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2.1 SOJA
Na urgência de crescimento do setor aparece a cultura da soja, iniciando
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O Estado de Mato Grosso do passou por profundas mudanças no
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Estudos feitos em 2004, por Michels (apud ALVES, 2005) apontam que
no estado de Mato Grosso do Sul mais de 80% dos municíp...
Tabela 06 – Produção de Soja no Brasil – 1959 à 1990
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internacional, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento – MAPA.
O Mato Grosso do Sul tornou-se ...
compostas de grandes fazendas produtoras de soja, milho e poucos lugares do
estado que tem a fama de grandes cotonicultura...
alcançando níveis elevados (aproximadamente 40 milhões de toneladas).
Ainda de acordo com o Censo Agropecuário 2006, o Mat...
Acessado em novembro de 2011.
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Censo Agropecuário de
2006. Disponíve...
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Histórico da produção agrícola em Nova Andradina-MS e análise do censo agropecuário

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Mato Grosso do Sul e as mudanças agrícolas

  1. 1. A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA DO MUNICÍPIO DE NOVA ANDRADINA- MS: uma análise pelos censos agropecuários de 1995/1996 e 2006 Wagner Suzano de Freitas Palavras-chave: Censo agropecuário, Nova Andradina-MS, Modernização CAP. 2: O MATO GROSSO DO SUL NO CONTEXTO DAS MUDANÇAS AGRÍCOLAS DO PERÍODO DE 1995 A 2005. Por volta de 1900 a agricultura praticada na região sul-matogrossense era apenas de subsistência, para consumo dos produtores, onde cultivava-se principalmente milho, mandioca, feijão, arroz, amendoim, algodão e algumas frutas. Da mesma forma que na pecuária, a agricultura não possuía infra- estrutura, sendo que o sal, querosene e ferramentas eram trazidos de muito longe por carretas puxadas por juntas de bois, que levavam várias semanas para vir de lugares mais desenvolvidos, por estradas que eram nada menos que “picadas”. Em um aprofundado estudo da região, Gressler (2005) explica que o trabalho na lavoura era manual ou feito com tração animal, exigindo muito tempo e esforço físico; não havia também lugar para armazenar, os produtos agrícolas eram colhidos e protegidos em paióis. A vida era muito difícil para as famílias dos agricultores, não havia escola para os filhos, as moradias eram feitas de madeira, amarradas com cipó e cobertas com folhas trançadas para abrigar dos ventos e das chuvas. Logo após a Independência do Brasil houve um período em que se podia ocupar terras devolutas, mas em 1850 foi aprovada a Lei Imperial 601 determinando que as terras fossem adquiridas através de compra, proibindo a doação dessas terras, exceto aquelas situadas nas zonas de 10 léguas (66km) limítrofes com países estrangeiros, e mesmo com as mudanças da distância a
  2. 2. lei foi mantida, o que possibilitou que muitas pessoas conseguissem propriedades no estado de Mato Grosso do Sul, que tem uma grande área de divisa com as terras do Paraguai e da Bolívia, marcando o início da reforma agrária no estado. O período de 1930 foi marcado pela intensa derrubada de mata, com a distribuição de terras pelos governos federal, estadual, municipal e de grupos particulares. Foi também um período de chegada de pessoas de várias partes do Brasil, e de outros países, com o sonho de formar grandes cafezais. Na década de 1960 a população do sul do estado aumentou muito, por agricultores vindos do sul do país, atraídos pelos preços das terras e pelas grandes extensões de terra, introduzindo uma tradição agrícola de alto nível e técnica esmerada no tratamento do solo, dedicando-se ao cultivo da soja, trigo, arroz e milho. Gressler (2005) diz ainda que a cultura da soja foi crescendo, e grandes áreas de campo limpo foram se transformando, mas o avanço dos produtores era limitado pela região dos cerrados, que tinham um custo alto para explorá-la. Foram criados órgãos de pesquisa para desenvolver variedades de soja, trigo e milho próprias para o cerrado e para o Mato Grosso do Sul. Foram construídos grandes silos, secadores e armazéns, sistemas de irrigação e todos os equipamentos necessários para a produção de grãos, até a implantação do Programa Especial da Grande Dourados – PRODEGRAN, mudando assim o cenário da agricultura no estado, cuja economia passou a girar em torno dela. A construção da ferrovia Noroeste do Brasil possibilitou o aumento das relações comerciais com o estado de São Paulo, o gado passou a ser transportado por trem, a população aumentou e as terras foram sendo valorizadas. Surgiram também novas cidades e outras tiveram grande desenvolvimento. Por volta de 1975 o sul do Mato Grosso possuía uma forma de reprodução do capital muito semelhante à dos estados da Região Sudeste, e a divisão regional do trabalho evidenciava a parte sul do estado, a utilização de
  3. 3. terras nos moldes modernos do capitalismo avançado, bem diferente do modelo “feudal” praticado na parte norte, até então. Como este, muitos fatores mostravam a premente necessidade de dividir o Estado, para que ambas as partes se desenvolvessem. Oliveira (2003) nos diz que Essa desconfortável situação impedia o pleno desenvolvimento do Sul e uma possível arrancada para o desenvolvimento do Norte. A divisão do Estado passaria a desobstruir as barreiras que seguravam o progresso de ambos os lados: o Sul ficaria – como ficou – com 74% da arrecadação do velho Estado e financiariam, em termos, o seu próprio crescimento; enquanto o Norte seria – como foi – beneficiado pelos programas governamentais de colonização de fronteira e expansão agrícola. Em síntese, na essência, essa foi a gênesis da divisão de Mato Grosso. (OLIVEIRA, 2003, p. 38) Devido às facilidades encontradas para chegar à região pelos rios Ivinhema, Brilhante, Vacaria e Dourados, espanhóis e portugueses vinham em busca do ouro e a captura de indígenas como escravos para as usinas de cana no litoral. Alguns historiadores dizem que o povoamento não indígena começou após a guerra com o Paraguai (1864 –1870) por ex‐combatentes; com a chegada de gaúchos fugitivos da revolução federalista e com os mineiros e suas criações de gado nas regiões de cerrado. As primeiras atividades industriais em Mato Grosso do Sul foram de beneficiamento, como a preparação da erva-mate, do couro, da carne, da madeira, do café, do arroz e do algodão. Entre as primeiras indústrias estão as charqueadas, responsáveis por grandes exportações em 1920. Havia também atividades de extração de ferro e manganês e a fabricação de cimento. Ainda durante a década de 70, conforme diz Oliveira, a indústria não fez parte dos investimentos, pois aumentavam de forma insignificante, menos de 30% em 9 anos, sendo que o primeiro ano de existência do novo Estado registrava pequena atividade no setor: - 2 matadouros, abatendo menos de 300 mil cabeças/ano; - 1 indústria de cimento em Corumbá; - 2 destilarias em Pedro Gomes e Rio Brilhante; - algumas indústrias extrativas do urucum. (Oliveira 2003, p.44) A maior parte do maquinário das indústrias foi comprada de “segunda mão”, de estados do Sudeste, ou trazida de outros estados pelos proprietários;
  4. 4. o crescimento registrado foi em fábricas que não necessitavam de mão-de-obra especializada. As indústrias que se destacaram nessa fase inicial do Estado foram os frigoríficos e as destilarias, incentivados pelo Programa Nacional do Álcool – PROÁLCOOL. O PROÁLCOOL foi instituído em 1975 em todo o país, crescendo notadamente no início dos anos 80 devido ao aumento da produção de carros a álcool e as facilidades para a aquisição destes, como valor reduzido e manutenção do motor por mais tempo. Assim, a realidade em 1979, de apenas 2 destilarias, em 1979 passou a ser de 8 unidades em 1983 e mais 2 em fase de montagem. Dados da FIPLAN (1985) mostram que a área de plantio e colheita na safra 79/80 foi de 7.138 há subiu para 49.747 há; já a produção de álcool passou de 13.718 m³ em 79/80 para mais de 170.000 m³ em 84/85 (MS Industrial, julho de 1987). Mesmo apresentando crescimento acelerado, as destilarias enfrentaram muitos problemas com a mão-de-obra, pois a necessidade aumentava muito nas épocas de colheita, e a ampliação dos eixos rodoviários empregava muitas pessoas, sendo necessário incentivar a imigração de bóias frias e de trabalhadores semi-qualificados. A atividade pecuária também teve grande expansão, começando pelo aumento das áreas de pastagens naturais e a diminuição das áreas plantadas, como mostra a Tabela 04, bem como o crescimento do rebanho. Tabela 04: Mato Grosso do Sul – Áreas de pastagens e rebanho bovino Pastagens (1.000 ha) 1970 1980 1985 Naturais 18.669 12.266 9.658 Plantadas 3.368 9.068 12.144 Bovinos (x 1.000 cab.) 7.449 11.904 14.991 Fonte: IBGE, 1996 Ao longo dos tempos a pecuária foi se afirmando como atividade principal, e fonte de produção e riqueza, nas regiões onde a agropecuária foi a
  5. 5. principal atividade econômica o controle a terra era sinônimo de riqueza e poder. Na ocasião da divisão do Estado, em 1979, funcionavam apenas 2 frigoríficos, com capacidade de abate inferior a 250 mil cabeças/ano. Oliveira (2003) observa então que o crescimento do rebanho, associado à retração da demanda da produção industrial na economia brasileira, junto com a capacidade de atuação no mercado, tanto regional como internacional, levaram a abertura de mais 5 frigoríficos no Mato Grosso do Sul, até 1985, registrando o abate de mais de 670 mil cabeças neste ano. A partir dos anos 80 o Estado já oferecia a manutenção do rebanho nas três fases do processo criatório: cria, recria e engorda. Esse panorama de crescimento industrial propiciou e fortaleceu o nascimento no Estado, o nascimento de centenas de micro-usinas com pequeno capital investido e a pequena indústria, representando o fortalecimento da produção social. O progresso na utilização das terras, o processo de urbanização elevou o padrão de vida da população economicamente ativa, e ao aumento da renda regional per capita, diversificando a economia regional. Oliveira (2003) explica ainda que tal crescimento: Provocou sintomas de “auto-suficiência” regional mesmo que, dialeticamente, tenha intensificado sua relação com as demais regiões. [...] abriu alas para a mudança de posição do Estado na divisão regional do trabalho, fixando paralelos realísticos na elevação da composição orgânica do capital, em nível estadual – além de disciplinar a população para a vida industrial. (OLIVEIRA, 2003. p.46) A expansão da fronteira agrícola, com a ampliação dos eixos rodoviários para o Sul, Nordeste e Sudeste facilitou o transporte de matérias in natura para o Sudeste, que passou a consumir industrialmente e possibilitou o escoamento para a exportação. As regiões foram se modernizando, respondendo favoravelmente às novas técnicas, a Sul, em especial, por ter grandes extensões de terra de qualidade numa tentativa de expandir os cafezais para todos os estados, inclusive para o sul do Mato Grosso, mas as condições climáticas não favoreciam o cultivo, e as geadas causaram grandes perdas.
  6. 6. 2.1 SOJA Na urgência de crescimento do setor aparece a cultura da soja, iniciando pelos estados do Sul, quando os granjeiros aproveitaram o crédito fácil oferecido pelo Governo Federal a fim de diminuir a importação de trigo, plantando o trigo e fazendo a rotação com a soja. Os grãos colhidos eram vendidos aos criadores de porcos e aos migrantes japoneses, ou seja, não havia mercado ainda para a soja no país. No antigo estado de Mato Grosso teve início em 1918 a empresa Mate Laranjeira, como uma simples atividade de extração da erva-mate foi ganhando força econômica através das exportações, tornando-se uma grande geradora de renda para toda a região, sendo o mercado Argentino seu maior consumidor, como afirma OLIVEIRA (2003). Esta atividade, porém, entrou em declínio na década de trinta, por representar um forte monopólio, sendo a única empresa com direito de exportações, e passou a ser cultivada por pequenos proprietários, reunidos em cooperativas. Apareceu assim, a necessidade de se encontrar novas alternativas na agricultura, uma vez que o solo da região se apresentava muito propício para diversas outras atividades. Por sua vez, a Companhia Mate Laranjeira, precisou a vender seus bens para saldar as dividas. Uma grande parte desses bens vendidos constitui a Fazenda Itamarati, que durante as décadas de 60 a 80, foi a maior fazenda produtora de soja do mundo. Dessa forma entrou no Estado a cultura de soja, trazida, inicialmente, por pequemos arrendatários que vieram dos estados do Rio grande Sul e Paraná, trocando a pecuária e a cultura da erva-mate e investindo em soja. Um dos fatores que beneficiou muito o sucesso desta cultura foi o grande volume de terras ociosas a preços baixos, que atraiu para região do Centro-Oeste os principais investimentos, durante a década de 70. Ainda para o mesmo autor, também foi de grande relevância as condições de clima e solo do Cerrado brasileiro, e os primeiros cultivos de soja no então Estado de Mato Grosso foram realizados na região da Grande Dourados.
  7. 7. O Estado de Mato Grosso do passou por profundas mudanças no aspecto de utilização do solo, tendo reduzidas áreas de lavouras para pastagens naturais, indicando que a atividade pecuária semi-intensiva se intensificou, sem porém, reduzir as atividades ligada às culturas permanentes. Com relação à produção de soja, o estado tem apresentado crescimento da área plantada, da produção e da produtividade. Isso é resultado da evolução tecnológica que ocorreu, sendo possível que os produtores do Estado mantivessem um alto grau de competitividade junto aos concorrentes internacionais, como pode ser analisado na Tabela a seguir, que mostra a evolução sensível das safras ano a ano no período de 1990 a 2004: Tabela 05 - Quantidade de produção (ton), área plantada (ha) e rendimento médio da produção (kg por ha) de soja em Mato Grosso do Sul de 1990 a 2004. Safras Mato Grosso do Sul Área Plantada Produtividade 1990 2.038.614 1.286.382 1.622 1991 2.017.935 1.971.968 1.895 1992 1.871.188 949.058 1.988 1993 2.289.171 1.071.694 2.145 1994 2.392.506 1.104.449 2.171 1995 2.283.546 1.044.779 2.187 1996 2.003.904 831.954 2.409 1997 2.184.283 885.596 2.466 1998 2.319.161 1.117.609 2.091 1999 2.799.117 1.073.960 2.606 2000 2.486.120 1.106.301 2.261 2001 3.115.030 1.065.026 2.925 2002 3.267.084 1.195.744 2.732 2003 4.090.892 1.412.307 2.898 2004 3.282.705 1.812.006 1.827 Fonte: IBGE (2006) - Censo Agropecuário Segundo análises realizadas pela Seplanct (2004, apud OLIVEIRA, 2003), o Estado de Mato Grosso do Sul demonstra grande potencial agrícola, e se destaca entre os maiores produtores de grãos do Brasil. Vemos na Tabela 05 que a produção de soja em 2004 contribuiu com 3.282.705 toneladas para a produção nacional, que em 2004 totalizou 49.549.941 toneladas, apresentando uma queda de 4,56% em relação à de 2003 (51.919.440 toneladas), e mesmo assim, o Brasil foi o segundo maior produtor de soja, responsável por 24% do total mundial. Nacionalmente, cerca de 30% do valor de toda a produção agrícola derivou da soja, que é hoje a cultura com maior área plantada (21.601.340 hectares) (IBGE, 2004)
  8. 8. Estudos feitos em 2004, por Michels (apud ALVES, 2005) apontam que no estado de Mato Grosso do Sul mais de 80% dos municípios produzem soja, destacando-se o município de Maracajú como o primeiro produtor representando 10,03% do total da safra do Estado, seguido por Dourados (9,92%), São Grabiel d’Oeste (9,78%), Ponta Porã (8,35%), Chapadão do Sul (6,25%) e Sidrolândia (5,36%) que juntos com Maracajú representam 49,70% de toda a produção do Estado. (ALVES, 2005) A produção de soja no Estado pode ser dar por meio de dois sistemas, o SPC - Sistema de Plantio Convencional, envolvendo o uso de implementos para o preparo do solo. Tal sistema causa muitas perdas pela erosão, acarreta problemas de compactação e desagregação dos solos, resultando em graves conseqüências ambientais e redução da produtividade; e o SPD - Sistema de Plantio Direto, um sistema preservacionista, pois sua técnica de plantio não envolve o preparo do solo, a semeadura é realizada na presença de cobertura morta de cultura anterior ou plantas em desenvolvimento, com rotação de culturas. Esses cuidados tornam as perdas com erosões bem menores, melhora os atributos químicos e físicos do solo, reduz custo de produção e eleva a produtividade (EMBRAPA, 2004). Por estar ligada a fatores do mercado mundial, a história da soja no Brasil causou mudanças até nos hábitos alimentares, pois as transformações na economia, o intenso grau de indústria e urbanização forçaram a agricultura a mudar suas forças produtivas, onde a soja foi primordial nesse panorama. Assim, o Brasil começou os anos 90 como o 2º maior produtor de soja do mundo, o 1º na exportação de farelo e o 2º na exportação de óleo. Na cozinha brasileira a banha animal, óleo de amendoim e óleo de algodão foi substituído pelo óleo de soja; as margarinas trocadas pela tradicional manteiga, e assim por diante. Os números demonstram claramente o crescimento, a produção que era de pouco mais de 200 mil toneladas na safra de 59/60 passou para 15 milhões de toneladas em 79/80, e apresentou crescimento contínuo e ininterrupto, como pode ser observado na Tabela a seguir.
  9. 9. Tabela 06 – Produção de Soja no Brasil – 1959 à 1990 Safra Área (Mil ha) Produção (Mil ton) Rendimento (Kg/ha) 59/60 171,4 205,7 1.200 64/65 431,8 523,2 1.212 69/70 1.318,8 1.508,6 1.144 72/73 3.615,1 5.011,6 1.386 74/75 5.823,7 9.892,3 1.699 79/80 8.769,0 15.153,0 1.728 84/85 10.153,0 18.278,0 1.800 89/90 11.551,0 20.102,0 1.740 Fonte: Abiove apud OLIVEIRA, 2003 Como se pode observar acima, é possível constatar que no intervalo de 30 anos a área plantada aumentou em mais de 50 vezes, e os números da produção cresceram por volta de 70 vezes. Rapidamente a cultura da soja foi se expandindo, até mesmo em fazendas com um modelo atrasado de produção, trocando a lavoura de outros produtos pela soja, mecanizando o processo e aumentando as áreas plantadas. Com isso foram sendo criadas indústrias que forneciam insumos modernos, para mais tarde serem implantadas outras unidades esmagadoras que absorviam toda a produção. A soja foi sendo produzida onde outrora havia café, milho, trigo e pastagens; tomou o lugar dos tradicionais pecuaristas e ervateiros. Com a globalização da economia passa a acontecer um processo de adaptação e reorganização das normas de produção, tornando necessário e urgente uma reavaliação das políticas tecnológicas e das estruturas organizacionais que tornaram o setor mais competitivo. Assim, hoje é possível perceber a utilização cada vez mais difundida de maquinários com alto grau de tecnologia e defensivos agrícolas, tudo para tornar a área cultivada mais produtiva. Em sua enorme expansão, a plantação de soja possibilitou a construção de uma agricultura moderna, levando outras culturas à modernização, aumentando as exportações, e ganhando espaço cenário nacional como a principal commodity do setor agrícola brasileiro. Conforme dados e pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA o Brasil é o segundo maior produtor mundial e o segundo maior exportador no mercado
  10. 10. internacional, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. O Mato Grosso do Sul tornou-se o estado de maior crescimento econômico na Região Centro-Oeste, mostrando entre 1990 e 1998 uma taxa acumulada de crescimento 25% mais acelerado que a taxa do Brasil, conforme dados do Ipea. O Estado muda também seu perfil econômico com a industrialização, pois em 1990, a atividade agropecuária correspondia a 24,4% do PIB estadual, enquanto a indústria era responsável por 13%; já em 1998, cada um desses setores tem participação de 22%. Os números em 2004 mostram a atividade agropecuária com 31,2% e a indústria com 22,7% e, outros 46,1% para o setor de serviços. A partir de 1997 é aprovada uma lei autorizando as empresas a pagar apenas 25% do ICMS por prazos de até dez anos, fator que contribui para o crescimento industrial, bem como os incentivos fiscais, que se tornam mais abrangentes a partir de então. Muitas indústrias de transformação foram atraídas para o Estado, como as de carne, soja e ração, a fim de reduzir despesas com fretes na compra da matéria-prima. Na pecuária, o gado bovino ultrapassa o rebanho mineiro, com 20,9 milhões de cabeças, conforme dados do IBGE, e a agricultura é favorecida pela proximidade com a agroindústria e com grandes mercados consumidores do Sul e do Sudeste, bem como pelo solo fértil. No Estado, as culturas voltadas para os mercados nacional e internacional estão em constante processo de modernização, empregam menos mão-de-obra e registram grande crescimento. Tomando como exemplo a produção de milho, que evoluiu 400%, e a da soja em grão passa a representar 9% da safra brasileira, com 2,79 milhões de ton. Alguns setores mais tradicionais, como as lavouras de algodão, arroz, feijão e trigo sofrem e enfraquecem com problemas climáticos, como a estiagem e as enchentes. Com o uso de máquinas agrícolas e novas técnicas, faz com que o cerrado seja uma nova opção de exploração da terra, que na sua maioria são
  11. 11. compostas de grandes fazendas produtoras de soja, milho e poucos lugares do estado que tem a fama de grandes cotoniculturas do estado, atualmente. Analisemos, an passant, a diferença entre área plantada e área colhida da soja, a perda representa a mesma área total plantada de aveia, como pode ser observado a seguir. Com o crescimento acentuado da área plantada, as perdas que são representadas na diferença pela área colhida, quase não aparecem, entretanto são bastante significativas; o motivo, ou os motivos que levaram a essa diferença não são mencionados. Ao observar, por exemplo, a produção do milho, que apresenta uma diferença entre áreas plantada e colhida de 699 mil hectares, percebe-se que mesmo com as novas técnicas de plantio e mecanização, as perdas ainda são sensíveis, como descrito na Tabela 7 a seguir:. Tabela 07: Área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e participação da cultura no total da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, em ordem decrescente de quantidade produzida, segundo os principais produtos. Brasil - 2005 Fonte: IBGE, 2006 O crescimento das áreas planta e colhida nas diversas culturas apresentaram um aumento significativo, perto de 88% na produção,
  12. 12. alcançando níveis elevados (aproximadamente 40 milhões de toneladas). Ainda de acordo com o Censo Agropecuário 2006, o Mato Grosso do Sul foi o segundo maior Estado produtor na região Centro-Oeste do país. REFERÊNCIAS ALVES, Fabiano. A competitividade da produção de soja no Mato Grosso do Sul e na Região de Ponta Porã: Uma Abordagem através das Vantagens Comparativa. Londrina, PR. 2005 Disponível em: http://www.sober.org.br/palestra/6/396.pdf AYALA, S. Cardoso; SIMON, Feliciano [prefácio], Álbum graphico do estado de Mato Grosso (E.E.U.U. do Brasil). Campo Grande-MS: AGIOSUL; SP: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006. BRASIL. Leis, Decretos: Estatuto da Terra. Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4504.htm BRASIL. Leis, Decretos: Decreto nº 59.456 de 4 de novembro de 1966. Disponível em: http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto- 59456-4-novembro-1966-399970-publicacaooriginal-38471-pe.html BRASIL. Leis, Decretos: Lei nº 8.629 de 25 de fevereiro de 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm FARIA, A.; & FRATA, A. Biocombustíveis: a cana-de-açúcar na região hidrográfica do rio Paraná. A produção de grãos, a pecuária e a cana na sub- bacia do rio Ivinhema. Campo Grande-MS: ECOA, 2008 FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO. Cultura do açúcar. [organizado por Fundação Joaquim Nabuco, TV Escola]. Recife: FJN, Editora Massangana, 2010. GARDINI, André. Novas fronteiras agrícolas da cana. 2007. Disponível em: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=23&id=253 GONÇALVES NETO, Wenceslau. Estado e Agricultura no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1997. GRESSLER, Lori Alice. Mato Grosso do Sul: Aspectos Históricos e Geográficos. Dourados, MS: L. Gressler, 2005. IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Censo Agropecuário de 1995/96. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/199 5_1996/default.shtm ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Agropecuario_1995_96/Mato_Grosso_do_S ul/.
  13. 13. Acessado em novembro de 2011. IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Censo Agropecuário de 2006. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br/agropecuário. Acessado em dezembro de 2009. IBGE - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Produto Interno Bruto dos Municípios (2003-2006). Contas Nacionais, nº 26, 2008. IBGE – Produção Agrícola Municipal 1996 e 2006. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br. Acessado em maio de 2009. INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Disponível em: www.incra.gov.br>. Acesso em 17/05/2011. INCRA. Histórico da Questão Agrária. Disponível em: http://www.incra.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=category&l ayout=blog&id=270&Itemid=288. Acessado em 17/05/2011. INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/consumidor/unidLegaisMed.asp. Acessado em 29/07/2011. Acessado em 26/07/2011 MOREIRA, Ruy. Formação do Espaço Agrário Brasileiro, São Paulo: Hucitec, 1990 OLIVEIRA, Tito Caros Machado de. Agroindústria e reprodução do espaço. Brasília: Ministério da Integração Nacional; Campo Grande: Ed. UFMS, 2003. Coleção Centro-Oeste de Estudos e Pesquisas. S I - Tradução da publicação do BIPM Resumo do Sistema Internacional de Unidades – SI. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pdf/Resumo_SI.pdf. SOUZA, Maria Antônia. Movimentos sociais no Brasil contemporâneo: participação e possibilidades no contexto das práticas democráticas. Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade Tuiuti de Curitiba, PR. REZENDE, Antonio Paulo. História do Movimento Operário no Brasil. 3.ed. São Paulo: Ática, 1994 TEIXEIRA, J. C. Modernização da Agricultura No Brasil: Impactos Econômicos, Sociais e Ambientais. 2005. Disponível em: http://www.cptl.ufms.br/revista- geo/jodenir.pdf

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