Cibercultura e a Inteligência Coletiva - Leandro Wanderley

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Artigo escrito para aquisição de nota na material de Filosofia, no curso de Sistemas de Informação do IFAL. O texto trata da cibercultura, o ciberespaço que serve de suporte para tal, alguns problemas adventos da temática e alguns casos de controle da internet, como o da China.

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Cibercultura e a Inteligência Coletiva - Leandro Wanderley

  1. 1. Cibercultura e a Inteligência Coletiva. Leandro Wanderley Couto da Silva Bacharelando em Sistemas de Informação. Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Alagoas – IFAL. leandrowcs@hotmail.com Resumo Há muito tempo já foi falado que a internet iria tomar conta das rotinas das pessoas e alguns pensadores contemporâneos iniciaram pesquisas que ainda hoje tem se mostrado válidas para a sociedade atual. Dentre eles podemos destacar Pierre Levy e sua obra Cibercultura, publicada em 1997, que de forma única, o autor apresenta e defende o ciberespaço e a Cibercultura. Nela o autor argumenta que a sociedade se reconecta com ela mesma, onde há uma inteligência coletiva, proveniente da interação e da relação que as pessoas passam a ter, por meio da internet. Dividida em três partes, a obra, apresenta Definições, Proposições e Problemas adventos do ciberespaço e da Cibercultura. E é nessa última parte, onde Pierre Levy foca seu olhar sobre as contradições inerentes ao fenômeno da Cibercultura, com intuito de apresentar os conflitos de interesse que existem, nas diversas formas sobre o que vem a ser realmente tecnológico. Conflitos que podem se manifestar em diferentes setores da sociedade: o midiático, o mercadológico, o estatal entre outros. O escritor expõe também “O ponto de vista do bem público: a favor da inteligência coletiva”, onde ele reafirma a força e a virtude do ciberespaço, afirmando que ele é capaz de se erguer mesmo em meio a atividades participativas, espontâneas e descentralizadas. Indo de frente com argumentos que apontam excessivamente críticos sobre os riscos de que o virtual possa substituir o real (crítica da substituição) e sobre o ciberespaço servir, tão somente, ao estabelecimento de novas dominações (crítica da dominação). Levy tenta mostrar que a Cibercultura é um elemento particular, do que ele chama de, a terceira etapa da evolução humana. PALAVRAS CHAVE: Cibercultura, Ciberespaço, Inteligência Coletiva.
  2. 2. Abstract There has long since been told that the internet would take care of the routines of people and some contemporary thinkers began research that today has proven valid for today's society. Among them we can highlight Cyberculture Pierre Levy and his work, published in 1997, that the only way the author presents and defends cyberspace and Cyberculture. In it the author argues that society reconnects with itself, where there is a collective intelligence, coming from the interaction and the relationship that people now have, through the internet. Divided into three parts, the book presents Definitions, Propositions and Issues advent of cyberspace and Cyberculture. And it's that last part, where Pierre Levy focuses his gaze on the phenomenon of Cyberculture inherent contradictions, in order to present conflicts of interest that exist in the various forms of what comes to be really technological . Conflicts which may occur in different sectors of society: the media, the market, the state and others. The writer also states "The point of view of the public good: in favor of collective intelligence," where he reaffirms the strength and virtue of cyberspace, stating that he is able to rise even amidst participatory, decentralized and spontaneous activities. Going forward with arguments that link too critical about the risks that the virtual can replace the actual (critical replacement) and about cyberspace serve solely to the establishment of new dominations (critique of domination). Levy tries to show that Cyberculture is a particular element of what he calls the third stage of human evolution. KEYWORDS: Cyberculture, Cyberspace, Collective Intelligence.
  3. 3. 1 – Introdução No fim da década de 90 a humanidade passou a ter acesso a uma nova forma de comunicação, diferente do telefone e das cartas convencionais, a “internet1” o que proporcionou uma mudança nos hábitos e nas formas de realização de muitas atividades. Ela desde o princípio carrega uma grande quantidade de recursos e serviços e os disponibiliza em todo o mundo, incluindo os documentos interligados por meio de hiperlinks2 da World Wide Web 3 (Rede de Alcance Mundial), e uma infraestrutura para dar suporte aos correios eletrônicos e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos. Conforme FRAGOSO, et. al (2010) os anos 2000 compõem o período em que “a internet encontra-se como mais um artefato midiático e comunicacional, inserido no cotidiano de diferentes sociedades”. Dessa maneira todas as pessoas passaram a ter acesso a quase todos os conteúdos independente do local em que ela se encontra. Mas tal avanço haveria de ser visto em alguns lugares como negativos e passou a preocupar alguns líderes mundiais. A partir deste fato passou-se a reconhecer que as tecnologias advindas da internet proporcionaram uma mudança sociocultural ao redor do planeta. O que foi chamado de Cibercultura. O que se pode afirmar por Cibercultura é que ela se apresenta como forma sociocultural que surge de uma relação de trocas entre três fatores a sociedade, a cultura e as novas tecnologias, graças à convergência das telecomunicações com a informática. É também um termo utilizado na definição dos relacionamentos sociais das comunidades no espaço eletrônico virtual, e com isso popularizando e ampliando a utilização da Internet e outras tecnologias de comunicação, possibilitando assim maior aproximação entre as pessoas ao redor do mundo. Sendo assim, a Cibercultura é a cultura contemporânea fortemente marcada pelas tecnologias digitais e está presente na vida cotidiana de cada indivíduo. Porém o que se pretende aqui é dialogar sobre as verdadeiras razões que levam países e líderes mundiais temerem a Cibercultura a ponto de tentar ao máximo manipulá-la ou esmaecer a sua existência dentro de algumas sociedades modernas. O medo provocado pelo “poder” da Inteligência Coletiva traz à tona a ditadura e a tirania vivenciada pela população mundial, em algumas décadas ou séculos passado. 1 Internet é o maior conglomerado de redes de comunicações em escala mundial, ou seja, vários computadores e dispositivos conectados em uma rede mundial e dispõe milhões de dispositivos interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. 2 Hiperlink é uma referência dentro de um documento em hipertexto a outras partes desse documento ou a outro documento. 3 World Wide Web, também conhecida como Web e WWW, é um sistema de documentos em hipermídia (hipermédia) que são interligados e executados na Internet.
  4. 4. 2 – Desenvolvimento Com o crescimento da internet e a popularização da troca de informações e comunicação em massa através dela, era evidente que a Cibercultura ocupasse um lugar de destaque em meio ao turbilhão de dados que trafegam de um local para o outro. Mas tudo isso só foi possível graças a construção de um “ciberespaço” que proporcionasse para os seus usuários uma garantia de entrega de informações e liberdade de escolha ao conteúdo que mais agrada. “O termo ciberespaço foi criado pelo escritor de ficção científica William Gibson, sendo projetado em seu livro Neuromancer, de 1984. Nesse, o autor trata de um real que se constitui por meio do engendramento de um conjunto de tecnologias, enraizadas de tal forma na vida em sociedade que lhe modifica as estruturas e princípios, transformando o próprio homem, que de sujeito histórico torna-se objeto de uma realidade virtual que os conduz e determina”, (GONTIJO et. al., 2006). Podemos de forma geral definir o ciberespaço como sendo um espaço existente no mundo de comunicação em que não é necessária a presença física do homem para constituí-la como fonte de relacionamento. É o espaço virtual para a comunicação disposto pelo meio de diversas tecnologias. Permitindo que cada um possa usar ele da melhor forma que precisar, dando ao seu usuário a sensação de liberdade, e que segundo LÉVY (1999, p. 85): “Podemos definir duas grandes atitudes de navegação opostas, cada navegação real ilustrando geralmente uma mistura das duas. A primeira é a “caçada”. Procuramos uma informação precisa, que desejamos obter o mais rapidamente possível. A segunda é a “pilhagem”. Vagamente interessados por assuntos, mas prontos a nos desviar a qualquer instante de acordo com o clima do momento, não sabendo exatamente o que procuramos, mas acabando sempre por encontrar alguma coisa, derivamos de site em site, de link em link, recolhendo aqui e ali coisas de nosso interesse”. Mas na internet não existe um controle real e perfeito de quem forneceu a informação, ou como ela chegou ao local que está, pois neste ciberespaço todos somos escritores e leitores. Ao mesmo tempo em que esses dados existentes na rede possibilitam ao mundo, diretamente ou indiretamente, um fluxo contínuo de capital, conhecimento e cultura, favorecem também o surgimento de comunidades que se integram por meio de contatos informacionais para atuar em escala global com relação aos problemas existentes nas sociedades reais. Ou seja, cria também um ambiente
  5. 5. propício para o fortalecimento dos movimentos sociais que irão contestar e propor alternativas para os modelos socioeconômicos em que estão inseridas. E é desse tipo de agrupamento virtual que as grandes potências mundiais em alguns países socialistas ou militaristas temem. Pierre Lévy em seus estudos afirmou que qualquer movimento social da Cibercultura e crescimento o crescimento inicial do ciberespaço são orientados por três princípios: a interconexão, as comunidades virtuais e a inteligência coletiva (1999, p. 127). A interconexão é o que já acontece com a própria internet em si, é a garantia de que máquinas de diversas partes estejam interligadas num ambiente único, que conhecemos bem, o ciberespaço, “a interconexão constitui a humanidade em um contínuo sem fronteiras (...) tece um universo por contato”, afirma LÉVY (1999, p. 127). O segundo pilar citado por Lévy se estabelece a partir do momento que as interconexões são formadas, pois grupos unidos por compartilharem do mesmo interesse passam a trocar informações, cooperando entre si por algo maior, independente de suas proximidades geográficas. As relações sociais dentro das comunidades virtuais são carregadas de vontades e emoções, pois aqui cada integrante tem voz e pode independente de suas responsabilidades como indivíduo ou da opinião pública expor suas ideias. E esse movimento de ideias vai gerar enfim uma intervenção social. Por fim, mas não menos importante, temos o terceiro pilar, a chamada inteligência coletiva que “é um conceito que descreve um tipo de inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que, ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa”. 4 Enfim, Inteligência Coletiva é uma inteligência distribuída, valorizada e coordenada em tempo real, resultando numa mobilização efetiva das competências, ou seja, é quando a comunidade científica, as empresas e os indivíduos propriamente ditos são capazes de trocar ideias (cooperar), confrontar pensamentos opostos (competir) e assim gerar conhecimento, (JESUS, 2006). E assim grandes grupos, ou as comunidades virtuais, passam a somar a capacidade intelectual de seus membros em busca de uma universalização dos conhecimentos adquiridos, onde pequenas contribuições de informação podem organizar o que é preciso saber em busca de uma lógica inteligente. 4 Definição de Inteligência Coletiva extraída do livro Inteligência coletiva: Por uma antropologia do ciberespaço, de Pierre Lévy.
  6. 6. Muitos estudiosos do tema afirmam que o conceito já existia muito antes da ação, e que a internet apenas veio para auxiliar ainda mais na construção da inteligência coletiva. Existem três formas de se criar a inteligência coletiva, que são: a Inconsciente, a Consciente e a Plena. A Inteligência Coletiva Inconsciente, como o nome sugere, ocorre sem que o usuário perceba, apenas pelo fato dele navegar na internet e deixar o seu rastro de cliques, pois cada clique em links, figuras e preenchimento de formulário deixam informações registradas nos servidores e softwares que fazem um verdadeiro trabalho de mineração nesses dados, a chamada Data Mining 5, com o objetivo de reunir os dados úteis, fornecer informações e encontrar padrões entre um clique e outro. Já a Inteligência Coletiva Consciente ocorre em determinados grupos ou comunidades virtuais, onde seus membros se dedicam em prol de construir e efetivar algum conhecimento, tal modalidade se tornou comum a partir da década de 90, podemos citar como grande fator de impulso o desenvolvimento do Linux6, o maior sistema operacional para computadores desenvolvido de forma livre e que permite a qualquer usuário modificar e sugerir melhorias, outros exemplos são as listas e fóruns de discussões que se auxiliam para resolver determinado problema. Por fim a Inteligência Coletiva Plena é aquela capaz de unir em um mesmo ambiente a Inconsciente e a Consciente. Mas para Lévy os meios de comunicação em geral se mostram com um alto potencial de produção, fixação, reprodutibilidade e transporte das informações, mas ao mesmo tempo tiram, em parte, a confiança de quando eram emitidos diretamente pelas pessoas. A internet não produz e difunde as mensagens apenas, e sim permite que o seus usuários possam interagir e modificar as informações. Assim a informação está em constante processo de reorganização e permite que possam ser modificadas de acordo com as necessidades do contexto. E é nesse momento que alguns problemas de segurança e veracidade estão inseridos, pois a legitimidade do conteúdo assim como a autoria do mesmo passa a ser um fator preocupante. Quem escreveu o texto? Quem modificou um existente? Quem moldou outro para atingir os seus interesses? E essas mudanças favorecem a formação de grupos e comunidades virtuais, que inicialmente serviam para divulgar e distribuir o conhecimento, mas que agora passam a manipular a informação, em boa parte dos casos. Além disso, essas comunidades começam a ser usadas como uma forma de arquitetar reuniões e assembleias para organização de manifestações que na maioria 5 6 Data Mining é o processo de explorar grandes quantidades de dados à procura de padrões consistentes Linux é um termo utilizado para se referir a sistemas operacionais que utilizem o núcleo Linux.
  7. 7. das vezes possuem uma causa real e “nobre”, mas que ao final viram verdadeiros atos de vandalismo e de descaso com o patrimônio público. Alguns países no mundo passaram então a adotar políticas de controle e repreensão ao acesso na internet. O grupo francês Reporters Sans Frontieres7 (Repórteres Sem Fronteiras) em 12 de Março de 2012 declarou o Dia Mundial contra a Censura Mundial onde propõe uma internet livre e acessível para todos. Em seu site essa comunidade virtual lista os países considerados “inimigos da internet” que possuem grandes sistemas de filtragem e manipulação do conteúdo que pode ser acessado pelos seus internautas, destacam-se nesta lista China, Cuba, Coréia do Norte, Irã, Síria e outros. Além destes o grupo apresenta outra lista, com os países “sob vigilância” que de certa forma possuem algum sistema de controle dos conteúdos existentes na internet e é interessante ver que alguns países considerados avançados fazem parte desta segunda lista, é o caso da Austrália, Coréia do Sul e até mesmo a França. Se pararmos para analisar o caso da China, por ser a censura da internet mais conhecida e sofisticada do mundo segundo os analistas, encontramos dados interessantes sobre esses bloqueios, no país existem pelo menos 18000 websites bloqueados, alguns como YouTube, Facebook e Flickr, além de milhares de termos de pesquisa em sites de busca que são totalmente proibidos. Alguns sites como Wikipedia e Google tiveram que negociar com o governo chinês para atuarem lá, seus conteúdos foram readaptados para serem expostos na rede chinesa e outras regras foram impostas para que se adaptassem a realidade no país. Todo o tráfego de internet da China chega ao país por 17 gigantescos cabos submarinos, conectados diretamente a uma única central de controle responsável por distribuir o acesso à grande rede no país. Por ser centralizado, o monitoramento do conteúdo fica “menos complexo”. Assim nesta central os dados são filtrados por Firewalls 8 e Proxys 9 do governo, dessa forma ninguém entra ou sai da China sem ser supervisionado. Todo esse controle ocorre de diferentes maneiras, desde as restrições de termos em sites de busca até registro dos domínios permitidos, em alguns casos existem restrições parciais de conteúdo, considerando que apenas parte dos sites, como áudio, vídeo, imagens ou textos, simplesmente não são carregados. Quando 7 Reporters Sans Frontieres é uma organização não-governamental internacional cujo objetivo declarado é defender a liberdade de imprensa no mundo. 8 Firewall é um dispositivo de uma rede de computadores que tem por objetivo aplicar uma política de segurança a um determinado ponto da rede. 9 Proxy é um servidor intermediário que atende a requisições repassando os dados do cliente à frente.
  8. 8. algum usuário insiste em tentar acessar sites bloqueados ele pode receber uma punição total. 10 Apesar de todos os problemas a China afirma que tais medidas são necessárias para garantir a integridade das informações, a segurança do país e ainda a promoção de empresas de internet internas. Entre as medidas adotadas para aumentar a proteção de informações pessoais e resguardar interesses públicos e a segurança nacional, obriga-se os usuários da rede se cadastrem para ter acesso à internet e que eles forneçam aos provedores as informações genuínas de identificação. E os provedores são forçados a interromper de imediato a transmissão de informações ilegais assim que estas sejam identificadas, apagando posts, mas arquivando-os para reportá-los às autoridades supervisoras. Recentemente a população chinesa usou a internet e as redes sociais disponíveis para organizar protestos e, além disso, vários casos de corrupção no Partido Comunista foram expostos em páginas particulares na internet. O que levou o governo a tomar mais medidas para frear toda e qualquer forma de compartilhamento de conteúdo que seja ofensivo a sua política. Se compararmos todas essas informações com o que foi apresentado nas teorias de Pierre Lévy, então podemos afirmar que o ciberespaço chinês tornou-se um ambiente incapaz de sustentar os três pilares apresentados por ele, pois as interconexões são restritas e fortemente monitoradas, a formação de grupos ou comunidades virtuais é proibida, vemos que até as redes sociais são bloqueadas, e a inteligência coletiva por mais que ocorra na forma Inconsciente será limitada ao que pode ou não ser acessado pelos internautas. Isso não quer dizer que outros países do mundo não mantenham seus internautas sobre controle, mas aqueles que garantem a liberdade de uso da rede mundial de computadores sempre estão um passo a frente dos demais. O Brasil é um dos países que defendem a segurança na internet e não o seu controle. O país recentemente passou por uma análise do que é realmente legal, em termos jurídicos, de ser feito através da internet e o que pode ser considerado crime digital. Tal estudo resultou na “Lei de Crimes na Internet” que tipifica os crimes digitais, mas até que ponto esse projeto aprovado coloca em risco a liberdade na rede? Alguns especialistas afirmam que ela possa ser uma ameaça aos direitos civis. Mas ainda é cedo para tirar conclusões. 10 Punição total - ele sofre represálias, tendo seu acesso completamente bloqueado por um tempo pré-determinado. Caso insista, pode receber uma “visita” de autoridades policiais.
  9. 9. Outro caso de abuso e controle na internet partiu do principal país americano, onde diversos casos de espionagem das contas dos países aliados e até roubo de informações de grandes empresas multinacionais foram expostos. Será que o controle realizado pela China está influenciando outras nações? A forma utilizada para “proteger” as informações do país de ataques externos realmente é a melhor solução? Mas como em qualquer meio social, a Cibercultura também está ameaçada pela capacidade que a humanidade apresenta de sempre arrumar uma forma de tirar vantagem sobre os outros, seja pelo status ou pela força bruta e agora também através das tecnologias. Basta saber até que ponto a inteligência coletiva será afetada e como a sociedade vai utilizá-la nos próximos séculos.
  10. 10. 3 – Conclusão Por ser a Cibercultura um movimento digital em que a liberdade de expressão do indivíduo deve prevalecer, o que era apenas uma tendência mundial hoje é fato, com a ajuda dos avanços nas comunicações é quase impossível imaginar que existam países ou pessoas que não estejam inseridas numa ou noutra comunidade virtual. E toda essa mudança na maneira de interagir também afeta o modo de pensar, pois o conhecimento passou a ser disponível para todos, acessá-lo é mais simples e rápido do que como seria feito na maneira convencional, em bibliotecas através de livros. A Inteligência Coletiva trouxe novas oportunidades de adquirir o saber. Mas nem tudo funciona desta forma e problemas oriundos deste avanço surgiram e continuam surgindo, países como a China passam a temer a falta de controle da sua população e iniciam uma “guerra” contra a internet, de fato eles possuem suas razões e não deixam de ter uma verdade em seus conceitos, mas a forma radical que realizam seus controles acaba atrapalhando a população e seus novos costumes, o que apenas irá gerar mais descontentamento e desconfiança para seus governantes. Liberdade é o que todos sempre buscam, seja para pensar, para agir, para observar ou interferir, as pessoas possuem a máquina mais eficiente e assustadora, o cérebro, e atiça-lo ou repreendê-lo, no passado já vimos que acarretou numa crescente de eventos mundiais revolucionários, basta saber se o uso de toda essa Inteligência Coletiva irá de certo ajudar ainda mais na evolução da humanidade. Nosso país é um dos que mais se preocupa com a segurança dos dados que trafegam na rede, mas em nenhum momento ele precisou implantar uma forma de controle das informações e conteúdos. E é por essa liberdade que em 2013 muitos protestos populares foram as ruas, principalmente atiçados por jovens que passam a maior parte do dia conectados uns com os outros, em redes sociais e chats11. Aqui vemos que os princípios defendidos por Lévy para o crescimento do ciberespaço e da Cibercultura estão em constante movimento o que com certeza irá propiciar um avanço na sociedade brasileira. 11 Chat, que em português significa conversação, ou bate-papo, é um neologismo para designar aplicações de conversação em tempo real.
  11. 11. 4 – Referências Bibliográficas 1. FRAGOSO, S.; RECUERO, R.; AMARAL, A. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Editora Sulina, 2011. 2. GONTIJO, C. R. B.; MENDES-SILVA, I. M.; VIGGIANO, A. R.; PAIXÃO, E. L. Ciberespaço: Que Território É Esse? Universidade Federal do Rio Grande Do Sul (UFRS). 2006. 3. JESUS, J. B. M.; Inteligência Coletiva, Desenvolvimento Profissional, Tecnologias E Acesso À Informação. Universidade Federal Fluminense (UFF). 2006. 4. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34. 1999. 5. LÉVY, P. A Inteligência Coletiva: Por Uma Antropologia do Ciberespaço. Editora Loyola. 1998. 6. LUL, E. P. A Cibercultura como condição do Fora do Eixo. UNIPAMPA, 2013. 7. SZABÓ, I.; SILVA, R. R. G. Informação e inteligência coletiva no ciberespaço: uma abordagem dialética. Ciências & Cognição, Vol. 11, 2007. 8. O movimento social da cibercultura. Disponível em: http://claudiomanoel.wordpress.com/resenhao-movimento-social-dacibercultura/ Acesso em: 21/12/2013. 9. Ciberespaço. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberespaço Acesso em: 22/12/2013. 10. China aumenta restrições ao acesso à internet. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121228_china_internet_pai.s html Acesso em: 28/12/2013. 11. Reporters Sans Frontieres. Disponível em: http://march12.rsf.org/en/ Acesso em: 28/12/2013. 12. China. Disponível em: http://fr.rsf.org/chine-chine-12-03-2012,42011.html Acesso em: 28/12/2013. 13. China: Como funciona a censura à web. Disponível em: http://www.universitario.com.br/noticias/n.php?i=5369 Acesso em: 28/12/2013. 14. Dilma diz defender 'segurança' e não 'controle' da internet. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130925_dilma_internet_onu_ pu_mm.shtml Acesso em: 02/01/2014.

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