Dificuldade de Aprendizagem em Crianças Portadoras de Fissuras Labiopalatinas.

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As fissuras labiopalatinas são as mais comuns deformidades congênitas crânio-faciais, caracterizadas pela interrupção da fusão dos tecidos dos lábios, rebordo alveolar superior e palato duro e palato mole durante o período embrionário. Ao entrar na escola a criança adquire muitos tipos de aprendizagem, mas a expectativa maior está relacionada ao aprendizado da leitura e da escrita, crianças que apresentam fissura labiopalatina podem sofrer discriminação pela deformidade facial e pelas alterações de fala e voz gerando limites e dificuldades no desenvolvimento da comunicação oral e escrita. O objetivo deste estudo foi identificar através do relato dos pais a presença de dificuldades de aprendizagem em indivíduos com fissura labiopalatina em fase de alfabetização e estabelecer uma possível relação entre a deformidade e as dificuldades encontradas. A metodologia utilizada foi a elaboração de um questionário composto por 13 questões, aplicado a pais de 11 crianças com fissura labiopalatina que estão cursando as séries iniciais do ensino fundamental. Os resultados demonstraram que os pais de 5 (45,4%) crianças com fissura relataram existir queixas dos professores quanto a dificuldade no desempenho escolar de seus filhos, sendo que 36,3% dessas são referentes às dificuldades em leitura e cálculos matemáticos, e 27,2% referente à escrita. Relacionando o tipo de fissura com a presença de dificuldade observamos que dos 3 indivíduos com fissura pré-forame apenas 1 (33%) teve relato dos pais de dificuldade no desempenho escolar. A maioria dos pais não acredita que a fissura interfira nem na frequência (72,7%) nem no desempenho escolar (81,8%) dos filhos. Concluiu-se que 45,4% das crianças com fissura labiopalatina apresentam dificuldades no desempenho escolar, sendo a maioria dos relatos referente às dificuldades em leitura e cálculos matemáticos e desatenção. Em virtude do pequeno número da amostra e dos vários fatores como os ambientais, psicológicos e metodológicos, que podem influenciar na aprendizagem da criança, não foi possível estabelecer uma relação direta entre a dificuldade de aprendizagem e a fissura labiopalatina. Sugerimos um acompanhamento fonoaudiológico e psicopedagógico, para garantir uma adequada estimulação e um bom rendimento escolar de alunos com fissura labiopalatina.

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Dificuldade de Aprendizagem em Crianças Portadoras de Fissuras Labiopalatinas.

  1. 1. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAQUARA – UNIARADEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FONOAUDIOLOGIADIFICULDADES DE APRENDIZAGEM EM CRIANÇAS PORTADORAS DE FISSURAS LABIOPALATINAS QUEZIA OLIVEIRA RIBEIRO BACHARELADO EM FONOAUDIOLOGIA ARARAQUARA-SP 2009
  2. 2. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAQUARA – UNIARADEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FONOAUDIOLOGIADIFICULDADES DE APRENDIZAGEM EM CRIANÇAS PORTADORAS DE FISSURAS LABIOPALATINAS QUEZIA OLIVEIRA RIBEIRO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC APRESENTADO COMO EXIGÊNCIA PARCIAL PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE BACHARELADO EM FONOAUDIOLOGIA, SOB ORIENTAÇÃO DA PROFª. ESP. MARIA LUISA MICELI SILVEIRA LEITE E AVALIAÇÃO FINAL DA DISCIPLINA TCCII SOB A RESPONSABILIDADE DA PROFª. Ms. FRANCINE T. O. BROGGIO ARARAQUARA-SP 2009
  3. 3. FOLHA DE APROVAÇÃO O presente trabalho foi examinado, nesta data, pela Banca Examinadoracomposta dos seguintes membros: ------------------------------------------------------ Maria Luisa Miceli Silveira Leite Orientador (a) ------------------------------------------------------ Luciana Rueda Sborowski Professor (a) Convidado (a) ------------------------------------------------------ Joselena Fachinetti Professor (a) Convidado (a) Análise do Texto Escrito:.................... Análise da Apresentação:.................... Análise da Defesa: .............................. Média Aritmética: ............................. MÉDIA FINAL: ............................... DATA:...../...../2009
  4. 4. TREM DA VIDA “A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros. Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível....mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos. Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio, outros encontrarão essa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe. Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante a viagem, atravessemos, com grande dificuldade nossovagão e cheguemos até eles....só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá. O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual paradadesceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando, se, quando descer desse trem, sentirei saudades....acredito que sim, me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram.....Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranquila, que tenha valido à pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem.” Silvana Duboc
  5. 5. Dedicatória
  6. 6. A minha mãe , Izabel Anacleto de Oliveira Ribeiro, exemplo de garra e otimismo, que acreditou em mim eme assegurou que estaria comigo em todos os momentos, ajudando-me a enfrentar todos os obstáculos. Você é o meu espelho... Te amo!!!
  7. 7. Agradecimentos
  8. 8. A Deus, que me fortalece a cada passo de minha vida, e esteve comigo durante toda minha caminhada me concedendo a graça de atingir o meu objetivo. Aos meus pais e a minha tia, por terem me acompanhado lado a lado em todas as batalhas. Pela extrema dedicação e colaboração que dispuseram em meu favor e, principalmente, por acreditarem em minha vitória.A minha amiga-irmã, que presenciou momentos tristes e alegres da minha caminhada muitas vezes deixando de lado os seus problemas para ajudar-me a resolver os meus. Ao meu irmão que esteve com meus pais em minha ausência e aguardou com paciência o término dos meus estudos para iniciar os seus. Aos meus amigos e futuros colegas de profissão Érika (pipoca) e Helbert, que devido às circunstâncias nos separamos no segundo ano de faculdade mas mesmo assim mativeram a promessa de não desfazer o trio. As minhas eternas amigas Guidão, Berton e Nadião, que tornaram fácil a minha adaptação à nova turma, me aproximando do grupo talvez por pena ou curiosidade, mas que se tornaram pessoas indispensáveis no meu trajeto, e claro a Cida – desesperada, que chegou tão perdidaquanto eu, e que inicialmente se mostrou tão diferente de mim em personalidade e no final mefez descobrir que temos muito em comum. Assim, agradeço ao quinteto fantástico, que tornará a minha partida mais dolorosa em função do quão significante foi na minha estadia. Agradeço a todas as minhas colegas de república que tornou a nossa casa um lar, proporcionando uma convivência de irmãs, com muito amor, carinho, e bagunça. Aos meus amigos de longe que sempre estiveram perto em pensamento, mensagens e conversas. A todos os professores por terem contribuído com sua sabedoria ajudando-me a concretizarmais esta etapa da minha vida; especialmente a professora Joselena Fachinetti, que além dos seus ensinamentos pude compartilhar da sua amizade e companheirismo. A todos os colegas de turma, dos quais sentirei saudades, pela amizade, troca de conhecimentos, lealdade e cumplicidade ao longo do curso .A Luísa, por seu exemplo como pessoa e orientadora, que me ajudou no direcionamento deste trabalho, com carinho, incentivo e prontidão a me orientar, confiando em minha capacidade. Aos pais que aceitaram participar desta pesquisa, mostrando prontidão e prazer em ajudar. As gerentes do NADEF e ADAF por tornarem possível a realização deste trabalho, agradeço pela receptividade e apoio. A todos que, direta ou indiretamente ajudaram na realização deste trabalho, compartilhandodas alegrias e tristezas ocorridas neste período, e que foram constantes incentivadores para sua concretização. Meus eternos agradecimentos!!!
  9. 9. Resumo
  10. 10. As fissuras labiopalatinas são as mais comuns deformidades congênitas crânio-faciais,caracterizadas pela interrupção da fusão dos tecidos dos lábios, rebordo alveolar superior epalato duro e palato mole durante o período embrionário.Ao entrar na escola a criança adquiremuitos tipos de aprendizagem, mas a expectativa maior está relacionada ao aprendizado daleitura e da escrita, crianças que apresentam fissura labiopalatina podem sofrer discriminaçãopela deformidade facial e pelas alterações de fala e voz gerando limites e dificuldades nodesenvolvimento da comunicação oral e escrita. O objetivo deste estudo foi identificar atravésdo relato dos pais a presença de dificuldades de aprendizagem em indivíduos com fissuralabiopalatina em fase de alfabetização e estabelecer uma possível relação entre a deformidadee as dificuldades encontradas. A metodologia utilizada foi a elaboração de um questionáriocomposto por 13 questões, aplicado a pais de 11 crianças com fissura labiopalatina que estãocursando as séries iniciais do ensino fundamental. Os resultados demonstraram que os pais de5 (45,4%) crianças com fissura relataram existir queixas dos professores quanto a dificuldadeno desempenho escolar de seus filhos, sendo que 36,3% dessas são referentes às dificuldadesem leitura e cálculos matemáticos, e 27,2% referente à escrita. Relacionando o tipo de fissuracom a presença de dificuldade observamos que dos 3 indivíduos com fissura pré-forameapenas 1 (33%) teve relato dos pais de dificuldade no desempenho escolar. A maioria dos paisnão acredita que a fissura interfira nem na frequência (72,7%) nem no desempenho escolar(81,8%) dos filhos. Concluiu-se que 45,4% das crianças com fissura labiopalatina apresentamdificuldades no desempenho escolar, sendo a maioria dos relatos referente às dificuldades emleitura e cálculos matemáticos e desatenção. Em virtude do pequeno número da amostra e dosvários fatores como os ambientais, psicológicos e metodológicos, que podem influenciar naaprendizagem da criança, não foi possível estabelecer uma relação direta entre a dificuldade deaprendizagem e a fissura labiopalatina. Sugerimos um acompanhamento fonoaudiológico epsicopedagógico, para garantir uma adequada estimulação e um bom rendimento escolar dealunos com fissura labiopalatina.Palavras chaves: Fissura labiopalatina, dificuldades de aprendizagem, desempenho escolar.
  11. 11. SUMÁRIO I. INTRODUÇÃO _____________________________________________________01 1.1.Objetivo ________________________________________________________05 1.2.Hipóteses _______________________________________________________05 1.3.Justificativa______________________________________________________05 II. LITERATURA______________________________________________________06 2.1.Dificuldade de Aprendizagem _______________________________________07 2.1.1. Conceito __________________________________________________07 2.1.2. Fatores que influenciam na aprendizagem escolar__________________08 2.1.2.1. Âmbito institucional_____________________________________10 2.1.2.2. O professor____________________________________________11 2.1.2.3. Âmbito familiar ________________________________________12 2.1.2.4. O aluno_______________________________________________13 2.2.Fissura Labiopalatina______________________________________________15 2.2.1. Embriologia _______________________________________________15 2.2.2. Etiologia__________________________________________________16 2.2.3. Incidência_________________________________________________16 2.2.4. Classificação_______________________________________________17 2.2.5. Tratamento das fissuras labiopalatinas___________________________23 2.2.6. Distúrbios da comunicação decorrentes da fissura labiopalatina_______24 2.2.7. Desempenho escolar de crianças com fissuras labiopalatinas _________26 2.2.8. Intervenção Fonoaudiológica__________________________________30 2.2.8.1. Linguagem e fala _______________________________________30 2.2.8.2. Audição ______________________________________________31III. METODOLOGIA ___________________________________________________33IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO________________________________________35 V. CONCLUSÃO ______________________________________________________43VI. REFERÊNCIAS_____________________________________________________45VII. ANEXOS__________________________________________________________53
  12. 12. LISTA DE TABELASTabela 1: Quantificação e porcentagem quanto gênero e tipo de fissura que os filhos dossujeitos apresentam.Tabela 2: Quantificação e porcentagem quanto à queixa do professor sobre a dificuldade nodesempenho escolar, que os filhos dos sujeitos apresentam.Tabela 3: Quantificação e porcentagem da amostra quanto ao tipo de fissura e relato dedificuldade no desempenho escolar.Tabela 4: Quantificação e porcentagem da amostra quanto aos tipos de dificuldades nodesempenho escolar referidas pelo professor.Tabela 5: Quantificação e porcentagem da amostra quanto a outros tipos de dificuldadesreferidas pelo professor.Tabela 6: Quantificação e porcentagem quanto à idade de ingresso escolar e a presença dedificuldade no desempenho escolar.Tabela 7: Quantificação e porcentagem quanto à relação entre a série escolar e a presença dedificuldade no desempenho escolar.Tabela 8: Quantificação e porcentagem quanto à relação entre o tipo de escola frequentada e apresença de dificuldade no desempenho escolar.Tabela 9: Quantificação e porcentagem quanto interferência da fissura na frequência e nodesempenho escolar segundo a concepção dos pais.Tabela 10: Quantificação e porcentagem segundo os comportamentos/atitudes apresentadospelas crianças com fissuras frente às dificuldades encontradas.Tabela 11: Quantificação e porcentagem de ocorrência de apelido atribuído à criança comfissura.Tabela 12: Quantificação e porcentagem da amostra segundo a participação dos pais na vidaescolar do filho.
  13. 13. LISTA DE FIGURASFigura 1: Fissura pré-forame incisivo unilateral incompleta (A) e unilateral completa (B).Figura 2: Fissura pré-forame incisivo bilateral incompleta (A) e bilateral completa (B).Figura 3: Fissura pré-forame incisivo mediana incompleta (A) e mediana completa (B).Figura 4: Fissura transforame unilateral (A), bilateral (B) e mediana (C).Figura 5: Fissura pós-forame incisivo completo (A) e incompleta (B).Figura 6: Fissuras raras de face – buco ocular (A), macrostomia (B) e oblíqua (C).Figura 7: Fissura submucosa.
  14. 14. 1Introdução
  15. 15. 2 As fissuras labiopalatinas são deformidades congênitas caracterizadas pela interrupçãoda fusão dos tecidos dos lábios, rebordo alveolar superior e palato duro e palato mole duranteo período embrionário. Elas representam as mais comuns das malformações congênitas crânio-faciais, presente na população humana. A classificação das fissuras é dividida em quatrocategorias, tomando como ponto o forame incisivo, que é o limite entre o palato primário esecundário, são elas: fissura pré-forame incisivo, são as fissuras exclusivamente labiais epodem ser unilateral esquerda ou direita, bilateral e mediana; fissura pós-forame incisivo, sãoas fissuras palatinas em geral medianas, que podem situar-se apenas na úvula, palato mole oupalato duro; fissura transforame incisivo, são as fissuras de maior gravidade, podem serunilaterais direita ou esquerda ou bilaterais e atinge o lábio, a arcada alveolar e todo o palato efissuras raras da face, que envolvem o lábio, nariz e o olho. A etiologia é controversa, ainda não se conseguiu isolar um fator causal específico,mas sim apontar alguns possíveis fatores, como o fator genético e fator ambiental. Quanto aofator genético, destaca-se a hereditariedade e alterações cromossômicas e quanto ao fatorambiental, todo e qualquer fator adverso ao meio uterino interferindo no período embrionário. Atualmente, com o avanço da medicina e com o advento da avaliação por imagens e daavaliação instrumental, o diagnóstico das fissuras da face ainda durante o período pré-natalpode ser feito. Este fato exigiu a formação de equipes interdisciplinares, preparadas para umaatuação junto à família do paciente fissurado, que envolve esclarecimentos quanto aosrecursos disponíveis para o tratamento em relação as atuais técnicas cirúrgicas, aos aspectosnutricional, auditivo, da linguagem, psicológico e educacional. Neste processo, nas equipesinterdisciplinares a presença do fonoaudiólogo é fundamental para estabelecer a condutaterapêutica mais adequada a cada caso, pois as alterações estéticas e funcionais presentes nofissurado, normalmente, acarretam prejuízos na alimentação (dificuldade para sugar, deglutir,mastigar), e no desenvolvimento da fala e linguagem, além da alteração de voz. Tabith (1986) descreveu que, as fissuras de lábio e de palato são geralmenteacompanhadas de distúrbios da comunicação, como os distúrbios do desenvolvimento dalinguagem, o qual atribui aos aspectos ambientais e emocionais; distúrbio de fala e distúrbioda voz, e podem variar muito quanto ao tipo e severidade do comprometimento. O aspecto psicossocial dos indivíduos portadores de fissuras labiopalatinas éduramente afetado devido à baixa auto-estima e ao auto-reconhecimento provocando um
  16. 16. 3impacto negativo em relação às reações e expectativas dos outros. Embora o ambiente escolarseja de fundamental importância para a integração e relação interpessoal de qualquer criança,aquelas que apresentam uma fissura labiopalatina podem sofrer discriminação peladeformidade facial e pelas alterações de fala e voz gerando limites e dificuldades nodesenvolvimento da comunicação oral e escrita. A participação da família e principalmente dos pais tem um papel fundamental nodesempenho social e escolar destes indivíduos, a relação entre a família e a escola colaborapara um equilíbrio no desempenho escolar. A aprendizagem refere-se a aspectos funcionais e resulta de toda estimulaçãoambiental recebida pelo indivíduo no decorrer da vida. O processo de aprendizagem sofreinterferência de vários fatores – intelectual, psicomotor, físico, social e emocional. O ser humano aprende e incorpora conhecimentos, sendo a linguagem o aspectodistintivo do homem em relação aos demais animais, pois só ele é capaz de se comunicaratravés da linguagem falada e da linguagem escrita, sendo que para que esta aprendizagem seprocesse, se faz necessário uma série de aquisições prévias para que a criança seja capaz derealizar esses conhecimentos, portanto para que seja possível a aquisição de qualquer tipo deaprendizagem, é necessário um desenvolvimento neurológico harmônico em interação com asinfluências ambientais. Ao entrar na escola a criança adquire muitos tipos de aprendizagem, mas a expectativamaior está relacionada ao aprendizado da leitura e da escrita. A leitura e a escrita são descritascomo parte integrante do desenvolvimento da linguagem, não é uma aprendizagem isolada, elafaz parte de um processo linguístico complexo e adquirido através de etapas, as quais sãoobedecidas hierarquicamente. Todo este processo pode ser adquirido normalmente por muitascrianças enquanto que outras demonstram uma grande dificuldade nesta aquisição. A dificuldade de aprendizagem é um termo usado de maneira geral e manifesta-secomo dificuldade para integrar os elementos simbólicos percebidos na unidade de uma palavraou uma frase e atinge em diversos graus a leitura, a escrita, a ortografia e o raciocíniomatemático. Segundo Souza (2000), as crianças que apresentam dificuldades em lidar com os sonsda fala possivelmente terão dificuldades em relacionar estes sons com as letras das palavrasescritas.
  17. 17. 4 Stefanini e Cruz (2006), pesquisaram sobre a concepção dos professores sobre adificuldade de aprendizagem, e encontraram três concepções distintas: dificuldade de assimilaro conteúdo, dificuldade na leitura e escrita, e dificuldade em relação ao raciocínio, que podemaparecer conjuntamente, apenas duas delas ou somente uma. Mas são dificuldadesconsideradas reversíveis, segundo os professores. Existem poucos estudos que relacionam as deformidades faciais – fissuraslabiopalatinas – às dificuldades de aprendizagem. Broder; Richman e Matheson (1998) investigaram a frequência de dificuldade deaprendizagem, o nível de realização escolar e a frequência de retenção da classe em criançascom fissuras. Os resultados evidenciaram que essas crianças têm uma taxadesproporcionalmente elevada de dificuldade de aprendizagem, retenção e uma baixa taxa derendimento escolar. O desempenho acadêmico e a influência das expectativas do professor são questõesprimordiais na relação entre a fissura e a escola. Dados atuais parecem indicar um déficit emgeral, associado aos problemas verbais ligados quase sempre a essas deformidades, entretantoparece não haver relação entre deformidade facial e déficit intelectual (AMARAL,1997). Por apresentar um variado número de alterações, o portador de fissura labiopalatinadeverá sempre ser assistido por uma equipe multidisciplinar, que irá proporcionar o adequadoaproveitamento de todas as suas potencialidades possibilitando um desenvolvimentopsicossocial integral e um bom desempenho escolar . Em relação ao trabalho dofonoaudiólogo, ele deve ser iniciado o mais precocemente possível e tem como objetivoprimeiramente desenvolver a comunicação oral e escrita, pois dela dependerá a sociabilizaçãodo indivíduo, para depois serem abordadas as alterações vocais e miofuncionais.
  18. 18. 5 1.1.OBJETIVO O objetivo deste trabalho é identificar através do relato dos pais a presença dedificuldade de aprendizagem apresentadas em crianças com fissuras labiopalatinas em fase dealfabetização, a fim de estabelecer uma possível relação entre a deformidade e as dificuldadesencontradas. 1.2.HIPÓTESES Acredita-se que, os indivíduos portadores de fissura labiopalatina apresentam umdesempenho escolar relativamente baixo, o que sugere uma relação entre essa deformidadecrânio-facial e a dificuldade de aprendizagem. Acredita-se que, os indivíduos portadores de fissura labiopalatina apresentam umrendimento escolar satisfatório, o que sugere que não há interferência da fissura nodesempenho acadêmico do portador. 1.3.JUSTIFICATIVA Através desta pesquisa pretende-se evidenciar as principais dificuldades escolaresapresentadas por crianças com fissuras palatinas, pois observa-se uma ocorrência significativana clínica fonoaudiológica, de dificuldades de aprendizagem nesse grupo de indivíduos e onúmero de pesquisas que evidenciam uma provável relação entre fissuras labiopalatinas edificuldade de aprendizagem é escasso.
  19. 19. 6Literatura
  20. 20. 7 2.1.Dificuldade de Aprendizagem 2.1.1.Conceito Na literatura não há uma definição comum sobre o que é dificuldade de aprendizagem,como e por que ela se manifesta, mas diversos autores relatam que o baixo rendimento escolarnão indica necessariamente que a criança tenha dificuldade de aprendizagem. Para Boone e Plante (1994), a criança ao entrar na escola enfrenta um novo mundo, e suascapacidades de linguagem desempenham um papel crítico em seu sucesso ou fracasso. Garcia (1998) destacou que, apesar das várias definições existentes, muitas têm apenasvalor histórico. Em seu livro apresenta uma definição bastante consensual proposta peloNational Joint Committe on Learning Disabilities (NJCLD): Dificuldade de aprendizagem é um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de transtornos que se manifestam por dificuldades significativas na aquisição e uso da escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Esses transtornos são intrínsecos ao indivíduo, supondo-se devido à disfunção do sistema nervoso central, e podem ocorrer ao longo do ciclo vital. Podem existir, junto com as dificuldades de aprendizagem, problemas nas condutas de auto-regulação e percepção e interação social (NJCLD, 1988). Segundo Smith e Strick (2001), as dificuldades não referem a um único distúrbio, masuma ampla gama de problemas que podem afetar qualquer área do desempenho escolar. Sendoo baixo rendimento em atividades de leitura, escrita ou cálculo apresentado por escolares emrelação ao que se poderia esperar de acordo com sua inteligência e oportunidades, acaracterística principal de uma dificuldade de aprendizagem. Podem ocorrer a qualquermomento no processo de ensino-aprendizagem e correspondem a déficits funcionais
  21. 21. 8superiores, tais como, cognição, linguagem, raciocínio lógico, percepção, atenção eafetividade. Para Guerra (2002), crianças com dificuldade de aprendizagem não são deficientes, nãosão incapazes e ao mesmo tempo, demonstram dificuldades para aprender. Incapacidades deaprendizagem não devem ser confundidas com dificuldades de aprendizagem. Em estudos Osti (2004) concluiu que, o professor concebe a dificuldade de aprendizagemcomo um aspecto relacionado ao desempenho escolar do aluno, ou seja, ser um aluno comdificuldade de aprendizagem implica em não atingir o mínimo esperado, na incapacidade paraassimilar informações e em não avançar na aprendizagem. 2.1.2.Fatores que influenciam na aprendizagem escolar Drouet (1990) ressaltou que, para que ocorra o processo de ensino-aprendizagem énecessário o respeito ao professor, aos alunos, aos conteúdos e ao meio social. A falha emalgum desses elementos causa sérios problemas em relação à aprendizagem. Fonseca (1995), considerou como fator das dificuldades de aprendizagem a integraçãoentre uma etiologia hereditária e neurobiológica e uma etiologia sócio-cultural e classifica-osem fatores biológicos, sociais, fatores de envolvimento e de privação cultural e fatores sócio-econômicos. Souza (1996), relacionou diretamente os fatores ambientais, psicológicos e metodológicosao sucesso e ao fracasso acadêmico. Os problemas emocionais e os métodos de ensino inadequados, são apontados por Moraes(1997), como as principais causas de dificuldades de aprendizagem.
  22. 22. 9 O desempenho escolar depende de diferentes fatores: características da escola (físicas,pedagógicas, qualificação do professor), da família (nível de escolaridade dos pais, presençados pais e interação dos pais com escola e deveres) e do próprio indivíduo (ARAÚJO, 2002). Segundo Stevanato (2003), as dificuldades de aprendizagem quase sempre se apresentamassociadas a problemas de outra natureza, principalmente comportamentais e emocionais, e ascrianças que a apresentam são descritas como menos envolvidas com as tarefas escolares queos seus colegas sem dificuldades. Conforme Ciasca (2003), ensinar e aprender são processos lentos, individuais eestruturados, quando não se completam por falha interna ou externa surgem os distúrbios e asdificuldades de aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem leva a criança não só adesmotivação, mas também ao desgaste e reprovação, transformando-a num rótulo dentro daescola. De acordo com Pacheco (2005), existem fatores inter-relacionados que interferem noprocessamento de informações e no uso social da linguagem. Dentre eles, cita o estressefamiliar, o grau de estimulação no lar, a eficácia das mães no ensino de seus filhos, aslimitações econômicas, a saúde, o grau de satisfação com a vida, as oportunidades disponíveispara os pais, o apoio social dos familiares entre outros. São várias as causas que influenciam na aprendizagem escolar, os professores atribuem aoinsucesso escolar da criança fatores como: os problemas familiares, os problemas da própriacriança e os problemas relativos à escola (STEFANINI e CRUZ, 2006). Atribui-se a dificuldade de aprendizagem a diversos fatores, necessitando assim abordar arelação entre o processo de aprendizagem e a construção da história escolar do aluno,considerando o âmbito: institucional, do professor, familiar e do aluno.
  23. 23. 10 2.1.2.1. Âmbito institucional De acordo com Kiguel (1976), a escola pode contribuir para o fracasso escolar vivenciadopor algumas crianças, em função de classes muito numerosas, salas de aula planejadasinadequadamente, mudança contínua de professores, professores inexperientes ouinsuficientemente treinados, e utilização de metodologia inadequada. Schliemann; Carraher e Carraher (1995), atribuíram o fracasso escolar da criança àinstituição escolar, relatando que a escola não aproveita os conhecimentos informais aplicadospelas crianças em situações cotidianas. Segundo Ribeiro (2004), a escola herda todo o “histórico emocional” do aluno, o que vaiconferir uma adaptação ao contexto escolar específico em cada caso. Tanto a boa provisãoambiental inicial como as inevitáveis falhas serão sentidas no decorrer das vivências escolares. A escola é um dos agentes responsáveis pela integração da criança na sociedade. Temuma tarefa relevante no resgate da auto-imagem distorcida da criança, e responsabilidade ecompetência em desvendar para a criança o significado e o sentido do aprender. Ela devebuscar formas de prevenção nas propostas de trabalho, preparar os professores paraentenderem seus alunos, respeitando o ritmo de cada um, e mobilizar-se frente ao surgimentode algum problema com algum aluno, a fim de que solucionem a possível dificuldade(BELLEBONI, 2004). Na percepção de Osti (2004), a escola precisa reconhecer seu papel e contribuir para ummelhor desempenho do aluno com dificuldade de aprendizagem, seja revendo sua metodologiae dando respaldo para o trabalho do professor, quando a origem da dificuldade for decorrentede problemas da própria instituição, bem como orientar os pais possibilitando desta forma,uma educação justa que visa propiciar o desenvolvimento pleno do aluno. De acordo com Ribeiro e Gusmão (2005), prestação de serviços de qualidade e boascondições de trabalho no ambiente físico escolar dependem de espaços educativos
  24. 24. 11organizados, limpos, arejados, cuidados, com móveis, equipamentos e materiais didáticosadequados à realidade da escola. Sendo necessário dispor-se de recursos suficientes e dequalidade, para uma relação adequada entre o ambiente físico escolar, as necessidades doprocesso educativo e o envolvimento da comunidade. O apoio da escola é fundamental para a prática pedagógica, em se tratando de criançascom dificuldades de aprendizagem. A escola deve dispor de meios de auxiliar o educador atrabalhar com esses alunos. Ressaltando que, em nenhum momento, a criança comdificuldades de aprendizagem deve passar por algum tipo de constrangimento no ambienteescolar (FEITOZA e LUZ, 2006). Lima e Ribeiro (2007) afirmaram que, um ambiente escolar facilitador para o crescimentopessoal do aluno no início de sua vida escolar é um dos fatores determinantes na prevençãodos problemas educacionais, dificuldades no aprendizado e outras problemáticas. Entendemque o processo de escolarização pode contribuir tanto favorecendo o desenvolvimento humanocomo estabelecendo ou acirrando dificuldades já trazidas pela criança. 2.1.2.2. O professor De acordo com Gontijo (2001), é necessário que o professor avalie a importância de suaatuação na sala de aula; esteja atento aos esforços demonstrados pela criança; e às relaçõesconstruídas em sala de aula, que são essenciais para que ocorra aprendizagem. O professordeve ter uma exata noção de seus objetivos ao ensinar, levando em conta as características doaluno e da classe, seu domínio e suas habilidades. Cool (2001) relatou que, a representação que o professor tem de seu aluno, as intenções ecapacidades que lhe atribui, podem modificar o comportamento real dos alunos na direção dasexpectativas associadas a tal representação. É de extrema importância que o professor conheça seu aluno, saiba dados sobre suarealidade, sua família, saiba identificar e respeitar as diferenças entre esses alunos em sala,
  25. 25. 12tendo a sensibilidade para observar as dificuldades de alguns alunos e conseguir trabalharessas dificuldades sem que o aluno se sinta diferente ou menos capaz que os demais. Devemestar aptos a detectar os sintomas das dificuldades de aprendizagem e saber como trabalhá-lasem classe, bem como solicitar o encaminhamento para providenciar o diagnóstico e meiospara um atendimento adequado (OSTI, 2004). Para Guimarães (2004), a motivação intrínseca do aluno não resulta de treino ou deinstrução, mas pode ser influenciada principalmente pelas ações do professor. A motivação doprofessor é vulnerável a fatores sócio-contextuais como, por exemplo, o número de alunos emsala de aula, o tempo de experiência no magistério, o gênero, a idade, as interações com adireção da escola, as concepções ideológicas, entre outros. E configura-se em uma importantefonte de influência para o desempenho, emoções e motivação dos alunos em relação à escola. Segundo Pietromillo (2005), as atitudes do professor dentro da sala de aula interferempositiva ou negativamente no desempenho dos alunos, sendo que suas atitudes podem gerardesde desconforto e desestruturação no desempenho dos alunos, até uma maior motivaçãopara aprenderem com os erros de maneira construtiva. Costa (2007), citou aspectos importantes envolvidos no desempenho escolar do aluno,como a interação professor-aluno, os programas de ensino, os métodos, a capacidade didática,e o conhecimento das técnicas de avaliação utilizadas pelo professor. E sugere que osprofissionais da educação adotem uma postura ética em relação ao aluno, tornando a transiçãodo ambiente familiar para o escolar menos aflitiva, permitindo a criança reconhecer-se comopertencente ao grupo e revelar todas suas potencialidades sem medo de rótulos e exclusão. 2.1.2.3.Âmbito familiar Para Sousa (1996), o ambiente de origem da criança é altamente responsável pelo seudesempenho em atividades e na aquisição de novas experiências. Um ambiente compreocupações constantes e predominância de autoritarismo torna a criança tensa e submissa,
  26. 26. 13enquanto um lar acolhedor permite a livre expressão emocional da criança, levando-a a reagircom seus sentimentos, positivos ou negativos, livremente. Smith e Strick (2001) relataram que, as crianças que recebem um incentivo carinhosodurante toda a vida tendem a ter atitudes positivas, tanto sobre a aprendizagem quanto sobre simesmas, buscando formas de contornar qualquer dificuldade apresentada. Segundo Chechia e Andrade (2002), a participação dos pais na vida escolar do filhodesempenha um papel importante no seu desempenho. As autoras consideram que a criança eos pais trazem consigo uma ligação íntima com o desempenho e o diálogo entre a família e aescola, tende a colaborar para um equilíbrio no desempenho escolar. Afirmam que os filhosvivem reflexos negativos e positivos do contexto familiar, internaliza-os conforme o modelorecebido, e esses modelos parecem possuir um peso considerável no contexto escolar, e que apresença dos pais na vida escolar dos filhos constitui um fator indispensável para desempenhoescolar e enfatizando a importância da presença dos pais principalmente nas reuniõesrealizadas nas escolas. Na relação família e escola, a família legitima o discurso escolar, buscando adequar aspráticas culturais familiares às praticas escolares, e atua de forma conjunta com a escola,intervindo na aprendizagem de seus filhos, de modo a garantir que as crianças possam receberum suporte preventivo, em idade de aquisição da leitura e da escrita (MAIMONI e RIBEIRO,2006). 2.1.2.4. O aluno Fonseca (1995) considerou que, as crianças com dificuldade de aprendizagemdesenvolvem uma diversidade de comportamentos que geram vários problemas, que sevinculam e comprometem a aprendizagem; esses podem ser cognitivos, perceptivos,emocionais, psicolinguísticos, psicomotores, de atenção e de memória.
  27. 27. 14 Considerando o aspecto cognitivo e social, e também a idade em que começam afreqüentar a escola, pode imaginar a importância que essa terá no desenvolvimento dascrianças. Para estas, a escola representa uma grande mudança no nível de expectativa eexigências dos pais. Com o início da escolarização formal, começam a surgir papéisespecíficos que fazem parte de cada cultura e o aprendizado de determinadas competênciaspassa a ser fundamental para o desenvolvimento de qualquer ser humano. A vida diária deuma criança em idade escolar é modelada pelas horas passadas na escola, pela companhia dosamigos e pela sociedade e cultura que a envolvem. (MIRANDA e GOMES, 2002). Zucoloto e Sisto (2002), investigaram a compreensão da leitura de 194 alunos de 2ª e 3ªséries com dificuldade de aprendizagem escrita, em relação ao gênero e idade. Relataram queo desempenho geral da segunda série foi inferior ao desempenho geral da terceira série,considerando que quanto mais inicial a série maiores as dificuldades encontradas, masressaltando que a dificuldade de aprendizagem está relacionada a níveis de compreensão e àidade, independendo da série escolar. Martini e Del Prette (2002), ao investigar atribuições de causalidade de professores doEnsino Fundamental para situações de sucesso ou fracasso escolar dos seus alunos,observaram que, o sucesso e fracasso no processo ensino-aprendizagem foram compreendidospelos professores como sendo primordialmente de responsabilidade dos alunos. Nas situaçõesde sucesso escolar, as professoras atribuíram o bom desempenho dos alunos principalmente àcapacidade e esforço dos próprios alunos, e relacionaram o fato de os alunos não fazerem bemuma lição e também de os alunos de baixo desempenho escolar não tirarem boas notas à faltade capacidade. Sendo esta geralmente reconhecida como uma causa interna e incontrolável aosujeito e considerada como uma causa predominantemente estável, que contribui paraproblemas comportamentais, de aprendizagem e de motivação. As crianças com dificuldade de aprendizagem possuem bom potencial intelectual apesarde manifestarem problemas em algumas aquisições cognitivas, o que diferencia são seusestilos e ritmos de aprendizagem. Em função disso acabam se convencendo que nãoaprenderão, apesar de seus esforços, e que tenderão ao fracasso escolar. Implicações no seu
  28. 28. 15autoconceito e em todo o arsenal de expectativas de desenvolvimento do “eu” podem gerardesequilíbrios emocionais que afetam não só processos psicológicos básicos da aprendizagemcomo a personalidade global da criança (NEVES e MARINHO-ARAÚJO, 2006). Para Mól (2007), é importante conhecer as habilidades cognitivas que estão envolvidas nodesempenho acadêmico de cada aluno, para que se saiba intervir no processo deaprendizagem, respeitando as variações de desempenho que poderão ocorrer ao longo da suatrajetória escolar, sendo que o aluno não pode simplesmente ser responsabilizado pelo seufracasso na escola.2.2.Fissura Labiopalatina2.2.1.Embriologia Tabith (1986) relatou que, as fissuras de lábio são resultantes da falha de fusão entre osprocessos frontonasal e maxilar, por volta da sexta semana do desenvolvimento embriológico,e as fissuras de palato resultam da falta de fusão das placas palatinas do processo maxilar, queocorrem por volta da nona semana de desenvolvimento. De acordo com Capelozza et al (1988), a extensão da fissura varia conforme a intensidadee a época de atuação do agente teratogênico. Para Cardim (1992), a ocorrência do erro de fusão dos processos embrionários, atribui-se auma alteração da velocidade migratória das células da crista neural, encarregada de comandaro fenômeno de fusão das proeminências. Roxo; Lacerda e Bacigalupo (1997), definiram as fissuras labiopalatinas comodeformidades congênitas caracterizadas pela interrupção na continuidade dos tecidos de lábiosuperior, rebordo alveolar superior e palato.
  29. 29. 162.2.2.Etiologia Segundo Capelozza Filho et al (1988), as fissuras labiopalatinas não possuem um fatorcausal específico, resultam de causas multifatoriais, incluindo fatores genéticos e ambientais. Lofiego (1992), destacou a influência dos fatores nutricionais, infecciosos, psíquicos,materno-fetais, tabagismo, alcoolismo, agrotóxicos, idade dos pais e fatores sócio-econômicosem geral. Capelozza Filho e Silva Filho (1994) relataram que, a genética responde apenas por 30%dos casos, enquanto o restante atribui-se a todo e qualquer fator adverso ao meio uterinodurante o período embrionário. Entre os fatores ambientais, Modolin e Cerqueira (1997) mencionaram os relacionadoscom a mãe, ao estresse, as infecções e medicamentos, às carências alimentares e àsirradiações.2.2.3. Incidência Capelozza Filho e Silva Filho (1994) afirmaram que, as fissuras labiopalatais acometemtodos os grupos raciais e étnicos, independente de sexo e classe socioeconômica, apresentandodiversificação quanto à raça. A maior incidência ocorre na raça amarela e a menor na raçanegra, enquanto a raça branca apresenta uma incidência intermediária. Em estudo, Loffredo et al. (1994), analisaram 450 crianças cadastradas no Hospital dePesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais de Bauru, SP. Dos 450 casos estudados, 354(78,6%) apresentavam fissura labial ou lábio-palatina e 96 (21,3%) fissura palatina. Quanto àdistribuição por sexo, verificaram o predomínio do sexo masculino entre os portadores defissura labial ou lábio-palatina, sendo que a fissura palatina foi mais prevalente no sexofeminino.
  30. 30. 17 De acordo com Neto (1996), aproximadamente 90% dos portadores de fissuraslabiopalatinas apresentam esta malformação isolada. O restante vem associado a outrasmalformações congênitas; são cerca de 280 síndromes associadas França (2002), estudou a incidência das fissuras lábio-palatinas de crianças nascidas nacidade de Joinville/SC no período de 1994 a 2000. Dos 58.054 nascidos, 72 eram portadoresde fissura lábio-palatina. A incidência média de fissura lábiopalatina encontrada foi de 1,24por 1.000 nascidos vivos. A fissura pós-forame incisivo foi a mais prevalente (40,28%),seguida pela fissura transforame incisivo (30,56%), fissura pré-forame incisivo (22,22%),fissura pré e pós-forame incisivo (4,17%) e a fissura mediana foi a menos encontrada (2,78%).As fissuras unilaterais foram mais encontradas que as bilaterais sendo o lado esquerdo o maisafetado, não encontrando diferença estatística entre os sexos. Furlaneto e Pretto (2000), analisaram 750 prontuários de pacientes com fissuralabiopalatina do Serviço de Defeitos de Face da Faculdade de Odontologia da PontifíciaUniversidade Católica do Rio Grande do Sul, e evidenciaram uma maior ocorrência de fissuraslabiopalatais na raça branca e no gênero masculino, sendo que as fissuras labiais com ou semenvolvimento do palato têm maior predominância no gênero masculino e os casos de fissurapalatina isolada no gênero feminino. Coutinho et al (2009), realizaram um estudo com 1.216 com fissura labial e/ou palatina,atendidas no Centro de Defeitos da Face do Instituto de Medicina Integral Professor FernandoFigueira de 2002 a 2005. Observou-se discreto predomínio no sexo masculino (57,4%) emaior ocorrência no lado esquerdo, sendo a labial e lábio-palatina mais frequente no sexomasculino e a palatina no feminino.2.2.4.Classificação A classificação da fissura deve encerrar simplicidade, objetividade e clareza ao descreveras formas de fissuras lábio-palatais. Entre as classificações propostas para os tipos de fissuraslabiopalatinas mais usadas no Brasil, é a de Spina et. al (1972), que leva em consideração o
  31. 31. 18forame incisivo. Na descrição de Capelozza e Silva (1994), esta nomenclatura está divididaem: Fissura pré-forame incisivo Incluem-se as fissuras localizadas à frente do forame incisivo podendo abranger o lábio e orebordo alveolar. As manifestações clínicas podem variar desde pequenos entalhes na mucosado vermelhidão e/ou pele do lábio, até o rompimento total do lábio e rebordo alveolar,passando pelo assoalho primário e atingindo o forame incisivo. A partir do momento em que afissura atinge o forame incisivo, ela é denominada completa. Subclassificam-se em unilateralcompleta ou incompleta (figura 1), bilateral completa ou incompleta (figura 2) e mediana -fissuras raras que acometem o filtro do lábio superior (figura 3). Figura 1:Fissura pré-forame incisivo unilateral incompleta (A) e unilateral completa (B). A B
  32. 32. 19 Figura 2: Fissura pré-forame incisivo bilateral incompleta (A) e bilateral completa (B). A B Figura 3: Fissura pré-forame incisivo mediana incompleta (A) e mediana completa (B). A BFonte:AIELLO, C.A.; SILVA FILHO, O.G.; FREITAS, J.A.S. Fissuras labiopalatais: uma visão contemporâneado processo reabilitador . In: MUGAYAR, L.R.F. Pacientes portadores de necessidades especiais: manual deodontologia e saúde oral. São Paulo: Pancast; 2000. Fissura transforame incisivo Fissuras totais, que rompem a maxila em toda a sua extensão, desde o lábio até a úvula.Este constitui o grupo mais grave, acarretando problemas estéticos e funcionais relevantes.Subdividem-se em unilateral - direita ou esquerda, bilateral e mediana - parcial ou total (figura4).
  33. 33. 20 Figura 4: Fissura transforame unilateral (A), bilateral (B) e mediana (C). A B CFonte:AIELLO, C.A.; SILVA FILHO, O.G.; FREITAS, J.A.S. Fissuras labiopalatais: uma visão contemporâneado processo reabilitador . In: MUGAYAR, L.R.F. Pacientes portadores de necessidades especiais: manual deodontologia e saúde oral. São Paulo: Pancast; 2000. Fissura pós-forame incisivo Fissuras isoladas de palato que se localizam posteriormente ao forame incisivo.Representam uma entidade clínica totalmente distinta dos grupos pré e transforame por nãoapresentar os problemas estéticos ao rompimento da estrutura peribucal. Dividem-se emcompletas e incompletas (figura 5).
  34. 34. 21 Figura 5: Fissura pós-forame incisivo completa (A) e incompleta (B). A BFonte:AIELLO, C.A.; SILVA FILHO, O.G.; FREITAS, J.A.S. Fissuras labiopalatais: uma visão contemporâneado processo reabilitador . In: MUGAYAR, L.R.F. Pacientes portadores de necessidades especiais: manual deodontologia e saúde oral. São Paulo: Pancast; 2000. Fissuras raras de face Envolvem estruturas faciais além do lábio e/ou palato (figura 6). O próprio nome sugere araridade do seu aparecimento, podendo manifestar-se como: fissura naso-ocular; fissuraoblíqua (buco-ocular); fissura horizontal (macrostomia); fissura transversa (buco-auricular) efissuras da mandíbula, lábio inferior e nariz. Figura 6: Fissuras raras de face – buco ocular (A), macrostomia (B) e oblíqua (C). A B CFonte:AIELLO, C.A.; SILVA FILHO, O.G.; FREITAS, J.A.S. Fissuras labiopalatais: uma visão contemporâneado processo reabilitador . In: MUGAYAR, L.R.F. Pacientes portadores de necessidades especiais: manual deodontologia e saúde oral. São Paulo: Pancast; 2000.
  35. 35. 22 Altmann; Khoury e Ramos (1997), acrescentaram dois tipos de fissuras: Submucosa: caracterizada pela tríade (úvula bífida; diástase da musculatura velar; echinfradura na borda alveolar do palato duro), além da orientação das fibras musculares dovéu. Submucosa oculta: apresenta uma concavidade na linha mediana da superfície nasal dovéu palatino. De acordo com Martins (2000) a fissura submucosa não apresenta deformidadesanatômicas visíveis, entretanto apresenta comprometimento funcional considerável como ahipernasalidade. Figura 7: Fissura submucosaFonte: OLIVEIRA, R.P. Relação entre os sinais clínicos da fissura de palato submucosa e a sintomatologia específica: umaabordagem preventiva.[dissertação] Hospital de reabilitação de anomalias craniofaciais da Universidade de São Paulo. Bauru,2002.2.2.5. Tratamento das fissuras labiopalatinas Embora a fissura lábio-palatal não possa ser prevenida, todas suas inerências podem serminoradas senão evitadas, tendo um acompanhamento interdisciplinar. O tratamento requer
  36. 36. 23paciência e tempo tanto dos pais como dos profissionais, para uma eficaz reabilitaçãomorfológica, funcional e psico-social do paciente (CAPELOZZA E SILVA, 1994). Roxo; Lacerda e Bacigalupo (1997) afirmaram que, o tratamento cirúrgico deve serrealizado o mais precocemente visando o restabelecimento anatômico e funcional, propiciandoum equilíbrio muscular e um adequado crescimento facial. O tratamento precoce conduz opaciente fissurado a uma auto-imagem positiva e conseqüente melhor integração social. Segundo D’Agostino; Machado e Lima (1997), a cronologia e técnica cirúrgica varia deacordo com cada cirurgião, geralmente a queiloplastia (correção de lábio) é realizada por voltados 3 meses e a palatoplastia (correção do palato) anterior aos 12 ou 15 meses e a posterioraté 18 meses. Guedes (1998) relatou que, o fonoaudiólogo é responsável pela orientação a mãe quanto àalimentação, estimulação da sensibilidade proprioceptiva oral e musculatura perioral dacriança, levando a um bom padrão de fala e linguagem e reduzindo o aparecimento demecanismos compensatórios. Entre as especialidades de destaque no tratamento da fissura está a cirurgia plástica, aortodontia e a fonoaudiologia, pois juntas planejam as etapas terapêuticas que serão aplicadasnestes pacientes. A fonoaudiologia realiza prevenção, avaliação e reabilitação dos distúrbiosda comunicação presente nestes pacientes, bem como das funções orais (GENARO;YAMASHITA e TRINDADE, 2004). De acordo com Ribeiro e Moreira (2005), o tratamento das fissuras labiopalatinas éimportante devido ao seu impacto na fala, audição, aparência e cognição, tem uma influênciaprolongada e adversa na saúde e integração social. O custo causado pelas fissuras labiais epalatinas em termos de morbidade, cuidados de saúde, distúrbios emocionais, sociais eexclusão do trabalho é considerável para o indivíduo afetado, sua família e a sociedade.
  37. 37. 242.2.6.Distúrbios da comunicação decorrentes da fissura labiopalatina Segundo Tabith (1995), as áreas da comunicação oral que podem estar afetadas são:linguagem, articulação e voz. Os aspectos ambientais (atuação dos pais), aspectos emocionaise intercorrência de outras patologias que afetam o desenvolvimento da linguagem, são fatoresque podem contribuir para alterações de linguagem. Crianças portadoras de fissuras labiopalatinas apresentam uma grande ocorrência de otitesde repetição, originando dificuldades de compreensão auditiva. Como relatou Azevedo et al(1995), tais dificuldades podem acarretar futuras alterações de linguagem e do aprendizadoagravadas quando associadas ao baixo nível sociocultural e a reduzida experenciação auditivae de linguagem. Segundo Altmann et al (1997), as crianças fissuradas são consideradas de risco para odesenvolvimento de um quadro de atraso de aquisição de fala e linguagem. Odesenvolvimento de fala e linguagem em crianças com fissura labiopalatina é similar ao decrianças normais, entretanto, fatores ambientais, culturais e emocionais podem influir positivaou negativamente neste desenvolvimento. Sendo a quantidade e a qualidade dos padrõeslinguísticos recebidos pela criança muito importante para o desenvolvimento da comunicaçãoe da linguagem. As alterações no desenvolvimento da linguagem e da fala enquadram-se nos distúrbios daaquisição, pois as etapas de aquisição da linguagem ocorrem dentro da normalidade, estandoapenas comprometido seu desempenho de fala. Caso ocorra atraso na aquisição da linguageme fala, deve-se procurar uma etiologia auditiva, neurológica, cognitiva ou afetivo-emocial(D’AGOSTINO; MACHADO e LIMA, 1997). De acordo com Bishop (2002), as anomalias velofaríngeas da fenda palatina comprometema função normal da tuba auditiva acarretando incessante perda auditiva de condução, essaperda afeta o desenvolvimento fonológico das crianças. A autora afirmou que, os problemas
  38. 38. 25com a produção da fala comprometem a comunicação e a capacidade da criança compreendera linguagem, somente quando estão afetadas a audição e a inteligência. Conforme relatou Coelho e Castanheira (2004), a criança portadora de fissuras, em geral,apresenta características psicológicas peculiares, relacionadas à anomalia presente, porexemplo, a reação inicial dos pais, de aceitação ou rejeição; o desenvolvimento da criança, emespecial relacionado à fala, linguagem e ao desenvolvimento intelectual; e a respostaemocional do paciente, da família e da comunidade diante de possíveis deformações faciais. Silva e Santos (2004) afirmaram que, para produção adequada da fala é necessário boaintegridade anatomofuncional dos órgãos fonoarticulatórios, articulação adequada, equilíbrioentre as cavidades de ressonância e funcionamento propício da válvula velofaringeana; afunção inadequada deste esfíncter constitui-se em aspecto determinante da maioria dosdistúrbios da comunicação oral. Em seu estudo as autoras analisaram 44 prontuários doNúcleo de Atenção Médica Integrada / NAMI da UNIFOR, com a finalidade de investigarquais alterações de fala e motricidade oral frequentemente ocorrem em pacientes portadores defissuras labiopalatinas, e observou que todos demonstraram alguma alteração relacionada àhipernasalidade, golpe de glote e/ou ronco nasal; emissão de fricativa faríngea; distorções,omissões e substituição por traço de sonoridade e ainda, a ocorrência de escape de ar nasal,alteração de mobilidade e/ou tonicidade de lábios, língua e/ou bochechas, bem comoalterações de postura de língua e compensações. Para Manoel (2006), as crianças com fissura labiopalatina podem estar expostas desdemuito cedo a problemas ambientais, emocionais, culturais e problemas de orelha média, quepodem interferir no desenvolvimento da fala, linguagem e habilidades do processamentoauditivo. Segundo Lima et al (2007), a fissura palatina acarreta uma diversidade de transtornosorgânicos, funcionais e estéticos que interferem intensamente na vida dos indivíduos,principalmente no que se refere ao convívio social. Alterações articulatórias e de ressonânciaacarretam em dificuldades comunicativas porque afetam a inteligibilidade da fala, o que
  39. 39. 26chama a atenção do interlocutor para a sua particularidade e dificulta a aceitação do indivíduonos ambientes familiar, escolar, profissional e social. Lemos (2007) relatou que, a fissura labioplatina é um indicador de risco para alterações deorelha média e estas podem prejudicar o desenvolvimento de habilidades auditivas como, porexemplo, a atenção que é essencial para o aprendizado de novas habilidades, inclusive dacomunicação oral e escrita. A principal razão para a ocorrência da otite média com efusão nas crianças com fissurapalatina é a disfunção tubária, a presença de altas prevalências de otite média nesta populaçãofaz dela um grupo bastante vulnerável em relação à saúde auditiva. Este grupo deve ser tratadoprecocemente, tendo-se sempre a lembrança de que uma via auditiva perfeita é fundamentalpara a aquisição da linguagem falada: é justamente no período em que a criança adquire estalinguagem que mais se observa a otite média com efusão e sua consequente perda auditiva(SILVA et al, 2008). Boscariol; André e Feniman (2009), ao verificar o desempenho de 20 crianças com fissuraisolada de palato em testes do processamento auditivo, observaram que essas demonstraramapresentar importantes alterações nas habilidades auditivas avaliadas, verificadas por meio deseu desempenho ruim nos testes especiais comportamentais do processamento auditivo.2.2.7.Desempenho escolar de crianças com fissuras labiopalatinas Amaral (1986) relatou não existir indícios que mostrem haver relação entre deformidadefacial e déficit intelectual; para ela as crianças com fissura labiopalatina apresentam condiçõesintelectuais idênticas às crianças normais para se saírem bem na escola, o rendimento escolarnão é uma função unicamente associada a fatores intelectuais. A autora refere-se àinterferência da aparência no cotidiano do aluno e afirma que é pela face que o indivíduo seapresenta e ao ingressar na escola a criança que apresenta qualquer deformidade facial se tornaobjeto de discriminação e preconceito, sendo olhada, julgada e avaliada. Mas ressalta que
  40. 40. 27embora possam apresentar problemas psicossociais verifica-se bons ajustamentos efuncionamento psicossocial em sujeitos com fissura labiopalatina. Para a criança com fissura labiopalatina o ingresso na escola é um período crítico. Inicia-seuma luta íntima da criança, porque sente a necessidade de aprender e tem que vencer oconstrangimento de se apresentar entre as outras pessoas. Porém, nesta idade não é só acuriosidade das outras crianças que cria um ambiente desagradável; além disso, há o espíritode crítica, que já começa a desabrochar em sua forma mais contundente, que é o apelido.Nesse momento, desencadeia-se um sentimento de revolta ou alheamento e indiferença pelosatrativos do meio. Além disso, as crianças com malformações ou cicatrizes sãofrequentemente encaradas com preconceito, sendo consideradas como intelectualmenteinferiores por seus colegas e até pelos seus professores. Problemas dessa natureza podem gerarna criança um sentimento de insegurança e hostilidade para com o meio que a cerca.Consequentemente, ela será tímida, retraída, inibida, insegura, dependente, apresentandodificuldades em participar de atividades sociais e de se relacionar com pessoas estranhas aoseu ambiente, principalmente na escola, onde a competição está sempre presente(MESQUITA, 1991). Para a criança portadora de deformidade facial, a escola será a primeira e a maisimportante experiência sistemática fora do ambiente familiar, será o palco onde terá deenfrentar novos relacionamentos, será olhada, julgada, avaliada e sua aparência física será umavariável importante nestes julgamentos (AMARAL, 1992). De acordo com Tavano (1994), o ingresso da criança com fissura na escola merece atençãoespecial, pois se percebe grande ansiedade de seus pais em torno de suas capacidadesintelectuais. Para o autor, o ambiente escolar pode ocasionar na criança com fissuralabiopalatina, situações de timidez, recolhimento ou agressividade, percebendo a hostilidade ediscriminação dos demais, interferindo no seu desenvolvimento acadêmico e emocional.Afirmou ainda que a existência do baixo desempenho acadêmico do aluno com fissura estágeralmente relacionada aos problemas verbais ou ao comportamento adotado pelo aluno.Porém não é possível afirmar que exista uma relação entre a fissura e o fracasso escolar.
  41. 41. 28 Richman (apud Amaral, 1997), ao avaliar 44 crianças, de 4ª a 8ª série, portadoras defissura labiopalatina, observaram que crianças com fissura apresentam maior isolamento emsala de aula e realização acadêmica mais baixa. Sugere que o isolamento e consequente, baixorendimento escolar, pode estar relacionado a um modo adaptativo de comportamentoaprendido. Para o autor os fissurados aprenderam a evitar comportamentos que geram atençãoem direção a si e se esquivar de possíveis respostas negativas dos outros em relação a sua falae aparência. Altmann; Khoury e Ramos (1997) relataram que, além de afecções na linguagem oral, osindivíduos portadores de fissura labiopaltina, quando não tratados precocemente, podemapresentar alterações na linguagem escrita devido às assimilações dos problemas existentes nafala. Segundo Minervino-Pereira (2005), na fase de escolarização a criança enfrenta anecessidade de conseguir a aprovação social através da produtividade; quando não é capaz dedesenvolver a capacidade esperada, corre o risco de comprometer-se com sentimento deinferioridade. Sua ida à escola significa sua primeira separação da família e envolve suaadaptação a um novo conjunto de regras. Entretanto, é nesta fase que as crianças têm aoportunidade de se revelarem em muitas habilidades que surpreendem aqueles que só areconheciam como portadora de um comprometimento. Para Ribeiro e Moreira (2005), quando a criança entra em contato com outras criançaspode ocorrer o preconceito e a supervalorização dos estigmas da doença, tornando-asintrovertidas, com comportamento imaturo ou agressivo. Na escola a criança se sente excluídadas atividades que exigem uma fala bem articulada e não podendo corresponder a essesanseios sociais, se sente limitada e excluída, recebe apelidos, e se sente inferior e solitária,podendo inclusive abandonar a escola. Duarte (2005), relatou que a inserção precoce da criança na escola nos remete a inferir aestimulação precoce dessa, favorecendo no seu desempenho escolar, relacionamento com os
  42. 42. 29colegas, entre outros aspectos. Em estudo sobre o desempenho escolar de crianças com fissuralabioplatina na visão dos pais, verificou que a maioria deles relatou que não tem queixas dosprofessores quanto à dificuldade de aprender de seus filhos, e observou relatos de melhordesempenho nos indivíduos com fissura pré-forame; a autora associa o fato ao nãocomprometimento de fala nesse tipo de fissura. Domingues (2007), ao investigar o desempenho escolar de 61 indivíduos com fissuraslabiopalatinas por meio da opinião dos professores, concluiu que a frequência da maioria dosalunos pesquisados foi considerada assídua e com desempenho escolar dentro da média daclasse, dentre os que apresentaram desempenho insatisfatório verificou-se predominância dosexo feminino e os fatores interferentes mais significativos foram os aspectos da fala e o tipoda fissura. E ressaltou que, nenhum fator associado pode ser correlacionado de forma direta aobaixo desempenho escolar, uma vez que são inúmeros os aspectos que gerenciam aaprendizagem da criança na escola. Marcelino et al (2008), ao avaliar as habilidades de linguagem em nove crianças comfissuras labiopalatinas, observaram que o grupo avaliado apresentou habilidades de linguagemoral e desempenho acadêmico dentro do padrão de normalidade e habilidades fonológicas,semânticas e de sintaxe alteradas. Tonocchi; Berberian e Mosi (2008), em estudo de três casos de crianças com fissura,analisaram aspectos envolvidos na aquisição da linguagem escrita por parte desses sujeitos,evidenciando que embora eles tenham alterações fonético-fonológicas, essas não interferemem seus processos de apropriação da escrita. Observaram que a idéia de que as alteraçõesarticulatórias da criança com fissura provocam os distúrbios apresentados de leitura e escrita, éadotada como senso-comum e que a associação entre os problemas de articulação e osdistúrbios de leitura e escrita é fruto de uma visão restrita e equivocada quanto à participaçãoda oralidade no processo de apropriação da escrita. Ainda segundo os autores, no caso dossujeitos portadores de fissura lábio-palatina, definitivamente, as ocorrências na escrita nãoestão associadas aos problemas de fala, mas são operações que iluminam a constituição doobjeto escrito.
  43. 43. 302.2.8.Intervenção Fonaoudológica2.2.8.1. Linguagem e fala Para Tabith (1995), a avaliação de fissurados deve ser a mais minuciosa possível,dirigindo-se a todos os níveis de comunicação e a todos os sistemas funcionais importantespara o desenvolvimento da comunicação. Deve se realizar uma avaliação ampla da linguagemenvolvendo tanto emissão quanto recepção, e também examinar as condições morfológicas efuncionais dos órgãos da fala. O desenvolvimento da linguagem deve ser cuidado desde oinício do desenvolvimento da criança, posteriormente se persistirem dificuldades neste nível,deve-se utilizar associada à orientação familiar, técnicas de estimulação de linguagem ematividade terapêutica clínica. Segundo Altmann et al (1997), desde o nascimento, a família do bebê portador de fissuralabioplatina é orientada no sentido de estimular sua linguagem ao máximo, econcomitantemente procura se estimular a emissão de fonemas de acordo com a idadecronológica da criança. A avaliação e o diagnóstico precoce de possível inadequaçãovelofaríngea é extremamente importante para que o tratamento fonoaudiológico seja iniciado oquanto antes para eliminar os movimentos compensatórios presentes e impedir a instalação denovos padrões errôneos. Os autores mencionaram que, o tratamento fonoaudiológico nosportadores de fissura labiopalatinas visa à adequação da comunicação oral, permitindo aoindivíduo o estabelecimento de um bom convívio social, para isso é necessário que o terapeutavisualize o paciente como um todo, realize um adequado e completo diagnóstico e estabeleçaprioridades para o seu tratamento. A família é orientada a estimular a linguagem oral fazendo uso de jogos vocálicos,proporcionando modelos positivos de fala e realizando contato visual antes de iniciar suaemissão, a fim de desenvolver a atenção auditiva para sons verbais. Valorizando os atos decomunicação e o esforço da criança em se comunicar, apesar das limitações impostas pela
  44. 44. 31fissura, a mãe estará reforçando seu desempenho de fala (D’AGOSTINO; MACHADO eLIMA, 1997). De acordo com Guedes (1998), o fonoaudiólogo encarrega-se de orientar os pais sobre osprocedimentos de como estimular a criança para que mais tarde essa tenha um bom padrão delinguagem e fala, sendo que a aquisição e o desenvolvimento de linguagem das criançasportadoras de malformações merecem uma visão cuidadosa. Para o autor, a adaptação destacriança na escola junto às outras crianças e o esforço para superar as alterações anatômicas efuncionais são acometimentos que exigirão da família e equipe multidisciplinar uma totalsolidariedade e presteza, para que tanto os pais como seus filhos recebam, de forma adequada,toda ajuda que vierem a precisar. Genaro; Yamashita e Trindade (2004), ressaltaram a importância do fonoaudiólogoadquirir conhecimento dessa malformação, dos distúrbios inerentes a ela, conhecer osdiferentes momentos da atuação, e as possibilidades e as limitações do tratamento para umaconduta eficaz. Conforme relatou Pegoraro-Krook (2004), a intervenção fonoaudiológica nos distúrbios decomunicação oral do indivíduo com fenda, é necessária em vista do prejuízo no mecanismovelofaríngeo, e consequente alteração na produção adequada dos sons da fala. Mesmo após ascirurgias corretivas, as alterações de fala podem persistir, assim, é justificável a atuaçãofonoaudiológica pré e pós-cirúrgica a fim de prevenir e tratar estes distúrbios da articulação.2.2.8.2.Audição Segundo Tabith (1995), a grande incidência de distúrbios auditivos em fissurados impõecomo rotina a avaliação audiológica destes pacientes, sendo a prevenção e tratamento dosdistúrbios da audição competência da área médica. A prevenção se faz através de cuidadosgerais, atendendo com especial interesse a ocorrência de afecções das vias aéreas superiores,algumas medidas importantes de prevenção estão relacionadas à adequada alimentação,posição ao alimentar e exames pediátricos de rotina. Os processos de afecção do ouvido médio
  45. 45. 32já instalados merecem atenção, e medidas terapêuticas mais diretas podendo o tratamento sermedicamentoso ou até mesmo cirúrgico. D’Agostino; Machado e Lima (1997) relataram que, o fonoaudiólogo e a família devemestar atentos para detectar possíveis sinais de alterações auditivas, e sugeriram avaliaçãoaudiológica periódica a cada 6 meses através da realização de audiometria e imitanciometria. De acordo com Tunçbilek et al (apud Mendes, 2005), deve se considerar a atuaçãofonoaudiológica nas alterações do funcionamento da orelha média, visto que atingem comfrequência crianças com fissura labiopalatina e podem conduzir a perda auditiva condutiva,com consequente privação sensorial, acarretando em alterações da fala, da aprendizagem e doprocessamento auditivo central. Sendo assim o fonoaudiólogo deve ter como meta oconhecimento das causas determinantes das complicações otológicas presentes, além de sercapaz de avaliar todo o sistema vestibulococlear, contribuindo para a prevenção, terapia econdutas adequadas. Souza et al (2006) ressaltaram a necessidade do acompanhamento otorrinolaringológico,sobretudo audiológico, em indivíduos portadores de fissura, em função da alta prevalência dealterações audiológicas encontradas nesses indivíduos.
  46. 46. 33Metodologia
  47. 47. 34 O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CentroUniversitário de Araraquara – UNIARA no dia 16/04/2009, sob parecer de número 905/09(Anexo 1). A metodologia utilizada para a realização deste trabalho foi a utilização de umquestionário (Anexo 2), composto por 12 questões fechadas e 1 questão aberta, elaborado eaplicado pela pesquisadora, sob consentimento pré-informado (Anexo 3) firmado junto aoquestionário. O questionário foi respondido na residência do sujeito, em horário préestabelecido de acordo com a sua disponibilidade. Para seleção dos sujeitos foram analisados os prontuários de indivíduos diagnosticadoscomo portadores de fissura labiopalatina cadastrados na Associação de Deficiente Auditivos eFissurados de Ribeirão Preto - (ADAF-RP), após autorização formal do responsável pelainstituição (Anexo 4). Os sujeitos selecionados para esta pesquisa, foram os pais de 11 crianças de ambos osgêneros, pertencentes a faixa etária de 6 a 9 anos, que estavam cursando as séries iniciais doensino fundamental, portadores de algum tipo de fissura labiopalatina e não apresentamnenhum outro comprometimento físico ou mental. Após a aplicação do questionário os dados coletados foram analisados quantitativa equalitativamente e relacionados em tabelas para a obtenção do objetivo proposto.
  48. 48. 35Resultados e Discussão
  49. 49. 36 A pesquisa de campo foi realizada através da aplicação de um questionário a pais de 11crianças com fissura labiopalatina em fase de alfabetização, com o objetivo de identificar asprincipais dificuldades de aprendizagem apresentadas por estes indivíduos. Foi realizada umaanálise quantitativa dos dados, obtendo-se os resultados descritos abaixo: Tabela 1. Quantificação e porcentagem quanto ao gênero e tipo de fissura labiopalatina que os filhos dos sujeitos apresentam. Gênero Tipo de fissura Masculino Feminino Total N % N % N % Pré-forame 1 33,3 2 66,6 3 100 Pós-forame 0 0 2 100 2 100 Transforame 5 83,3 1 16,6 6 100 Total 6 54,5 5 45,4 11 100 Na tabela 1 verificamos que das 11 crianças com fissura labiopalatina 6 (54,5%) são dogênero masculino e 5 (45,4%) do gênero feminino. O predomínio de fissura labiopalatina nogênero masculino é concordante com os dados encontrados na literatura estudada quedemonstram maior incidência da fissura labioplatina neste grupo de indivíduos (COUTINHOet al, 2009). Ao relacionar o gênero com o tipo de fissura, observou-se que as fissuras pré-forame (66,6%) e pós-forame (100%) acometeram em sua maioria o sexo feminino e a fissuratransforame teve maior ocorrência no sexo masculino (83,3%). Segundo dados da literatura, asfissuras labiais com ou sem comprometimento de palato têm maior incidência no gêneromasculino, e as isoladas de palato maior predominância no gênero feminino (FURLANETO ePRETTO, 2000; LOFRREDO, 2001; COUTINHO et al, 2009). Tabela 2. Quantificação e porcentagem quanto à queixa do professor sobre a dificuldade no desempenho escolar, que os filhos dos sujeitos apresentam Dificuldade no desempenho N % Sim 5 45,4 Não 6 54,5 Total 11 100
  50. 50. 37 Na tabela 2, observamos que os pais de 6 (54,5%) crianças com fissura relataram nãoexistir queixas dos professores quanto à dificuldade no desempenho escolar dos seus filhos,enquanto que 5 (45,4%) relataram queixas dos professores. É difícil estabelecer uma relaçãoentre a deformidade facial e o fracasso escolar (AMARAL, 1986; TAVANO,1994;DOMINGUES, 2007). De acordo com a literatura as dificuldades de aprendizagem nemsempre estão relacionadas com o fator intelectual; são vários os fatores que influenciam naaprendizagem escolar, como fatores ambientais, psicológicos e metodológicos (SOUZA, 1996;MORAES, 1997; NEVES e MARINHO-ARAÚJO, 2006). Tabela 3. Quantificação e porcentagem da amostra quanto ao tipo de fissura e relato de dificuldade no desempenho escolar. Dificuldade Tipo de fissura Sim Não Total N % N % N % Pré-forame 1 33,3 2 66,6 3 100 Pós-forame 1 50 1 50 2 100 Transforame 3 50 3 50 6 100 Total 5 45,4 6 54,5 11 100 Na tabela 3, verificamos que dos 3 indivíduos com fissura pré-forame apenas 1 (33%)apresentou dificuldade no desempenho escolar, e os sujeitos com fissura pós-forame etransforame apresentaram resultados igualitários em relação à presença ou não de dificuldade.Os achados corroboram com os estudos de Duarte (2005) que demonstram melhordesempenho escolar nos sujeitos com fissuras pré-forame. Tavano (1994) e Mesquita (1991),apontam a interferência dos fatores como estética, comunicação e outros, no aprendizado desujeitos com fissura. Tabela 4. Quantificação e porcentagem da amostra quanto ao tipo de dificuldades no desempenho escolar referidas pelo professor. Queixas N % Leitura 4 36,3 Escrita 3 27,2 Cálculos matemáticos 4 36,3 Total 11 100
  51. 51. 38 Quanto ao relato dos pais sobre as dificuldades no desempenho escolar referidas peloprofessor, verificamos na tabela 4, uma maior ocorrência das dificuldades em leitura ecálculos matemáticos (36,3%), seguida da dificuldade de escrita (27,2%). Os resultados estãode acordo com os estudos de Lemos (2007) e Marcelino et al (2008) que evidenciam que afissura é um indicador de risco para alterações da comunicação oral e escrita, podendoapresentar alterações nas habilidades de fonologia, semântica. Tabela 5. Quantificação e porcentagem da amostra quanto a outros tipos de dificuldades referidas pelo professor. Queixas N % Disciplina 3 27,5 Desatenção 4 50 Relacionamentos 1 12,5 Total 8 100 A tabela 5, refere-se a outras dificuldades referidas pelo professor e evidencia que aqueixa de desatenção é a de maior ocorrência (50%), corroborando com o estudo de Lemos(2007) que revela que a fissura pode prejudicar as habilidades auditivas tais como a atenção. Oambiente escolar pode ocasionar problemas sociais e de relacionamento na criançainterferindo no seu desempenho acadêmico (MESQUITA,1991 e TAVANO, 1994). Tabela 6.Quantificação e porcentagem quanto a idade de ingresso escolar e a presença de dificuldade no desempenho escolar. Dificuldade Ingresso escolar Sim Não Total N % N % N % até 3 anos 4 57,1 3 42,8 7 100 6 anos 1 50 1 50 2 100 7 anos 0 0 2 100 2 100 Total 5 45,6 6 54,5 11 100 Quanto à idade de ingresso escolar da criança com fissura e a presença de dificuldadeno desempenho escolar, os dados da tabela 6 revelaram que a maior ocorrência de dificuldadeestá no grupo que ingressaram com até 3 anos (57,1%). Os dados obtidos não estão de acordo
  52. 52. 39com os encontrados na literatura que referem que a inserção precoce na escola nos remete ainferir a estimulação precoce destas crianças, o que estaria tendo impacto favorável no seudesempenho escolar, relacionamento com os colegas, entre outros aspectos (DUARTE, 2005). Tabela 7.Quantificação e porcentagem quanto a relação entre a série escolar e a presença de dificuldade no desempenho escolar. Dificuldade Série Sim Não Total N % N % N % 1º série 1 50 1 50 2 100 2º série 2 66,6 1 33,3 3 100 3º série 2 33,3 4 66,6 6 100 Total 5 45,4 6 54,5 11 100 Na tabela 7, ao relacionar a série escolar com a presença de dificuldade deaprendizagem, observamos uma maior relato de ocorrência de dificuldade nas crianças queestão cursando a 2º série (66,6%) em relação as da 3º série (33,3%). Na literatura pesquisadaencontramos um trabalho realizado por Zucoloto e Sisto (2002), no qual destacam que odesempenho geral da segunda série foi inferior ao desempenho geral da terceira série,considerando que quanto mais inicial a série, maiores as dificuldades encontradas, masressaltando que a dificuldade de aprendizagem está relacionada a níveis de compreensão e àidade, independendo da série escolar. Tabela 8. Quantificação e porcentagem quanto a relação entre o tipo de escola frequentada e a presença de dificuldade no desempenho escolar. Dificuldade Série Sim Não Total N % N % N % Particular 0 0 1 100 1 100 Municipal 0 0 3 100 3 100 Estadual 4 66,6 2 33,3 6 100 Industrial 1 10 0 0 1 100 Total 5 45,6 6 54,5 11 100
  53. 53. 40 Conforme os dados dispostos na tabela 8, observamos que há uma maior ocorrência dedificuldade no desempenho escolar naqueles que frequentam escola estadual (66,6%) emrelação aos demais tipos de escola. A escola tem influência direta no desempenho do alunotanto em relação à estrutura quanto metodologia (KIGUEL, 1973; SHIELMAN;CARRAHERe CARRAHER, 1995; FEITOZA e LUZ, 2006). Tabela 9. Quantificação e porcentagem quanto a interferência da fissura na frequência e no desempenho escolar segundo a concepção dos pais. Interfere Área escolar Sim Não Total N % N % N % Frequência 3 27,2 8 72,7 11 100 Desempenho 2 18,1 9 81,8 11 100 Total 5 22,7 17 77,2 22 100 A frequência é um aspecto determinante para um bom desenvolvimento e um bomaproveitamento da criança na escola. De acordo com a tabela 9, os resultados denotam que amaioria dos pais não acredita que a fissura interfira nem na frequência (72,7%) nem nodesempenho escolar (81,8%) dos seus filhos. Os achados do presente estudo coincidem comos encontrados na literatura, a qual não aponta problemas com assiduidade em sujeitos comfissura, nem percepção dos pais sobre a relação entre a fissura e o desempenho acadêmico dofilho (DUARTE, 2005 ; DOMINGUES, 2007). Tabela 10. Quantificação e porcentagem segundo os comportamentos/atitudes apresentados pelas crianças com fissuras frente às dificuldades encontradas. Solicita ajuda N % Em casa 9 75 Aos professores 1 8,3 aos colegas de classe 1 8,3 Não solicita 1 8,3 Total 12 100 Quanto ao comportamento/atitudes frente às dificuldades apresentadas pelas criançascom fissura, apresentados na tabela 10, os pais relatam que a maioria solicita ajuda em casa(75%). Este comportamento pode estar relacionado ao fato de o ambiente familiar ter relação
  54. 54. 41direta com o desempenho; um lar acolhedor e com incentivo auxiliará o aluno a contornar asdificuldades encontradas (SOUZA,1996; .STRICK e SMITH, 2001; CHECIA e ANDRADE,2002). Tabela 11. Quantificação e porcentagem de ocorrência de apelido atribuído à criança com fissura. Apelido N % Sim 1 9 Não 10 90,9 Total 11 100 Na tabela 11 é possível verificar que a maioria dos pais (90,9%) não relatou que algumapelido tenha sido atribuído ao filho com fissura. Dados da literatura relatam que é pela faceque um indivíduo se apresenta, as crianças com malformação ou cicatrizes geram nas demaisum espírito de crítica, recebendo apelido e tornando-se objeto de discriminação e preconceitoem nossa sociedade. Embora sujeitos com fissura possam apresentar problemas psicossociaisverifica-se bons ajustamentos e funcionamento psicossocial (AMARAL, 1986; MESQUITA,1991; RIBEIRO e MOREIRA, 2005). Tabela 12. Quantificação e porcentagem da amostra segundo a participação dos pais na vida escolar do filho. Participação N % Participa de todas as reuniões 9 34,6 Participa de algumas reuniões 2 7,6 Ao participar não fala sobre seu filho especificamente 1 3,8 Ao participar fala sobre seu filho especificamente 8 30,7 Conversa sempre com os professores sobre o desempenho do filho 6 23 Total 26 100 Quanto à participação dos pais na vida escolar do filho descrita na tabela 12, observa-se uma participação ativa por parte dos pais, no qual 34,6 % participam de todas as reuniões;30,7% ao participar falam sobre seu filho especificamente e 23% conversam sempre com o
  55. 55. 42professor sobre o desempenho do filho. A família atua de forma conjunta com a escola, apresença dos pais na vida escolar dos filhos é indispensável, sobretudo nas reuniões realizadasna escola (CHECHIA e ANDRADE, 2002; MIAMOMI e RIBEIRO, 2006).
  56. 56. 43Conclusão
  57. 57. 44Os dados obtidos nesse estudo demonstraram que: 1. Das 11 crianças com fissura labioplatina que compunham a amostra, 5 (45,4%) tinham relato dos pais de queixas dos professores quanto à dificuldade no desempenho escolar; 2. A maioria dos relatos foi referente às dificuldades em leitura e cálculos matemáticos (36,3%), e no que concerne a outros tipos de dificuldades, a desatenção (50%) foi que apresentou mais relatos de queixas; 3. Dos 3 indivíduos com fissura pré-forame apenas 1 (33%) teve relato dos pais de dificuldade no desempenho escolar; 4. A maioria dos pais não relatou que algum apelido tenha sido atribuído ao filho com fissura; 5. A maioria dos pais não acredita que a fissura interfira nem na frequência (72,7%) nem no desempenho escolar (81,8%) dos filhos; 6. Verificou-se participação ativa dos pais na vida escolar dos filhos; Em virtude do pequeno número da amostra e dos vários fatores como os ambientais,psicológicos e metodológicos, que podem influenciar na aprendizagem da criança, não foipossível estabelecer uma relação direta entre a dificuldade de aprendizagem e a fissuralabiopalatina. Entretanto o fato de haver pouco relato de atribuição de apelido as crianças daamostra e as com fissura pré-forame apresentarem relatos de melhor desempenho, demonstrama não influência do fator estética no desempenho acadêmico do portador de fissuralabiopalatina. Com base nos resultados podemos concluir que se faz necessário uma avaliação maisprofunda de aspectos psicológicos, genético, neurológico e até mesmo metodológico para quese possa evidenciar qualquer influência da fissura no desempenho escolar do seu portador,bem como um acompanhamento fonoaudiológico e psicopedagógico, para garantir umaadequada estimulação e um bom rendimento escolar de alunos com fissura labiopalatina.
  58. 58. 45Referências
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