EDUCAÇÃO MEDIEVAL

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EDUCAÇÃO MEDIEVAL

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA CURSO DE LICENCIATURA EM QUÍMICA DISCIPLINA: HISTÓRIA E SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO PROF. KAIRES BRAGAUNIDADE I – EDUCAÇÃO ANTIGA E MEDIEVALI – PERÍODO MEDIEVAL No período medieval a educação era desenvolvida em estreita simbiose com a Igreja, com a fécristã e com as instituições eclesiásticas que – enquanto acolhiam os oratores (os especialistas da palavra,os sapientes, os cultos.) – eram as únicas delegadas (com as corporações no plano profissional) a educar,a formar, a conformar. Da Igreja partiram os modelos educativos e as práticas de formação, organizavam-se as instituições ad hoc e programavam-se as intervenções, como também nela se discutiam tanto aspráticas como os modelos. Práticas e modelos para o povo, práticas e modelos para as classes altas, umavez que era típico também da Idade Média o dualismo social das teorias e das práxis educativas, comotinha sido no mundo antigo. Também a escola, como nós conhecemos, é um produto da Idade Média. A sua estrutura ligada àpresença de um professor que ensina a muitos alunos de diversas procedências e que deve responder pelasua atividade à Igreja ou a outro poder (seja ele local ou não); as suas práticas ligadas à lectio e aosauctores, a discussão, ao exercício, ao comentário, à argüição etc.; as suas práxis disciplinares (prêmios ecastigos) e avaliativas vêm daquela época e da organização dos estudos nas escolas monásticas e nascatedrais e, sobretudo nas universidades. Vêm de lá também alguns conteúdos culturais da escolamoderna e até mesmo da contemporânea: o papel do latim; o ensino gramatical e retórico da língua; aimagem da filosofia, como lógica e metafísica.I.I Escolas Paroquiais As primeiras remontam ao século II. Limitavam-se à formação de eclesiásticos, sendo oensino ministrado por qualquer sacerdote encarregado de uma paróquia, que recebia em sua própria casaos jovens rapazes. À medida que a nova religião se desenvolvia, passava-se das casas privadas àsprimeiras igrejas nas quais o altar substitui a tribuna. O ensino era reduzido aos salmos, às lições dasEscrituras, seguindo uma educação estritamente cristã.I.II Escolas Monásticas Visavam inicialmente, apenas à formação de futuros monges. Funcionando de início apenasem regime de internato, estas escolas abriram mais tarde escolas externas com o propósito da formação deleigos cultos (filhos dos Reis e os servidores também). O programa de ensino era de início, muitoelementar - aprender a ler escrever, conhecer a bíblia (se possível de cor), canto e um pouco de aritmética– foi-se enriquecendo de forma a incluir o ensino do latim, gramática, retórica e dialética.I.III Escolas Palatinas Carlos Magno fundou ainda, junto da sua corte e no seu próprio palácio, a chamada EscolaPalatin. Para apoio do seu plano de desenvolvimento escolar, Carlos Magno chamou o monge inglêsAlcuíno É sob a sua inspiração que, a partir do ano 787, foram emanados o decreto capitular para aorganização das escolas. Estes incluíam as sete artes liberais, repartidas no trivium e no quadrivium. Otrivium abraçava as disciplinas formais: gramática, retórica, dialéctica, esta última desenvolvendo-se,mais tarde, na filosofia; o quadrivium abraçava as disciplinas reais: aritmética, geometria, astronomia,música, e, mais tarde, a medicina.I.IV Escolas Catedrais As Escolas Catedrais (escolas urbanas), saídas das antigas escolas monásticas (que alargaramo âmbito dos seus estudos), tomaram a dianteira em relação às escolas dos mosteiros. Instituídas no
  2. 2. século XI por determinação do Concilio de Roma (1079), passam, a partir do século XII (Concilio deLatrão, 1179), a ser mantidas através da criação de benefícios para a remuneração dos mestres,prosperando nesse mesmo século. A atividade intelectual abre-se ao exterior, ainda que de forma lenta,absorvendo elementos das culturas judaica, árabe e persa, redescobrindo os autores clássicos, comoAristóteles e, em menor escala, Platão.I.V Universidades Supõe-se que a primeira universidade européia tenha sido na cidade italiana de Salerno, cujocentro de estudos remonta ao século XI. Além desta, antes de 1250, formaram-se no Ocidente a primeirageração de universidades medievais. São designadas de espontâneas porque nascem do desenvolvimentode escolas preexistentes. As universidades de Bolonha e de Paris estão entre as mais antigas. Outrosexemplos são a Universidade de Oxford e a de Montpellier. Mais tarde, é a vez da constituição deuniversidades por iniciativa papal ou real. Exemplo desta última é a Universidade de Coimbra, fundadaem 1290. Originalmente, estas instituições eram chamadas de studium generale, agregando mestres ediscípulos dedicados ao ensino superior de algum ramo do saber (medicina, direito, teologia). Porém, coma efervescência cultural e urbana da Baixa Idade Média, logo se passou a fazer referência ao estudouniversal do saber, ao conjunto das ciências, sendo o nome studium generale substituído por universitas.II – EDUCAÇÃO ORIENTALII.I CHINA Nas civilizações orientais a educação era tradicional: dividida em classes, opondo cultura etrabalho, organizada em escolas fechadas e separadas para a classe dirigente. O conhecimento da escritaera restrito a devido ao seu caráter esotérico. As preocupações com educação apareceram nos livrossagrados, que ofereceram regras ideais de conduta e enquadramento das pessoas nos rígidos sistemasreligiosos. Nesse período surgiu o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outropara os filhos dos funcionários, ou seja, grande parte da comunidade foi excluída da escola e restringida àeducação familiar informal.II.II EGITO As escolas funcionavam como templos e em algumas casas foram freqüentadas por poucomais de vinte alunos. A aprendizagem se fazia por transcrições de hinos, livros sagrados, acompanhada deexortações morais e de coerções físicas. Ao lado da escrita, ensinava-se também aritmética, com sistemasde cálculo, complicados problemas de geometria associados à agrimensura, conhecimentos de botânica,zoologia, mineralogia e geografia. O primeiro instrumento do sacerdote-intelectual é a escrita, que no Egito era hieroglífica(relacionada com o caráter pictográfico das origens e depois estilizada em ideogramas ligados porhomofonia e por polifonia, em seguida por contrações e junções, até atingir um cursivo chamado hieráticoe de uso cotidiano, mais simples, e finalmente o demótico, que era uma forma ainda mais abreviada e seescrevia sobre folha de papiro com um cálamo embebido em carbono). Ao lado da educação escolar, havia a familiar (atribuída primeira à mãe, depois ao pai) e a“dos ofícios”, que se fazia nas oficinas artesanais e que atingia a maior parte da população. Esteaprendizado não tinha nenhuma necessidade de “processo institucionalizado de instrução” e “são os paisou os parentes artesãos que ensinavam a arte aos filhos”, através do observar para depois reproduzir oprocesso observado. Os populares eram também excluídos da ginástica e da música, reservadas apenas acasta guerreira e colocadas como adestramento para guerra.II.III BABILÔNIA A cultura da poderosa classe sacerdotal destaca-se, bem como a extrema dificuldade que aescrita cuneiforme oferece aos escribas, incumbidos de ler e copiar textos religiosos.
  3. 3. Na civilização babilônica, tiveram um papel essencial o templo e as técnicas. O templo era overdadeiro centro social dessa civilização, o lugar onde se condensa a tradição e onde organizam ascompetências técnicas, sobretudo as mais altas e complexas, como escrever, contar, medir, que dão vida àliteratura, à matemática, à geometria, às quais se acrescenta a astronomia que estuda o céu para fins,sobretudo práticos (elaborar um calendário). Os sacerdotes (verdadeira casta de poder, que levava uma vida separada e se dedicava aatividades diferentes dos outros homens, ligadas aos rituais e à cultura), eram os depositários da palavra,os conhecedores da técnica da leitura e da escrita. A experiência escolar formava o escriba e ocorria emambientes aparelhados para escrever sobre tabuletas de argila, sob o controle de um mestre (dubsar), pelouso de silabários e segundo uma rígida disciplina.II.IV FENÍCIOS Os fenícios eram povos de origem semita. Por volta de 3000 a.C., estabeleceram-se numaestreita faixa de terra com cerca de 35 km de largura, situada entre as montanhas do Líbano e o marMediterrâneo. Com 200 km de extensão, corresponde a maior parte do litoral do atual Líbano e umapequena parte da Síria. Quanto à cultura, fundamental foi o desenvolvimento dos conhecimentos técnicos (de cálculo,de escrita, mas também ligados aos problemas da navegação). A descoberta mais significativa desse povofoi a do alfabeto, com 22 consoantes (sem as vogais), do qual derivam o alfabeto grego e depois oseuropeus, e que aconteceu pela necessidade de simplificar e acelerar a comunicação. A primeira produção do alfabeto ocorreu em Biblos (um dos centros da Fenícia), que deu,aliás, nome ao livro (biblos em grego), pelas indústrias de papiro que ali se encontravam. Quanto aosprocessos educativos, são aqueles típicos das sociedades pré-gregas, influenciados pelos modelos dosgrandes impérios e pelas sociedades sem escrita em que predomina a sacralização dos saberes e aorganização pragmática das técnicas, e tais processos se desenvolvem, sobretudo na família, no santuárioou nas oficinas artesanais. Os processos de formação coletiva são confiados ao “bardo”, ao “profeta”, ao“sábio”, três figuras-guias das comunidades pré-literárias e que desenvolvem uma ação de transmissão desaberes, de memória histórica e de “educadores de massa”.II.V HEBREUS O principal legado que os hebreus deixaram foi no âmbito religioso. Eles foram os primeirospovos a adotar o monoteísmo, ou seja, a crença em um único Deus. Também de destacam na literatura,destacando o Antigo Testamento, que é a primeira parte da Bíblia. Quanto aos profetas, eles eram os educadores de Israel, inspirados por Deus e continuadoresdo espírito de sua mensagem ao “povo eleito”: devem educar com dureza, castigar e repreender tambémcom violência, já que sua denúncia é em razão de um retorno ao papel atribuído por Deus a Israel. A escola em Israel organizava-se em torno da interpretação da Lei dentro da sinagoga; à qual“era anexa uma escola exegese” que, no período helenístico, se envolveu em sérios contrastes em torno,justamente, da helenização da cultura hebraica. Aos saduceus (helenizantes) opuseram-se os fariseus(antigregos) que remetiam à letra das Escrituras e à tradição interpretativa, salvaguardada de modoformalista. Assim, além de centro de oração e de vida religiosa e civil, a sinagoga se torna também lugarde instrução. A instrução que se professava era religiosa, voltada tanto para a “palavra” quanto para os“costumes”. Os conteúdos da instrução eram “trechos escolhidos da Torá”, a partir daqueles usados nosofícios religiosos cotidianos. Só mais tarde (no século I d.C.) foi acrescentado o estudo da escrita e daaritmética. Nos séculos sucessivos, os hebreus da diáspora fixaram-se, em geral, sobre este modelo deformação (instrução religiosa), atribuindo também a esta o papel de salvar sua identidade cultural e suatradição histórica.

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