Historia do tocantins karen lowhany costa

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  • 1. INSTITUTO PRESBITERIANO VALE DO TOCANTINS ANO: 2010DISCIPLINA: SOCIOLOGIA PROF : JOSSIVALDO MORAIS oSÉRIE: 3o ANO – ENSINO MÉDIO BIMESTRE: TERCEIRO AULA: 01 / 02 / 03 Eixo Temático: ABORDAGENS SOCIOLÓGICAS CONTEMPORÂNEAS1 – FORMAÇÃO CULTURAL E IDENTIDADE TOCANTINENSE A formação da cultura e identidade tocantinenses estão intimamente ligadas aos povos indígenas que aquiresidiam e aos primeiros exploradores dessa região: os bandeirantes. Além de desbravar, explorar e povoarnovas terras, os colonizadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã:"Explorava-se em nome de Deus e do lucro”. As bandeiras, que tinham como objetivo a descoberta de metais preciosos e o aprisionamento de índios,foram responsáveis pelo povoamento e formação das primeiras vilas e arraiais no norte goiano. Norte goianoque, segundo a historiadora Temis Gomes Parente, teve três interpretações: a primeira, devido a localizaçãogeográfica; a segunda, ficou conhecida por conta da enorme quantidade de ouro que foi aqui encontrado,norte de Goiás era sinônimo de riqueza; e a terceira interpretação, após a decadência do período do ouro, onorte goiano foi relacionado à ideia de atraso econômico, miséria e pobreza. Com a febre da descoberta do ouro no norte goiano, vieram para cá portugueses, mineiros, paulistas e outroscolonos de outras localidades, em geral brancos e solteiros; logo trataram de miscigenar as raças com índias enegras escravas. A população branca era composta de mineiros e de pessoas pobres que não tinham nenhumaocupação e eram tratados, nos documentos oficiais, como vadios. No final do século XVIII, os mestiços jáeram grande parte da população que posteriormente foram absorvidos no comércio e no serviço militar. A cultura tocantinense (norte goiano), desde o início de seu povoamento, foi marcada pela exploração e pelodescaso das autoridades. Quando a fase aurífera entrou em declínio, os arraiais criados por conta daexploração do ouro foram aos poucos abandonados, e, muitos acabaram por deixar de existir. Com isso apopulação mais pobre, que não tinha para onde ir e com que viver, ficava jogada à miséria completa. Com o objetivo de ressuscitar a vida no sertão do norte de Goiás, Marquês de Pombal concederia “Cartas deSesmarias” para aqueles que passassem a dedicar-se a criar gado ou a plantar próximos às margens dos riosAraguaia e Tocantins. O objetivo era fazer surgir arraias, pousos, lugarejos, fazendas e vilas e favorecer anavegação por esses dois principais rios e interligar o sul ao norte do país. Essa interligação através da navegação, criação de gado e agricultura proporcionou o enriquecimentocultural e a formação da identidade tocantinense através do contato com indivíduos vindos de outras regiõesbrasileiras: paulista, mineiros, baianos, piauiense, as diversas tribos indígenas que povoaram esta região pordiversas épocas, negros escravos e forros etc.As lutas do povo do norte de Goiás e os movimentos separatistas Sempre o norte goiano, devido à distância e a terras com pouca cultura e pela falta de tecnologia paracultivos agrícolas, a região norte se tornou atrasada em relação ao resto do estado goiano, assim, a populaçãoe autoridades desta região, preocupados com o desenvolvimento, decidiram não mais brigar para que oGoverno de Goiás olhasse para o norte, mas decidiram se libertar e constituírem um novo estado brasileiro,daí nasce a ideia do que futuramente viria a ser o novo estado do Tocantins. Primeiros Movimentos Separatistas A trajetória da autonomia do Norte de Goiás teve seu primeiro grande momento em 1804, quando JoaquimTheotônio Segurado foi nomeado Ouvidor da Capitania de Goiás. Junto ao Reino fez a reivindicação demedidas que incentivassem a navegação com a Capitania do Pará através dos rios Tocantins e Araguaia.Assim, o capitão general D. Francisco de Assis Mascarenhas conseguiu junto ao Príncipe Regente D. João acriação da Comarca de São João das Duas Barras, e depois a Comarca da Palma, em 18 de março de 1809. Em 25 de fevereiro de 1814, D. João autorizou a criação de São João da Palma, vila na barra da Palma,oficialmente instalada pelo Ouvidor em 26 de fevereiro de 1815. O governo autônomo do Norte de Goiás foideclarado em 14 de setembro de 1821, com capital provisória em Cavalcante. Segurado liderou o movimentoe presidiu a Junta Provisória da Província da Palma até janeiro de 1822, quando assumiu cadeira de deputadona Assembleia Constituinte, em Lisboa. Foi sucedido pelo tenente-coronel Pio Pinto Cerqueira. A forteoposição do governo do Sul e as divergências internas no próprio governo da província aceleraram o fim doprimeiro projeto de autonomia do Norte.Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 1
  • 2. Após o declínio do movimento separatista liderado por Segurado e também por Felipe Antônio Cardoso, osideais de fomento da economia nortense foram retomados em 1868, quando Couto Magalhães fundou aCompanhia de Navegação do Araguaia, com navios a vapor. O projeto foi abandonado com a proclamação daRepública. A retomada do movimento aconteceria nas décadas de 30, 40 e 50, em Porto Nacional. Incumbidode implantar as linhas do Correio Aéreo Nacional, o Brigadeiro Lysias Rodrigues tornou-se defensor dacultura, costumes e autonomia administrativa da região e chegou a apresentar, em 1944, projeto para a criaçãodo Território do Tocantins, com capital em Pedro Afonso ou Carolina (MA). Os Conflitos Agrários A ocorrência de intensos conflitos agrários na região do "Bico do Papagaio" na divisa entre o norte deGoiás, o Pará e o Maranhão a partir de 1960 soergueu a causa dos que defendiam a emancipação da região aolongo das décadas seguintes. O veto de José Sarney Em 1982 circulou um rumor segundo o qual o governo federal estaria disposto a criar o "Território Federaldo Tocantins". Em 1985 o deputado federal José Wilson Siqueira Campos (PDS-GO) apresentou aoCongresso Nacional um projeto de lei criando o estado do Tocantins. Aprovado pelos parlamentares emmarço, foi encaminhado ao presidente José Sarney que o vetou em 3 de abril de 1985. Constituição de 1988 Uma nova tentativa de emancipação foi durante a Assembleia Nacional Constituinte que estabeleceu noArtigo 13 do "Ato das Disposições Constitucionais Transitórias" as condições para a criação do novo estadono bojo de uma reforma que extinguiu os territórios federais existentes e concedeu plena autonomia políticaao Distrito Federal. Em 5 de outubro de 1988 o norte de Goiás finalmente é emancipado e passa a se chamar Tocantins. Em 1ºde janeiro de 1989 a Unidade Federativa do Tocantins é oficialmente instalada.Temos uma cultura e uma identidade próprias? A cultura e a identidade tocantinense não tem uma raiz única, como se fosse constituída a partir de apenasum povo ou cultura. Nossa cultura é fruto de uma miscigenação de outras culturas e do amadurecimentodaquilo que nos caracteriza: nossos costumes, nosso clima, nossa culinária, nosso jeito próprio de ser,produzir, vestir, falar etc. Portanto, não somos uma mistura de outras cultura, somos o despontar de umacultura própria que surgiu do contato e do desenvolvimento de suas próprias características. Quando o norte goiano foi abandonado e quase esquecido por completo, as pessoas sem condição financeiraque aqui ficaram, sem trabalho, sem perspectiva de vida, tiveram que se adaptarem, sobreviverem. Essa buscade adaptação e sobrevivência acaba por desenvolver formas próprias de viver e, isso, contribui na constituiçãode costumes, tradições e aspectos culturais próprios. Essa é a identidade do tocantinense. Nos identificamos pela luta herdada de nossos antepassados, um povolutador que aprendeu a sobreviver numa região esquecida pelos governantes, mas que nunca desistiu o idealde tornar-se um Estado independente, de afirmar-se como um povo que tem costumes e vida próprios.FONTE:NASCIMENTO, Junio Bastista. Tocantins: história e geografia. 6. ed. Goiânia: Bandeirante, 2009. p. 10-19.TOCANTINS. In: Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tocantins#Hist.C3.B3ria>. Acessoem 10 ago 2010.TOCANTINS – HISTÓRIA. In: Fundação Cultural do Estado do Tocantins. Disponível em:<http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=3>. Acesso em 09 ago 2010. ATIVIDADE1) Além dos povos indígenas que já habitavam as terras tocantinenses, que outro grupo foi responsável pelopovoamento e exploração dessa região?2) Por qual motivo o norte goiano era visto como uma região de atraso econômico e miséria geral?3) Quando surgiu a luta do goiano do norte em tornar-se independente do governo de Goiás?4) Que fato, ocorrido já no final do século XX, contribuiu para a efetivação (realização) do desejo deindependência do Tocantins em relação a Goiás?5) O que, no seu modo de pensar, constitui a identidade do povo tocantinense?Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 2
  • 3. INSTITUTO PRESBITERIANO VALE DO TOCANTINS ANO: 2010DISCIPLINA: SOCIOLOGIA PROF : JOSSIVALDO MORAIS oSÉRIE: 3o ANO – ENSINO MÉDIO BIMESTRE: TERCEIRO AULA: 04 / 052 – CIDADES HISTÓRICAS E PATRIMÔNIO CULTURAL Com a descoberta do ouro no norte goiano nas décadas de 1730 e 1740, os primeiros arraias foram criadosonde hoje é o atual Estado do Tocantins: Natividade e Almas (1734), Traíras e São José do Tocantins (1735),Arraias e Chapada (1736), Pontal e Porto Real (1738). Nos anos 40, surgiram Conceição, Carmo, Cavalcante(1740), Santa Luzia (1746), Cocal (1749) e Taboca, e mais tarde Príncipe (1770). Alguns foram extintos,como Pontal, Taboca e Príncipe. Dentre os agrupamentos urbanos que permaneceram mesmo após o declínio do período da mineração,destacam-se: Natividade, Arraias, Almas, Porto Nacional, Dianópolis, Conceição e Monte do Carmo. Falaremos de algumas das cidades históricas do Estado do Tocantins, lembrando que as datas nem sempresão um consenso entre os historiadores.NATIVIDADE Nascida com a exploração do ouro e fundada por Antônio Ferraz de Araújo, sua origem remonta ao séculoXVIII, ligada ao Arraial de São Luiz, no alto da serra. Hoje restam apenas ruínas daquele fluente e ricogarimpo de ouro. Provavelmente em 1733, em homenagem a Nossa Senhora da Natividade, o local passaentão a ser chamado de Natividade. Em 1734, o português Manoel Rodrigues de Araújo transferiu o Arraialpara o Sopé da Serra, local de melhor acesso, onde hoje situa a cidade. Em 1831, Natividade foi elevada à categoria de Vila. Em 1834 contava com 300 casas e ruas guarnecidas decalçadas de laje e em 1° de julho de 1901, a vila ganhou o termo de Município de Natividade, sedesmembrado da Comarca de Porto Nacional, e em 23 de dezembro de 1905, pela influente atuação doSenador Fulgêncio Nunes da Silva, aconteceu à instalação da Comarca de Natividade. Atualmente, Natividade tem o seu espaço urbano dividido em três zonas de usos específicos: Zona deProteção Histórica, Zona de Proteção Ambiental, e Zona de Expansão. O conjunto arquitetônico é constituídopelas ruas estreitas de casarões e igrejas. Festas populares- Festa do Divino (data móvel)- Festa de São João Batista (23 a 24/06)- Festa do Senhor do Bonfim (12 a 17/08)- Festa da padroeira de N. Sra. da Natividade (30/08 a 08/09)- Baile de pastorinhas (24/12)- Festa de Reis (01 a 06/01) Patrimônio Material- Igreja da Matriz, datada de 1759, nela se encontra a imagem de Nossa Senhora da Natividade, santaPadroeira do Estado do Tocantins, possui dois sinos em bronze, datados de 1858.- Igreja do Rosário dos PretosToda em pedra possui os arcos da entrada central feitos com grandes tijolos especiais da época. Construídapelos escravos, ficou inacabada.- Prédio da Antiga Cadeia PúblicaContinua com as características originais da sua construção. Impressiona pelas suas janelas e portas de largasgrades e enormes portais em madeiras. Museu Histórico Municipal.- Casa do Sr. Salvador José Ribeiro (ten. Salvador)Foi sede da primeira escola pública de Natividade, nos anos de 1831 – Grupo Escolar D. Pedro II- Ruínas de São LuisLocal do antigo povoado no alto da Serra de Natividade, rico em buracos de garimpos de ouro, que no início ahistoria do nascimento da atual cidade, onde também se encontra a Lagoa Encantada, construída pelosescravos.-Igreja de São BeneditoDe características coloniais, conserva o sino original e a estrutura do primeiro altar.Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 3
  • 4. ARRAIAS Originou-se em 1739 com a descoberta de um garimpo. Em 1740, com o apoio do Governador D. Luís deMascarenhas, foi definido traçado das ruas, o que contribuiu para o assentamento da população sob anomenclatura de Nossa Senhora dos Remédios de Arraias. No dia 16 de agosto de 1807, o povoado de Arraisfoi elevado a Julgado e, mais tarde, através da Resolução de 1° de abril de 1833, passou à categoria de vila,instalada em 19 de setembro do mesmo ano. O declínio da mineração contribuiu para a evasão urbana e o crescimento da zona rural, onde os habitantesdesenvolviam atividades de pecuária e de agricultura de subsistência, perdurando esta situação até meados doséculo XIX, quando Arraias perde a condição de vila, e em 1850 sendo anexada a Cavalcante e mais tarde aMonte Alegre. Festas populares- vaquejada e congada.- Danças: Capoeira, Sússia e a Roda de São Gonçalo.- Festas Religiosas: Padroeira Nossa Senhora dos Remédios (9 de setembro); Festas de Santos Reis (01 a 06de janeiro); São Sebastião (11 a 20 de janeiro)- Entrudo (carnaval). Arte Popular- Painel Histórico: Festival de Artes de Arraias “Canta Nordeste”- Artesanato: Peças executadas em couro, palha, madeira e argila.- Pratos Típicos: Maria Isabel, Paçoca de Pilão e Mucunzá, Doces de Caju e buriti.- Bebidas: Licores e pingas. Patrimônio Material- Ruínas da casa do feitor na Chapado dos Negros- Vestígios do povoado, testemunhados pelas ruínas de igrejas, de habitações e por rego de captação de água,entre matagais e grandes blocos de pedras.- Igreja Matriz Dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, foi reconstruída com aproveitamento dos velhos paredões,localizada na praça Dr. João D’Abreu.DIANÓPOLIS Antigo Arraial de São José do Duro é uma das cidades tocantinenses mais contempladas em obras deescritores, poetas e historiadores, especialmente por ter sido palco de movimentos armados. Em 1750,criadores de gados da região nordestina através do vale de São Francisco, chegaram às terras tocantinenses,antigo norte goiano. Das Minas Gerais também partiram aventureiros em busca de riquezas minerais e índios,adentrando ao vale do Tocantins chegando à região de Dianópolis, dando assim inicio ao povoamento urbano. A cidade tem suas origens ligadas ao aldeamento indígena e à mineração em meados de 1750/51. A lei Provincial n° 03, de 14/10/1854, criou o distrito de São José do Duro, sob a jurisdição de Conceiçãodo Norte e, em 26/08/1884, a Lei Provincial n° 723 elevou o distrito a Vila com o mesmo topônimo,provavelmente instalada em 1890. Em 1938 recebeu o nome de Dianópolis em homenagem às irmãsCustodianas ou Dianas, pertencentes a umas das famílias tradicionais da cidade. As relações historicamente mantidas com a Bahia proporcionaram acentuada influência cultural. EmDianópolis pouco se conservou da arquitetura. O centro histórico da cidade, situado em torno da Praça Cel.Wolney é composto de prédios residenciais, restando duas casas do século XIX. Essas casas mantêm suascaracterísticas originais (foram construídas em 1885 e 1892, respectivamente). Além desses imóveis restamtambém cerca de meia dúzia de outros, que conservam o aspecto original, porém, retratam um estilo já doinicio do século passado, por volta dos anos 30 e 40. Patrimônio Material- Capelinha dos Nove: Igreja erguida no túmulo das nove vítimas do massacre que houve no “tronco” em 16de janeiro de 1919.- Prefeitura Velha- Casa do Cel. Wolney : Casa construída em 1885 pelo Coronel Joaquim Ayres Cavalcante Wolney, é divididaem 14 cômodos e foi erguida por braço escravo.- Igreja Sagrada Família- Igreja de São José das Missões: importante por pertencer a um povoado resultante de aldeamento indígena.Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 4
  • 5. MONTE DO CARMO Sua história data do período do “Ciclo do ouro no Brasil”, quando aventureiros adentraram os sertões àprocura das minas. O bandeirante Manuel de Souza Ferreira, à procura de ouro pelo Vale do Alto Tocantins,deparou com essa localidade. Cronologicamente, sua história se desenvolve com maior precisão e detalhes, quando a Rainha Maria Inomeia o Padre Faustino José da Gama, em 1870, para, no Arraial do Carmo, exercer serviços religiosos. Sediado no sopé da Serra do Carmo, Padre Gama tornou-se o mais famoso senhor, “dono de muitosescravos e lavouras”. Na sede do município, podem ser encontrados resquícios de muros e pedras e antigos casarões em ruínasque ficam em torno da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, como testemunhos do importante povoadominerador que foi Monte do Carmo. O Distrito de Monte do Carmo foi emancipado no dia 23/10/1963, e asua instalação aconteceu em 10/01/1964, com a nomeação do prefeito Durval da Silva R. Barros, quepermaneceu até a nomeação de Ademar Pereira da Silva, em 1965. Festas populares- Festa de São Sebastião (20/01)- Festejos do Carmo (julho) - onde se festeja Nossa Senhora do Rosário, Divino Espírito do Santo e NossaSenhora do Carmo. Comidas típicas- arroz sirigado e arroz com pequi, doces de caju, buriti, banana, e bolos de arroz, de mãe, amor perfeito entreoutros. Patrimônio Material- Igreja de Nossa Senhora do Rosário- Ruínas do Arraial do Carmo: a casa, igreja e diques que os escravos do padre Gama fizeram no sopé daSerra do Carmo. Padre Gama tinha sob seu comando cerca de 1200 escravos trabalhando na sua lavoura e nogarimpo.PORTO NACIONAL Segundo os historiadores, a origem de Porto Nacional deve-se á navegação pelo rio Tocantins, fazendo aligação entre os dois centros de mineração: Pontal e Monte do Carmo. Depois destacamento militarencarregado da vigilância da navegação. Seu primeiro morador foi o português Felix Camôa, barqueiro que, no final do século XVIII, dedicara-se àtravessia no rio Tocantins de mineiros procedentes das minas de ouro de Bom Jesus do Pontal para as minasdo Arraial do Carmo e vice-versa. Por volta de 1805, os índios Xerente revoltados com a exploração de toda ordem a que eram submetidos,atacaram e dizimaram o “Garimpo de bom Jesus do Pontal”. Os sobreviventes do massacre vieram refugiar-see fixar residência em Porto Real. Os nomes atribuídos à cidade estão relacionados com a situação política vigente no país: Porto Real,quando era Brasil-reino; Porto Imperial, na época do Império e finalmente Porto Nacional, após aproclamação da república. Tal foi o desenvolvimento de Porto, que em 1831, foi promovido à categoria de“vila”, com a denominação de Porto Imperial. A vila despontou como importante entreposto comercial para oscomerciantes que de “bote” faziam a viagem de Palmas até Belém do Pará e vice-versa. A vila de PortoImperial adquire o título de cidade em 1861, com o nome de Porto Nacional. Festa Populares- Festa de São Sebastião (20/01)- Via Sacra- Festa do Divino (data móvel)- Festa da Padroeira - Nossa Sra. das Mercês (24/10) Patrimônio Material- Catedral Nossa Senhora das Mercês: essa obra monumental foi iniciada em 1894 e concluída 1904.Projetada em pedra e tijolos, representa o estilo romântico de Toulouse, França.- Seminário São José- Prédio da Prefeitura Velha- Colégio Sagrado Coração de Jesus- Prédio do Abrigo João XXIIIResidência do Sr. Oswaldo AyresProfessor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 5
  • 6. TOCANTÍNIA Os primeiros registros que envolvem a região que hoje é a cidade de Tocantínia vêm de 1738, quandocomeça a chegar na região muitos aventureiros em busca do ouro, terras e outras riquezas. A região já erahabitada pelos índios Xerente que ocupavam as terras próximas ao Rio Providência e ao longo do RioTocantins. Nesse período ocorreram muitos conflitos envolvendo os índios e os chegantes, que tinham quepassar por terras indígenas. Vieram também os bandeirantes que abriam caminho e aprisionavam os índiospara trabalharem como escravos em outras regiões. Com o projeto de povoamento da região, foram utilizadas muitas estratégias para afastar os índios, umasdelas foi o aldeamento, iniciado em 1840 pelo Frei Antonio de Ganges, que chegou ao Brasil acompanhadopor Frei Rafael de Targia, com a missão de aldear os índios Xerente, Krahô e Xavante. O primeiro nome da atual Tocantínia foi Tereza Cristina (nome do aldeamento), em homenagem a entãoImperatriz do Brasil. Depois em virtude da proximidade com o Ribeirão Piabanha, passou a se chamarPiabanha, e em 20 de abril de 1936 adotou o nome atual, sendo elevado a categoria de município no dia 3 deoutubro de 1953. Patrimônio Material- Igreja de TocantíniaA igreja em adobe, construída pelos índios, foi idealizada por frei Antônio. Anos depois foi reconstruída pelavontade do Monsenhor Pedro Pereira Piagem.TOCANTINÓPOLISCidade que ficou popularmente conhecida como “Boa Vista do Padre João”, devido à grande influênciahistórica deste vigário, a antiga boa Vista do Tocantins, se tornou cenário de alguns acontecimentosmarcantes.O primeiro Núcleo de habitantes teve inicio em 1818, quando bandeirantes, partindo de Pastos Bons, noMaranhão, vieram à procura de índios para catequizar. A região era muito fértil e possuía grande quantidadede madeiras adequadas para a construção e produção de imóveis.Espalhada a noticia da fertilidade do local, grande número de habitantes de Carolina – MA, se deslocarampara o novo povoado.Em 1852 foi criado o Distrito de Boa Vista do Tocantins, em 28 de julho de 1858 foi elevada à categoria decidade, e Pedro José Cipriano foi reconhecido como seu fundador.Em 1943 a Cidade passou a ser chamada de Tocantinópolis. Patrimônio Material- Catedral de Nossa Senhora da Consolação- Seminário João XXIIIA importância arquitetônica do prédio reside no fato de simbolizar a grande influencia religiosa da cidade,que abrigou a sede da prelazia por vários anos, ao elevar-se diocese fundou também este seminário, que temordenado várias turmas de padre, inclusive o Padre Josimo que se tornou conhecido nacionalmente pela suaatuação ao lado das lutas em favor dos oprimidos da região. Trata-se de um prédio de construção recente(1955-1960)FONTE:NASCIMENTO, Junio Bastista. Tocantins: história e geografia. 6. ed. Goiânia: Bandeirante, 2009. p. 10-19.TOCANTINS – HISTÓRIA. In: Fundação Cultural do Estado do Tocantins. Disponível em:<http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=3>. Acesso em 09 ago 2010.Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 6
  • 7. INSTITUTO PRESBITERIANO VALE DO TOCANTINS ANO: 2010DISCIPLINA: SOCIOLOGIA PROF : JOSSIVALDO MORAIS oSÉRIE: 3o ANO – ENSINO MÉDIO BIMESTRE: TERCEIRO AULA: 04 / 053 – CIDADES RECENTES E MIGRAÇÃO O ciclo do Cristal de Rocha Na década de 1930, o interior do Brasil era um imenso vazio demográfico, a população concentrava-se nolitoral e o interior era visto como algo exótico. O então presidente da República Getúlio Vargas, na ânsia de suprir o abalo econômico e resguardar oterritório de possível invasão estrangeira, implanta uma Política de Integração Nacional, conhecida como“Marcha para o Oeste”. Na prática, o plano consistia basicamente em duas linhas: a primeira, era aldear osíndios; e a segunda era explorar os recursos naturais com o intuito de ocupar e povoar grandes vaziosdemográficos. A ideia era que cada região fosse explorada de acordo com suas peculiaridades e, à medida que apopulação fosse atraída, naturalmente surgiriam novos núcleos populacionais. No Tocantins, essa marcha, liderada por Cândido Rondon, acabou descobrindo o quartzo, conhecidopopularmente como cristal de rocha. No vale do Araguaia esse produto tinha enorme valor comercial por sermatéria-prima para confecção de armamento bélico. A consequência dessa descoberta foi que, em curtíssimo tempo, a região recebeu uma grande quantidadede migrantes, vindos principalmente do nordeste (Maranhão e Piauí) e do Pará, que acabaram povoando umavasta extensão, entre as quais: Xambioá (1933), Cristalândia (1939), Pium (1940), Dois Irmãos (1943),Ananás (1946), Araguaçu (1948), Formoso do Araguaia (1949), Dueré (1953) e Arapoema (1956). Apesar deter durado pouco tempo, algo em torno de vinte anos (20 anos), tal movimento foi responsável por grandepovoamento recente do norte goiano. O ciclo da construção da BR-153 (Belém-Brasília) Apesar dos ciclos anteriores de povoamento e exploração, o norte de Goiás ainda permanecia no abandonoe isolamento. Sem estradas nem formas de comunicação, o único meio de transporte era a rota hidroviáriapelo rio Tocantins. O projeto de construção da rodovia BR-153, iniciada no governo de Juscelino Kubitschek, serviu de via decomunicação e transformação de todo o norte goiano. Economicamente, ela proporcionou o escoamento daprodução, a chegada de produtos industrializados dos grandes centros e uma mudança significativa no perfildo produtor, bem como um melhoramento genético do gado da região. Demograficamente, a região foiinvadida por pessoas de todas as partes, especialmente por nordestinos. Em menos de duas décadas apopulação saltou de 204 mil habitantes para 521 mil, um acréscimo de mais de 150%.A consequência direta foi o surgimento de povoados à beira da rodovia. Alguns permaneceram como simplesentroncamentos ou pousos, e demoraram décadas para evoluir. Outros cresceram rapidamente, impulsionadospela base migratória que aqui acampava durante as obras de construção. Foi o caso de Araguaína e Gurupi,emancipadas antes mesmo da inauguração da rodovia, ainda no ano de 1959; além de Wanderlândia, Colinas,Guaraí, Miranorte, Presidente Kennedy, Paraíso, Fátima e Alvorada, que foram emancipadas na década de1960.FONTE:NASCIMENTO, Junio Bastista. Tocantins: história e geografia. 6. ed. Goiânia: Bandeirante, 2009. p. 20-21.4 – POVOS INDÍGENAS Os povos indígenas do Tocantins estão distribuídos em mais de 82 aldeias, perfazendo uma população decerca de 10 mil indígenas. POVO INY Karajá, Karajá/Xambioá e Javaé formam o povo Iny, pertencente ao tronco lingüístico Macro-Jê, família eProfessor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 7
  • 8. língua Karajá. Coletores e pescadores, após longo período de migração se fixaram na Ilha do Bananal. OsKarajá da Ilha ou de cima são chamados de Ibòò Marãdu. Os Javaé vivem às margens do rio Javaé,denominados o povo do meio (Iny Webohony). Os Karajá/Xambioá (Iraru Mahãdu), os Karajá de baixo, estãolocalizados na Reserva Xambioá, município de Santa Fé do Tocantins. A convivência constante do Karajá de baixo (Xambioá/Karajá) com os não indígenas contribuiu para quegradativamente agregasse à sua cultura os usos e costumes externos e conseqüentemente, a perda de parte dacultura tradicional e principalmente a fala a língua original. Atualmente, está havendo a recuperação do falar a língua Karajá através do ensino ministrado nas escolasimplantadas nas aldeias, exigência da Lei 10.172/2001. Paralelamente, a gerencia indígena da Diretoria dePatrimônio Cultural da Fundação Cultural vem apoiando a realização das festas tradicionais, participação emintercâmbios e no resgate do ritual do Hetoroky. A confecção de objetos de cerâmica, a pintura corporal e as bonecas ritxokò são tradicionais da culturaKarajá, assim como as festas e rituais. O Tocantins apresenta aproximadamente 3 mil Karajá, distribuídos em 07 aldeias na Ilha do Bananal. OsJavaé estão distribuídos em 13 aldeias e os Karajá/Xambioá, são cerca de 500 índios em 03 aldeias.Festas Karajá (Ilhado Bananal)* Rituais: do Hetohoky (Casa Grande) e Aruanã* Festa do MelHomenagem aos Mortos – ItxeoFesta da alegria- MaarasiFestas Javaé* Rituais: do Aruanã e Hetohoky (Casa Grande)* Festa da alegria– MarakasiFestas Karajá/Xambioá* Rituais: do Kralaru* Festa do Peixe O povo Iny mantém a tradição através de seus rituais e celebrações. Ensinam aos descendentes aimportância e necessidade da transmissão destes conhecimentos que vêm de tempos milenares. O Hetorokytêm caráter religioso e acontece durante a época de fartura alimentar. As figuras míticas dos espíritosprotetores (Aruanãs) cantam e dançam para todos sem data determinada. Na preparação das festas os homens saem para as caça e pescarias, as mulheres preparam a alimentação eos ornamentos e enfeites: colares, braçadeiras e tornozeleiras. A pintura corporal é a representação de figurassimbólicas de animais como pássaros, peixes e répteis. Utilizam as cores preta, retirada do jenipapo, evermelha do urucum. Existem dentro da comunidade pessoas conhecedoras de como fazer a pintura corporalRitual O Hetoroky representa a passagem do menino para a fase adulta. A festa começa quando o pai do meninovai conversar com o pajé para que ele chame os aruanãs (espíritos). Convidam os Karajá de toda a região paraparticipar e constroem uma grande casa para os convidados, onde deverá ter comida farta para todos. Sãorealizadas lutas tradicionais e a disputa do mastro. Os Aruanãs entram e saem das casas cantando e dançandopara marcarem a passagem do menino iniciando a fase adulta, dando continuidade aos feitos de seusancestrais dos quais muito se orgulham. Depois das boas vindas, começa a luta (Ijesu) entre os homens, uma verdadeira prova de força e resistênciacorporal. A competição entre as aldeias começa à noite, quando os homens se reúnem em torno da “grandetora” (Thoo). A luta vai até o amanhecer, quando o Iyeré (menino que está sendo iniciado) chega para acerimônia com o corpo todo pintado de preto e a cabeça raspada. XERENTE Akwê, “gente importante”, “indivíduo”. O povo que assim se denomina vive na margem direita do rioTocantins, perto da cidade de Tocantínia, nas Reservas Indígenas Xerente e Funil num total de 183.542hectares de área demarcada. Os Xerente também pertencem ao grupo lingüístico Macro-Jê. Seu artesanato éproduzido principalmente com a palha de babaçu, seda de buriti, sementes dos quais surgem cestas, balaios,redes, bolsas, esteiras, adereços e de adornos e enfeites. O artesanato produzido é comercializado nas cidadespróximas à reserva. Atualmente, os Xerente atendem sua demanda alimentar com projetos de autosustentabilidade promovidopelo Procambix-Programa de Compensação Ambiental Xerente, resultado das negociações com a Investco,Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 8
  • 9. responsável pela construção da UHE de Lajeado. No Tocantins são aproximadamente 3 mil índios em 46 aldeias.FestasFesta de dar nomes - WakêHomenagem aos mortos - KuprêPadi - tamanduá bandeiraCorrida de toras de buritiFeira de Sementes do Cerrado APINAJÉ Na região Norte do Estado, na reserva que abrange os municípios de Tocantinópolis, Maurilândia,Cachoeirinha e Lagoa de São Bento perfazendo um total de 141.904 hectares, desde 1985. As aldeias estãodistribuídas em dois PINS (Postos Indígenas), em São José e Marizinhas, onde vive o povo Apinajé, que seautodenomina de Panhi e pertence ao tronco lingüístico Macro-Jê. Os Apinajé sobrevivem da agricultura de subsistência, da caça, da coleta de babaçu do qual extraem o óleodas amêndoas, aproveitam a palha para fabricar utensílios domésticos, coberturas de suas casas e as cascassão utilizadas como combustível para cozinhar. Produzem o artesanato de sementes e miçangasquecomercializam nas cidades vizinhas. Entre suas tradições está a Mêkaprî, ritual para fazer o espírito voltar aocorpo do doente; o Parkapé, ritual que homenageia os mortos e o fim do luto, chamada festa da Tora Grande.Ritual do casamento quando se prepara TwýKupu – bolo grande enrolado na folha de bananeira e assado nobraseiro cavado no chão. São 1,8 mil indígenas em 22 aldeiasFestasRitual de homenagem aos morto - PárkapeRitual para retorno do espírito do doente ao corpo – Mêkaprî. KRAHÔ As aldeias Krahô situadas na região de Itacajá e Goiatins com 302.533 hectares demarcados em 1976,lembram os sítios encontrados no médio Tocantins, Sul do Estado. Apresentam estrutura em forma circular,com habitações em torno de uma área vazia, o pátio central ou Ká, representa o coração da aldeia, onde sereúnem para dividir o trabalho e tomar decisões importantes para a comunidade. Pertencentes ao troncoMacro-Jê, têm suas aldeias divididas em dois partidos – o do inverno (Katam’jê) e o do verão (Wakm’jê) -,que se revezam no poder de acordo com os períodos de chuva e seca na região. Os Krahô acreditam que os sonhos predizem o futuro do sonhador. Cultivam seus rituais e celebrações epossuem como símbolo sagrado uma machadinha de pedra a qual chamam de Khoyré, pois acreditam quemantêm a harmonia e o respeito dentro da comunidade, dando continuidade a tradição e a vida. Mantêm atradição da corrida de toras de buriti, especilamente preparada para cada tipo de festa, e os participantesrepresentam os dois partidos. No Tocantins, são cerca de 3 mil índios em 23 aldeias.Festas* Festa da Batata (Panti)* Festa do Milho (pônhê)*Festa wythô* Empenação das Crianças* Feira da Semente. KRAHÔ-CANELA Este povo assim se auto-identifica por ser descendente de duas etnias distintas: Krahô e Canela, povoTimbira (tronco Macro-Jê), originários do Maranhão. Atualmente os Krahô -Canela estão em um processo ocupação das terras de Mata Alagada, município deLagoa da Confusão e de resgate de sua cultura.Calendário de festas As festas indígenas no Tocantins acontecem de março a dezembro. São datas móveis definidas pelaslideranças de cada aldeia. Nos meses de fevereiro a julho acontecem as maiorias dessas festas, principalmentenos Xerente, Krahô e Apinajé.Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 9
  • 10. Artesanato indígena O artesanato indígena é utilizado como enfeites, compor a indumentária usada nos rituais e também,produção de utensílios domésticos e na comercialização. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária ecerâmica. Os Akwe (Xerente) são considerados o povo do trançado (cestaria) e os Timbiras (Apinajé eKrahô), são especialistas na arte dos trançados e artefatos de sementes nativas do cerrado. A cestaria é utilizada no transporte e armazenamento de mantimentos e como peças decorativas. A técnicaé ensinada pelos mais velhos aos jovens que desejam aprender. As crianças aprendem desenhando na areia,depois transportam para a palha. Os motivos são transmitidos de geração para geração e representam a fauna ea flora. Para confecção das cestarias são utilizadas a palmeira do babaçu, da bacaba, tucum e a seda do buriti. Para confeccionar a cerâmica, os artesãos Iny utilizam uma argila especifica chamada de barro de louçaque misturado com cinzas da madeira do “cega machado” e colocada para secar ao sol, depois queimada noforno tradicional. No final, a peça é pintada de preto e vermelho. Feitas pelas mulheres, podem ser utilitárias(potes, pratos, tigelas) ou ornamentais assim também, são confeccionadas as (bonecas ritxokò e ritxoo). Asminiaturas em cerâmica, representam o cotidiano do povo Iny (Karajá) como o parto, a caçada e a pescaria.São figuras de animais encontrados na Ilha do Bananal, como onça, anta, jacaré, tucano, ariranha e paca. FONTE:TOCANTINS – HISTÓRIA. In: Fundação Cultural do Estado do Tocantins. Disponível em:<http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=3>. Acesso em 09 ago 2010.5 – COMUNIDADES QUILOMBOLAS Atualmente existem 21 comunidades reconhecidas como remanescentes de quilombo no estado doTocantins, mediante o decreto presidencial 4.887 de 20 de novembro 2003. As comunidades compreendem o patrimônio cultural estadual e possuem características culturais própriase peculiaridades que as distinguem umas das outras e de toda a sociedade, apresentando semelhanças no quediz respeito ao uso e ligação com a terra onde estão localizadas. Apresentam manifestações culturais peculiares: danças tradicionais, cantigas de roda, festas religiosas,além de produzirem artesanatos que são usados como adereços ao corpo e como utensílios necessários para amanutenção de suas atividades diárias. Produzem ainda alimentos típicos de uma culinária que tem como baseprodutos encontrados na natureza ou produzidos em suas hortas comunitárias. As comunidades quilombolasdo estado do Tocantins estão distribuídas de Norte a Sul, em vários municípios, conforme tabela abaixo. COMUNIDADES MUNICÍPIOS / TO Lagoa da Pedra Arraias Mimoso Kalungas Malhadinha Brejinho de Nazaré Córrego Fundo São José Chapada de Natividade Chapada de Natividade São Joaquim Porto Alegre Laginha Redenção Natividade Barra da Aroeira Santa Tereza do Tocantins Cocalinho Santa Fé do Araguaia Morro de São João Santa Rosa do Tocantins Baviera Aragominas Povoado do Prata São Félix Mumbuca MateirosProfessor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 10
  • 11. Carrapato Formiga Ambrósio Grotão Filadélfia Mata Grande Monte do Carmo Santa Maria das Mangueiras Dois Irmãos Para muitas pessoas falar sobre quilombos e comunidades quilombolas é tratar de um tema do passado, umassunto distante e longínquo. Mas, na verdade, nós temos visto que essa questão é bastante atual e têm tudo aver com assuntos bem recentes, como a proteção ambiental e a valorização de minorias étnicas. Nos séculos passados, como no interior do Brasil não existiam estradas unindo as cidades, os grandes riosfaziam esse papel, servindo para o deslocamento de pessoas e mercadorias. Dessa forma, diversas expediçõesformadas por colonizadores, bandeirantes e missionários chegaram à região do Planalto Central, navegandopelos rios Araguaia e Tocantins. Assim, surgiram na região os primeiros povoados e aldeamentos indígenas,implementados pelos padres católicos da Companhia de Jesus. A ocupação econômica do coração do Brasil se efetivou com os bandeirantes paulistas chegando em buscade ouro e pedras preciosas, no final do século XVIII. Com o estabelecimento dos primeiros garimpos, foramtrazidos escravos e, consequentemente, daí surgiram os grandes arraiais. Muitos desses aglomerados deramorigem a diversas cidades, tais como: Dianópolis (vila São José do Duro), Paranã (vila São João da Palma),Natividade (arraial de Nossa Senhora de Natividade) e Arraias (povoado Nossa Senhora dos Remédios deArraias). Um pouco após o ciclo do ouro, nos séculos XIX até a metade do século XX, outras cidades nasceramatravés do desenvolvimento da navegação e com o aumento do comércio estabelecido entre a região centraldo Brasil e a cidade de Belém do Pará (principal centro econômico da região Norte). Daí surgiram, àsmargens do Tocantins, as cidades de Porto Nacional (antigo povoado Porto Real), Tocantínia (antiga vilaPiabanha), Pedro Afonso (aldeamento Rio do Sono), Filadélfia (povoado Porto de Paula) e Tocantinópolis(antiga vila São João da Boa Vista). Ao longo desses anos, desde o ciclo do ouro até o fim da escravidão, em 1888, milhares de escravos foramtrazidos à região para servirem de mão-de-obra nos garimpos e nas demais atividades que se desenvolveramposteriormente. E, como em diversos outros lugares do Brasil, era comum que os escravos fugissem paralugares distantes e isolados, buscando uma vida livre nos quilombos. Até recentemente, muitas dessas comunidades quilombolas se mantiveram isoladas, totalmente à parte daassistência de órgãos públicos e demais instituições sociais. Nessa situação, acabaram mantendo usos ecostumes próprios, subsistindo a partir de pequenas roças, da caça e do extrativismo. Nos últimos anos, a Fundação Cultural Palmares (órgão vinculado ao Ministério da Cultura) já reconheceu21 comunidades quilombolas no Tocantins. Um aspecto bastante curioso em relação à distribuição dessas comunidades é que quase todas elas estãosituadas em municípios da bacia do rio Tocantins, sendo que apenas duas (Cocalinho e Baviera), localizam-sena bacia do rio Araguaia. Outro aspecto importante que vale destacar trata-se da origem das comunidades quilombolas, pois nemtodas elas nasceram de quilombos, como a comunidade Mumbuca, situada na região do Jalapão, que foioriginada pela fusão de negros e índios; e a Barra do Arroeira, em Santa Tereza do Tocantins, que é formadapor negros que participaram da Guerra do Paraguai e receberam, como mérito pela participação na Guerra,algumas terras no antigo norte de Goiás, hoje Tocantins. Mas, independente dessas discussões históricas acerca da origem de tais comunidades, o INCRA (InstitutoNacional de Colonização e Reforma Agrária) reconhece que todas são remanescentes de ex-escravos e seusdescendentes, sendo, portanto, garantido a cada uma delas o direito às terras que ocupam tradicionalmente.Tal direito está assegurado no Artigo 216 da Constituição Federal de 1988. FONTE: TOCANTINS – HISTÓRIA. In: Fundação Cultural do Estado do Tocantins. Disponível em:<http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=3>. Acesso em 09 ago 2010.Professor Morais - e-mail: profemorais@gmail.com MSN SPACES: profmorais.spaces.live.com 11