Taxonomia de Bloom

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A Taxonomia de Bloom é um desses instrumentos cuja finalidade é auxiliar a identificação e a declaração dos objetivos ligados ao desenvolvimento cognitivo que, no contexto deste artigo, engloba a …

A Taxonomia de Bloom é um desses instrumentos cuja finalidade é auxiliar a identificação e a declaração dos objetivos ligados ao desenvolvimento cognitivo que, no contexto deste artigo, engloba a aquisição do conhecimento, competência e atitudes, visando facilitar o planejamento do processo de ensino e aprendizagem.

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  • 1. Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010Taxonomia de Bloom: revisão teórica eapresentação das adequações do instrumentopara definição de objetivos instrucionaisBloom’s taxonomy and its adequacy to defineinstructional objective in order to obtain excellence in teaching Ana Paula do Carmo Marcheti Ferraz1 Renato Vairo Belhot2 Resumo: Muitos são os instrumentos existentes para apoiar o planejamento didático-pedagógico, a estruturação, a organização, a definição de objetivos instrucionais e a escolha de instrumentos de avaliação. A Taxonomia de Bloom é um desses instrumentos cuja finalidade é auxiliar a identificação e a declaração dos objetivos ligados ao desenvolvimento cognitivo que, no contexto deste artigo, engloba a aquisição do conhecimento, competência e atitudes, visando facilitar o planejamento do processo de ensino e aprendizagem. Embora este seja um instrumento adequado para utilização no ensino superior, poucos educadores fazem uso dele por não conhecerem uma maneira adequada de utilizá-lo. Este artigo tem como objetivo apresentar a Taxonomia de Bloom e as modificações ocorridas nos últimos anos, assim como esclarecer a forma como ela pode ser utilizada dentro do contexto de ensino de engenharia. Palavras-chave: Ensino de engenharia. Taxonomia de Bloom. Objetivos instrucionais. Desenvolvimento cognitivo. Processo cognitivo. Abstract: Bloom’s taxonomy was created in order to support the classification of educational objectives and facilitate the process of teaching, learning and the cognitive development. Even though Bloom’s Taxonomy has proven to be a significant tool for the process of teaching, learning, and assessment, few educators use it adequately, mostly because its use is not as clear as it should be. This paper describes the Bloom’s Taxonomy including its updated version, and has the objective of clarifying some important points of how to Bloom’s Taxonomy can be used in engineering courses (teaching, learning, and assessment) to provide an adequate, planed, and controlled cognitive development. Keywords: Bloom’s taxonomy. Instructional objectives. Cognitive development. Cognitive process. Excellence in engineering teaching.1 Introdução Na educação, decidir e definir os objetivos de da disciplina, mas infelizmente alguns desses objetivosaprendizagem significa estruturar, de forma consciente, podem não ser bem definidos e outros podem ficaro processo educacional de modo a oportunizar implícitos ao processo de aprendizagem e, muitasmudanças de pensamentos, ações e condutas. vezes, (re)conhecidos apenas pelo educador. Essa estruturação é resultado de um processo de O educador pode ter expectativas e diretrizesplanejamento que está diretamente relacionado à para o processo de ensino que não são oficialmenteescolha do conteúdo, de procedimentos, de atividades, declaradas, mas que farão parte do processo dede recursos disponíveis, de estratégias, de instrumentos avaliação da aprendizagem. É notório que é mais fácilde avaliação e da metodologia a ser adotada por umdeterminado período de tempo. atingir objetivos quando estes estão bem definidos, Na delimitação dos objetivos, de acordo com entretanto fica mais difícil, para os discentes, atingiremVaughan (1980), é fundamental ter os objetivos o nível de desenvolvimento cognitivo, por não sabereminstrucionais cognitivos, atitudinais e de competências exatamente o que deles é esperado durante e após obem definidos que deve ser feito previamente ao início processo de ensino.1 Escola de Engenharia de São Carlos – USP, Escola de Engenharia de São Carlos – USP, Av. Trabalhador Sãocarlense, 400, CEP 13566-590, São Carlos – SP, Brasil, e-mail: apmarcheti@msn.com2 Departamento de Engenharia de Produção, EESC, Universidade de São Carlos – USP, Av. Trabalhador Sãocarlense, 400, CEP 13566-590, São Carlos – SP, Brasil, e-mail: rvbelhot@eesc.usp.brRecebido em 13/7/2006 — Aceito em 19/1/2010 ­Suporte financeiro: CAPES e Universidade Simon Frasier, Canadá.
  • 2. 422 Ferraz & Belhot Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010 Muitos dos objetivos implícitos estão relacionados Segundo Bloom et al., vários pesquisadoresa aspectos cognitivos de alta abstração, em outras utilizaram-se dessa terminologia conceitual baseadapalavras, os educadores almejam que seus alunos em classificações estruturadas e orientadas para definiratinjam um nível de maturidade de conhecimento algumas teorias instrucionais. Duas das inúmerasmuitas vezes incompatível com os objetivos declarados vantagens de se utilizar a taxonomia no contextoe com os procedimentos, estratégias e conteúdos educacional são:utilizados e ministrados. • Oferecer a base para o desenvolvimento de Alguns educadores esquecem que é mais fácil instrumentos de avaliação e utilização dee adequado atingir altos graus de abstração de um estratégias diferenciadas para facilitar, avaliar econteúdo a partir do estímulo do desenvolvimento estimular o desempenho dos alunos em diferentescognitivo linear, ou seja, a partir de conceitos mais níveis de aquisição de conhecimento; esimples para os mais elaborados (estratégia indutiva)e/ou do concreto/real para o abstrato. • Estimular os educadores a auxiliarem seus Especificamente no ensino de engenharia, constan­ discentes, de forma estruturada e consciente, atemente é solicitado aos discentes alto grau de abstração adquirirem competências específicas a partir dana realização de algumas atividades acadêmicas que percepção da necessidade de dominar habilidadessimulam a realidade, e pode-se perceber que uma mais simples (fatos) para, posteriormente,proporção muito pequena de alunos consegue realizar dominar as mais complexas (conceitos).essas atividades de forma satisfatória. Desenvolver A Associação Norte Americana de Psicologiaessa capacidade de abstração e utilização de um (American Psycological Association), baseada noconhecimento específico de forma multidisciplinar princípio e na importância de se utilizar o conceito deé um processo que dever ser bem planejado, definido classificação como forma de se estruturar e organizare organizadamente estimulado durante o período de um processo, solicitou a alguns de seus membros,formação (graduação), levando-se em consideração em 1948, que montassem uma “força tarefa” paraos estilos de aprendizagem (BELHOT; FREITAS; discutir, definir e criar uma taxonomia dos objetivosVASCONCELLOS, 2006). de processos educacionais (LOMENA, 2006). Embora essa atividade de definição de conteúdo do Bloom et al. (1956) assumiu a liderança dessecurso/disciplina seja realizada periodicamente, alguns projeto e, junto com seus colaboradores – M.D.educadores ainda a fazem de modo inconsciente e se Englehart, E. J. Furst, W. H. Hill e D. Krathwohl –,sentem despreparados quando solicitados a realizar definiu que o primeiro passo em direção à execuçãoessa tarefa de modo diferente do habitual. É nesse da responsabilidade a eles atribuída seria a divisãocontexto que o uso de instrumentos que facilitem do trabalho de acordo com o domínio específico deessa atividade é fundamental. desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor. A definição clara e estruturada dos objetivos Embora todos tenham colaborado significativamenteinstrucionais, considerando a aquisição de conheci­ no desenvolvimento dessa taxonomia, ela é conhecidamento e de competências adequados ao perfil como “Taxonomia de Bloom”.profissional a ser formado direcionará o processo Segundo Lomena (2006), Guskey (2001),de ensino para a escolha adequada de estratégias, Bloom et al. (1956), Bloom (1972), School ofmétodos, delimitação do conteúdo específico, Education (2005) e Clark (2006), as característicasinstrumentos de avaliação e, consequentemente, básicas de cada um desses domínios podem serpara uma aprendizagem efetiva e duradoura. resumidas em: Neste contexto, um dos instrumentos existentesque pode vir a facilitar esse processo nos cursos • Cognitivo: relacionado ao aprender, dominar umsuperiores é a taxonomia proposta por Bloom et al. conhecimento. Envolve a aquisição de um novo(1956), que tem, explicitamente, como objetivo conhecimento, do desenvolvimento intelectual, deajudar no planejamento, organização e controle dos habilidade e de atitudes. Inclui reconhecimentoobjetivos de aprendizagem. de fatos específicos, procedimentos padrões e conceitos que estimulam o desenvolvimento2 Taxonomia dos objetivos do intelectual constantemente. Nesse domínio, os processo aprendizagem objetivos foram agrupados em seis categorias e são apresentados numa hierarquia de comple­ Taxonomia é um termo bastante usado em diferentesáreas e, segundo a Wikipédia (2006), é a ciência de xidade e dependência (categorias), do maisclassificação, denominação e organização de um simples ao mais complexo. Para ascender asistema pré-determinado e que tem como resultante uma nova categoria, é preciso ter obtido umum framework conceitual para discussões, análises desempenho adequado na anterior, pois cadae/ou recuperação de informação. uma utiliza capacidades adquiridas nos níveis
  • 3. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações... 423 anteriores. As categorias desse domínio são: nível de profundidade e abstração do conhecimento Conhecimento; Compreensão; Aplicação; adquirido (BLOOM; HASTIN; MADAUS, 1971). Análise; Síntese; e Avaliação; Essa diferença poderia ser caracterizada pelas • Afetivo: relacionado a sentimentos e posturas. estratégias utilizadas (que levariam ao estudo de Envolve categorias ligadas ao desenvolvimento estilos de ensino e aprendizagem) e pela organização dos processos de aprendizagem para estimular o da área emocional e afetiva, que incluem desenvolvimento cognitivo. Naquele momento, comportamento, atitude, responsabilidade, o desenvolvimento cognitivo e sua relação com a respeito, emoção e valores. Para ascender a definição do objetivo do processo de aprendizagem uma nova categoria é preciso ter obtido um foram a direção tomada para a definição da desempenho adequado na anterior, pois cada taxonomia. uma utiliza capacidades adquiridas nos níveis Segundo Conklin (2005), a Taxonomia de Bloom anteriores para serem aprimoradas. As categorias e sua classificação hierárquica dos objetivos de desse domínio são: Receptividade; Resposta; aprendizagem têm sido uma das maiores contribuições Valorização; Organização; e Caracterização; e acadêmicas para educadores que, conscientemente, • Psicomotor: relacionado a habilidades físicas procuram meios de estimular, nos seus discentes, específicas. Bloom e sua equipe não chegaram a raciocínio e abstrações de alto nível (higher order definir uma taxonomia para a área psicomotora, thinking), sem distanciar-se dos objetivos instrucionais mas outros o fizeram e chegaram a seis categorias previamente propostos. Segundo Mager (1984), um objetivo instrucional que incluem ideias ligadas a reflexos, percepção, é uma descrição clara sobre o desempenho e a habilidades físicas, movimentos aperfeiçoados competência que os educadores gostariam que seus e comunicação não verbal. Para ascender educandos demonstrassem antes de serem considerados a uma nova categoria, é preciso ter obtido conhecedores de determinados assuntos. Esse objetivo um desempenho adequado na anterior, pois está ligado a um resultado intencional diretamente cada uma utiliza capacidades adquiridas nos relacionado ao conteúdo e à forma como ele deverá níveis anteriores. As categorias desse domínio ser aplicado. são: Imitação; Manipulação; Articulação; e Um dos motivos pelo qual a taxonomia proposta Naturalização. por Bloom et al. tornou-se tão importante e trouxe significativas contribuições à área acadêmica foi o fato Embora todos os três domínios (cognitivo, de que antes dos anos 50 um dos grandes problemasafetivo e psicomotor) tenham sido amplamente na literatura educacional era a falta de consensodiscutidos e divulgados, em momentos diferentes e com relação a determinadas palavras usualmentepor pesquisadores diferentes, o domínio cognitivo relacionadas à definição dos objetivos instrucionaisé o mais conhecido e utilizado. Muitos educadores como, por exemplo, o verbo conhecer era utilizadose apoiam nos pressupostos teóricos desse domínio com o sentido de ter consciência, saber da existênciapara definirem, em seus planejamentos educacionais, ou para expressar domínio de um determinado assuntoobjetivos, estratégias e sistemas de avaliação. (CONKLIN, 2005). A taxonomia trouxe a possibilidade de padronização2.1 Taxonomia dos objetivos cognitivos da linguagem no meio acadêmico e, com isso, também Segundo Bloom (1944, 1972), muitas pessoas novas discussões ao redor dos assuntos relacionadosreconhecem que a capacidade humana de aprendiza­ em g à definição de objetivos instrucionais. Neste contexto,difere de uma pessoa para outra e, por um grande instrumentos de aprendizagem puderam ser trabalhadosperíodo, acreditou-se que a razão pela qual uma de forma mais integrada e estruturada, inclusiveporcentagem de discentes obtinha desempenho considerando os avanços tecnológicos que podiammelhor do que outros estava relacionada às situações prover novas e diferentes ferramentas para facilitare variáveis existentes fora do ambiente educacional o processo de ensino e aprendizagem.e que, nas mesmas condições de aprendizagem, Segundo Guskey (2001), poucos indivíduos natodos aprenderiam com a mesma competência e história da educação tiveram grande impacto nasprofundidade o conteúdo. políticas e práticas educacionais como Benjamim Entretanto, Bloom e sua equipe ao direcionar seus S. Bloom que, durante sua carreira, desenvolveuestudos, fizeram uma descoberta que viria a ser de inúmeros projetos, programas e poderosas perspectivasgrande notoriedade no meio educacional: nas mesmas para os educadores em como facilitar o aprendizadocondições de ensino (desconsiderando as variáveis e definir objetivos cognitivos.externas ao ambiente educacional) todos os alunos A Taxonomia de Bloom do Domínio Cognitivo éaprendiam, mas se diferenciavam em relação ao estruturada em níveis de complexidade crescente – do
  • 4. 424 Ferraz & Belhot Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010mais simples ao mais complexo – e isso significa que, 3 Alterações da Taxonomia de Bloompara adquirir uma nova habilidade pertencente ao Krathwohl (2002), Bloom et al. (1956) virampróximo nível, o aluno deve ter dominado e adquirido a teoria de taxonomia como uma ferramenta que,a habilidade do nível anterior. dentro outros pontos: Só após conhecer um determinado assunto alguém • Padronizaria a linguagem sobre os objetivospoderá compreendê-lo e aplicá-lo. Nesse sentido, a de aprendizagem para facilitar a comunicaçãotaxonomia proposta não é apenas um esquema para entre pessoas (docente, coordenadores etc.),classificação, mas uma possibilidade de organizaçãohierárquica dos processos cognitivos de acordo com conteúdos, competências e grau de instruçãoníveis de complexidade e objetivos do desenvolvimento desejado;cognitivo desejado e planejado. • Serviria como base para que determinados cursos Os processos categorizados pela Taxonomia dos definissem, de forma clara e particular, objetivos eObjetivos Cognitivos de Bloom, além de repre­ currículos baseados nas necessidades e diretrizessentarem resultados de aprendizagem esperados, contextual, regional, federal e individual (perfilsão cumulativos, o que caracteriza uma relação de do discente/curso);dependência entre os níveis e são organizados em • Determinaria a congruência dos objetivos educa­termos de complexidades dos processos mentais cionais, atividade e avaliação de uma unidade,como mostra a Figura 1. curso ou currículo; e Embora a Figura 1 represente a estrutura mais • Definiria um panorama para outras oportunidadesconhecida da Taxonomia de Bloom (6 categorias), educacionais (currículos, objetivos e cursos),ela, na verdade, é um pouco mais complexa, pois é quando comparado às existentes antes dela terdividida em subcategorias com o objetivo de melhor sido escrita.direcionar a definição dos objetivos instrucionaisassim como de esclarecer os limites entre eles. Todos os pontos citados são contribuições daRelacionados às categorias, estão os verbos que taxonomia original e que, em alguns momentos, justifica a sua popularidade, entretanto a taxonomiaprocuram dar suporte ao planejamento acadêmico original tem sido utilizada para a classificação de(objetivo, estratégia e avaliação) relacionado a cada objetivos curriculares e para descrever o resultadouma delas, como mostra o Quadro 1. de aprendizagem em termos de conteúdo e discussão Muitos foram os trabalhos originados a partir do que deve ser realizado com o conteúdo assimiladoda primeira divulgação da Taxonomia de Bloom (Driscoll, 2000).no Domínio Cognitivo, entretanto, com as novas O que interessava para Bloom et al. (1956), erapublicações e com tecnologias incorporadas ao proporcionar uma ferramenta prática e útil quesistema educacional, foi observada a necessidade fosse coerente com as características dos processosde reavaliação e releitura dos pressupostos teóricos mentais superiores (nível de conhecimento e abstraçãoque sustentaram a pesquisa original para avaliação complexa) do modo como eram consideradas eda necessidade de adaptações. conhecidas. No ano de 2001, um novo grupo, formado como Quarenta anos depois de ter sido divulgada, Lorio primeiro (a partir de um convite da Associação de Anderson publicou, em 1999, um significativo trabalhoPsicologia Americana), divulgou o trabalho realizado de retrospectiva da utilização da taxonomia e, node revisão e atualização da Taxonomia de Bloom mesmo ano, um grupo de especialistas se encontrou emapresentada em 1956. Syracuse, Nova Iorque, para discutir a possibilidade de rever os pressupostos teóricos da Taxonomia de Bloom uma vez que novos conceitos, recursos e teorias foram incorporados ao campo educacional, avanços psico-pedagógicos e tecnológicos ocorreram, 6. Avaliação e diversas experiências de sucesso no uso efetivo da 5. Síntese taxonomia foram publicadas. 4. Análise Esse grupo de especialistas (psicólogos, educadores, 3. Aplicação especialistas em currículos, testes, avaliação etc.) foi 2. Compreensão supervisionado por David Krathwohl, que participou do 1. Conhecimento desenvolvimento da Taxonomia original no ano de 1956, e, no ano de 2001, o relatório da revisão foi publicadoFigura 1. Categorias do domínio cognitivo proposto por num livro intitulado A taxonomy for learning, teachingBloom, Englehart, Furst, Hill e Krathwolh, que ficou and assessing: a revision of Bloom’s taxonomy forconhecido como Taxonomia de Bloom. educational objectives (ANDERSON et al., 2001).
  • 5. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações... 425 Esse grupo tentou buscar o equilíbrio entre o que especificidades e generalidades de métodos, proce­existia, a estruturação da taxonomia original e os dimentos, padrões e instruções; e b) habilidade denovos desenvolvimentos incorporados à educação achar, no problema proposto, sinais, dicas, pequenasnos quarenta e poucos anos de existência. informações que efetivamente tragam à consciência o Segundo Krathwohl (2002), geralmente os aprendizado prévio adquirido, ou seja, conhecimentoobjetivos declaram o que é esperado que os discentes é o que é lembrado. Essas duas definições, por si só, jáaprendam e esquecem de explicitar, de forma correspondem respectivamente à diferença significativacoerente, o que eles deverão ser capazes de realizar entre processo e produto (ANDERSON, 1999).com aquele conhecimento. Os objetivos são descritos Essa observação levou a nova equipe a dividirutilizando verbos de ação e substantivos que procuram o conhecimento em dois tipos: (1) conhecimentodescrever os processos cognitivos desejados, por como processo e (2) conhecimento como conteúdoexemplo: ao final dessa unidade os alunos deverão assimilado.lembrar (verbo) as três leis de Newton (substantivo/ Como na taxonomia original, a categoria conhe­conteúdo), mas não esclarecem como será verificado cimento está diretamente relacionada ao conteúdo ese realmente lembraram e aplicaram esse novo essa dimensão passou a conter quatro, ao invés dasconhecimento. três, subcategorias como mostrado no Quadro 2. A partir dessa discussão (verbo-substantivo) Três delas (efetivo, conceitual e procedural) estãoe da observação da prática educacional de como relacionadas à subdivisão da categoria inicial, maseducadores definem seus objetivos gerais e específicos foram reorganizadas para usar uma terminologiade disciplinas/cursos, Krathwohl et al. – começaram mais clara e na qual fosse possível reconhecer asa perceber que mudanças na taxonomia original diferenças psicocognitivas que seriam desenvolvidasseriam necessárias e o primeiro ponto analisado estava e a quarta e nova subcategoria está relacionada aorelacionado à questão do verbo e sua associação direta conceito de metacognição.com o objetivo cognitivo, avaliação do objetivo e De acordo com Anderson et al. (2001), metacogniçãodesenvolvimento de competências. envolve o conhecimento cognitivo real assim como Ao analisar a relação direta entre verbo e a consciência da aprendizagem individual. Essasubstantivo os pesquisadores chegaram à conclusão subcategoria tem se tornado cada vez mais importantede que verbos e substantivos deveriam pertencer na área educacional uma vez que a possibilidadea dimensões separadas na qual os substantivos de autoaprendizagem e o controle do aprendizadoformariam a base para a dimensão conhecimento relacionado à autonomia de aprender deve ser um(o que) e verbo para a dimensão relacionada aos processo cada vez mais consciente e passível deaspectos cognitivos (como). medição. Isso é possibilitado pela utilização da Essa separação de substantivos e verbos, conhe­ tecnologia da comunicação na educação, a criação decimento e aspectos cognitivos, deu um caráter novas oportunidades educacionais e a popularizaçãobidimensional à taxonomia original e direcionou da modalidade a distância.todo o trabalho de revisão. Cada uma das partesda estrutura bidimensional foi nominada comoDimensão Conhecimento e Dimensão dos Processos 3.2 Dimensão processo cognitivoCognitivos (Figura 2). Segundo Anderson (1999) e Bloom et al. (1956), a taxonomia original foi concebida de maneira3.1 Dimensão conhecimento hierárquica e unidimensional e relacionava a aquisição de conhecimento com a mudança de comportamento A primeira fase da revisão veio com a observação observável relacionada ao objetivo previamentedetalhada sobre a categoria e as subcategorias do proposto e essas mudanças podem ser medidas emconhecimento. termos de atos e pensamentos. Essa análise detalhada De acordo com a taxonomia original, de 1956, incentivou a alteração da terminologia domínioconhecimento envolve: a) habilidade de lembrar cognitivo para domínio do processo cognitivo que, de acordo com os pesquisadores, é mais clara e diretamente relacionada ao que acontece no contexto Verbos (dimensão: processos educacional. cognitivos - como) Processo cognitivo pode ser entendido como o meio pelo qual o conhecimento é adquirido ou construídoSubstantivos e usado para resolver problemas diários e eventuais(dimensão:conhecimento - o que) (ANDERSON et al., 2001). Na taxonomia original, embora as seis categoriasFigura 2. Caráter bidimensional da “nova” Taxonomia de fizessem parte do domínio cognitivo, apenas cincoBloom. delas (compreensão, aplicação, análise, síntese e
  • 6. 426 Ferraz & Belhot Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010Quadro 1. Estruturação da Taxonomia de Bloom no domínio cognitivo. Categoria Descrição1. Conhecimento Definição: Habilidade de lembrar informações e conteúdos previamente abordados como fatos, datas, palavras, teorias, métodos, classificações, lugares, regras, critérios, procedimentos etc. A habilidade pode envolver lembrar uma significativa quantidade de informação ou fatos específicos. O objetivo principal desta categoria nível é trazer à consciência esses conhecimentos. Subcategorias: 1.1 Conhecimento específico: Conhecimento de terminologia; Conhecimento de tendências e sequências; 1.2 Conhecimento de formas e significados relacionados às especificidades do conteúdo: Conhecimento de convenção; Conhecimento de tendência e sequência; Conhecimento de classificação e categoria; Conhecimento de critério; Conhecimento de metodologia; e 1.3 Conhecimento universal e abstração relacionado a um determinado campo de conhecimento: Conhecimento de princípios e generalizações; Conhecimento de teorias e estruturas. Verbos: enumerar, definir, descrever, identificar, denominar, listar, nomear, combinar, realçar, apontar, relembrar, recordar, relacionar, reproduzir, solucionar, declarar, distinguir, rotular, memorizar, ordenar e reconhecer.2. Compreensão Definição: Habilidade de compreender e dar significado ao conteúdo. Essa habilidade pode ser demonstrada por meio da tradução do conteúdo compreendido para uma nova forma (oral, escrita, diagramas etc.) ou contexto. Nessa categoria, encontra-se a capacidade de entender a informação ou fato, de captar seu significado e de utilizá-la em contextos diferentes. Subcategorias: 2.1 Translação; 2.2 Interpretação e 2.3 Extrapolação. Verbos: alterar, construir, converter, decodificar, defender, definir, descrever, distinguir, discriminar, estimar, explicar, generalizar, dar exemplos, ilustrar, inferir, reformular, prever, reescrever, resolver, resumir, classificar, discutir, identificar, interpretar, reconhecer, redefinir, selecionar, situar e traduzir.3. Aplicação Definição: Habilidade de usar informações, métodos e conteúdos aprendidos em novas situações concretas. Isso pode incluir aplicações de regras, métodos, modelos, conceitos, princípios, leis e teorias. Verbos: aplicar, alterar, programar, demonstrar, desenvolver, descobrir, dramatizar, empregar, ilustrar, interpretar, manipular, modificar, operacionalizar, organizar, prever, preparar, produzir, relatar, resolver, transferir, usar, construir, esboçar, escolher, escrever, operar e praticar.4. Análise Definição: Habilidade de subdividir o conteúdo em partes menores com a finalidade de entender a estrutura final. Essa habilidade pode incluir a identificação das partes, análise de relacionamento entre as partes e reconhecimento dos princípios organizacionais envolvidos. Identificar partes e suas inter- relações. Nesse ponto é necessário não apenas ter compreendido o conteúdo, mas também a estrutura do objeto de estudo. Subcategorias: Análise de elementos; Análise de relacionamentos; e Análise de princípios organizacionais.4. Análise Verbos: analisar, reduzir, classificar, comparar, contrastar, determinar, deduzir, diagramar, distinguir, diferenciar, identificar, ilustrar, apontar, inferir, relacionar, selecionar, separar, subdividir, calcular, discriminar, examinar, experimentar, testar, esquematizar e questionar.5. Síntese Definição: Habilidade de agregar e juntar partes com a finalidade de criar um novo todo. Essa habilidade envolve a produção de uma comunicação única (tema ou discurso), um plano de operações (propostas de pesquisas) ou um conjunto de relações abstratas (esquema para classificar informações). Combinar partes não organizadas para formar um “todo”. Subcategorias: 5.1 Produção de uma comunicação original; 5.2 Produção de um plano ou propostas de um conjunto de operações; e 5.3 Derivação de um conjunto de relacionamentos abstratos. Verbos: categorizar, combinar, compilar, compor, conceber, construir, criar, desenhar, elaborar, estabelecer, explicar, formular, generalizar, inventar, modificar, organizar, originar, planejar, propor, reorganizar, relacionar, revisar, reescrever, resumir, sistematizar, escrever, desenvolver, estruturar, montar e projetar.6. Avaliação Definição: Habilidade de julgar o valor do material (proposta, pesquisa, projeto) para um propósito específico. O julgamento é baseado em critérios bem definidos que podem ser externos (relevância) ou internos (organização) e podem ser fornecidos ou conjuntamente identificados. Julgar o valor do conhecimento. Subcategorias: 6.1 Avaliação em termos de evidências internas; e 6.2 Julgamento em termos de critérios externos. Verbos: Avaliar, averiguar, escolher, comparar, concluir, contrastar, criticar, decidir, defender, discriminar, explicar, interpretar, justificar, relatar, resolver, resumir, apoiar, validar, escrever um review sobre, detectar, estimar, julgar e selecionar.Fonte: Bloom et al. (1956), Bloom (1986), Driscoll (2000) e Krathwohl (2002).
  • 7. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações... 427avaliação) estavam diretamente relacionadas a ele, • Os estilos de aprendizagem possibilitam aospois a categoria conhecimento, desde sua idealização, discentes aprenderem melhor num estágio maisestava relacionada ao conteúdo instrucional. elevado e depois serem capazes de entender os Na atual Taxonomia de Bloom, a base das anteriores; ecategorias foi mantida, continuam existindo seis • O conceito de metacognição abre espaço para quecategorias, o nome da taxonomia continua sendo alunos transitem livremente pelas subcategoriaso mesmo (eventualmente pode aparecer com a com o objetivo de melhorar seu autoaprendizadoexpressão “revisada” adicionada a ele), entretanto,ao separar, conceitualmente, o conhecimento do (Krathwohl, 2002).processo cognitivo, ocorreram as seguintes mudanças(KRATHWOHL, 2002): 4 Tabela bidimensional da • Os aspectos verbais utilizados na categoria Taxonomia de Bloom Conhe­ imento foram mantidos, mas esta foi c Na nova estrutura proposta na Taxonomia de Bloom renomeada para Lembrar; Compreensão foi “revisada”, a dimensão conhecimento (conteúdo) renomeada para Entender; e Aplicação, Análise, e de processos cognitivos foi mais claramente Síntese e Avaliação, foram alteradas para a forma diferenciada, e isso originou um novo modelo verbal Aplicar, Analisar, Sintetizar e Criar, por de utilização que tem como estrutura uma tabela expressarem melhor a ação pretendida e serem bidimensional denominada de Tabela Bidimensional da Taxonomia de Bloom (ANDERSON et al., condizentes com o que se espera de resultado 2001). a determinado estímulo de instrução; Essa tabela deve ser utilizada com o intuito de • As categorias avaliação e síntese (avaliar e criar) melhor estruturar os objetivos educacionais, ao foram trocadas de lugar; e mesmo tempo em que auxilia os educadores na melhor • Os nomes das subcategorias existentes foram elaboração do planejamento e na escolha adequada alterados para verbos no gerúndio (Quadro 3). de estratégias e tecnologias educacionais. Na Figura 3, encontra-se a categorização atual da Ao estruturar a tabela, os pesquisadores diferen­Taxonomia de Bloom. ciaram, para cada categoria, o que estaria relacionado Segundo Krathwohl (2002) e Anderson (1999), à aquisição do conhecimento, desenvolvimento dena revisão da taxonomia publicada em 1956, a habilidade e competência.maior ênfase foi dada à discussão da análise e Na tabela bidimensional, a dimensão conhecimentointerpretação das subcategorias com a intenção de pertence à coluna vertical e o processo cognitivosuprir a necessidade de estimular um desenvolvimento à coluna horizontal. Nas células, formadas pelacognitivo amplo, duradouro e profundo. intersecção das dimensões, são inseridos os objetivos. Embora a nova taxonomia mantenha o design Um mesmo objetivo pode ser inserido em mais dehierárquico da original, ela é flexível, pois possibilitou uma célula e não é necessário o preenchimento deconsiderar a possibilidade de interpolação das todas as células consecutivas, como mostra a situaçãocategorias do processo cognitivo quando necessário, hipotética representada no Quadro 4.devido ao fato de que determinados conteúdos Entretanto, um dos desafios para se utilizar opodem ser mais fáceis de serem assimilados a partir novo modelo é a dificuldade que alguns educadoresdo estímulo pertencente a uma mais complexa. Por encontram na utilização adequada da tabela proposta.exemplo, pode ser mais fácil entender um assunto Os verbos de ação da taxonomia original podemapós aplicá-lo e só então ser capaz de explicá-lo. ser perfeitamente inseridos nas correspondentes A interpolação das categorias não é total, categorias; entretanto para a descrição do comoespecificamente no domínio conhecimento, aordem deve ser respeitada, pois se considera quenão há como estimular ou avaliar o conhecimentometacognitivo sem anteriormente ter adquirido 6. Criartodos os anteriores. 5. Síntetizar O princípio da progressão da complexidade foi 4. Analisarmantido: do simples para o complexo; do concreto 3. Aplicarpara o abstrato; mas, novamente, foi atribuída mais 2. Entenderflexibilidade ao conceito cumulativo e dependentede cada categoria, pois: 1. Lembrar • Sabe-se que diferentes disciplinas requerem Figura 3. Categorização atual da Taxonomia de Bloom pro­ processos cognitivos diferenciados; posta por Anderson, Krathwohl e Airasian, no ano de 2001.
  • 8. 428 Ferraz & Belhot Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010Quadro 2. Mudanças na subcategoria conhecimento no domínio cognitivo da taxonomia de Bloom. Taxonomia original Taxonomia revisadaCategoria: 1.0 Conhecimento 1.1 Conhecimento Efetivo: relacionado ao conteúdo básico queConhecimento específico o discente deve dominar a fim de que consiga realizar e resolver problemas apoiados nesse conhecimento. Relacionado aos fatos que Conhecimento de não precisam ser entendidos ou combinados, apenas reproduzidos formas e significado como apresentados. relacionados às especificidades do Conhecimento da Terminologia; e Conhecimento de detalhes e conteúdo elementos específicos. Conhecimento universal 1.2 Conhecimento Conceitual: relacionado à inter-relação dos e abstração relacionados elementos básicos num contexto mais elaborado que os discentes a um determinado seriam capazes de descobrir. Elementos mais simples foram abordados campo de conhecimento e agora precisam ser conectados. Esquemas, estruturas e modelos foram organizados e explicados. Nessa fase, não é a aplicação de um modelo que é importante, mas a consciência de sua existência. Conhecimento de classificação e categorização; Conhecimento de princípios e generalizações; e Conhecimento de teorias, modelos e estruturas. 1.3 Conhecimento Procedural: relacionado ao conhecimento de “como realizar alguma coisa” utilizando métodos, critérios, algoritmos e técnicas. Nesse momento, o conhecimento abstrato começa a ser estimulado, mas dentro de um contexto único e não interdisciplinar. Conhecimento de conteúdos específicos, habilidades e algoritmos; Conhecimento de técnicas específicas e métodos; e Conhecimento de critérios e percepção de como e quando usar um procedimento específico. 1.4 Conhecimento Metacognitivo: relacionado ao reconhecimento da cognição em geral e da consciência da amplitude e profundidade de conhecimento adquirido de um determinado conteúdo. Em contraste com o conhecimento procedural, esse conhecimento é relacionado à interdisciplinaridade. A ideia principal é utilizar conhecimentos previamente assimilados (interdisciplinares) para resolução de problemas e/ou a escolha do melhor método, teoria ou estrutura. Conhecimento estratégico; Conhecimento sobre atividades cognitivas incluindo contextos preferenciais e situações de aprendizagem (estilos); e Autoconhecimento.Fonte: Driscoll (2000) e Krathwohl (2002).será alcançado esse objetivo, e, para a escolha das 4.1 Objetivos do móduloestratégias e tecnologias educacionais, deve-se Previsão de Vendapensar no gerúndio do verbo. Ao final da unidade de Previsão de Vendas, os Assim, pensando os objetivos em termos de discentes deverão ser capazes de:verbos, substantivos e gerúndios, é possível escolher • Lembrar as três hipóteses de previsão e listarestratégias, conteúdos e instrumentos de avaliação os padrões típicos de comportamento de dadoseficazes e efetivos. A montagem da tabela deve históricos, reproduzindo-os na realização deiniciar-se a partir da definição dos objetivos específicosda disciplina, curso ou conteúdo. exercícios teóricos, envolvendo os nomes Suponha uma disciplina hipotética denominada das técnicas de previsão mais utilizadas emPlanejamento e Controle da Produção dentro da qual processos estacionários, com tendência e comé tratado o tópico Previsão de Vendas, que é o ponto sazonalidade;de partida para a gestão da produção. • Entender as diferenças entre as técnicas Essa disciplina normalmente aborda outros tópicos existentes, comparando cada uma com ase deverá ser dividida em módulos semanais, e os diferentes hipóteses e padrão de dados;discentes deverão entender os conceitos, as técnicas e • Escolher e aplicar, de forma consciente, umaavaliar resultados de previsões de venda, portanto: das técnicas, implementando um programa
  • 9. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações... 429Quadro 3. Estrutura do processo cognitivo na taxonomia de Bloom – revisada. 1. Lembrar: Relacionado a reconhecer e reproduzir ideias e conteúdos. Reconhecer requer distinguir e selecionar uma determinada informação e reproduzir ou recordar está mais relacionado à busca por uma informação relevante memorizada. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Reconhecendo e Reproduzindo. 2. Entender: Relacionado a estabelecer uma conexão entre o novo e o conhecimento previamente adquirido. A informação é entendida quando o aprendiz consegue reproduzi-la com suas “próprias palavras”. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Interpretando, Exemplificando, Classificando, Resumindo, Inferindo, Comparando e Explicando. 3. Aplicar: Relacionado a executar ou usar um procedimento numa situação específica e pode também abordar a aplicação de um conhecimento numa situação nova. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Executando e Implementando. 4. Analisar: Relacionado a dividir a informação em partes relevantes e irrelevantes, importantes e menos importantes e entender a inter-relação existente entre as partes. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Diferenciando, Organizando, Atribuindo e Concluindo. 5. Avaliar: Relacionado a realizar julgamentos baseados em critérios e padrões qualitativos e quantitativos ou de eficiência e eficácia. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Checando e Criticando. 6. Criar: Significa colocar elementos junto com o objetivo de criar uma nova visão, uma nova solução, estrutura ou modelo utilizando conhecimentos e habilidades previamente adquiridos. Envolve o desenvolvimento de ideias novas e originais, produtos e métodos por meio da percepção da interdisciplinaridade e da interdependência de conceitos. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Generalizando, Planejando e Produzindo.Quadro 4. Processo cognitivo na taxonomia revisada. Dimensão Dimensão processo cognitivo conhecimento Lembrar Entender Aplicar Analisar Sintetizar Criar Efetivo/factual Objetivo1 Conceitual Objetivo 2 Objetivo 2 Procedural Objetivo3 Metacognitivo Conhecimento Competência Habilidade específico ou utilizando um aplicativo disponível Ao se observar o Quadro 5, percebe-se que há no mercado; e espaços em branco e isso leva a uma análise e • Avaliar os resultados obtidos por meio do reavaliação dos objetivos propostos. emprego da técnica de previsão, estimando É importante salientar que, conforme mencionado anteriormente, não há nenhum problema na ordem dos o impacto da acuracidade e das incertezas objetivos inseridos na dimensão do processo cognitivo, associadas a todo o processo. entretanto, a ordem da dimensão conhecimento deve ser Observe-se que, em cada objetivo, o gerúndio do respeitada de forma hierárquica e, para se ter um maiorverbo possibilita que seja esclarecido o “quê” e “como” controle do processo de aprendizagem, é sugeridoavaliar, e se o objetivo foi ou não alcançado. que não haja colunas em branco, entretanto, ao se Como os verbos no início de cada objetivo facilitam observar o Quadro 5, pode ser que haja algum tópicoo trabalho de inserção na dimensão processo cognitivo, ou assunto específico em determinadas disciplinas noo passo mais delicado será a diferenciação desses na qual o processo de criar independa do analisar.categoria conhecimento (Quadro 5). No exemplo específico, uma análise a partir do Segundo Krathwohl (2002), a tabela de processos preenchimento do quadro levou a uma redefiniçãocognitivos funciona não só para classificar objetivos mais precisa dos objetivos, pois, para que os discentesinstrucionais de desenvolvimento cognitivo, mas consigam avaliar os resultados da previsão (objetivo 4,para direcionar atividades, avaliações e escolha de Quadro 5), é necessário que sejam capazes de analisarestratégias. diferentes medidas de erros, sendo assim, deveria
  • 10. 430 Ferraz & Belhot Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010Quadro 5. Preenchimento da tabela processo cognitivo. Dimensão Dimensão processo cognitivo conhecimento Lembrar Entender Aplicar Analisar Avaliar Criar Efetivo/factual Objetivo1 Conceitual/Princípios Objetivo 2 Objetivo 3 Objetivo 3 Procedural Objetivo 4 Metacognitivo Conhecimento Competência HabilidadeQuadro 6. Preenchimento da tabela processo cognitivo – atualizada. Dimensão Dimensão Processo Cognitivo conhecimento Lembrar Entender Aplicar Analisar Avaliar Criar Efetivo/factual Objetivo1 Conceitual/princípios Objetivo 2 Objetivo 3 Objetivo 4 Objetivo 3 Procedural Objetivo 4 Objetivo 5 Metacognitivo Objetivo 4 Objetivo 5 Conhecimento Competência Habilidadeser inserido um novo objetivo a fim de estruturar, • Avaliar os resultados obtidos por meio doadequadamente, o desenvolvimento cognitivo emprego da técnica de previsão, estimandodesejado. o impacto da acuracidade e das incertezas associadas a todo o processo.4.2 Objetivos do módulo Previsão de No Quadro 6, observa-se a tabela bidimensional Venda, atualizado a partir da análise dos objetivos cognitivos, atualizada, a partir dos das considerações descritas novos objetivos propostos. Ao final da unidade de previsão de vendas, os Se forem utilizadas estratégias específicas nos objetivos 4 e  5, poderá ser estimulado odiscentes deverão ser capazes de: desenvolvimento do conhecimento metacognitivo • Lembrar as três hipóteses de previsão e listar caso o educador tenha este como uma das metas os padrões típicos de comportamento de dados gerais do seu curso/disciplina. históricos, reproduzindo-os na realização de exercícios teóricos, envolvendo os nomes 5 Considerações finais das técnicas de previsão mais utilizadas em Planejar uma disciplina ou um curso não é tarefa processos estacionários, com tendência e com fácil, ainda mais para profissionais que não tiveram sazonalidade. o devido preparo didático e pedagógico para realizar • Entender as diferenças entre as técnicas esse tipo de atividade, realidade que muitos docentes existentes, comparando cada uma com as do ensino superior enfrentam com regularidade. diferentes hipóteses e padrão de dados. A não realização de um planejamento pedagógico • Escolher e aplicar, de forma consciente, uma adequado, que delimite conteúdo e escolha estratégias das técnicas, implementando um programa educacionais eficazes, pode levar os docentes a específico ou utilizando um aplicativo disponível enfrentarem alto grau de evasão em suas disciplinas, ou mesmo uma ansiedade pessoal relacionada ao no mercado. fato de perceberem que seus discentes não estão • Analisar as diferentes medidas de erro, atingindo o nível de desenvolvimento (cognitivo, de diferenciando-as, atribuindo significados de competência e de habilidade) desejado. importância e entendendo em quais circunstâncias Essa situação de evasão e de ansiedade, gerada pela cada uma delas é mais adequada. percepção de não estar atingindo a meta proposta,
  • 11. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações... 431pode ser fruto da falta de comprometimento efetivo Referênciasdos discentes, mas também pode ser reação às ANDERSON, L. W. Rethinking Bloom’s Taxonomy:dificuldades que enfrentam na realização das tarefas implication for testing and assessment. Columbia:propostas, pois não percebem ou não possuem uma University of South Carolina, 1999. (Report n. MF01/compreensão adequada do objetivo pretendido, da PC01).importância do conteúdo abordado e das técnicas ANDERSON, L. W. et. al. A taxonomy for learning,instrucionais utilizadas, além da concordância desses teaching and assessing: a revison of Bloom’s Taxonomyitens com os critérios de avaliação e de recuperação of Educational Objectives. Nova York: Addison Wesleydo aprendizado. Longman, 2001. 336 p. Todo desenvolvimento cognitivo deve seguir uma BELHOT, R. V.; FREITAS, A. A.; VASCONCELLOS D. D.estrutura hierárquica para que, no momento oportuno, Requisitos profissionais do estudante de engenharia de produção: uma visão através dos estilos de aprendizagem.os discentes sejam capazes de aplicar e transferir, de Revista Gestão da Produção e Sistemas, v. 1, n. 2,forma multidisciplinar, um conhecimento adquirido. p. 125-135, 2006. Entretanto, para que isso aconteça, o planejamento BLOOM, B. S. Some major problems in educationalé essencial e precisa ser estruturado de forma coerente, measurement. Journal or Educational Research,seja em torno de objetivos bem definidos (gerais e v. 38, n. 1, p. 139-142, 1944.específicos), da delimitação dos conteúdos, da escolha BLOOM, B. S. et al. Taxonomy of educational objectives.das estratégias e instrumentos de avaliação, ou seja, New York: David Mckay, 1956. 262 p. (v. 1)para “medir” o que foi aprendido e direcionar, de forma BLOOM, B. S.; HASTINGS, J. T.; MADAUS, G.corretiva e formativa, todo processo educacional. F. Handbook on formative and sommative A utilização de instrumentos que facilitem essa evaluation of student learning. New York: McGraw-atividade é fundamental e nesse contexto a Taxonomia Hill, 1971. 923 p.de Bloom tem colaborado significativamente, pois BLOOM, B. S. Innocence in education. The School Review, v. 80, n. 3, p. 333-352, 1972.é um instrumento de classificação de objetivos de BLOOM, B. S. What we are learning about teaching andaprendizagem de forma hierárquica (do mais simples learning: a summary of recent research. Principal,para o mais complexo) que pode ser utilizado para v. 66, n. 2, p. 6-10, 1986.estruturar, organizar e planejar disciplinas, cursos CLARK, D. Learning domains or Bloom’s taxonomy:ou módulos instrucionais. the three types of learning. Disponível em: <www. O que torna a utilização da Taxonomia de Bloom nwlink.com/~donclark/hrd/bloom.html>. Acesso em:um instrumento adequado para ser utilizado no 19 abril 2006.ensino de terceiro grau é que ela, nos últimos anos, CONKLIN, J. A taxonomy for learning, teaching andfoi avaliada e atualizada considerando os avanços assessing: a revision of Blooms’s taxonomy of educationalestratégicos e tecnológicos incorporados ao meio objectives. Educational Horizons, v. 83, n. 3, p. 153-159,educacional. 2005 DRISCOLL, M. Psychology of learning for instruction. A bidimensionalidade (tabela de dupla entrada) Needhan Heights: Allyn & Bacon, 200. 476 p.criada na atualização do instrumento provê um novo GUSKEY, T. R. Benjamin S. Bloom’s contributionsdirecionamento para que educadores possam planejar to curriculum, instruction, and school learning.melhor seus objetivos instrucionais e direcionem, de In: ANNUAL MEETING OF THE AMERICANforma coerente, clara e concisa, seu processo de ensino, EDUCATIONAL RESEARCH ASSOCIATION, 2001,de forma a efetivar o processo de aprendizagem. Seattle. Proceedings... Seattle: AERA Como na taxonomia original de 1956, a atual KRATHWOHL, D. R. A revision of Bloom’s taxonomy: anTaxonomia de Bloom, publicada em 2001, não possui overview. Theory in Practice, v. 41, n. 4, p. 212-218,sua utilização delimitada por nenhuma modalidade 2002.educacional, em outras palavras, ela não está LOMENA, M. Benjamin Bloom. Disponível em: <http://relacionada à modalidade na qual a educação acontece www.everything2.com/ index.pl?node_id=143987>. Acesso em: 28 março 2006.(presencial ou a distância), e, sim, à efetividade do MAGER, R. F. Preparing instructional objectives.processo educacional, pois é o “como” implementar Belmont: Lake Publishers Co., 1984. 136 p.objetivos, estratégias e conteúdo que realmente SCHOOL OF EDUCATION. Bloom’s Taxonomy: cognitiveimporta, e não a forma ou o ambiente na qual a domain. Disponível em: <http://www.olemiss.edu/depts/aprendizagem ocorrerá. educ_school2/docs/stai_manual/manual8.html>. Acesso em: 27 setembro 2005.Agradecimentos VAUGHAN, C. A. Identifying course goals: domains and levels of learning. Teaching Sociology, v. 7, n. 3, Ana Paula do Carmo Marcheti agradece à CAPES p. 265-279, 1980.(Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível WIKIPEDIA. Taxonomy. 2006. Disponível em: <http://Superior) e à Universidade Simon Frasier, Canadá, o en.wikipedia.org/wiki/Taxonomy>. Acesso em: 28apoio à pesquisa que deu origem a este artigo. março 2006.