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Este Mapeamente Cultural foi um dos nossos referenciais teóricos para o desenvolvimento deste trabalho....

Este Mapeamente Cultural foi um dos nossos referenciais teóricos para o desenvolvimento deste trabalho.
Fonte: SANTOS. Alberto Magno Silva dos. Mapeamento Cultural do Município de Traipu Estado de Alagoas. Traipu. 2006.

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Mapeamento cultural de_traipu Mapeamento cultural de_traipu Document Transcript

  • MAPEAMENTO CULTURAL DO MUNICÍPIO DE TRAIPU ESTADO DE ALAGOAS
  • MAPEAMENTO CULTURAL DO MUNICÍPIO DE TRAIPU ESTADO DE ALAGOAS PRIMEIRA EDIÇÃO REALIZAÇÃOPREFEITURA MUNICIPAL DE TRAIPU PROJETO SELO UNICEF / MUNICÍPIO APROVADO TRAIPU/AL, AGOSTO DE 2006
  • HOMENAGEM ESPECIAL MARIA EUL1NA DOS SANTOS (DONA NOZINHA) Nesta primeira edição do Mapeamento que pretende resgatar a cultura e a históriadeste Município, não se poderia deixar de fazer uma singela e justa homenagem a esteexemplo de vida e de solidariedade que marcou, de forma bastante positiva, parte dahistória de Traipu, de nome "Maria Eulina dos Santos". É por "Dona Nozinha", que a agricultora, comerciante e política Maria Eulina dos Santos, primeira Vereadora eleita pela cidade de Traipu/AL, é mais conhecida. Foi vereadora por cinco vezes consecutivas, entre as décadas de 50 e 70, sempre dedicando especial atenção à pobreza. Casada com o também agricultor Manoel Florêncio Filho, já falecido, teve sete filhos, sendo que apenas dois sobreviveram, Maria Ivete dos Santos Canuto, professora aposentada, e Marcos Antonio dos Santos, Advogado, Empresário e Político, além de dez netos e dez bisnetos. Com cerca de 50 anos participando davida pública, Dona Nozinha lembra que um dos períodos mais marcantes de sua vidaaconteceu no ano de 1970, quando uma grande seca castigou o município, levando muitagente a vender o que possuía e viajar para o Sudeste do País, em busca de trabalho. Foinessa época, que a grande maioria da população pobre encontrou no espírito fraterno deDona Nozinha o auxílio e força para sobreviver. "A seca de 1970 foi uma tristeza", recorda-se. Nesse período, ela teve umaatuação marcante sempre ao lado da maioria pobre do Município. "Nesse ano, eucomprava caixas de bacalhau, sacos de arroz, feijão e farinha que eram doados àpopulação carente do município". Era comum sua casa ficar cheia de pessoas vindas detodos os povoados à procura de auxílio. "Algumas vezes, quando eu vinha de viagem, opessoal me informava que minha casa tinha sido invadida por pessoas que não tinhamnada para comer", relembra Dona Nozinha. Para Dona Nozinha, aquela situação era conseqüência do descaso dosgovernantes para com o povo nordestino, que sempre foi discriminado. "Se nãoexistissem pessoas solidárias que dividissem o pouco que tinham, multidões teriammorrido de fome, já que a maioria do povo retirava o sustento da "roça", plantações demilho, feijão e mandioca", diz ela. Hoje, com 89 anos de idade, sente-se com o dever cumprido, e tem como o maiorfruto de sua carreira política, o seu filho Marcos Antonio dos Santos, que foi Prefeito noperíodo 2001 a 2004, e seu neto Valter dos Santos Canuto, atual Prefeito do Município. Em reconhecimento aos serviços prestados por dona Nozinha ao povo traipuense,a Câmara Municipal homenageou-a, colocando seu nome na Casa Maternal inauguradaem maio de 2002. Perseverança e solidariedade são marcas pelas quais Dona Nozinha é, e sempreserá, reverenciada pelos traipuenses.
  • AGRADECIMENTOS À Equipe Municipal Pró-Selo Unicef, que contribuiu de forma direta para a mobilização em busca dos objetivos propostos. Às Crianças e Adolescentes da Escola Agapito Rodrigues de Medeiros que colaboraram com a pesquisa de campo, trazendo informações importantes a este Mapeamento. À Coordenação Unicef/Recife pela parceria, pelas orientações e por nos possibilitar a oportunidade de conhecer outras realidades e assim buscar melhorar a nossa. A todos os traipuenses que ajudam a construir, com o suor do dia-a-dia, cada momento da História Traipuense.
  • EQUIPE TÉCNICA REDAÇÃO E REVISÃO Alberto Magno Silva dos Santos – Coordenador da Equipe Pró-Selo Unicef APOIO TÉCNICO Tadeu Dias EQUIPE DE PESQUISAAlberto Magno S. dos Santos, Leyvisson S. Pereira – Agente Jovem e Músico, Alunos da EscolaMunicipal Agapito Rodrigues de Medeiros: Rair D. Teixeira – 13 anos/8ª série, José Clebson S. deFarias – 13 anos/7ª, Humberto H. da Silva Farias – 14 anos/8ª, Elbes de F. dos Santos – 14 anos/8ª,José Madson A. dos Santos – 14 anos/6ª, Danilo F. de Farias – 16 anos/8ª, Cristiane da Silva – 15anos/7ª, Olívia C. dos Santos – 13 anos/7ª, Álisson S. Nascimento – 15 anos/8ª, José Regivaldo daSilva - 17 anos/6ª, Leonilson T. de Farias – 15 anos/8ª, José Leilson T. de Farias – 17 anos/7ª, Zélia doNascimento Santos – 15 anos/5ª, Angélica P. de Farias – 12 anos/6ª, Mayra Fernanda Damasceno – 11anos/6ª, Aline Kelly dos Santos – 11 anos/5ª, Rhelry D’ávila de A. Ferreira – 10 anos/5ª, JoyceJennifer Dias – 11 anos/6ª, Eulália Sena Santos – 09 anos/4ª, Danielly Cristhiny Santos Brito – 08anos/4ª, Alexia Beatriz Melo Sena – 08 anos/4ª. FOTOGRAFIA José Arnaldo Pinheiro José Pinheiro de Moura (Beto Pinheiro) COLABORAÇÃO Gilson dos Santos – Presidente do CMDCA Maria Aparecida Lira – Assistente Social Dulcinea Soares – Secretária Municipal de Cultura Jackson Borges – Secretário Municipal de Meio Ambiente Jacy Machado Reys – Coordenadora do Programa Agente Jovem Jacira Machado – Coordenadora do PETI Gilvan do Carmo Santos – Coordenador de Esportes Arlene Torres dos Santos – Coordenadora Pedagógica Vera Lúcia de Cerqueira – Supervisora da Sec. Mun. de Educação Maria Ivete dos Santos Canuto – Supervisora da Sec. Mun. de Educação Simone Melo de Sena – Dir. da Esc. Mun. Agapito Rodrigues de Medeiros Íris Vieira Costa – Assistente Social Ana Tereza Freire de Oliveira – Assistente Social Valter Matos Palmeira – Presidente da ASPRONT Manoel Santos da Hora de Novais – Coordenador de Eventos Erinaldo dos Santos Oliveira – Coordenador de Transportes do Município Robson Nascimento – Secretário Municipal de Educação Rita de Cássia Melo – Diretora da escola Francisco Mangabeira Júlio de Freitas Machado – Secretário Municipal de Viação e Obras Roberto Olindino Matos Junior – Secretário Municipal de Finanças Manuel Farias – Presidente do Conselho Tutelar APOIO CULTURAL Valter dos Santos Canuto – Prefeito Marcos Antonio dos Santos – Secretário Geral de Governo Juliana Kümmer Freitas Santos – Secretária Municipal de Assistência Social
  • SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------- 15HISTÓRICO MUNICÍPIO----------------------------------------------------------------------------- 17 Origem do Nome Traipu---------------------------------------------------------------- 18 D. Pedro II em Traipu------------------------------------------------------------------- 19 Histórico da Igreja de Nossa Senhora do Ó------------------------------------------ 19 Párocos------------------------------------------------------------------------------------ 20 Movimentos Sociais da Igreja---------------------------------------------------------- 21 Cultura Indígena-------------------------------------------------------------------------- 21 Governantes traipuenses---------------------------------------------------------------- 22SÍMBOLOS DE TRAIPU------------------------------------------------------------------------------- 23 Bandeira----------------------------------------------------------------------------------- 23 Hino de Traipu--------------------------------------------------------------------------- 24O RIO SÃO FRANCISCO----------------------------------------------------------------------------- 25 Origem do nome São Francisco-------------------------------------------------------- 27 Ponto de vista econômico--------------------------------------------------------------- 28 Formação racial--------------------------------------------------------------------------- 28 Tribos indígenas que habitaram o Baixo São Francisco----------------------------- 28 Museu Ambiental “Casa do Velho Chico”-------------------------------------------- 29 Rio Traipu -------------------------------------------------------------------------------- 32 Serras-------------------------------------------------------------------------------------- 32 Lagoas------------------------------------------------------------------------------------- 33TERRA DA MÚSICA ----------------------------------------------------------------------------------- 34 Banda Lira Traipuense e Filarmônica de São José---------------------------------- 34 Banda Marcial---------------------------------------------------------------------------- 35 Escola de Música Santo Antonio------------------------------------------------------ 36 Escola de Música Pedro Basílio ------------------------------------------------------- 36 Músicos traipuenses no cenário nacional--------------------------------------------- 37 Coral de Nossa Senhora do Ó---------------------------------------------------------- 38 Banda "Z"--------------------------------------------------------------------------------- 38FESTAS TRADICIONAIS----------------------------------------------------------------------------- 39 Festa de Nossa Senhora do Ó----------------------------------------------------------- 39 Festa do Bom Jesus dos Navegantes--------------------------------------------------- 41 Carnaval----------------------------------------------------------------------------------- 43NOSSO FOLCLORE------------------------------------------------------------------------------------ 45 O Coco de Roda-------------------------------------------------------------------------- 45 Grupo Folclórico Saia de Renda------------------------------------------------------- 46 Grupo Artístico de Traipu (GAT)------------------------------------------------------ 46 Quadrilha Quartinha D’água------------------------------------------------------------ 47 Pastoril------------------------------------------------------------------------------------- 48 Dança do Piau----------------------------------------------------------------------------- 48ARTESANATO------------------------------------------------------------------------------------------- 48 Artesanato com madeira ------------------------------------------------------ 48 Carpinteiros------------------------------------------------------------------------------- 49 Artesanato com barro-------------------------------------------------------------------- 50 Bordado------------------------------------------------------------------------------------ 50 Artesanato com palito-------------------------------------------------------------------- 51CANOEIROS---------------------------------------------------------------------------------------------- 52ENERGIA ELÉTRICA --------------------------------------------------------------------------------- 53
  • TELEFONE------------------------------------------------------------------------------------------------ 53AGRICULTURA----------------------------------------------------------------------------------------- 53PESCA------------------------------------------------------------------------------------------------------ 54EXTRAÇÃO DE PEDRAS ORNAMENTAIS----------------------------------------------------- 54POVOADOS DO MUNICÍPIO------------------------------------------------------------------------ 55 Vila Santo Antonio---------------------------------------------------------------------- 55 Vila São José----------------------------------------------------------------------------- 57 Povoado Mumbaça---------------------------------------------------------------------- 58 Povoado Lagoinha----------------------------------------------------------------------- 61 Povoado Olho d’Água da Cerca------------------------------------------------------- 63 Povoado Capivara----------------------------------------------------------------------- 65 Povoado Piranhas------------------------------------------------------------------------ 67 Povoado Santa Cruz--------------------------------------------------------------------- 68 Povoado Riacho da Jacobina----------------------------------------------------------- 70 Povoado Bom Caradá------------------------------------------------------------------- 72 Povoado Bom Jardim-------------------------------------------------------------------- 73 Assentamentos do Município de Traipu --------------------------------------------- 74RELIGIÃO------------------------------------------------------------------------------------------------ 75 Igreja Católica---------------------------------------------------------------------------- 75 Igreja Assembléia de Deus------------------------------------------------------------- 75 Igreja Universal do Reino de Deus---------------------------------------------------- 76 Igreja do Evangelho Quadrangular---------------------------------------------------- 76 Igreja Batista ----------------------------------------------------------------------------- 77 Cultura Afro-brasileira------------------------------------------------------------------ 77 Centro Espírita São Jorge Guerreiro--------------------------------------------------- 77 Centro Espírita Palácio de Oxalá------------------------------------------------------ 78PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARQUITETÔNICO-------------------------------------------- 79 Patrimônio Natural---------------------------------------------------------------------- 80 Espaços Culturais------------------------------------------------------------------------ 80 Escolas------------------------------------------------------------------------------------ 80 Espaços Festivos ------------------------------------------------------------------------ 81LITERATURA-------------------------------------------------------------------------------------------- 81 Luís de Medeiros Netto----------------------------------------------------------------- 81 Jenner Glauber Melo Torres----------------------------------------------------------- 82 Alvacy Martins--------------------------------------------------------------------------- 82 Jackson Borges--------------------------------------------------------------------------- 82 Provérbios (sabedoria popular)--------------------------------------------------------- 82PARTEIRAS----------------------------------------------------------------------------------------------- 83REZAS, CURAS e CRENÇAS ------------------------------------------------------------------------ 84 Medicina Popular------------------------------------------------------------------------- 84 Lendas ------------------------------------------------------------------------------------- 85BODEGAS-------------------------------------------------------------------------------------------------- 85GASTRONOMIA----------------------------------------------------------------------------------------- 85REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS---------------------------------------------------------------- 87
  • APRESENTAÇÃO O Município de Traipu, localizado às margens do Rio São Francisco, é um dosmais antigos do Estado de Alagoas, sendo detentor de uma rica história cultural queprecisa ser registrada, como forma de garantir às próximas gerações o conhecimentode suas raízes e fortalecimento de sua identidade. Desta forma, o Mapeamento Cultural de Traipu tem por objetivo maior retratartoda e qualquer expressão de natureza cultural ou histórica de um povo, partindo doreconhecimento público da importância de todos aqueles que iniciaram a construçãode nossa história e chegando às crianças e adolescentes de hoje, a quem cabe preservareste patrimônio e construir o futuro. Além de se apresentar como uma valiosa fonte depesquisa para as crianças e jovens traipuenses. Mapear a Cultura de um povo é, sem dúvida, uma atividade sem fim, já que acultura é viva, e por isso, sempre surgirão novos vestígios, novas informações, novospontos de vista, novas gerações. Deste modo, o Mapeamento é uma construção queestará sempre ávida por receber novos fatos que venham enriquecer a históriatraipuense. Porém, pretende proporcionar às gerações futuras o registro, responsável econsciente, de boa parte de nossas riquezas, além de despertar o interesse das criançase adolescentes em valorizar, preservar e registrar seu patrimônio histórico e cultural. Sabemos que é preciso fortalecer o compromisso público com a política dacultura, ampliando todas as alternativas de preservação do patrimônio histórico epopular, a fim de possibilitar ao traipuense a tradução de suas potencialidades emoportunidades e desenvolvimento. Aqui estão expressas as nossas vocações em forma de história, música,folclore, pesca, dança, arte, crenças, costumes, tradições e sonhos que tornam único osertanejo traipuense. Este Mapeamento é resultado de um grande mutirão, desde a PrefeituraMunicipal, do projeto Selo Unicef/Município Aprovado, da Equipe Municipal Pró-Selo Unicef, das crianças e adolescentes que participaram da pesquisa de campo e,principalmente, daqueles que construíram cada cena dessa linda história, permitindo-nos, assim, a oportunidade de registrá-la para a posteridade. Portanto, todas as dificuldades encontradas na realização deste projeto sãocompensadas pela consciência do dever cumprido e pela satisfação de sentir naspessoas a esperança e o orgulho de manter vivas suas tradições culturais. Marcos Antonio dos Santos Articulador Municipal Alberto Magno S. dos Santos Coordenador da Equipe Pró-Selo Unicef 15
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  • HISTÓRICO DO MUNICÍPIO Traipu possui a terceira maior área territorial dentre os Municípios de Alagoas,com 698 quilômetros quadrados (IBGE 2005) ficando atrás apenas de Coruripe e MataGrande. Está localizado na microrregião do agreste alagoano, limitando-se ao Nortecom Girau do Ponciano e Campo Grande, ao Sul com o Rio São Francisco, ao Lestecom São Braz e Olho d’Água Grande e ao Oeste com Belo Monte e Batalha. Está a188 km de Maceió, Capital do Estado e a 53 km de Arapiraca, Centro Econômico doAgreste. Tem como principal via de acesso a AL-487 (Rodovia Governador JoséTavares). Segundo o Censo 2000, a população era de 23.439 habitantes (11.820homens e 11.619 mulheres). A população urbana era de 7.131 e a rural de 16.308habitantes. “Este censo realizado no ano 2000 foi contestado pela PrefeituraMunicipal de Traipu que impetrou ação na Justiça para que houvesse retificação dosdados populacionais”. A religião predominante é a Católica com 22.628 adeptos,seguida de 436 evangélicos e 375 que professam outras religiões. Vista da cidade de Traipu O clima do município é tropical quente e seco, variando de semi-árido a sub-úmido. As temperaturas são elevadas durante todo o ano, com mínimas de 20°C e máxima de 40°C. O município assenta-se predominantemente sobre os micaxistos e gnaisses da Unidade Porto da Folha, os granulitos do Grupo Girau, que formam o embasamento cristalino, e os quartzitos daformação Santa Cruz, que dão lugar à Serra da Priaca e constituem uma importantereserva de água, principalmente por sua excelente qualidade, além de seremaproveitados como placas laminadas para revestimento. Ocorrem ainda o ferro, oamianto e a argila. A planície fluvial do Rio Traipu apresenta-se larga, com presença de terraços evárzeas. O núcleo urbano de Traipu desenvolveu-se no entorno da planície fluvial doRio Traipu, à margem do São Francisco. 17
  • ORIGEM DO NOME TRAIPU A palavra “Traipu” é de origem Tupi-guarani, como mostra o especialistaTeodoro Sampaio em seu abalizado dicionário. É uma corruptela de "ytira ypu", quequer dizer "fonte do morro" ou "olho dágua do monte". Em seus primórdios, durante oSéculo XVII, era um morgado estabelecido na região pelo mestre de campo e grandeproprietário de terras Pedro Gomes. Este deixou para seus descendentes seus bensvinculados, inclusive o nascente povoado que recebera o nome de Porto da Folha. Sóque estas terras se estendiam pelas margens sergipanas e alagoanas do Rio sãoFrancisco. Com o tempo aconteceu o desenvolvimento de duas povoações, uma emSergipe que continuou com o nome de Porto da Folha e a outra no lado Alagoano quelevou à formação de Traipu. Está assentada sobre uma pequena colina às margens do São Francisco,defronte à grande Serra da Tabanga, que é levada em sua base pelo rio e que, para osnativos, marca o início do Sertão. Foi elevada à categoria de vila com o nome de Portoda Folha por intermédio da Lei nº 19 de 28 de abril de 1835, recebendo o nome atual,tanto a freguesia quanto o município, em 30 de abril de 1870. Há uma controvérsia dos historiadores sobre sua fundação. João AlbertoRibeiro adota a versão de que Pedro Gomes teria ali estabelecido o seu morgado paraseus herdeiros, dando início ao povoado chamado Porto da Folha. Versão rechaçadapor Wenceslau de Almeida, que afirma ter sido o morgado realmente instituído, porémnão na margem alagoana, mas na sergipana, não sendo admissível que os limites domesmo se estendessem para o território de Alagoas. Arnoldo Jambo, em sua Enciclopédia dos Municípios Alagoanos, analisandoas duas teses, deduz que, diante da influência do poderoso fidalgo e proprietário deterras que era mestre-de-campo na Bahia em 1680 e Governador do Rio de Janeiroem 1681, "é possível que esse prestígio contribuísse para que a extensão deste seulatifúndio se alargasse, sem problemas ao local onde se assenta atualmente a cidadede Traipu". Certo é que em 17 de março de 1713, no Porto da Folha, na parte norte, ouseja, área que fica em Alagoas, o lugar foi conferido em sesmaria a João Dantas, aManuel Braz Pedrosa e a Caetano Dantas Passos. Parece ser a concessão destasesmaria o documento mais antigo disponível do lugar que passou a ser chamadoTraipu por estar próximo à barra do rio do mesmo nome. E com essa denominação foielevado à categoria de cidade pela Lei nº 14, de maio de 1892. Território indígena, sua ocupação obedeceu aos mesmos métodos empregadosna região: guerra sem quartel, riscando do mapa os chamados gentios, escravismo malsucedido com os índios remanescentes e agrupamento dos mesmos em aldeias ecolégios para catequese e criação extensiva de gado solto. Em 1844, o presidente daProvíncia dizia num opúsculo (um dos primeiros documentos historiográficosproduzidos em Alagoas) que "esta vila tem em semicírculo de si muitas fazendas decriar gado vacum, cavalar e das espécies menores; que belos requeijões, lingüiças ecarne de sol não fornecem estes lugares às diferentes feiras que se fazem nas margensdeste Rio São Francisco não só do lado desta Província, como do lado de Sergipe!"Os próprios frades, que exerceram muita influência na formação da cidade,exploravam a pecuária em suas fazendas, pois "a região dos currais" era a abastecedora 18
  • da zona do açúcar, produto preferido pelo patriciado dos engenhos, no litoral. OSeminário de Olinda e Conventos eram mantidos com impostos e taxas provenientesda comercialização da carne. Sua cozinha era baseada nos peixes dos dois rios etambém em muita carne, farinha e arroz, não faltando leite e queijo. Verduras,praticamente não produzidas, eram pouco consumidas. Frutas, só as nativas, como ocaju.D. PEDRO II EM TRAIPU D. Pedro II chegou a Traipu, às 21 horas do dia 16 de outubro de 1859, abordo do “Pirajá”. Hospedou-se na Casa de Câmara e Cadeia, um prédio com dezportas e nenhuma janela, pretendendo escrever apenas quando chegasse a Pão deaçúcar. No dia 17 de outubro, o Imperador acordou às 05:30h e principiou a conhecera cidade, visitando a igreja (que ainda estava em construção), onde fez orações e aosair deixou uma ajuda financeira para a conclusão das obras. O Imperador foihomenageado pela população, tendo à frente o Coronel José Vicente Pereira Netto, emcuja residência (um sobrado hoje pertencente ao Senhor Berilo Mota) D. Pedro IIparticipou de uma recepção. Os moradores foram orientados a acenderem os lampiõesem frente às suas casas e a forrarem as ruas com folhas e flores. Passeou a cavalo pela região das lagoas, onde se plantava arroz, coletandoalgumas plantas e amostras de intãs. Foi ao cemitério e visitou a única escola, ondehavia 77 meninos e 40 a 50 meninas matriculadas. Às 09:00h, voltou ao Pirajá,partindo às 09:10h. Depois de visitar algumas localidades da Província de Sergipe, seguiu o Pirajápara além do morro de Aió, onde encalhou e de onde já se avistava a capela de NossaSenhora dos Prazeres, no alto do morro do mesmo nome, pertencente ao Município deBelo Monte, bem em frente à povoação de Barra do Ipanema.HISTÓRICO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DO Ó A povoação de Porto da Folha solidificou-se com a construção da capela deNossa Senhora do Ó, no final do Século XVII, tendo se desenvolvido com acolaboração de inúmeras famílias, com destaque para o Capitão Caetano Farias,progenitor do Coronel José Vicente Pereira Netto, avô do escritor e político traipuenseLuís de Medeiros Netto. A Igreja de Nossa Senhora do Ó começou a ser construída no Século XVIIIpelos habitantes do então Povoado Porto da Folha, sendo terminada na segunda décadado Século XIX. A história da construção da igreja prende-se a uma lenda até hoje comentada ediscutida. O relato diz que, estando alguns garotos a brincar no alto do morro, notaramque em cima de uma pedra estava a imagem de uma santa. Como em Porto da Folhanão existia igreja, levaram-na para a capela existente na Fazenda Saco. Porém, no diaseguinte perceberam que a santa havia desaparecido. Voltando ao local da aparição,encontraram a santa, levando-a de volta à capela. Este fato repetiu-se duas ou trêsvezes, até que resolveram construir no local da aparição um pequeno templo paraabrigar a imagem de Nossa Senhora do Ó. 19
  • Matriz de Nossa Senhora do ÓPÁROCOS Ao longo dos anos, muitos foram os religiosos que se mantiveram à frente daParóquia de Nossa Senhora do Ó. Os registros da Igreja relacionam todos eles a partirde 1896:- Padre Vicente Ferreira de Meira Lima (1896 a 1907);- Padre José D. de Medeiros;- Padre Júlio Ferreira de Albuquerque;- Padre José Soares de Albuquerque (nov/1907 a mar/1911);- Padre José Bulhões (maio/1913 a maio/1914);- Padre Alfredo Silva (1915 a 1949); OBS: Durante este período, outros religiososestiveram interinamente à frente da Paróquia: - Padre Domingos Fonseca de Oliveira (de março a outubro/1920); - Padre Luiz Cirilo Silva (fev/1942 a jan/1943); - Padre José Maurício (Cooperador: de fev a nov/1944); - Frei Cláudio (maio/1949); - Frei Cornélio Amolk (ago/1949); - Frei Marcos Pierk (set/1949);- Padre José Severino de Araújo (jul/1949 a dez/1951);- Monsenhor Medeiros (Vigário Geral: dez/1951 a fev/1952);- Padre José Batista de Azevedo (1952 a 1990);- Padre José Valdenice Costa da Silva (01/mai/1990 a 25/fev/2001);- Padre José Edson Lira (04/mar/2001 a 05/mar/2006);- Padre Rosalvo dos Santos (a partir de 05/mar/2006). 20
  • MOVIMENTOS SOCIAIS DA IGREJA Atualmente, há vários movimentos sociais na Paróquia:- Apostolado da Oração: Movimento de senhoras que fazem visitas a doentes;- Movimento Mãe Rainha: Senhoras responsáveis pela peregrinação da imagem deMãe Rainha pelas residências das famílias católicas;- Confraria do Rosário: Também movimento de senhoras que rezam o terço durante ascelebrações;- Grupo de Jovens: Responsável por encontros regionais objetivando trazer ajuventude a participar das atividades da igreja;- Movimento Catequese: Responsável por transmitir ensinamentos religiosos àscrianças que irão receber a 1ª Comunhão;Coral de Nossa Senhora do Ó: Grupo que acompanha as celebrações com músicas ecantos;- Renovação Carismática: Grupo que participa dos louvores aos sábados e de outrasatividades da Igreja;- Pastoral do Dízimo: Equipe responsável por incentivar as pessoas a serem dizimistas;- Pastoral da Criança: Responsável por atividades sociais voltadas, sobretudo, ao apoioàs crianças e gestantes;- Legião de Maria: Também movimento de senhoras;- Equipe de Liturgia: Responsável pela organização de todo o ritual da missa.CULTURA INDÍGENA No Século XVIII, quando Alagoas pertencia à Capitania de Pernambuco, sob ocomando de Jorge de Albuquerque Coelho, filhos de Duarte Coelho, as terras ondehoje se localiza o município de Traipu, faziam parte da Sesmaria de João DantasAranha, Manoel Braz Pedrosa e Caetano Dantas Passos, desde março de 1713, tendosido habitado até o Século XVI pela tribo indígena dos "Carapatós". Índios da Tribo dos “Aconãs” do povoado Bom Jardim mantêm vivas suas tradições Descendentes dos carapatós, primeiros habitantes de Traipu, ainda restamaproximadamente 800 índios, morando no município de São Sebastião, Alagoas. 21
  • Sede da Reserva Indígena “Aconã”, no Povoado Bom Jardim. Porém, no Povoado Bom Jardim, zona rural de Traipu, a cultura indígena permanece viva através da Reserva lá existente há seis anos, quando a Funai comprou a área de aproximadamente 310 hectares e estabeleceu os índios que vieram de Feira Grande, da Tribo “Tingui Botó”, recebendo, através do Cacique Saraiva, o nome de “Aconãs”, na nova área, em homenagem a uma antigaTribo existente nesta região do Vale do São Francisco.GOVERNANTES TRAIPUENSES Antes da Proclamação da República, em 1822, destacaram-se na Política deTraipu (ainda Porto da Folha) os Coronéis da Guarda Nacional José Vicente PereiraNetto, chefe do partido Conservador, Pedro Rodrigues de Medeiros e SerapiãoRodrigues de Albuquerque, do Partido Liberal. Após a Proclamação da República, exerceram o cargo de Prefeito os senhores: Serapião Rodrigues de Albuquerque – 1890 Afonso de Freitas Melro – 1936 Pedro Rodrigues de Medeiros – 1891 Gonçalo de Menezes Tavares – 1941 Serapião Rodrigues de Albuquerque – 1892 Mário de Mendonça Mendes – 1943 Idelfonso Pereira de Melo – 1896 Benito de Freitas Melro – 1945 Isaac Pereira Netto – 1898 Afonso de Freitas Melro – 1947 Luís Gonzaga Torres Melo – 1900 Antonio de Medeiros Netto – 1948 Ulisses Rodrigues de Albuquerque – 1902 Luís Novaes Tavares – 1951 Ernesto Rodrigues de Albuquerque – 1904 Luís de Albuquerque Mendonça – 1955 José Lourenço de Albuquerque – 1907 Luís Novaes Tavares – 1960 Ulisses Rodrigues de Albuquerque – 1909 José Carlos Santa Rita – 1965 Benvindo Rodrigues de Albuquerque – 1911 João José Chaves - 1970 Afonso de Freitas Melro – 1915 Luís Novaes Tavares – 1973 Isaac Pereira Netto – 1920 Artur Olímpio dos Santos – 1977 Afonso de Freitas Melro – 1922 Edmar Lima Dias – 1983 José Ferreira de Santana – 1925 José Afonso Freitas Melro – 1989 Gonçalo de Menezes Tavares – 1928 Artur Olímpio dos Santos – 1993 Joaquim Pinheiro Chaves – 1930 José Afonso Freitas Melro – 1997 Osias Vasco do Nascimento – 1932 Marcos Antonio dos Santos – 2001 Manuel da Silva Dantas – 1932 Valter dos Santos Canuto – 2005 Francisco Caracíolo de Oliveira Valença – 1934 Antonio de Medeiros Netto – 1935 22
  • SÍMBOLOS DE TRAIPUBANDEIRA A Bandeira de Traipu foi criada a partir da iniciativa de Luis de MedeirosNetto, ex padre, deputado federal e professor da UFAL. As cores verde e amarela,seccionadas por um losango branco, representam respectivamente, a importância daSerra da Tabanga na paisagem da cidade e a importância da história do Município paraseu povo. Inserido no losango branco, o brasão está dividido em três partes: as serras, osrios e a paisagem típica da caatinga. A produção agrícola está representada por um péde milho e outro de arroz, em substituição ao pé de algodão. 23
  • HINO DE TRAIPU Salve Traipu, do passado e do presente, Jóia incrustada no planalto do sertão; Salve Traipu, orgulho de tua gente, Que a venera com amor no coração! Quanta beleza em teu solo pedregoso, Onde o velho São Francisco te beijando, Leva a brisa ao teu povo venturoso, Que tem fibra e se alegra trabalhando! Tua Bandeira imponente a tremular, Simboliza a grandeza e a esperança, Naqueles que trabalham sem cansar, Almejando a riqueza e a bonança. Da euforia do teu povo independente, Pela riqueza do teu solo cultivado: A homenagem dos que vivem no presente, Para todos que viveram no passado. Não esqueças Traipu os filhos teus, Que te fizeram bonita e atraente, Reza e pede por eles ao bom Deus, Que os faça felizes plenamente.LETRA: Eronildo Lemos e Medeiros NettoMÚSICA: Antônio Basílio 24
  • O RIO SÃO FRANCISCO Para se falar da história e da cultura do Município de Traipu, é preciso, antesde tudo, como forma de justiça e reverência, apreciar um pouco a história daquele quedeu origem às povoações ribeirinhas: O majestoso RIO SÃO FRANCISCO. Também conhecido como "Rio da Unidade Nacional", o São Francisco ligaduas regiões quase opostas em suas condições econômicas, sociais e climáticas. Osíndios o chamavam de Pará ou Parapitinga. Nasce na Casca dAnta, Serra da Canastra(Sudeste de MG). É típico de planalto, com altitude média de 400m. Banha MinasGerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas em uma extensão de 3.161km.Distribui suas águas por lugares onde é tido como a fonte maior de recursos da região.Por ser de grande extensão, o rio é subdividido em Alto, Médio e Baixo São Francisco,tendo o relevo como propriedade diferenciadora. Rio São Francisco passando pela cidade de Traipu-AL O Baixo São Francisco, em Alagoas, é um trecho com 208 km de ex- tensão, considerado abaixo da antiga cachoeira de Paulo Afonso até sua foz, junto aos municípios de Piaçabuçu e Penedo, respectivamente. Possui baixíssima declividade (5cm/km) e boas condições de navegabilidade paraembarcações de pequeno calado em 90% do tempo. Vertem para o seu leito comcaracterísticas de rios intermitentes 19 bacias hidrográficas. A Zona do Baixo SãoFrancisco Alagoano é dividida em dois trechos: o do Sertão do São Francisco (que vaido Rio Moxotó, fronteira com Pernambuco, município de Delmiro Gouveia, até Pão deAçúcar) e o do Baixo São Francisco (que vai daí até o delta na sua foz, no municípiode Piaçabuçu). A zona do Baixo São Francisco divide-se em duas partes: a continental e afluvio-marinha, identificada no delta do rio. A parte continental demonstra a transiçãoda Mata para o Agreste a se definir depois de Igreja Nova, nos municípios de São Braze Olho dÁgua Grande. O Baixo São Francisco indica uma área onde a erosão dos riosafluentes acentua-se dado o regime hídrico de mais longa perenidade. A exemplo doRio Boacica e seus afluentes, escavaram amplos vales e os entulharam de sedimentos.Na zona continental do agreste, há faixa de transição climática caracterizada ora porsemi-aridez, ora por ventos úmidos e no delta é quente e úmido. 25
  • Importantes rios afluentes da margem esquerda do São Francisco são: oRiacho Jacobina, com a lagoa de Imagem do Porto da Areia em Traipu e dos barcos demesmo nome (divide Belo Monte e pescadoresTraipu), o Traipu (passa na cidade deTraipu), o Riacho Taboca (passa nacidade de São Braz), o RiachoItiúbaa (passa em Porto Real doColégio), o Boacica (passa em IgrejaNova e forma as lagoas do Curral doMeio e a maior delas, a Lagoa daBoacica), o Perucaba (em Penedo) eo Piauí-Marituba (divide osmunicípios de Penedo e Piaçabuçu).Na faixa continental, o relevodissecado é marcado pelo vale, alargando a calha do rio com terraços de 3 a 4m,algumas serras ou morros, às vezes formando ilhas, às vezes com matações de rochasaflorantes nas margens. Está recoberto por vegetação de caatinga arbustiva degradada,às vezes composta por capões de mato e capoeiras e plantio irrigado de árvoresfrutíferas. Nos tabuleiros ocorrem as associações de espécies que compõem a matacomo: jatobá, peroba, ipê, maçaranduba, sucupira, palmáceas, emaranhados de cipós(lianas) e epífitas. Misturam-se ainda espécies de campos cerrados bem como decaatinga. Povoamentos implantados lineares, ao longo da margem do rio, com apresença de portos de embarcações e a torre da Igreja, geralmente sobressaindo noconjunto do casario urbano, a exemplo de Traipu. As fazendas são dispersas, mas sãodefinidoras dos aglomerados rurais, principalmente nos tabuleiros. Na região do delta, que começa pouco abaixo de Penedo, limitado pelostabuleiros costeiros da Formação Barreiras, o Rio São Francisco alarga-se em forma deleque em direção à praia, no lado alagoano, em formato triangular, situando-se nosmunicípios de Piaçabuçu e Feliz Deserto (voltado para o Oceano). Nesta área, resultamvárias feições morfológicas como: terraços marinhos e fluviais, dunas fixas e móveis,pântanos ou várzeas e praias. A vegetação que recobre estes tabuleiros costeiros éformada por manchas isoladas de matas com espécies de louros, embiribas, visgueiros,sambacuins, jacarandá, jatobá e sucupira. Nos terraços marinhos encontram-se o pau-arco, amarelo, angelim, oiticica, maçaranduba, e algumas espécies introduzidas docerrado e da caatinga; a fauna associada é paca, tatu, teiú e diversas cobras. A várzea,que é formada por uma rede hidrográfica peculiar, principalmente dos rios Perucaba ePiauí-Marituba do Peixe tem um braço de rio que une as duas bacias fechando umgrande meandro. A vegetação que se instalou neste ambiente é constituída dejenipaparana, piri-piri, taboa, junco, capim-manimbu e capim-açu. Quando ocorreinterferência das marés instalam-se manguezais, aningas, e avencões. A faunaassociada constitui-se de jacarés, lontras, garças, socós, jaçanãs e outros pássaros. Oplantio de arroz também é incorporado ao processo agrícola, somando-se a outroscereais, como o feijão e o milho. Esta várzea é a única que não foi fechada para projetode irrigação da CODEVASF e continuou aberta aos pescadores e agricultores que,organizados, motivaram o governo do Estado a criar a Área de Proteção Ambiental daMarituba do Peixe, em 1988. 26
  • Os cordões arenosos e as dunas mais internas, com altitude de 8 a 16m, sãofixados por vegetação de restinga de porte florestal e as dunas mais externas e móveisencontram-se desprovidas de vegetação. A substituição desta restinga arbórea peloplantio do coqueiro predominou nesta região formando sítios produtivos. Concorreucom estas atividades a exploração de petróleo pela Petrobrás. A pecuária é pouco de-senvolvida e a pesca é intensa. Nas faixas arenosas de praia costeira, ocorrem espécies como salsa, feijão dapraia, pinheiro da praia e as arbustivas guajirus. Este ambiente apresenta condiçõesfavoráveis às aves por caracterizar área de ocorrência de espécies em suas rotasmigratórias, como se observa com os numerosos bandos de maçaricos nos meses deabril e maio. Ocorre também a desova de tartar1ugas marinhas. Tais fatos levaram ogoverno federal a criar a Área de Proteção Ambiental do Piaçabuçu com a EstaçãoEcológica do Peba, em 1983.ORIGEM DO NOME SÃO FRANCISCO Em 1501, uma expedição portuguesa, segundo historiadores, pilotada porAmérico Vespúcio, chegou à foz do rio em 4 de outubro, dia consagrado a SãoFrancisco de Borja. Por esse motivo, o rio recebeu o nome de "São Francisco". Gabriel EI Soares de Souza, autor do famoso "Tratado Descritivo do Brasil"registrou, em 1587, que numerosos grupos indígenas que viviam ao longo do rio, naépoca da chegada dos primeiros europeus, chamavam o São Francisco de Pará (OMar), provavelmente devido ao seu tamanho. Afirmações sobre este fato foram feitasposteriormente pelo padre Navarro (em 1553), pelo Frei Vicente do Salvador (em1627) e por Loreto Couto (em 1557). Por volta de 1522, os franceses contrabandeavam o pau-brasil através do rio.Em 1545, Duarte Coelho Pereira, donatário da Capitania de Pernambuco, visitou aregião para combater o contrabando do pau-brasil, iniciando assim uma povoação queviria a se chamar "Vila do Penedo do São Francisco". Durante o período da invasão holandesa, em 1637, o Rio São Francisco foitransformado em ponto estratégico para as forças invasoras, que tomaram Penedoerguendo no alto da rocheira o Forte Maurício de Nassau, principal base de defesa,destruído pelos portugueses em 1645. Mais tarde com a derrota dos holandeses foiintensificada a colonização da região, sendo o leito do rio utilizado peloscolonizadores, que navegavam através dele, povoando e explorando o vale eadentrando aos sertões através dos seus afluentes. D. Pedro II, quando em visita à Cachoeira de Paulo Afonso, em 1859, subiu oRio São Francisco, pernoitando em várias cidades ribeirinhas, entre elas Penedo,Traipu e Pão de Açúcar, desembarcando em Piranhas. Da sua participação em acontecimentos fundamentais na história do Brasil, aregião do Vale do São Francisco em Alagoas herdou um significativo patrimônioarquitetônico e artístico do período colonial brasileiro. O Rio São Francisco éconsiderado o maior rio brasileiro que se lança no Atlântico. Seus 3.161 Km fazemdele o décimo-oitavo rio do mundo em extensão. De todos os sistemas fluviais doBrasil, é o terceiro mais extenso. 27
  • PONTO DE VISTA ECONÔMICO O valor do Rio São Francisco, no que se refere à economia, é inestimável.Tem cerca de 238 Km de hidrovia margeada de ambos os lados, formando cidades epovoados próximos das suas ribeiras, que possuem um conjunto arquitetônico civil ereligioso de grande valor artístico e histórico, possibilitando a exploração do turismo.O rio supre de águas e peixes as populações ribeirinhas, além de gerar energia elétricaatravés das usinas construídas ao longo do seu leito.FORMAÇÃO RACIAL Embora sejam encontradas famílias de ascendência européia, ameríndia ouafricana relativamente pura, a atual população do vale é predominantemente de origemracial mista, em cuja composição entraram as três raças básicas da humanidade, sendomais caucasiana em certas comunidades, mais indígena em outras e africana emalgumas. Em determinadas áreas bem acima do rio, efeitos residuais da ocupaçãoholandesa da costa do Nordeste, durante o período colonial, transparecem nos olhosazuis e cabelos loiros de atuais habitantes.TRIBOS INDÍGENAS QUE HABITARAM O BAIXO SÃO FRANCISCO Habitaram a região do Baixo São Francisco as tribos indígenas Caetés, Cajaú,Cariri, Maquaru, Moriquito, Ponta e Prakió. São remanescentes indígenas em Alagoasas tribos Natus, Xocós, Carapatós (habitaram a região onde se localiza a cidade deTraipu), Xucurus (Cariris, Partios e Naconãs). 28
  • MUSEU AMBIENTAL “CASA DO VELHO CHICO” Segundo o ambientalista Jackson Borges, Diretor Fundador, a história doMuseu Ambiental Casa do "Velho Chico" tem o seu início nos anos cinqüenta, quandoo Rio São Francisco, ainda com muita vitalidade, no tempo das enchentes anuais noMédio e Baixo São Francisco, conseguia rasgar as entranhas dos barrancos que lhemargeiam, alagando todo o seu vale. "Os quintais das casas ficavam totalmente submersos com a visita anual das águas barrentas do rio, onde as crianças aprendiam a nadar, a pescar e acima de tudo a reverenciar este Deus em forma de água, lapidador do nosso perfil de ambientalista empírico apaixonado”, relata Jackson. Peças das Reservas Indígenas do Vale do São Francisco Nascia ali uma história de convivência, respeito, compromisso e muita luta, traduzida hoje na existência do Museu do Velho Chico, fruto da garimpagem de peças e objetos pelo seu vale, durante mais de quarenta anos. Fundado em 04 de outubro de 2001, por ocasião dos 500 anos do descobrimento do Rio São Francisco, foiinstalado na cidade ribeirinha de Traipu-AL, cidade detentora de um vasto históricocultural e uma forte vocação artística, sobretudo, em se tratando de música. O Museu enfoca toda a Bacia do São Francisco, inclusive, já identificou todasas reservas indígenas existentes. Seu acervo é composto de fotografias, livros, revistas,jornais, peças diversas, móveis antigos, apetrechos de pesca, quadros, réplica deembarcações, fauna, flora, tradições culturais e painéis que retratam toda a história doVelho Chico, além de trazer à tona a problemática ambiental que tem contribuído paraa morte do rio: esgoto, assoreamento, queimada, lixo, agrotóxico, garimpo, caça epesca predatória. 29
  • Restos de animais da fauna do Vale do São Francisco Peças artesanais produzidas por comunidades ribeirinhas O Museu permanece aberto à visitação pública, o que tem propiciadoprincipalmente às crianças e adolescentes do Município e aos visitantes conheceremmelhor a história do Rio São Francisco e as povoações que por meio dele surgiram. 30
  • Réplicas de embarcações utilizadas no rio São Francisco Da vasta lista de parceiros imprescindíveis para a fundação deste valioso acervohistórico, Jackson Borges destaca as pessoas de Marcos Antonio Santos e MarcosValença, além de sua esposa Jacira Machado, pela grande contribuição que têm dadopara o fortalecimento e a continuidade da luta em defesa da preservação dessePatrimônio Histórico, principalmente no campo da educação ambiental no Vale do SãoFrancisco. Antonio Jackson realizando pesquisas na nascente do Rio São Francisco, Serra da Canastra - MG 31
  • RIO TRAIPU O Rio que deu o nome ao Município, também chamado de “Ribeira” pelaspopulações ribeirinhas, deságua no Rio São Francisco bem próximo à Cidade deTraipu. Tem sua nascente na Serra do Gigante, no Município de BomConselho/Pernambuco, foi o responsável, no Século XIX, pelo nome dado a TRAIPU.É um rio temporário, cuja água apresenta pequeno nível de salobridade. Rio Traipu a poucos metros da foz É uma das maiores bacias do São Francisco, cobrindo uma área de 2.404 quilômetros quadrados, sendo seu percurso dentro do estado de Alagoas de 112Km. Está localizado numa região tropical semi- árida. Suas cheias resultam em grandes inundações, enchendo as lagoas próximas ao seu percurso, onde antigamente se plantavam grandes camposde arroz, fazendo de Traipu um dos maiores produtores do Estado. Infelizmente acultura do arroz foi desaparecendo e hoje as várzeas não são mais aproveitadas paraessa atividade. Este rio, após um curso de 72 Km no território traipuense, deságua no Rio SãoFrancisco. Em seu curso inicial, marca o limite entre o Agreste e o Sertão de Alagoas,cruzando os Municípios de Minador do Negrão, Estrela de Alagoas, Cacimbinhas,Igaci, Palmeira dos Índios, Jaramataia, Batalha e Belo Monte. Suas águas banham asmelhores terras de pecuária. O Rio Traipu, junto com os Rios Moxotó, Capiá e Ipanema, fazem parte davertente do São Francisco, sendo assim, rios temporários.São afluentes do Rio Traipu, os riachos: Mares; Torta; Minador; Doce; das Galinhas;do Japão; do Sertão; da Jacobina; Salgado; Campos; Tingui; Macacos e Sal.SERRAS Apesar de está localizada na margem sergipana do Rio São Francisco, a Serrada Tabanga é considerada um cartão postal de Traipu. É a maior serra do Baixo SãoFrancisco, com aproximadamente seis quilômetros de comprimento e 350 metros dealtura. Em seu ponto mais alto, foi colocado um cruzeiro. 32
  • A Serra da Tabanga está localizada defronte à cidade de Traipu, um referencial da Cidade. O relevo do Município de Traipu faz parte do patamar colimoso do SãoFrancisco, apresentando colinas dissecadas de fraca e média densidade, por conta dissoa grande quantidade de serras, proporcionando a formação de riachos e lagoas. Dentreas serras de Traipu, destacam-se: Serra da Mumbaça, Serra da Priaca, Serra de SantaCruz, Serra Jaciobá, Serra Pau,d’Água, Serra das Mãos, Serra do Alecrim, Serra doJapão, Serra do Cruzeiro defronte ao Povoado Mumbaça, Serra dos Patos, SerrasGrande (Capivara), Zamesca (Capivara), da Ilha (Capivara), do Cruzeiro ou Alto doJacaré (Capivara), Serrote do Vento (Capivara), Serra do Cruzeiro (Olho d’Água daCerca).LAGOAS Várzea de Traipu, Sacão, Cabaceiro, Pé do Banco, Manteiga, Marcação,Funda, Grande, Rabelo, Paraná, Saco, Bom Jardim. 33
  • TERRA DA MÚSICA O Município de Traipu possui uma cultura que o coloca em destaque nocenário estadual, nacional e até mundial. Trata-se de uma das mais belas eextraordinárias das artes: a arte de transmitir os sons e expressar sentimentos,denominada "música". Banda Lira, orgulho do povo traipuense Este pequeno- gigante Município do Estado de Alagoas é reconhecido como Terra da Música, pois aqui se percebe uma verdadeira vocação musical que já produziu talentos geniais, levando ao País inteiro a marca da cultura traipuense. A tradição da música em Traipu iniciou-se por meiodos incentivadores do movimento musical, os Mestres Vieira e Hermínio, o PadreAlfredo Silva, a Professora Mariazinha Duarte, Ranufo Carmo e Nelson Palmeira.BANDA LIRA TRAIPUENSE E FILARMÔNICA DE SÃO JOSÉ Banda Lira Traipuense regida pelo Maestro Antônio Basílio Segundo o Maestro Antonio Basílio, no passado existiam duas Bandas, a Lira Traipuense e Filarmônica de São José que politicamente atuavam em lados opostos. A Filarmônica deSão José fazia parte da política da Rua de Cima, enquanto a Lira era a Banda da Rua 34
  • de Baixo. Com a dispersão dos músicos para outras localidades, a Filarmônica de SãoJosé entrou em declínio, permanecendo apenas a Banda Lira. Em 1947, o Maestro Nelson Palmeira assumiu a regência, permanecendo àfrente da Banda Lira por muitos anos. A partir de 1970, o atual Maestro Antonio Basílio assumiu a regência,permanecendo até os dias atuais, e transformando-se em um dos mais abnegadosrepresentantes da história da arte musical em Traipu. Nesse período, Nelson Souza, outro destacado instrutor musical tambémchegou a reger a Banda Lira de 1993 a 1997.BANDA MARCIAL Banda Marcial participando do desfile das escolas pelas ruas da cidade A Banda Marcial é uma banda de corneteiros que se apresenta em desfilesescolares nas datas cívicas. Surgiu na Escola Moreno Brandão com a DiretoraMarinete Matos. No caso de Traipu, pode-se dizer que é uma Banda mista, já que háoutros tipos de instrumentos característicos da Banda Fanfarra (trombone, trompete,etc.). O primeiro regente da Banda Marcial foi José Palmeira (Zé de Jason), emseguida Antonio Basílio, José Luís Cerqueira e, atualmente, é regida pelo joveminstrutor Márcio José dos Santos. 35
  • ESCOLA DE MÚSICA SANTO ANTONIO A Escola de Música Santo Antonio está localizada na Rua das Flores, naresidência do Maestro e Instrutor de música Antonio Basílio, hoje com 66 anos deidade, funcionando de segunda a sexta, das 19:00h às 21:00h, com uma turma de 35alunos entre crianças e adolescentes. A denominação atual surgiu a partir de 1991, poisantes era apenas chamada de "Escola de Música", sendo de porte mais rústico, queformou grande quantidade de músicos, muitos dos quais vieram a exercer funções dedestaque no cenário nacional. Alunos da Escola de Musica Santo Antônio fazendo a abertura do Plano Diretor Participativo Antes de Antonio Basílio eNelson Souza, os instrutores de músicade Traipu, encarregados de ensinaremesta encantadora arte, eram PadreAlfredo Silva, Mestres Vieira eHermínio, Dona Mariazinha Duarte,Ranufo Carmo e Nelson Palmeira.Grandes músicos traipuenses que sedestacaram (ou se destacam) em nívelnacional foram alunos de AntonioBasílio, que foi aluno de DonaMariazinha Duarte e Ranufo Carmo.ESCOLA DE MÚSICA PEDRO BASÍLIO A Escola Municipal de Música Pedro Basílio foi fundada em maio de 2002,pelo então Prefeito Marcos Antonio dos Santos que, junto com a Câmara Municipal,homenageou mais um grande músico traipuense, Pedro Basílio dos Santos. Prédio onde funciona a Escola Municipal de Musica Pedro Basílio Está localizada na Rua Maria Lima Dias, contando atualmente com 30 alunos matriculados, tendo à frente o Instrutor Nelson Souza que, a exemplo de Antonio Basílio, vem mantendo a tradição e a vocação musical do povo traipuense. 36
  • MÚSICOS TRAIPUENSES NO CENÁRIO NACIONALMaestro Florentino Dias – Traipuense, filho do Ex-Regente da Filarmônica de SãoJosé, Sr. Flávio Pereira, iniciou a carreira musical aos sete anos com o Instrutor NelsonPalmeira; Ainda com a menor idade ingressou na Banda de Fuzileiros Navais do Riode Janeiro, tornando-se Oficial-Regente; Logo após, foi diplomado pela Escola deMúsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluindo mestrado comoRegente na Universidade de Washington, Estados Unidos. Fundou no Rio de Janeiroum Coral e três Orquestras Sinfônicas. Atualmente é Regente da Banda de Música dosFuzileiros Navais no Rio de Janeiro; Adiel Folha Mota - Filho do Sr. Artur Mota(Artur de Laura), foi considerado um dos melhores clarinetistas do mundo, noencontro de bandas de vários países ocorrido no Estado da Bahia; Nelson Palmeira -Foi Regente da Banda Lira Traipuense e Instrutor que ajudou formar grandes nomesda Música traipuense. Também foi Regente da Banda de Música de Arapiraca pormuitos anos; Benone – do Primeiro Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro; AníbalPalmeira – da Polícia Militar do Distrito federal; Ilvo Pacheco – do ExércitoBrasileiro na Bahia; Paulo Cezar Amorim – da Esquadra da Marinha no Rio deJaneiro; Nilton da Silva Souza - Jovem músico traipuense, filho do Instrutor deMúsica Nelson Souza, começa a se destacar no cenário nacional, como professor demúsica da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde está concluindo oMestrado, e também atua como regente da Sinfônica; Everaldo Albuquerque - Foiregente da Banda de Música do Exército Brasileiro. Hoje está aposentado e semprepresente nas festividades da Padroeira; José Jerônimo - Ocupou o cargo de Regenteda Banda da Polícia Militar de Sergipe; Manoel Tavares - Contra-Mestre da Banda daPolícia Militar de Sergipe; Antonio Josenildo Epifânio - Regeu a Banda do ExércitoBrasileiro em Garanhuns/PE; Luís Santana - Integrante da Banda de Música do Corpode Bombeiros do Rio de Janeiro; Ademário Mota (Meinha) - Regente da Banda deMúsica da Polícia Militar de Alagoas; Valfredo Rodrigues - Integrante da Banda daPolícia Militar do Espírito Santo; Nelson Souza – Instrutor de música, que se dedicoua transmitir seus conhecimentos às gerações mais jovens, sendo responsável diretopela formação de grandes nomes da música traipuense. Foi regente da Banda Lira noperíodo de 1993 a 1997. Atualmente, trabalha com 30 alunos da Escola Municipal deMúsica Pedro Basílio;Maria José dosSantos (Dadá) - Há 37anos conduzindo oCoral de NossaSenhora do Ó; WilsonBasílio (Basílio Sé) -Músico e cantor,sempre incluído entreos melhores músicosde Alagoas; Jorje Luísda Hora (Jorginho) -Já se destaca emAlagoas e em outros Márcio José ensinando música às crianças do Projeto AABB Comunidade. 37
  • estados, como um dos melhores músicos. Participa de bandas de Axé music e é um dosintegrantes da Banda Z. Também é Instrutor e ensina a arte da música às criançastraipuenses; Márcio José dos Santos - Jovem Instrutor e vem trabalhando com ascrianças do Projeto AABB Comunidade, também é um dos integrantes da Banda Z e,atualmente, é regente da Banda Marcial.CORAL DE NOSSA SENHORA DO Ó O Coral de Nossa Senhora do Ó tem seu surgimento através do Padre AlfredoSilva, falecido. Há 37 anos vem sendo conduzido pela Professora Maria José dosSantos, conhecida dos traipuenses pelo nome de "Dadá". O grupo se apresenta nasmissas dominicais e festivas, casamentos, formaturas e, principalmente, no novenárioda festa da Padroeira, em dezembro, que ainda hoje é cantado em latim. Coral de Nossa Senhora do Ó, grupo que abrilhanta as missas dominicais Ao longo dos anos, o Coral vem dando um brilho especial às atividadesreligiosas, tornando-se orgulho de toda a comunidade católica traipuense. Atualmente participam 36 componentes, entre adolescentes e adultos, e tem nacoordenação das atividades, além de dona Dadá, que continua firme orientando osmais jovens, Valmir Palmeira de Farias e José Lima de Oliveira.BANDA "Z" Banda de Axé Music, que foi criada por um grupo de jovens músicostraipuenses, no final da década de 90. Vem sempre marcando presença nas festividadestraipuenses, sobretudo no carnaval e na Festa do Bom Jesus e em festas de outrascidades. Tem como fundadores, os músicos: Cezar Limeira, Flávio Basílio, José Lima,Marquinho, Deyse, Leandro e “Manezinho”. 38
  • Apresentação da Banda “Z” no carnaval de Traipu FESTAS TRADICIONAIS FESTA DE NOSSA SENHORA DO Ó A festa de Nossa senhora do Ó é realizada sempre nos mês de dezembro, nodomingo mais próximo ao dia 18, dia da Padroeira. Até 1949, a festa era realizadaexatamente no dia da Padroeira, porém o Padre José Batista mudou a tradição,passando a partir de então a ser comemorada no domingo mais próximo. Festareligiosa que atrai, além da população local, pessoas de outras cidades. Esta festa representa no povo um sentimento de religiosidade tão forte que amaior parte dos traipuenses que residem em lugares distantes retornam neste período, muitos para pagarem promessas, outros por devoção à Santa. É marcada pelo novenário que são as nove noites de novena que antecedem ao dia da procissão, cada noite recebendo uma denominação: noite dos casados, dos solteiros, dos funcionários públicos, dos vereadores, dos fazendeiros, dos agricultores, dos pescadores. Em cada noite há o leilão com as doações da comunidade. Todas as noites são encerradas com a apresentação da Banda LiraTraipuense, orquestra formada pelos nossos grandes músicos, sempremotivo de orgulho para os traipuenses. 39
  • Os Zabumbeiros, tradição que se mantém intocada nas festividades da Padroeira Uma tradição que segue firme na Festa de Nossa Senhora do Ó são os Zabumbeiros, uma bandinha com pífanos e instrumentos de percussão, que se apresentam todas as noites na calçada daigreja. Atualmente o zabumba é coordenado pelo Senhor Nicodemos (comhecido por“Demo”), juntamente com os seus familiares, tendo o apoio da Prefeitura Municipal. Procissão de Nossa Senhora do Ó, percorrendo as ruas da cidade A festa é encerrada com uma grande Procissão percorrendo as ruas da cidadeao som da Banda Lira Traipuense. 40
  • Pratos típicos no leilão da Festa de Nossa Senhora do ÓFESTA DO BOM JESUS DOS NEVEGANTES Festa de Bom Jesus dos Navegantes, acesso às margens do Rio pela Rua Senador Serapião. A Festa do bom Jesus dos Navegantes também é uma festa religiosa, que érealizada às margens do Rio São Francisco, geralmente no mês de fevereiro, em datamóvel. 41
  • As embarcações conduzem o Santo na Tradicional Procissão Fluvial. Há a celebração de um tríduo (três missas) encerrando no domingo com a procissão fluvial, onde várias lanchas e canoas fazem um percurso pelo Rio São Francisco e, logo após, os fiéis complementam a procissão, agora pelasruas da cidade. Antigamente, esta festa era apenas de cunho religioso, porém com passar dotempo, com a urbanização das margens do São Francisco e expansão da Avenida BeiraRio, têm-se destacado as bandas de Axé, e por conta disso, o caráter religioso da festavem diminuindo. Corrida de jegues também é tradição durante as festividades do Bom Jesus O esporte também se faz presente durante as comemorações da Festa do BomJesus, com a tradicional corrida de canoas, torneios esportivos na areia e a corrida dejegues. 42
  • Cultura traipuense apresentada com a feira de Artesanato Outra novidade que vem abrilhantando o evento é a feira de artesanato comexposições das atividades culturais de cada povoado do município.CARNAVAL O carnaval de Traipu nos últimos anos vem chamando a atenção pela grandequantidade de pessoas que dele participa. Embora também as bandas de axé tenhamocupado muito espaço, o povo não deixou de lado o charme do tradicional carnaval derua. A margem do Rio São Francisco é invadida pelos foliões durante o carnaval Todas as tardesas orquestras de frevoarrastam multidões pelasruas da cidade,relembrando os velhostempos, com pessoas detodas as idades. Nosúltimos carnavais, umacalorado desfile deblocos vemabrilhantando o evento,destacando-se uma certarivalidade entre os dois blocos mais importantes: Sai da Frente e Perigosas Peruas. Uma tradição que não se perdeu com a modernidade foi folclórico Jaraguá queaterroriza e, ao mesmo tempo, diverte as crianças. Também não se pode falar decarnaval em Traipu, sem falar do tradicional Jegue Elétrico, que puxa um bloco aosom de frevo. 43
  • Folclórico Jaraguá, mantendo a tradição Blocos de Rua, o charme do carnaval traipuense As Escolas também participam do carnaval traipuense Crianças e adolescentes participam ativamente do carnaval de rua traipuense 44
  • Tradicional desfile do Rei Momo e da Rainha do Carnaval pelas ruas da cidade NOSSO FOLCLORE Nosso Município também tem suas atividades folclóricas, que vêm mantendovivos costumes, crenças e tradições do traipuense.O COCO DE RODA Essa dança surgiu no contexto sócio-cultural do Município em 16 de agosto de1960, tendo como organizador o saudoso Leonísio Bispo de Sena, com apresentaçõesprincipalmente no período da colheita de arroz. Apresentação do tradicional Coco-de-Roda na Rua da Rocheira Atualmente, o Coco deRoda faz parte do calendário dasfestas juninas, sendo chamado de“Coco de Roda Rocheirense”, quemantém viva essa tradição, atravésde um grupo de pessoas tendo àfrente Mazé Sena e Carlos Sena,filha e neto de Seu Leonísio. As apresentações do Coco de Roda, na Rua da Rocheira, atraem muitaspessoas que buscam reviver o passado. 45
  • GRUPO FOLCLÓRICO SAIA DE RENDA Antigamente conhecido como “Jovens Rocheirenses Unidos”, fundado na Ruada Rocheira em 30 de maio de 1980, tendo como idealizador o Senhor Leonísio Bispode Sena, responsável pela apresentação dos folguedos populares daquele bairro. A quadrilha Saia de Renda encanta a platéia com suas belas apresentações Hoje, formado por crianças e adolescentes, denomina- se “Grupo Folclórico Saia de Renda", e tem como objetivo fundamental resgatar e manter vivas as tradições regionais. Alem das quadrilhas juninas o grupo faz apresentações teatrais. O Grupo Saia de Renda tem como coordenador o grande animador das festas juninas traipuenses, Manoel Novais, que,com sua grande capacidade de criar histórias e fazer encenações, vem preservando ahistória dos folguedos populares. As belas apresentações da Saia de Renda têmencantado outros municípios, pois, nos últimos anos, vem sendo convidada para váriascidades vizinhas, sempre levando a marca da cultura traipuense. Inicio da quadrilha Saia de Renda Grupo atualGRUPO ARTÍSTICO DE TRAIPU (GAT) O Grupo de Teatro GAT foi fundado em 15 de outubro de 1988, à épocadenominado GRUART (Grupo Artístico Traipuense), sob a coordenação dopernambucano e geógrafo Gildo de Souza, responsável pelas apresentações teatrais. Oobjetivo do grupo é recrutar crianças e adolescentes para participarem de eventos 46
  • culturais, contracenando e vivendo as fantasias do palco e praças da região, como umagrande alternativa de inserção social. Atualmente denominado GAT (Grupo Artísticode Traipu), apresenta-se, principalmente, nas festas juninas, e tem como organizador eanimador Manuel Novais. Apresentação teatral do Grupo Folclórico Saia de Renda Os atuais organizadores do Grupo são: Manuel Novais (Diretor Geral);Clévisson (Diretor de Cena); Genivaldo Melo (Cenógrafo); Yara Basílio (Figurinista);Ozélia Santos (Estilista); Iracema Major (Manequim).QUADRILHA QUARTINHA D’ÁGUA Apresentação da quadrilha Quartinha D’água na Praça José Palmeira Lima A Quadrilha Quartinha D’água foi criada em 1991 pela professora Rita de Cássia Melo, atualmente diretora da Escola Francisco Mangabeira. A quadrilha é formada por crianças e adolescentes que estudam na citada escola. As apresentações da Quartinha D’água jáfazem parte do calendário das festas juninas do Município, arrastando grandequantidade de pessoas. 47
  • PASTORIL O Pastoril sempre fez parte das festas natalinas, atualmente vem ocorrendo noNatal de Reis, que acontece em 06 de janeiro, na Praça do Itamaraty. Apresentação do Pastoril da Terceira Idade no natal do Itamaraty Esse folguedo popular vemsendo resgatado com uma inovação:o Pastoril da 3a idade, organizadopor Dulcinea Soares e GinaldaTeixeira (Nidinha). O exemplodestas senhoras já vem chamando aatenção dos mais jovens para anecessidade de não se deixar morreruma das mais importantes tradiçõesfolclóricas. Assim, em 2005 e 2006,as escolas municipais já organizaramtambém o Pastoril para as crianças.DANÇA DO PIAU Dança tradicional nas casas de farinha, comum em várias localidades da zonarural, onde as mulheres que trabalham na raspagem da mandioca, entoandocantos(rimas) para tornar o ambiente descontraído. Em alguns locais, chama-se “Piau”a maior mandioca encontrada na roça, já em outros, é uma garrafa de bebida quente(cachaça). Neste caso, a garrafa é enfeitada com papel de seda colorido e pendurada nocentro da casa de farinha. Ao encerrar a tarefa da raspagem da mandioca, as mulhereslevam o “Piau” até a casa do dono da farinhada, onde dançam o coco e tomam abebida. No Sítio Uruçu, Jovelina Rosa dos Santos, uma senhora de 65 anos continuamantendo esta tradição e, desde maio de 2004, ensina às crianças do PETI, ondeexistem vários de seus netos, a conservarem a tradição. ARTESANATOARTESANATO COM MADEIRA O símbolo do artesanato traipuense, Antonio Camilo foi o grande destaque naarte de esculpir com a madeira. Começou por si mesmo a trabalhar com esta arte, aos14 anos, seguindo apenas o dom que possuía, e chegou a realizar verdadeiras obrasprimas, sendo considerado um dos maiores escultores do Estado de Alagoas. As mais diversas obras de seu Camilo, como esculturas de animais, de santos eoutras, estão espalhadas por todos os lugares do País. A maior imagem que já esculpiufoi a de Jesus Cristo Crucificado que mede 1,80m. Deixou como discípulo o jovemRobervaldo Silva dos Santos (conhecido por Val), marceneiro que mantém viva a artede esculpir deixada pelo Mestre Camilo, além de restaurar móveis antigos. Exerce suas 48
  • atividades em um salão situado na Rua Coronel Medeiros.O escultor Antônio Camilo concluindo uma de Robervaldo Silva, 30 anos, discípulo de seu Camilo,suas últimas obras. restaurador, escultor e marceneiro. CARPINTEIROS Luís Carlos de Brito – Mestre na fabricação de embarcações (lanchas, canoas e barcos) para pesca, corrida ou carregar passageiros. Há 35 anos executa esta atividade que aprendeu por si mesmo, sem que ninguém lhe ensinasse. Afirma que a produção de embarcações caiu de forma desastrosa, mas por haver poucos nesta atividade, continua fazendo alguns serviços por encomenda. Mestre Elpídio é outro carpinteiro que trabalha com embarcações. Seu Luiz Carlos diz que antes dele, quem construía embarcações em Traipu eram José Augusto, José Rodrigues, Luís Cabral, Jabinha e Zé da Laguna (este ainda está em atividade no Estado de Sergipe). Seu José de Ismael, um dos mais conhecidos carpinteiros de Traipu em plena atividade José Pereira (Zé de Ismael) – Aos 63 anos, Seu Zé de Ismael, como é conhecido, produz carroças, carros de boi, bancos, grades de trator e outros equipamentos. Aprendeu a arte por si mesmo, mas começou a trabalhar com máquinas na antiga Serraria de Seu Ismar, onde atualmente está a Comercial Virgem dos Pobres, na Rua Erasmo Lima Dias. A oficina funciona em um salão ao lado de sua residência. ANTONIO HENRIQUE (Seu Pitonho) – Outro grande destaque traipuense na arte com madeira, deixando muitas obras espalhadas tanto neste Município quanto em outras localidades. 49
  • ARTESANATO COM BARRO Ronaldo Vieira A arte de esculpir com o barro vem sendo desenvolvida atualmente peloartesão Ronaldo Vieira Melo, traipuense que, desde criança, dedica-se a produzirréplicas de pessoas, animais, santos e objetos de uso doméstico. Realiza trabalhos porencomenda, principalmente imagens de esculturas para devotos, mas já participou, emmuitas cidades de Alagoas, de seminários e exposições, onde sempre se destaca porsua criatividade. DONA MARIINHA – Foi um grande nome do artesanato com barro,confeccionando diversos tipos de peças (panelas, potes, jarras, cabaças, quartinhas,etc) que comercializava em toda a região do Agreste e Baixo São Francisco.BORDADO O bordado também é uma das grandes fontes de renda do Município. É muito comum se presenciarem as mulheres sozinhas ou em grupos realizando a atividade da qual muitas retiram o sustento. Grande parte dos trabalhos de bordado é feita por encomenda, outra parte é Prefeitura Municipal oferece curso de bordado às mães do vendida nas feiras e PETI exposições. Os bordados mais conhecidos e trabalhados emTraipu são: ponto de cruz, crochê, rechiliê e crivo. Nos últimos anos a PrefeituraMunicipal vem abrindo grande espaço nas festividades locais para exposição dotrabalho das bordadeiras, como forma estimular a geração de renda. 50
  • O bordado, uma das grandes fontes de renda do traipuenseARTESANATO COM PALITO Alvaci Martins No artesanato traipuense, destaca-se, dentre outros, Alvaci Martins, artesão,professor e poeta que, aos 62 anos, vem gravando seu nome na história cultural doMunicípio. No final da década de 90, Alvaci Martins, já um amante da poesia, começou,por curiosidade, a utilizar palitos de picolé para fazer objetos. Daí nasceu umaverdadeira vocação para o artesanato, que resultou na produção várias obras, muitasdelas têm chamado a atenção não somente dos traipuenses, mas também das pessoasque visitam o Município. Com grande criatividade na arte com palitos e com a paciência que requer otrabalho manual, já produziu réplicas de igrejas e casas, porta-retratos, porta-jóias,abajur, baús, cômodas e outras formas de arte. Atualmente preside a Associação dosArtesãos e Artistas de Traipu. 51
  • Alvaci Martins vem ensinando sua arte a várias crianças do município,segundo ele, com o apoio da Prefeitura Municipal. Já participou de várias exposiçõesnos eventos festivos locais e de outras cidades, como Maceió, Arapiraca, Pão deAçúcar, Penedo, Santana do Ipanema, e cidades do Estado de Sergipe.CANOEIROS Por muito tempo as Canoas de “Tolda” e “Chatas” foram usadas para fazer otransporte de passageiros e mercadorias entre as cidades que margeiam o SãoFrancisco. Estas canoas grandes com vela se tornaram símbolo do Velho Chico, pelaimportância que tinham para as populações ribeirinhas. “Tolda” é um tipo dealojamento existente na canoa, onde o canoeiro descansava ou preparava refeições,geralmente tinha uma rede de dormir. As “Chatas” diferenciavam-se por não ter estealojamento, apenas as velas. Canoa de Tolda, antigamente, responsável pelo transporte de cargas e passageiros no Rio São Francisco Os canoeiros de Traipu faziam linha principalmente para Própria, Penedo ePão de Açúcar. Os mais conhecidos canoeiros traipuenses eram: os irmãos Jason eRanufo Palmeira, Seu Chiquinho, Zé de Morena, Zé Dandão e Antonio Pereira (TonhoBolachão). Atualmente, as lanchas fazem o trabalho das canoas de vela, levandopassageiros e mercadorias, sendo que o Senhor Eronildes ainda possui uma “Chata” naCidade de Penedo – Alagoas. 52
  • ENERGIA ELÉTRICA Em 1939, o Fazendeiro e Empreendedor Júlio de Freitas Machado chegou aoMunicípio de Traipu e instalou em sua residência, na Fazenda Sacão, a energia eólica.Em 1943, antes do seu filho Rui Machado partir para a Segunda Guerra Mundial, foifundada na mesma fazenda a empresa particular de energia elétrica com geradormovido a motor diesel, passando, logo depois, a vender a energia para a cidade deTraipu, com postes de madeira (braúna). Em 1947, o município estatizou(comprou) aempresa e sua sede passou a se localizar num prédio público, onde funcionouposteriormente o Mercado Público Municipal, continuando com geradores de maiorpotência, funcionando no período de 18:00h às 23:30h. Ao se aproximar o horário doapagão eram dados três sinais intercalados de alerta. Em 1968, foi abolido o sistema de energia elétrica movida a motor eimplantada pela então Companhia de Eletricidade de Alagoas a energia elétricaproveniente da Hidrelétrica de Paulo Afonso, agora com a utilização postes deconcreto. O primeiro Povoado a receber energia elétrica foi a Mumbaça. Júlio de Freitas também trouxe o primeiro veículo, um Jeep Hand ruger; aprimeira televisão de marca Hooptpont, que sintonizava apenas a TV Jornal doComércio em Recife/PE; e o primeiro trator marca Ford 8N, movido a gasolina.TELEFONE Em 1972, foi implantada a rede telefônica pela então TELASA, partindo deArapiraca até Traipu com postes de concreto e cabos de cobre revestido com PVC.Inicialmente foi distribuída uma cota de 48 telefones (linhas).AGRICULTURA O carro de boi ainda é o transporte mais usado pelos agricultores traipuenses A maior parte da população traipuense, sobretudo da zona rural, sobrevive das lavouras de feijão, milho e mandioca. As plantações de feijão e o milho acontecem nos meses de abril a junho, início das chuvas de inverno, e a colheita se dá entre julho, agosto e setembro. Não há um calendário definidopara os agricultores plantarem, por conseqüência das irregularidades das chuvas nestaregião. No município também há considerável produção de frutas, com destaque para amanga, o caju, o coco e a pinha. 53
  • Em grande parte do território traipuense ainda se usa o arado puxado por bois para o preparo da terra Em Traipu predomina aagricultura de subsistência, embora emalguns casos também hajacomercialização e exportação paraoutras regiões.PESCA Pescadores com seus barcos, imagem muito comum no Rio São Francisco A pesca, ainda artesanal, é muito utilizada principalmente pelas famílias de baixa renda, como fonte alimentar. Nos últimos anos, a pesca foi muito afetada pela construção das barragens e hidrelétricas ao longo do São Francisco. Os pescadores utilizam pequenos barcos chamados “botes”, e àsvezes passam a noite em atividade, descansando nas ilhas existentes ao longo do rio.Os utensílios usados para a pesca são redes, tarrafas, anzóis, covos (para camarão).EXTRAÇÃO DE PEDRAS ORNAMENTAIS Seu Edmilson, há trinta anos trabalhando com a extração de pedras ornamentais No Sitio Olho d’Água Preto, no terreno do Senhor Edmilson, há uma grande jazida de pedras muito usadas para revestimento de paredes e pisos. Há 30 anos Seu Edmilson trabalha extraindo as pedras, que costuma vender para toda a região de Traipu e outras localidades. 54
  • POVOADOS DO MUNICÍPIOVILA SANTO ANTONIO Seu nome antigo era Priaca, porque, segundo os moradores mais velhos, apovoação ficava nas proximidades da Serra da Priaca. Dizem ainda que o início dapovoação se deu com a chegada de dois retirantes que se estabeleceram na região.Quando um deles se casou passou a morar na Priaca de Cima, hoje Mumbaça,enquanto o outro permaneceu no lugar de origem, chamado Priaca de Baixo. Segundo o Professor aposentado Antonio Paulino dos Santos, a populaçãoachava o nome Priaca muito feio, sobretudo, por representar um instrumentopontiagudo muito usado para a caça. Achavam que o nome combinava com objeto decaça, mas não com nome de lugar. Antônio Paulino, aos 75 anos, fala sobre a história da Vila Santo Antônio E assim, Antonio Paulino, juntamente com João Ferreira, tendo o apoio dosmoradores e do Padre José Batista, passaram a batalhar junto às autoridades pelamudança do nome, alcançando tal objetivo em 1983, por meio de Projeto de Leiaprovado na Câmara de Vereadores e sancionado pelo Prefeito da época Edmar LimaDias, oficializando assim a mudança para Vila Santo Antonio, em homenagem aoSanto Padroeiro. A festa de Santo Antonio ocorre em 13 de junho com novenário e leilão, alémdo tradicional Zabumba e das barracas de comida típica. Outra festa religiosa é a deSanta Pureza, festa móvel que acontece sempre no último sábado do mês de outubro. 55
  • Igreja da Vila Santo Antonio A agricultura ainda é a principal atividade do lugar, sobressaindo-se aslavouras de milho, feijão e mandioca. Há duas casas de farinha, onde no período dacolheita, as mulheres se encarregam da raspagem da mandioca, sempre com muitaanimação, bebidas quentes e cantigas. Ao fundo, a Serra da Priaca, responsável pelo antigo nome do povoado. Segundo seu Antonio Paulino, 75 anos, as parteiras eram consideradas pessoasde grande sabedoria e sempre foram muito admiradas pelo trabalho que faziam. Nessaatividade, destacou-se Dona Maria da Conceição Freire, mãe da atual Vice-PrefeitaTerezinha Freire. Com 77 anos de idade, Dona Conceição, como é conhecida, ainda se 56
  • diz pronta para realizar qualquer trabalho de parto, se for preciso. Antes dela, quemrealizava os trabalhos de parto era Dona Maria Vitô, já falecida. No artesanato, o Senhor Marculino ainda hoje faz caçuás, balaios, cestos evassouras, usando cipó e palha. Como Carpinteiro se destacou Petrúcio Pinheiro deMelo, fazendo carros de boi, cangas, cancelas e madeiramento de casas. A Vila Santo Antonio possui duas Escolas de Ensino Fundamental: ArturOlímpio dos Santos e São José. Sítios vizinhos: Barracas, Sítio Novo.VILA SÃO JOSÉ Segundo os mais velhos, dois senhores de nome “Manuel” se instalaram naregião, dando início à formação de um lugarejo, que passou a se chamar “Manuéis.Com o desenvolvimento da povoação, os habitantes passaram a reivindicar a mudançado nome, fato que veio ocorrer em 1983, através da aprovação pela Câmara Municipaldo Projeto de Lei de autoria do então Vereador José Pequeno, que oficializou o nomede Vila São José, em homenagem ao Santo protetor do povo sertanejo. Vista da Igreja de Nossa Senhora da Conceição na Vila São José A Vila São José tem como Padroeira Nossa Senhora da Conceição, cuja festa écomemorada em 09 de janeiro, com novenário, leilão, zabumbeiros e muita animação,sempre organizada por representantes da Igreja Católica e Jovens da Comunidade. Há uma Igreja Evangélica da Assembléia de Deus. Cultos Evangélicostambém são realizados na residência de José Raimundo, Agente Comunitário deSaúde. A população local tem como principal atividade a agricultura, destacando-se asplantações de feijão e milho. Há ainda três olarias, onde se produz tijolo batido,através dos irmãos Abel e Luciano Castro, Manoel Tenório (Neca) e Zé da Rosa. 57
  • A artesã Dona Irene Lídiamostra utensílios que ela mesmaproduziu No Artesanato, odestaque é Dona Irene Lídia,47 anos, que faz diversos tiposde enfeites como jarros, cestos,abajur, porta-retrato, utilizandopapelão, jornal, cola e verniz.Dona Irene já chegou a venderseus produtos para outrascidades, mas hoje em dia vemdiminuindo bastante suasatividades. Seu sonho é ensinar a arte às crianças e adolescentes da comunidade.Antes, Edmilson Bispo (Tilimba) produzia vassouras, caçuás, balaios, cestos,utilizando palha e cipó. Na Carpintaria se destacou Osberto Nogueira (Maduro), já falecido, econtinuam em atividade Paulo Alves e José Barbosa de Farias, fazendo carros de boi,madeiramento de casa e até caixão de defunto. A comunidade tem grande admiração pelas parteiras, com grande destaquepara Dona Rosemira Vieira dos Santos, conhecida por Rosa da Zemira, Dona Antoniado Preto, Dona Arlinda Nogueira e Dona Odete Vieira. Na Vila São José, fala-se também de um certo caçador de onça chamadoManuel Lúcio, que contava suas histórias na praça, para as crianças, sempre comalgum exagero. Seu Manegildo era o curador, rezador e também contador de históriasfantásticas. Na Vila, há a Escola de Ensino Fundamental Nossa Senhora da Conceição. Sítios vizinhos: Lagoa da Tabuleiro, Baixio, Mateus, Cabeços, Gama.POVOADO MUMBAÇA Igreja do Senhor dos Pobres na Mumbaça Segundo os moradores deste, que é o maior Povoado do Município, há três versões para o nome Mumbaça: A primeira faz menção a uma árvore com este nome que existia nas proximidades da Fonte; a segunda faz referência a dois irmãos, chamados de “Mumbaça e Priaca”, que habitaram a região; a outra atribui o nome da povoação à Serra da Mumbaça que fica próximo ao Povoado. O nome Mumbaça éde origem africana, revelando a influência da cultura africana. A Mumbaça estálocalizada numa região muito rica em água, com muitas nascentes. 58
  • Segundo os moradores mais velhos, antes do Senhor dos Pobres, o lugar cultuavaNossa Senhora da Piedade. O Padre Francisco vinha de Penedo e, junto com os missionários,celebrava as missas à sombra de um grande pé de juazeiro, que ficava no local onde hoje é ocalçadão da Igreja. Contam também que o Padre Francisco pedia aos moradores que nuncacortassem o juazeiro, porque este era um missionário encantado que um dia ia serevelar. Já envelhecida, a árvore criou um oco em seu tronco, pelo qual entrou umacobra. Como as pessoas não conseguiram matá-la, atearam fogo no juazeiro. Aretornar, o Padre Francisco se reuniu com a comunidade e, juntos, construíram umaigreja e compraram uma imagem de Nossa Senhora da Piedade, surgindo os festejosreligiosos. Parte interna da Igreja do Senhor dos Pobres Com o passar do tempo, os moradores resolveram comprar uma imagem doSenhor dos Pobres, em virtude da grande maioria da população ser muito pobre. Eassim compraram três Santos: Senhor dos Pobres para a Mumbaça, Senhor São Brazpara a comunidade de São Braz e Bom Jesus dos Navegantes para a povoação doRabelo. O Santo (Senhor dos Pobres) foi transportado em uma rede, chegando aoPovoado no dia lº de fevereiro, por este motivo a festa do Senhor dos Pobres acontecenesta data, todos os anos. A partir de então o Padroeiro da Mumbaça passou a ser oSenhor dos Pobres. Para a população local, Senhor dos Pobres opera milagres, por isso atribuem àfé no santo o desenvolvimento do povoado. A festa acontece do dia 23 de janeiro até lºde fevereiro, quando multidões de romeiros chegam à Mumbaça, vindos de todas aspartes do Brasil, para pagar promessas. Atualmente, a Festa da Fonte, que é realizadano mesmo período da Festa do Padroeiro, atrai multidões. Muita gente vem da margemdo Rio São Francisco a pé, para pagar penitência. Outra tradição é tomar banho na 59
  • A Fonte é uma das atrações turísticas da Mumbaça fonte com frutas de oitizeiro. Outros levam água da fonte em garrafas para usar como remédio. A Procissão do Senhor dos Pobres acontece no domingo, dia 02 de fevereiro. Na Igreja, existem os grupos Legião de Maria, Carismática e Irmandade Coração de Jesus. Dizem também os mais velhos que duas irmãs, proprietárias das terras onde selocaliza a “Fonte”, doaram esta área para a Paróquia de Senhor dos Pobres. Muitotempo depois, o Padre José Batista doou-a para a Prefeitura Municipal, a fim de quefosse feita a limpeza e a transformasse num lugar mais atrativo. Serra que deu nome ao povoado Além da Serra da Mumbaça, também existe a Serra do Cruzeiro, também chamada de Morro Santo, localizado em frente ao Povoado. Toda Sexta-feira da Paixão, um grande número de fiéis sobe à serra para fazer penitências. Na agricultura, predominam as culturas do feijão, milho e mandioca. Há trêscasas de farinha, onde se produzem os derivados da mandioca: farinha, beiju e tapioca.A principal fruta produzida na região é a manga, sobressaindo-se também o caju e ococo. No Artesanato, destacou-se o Senhor José Veríssimo, produzindo, com cipó epalha diversos artefatos que eram vendidos nas feiras: balaio, caçuá, vassouras, cestas,dentre outros artefatos. Sua arte foi passada para o filho Ariston Veríssimo quecontinua em atividade. No artesanato com barro, Dona Gedalva se destacou,produzindo potes, panelas, cabaças, e outros. As principais parteiras do povoado foram Dona Maria da Glória, AlvinaSantos Correia, Maria Benedita e Dona Maria Ena, esta era cantora da Igreja ecatólica fervorosa, durante as atividades de parto, que sempre fazia com perfeição,costumava rezar algumas orações, por isso se tornou a mais conhecida da região.Outras parteiras, como Dona Odete e Dona Débora, ainda residem no povoado. 60
  • Apresentação da quadrilha Chapéu de Couro durante as festas juninas da Mumbaça Outro destaque do povoado é a Quadrilha Chapéu de Couro, formada poradolescentes, que se apresenta nas festas juninas de toda a região. Atualmente écoordenada pela jovem Márcia Hipólito que, junto com outros jovens da Mumbaça,preservam as tradições folclóricas. Há duas Escolas de Ensino Fundamental: GetúlioVargas e Ilva Ribeiro. Os Sítios vizinhos são: Brejo redondo, Terra Amarela, Uruçu, Embiriba,Jenipapo, Sítio do Meio, Cavaco, Saco dos Bois.POVOADO LAGOINHA Conforme informações dos moradores mais velhos, esta povoação se inicioucom a chegada de um senhor chamado “Ciriaco”, que se estabeleceu com a família nalocalidade. Como no lugar existe até hoje uma lagoa, a povoação passou a se chamar“Lagoinha do Ciriaco”. A Padroeira da Lagoinha é Nossa Senhora da Conceição e a Festa é realizadano dia 27 de dezembro, com o novenário, leilão, parque de diversão, fogos ezabumbeiros, além de eventos esportivos. A Festa tem como organizadores o jovemMárcio dos Santos, o Grupo de Jovens Renascer e a Igreja Católica. 61
  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição no povoado Lagoinha Dois pequenos riachos passam próximo do povoado: Riacho da Água verde eRiacho do Bebedor. A agricultura é baseada nas plantações de feijão, milho emandioca. Na Lagoinha existiam as olarias onde se produzia muito tijolo batido etelha, através dos senhores José Lucas, José Vicente e Narciso Vicente, atualmenteesta atividade encontra-se em decadência. O Sr. Cícero Quirino mostra parte das peças artesanais que produz Porém, a arte com barro continua viva, pelas mãos dos artesãos Cícero Quirinoe Marluce Bóia dos Santos, que produzem panelas, fogões, potes, jarras, cuscuzeiras,dentre outros. A produção é vendida nas feiras da região e até em outros Estados.Cícero Quirino aprendeu a arte com a esposa que desde os 08 anos de idade já faziaartefatos com o barro. O Senhor Valdomiro também trabalha com barro, fazendo 62
  • potes, panelas e outros utensílios. O Senhor Geoflásio Quirino é o responsável peloartesanato com madeira, fazendo carros de boi, cangas, cancelas e madeiramento decasas e outras atividades da carpintaria. Há muitas mulheres que ainda trabalham combordados para ajudar na renda familiar. As parteiras mais conhecidas foram Dona Antonia Ulisses e Dona MariaVaqueiro. Há muitas rezadeiras, com destaque para Dona Floraci (Lô). Os curadoresde destaque foram Aristides, Ulisses Braz e Euclides Herculano. Na Lagoinha existe a Escola de Ensino Fundamental Joaquim Gomes. Sítios Vizinhos: Belo Horizonte, Campo Alegre, Lajeiro, Lagoa do Mato.POVOADO OLHO D’ÁGUA DA CERCA O nome do Povoado é explicado pelo grande número de nascentes queexistem. Segundo os moradores, as famílias maiores e mais antigas são: Caetano,Tomaza, Nascimento, Santos, Ulisses, Fernandes, Sinhá e Farias. O Padroeiro é SantoAntonio de Pádua e a festa principal é realizada no dia 12 de junho, sendo a Procissãono dia 13 de junho. Durante as comemorações destacam-se, além do novenário e doleilão, apresentações de quadrilhas, zabumbeiros, barracas de comidas típicas e fogosde artifício. Em 08 de dezembro também é comemorada a festa em homenagem àImaculada Conceição. Em 03 de maio, já é tradição os fiéis fazerem peregrinações erealizarem novenas na Serra do Cruzeiro, que fica ao lado do Povoado. Segundo asministras da Igreja, Maria de Nazaré e Maria Selma, há os grupos Legião de Maria,Apostolado da Oração e Grupo de Jovens. Igreja de Santo Antônio no povoado Olho D’água da Cerca Na agricultura, predominam as culturas do feijão, milho e, principalmente,mandioca. Há cinco casas de farinha, onde se produzem os derivados da mandioca:farinha, beiju e tapioca. O primeiro forno de ferro foi trazido pelo Senhor ManuelBatista, conhecido por “Maneca”, melhorando a qualidade da farinha, que é uma dasmelhores do Estado de Alagoas. A maioria dos plantadores de mandioca trabalha emterras arrendadas, pagando com parte da farinha produzida. Do mês de setembro aomês de dezembro, as mulheres se ocupam da raspagem da mandioca, sempre levando 63
  • animação às casas de farinha com cantigas, a tradicional Dança do Piau e muito“quentão”. As principais frutas produzidas na região são a manga, o caju e o coco. Raspagem da mandioca, atividade predominante em Olho D’água da Cerca As parteiras mais conhecidas do Olho D’Água foram Dona Maria Francisca,Dona Maria José (Mazé), Dona Maria Nita (Morenita), Dona Mocinha do Lino, DonaIracema Alves (Menininha) e Dona Maria do Vítor. O rezador mais conhecido foi oSenhor Paulo Barão e o curandeiro era o Senhor Manuel Luís. Ainda hoje essascrenças populares predominam, sobretudo, na zona rural. No artesanato, uma das rendeiras mais conhecidas foi Dona Maria Lídia,produzindo rendas de bilro e até redes de pescar; Dona Diva e seu filho João aindahoje produzem cestos, balaios e caçuás, utilizando cipó; com palha, Dona Leda fazvassouras e outros utensílios; mas o forte do artesanato do Olho D’Água são asbordadeiras, que tem em seus bordados uma das fontes de renda da localidade. Exposição do bordado de Olho D’água da Cerca Segundo a Diretora daEscola Cônego Ribeiro, MariaGorete, em Olho D’Água daCerca as mulheres não paramdurante o ano: de janeiro aabril trabalham com o bordado;de maio a julho, na roça; deagosto a setembro, na colheitado feijão e do milho; e desetembro a dezembro, naraspagem da mandioca. Há duas Escolas de Ensino Fundamental: Cônego Ribeiro e José Ulisses. Sítios vizinhos: Olho d’Água do Campo, Quixaba, Olho d’Água Preto, SãoJosé, Barra das Canoas, Altamira, Macacos. 64
  • POVOADO CAPIVARA Segundo relato de alguns moradores, as primeiras pessoas que chegaram àlocalidade foi um português chamado Pantaleão e sua esposa Leonora, dando início àpovoação. Descendentes desta família, como Francisco Pedro e Joaquim Pedro,juntamente com o Senhor Martinliano da Família Caié, Chico Bodega, Pedro Craveiro,Liseu Tavares, deram início ao desenvolvimento do Povoado. “Sobre o SenhorMartinliano, tem uma estória entre os mais velhos dando conta de que ele conseguiumatar um lobisomem, arrancando-lhe depois a orelha, a partir desse dia, desapareceudo lugar, deixando a esposa com sete filhos.” Igreja da padroeira Santa Cruz no povoado de Capivara As famílias maiores são: Pedro, Barbosa, Leite, Ribeiro, André, Vieira eMenino. Próximo à Capivara existem as Serras Grande, Zamesca, da Ilha, do Cruzeiro(Alto do Jacaré) e Serrote do Vento, além do Rio Traipu, que passa ao lado dopovoado. Rio Traipu passando ao lado do povoado Capivara 65
  • A Padroeira da Capivara é Santa Cruz, cuja festa é realizada em 16 desetembro, com novenário, os zabumbeiros, barracas e fogos de artifício. Antigamente afesta era realizada em 03 de maio, porém como era sempre período de inverno, aspessoas encontravam muita dificuldade para chegar ao povoado, inclusive os padresque iam de carro de boi (Padre Alfredo) e a cavalo (Padre Severino e Padre Batista).Desta forma, a comunidade decidiu mudar a data da festa, passando-a para 16 desetembro. Os primeiros moradores construíram uma capela e escolheram a Padroeira.Muitos anos depois, a Igreja de Santa Cruz foi construída pela comunidade, tendo àfrente o Seminarista Américo que muito contribuiu para a execução da obra. As parteiras mais conhecidas do Povoado eram Dona Filirmina (Mãe Mina),Dona Maria da Glória (Mão Glória), Dona Eudócia, Dona Augusta, Dona AnaFilirmina e Dona Zumira. A maioria delas também atuavam como rezadeiras, tradiçãoque se mantém viva com Dona Maria Nazaré, Dona Glorinha e Dona ErisvaldaTenório. Os Curandeiros mais conhecidos foram Pedro Caié, Zé Pedro, Mané Luís,Dona Maria do Carmo e Santana Augusto. Dona Maria de Nazaré e dona Erisvalda relatam fatos importantes da história da Capivara Na agricultura, predominam as plantações de feijão, milho e mandioca. Temuma casa de farinha do Sr. José de Zau, ainda com forno de barro. No artesanato,destacou-se Narciso Marcelino, Mané Balaio e João Damazo, produzindo caçuás,balaios, cestos, vassouras, e outros utensílios. Como carpinteiro, destacaram-se JoséPastora e Chico Pastora e, atualmente, José Évio e o filho Erasmo Barbosa, fazendocarros de boi, cangas, madeiramento de casas. Na Capivara há duas Escolas de Ensino Fundamental: José Carlos Santa Rita eMarcos Antonio dos Santos. Sítios vizinhos: Bengo, Boa Vista, Mulungu, Lagoa de Dentro, Oiteiro doMeio, Batingas. 66
  • POVOADO PIRANHAS O Povoado se desenvolveu às margens do Rio Traipu, numa localidade ondehavia um poço com muitas piranhas, que atraía os pescadores. Ao fazerem referênciaao lugar, os pescadores chamavam “Poço das Piranhas”. Com o passar do tempo,manteve-se o costume do povo, e o povoado recebeu a denominação atual. Vista do Rio Traipu ao lado do povoado Piranhas Piranhas localiza-se na divisa Traipu, Batalha, Belo Monte. Segundo osmoradores, as maiores e mais antigas famílias que se estabeleceram na localidadeforam: Japão, Leobino, Cazuza, Oliveira, Barros, Belo, Nunes, Alexandre, Anjos,Felipe, Joca, Vieira, Nem, Caetano, Rosa. Vista da igreja do povoado Piranhas 67
  • O Padroeiro é São Sebastião, sendo a festa comemorada em 19 de janeiro e aprocissão realizada no dia 20. Segundo contam os mais velhos, o Padroeiro foiescolhido porque no início da povoação houve uma terrível epidemia de gripe. Diantedisso, o povo fez uma promessa a São Sebastião que se a epidemia acabasse, o Santoseria escolhido como o protetor do lugar. Com a graça alcançada, São Sebastiãopassou a ser o Padroeiro. As festividades são realizadas com novenário, leilão, barracas de pequenoscomerciantes, parques de diversão, fogos e os zabubeiros. Na agricultura, destacam-se as plantações de milho, feijão e mandioca. Asfrutas que predominam na região são caju e pinha. A tradicional feira livre aconteceaos domingos, juntamente com a feira de animais, onde são comercializados gado,bode, porco, cavalo e outros animais. Há duas olarias, onde os senhores Luís Fernandes (Luisinho) e Luís Rodrigues(Luís de Quilo) fabricam tijolos batidos. Na carpintaria, destacam-se AdalberonPastora, com madeiramento de casas, e Rangel Pereira com carros de boi. As parteiras mais conhecidas foram Dona Josefa (Mãe Zefa), DonaClaudemira, Dona Ana (Mãe Aninha), Dona Maria Viúva (Mãe Viúva, hoje com 95anos) e atualmente, se for necessário, Dona Francisca ainda está em atividade. Os maisvelhos dizem que, numa romaria a Juazeiro, Padre Cícero teria afirmado que pudessemacreditar que jamais uma mulher morreria de parto nas mãos de “Mãe Aninha”. Aindahoje é tradição os devotos de Padre Cícero viajarem no caminhão do Senhor JoséCaetano, uma vez por ano, até Juazeiro, de onde trazem muitas lembranças do Padre. Os rezadores mais conhecidos eram Pedro Gomes, Luís Rosa e seu filhoManuel Raginha. As rezadeiras eram Dora de Mané Canela e a sogra Maria Canela,estando atualmente em atividade Maria das Dores, conhecida por Dores. No povoado Piranhas há três Escolas de Ensino Fundamental: D. FernandoGomes, José Ângelo Sobrinho e Nossa Senhora das Graças. Sítios vizinhos: Lagoa Grande (Povoado), Sítio Novo de Cima, Barriguda,Umbuzeiro.POVOADO SANTA CRUZ Segundo os moradores mais velhos, as primeiras famílias que se estabeleceramna localidade foram: Borboleta (descendentes de escravos), Rolim, Moreira e Ferreira. Imagem interna da igreja do povoado Santa Cruz “O nome Santa Cruz tem origem numa história contada pelos moradores dando conta de que foi fincado um madeiro em forma de cruz, no local onde hoje é a igreja. Um carpinteiro que morava no povoado Fazenda Nova, em Jaramataia, e havia feito e mandado fincar a cruz, mandou escravos até o local com a missão de arrancar e levá-la de 68
  • volta à Fazenda Nova. Como os negros não conseguiram, o carpinteiro, que tambémera dono de escravos, veio ao local com um contingente maior de negros e, mesmoassim, não conseguiu retirar a cruz. Revoltado, o carpinteiro disse: „Fique aí comseus negros, que eu vou embora‟. O interessante é que a cruz saía facilmente, quandoera para fazer limpeza.” A rezadeira Maria de Carvalho e o Artesão e rezador Moisés Rolim falam sobre a história do povoado Santa Cruz. Desta forma, entendendo a religiosidade que aquela cruz representava para o lugar, os moradores, juntamente com o Padre Francisco, deram o nome de “Santa Cruz” `a localidade. OPadroeiro é Bom Jesus dos Aflitos, e a festa é comemorada em 25 de dezembro, commissa, leilão, zabumbeiros, barracas, parques de diversão e fogos. As parteiras mais conhecidas foram Dona Josefa, Maria Senhorinha, MariaSabina (Mãe Maria), Dona Felisbela (Bebel), Dona Cristina (Tita). As rezadeiras erammuitas, destacando-se Maria de Carvalho e Dona Ester. Os rezadores e curadores maisconhecidos foram José Antonio Rolim, José Pinheiro (Sinhô), Antonio João e Moisésde Carvalho Rolim, sendo este também artesão, que produz esculturas de madeira porencomenda, geralmente, estatuetas de santos. O contador e criador de estórias maisconhecido foi o Sr. Soriano. Serra de Santa Cruz, atração turística do povoado 69
  • Na agricultura, predominam as plantações de feijão, milho, mandioca e fumo.No artesanato, destacam-se Dona Joana Salustiano, produzindo chapéu de palha;Manuel Ferreira (Mudo), fazendo caçuás, balaios, cestos com cipó; Dona IvoneteFerreira, fazendo potes, panelas, e outras peças com barro. A artesã dona Joana Salustiana confeccionando chapéus de palha As tradições folclóricas são incentivadas nas escolas do povoado: ProfessorJosé Medeiros e José Barbosa dos Santos. Sítios vizinhos: Areias de Santa Cruz, Olho d’Água do Lima, Pedra d’Água deSanta Cruz, Jaciobá.POVOADO RIACHO DA JACOBINA Riacho da Jacobina dividindo os municípios de Traipu e Belo Monte Antigamente, este lugar era conhecido por “Riacho de Chico Antonio”, em alusão ao primeiro morador que foi um Senhor chamado Francisco Antonio de Melo que, com sua família, se instalou na região, vindo do lugarejo conhecido por Dionel, localizado no Município de Batalha. Osfilhos de Francisco Antonio foram construindo casas na localidade, dando início aodesenvolvimento da povoação. 70
  • Tempos depois, o lugar passou a se chamar Riacho da Jacobina, em função doRio, que divide os Municípios de Traipu e Belo Monte, desembocar na Lagoa daJacobina (dentro da Fazenda Jacobina), que fica nas margens do Rio São Francisco. Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, Riacho da Jacobina A Padroeira do Riacho da Jacobina é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,sendo a festa realizada no mês de novembro, em data móvel, com novenário, leilão,zabumbeiros, fogos, parque de diversão e a procissão. Antigamente, a festa erarealizada no dia da Padroeira que é 24 de junho, porém, por conta das enchentes doRio Traipu que dificultava o acesso ao povoado, foi escolhida uma nova data para ascomemorações. A parteira mais conhecida do lugar era Quitéria de Sales, conhecida por MãeCreuza, que também era rezadeira, faleceu em outubro de 2004. O Rezador e Curadorde destaque era Seu Ferreira, que faleceu em junho de 2006. Na agricultura, sobressaem as plantações de feijão, milho e mandioca. Há trêscasas de farinha, onde são produzidos os derivados da mandioca: farinha, tapioca,beiju. O bordado também é uma das fontes de renda do povoado. Tradições folclóricas, como a quadrilha junina, são mantidas através dosalunos da Escola Padre Augusto de Melo. Sítios vizinhos: Areias, Pedra d’Água, Tingui, Pau de Cedro, Dois Riachos,Mata Verde, Cazuqui, Cabaceiro, Matias e Patos (os últimos três, mais próximos daCidade) 71
  • POVOADO BOM CARADÁ Segundo os mais velhos, havia nesta localidade uma árvore muito grande ebonita chamada “jacarandá”, que era referência para todas as pessoas que moravam navizinhança. Assim, os primeiros moradores, Senhor Maximiano, Luís Gomes eNezinho Gomes denominaram o lugar de “Bom Carandá”, para muitos, o nomeverdadeiro. Com o passar do tempo, oficializou-se o nome atual, sem o “n”. Vista da igreja do povoado Bom Caradá A Padroeira é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a festa é comemorada naprimeira semana de dezembro. Antes a festa era realizada no dia 14 de setembro, masfoi transferida pelo Padre José Valdenice para dezembro. Foi com o Padre Alfredo quea antiga capela foi construída e, com o Padre José Batista, a comunidade construiu aigreja. A principal fonte de renda está na agricultura com as plantações de feijão,milho e mandioca. Existem duas casas de farinha. No artesanato, Seu Alfredo sedestacou produzindo balaios, caçuás, cestos, utilizando o cipó. A maioria dasmulheres, além do bordado, também faz utensílios de palha como chapéu e vassoura.Francisco Gomes e o filho José Gomes foram os mestres da carpintaria, fazendo carrosde boi, madeiramento de casas, mesa, cadeira, bancos grandes e até caixão de defunto. 72
  • Parteira e rezadeira, dona Maria Cicera fala sobre o povoado Bom Caradá A parteira mais conhecida é Maria Cícera da Conceição, 64 anos, conhecidapor Dona Maria Cícera, que afirma já ter feito, desde os 22 anos de idade, mais de milpartos, sem que nenhuma mulher morresse em suas mãos. Antes de Dona MariaCícera, as parteiras que atendiam em Bom Caradá eram Dona Mariinha da LagoaGrande, Dona Claudemira do Sítio Batingas e Dona Santa do Sítio Zé Inácio. Osrezadores e curadores do lugar eram Manuel Rodrigues, Dona Umbelina Rodrigues,Maria Virgínia e Dona Maria Cícera. É na Escola de Ensino Fundamental Rui Barbosa II que as tradições folclóricassão preservadas.POVOADO BOM JARDIM Igreja Nossa Senhora da Conceição no povoado Bom Jardim Conforme relato dos moradores maisvelhos, as primeiras e maiores famílias que seestabeleceram na região, antes chamada de“Munguengue”, foram: Duarte (com VicenteDuarte e Antonio Bento), Chaves (Maximino eLucindo Chaves), Alves (com SalustianoAlves), Tomaz (João Tomaz) e a famíliaBezerra. Segundo esses relatos, a mudança donome do povoado ocorreu em virtude de umavisita do Governador do Estado, na época, Major Luiz Cavalcante que ficou encantadocom as belezas naturais do lugar, principalmente, com a vegetação. Assim o 73
  • Governador deu a idéia à comunidade para que esta mudasse o nome para “BomJardim”. A Padroeira do Bom Jardim é Nossa Senhora da Conceição, e sua festa érealizada sempre no final do mês de dezembro, em data móvel. Na festa há onovenário, leilão, roda de fogo, zabumbeiros e parque de diversão. A maior parte da população sobrevive da agricultura: feijão, milho, arroz. Amanga é a fruta predominante, havendo também o caju, o coco. A pesca ainda é umaatividade muito praticada, apesar do controle por parte do IBAMA. Outra fonte derenda deste lugar é o bordado, ofício passado de mãe para filhas. Há também muitaspessoas que produzem utensílios de pesca como redes, tarrafas, covos, sendo os barcospequenos (ou botes) o transporte mais usado durante as pescarias. Quem fazia barcosde pescar era o Senhor Edísio (falecido). Outros carpinteiros que se destacaram foramCícero Tenório e seu filho Nelson dos Santos Lopes. Já as parteiras mais conhecidasdo Bom Jardim foram Dona Leobina da Silva e Dona Elísia e, atualmente, se fornecessário, tem Dona Marilena da Silva. Os rezadores (ou curadores) mais conhecidosforam o Senhor José Cândido e Dona Nair. Dona Hermínia Tavares grande conhecedora da historia do Bom Jardim Dona Hermínia Tavares Bezerra, 93 anos, que foi encarregada e cantora da igreja durante muitos anos, relembra as grandes plantações de arroz das várzeas, quando as mulheres se juntavam para “o fechamento dos cercados de arroz”(encerramento do plantio de arroz em um determinado terreno), onde as mulheres se enfeitavam, cantavam e dançavam, trazendo muita animação àsatividades. O Povoado conta com duas escolas de Ensino Fundamental: Escola MunicipalCoronel Netto, construída em 1965 e Escola Municipal Guilherme Palmeira. No Povoado Bom Jardim também há uma Reserva Indígena deaproximadamente 300 hectares, ali estabelecida no ano de 2001, pela FUNAI. Essesíndios vieram da Tribo “Tingui Botó” do Município de Feira Grande/AL, passando, nanova área, a se chamar “Aconãs” em homenagem a uma antiga tribo que habitou estaregião do Vale do São Francisco. Até a quarta série, as crianças recebem aulas daprofessora da própria tribo, com acompanhamento da Secretaria Estadual de Educação. Sítios vizinhos: Ouricuri, Tamburi, Rabelo, Coroas.ASSENTAMENTOS DO MUNICÍPIO DE TRAIPU: Marcação I, II e III,Chico Mendes (Sítio Novo), Riachão, Padre Cícero (Lioba) e Boiadeiro. 74
  • RELIGIÃOIGREJA CATÓLICA (ver páginas:19,20,21,39,40,41 e 79)IGREJA ASSEMBLÉIA DE DEUS O Trabalho Evangelístico da Assembléia de Deuscomeçou oficialmente, em Traipu, em 1953, através do Pastor João Ferreira, Vindo daCidade de Porto Real do Colégio/AL, ministrando os primeiros Cultos na Rua doItamaraty e Rua do Sol, na casa do Senhor José Ferreira dos Santos, um dos primeirosmembros, seguido pelo Presbítero Juvenal Ferreira e sua esposa Maria Francisca,Etelvina Barbosa, dentre outros pioneiros da Igreja. Crianças participam de atividades religiosas na Assembléia de Deus A Assembléia de Deus é a maior Igreja Evangélica do Município em número de adeptos. Atualmente, está presente em todo o território do Município, com templos, congregações e famílias. Segundo o jovem Celso Lima, 21 anos, um dos coordenadores das atividades da Igreja, a Liturgia da Assembléia é Pentecostal (Doutrina do Espírito Santo e da santíssimaTrindade), com base nas Escrituras Sagradas (Bíblia). A organização dos Cultosconsiste em Oração, Louvores Gospel, Adoração e Pregação. “Na Cidade são 120 membros atualmente, sendo 60 adultos, 35 adolescentes e25 crianças. São desenvolvidos trabalhos de assistência social, acompanhamentoespiritual e psicológico. Desenvolvemos oficinas culturais, como teatro, música e arte,direcionadas às crianças e adolescentes, orientando-os para o convívio social, familiare religioso, diz Celso.” As Atividades Evangelísticas são promovidas pelo Pastor, Presbíteros,Diáconos, Obreiros e as mulheres inseridas no Trabalho Ministerial. Os Cultos sãorealizados no Templo, nas praças e nos lares, aos domingos, terças, quartas, sextas esábados, às 19:00h, com duração de duas a três horas. A Igreja está localizada na Avenida Vereador João Cavalcante, esquina com aRua Isaac Pereira Netto. 75
  • IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS A Igreja Universal iniciou suas atividades, aqui em Traipu, no dia 07 desetembro do ano de 2001, na Rua do Itamaraty, com o Pastor Izaías. Os cultosacontecem todos os dias às 19:00h. Segundo o atual responsável pela igreja, o jovem Pastor José Benício da Silva, 23 anos, a missão maior é cuidar de pessoas que estão à margem da sociedade, objetivando reintegrá- las ao convívio social. Atualmente possui 50 membros, e são realizadas reuniões semanais com crianças e adolescentes sobre comportamento social. Igreja Universal do Reino de Deus em TraipuIGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR Culto religioso na Igreja do Evangelho Quadrangular Esta Igreja surgiu em 07 de março de 1999, na Rua da Ponte, através da Missionária Luzinete Lima. Segundo o Pastor Antonio Fábio, 22 anos, as atividades têm por objetivo o acompanhamento espiritual, desenvolvimento psicológico e o fortalecimento do caráter. A Igreja possui grupos missionários de crianças, adolescentes e mulheres que atuam junto à comunidade. Atualmente, os cultos sãorealizados na Rua 13 de Maio, às terças, quintas e domingos, às 19:30h. 76
  • IGREJA BATISTA Pastor Edson realiza a pregação aos fiéis Há dez anos, a Igreja Batistainiciou suas atividades em Traipu, poriniciativa do atual Pastor Edson Soares.“As atividades da Igreja são voltadaspara o fortalecimento da baseespiritual, mas também buscandoresgatar crianças e jovens que seafastam do convívio familiar e social”,diz Edson Soares. Os cultos acontecemtrês dias da semana, na Igreja, que selocaliza defronte à Praça Edmar LimaDias.CULTURA AFRO-BRASILEIRA Quando os africanos chegaram ao Brasil na condição de povo dominado, ouescravizado, pelo regime português, encontraram aqui os Jesuítas e foram obrigados apraticar o catolicismo. Como possuíam culto próprio, o Candomblé, sincretizaramatravés das imagens dos santos da Igreja Católica os Orishás do Candomblé. Talprática ficou tão intimamente ligada aos costumes do povo descendente da culturaafricana, que não se consegue separar uma da outra, tão grande foi o período dessesincretismo, ou modo de dar continuidade aos Cultos Áfricos. Assim cada Santo daIgreja Católica recebe, no Candomblé, um nome africano: Santo Antonio -Ogun; SãoJorge - Oshossi; São Roque - Obaluayiê; São Lázaro – Omolu; São Jerônimo –Shangô; Nossa Senhora da Conceição (ou Nossa Senhora dos Navegantes) - Oshun ouYemanjá; Santa Bárbara Guerreira - Iansã, etc. Para o Candomblé, Cada dia da semanaé dedicado a um Orishá africano, assim como cada parte da natureza é regida por umdeles. Os tambores significam o chamamento dos Orishás e um alerta para o perigo.CENTRO ESPÍRITA SÃO JORGE GUERREIRO Este Centro faz parte da Federação Umbandista dos Cultos Áfricos do Estadode Alagoas, e tem à frente a Médium Maria de Fátima Santana, conhecida por “Mariade Pedão”, que há 35 anos vem realizando, em sua residência na Rua do Itamaraty,cultos afro-brasileiros. 77
  • Centro Espírita São Jorge durante a realização de um culto a “Eshu” A Médium Maria de Fátima diz que não aprendeu com ninguém, é um dom que começou a sentir aos 08 anos de idade. Aos 19 anos começou a se manifestar, isto é, receber orishás (espíritos), iniciando suas atividades na mediunidade. Diz ainda que comemora odia de Iemanjá, que representa Nossa Senhora da Conceição, em 08 de dezembro. Assegundas-feiras do mês de agosto as vestes são vermelhas porque o culto é oferecidoao sacrifício dos escravos, e as vestes brancas representam os orishás, os santos daIgreja Católica.CENTRO ESPÍRITA PALÁCIO DE OXALÁ Culto Espírita do Candomblé sob a coordenação do Pai de Santo José Messias Este Centro Espírita écoordenado pelo Pai de SantoJosé Messias da Silva, 53 anos,que atribui aos seusantepassados o dom quepossui. Afirma que sãodescendentes da África, deonde recebeu esta cultura epretende preservar. Antes era oseu avô, o Pajé Francisco daTribo indígena dos Cariris, oresponsável pelos cultos áfricos e hoje é ele com os filhos. Os eventos acontecem emsua residência no Conjunto Habitacional Antonio Medeiros Neto. “Os cultosacontecem aos sábados e domingos, invocamos os espíritos e estamos prontos pararecebê-los”, trabalhamos com 12 pessoas, mas sempre de portas abertas para os quenecessitem de nossos cultos, diz Seu José Messias, que é associado e fiscal daFederação Umbandista dos Cultos Áfricos do Estado de Alagoas. 78
  • Segundo o Senhor José Messias, há outros espaços no município em que sepratica a cultura africana por meio do sincretismo religioso, no nível chamado “MesaBranca” (consiste numa reunião dos adeptos em torno de uma mesa, sem as batidasdos tambores). PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARQUITETÔNICO Igreja de Nossa Senhora do Ó – Construída por volta de 1850, substituindo acapela que fora construída no século XVII. Com duas torres, paredes revestidas deazulejo na parte frontal superior e mármore branco na parte inferior; na frente existem cinco portas com detalhes em alto relevo, cinco janelas de vidro; nas laterais, seis portas de madeira, três de cada lado; na torreParte interna da igreja de Nossa Senhora do Ó esquerda há um grande sino de bronze e entre as duas torres, uma cruz revestida de azulejo verde claro; em seu interior existe uma escada em madeira trabalhada, obra do escultor Antonio Camilo; o piso em mosaico branco (mais antigo) e cerâmica (mais moderno); pia batismal em tijolos, revestida de cimento; os bancos originais foram substituídos por outros mais modernos; um confessionário em estilo colonial e um púlpito em estilo barroco; altar-mor em madeira com pintura dourada e branca, contendo seis imagens, cinco em gesso e uma em madeira: Nossa Senhora do Ó, SãoJosé, Santo Antonio, Cristo Crucificado e dois anjos. Por trás das grades está a imagem de Nosso Senhor Glorioso; no corredordireito, Santa Rita, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora das Graças; no corredoresquerdo, São Vicente, Santa Luzia e Nossa Senhora de Fátima; por trás do altar, umaescultura em estilo barroco confeccionada em madeira, de Nosso Senhor Morto, numcaixão que fica sempre velado; As Imagens em Oratório são: Bom Jesus dos Navegantes, São Luiz e SãoFrancisco; Nossa Senhora das Dores e Nosso Senhor dos Passos. Casarão de estilo colonial –Localizado na esquina da Rua MonsenhorMedeiros (antiga Rua Grande) com a Ruada banca do peixe, de frente para o Rio SãoFrancisco. Foi neste casarão, segundohistoriadores, que D. Pedro II participou deuma festa e jantou, quando de sua visita aeste Município. Na época pertencia aoCoronel José Vicente Pereira Netto eatualmente pertence ao senhor Berilo Soares Mota. 79
  • Há outras casas, principalmente na Rua da Igreja que mantém a forma e ascaracterísticas da época em foram construídas.PATRIMÔNIO NATURALRio São Francisco – Fonte de riqueza e atração turística;Rio Traipu – Rio que deu nome ao Município;Porto da Areia – atração turística dos finais de semana e períodos de festa;Ilhas Fluviais – destino dos passeios de lanchas dos turistas;Serra da Tabanga – Também um forte referencial turístico, mesmo situando-se namargem sergipana do Rio;Fonte da Mumbaça – Ponto turístico bastante visitado, sobretudo, nas festas doPovoado;Serra de Santa Cruz – As nascentes desta serra formam uma bica (espécie de piscinanatural) que atrai centenas de visitantes durante todo o ano;ESPAÇOS CULTURAIS Casa de Cultura Luís de Medeiros Netto – Com grande acervo histórico e cultural à disposição dos jovens traipuenses; Biblioteca Municipal – Funcionando na casa de Cultura Luís de Medeiros Netto; Museu do Velho Chico – Possui muitos vestígios da história do Rio São Francisco, é muito visitado pelos estudantes.ESCOLAS Na Cidade, há três escolas estaduais e três municipais:Escolas Estaduais: Moreno Brandão, Maria Avelina do Carmo e José Medeiros.Escolas Municipais: Francisco Mangabeira, Agapito Rodrigues de Medeiros e PadreJosé Batista. A Escola Moreno Brandão é a mais antiga, foi construída em 1940, durante agestão do interventor estadual Osman Loreiro, tendo como primeira Diretora CecíliaÉrcia Silveira (1940 a 1943); a segunda Diretora a Professora Alice Sales (1943 a1948); a terceira Marinete Reis Matos (1948 a 1960); a quarta Áurea de Medeiros 80
  • Melo (Dona Aurinha - 1961 a 1975). A Escola Moreno Brandão já chegou a servir de unidade modelo, sendo visitadapor educadores de outros municípios de Alagoas e de Sergipe. Recebeu este nome emhomenagem ao historiador, jornalista, político, romancista, poeta, filósofo, geógrafo eorador Francisco Henrique Moreno Brandão que nasceu na cidade de Pão de Açúcarem 14 de setembro de 1875, filho do Major e Médico-cirurgião do Exercito Brasileiroe de Maria Aguiar Moreno Brandão.ESPAÇOS FESTIVOSClube Margareth – Casa de festas criada por José Palmeira Lima, é palco de festassociais, cívicas e religiosas, era onde, no passado, realizavam-se os carnavais de salão.Nos finais de semana, funciona com discoteca ou bailes.Ginásio de Esportes “O Ribeirão” – Além de ser um grande palco dos mais diversoseventos esportivos, vem sendo utilizado para apresentações de grupos folclóricos,encontros escolares, bailes e, nos últimos anos, vem sendo usado para o resgate dosbailes carnavalescos;Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) – Local de eventos esportivos, ondetambém se realizam festas sociais e cívicas;Casa Paroquial – Espaço utilizado para eventos religiosos;Estádio Municipal – Palco de eventos esportivos, mas também apropriado paraeventos festivos de maior proporção;Praça José Palmeira Lima – Local de grandes eventos festivos, principalmentefestejos natalinos e apresentações de grupos folclóricos;Praça da Matriz de Nossa Senhora do Ó – espaço utilizado para as festividades daPadroeira;Praça Vicente Bispo (Itamaraty) – Onde ocorre o Natal de Reis, todos os anos. LITERATURALUÍS DE MEDEIROS NETTO Patrono da Casa de Cultura de Traipu-AL, foi:Padre da Igreja Católica;Deputado Constituinte – 1946;Deputado Federal - de 1947 a 1970 (seis mandatos consecutivos);Suplente de Senador- 1971 à 1978;Professor de História da Universidade Federal de Alagoas;Pró-Reitor para Assuntos Estudantis e Comunitário- UFAL;Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília;Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas;Membro da Comissão Parlamentar que visitou os Estados Unidos em 1960 e em1964; Publicações:História do São Francisco - tese para o concurso da Cadeira de História do Brasil - 81
  • Instituto de Educação- Publicação da Casa Ramalho Editora- 1941;Centenário da Cidade de Traipu" - livro contando a história de Traipu em celebraçãoaos 100 anos da elevação desta à Condição de Cidade - Publicação da Sergasa- 1990.JENNER GLAUBER MELO TORRES Historiador e escritor, é formado em Arquitetura pela Universidade Federal de Alagoas, tem realizado várias pesquisas sobre Traipu. Escreveu o livro “Vivendo...Traipu”, que traça um perfil da história cultural do Município. Foi Secretário Municipal de Educação em 2002 e 2003. Foi um dos articuladores para a fundação da Casa de Cultura Luís de Medeiros Netto.ALVACY MARTINS Artesão, professor e poeta, já escreveu várias poesias sempre exaltando suaterra natal e as riquezas do Rio São Francisco.JACKSON BORGES Ambientalista fervoroso sempre defendendo as causas do Velho Chico, jáproduziu vários artigos que foram publicados em jornais de grande circulação noEstado de Alagoas. É um dos maiores pesquisadores da história do Rio São Francisco.É fundador da Casa do Velho Chico.PROVÉRBIOS (Sabedoria popular) Uma característica forte no sertanejo é resumir em poucas palavras ou frasesde efeito, um tema em discussão. É uma forma de sabedoria popular, que geralmentetraz uma mensagem de forma indireta, porém clara. Em nosso Município não édiferente, qualquer pessoa já ouviu alguém, principalmente os mais velhos, usaremestes provérbios populares para alertar alguém ou para encerrar uma conversa que estáficando comprida, como por exemplo: 82
  • “Macaco não olha pro rabo”; “Formiga, quando quer se perder, cria asa”; “Cabeça quenão pensa, o corpo padece”; “Pobre só come carne quando morde a língua”; “Macacovelho não põe a mão em cumbuca”; “É rico de pena e bico”; “Chapéu de otário émarreta”; “Casa de ferreiro, espeto de pau”; “Criança que não chora não mama”;“Mato a cobra e mostro o pau”; “Quem bem fizer, pra si é”; “O que os olhos nãovêem, o coração não deseja”; “Em boca fechada não entra mosquito”; “Mais sujo doque pau de galinheiro”; “Apanhou mais do que pandeiro em samba”; “Parente é carnenos dentes”; “Cavalo dado não se olham os dentes”; “Ta mais por fora do que bundade índio”; “Quem comeu a carne, roa o osso”; “Gato escaldado tem medo de águafria”; “Viola de boca todo mundo toca”; “Pare o andô, que o santo é de barro”; “Quemgosta de boca de cano é ferrugem”; “O tempero da comida é a fome”; “Quem quebragalho é macaco gordo”; e outros.PARTEIRAS Antes da medicina, por meio dos postos de saúde e das maternidades, alcançaros rincões do nosso sertão, era por meio das parteiras que as mães ganhavam seusfilhos. Eram essas mulheres corajosas que assumiam a responsabilidade da realizaçãonão somente do delicadíssimo trabalho de parto, mas também das orientações de pré epós-natal. Era por suas mãos que, invariavelmente, a vida passava. Nelas as famíliasmantinham uma grande relação de respeito e admiração, de onde nasciam fortes laçosde amizade, ao ponto de serem elas as primeiras madrinhas dos recém-nascidos. Em todos os lugares, da zona urbana ou zona rural, existia uma ou maisparteiras prontas para atender, a qualquer hora do dia ou da noite, qualquer família quenecessitasse, como verdadeiras guardiãs das famílias que residiam na localidade. A comunidade traipuense se orgulha dessas valorosas mulheres que tão bemrepresentam a coragem da mulher sertaneja, cumprindo uma missão tão difícil, deforma que passa, a partir deste mapeamento, a registrá-las na história cultural do nossoMunicípio. Dona mocinha e Dona Aliete, parteiras reconhecidas pelos serviços prestados à comunidade traipuense 83
  • Maria José Henrique das Flores (Dona Mocinha), hoje com 96 anos de idade,mora na Praça Coronel Netto, e é lembrada pela população traipuense com uma dasque mais atuaram no Município. Aliete Torres dos Santos (Dona Aliete) é muito conhecida da população, fezcurso de parteira e também trabalhou por três anos na Maternidade de Penedo,encerrou suas atividades há cinco anos, por conta da abertura da Casa Maternal MariaEulina dos Santos. Hoje, aos 66 anos, com sete filhos e seis netos, ela relembra afelicidade com que realizava os trabalhos de parto, dizendo-se feliz pelo devercumprido. Antes de Dona Mocinha e Dona Aliete, os mais velhos relatam que as parteirasda cidade eram Maria Vitalina, Dona Margarida do Itamaraty, Dona Maria José daRocheira e Dona Pastora.REZAS, CURAS E CRENÇAS Era comum haver pessoas, na cidade ou na zona rural de Traipu, geralmentemuitos religiosas, com certas habilidades para cuidar de doentes, que passavam a servistas como referenciais, usufruindo da confiança dos moradores. Praticavam rezas ecuras baseadas na fé e até receitavam medicamentos (chás) que ainda hoje são usadospor muita gente. As mulheres que realizavam essas atividades eram chamadas“rezadeiras ou benzedeiras” e os homens, rezadores, benzedores ou curadores. As rezas serviam (servem) para afastar ou curar diversos males: doenças, mauolhado, dores localizadas, feridas, etc. O tratamento consiste em rezar sobre a cabeçados doentes ou sobre a parte afetada com orações usadas na Igreja Católica, falando-sede santos e objetos religiosos, fazendo gestos e produzindo sons ininteligíveis. Égeralmente usado o sinal da cruz, durante e após a reza. Ramos de plantas, terço e cruzde madeira também são usados como instrumentos de prece e de cura. O curandeirodifere dos rezadores: acredita-se que possua poderes não comuns às pessoas normais.Propaga a cura de envenenamento por mordida de cobra e cachorro doido (raiva) e ofechamento de corpos contra feitiçaria. Em Traipu, muitas pessoas ficaram (ou são) bastante conhecidas por essaspráticas populares, como Dona Senhorinha, Dona Lindaura e muitas outras.MEDICINA POPULAR Em Traipu, a medicina popular sempre fez parte da cultura do povo, sendoainda hoje bastante utilizada. Há muitas pessoas, principalmente os mais velhos, quenão procuram as farmácias, pois acreditam, antes de tudo, na cura com os remédiosnaturais. Alguns mais usados no município são: chá de cidreira, chá de pitanga, deromã, de raspa de cajueiro, de folha de goiabeira, de folha de laranjeira, chá de hortelã,chá de capim santo, chá de quebra-pedra, mastruz (ou mentruz) com leite, diversostipos de lambedores, misturadas e outros. 84
  • LENDAS As lendas mais faladas pelos mais velhos, geralmente pescadores, são a “Mãed’Água, (sereia da água doce), o Fogo Corredor, o Nêgo d’Água e o Lobisomem.Sempre aparece alguém afirmando ter se deparado com alguma dessas figuras. Sobre olobisomem, há um dado em comum, e bastante curioso, nas histórias contadas em todoo município: É que o lobisomem atacava apenas os rapazes que se dirigiam para ascasas das namoradas (ou quando retornavam), não havendo relatos sobre algumlobisomem que atacasse as moças.BODEGAS Antigamente, as casas que vendiam cereais, comidas e bebidas eram chamadasde “bodegas”. Em Traipu, eram muitas as bodegas onde se comercializavam os maisdiversos produtos. Estas casas comerciais tinham uma característica comum: Umgrande balcão de madeira (com bom acabamento) ou de cimento que mantinhaseparados vendedor e cliente. Este não tinha acesso a tocar a mercadoria, apenas diziao que queria e o vendedor, no outro lado do balcão, providenciava o produto. Asbodegas mais conhecidas eram: de Seu Vicentão, de Zé Pindoba, de Artur de Laura, deEtelvino Cavalcante, de Seu Bêlo, de Flodoaldo, de Marilita e Lourdes, de Seu Oscar,de Eduardo Pereira, de Aloísio Cabral, de Joaquim Guimarães, de Paisinho, de SeuAnísio, de Gonçalo, de Tonho Bolachão, de Murilo e de Seu Zé Pernambucano, queainda hoje usa o balcão grande. Com a modernidade, as casas comerciais sãodenominadas “mercadinho” (de porte menor) ou “supermercado” (de porte maior).GASTRONOMIAPratos: peixada, feijoada, buchada, galinha de capoeira guisada.Doces: leite, goiaba, mamão, banana, coco.Comidas típicas: canjica, beiju, tapioca, pamonha, malcasada, umbuzada, bolos, pé demoleque. 85
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  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Casa de Cultura Luís de Medeiros Netto. Rua Senador Serapião, Traipu/AL. Biblioteca Pública Municipal Onofre Tavares de Nascimento, Rua Senador Serapião, Traipu/AL. Secretaria Municipal de Cultura, Rua Senador Serapião, Traipu/AL. NETTO, Pe Medeiros. História do São Francisco, Editora Sergasa. 203 p. Aspecto histórico, civilizador, religioso, político, povoativo, hidrológico, econômico e social. Mapeamento Cultural dos Municípios do Vale do São Francisco. Ministério da Cultura. Ano 2000, 182p. Municípios de Alagoas, Organização Arnon de Mello, ano 2005. TORRES, Jenner Glauber Melo, Vivendo ... Traipu 2000. Editora J.J. Santos. Maceió, 101 p. NETTO, Luís de Medeiros (1941) “História do São Francisco”, Casa Ramalho Editora Maceió. 87
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  • RIO SÃO FRANCISCO FONTE DE VIDA “Ao pé de cada montanha, existe um rio ou um riacho. Esse maravilhosofenômeno da natureza é fonte de vida, abastecendo inúmeras cidades. Leva nas águasum grande tesouro: A vida. Águas puras e cristalinas, águas que, quando batem nasrochas ou levam cascalhos, cantam e encantam a todos. Abrigando milhares deespécies, tem no fundo de suas águas a sabedoria do criador e uma beleza que não secompara a nenhuma outra. O rio, sendo fonte de vida, faz nascer novas cidades.Foram eles a base de grandes civilizações. Eles, que nos deram as mais lindaspaisagens, estão acabando, o homem não os está preservando. A morte de um riosignifica a morte de uma civilização, pois nenhum ser vive sem água. Mas eu aindavejo na beleza de cada olhar a esperança de que um dia brote no coração dos homenso nobre sentimento de gratidão por este bem que Deus nos deu: O Rio São Francisco,fonte de vida.” Texto extraído do Programa de rádio “Viver Melhor” (Educação Ambiental) apresentado pelosAgentes Jovens: Crislane Melo, 17 anos, Neumann de Farias, 17 anos e Rafael de Souza, 16 anos. 89
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