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Eja caderno3 observacao e registro
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  • 1. Presidente da RepúblicaLuiz Inácio Lula da SilvaMinistro da EducaçãoFernando HaddadSecretário-ExecutivoJosé Henrique PaimSecretário da Educação Continuada,Alfabetização e DiversidadeRicardo Henriques
  • 2. TRABALHANDOCOM A EDUCAÇÃODE JOVENSE ADULTOSOBSERVAÇÃOE REGISTRO
  • 3. Diretor do Departamentode Educação de Jovens e AdultosTimothy Denis IrelandCoordenadora-Geralde Educação de Jovens e AdultosCláudia Veloso Torres GuimarãesEquipe de elaboraçãoRedação:Elisabete CostaVera BarretoCoordenação:Vera BarretoRevisão:Maria Luisa SimõesGlória Maria Motta LaraDesign gráfico, ilustração e capaAmilton SantanaFotos da capa:Moisés MoraesAgradecimentos:Cezar SenaCláudia MendesFátima SilvaMárcia Aparecida OrtegaMárcia CarvalhoMaria Aparecida T. LimaMaria Célia RochaMaria Suemi SalvadorRosangela P. VanucciSílvia WossWilson Mesquita de AlmeidaBrasília - 2006
  • 4. 1ApresentaçãoO Ministério da Educação, para enfrentar os processos excludentes que marcam os sistemas deeducação no país, cria, em 2004, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade(SECAD). Respeitar e valorizar a diversidade da população, garantindo políticas públicas comoinstrumentos de cidadania e de contribuição para a redução das desigualdades são os objetivos destanova Secretaria.A SECAD, por meio do Departamento de Educação de Jovens e Adultos, busca contribuir para atenuar adívida histórica que o Brasil tem para com todos os cidadãos de 15 anos ou mais que não concluíram aeducação básica. Para tanto, é fundamental que os professores e professoras dos sistemas públicos deensino saibam trabalhar com esses alunos, utilizando metodologias e práticas pedagógicas capazes derespeitar e valorizar suas especificidades. Esse olhar voltado para o aluno como o sujeito de sua própriaaprendizagem, que traz para a escola um conhecimento vasto e diferenciado, contribui, efetivamente,para sua permanência na escola e uma aprendizagem com qualidade.Apesar de a educação de jovens e adultos ser uma atividade especializada e com característicaspróprias, são raros os cursos de formação de professores e as universidades que oferecem formaçãoespecífica aos que queiram trabalhar ou já trabalham nesta modalidade de ensino. Igualmente, não sãomuitos os subsídios escritos destinados a responder às necessidades pedagógicas dos educadores queatuam nas salas de aula da educação de jovens e adultos. Procurando apoiar esses educadores, aSECAD apresenta a coleção Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos, composta de cincocadernos temáticos. O material trata de situações concretas, familiares aos professores e professoras, epermite a visualização de modelos que podem ser comparados com suas práticas, a partir das quais sãoampliadas as questões teóricas.O primeiro caderno, ALUNAS E ALUNOS DA EJA, traz informações, estratégias e procedimentos queajudam os educadores a conhecerem quem são os seus alunos e alunas. Questões que abordam o perfildo público da educação de jovens e adultos, tais como: porque procuram os cursos, o que querem saber,o que já sabem e o que não sabem, suas relações com o mundo do trabalho e na sociedade onde vivem.Em A SALA DE AULA COMO UM GRUPO DE VIVÊNCIA E APRENDIZAGEM, segundo caderno destacoleção, são apresentadas algumas estratégias capazes de gerar, desenvolver e manter a sala de aulacomo um grupo de aprendizagem onde cresçam os vínculos entre educador/educando e educandos entresi.Nos dois cadernos seguintes são abordados quatro instrumentos importantes para a prática pedagógicados professores e professoras: OBSERVAÇÃO E REGISTRO, AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO. Sãodesenvolvidas, entre o conjunto de questões pertinentes aos temas, suas funções e utilidades nocotidiano do educador.O último caderno, O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS E PROFESSORES, apresentaorientações e discussões relativas à teoria do conhecimento: como os alunos aprendem e como osprofessores aprendem ensinando.Boa leitura!Ricardo HenriquesSecretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
  • 5. 2ÍndiceParte 1A observação e o registroIntrodução 3Observação 4O que o(a) professor(a) observa? 8A observação como instrumento de formação do(a) professor(a) 9Como observar 10Ajuda na observação 11Parte 2O registroRegistrar é uma marca da humanidade 12O registro da prática do(a) professor(a) 14As diferentes formas de registrar 17Os diferentes tipos de registro 17Os(as) professores(as) registram projetos 18... uma atividade de aula 28... o desenvolvimento de um tema 30... suas reflexões sobre seu fazer pedagógico 33... as produções dos alunos 35... os conhecimentos construídos pelos alunos na“Escola da vida” 36... seu percurso, sua aprendizagem 37... o perfil de seus alunos 39... reflexões sobre sua prática pedagógica 40Parte 3Como registrarO difícil e prazeroso ato de registrar 44Como registrar 45Preparando o registro:Em relação ao ato de registrar 46Em relação ao tempo 47Em relação as formas de registrar 48Em relação ao tema 49Bibliografia 50
  • 6. Parte 1A OBSERVAÇÃO E O REGISTROINTRODUÇÃOA observação, o registro, a avaliação e o planejamento são ferramentasmetodológicas do(a) professor(a).Neste caderno, vamos nos ater à observação e ao registro, instrumentos pelosquais o(a) professor(a) vai dando conta da aprendizagem dos alunos e daqualidade dos relacionamentos que acontecem na sua sala de aula entrealunos, o(a) professor(a) e conhecimento.Além disso, a observação e o registro evidenciam as habilidades e atitudesque o(a) professor(a) procura privilegiar.Na prática do(a) professor(a) essas ferramentas estão intimamente ligadas ese misturam nas diferentes ações que vão sendo desenvolvidas.A separação feita aqui é artificial, tem apenas a finalidade de permitir umaanálise mais detalhada de cada um desses instrumentos.Ferramentas metodológicas do(a) professor(a)3
  • 7. 4Nas ilusões que vimos, a dificuldade parece estar apenas nos nossos olhos.Mas nem sempre é assim. Às vezes, nos deixamos influenciar pelasexpectativas que temos em relação ao que vai ser visto.A observação não é um fato facilmente realizável. É também uma das formasmais tradicionais para se chegar ao conhecimento.Nela não entram apenas as imagens do que nossos olhos conseguem ver, háuma outra parte, muito importante, constituída pelo nosso cérebro e quedepende da nossa cultura, conhecimento, expectativas etc.Observar é uma coisa, ver ou enxergar é outra bem diferente. Quem vê teveque aprender a ver, a interpretar o que estava sendo observado.Quantos de nós seriam capazes de enxergar os problemas diagnosticados porum médico, a partir de uma radiografia? Quantos “veriam” pequenos deslizesde um músico na execução de uma sinfonia?Esses são exemplos de como o entendimento ou a verificação percebidapelos sentidos de um observador depende de conhecimentos que orientam osfatos observados.O que vocêvê nestaimagem?Umapessoa? Ouumaassinatura?Qual das figuras é maior?A amarela? A azul?A OBSERVAÇÃO
  • 8. AS DIFERENTES FORMAS DE VERA mesma figura do desenho acima pode gerar conclusões bem diferentes.Vejamos:Professor A— “É uma sala onde se conversamuito e se aprende pouco.Sentados em grupos, em tornode uma mesa, os alunos sedistraem com facilidade, issonão é uma coisa boa.”— “A professora não aparececomo clareza. Tenho a impres-são que ela não tem muitaautoridade.”— E outras coisas mais...Professor B— “Esta é uma sala onde os alunosaprendem bem porque podemtrocaridéiasobreoquepensameoquesabem.”— ”A situação de grupo ajuda naaprendizagem.”— ”A professora atende os alunosnassuasquestõesespecíficas.”— Eoutrascoisasmais...Dois aspectos precisam ser considerados a partir do que já foi colocado :1- observa melhor quem conhece mais porque pode ver mais.Da mesma forma podemos encontrar diferentes visões em relação aobservação de um mesmo objeto, como uma sala de aula e as diferentespráticas desenvolvidas nela.5
  • 9. 6Um exemplo: para os professores que conhecem o processo daalfabetização, uma escrita aparentemente cheia de erros dá pistas paracompreender como esse aluno pensa a escrita. Assim, o(a) professor(a)pode escolher que tipo de intervenção deve realizar para que o alunopossa avançar no seu conhecimento.2 - Para observar é necessário ter perguntas e duvidar de suas respostas,que deverão ser comprovadas ou negadas pela observação. Em outraspalavras, o(a) professor(a) precisa saber o que vai observar para poderdirecionar o seu olhar para o que deve ser visto. Só assim, a observaçãose constitui como sua ferramenta de trabalho.Quanto maior for a clareza do(a) professor(a) sobre o que quer saber, maisfacilidade encontrará na sua observação.Depois de escolher o que quer saber, o(a) professor(a) é guiado pelo queacontece na realidade: alunos, organização escolar, conteúdos desenvolvidose relações que estão presentes em todo o seu trabalho.Geralmente, ele(a) escolhe como foco da sua observação questões que apreocupam. Assim, quando percebe dificuldades na constituição da classecomo um grupo é este o aspecto observado.Quando percebe dificuldades na aprendizagem dos conteúdos que ele(a)ensina, volta sua observação para essa questão. Por exemplo, se asdificuldades se ligam à matemática, ele(a) leva sua observação para a formacomo pensam os alunos em relação a lidar com quantidades: comprar, pagar,fazer orçamentos etc.Nem sempre nossa capacidade de observar está suficientemente desen-volvida. Veja o que diz a professora Madalena Freire:OBSERVAR - AÇÃO QUE PRECISA SER APRENDIDA“Não fomos educados para olhar pensando o mundo, a realidade,nós mesmos. Nosso olhar cristalizado nos estereótipos produziuem nós paralisia, fatalismo, cegueira.
  • 10. 7Para romper esse modelo, a observação é a ferramenta básicaneste aprendizado da construção do olhar sensível e pensante.Olhar que envolve atenção e presença. Atenção que envolvesintonia consigo mesmo e com o grupo. Concentração do olhar queinclui escuta de silêncios e ruídos na comunicação.O ver e o escutar fazem parte do processo da construção desseolhar. Em geral, não ouvimos o que o outro fala; mas sim o quegostaríamos de ouvir.O mesmo acontece em relação ao nosso olhar estereotipado,querendo ver só o que nos agrada, o que sabemos, tambémreproduzindo um olhar de monólogo.Ver e ouvir demandam implicação, entrega ao outro.A ação de olhar e escutar é um sair de si para ver o outro e arealidade segundo seus próprios pontos de vista, segundo suahistória.Neste sentido a ação de olhar é um ato de estudar a si próprio,a realidade, o grupo à luz da teoria que nos inspira.Este aprendizado de olhar estudioso, curioso, questionadorenvolve ações do pensar: o classificar, o selecionar, o ordenar,o comparar, o resumir, para assim poder interpretar ossignificados lidos. Neste sentido o olhar e a escuta envolvemuma ação altamente movimentada, reflexiva, estudiosa.”O OLHO e o OLHAR estão presentes na língua portuguesa. São muitos osprovérbios e expressões onde estas duas palavras aparecem.Olhe lá! Mau olhado. Amor à primeira vista. Olho gordo. Olho comprido. Olhoclínico. Olho morto. Olho vivo. Olho grande. Não pregar o olho. Saltar aosolhos... Nossos pontos de vista... De encher os olhos... Estar de olho...Fique de olho! Certamente descobrirá outras expressões.
  • 11. 8O OLHAR e o ESCUTAR, na observaçãoO olhar e o escutar que fazem parte da observação tem funções bem definidas.Servempara:¡ conhecer cada vez mais quem são os alunos e a relação deles com arealidade da qual fazem parte.¡ conhecer para avaliar e planejar as ações educativas que irão acontecer.De uma maneira bem objetiva, o(a) professor(a) observa tudo que consideraimportante para iluminar a sua prática, tudo que chama sua atenção, que fazpensar e querer saber mais.Uma pergunta feita a um grupo de professores da EJA sobre o que costumam“ver” nos seus alunos, teve variadas respostas.As mais freqüentes foram:A observação que está sendo alvo da nossa atenção vai além desse verespontâneo: quer saber mais para interferir melhor.O QUE O(A) PROFESSOR(A) OBSERVA?No fundo, todo(a) professor(a) observa seus alunos de alguma forma.Entretanto, na maioria das vezes, são observações espontâneas que quasenada mudam na prática que fazem.— ser muito quieto— ser bom aluno— não querer se esforçar— ter boa aparência— ser muito educado— o interesse— o desinteresse— o hábito de fazer muitas perguntas— o hábito de nunca perguntar— o fato de ser barulhento
  • 12. 9Como ferramenta básica do seu fazer, a observação está presente nasdiferentes atividades de um(a) professor(a):— na busca de compreender cada vez melhor seus alunos.Neste sentido a observação busca saber como trabalham na sala de aula,quais seus interesses, suas dificuldades e facilidades, sua forma derelacionar com os colegas, com o(a) professor(a) e suas característicaspessoais: timidez, tranqüilidade, agitação, concentração, habilidades, suaforma de pensar.— na avaliação do que sabem os alunos.A observação contribui para a análise das hipóteses que quer provar, noque parece incompreensível, no que é só intuição.— no acompanhamento do planejamento.Ao acompanhar o desenvolvimento das ações planejadas, o(a) professor(a)avalia sua própria ação, notando os aspectos onde planejou de acordo coma realidade de sua classe e nos momentos onde se afastou dela.— no registro do(a) professor(a).A observação cumpre um papel relevante ao contribuir para a percepção darealidade - objeto do registro do(a) professor(a). Ela faz notar o que nãoaparece com evidência e que exige saber ver, ouvir e interpretar.É possível concluir que a observação é elemento importante nos atos deregistrar, avaliar e planejar, instrumentos metodológicos de todo(a)professor(a).Como instrumento de formação do(a) professor(a), a capacidade deobservação ocupa um lugar-chave na possibilidade de aperfeiçoamento daprática pedagógica. É sua principal fonte de informação.É através de um diagnóstico constante das atuações de seus alunos, a partirdas informações que tem, do que infere ou interpreta, que o(a) professor(a)pode alcançar uma melhoria em sua prática educativa.Embora saber observar seja uma necessidade verdadeira, ela não é tudo.A OBSERVAÇÃO - COMO INSTRUMENTO DE FORMAÇÃODO(A) PROFESSOR(A)
  • 13. 10Além de observar é importante:— saber o que fazer com o que se observa,— ampliar os conhecimentos em relação ao que é observado,— saber mudar os aspectos negativos de tal forma que não impeçam oavanço dos alunos.Para isso, é preciso saber o que falta ao(à) aluno(a) e qual é a melhor formade intervir adequadamente.COMO OBSERVARSó é possível aprender a observar, observando. Não há outro caminho. Omesmo acontece com todas as outras práticas.Mas além do exercício de observar, o(a) professor(a) aprende quando comentasuas observações com outros professores. O mesmo acontece quando, na suaescola, existe um coordenador com o qual pode dialogar em torno da suaforma de observar.No olhar de um(a) professor(a) se destacam três pontos de observação:— o da sua atuação como guia dos alunos na busca do conhecimento.Questões relativas ao que o(a) aluno(a) percebeu que aprendeu; o que lhefoi mais significativo; em que aspecto quer aprofundar o estudo, como foisua participação no grupo.— o da dinâmica onde ele(ela) percebe as relações estabelecidas entre oselementos do grupo e entre o grupo e o seu objeto de estudo.Entre esses elementos destacam-se a tensão em torno do erro, o prazer deconhecer e de ajudar o outro.— o do aprendizado individual e/ou coletivo, onde seu olhar vai procurar o quefoi mais significativo aprender para os alunos e para ele(ela).Nesse ponto, pode ser objeto de observação do(a) educador(a) a formacomo trabalhou, como respeitou os diferentes ritmos dos alunos e comosocializou suas descobertas com os outros professores e professoras.
  • 14. 11Observar os três pontos ao mesmo tempo cria uma complexidade queacaba interferindo no próprio ato de observar, principalmente, quando seestá no começo dessa prática. Assim, é preferível escolher um dosaspectos para observar.Para um bom exercício de observar, vale a pena:¡ ter um caderno com algumas páginas dedicadas a cada um dos alunos.Nele serão anotados os fatos significativos que caracterizam a forma deaprender, de conviver de cada um, com as datas das observações.¡ dar atenção às perguntas feitas pelos alunos. Elas sempre tem um sentidopara quem pergunta.¡ em algumas situações onde o fazer pode dizer mais que o falar ouescrever, é interessante se valer de outras linguagens para apresentarquestões significativas para o grupo. O desenho, as dramatizações, ospainéis são bons exemplos destas linguagens.O REGISTROUma das formas que temos para ir sempre aprendendo mais e melhor épensar. Mas, o pensar que ajuda a aprender não é um pensar qualquer, soltosem uma direção e sem compromisso. É um pensar organizado, um pensarque pergunta e vai atrás das respostas.Dizia o grande educador brasileiro, Paulo Freire, que a gente pensa melhorquando pensa a partir do que faz, da prática.Mas, pensar sobre a prática sem registrá-la tem muitas limitações. Opensamento acaba se tornando mais uma lembrança, e por ficar só na oralidade,perde a possibilidade de ser repensado e revisto. O registro escritoAJUDA NA OBSERVAÇÃOParte 2
  • 15. mostra o pensamento de seu autor. O próprio ato de escrever já leva o(a)professor(a) a um certo distanciamento do seu fazer, dando-lhe um olhar maisamplo e facilitando a escrita do seu pensamento.Além disso, como toda escrita, o texto pode ser revisto, ter algumas das suasidéias aprofundadas e outras corrigidas.Tudo isso faz com que o(a) professor(a) ao registrar suas reflexões vá setornando autor(a) do que pensa e, em conseqüência, autor(a) do seu jeito defazer.Quando isso não ocorre, ele(a) está destinado(a) a ser um(a) copista da teoriados outros. E, pior: se a teoria dos outros não for refletida, os copistas nãoalcançarão os sucessos obtidos pelos seus autores.É importante dizer que as teorias dos outros são de grande validade para o(a)professor(a) quando estabelece um diálogo entre seu pensamento e o dosoutros teóricos. Diálogo que, certamente, será muito produtivo no avanço dopensar do(a) professor(a) e, conseqüentemente, no seu jeito de atuar.É próprio dos seres humanos registrarem o que vivem, o que pensam e arealidade onde se encontram.Escritos ou não todos osregistros falam dasexperiências humanas epor meio deles é possívelreconstruir a própriahistória da humanidade.REGISTRAR É UMA MARCA DA HUMANIDADE12Pintura, Aldemir Martins, 1922 / 2006Carranca esculpidae pintada em madeira
  • 16. 13Os registros expressam como seus autores observam, sentem e pensam suaparticipação no mundo. Quando temos contato com esses registros, nossomodo de olhar e de sentir “conversa” com o do autor e com os dos outrosleitores compondo uma memória que deixa de ser só de quem fez o registropara se tornar coletiva.O registro escrito guarda partes do nosso tempo que consideramos dignas depermanecerem vivas. Afinal, é graças ao registro escrito que hoje podemosconhecer a história da humanidade.Pintura rupestre Escrita cuneiformeSânscritoP uês...ortugEnglish
  • 17. 14O REGISTRO DA PRÁTICA DO(A) PROFESSOR(A)Para o(a) professor(a) o registro da sua prática constitui importanteinstrumento de aperfeiçoamento do seu trabalho. Isso acontece porque aoregistrar, representa sua experiência através de um objeto concreto, feito depalavras, que podem ser lidas, revisadas e analisadas.Trabalhando com essa representação, ele(a) é estimulado(a) a repensar aprática ali representada. Poderá descobrir atitudes que deveriam ter sidotomadas, destacar as alternativas adequadas que foram utilizadas e todo umconjunto de procedimentos que levariam a melhores resultados.Além disso, o registro da prática do(a) professor(a) quando comunicado aoutros educadores sugere novas práticas pedagógicas.Fátima SilvaMesmo sabendo da importância do registro, poucas vezes o realizamos. Issotem seus motivos: a cultura brasileira é essencialmente oral, falamos muitomais que escrevemos e confiamos a nossa memória a capacidade das nossascabeças de armazenar o que aprendemos e vivemos.O exercício da escrita como registro das observações feitas pelos professores,além de documento que pode ser consultado, possibilita também ampliar odomínio da linguagem escrita e dinamizar o potencial de criatividade própriode cada um.As prováveis dificuldades iniciais quanto ao que e como escrever, falta deinspiração e descoberta dos momentos mais adequados para começar serão“Um dia encontrei um relato de uma professora que me interessoumuito. Ela falava dos seus alunos e de como trabalhava com eles.Me identifiquei logo com a professora porque eu também tenhovários alunos de mais de 50 anos. O jeito dela ensinar pareciamuito bom e tentei fazer alguma coisa parecida na minha classe.Deu certo. Comecei também a escrever sobre o meu trabalho. Fizum tipo de diário”.
  • 18. 15minimizadas no decorrer do processo, a medida que seja criado maiorenvolvimento com o ato de registrar.Como o desenho nos confirma, registrar nem sempre é uma tarefa fácil. Paraescrever precisamos organizar o nosso pensamento e isso exige tomada dedecisão e disciplina.Outra questão é que ninguém faz bons registros de um dia para o outro. A suaaprendizagem exige paciência, dedicação e trabalho.“Nunca havia escrito um registro sobre o meu trabalho deprofessora, até que decidi participar de um curso oferecido paraprofessores pela Secretaria da Educação. Lá éramos incentivados aregistrar o que fazíamos e observávamos em nossas salas de aula.Como chegava em casa muito tarde e cansada, deixava para a manhãseguinte a anotação das observações feitas. Assim foi até o final dasemana.Fonte: jornal - O ESTADO DE SÃO PAULO
  • 19. 16No sábado, peguei a caneta e o papel, no lugar mais calmo dacasa e tentei escrever, mas como era difícil!Faltava assunto, as idéias chegavam e iam sendo censuradas eabandonadas. Acabei escrevendo esta “coisa”, bem simples:“Esta semana fez muito frio e a freqüência dos alunos diminuiu.Isso atrapalhou muito o meu planejamento. Achei melhor nãoavançar no programa e usar o tempo para rever as dificuldadesexistentes. Olhei para todos e vi que muitos dos que tinhamdificuldades não estavam lá. Decidi corrigir as questões dematemática feitas na 4ª feira. Foi bom porque deu para seguir opensamento de cada um. Descobri que ter, na classe, 5adolescentes, 15 jovens, 11 adultos e 6 idosos era uma loucura.Como seria bom ter sempre classes menores!”A coordenadora do curso, depois de ler o meu “ensaio” de registro,me animou dizendo que eu estava iniciando um longo caminho.Fez também alguns comentários que me ajudaram:— o registro não é uma ata da aula. Escolha o que você quercomentar;— não deixe de anotar a data e o porquê da sua escolha emrelação ao que registrou;— escreva imaginando que o seu texto será lido por alguém.Portanto não é bom deixar muitas coisas subentendidas.Escreva de tal forma que possa ser compreendida por qualquerleitor;— questões como as seguintes, ajudam na reflexão e poderãoenriquecer o seu registro: o que você descobriu ou aprendeucom seus alunos, durante o período relatado?; O que você feze faria novamente? Por que?; O que você não fez, mas sentiuque deveria ter feito? Por que?O exercício de registrar foi me tornando capaz de perceber melhora minha forma de trabalhar. À medida que me compreendo, voutambém compreendendo mais meus colegas de escola.Mércia Dias
  • 20. 17AS DIFERENTES FORMAS DE REGISTRAROS DIFERENTES TIPOS DE REGISTROImaginemos que estamos iniciando um encontro de professores de jovens eadultos. Nos primeiros momentos, entre abraços e conversas informais,alguém retira de sua pasta várias fotos onde aparece seu grupo de alunos,numa apresentação de trabalhos. Outra professora mostra uma atividade quepreparou e que deu muito certo naquela semana. Noutra rodinha, podemosouvir uma conversa animada sobre o envolvimento dos alunos numa produçãode cartazes que são mostrados com muito orgulho.Estes são alguns exemplos de situações nas quais os professores estão,informalmente, socializando experiências que foram registradas de diferentesmaneiras: uma foto, uma produção de aluno, um relato oral, uma atividade quedeu certo. Ao fazer isso, eles exercitam sua comunicação e assim refletem,rememoram e partilham o seu fazer.O registro permite uma diversidade de funções e está a serviço de diferentespropósitos: comunicar, documentar, refletir, organizar, rever, aprofundar ehistoricizar. A forma e o conteúdo do registro também podem e devem variar,tanto quanto variam suas finalidades. O registro escrito torna visível estesdiferentes objetivos.Além disso, o ato de escrever nos obriga a fazer perguntas, levantar possíveisrespostas e organizar o que pensamos. Tudo isso nos leva a dar conta de quecaminhos devemos seguir, que mudanças devemos fazer, que escolhas nãoforam felizes e que decisões facilitaram as aprendizagens dos alunos. Vamostecendo a história de nosso grupo.Nos trabalhos realizados pelos professores e alunos é possível encontrardiferentes tipos de registros cada qual adequados às finalidades para as quaisforam feitos.
  • 21. 18Os professores registram projetos...O projeto, cujo registro você vai ler a seguir, nasceu porque as professorasacreditaram ser muito importante para seus alunos o resgate da suaidentidade cultural.Ao realizá-lo, as professoras estavam convictas de que esse trabalho secontrapunha à cultura de massas estabelecida pela mídia e permitia apercepção e a convivência democrática das diferentes culturas.Contando com a participação de diferentes áreas do saber, o projeto foipuxado pelas ciências naturais.Registro do projeto:“Trabalhando com a identidade dos alunos da suplência 1Para resgatar a identidade dos alunos, comecei uma conversaperguntando:- De que região vieram?- Qual a sua recordação de infância?- Como era o lugar onde viveram?- O que faziam?- Quais eram os costumes da região?- Em que consistia sua alimentação quando você morava lá?- Que tipo de doenças tinham na sua região?- Como tratavam essas doenças?- Em que lugar esses doentes eram tratados?- Por que saíram da região?Através das respostas dadas oralmente, fui fazendo uma síntesena lousa. Pude observar que os alunos ficaram bem descontraídose alguns até se emocionaram ao recordar sua infância. Conformeeles iam relatando, começaram a falar dos costumes, comidastípicas, vestimentas etc.
  • 22. 19Percebi também que os recursos de saúde na região eramprecários, por isso as doenças se alastravam. Os únicos remédiosque tinham eram produzidos artesanalmente a partir de ervasmedicinais. Combinamos, então, fazer uma exposição sobre aCultura Popular.Para haver maior integração na escola cada sala ficou com umassunto. Minha sala ficou com as plantas medicinais que curavamas doenças que apareciam na região em que moravam e que atéhoje são usadas.Num segundo momento os alunos foram entrevistar vizinhos econhecidos mais velhos sobre o assunto.Para a entrevista prepararam as questões:- No seu tempo, como eram medicadas as pessoas que ficavamdoentes?- Como era preparada essa medicação? E em que lugar?- Quais as plantas medicinais que você conhece?- Para que servem?- Você ainda usa estas medicações?Dessas respostas foi feita uma síntese na lousa e uma produçãode texto coletiva. Foi o nosso ponto de partida para organizar oconhecimento.Organização do Conhecimento:Depois desse trabalho, lemos um texto sobre medicina popular: aImportância das Plantas.Aplicação do Conhecimento:Após a discussão e o pensar sobre o texto, voltei ao estudo darealidade da classe para confrontar com as informações obtidas naorganização do conhecimento.
  • 23. A exposiçãoOrganizamos uma exposição, montando numa sala tudo o que osalunos tinham conseguido e confeccionado. Nas paredes foramcolocados os cartazes contendo lendas, simpatias, ditos populares,rezas e as ervas medicinais com folhetos explicativos de seususos.Foram montadas duas mesas grandes: uma só com as ervasmedicinais, onde alguns alunos iam dando explicações de comofazer os chás e suas utilidades e outra só com objetos artesanais.No chão tinha carrancas, vasos artesanais e vestimentas de época(chapéus, coletes de couro...).Durante a exposição houve uma apresentação de fantoches, umaluta de Capoeira e a Dança do Bumba-meu-Boi.Ao realizar esse trabalho, pude observar que houve uma integraçãodos alunos e um trabalho coletivo de professores, envolvendodiversos saberes.”Rosangela Pereira VanucciTrabalhar com projetos constitui uma alternativa bastante interessante de serdesenvolvida, principalmente em classes, onde a heterogeneidade ésignificativa. Isso porque no projeto existem distintas formas de participaçãopodendo corresponder aos diferentes níveis de conhecimento.Tudo começa com a escolha de um tema, geralmente, uma questão vividapelos alunos que requer conhecimentos e soluções.O tema é desenvolvido e os conhecimentos gerados são organizados numaprodução final, que pode ser um folheto explicativo, uma exposição, umaapresentação cultural, etc.O registro que acabamos de ler trata de uma questão de grande valor para aEJA: a valorização dos alunos através das suas marcas culturais.20
  • 24. 21Um projeto envolvendo estudo do meio...Sendo o projeto uma forma de trabalhar que oferece muitas oportunidades deconviver e aprender, vamos apresentar o registro de um outro projeto por suasinteressantes características. Uma delas está no fato de reunir no seuplanejamento e execução diferentes áreas de conhecimento: línguaportuguesa, artes e história. Outro aspecto interessante está no fato de tertrês momentos fora do espaço da escola: uma visita ao centro da cidade, outraà Pinacoteca do Estado e à praça da Luz e a terceira ao Museu do Imigrante.Outro aspecto que merece destaque foi o da sua duração: quatro meses deárduo e produtivo trabalho.Muita coisa se descobriu, muitos conhecimentos se ampliaram, tudo no meiode muitas surpresas !Uma releitura do centro da cidade”Ítalo Calvino“de uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e setemaravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntasUma cidade como São Paulo acaba por possuir diversas sub-cidadesdentro de si. O cotidiano da população se constrói no próprio bairro eimediações. Quando muito as saídas são para lugares fechados, fazendocom que a cidade se torne apenas uma imagem separada pela janela epela velocidade. Essa distância física acaba por se converter emdistância histórica e o indivíduo se torna um cidadão sem direito àcidade.Idas ao centro ocorrem apenas na rotina do trabalho: percursosapressados que não permitem espaço para a contemplação.Este projeto teve como objetivo resgatar a nossa história coletiva a partirdo lugar onde a cidade começou.Através de oficinas nas áreas de artes plásticas, literatura e história evisitas ao centro da cidade, pretendíamos reconstruir uma conexão
  • 25. 22histórica pela conexão geográfica, uma valorização e identificação com oespaço que nos cerca através do olhar atento do observador.Resgatando a citação de Ítalo Calvino, tomamos a cidade comoprodutora de perguntas e possibilidade de respostas. Nesse sentido, oprojeto, ao buscar tais respostas, propunha também ampliar a noção decidadania do indivíduo que passa de objeto para sujeito da cidade e desua história.Ao final do projeto nosso objetivo foi a montagem de uma exposição comparte dos registros: fotografias, desenhos, entrevistas e relatoscoletados, de maneira que instigasse e orientasse outros a visitar ocentro da cidade.Objetivos gerais do projeto:1. aprofundar os conhecimentos sobre a trajetória da cidade de SãoPaulo estabelecendo relações entre diferentes áreas do conhecimento;2. exercitar a manutenção de um olhar atento e curioso dentro da rotinacotidiana;3. visitar o centro antigo e registrar através de anotações, fotografias,entrevistas e desenhos o que foi visto;4. inserir os participantes no circuito cultural oferecido na cidade(Museus gratuitos, apresentações nos mosteiros, teatro de rua, praças,etc);5. apresentar temas paralelos que podem ser desenvolvidos em sala deaula.Encontros preparatórios:1º encontro (teórico):Artes e Literatura: expedições ao Brasil e relatos fictícios - o limiteentre o real e o imaginário.Conteúdo: Artes: artistas viajantes do séc XIX e XX. Expedição Eckhoute os tipos brasileiros, Debret e o cotidiano dos escravos de ganho,pintura de paisagens como percursora do cartão postal, SebastiãoSalgado e outros fotógrafos contemporâneos.
  • 26. 23Literatura: relatos de artistas viajantes na literatura universal.Espaços imaginários e reais em descrições de diferentes autores: PeroVaz de Caminha, Ítalo Calvino, Guimarães Rosa, entre outros.2º encontro: (teórico)História e Literatura: conhecer o que vamos ver e como registrar - ahistória de São Paulo e técnicas de registro.Conteúdo: História: a história do centro de São Paulo e suasmodificações, a origem da cidade e o contexto histórico de suastransformações.Literatura: metodologia para um registro ou entrevista.Como e o que merece ser anotado nas visitas, como preparar e realizaruma entrevista.3º encontro:Visita ao centro antigo: Pátio do Colégio São Paulo, Praça e Catedralda Sé, Centro Cultural, edifício Martinelli, Anhangabaú e TeatroMunicipal.4º encontro:História e Artes: preservação do patrimônio histórico e a trajetóriada arte brasileira na Pinacoteca do Estado.Conteúdo: História: preservação e degradação dos patrimônioshistóricos, as relações entre preservação e a construção da memória.Artes: O acervo da Pinacoteca do Estado e o parque das esculturas daLuz. A transição entre a arte acadêmica e arte moderna na pinturabrasileira; o Movimento Modernista e sua relação com a São Paulo de1922; Arte contemporânea.5º encontro:Visita ao centro: Estação Julio Prestes, Pinacoteca do Estado, Parque daLuz e Estação da Luz.
  • 27. 24 36º encontro:Montagem da exposição, reprodução de desenhos e fotografias em telase seleção e organização do material para a exposição final.Público alvo: alunos do Iº segmento da EJA.Registro fotográfico de algumas atividades desenvolvidas.Visita a pinacotecaO grupo participante do projeto em visita a PinacotecaVisita a pinacoteca. Aluna faz registro escrito emfrente a escultura observada
  • 28. 25Estátua viva se preparando, artista da praça,Um espanto para os alunos.Aluno registra através de desenho, noalto do Ed. MartinelliVisita ao Valedo AnhangabaúVisita aoParque da Luz
  • 29. 26Pátio do Colégio São PauloO grupo escuta comentáriossobre a Catedral da SéAlgumas das produções escritas pelos alunosSensaçõesNo Pátio do ColégioEntrevistasNa Praça da SéAntônio, o ciclista.Tônio, como é conhecido, é filho de cearenses e nos finais de semanafaz passeio pelo Centro. Faz paradas e fica observando as coisas.Ana, a moça da farmácia.Ana trabalha numa farmácia na praça da Sé. Disse que gosta detrabalhar no centro da cidade porque é sempre muito animado.“É impressionante chegar ao Pátio do Colégio, ondetudo começou e encontrar pessoas de várias idades,grupos de escolares, universitários, pessoas humildes,outras muito estudadas, conhecedoras de cada parteda história da cidade, deixando-nos curiosos parasaber o que nem imaginamos, como encontrar umgrupo de holandeses descobrindo a cidade.É lindo encontrar guias de turismo usando o teatropara explicar a chegada dos jesuítas e conversar comum ator que responde como se fosse o próprio Pe.Anchieta.- Você é paulistano? Não, nasci nas ilhas Canárias.- Qual seu nome? Pe. Anchieta...ah, meu nome éIvaldo e quem nasceu nas ilhas Canárias não fui eu,foi o Anchieta. Foi engraçado. Mais que isso, foicomovente ver a total entrega do Ivaldo ao seu papel.”Regina Viana
  • 30. 27Ela quis saber o que estávamos fazendo. Contei do nosso projeto e eladisse que a gente ia gostar muito do centro. Achou o nosso grupo muitogrande e ficou admirada de saber que tem tanta gente moça e adultaestudando.AvaliaçõesO que o projeto São Paulo mostrou para você?Benedita Costa, André Morais( Inês Martins)(Marilsa Freitas)(Silvana Castro)(Dilson Mendes)(Rita de Cássia Rocha)(Cleusa G. Silva)“A descoberta de uma São Paulo mais bela a partir do que tem dearte e de cultura. Foi um momento de convivência diferente entreos colegas.”“Foi um privilégio ver coisas que não enxergaria se não fosse aorientação dos estudos, dos roteiros. Na Pinacoteca, meimpressionou um quadro de uma negra que mais parecia uma fotodo que uma pintura. No Memorial do Imigrante fiqueiimpressionada com os relatos da gripe espanhola, que tanta gentematou!”.“O projeto enriqueceu minha cultura e meu modo de pensar. Aintegração entre todos foi um ponto muito positivo porque eramuita gente e tudo aconteceu bem.”“No Museu do Imigrante me chamou a atenção o espaço de buscade imigrantes. Se colocar no monitor do computador o sobrenomedo bistataravô aparece de onde ele veio, que dia chegou noBrasil... Se ele for imigrante!”“Nunca tinha ido num museu e para falar a verdade achava queera uma coisa pra gente muito chique. Mas eu gostei e muito! Voulevar o marido e os dois filhos lá.“Esse estudo foi a melhor coisa que a escola podia fazer para nós.Quando contei para minha filha tudo que vi, ela falou: mãe, se eutivesse numa escola dessa, ia gostar também.”
  • 31. 28 3As professoras registram uma atividade de aula.O registro que segue é de uma professora de uma classe inicial da EJA. Eleregistra uma aula de alfabetização.“Um ditado diferenteHoje fiz ditado diferente com a minha turma. Comecei explicandocomo seria: Avisei: Hoje o nosso ditado vai ser diferente. Todosvão receber uma lista com os nomes de 10 ônibus que passampela rua da escola. Vou falar cada um dos nomes da lista e vocêsvão procurar onde está a palavra, na lista. Vocês vão procurandoos nomes e colocando na frente deles o número que vou dizer.’Mal distribui as folhas com os nomes das linhas de ônibus,algumas pessoas começaram a tentar decifrar o que estavaescrito.- “Esse eu conheço, é “Penha”. Eu pego esse ônibus todos osdias.”- “O meu é esse, o “Paissandu”, ele ta sempre cheio.”- “É São Miguel. Olha parece que vai escrever São Paulo (eapontou o São) mais depois muda pra São Miguel. Eu descobriisto porque ia lá de ônibus (em São Miguel) toda semana,quando estava doente...”Comecei o ditado: “Número 1. Vamos encontrar o nome: Praça daRepública. Depois vamos marcar o nome Praça da República’ como número 1.Fui seguindo até o final da lista.SÃO MIGUELPATRIARCAIBIRAPUERAPAISSANDUANHANGABAÚPENHACLÍNICASPRAÇA DA REPÚBLICATATUAPÉGUAIANAZES
  • 32. 29Em seguida, fizemos a correção. Copiei, no quadro, a lista que osalunos haviam recebido. Perguntei:- “Quem quer mostrar, no quadro, onde está escrito “Praça daRepública?”Bem rápido, José foi até o quadro e apontou, com acerto, o nomeditado. Fez questão de escrever na frente o número 1.Sabendo que os alunos não liam convencionalmente pergunteicomo haviam chegado a aquela solução. Era uma boa oportu-nidade de aprendizagem para os que ainda não haviam construídorecursos de leitura. Queria, também, que eles fizessem relações,comparações, entre a lista que era nova e o que já sabiam. Quepensassem sobre como se escreve.- “Era o único nome que tinha três partes: praça/da/república.”(Ivo)- “Porque é um nome muito comprido e os outros são maispequenos.” (Diva)- “Porque praça tem P, no começo.” (Maria B.)Provoquei a turma mostrando outras palavras da lista que tambémcomeçavam com a letra P. Foi um grande barulho.- “O jeito é olhar também para o fim e vê como é que acaba.“(Gilda)- “É isto mesmo porque Paissandu acaba com “du” e é menor.(Rosário)(...)Fomos até o fim da lista, sempre comentando sobre a forma usadapara descobrir as palavras procuradas. Para ajudar, muitas vezesrelacionei a palavra ditada com nomes de alunos ou outraspalavras já conhecidas.
  • 33. 30 3Percebi que para alguns alunos era difícil arriscar, fazer tentativas.Acreditavam que só errariam. Quando corrigíamos, alguns delesconseguiram se soltar com os comentários dos colegas.O interesse foi grande por se tratar da lista de ônibus do bairro.Muitos usavam estes ônibus, diariamente, mas só observavam onúmero e a cor. No final, disseram que, agora, olhariam tambémpara os letreiros.”“Eu e meus colegas da “Escola Vinicius de Moraes” decidimostrabalhar com o tema Trabalho.Nossos alunos vêem de diversos bairros da zona leste de SãoPaulo e estão no início da Suplência II. Os alunos ficam o dia todono trabalho e à noite vão à escola, deixando claro que o diplomaMaria Célia RochaQuando um(a) professor(a) escreve sobre uma seqüência de atividades, estádocumentando o caminho que ele(a) e seu grupo percorreram para pensar eaprender sobre um determinado assunto. Esse caminho nos aponta paraformas de intervenção do(a) professor(a) e para a dinâmica vivida pelosalunos.Alguns destes registros são tão ricos em descrições que, ao lê-los, podemosimaginar a sala de aula, os alunos falando, escrevendo, debatendo, o(a)professor(a) intervindo, andando pelo espaço, atendendo seus alunos e osconhecimentos sendo construídos.Outros professores até poderiam aprender com esse registro: o temaescolhido, a forma como apresentou a proposta, as perguntas que fez, asatividades que os alunos realizaram, o que foi aprofundado, o que foi usadopara ilustrar a conversa, como as descobertas feitas pelo grupo foramregistradas, de que forma a leitura e a escrita apareceram nessa seqüência.Estas são algumas perguntas que o registro do(a) professor(a) poderáresponder e, dessa forma, dar pistas sobre um modelo a seguir.Os professores registram o desenvolvimento de um tema...
  • 34. 31do ensino fundamental é importantíssimo para a sua ascensãoprofissional.No nosso trabalho procuramos mostrar a eles que a escola tambémé importante para o entendimento do mundo em que atuam.Tínhamos alunos de diferentes profissões e lidando com váriosmateriais. Com essa informação, planejamos que, no 2º semestre,faríamos um estudo sobre a matéria prima que envolve o materialque o trabalhador precisa para desenvolver as suas atividades, osrecursos naturais e o meio ambiente.Cada aluno relacionou um material com a sua profissão. Surgiramvários estudos correspondentes às diferentes profissões:1) Os metalúrgicos pesquisaram e apresentaram seus trabalhossobre os metais: os minerais de onde são extraídos, as ligasmetálicas como o aço, o bronze, o ferro e a história da extração ea utilização deste metal no Brasil. Colaborei com este trabalhoapós a apresentação dos alunos, levando os meus conhecimentossobre os metais: tenho uma pequena coleção de metais emvidrinhos (mercúrio, estanho, chumbo, zinco, alumínio, etc.) e leveipara que os alunos vissem e mostrei a tabela periódica para quesoubessem quais os tipos de metais. Falei sobre as característicase as propriedades dos mesmos. Fizemos um resumo na lousa,tanto da apresentação dos alunos, como da minhacomplementação e todos registraram em seus cadernos.2) O frentista pesquisou e apresentou o seu trabalho sobre aprodução do álcool. Ele explicou desde o plantio da cana-de-açúcar, citou o processo da fotossíntese, a colheita e a moagem dacana, até chegar à destilação do álcool. Após a apresentação doaluno reforcei a importância da fotossíntese na transferência deenergia para os seres vivos e os alunos explicaram a destilação dapinga. Desenhei o destilador na lousa e expliquei a suaimportância, na química, para a separação de misturas, inclusive
  • 35. 32 3para a obtenção da gasolina. O assunto era muito extenso e foidesenvolvido em muitas aulas. Tudo o que foi possível registrei nalousa para que os alunos tivessem em seus cadernos.3) As recepcionistas, auxiliares de escritório e estudantespesquisaram sobre a produção do papel, corte da árvore aotratamento químico da celulose e a formação da folha de papel.Comentamos a importância do reflorestamento para o meioambiente, citando o caso da indústria Melhoramentos, da região deCaieiras (Grande São Paulo), com o reflorestamento de coníferas.4) As donas de casa, as jovens e as senhoras que trabalhamcomo diaristas em casa de família, pesquisaram sobre a produçãodo sabão e desinfetantes, levando inclusive receitas e umaamostra de sabão caseiro. Outras pesquisaram sobre a água(poluição, tratamento, mudanças de estados físicos, etc.)5) As costureiras pesquisaram e apresentaram sobre a produçãoda lã, malha, lona e outros tecidos. O trabalho sobre a produçãode lona para barraca foi muito interessante: a aluna levou odesenho das máquinas da indústria em que trabalha e amostrasdos tipos de lona. Explicou o funcionamento das máquinas, comovai se formando a lona, o processo de impermeabilização e omaterial utilizado.6) Tivemos ainda outros trabalhos interessantes sobre:Visão - vigiasHigiene - auxiliar de crecheEletricidade - passadeira e eletricistasPlástico - trabalhadores de indústrias plásticasRelógio - vigia-porteiroOssos - açougueiroCores e tintas - pintor e estudanteMadeira - marceneiroCoração - atendente de enfermagem
  • 36. 33Em todos os trabalhos apresentados fomos montando um texto nalousa, cada um contribuindo de acordo com os seus conhe-cimentos. Procurei pesquisar alguns temas a respeito dos quais eunão tinha muita segurança, na medida do possível, para contribuirpara com os trabalhos. Achei muito importante ouvir a voz dosalunos, até mesmo daqueles mais retraídos. Penso que eles sesentiram à vontade, porque se tratava de assuntos de seuconhecimento e do seu dia-a-dia.O fazer dos alunos e alunas emergiu na sala de aula explicitandosituações de suas vivências que possibilitaram a interaçãoprofessor(a)/aluno(a), aluno/aluna na construção e processo deconhecimentos significativos.Percebeu-se uma riqueza muito grande de conteúdos epossibilidades abordadas que permitiram vislumbrar inúmerasformas de atuação.”Márcia Aparecida OrtegaO tema, Trabalho, foi realizado e desenvolvido de forma bem interessantepelos alunos da escola Vinícius de Moraes. A partir das profissões dos alunosfoi possível chegar a diversas matérias primas que foram estudadas eapresentadas pelos grupos de alunos.Os professores e alunos buscaram uma forma de trabalhar que é o inverso domodelo escolar tradicional: partiram da experiência vivida para tirar dela oconhecimento organizado, segundo os padrões oficiais.É a educação de jovens e adultos criando sua forma de aprender e ensinar.Os professores registram suas reflexõessobre o seu fazer pedagógico...A professora Suemi se valeu do registro para expressar seu pensar sobre umdos pontos mais presentes na EJA: a crença dos alunos no modelo tradicionalde escola.
  • 37. 34 3“... Eu trazia a convicção da importância do trabalho em grupo, dodesenvolvimento da reflexão através dos debates e das questõesestimuladoras de respostas que contenham opiniões e posicio-namentos.No contato com os alunos, percebi que eles eram avessos a essasformas de trabalho. Eles possuem uma concepção de escolatradicional, na qual o aluno senta em carteiras enfileiradas e copiaas lições da lousa ou do livro.Passei a refletir sobre esse choque de expectativas ou derepresentações que os alunos têm sobre o papel da escola, doprofessor, do aluno e da sala de aula. Afinal, os alunos são omotivo do nosso trabalho e não considerar seus anseios era umaviolência. Por outro lado era preciso trabalhar de forma adesenvolver hábitos de discussão, reflexão e posicionamentos paraatingir os objetivos de formação ligados ao desenvolvimento dacidadania.Este dilema passou a ser uma preocupação central quando, emuma reunião pedagógica, uma professora fez uma colocaçãoindignada, dizendo que seus alunos queriam aula tradicional,queriam copiar e responder questionários, mas que ela não abririamão de seu trabalho e de seus planejamentos.Neste momento foi possível avaliar o equívoco das atitudesradicais que inviabilizam o diálogo professor e aluno. Sugeri entãouma possível direção para resolver o problema.Como solução entendemos que era preciso realizar um acordo comos alunos, pois ponderamos que o apego à escola antiga deveestar também ligado a uma questão afetiva de resgate da escolaperdida na infância.Este acordo significava equilibrar as atividades que os alunosgostam e ir introduzindo, num crescente, as atividades valorizadaspor nós, sem nunca deixar de esclarecer os objetivos enquantoconteúdo e o valor formativo destas tarefas rejeitadas.”
  • 38. 35Nesse registro, a professora deixa transparecer qual foi o caminho do seupensamento na procura de explicações para suas observações. O textoacompanha sua reflexão na tentativa de encontrar uma saída para o conflito.Os professores registram as produções de seus alunos...É da professora Márcia Carvalho o seguinte registro:O acompanhamento do percurso do aluno na sua aprendizagem é de grandeutilidade na EJA. Não é fácil para os alunos, principalmente para quem estános níveis iniciais, perceberem o seu desenvolvimento. Muitas vezes pensamque não estão aprendendo, que “não adianta insistir”. A possibilidade de,através da seqüência de seus progressos, mostrar para eles a sua evolução é,muitas vezes, motivo para não desistir da escola.Elizete é uma alagoana que trabalhou durante muitos anos numaempresa que fazia limpeza em escritórios. Depois que foi demitida nãoconseguiu mais emprego, o que talvez explique a resposta (que apareceabaixo) dada por ela, quando sua professora pesquisou com os alunos oque gostariam de aprender.Quando chegou à escola, Elizete só conhecia e traçava algumas letras.Muito interessada, não faltava às aulas, fazia muitas perguntas aprofessora e aos seus colegas. Marli, a professora, mantinha uma pastapara cada aluno e lá guardava, todos os meses, pelo menos umaprodução escrita, como mostra do desenvolvimento da aluno.
  • 39. 36 3Além disso, essa prática ajuda o(a) professor(a) a perceber melhor asquestões onde existem maiores dificuldades e, portanto, onde deve intervir.Os professores registram os conhecimentos construídos pelosalunos na “escola da vida”A professora Cláudia Mendes ouviu uma de suas alunas com o objetivode compreender a forma como os alunos, que não haviam passado pelaescola ou nela tinham permanecido por um pequeno tempo, realizavam aoperação matemática da adição.Com este propósito, Cláudia entrevistou D. Rosa, uma passadeira deroupas, de 65 anos, que estudou durante seis meses quando criança eera analfabeta.“1. Há quanto tempo a senhora é passadeira?R. Na casa que eu trabalho mais tempo faz 32 anos.2. Em quantas casas a senhora passa roupa, por semana?R. Em cinco casa.3. A senhora cobra por peça?R. Não. Cobro por dia.4. Qual é o preço por dia de trabalho?R. Depende. Em três casa eu ganho 35 reais e em duas eu ganho25 reais.5. Por que existe a diferença de preços entre uma casa e outra?R. Eu faço assim: tem casa que tem mais roupa, tem criança, sujamais, eu cobro mais caro. Agora tem casa que a roupa é pouca enão tem sujeira. Aí eu cobro um pouco mais barato.6. E quanto a senhora ganha por semana?R. Por semana? Deixa eu ver...Ué! Em três casa de 35 reais dá 105 reais.
  • 40. 377. Como a senhora fez para encontrar esse valor?R. O quê? 105?Ué! Eu pego 35 + 35 dá 70. Aí eu pego os outros 35 e junto com70. Então, três casa 105 reais.8. E depois? O que a senhora faz?R. Ficou duas casa sem contar né? Eu pego as duas casa de 25reais e junto. Dá 50 reais.9. E como a senhora faz para chegar na quantia total?R. O quê? A senhora quer saber como eu junto as cinco casa? Eufaço assim: Eu pego os 50 das duas casa, depois eu pego 105 dos35 das três casa. Então eu falo: 100 + 50 e dá 150. E ficoufaltando o 5. Aí eu acabo juntando o 150 com o 5 que dá 155.10. A senhora sempre faz as contas sozinha?R. Sempre eu faço assim e sozinha.Obs.: Esta entrevista foi escrita de acordo com a fala daentrevistada.”Este registro documenta uma entrevista cujo objetivo era conhecer a formacomo os alunos adultos fazem matemática, com a cabeça.Os registros que falam da lógica e dos conhecimentos adquiridos pelos alunosno seu dia a dia são de grande importância para o planejamento do trabalhode ensinar do(a) professor(a). Eles mostram de onde partem os alunos parachegar aos pontos de chegada delineados no planejamento do(a) professor(a).Os professores registram seu percurso,sua aprendizagem...Como você vai perceber, o professor Cezar descobriu pela própria experiênciao significado do registro na formação do(a) professor(a). Esta sua descobertao anima a levar esta prática aos professores das proximidades de Cotia, acidade onde mora.
  • 41. 38 3“Cezar Sena, professor de EJAem Vargem Grande Paulista (1998)Que gráfico você construiria para a sua trajetória?Minha experiência com o registro escrito como professorLendo meus registros de professor, chego até a me emocionarcom os resultados positivos obtidos. Mesmo sem ter consciênciaou fundamentação teórica do que estava fazendo, pois, naquelaépoca, ainda não tinha formação em nível superior em Pedagogia,seguia a minha intuição, procurava registrar, de maneira simples,as observações, considerações a respeito das minhas aulas, dosmeus avanços e dos progressos dos alunos, principalmente dosque apresentavam uma certa dificuldade.(...) Os meus registros são documentos vivos da minhaexperiência, são relatos que narram minha vivência comoprofessor/educador. Por meio deles posso rememorar eacompanhar meu crescimento profissional, pessoal e emocional.Relendo, percebo quantos erros cometi, quantas ações melevaram a repensar e a modificar minhas estratégias. E, é claro,não poderia esquecer, quantas alegrias obtive com as mudanças.”A professora Júlia encontrou um outro caminho para registrar comosentia a sua trajetória, na EJA.
  • 42. 39Nesta sala que é para todosVeio gente de todo lugar!Paraíba, Bahia, Minas Gerais,São Paulo, Paraná e Ceará!O objetivo é um sóSaber ler, escrever e falar.A matemática, também apareceMas, sempre em segundo lugar!Mas querem tudo isto aprenderPara ajudar osFilhos a fazer o deverProfissão muito varia:Doméstica,porteiro, feirante,Técnico eletrônico, lancheiroFaxineira e dona de casa!Sem ela, de nós o que seria?Da escola, o que mais gostam é saberMas, o que mais lhes satisfazÉ com os colegas conviver!São muitas as formas de registrar aspectos do perfil dos alunos. Os gráficossão também formas de apresentar alguns desses aspectos.Profissões/quantidade de alunos:Ajudante 7Arrumadeira 4Faxineira 4Pedreiro 4Empacotador 3Cozinheira 2Motorista 2Vigia 2Pintor 1Os professoresregistram o perfil deseus alunos...Quem tem algum dompoético pode se valer delepara registrar de formadiferente o que vê na suasala, no seu trabalho.Foi o que fez a professoraMaria Aparecida queescreveu o poema ao lado.7AjudanteArrumadeiraFaxineiraPedreiroEmpacotadorinherCoziaisMotortagaViiPntori4de cadaprofissão312de cadaprofissãoProfissões / quantidade de alunos
  • 43. 340Os professores registram reflexõessobre a sua prática pedagógica...Esse é um propósito importante quando pensamos no para quê registrar, masque só pode ser alcançado num constante exercício de diálogo com o quefazemos, o que propomos, o que nossos alunos respondem e aprendem comaquilo que ensinamos.O registro do professor Wilson Mesquita de Almeida, do MOVA-São Paulo,ilustra bem esse tipo de registro:
  • 44. 41A Roda de leitura.“Como tudo na vida, a experiência da Roda de Leitura pode servivida de formas diferentes. Ou seja, não há um modelo único,fechado, que todos devem seguir. O que apresentaremos agora foie está sendo fruto de nossa prática: uma atividade de leiturainiciada na turma de pós alfabetização no 1º semestre de 2002.Nossa roda de leitura é semanal, ocupando todo o período de aula.Primeiramente, organizamos as cadeiras formando uma roda. Feitaa roda, cada aluno recebe uma cópia do texto que vai sertrabalhado naquele dia. Costumamos trabalhar com textos de valorliterário: contos, crônicas, trechos de romance, poesias, etc. Mas,também trabalhamos com outros tipos de textos como, porexemplo, notícias de jornal.A roda de leitura se inicia com a minha leitura integral do texto.Neste instante, cada educando lê, silenciosamente, seu texto. Apósterminar essa leitura, pergunto aos educandos sobre suas opiniões:se gostaram ou não e por quê?Depois dessa conversa, peço para cada educando ler em voz altaum pedaço do texto. Quando encontro resistência dos alunos,devido à timidez ou medo de errar, costumo lembrá-los que isso énatural e ocorre com todas as pessoas nas várias situações do dia-a-dia: ler um texto na igreja, fazer perguntas em eventos, participarde reuniões e encontros. Além disso, lembro que são todos colegase ficarão muito tempo juntos durante o período do curso, logo, oque importa é o aprendizado e não a “vergonha” de “se eu lererrado”.Em seguida, sigo uma sugestão de uma de nossas alunas: gruposde quatro pessoas lêem partes do texto, enquanto os outroseducandos acompanham em silêncio. E, assim, passamos porvários grupos de leitores. É um momento em que todos seenvolvem!
  • 45. 42Depois, inicio uma interpretação do texto. Nesse instante, vemosdetalhes significativos que dão sustentação ao texto: qual é amensagem que passa, quais as idéias principais, quais exemplosutiliza. Todo esse momento é feito com discussões, onde aparticipação do educando é sempre cultivada.Por fim, após tal contato com o texto, discutimos significados daspalavras e utilizamos o dicionário. Geralmente, procedo daseguinte maneira: quando o educando pergunta sobre algo, peçopara ele localizar no texto (em que parágrafo, linha, enfim, ondeestá sua dúvida). Em seguida, pergunto se alguém sabe ou temalguma contribuição para ajudar na solução da dúvida do colega.Se, mesmo assim, persistir a dúvida, pegamos o dicionário,encontramos a palavra, lemos e, o mais importante, verificamos seaquilo que lemos dá o significado do termo, já que essesignificado, muitas vezes, pode variar, principalmente nos textosliterários.Como nós educadores estamos correndo contra o tempo e, alémdisso, os educandos possuem ritmos diferentes, nem sempre épossível terminar a atividade como planejamos. Não há problema,continuamos depois na semana seguinte. O importante é que cadaponto seja trabalhado com motivação e cuidado e o ambienteesteja descontraído. Assim, com certeza, bons frutos virão.”Nesse tipo de registro o professor realizou uma prática e pensa sobre ela: queobjetivos buscou com determinado trabalho, como os alunos atuaram, o querevelaram ter aprendido e como avançaram, neste caso, no domínio e narelação com a leitura, o que deve ser mantido e o que deve ser mudado numaoutra prática semelhante.Esse e outros registros deste tipo são espaços para a construção de teoriassobre os encaminhamentos mais adequados para a educação de jovens eadultos. O(a) professor(a) que escreve confirma a importância de determinadaprática em seu cotidiano, o(a) professor(a) que lê conta com uma referênciaviva e dinâmica para seu próprio fazer.
  • 46. 43O próprio ato de reunir diferentes documentos relativos a uma práticapedagógica já constitui uma importante forma de guardar a memória dasnossas realizações. É o registro documental, tão útil ao conhecimentohistórico.A Escola Municipal “Sebastião Nogueira”, em São Paulo, realiza anualmenteuma semana onde são oferecidos diferentes cursos e oficinas, dentro dointeresse dos alunos. O registro documental realizado pela escola é bastantecompleto e para fazê-lo é preciso organização e disciplina. Você pode conferir:
  • 47. 44Parte 3“Escrevo a mão, em caderno, não importa emque lugar da casa. Prefiro lápis à caneta. Semprecarrego o caderno, mesmo em viagem, pararegistrar um episódio, um acontecimento quetenha natureza poético-literária. Sei que é asemente do texto. É meu dever registrar aquilo(...). Mas quando o livro fica pronto, costumoqueimar todos os cadernos de rascunho.”Adélia Prado“Tenho uma característica: quando escrevome ponho contra mim mesmo, como se euestivesse querendo não facilitar as coisaspara mim. Sou um escritor de muitosrascunhos. Não sou um escritorespontâneo, fluente.”Rubens FigueiredoO DIFÍCIL E PRAZEROSO ATO DE REGISTRARComo vimos há muitas formas de registrar, as que foram apresentadas eoutras mais. Todas elas têm seu significado: algumas são mais apropriadaspara um determinado objetivo, outras mais usuais, talvez, por serem maispráticas, menos exigentes.No meio de tantas possibilidades destacamos o registro escrito, que por suascaracterísticas, se tornou um dos mais importantes instrumentos deaprimoramento do(a) professor(a).Sabemos que escrever é difícil, embora possa trazer satisfação. Entretanto asdificuldades não são só nossas. Veja o que dizem algumas pessoas que fazemda escrita sua profissão e não parecem querer abandonar o que fazem:
  • 48. 45“Gosto mais de desenhar do que de escrever. Sesoubesse apenas desenhar... escrever não é umacoisa que faço com naturalidade. A falta de ânimoe de idéias é constante. Mas, pelo menos umaidéia por dia é preciso ter...”Luiz Fernando Veríssimo“Gosto de escrever com canetas modestas e em cadernospequenos. Tenho alegria especial quando a caneta falha eacaba a tinta. Significa que avancei um pouco no texto. Quede algum modo, sob a forma de palavra, deixei a tinta. Já fuisistemática para escrever. Acordava cedo, me fechava eficava horas escrevendo na máquina. Com o tempo comeceia viajar muito e aprendi a escrever a caneta onde quer queeu estivesse.”Nélida Pinõn.COMO REGISTRARQuando nos dispomos a registrar nossas práticas ou algum aspecto ligado aelas, deparamos com uma série de questões: como organizar nosso tempopara sentar, anotar, escrever, refletir, documentar?Da mesma forma que observamos a existência de muitos tipos e objetivos deregistros, podemos notar que há uma quantidade bastante grande de meios,de formas e de caminhos para a realização deles. Cada um deve buscar aforma que mais se adapta ao seu jeito, ao seu tempo e às suas intenções.Se, por exemplo, quero registrar uma seqüência de ações acontecidas dentrode um projeto e pensar sobre as aprendizagens e conquistas dos alunos, éinteressante organizar uma pasta onde vou colocando o planejamento geral e
  • 49. 46de cada uma das propostas, as produções dos alunos, as minhas observaçõesem torno delas, enfim, tudo que considerar importante guardar.No final, posso comparar as produções e comentar as mudanças ocorridas.Se, por outro lado, quero refletir sobre o quanto os alunos avançaram numdeterminado conhecimento, é importante ir anotando o que foi sendoobservado assim como as intervenções que foram feitas. Essas anotações sãofundamentais para o escrito do registro. Vale sempre lembrar que confiarapenas na memória não é o melhor dos caminhos.Estas são algumas sugestões de formas de organização que podem contribuirpara o registro:Em relação ao ato de registrara) Ter um caderno para registrar fatos e comentários acontecidos ourelacionados a sala de aula.b) Organizar uma pasta para guardar as produções dos alunos, osplanejamentos, os textos que foram utilizados na realização de umdeterminado trabalho, suas reflexões sobre ele e tudo mais que julgarsignificativo.c) Utilizar fichas com questões que orientam o registro. Veja um exemplodelas:Preparando para o registro
  • 50. 47A utilização defotos, desenhos,bem como trechosde textos lidos ourecebidos pode setornar um jeitobonito e agradávelde documentar, decomplementar umregistro.Em relação ao tempo:Muitos dos professores que conseguiram desenvolver a prática do registroconsideram este um bom caminho:a) Todos os dias dedicar algum tempo para escrever sobre o vivido emrelação ao trabalho educativo. Esse tempo pode variar de acordo comsuas possibilidades. Mesmo que bem pequeno, 10, 15 minutos, a criaçãode uma rotina ajuda e muito a capacidade de registrar.b) Síntese semanal: uma vez por semana escolher um ou mais aspectos dotrabalho para documentar mais detalhadamente.c) Registro final: concluído o projeto, estudo ou período de aula é chegadaa hora de escrever sobre o caminho percorrido, as conquistas, asdificuldades, o que ainda continua sendo um desafio, os resultadosconseguidos e as suas sensações na realização do trabalho...O que pretendotrabalhar nestasemanaAtividades que vourealizar para alcançaras metasQue atividades planejeie deram certo? Por que?O que fiz e não haviaplanejado?
  • 51. 48Em relação às formas de registrar :O professor Cezar Sena que há algum tempo vem trabalhando com o registrodo professor comenta as diferentes formas do registro:“Existem vários meios e funções para o ato de registrar. O meiomais comum é o registro escrito. Temos o registro fotográfico, oregistro sonoro, pictográfico - pinturas, desenhos, etc, registrocinematográfico - filmes em vídeo e DVD, registro mental - nossasmemórias etc. No que se refere ao ato de registrar por escrito,destacamos três formas: a dissertativa, a narrativa e a descritiva.Escrever de forma dissertativa é expor opiniões, pontos de vistafundamentados em argumentos e raciocínios baseados em nossavivência, nossas leituras, nossas posturas, nossas conclusões arespeito da vida, dos colegas e de nós mesmos. Exerce-se, assim,o direito de ter idéias e expressá-las, respeitando as idéias dosoutros, assumindo uma postura que problematize a realidade emostre os fundamentos de tal problematização.A narração é uma das mais antigas e fecundas expressões dalinguagem. É uma aventura que tem o poder de nos fazer viajar,mergulhar nos relatos alheios e perceber neles os nossos própriosrelatos, subentendidos ou explicitados, vividos ou sonhados.Narrar é contar, relacionar situações e personagens no tempo e noespaço, é perceber o que aconteceu, o que poderia ter acontecidoe contar, relatar, repartir com os ouvintes ou leitores as históriasde nossas histórias.Para se descrever algo, considera-se primariamente doiselementos: quem observa e o objeto a ser observado. Descre-vemos fatos e acontecimentos com base no que conseguimoscaptar através dos nossos sentidos. Quanto mais amplas foremnossas observações, maior será a riqueza de detalhes do materialregistrado, facilitando a reconstrução, possibilitando maior reflexãopor parte do leitor.
  • 52. 49Independente do estilo de escrita de cada professor, se faznecessário reforçar o princípio básico da reflexão e da inten-cionalidade nesta ação. Registrar para refletir. Refletir para tomarconsciência do momento presente para redirecionar, se necessário,sua prática.”Em relação aos temas:São infindáveis os temas cujos registros levam o(a) professor(a) a pensarmelhor o seu fazer de educador(a), a sua compreensão do ato de ensinar, asua forma de ver o mundo e de ler a realidade. Os registros tornam o(a)professor(a) autor(a) de sua teoria e por isso mais capaz de atuarpositivamente na sua sala de aula.a) Registrar sobre quem são as alunas e alunos.b) Escrever sobre experiências positivas vividas na semana: quais e porque foram positivas.c) Escrever sobre experiências que não tiveram êxito: quais e por que.d) Escrever como os alunos escrevem, calculam, resolvem problemasmatemáticos, pensam o mundo, a vida.e) Escrever sobre a dinâmica do grupo.f) Escrever idéias de continuidade, de aprofundamento ou de mudançasnecessárias.g) Escrever sobre os pontos fortes do trabalho ou estudo e sobre os pontosque precisam ser revistos ou mudados.h) Escrever sobre as próprias aprendizagens durante um certo tempo:semestre ou ano, por exemplo.Como você deve ter notado, os registros permitem ao(a) professor(a) construira memória do processo vivido na sala de aula. Eles propiciam uma visão geraldo trabalho desenvolvido, facilitando a constatação das dificuldades esucessos. Possibilitam, assim, avaliar a aprendizagem dos alunos e a atuaçãodo(a) professor(a).
  • 53. 50BIBLIOGRAFIACÉSAR SENA, Luis Mario da Conceição, Mariza V. e outros. O educador reflexivo:registrandoerefletindo.SãoPaulo,Ed.Doxa-2004.LURIA A.R, Pensamento e Linguagem. As últimas conferências de Luria, PortoAlegre - Artes Médicas, 1987.FREIRE, Madalena. Observação, Registro, Reflexão. Série SemináriosEspaço Pedagógico. São Paulo - 1996.WARSCHAUER, Cecília. A roda e o registro. Editora Paz e Terra - SãoPaulo.

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