HCA M4 A Cidade/ O GóTico - Presentation Transcript
A CIDADE - Pólo dinamizador da vida urbana
O ressurgimento económico do Ocidente, verificado a partir do século XI, foi acompanhado pela reanimação e revitalização dos burgos, pela formação de novos núcleos urbanos em locais estratégicos (cruzamento de animadas vias fluviais e terrestres). Para este surto urbano terão contributo:
o crescimento populacional verificado a partir do século XI;
o aumento da produção em consequência das novas técnicas utilizadas e do alargamento do cultivo;
- a fuga de muitos camponeses para a cidade a fim de se libertarem da opressão senhorial;
O surto urbano desencadeou profundas transformações na organização económico-social dos campos vizinhos. As novas cidades ou a reanimação dos antigos burgos transformaram a vida e as relações sociais dos camponeses da região:
Muitos colonos e servos abandonaram os campos a fim de se libertarem do domínio senhorial e de se fixarem na cidade;
A necessidade de abastecimento urbano exerceu uma pressão sobre a economia dos campos, incentivando a produção de excedentes para a comercialização;
Até ao século XII, prevalece em muitas regiões o camponês-artesão numa perspectiva de auto-suficiência. O mercador procurou, a partir de então, aproveitar a mão-de-obra barata, fornecendo ao camponês os instrumentos de produção e por vezes matéria-prima para obter produtos transformados a baixo custo. No século XIII, o desenvolvimento da economia de mercado alterou a situação. O artesão fixou-se na cidade e passou a controlar a produção e a venda de produtos;
- A concentração das actividades artesanais na cidade favorece a sua comercialização e exige o aumento da produção de matérias-primas (linho, cânhamo, lã, plantas tintureiras), dinamizando sectores da agricultura e da pecuária até então apenas voltada para a subsistência dos camponeses;
A venda de excedentes proporcionava ao camponês rendimentos até então impossíveis, favorecendo a melhoria e a transformação das suas condições de vida;
- As culturas hortícolas dos campos mais próximos da cidade valorizaram-se e expandiram-se pela pressão da procura urbana;
- No século XIII, nas regiões de maior desenvolvimento urbano (Flandres, Itália do Norte, Brabante), a dependência do campo em relação à cidade é já acentuada. Da cidade depende o escoamento de matérias-primas e dos produtos alimentares, o abastecimento de produtos transformados. Mas esta dependência é recíproca. Os espaços rurais e urbanos são interdependentes e complementares. As relações da cidade com os campos vizinhos não são exclusivamente económicas. A cidade detém com frequência uma autoridade político-militar sobre os camponeses. Impõe-lhes as leis e o pagamento de obrigações fiscais em troca de protecção, recruta soldados para as suas defesas, etc.
A cidade beneficia das profundas transformações operadas no campo, desde o século XI. Atrais colonos e servos que reforçam a mão-de-obra indispensável ao seu crescimento económico. Garante o abastecimento de produtos alimentares e de matérias-primas, através da rede comercial que tende a alargar-se a regiões cada vez mais afastadas, impondo aos camponeses as exigências da economia de mercado. Quando necessário, estabelece nos campos algumas das fases de produções do próspero artesanato urbano para aproveitar a energia hidráulica ou a lenha das florestas para o abastecimento dos fornos de olaria ou das forjas.
As cidades para responderem ás crescentes exigências de consumo, criadas pelo aumento da sua população, e promover o escoamento da sua produção:
estabelecem regulamentos minuciosos dos ofícios responsáveis pelo abastecimento da cidade;
fundam feiras e mercados;
- tabelam os preços, etc.
Concluindo : O ressurgimento económico da Europa Ocidental, a partir dos fins do século XI, favoreceu o surto urbano e o desenvolvimento da economia monetária. Durante os séculos XII e XIII, os centros urbanos multiplicaram-se e a sua densidade populacional foi reforçada, beneficiando do crescimento demográfico e do êxodo rural. Simultaneamente a cidade alargou a sua influência sobre os campos a fim de garantir o seu abastecimento, operando aí profundas transformações nas estruturas sócio-económicas.
As expressões do imaginário urbano: o gótico O renascimento das cidades traduziu-se no campo artístico pela substituição do românico pelo gótico a partir do século XII. A arte gótica apareceu inicialmente nas cidades do Norte de França por iniciativa régia, que através da construção de grandes catedrais, procurou assegurar a sua supremacia relativamente aos senhores feudais. A primeira grande obra gótica foi a catedral de Saint Denis (1141), em Paris. Daí o gótico estendeu-se a outras cidades, nomeadamente à Flandres e à Champagne, incentivada pelos reis franceses. Nos séculos XIII e XIV, difundiu-se por toda a Europa com apoio de reis, príncipes e bispos. Em pouco tempo as catedrais góticas transformaram-se, pela sua beleza e grandiosidade, no orgulho da população urbana. A rivalidade entre as grandes cidades favoreceu a construção de edifícios imponentes como as catedrais de Notre Dame, de Paris, Chatres, Amiens, Reims, Bruges, etc.
Em Portugal, a arquitectura gótica apareceu tardiamente. O Mosteiro de Alcobaça, cuja construção se iniciou em 1178, é uma excepção. A arte românica continuou a dominar as construções religiosas do século XIII, embora apareçam no Centro e Sul alguns edifícios góticos (Santa Clara, em Santarém, S. Francisco, em Estremoz, a Sé de Faro, etc.). Os monumentos mais representativos do gótico em Portugal são do século XIV (Convento do Carmo em Lisboa, a Sé da Guarda, Santa Clara a Velha, em Coimbra, Igreja da Graça, em Santarém, o Mosteiro da Batalha, cuja construção se iniciou em 1388, etc.).
A arquitectura gótica não rompeu com a românica. Pelo contrário, aproveitou muitas estruturas românicas com pequenas adaptações:
manteve a planta em cruz latina com algumas modificações que lhe conferem equilíbrio e funcionalidade;
a fachada conserva a simetria , adquirindo apenas um aspecto mais leve , singelo e deslumbrante;
- a abóbada ogival resulta do aperfeiçoamento da abóbada de arestas.
As principais inovações técnicas da arte gótica são:
a utilização do arco em ogiva e dos arcobotantes;
o cruzamento de arcos em ogiva apoiado em estreitos e altas colunas;
a combinação funcional e equilibrada do arco e abóbada ogival e da abóbada de nervuras.
a grandiosidade e altura das construções;
o uso do vitral;
a elevação da nave central sobre as laterais de forma a facilitar a iluminação dos interiores;
as enormes rosáceas abertas nas fachadas e altas janelas ornamentadas com vitrais, por onde penetra grande luminosidade;
as altas torres rematadas pelas agulhas (pináculos pontiagudos);
- a complexidade do rendilhado de pedra, etc.
A arquitectura gótica favoreceu o desenvolvimento da escultura, criando no interior e no exterior diversos espaços destinados a estátuas religiosas. Mas foi principalmente na decoração do exterior das catedrais que a escultura conquistou um lugar importante e que assumiu uma imponência deslumbrante. Foi utilizada na decoração de pórticos, tímpanos, capitéis, arcobotantes. Colunas com um cunho naturalista e realista, em total contraste com o carácter misterioso e sobrenatural da escultura românica:
a representação de Cristo e da Virgem adquiriu feições humanas e proporções reais;
a estatuária libertou-se do simbolismo e rigidez do período anterior;
nas representações prevaleceram os temas bíblicos, mas humanizados.
As transformações enumeradas foram ainda mais acentuadas nos vitrais das catedrais ou nas pinturas a fresco destinadas quer a locais de culto, quer a edifícios civis.
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