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  • 1. PCNde 1ª a 4ª série Parâmetros Curriculares Nacionais Fáceis de entender sO que são eles sO que ensinar com eles sO que a turma deve ler, falar e escrever Língua Portuguesa A dificuldade da escola em iniciar a criança no mundo das letras está na raíz da evasão e da repetência O desafio de alfabetizar izadas: vários Estados estão remodelando seus cur- rículos e investe-se mais na atualização dos profes- E nsinar as crianças a ler, a escrever e a se ex- sores. Mas a verdade é que ainda há muito a fazer. pressar de maneira competente na língua O índice de repetência e de abandono no Brasil, portuguesa é o grande desafio dos professo- um dos mais altos do mundo, é resultado, princi- res das quatro primeiras séries do Ensino Funda- palmente, da dificuldade que a escola tem em en- mental. Existem mudanças importantes sendo real- sinar a ler e a escrever. Os objetivos do Ensino Fundamental Ao longo das oito séries do Ensino paulista, o carioca, o baiano e o gaú- ros, resumos, índices e esquemas. Fundamental, o aluno deve desenvol- cho. Nenhum está certo ou errado. Com base em trechos extraídos de fon- ver as seguintes habilidades, segundo Eles são apenas diferentes. tes diferentes, o aluno deve saber com- propõem os PCN: 4 - Saber distinguir e compreen- por um novo texto coerente. Em resu- 1 - Expressar-se em diferentes der o que dizem diferentes gêneros de mo, transformar a linguagem em um situações. Em ca- texto. Uma bula de remédio, um bilhete instrumento de aprendizagem, que lhe blá, blá, blá... ráter privado, ou da namorada ou um anúncio de carro dê acesso e meios para usar as informa- seja, com a família têm intenções, estilos e vocabulários ções contidas nos textos que lê. e os amigos, ou em muito diferentes entre si. 7 - Expressar seus sentimentos, público, na apre- 5 - Entender que a leitura pode experiências, idéias e opções indivi- sentação de um tra- ser uma fonte de informação, de pra- duais. E também ser capaz de ouvir, balho em classe ou zer e de conhecimento. Ela dá acesso interpretar e refletir sobre as idéias de numa solenidade escolar. às informações outros, sabendo contrapor-lhes as pró- 2 - Saber expressar-se de dife- necessárias para Plebiscito... Plebiscito... prias idéias. Quando descreve, em rentes maneiras. Ou seja, usar a lin- o dia-a-dia e aos classe, um fato ocorrido na rua, o alu- guagem adequada a cada ambiente: a mundos criados no está treinando tal habilidade. coloquial, em situações de intimidade; pela literatura e 8 - Ser capaz de identificar e ou a formal, que utiliza a norma culta pelas ciências. O analisar criticamente os usos da lín- (valorizada socialmente), em situações aluno deve sa- gua como instrumento de divulga- cerimoniosas. Numa entrevista para ber, ainda, como ção de valores e preconceitos de ra- obter emprego, as expressões usadas recorrer a dife- ça, etnia, gênero, credo ou classe. É são diferentes das de um “papo de bar”. rentes materiais impressos para atender o que ocorre nas piadas consideradas 3 - Conhecer e respeitar as va- a necessidades específicas. Para obter “inocentes” sobre portugueses, judeus, riedades lingüísticas do português informações sobre um filme, usa-se o baianos ou negros. No entanto, refletir falado. O aluno deve entender que em jornal. Para achar o significado de uma sobre o real significado preconceituo- um país grande e palavra desconhecida, o indica- so delas pode gerar uma interessante Oxente, Bah, guri! de culturas varia- menino! do é o dicionário. Para uma pes- atividade em classe. Ilustrações Vilmar de Oliveira das como o Brasil quisa de História, consultam-se existem sotaques, enciclopédias. expressões regio- 6 - Ser capaz de identifi- nais e maneiras di- car os pontos mais relevantes ferentes de falar – de um texto, organizar notas como o linguajar sobre esse texto, fazer rotei- PCN 1ª a 4ª série - 5
  • 2. Como podemos O que se quer Portuguesa avaliar se alguém Língua domina de ensinar para as maneira eficaz a linguagem? quatro séries iniciaisPluralidade Os alunos devem terminar a 4a série do En- Cultural sino Fundamental dominando a linguagem de A linguagem, maneira eficaz. Em outras palavras, devem ser escrita ou falada, capazes de produzir e interpretar textos, pode apresentar-se tanto para as necessidades do dia-a-dia – escre- Geografia de várias formas, ver um recado, ler as instruções de uso de um ? dependendo de eletrodoméstico – como para ter acesso aos seus objetivos. bens culturais e à participação plena no mundo Um bate-papo letrado, entender o que é dito num telejornal e entre amigos, uma ler um livro de poesias.Ambiente Meio carta ou uma lista É preciso ler, mesmo antes de compras são de dominar o alfabeto manifestações da A tradição ensina: alfabetizar é tratar da linguagem. NósNaturaisCiências linguagem escrita e lecionar Português é trei- nos comunicamos nar os alunos a representar graficamente a fala também usando pela combinação das letras do alfabeto. Na ver- diferentes registros. dade, é muito mais do que isso. Falar e escu- É fácil entender: se tar, além de ler e escrever, são ações que per-Educação você tiver de falar Física mitem produzir e compreender textos. Cabe com crianças em processo de alfabetização, com o secretário à escola desenvolver também a linguagem oral mesmo quando tiveram pouquíssimo contato de Educação de de seus alunos. Aprende-se a falar fora dos com a linguagem escrita. seu Estado, bancos da escola, mas na sala de aula é possí- certamente usará vel mostrar as falas mais adequadas e eficien- Escreva no quadro-negro um Saúde tes nas diferentes situações cotidianas. versinho que eles saibam de cor. termos, expressões (Por exemplo: Lá em cima do piano, e gestos diferentes 1 - A linguagem escrita tem um copo de veneno. Quem Dica dos que emprega Ler e escrever são atividades que se com- bebeu morreu.) Leia-o algumasOrientação quando cobra a vezes junto com a turma. Em uma Sexual plementam. Os bons leitores têm grandes delas, pare a leitura no meio. Peça lição de um aluno. chances de escrever bem, já que a leitura forne- às crianças que apontem a última A comunicação, ce a matéria-prima para a escrita. Quem lê palavra lida. Muitas conseguirão dar nesses casos, se mais dispõe de um vocabulário mais rico e a resposta certa. dará em dois compreende melhor a estrutura gramatical e as História registros normas ortográficas da Língua Portuguesa. s Os alunos devem, no início, aprender a diferentes. Quanto mais variados, interessantes e diver- escrever um texto separando as palavras. Dominar a tidos forem os textos que você apresentar às s Ao final do primeiro ciclo, eles devem crianças, maior será a chance de elas se tor- ser capazes de dividir o texto escrito em Matemática linguagem é saber narem leitoras hábeis. Se na sua sala só entra- frases, usando maiúsculas no início delas usá-la de maneira rem aqueles textos escritos explicitamente para e os sinais de pontuação, como ponto final, adequada a seus ensinar a ler, que despertam pouca atenção nos exclamação, interrogação e reticências. destinatários, ou alunos, eles se desinteressarão da leitura e te- s Os alunos devem conhecer as seja, adaptando-se rão dificuldade em aprender. regularidades ortográficas (quando há a diferentes Veja o que se espera que os alunos apren- regras) e as irregularidades (quando elas Arte registros e de dam na linguagem escrita e algumas sugestões não estão presentes) das palavras. forma coerente para ajudar seu trabalho: s Usar dicionários e outras fontes com seus objetivos impressas para resolver dúvidas ortográficas. e com o assunto No primeiro ciclo s Nos textos que escreverem, devem poder Ética tratado. s Eles devem fazer a correspondência dos substituir o uso excessivo de “e”, “aí”, “daí” ou segmentos falados com os segmentos escritos “então” por outros conectivo como, por da Língua Portuguesa. Isso é possível realizar exemplo, “assim”, “mas” etc. 6 - PCN 1ª a 4ª série
  • 3. Agora não se ensina mais o bê-á-bá? Não se deve mais usar a cartilha no processo de alfabetização? Não é isso. Evidentemente é ? possível aprender a ler e a escrever com as tradicionais cartilhas, que usam o método da silabação. Nesse método tem-se por hábito ministrar o ensino da Língua Portuguesa em dois estágios. No s Desenvolver estratégias de escrita, primeiro (o da Crianças adoram histórias em como planejar o texto, redigir rascunhos, relê- quadrinhos. Peça a elas que alfabetização),Dica los e cuidar da apresentação. Todo texto é transcrevam os diálogos dos provisório e sempre pode ser melhorado. Nem apresenta-se o balõezinhos. Elas usarão os sistema alfabético dois-pontos, o travessão ou as aspas. mesmo escritores experimentados produzem textos finais na primeira tentativa; eles da escrita, também modificam e aprimoram suas obras. representando os s Eles devem saber separar o discurso s Compor textos coerentes com base em sons das palavrasdireto do indireto e marcar turnos do diálogo trechos oriundos de fontes diversas, que graficamente.utilizando aspas, travessão ou dois-pontos. podem ser uma combinação de produções Na etapa seguinte escritas ou criadas oralmente. é feito o estudoNo segundo ciclo da língua s Formar critérios para selecionar leituras Proponha aos alunos fazer uma propriamente dita,e desenvolver padrões de gosto pessoal. revisão dos termos empregados com exercícios de s Acentuar palavras utilizando as regras como marcadores de tempo. Além de aumentar o repertório da turma, que redação e treinosrelacionadas à tonicidade. Dica s As crianças devem saber explorar repete as expressões “era uma vez” ou ortográficos ediferentes modalidades de leitura, como ler “antigamente”, o exercício permitirá gramaticais.para revisar, ler para obter informações, ler situar os textos em épocas diferentes, Atualmente se no futuro ou no passado. São termos percebe que opara se divertir etc. como: “há muitos anos”,“antes disso”, processo de ensino “muito tempo depois” etc. Uma regra de ouro: nunca deve baseado na ser dado um texto ao aluno sem silabação é explicar para que serve e o que s Utilizar os recursos coesivos oferecidos desnecessário e se pode extrair dele. Uma boa pelo sistema de pontuação e pelo uso de lento. Não éDica atividade é distribuir a parte conectivos adequados, manter o tempo preciso dominar o do jornal que traz o roteiro cultural verbal e empregar expressões que marcam bê-á-bá, presente e pedir aos alunos que localizem, temporalidade e causalidade. por exemplo, o cinema mais nas cartilhas, para próximo da escola ou o espetáculo s Empregar as regências verbais e as concordâncias verbal e nominal. depois avançar no de teatro mais barato. s Fazer resumos. ensino da língua. PCN 1ª a 4ª série - 7
  • 4. Minha escola fica 2 - A linguagem oral Portuguesa Crie com seus alunos uma galeria de em um povoado Língua À medida que a criança avança na escolari- personagens para ser usados nas no Maranhão. zação, as exposições orais, principalmente na Dica histórias orais. Você pode fazer, por apresentação de trabalhos, tornam-se comuns exemplo, vários tipos de bruxa. Peça Não temos livros em sala de aula. Mas são poucas as escolas que às crianças que as desenhem e didáticos nemPluralidade costumam ensinar como falar com fluência em descreverem suas características. A Cultural outro material. situações públicas. Não deveria ser assim. A narrativa da classe vai ficar mais rica. Como posso linguagem oral apresenta dificuldades tanto melhorar o para quem a produz (clareza) quanto para s Descrever cenários, objetos e trabalho das quem a recebe (compreensão). As escolas personagens. Geografia turmas? deveriam tratar da expressão oral desde as s Relatar experiências, sentimentos, idéias séries iniciais. e opiniões de forma clara e ordenada. ? O que se espera que o aluno aprenda na lin- O professor que guagem oral: No segundo ciclo quer acertar trata s Produzir diferentes textos, simulando osAmbiente com carinho os No primeiro ciclo Meio dos meios de comunicação: conversas por alunos, respeita s Em sala de aula, o aluno deve ser capaz telefone, anúncios de rádio ou locuções dos individualidades e é de ouvir com atenção os professores e apresentadores de TV. E perceber neles os capaz de superar as colegas e intervir sem fugir do assunto tratado, elementos intencionais: o bom humor, o tomNaturaisCiências dificuldades e formular e responder a perguntas e manifestar- catastrofista das más notícias ou uma inflexão carências de uma se, além de acolher opiniões dos demais. de voz “garantindo a qualidade” de um produto. escola. Estimule a s Fazer uma exposição oral com ajuda s Identificar elementos não-verbais – discussão e a fala de um texto escrito, adequar o discurso ao como gestos, expressões faciais, mudanças no conhecimento prévio de quem o ouve e a tom de voz – na comunicação.Educação das crianças. Uma Física situações formais de comunicação. s Empregar a linguagem com maior nível idéia é explorar e s Narrar fatos respeitando a temporalidade de formalidade, quando a situação social em valorizar suas e registrando as relações de causa e efeito. que o aluno estiver assim o exigir. experiências e os s Contar histórias já conhecidas, s Manter um ponto de vista coerente ao conhecimentos que mantendo-se próximo do texto original. longo de um debate ou uma apresentação. Saúde elas trazem de casa. Por isso procure observar os hábitos dos alunos e faça As crianças vão adorar lerOrientação Sexual com que contem e escrevam sobre suas em voz alta para os colegas brincadeiras mais Fotos Leonardo Carneiro comuns, suas U m método para desenvolver o uso História músicas preferidas, da linguagem oral com as histórias de que crianças de 2ª série foi mais gostam. Dos criado pela professora Denise Santoleri relatos pode surgir Matemática Franque, de São Paulo. o material didático Ele combina a leitura de que você sente silenciosa, a produção falta. Enquanto fala de textos e a leitura em Leitura dramatizada e escreve sobre sua voz alta. Para tornar a de texto no pátio (ao experiência mais lado), e em sala, no vida, a turma vai palanque enfeitado divertida, Denise monta Arte pensando, registra e um pequeno palanque seguinte, cada um lê seu No segundo semestre, coloridas, textos infantis se corrige. Você enfeitado em um canto de gêneros diversos: texto em sala. Após o Denise coloca imagens notará quanto da sala. As crianças contos de fadas, poesias, discurso, três alunos e desenhos nas caixas e seus alunos vão devem subir nele para fábulas e aventuras. A sorteados avaliam a estimula a turma a aprender e como ler em voz alta para os apresentação. “Precisa criar seus próprios Ética turma escolhe o que colegas. No primeiro quiser, faz uma primeira gaguejar menos” ou textos para lê-los ou seu trabalho ficará semestre, a professora leitura e leva para estudar “melhorar a pontuação”, representá-los em mais fácil. dispõe, em caixas melhor em casa. No dia são alguns comentários. forma de teatrinho. 8 - PCN 1ª a 4ª série
  • 5. Como o professor 2 - Usando textos diversificados Em muitas escolas a Língua Portuguesa Leciono para a 2a série e muitos depode desenvolver ainda é ensinada de maneira formal, chata, sem entusiasmo. Esse tipo de ensino não atende meus alunoso hábito da leitura mais às necessidades da sociedade. Cada vez escrevem errado: mais o aluno terá de compreender e escrever “papeu”, “cuanto”entre seus alunos textos diferenciados, claros e criativos. Não é ou “muinto”. Como preciso quebrar a cabeça para conseguir textos ajudá-los a falar e a1 - Incentivando a leitura diária diversificados para utilizar em classe. Eles es- Não se formam bons leitores se eles não tão por toda parte: jornais, folhetos de propa- escrever certo?têm um contato íntimo com os textos. Há inú- ganda, revistas. Até algumas embalagens de A criança pensa que ?meras maneiras de fazer isso: os alunos podem produtos alimentícios trazem pequenos textosler em silêncio, ou em voz alta, em grupo ou repletos de informações. O importante é que o a escrita é aindividualmente, ou o professor lê um texto material escrito apresentado aos alunos seja representaçãopara a turma. Tais possibilidades devem ser interessante e desperte a curiosidade das crian- daquilo que fala.escolhidas de acordo com a atividade que está ças. Textos literários e poesias também devem Inicialmente isso ésendo desenvolvida em classe. ser usados. aceitável, pois retrata uma de suas A escolha de um bom livro para iniciar atrás, na época da palmatória – O hipóteses sobre o o processo de leitura é fundamental Cazuza, de Viriato Corrêa – e passou a lê- que a escrita para cativar a turma. No início de sua lo em voz alta. Ela lia em capítulos e representa. Quando carreira, a professora Marisa foi trabalhar parava no auge da narrativa, criando o aluno atinge aDica em uma escola de periferia na Ilha do suspense. Foi um sucesso. Os alunos hipótese alfabética, Governador, no Rio de Janeiro. A adoraram e passaram a esperar, ansiosos, pela leitura do episódio seguinte. ele já escreve e garotada ia mal em Português e detestava a leitura. Marisa escolheu, A partir daí foi fácil apresentar outros estabelece uma então, um livro que falava da vida de livros. As crianças pediam novas histórias correspondência meninos numa escola de muitos anos e liam com prazer. entre o falado (fonema) e o escrito (grafema). Pode-se, então, trabalhar o aluno paraA turma pode não gostar de leitura escola. Os alunos compreender recebiam uma cópia dosporque só recebe textos chatos textos e, em seguida, que nem tudo o debatiam o que haviam que se fala tem lido. Em pouco tempo, correspondênciaO s alunos da 2ª série da Escola era sem vontade, por pura obrigação. contavam histórias. Mas não era só isso. A a turma passou de um texto lido por semana idêntica na escrita.Municipal Padre Avelino Explicações para isso garotada não lia porque Exemplo: “casa”,Canazza, em Campinas, não faltavam: a escola achava chatos os textos para um por dia. Agora, palavra na qual oa 98 quilômetros de São fica na periferia e muitas que recebia. “Uma as crianças tomam aPaulo, não gostavam de crianças tinham pais criança da periferia iniciativa: trazem “s” tem som de “z”.ler e, quando o faziam, analfabetos que não lhes não se identifica com sugestões de casa, As variantes da a história de um recortam as notícias língua falada Fotos Sidnei Pitoco executivo servido pela que lhes interessam precisam ser empregada, como estava e melhoraram consideradas, mas em um livro didático”, sensivelmente o diz a professora desempenho escolar. deve-se ter cuidado Cleuza Albertini. Os ao escrever. A livros didáticos foram escrita depende de substituídos por uma convenção, que contos infantis, é a ortografia, artigos de revistas, criada para unificá- histórias em quadrinhos, notícias la e facilitar o sobre o cotidiano do Notícias recortadas: alunos entendimento doProfessora Cleuza em sala: notícias do cotidiano bairro em que está a escolhem o que querem ler que se lê. PCN 1ª a 4ª série - 9
  • 6. Sou professora A biblioteca escolar blioteca de classe não precisa de um número Portuguesa nas séries iniciais Língua muito grande de volumes. O que se espera é do Ensino Toda a proposta elaborada pelos PCN para que ela apresente mais variedade do que Fundamental o desenvolvimento da leitura nas quatro séries quantidade. É preferível que ela disponha de e percebo que, iniciais está apoiada na existência de uma bi- 35 livros diferentes a 35 volumes do mesmoPluralidade blioteca escolar. livro. Cultural infelizmente, a A biblioteca deve estar permanentemen- Vídeos, slides, fotografias, transparências, maioria de meus te aberta aos alunos, ter regras de empréstimo gravadores, fitas e CDs também devem fre- alunos não gosta de e leitura bem liberais e ser agradável e atraen- qüentar a biblioteca. Eles cumprem um papel ler. Quero sugestões te. É importante, também, que a biblioteca pos- importantíssimo e combinam sistemas verbais Geografia para fazer com que sua livros e textos bem diversificados. e não-verbais de comunicação. Há situações em que a falta de espaço ou de Abaixo, uma sugestão de textos que você ? as crianças tomem recursos parece impedir a criação da bi-bliote- pode ter na biblioteca de classe: gosto pela leitura. ca. São entraves que podem ser vencidos com s Histórias em quadrinhos, textos de criatividade. A diretora de uma escola pública jornais, revistas e suplementos infantis,Ambiente Para que o aluno Meio da periferia de São Paulo improvisou uma bi- anúncios classificados. tenha condições blioteca em carrinhos de feira, pintados com s Parlendas, canções, poesias, quadrinhas, de gostar de ler, cores diferentes, de acordo com a série a que se trava-línguas. precisa tomar destinavam. Os alunos se encarregavam de fa- s Contos de fadas e de assombração,NaturaisCiências contato com zer o acervo circular pelos corredores. mitos e lendas populares, folhetos de cordel. leituras de Mesmo que a escola possua uma bibliote- s Textos teatrais. diferentes níveis e ca, a classe também pode ter seu acervo. A bi- s Enciclopédias, dicionários e afins. assuntos. Quando aEducação criança já lê textos Leitura de textos diversificados Física simples por conta própria, o professor melhora a pior turma da escola deve ampliar seu Q uando foi nomeada Fotos Ronaldo Guimarães repertório de César Alexandre do Nascimento para a 1ª série de Saúde conhecimentos uma escola municipal de mostrando-lhe Belo Horizonte, a outras leituras. Histórias do lobisomem professora Sheila Alves e da mula-sem-cabeça: Por exemplo, de Almeida assustou-se.Orientação a turma adora Sexual lendo para a classe Os alunos, de 7 anos, Ricardo Corrêa não liam nem o próprio Aluna forma novas jornais, revistas nome e quando lhes era palavras com as e livros infantis. pedido que escrevessem sílabas de “Doriana”: Isso faz com que a palavra “bola”, por uma escrita mais divertida História a criança exemplo, muitos compreenda que desenhavam uma bola. e letras emborrachadas e elas ficam ansiosas Para recuperar o tempo para ensiná-los a para se manifestar”, diz existem textos feitos Sheila. Os resultados perdido, Sheila decidiu distinguir letras com para informar, para Crianças brincam com Matemática que deveria apresentar forma parecida, como o alcançados por ela foram letras de borracha: tiran- divertir e que à turma textos e letras “B” e o “P”, o “O” e o “Q”. bons. A turma de Sheila do dúvidas sobre a for- podem ser fonte da maneira mais E, principalmente, levou era considerada a “pior” ma do “B” e do “P” de prazer. Com divertida possível. recortes de jornais e da escola. Em um ano, Ela trouxe quadrinhas revistas com fatos que dos 26 alunos, dezessete eles, o leitor pode infantis, histórias mexeram com as estavam alfabetizados, “viajar” para folclóricas, que as crianças. Foi o que ela dois prestes a começar Arte lugares diferentes. crianças adoraram, fez quando morreu o a ler e o restante O aluno logo usou embalagens de elefante Zoca, no abandonou a escola entenderá que vale margarina para formar zoológico de Belo ou pouco avançou. Até a pena se esforçar, outras palavras, fez a Horizonte, ou com a então, em uma classe turma ler e preparar uma tragédia da morte da como essa, a escola Ética pois ele também nunca havia conseguido Os Mamonas receita de doce impressa banda Os Mamonas Assassinas: emoção poderá usufruir em uma lata de leite em Assassinas. “Fatos assim alfabetizar mais de em classe com a tais prazeres. pó, conseguiu carimbos sensibilizam as crianças oito alunos. tragédia do grupo 10 - PCN 1ª a 4ª série
  • 7. Até que pontoOrganize projetos comum acordo com a turma. Em nosso exemplo, além do livro, os participantes poderiam decidir podemos corrigir acom sua classe apresentar o trabalho em uma feira na escola. ortografia do texto Os projetos podem durar de uma semana a de uma criança? Os projetos são uma ótima oportunidade alguns meses. A grande vantagem é que elespara que seus alunos possam produzir textos obrigatoriamente exigem o envolvimento e o Desde cedo ascom intenção clara. Os projetos devem ter um compromisso de todos os alunos. Com isso, crianças devemobjetivo bem definido e as crianças precisam mesmo tarefas que em outro contexto parece- entender que éentender que as pesquisas, as entrevistas, as riam sem sentido – como copiar, corrigir várias preciso escreverleituras, se destinam a um fim combinado em vezes o texto, exigir ortografia impecável – tor-conjunto entre a classe e a professora. Um nam-se reais e necessárias, já que as crianças co- corretamente. Aexemplo de projeto: pesquisar contos de as- nhecem o objetivo de seu trabalho e sabem que exigência de um ?sombração conhecidos na comunidade para ele será lido por leitores de fora da classe. texto correto é, noproduzir, no final, um livro. O propósito dos projetos não é só ensinar a entanto, relativa. Depois da pesquisa de campo, os textos são Língua Portuguesa. Com eles é possível associar Depende da funçãorevisados, reescritos e debatidos em classe. O os conteúdos de Português a todas as outras dessa produçãoproduto final de um projeto pode ser mudado em áreas e aos Temas Transversais. (um texto que circula na classe e outro que terá história do bairro. Com leitores externos as informações obtidas, apresentam a classe produziu um exigências de texto coletivo sintetizando suas correção diferentes) descobertas. As e da série, ou ciclo, crianças voltaram às em que foi pesquisas para mapear realizada. O que se a vizinhança. O propõe é que no entusiasmo da turma fez Ensino crescer a atividade. Os Fundamental o alunos escreveram um aluno, além de livro coletivo no qual escrever contavam as próprias corretamente, episódios. As mãesAlunos seguram mapa do Morro Alto: resultado final de um projeto didático aprenda também foram convidadas a procedimentos de vir à classe relatarA história e a geografia do bairro histórias familiares. Um revisão. Se houver um computador, eleMorro Alto contadas pelas crianças jornalzinho também foi devererá conhecer organizado. Nele as ferramentas deE m um bom projeto didático, o objetivofinal do trabalho é a escola, as lojas, os acidentes geográficos e as casas eles saíram a campo, com lápis e papel na mão, entrevistando os estavam descritas as melhorias do Morro Alto alcançadas por sua correção. Se não, as ferramentasdefinido junto com os das crianças deveriam moradores sobre a associação de bairro. poderão seralunos. Foi o que fez a constar do mapa. criadas: tiras de Fotos Edson Varaprofessora Eneida Maria O trajeto que elas papel para serRamos de Macedo Tito, percorriam para chegar coladas sobre ode Porto Alegre (RS). A à escola também seria texto incorreto ouintenção era que os assinalado. para mudar frasesalunos entrevistassem A atividade começouos moradores do Morro com os alunos de de lugar.Alto, o bairro em que 2a série redigindo Flechinhas paraviviam, e realizarem um texto em que indicar o lugarpesquisas para produzir imaginavam como da correção e,um mapa gigante do teria sido o Morro Alto no claro, a boa elugar. As principais vias, passado. Em seguida, Trabalho de campo: entrevistas com moradores velha borracha. PCN 1ª a 4ª série - 11
  • 8. Como avaliar o O que você pode niões. Cabe à escola, então, criar oportunidades Portuguesa aprendizado de Língua para que os alunos escrevam textos diversifica- crianças que entram na escola fazer para que seus dos e de aplicações práticas, como são os que circulam na sociedade. na 1a série e vão alunos escrevamPluralidade estudar com outras Peça que eles redijam, mesmo se com competência Cultural ainda não souberem escrever certo que foram Os alunos devem ser solicitados a se expres- alfabetizadas na O objetivo da escola deve ser o de formar sar por escrito, mesmo que não dominem a lín- pré-escola? escritores competentes, habilitados a produzir gua escrita de maneira convencional. Desde ce- Geografia textos coerentes, organizados e claros. Um es- do, eles já são capazes de criar os mais variados No Brasil existem critor competente – aqui se entende escritor co- discursos. Narram histórias, defendem um pon- ? milhares de crianças mo alguém capaz de escrever e não um roman- to de vista, inventam diálogos durante uma brin- nessa situação. A cista ou poeta – está apto a produzir um discur- cadeira ou contam um caso para alguém. O que pré-escola so apropriado ao objetivo a que se propõe. Por ocorre é que eles já estão aptos a produzir umAmbiente preocupa-se hoje em Meio exemplo, se a intenção é convencer o leitor, ele texto, mas têm dificuldade para redigi-lo. alfabetizar. Mas há fará um texto argumentativo. Se o que se quer Eles vão render muito mais se forem desa- crianças que não é solicitar algo a uma autoridade, ele redigirá fiados a escrever e se puderem dividir as difi- têm essa um ofício em linguagem formal e direta. Para culdades de coordenar a escrita. Isso pode serNaturaisCiências oportunidade e, enviar notícias à família, ele escreverá uma feito, por exemplo, propondo a um aluno que carta intimista. conte em voz alta uma história a outro colega, aos 7 anos, são que a escreverá, enquanto um terceiro fará a re- matriculadas numa O professor pode sugerir a seus visão. Os três fortalecerão assim suas compe- classe com colegas alunos que escrevam uma carta a tências, podendo depois cumprir sozinhos to-Educação que já lêem. As um jornal pedindo informações sobre Dica Física das essas etapas. diferenças um tema em estudo na classe. Para Mas que outras razões teríamos para in- isso, deve explicar à turma qual é a individuais devem centivar a escrita dos estudantes? O fato é que linguagem adequada. O texto será ser respeitadas. feito em conjunto pelas crianças. eles gostam de escrever. De resto, a criança Existem opções para tenta andar mesmo antes de poder fazê-lo, fa- Saúde ajudar esses O escritor competente sabe expressar por es- lar mesmo quando ainda é bebê ou desenhar estudantes: se crito seus sentimentos, experiências ou opi- quando mal sabe pegar em um lápis. Por estar houver parentes comOrientação mais escolaridade, é Sexual possível orientá-los Ensine a turma a descrever personagens para uma ajuda em casa. O professor pode, ainda, pedir a N as redações de sua turma de 2ª série, a professora assim: “minha mãe é alta, bonita, morena...” e só. A dificuldade era a descritivas relevantes para o enredo. Para mudar isso, a professora Chinelo e Vestido Azul de Bolinha Branca, no Portão daquela Casa?, História colaboração de paulista Maria Eugênia “descrição funcional”, ou usou o livro Tá Vendo de Ricardo Azevedo, e alunos mais Leal lia descrições seja, citar informações uma Velhota de Óculos, montou esta atividade: adiantados; tirar 1 - A classe 3 - A professora dúvidas em suas examina a capa, lê as histórias Matemática o título e as em voz alta horas de trabalho ilustrações do e pede aos pedagógico fora livro. Hipóteses alunos que as de sala ou dar sobre a principal recontem. Eles personagem e podem, a todo recuperação sua história são momento, paralelamente às levantadas. consultar o livro. Arte aulas regulares. E, 2 - Sem ler o 4 - Cada aluno também, em alguns texto, só olhando deve imaginar e momentos do dia as figuras, os desenhar uma alunos tentam quarta versão da realizar atividades contar as três velhota. Surgem Ética diferentes para os já histórias da inúmeras figuras: velhota: no livro avó, detetive, alfabetizados e os ela é escritora, doceira e outras demais alunos. feiticeira e atriz. personagens. 12 - PCN 1ª a 4ª série
  • 9. Por que anum mundo onde a linguagem escrita faz parte Mudar de gênero, finalizardo cotidiano, o aluno se sente desafiado a es- histórias, reescrever textos... maioria dascrever. Alguns truques que podem fazer a turma histórias infantis evoluir no domínio da língua escrita e superar as começa com Fazer a revisão coletiva de um texto dificuldades na criação de textos: “Era uma vez”? produzido por um aluno que a classe 1 - Propor aos alu- nos que reescrevam ouDica não conheça costuma ser mais É muito difícil saber produtivo. Ao examinar o texto na se inspirem em um lousa, ou nas cópias que recebem, as onde começou esse texto que eles já leram crianças enxergam erros que não para produzir uma re- costume. Típica de vêem na própria produção. dação; lendas, mitos e narrativas antigas, ? 2 - Fazê-los trans-Fazer rascunho, revisar formar um gênero em a expressão “Erae escrever de novo... outro. Por exemplo, uma vez” perde-se A maioria dos escritores de primeira via- escrever um conto de na memória. Ogem se dá por satisfeita com a primeira e úni- mistério a partir de desconhecimentoca versão do texto produzido. Muitas escolas uma notícia policial; da origem daincentivam tal procedimento. No entanto, essa 3 - Sugerir a produção de textos a partir de expressão combinapostura em nada contribui para o entendimen- outros conhecidos: um bilhete que o persona- com seu sentidoto de que a produção da língua escrita é um gem de um conto teria escrito a outro, por vago. “Era umaprocesso que pode ser permanentemente de- exemplo; vez” imprime àssenvolvido e melhorado. 4 - Dar as primeiras O trabalho com rascunhos é, portanto, im- frases de uma história narrativas umaprescindível. A revisão deve ser ensinada de para a classe desenvolver indeterminação nomaneira a permitir a quem escreve, coordenar ou o final de uma história tempo e, quaseos papéis de produtor, leitor e avaliador do para que os alunos criem sempre, no espaço.próprio texto. O professor pode ajudar propon- seu início; Por essa razão,do uma maneira organizada de executar essa 5 - Planejar coleti- aparece comtarefa. Pode haver um momento para escrever, vamente o enredo de uma história, para que os freqüência naoutro para ler o que está no papel, e outro ain- alunos discorram sobre ela, individualmente literatura infantil,da para fazer ajustes, passar a limpo etc. ou em grupos. especialmente nos contos de fadas, que influenciam a educação de crianças de 5 a 10 anos. Há muitas alternativas para a expressão “Era uma vez”, que as crianças vão5 - Características 7 - Deixando o da personagem livro de lado, os descobrir à medida imaginada pelas alunos criam que você contar crianças são uma história a elas outras anotadas em mais complexa.cartolinas. Assim, As idéias histórias. Alguns elas conhecem vão sendo exemplos clássicos: as idéias umas escritas no das outras. quadro-negro. “Havia uma vez um rei”, “No tempo em 6 - Cada um 8 - Todos os escreve mais textos, corrigidos que os bichos uma versão e passados a falavam”, “Há sobre a velhota. limpo, são A professora reunidos em um muitos anos”, corrige os volume. No final, “Antigamente”, trabalhos. Todos cada aluno tem passam os um novo livro “Faz muito tempo”, textos a limpo. sobre a velhota. “Num certo lugar”. PCN 1ª a 4ª série - 13
  • 10. Muitos criticam Ferramentas para Ortografia precisa Portuguesa Língua hoje o uso das listas de palavras e um bom texto nas de compreensão e ditados como treinos oficinas de criação de decorebaPluralidade Cultural ortográficos. Escritores competentes precisam dispor de Tradicionalmente, ensina-se ortografia – a Como trabalhar a um repertório amplo de modelos para criar seus maneira correta de grafar as palavras – apre- ortografia? textos. Ninguém é capaz de fazer surgir uma boa sentando e repetindo as regras ortográficas produção literária do nada. É preciso ter boas re- para a classe. Tudo se dá meio na base da de- Geografia ferências. Para escrever bem é preciso ler bem. coreba. Depois da explanação, se o aluno de- O que se critica é a A proposta das oficinas ou ateliês de criação sobedece a tais regras em uma redação, por ? prática de ensinar de textos é fornecer às crianças material de con- exemplo, o professor corrige o erro, e pode ortografia ou sulta apropriado para a produção de textos. As até sugerir que o estudante copie várias vezes trabalhar os erros possibilidades são quase infinitas, desde o ma- a versão correta das palavras escritas de ma-Ambiente ortográficos usando Meio terial mais previsível, como dicionários, enci- neira errada. Muitos alunos decoram tais re- somente os treinos clopédias, atlas, jornais e revistas, até um banco gras, mas na hora da redação continuam es- e exercícios de de personagens criados pelos próprios alunos, crevendo errado. memorização. As que podem ser usados para reforçar as redações Muitas normas ortográficas têm de ser mes-NaturaisCiências correções de texto e produzidas nas oficinas. mo decoradas. Mas isso não quer dizer que ditados continuam O professor pode avaliar junto com os alunos aprender a escrever certo seja um processo pas- necessários, mas as os caminhos percorridos por eles para criar suas sivo. No capítulo dedicado à ortografia, os Pa- redações. É um dos momentos mais ricos nas ofi- râmetros Curriculares Nacionais propõem que crianças devem cinas, pois nesse instante são discutidas as prefe- a intervenção do professor se dê em dois ní-Educação realizar outras Física rências, as dificuldades e as alternativas de que os veis: no “produtivo” e no “reprodutivo”. atividades, jovens escritores lançaram mão (com sucesso ou Produtivo é o conhecimento explícito das re- principalmente as não) para chegar ao enredo final. O professor de- gras ortográficas. Tal conhecimento permite aos que as façam ve participar sempre dessa avaliação da estraté- alunos grafar corretamente mesmo as palavras entender a real gia de criação. Com o tempo, essa habilidade se- que eles nunca haviam escrito anteriormente. Saúde função das regras rá assimilada pela classe. E aí, pode apostar, os Um exemplo: nenhuma palavra da Língua Por- ortográficas ou alunos produzirão textos cada vez melhores. tuguesa começa com as letras “rr”. A regra pode gramaticais. Apesar das muitasOrientação Sexual exceções, nossa Vamos consultar língua possui regularidades. A um bichionário? norma que História determina o uso da letra “m” antes de Criado pelo escritor Nilson “b” e “p” é um Machado, o Bichionário Iolanda construiu o Meu Livro de Bichos exemplo. Você pode Matemática é uma coleção de com rimas. Marcos, ensinar isso como minipoesias com autor do Meu Livro regra acabada. nomes de animais de de Objetos, encontrou Comidas e gulodices objetos para todas Mas será mais A a Z e foi a inspiração foi o tema escolhido letras. O texto para uma atividade corrigido foi passado a produtivo e a por Soraya em seu feita na Escola de Comidionário. limpo. No fim, todos os memorização mais Aplicação, de São Os alunos que não alunos fizeram a capa Arte fácil se a criança Paulo. As professoras O pequeno Fábio criou escreviam sozinhos e escolheram o título o Nominário, que receberam ajuda. As primeiro observar propuseram às registra nomes professoras corrigiam essa regularidade e, crianças recém- próprios de A a Z. os textos enfatizando alfabetizadas que Cada aluno escolheu a ortografia, a clareza, só então, souber seu tema e partiu o uso de maiúsculas preparassem os Ética que existe uma próprios minidicionários para a pesquisa. e a redundância. regra para a As crianças fizeram A pesquisa em temáticos. Acompanhe as ilustrações e dicionários foi questão. a experiência. diagramaram os livros bastante encorajado 14 - PCN 1ª a 4ª série
  • 11. Como utilizarparecer banal, mas é comum vermos alunos dasprimeiras séries escreverem palavras como “rra- A difícil arte dicionários comto” ou “rroupa”. Já o eixo reprodutivo é aquele em que o alu- de pontuar turmas da pré- escola à 4a série?no memoriza a forma correta de grafar palavras corretamenteque não têm regras específicas que expliquem a Os dicionáriosforma de escrevê-las. É freqüente a confusão entre o ensino da ampliam o pontuação e o ensino dos sinais de pontuação.Distinguindo palavras de Em geral, o que se faz é uma apresentação do ti- vocabulário euso mais e menos freqüente po “serve para”, “é usado para” e ponto final. melhoram a Tal distinção é fundamental para o trabalho Espera-se que a partir daí o aluno seja capaz de interpretação dado professor. Quando as palavras fazem parte incorporar a pontuação a seus textos... leitura. Mas, para ?do vocabulário médio dos alunos, é mais pro- No entanto, a única regra obrigatória da as crianças, essadutivo que eles apresentem suas hipóteses de pontuação é a que diz onde não se pode pon- experiência podecomo devem ser escritas. tuar: entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e ser um tanto Com base nessas suposições, eles poderão seu complemento. Tudo o mais são possibili- complicada.refletir sobre as possíveis alternativas de grafia dades. Ao contrário da ortografia, na pontua- A principale, comparando-as com a escrita convencional, ção a fronteira entre o certo e o errado nem dificuldade é queterão progressivamente condições de tomar sempre é bem definida. Aprender a pontuar é a maioria dasconsciência do funcionamento da ortografia. É agrupar as palavras do texto de forma a dar rit- palavras temum momento em que o “erro” deve ser encara- mo e ênfase à redação.do pelo professor como fundamental para a Isso é algo que as crianças só aprenderão vários sentidosconstrução das hipóteses ortográficas desen- com a ajuda do professor. A pontuação deve ser e é o leitor quemvolvidas pelos alunos. analisada do ponto de vista do sentido que o deve verificar qual Por outro lado, entender que a ortografia de autor pretende dar ao texto. Cabe ao professor deles cabe melhoralgumas palavras não é definida por regras faz levantar com os alunos o porquê de terem usa- no texto. Uma boacom que os estudantes vejam, de maneira práti- do determinados sinais de pontuação. Gêneros maneira deca, a importância de consultar fontes autoriza- literários diferentes têm características de pon- preparar o alunodas de registro ortográfico da língua portuguesa, tuação distintas. Jornais abusam de apostos pa- para essa consultacomo os dicionários ou manuais de redação, e ra condensar o texto. Por exemplo: “Luís, mar- é incentivá-lo areconheçam a importância da memorização. ceneiro, foi preso ontem”. descobrir, por conta própria, o significado daUma receita pernambucana de pontuação palavraA professora Cinara exclamar ou perguntar. Por isso ela propõe 3 - “A pontuação, para desconhecida. AsSantana da Silva, da que serve?”, indaga. “AEscola Matias de algumas atividades vírgula é para respirar”, próprias crianças,Albuquerque, de Recife, interessantes a seus responde a turma. “Não é do jardim-de-Pernambuco, sabe que a a alunos de 3 série. bem assim”, diz. Cinara infância em diante, mostra, sem dar nomes,pontuação dá sentido ao Acompanhe: as funções podem organizartexto, não serve sintáticas da vírgula. um dicionário,somente para respirar, escrevendo cada 4 - Os alunos criam 1 - A professora faz diálogos ambientados em palavra numa uma avaliação de um locais que freqüentam, folha de papel, texto conhecido. Nele como um parque. O devem ser necessários parágrafo e o travessão ilustrando-a e vários tipos de mostram a diferença acrescentando pontuação, como entre o narrador e o vírgula, travessão etc. personagem. uma frase ou um pequeno texto em 2 - Detectadas as 5 - Propor piadas e que apareça o dificuldades, ela adivinhações garante termo em questão. divide a turma em aulas divertidas duplas e pede que elas sobre o uso das Depois, é só reunir marquem, em um novo reticências, que as folhas em texto, os sinais de marcam a interrupção pontuação, discutindo na fala ou na idéia ordem alfabética e os “porquês”. exposta no texto. fazer uma capa. PCN 1ª a 4ª série - 15
  • 12. Que atividades O que é preciso de uma conversa em classe ou por escrito. O Portuguesa podem ser Língua que se espera é que entenda a trama desenvol- desenvolvidas no saber de gramática vida no texto – na história de Chapeuzinho laboratório de Vermelho, por exemplo, o aluno poderá fazer Português? Saber o que é substantivo, adjetivo, verbo, um resumo do que ouviu para ser lido por ou-Pluralidade artigo, preposição, sujeito ou predicado não tra pessoa. Cultural garante a ninguém a aptidão para produzir s Quando escrevem seus textos, as crianças Alguns exercícios bons textos. Claro, é necessário conhecer as devem usar a escrita alfabética, preocupar-se do laboratório são funções sintáticas e morfológicas das palavras, em segmentar o texto simples, outros dão mas tal ensino deve ser feito a partir da produ- em palavras e frases Geografia mais trabalho. ção de texto dos alunos. O importante é que o e obedecer às con- Movimente aos ? estudo gramatical se dê com o objetivo de me- venções ortográficas. poucos os alunos, lhorar a produção escrita dos alunos e dentro Mesmo não sabendo os professores e a da capacidade deles. utilizá-las adequada- direção de sua Um exemplo: nas séries iniciais é necessá- mente, espera-se queAmbiente Meio escola para montar rio saber o que é “proparoxítona”, na medida o aluno se preocupe um acervo de em que os alunos, junto com o professor, de- com a ortografia. livros, revistas, vem analisar e estabelecer regularidades na dicionários, fitas acentuação de palavras. Eles chegam à regra de No segundo cicloNaturaisCiências que serão sempre acentuadas as palavras em s Os alunos já devem ser capazes de resumir cassete (com que a sílaba tônica for a antepenúltima. Em to- as idéias centrais de um texto que foi lido, ou di- música popular das as situações em que o aluno estiver traba- to, em voz alta. brasileira) jornais lhando com textos, ele está necessariamente s Predende-se que o estudante faça, oral- e outros materiais. aprendendo gramática. mente ou por escrito, o resumo de textos preser-Educação Veja algumas Física vando suas idéias centrais. sugestões de s Nesse ciclo a criança deve estar apta a atividades. Dobre uma folha de papel em três realizar a leitura de um texto com o objetivo de colunas verticais. Na primeira, a turma Hora do conto: o escreve nomes. Na segunda, ações. encontrar elementos determinados, como o sig- Dica professor narra Na terceira, lugares. Abra o papel e nificado de uma palavra em um dicionário ou o Saúde para os alunos faça frases com os três elementos. horário de um filme no jornal (inferências). histórias infanto- É uma forma divertida de ensinar o s Mesmo com algumas falhas, os alunos de- juvenis, folclóricas, conceito de sujeito, verbo e vem ser capazes de escrever textos com pontua- adjunto adverbial. ção ou ortografia convencional, utilizando os re-Orientação fábulas, contos de Sexual cursos do sistema de pontuação. fadas ou outros. Roda de leitura: Como avaliar o s Espera-se que o aluno esteja habilitado a conhecer as regularidades ortográficas e saiba um aluno lê em voz alta uma crônica, aproveitamento usar o dicionário para sanar dúvidas quanto às palavras de grafia irregular. História um conto ou o capítulo de um escolar s O estudante deve ser capaz de produzir textos respeitando as características próprias de romance, depois É possível determinar alguns critérios de cada gênero e as comenta e discute o avaliação para o primeiro e segundo ciclos no características Matemática texto com os estudo da Língua Portuguesa. gráfico-espaciais colegas que o (o mesmo que pa- ouviram. No primeiro ciclo ginação), usando s O aluno deve ser capaz de narrar histórias a pontuação e pa- Encontro com a sem perder o encadeamento e a seqüência cro- lavras de ligação poesia: leitura de nológica. O esperado é que ele narre uma histó- para a coesão do Arte poemas. ria conhecida, ou um fato que viveu, respeitan- texto. Círculo de leitores: do a ordem temporal e obedecendo a uma orde- s Ele deve es- empréstimo e troca nação lógica que torne o enredo compreensível. crever textos auto- de livros. s O estudante deverá compreender, ainda, explicativos, que serão lidos por quem não co- Ética Feira de livros: o sentido global dos textos lidos em voz alta nhece o tema. Ao narrar uma festa à qual o lei- com livros novos por ele ou por outra pessoa. Deve mostrar que tor não foi, o escritor descreverá os personagens e usados. compreendeu o sentido desse texto por meio e o ambiente em que a história se passa. 16 - PCN 1ª a 4ª série