................... antecessor do computador mo- de tempo cada vez menor. O homem passou quase derno - Universidade de Pensil- 50.000 anos para descobrir os primeiros sinais grá- vânia ficos. Em compensação, levou apenas 50 anos para 1948 ...................... disco long-play - Peter Goldmark inventar o cinema, o rádio e a televisão, fatos que 1948 ...................... transistor - Bardeen, Brattai e modificaram profundamente o quadro cultural, o Shockley que acontece de forma cada vez mais rápida. 1954 ...................... TV em cores - EUA Pensar na relevância da linguagem para a humani- dade produz uma reflexão, hoje, centrada no papel da linguagem como um instrumento de inserção social. No entanto, essa atitude também reflete uma aborda- gem sociohistórica para o desenvolvimento humano. A linguagem, nesse sentido, muito mais que a evolução da estrutura cognitiva, é um produto so- cial e histórico. Recorre-se, nesse caso, à teoria de Vi- 1956 ...................... primeira usina nuclear na In- gotsky, a qual descreve duas funções da linguagem: glaterra 1957 ...................... primeiro satélite no espaço - A principal função é a de intercâmbio social: é para Sputinik – URSS se comunicar com seres semelhantes que o homem 1958 ...................... primeiras gravações estereofô- criou e utiliza os sistemas de linguagem. nicas A segunda função da linguagem: a de pensamento 1962 ...................... primeira transmissão via satélite generalizante. A linguagem ordena o real, agrupan- 1964 ..................... circuitos integrados do todas as ocorrências de uma mesma classe de 1971 ..................... 4004 Intel - primeiro micropro- objetos, eventos, situações, sob uma mesma catego- cessador produzido em escala ria conceitual (OLIVEIRA, 1995, p. 42-43). comercial Vigotsky, ao postular as duas funções para a lin- guagem humana, reafirma que os traços especifi- camente humanos são adquiridos no domínio da cultura por meio da interação com os outros. Para o autor, a linguagem traduz e ao mesmo tempo repre- senta um avanço do pensamento, de modo que, em determinado momento do desenvolvimento huma- no, pensamento e linguagem se unem. O surgimento do pensamento verbal e da lingua- gem como sistema de signos é um momento crucial no desenvolvimento da espécie humana. Considerando essa argumentação, a linguagem é 1972 ...................... TV em cores no Brasil um processo psicológico superior. De acordo com ................................ Internet Vigotsky, processos superiores são: ................................ TV a cabo ................................ Offset [...] mecanismos psicológicos mais sofisticados, ................................ compact disc mais complexos, que são típicos do ser humano e ................................ videodisc... que envolvem o controle consciente do comporta- mento, a ação intencional e a liberdade do indiví- *Observe que, com o passar do tempo, as des- duo em relação às características do momento e do cobertas e os inventos ocorreram em um espaço espaço presente (OLIVEIRA, 1995, p. 62). 25Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 25 5/19/09 8:38:16 AM
  16. 16. Unidade Didática — Comunicação Social Mediante a abordagem sobre a linguagem, deve- da, no entanto, seu sentido difere entre os indivíduos, mos compreender que ela se apresenta em duas mo- pois a palavra pode ter múltiplos sentidos para cada dalidades: a linguagem verbal e a não verbal, as quais pessoa, tais como abandono, violência, carinho ex- se distinguem por seus mecanismos de funciona- cessivo, superproteção etc. mento, mas que o homem utiliza simultaneamente. O sentido, portanto, refere-se ao significado da Ocorrendo alguma interferência na expressão palavra para cada indivíduo, e é composto por rela- verbal, o homem se utiliza da linguagem não verbal. ções que dizem respeito ao contexto de uso da pala- O homem no seu dia-a-dia, às vezes, não se dá conta vra e as vivências afetivas. da diferenciação entres as duas modalidades. Entende-se que, com a linguagem verbal, o ho- Entretanto, é necessária uma compreensão cla- mem organizou um sistema de significados e senti- ra do conteúdo de cada modalidade. A linguagem dos que o permite conhecer e ser conhecido, trans- verbal possui duas funções básicas: a de intercâm- formando o mundo real e, concomitantemente, a si bio social e a do pensamento generalizante. Desse próprio, haja vista as alterações do conceito e uso modo, o elemento fundamental da linguagem ver- das palavras ao longo da história. bal, a palavra, tem uma importância crucial nessa Segundo Leão (1999), se identificamos que o de- modalidade de comunicação. senvolvimento do homem se dá no processo da ati- A palavra, segundo Vigotsky, possui duas dimen- vidade, a aquisição da linguagem, além de um pro- sões: o significado e o sentido. cesso de inserção social, é um processo psicológico O significado compreende o conceito de cada de comunicação. Para a autora: objeto e propicia uma mediação entre o sujeito e o A linguagem tornou-se o processo de transmissão mundo. de informação no qual o homem se apóia no pro- O significado de uma palavra representa um amál- cesso de pensamento e que emprega recursos da gama tão estreito do pensamento e da linguagem língua. [...]. Uma palavra sem significado é um vazio, o sig- Na psicologia, entendemos por linguagem huma- nificado poderia ser visto como um fenômeno da na um complexo sistema de códigos, que designam fala (OLIVEIRA, 1995, p. 48). objetos, características, ações e relações; e que pos- sui a função de regrar e transmitir informações, in- Os significados da linguagem verbal são uma troduzindo-as em determinados sistemas (LEÃO, construção da história de grupos humanos a partir 1999, p. 45-46). das relações entre estes e o mundo físico e social. Razão pela qual a aquisição da fala é um marco no Essa ideia reforça a compreensão de que a pala- desenvolvimento do pensamento humano. vra nomeia objetos, indicando sua característica, O outro elemento, também importante na lin- ações ou relações essenciais e as organizando em guagem verbal, é o sentido. Se por um lado o signi- categorias, ou seja, constituindo o seu significado. ficado é um elemento social e cultural, por outro, o Leão (1999) reafirma a ideia de que o significado sentido tem a característica de ser pessoal. Ou seja, representa um sistema estável de generalizações que o homem, ao se utilizar das palavras para se comu- os indivíduos reconhecem. E o sentido relaciona-se aos motivos e ao que o indivíduo quis expressar ao nicar, transmite, nessa atividade, sua subjetividade. utilizar a fala. Desse modo, os indivíduos manifestam ideias e sen- timento próprios sobre o mundo real. Nesse sentido: Mesmo que as palavras tenham seus conceitos [...] diz-se que o diálogo real é uma forma de ativi- reconhecidos pelo grupo, os homens ainda dão sen- dade que normalmente implica a tomada de deci- tidos individuais para elas. Por exemplo, a palavra sões em comum, na colaboração ou conflito com os mãe tem o significado de quem gera, protege e cui- outros [...] (LEÃO, 1999, p. 48). 26Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 26 5/19/09 8:38:16 AM
  17. 17. AULA 1 — Linguagem e sua Função Social Tão importante quanto a linguagem verbal é a de agressão. Facilitadora quando se abre em direção não verbal, pois na ontogênese os gestos e expres- ao outro, num gesto de acolhida (ARAÚJO, 1999, sões corporais são importantes para que a criança, p. 104). ao interagir com o meio social, aprenda a colocar Aliado ao desenvolvimento dos gestos das mãos, suas reivindicações. Na decodificação dessa lingua- o homem ampliou os gestos faciais e corporais ao gem, o adulto vai informando à criança os códigos longo de sua história. De tal modo que qualquer não verbais utilizados pelo grupo social. texto ou discurso, por melhor que seja a sua estru- Entende-se que a utilização dos gestos e expres- tura, podem gerar atração ou repulsa em razão da sões é um mecanismo importante para a aquisição forma como quem os apresenta se comporta, pela da linguagem verbal e a sua compreensão. À medi- tonalidade da voz ou pelos gestos que são emitidos da que o homem amplia sua participação na vida na pronuncia dos mesmos. social, a linguagem não verbal passa a exercer ou- Araújo (1999) expõe da seguinte maneira a tra função, ou seja, os gestos e expressões corporais importância da linguagem não verbal na comuni- não se relacionam mais exclusivamente a estados cação: afetivos e/ou motivos de ordem biológica. Estes se tornam meios que possibilitam aos indivíduos co- Grandes discursos podem modificar a direção do nhecer e apropriar-se de códigos linguísticos. seu sentido na maneira como são ditos, pela infle- xão da voz daquele que fala. O tom emocional da Sendo a linguagem não verbal um instrumento entonação e da modulação na voz é que contribui primordial no processo de interação do indivíduo para a distinção do sentido da palavra entre todos com o meio social, a criação e utilização dessa mo- os seus significados possíveis. A entonação da voz é dalidade de linguagem também assume um caráter a que provoca no ouvinte as reações emocionais. sociohistórico. Portanto, na linguagem não verbal Atração ou repulsão se observam principalmente não se pode considerar que os movimentos corpo- na maneira como as pessoas se apresentam, na for- rais sejam simplesmente resultado de reflexos con- ma como falam, vestem etc., dentro de classificações dicionados ou incondicionados, mas sim que gestos já dadas, a priori, dentro de categorias que vamos são voluntários. Estes são produzidos a partir de um assimilando do nosso meio ambiente (ARAÚJO, contexto social definido e colaboram para a com- 1999, p. 116). preensão dos significados e sentidos apresentados Diante do exposto, é certa a compreensão da rele- na comunicação com os outros. vância que as modalidades de linguagem têm na co- Essa premissa verifica-se quando se entende que o municação nas mais variadas situações de convivên- homem, ao produzir o primeiro instrumento de tra- cia. No entanto, no campo das relações profissionais balho, o qual facilitou o domínio da natureza e possi- e no trato com o público, o papel das linguagens bilitou o aprimoramento de partes do corpo humano, verbal e não verbal, na sociedade contemporânea, é tais como a mão, os dedos etc., teve que organizar, pri- relevante e não pode passar despercebido pelos pro- meiro, gestos e movimentos para que os demais mem- fissionais, principalmente os da área social. bros entendessem a ação a ser realizada. Em uma situação de contato individual ou em O desenvolvimento das mãos produziu, também, grupo, na produção de documentos o uso de ex- o desenvolvimento de capacidades comunicativas pressões verbais e corporais inadequadas pode al- humanas, tais como: terar substancialmente o sentido e o significado do A mão como agente da expressão emocional na co- assunto tratado, da decisão a ser tomada ou do en- municação. Inibidora quando, ao estender a mão caminhamento necessário diante da situação – pro- em gesto de encontro, o outro a fecha num gesto blema em questão. 27Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 27 5/19/09 8:38:17 AM
  18. 18. Unidade Didática — Comunicação Social Ressalte-se que na área social é preciso ater-se problemas de relacionamento entre os técnicos, fa- em propiciar uma comunicação adequada tanto no vorecendo um desempenho qualitativo do trabalho atendimento ao público como entre os membros das técnico e melhor visibilidade da ação institucional equipes. O uso correto da linguagem pode eliminar na comunidade. * ANOTAÇÕES 28Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 28 5/19/09 8:38:17 AM
  19. 19. AULA 1 — Linguagem e sua Função Social AULA ____________________ 2 MODALIDADES VERBAIS E NÃO VERBAIS Unidade Didática – Comunicação Social NA COMUNICAÇÃO Conteúdo • Conceito de linguagem verbal e não verbal • Mecanismo de funcionamento da linguagem verbal e não verbal na comunicação Competências e habilidades • Levar o acadêmico a conhecer e entender o funcionamento da linguagem verbal e não verbal na comunicação Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presencial com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo LÍNGUA ORAL E LÍNGUA ESCRITA somente a língua falada. As tradições, os costumes e Como vimos anteriormente, a comunicação en- as histórias de um povo eram passadas apenas pela tre os indivíduos pode se efetivar de várias formas. tradição oral. Com o tempo, tentou-se reproduzir A língua foi o principal código desenvolvido pelo cada som emitido pela voz humana em símbo- homem para expressar suas necessidades e uma los (letras) e, dessa forma, juntando-se os diversos tentativa, muitas vezes vitoriosa, de modificação da símbolos para formar as palavras. Mesmo que es- sociedade. sas letras não reproduzam com exatidão os sons da Mas você já parou para se perguntar o que é lín- língua falada, a língua escrita é fundamental para o gua? processo comunicativo. Uma língua é um conjunto de signos conven- Contudo, mudanças linguísticas ocorrem no cionados por determinado grupo de indivíduos na decorrer do tempo. A língua sofre variações nas tentativa de interação social. No princípio, existia formas oral e escrita em virtude de vários aspec- 29Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 29 5/19/09 8:38:17 AM
  20. 20. Unidade Didática — Comunicação Social tos: localização geográfica de determinados grupos Língua oral Língua escrita sociais, contato com línguas estrangeiras etc. Essas tendências naturais de transformações da lingua- Utilizam-se sons Utilizam-se signos/letras que formam as palavras gem ocorrem tanto na oralidade quanto na grafia. Como exemplo, podemos citar a palavra você, que é Uso de gírias e Uso de referências mais uma contração do que antigamente falava-se vossa onomatopeias precisas e elaboradas mercê e que com o tempo passou para vossemecê, até Omissão de termos Todos os termos devem chegar ao atual você. aparecer de forma clara As características da linguagem oral são diferen- Modo descontraído e Cuidado na construção tes das da escrita. A primeira é muito mais alusiva irreverente do período e subjetiva, conta com recursos impossíveis de se Utilização livre dos Colocação pronominal traduzir na escrita como: entonação, gestos, ên- pronomes conforme as regras fases, expressões faciais, pausas, entre outros, que, gramaticais para Vanoye (1998, p. 39), são as significações não Ambiguidades com Frases bem estruturadas verbais suplementares. Assim, na língua escrita, frases inacabadas tenta-se também adequar algumas formas de inte- Apelos visuais (gestos, Descrição metódica dos ração emissor-receptor para uma melhor compre- expressões faciais, detalhes ensão da mensagem. Embora a oralidade afigure-se apontar objeto/pessoas/ de maneira diferente da escrita, o signo é carregado locais) de significados pessoais e recebe mais intensamente Repetição de palavras Emprego variado da modificações influenciadas pelo meio social. linguagem para evitar Enquanto a fala conta com a gesticulação, mo- repetições vimentos do corpo e entonações para o envio da Improvisada e Evita improvisações e mensagem, a escrita precisa necessariamente ser espontânea segue os padrões cultos mais concreta, descritiva e narrativa. da língua Outro fator a destacar com relação à língua es- crita, é que, com o passar do tempo, criaram-se pa- funções pragmáticas, a estruturação do discurso e a drões facilitadores de apresentação do texto escrito. transmissão de significados. Surgiram normas cultas para a língua escrita, so- No ato da comunicação, o falante e o ouvinte bretudo a uniformidade da ortografia e as regras de têm à sua disposição meios verbais, entendidos por sintaxe, que facultam a compreensão do conteúdo hesitações, pausas, prosódias, partes de silabas, síla- e a manutenção da unidade linguística de uma lín- bas, frases e partes de frases; e os meios não verbais, gua; a organização do texto em parágrafos favorece representados por movimentos e não movimentos a agilidade da leitura; a formação de tópicos e sub- de cabeça, de olhos, tronco, face e das mãos para a tópicos proporciona o exame dinâmico do texto. construção de seu enunciado, assim como para pro- Observe na tabela ao lado as principais diferenças ferir sua resposta. Nessa troca de locuções verbais e entre a língua oral e escrita. não verbais as pessoas constituem diálogos que es- No entendimento de grande parte dos linguistas, clarecem, provocam ou hesitam seus participantes. a comunicação face a face é resultado dinâmico das Rodrigues (1998, p. 70-96 apud RODRIGUES, interações entre a locução verbal e os movimentos 2008), em seus estudos, demonstrou as categorias do corpo (POYATOS, 1992 apud RODRIGUES, presentes no processo de interação face a face que 2008). Coloca-se que a comunicação é uma ativi- são: o desenvolvimento temático, as relações estru- dade tripartite, ou seja, envolve o desempenho das turais entre as diferentes unidades conversacionais, 30Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 30 5/19/09 8:38:17 AM
  21. 21. AULA 2 — Modalidades Verbais e Não Verbais na Comunicação a expressão das emoções e das relações sociais entre tipos: reparação autoiniciada – feita pelo falante as- os parceiros na função de falante e ouvinte. sim que ocorre o desarranjo; e a reparação alterna- da-iniciada – na vez seguinte do desarranjo. Na análise do fenômeno da comunicação face a fa- Ambos os sujeitos da comunicação podem se uti- ce às unidades, segundo Rodrigues (1998 apud RO- lizar desse mecanismo. A reparação pode acontecer DRIGUES, 2008), podem ser divididos em grupos: dependendo do grau de prejuízo da harmonia do • os elementos do enunciado envolvendo o siste- diálogo, ou seja, a reparação preferida é a que menos ma de alternância de vez, a vez, o ato conversa- ameace a comunicação, não causando desafetos. cional e os sinais conversacionais; Já a reparação despreferida é que resulta muito ameaçadora à continuidade da comunicação. Sua • os fenômenos prosódicos que são analisados elaboração torna-se necessária e pode ser longa, de- pelos seguintes pontos: unidade entonacional, pendendo das reações adversas que esta provocou. a altura de tom, intensidade da voz e a quanti- Ainda no campo da comunicação verbal, pode-se dade de sílabas articuladas; destacar um aspecto importante a respeito da orali- • unidade da comunicação não verbal – neste dade, que é a argumentação. grupo são dois os aspectos a serem considera- Quando consideramos a linguagem um meio de dos: a diferença/descontinuidade/contraste e a interação, a argumentação é um mecanismo muito identidade/continuidade/fusão. utilizado para que os interlocutores possam atingir seu propósito na comunicação. Esses aspectos são organizadores dos gestos pro- Para Cunha (2008), a argumentação só se apre- duzidos entre falante e ouvinte durante a comunica- senta inevitável quando os interlocutores têm di- ção. Assim, o gesto representa um movimento inse- vergências sobre o assunto da comunicação e, para rido em uma sequência de outros movimentos. Na garantirem ter o sucesso de sua argumentação, estes análise dos gestos em uma comunicação, Kendon se apóiam em elementos linguísticos, prosódicos e (1980) refere-se como unidade máxima a unidade paralinguísticos (gestos, expressão facial etc.). gestual, a qual é composta por gestos, paragem, an- As estratégias argumentativas estão comumente tegolpe, golpe, paragem pós-golpe e retração. relacionadas ao campo emocional dos ouvintes, en- No entanto, apesar do conhecimento do meca- volvendo os valores de justiça e igualdade. Emerson nismo de funcionamento, o sintagma gestual, sua e Grotendorst (1983 apud CUNhA, 2008) referem- categorização às vezes necessita um tempo de ob- se à argumentação como um fenômeno de comuni- servação e, dependendo do assunto, algumas cate- cação verbal que deve ser entendido como um pro- duto específico do discurso, caracterizado pelo uso gorias podem não ficar claras, pois a transparência da língua para resolver uma diferença de opinião. está sujeita a alteração de percurso e interrupções. Na pesquisa de Cunha (2008), a argumentação é Além do sintagma gestual, a organização da co- relacionada com os atos de fala, destacando os atos municação pode ser também acompanhada por ilocucionários e perlocutários. O funcionamento sintagma de movimento, cujos critérios de análise da argumentação se daria pelo uso da língua, cujos são: a amplitude e a forma da trajetória do movi- enunciados seriam utilizados para defender uma mento e o tempo de repouso ou paragem. ideia. Outro ponto que validaria a relação da argu- Outro mecanismo presente na comunicação é mentação com os atos de fala seriam seus aspectos a reparação. Trata-se de uma autocorreção que os comunicativos e interativos, uma vez que na argu- participantes têm para melhorar seus enunciados. mentação os interlocutores demonstram estar ou Para Schegloff (1992 apud RODRIGUES, 2008), no não convencidos. Desse modo, os que se convencem mecanismo de reparação podem-se distinguir dois utilizam enunciados de pró-argumentação para ra- 31Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 31 5/19/09 8:38:18 AM
  22. 22. Unidade Didática — Comunicação Social tificar o propósito, e os que não concordam se uti- • dois ou mais argumentos principais, ambos su- lizam da contra-argumentação para convencer os ficientes quando combinados; demais a se oporem. • um ou mais argumentos principais e um ou A partir dessa lógica, Cunha (2008) anuncia a ar- mais subargumentos. gumentação como um ato de fala constituída como um conjunto de enunciados para justificar ou refu- Quando há uma sequência de argumentação, é tar uma opinião ou ponto de vista. Desse ponto de criada uma convenção de atos de fala entre os inter- vista, a argumentação constitui-se de: locutores para que haja um prosseguimento racio- • um argumento principal; nal da comunicação. • dois ou mais argumentos principais, sendo ca­ da um individualmente suficiente para justifi- car ou refutar a opinião; * ANOTAÇÕES 32Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 32 5/19/09 8:38:18 AM
  23. 23. Unidade Didática — Comunicação Social AULA ____________________ 3 Unidade Didática – Comunicação Social COMUNICAÇÃO: CONCEITOS E MODELOS Conteúdo • Conceito de comunicação • Modelos de comunicação Competências e habilidades • Levar o acadêmico a entender os tipos de comunicação para que possa utilizar-se deles como estra- tégias de comunicação no Serviço Social Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com professor interativo 2 h/a – presenciais com professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo PROCESSO DE COMUNICAÇÃO comunicar, estabelecendo um elo entre o emissor e A comunicação pode acontecer de várias formas: o receptor; o receptor decodifica a mensagem para, por gestos, placas de trânsito, telefone, televisão, es- então, avaliá-la sob seus parâmetros de confiabili- crita etc. Para que a comunicação aconteça de forma dade. Daí a necessidade de considerar a mensagem efetiva, é necessária a interação entre determinados não apenas em sua forma, mas também em seu sig- elementos essenciais do processo de comunicação. nificado. O processo de comunicação entre os indivíduos será tanto mais perfeito quanto maior for o grau de Mensagem interação entre os sujeitos envolvidos no processo comunicacional. Já distinguia Aristóteles, na Re- Código tórica, os principais componentes no processo de comunicação: o orador, o discurso e o auditório. O Emissor ou remetente: que ou quem emite a men- emissor transmite a realidade ou a ideia que dese- sagem. ja comunicar, molda-as conforme seus parâmetros Receptor ou destinatário: que ou quem recebe a pessoais intrínsecos; a mensagem é o que se propõe mensagem. 33Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 33 5/19/09 8:38:18 AM
  24. 24. Unidade Didática — Comunicação Social Canal de comunicação: é o meio pelo qual se dá a sua origem de desenvolvimento ligada ao estabele- comunicação. cimento de leis. Mensagem: é o conteúdo da informação transmi- Assim, pode-se pensar que todo sistema de co- tida. municação esteve e estará ancorado em certo códi- Código: são os signos ou símbolos que constituem go de leis que o normatiza e lhe confere a dimensão a mensagem. social e cultural de uma sociedade em determinado período histórico. Entretanto, com o grande avanço dos meios de comunicação, hoje, é preciso buscar uma definição de comunicação, pois há uma forte tendência a rela- cionar o conceito aos meios de transmissão. A noção de comunicação pode ser uma referência a um ato de relação entre pessoas, a qual evoca um significado e a informação, um conjunto de dados que possibilita às pessoas envolvidas compreenderem melhor o seu contexto e a si mesmas por meio da organização des- ses dados e utilização como guias para suas ações. * O principal objetivo da comunicação é a persuasão. Até mes- mo em um simples ato de informar algo, implicitamente, está a Do ponto de vista antropológico, o termo comu- intenção de que o receptor acredite na informação emitida. nicação designa o caráter da relação humana en- quanto relações de compreensão. A capacidade de se comunicar garantiu à huma- O termo comunicação e a exploração dos diversos nidade um desenvolvimento muito grande. E foram mecanismos desse processo foram e são matérias de inúmeros os mecanismos criados pelas gerações vários teóricos. Não se pretende fazer uma expla- como meio de garantir a transmissão da informação nação definitiva, mas apresentar algumas teorias de e do conhecimento. A partir de elementos pictóri- autores que colocam a comunicação como objeto cos à representação de pinturas rupestres, o homem de sua pesquisa e que constituíram uma explicação vem aprimorando seu sistema de comunicação. acerca da comunicação. Entretanto, após a construção das primeiras so- Para os profissionais da área social, a posse do ciedades, os diferentes povos vêm criando supor- conhecimento de diferentes concepções é algo re- tes materiais para o intercâmbio de mensagens que levante para o desenvolvimento profissional, pois superassem os rudimentares mecanismos, tais como as múltiplas situações e pessoas envolvidas no trato dos serviços e atividades da área social requerem do sinais de fumaça, fogo de tochas e sons de tambores. profissional a compreensão clara da ideia de comu- O aprimoramento levou os homens à criação de nicação e seu mecanismo, pois esta contribui para a mecanismos duráveis e com mais rapidez de circu- tomada de decisão, elaboração de programas e/ou lação. Dentre eles, podemos citar as tábuas de argi- encaminhamentos cujos impactos poderão ser mais la cozida, o papiro, o pergaminho e depois o papel, ou menos qualitativos em virtude da eficácia e efi- que marca, também, o momento em que o homem ciência dos processos de comunicação. estabelece o desenvolvimento da linguagem escrita, Uma primeira noção de comunicação é a de colocando-a como a modalidade de prevalência na transmissão de sinais. Esse modelo foi criado em transmissão de mensagem a distância, no tempo e 1949, por C. E. Shamon e W. Weaver, e sua base teó- no espaço. rica está relacionada a um modelo matemático. Se- Outro elemento característico da comunicação gundo os autores, a partir dessa ideia seria possível a social é o controle, haja vista que em todos os pe- transmissão de um conjunto de informações quan- ríodos históricos a transmissão da informação teve tificáveis de um lugar para outro. 34Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 34 5/19/09 8:38:19 AM
  25. 25. AULA 3 — Comunicação: Conceitos e Modelos Nesse modelo a comunicação é linear, como um como disputa apresentada pelo sociólogo francês transporte de informação do ponto A para o pon- Pierre Bourdieu (1987). to B; sendo assim, estão presentes os conceitos de Na visão desse autor, a comunicação é entendida emissor, destinatário (receptor), código, sinal, in- como uma disputa simbólica pelas nomeações legí- formação, codificação e decodificação. timas. Bourdieu (1987) acredita que na sociedade há Segundo Sampaio (2008), o processo comunica- um mercado de bens simbólicos tão vigorosos quanto cional é reduzido a uma questão de transmissão, o de bens materiais. E, à medida que estabelecem rela- no qual as mensagens são tratadas como meros si- ções sociais entre si, os homens realizam não somente nais a serem identificados e decodificados por um a troca de mercadorias, mas também de significados, receptor. de símbolos (BOURDIEU, 1987, p. 102-103). Quando ocorre incompreensão, essas são repeli- Nessa lógica, o autor postula que quem fala não das como erros, atribuídos a incapacidades, acasos busca somente ser compreendido, mas também ou acontecimentos não propositais. acreditado e reconhecido, razão pela qual a comu- Um segundo modelo é o de comunicação como nicação é um instrumento de poder. diálogo. Esse modelo tem suas influências na filoso- O discurso tem um caráter de bem simbólico, fia grega de Platão e Sócrates. Um dos teóricos que considerando o local em que é apresentado e quem elaboraram sua proposta a partir dessa premissa foi o anuncia. Bourdieu reafirma, ainda, a ideia de que Jügen habermas, para o qual a comunicação é um a comunicação é um processo de disputa. A fala dos processo de diálogo em que os sujeitos, capazes de agentes sociais não é uma operação e simples codi- linguagem e ação, interagem com fins de obter um ficação e decodificação, mas uma relação de força entendimento. simbólica. Nessa concepção, os aspectos principais são a O quarto modelo é o de comunicação como se- comunicação como interação; a linguagem como leção apresentado pelo sociólogo Nikolas Luhmann médium de entendimento; e o entendimento como (1995). Sua tese se apoiou em um alto grau de abs- objetivo da comunicação. Abordando esses aspectos tração, pois a comunicação é um processo que en- em sua teoria, habermas incorpora a ideia da fala volve três diferentes seleções: como um agir socialmente, ideia presente na teoria da linguagem de Wittgenstein. [...] a seleção da informação; [...] a seleção da par- ticipação dessa informação; e [...] à compreensão Assim como, também, falar coisas, significa fazer seletiva ou não compreensão dessa participação e pronunciamentos que estabelecem relações sociais. sua informação (LUhMANN, 1995, p. 115 apud Ideia postulada pela teoria dos Atos de fala de Austin. SAMPAIO, 2008). Na proposição de habermas, a comunicação é vista como um processo racionalmente realizado Sampaio (2001) explica os conceitos acima men- para se obter o entendimento. E, nesse sentido, há cionados nos seguintes termos: a informação é uma um privilégio da dimensão cognitiva e uma negli- seleção a partir de um conjunto de possibilidades; a gência para as outras possibilidades de comunica- participação é a duplicação da informação em uma ção que não são orientadas para o consenso. forma codificada; a compreensão pressupõe a dife- Outro teórico que apresentou uma tese, também, rença entre informação e participação, a qual define a partir da noção de comunicação como diálogo foi uma escolha de conduta, ou seja, é o pressuposto da o alemão Mikhail Bakhtin. Ele considerou que o continuidade da comunicação. diálogo não se reduz apenas a enunciados, reconhe- Para Luhmann (1995, p. 118): cendo a questão da intertextualidade e polissemia A comunicação é um sistema fechado completo, no processo comunicacional. formado pelas três seleções básicas mencionadas, as Diferentemente da concepção de comunicação quais não podem existir uma sem a outra, ou seja, como diálogo, é o terceiro modelo de comunicação não há informação fora da comunicação, não há 35Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 35 5/19/09 8:38:19 AM
  26. 26. Unidade Didática — Comunicação Social participação fora da comunicação e não há com- produtivos e integrados; perspectiva interpretativa preensão fora da comunicação. envolve a organização das construções sociais. Segundo Manning (1992 apud SAMPAIO, 2008), Quando se qualifica a comunicação como um as estratégias de comunicação organizacional en- sistema fechado, segundo Luhmann, levanta-se a volvem coleta, processamento, emissão e recepção ideia de uma comunicação sem objetivo, que é tão de informações que possibilitem aos agentes da or- questionável quanto a centrada somente nos agen- ganização compreender e interagir no ambiente in- tes sociais. terno e externo da organização. Outro ponto questionável é apresentado por No Brasil, o conceito de comunicação integrada Schmidt (1996 apud SAMPAIO, 2008) sobre a indi- foi proposto a partir das ideias de Kunsch (1997 ferenciação entre a comunicação interativa e a me- apud CASALI, 2008), o qual respalda a interdisci- diada por meios técnicos segundo Luhmann. Com plinaridade e atitude conjunta de todos os profissio- ressalvas, Schmidt (1996) considera a comunicação nais na compreensão do conceito proposto. como ação social dos indivíduos, sem, contudo, Kunsch, considerando importante para a organi- propor uma redução da comunicação às ideias de zação social a integração das atividades de comu- ação ou relações entre indivíduos. nicação, proporciona o fortalecimento do conceito Schmidt (1996) entende que comunicação e cogni- institucional, mercadológico e corporativo perante ção são processos distintos, mas ocorrem sincronizados a todos o seus públicos. no tempo. Postula, pois, o reconhecimento de uma as- A ideia de comunicação integrada (KUNSCh, sociação existente entre a comunicação e a cognição. 1997, p. 116 apud CASALI, 2008) pode ser com- À guisa de entendimentos, Sampaio (2001) cha- preendida a partir deste esquema: ma atenção para a necessidade de um procedimento teórico criterioso que identifique e problematize a Comunicação Institucional complexidade do processo de comunicação sem se recorrer ao reducionismo. Composto da Comunicação Em virtude do avanço das tecnologias da comu- Comunicação Organizacional nicação, um quinto modelo de comunicação está Comunicação Institucional sendo proposto, cuja denominação é comunicação Relações-públicas integrada. Esse tipo de comunicação envolve con- Marketing social teúdos múltiplos, equipes multidisciplinares, inte- Marketing cultural gração informatizada de processos, comunicação Jornalismo em tempo real, atividades virtuais e impõe planeja- Assessoria de imprensa mento (CASLI, 2004). Identidade corporativa Com o processo de globalização, grandes mudan- Comunicação Mercadológica ças estão ocorrendo na economia, na política, na Marketing área social, das tecnologias e organizacional. Além Propaganda disso, também está exigindo um volume e velocida- Promoção de vendas de de informação. Assim, a utilização do conceito de Feiras e exposição Merchandising comunicação integrada precisa ser pensada a partir de novas tecnologias da informação. Comunicação Interna A comunicação integrada é arte de algo maior Comunicação Administrativa à comunicação organizacional (SCROFEMEKES, 2001 apud SAMPAIO, 2008). Entende-se por co- Fluxos municação organizacional a comunicação com uma Rede formal e informal Veículos perspectiva funcionalista que compreende os aspectos 36Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 36 5/19/09 8:38:20 AM
  27. 27. AULA 3 — Comunicação: Conceitos e Modelos A ideia de comunicação integrada preconiza a que qualquer outra mensagem por si só, razão que elaboração de uma mensagem organizacional única torna imprescindível, na comunicação integrada, a mediante diversos meios de comunicação. criação de sinergia entre as mensagens veiculadas Casali (2008) apóia a ideia de que a comunicação em diferentes meios de comunicação. integrada é a coordenação de mensagens para um O conceito de comunicação integrada, por pres- impacto máximo. Esse impacto é obtido por meio cindir da integração das ações, representa uma con- da sinergia às conexões que são criadas na mente do dição fundamental no aumento da competitividade receptor, as quais têm um resultado de poder maior da organização e da sua produtividade. * ANOTAÇÕES 37Modulo01_SSocial_4sem_Unidade02.indd 37 5/19/09 8:38:20 AM

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