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O Impacto Do Twitter No Jornal Folha De S. Paulo
 

O Impacto Do Twitter No Jornal Folha De S. Paulo

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Trabalho de Conclusão de curso sobre o a influência do Twitter em um dos grupos de comunicação mais tradicionais do Brasil.

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    O Impacto Do Twitter No Jornal Folha De S. Paulo O Impacto Do Twitter No Jornal Folha De S. Paulo Document Transcript

    • JOYCE ELINE E SILVA R.A. 2208106942O IMPACTO DO TWITTER NO JORNAL FOLHA DE S. PAULO UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO SÃO PAULO – 2011
    • JOYCE ELINE E SILVA R.A 2208106942O IMPACTO DO TWITTER NO JORNAL FOLHA DE S. PAULO Trabalho de conclusão de curso apresentado como exigência parcial, para a obtenção do grau de Bacharel no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Orientadora: Prof. Drª. Rosângela Paulino de Oliveira. UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO SÃO PAULO - 2011
    • O IMPACTO DO TWITTER NO JORNAL FOLHA DE S. PAULO Por JOYCE ELINE E SILVA Trabalho de conclusão de curso apresentado como exigência parcial, para a obtenção do grau de Bacharel no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Orientadora: Prof. Drª. Rosângela Paulino de Oliveira. _________________________________________________Presidente: Profª. Drª. Rosangela Paulino de Oliveira – Orientadora, UNINOVE SÃO PAULO, 02 DE DEZEMBRO DE 2011
    • AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida, pela capacidade dedesenvolver esse trabalho e principalmente por permitir que eu convivesse compessoas extraordinárias e que me apoiaram durante todo esse período de batalha. Aos meus pais e meu irmão por todo o apoio, carinho e paciência. Agradeçopor acreditarem no meu potencial, por investirem em minha educação e serem omeu maior exemplo de luta e conquista. Obrigada por respeitarem a minha opçãopela carreira jornalística. Agradeço também aos meus avós, especialmente a minha avó Maria, quejunto com meu avô José (em memória), sempre me ensinou o valor da educação eintegridade. A professora e orientadora Drª Rosângela Paulino de Oliveira, peloacompanhamento, paciência e preciosos conselhos. A todos os colegas de classe, amigos e aqueles que de alguma formacontribuíram para que esse trabalho fosse realizado.
    • Não existem locais remotos. De acordo com os meios decomunicação atuais, tudo é agora. Herbert Marshall McLuhan
    • RESUMOA presente monografia analisa a prática jornalística da Folha de S. Paulo no Twitter,com foco no relacionamento com seus leitores. Foram observados os fenômenos daexpansão e da velocidade da internet que permitiram aos os veículos jornalísticosalcançarem um novo público, divulgar a notícia de forma instantânea e suasadaptações a essa nova tecnologia. Abordamos o contexto de busca pela produçãoe distribuição da notícia em tempo real que emergiu a prática do webjornalismo. AFolha de S. Paulo, um dos maiores jornais em circulação no Brasil foi um dospioneiros a adotar essa prática e a disponibilizar o conteúdo do jornal impresso emseu website. A partir do ano 2000 essa prática passou a ser cada vez mais utilizadapelos jornais ao redor do mundo, criando até mesmo uma concorrência entre osportais de notícias e os jornais impressos. Com a popularização das redes sociais,suas ferramentas de compartilhamento instantâneo e ambiente favorável aodesenvolvimento da inteligência coletiva, os jornais passaram também a participardessas redes. Para uma melhor análise dos fatos, fizemos uma comparação entreos perfis criados pelos dois principais veículos jornalísticos do estado de São Paulo,@folha_com (perfil de Folha de S. Paulo) e @estadao (perfil de O Estado de S.Paulo) na rede social de microblog Twitter.Palavras - chave: webjornalismo; redes sociais; inteligência coletiva; Twitter; Folhade S. Paulo; O Estado de São Paulo
    • LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 1 - Ilustração da primeira edição do jornal Folha da noite..........................12FIGURA 2 - Ilustração do Twitter de @folha_com....................................................28FIGURA 3 - Ilustração de tweet de @folha_com com link de redirecionamento para o portal de notícias........................................................................28TABELA 1 - Editorias, perfis, números de seguidores e de contas seguidas no Twitter....................................................................................................29FIGURA 4 - Ilustração de tweet de @folha_com retweetado por 33 seguidores......29FIGURA 5 - Ilustração de matéria publicada no site Folha.com com ícone de compartilhamento do T witter..................................................................30TABELA 2 – Análise dos perfis de @folha_com e @estadao feita no período de 10 a 11 de novembro..............................................................................31
    • SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................071. DO JORNALISMO COLONIAL AO JORNALISMO ONLINE.............................091.1 O INÍCIO DO JORNALISMO NO BRASIL...........................................................091.2 SURGE O GRUPO FOLHA.................................................................................122. O JORNALISMO NA WEB..................................................................................152.1 A WEB SE TORNA 2.0, A WEB DA INTERATIVIDADE......................................182.2 JORNALISMO MÓVEL........................................................................................192.3 BLOGS............................................................................................................... 192.4 A POPULARIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS......................................................203. A INTELIGÊNCIA COLETIVA NO CIBERESPAÇO...........................................223.1 CONCEITO DE CIBERESPAÇO............................................................... ..........223.2 A INTELIGÊNCIA COLETIVA NO TWITTER.....................................................244. ESTUDO DE CASO – O USO DO TWITTER PELA FOLHA DE S. PAULO.....284.1 ANÁLISE.............................................................................................................31CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................33REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................35
    • INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo analisar o comportamento do perfil do jornalFolha de S. Paulo na rede social de microblog Twitter. As redes sociais de microblog, embora muito usadas atualmente como umrápido meio de obter e compartilhar informações não se caracterizam por si só comoum veículo jornalístico, porém, muitos veículos de informação passaram a utilizá -lona prática que atualmente é chamada de microjornalismo. A observação desse grande fluxo de informações que transitam no microblogTwitter remete à importância de analisar os modos de participação, divulgação danotícia, relacionamento com o leitor e o impacto dessa rede social de internet e deque forma ela pode mostrar-se aliada de um grande e tradicional veículo jornalísticocomo a Folha de S. Paulo. Embora no Twitter nem todas as fontes sejam confiáveis, o jornalista podefiltrar, analisar e escolher a melhor forma de interpretar as informações divulgadasnessa mídia. Esses dados, quando bem analisados no microblog, podem tornar-seuma ferramenta auxiliar do jornalismo digital, e também das mídias tradicionais, noque se refere a cobertura em tempo real, capacidade e rapidez na disseminação denotícias, compartilhamento de links, complementação de uma reportagem eprincipalmente proximidade do público. Para compreender a adaptação e convergência da Folha de S. Paulo ao meioweb e sua relação com as mídias sociais, o trabalho levanta em seu primeirocapítulo, um histórico das principais mudanças do jornal Folha de S. Paulo ao longode suas nove décadas de existência, levando em conta sua linha editorial,adaptação a novas tecnologias e seu comportamento frente às transformaçõessociais e dos meios de comunicação. No segundo capítulo abordamos os processos de migração de veículosjornalísticos para a internet, suas adaptações ao webjornalismo nos primeiros anos ecomo se deu esse processo de convergência e adaptação de conteúdo.
    • Aspectos importantes a serem considerados e que dizem respeito à mudançada prática jornalística, produção e disseminação de conteúdo na web 2.0,caracterizada por novas ferramentas colaborativas são levantados nesse capítulo. Ainda falando de participação, abordamos a popularização das redes sociaise as características que as tornam favoráveis ao uso jornalístico, como a rapidez nadivulgação das notícias. O terceiro capítulo apresenta o conceito de inteligência coletiva usado porPierre Lévy e os meios através dos quais esse fenômeno se desenvolve nociberespaço. Contextualizado esse conceito, passamos a analisar como ele ocorre na redesocial de microblog Twitter e como as suas redes e seu design colaborativofavorecem esse fenômeno. No quarto capítulo passamos a observar o comportamento do perfil@folha_com criado pela Folha de S. Paulo no microblog. Analisamos a forma comoo veículo divulga as notícias e principalmente o nível de interação estabelecido comos leitores. Finalmente apresentamos uma análise relacionando os propósitos e os fluxosde interatividade no microblog, o uso que o jornal Folha de S. Paulo tem feito nessarede social e como esse uso tem influenciado no jornalismo desse veículo.
    • 1. DO JORNALISMO COLONIAL AO JORNALISMO ONLINE1.1 O INÍCIO DO JORNALISMO NO BRASIL Para poder analisar a trajetória de um veículo de comunicação com ce rca denove décadas de existência, torna-se primordial analisar a história que precede seusurgimento em termos de imprensa e contexto social. A imprensa no Brasil surge tardiamente e enfrentando muitas dificuldades,cerca de 200 anos depois de países como os Estados Unidos e até mesmo outrascolônias. Estudiosos afirmam que esse atraso se deu devido graças à ausência docapitalismo e da burguesia. Se observarmos os países nos quais a imprensa se desenvolveurapidamente, há de se notar que naquele contexto já começava a se desenvolver ocapitalismo. O primeiro jornal oficial a circular no Brasil data de 1808. “A Gazeta do Rio deJaneiro”, sem atrativos para o público, pois tratava basicamente de assuntosrelacionados à Europa e a Família Real. De forma parcial, seu foco era ressaltar asqualidades dos nobres portugueses. Tal linha editorial não poderia ser diferente,uma vez que os textos eram extraídos dos jornais de Lisboa, os quais tinham comoclaro objetivo agradar a Familia Real. Em contra partida a essa linha editorial caracterizada pela falta deimparcialidade surge o jornal não oficial “Correio Braziliense” que publicavaconteúdos críticos, como o trecho abaixo: “O primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela e cada um deve, segundo suas forças físicas ou morais, administrar, em benefício da mesma, os conhecimentos ou talentos que a natureza, a arte ou a educação lhe prestou. O indivíduo que abrange o bem geral duma sociedade, vem a ser o membro mais distinto dela: as luzes que ele espalha tiram das trevas ou da ilusão aqueles que a ignorância precipitou no labirinto da apatia, da inépcia e do engano. Ninguém mais útil, pois, do que aquele que se destina a mostrar com evidência os acontecimentos do presente e desenvolver as sobras do futuro. Tal tem sido o trabalho dos redatores das folhas
    • públicas quando estes, munidos de uma crítica sã e de uma censura adequada representam os fatos do momento, as reflexões sobre o passado e as sólidas conjecturas sobre o futuro.” ( Primeiro parágrafo do exemplar nº 1 do Correio Braziliense – junho de 1808 ). O jornal era redigido por Hipólito José da Costa, brasileiro que escreviaforagido na Inglaterra. Chegou até a enfrentar críticas pelo fato de redigir o periódicoem outro país, porém, atribuía a publicação distante à censura existente no Brasil econsequentemente ao risco que os redatores corriam nessa época. A repressão porparte das autoridades era grande o que levou à proibição da circulação do jornal emterritório nacional. Os exemplares, que possuíam cerca de 100 páginas chegavam ao Brasilclandestinamente. Dentro de sua linha editorial estavam temas que afetavam oBrasil, Inglaterra e Portugal. Porém, hoje podemos avaliar que a publicação seaproximava mais de uma revista do que um jornal, devido a sua periodicidademensal, volume de páginas e informações. Por volta de 1820, as perseguições por parte dos súditos e subordinados daCoroa encerraram e o mesmo pode circular livremente no Brasil. No entanto, o seupapel crítico não era tão forte como antes, devido ao surgimento de novos jornaisque poderiam refletir mais de perto opiniões sobre a Coroa. Em São Paulo o primeiro jornal surge em 1827, um pouco tarde secomparado com cidades como o Rio de Janeiro, que já possuía nove veículosimpressos. “O Farol Paulistano” começou a circular em 2 de fevereiro desse ano,quando também foi fundada a Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Estateve uma grande influência na cultura da cidade na metade do século XIX. Nomescomo Rangel Pestana e Teófilo Otoni foram fundamentais na disseminação deperiódicos literários. A partir daí, outros jornais começaram a surgir pelo Brasil, tanto comoobservadores, como na forma de veículos que interferiram de alguma forma nasociedade.
    • Exemplos são jornais como “A República”, datado de 1870, que tornou-sefamoso por publicar o Manifesto Republicano. Outro foi o “Correio Paulistano”, quetratava de temas como a abolição e a República. Em janeiro de 1875 começava a circular “A província de S. Paulo”, que logomais se tornaria “O Estado de S. Paulo”, um dos principais concorrentes da “Folhade S. Paulo”. O jornal, assim como “O Correio Paulistano”, surgiu com o intuito decombater a escravidão e a monarquia. O momento da inauguração era propício, poisa cidade de São Paulo passava por uma época de desenvolvimento e crescimentourbano. Um fato marcante para o jornalismo nacional foi a criação da AssociaçãoBrasileira de Imprensa, em 1908. O objetivo era defender as causas dos jornalistas eprofissionais de imprensa de forma neutra. Os idealizadores da associação foramGustavo de Lacerda, Mário Galvão e Amorim Júnior que acreditavam que os jornaisnão cumpriam seu papel social. Na época esses veículos costumavam defender osinteresses empresariais e apenas visavam o lucro de se seus proprietários. Aassociação sofreu resistência no início, pois os participantes eram classificadoscomo anarquistas, porém, com o tempo e em busca por uma instituição que osdefendessem e representassem. Os jornalistas da época foram aderindo à entidadeaos poucos. Na primeira década do século XX, junto com a expansão industrial e odesenvolvimento da cidade de São Paulo, surgem as primeiras grandes empresasjornalísticas. Um exemplo é “A Gazeta”, dirigida por Adolfo de Araújo, que chegariaàs mãos de Cásper Líbero em 1918. O momento era bom para a imprensa paulista. São criados diversos veículos,principalmente revistas. Entre elas, “A Cigarra”, de Gelásio Pimenta, uma das maisfamosas na história da imprensa brasileira. Nomes como Olavo Bilac e Plínio Barretocolaboravam para os textos da revista.
    • 1.2 SURGE O GRUPO FOLHA É nesse contexto de consolidação da fase industrial no Brasil, no período pós-Primeira Guerra Mundial que surge o grupo Folha. Em 19 de janeiro de 1921, Olival Costa e Pedro Cunha criam a “Folha daNoite”. Organizado como uma empresa, no início, procurava criticar os serviçospúblicos. A redação era localizada à Rua São Bento, no centro de São Paulo e aimpressão dos exemplares era feita na oficina do “O Estado de S. Paulo”. Figura 1. Ilustração da primeira edição do jornal Folha da noite. Em de 24 de outubro de 1930, a multidão que comemorava a deposição dopresidente Getúlio Vargas depredou as instalações da Folha. Máquinas de escrevere móveis foram incendiados como forma de protesto ao veículo que apoiava o ex-presidente. Nos anos seguintes muitas mudanças importantes ocorreram no grupo, comoa criação de um novo jornal, o “Folha da Manhã”, versão matutina da “Folha da
    • Noite”. Porém, nos anos seguintes, uma das mais importantes ocorreu na linhaeditorial, quando o jornal foi vendido ao cafeicultor Octaviano Alves Lima. A partirdaí, as matérias passaram a reproduzir os interesses liberalistas e em oposição aoEstado Novo. Entre outras modificações, veio também um novo nome para o grupo,que passa a ser chamado de “Folha da Manhã”. Entre os fundamentos do bom jornalismo está a imparcialidade, porém, épossível observar que não foi o que ocorreu no ínicio da história da imprensa emnosso país O jornalista deve ter suas opiniões, mas saber respeitar as opiniões dos outros; dever perseguir a imparcialidade, as várias versões sobre o mesmo fato, ouvindo todos os lados envolvidos na notícia. (STEINBERGER, 1998, p:24). Sendo assim, apenas cerca de 130 anos após o surgimento da imprensa noBrasil, na década de 40, quando o controle do jornal passou às mãos de JoséNabatino Ramos, a Folha determinou como objetivo buscar a imparcialidade. Nessa segunda metade do século, a imprensa passa a produzir num ritmomuito mais acelerado e logo aumenta o seu número de tiragens e as empresaspassam a priorizar a especialização dos jornalistas. A linha editorial apresentava matérias de interesse da classe média, comassuntos como saúde e educação. Durante um longo período, a “Folha de S.Paulo” mostrou-se um jornal semgrande projeção no cenário nacional. Devido algumas dívidas, em 13 de agosto de1962, e enfrentando uma greve dos jornalistas, José Nabatino viu-se obrigado avender seu jornal aos empresários Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho.É nesse período também que se inicia o processo de modernização do parquegráfico e o jornal passa a ser impresso em cores. Nos anos 70, ainda durante o regime militar, a “Folha de São Paulo” publicouem suas páginas textos de escritores perseguidos pela ditadura, e se dizia a favor
    • da redemocratização do país. Porém trechos de suas publicações da épocademonstram que no início, a postura do grupo Folha era outra. Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. (Trecho da Folha de S. Paulo, publicado em 22 de setembro de 1971). O próprio diretor de redação na época, Otavio Frias Filho, afirmou que a Folhanão sofreu censura por motivos de natureza financeira e, por isso, não tiveramcensores atuando dentro de suas redações, como ocorreu em diversos outrosveículos que se opuseram ao regime militar. A seguir, em 80, passa o jornal com maior distribuição no território Brasileiro.A década também é marcada pela informatização da redação de forma pioneira nopaís. Criou-se em 1984 o Manual de Redação da Folha. Um fato importante nessa época é a criação do instituto Data Folha, criadoinicialmente para fazer pesquisas e coletar dados relacionados às eleições eassuntos de opinião pública, porém depois passa a ser um órgão independente queatende a clientes externos também. A década seguinte foi marcada por inovações no grupo Folha. Uma novareforma gráfica é feita e baseado no fato de que o novo perfil de leitor não temtempo e nem paciência, passam a produzir textos mais concisos e também a utilizarmais recursos como fotografias, imagens, infográficos e artes.
    • 2. O JORNALISMO NA WEB Desde o início do século XIX, quando surgiram as primeiras atividadesjornalísticas na Europa, um dos objetivos principais dos veículos de informação é dara notícia com a maior rapidez possível. O furo de reportagem e a possibilidade deinformar em primeira mão sempre foram muito valorizados no jornalismo, e não seriadiferente com o advento da internet. Sempre que uma nova mídia surge, no início ela é nada mais do que umaadaptação da mídia anterior. Quando surgiu a televisão, as reportagens eram textosde rádio lidos na frente de uma câmera. Somente após alguns anos as novastécnicas foram aprimoradas para que essa nova mídia fosse melhor utilizada. Novosrecursos foram implantados como a utilização de gráficos, fotografias, vídeosgravados entre outros. O mesmo ocorreu com a chegada da internet. As empresas de notícia foramas primeiras a alimentarem a rede com conteúdo na década de 90, porém, o que erachamado de jornalismo online era apenas a postagem de exemplares de jornaisimpressos, digitalizados nas páginas da web. Com o passar dos anos e a popularização da internet, as empresasjornalísticas perceberam a necessidade de usar uma linguagem própria para essanova mídia, diferente da simples transcrição do jornal impresso. É neste contextoque surge o webjornalismo e os portais de notícias. Em meados da década de 90, a Folha já dava sinais de que pretendia aderiràs mídias alternativas, porém mostra-se ao mesmo tempo estar cautelosa, pois ainternet ainda era pouco acessível no Brasil, e os valores de investimento por partedos grupos jornalísticos que pretendiam estar online eram altos. Por outro lado,veículos concorrentes como “O Globo” e a Agência Estado já haviam entrado nessanova mídia. Pouco depois, o grupo optou por acompanhar a nova tendência do jornalismona internet. Como um dos principais conglomerados de comunicação no país,principalmente quando se trata de audiência e publicidade, o grupo cria em 1995, aFolha Web, o primeiro jornal com notícias em tempo real e em língua portuguesa.
    • Em 1996 o grupo cria o UOL-Universo Online, provedor de internet, quepermitia aos usuários da internet (um número pequeno na época) realizar buscasrelacionadas ao conteúdo publicado nos jornais “Folha de S. Paulo”, “The New YorkTimes”, “Notícias Populares”, “Folha da Tarde” e revista “Isto É”. O conteúdo mostrava-se mais noticioso do que aprofundado nas matérias,fator que ainda se mostra presente no jornalismo online atualmente. No ano 2000, o IG 1 já atualizava seu portal de notícias a cada minuto. Destaforma, era possível visualizar em uma só tela, dezenas de títulos de matérias,ficando claro que as técnicas de apuração e verificação de fontes na web não eramtão criteriosas como as utilizadas nas mídias tradicionais. O portal que antes se chamava Folha.Web, passa a ser conhecido comoFolha.com. Algumas editorias são as mesmas do jornal impresso, como Mundo,Mercado, Cotidano, Esporte, Ilustrada, Economia, entre outras. . O que realmente podia se observar era uma busca frenética dos grupos decomunicação pela rápida difusão da informação, o que o jornalista e sociólogoIgnácio Ramonet chamou de instantaneísmo: Ela se acelerou até alcançar o limite absoluto de aceleração. A que velocidade circula a informação hoje? À velocidade da luz, ou seja, 300 mil quilômetros por segundo. Passamos de um mundo de jornalismo para um mundo do imediatismo, do instantaneísmo, não há tempo para estudar a informação. A informação é feita cada vez mais de impressões, de sensações.(RAMONET, 2003: p: 247). Diversos nomes foram designados para essa prática. Entre eles webjornalismo, jornalismo digital, ciberjornalismo, jornalismo de hipertexto e jornalismoonline. A internet apresentou novas formas de produzir informação, e transformou owebjornalismo em uma prática que abrange diversas possibilidades: a convergênciatexto, áudio e vídeo, e a quebra de linearidade oferecida pelo hipertexto. Amultimídia passou a caracterizar o webjornalismo pela rapidez, interatividade efluidez da informação1 Sigla para Internet Group, provedor de acesso à internet criado em janeiro de 2000.
    • Se na produção da notícia dos jornais impressos há um ciclo de produçãoindustrial no qual cada um tem a sua função e existe uma hora específica para ofechamento e envio para a gráfica, no jornalismo de web, o tempo de fechamento édeterminado pelo período em que o fato aconteceu e a redação do texto pelojornalista O processo de produção de notícias do jornal impresso possui diversasfunções como pauteiro, repórter, editor e diagramador. No jornalismo digital, essasfunções são centralizadas todas nas mãos de um só profissional. O perfil do profissional de jornalismo da web é de um jovem, muitas vezesrecém formado, e que sabe lidar com softwares e tecnologia. Ele acaba sendo oresponsável pelo processo de produção da notícia da apuração até a publicação.Esse processo impede que outra pessoa revise ou faça a edição, fator que implicana qualidade das matérias publicadas, as quais muitas vezes apresentam erros.Essa falta de editores nas redações de jornalismo digital, não interfere some nte naquestão da falta de revisão de erros do texto, mas também no fato de poder explorarquestões que o repórter não soube abordar. A Folha de S. Paulo passou a disponibilizar o jornal impresso em formatodigital em seu website, numa tentativa de aliar a mídia tradicional à internet. Noinício era possível acessar essa versão online gratuitamente pelo período de 30dias. Hoje, só é possível ter acesso a esse conteúdo mediante contrato deassinatura mensal. Através de situações como essa é possível observar que o advento dojornalismo online exerce grande influê ncia sobre as tiragens do jornal impressoFolha de S. Paulo. Atualmente, a média é de 292 mil exemplares, ou seja, 137 milexemplares a menos do que no ano 2000, período de maior distribuição do mesmo,no qual a tiragem era de 429 mil exemplares. Desta forma, a Folha de S. Paulo seguiu procurando adaptar-s às novasmídias ao mesmo tempo em que tenta manter a produção e sustentar a circulação efidelidade dos leitores do tradicional jornal impresso
    • 2.1 A WEB SE TORNA 2.0 – A WEB DA INTERATIVIDADE Tim O´Reily, fundador da empresa O´Reily Media2 percebeu que váriasmudanças haviam ocorrido na internet, como o surgimento de ferramentascolaborativas e plataformas que permitiram navegar na internet com maiorinteratividade. Nessa nova forma de se relacionar, o jornalista não mais escreve para que oleitor acompanhe o texto passivamente, como acontecia na Web 1.0. Ele podeparticipar de fóruns, e postar um comentário na mesma página, referente àquelanotícia. A postagem de um texto pode ser vista como o início de uma discussão,agregando diversos pontos de vista que podem enriquecer a notícia. Outra característica que confere mais autonomia a participação ao leitor sãoos hipertextos – conjunto de significações que se interligam através de palavras,fotografias, páginas, imagens entre outros. Essa forma de disponibilizar conteúdoquebra a linearidade que antes era utilizada nos textos de impresso e também daWeb 1.0. Nela, o modelo de hierarquia é rompido e o leitor pode escolher quaisconteúdos relacionados àquela notícia gostaria de ver. Sites de jornalismo cidadão também são outra forma de interatvidade na webrelacionada à notícia. Alguns são basicamente plataformas online onde as pessoaspodem postar vídeo ou fotos sobre praticamente qualquer assunto. Outros seconcentram em uma área geográfica específica e proporcionam uma cobertura maisobjetiva, específica. Nesse contexto de crescimento da interatividade e participação de milharesde pessoas ao redor do mundo, no qual qualquer usuário da web passou a poderpostar textos e conteúdos multimídia. Um outro ponto discutido a respeito da web colaborativa são os blogs, que,inicialmente surgiram como uma forma de diário online, mas que com o passar dotempo adquiririam outras funções e, questionava-se se era uma forma de jornalismo.2 Empresa americana de mídia que publica livros e websites sobre informática.
    • 2.2 JORNALISMO MÓVEL No ano de 2005 o Brasil já possuía mais de 80 milhões de pessoas utilizandoserviços de telefonia móvel. Nesse contexto de surgimento de novas mídias, asempresas jornalísticas viram nesse mercado uma oportunidade em potencial para adivulgação de notícias. O grupo Folha, em 2000 lançou seu site WAP – também conhecido comoprotocolo de aplicação sem fio – com conteúdo da sua página na internet, a FolhaOnline. Logo em seguida alguns grupos como O Estado de S. Paulo, iG, EditoraAbril e outros também apostaram no lançamento de serviços de notícias através docelular. A publicação de notícias nessa nova mídia também exigiu a criação de umnovo setor dentro das redações, direcionados especificamente para a produção deconteúdo móvel e o investimento em softwares que publicam conteúdo de formaautomática nos celulares. Em alguns casos, como o da Folha de S. Paulo, as notícias são publicadaspor robôs que analisam as notícias mais acessadas no site Folha Online eselecionam os dois primeiros parágrafos e os publicam no Folha WAP. Nessa mídia é possível fazer uma comparação de uma publicação, com olead de uma matéria publicada em um jornal impresso, na qual em média doi sparágrafos resumem a notícia. Embora esse seja um meio rápido de informar, o perfil dos consumidores detelefonia móvel no Brasil não favorece esse mercado, pois a maioria dos clientes éproprietária de linhas pré-pagas e o acesso ao WAP possui tarifas a ltas.2.3 BLOGS O blog, termo resultante da contração “Web log”, é o site cuja estruturapermite ao usuário fazer uma rápida atualização a partir da postagem de artigos, oucomo são popularmente conhecidos, “posts”.
    • Os posts geralmente são organizados de forma cronológica inversa, e podemser escritos por diversos usuários. Os blogs se caracterizam com uma das principais ferramentas de participaçãoe interatividade na internet. O que no início (2000) era considerado apenas um diáriode adolescente expondo situações banais do cotidiano mostrou-se ser um grandeespaço colaborativo no qual as pessoas podem comentar e receber as atualizaçõesde postagens através da assinatura do feed RSS 3. O uso jornalístico dos blogs se caracteriza pelo fato de ele servir como umespaço de livre expressão de opinião, onde é postado o que não pode ser publicadopelos jornalistas nos websites e jornais impressos. Muitos veículos jornalísticos como “The New York Times”, a “Folha de S.Paulo”, entre outros fazem uso dos blogs nos quais os jornalistas e editorespublicam textos e debatem assuntos da atualidade com os leitores, ponto primordialque diferencia essa ferramenta do restante das mídias convencionais.2.4 A POPULARIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS As redes sociais são consideradas uma representação das interações sociaise podem ser usadas para a propagação de idéias e o aumento do vínculo social. Com interfaces que permitem que as pessoas acompanhem virtualmente avida de amigos, conhecidos e familiares, o número de pessoas em redes sociais temcrescido muito nos últimos anos. Facebook, LinkedIn e MySpace, são algunsexemplos de redes que contém milhões de membros . Embora as redes sociais tenham alcançado seu auge recentemente, é umfenômeno nascido no contexto da Web 1.0. De acordo com Hornik (2005), existemtrês fases distintas de redes sociais: Redes 1.0: coordenação em tempo real entre usuários (ICQ, MSN); Redes 2.0: entretenimento, contatos profissionais, marketing social (Orkut, MySpace);3 Sigla para Really Simple Syndication. São arquivos que armazenam links e resumos de um tex to publicado naweb.
    • Redes 3.0: aplicativos e mobilidade (Facebook, Twitter).  Facebook: Rede social de internet criada por Mark Zuckerberg, DustinMoskovitz, Eduardo Saverin e Chris Hughes em 2004. Atualmente possui mais de750 milhões de usuários cadastrados. Por mês, os usuários postam mais de 30milhões de mensagens de conteúdo nos murais. Inicialmente a rede era restrita aosestudantes da Universidade de Harvard, posteriormente passou a agregar outrasuniversidades e, em 2006,passou a ser aberto para todos os usuários da Internetcom idade mínima de 13 anos. Hoje o Facebook é a maior rede social da internet.Ao criarem suas contas no Facebook, os usuários podem se juntarem-se através deredes temáticas, como universidades, cidades, empresas etc. Entre as ferramentasmais utilizadas da rede, está a postagem de fotos pelos usuários em suas contas, oque também torna o Facebook o site no qual é postado a maior quantidade de fotosde toda a internet, com cerca de 250 milhões de fotos publicadas mensalmente.  ORKUT: Criado em 2004, no início era uma rede destinadaexclusivamente aos funcionários do Google. Em seguida passou a ser aberta atodos os usuários da internet que fosse maiores de 18 anos. Sua sede era naCalifórnia até 2008, mas devido ao grande sucesso no país, a rede passou a sercontrolada no Brasil. Os usuários podem se relacionar adicionando contatos etambém através de comunidades com temas de interesse em comum.  MYSPACE: Criada em 2003, é a segunda maior rede social do mundo(atrás do Facebook). Sua estrutura permite a criação de perfis nos quais sãopossíveis postar fotos e vídeos. O MySpace se diferencia das demais redes sociaisporque permite que pessoas não cadastradas também possam visualizar os perfisdos usuários cadastrados. Um dos principais diferenciais do MySpace é adisponibilização de arquivos de áudio no formato MP3, o que atraiu o interesse denovos artistas musicais.
    • 3. A INTELIGÊNCIA COLETIVA NO CIBERESPAÇO3.1 CONCEITO DE CIBERESPAÇO Para observar como se dão os processos de disseminação da informação eda interatividade entre os usuários nas redes sociais, e especificamente do Twitter,faz se necessário procurar entender o meio em que o mesmo ocorre: o ciberespaço. Ao observar a rapidez com que os novos meios de comunicação sedesenvolviam, Herbert Marshall McLuhan, filósofo e educador canadense, criou oconceito de Aldeia Global. Ao desenvolver esse conceito na década de 60, McLuhan se referia à globalização e a interconexão de comunidades através das novastecnologias e mídias eletrônicas. Nesse contexto, as pessoas poderiam secomunicar e ficarem mais próximas, como numa aldeia. Embora o conceito de Aldeia Global criado por Marshall McLuhan aborde acomunicação e a interatividade entre pessoas distantes através de novastecnologias em geral, na época, aplicava-se a mídias como rádio e televisão, umavez que o primeiro computador pessoal foi lançado apenas em 1971. A ideia de ciberespaço diretamente relacionada à conexão entrecomputadores foi desenvolvida pela primeira vez em 1984, pelo escritor canadenseWilliam Gibson, em seu livro de ficção científica Neuromancer. Ciberespaço. Uma alucinação consensual experimentada diariamente por bilhões de operadores legítimos, em todas as nações, por crianças sendo ensinadas conceitos matemáticos ... Uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de cada computador no sistema humano. Complexidade impensável. Linhas de luz variadas no não-espaço da mente, aglomerados e constelações de dados. Como luzes da cidade, retrocedendo... (GIBSON, 1984) Passados 15 anos da criação do termo ciberespaço por Gibson, o francêsPierre Lévy aborda o tema de forma menos romântica e mais objetiva. Sua reflexãoaponta para a interação humana dentro de uma esfera informatizada que conceitua
    • como "o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial doscomputadores e das memórias dos computadores". (LÉVY, 1999: p: 92) O filósofo canadense destaca como o ciberespaço possibilita a participaçãodos usuários, diferente de mídias tradicionais como televisão, rádio e telefone. Elesepara em três os tipos de dispositivos de comunicação:  Mídia impressa e televisiva: não existe interatividade, pois há apenas um emissor centralizado e diversos receptores. A comunicação nesse dispositivo é Um e Todo;  Telefone: a comunicação não é feita coletivamente, portanto é chamada Um e Um;  Espaço cibernético: apresenta uma nova forma de interatividade, na qual a comunicação ocorre de forma coletiva, chamada de Todos e Todos. Nessa nova esfera de relações, destaca-se a importância de observar o fatode a informação estar sob a forma de rede e não apenas a mensagem em si, pois ainformação já existe em dicionários, enciclopédias e outras mídias de leitura estática.No caso do jornalismo, está nos tradicionais jornais impressos. O diferencial dociberespaço é o modo como as pessoas participam da construção da informação. Em primeiro lugar, não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor. O segundo ponto é que tanto a escrita como a leitura vão mudar o seu papel, porque o próprio leitor vai participar da mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático, uma vez que ele tem diante de si não uma mensagem estática, mas um potencial de mensagem. Então, o espaço cibernético introduz a idéia de que toda leitura é uma escrita em potencial. (LÉVY, 1994, p. 1) O hipertexto é apontado pelo filósofo francês como um dos exemplos daconstrução coletiva da informação. Nele, diversos usuários podem redigir eacrescentar conteúdos, o que significa que a colaboração de diversos autorespermite que um texto esteja em transformação constante.
    • É nesse espaço dotado de ferramentas diversas que favorecem ainteratividade e a troca de informação que emerge a chamada Inteligência Coletiva. A inteligência coletiva parte do princípio de que todas as inteligênciasindividuais somam-se e compartilham-se na sociedade, e na internet, ela épotencializada. Ela possibilita a partilha da memória, da percepção, da imaginação.Isso resulta na aprendizagem coletiva e troca de conhecimentos como uma rede depessoas interessadas pelos mesmos temas. Embora o ciberespaço possa ser um ambiente no qual se promova a inteligênciacoletiva, é necessário que o usuário saiba onde encontrar e compartilhar as informações deseu interesse, caso contrário, tornam-se apenas conhecimento e dados espalhados deforma isolada nesse espaço. Para que a inteligência coletiva seja promovida, é necessário haver interconexãoentre as informações, numa junção de linguagem, comunicação e tecnologia. Isso aconteceno contexto das comunidades virtuais na internet, possibilitam a criação de uma memóriacoletiva, provinda da interação entre as pessoas. Um grupo de pessoas só se interessa em constituir uma comunidade virtual para aproximar-se do ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais rápido, mais capaz de aprender e de inventar do que um coletivo inteligentemente gerenciado. O ciberespaço talvez não seja mais do que o indispensável desvio técnico para atingir a inteligência coletiva. (LÉVY, 1999, p: 133)3.2 A INTELIGÊNCIA COLETIVA NO TWITTER Como visto anteriormente, a troca de informação entre os diversos autores eo compartilhamento de conhecimento foi chamado de inteligência coletiva. Nas redes sociais, essa inteligência emerge através da troca de mensagens eo conteúdo compartilhado por seus usuários. Em seu livro Redes Socias Digitais,sobre a cognição conectiva no T witter, Lucia Santaella aborda essa troca deinformações e conhecimento de uma maneira diferente. (...) essa mesma propriedade vem sendo chamada de “ecologia cognitiva”, termo que preferimos aos outros, pois a palavra
    • “inteligência” está muito sobrecarregada culturalmente com o componente semântico de racionalidade, enquanto “ecologia cognitiva” lembra a diversidade e a mistura entre razão, sentimento, desejo, vontade, afeto e o impulso para a participação, estar junto, cuja força brota do simples fato de que é bom se estar junto, ainda mais quando o compartilhamento, a reciprocidade e a cumplicidade não têm outro destino ou finalidade a não ser o puro, singelo e radical prazer de estar junto. (SANTAELLA, LEMOS 2010, p: 25-26) O formato curto de postagem de texto no T witter (permite apenas 140caracteres), chamado tweet é uma das características definidoras da rede social,criada em março de 2006 pelo arquiteto de informação americano Jack Dorsey. Por ser uma grande comunidade virtual, o Twitter também torna-se ummétodo mais aberto de comunicação: o usuário pode compartilhar informações compessoas com as quais não troca e-mail normalmente ou mensagens instantâneas, oque permite abrir o seu círculo de contatos para uma comunidade cada vez maior depessoas que tenham alguma afinidade entre si. Ao contrário da maioria de sites de redes sociais, como Facebook ouMySpace, a relação de seguir e ser seguido não requer reciprocidade. Um usuário pode seguir qualquer outro usuário, e o que está sendo seguidonão precisa seguir de volta. Ser um seguidor no Twitter significa receber todas asmensagens do perfil o qual segue. Existem muitas razões pelas quais os usuários de internet criam uma contano Twitter, mas as mais comuns são para seguir perfis de experts de sua áreaprofissional , para seguir organizações e ativistas engajados em uma determinadacausa, para seguir marcas e empresas que ofereçam algum desconto ou promoção. Regularmente o microblog tem sido usado para organizar protestos, às vezeschamados de "Revoluções do Twitter" e que incluem recentemente os protestos daPrimavera Árabe, e a respeito da eleição iraniana. Outro exemplo de sucesso expressivo é o uso do T witter pelas emissoras deTV americanas, que incentivam as pessoas a assistirem aos eventos ao vivo, comoo Oscar e o Super Bowl, principal campeonato de futebol americano. O número veículos de comunicação como jornais, revistas e emissorasbrasileiras que possuem perfis no Twitter, é crescente.
    • Através deles os seus seguidores podem receber as principais manchetes,dispensando a necessidade de acessar o site desses veículos. Além disso, oseguidor também poderá compartilhar essa notícia com seus contatos. Dentre as diversas rede sociais como Orkut, Facebook e MySpace, omicroblog Twitter, é a que possui mais agilidade na distribuição e atualização deconteúdo e a que proporciona maior possibilidade de filtrar a informação que é deinteresse do usuário. Enquanto nas outras redes sociais como Facebook e Orkut ofoco está nos contatos pessoais entre os usuários, no Twitter, o foco encontra-se naqualidade e no tipo de conteúdo veiculado por um usuário específico. Graças ao design colaborativo e aos fluxos existentes no microblog, como asfuncionalidades do RT (retweet), e também do ato de seguir o perfil de um usuário(@usuário) é que o conceito de ecologia cognitiva emerge na rede de microblog.Vejamos como funcionam esses fluxos: Seguir o perfil de um usuário (@usuário): Ao tornar-se seguidor de um perfil, ousuário passa a receber diretamente em sua timeline4 todos os tweets provenientesdo mesmo. Ao seguir vários usuários, cria-se um fluxo de conteúdo formado pelasmensagens twittadas dos escolhidos por esse usuário. Esse fluxo funciona como umfiltro de informações de seu interesse RT (Retweets): Ao utilizar as letras RT antes de um tweet, o usuário estáatribuindo a autoria do conteúdo de uma mensagem ao seu autor original, ou seja, eretransmitindo-a para seus seguidores. Esse é um dos meios mais utilizados paracompartilhar as informações no microblog, pois os usuários que não seguem o perfildo autor original do tweet podem ter acesso ao mesmo. No início o retweet era feito manualmente, ou seja, o usuário deveriaacrescentar os caracteres RT ao lado do nome de usuário do autor. Quando umamensagem é “retweetada”, os caracteres aparecem em negrito no início damensagem. Outra ferramenta de destaque no contexto da ecologia cognitiva no Twittersão os trending topics, palavras ou frases que são postadas múltiplas vezes no4 O termo timeline no Twitter é usado para descrever o fluxo de tweets que aparecem na página inicial dousuário em tempo real . http://support.twitter.com. acesso em 09/11/2011
    • microblog. Os trending topics se popularizam através de um grande número depostagens que os usuários fazem a respeito de um acontecimento e que leva aspessoas a falarem cada vez mais sobre um determinado assunto. Estes tópicosgeralmente ajudam os usuários do Twitter a entender o que está acontece ndo nomundo.
    • 4. ESTUDO DE CASO – O USO DO TWITTER PELA FOLHA DE S. PAULO Desde 30 de abril de 2008, quando o site de notícias Folha.com criou a suaconta no Twitter com o endereço de @Folha_com até o dia 27 de abril de 2011foram postados 39.829 tweets. É o segundo maior jornal da cidade de São Paulo emnúmero de seguidores, com 223.863. Figura2. Ilustração do Twitter de @folha_com. Nesse perfil são postadas as principais notícias do dia, com manchetes dediversas editorias. Analisando o período de 26 a 27 de outubro de 2011 foram postados 170tweets, todos com link de direcionamento para o site de notícias Folha.com.Figura 3. Ilustração de t weet de @folha_c om, com link de redirecionamento para o portal de notícias. Além do perfil @folha_com, o veículo possui outras 12 contas de editoriasdiferentes:
    • Editoria Endereço Seguidores Seguindo Folha de S. Paulo @Folha_com 214.733 160.392 Ciência @folha_ciencia 9.185 30 Cotidiano @folha_cotidiano 8.132 41 Esporte @folha_esporte 15.686 38 Folha Teen @folhateen 8.337 1.261 Folhinha @folha_folhinha 632 91 Ilustrada @folha_ilustrada 38.475 505 Mercado @folha_mercado 11.957 486 Mundo @folhamundo 11.889 59 Poder @folha_poder 51.491 3.912 Tec @folha_tec 31.696 17 Tendências/Debates @folha_debate 4.288 148 Turismo @folha_turismo 6.423 30 Tabela 1. Editorias, perfil, número de seguidores e de contas seguidas no Twitter. Durante o período de análise do perfil de @folha_com, também foi possívelperceber que os usuários retwitam muitas das notícias postadas pelo jornal. Dos 127 tweet s posta dos, todos foram retwitt ados.
    • Figura 4. Ilustração de t weet de @folha_c om ret weet ado por 33 seguidores. No website folha.com existe um ícone de compartilhamento do Twitter acimado título da matéria. Ao clicar, o usuário compartilha a notícia com todos os seusseguidores.Figura 5. Ilustração de matéria publicada no site Folha.com com ícone de compartilhamento doTwitter. O jornal O Estado de S. Paulo, principal concorrente da Folha de S. Pauloestá no Twitter desde agosto de 2007. Atualmente possui 272.038 mil seguidores esegue 73.029 mil usuários. Ao longo desses 4 anos já postou 40.725 mil tweets. A tabela a seguir mostra o resultado da observação dos perfis de @folha_come @estadao no período de 10 a 11 de novembro. Embora o objeto de estudo seja
    • @folha_com optou-se por observar também o seu maior concorrente para podertraçar um paralelo entre o comportamento desses dois veículos de jornalísticos noTwitter. Veículo Folha de S. Paulo Estadão Tweets 248 235 Menções 5 34 (@usuário) Retweets 5 0 Tweets com link 239 217 Uso de hashtags 8 1 Tweets 2585 6523 retweettadosTabela 2: Análise dos perfis de @folha_com e @estadao feita no período de 10 a 11 de novembro.4.1 ANÁLISE Durante o período de observação do objeto de estudo foi possível analisarque o perfil @folha_com postou uma média de 5,1 tweets por hora, enquanto o@estadao postou 4,8. Cerca de 96% dos tweets de @folha_com publicados nesse período possuemlink de redirecionamento para o website Folha.com, enquanto o @estadao publicou92% de seus tweets com link de redirecionamento. A @folha_com mencionou apenas 5 usuários em seus tweets, sendo que 3dessas menções foram feitas a perfis relacionados a editorias do próprio veículototalizando 2% do total de suas postagens, enquanto o @estadao mencionouusuários 34 vezes, dentre os quais apenas 3 eram relacionados ao grupo Estado. O perfil de Folha de S. Paulo retweetou 5 mensagens de usuários, todaspostadas por editorias da própria Folha de S. Paulo. O perfil de O Estado de SãoPaulo, não retweetou mensagem alguma.
    • Ao longo dos dois dias de análise, a @folha_com fez uso de hashtags 5 5vezes. A hashtag #NEM foi utilizada 4 vezes e a hashtag #pesocial6 também foiutilizada a mesma quantidade de vezes. Com relação à quantidade de posts retweetados pelos seguidores, o perfil@estadao teve 6.523 mil, número muito superior aos retweets de a @folha_comcom 2.585 mil. Portanto, através da observação da grande quantidade de tweets com linkque redirecionam o leitor para o website Folha.com, é possível observar que o focode @folha_com no Twitter é direcionado simplesmente à divulgação de notícias. Agrande quantidade de tweets com link de redirecionamento para o site é o principalindicador para essa conclusão. Quanto a interativadade entre o perfil @folha_com e os seguidores do Twitterpode ser associada a de um veículo de mídia tradicional como a TV e a mídiaimpressa como um dispositivo de comunicação Um e Todos, uma vez que não háuma relação de troca através de reply ou menção aos usuários. A interatividade, principal característica das comunidades virtuais não seaplica ao comportamento do perfil na rede de microblog, pois não se adéqua aoambiente e ao design colaborativo oferecido pela rede de microblog.5 Hashtag relacionada à prisão do traficante NEM ocorrida em 09 de novembro de 2011 no Rio de Janeiro.6 Prêmio Empreendedor Social 2011 realizado pela Folha de S. Paulo e a fundação Sch wab.
    • CONSIDERAÇÕES FINAIS A cada nova tecnologia, mídia e ferramenta que surge, os veículos decomunicação buscam a adaptação e também fazer do mesmo um aliado. Foi assimcom o rádio, a TV, internet e é agora com as redes sociais. A internet acentuou e transformou a forma com que os jornais e seus leitoresse relacionam. A busca pela participação e pela criação na web é crescente e osblogs foram os pioneiros nesse sentido. A web 2.0 e suas ferramentas interativas assim como a criação e a expansãodas redes sociais vieram para confirmar o conceito de Aldeia Global de McLuhan.Toda a sociedade global passou a se comunicar instantaneamente através da redemundial de computadores. A emergência da inteligência coletiva citada por Lévy para conceituar aconstrução de conhecimento através da interatividade no ciberespaço se mostracada vez mais aplicável em redes sociais de internet como o T witter, na qual comapenas 140 caracteres é possível transformar um acontecimento local em umamanchete de proporção global; Os jornais, com o passar do tempo perceberam esse potencial na rede socialde microblog e trataram de criar seus perfis. Um grande exemplo é o “The New YorkTimes” o qual está presente no Twitter desde 2007 e hoje é o jornal com o maiornúmero de seguidores, totalizando 4 milhões. Se neste trabalho nos propusemos a analisar o impacto da rede social Twitterno jornalismo da Folha de S. Paulo, podemos afirmar que ele ocorre positivamentena questão da distribuição da notícia em tempo real e a rápida forma de divulgarsuas manchetes. A rede tornou-se uma das principais portas de acesso ao websiteFolha.com. Milhares de seguidores recebem seus tweets, os compartilham e
    • repercutem com seus respectivos contatos. Essa troca gera um grande fluxo deinformações. Ao direcionar os usuários para o website, o microblog contribui para ummaior número de acessos, o que é essencial para os sites de veículos jornalísticosque têm nas publicidades em suas páginas eletrônicas um dos principais meios deobtenção de lucro. Porém, se esse microblog é a rede social na qual o design e os processos deinteração mais favorecem a emergência da inteligência coletiva ou a ecologiacognitiva e a maneira de se relacionar é baseada na troca de informações, énecessário saber utilizá-la e extrair o máximo das funcionalidades que ela oferecepara aproximar-se do leitor. Não existe um manual para o uso do T witter, mas essa éuma rede feita para falar e ouvir. A falta de respostas do perfil @folha_com aos usuários assim como a falta deaproveitamento e divulgação de conteúdo postado por seus seguidores através dosretweets torna a comunicação impessoal. Isso remete quase ao nível de interaçãoexistente entre a mídia impressa e o leitor, não fosse a participação do usuário empoder redistribuir as notícias para seus contatos. Portanto, analisando o comportamento da Folha de S. Paulo sob aperspectiva da prática e difusão de notícias, cobertura em tempo real ecompartilhamento de links, podemos afirmar que o T witter se mostra um aliadodesse veículo jornalístico. Porém, ainda há um potencial na rede a ser exploradopela Folha de S. Paulo no que diz respeito ao relacionamento com o leitor, que nomicroblog deve deixar de ser tratado como um mero receptor e passar também a serconsiderado um gerador de conteúdo.
    • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASFERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. ed.4 São Paulo: Contexto, 2010.______. (org). Hipertexto, hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital.ed1. São Paulo: Contexto, 2010GIBSON, William. Neuromancer. ed.4.São Paulo: Aleph, 2008.LEMOS, R; SANTAELLA, L. Redes Sociais digitais. ed1. São Paulo: Paulus, 2010.LÉVY, Pierre. Cibercultura. ed.3. São Paulo: Editora 34, 1999.LOPES, D. F.; SOBRINHO, J. C.; PROENÇA, J. L. A evolução do jornalismo em SãoPaulo. ed. 2 São Paulo: Edicon: ECA/USP, 1998.McLUHAN, MARSHALL . O meio é a mensagem. Rio de Janeiro: Record,1969.RAMONET, Ignácio. O poder midiático. In: MORAES, Dênis de (org). Por uma outracomunicação.e1d. Rio de Janeiro: Record, 2003.SODRÉ, Nelson Werneck..História da Imprensa no Brasil. ed.4. Rio de Janeiro:Mauad, 1999.STEINBERGER, Margaret Born.. 20 anos de jornalismo. ed. 2. São Paulo: Educ,1998.http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/historia . Acesso em: 30 de abril de 2011.CASTILHO, Carlos. Redes sociais passam a ser a grande porta de entrada aosjornais online. Disponível em:<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/posts/view/redes-sociais-passam-a-ser-a-grande-porta-de-entrada-aos-jornais-online>. Acesso em 15 de agosto de 2011.NASCIMENTO, Karina. Relacionamento Com o receptor. Disponível em:<http://midiaboom.com.br/2010/07/01/relacionamento-com-o-receptor-o-microjornalismo-do-twitter/ >. Acesso em 15 agosto de 2011.RECUERO,Raquel. Cinco pontos sobre redes sociais na internet. Disponível em:<http://www.jornalistasdaweb.com.br/index.php?pag=displayConteudo&idConteudo=3964>. Acesso em 10 de novembro de 2011