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Partes cortadas-do-livro-extras

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Transcript

  • 1. PARTES CORTADAS DO LIVRO TWILIGHT – CREPÚSCULOTwilight – Badminton(Observações: esta cena foi cortada do capítulo 11, "Complicações". Meincomodou tirá-la, mas eu não conseguia entender por que, então eu deixei pralá. Quando era tarde demais para colocar isso de volta, eu finalmente percebi oque estava me perturbando. Mesmo que eu tenha feito referências ao desajeitoda Bella em Educação Física várias vezes, eu nunca mostrei isso realmente.Essa foi a única vez que Edward estava "assistindo", e, assim, o lugar naturalpara mostrar essa falta de jeito. E agora minha explicação é quase maior que acena cortada!)Eu entrei no ginásio com a cabeça no ar, mancando. Eu me arrastei até ovestiário, trocando de roupa como se estivesse em transe, apenas vagamenteconsciente das pessoas que estavam ao meu redor. A realidade não mealcançou realmente até que alguém colocou uma raquete na minha mão. Elanão era muito pesada, mas mesmo assim parecia ser muito insegura na minhamão. Eu podia ver alguns outros garotos da minha aula me olhandofurtivamente. O treinador Clapp ordenou que nós fizéssemos pares para o jogo.Misericordiosamente, alguns vestígios do cavalheirismo de Mike aindasobreviviam; ele veio ficar ao meu lado.- Você quer ser minha parceira? - ele perguntou alegremente.- Obrigada, Mike. Você não precisa fazer isso, sabe. - Eu fiz uma careta.- Não se preocupe, eu vou me manter fora do seu caminho. - Ele sorriu. Àsvezes é tão fácil ser aficionada por Mike.As coisas não foram suaves. Eu tentei manter a distância para que Mikecontinuasse o jogo com a peteca, mas o treinador Clapp veio até nós eordenou que ele permanecesse no seu lado da quadra para que eu pudesseparticipar. Ele ficou lá, observando, para que suas ordens fossem cumpridas.Com um suspiro, eu pisei numa parte mais centralizada da quadra, segurandominha raquete pra cima, quase animadamente.A garota do outro time sorriu maliciosamente enquanto dava o saque na peteca- eu devo tê-la machucado nas seções de basquete - arremessando-a aapenas alguns passos depois da rede, diretamente na minha direção.Eu pulei desastradamente para frente, balançando a raquete na direção dapequena peste de borracha, mas eu esqueci de levar a rede em conta. A minharaquete saltou de volta da rede com uma força surpreendente, pulando daminha mão e batendo na minha testa antes de atingir o ombro de Mike quandoele correu para frente pra tentar rebater a peteca que eu já havia perdidocompletamente.O treinador Clapp tossiu, ou abafou uma risada.- Lamento, Newton - ele murmurou, saindo de perto para que pudéssemosvoltar às nossas posições antigas, menos perigosas.- Você está bem? - Mike perguntou, massageando o ombro, assim como euestava fazendo com a minha testa.- É, você está? - eu perguntei, submissa, escondendo a minha arma.- Eu acho que vou sobreviver. - Ele balançou o braço num círculo, pra tercerteza de que ainda tinha total controle dos movimentos.- Eu vou estar aqui atrás. - Eu caminhei de volta para o canto, no fundo daquadra, segurando a minha raquete cuidadosamente atrás das minhas costas.
  • 2. PARTES CORTADAS DO LIVROTwilight - Compras com Alice(Notas: Vocês vão reconhecer partes desse capítulo - pequenas partessobreviveram e foram combinadas com o que é agora o Capítulo 20("Impaciência"). Este capítulo diminuiu o ritmo da parte da "caçada" da história,mas eu senti que havia cortado muito da personalidade da Alice quando osacrifiquei.)O carro era brilhante, preto e poderoso; as janelas dele eram tingidas como asjanelas de uma limusine. O motor ronronava como um gato enorme enquantonós acelerávamos pela noite profunda.Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se importar, mas o musculoso carrocontinuava a voar em frente com perfeita precisão.Alice sentou-se comigo no banco traseiro de couro preto. De alguma forma,durante a longa noite, a minha cabeça havia acabado encostada no pescoçode granito dela, com os braços frios dela me enrolando, sua bochechapressionada no topo da minha cabeça. A frente da camisa fina de algodão delaestava fria, úmida com as minhas lágrimas. De vez em quando, se a minharespiração acabava ficando desigual, ela murmurava suavemente; com a suavoz rápida, alta, os encorajamentos pareciam uma canção. Para me mantercalma, eu me concentrei no toque da sua pele fria; isso parecia ser umaconexão física com Edward.Os dois haviam me assegurado - quando eu me dei conta, o pânico tomouconta de mim, todas as minhas coisas ainda estavam na caminhonete - quedeixar tudo para trás era necessário, alguma coisa a ver com o cheiro. Elesdisseram para eu não me preocupar com roupas ou com dinheiro. Eu tenteiconfiar neles, fazendo um esforço para ignorar o quanto eu estavadesconfortável com as roupas de Rosalie que não me serviam direito. Isso erauma coisa trivial para a mente.Nas rodovias macias, Jasper nunca dirigiu o carro musculoso a menos decento e vinte milhas por hora. Ele parecia extremamente inconsciente doslimites de velocidade, mas nós não vimos nenhum carro de patrulha. As únicasparadas que fizemos durante a viagem monótona foram as duas vezes em queparamos pra reabastecer.Eu percebi à toa que Jasper entrou as duas vezes pra fazer o pagamento emdinheiro.O nascer do sol começou a aparecer quando estavamos em algum lugar aonorte da Califórnia. Eu observei com os olhos secos, ardendo, enquanto umaluz cinzenta começava a aparecer no céu sem nuvens.Eu estava exausta, mas o sono me iludia, minha mente estava muito cheia deimagens perturbadoras pra relaxar e ficar inconsciente. A expressão devastadade Charlie; o rugido brutal de Edward, com os dentes descobertos; o olharafiado nos olhos do perseguidor; a expressão vazia de Laurent; o olhar mortonos olhos de Edward depois que ele me beijou pela última vez... Elas eramcomo slides passando na frente dos meus olhos, os meus sentimentos sealternavam entre terror e desespero.Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse pra pegar comida pra mim.Mas eu balancei a minha cabeça, cansada, e disse com uma voz oca para elecontinuar dirigindo.Algumas horas depois, num subúrbio fora de Los Angeles, Alice falousuavemente com ele de novo e ele saiu da rodovia, fazendo soar meusprotestos febris. Um grande shopping era visível da estrada e ele dirigiunaquela direção, estacionando na garagem, embaixo do nível dosestacionamentos subterrâneos.- Fique com o carro - ela instruiu Jasper.- Você tem certeza? - Ele parecia apreensivo.- Eu não vejo ninguém aqui - ela disse. Ele balançou a cabeça, consentindo.Alice pegou minha mão e me tirou do carro. Ela segurou minha mão, memantendo próxima, ao seu lado, enquanto saíamos da garagem escura. Ela
  • 3. ficou à beira da garagem, ficando na sombra. Eu percebi como a pele delaparecia brilhar com a luz que refletia na calçada. O shopping estava lotado,muitos grupos de compradores passaram, alguns deles viraram as cabeçaspara nos ver passando. Nós caminhamos por baixo de uma ponte que cruzavado nível mais alto dos estacionamentos até o segundo andar de uma loja dedepartamentos, sempre nos mantendo fora dos caminhos da luz do sol.Quando estávamos do lado de dentro, embaixo das luzes fluorescentes da loja,Alice pareceu menos impressionante - somente uma garota com pele cor de gize olhos alertas, mas sombreados, e com o cabelo espetadinho. Os círculosembaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do que osdela.Nós ainda chamávamos a atenção de qualquer que olhasse para o nossocaminho. Eu me perguntei o que eles pensavam que estavam vendo. A Alicedelicada, dançante, com o seu estonteante rosto de anjo, vestida com tecidosleves, em cores pálidas que não se comparavam exatamente com o tom depele dela, de mãos dadas comigo, obviamente me guiando pelo caminho,enquanto eu cambaleava cansada nas minhas roupas que não ficavam bem,mas que eram caras, o meu cabelo embaraçado nas minhas costas.Alice me guiou diretamente para o centro alimentício.- O que você quer comer?O cheiro das comidas gordurosas fez o meu estômago revirar. Mas os olhos deAlice não estavam abertos a persuasão. Eu pedi um sanduíche de peru, sem omenor entusiasmo.- Eu posso ir ao banheiro? - eu perguntei enquanto nós íamos para a fila.- Tudo bem. - E ela mudou de direção, sem nunca soltar a minha mão.- Eu posso ir sozinha. - A atmosfera lotada do shopping me fez sentir maisnormal do que eu havia me sentido desde o jogo desastroso da noite do diaanterior.- Desculpa, Bella, mas Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, ese ele ver que eu deixei você sair de vista por um minuto... - Ela parou, semvontade de contemplar as conseqüências.Pelo menos ela esperou do lado de fora do banheiro lotado. Eu lavei o meurosto assim como as minhas mãos, ignorando os olhares assustados dasmulheres ao meu redor. Eu tentei passar os dedos pelos meus cabelos, mas eudesisti rapidamente. À porta, Alice pegou minha mão e nós caminhamoslentamente de volta para a fila da comida. Eu estava me arrastando, mas elanão pareceu impaciente comigo.Ela me observou comendo, devagar no início e depois mais rapidamentequando o meu apetite voltou. Eu bebi o refrigerante que ela me trouxe tãorapidamente que ela teve que me deixar por um momento - porém, sem tirar osolhos de cima de mim - pra pegar outro.- A comida que você come é definitivamente mais conveniente - ela comentouenquanto eu terminava. - Mas ela não parece muito divertida.- Caçar é mais excitante, eu imagino.- Eu não tenho idéia. - Ela meu um sorriso largo que mostrava todos os dentese várias cabeças se viraram na nossa direção.Depois de jogar o nosso lixo fora, ela me guiou pelos grandes corredores doshopping, os olhos dela brilhando de vez em quando em direção a algumacoisa que ela queria, me fazendo bater com ela a cada vez que ela parava. Elaparou por um momento numa loja cara para comprar três pares de óculosescuros, dois femininos e um masculino. Eu reparei quando o vendedor lançoua ela um olhar incrédulo quando ela lhe deu um cartão de crédito estranho,cheio de listras douradas. Ela encontrou uma loja de acessórios, na qual elacomprou uma escova e alguns elásticos.Ela não começou a trabalhar até que nós chegamos ao tipo de loja onde eununca tinha entrado, porque até o preço de um par de meias estaria fora dasminhas possibilidades.- Você deve ser tamanho dois. - Isso era uma afirmação, não uma pergunta.Ela me usou como burro de carga, me enchendo com uma pilha estonteante deroupas. De vez em quando eu a via pegando um tamanho extra-pequeno
  • 4. enquanto ela escolhia alguma coisa para si mesma.As roupas que ela escolhia para ela eram todas de materiais leves, massempre de mangas longas ou no comprimento dos calcanhares, que serviriampara cobrir a pele dela o máximo possível.A vendedora teve a mesma reação ao cartão de crédito estranho, se tornandomais servil e chamando Alice de "senhorita". No entanto, o nome que ela dissenão era familiar. Assim que estávamos fora do shopping de novo, com osbraços cheios com as nossas sacolas, das quais ela tinha a parte maior, euperguntei a ela sobre isso.- Do que ela te chamou?- O cartão de crédito diz Rachel Lee. Nós vamos ser muito cuidadosos paranão deixar nenhum tipo de pista para o perseguidor. Vamos trocar as suasroupas.Eu pensei nisso enquanto ela me guiava para os provadores, me puxando atéa parte mais livre para que eu tivesse espaço para me movimentar.Eu a ouvi procurando pelas sacolas, finalmente passando um vestido dealgodão azul para mim pela porta. Eu tirei agradecidamente os jeans muitolongos e muito apertados de Rosalie, tirei a blusa que ficava folgada noslugares errados em mim e passei de volta para ela pela porta. Ela mesurpreendeu me passando um par se sandálias de couro suave por baixo daporta, quando foi que ela comprou isso? O vestido ficou incrivelmente bem emmim, o corte caro ficava aparente pela forma com que ele se ajustava em mim.Enquanto eu saía da cabine, eu percebi que ela estava jogando as coisas deRosalie no lixo.- Fique com os seus tênis - ela disse. Eu os coloquei numa bolsa.Nós voltamos para a garagem. Alice chamou menos olhares dessa vez; elaestava tão coberta de sacolas que a pele dela mal estava visível.Jasper estava esperando. Ele escorregou pra fora do carro quando nós nosaproximamos - a mala estava aberta. Enquanto ele pegava as minhas sacolasprimeiro, ele olhou para Alice com um olhar mordaz.- Eu sabia que deveria ter ido junto - ele murmurou.- Sim - ela concordou. - Elas teriam te adorado no banheiro feminino.Ele não respondeu.Alice procurou rapidamente entre as sacolas dela antes de colocá-las na mala.Ela deu a Jasper um par de óculos, colocando um par nela mesma. Ela me deuo terceiro par e a escova. E ela puxou uma blusa fina, de mangas longas, deum preto transparente, colocando-a por cima da sua camiseta, deixando-aaberta. Finalmente, ela complementou com um chapéu de palha. Nela, a roupalarga parecia ter saído de uma passarela. Ela agarrou mais uma porção deroupas e, enrolando elas como uma bola, ela abriu a porta de trás e fez umtravesseiro no banco.- Você precisa dormir agora - ela ordenou firmemente. Eu me agacheiobedientemente no banco, encostando a minha cabeça imediatamente,virando-me de lado. Eu estava meio adormecida quando o carro ligou.- Você não deveria ter me comprado todas essas coisas - eu murmurei.- Não se preocupe com isso, Bella. Durma. - A voz dela estava tranqüila.- Obrigada. - Eu respirei e caí num cochilo intranqüilo.Foi a dor por ter dormido numa posição estranha que me acordou. Eu aindaestava exausta, mas repentinamente alerta quando eu me lembrei de onde euestava. Eu me sentei para ver o vale do sol aparecendo à minha frente; aslargas superfícies planas dos telhados, as palmeiras, rodovias, muita fumaça eas piscinas, abraçadas pelas curtas costas de pedra que nós chamávamos demontanhas. Eu fiquei surpresa por não sentir nenhum senso de alívio, só umaestridente saudade de casa pelos céus chuvosos e cercas verdes do lugar quehavia trazido Edward pra mim.Eu balancei a cabeça, tentando afastar a onda de desespero que ameaçavatomar conta de mim.Jasper e Alice estavam conversando, cientes, eu tinha certeza, de que euestava consciente de novo, mas eles não deram nenhum sinal.Suas vozes rápidas, suaves, eram uma alta onda de músicas ao meu redor. Eu
  • 5. entendi que eles estavam decidindo onde ficar.- Bella. - Alice se dirigiu a mim casualmente, como se eu já fosse parte daconversa. - Em que direção fica o aeroporto?- Fique na 1-10 - eu disse automaticamente. - Nós vamos passar direto por ele.Eu pensei por um momento; meu cérebro ainda estava nebuloso com o sono.- Vamos pegar um vôo pra algum lugar? - eu perguntei.- Não, mas é melhor ficar por perto, na dúvida. - Ela tirou seu telefone eaparentemente ligou para a central de informações. Ela falou mais devagar doque o normal, perguntando por hotéis que ficassem perto do aeroporto,concordando com as sugestões e depois pausando enquanto ela fazia outraligação. Ela fez reservas para uma semana em nome de Christian Bower,dizendo um número de cartão de crédito sem olhar pra um. Eu a ouvi repetindoas informações para o operador; eu tinha certeza de que ela não precisava deajuda com a memória dela. A visão do telefone me lembrou das minhasresponsabilidades.- Alice - eu disse, enquanto ela terminava. - Eu preciso ligar pro meu pai. -Minha voz estava sóbria. Ela me passou o telefone.Já era de tarde; eu estava esperando que ele estivesse no trabalho. Mas eleatendeu no primeiro toque. Eu vacilei, imaginando o rosto ansioso dele aotelefone.- Pai? - eu disse, hesitantemente.- Bella! Onde você está, querida? - Um forte alívio aparecia na voz dele.- Eu estou na estrada. - Eu não precisava contar que havia feito uma viagem detrês dias em uma noite.- Bella, você precisa voltar.- Eu preciso ir pra casa.- Querida, vamos falar sobre isso. Você não precisa ir embora só por causa deum garoto. - Ele estava sendo muito cuidadoso, eu podia notar.- Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar nas coisas e depois eu decido sevou voltar. Isso não tem nada a ver com você, ok? - A minha voz tremeulevemente. - Eu amo você, paizinho. O que quer que eu decida, eu te vejo embreve. Eu prometo.- Tudo bem, Bella. - A voz dele estava resignada. - Me ligue quando chegar emPhoenix. - Eu te ligo lá de casa, pai. Tchau.- Tchau, Bells. - Ele hesitou antes de desligar."Pelo menos eu já estava de bem com Charlie de novo", eu pensei enquantopassava o telefone de volta pra Alice. Ela me observou cuidadosamente, talvezesperando por outro colapso sentimental. Mas eu estava cansada demais.A cidade familiar passava voando por mim pelas janelas escuras. O trânsitoestava leve. Nós fizemos rapidamente o caminho até o centro da cidade edepois contornamos pelo norte do Sky Harbor Internacional, virando ao sul emTempe.Do outro lado do rio Salt River, a mais ou menos uma milha do aeroporto,Jasper saiu da estrada sob comando de Alice. Ela o direcionou facilmenteatravés das ruas até a entrada do Hilton, próximo ao aeroporto. Eu estavapensando em um motel, mas eu tinha certeza de que eles iam acabar com asminhas preocupações com dinheiro. Eles pareciam ter uma reserva infindável.Nós estacionamos na garagem com manobristas debaixo da sombra de umagrande árvore e dois atendentes se aproximaram rapidamente doimpressionante automóvel. Jasper e Alice saíram rapidamente, muito parecidoscom estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí estranhamente,rígida pelas horas que passei dentro do carro, me sentindo simples demais.Jasper abriu a mala e os obsequiosos empregados rapidamente pegaramnossas bolsas de compras e as colocaram num carrinho. Eles eram bemtreinados demais para se surpreenderem com a nossa falta de verdadeirabagagem.O carro estava bem frio dentro do seu interior escuro; sair à tarde em Phoenix,mesmo na sombra, era como enfiar a minha cabeça dentro de um fornoindustrial. Pela primeira vez naquele dia, eu me senti em casa.Jasper andou confiantemente pelo saguão vazio. Alice se manteve
  • 6. cuidadosamente ao meu lado, os atendentes nos acompanhandoansiosamente com as nossas coisas. Jasper se aproximou da mesa com seuar inconscientemente real. "Bower" foi tudo o que ele disse para a recepcionistacom aparência profissional. Ela rapidamente processou a informação, comapenas a menor das olhadas para o ídolo de cabelos dourados na frente dele eisso traiu sua profissionalidade. Nós fomos rapidamente guiados para a nossagrande suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só por puraconvencionalidade. Os atendentes colocaram eficientemente as nossas malasno chão, enquanto eu me sentava fracamente no sofá e Alice ia dançandoexaminar os outros quartos. Jasper apertou as mãos deles enquanto elessaíam, e o olhar que eles trocaram na saída foi mais que de satisfação - foi desoberba. E aí ficamos sozinhos.Jasper foi para as janelas, fechando as duas camadas de cortinasseguramente. Alice apareceu e derrubou um cardápio do serviço de quarto nomeu colo.- Peça alguma coisa - ela instruiu.- Eu estou bem - eu disse, boba.Ela me deu uma olhada obscura e pegou o cardápio de volta. Murmurando algosobre Edward, ela pegou o telefone.- Alice, sério - eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Eu coloquei a minhacabeça no braço do sofá e fechei os meus olhos.Uma batida na porta me acordou. Eu me levantei tão rápido que rolei do sofápara o chão e bati a minha testa na mesinha de café.- Ow - eu disse, confusa, esfregando a minha testa.Eu ouvi Jasper rir uma vez e olhei pra cima para vê-lo cobrindo a boca,tentando abafar o resto da sua diversão. Alice abriu a porta, pressionando oslábios firmemente, os cantos da boca dela se contorcendo.Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos. Era a minhacomida; o cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava ao meuredor. Alice carregou a bandeja com tanta maestria, como se ela tivesse sidogarçonete por anos, e a colocou na mesa aos meus joelhos.- Você precisa de proteína - ela explicou, levantando o globo prateado pararevelar um grande filé e uma escultura decorativa de batata. - Edward não vaificar feliz se o seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui.Eu tinha quase certeza de que ela estava brincando.Agora que eu conseguia cheirar a comida, eu estava com fome de novo. Eucomi rapidamente, sentindo a energia retornar enquanto os açúcares entravamno meu sistema sanguíneo. Alice e Jasper me ignoraram, assistindo o jornal econversando tão rapidamente e tão baixo que eu não consegui entender umasó palavra.Uma segunda batida soou na porta. Eu pulei, ficando de pé, cuidadosamenteevitando outro acidente com a bandeja meio vazia na mesinha de café.- Bella, você precisa se acalmar - Jasper disse, enquanto Alice atendia a porta.Uma camareira da equipe do hotel entregou a ela uma pequena sacola com alogo do Hilton e foi embora rapidamente. Alice a trouxe e entregou para mim.Eu a abri para encontrar uma escova de dente, pasta de dente e todas asoutras coisas necessárias que eu havia deixado na minha caminhonete. Aslágrimas pularam dos meus olhos.- Vocês são tão gentis comigo. - Eu olhei para Alice e depois para Jasper,emocionada. Eu me dei conta de que Jasper estava sendo anormalmentecuidadoso para não se aproximar de mim, então eu me surpreendi quando eleveio para o meu lado e passou o braço pelos meus ombros.- Você é parte do grupo agora - ele brincou, sorrindo calidamente. Eu senti umapesada lassitude passando pelo meu corpo, de repente minhas pálpebrasestavam pesadas demais pra segurar. - Muito súbito, Jasper - eu ouvi Alicedizer num tom torto. Seus braços frios e magros escorregaram por baixo dosmeus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas eu já estavaadormecida antes que ela me colocasse na cama.Era muito cedo quando eu acordei. Eu tinha dormido bem, sem sonhos, e euestava mais alerta do que geralmente ficava quando acordava. Estava escuro,
  • 7. mas havia flashes avermelhados de luz entrando por baixo da porta. Eu meinclinei para o lado da cama, tentando encontrar uma luminária na mesinha decabeceira. Uma luz se acendeu em cima da minha cabeça, eu fiquei asfixiada,e Alice estava lá, ajoelhada ao meu lado na cama, sua mão estava sobre a luzque era estupidamente instalada sobre a cabeceira da cama.- Desculpa - ela disse enquanto eu me jogava de volta no travesseiro, aliviada.- Jasper está certo - ela continuou. - Você precisa relaxar.- Bem, não diga isso a ele - eu murmurei. - Se ele tentar me relaxar mais ainda,eu vou entrar em coma.Ela gargalhou. - Você percebeu, né?- Se ele tivesse me atingido na cabeça com uma frigideira, teria sido menosóbvio.- Você precisa dormir. - Ela levantou os ombros, ainda sorrindo.- E agora eu preciso de um banho, eca! - Eu me dei conta de que ainda estavausando o vestido azul, que agora estava tão amassado quanto tinha o direitode estar. Minha boca estava com um gosto estranho.- Eu acho que você vai ficar com uma mancha na testa - ela mencionouenquanto eu ia para o banheiro.Depois que eu me limpei, eu me senti muito melhor. Eu vesti as roupas queAlice havia colocado em cima da cama para mim, uma blusa verde que pareciaser feita de seda, e shorts de linho cor de bronze.Eu me senti culpada por minhas roupas novas serem tão mais legais do que asoutras coisas que eu tinha deixado para trás.Foi bom finalmente fazer alguma coisa com o meu cabelo; os xampus do hoteleram de boa qualidade e o meu cabelo ficou brilhando de novo. Levou algumtempo pra secá-lo até que ele ficasse perfeitamente liso. Eu tinha a sensaçãode que não faríamos muita coisa hoje. Uma inspeção mais próxima no espelhorevelou uma mancha escura em cima da minha sobrancelha. Fabuloso.Quando eu finalmente apareci, havia luz aparecendo pelas beiradas dascortinas grossas. Alice e Jasper estavam sentados no sofá, olhandopacientemente para a TV quase muda. Havia uma nova bandeja de comida namesa. - Coma - Alice disse, apontando pra ela firmemente.Eu me sentei obedientemente no chão e comi sem reparar na comida. Eu nãogostava da expressão nos rostos de nenhum deles dois. Eles estavam quietosdemais. Eles assistiam a TV sem nunca desviar os olhos, mesmo quando oscomerciais estavam passando. Eu empurrei a bandeja, meu estômagoabruptamente inquieto. Agora Alice olhava para baixo, olhando para a bandejaquase cheia com um olhar de desgosto.- Qual é o problema, Alice? - eu perguntei, submissa.- Não há nada errado. - Ela me olhou com olhos grandes, honestos, nos quaiseu não acreditei nem por um segundo.- Bem, o que fazemos agora?- Nós esperamos Carlisle ligar.- E ele já devia ter ligado a essa hora? - Eu podia ver que estava meaproximando da verdade. Os olhos de Alice flutuaram de mim para o telefoneno topo da sua bolso de couro e depois de volta.- O que isso significa? - Minha voz tremeu e eu lutei para controlá-la. - Que eleainda não tenha ligado? - Isso só significa que eles ainda não têm nada paranos dizer. - Mas a voz dela estava uniforme demais, e de repente o ar ficoudifícil de respirar.- Bella - Jasper disse, numa voz suspeitosamente tranqüilizadora -, você nãotem com o que se preocupar. Você está completamente segura aqui.- Você acha que eu estou preocupada com isso? - eu perguntei, sem acreditar.- E o que mais há? - Ele também parecia surpreso. Ele devia sentir o teor dasminhas emoções, mas ele não conseguia ler as razões por trás delas.- Você ouviu o que Laurent disse. - Minha voz estava baixa, mas eles podiamme ouvir facilmente, é claro. - Ele disse que James é letal. E se alguma coisader errado e eles se separarem? E se alguma coisa acontecer com qualquerum deles? Carlisle, Emmett... Edward... - Eu engoli em seco. - E se a fêmeaselvagem machucar Rosalie ou Esme...? - Minha voz ficou mais alta, um tom
  • 8. de histeria começando a aparecer por trás dela. - Como é que eu vouconseguir viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocêsdevia estar se arriscando por mim- - Bella, Bella, pare - ele me interrompeu, aspalavras dele fluindo rapidamente. - Você está se preocupando com as coisaserradas, Bella. Confie em mim, nenhum de nós corre risco. Você estápassando por muito estresse com isso, não acrescente preocupaçõesdesnecessárias a tudo isso. Ouça - eu havia desviado o olhar -, nossa família éforte. O nosso único medo é perder você.- Mas por que vocês...? - Alice me interrompeu dessa vez, tocando a minhabochecha com os seus dedos frios.- Já faz quase um século que Edward tem estado sozinho. Agora ele encontrouvocê e a nossa família está inteira. Você acha que nós vamos querer olhar nosolhos dele pelos próximos cem anos se ele te perder?Minha culpa foi desaparecendo enquanto eu olhava para os olhos escurosdela. Mas, mesmo enquanto a calma se espalhava por mim, eu sabia que nãopodia confiar nos meus sentimentos quando Jasper estava presente.
  • 9. PARTES CORTADAS DO LIVROTWILIGHT - EMMETT E O URSO(Notas: Essa parte foi cortada do epílogo original. Mesmo que eu tenhaexplicado brevemente a história anterior de Emmett no capítulo 14, eurealmente sinto falta de não tê-la detalhado em suas próprias palavras.)Eu fiquei surpresa por encontrar um estranho parentesco crescendo entreEmmett e eu, especialmente já que um dia ele foi pra mim o mais assustadorde todos eles.Tudo tinha a ver com o modo como nós dois nos juntamos à família: nós doisfomos amados - e amamos em retorno - enquanto éramos humanos, apesar deter sido muito brevemente no caso dele.Apenas Emmett se lembrava - apenas ele realmente entendia o milagre queEdward representava para mim.Nós falamos sobre isso pela primeira vez numa noite, enquanto nós trêsficamos vadiando nos sofás claros da sala da frente, Emmett me deleitando emvoz baixa com memórias que eram melhor que contos de fadas, enquantoEdward se concentrava no canal de comidas - ele decidiu que precisavaaprender a cozinhar, para a minha descrença, e era difícil fazer isso sem osenso apropriado de gosto e cheiro.Afinal, havia uma coisa que ele não sabia fazer naturalmente. As suassobrancelhas perfeitas se estreitaram enquanto o chef famoso experimentavaoutro prato para testar o sabor. Eu reprimi um riso.- Naquela hora ele já havia acabado de brincar comigo e eu sabia que estavaprestes a morrer - Emmett se lembrou suavemente, finalizando as histórias dasua vida humana com a história do urso. Edward não prestava atenção em nós;ele já tinha ouvido isso antes. - Eu não conseguia me mexer e a minhaconsciência estava desaparecendo, e aí eu ouvi o que eu pensei ser outrourso, que ia lutar com outro para ficar com a minha carcaça, eu achei. Derepente, eu me senti como se estivesse voando. Eu achei que tivesse morrido,mas abri os meus olhos mesmo assim. E aí eu a vi. - O rosto dele estavaincrédulo com a memória, eu me identifiquei totalmente. - E eu sabia queestava morto. Eu nem me importei com a dor; eu lutei pra manter as pálpebrasabertas, eu não queria perder nem um segundo do rosto do meu anjo. Euestava delirando, é claro, me perguntando por que não havíamos chegado aocéu ainda, pensando que ele devia ser mais longe do que eu esperava. Eufiquei esperando-a levantar vôo. E aí ela me levou até Deus. - Ele deu suarisada profunda, estrondosa. Eu podia entender facilmente alguém que fizesseessa suposição. Eu pensei que o que aconteceu comigo a seguir era o meujulgamento. Eu tinha me divertido um pouco demais nos meus vinte anoshumanos, então eu não fiquei surpreso pelos fogos do inferno. Ele riu de novo,apesar de eu ter tremido; o braço de Edward se apertou ao meu redorinconscientemente.- O que me surpreendeu foi que meu anjo não foi embora. Eu não conseguiaentender como alguém tão lindo poderia ter permissão de ficar no infernocomigo, mas eu estava agradecido.Toda vez que Deus vinha me checar, eu ficava com medo de que ele fosselevá-la embora, mas ele nunca fez isso. Eu comecei a pensar que talvezaqueles pregadores que falavam do Deus misericordioso pudessem estarcertos no fim de tudo. E aí a dor foi embora... e eles me explicaram as coisas.Eles ficaram surpresos por ver como eu fiquei pouco perturbado com a coisade ser vampiro. Mas, se Carlisle e Rosalie, meu anjo, eram vampiros, nãopodia ser tão ruim.Eu balancei a cabeça, concordando completamente, enquanto ele continuou.- Eu tive um pouco mais de problemas com as regras... - Ele gargalhou. - Vocêencheu as mãos comigo no início, não foi? - O empurrão de brincadeira queEmmett deu nos ombros de Edward fez nós dois balançarmos. Edward bufou,sem tirar os olhos da TV. - Então, você vê, o inferno não é um lugar tão ruimquando você consegue manter um anjo com você - ele me assegurou
  • 10. travessamente. - Quando ele finalmente aceitar o inevitável, você vai ficar bem.O punho de Edward se moveu tão rapidamente que eu nem vi o que atingiuEmmett, fazendo-o voar por cima das costas do sofá. Os olhos de Edward nemsaíram da tela da TV.- Edward! - eu repreendi, horrorizada.- Não se preocupe com isso, Bella. - Emmett não estava agitado e estava devolta ao seu lugar. Ele olhou por mim para o perfil de Edward. - Você vai terque transformá-la, alguma hora - ele ameaçou. Edward simplesmente rosnouem resposta, sem olhar para cima.- Garotos! - a voz reprovadora de Esme chamou agudamente das escadas.
  • 11. PARTES CORTADAS DO LIVROtwilight - dia do baile (estendido)-Quando é que você vai contar o que tá acontecendo, Alice?""Você vai ver, seja paciente", ela ordenou, sorrindo diabolicamente.Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais trêssemanas e eu ia tirar o gesso da minha perna, e aí eu ia bater o pé no chãomuito firmemente sobre esse negócio de motoristas. Eu gostava de dirigir.Já era fim de Maio, e de alguma forma as terras ao redor de Forks encontraramum jeito de ficarem ainda mais verdes. Era lindo, é claro, e eu estava dealguma forma começando a me apegar com a floresta, na maior parte isso sedava ao fato de que eu passava muito mais tempo lá do que o normal. Nósainda não éramos exatamente amigos, a natureza e eu, mas estávamos nosaproximando.O céu estava cinza, mas isso era bem vindo também. Estava de um cinzaperolado, nem um pouco escuro, não estava chovendo, e quase estavaaquecido o suficiente pra mim. As nuvens eram grossas e seguras, o tipo denuvens que haviam se tornado um prazer pra mim, por causa da liberdade queelas garantiam.Mas apesar dos arredores agradáveis, eu estava me sentindo nervosa.Parcialmente por causa do comportamento estranho de Alice. Ela tinhaabsolutamente insistido em um dia de garotas nesse Sábado de manhã, medirigindo até Port Angeles pra que nós tivéssemos manicure e pedicure, serecusando a me deixar usar o tom claro de rosa que eu queria, ordenado aoinvés disso, que a manicure usasse um tom vermelho chamativo - chegando aoponto de querer que eu pintasse as unhas do meu pé que estava com o gesso.Aí ela me levou pra comprar sapatos, apesar de eu só poder experimentar umpé de cada par. Sob os meus estrênuos protestos, ela me comprou um par dossapatos mais impraticáveis, caros demais com um salto agulha - eram coisasque pareciam perigosas, seguros apenas por laços de fita grossos que secruzavam no meu pé e eram apertados num grande laço na parte de trás domeu calcanhar. Ele eram de um azul profundo, cor de jacinto, e eu tenteiexplicar em vão que não tinha nada pra usar com eles.Mesmo com o guarda-roupas embaraçosamente cheio de roupas que elacomprou pra mim em Los Angeles - a maioria delas muito finas pra eu usar emForks - eu tinha certeza de que não tinha nada desse tom. Mesmo se eutivesse alguma coisa desse tom no meu guarda-roupa, minhas roupas nãocombinavam muito bem com saltos agulha. Eu não combinava com saltosagulha - eu mal podia caminhar em segurança andando de meias. Mas a minhalógica inexpugnável foi desperdiçada com ela. Ela nem discutiu de volta."Bem, eles não são da Biviano, mas eles vão ter que servir", ela murmurouafobada, e depois não falou mais nada enquanto empurrava o seu cartão paraos empregados com cara de impressionados.Ela comprou o meu almoço pela janela em um drive thru de um fast food, medizendo que eu tinha que comer no carro, mas se recusando a me explicar oporque da pressa. Sem mais, no caminho de casa eu tive que lembrá-la váriasvezes que o meu carro não podia ter a performance de um carro esporte,mesmo com as modificações de Rosalie, e pra por favor dar uma folguinha ápobre coisa. Geralmente, Alice era a minha motorista favorita. Ela não seincomodava em ter que dirigir a apenas vinte ou trinta quilômetros acima doslimites de velocidade, do jeito que outras pessoas não pareciam ser capazesde fazer.Mas a agenda obviamente secreta de Alice era só a metade do problema, éclaro. Eu também estava pateticamente ansiosa porque eu já não via o rosto deEdward a quase seis horas e esse era um recorde nesses mais de dois meses.Charlie estava sendo difícil, mas não impossível. Ele estava acostumado ápresença constante de Edward quando ele voltava pra casa, e nada encontravanada do que reclamar quando nos via sentados na mesa da cozinha fazendo odever de casa - ele até parecia gostar da companhia de Edward quando osdois gritavam juntos assistindo os jogos da ESPN. Mas ele não havia perdido
  • 12. nem um pouco da sua consternação original quando ele segurava a porta praEdward sair precisamente as dez horas nas noites de semana.É claro, Charlie era completamente inconsciente da habilidade de Edward dedevolver seu carro a sua casa e entrar pela minha janela em dez minutos.Ele era muito mais agradável com Alice, ás vezes chegava a ser embaraçoso.Obviamente, até que eu tivesse o meu grosso gesso removido e trocado poralguma coisa mais manuseável, eu precisava da ajuda de uma mulher. Aliceera um anjo, uma irmã; toda noite e toda manhã ela aparecia pra me ajudarcom a minha rotina diária.Charlie estava enormemente agradecido por se livrar do horror de ter uma filhaquase adulta precisando de ajuda pra tomar banho - esse tipo de coisa estavamuito longe da sua zona de conforto, e da minha também, pra falar a verdade.Mas era por mais que gratidão que Charlie chamava ela de "Anjo" comoapelido, e observava ela com olhos fascinados enquanto ela dançava sorrindopela casa pequena, iluminando ela.Nenhum humano podia deixar de se sentir afetado com a sua fascinante belezae graça, e quando ela saia pela porta com um aficionado "Te vejo amanhã,Charlie", ela o deixava deslumbrado."Alice, nós vamos pra casa agora?", eu perguntei agora, nós dias entendendoque eu estava me referindo á casa branca perto do rio."Sim", ela sorriu, me conhecendo bem. "Mas Edward não está lá".Eu fiz uma carranca. "Onde ele está?""Ele tinha algumas incumbências a tratar"."Incumbências?", eu repeti vaziamente. "Alice", o meu tom se tornouimplorativo. "por favor me diga o que está acontecendo".Ela balançou a cabeça, ainda com um sorriso largo. "Eu estou me divertindodemais", ela explicou.Quando nós chegamos em casa, Alice me levou direto lá pra cima, para obanheiro que era do tamanho de um quarto. Eu me surpreendi por encontrarRosalie lá, esperando com um sorriso celestial, em pé atrás de uma cadeirabaixa, cor de rosa.Uma gigantesca fileira de ferramentas e produtos estava em cima da piacomprida. ?Sente", Alice comandou. Eu a levei em consideraçãocuidadosamente por um minuto, e depois, decidindo que ela estava preparadapra usar a força se fosse necessário, eu manquei até a cadeira e me senteicom toda a dignidade que pude. Rosalie imediatamente começou a pentear omeu cabelo."Eu não acho que você vá me dizer o porque de tudo isso", eu perguntei praela."Você pode me torturar", ela disse absolvida com o meu cabelo, "mas eu nuncavou falar". Rosalie segurou a minha cabeça na pia enquanto Alice esfregavaum shampoo na minha cabeça que tinha cheiro de menta e grapefruit. Aliceesfregou as mechas molhadas furiosamente com uma toalha, e depoisespalhou quase uma embalagem inteira de alguma coisa - isso tinha cheiro depepino - nas mechas úmidas e me enxugou de novo.Depois elas pentearam a bagunça rapidamente; o que quer que fosse a coisade pepino, aquilo fez o emaranhado se comportar. Eu posso querer compraruma coisa daquelas. Cada uma delas agarrou um secador e começou atrabalhar. Enquanto os minutos se passavam, e elas continuavam descobrindonovas mechas de cabelo molhado, os rostos delas começaram a aparentarficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente. Uma coisa que os vampirosnão podiam apressar."Ela tem muito cabelo", Rosalie comentou com uma voz ansiosa."Jasper!", Alice disse claramente, mas não alto, "Me traga outro secador decabelo!" Jasper veio resgatá-las, de alguma forma aparecendo com mais doissecadores, que ele apontou para a minha cabeça, profundamente divertido,enquanto elas continuavam com seus próprios trabalhos."Jasper..." Eu comecei esperançosamente."Desculpe, Bella. Eu não tenho permissão pra dizer nada".Ele escapou alegremente quando tudo já estava seco - e fofo. O meu cabelo
  • 13. estava uns três centímetros afastado da minha cabeça."O que vocês fizeram comigo?", eu perguntei horrorizada. Mas elas meignoraram, puxando uma caixa de rolinhos quentes.Eu tentei convencê-las de o meu cabelo não cacheava, mas elas meignoraram, colocando alguma coisa de um tom amarelo estranho em cada umadas mechas antes de enrrolá-las nos rolinhos quentes."Vocês encontraram sapatos?", Rosalie perguntou intensamente enquanto elastrabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância."Sim- eles são perfeitos", Alice ronronou de satisfação.Eu observei Rosalie pelo espelho, balançando a cabeça como se um enormepeso tivesse sido tirado dos seus ombros."Seu cabelo está legal", eu reparei. Não que ele não estivesse sempre perfeito- mas ela o tinha prendido pra cima essa tarde, criando uma coroa de cachosmacios dourados no topo da cabeça dela."Obrigada", ela sorriu. Elas haviam começado com a segunda leva de cachosagora. "O que você acha de maquiagem?", Alice perguntou."É um saco", eu ofereci. Elas me ignoraram."Ela não precisa de muita - a pele dela fica melhor limpa", Rosalie pensou."Porém, batom", Alice decidiu."E rímel, e delineador de olhos", Rosalie adicionou, "só um pouco".Eu suspirei alto, Alice riu. "Seja paciente, Bella. Nós estamos nos divertindo"."Bem, já que vocês estão", eu murmurei.Elas tinham prendido todos os cachos apertados e desconfortáveis na minhacabeça agora. "Vamos vesti-la". A voz de Alice estava alegre de antecipação.Ela não esperou que eu saísse do banheiro com as minhas próprias pernas. Aoinvés disso ela me pegou no colo e me levou até o quarto grande e branco deRosalie e Emmett. Na cama, havia um vestido. Azul cor de jacinto, é claro."O que você acha?", Alice chiou.Essa era uma boa pergunta. Ele era levemente frisado, aparentemente era praele ser usado bem abaixo dos ombros, com longas mangas decoradas que segrudavam nos pulsos. O alegre espartilho era decorado com outro tom, comflores pálidas, de jacinto azul, que se pregueavam pra formar uma fina linha nolado esquerdo.O material florido era longo nas costas, mas se abria na frente em cima devárias formas de cor de jacinto, que iam se tornando de um tom mais claroenquanto iam descendo mais."Alice", eu gemi. "Eu não posso usar isso!""Porque?", ela quis saber com uma voz dura."O top é completamente transparente!""Isso vai por baixo", Rosalie segurou uma peça completamente ominosa, deum azul pálido. "O que é isso?", eu perguntei temerosamente."É um corpete, bobinha", Alice disse, impaciente. "Agora você vai colocar isso,ou eu vou ter que chamar Jasper pra ele te segurar enquanto eu faço isso?",ela ameaçou."Era pra você ser minha amiga", eu acusei."Seja boazinha, Bella", ela suspirou, "Eu não me lembro de como é ser humanae eu estou me divertindo muito aqui. Além do mais, é pro seu próprio bem".Eu reclamei e corei muito, mas elas não levaram muito tempo pra me enfiar novestido. Eu tinha que admitir, o corpete tinha as suas vantagens."Uau", eu respirei, olhando pra baixo. "Eu tenho um colo"."Quem poderia ter adivinhado", Alice gargalhou, deliciada com o trabalho dela.No entanto, eu não estava completamente vendida."Você não acha que esse vestido é um pouco... eu não sei, avançado demais...pra Forks?", eu perguntei hesitantemente."Eu acho que as palavras que você está procurando são alta costura", Rosalieriu."Não é pra Forks, é pra Edward", Alice insistiu. "Está exatamente certo".Aí elas me levaram de volta para o banheiro, retirando os rolinhos com mãosvoadoras. Pra meu choque, cascatas de cachos foram caindo. Rosalie colocoua maior parte deles pra cima, cuidadosamente enrolando eles em anéis que
  • 14. fluíam com linhas grossas nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alicerapidamente pintava uma linha fina embaixo dos meus dois olhos, colocourímel, e espalhou batom vermelho cuidadosamente nos meus lábios. Aí elasaiu do banheiro e retornou prontamente com os meus sapatos."Perfeitos", Rosalie respirou quando Alice os segurou pra cima pra ela ver.Alice me calçou com o sapato mortal como se fosse uma expert, e aí olhoupara o meu gesso com especulação nos olhos."Eu acho que fizemos o que podíamos", ela balançou a cabeça tristemente. "Eunão acho que Carlisle nos deixaria...?", ela olhou pra Rosalie."Eu duvido", Rosalie respondeu secamente. Alice suspirou.Nessa hora as duas levantaram as cabeças."Ele está de volta". Eu sabia a qual ele elas se referiam, e eu senti vigorosasborboletas no meu estômago."Ele pode esperar. Há uma coisa mais importante", Alice disse firmemente. Elame levantou de novo - uma necessidade, eu tinha certeza de que nãoconseguiria andar com aquele sapato - e me carregou para o quarto dela, ondeela cuidadosamente me colocou na frente do seu espelho grande, largo, demulti faces."Ai", ela disse. "Está vendo?"Eu encarei a estranha no espelho. Ela parecia muito alta com o seu salto, coma longo, esbelta linha do vestido justo acrescentando á ilusão. O espartilhodecotado - onde a impressionante linha do busto captou a minha atenção denovo - fazia o pescoço dela parecer muito longo, assim como a longa linha decachos brilhantes nas costas dela. A cor de jacinto do tecido era perfeita,destacando a pele cor de marfim dela, e a cor rosada das bochechas coradasdela. Ela estava muito bonita, eu tinha que admitir."Ok, Alice", eu sorri. "Eu vejo"."Não se esqueça", ela ordenou.Ela me pegou de novo, e me carregou até o topo das escadas."Se vire e feche os olhos!", ela ordenou escada abaixo. "E fique fora da minhacabeça - não arruíne tudo".Ela hesitou, caminhando mais devagar do que de costume enquanto descia asescadas até que ela pôde ver que ele havia obedecido. E aí ela voou pelo restodo caminho. Edward estava na porta, virado de costas pra nós, muito alto eescuro - eu nunca tinha visto ele de preto antes. Alice me colocou de pé,alisando o franzido do meu vestido, colocando os cachos no lugar, e aí ela medeixou lá, indo se sentar no banco do piano pra observar. Rosalie seguiu pra sesentar com ela na platéia.?Posso olhar?" A voz dele estava intensa com a antecipação - isso fez meucoração bater descompassadamente."Sim... agora", Alice dirigiu.Ele se virou imediatamente, e ficou congelado no lugar, seus olhos de topáziopareciam líquidos. Eu podia sentir o calor subindo no meu pescoço e sealojando nas minhas bochechas. Ele estava tão lindo; eu senti uma pontada domedo antigo, que ele fosse só um sonho, que ele não podia ser real. Ele estavausando um smoking, e ele pertencia a uma tela de cinema, não ao meu lado.Eu olhei pra ele com uma descrença fascinada.Ele caminhou lentamente na minha direção, hesitando a um passo quandochegou perto de mim."Alice, Rosalie... obrigado", ele respirou sem tirar os olhos de mim. Eu ouviAlice gargalhar de prazer.Ele se aproximou, colocando uma mão embaixo da minha mandíbula, e seaproximando pra pressionar seus lábios na minha garganta."É você", ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e haviam floresbrancas na sua outra mão."Frísia", ele me informou enquanto as prendia nos meus cachos."Completamente redundante, em se tratando de fragrância, é claro". Ele seinclinou novamente, me olhando de novo. Ele deu o seu sorriso de fazer ocoração parar. "Você está absurdamente linda". "Você roubou a minha fala", eumantive a minha voz o mais suave que consegui. "Bem quando eu consigo me
  • 15. convencer de que você é real, você aparece desse jeito e eu estou com medode que esteja sonhando de novo".Ele me puxou rapidamente pros seus braços. Ele me segurou bem próximo aoseu rosto, seus olhos em chamas quando ele me puxou ainda mais pra perto."Cuidado com o batom!", Alice comandou.Ele sorriu rebeliosamente, mas baixou sua boca para o vão na minha clavícula."Você está pronta pra ir?", ele perguntou."Alguém vai me contar que ocasião é essa?"Ele sorriu de novo, olhando por cima do ombro para as irmãs. "Ela nãoadivinhou?" "Não", Alice gargalhou. Edward riu deliciosamente. Eu dei um olharzangado."O que é que eu estou perdendo?"?Não se preocupe,você vai descobrir logo logo", ele me assegurou."Coloque ela no chão, Edward, pra que eu possa tirar uma foto", Esme estavadescendo as escadas com uma câmera prateada nas mãos."Fotos?", eu murmurei, enquanto ele me colocava cuidadosamente de pé nomeu pé bom. Eu estava com um mal pressentimento sobre isso. "Você vaiaparecer no filme?" eu perguntei sarcasticamente.Ele sorriu pra mim.Esme tirou várias fotos de nós, até que Edward sorrindo insistiu que íamos nosatrasar."A gente se vê mais tarde", Alice disse enquanto ele me carregava pela porta."Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja?" eu me senti um pouco melhor."E Jasper, e Emmett, e Rosalie".Minha testa se enrugou de concentração enquanto eu tentava deduzir osegredo. Ele achou graça da minha expressão."Bella", Esme me chamou. "Seu pai está no telefone"."Charlie?" Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe otelefone, mas ele o agarrou quando ela tentou passá-lo pra mim, me segurandosem esforço com um braço só. "Ei!", eu protestei, mas ele já estava falando."Charlie? Sou eu. Qual é o problema?" Ele parecia preocupado. Meu rostoempalideceu. Mas depois a expressão dele ficou divertida e depois perversa."Dê o telefone pra ele, Charlie - deixe que eu fale com ele" O que quer queestivesse acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais pra queCharlie estivesse em algum tipo de perigo. Eu relaxei um pouco."Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen", a voz dele estava amigável, na superfície.Eu o conhecia bem o suficiente pra identificar o leve tom de ameaça. O que éque Tyler estava fazendo na minha casa? A horrível verdade começou adescer em mim."Eu lamento se houve algum mal entendido, mas Bella não está disponívelessa noite", o tom de Edward mudou, e a ameaça na voz dele estavarepentinamente mais evidente enquanto ele falava. "Pra ser perfeitamentehonesto, ela vai estar indisponível todas as noites, em se tratando de alguémque não seja eu mesmo. Sem ofensa. Eu lamento pela sua noite" Ele nãoparecia lamentar nem um pouco. Depois ele fechou o telefone, com um enormesorriso no rosto."Você está me levando pra o baile!", eu acusei furiosamente. O meu rosto emeu pescoço ficaram ruivos de raiva. Eu podia sentir a raiva enchendo osmeus olhos de lágrimas.Ele não estava esperando a força da minha reação, isso estava claro. Elepressionou seus lábios e seus olhos escureceram."Não seja difícil, Bella"."Bella, nós todos estamos indo", Alice encorajou, repentinamente no meuombro."Porque você está fazendo isso comigo?", eu quis saber."Vai ser divertido", Alice ainda estava brilhantemente otimista.Mas Edward se curvou pra murmurar no meu ouvido, sua voz aveludadaestava séria. "Só se é humano uma vez, Bella. Me distraia".Aí ele virou a força total dos seus olhos dourados pra mim, fazendo a minharesistência derreter no calor deles.
  • 16. "Tá bom", eu fiz biquinho, incapaz de encará-lo com tanta eficiência como euteria gostado. "Eu vou quietinha. Mas você vai ver". Eu avisei mal humorada."Essa é a má sorte com a qual você esteve se preocupando. Provavelmente euvou quebrar a minha outra perna. Olhe pra esse sapato! É uma armadilhamortal!" eu levantei minha perna pra provar."Hmmm", ele olhou para a minha perna por mais tempo do que era necessário,e depois olhou pra Alice com os olhos brilhando. "De novo, obrigado"."Vocês vão se atrasar pra o Charlie", Esme lembrou ele."Tudo bem, vamos lá", ele me levou pela porta."Charlie está envolvido nisso?", eu perguntei com os dentes trincados."É claro", ele deu um sorriso largo.Eu estava preocupada, então eu não reparei antes. Eu estava apenasvagamente consciente de um carro prateado, e eu presumiu que fosse o Volvo.Mas aí ele se abaixou tanto pra me colocar dentro dele que eu pensei que eleia me sentar no chão."O que é isso?" Eu perguntei, surpresa por me encontrar dentro de umconversível estranho. ?Onde está o Volvo???O Volvo é o meu carro de todo dia", ele me disse cuidadosamente, com medoque eu tivesse outro chilique. "Esse é um carro pra ocasiões especiais"."O que Charlie vai pensar?" Eu balancei a minha cabeça desaprovandoenquanto ele entrava e ligava o motor. Ele ronronou."Oh, a maior parte da população de Forks acha que Carlisle é um ávidocolecionador de carro", ele acelerou pela floresta em direção á estrada."E ele não é?""Não, esse é mais o meu passatempo. Rosalie coleciona carros também, masela prefere brincar com seus interiores do que andar neles. Ela fez um montede modificações nesse aqui pra mim".Eu ainda estava me perguntando porque estávamos voltando para a casa deCharlie quando nós paramos na frente dela.A luz da varanda estava acesa, apesar de não estar completamente escuroainda. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelasagora. Eu comecei a corar, imaginando qual seria a primeira reação do meu paiao ver um vestido similar ao que eu estava usando.Edward andou pela frente do carro, devagar pra ele, pra abrir a porta pra mim -confirmando as minhas suspeitas de que Charlie estava observando.Então, enquanto Edward estava me tirando do pequeno carro, Charlie - muitodescaracteristicamente - veio nos receber no quintal. Minhas bochechasqueimaram; Edward percebeu e olhou pra mim questionando. Mas eu nãoprecisava ter me preocupado. Charlie nem olhou pra mim."É um Aston Martin?", ele perguntou com uma voz reverencial."Sim - o Vanquish" Os cantos da boca dele se contorceram, mas ele secontrolou.Charlie soltou um assobio baixinho."Quer dar uma chance a ele?" Edward levantou a chave.Os olhos de Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou pra Edward semacreditar - iluminado por uma pontada de esperança."Não", ele disse relutante. "O que o seu pai iria dizer?""Carlisle não vai se importar nem um pouco" Edward disse sinceramente,sorrindo. "Vá em frente". Ele pressionou a chave na mão ansiosa de Charlie."Bem, só uma voltinha rápida..."Charlie já estava alisando a maçaneta com uma das mãos.Edward me ajudou a ir tropeçando até a porta, me pegando no colo assim queestávamos do lado de dentro, e me carregando até a cozinha."Isso funcionou bem", eu disse. "Ele nem teve uma chance de enlouquecer porcausa do vestido".Edward piscou, "Eu não tinha pensado nisso", ele admitiu. Os olhos deleanalisaram o meu vestido de novo com uma expressão crítica. "Eu acho que ébom nós não estarmos na caminhonete, seja ela um clássico ou não".Eu tirei os olhos do rosto dele sem vontade por tempo suficiente pra perceberque a cozinha estava estranhamente escura.
  • 17. Haviam velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas altas, brancas.A mesa velha estava escondida por uma toalha longa, branca, assim como asduas cadeiras. "Foi nisso que você esteve trabalhando hoje?""Não - isso só levou meio segundo. Foi a comida que levou o dia inteiro. Eu seique você acha que restaurantes chiques são subjugadores, não que existammuitos restaurantes que se encaixem nessa categoria aqui, mas eu decidi quevocê não podia reclamar da sua própria cozinha".Ele me sentou em uma das cadeiras cobertas de branco, e começou a tirarcoisas do forno e da geladeira. Eu percebi que só havia um lugar posto."Você não vai alimentar Charlie também? Ele vai ter que voltar pra casaalguma hora". "Charlie não agüentaria comer mais nada - que você acha queexperimentou tudo pra mim? Eu tinha que ter certeza de que estavacomestível". Ele colocou um prato na minha frente, cheio de coisa quepareciam muito comestíveis.Eu suspirei."Você ainda está com raiva?" Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesapra poder se sentar perto de mim."Não. Bem, sim, mas não exatamente nesse momento. Eu só estava pensando- lá se vai, a única coisa que eu sabia fazer melhor do que você. Isso pareceótimo" eu suspirei de novo. Ele gargalhou. "Você ainda não experimentou - sejaotimista, talvez esteja horrível?. Eu dei uma mordida, pausei, e fiz uma careta."Está horrível?", ele perguntou, chocado."Não, está fabuloso, naturalmente".Isso é um alívio", ele sorriu, tão lindo. "Não fique preocupada, ainda tem muitasoutras coisas que você faz melhor"."Diga só uma".Ele não respondeu no início, ele só passou levemente o seu dedo gelado nalinha do meu osso da clavícula, me olhando nos olhos até que eu senti a minhapele queimar e ficar vermelha."Há isso", ele murmurou, tocando o rubor nas minhas bochechas. "Eu nunca víalguém corar tão bem quanto você"."Maravilhoso", eu fiz uma carranca. "Reações involuntárias - uma coisa da qualeu posso me orgulhar"."Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço"."Corajosa?", eu zombei."Você passa todo o seu tempo cercada de vampiros; isso requer alguns nervos.E você não hesita em se colocar em perigosa proximidade dos meus dentes..."Eu balancei a minha cabeça. "Eu sabia que você não ia encontrar nada".Ele riu. "Eu estou falando sério, sabe. Mas não importa. Coma". Ele pegou ogarfo de mim, impaciente, e começou a me dar a comida na boca. A comidaestava perfeita, é claro.Charlie chegou quando eu estava quase terminando. Eu observei o rosto delecuidadosamente, mas a minha sorte estava com tudo, ele estava muitodeslumbrado com o carro pra reparar em como eu estava vestida. Ele jogou aschaves de volta pra Edward."Obrigado, Edward", ele disse sonhador. "Aquele sim é um carro"."De nada"."Como é que foi?" Charlie olhou pro meu prato vazio. "Perfeito", eu suspirei."Sabe, Bella, eu acho que você devia deixar ele praticar cozinhar pra gente denovo uma hora dessas", ele sugeriu.Eu dei uma olhada obscura pra Edward. "Eu tenho certeza que ele vem, pai".Não foi até que chegássemos na porta que Charlie acordou completamente.Charlie estava com o braço na minha cintura, pra me equilibrar e me apoiar,enquanto eu mancava no sapato instável."Umm, você pare... bem adulta, Bella", eu podia ouvir o início das suasdesaprovações de pai aparecendo."Alice me vestiu. Eu não tive a oportunidade de dizer muita coisa". Edward riutão baixo que só eu pude ouvir."Bem, se Alice..." ele parou, um pouco maleável. "Você está bonita, Bells", elepausou, com um leve brilho nos olhos. "Então, será que eu devo esperar mais
  • 18. jovens de smoking aparecendo por aqui essa noite?"Eu gemi e Edward riu silenciosamente. Como alguém podia ser tão cego comoTyler, eu não podia saber. Não era como se Edward e eu fizéssemos segredona escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele meio que mecarregava até as salas de aula, eu me sentava com ele e sua família todos osdias no almoço, e ele também não era muito tímido em relação a me beijar nafrente de testemunhas. Tyler claramente precisava de ajuda profissional."Eu espero que sim", Edward sorriu pro meu pai. "A geladeira está cheia desobras - diga pra eles se sentirem á vontade"."Eu acho que não - elas são minhas", Charlie murmurou."Pergunte os nomes por mim, Charlie", o traço de ameaça na voz deleprovavelmente só era audível pra mim."Oh, já basta!", eu ordenei.Graças á Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.
  • 19. PARTES CORTADAS DO LIVRO LUA NOVALua Nova - NARCÓTICOSVocê irá reconhecer essa cena do final do Capitulo Dois de Lua Nova. Somentealgumas falas são diferentes. No primeiro rascunho, Carlisle deu a Bellamedicamentos para a dor de seus ferimentos e ela teve uma reação poucocomum.Porque esse ponto de vista/ângulo foi cortado? Primeiro, meus editoresacharam que o humor/temperamento/clima estava errado (eu tento fazer piadade tudo, eles tentam me conter). Segundo, eles não acharam que a reação deBella era realística. A piada está neles, porque essa historia é baseada em umaexperiência real de vida (não minha, dessa vez).Desmoronei no meu travesseiro, respirando profundamente, minha cabeçagirando. Meu braço não doía mais, mas eu não sabia se era devido aosmedicamentos ou ao beijo. Puxava alguma coisa pela minha memória, evasiva,pelas beiradas...“Me desculpa” ele disse, e também estava ofegante. “Isso passou dos limites”Para minha própria surpresa, eu sorri. “Você é engraçado,” Eu murmurei e sorrinovamente.Ele ergueu as sobrancelhas para mim na escuridão. Ele parecia tão sério. Eraengraçado.Cobri minha boca para esconder a risada e Charlie não ouvir.“Bella, você alguma vez já tomou Percocet?”“Eu acho que não,” Eu sorri. “Por que?”Ele rolou os olhos e eu não conseguia parar de rir.“Como está seu braço?”“Eu não o sinto. Ele ainda está aqui?”Ele suspirou, eu ainda sorria. “Tente dormir, Bella.”“Não, eu quero que você me beije de novo.”“Você está superestimando meu auto-controle.”Eu bufei “O que está te perturbando mais, meu sangue ou meu corpo?” Minhapergunta me fez rir.“É apertado.” Ele deu um breve sorriso, a despeito de si mesmo. “Nunca tinhate visto drogada. Você é bastante divertida.”“Eu não estou alta/drogada.” Eu tentei abafar os risos para provar.“Vá dormir.”, ele sugeriu.Eu percebi que estava fazendo papel de boba, o que não era incomum, masmesmo assim vergonhoso, então tentei seguir seu conselho. Eu descanseiminha cabeça em seu ombro novamente e fechei meus olhos. Hora ou outra osrisos escapavam. Mas isso se tornou menos freqüente a medida que omedicamento me levava a adormecer.Eu me sentia absolutamente horrível pela manhã. Meu braço queimava eminha cabeça doía. Edward disse que eu estava de ressaca e recomendouTylenol ao invés de Percocet antes de beijar minha testa rapidamente e pularpela janela. Percebi que seu rosto estava sem expressão e distante. Eu estavacom tanto medo das conclusões que ele possa ter tirado durante a noiteenquanto ele me via dormindo. A ansiedade parecia aumentar a intensidade dobarulho em minha cabeça.Tomei uma dose dupla de Tylenol, jogando o pequeno frasco de Percocet nalixeira do banheiro.
  • 20. PARTES CORTADAS DO LIVROnew moon - Epílogo - HumanoEsse era um daqueles raros dias ensolarados, o meu tipo menos favorito dedia. Mas Edward não podia cumprir a promessa dele a cada minuto. Ele tinhanecessidades.-Alice podia ficar de novo-, ele ofereceu, tarde na sexta a noite. Eu podia ver aansiedade por trás de seus olhos ? o medo de que eu fosse enlouquecerquando ele me deixasse sozinha e fosse fazer alguma coisa louca. Comorecuperar a minha moto de La Push, ou brincar de roleta Russa com a pistolade Charlie.-Eu vou ficar bem-, eu disse, com uma falsa confiança. Tantos meses dementiras haviam aprimorado as minhas habilidades de enganar. -Vocês todosprecisam comer também. Nós podemos muito bem voltar à nossa rotina-.Quase tudo estava de volta ao normal, em menos tempo do que eu teriaacreditado que fosse possível. O hospital havia recebido Carlisle de volta combraços ansiosos, sem nem sequer se incomodar em ouvir a mentira delessobre Esme ter achado a vida de Los Angeles de muito pouco gosto. Graçasao teste de Cálculo que eu perdi enquanto estava no exterior, Alice e Edwardestavam em melhor forma pra se formarem do que eu estava no momento.Charlie não estava feliz comigo ? nem falando com Edward ? mas pelo menosEdward já podia entrar na casa de novo. Só que eu não podia sair dela.-De qualquer forma, eu tenho todos esses ensaios pra escrever-, eu suspirei,acenando na direção da pilha de inscrições pra faculdade ? Edward haviaarrumado uma de todas as faculdades satisfatórias que ainda estivessem como prazo aberto ? na minha mesa. -Eu não preciso de distrações-.-Isso é verdade-, ele disse com severidade de brincadeira. -Você tem muitascoisas pra te manter ocupada. E eu vou voltar quando estiver escuronovamente-.-Pode demorar-, eu o disse levemente, e fechei meus olhos como se estivessecansada. Eu estava tentando convence-lo de que acreditava nele, o que eraverdade. Ele não precisava saber sobre os pesadelos de zumbis. Eles não setratavam de não confiar nele ? era comigo mesma que eu não podia contar.Charlie ficou em casa, que não era normal para um sábado à noite. Eutrabalhei nas inscrições na mesa da cozinha, pra que ele pudesse manter umolho em mim com mais facilidade. Mas eu estava cansada de ver, e eleraramente deixava a TV pra vir ver se eu ainda estava lá.Eu tentei me concentrar nos formulários e perguntas, mas era difícil. De vez emquando eu me sentia solitária; a minha respiração espetava e eu tinha que lutarpra me acalmar. Eu me senti como um pequeno motor que podia ? de novo ede novo eu tive que dizer a mim mesma, você pode fazer isso, você pode fazerisso, você pode fazer isso.Então, quando a campainha da porta tocou, a distração foi mais que bemvinda.Eu não tinha idéia de quem pudesse ser, mas eu não me importava deverdade.-Eu atendo!- eu me apressei, me levantando da mesa num flash.-Okay-, Charlie disse ausentemente. Enquanto eu passava apressada pela salade estar, ficou claro que ele não tinha se movimentado um centímetro.Eu já estava com um sorriso de alívio e boas-vindas no meu rosto, pronta prafascinar os vendedores de porta em porta das Testemunhas de Jeová.
  • 21. PARTES CORTADAS DO LIVRONew Moon – Bolsa de EstudosEssa é a maior seção que eu cortei de New Moon; é a maior parte do capítuloseis original (?Declaração?, naquela época), além de sete cenas curtas quecontinuam o enredo de -bolsa de estudos? no romance, e até o final dele. Euachava que ele era meio engraçado, mas os meus editores discordaram. Elanão era necessária, então foi sacrificada no altar da edição.Cena um: o dia depois que Bella vai ao filme de zumbi com Jessica.Eu ainda sentia saudade de Phoenix em raras ocasiões, quando eraprovocada. Agora, por exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal deForks para depositar meu chegue de pagamento. O que eu não daria pelaconveniência de um caixa-automático drive in. Ou pelo menos, a anonimidadede um estranho do outro lado da mesa.“Boa tarde, Bella”, a mãe de Jessica me saudou.“Oi, Sra. Stanley”.“É tão bom que você pode sair com Jessica na noite passada. Já fazia tantotempo.”Ela fez um barulhinho com a língua para mim, sorrindo para tornar o somamigável. Alguma coisa na minha expressão devia estar desligada, porque osorriso endureceu de repente, e ela passou a mão nervosamente pelo cabelo,onde ela ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão encaracolado quantoo de Jéssica, e ela pôs laquê até que ele ficasse arrumado em um monte durode anéis rígidos.Eu sorri de volta, me dando conta de que estava um segundo atrasada. O meutempo para reações estava enferrujado.“É”, eu disse, no que eu esperava que fosse um tom sociável. “Eu estive muitoocupada, sabe. Escola... trabalho...” Eu lutei pra pensar em alguma outra coisapra adicionar á minha lista curta, mas não encontrei nada.“Claro”, ela sorriu mais calidamente, provavelmente feliz por minha respostaparecer normal e bem-ajustada.De repente me ocorreu que eu podia não estar apenas brincando comigomesma quando pensei no motivo por trás do sorriso dela. Quem sabe o queJessica contou a ela sobre a noite passada. O que quer que tenha sido, não foicompletamente falso. Eu era a filha da ex-excêntrica de Charlie – insanidadepode ser genética. Antiga associada aos esquisitões de Forks; eu pulei essaparte rapidamente, me encolhendo. Recente vítima de um coma ambulante. Eudecidi que esse era um argumento bastante bom para a minha loucura, semnem sequer contar as vozes que eu ouvia agora, e eu me perguntei se a Sra.Stanley realmente pensava isso.Ela deve ter visto a especulação nos meus olhos. Ela desviou o olharrapidamente, olhando para as janelas atrás de mim.“Trabalho”, eu repeti, chamando a atenção dela de volta enquanto colocavameu cheque em cima do balcão. “Que é porque eu estou aqui, é claro”.Ela sorriu de novo. O batom dela estava rachando enquanto o dia progredia, eestava claro que ela havia desenhado os lábios muito mais cheios do que eleseram na realidade.“Como estão as coisas no Newton’s?” ela perguntou brilhantemente.“Bem. A temporada está começando”, e disse automaticamente, apesar de queela dirigia pelo estacionamento do Pacific Outfitter’s todo dia – ela teria visto oscarros que não eram conhecidos. Ela provavelmente sabia mais sobre asquedas e os aumentos no ramo dos mochileiros do que eu.Ela balançou a cabeça ausentemente enquanto olhava para as teclas docomputador na frente dela. Meus olhos passearam pelo balcão marrom escuro,com as suas linhas muito “anos-setenta” de laranja brilhante rodeando asbordas. As paredes e o carpete haviam sido atualizados para um tom maisneutro de cinza, mas o balcão denunciava a decoração original do prédio.
  • 22. “Hmmm”, o murmúrio da Sra. Stanley foi um guincho mais alto do que onormal. Eu olhei de volta pra ela, apenas meio interessada, me perguntando sehavia uma aranha em cima da mesa que havia assustado ela.Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Agora osdedos dela estavam imóveis, a expressão dela estava surpresa edesconfortável. Eu esperei mas ela não disse mais nada.“Há algo errado?” Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?“Não, não”, ela murmurou rapidamente, olhando para mim com um estranhobrilho nos olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Aquilome fez lembrar de Jessica quando ela tinha alguma nova fofoca que estavamorrendo pra dividir.‘Você gostaria de imprimir o seu saldo?” A Sra. Newton perguntouansiosamente. Isso não era meu hábito – minha conta crescia tão lentamenteque não era difícil fazer os cálculos na minha cabeça. Mas a mudança de tomdela me deixou curiosa. O que havia na tela do computador que fascinou ela?“Claro”, eu concordei.Ela bateu numa tecla, e a impressora rapidamente cuspiu o curto documento.“Aqui está”. Ela arrancou o papel com tanta gana que ele se partiu no meio.“Oops, eu lamento por isso”. Ela passou o olhar por cima da mesa, semencontrar o meu olhar curioso, até que ela encontrou um rolo de fita adesiva.Ela grudou os dois pedaços de papel e o atirou pra mim.“Er, obrigada”, eu murmurei. Com a folha na mão, eu me virei e caminhei paraa porta da frente, dando uma olhada para ver se eu descobria qual era oproblema da Sra. Stanley.Eu achava que a minha conta devia estar e torno de mil quinhentos e trinta ecinco dólares. Eu estava errada, eram trinta e seis dólares e cinqüentacentavos, e não trinta e cinco.E também haviam vinte mil dólares extras.Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava vintemil dólares mais alta antes do meu depósito de hoje, que havia sido depositadocorretamente.Por um breve minuto eu considerei a idéia de fechar a minha contaimediatamente. Mas, suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra.Stanley estava esperando com olhos brilhantes, interessados.“Há algum tipo de erro com o computador, Sra. Stanley”, eu disse a ela,entregando o pedaço de papel de volta pra ela. “Deveriam haver apenas milquinhentos e trinta e seis e cinqüenta centavos.”Ela sorriu conspiradoramente. “Eu achei que parecia um pouco estranho”.“Só nos meus sonhos, né?” Eu ri de volta, impressionando a mim mesma coma normalidade do meu tom.Ela digitou bruscamente.“Eu vejo o problema aqui... a três semanas atrás aparece um depósito de vintemil dólares feito por... hmmm, pelo que parece foi outro banco. Eu imagino queeles tenham colocado os números errados.”“Quantos problemas eu vou ter se fizer um saque?” Eu brinquei.Ela gargalhou ausentemente enquanto continuava a digitar.“Hmmm”, ela disse de novo, a testa dela enrugando em três buracos fundos.“Parece que foi uma transferência de outro estado. Nós não recebemos muitasdessas. Quer saber? Eu vou fazer a Sra. Gerandy dar uma olhada nisso...” Avoz dela foi desaparecendo enquanto ela se virava pra longe do computador, opescoço dela se curvando para olhar pela porta aberta atrás dela.“Charlotte, você está ocupada?” ela chamou.Não houve resposta. A Sra. Stanley entendeu isso e caminhou rapidamentepara a porta traseira onde os escritórios deviam ser.Eu procurei por ela por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e olheiausentemente pelas janelas da frente, olhando a chuva caindo nos vidros. Achuva corria em correntes imprevisíveis, ás vezes descendo torta, por causa dovento. Eu não prestei atenção no tempo enquanto esperava. Eu tentei deixar aminha mente flutuar em branco, pensando em nada, mas eu não parecia sercapaz de voltar aquele estado de semi-consciência.
  • 23. Eventualmente eu ouvi vozes atrás de mim de novo. Eu me virei pra ver a Sra.Stanley e a esposa do Dr. Gerandy entrando na sala da frente com o mesmosorriso educado nos seus rostos.“Desculpa por isso, Bella”, a Sra. Gerandy. “Eu devo ser capaz de dar um jeitonisso com um telefonema bem rápido. Você pode esperar se quiser”. Ela fezum gesto para uma fileira de cadeiras de madeiras contra uma parede. Pareciaque elas pertenciam a sala de jantar de alguém.“Okay”, eu concordei. Eu caminhei até as cadeiras e me sentei bem no meio,de repente desejando ter um livro. Já fazia algum tempo que eu não lia, fora daescola. E mesmo assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte docurrículo, eu trapaceava com sinopses. Era um alivio estar trabalhando comAnimal Farm agora. Mas tinham que haver outros livros seguros. Aventuraspolíticas. Mistérios de assassinatos. Assassinatos violentos não eramproblema; contanto que não houvesse nenhum enredo romântico chorosoenvolvido.Levou tempo suficiente pra eu ficar irritada. Eu estava cansada de olhar para asala cinzenta chata, sem nenhum quadro para aliviar as paredes vazias. Eunão conseguia ver a Sra. Stanley enquanto ela remexia uma pilha de papéis,parando de vez em quando para dar entrada em alguma coisa no computador– ela olhou pra mim uma vez, e quando encontrou meu olhar ela pareceudesconfortável e derrubou um arquivo. Eu podia ouvir a voz da Sra. Gerandy,um murmúrio fraco vindo da sala traseira, mas não era claro o suficiente prame dizer nada, além de que ela tinha mentido em relação ao tempo necessáriona ligação. Havia um limite de tempo no qual se podia esperar que uma pessoaficasse com a mente em branco, e se aquilo não acabasse logo, eu não ia sercapaz de evitar. Eu ia ter que pensar. Eu entrei em pânico silenciosamente,tentando imaginar um assunto seguro pra pensar.Eu fui salva pela reaparição da Sra. Gerandy. Eu sorri gratamente pra elaquando ela enfiou a cabeça pela porta, seu cabelo grosso, cor de neve,chamando minha atenção imediatamente.“Bella, você se importaria em se juntar a mim?” ela perguntou, e eu me deiconta de que ela tinha o telefone grudado no ouvido.“Claro”, eu murmurei enquanto ela desaparecia.A Sra. Stanley teve que destrancar a meia porta no final do balcão para que medeixar passar. O sorriso dela era ausente, ela não encontrou meus olhos. Eutinha certeza absoluta de que ela estava planejando ouvir atrás da porta.Minha mente correu pelas possibilidades concebíveis enquanto eu meapressava para o escritório.Alguém estava lavando dinheiro pela minha conta. Ou talvez Charlie estivesserecebendo suborno, e eu estava estragando o disfarce dele. No entanto, quemteria tanto dinheiro assim para subornar Charlie? Talvez Charlie estivesse namáfia, e usando minha conta para fazer lavagem de dinheiro. Não, eu nãoconseguia imaginar Charlie na máfia. Talvez fosse Phil. Quão bem nósconhecíamos Phil, afinal de contas?A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e ela fez um gesto com o queixo emdireção a cadeira dobrável de metal que ficava de frente para a mesa dela. Elaestava rabiscando apressadamente na parte de trás de um envelope. Eusentei, me perguntando se Phil tinha um passado obscuro, e se eu ia parar nacadeia.“Obrigada, sim. Eu acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por suaajuda”, a Sra. Gerandy desperdiçou um sorriso para o receptor do telefoneantes de desligar. Ela não parecia estar com raiva ou sombria. Mais praexcitada e confusa. Isso me lembrou da Sra. Stanley no corredor. Por umsegundo eu pensei em pular pela porta e assustar ela.Mas a Sra. Gerandy falou.“Bem, eu acho que tenho boas notícias para você... Apesar de não conseguirimaginar você pode não ter sido informada disso”. Ela me encarou criticamente,como se ela estivesse esperando que eu desse um tapa na minha testa edissesse, oh, ESSES vinte mil. Eu esqueci completamente!“Boas notícias?” Eu testei. As palavras implicavam que esse erro era
  • 24. complicado demais pra ela desvendar, e ela tinha a impressão de que eu eramais rica do que n’so pensávamos alguns minutos atrás.“Bem, se você realmente não sabe... parabéns então! Você ganhou uma bolsade estudos de...” ela olhou para suas anotações rabiscadas “o Fundo doPacífico Noroeste”.“Uma bolsa de estudos?” eu repeti sem acreditar.“Sim, isso não é excitante? Minha nossa, você poderá ir pra qualquer faculdadeque quiser!”Foi precisamente nesse momento, enquanto ela balbuciava alegremente pelaminha boa sorte, que eu soube exatamente de onde tinha vindo o dinheiro.Apesar da repentina onda de raiva, suspeita, ultraje e dor, eu tentei falarcalmamente.“Uma bolsa de estudos que deposita vinte mil dólares na minha conta”, eunotei. “Ao invés de pagar isso a escola. Sem ter nenhuma forma de se certificarde que eu vou usar o dinheiro para a escola”.Minha reação fez ela corar. Ela pareceu ofendida pelas minhas palavras.“Seria muito pouco sábio não usar esse dinheiro com os fins que forampropostos pra ele, Bella, querida. Essa é uma chance única na vida”.“É claro”, eu disse amargamente. “E esse Fundo do Pacífico Noroestemencionou porque eles me escolheram?”Ela olhou pra suas anotações de novo, uma pequena careta no rosto por causado meu tom.“É um grande prestigio – eles não dão essa bolsa de estudo todos os anos”.“Aposto que não”.Ela olhou pra mim e desviou o olhar rapidamente. “O banco em Seattle quegerencia o fundo me passou para o homem que administra as entregas asbolsas de estudos. Ele disse que essa bolsa de estudos é dada baseada emmérito, gênero e locação. Ela é direcionada a estudantes do sexo feminino decidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em uma cidademaior”.Parecia que alguém estava achando que era engraçado.“Mérito?” eu perguntei desaprovando. “Eu tenho uma média de três ponto sete.Eu posso nomear três garotas que tem notas melhores que as minhas, e umadelas é Jessica. Além do mais – eu nunca me inscrevi pra essa bolsa deestudos”.Ela estava muito corada agora, pegando uma caneta e colocando-a na mesade novo, mexendo no pendente que ela usava entre o dedão e o indicador. Elaprocurou nas anotações novamente.“Ele mencionou isso...” Ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza doque fazer com a minha atitude. “Eles não aceitam inscrições. Eles procuraminscrições rejeitadas por outras bolsas de estudos e escolhem estudantes queeles acham que foram injustamente ignorados. Eles pegaram o seu nome pelainscrição que você mandou para a assistência financeira baseada em mérito daUniversidade de Washington.”Eu senti os cantos da minha boca virando pra baixo. Eu não sabia que aquelainscrição havia sido rejeitada. Era uma coisa que eu tinha enviado há muitotempo atrás, antes...E eu não havia pensado em nenhuma outra possibilidade, apesar de que osprazos estavam passando por mim. Eu não parecia conseguir me focar nofuturo. Mas a Universidade de Washington era o único lugar que poderia memanter perto de Forks e de Charlie.“Como eles conseguem as inscrições recusadas?” Eu perguntei em tom baixo.“Eu não tenho certeza, querida”. A Sra. Gerandy não estava feliz. Ela queriaexcitação e estava recebendo hostilidade. Eu queria ter alguma forma deexplicar que a negatividade não era pra ela. “Mas o administrador deixou onúmero dele caso eu tivesse alguma pergunta – você mesma poderia ligar praele. Eu tenho certeza que ele poderia te assegurar de que esse dinheirorealmente é para você”.Disso eu não tinha dúvida. “Eu gostaria desse número”.Ela escreveu rapidamente num pedaço amassado de papel. Eu fiz uma nota
  • 25. mental de doar anonimamente um bloco de post-its para o banco.O número era interurbano. “Eu não suponho que ele tenha deixado umendereço de e-mail?” Eu perguntei ceticamente. Eu não queria aumentar aconta telefônica de Charlie.“Na verdade, ele deixou”, ela sorriu, feliz por ter alguma coisa que eu pareciaquerer. Ela se inclinou na mesa para escrever outra linha no meu borrão.“Obrigada, eu vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa”.Minha boca era uma linha dura.“Docinho”, a Sra. Gerandy disse hesitantemente. “Você devia estar feliz porisso. É uma grande oportunidade”.“Eu não vou pegar vinte mil dólares que eu não mereci”, eu respondi, tentandomanter o tom de ultraje fora da minha voz.Ela mordeu o lábio, e olhou para baixo novamente. Ela também pensava queeu era maluca. Bem, eu ia fazer ela dizer isso em voz alta.“O quê?” Eu quis saber.“Bella...” Ela pausou e eu esperei com o dentes trincados. “É substancialmentemais que vinte mil dólares”.“Perdão?” Eu asfixiei. “Mais?”“Vinte mil é só o pagamento inicial, na verdade. De agora em diante você iráreceber cinco mil dólares todo mês até o final da sua carreira na faculdade. Sevocê fizer pós-graduação, a bolsa de estudos continuará pagando por ela!” Elaficou excitada de novo enquanto me dizia isso.No início eu não consegui falar, eu estava lívida demais. Cinco mil dólares pormês por um período indeterminado de tempo. Eu queria quebrar alguma coisa.“Como?” Eu consegui botar pra fora.“Eu não entendo o que você quer dizer”.“Como eu vou ganhar cinco mil dólares por mês?”“Serão depositados em sua conta aqui”, ela respondeu, perplexa.Houve um breve segundo de silêncio.“Eu vou fechar a conta agora”, eu disse numa voz sem vida.Eu levei quinze minutos para convencê-la de que estava falando sério. Elatinha um inacabável suprimento de razões pelas quais isso era uma má idéia.Eu discuti calorosamente até que me ocorreu que ela estava preocupada emme entregar os vinte mil dólares. As pessoas carregavam tanto assim nasmãos?“Olha, Sra. Gerandy”, eu assegurei ela. “Eu só quero sacar os meus mil equinhentos. Eu apreciaria muito se você pudesse enviar o restante do dinheirode volta para o lugar de onde ele veio. Eu vou acertar as coisas com esse –“Eu chequei o borrão. “- Sr. Isaac Randall. Isso realmente é um erro”.Isso pareceu relaxar ela.Cerca de vinte minutos depois, com um rolo de quinze notas de cem, uma devinte, uma de dez, uma de cinco, uma de um, e cinqüenta centavos no meubolso, eu escapei do banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficaramlado a lado no balcão, olhando para mim com os olhos arregalados.***
  • 26. PARTES CORTADAS DO LIVRONew MoonCena dois: naquela mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacobpela primeira vez...Eu abri a porta com um chute e puxei o meu fundo para a faculdade do bolso.Ele parecia bem pequeno enrolado como estava na palma da minha mão. Eu oenfiei em uma meia sem par e aí a enfiei de volta na gaveta de roupas debaixo. Provavelmente esse não era o esconderijo mais original, mas eu ia mepreocupar em pensar em algo mais criativo mais tarde.No meu outro bolso estava o papel amassado com o número do telefone deIsaac Randall e o seu endereço de e-mail. Eu o puxei pra fora e o coloquei noteclado do meu computador, aí apertei o botão, batendo o meu pé enquanto aminha tela ligava lentamente.Quando eu estava conectada, eu abri a minha conta de e-mail gratuita. Euprocrastinei, demorando pra deletar a montanha de spams que haviam seacumulado desde o dia que eu havia escrito pra Renée. Eventualmente eu melivrei desse trabalho, e abri uma caixa de composição nova.O endereço de e-mail era para ?irandall-, então eu presumi que ele iadiretamente para o homem que eu queria.Querido Sr. Randall, eu escrevi.Eu espero que você se lembre da conversa que teve esta tarde com a Sra.Gerandy no Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, eaparentemente você está com a impressão de que eu ganhei uma bolsa deestudos bastante generosa da Compania de Fundos do Pacífico Norte.Eu lamento, mas não posso aceitar essa bolsa de estudos. Eu pedi que odinheiro que eu já recebi fosse mandado de volta para a conta da qual ele veio,e fechei minha conta no Banco Federal de Forks. Por favor, premie outrocandidato com a bolsa de estudos.Obrigada, I. SwanEu levei alguns minutos pra faze-lo soar do jeito certo ? formal, einquestionavelmente definitivo. Eu o li duas vezes antes de manda-lo. Eu nãotinha certeza sobre que tipos de diretrizes o Sr. Randall havia recebido sobre abolsa de estudos falsa, mas eu não podia ver nenhuma brecha na minharesposta.***
  • 27. PARTES CORTADAS DO LIVRONew MoonCena três: algumas semanas depois, pouco antes do ?encontro- de Bella eJacob com as motos...Quando eu voltei, eu peguei a correspondência enquanto entrava. Eu passeirapidamente as contas e as propagandas, até chegar na última carta na pilha.Era um envelope comercial regular, endereçado a mim ? o meu nome estavaescrito à mão, o que era incomum. Eu olhei com interesse para o endereço doremetente.Interesse que rapidamente se transformou em náusea. A carta era do Fundo doPacífico Norte, do Escritório de Relocações de Bolsas de Estudos. Não havianenhum endereço de rua embaixo do nome.Esse provavelmente era só um reconhecimento formal da minha recusa, eudisse pra mim mesma. Não havia nenhuma razão pra me sentir nervosa.Absolutamente nenhuma razão, exceto pelo pequeno detalhe que pensardemais em qualquer parte disso me mandaria diretamente para a terra doszumbis. Somente isso.Eu atirei o resto da correspondência na mesa para Charlie, juntei os meuslivros na sala de estar, e corri escadas acima. Uma vez em meu quarto, eutranquei a minha porta e rasguei o envelope. Eu tinha que me lembrar de ficarcom raiva. Raiva era a chave.Querida Srta. Swan.Permita-me parabenizá-la formalmente por ter ganho pelos Fundos do PacíficoNorte a prestigiosa Bolsa de Estudos J. Nicholls. Essa bolsa de estudos não épresenteada com muita freqüência, e você deve ficar orgulhosa de saber que oComitê de Relocações escreveu o seu nome unanimemente para a honra.Houveram algumas pequenas dificuldades nas monções da sua bolsa deestudos, mas por favor não se preocupe. Eu estarei cuidando pessoalmentepara que você seja posta pelo mínimo de inconvenientes possível. Por favorencontre o cheque anexo de vinte mil dólares; o prêmio inicial mais a suaprimeira mesada mensal.Mais uma vez eu te parabenizo pela sua realização. Por favor aceite osmelhores desejos de toda a Corporação do Pacífico Norte para a sua futuracareira escolástica.Sinceramente,I. RandallRaiva não foi problema nenhum.Eu olhei dentro do envelope e, certo o suficiente, havia um cheque lá dentro. -Quem são essas pessoas?? Eu rosnei através do meus dentes trincados,amassando a carta, com uma mão, transformando-a em uma bola apertada.Eu marchei furiosamente até a minha lata de lixo, pra encontrar o número detelefone do Sr. Randall. Eu não me importava que fosse a longa distância ?essa ia ser um conversa muito curta.-Oh, merda?, eu assobiei. A lixeira estava vazia. Charlie havia levado o meulixo pra fora. Eu joguei o envelope com o cheque na minha cama e desamasseia carta de novo. Era um papel da companhia, com Departamento deRelocações de Bolsas de Estudos do Pacífico Norte escrito em um tom escurode verde no topo, mas não havia nenhuma informação, nenhum endereço,nenhum número de telefone.-Droga?.Eu me sentei na beira da minha cama e tentei pensar claramente. Obviamente,eles iam me ignorar. Eu não tornar os meus sentimentos mais claros, entãonão tinha havido nenhum erro de comunicação. Provavelmente não fariadiferença se eu ligasse.Então só havia uma coisa a fazer.Eu re-amassei a carta, amassei também o envelope com o cheque, e marcheiescadas abaixo.Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada em alto volume.
  • 28. Eu fui até a pia da cozinha, e joguei as bolas de papel lá dentro. Aí, eu procureidentro da nossa gaveta de coisas diversas até que encontrei uma caixa defósforos. Eu acendi um, e o aproximei cuidadosamente em uma das pontas dopapel. Eu acendi outro e fiz o mesmo. Eu quase acendi um terceiro, mas opapel estava incendiando meramente, então não havia necessidade deverdade.-Bella?- Charlie chamou por cima do som da televisão.Eu abri a torneira rapidamente, com uma sensação de satisfação enquanto aforça da água transformava as chamas em uma meleca achatada e cinzenta.-Sim, pai?- Eu joguei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei rapidamente.-Você está sentindo cheiro de fumaça??-Não, pai-.-Hmph?Eu limpei a pia, tendo certeza de que todas as cinzas haviam descido pelo ralo,e aí limpei os dejetos, só pra ter certeza.Eu voltei para o meu quarto, me sentindo levemente satisfeita. Eles podiam memandar todos os cheques que quisessem, eu pensei mal humorada. Eusempre podia comprar mais fósforos quando os meus acabassem.***
  • 29. PARTES CORTADAS DO LIVRONew MoonCena quatro: durante o período de tempo em que Jacob esteve evitando ela...Nos degraus havia um pacote do FedEx. Eu o peguei com curiosidade,esperando um endereço da Flórida, mas ele havia sido mandado de Seattle.Não havia nenhum remetente no lado de fora da caixa.Ele estava endereçado a mim, não a Charlie, então eu o levei até a mesa erasguei a aba do papelão pra abri-lo.Assim que eu vi a logo-marca verde escura do Fundo do Pacífico Norte, eusenti que a minha dor de estômago estava voltando. Eu caí na cadeira maispróxima sem olhar para a carta, a raiva se acumulando lentamente.Eu não podia nem sequer me fazer lê-la, apesar dela não ser longa. Eu a puxeipra fora, a coloquei virada pra baixo em cima da mesa, e olhei relutantementede volta para dentro da caixa, pra ver o que havia embaixo. Era um envelopeinchado cor de baunilha. Eu estava com medo de abri-lo, mas com raivasuficiente pra abri-lo com um rasgão do mesmo jeito. A minha boca era umalinha dura enquanto eu rasgava o papel sem me preocupar em abrir pela aba.Eu já tinha coisas suficientes pra lidar agora. Eu não precisava de lembretes enem da irritação.Eu fiquei chocada, e mesmo assim não fiquei surpresa. O que mais podia seralém disso ? três bolos grossos de notas, apertados com força por um elásticode borracha. Eu não precisava olhar as denominações. Eu sabia exatamente oquanto eles estavam tentando forçar às minhas mãos. Seriam trinta mil dólares.Eu levantei o envelope lentamente enquanto me levantava, e me virei pra jogalona pia. Os fósforos estavam no topo da gaveta de bobagens, exatamenteonde eu os havia deixado da última vez. Eu tirei um e o acendi.Ele queimava mais e mais perto dos meus dedos enquanto eu encarava oenvelope odioso. Eu não conseguia fazer os meus dedos soltarem ele. Eularguei o fósforo antes que ele me queimasse, o meu rosto se transformandoem uma careta de desgosto.Eu peguei a carta de cima da mesa, amassando-a em uma bola e atirando-a nooutro recipiente da pia. Eu acendi outro fósforo e o joguei no papel, olhandocom uma satisfação maliciosa enquanto ele queimava. Um aquecimento. Euacendi outro fósforo. De novo, eu o segurei, queimando, acima do envelope.De novo, ele queimou quase até os meus dedos antes que eu o atirasse nascinzas da carta. Eu simplesmente não conseguia me fazer queimar trinta mildólares.Então o que eu ia fazer com isso? Eu não tinha nenhum endereço pra mandalode volta ? eu tinha certeza de que essa companhia nem existia de verdade.E aí me ocorreu que eu tinha um endereço.Eu joguei o dinheiro de volta na caixa do FedEx, arrancando a etiqueta pra quese alguém chegasse a descobri-lo, fosse impossível liga-lo a mim, e andei devolta até a minha caminhonete, murmurando incoerentemente no caminho. Euprometi a mim mesma que eu ia fazer uma coisa especialmente descuidadacom a minha moto essa semana. Eu ia fazer acrobacias como uma dublê sefosse preciso.Eu odiei cada centímetro do caminho enquanto eu vagava por entre as árvoresobscurecidas, apertando os meus dentes até que a minha mandíbula estavadoendo. Os pesadelos iam ser ferozes essa noite ? fazer isso era pedir queisso acontecesse. As árvores se abriam entre as samambaias, e eu dirigiraivosamente por elas, deixando uma fila dupla de gravetos quebrados,escoados atrás de mim. Eu parei perto dos degraus da frente, colocando amarcha em ponto morto.A casa parecia exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabiaque estava projetando os meus próprios sentimentos na aparência dela, masisso não mudou a forma como ela parecia pra mim. Sendo cuidadosa pra nãoolhar pra fora pela janela, eu caminhei até a porta da frente. Eu desejeidesesperadamente ser um zumbí novamente só por um minuto, mas a
  • 30. entorpecência já tinha passado da validade há muito tempo.Eu coloquei a caixa cuidadosamente na entrada da casa abandonada, e mevirei pra ir embora.Eu parei no primeiro degrau. Eu não podia simplesmente deixar uma pilha dedinheiro na frente da porta. Isso era quase tão ruim quanto queimá-lo.Com um suspiro, mantendo os meus olhos baixos, eu me virei de volta epeguei a caixa ofensiva. Talvez eu pudesse simplesmente doa-lo pra uma boacausa. Uma caridade pra pessoas com doenças sanguíneas, ou algo assim.Mas eu estava balançando a cabeça enquanto voltava para a caminhonete.Esse era o dinheiro dele, e, maldição, ele ia ficar com ele. Se ele fosse roubadona frente da casa dele, era culpa dele, não minha.A minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu simplesmente atirei a caixacom toda força que podia em direção à porta.Eu nunca tive a melhor mira. A caixa bateu com força na janela da frente,deixando um buraco tão grande que parecia que eu havia atirado uma máquinade lavar.-Aw, merda!? Eu asfixiei alto, cobrindo meu rosto com as mãos.Eu devia saber que não importava o que eu fizesse, eu simplesmente ia pioraras coisas. Eu estava apenas devolvendo a propriedade dele. Era problemadele que ele tivesse transformado isso numa tarefa tão difícil. Além do mais, osom do vidro quebrando foi meio legal ? ele me fez sentir um pouco melhor deuma forma perversa.Eu não me convenci de verdade, mas eu tirei a caminhonete do ponto morto efui embora mesmo assim. Isso era o mais perto que eu podia chegar dedevolver o dinheiro pra onde ele pertencia. E agora eu tinha uma boa entradapra caixas para a prestação do mês que vem. Era o melhor que eu podia fazer.Eu repensei isso centenas de vezes de chegar em casa. Eu procurei na listatelefônica procurando por vidraceiros, mas não haviam estranhos a quem eupudesse pedir ajuda. Como era que eu ia explicar o endereço? Será queCharlie teria que me prender por vandalismo?***
  • 31. PARTES CORTADAS DO LIVRO New MoonCena cinco: a primeira noite que Alice retorna depois de ver Bella -cometendosuicídio?...-Jasper não quis vir com você?-.-Ele não aprova que eu esteja interferindo?Eu funguei. -Você não é a única-.Ela enrijeceu, e depois relaxou. -Isso tem alguma coisa a ver com o buraco najanela da frente da minha casa e a caixa cheia de notas de cem dólares nochão da sala de estar??-Tem?, eu disse raivosamente. -Eu lamento pela janela. Aquilo foi umacidente?.-Com você geralmente é. O que foi que ele fez?--Uma coisa chamada O Fundo do Pacífico Norte me deu um prêmio muitoestranho e uma bolsa de estudos persistente. Não foi um disfarce muito bom.Quer dizer, eu não consigo imaginar que ele queria que eu soubesse que eraele, mas eu espero que ele não pense que eu sou tão estúpida?.-Ora, aquele grande trapaceiro?, Alice murmurou.-Exatamente?-E ele me disse pra não olhar? Ela balançou a cabeça irritada.***
  • 32. PARTES CORTADAS DO LIVRO New MoonCena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto de Bella...-Será que existe uma razão pela qual o perigo não pode resistir a você mais doque eu?- -O perigo não tenta-, eu murmurei.-É claro, parece que você andou procurando o perigo ativamente. O que vocêestava pensando, Bella? Eu vi na cabeça de Charlie a quantidade de vezesque você esteve no pronto-socorro. Eu mencionei que estou furioso comvocê??A voz baixa dele parecia mais dolorida do que furiosa.-Porque? Não é da sua conta?, eu disse, envergonhada.-Na verdade, eu me lembro especificamente de você prometendo que não farianada descuidado?.A minha réplica foi rápida. -E você não prometeu que não ia interferir?--Antes de você começar a passar dos limites?, ele qualificou cuidadosamente. -Eu estava mantendo a minha parte do acordo?.-Oh, é mesmo? Três palavras, Edward: Fundo. Pacífico. Norte.?Ele ergueu a cabeça pra olhar pra mim; a expressão dele estava toda confusae inocente- inocente demais. Isso era uma denúncia por si só. -Isso deviasignificar alguma coisa pra mim??-Isso é insultante.? Eu reclamei. -Quão estúpida você acha que eu sou??-Eu não faço idéia do que você está falando?, ele disse, com os olhosarregalados. -Que seja?, eu rosnei.***
  • 33. PARTES CORTADAS DO LIVRO New MoonCena sete, a conclusão dessa seqüência: naquela mesma noite/manhã,quando eles chegaram na casa dos Cullen para a votação...De repente, a luz da varanda de acendeu, e eu pude ver Esme de pé na porta.Seu cabelo esvoaçante, caramelado estava preso pra trás, e ela tinha umaespécie de espátula na mão.-Estão todos em casa?? Eu perguntei esperançosamente enquanto subíamosos degraus.-Sim, eles estão? Enquanto ela falava, as janelas abruptamente se encheramde luz. Eu olhei através da mais próxima delas pra ver quem havia reparadoem nós, mas a panela com uma gosma grossa, cinza que estava no aparadorda frente me chamou a atenção. Eu olhei para a macia perfeição do vidro, e medei conta do que Esme estava fazendo na varanda com uma espátula.-Oh, droga, Esme! Eu lamento muito por essa janela! Eu ia ?--Não se preocupe com isso?, ela interrompeu com uma risada. -Alice mecontou a história, e eu tenho que dizer, eu não te culparia se você tivesse feitode propósito? Ela encarou o filho, que estava me encarando.Eu ergui uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou uma coisaindistinta sobre cavalos de presente.
  • 34. PARTES CORTADAS DO LIVRO New MoonSE JACOB NÃO QUEBRASSE AS REGRAS (inclui o epílogo original)A maior diferença (e é uma diferença enorme) entre o primeiro rascunho deNew Moon e a cópia final é essa: originalmente, Bella nunca descobriu o quehavia de errado com Jacob. Naquela época era um livro mais curto, quedeixava de fora as setenta páginas cruciais nas quais Jacob e Bella dividemtodos os seus segredos e fortalecem sua relação em uma coisa quetranscende a amizade.(Antes que você continue lendo, não deixe que esta versão te confunda. Nãofoi assim que -realmente aconteceu-. Enquanto o meu conhecimento dopersonagem de Jacob crescia, essa versão original parecia mais e maisinaceitável. (É claro que Jacob ia quebrar as regras ? ele é Jacob!) Isso é umesqueleto -, só ossos, nada de carne).Tente imaginar isso: Bella vai até a casa de Jacob pra exigir a verdade sobre o-culto-. Jacob aparece com Sam e os outros, e aí concorda em conversarprivadamente com Bella. Ele dispensa ela (na falta de uma palavra melhor pradescrever) e ela fica com o coração partido pela segunda vez no livro. Ok, issotudo parece familiar. Mas aí naquela noite... nada acontece. Jacob não quebraas regras e entra pela janela dela pra conversar com ela. Jacob não dánenhuma pista a ela, tentando ajuda-la descobrir o que ela já sabe. Bella aindaestá isolada, sozinha. Ela não tem idéia de que Victoria está por aí, caçandoela, ou que os lobisomens estão por lá, protegendo ela.Bella, no entanto, é persistente demais pra receber um não como resposta deJacob. Ela não tem os mesmos problemas de auto-merecimento queinterferiram em seu relacionamento com Edward de New Moon pra impedi-laaqui. Não, Jacob DEVE a ela mais que isso, droga, e ela vai cobrar o que lhe édevido.Ela, porém, não consegue encontrar ele, e eventualmente a procura dela a levaaté o topo dos penhascos. Ela se lembra de observar - a gangue- mergulharem direção à plenitude ? vocês sabem como ela fica boba com suasalucinações. Mergulhar de penhascos é a inspiração dela nessa versão.Quando Jacob salva a vida dela dessa vez, a interação entre eles sofre umavirada de 180 graus da versão final...-Como nós vamos sair daqui?- Eu tossi e botei as palavras pra fora. Eu estavacom tanto frio agora que não conseguia sentir muito mais além do calor docorpo dele enquanto lê me segurava cuidadosamente acima das ondas, e asdores nas minhas costas. Parecia que a corrente estava puxando as minhaspernas, sem querer desistir, mas elas estavam dormentes e eu podia estar sóimaginando.-Eu vou te rebocar até a praia. Você vai ficar imóvel como se estivesseinconsciente e não vai lutar. Isso vai facilitar as coisas-.-Jake-, eu disse ansiosamente. -A água é forte demais. Você provavelmentenão va conseguir nem sozinho, quanto mais me levando-.-Eu te pesquei, não foi?- Ele estava me segurando com força demais pra queeu údesse ver seu rosto, mas a voz dele estava presumida.-Você pescou-, eu disse duvidosamente. -Como você fez isso? A corrente...- -Eu sou mais forte do que você-Eu teria discutido, mas bem nessa hora a água resolveu sair do meu estômago.-Tudo bem-, ele disse, quando eu terminei de vomitar. -Eu preciso te tirardaqui. Lembre-se, fique parada-.Eu estava fraca demais pra discutir, mas eu estava morrendo de medo deabandonar a segurança das rochas e deixas as ondas me pegarem de novo.Reconciliada como eu estava com a idéia de que eu estava me afogando hádois minutos atrás, agora eu estava com medo. Eu não queria voltar para aescuridão. Eu não queria que a água cobrisse meu rosto novamente.Eu pude sentir quando Jacob pulou da rocha. Eu estava de costas e ele estava
  • 35. me segurando por baixo dos braços enquanto se impulsionava para a costa. Aágua agitada nos alcançou, e eu entrei em pânico e comecei a chutar.-Pare com isso-, ele disparou.Eu lutei pra ficar imóvel, e era mais difícil do que eu havia imaginado, mesmoapesar dos meus membros exaustos, doloridos não quererem nada além deficar imóveis. Foi incrível ? nós passamos através da água como se uma linhaestivesse nos guiando até a costa. Jacob era o nadador mais forte que eu jáhavia visto. Os empurrões e apertos da corrente pareciam inúteis pra romper aforte rota que ele havia cortado através das ondas. E ele era rápido. Recordemundial de velocidade.Aí eu senti areia arranhando os meus joelhos.-Tudo bem, você pode se levantar, Bella-.Assim que ele me largou, eu caí de cara nas primeiras ondas que tinham aaltura do meu joelho.Ele me puxou pra fora antes que eu pudesse botar mais água pra dentro, mejogando com facilidade por cima de seu ombro e marchando pela areia. Elenão disse nada, mas a respiração dele parecia irritada.-Bem ali-, ele murmurou pra si mesmo, e mudou de direção. Eu só pude ver,enquanto oscilava no ombro dele, seu pé descalço deixando pegadas enormesna areia molhada. Ele me colocou numa trilha de areia que realmente pareciaseca. Estava escuro aqui ? eu me dei conta de que estávamos em umacaverna superficial que a maré havia separado das rochas. A chuva não podiame alcançar diretamente, mas pequenos salpicos de chuvisco chicoteavam naareia lá fora e batiam em mim.Eu estava tremendo com tanta força que os meus dentes estavam se batendo? o som parecia com o de castanholas em alto volume.-Venha aqui-, Jacob disse, mas eu não tive que me mexer. Ele passou seusbraços ao meu redor e me segurou com força em seu peito nu. Eu estremecia,mas ele estava imóvel. A pele dele estava quente demais ? como se a febretivesse voltado.-Você não está congelando?-, eu gaguejei.-Não-Eu me senti envergonhada. Não apenas ele tinha sido exponencialmentemelhor que eu na água, mas agora ele tinha que me fazer parecer ainda maisfraca.-Eu sou uma fracassada-, eu murmurei.-Não, você é normal- A amargura estava lá na voz dele. Ele mudou de assuntorapidamente, sem me dar a chance de perguntar o que ele estava querendodizer. -Será que você se importa em me dizer o que diabos você pensou queestava fazendo?- Ele quis saber. -Mergulhando do penhasco. Recreação-.Inacreditável, mas ainda havia água no meu estômago. Ela escolheu essemomento pra reaparecer.Ele esperou até que eu pudesse respirar de novo. -Parece que você sedivertiu-.-Eu me diverti, até atingir a água. Será que não devíamos procurar algumaajuda ou coisa assim?- Meus dentes ainda estavam se chocando, mas eleentendeu o que eu disse.-Eles estão vindo-.-Quem está vindo?- Eu perguntei, suspeitando, e surpresa.-Sam e os outros-.Eu fiz uma careta. -Como eles vão saber que precisamos de ajuda?- Meu tomestava cético. Ele bufou. -Porque eles me viram correr e me jogar no penhascoatrás de você-.-Você estava me observando?- Eu acusei com fraco ultraje.-Não, eu te ouvi gritar. Se eu tivesse te visto eu teria te parado. Aquilo foi muitoestúpido, sabe-.-Seus amigos fazem isso-.-Eles são mais fortes que você-.-Eu sou uma boa nadadora-. Eu protestei, apesar das provas em contrário.-Em uma piscina de plástico-, ele discutiu. -Bella, tem um furação se formando
  • 36. aqui. Você não considerou isso nem um pouco?--Não-, eu admiti.-Estúpida-, ele repetiu.-É-. Eu concordei com um suspiro. Eu estava com muito frio e muito cansada.-Fique acordada-, Jacob me sacudiu com força.-Corta essa-, eu insisti. -Eu não vou dormir.--Então abra seus olhos-.Verdadeiramente, eu não percebi que eles estavam fechados. Eu não disseisso a ele. Eu simplesmente os abri e disse. -Tá bom-.-Jacob?- O chamado soou claramente apesar do barulho do vento e dasondas. A voz era muito profunda.Jacob se inclinou pra longe pra não gritar no meu ouvido. -Na caverna, Sam!-Eu não ouvi eles se aproximando. Abruptamente, a pequena caverna estavalotada de pernas marrom-escuras. Eu olhei pra cima, sabendo que meus olhosestavam cheios de desconfiança e raiva, consciente da proximidade de Jacob.Seus braços me protegiam, mas de repente eu senti eu era a protetora.O rosto calmo de Sam foi a primeira coisa que eu vi. Uma confusa sensação dedéjà vu me dominou. A caverna escura não era muito diferente da floresta ànoite, e, de novo, eu estava fraca e desamparada a seus pés. Ele estava mesalvando de novo. Eu encarei ele, incomodada.-Ela está bem?- ele perguntou a Jacob com a voz segura do único adulto entreas crianças.-Eu estou bem-, eu murmurei.Ninguém me ouviu.-Nós precisamos aquecê-la ? ela está ficando sonolenta- Jacob respondeu praele.-Embry?- Sam chamou, e um dos garotos deu um passo à frente pra entregaruma pilha de cobertores a Jacob. O tom de comando na voz de Sam me irritouimensamente.Era como se nenhum deles pudesse fazer alguma coisa até que ele dessepermissão. Eu o encarei ferozmente enquanto Jacob enrolava os cobertoresgrossos ao meu redor.-Vamos tirar ela daqui-, Sam instruiu calmamente. Ele se inclinou na minhadireção com as mãos pra fora, mas parou quando eu me afastei dele.-Eu levo ela, Sam-, Jacob disse, colocando seus braços embaixo de mim e melevantando fluidamente enquanto ficava de pé.-Eu posso andar-, eu protestei.-Tá bom-, Jacob me colocou de pé e esperou.Meus joelhos fraquejaram. Sam me segurou enquanto eu caía; instintivamente,eu lutei contra as mãos dele.Jacob me agarrou de novo, me puxando pra longe de Sam e me jogando emseus braços. Ele era ridiculamente forte pra sua idade. Eu fiz uma caretafuriosa quando Sam apertou os cobertores ao meu redor.-Paul, você está com aquela capa de chuva?-Outro garoto deu um passo à frente sem dizer uma palavra e adicionou umacamada de plástico pra cobrir os cobertores.Foi nesse ponto, embrulhada em camadas de proteção, que eu me dei cota deque Sam e os outros não estavam mais vestidos do que Jacob. Eu tinhapresumido que Jacob havia tirado a maioria de suas roupas antes de pularatrás de mim, mas eles estavam todos de pés descalços e com os peitos nus,cada um deles usando apenas shorts ou um par de jeans cortados, pingandode tão molhados pela chuva. A chuva pingava de seus cabelos e deslizava emcurvas pelo marrom suave dos seus peitos; eles não pareciam notar. Embaixoda minha pilha de cobertores, eu tremia incontrolavelmente e me sentia comoum bebê ridículo.-Vamos-, Sam ordenou, e eles saíram da caverna.Havia uma trilha que seguia praia acima. Eles se moviam agilmente pelocaminho íngreme, Jacob tão rapidamente como o resto. Ninguém se ofereceupara ajuda-lo, e ele nunca pediu ajuda. Jacob não parecia estar incomodadopor suas mãos não estarem livres. Ele nunca vacilou.
  • 37. Sam e os outros três iam na nossa frente, e, enquanto eu observava subiremcom facilidade pela montanha, eu fiquei surpreendida de ver o quanto elescombinavam bem o caminho natural. Eles se camuflavam harmoniosamentecom as cores das rochas e das árvores, o movimento do vento; elespertenciam a esse lugar.Eu olhei pra Jacob, e ele combinava também. As nuvens e a tempestade e afloresta emolduravam seu novo rosto perfeitamente. Ele parecia até maisnatural, mais em casa, do que o meu Jacob feliz já havia parecido em suagaragem caseira, o seu próprio reino. Isso era perturbador.Nós havíamos chegado mais longe na estrada do que eu havia imaginado. Eupodia ver um vago caroço, com uma cor ruiva à Sul, e eu adivinhei que elefosse minha caminhonete. Eu queria tentar caminhar de novo, mas Jacobignorou meus rogos murmurados. Eles ficaram na extremidade da floresta,como se eles pudessem se mover com mais velocidade entre as árvores doque na estrada. E eles estavam se movendo rapidamente; a minhacaminhonete estava se aproximando mais rapidamente do que devia.-Onde estão as suas chaves?- Jacob perguntou enquanto nos aproximávamos.A respiração dele ainda estava uniforme e regular.-No meu bolso-, eu respondi automaticamente antes de me dar conta do queele estava sugerindo.-Dê elas pra mim-.Eu encarei ele, mas o rosto dele estava calmo e determinado. Solenemente, euforcei minha mão a entrar no meu jeans molhado e procurei minha chave. Euafastei os cobertores até que minha mão estava livre. Eu a levantei.-Pra você ou pra Sam?- eu perguntei amargamente.Ele revirou os olhos. -Eu vou dirigir-.Em um movimento súbito, rápido, ele inclinou a cabeça na minha direção earrancou a chave da minha mão com os dentes.-Hey!- eu me opus, assustada, enquanto pulava nos braços dele.Ele sorriu maliciosamente através da chave.A seção anterior pareceu uma boa introdução para o epílogo original de NewMoon. Enquanto nós continuamos nesse universo alternativo, lembre que,enquanto Bella sabe que há algo errado com Jacob, ela ainda não faz idéia deque ele é um lobisomem. No epílogo, ela e Edward estão juntos de novo emForks, e as coisas estão de volta ao normal...
  • 38. PARTES CORTADAS DO LIVRONew Moon - Notícias de RosalieO telefone no meu bolso vibrou de novo. Era a vigésima quinta vez em vinte equatro horas. Eu pensei em abrir o telefone, pelo menos pra ver quem estavatentando entrar em contato comigo. Talvez fosse importante. Talvez Carlisleprecisasse de mim.Eu pensei nisso, mas eu não me movi.Eu não estava precisamente certo de onde eu estava. Algum sótão onde eu sópodia me arrastar, cheio de ratos e baratas. As aranhas me ignoraram, e osratos me deram bastante espaço. O ar estava pesado com os cheiros fortes deóleo de cozinha, carne rançosa, suor humano, e a camada praticamente sólidade poluição que na verdade era visível no ar úmido, como se fosse umacamada preta por cima de tudo.Abaixo de mim, quatro andares de uma habitação raquítica do gueto estavamatreladas de vida. Eu não me importei em separar os pensamentos das vozes -elas faziam um grande barulho, alto em Espanhol que eu não escutava. Eu sódeixei os sons saltarem por cima de mim. Inexpressivo. Tudo isso erainexpressivo. Minha própria existência era inexpressiva. O mundo inteiro erainexpressivo.Minha testa estava pressionada nos meus joelhos, e eu me perguntei quantotempo mais eu seria capaz de agüentar tudo isso. Talvez isso tudo fossedesesperançado.Talvez, se a minha tentativa já estava mesmo predestinada ao fracasso, eudevia parar de me torturar e simplesmente voltar...A idéia era poderosa, tão curativa - como se as palavras contivessem um forteanestésico, levando embora a montanha de dor na qual eu estava enterrado -que me deixou ofegante, me fez ficar tonto.Eu podia ir embora agora, eu podia voltar.O rosto de Bella, sempre atrás das minhas pálpebras, sorriu pra mim.Era um sorriso de boas vindas, de perdão, mas ele não teve o efeito que o meusubconsciente provavelmente esperava que ele tivesse.É claro que eu não podia voltar. O que era a minha dor, afinal, em comparaçãocom a felicidade dela? Ela devia ser capaz de sorrir, livre do medo e do perigo.Livre de esperar por um futuro sem alma.Ela merecia mais que isso. Ela merecia mais que eu. Quando ela deixasseesse mundo, ela deveria ir para um lugar melhor que foi pra sempre trancadopra mim, não importava o quanto eu me comportasse bem aqui.A idéia da separação final era muito mais intensa do que a dor que eu já sentia.Meu corpo tremeu com ela. Quando Bella fosse para o lugar onde ela pertenciae eu nunca poderia ir, eu não ficaria pra trás aqui. Deve haver o esquecimento.Deve haver o alívio.Essa era a minha esperança, mas não haviam garantias. Dormir, por acasosonhar.Sim, há a dor, eu citei para mim mesmo. Quando eu virasse cinzas, será quemesmo assim de alguma forma eu ainda sentiria a tortura da perda dela?Eu estremeci de novo.E, maldição, eu havia prometido. Eu havia prometido a ela que nunca maisassombraria a sua vida, trazendo os meus demônios negros pra dentro dela. Eeu não ia dar pra trás com a minha palavra. Será que eu não podia fazer nadade correto por ela? Absolutamente nada? A idéia de voltar para a cidadezinhanublada que sempre foi o meu verdadeiro lar nesse planeta serpenteou osmeus pensamentos de novo.Só pra checar. Só pra ver de ela está bem e a salvo e feliz. Não pra interferir.Ela nunca saberia que eu estava lá...Não. Droga, não.O telefone vibrou de novo.-Maldição, maldição, maldição-, eu rosnei.Eu podia usar isso como distração, eu pensei. Eu abri o telefone e olhei onúmero que estava registrado e senti o primeiro choque que havia sentido emmeio ano.
  • 39. Porque Rosalie estaria ligando pra mim? Ela provavelmente era a única pessoaque estava aproveitando a minha ausência.Devia estar acontecendo alguma coisa realmente errada se ela estavaprecisando falar comigo. Repentinamente preocupado com a minha família, euapertei o botão pra atender. -O que?-, eu perguntei tensamente.-Oh, uau. Edward atendeu o telefone. Eu me sinto tão honrada-.Assim que eu ouvi o tom dela, eu soube que minha família estava bem. Eladevia estar só entediada.Era difícil saber as motivações dela sem ter os seus pensamentos como guia.Rosalie nunca fez muito sentido pra mim. Os impulsos dela geralmente erambaseados nas lógicas mais enroladas.Eu fechei o telefone.-Me deixe em paz-, eu sussurrei pra ninguém.É claro que o telefone vibrou de novo.Será que ela continuaria ligando até ter passado qualquer que fosse amensagem que ela estava planejando pra me chatear? Provavelmente. Iamdemorar meses até que ela se cansasse desse joguinho. Eu brinquei com aidéia de deixar ela apertar o botão de re-discagem pelo próximo anos inteiro...e depois eu suspirei e atendi o telefone de novo. -Acaba logo com isso-.Rosalie se apressou nas palavras. -Eu pensei que você ia gostar de saber queAlice está em Forks-.Eu abri os meus olhos e encarei as vigas de madeira corrida que ficavam a trêscentímetros do meu rosto.-O que?-, minha voz estava vazia, sem emoção.-Você sabe como Alice é - ela acha que sabe tudo. Como você.- Rosaliegargalhou sem humor. A voz dela tinha uma pontada de nervosismo, como seela de repente estivesse insegura sobre o que estava fazendo.Mas a minha raiva não deixou eu me importar em saber qual era o problema deRosalie. Alice havia jurado que seguiria as minhas instruções em consideraçãoá Bella, apesar dela não concordar com a minha decisão. Ela prometeu quedeixaria Bella em paz... enquanto eu deixasse. Claramente ela achava que umdia eu ia me render á dor. Talvez ela estivesse certa em relação á isso.Mas eu não havia. Ainda. Então o que ela estava fazendo em Forks? Eu queriatorcer o pescoço magrelo dela. Não que Jasper fosse me deixar chegar assimtão perto dela, quando ele sentisse o poder da fúria em mim...-Você ainda está aí, Edward?-Eu não respondi. Eu apertei o osso do meu nariz com as pontas dos meusdedos, me perguntando de um vampiro podia tomar remédio pra dor decabeça.Por outro lado, se Alice já havia voltado...Não. Não. Não. Não.Eu havia feito uma promessa. Bella merecia uma vida. Eu havia feito umapromessa. Bella merecia uma vida.Eu repeti as palavras como se fossem uma reza, tentando limpar da minhacabeça a imagem sedutora da janela escura de Bella. A porta de entrada parao meu único santuário. Sem dúvida eu teria que rastejar, quando eu voltasse.Eu não me importava com isso. Eu podia passar a próxima década de joelhos efeliz se eu estivesse com ela.Não. Não. Não.-Edward? Você nem se importa com o porque de Alice estar lá?--Não particularmente-.A voz de Rosalie se tornou um pouco presumida agora, agradada, sem dúvida,por haver me forçado a responder. -Bem, é claro que ela não está exatamentequebrando as regras. Quer dizer, você só nos avisou pra que ficássemos longede Bella, certo? O resto de Forks não importa-.Eu pisquei meus olhos lentamente. Bella tinha ido embora? Meus pensamentoscircularam ao redor dessa idéia inesperada. Ela ainda não havia se formado,então ela devia ter voltado para a mãe. Isso era bom. Ela deveria viver no sol.Era bom que ela tivesse sido capaz de colocar as sombras pra trás dela.Eu tentei engolir, e não consegui.
  • 40. Rosalie soltou uma risada nervosa. -Então você não precisa ficar com raiva deAlice-. -Então pra que foi que você me ligou, Rosalie, se não foi pra envolverAlice em problemas? Porque é que você está me incomodando? Ugh!--Espere!-, ela disse, pressentindo, com razão, que eu ia desligar o telefone denovo. -Não foi por isso que eu liguei-.-Então porque? Me diga rápido, e depois me deixe em paz -Bem-, ela hesitou.-Bota pra fora, Rosalie. Você tem dez segundos-.-Eu acho que você devia voltar pra casa-, Rosalie disse com pressa. -Eu estoucansada desse pesar de Esme e de Carlisle que não sorri nunca. Você deviase envergonhar muito do que fez com eles. Emmett sente a sua falta o tempotodo e isso já está me deixando nervosa. Você tem uma família. Vê se cresce epensa em alguém além de si mesmo-.-Conselho interessante, Rosalie. Me deixe te contar uma historinha sobre umespelho...--Eu estou pensando neles, diferente de você. Será que você não se importanem um pouquinho com o que está fazendo com Esme, se não com os outros?Ela ama mais você do que o resto de nós, você sabe disso. Venha pra casa-.Eu não respondi.-Eu pensei que quando essa coisa de Forks estivesse resolvida, você iasuperar tudo-.-Forks nunca foi o problema, Rosalie-, eu disse, tentando ser paciente. O queela disse sobre Carlisle e Esme tinha atingido uma veia. -Só porque Bella- - eradifícil dizer o nome dela em voz alta - -se mudou para a Flórida, isso nãosignifica que eu sou capaz de... Olha, Rosalie.Eu realmente lamento muito, mas, confie em mim, eu não faria ninguém maisfeliz se eu estivesse aí-.-Umm-Lá estava, a hesitação nervosa de novo.-O que é que você não está me contando, Rosalie. Esme está bem? Carlisleestá -- -Eles estão bem. É só que... bem, eu não disse que Bella havia semudado-.Eu não falei. Eu repassei a conversa na minha cabeça. Sim, Rosalie havia ditoque Bella tinha se mudado. Ela tinha dito:... Você só tinha nos avisado pra ficarlonge de Bella, certo. O resto de Forks não importa. E depois:Eu pensei quequando essa coisa de Forks estivesse resolvida... Então Bella não estava emForks. O que ela queria dizer com, Bella não havia se mudado?Então Rosalie se apressou nas palavras de novo, as dizendo quase com raivadessa vez. -Eles não quiseram te dizer, mas eu acho isso estúpido. Quantomais rápido você superar isso, mais cedo as coisas vão voltar ao normal. Praque deixar você feito um palerma nos esquinas escuras do mundo quando nãoexiste necessidade pra isso?Você pode voltar pra casa agora. Nós podemos ser uma família de novo. Estáacabado-. Minha mente parecia estar se quebrando. Eu não conseguiaentender o sentido das palavras dela. Era como se houvesse alguma coisamuito, muito óbvia que ela estava me dizendo, mas eu não tinha idéia do queera.Meu cérebro brincou com a informação, fazendo estranhos padrões com ela.Sem sentido. -Edward?--Eu não entendo o que você está tentando me dizer, Rosalie-.Uma longa pausa, a duração de algumas batidas de coração humano.-Ela está morta Edward-.Uma pausa mais longa.-Eu... lamento. Porém, você tinha o direito de saber, eu acho. Bella... se jogoude um penhasco há dois dias atrás. Alice viu, mas era tarde demais pra fazeralguma coisa. Mas eu acho que ela teria ajudado, quebrado a palavra dela, sehouvesse tido tempo.Ela voltou pra fazer o que podia por Charlie. Você sabe como ela sempre seimportou por ele --O telefone ficou mudo. Eu levei alguns segundos pra perceber que haviadesligado o telefone.
  • 41. Eu me sentei na escuridão poeirenta com um tempo longo, congelado. Eracomo se o tempo tivesse acabado. Como se o universo tivesse parado.Lentamente, me movendo como um homem velho, eu liguei o telefone de novoe liguei para o único número que eu prometi a mim mesmo que nunca ligaria denovo.Se ela atendesse, eu ia desligar. Se fosse Charlie, eu ia pegar a informaçãoque precisava por algum subterfúgio. Eu ia provar que a piadinha doentia deRosalie estava errada, e depois ia voltar para o meu vazio.-Residência dos Swan-, atendeu uma voz que eu nunca tinha ouvido antes.Uma voz de homem rouca, profunda, mas ainda jovem.Eu não parei pra pensar nas implicações disso.-Aqui é o Dr. Carlisle Cullen-, eu disse, imitando perfeitamente a voz de meupai. -Será que eu poderia por favor falar com Charlie?--Ele não está aqui-, a voz disse, e eu fiquei levemente surpreso pela raivacontida nela. As palavras foram quase um rugido. Mas isso não importava.-Bem, onde ele está então?-, eu quis saber, ficando impaciente.Houve uma curta pausa, como se o estranho estivesse tentando esconder ainformação de mim.-Ele está no funeral-, o garoto finalmente respondeu.Eu desliguei o telefone de novo.
  • 42. PARTES CORTADAS DO LIVRONEW MOON - Erro de CalculoUm pequeno murmúrio de som - não aqui, á umas centenas de metros ao norte- me fez pular. Minha mão agarrou automaticamente o telefone, trazendo otelefone mais pra perto e escondendo ele com o mesmo movimento.Eu joguei meu cabelo por cima do ombro, dando uma olhadinha para as altasjanelas que davam para a floresta. O dia estava escuro e sombrio; o meupróprio reflexo era mais claro do que as árvores e as nuvens. Eu olhei para osmeus olhos arregalados, alarmados, os meus lábios estavam curvados prabaixo nos cantos, havia uma pequena ruga vertical entre as minhassobrancelhas...Eu fiz uma carranca, apagando a expressão de culpa e colocando uma deescárnio em seu lugar. Um escárnio atraente.Ausentemente eu reparei o quanto aquela expressão furiosa combinava com omeu rosto, contrastando muito bem com o dourado benigno dos meus cachosgrossos. Ao mesmo tempo, os meus olhos rastreavam a floresta vazia doAlaska, e eu fiquei aliviada de ver que eu ainda estava sozinha. O som não eranada - um pássaro ou a brisa.Não havia motivo para alívio, eu disse pra mim mesma. Não há motivo paraculpa. Eu não havia feito nada de errado.Será que os outros estavam planejando nunca contar a verdade a Edward?Deixá-lo chafurdar na angústia em uma favela suja pra sempre, enquantoEsme vivia pesarosa e Carlisle ficava tentando adivinhar todos os seus passose a alegria natural da existência de Emmett ia se secando junto com a suasolidão?Como isso era justo?Além do mais, não tinha jeito de esconder segredos de Edward por muitotempo. Mais cedo ou mais tarde ele teria vindo nos encontrar, pra ver Alice ouCarlisle por algum motivo, e aí ele iria descobrir a verdade. Será que ele ia nosagradecer por termos mentido pra ele com o nosso silêncio? Dificilmente.Edward sempre tinha que saber de tudo; ele vivia por aquele sentido deonisciência. Ele teria um enorme acesso de fúria, e isso ia ficar ainda pior pelofato de termos escondido a morte de Bella dele.Quando ele se acalmasse e superasse toda essa bagunça, ele provavelmenteia me agradecer por ter sido a única a corajosa o suficiente pra ser honestacom ele. A quilômetros de distância, um gavião gritou; o som me fez pular e euolhei para a janela de novo. Meu rosto continuava com a mesma expressão deraiva de antes, e eu rosnei pra mim mesma no vidro.Tudo bem, então eu tinha a minha própria agenda. Será que era uma coisa tãoruim querer que a minha família estivesse junta de novo? Será que era tãoegoísta sentia falta da paz de todos os dias, da alegria subjacente que eu jáconsiderava garantida, a alegria que Edward havia levado com ele naqueleavião?Eu só queria as coisas do jeito como elas eram antes. O que havia de errado?Não parecia tão horrível. Afinal, eu não havia feito isso somente por mim, maspor todos. Esme e Carlisle e Emmett. Não tanto por Alice, apesar de eu terpensado... Mas Alice tinha estado tão certa da forma como as coisasterminariam no final - que Edward seria incapaz de ficar longe da suanamoradinha humana - que ela nem se incomodou em lamentar. Alice semprefuncionou de um jeito diferente do resto de nós, trancada em sua realidade queestava sempre mudando. Já que Edward era o único que podia participar dasua realidade, eu pensei que a ausência dele seria mais difícil pra ela. Mas elaestava segura como sempre, vivendo o futuro, com sua mente em um tempoonde o seu corpo não podia alcançá-la. Sempre tão calma. No entanto, elaficou frenética o suficiente quando viu Bella pular...Será que eu havia sido muito impaciente? Agido rápido demais?Eu precisava ser honesta comigo mesma, porque Edward veria cadapedacinho da petulância na minha decisão assim que ele chegasse em casa.Eu precisava saber das minhas más motivações e aceitá-las agora.
  • 43. Sim, eu tinha inveja do jeito que Alice se sentia em relação á Bella. Será queAlice ia sair correndo com tanta pressa, tão louca de pânico, se ela tivessevisto que era eu pulando de um penhasco?Será que ela precisava amar aquela garota humana comum tão mais do que amim? Mas a inveja era só uma coisinha pequena. Eu posso ter apressado aminha decisão, mas não foi isso o que me controlou. Eu teria ligado pra Edwardda mesma maneira.Eu tinha certeza de que ele preferia a minha honestidade cega do que adecepção mais gentil dos outros. A bondade deles estava condenada desde oinício; Edward ia ter que voltar pra casa eventualmente.E agora ele ia voltar pra casa mais cedo.Não era só da felicidade da minha família que eu sentia falta.Honestamente eu tinha saudades de Edward também. Eu sentia falta dasobservações agudas dele, o humor negro que estava mais em sintonia com omeu próprio, do que o espírito ensolarado, e as piadas de Emmett. Eu sentiafalta da música - o som dele no volume mais alto no seu estúdio improvisado, edo piano, o som de Edward tecendo os seus pensamentos geralmente remotose deixando-os transparentes através da música. Eu sentia falta delesussurrando na garagem ao meu lado enquanto tunávamos os carros, o únicomomento em que estávamos em perfeita sintonia.Eu sentia falta do meu irmão. Certamente ele não me julgaria muito malquando visse isso nos meus pensamentos.Seria desconfortável por um tempo, eu sabia disso. Mas quanto mais cedo elevoltasse pra casa, mais cedo as coisas voltariam ao normal de novo...Eu procurei em minha mente algum pesar por Bella, e fiquei satisfeita de verque eu lamentava pela garota. Um pouco. Pelo menos, isso: ela fez Edwardfeliz de um jeito que eu nunca o havia visto antes. É claro, ela também o deixoumais infeliz do que qualquer outra coisa em seu século de vida. Mas eu iasentir falta da paz que ela deu pra ele durante aqueles poucos meses. Eurealmente lamentava a perda dela.Esse pensamento fez eu me sentir melhor em relação a mim mesma,complacente. Eu sorri para o meu próprio rosto no vidro, cercado pelos meuscabelos dourados e as paredes vermelhas da sala de estar longa, confortávelde Tânia, e aproveitei a vista.Quando eu sorria, não havia mulher ou homem nesse planeta, mortal ouimortal, que pudesse se comparar a mim em padrões de beleza. Esse era umpensamento confortante. Talvez eu não fosse a pessoa mais fácil pra seconviver. Talvez eu fosse superficial e egoísta. Talvez eu tivesse um carátermelhor se tivesse nascido com um rosto comum e um corpo sem graça. Talvezeu fosse mais feliz dessa forma. Mas isso era impossível de comprovar. Eutinha a minha beleza; era uma coisa com a qual eu podia contar. Meu sorrisoaumentou.O telefone tocou e eu automaticamente apertei minha mão, apesar do som tervindo da cozinha, não do meu pulso.Eu soube imediatamente que era Edward. Ligando pra checar a informaçãoque eu tinha dado. Ele não confiava em mim. Aparentemente, ele me achavacruel o suficiente pra fazer piada com isso. Eu fiz uma carranca enquanto memovimentava para a cozinha pra atender o telefone de Tânia.O telefone estava bem na pontinha do longo balcão de açougue. Eu o pegueiantes que o toque acabasse, e me virei para olhar para as portas Francesasenquanto atendia. Eu não queria admitir, mas eu sabia que estava esperando avolta de Emmett e Jasper. Eu não queria que eles me ouvissem falando comEdward. Eles iam ficar com raiva...-Sim?-, eu respondi-Rose, eu preciso falar com Carlisle agora-, Alice disparou.-Oh, Alice! Carlisle está caçando. O que - ?--Tudo bem, assim que ele voltar-.-O que é? Eu vou procurar por ele agora mesmo e pedir pra ele te ligar -- -Não-, Alice interrompeu de novo. -Eu vou estar num avião. Olha, você teve algumanotícia de Edward?-
  • 44. Foi estranha a forma como o meu estômago revirou, ele pareceu descer nomeu abdômen. O sentimento veio com um estranho dejá vu, uma fraca pontadade uma memória humana perdida a muito tempo.Náusea...-Bem, sim, Alice. Na verdade. Eu falei com Edward. Há apenas alguns minutos-. Por um breve segundo eu brinquei com a idéia de fingir que Edward tinha meligado, só uma coincidência ocasional.Mas é claro que não havia nenhuma necessidade de mentir. Edward ia me darproblemas quando voltasse pra casa.Meu estômago começou a se apertar estranhamente, mas eu o ignorei. Eudecidi ficar com raiva. Alice não devia agir desse jeito comigo. Edward nãoqueria mentiras; ele queria a verdade. Ele me apoiaria nisso quando voltassepra casa.-Você e Carlisle estavam errados-, eu disse. -Edward não ia gostar de serenganado. Ele queria a verdade. Queria sim. Então eu a dei pra ele. Eu ligueipra ele... Eu o liguei muito-, eu admiti. -Até que ele atendeu. Deixar umamensagem teria sido... errado-.-Porque?-, Alice asfixiou. -Porque você faria isso, Rosalie?--Porque quando mais cedo ele se acostumar com isso, mais cedo as coisasvoltarão ao normal. As coisas não iam se facilitar com o tempo, então pra queatrasar? O tempo não vai mudar nada. Bella está morta. Edward irá selamentar e depois ele vai superar. É melhor ele começar agora do que maistarde-.-Bem, no entanto, você está errada das duas formas, Rosalie, então isso seriaum problema, você não acha?-, Alice perguntou num tom furioso, violento.Errada das duas formas? Eu pisquei rapidamente, tentando entender.-Bella ainda está viva?-, eu sussurrei, sem acreditar nas palavras. Só tentandodescobrir a que formas Alice estava se referindo.-Sim, é isso mesmo. Ela está absolutamente bem ---Bem? Você viu ela pulando de um penhasco!--Eu estava errada-As palavras pareciam tão estranhas na voz de Alice. Alice, que nunca estavaerrada, que nunca era pega de surpresa...-Como?-, eu cochichei.-É uma longa história-.Alice estava errada. Bella estava viva. E eu tinha dito...-Bem, você fez uma tremenda confusão-, eu rosnei, transformando o meupesar em acusação. -Edward vai ficar furioso quando voltar pra casa-.-Mas você está errada sobre essa parte também-, Alice disse. Eu podia notarque ela estava falando por entre os dentes. -É por isso que eu estou ligando...--Errada sobre o que? Edward voltar pra casa? É claro que ele vai-, eu ri dezombaria.-O que? Você acha que ele vai dar uma de Romeu? Ha! Como algum estúpido,romântico -- -Sim-, Alice assobiou, a voz dela estava como gelo. -Foiexatamente isso o que eu vi-.A dura convicção das palavras dela fizeram os meus joelhos ficaremesquisitamente instáveis. Eu me agarrei ao suporte de madeira da parede prater apoio - apoio que o meu corpo duro como diamante não precisava. -Não.Ele não é tão estúpido. Ele - ele deve se dar conta disso - -Mas eu não consegui terminar o resto da frase, porque eu podia na minhacabeça, uma visão de mim mesma. Uma visão de mim. Uma visão impensávelda minha vida se Emmett deixasse de existir. Eu estremeci horrorizada pelaidéia.Não - não havia comparação. Bella era só uma humana. Edward não queriaque ela fosse imortal, então não era o mesmo. Edward não podia sentir omesmo!-Eu - eu não queria que as coisas fossem assim, Alice! Eu só queria que elevoltasse pra casa!-, minha voz era quase um uivo.-É um pouco tarde pra isso, Rose-, Alice disse, mais dura e mais fria do queantes. -Guarde o seu remorso pra alguém que acredite nele-.
  • 45. Houve um click, e depois o som da linha.-Não-, eu sussurrei. Eu balancei minha cabeça lentamente por um momento. -Edward tem que voltar pra casa-.Eu olhei para o meu rosto no painel de vidro das portas Francesas, mas eu nãoconseguia mais vê-lo. Era só um vulto sem forma de branco e dourado.Depois, apesar de tudo, á distância na mata, uma enorme árvore desabouerraticamente, fora de contexto com o resto da floresta. Emmett.Eu arranquei a porta pra fora do meu caminho. Ela fez um barulho agudocontra a parede, mas o som estava muito atrás de mim enquanto eu corria emdireção ao verde. -Emmett!-, eu gritei. -Emmett, socorro!-A AUTORA NÃO PUBLICOU CENAS OU CAPÍTULOS DE ECLIPSE NEM DEBREAK DOWN.Quer saber mais novidades sobre a Saga Crepúsculo?Então acesse:http://www.mixtotal.net/

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