Ex ocup ambient2006 (1)

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Ex ocup ambient2006 (1)

  1. 1. Vigilância do CâncerRelacionado ao Trabalho e ao Ambiente
  2. 2. ElaboraçãoFátima Sueli Neto RibeiroGulnar de Azevedo e Silva MendonçaMarcelo Moreno dos ReisPaula Fernandes BritoSilvana Rubano Barreto TurciUbirani Barros OteroApoioCláudia Gomes — Divisão de Comunicação SocialAgradecimentosMarco Perez — Coordenação de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde — COSAT/MSAndré Szklo — Divisão de Epidemiologia — CONPREV/INCARonaldo Correa Ferreira da Silva — Divisão de Atenção Oncológica — CONPREV/INCAFátima Regina Silva de Souza — Área de Vigilância do Câncer relacionado ao Trabalhoe ao Ambiente — CONPREV/INCABruno dos Santos de Almeida Mariano — Área de Vigilância do Câncer relacionado aoTrabalho e ao Ambiente — CONPREV/INCAGisele Netto da Costa Guimarães Neves — Programa Nacional de Eliminação da Sili-cose — COSAT/MS — Fundacentro/MTEMariana Correa Gonçalves — estagiária UERJSilvia Regina dos Santos Gonçalves — estagiária UERJ
  3. 3. Ministério da Saúde Instituto Nacional do Câncer Vigilância do CâncerRelacionado ao Trabalho e ao Ambiente Rio de Janeiro 2006
  4. 4. SumárioApresentação ...................................................................... 6Agrotóxicos ........................................................................ 8I. Introdução ................................................................................................8 1. Definição ....................................................................................................... 8 2. Usos mais freqüentes ....................................................................................... 8 3. Principais grupos expostos ................................................................................ 9II.Toxicidade dos agrotóxicos...........................................................................9 1. Prevalência das intoxicações no país ................................................................. 10 2. Agrotóxicos e câncer ...................................................................................... 10III. Classificação dos agrotóxicos .................................................................... 10 1. Inseticidas ................................................................................................... 11 2. Herbicidas ................................................................................................... 13IV. Recomendações para o uso de agrotóxicos .................................................... 15V. Legislação .............................................................................................. 15VI. Sites de interesse ................................................................................... 17VII. Bibliografia .......................................................................................... 18Amianto ........................................................................... 20I. Introdução .............................................................................................. 20 1. Definição ..................................................................................................... 20 2. Usos mais freqüentes ..................................................................................... 20 3. Exposição ocupacional .................................................................................... 21II. Efeitos sobre a saúde humana .................................................................... 21 1. Toxicologia .................................................................................................. 22 2. Agravos relacionados com a exposição ............................................................... 22 3. Carcinogênese .............................................................................................. 23III. Limites de tolerância ............................................................................... 24IV. Medidas de controle ................................................................................ 24V. Legislação .............................................................................................. 25VI. Bibliografia ........................................................................................... 27Sílica............................................................................... 28I. Introdução .............................................................................................. 28 1. Definição ..................................................................................................... 28 2. Usos mais freqüentes ..................................................................................... 28 3. Exposição ocupacional .................................................................................... 29II. Efeitos sobre a saúde humana .................................................................... 30 1. Toxicologia .................................................................................................. 30 2. Agravos relacionados com a exposição ............................................................... 30III. Limites de tolerância ............................................................................... 32IV. Medidas de controle ................................................................................ 32V. Legislação .............................................................................................. 32VI. Sites de interesse ................................................................................... 33VII. Bibliografia .......................................................................................... 34Radiação ionizante............................................................. 36I. Introdução .............................................................................................. 36
  5. 5. 1. Definição ..................................................................................................... 36 2. Radiação particulada ..................................................................................... 36 3. Radiação eletromagnética ............................................................................... 36 4. Radioatividade ............................................................................................. 37II. Fontes de radiação .................................................................................. 37III. Tipos de radiação ................................................................................... 37 1. Radiação não-ionizante .................................................................................. 37 2. Radiação ionizante ........................................................................................ 37IV. Percepção da radiação ............................................................................. 38V. Efeitos sobre a saúde humana..................................................................... 39 1. Carcinogenicidade ......................................................................................... 39 2. Fatores a serem considerados na relação entre radiação e câncer ............................ 39VI. Exposição ocupacional ............................................................................. 40VII. Medidas de controle ............................................................................... 40VIII. Legislação ........................................................................................... 41IX. Definições ............................................................................................. 41X. Bibliografia ............................................................................................ 43Radiação solar .................................................................. 44I. Introdução .............................................................................................. 44 1. Definição ..................................................................................................... 44 2. Fatores ambientais que influenciam o nível de radiação UV..................................... 45II. Efeitos sobre a saúde humana .................................................................... 46 1. Melanócitos: as células que protegem a pele ........................................................ 46 2. Carcinogenicidade ......................................................................................... 46 3. Fatores de risco ............................................................................................ 48III. Prevenção primária (Medidas de controle)......................................................... 48IV. Conhecendo os filtros solares ..................................................................... 49 1. O que significa o valor do FPS?.......................................................................... 49 2. Como usar ................................................................................................... 50V. Prevenção secundária ............................................................................... 50VI. Bibliografia ........................................................................................... 52Benzeno, Xileno e Tolueno .................................................... 54I. Introdução .............................................................................................. 54II. Benzeno................................................................................................. 54 1. Definição ..................................................................................................... 54 2. Exposição humana ......................................................................................... 54 3. Efeitos sobre a saúde humana .......................................................................... 55 4. Recomendações ............................................................................................. 57III. Xileno .................................................................................................. 58 1. Definição ..................................................................................................... 58 2. Efeitos sobre a saúde humana .......................................................................... 58 3. Medidas de segurança..................................................................................... 59IV. Tolueno ................................................................................................ 60 1. Definição ..................................................................................................... 60 2. Efeitos sobre a saúde humana .......................................................................... 60 3. Medidas de segurança..................................................................................... 61 4. Limites de tolerância ..................................................................................... 62V. Bibliografia ............................................................................................ 63
  6. 6. Apresentação O Ministério da Saúde, por intermédio ro, para o sexo feminino, acompanhando a do Instituto Nacional de Câncer - INCA, vem mesma magnitude observada no mundo. desenvolvendo, desde 2004, o fortalecimen- to da Área de Vigilância do Câncer relacio- Nos ambientes de trabalho podem ser nado ao Trabalho e ao Ambiente, através da encontrados agentes cancerígenos como elaboração e execução de projetos que vi- o amianto, a sílica, solventes aromáticos sam a redução, a eliminação ou ao controle como o benzeno, metais pesados como o ní- de agentes cancerígenos presentes no meio quel e cromo, a radiação ionizante e alguns ambiente e nos ambientes de trabalho. agrotóxicos, cujo efeito pode ser potencia- lizado se for somado a exposição a outros Dentre os objetivos desta área está o fatores de risco para câncer como a polui- desenvolvimento de modelos para a imple- ção ambiental, dieta rica em gorduras trans, mentação de ações sistematizadas na pre- consumo exagerado de álcool, os agentes venção de câncer relacionado ao trabalho e biológicos e o tabagismo. Os tipos mais fre- ao ambiente, como a elaboração de material qüentes de câncer relacionados ao trabalho educativo, manuais, capacitação de profis- são os de pulmão, os mesoteliomas, os de sionais de saúde e metodologias de treina- pele, os de bexiga e as leucemias. mento; apoio e subsídios técnicos às Secre- tarias Estaduais de Saúde; colaboração no O tabagismo aumenta de 3 a 20 vezes o desenvolvimento de sistemas de informa- risco para os cânceres de boca, faringe, esô- ção para a efetiva vigilância da exposição a fago, laringe, pulmão, pâncreas, rim e bexiga. agentes cancerígenos, bem como a realiza- Nas áreas urbanas mais poluídas encontram- ção de pesquisas sobre estes agentes. se os mais altos coeficientes de mortalidade por câncer de pulmão. Existe uma relação No Brasil, as estimativas de câncer entre poluentes atmosféricos e mortalida- para o ano de 2006 apontam a ocorrência de por doença obstrutiva crônica e de vias de 472.050 casos novos dessa patologia respiratórias, mais recentemente com inter- (234.570 casos novos para o sexo mascu- nações hospitalares. O efeito sinérgico entre lino e 237.480 para o sexo feminino). Os álcool e fumo foi demonstrado para vários tipos mais incidentes, à exceção de pele não- tipos de câncer, como boca, faringe, esôfago -melanoma, serão os de próstata e pulmão e laringe. Em relação à radiação ultraviole- no sexo masculino, e mama e colo do úte- ta, existe uma associação bem estabelecida6
  7. 7. com tumores de pele baso e espinocelulares. Dado o peso do câncer entre as do-Os tecidos mais suscetíveis à carcinogênese enças que mais acometem a populaçãorelacionada à exposição à radiação ionizan- brasileira, foi elaborada pelo grupo dete são a medula óssea, a mama e a tireóide. trabalho da Área de Vigilância do Cân-Alguns estudos indicam que os compostos cer relacionado ao Trabalho e ao Am-organoclorados (DDT e BHC) podem au- biente/Conprev/Inca esta publicaçãomentar o risco de câncer de mama. Sobre apresentará informações sobre algunsos agentes biológicos foram observadas as dos principais fatores de risco de câncerseguintes associações: HPV e câncer de colo relacionado ao trabalho e ao ambiente:uterino, vírus de Epstein-Barr e linfoma de poeiras (sílica e amianto), agrotóxicos,Burkitt, vírus da hepatite B e C e hepatoma solventes (benzeno, tolueno e xileno), ra-e HTLV1 e leucemia_T do adulto. diação ionizante e radiação solar. Luiz Antonio Santini Rodrigues da Silva Diretor Geral do Instituto Nacional de Câncer 7
  8. 8. Agrotóxicos I. Introdução 1. Definição No Brasil, o Decreto Federal nº 4.074 de a partir da Constituição Federal de 1988 04 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei (publicada em 1989), sendo esta modifi- Federal nº 7.802, de 11 de julho de 1989, em cação fruto de grande mobilização da so- seu Artigo 1º, Inciso IV, define o termo agro- ciedade civil organizada. Mais do que uma tóxico como: simples mudança de terminologia, este ter- mo coloca em evidência a toxicidade desses Agrotóxicos e afins – produtos produtos para o meio ambiente e para a e agentes de processos físicos, quí- saúde humana (FUNASA, 1998). micos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no ar- Os agrotóxicos possuem ainda diversas mazenamento e beneficiamento de denominações genéricas, como “pesticidas”, produtos agrícolas, nas pastagens, “praguicidas”, “remédios de planta” e “vene- na proteção de florestas, nativas ou no” (Peres et al, 2003). plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja al- 2. Usos mais freqüentes terar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação A maior utilização dos agrotóxicos é na danosa de seres vivos considerados agricultura. São também utilizados na saúde nocivos, bem como as substâncias pública (controle de vetores), no tratamento e produtos empregados como desfo- de madeira, no armazenamento de grãos e lhantes, dessecantes, estimuladores sementes, na produção de flores, no combate e inibidores de crescimento. a piolhos e outros parasitas no homem e na Ou seja: são substâncias utilizadas para pecuária (SVS, 1997). combater as pragas (como insetos, larvas, fungos, carrapatos) e controlar o crescimento O Brasil está entre os principais consu- de vegetação, entre outras funções. midores mundiais de agrotóxicos. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de O termo agrotóxico, ao invés de defensi- Defensivos Agrícolas - SINDAG, em 2001 o vo agrícola, passou a ser utilizado no Brasil país consumiu 328.413 toneladas de produ-8
  9. 9. tos formulados, correspondendo a 151.523 mente aos trabalhadores, mas à populaçãotoneladas de ingredientes ativos. Desta for- em geral.ma, o Brasil aparece em 7º lugar no rankingdos dez principais países consumidores, querepresentam 70% do mercado mundial deagrotóxicos (ANVISA, 2003). II.Toxicidade dos agrotóxicos3. Principais grupos expostos Os agrotóxicos podem ser absorvidos através das vias dérmica, gastrointestinal e Uma das principais formas de exposição a respiratória, podendo determinar quadros deestas substâncias ocorre no trabalho. Entre os intoxicação aguda, subaguda e crônica.grupos de profissionais que têm contato comos agrotóxicos, destacam-se (FUNASA, 1998): Na intoxicação aguda, os sintomas sur- gem rapidamente, algumas horas após a ex- trabalhadores da agricultura e pecuária; posição excessiva e por curto período aos trabalhadores de saúde pública; trabalhadores de firmas desinsetizadoras; produtos tóxicos. Os sinais e sintomas clí- trabalhadores de transporte e comércio nico-laboratoriais são mais facilmente reco- dos agrotóxicos; nhecidos, o diagnóstico é mais simples de ser trabalhadores de indústrias de formula- estabelecido e o tratamento melhor definido. ção de agrotóxicos. Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependendo da quantidade do agro- Vale aqui um destaque para os grupos de tóxico absorvido pelo organismo.agricultores. Nestes, a exposição aos agrotó-xicos pode ocorrer de diversas formas, desde Na intoxicação crônica, o surgimentoa manipulação direta (preparo das “caldas”, dos sintomas é tardio, podendo levar mesesaplicação dos produtos) ou através de arma- ou anos. Essa forma de intoxicação carac-zenamento inadequado, do reaproveitamento teriza-se por pequenas ou moderadas expo-das embalagens, da contaminação da água, sições a um ou a múltiplos produtos, acar-do contato com roupas contaminadas, etc retando por vezes danos irreversíveis, como(Garcia & Almeida, 1991; Meyer et al, 2003). paralisias e neoplasias (FUNASA, 1998). Assim, além da exposição ocupacional, Importante: Muitos sinais e sin-outros grupos populacionais têm risco au- tomas de intoxicação por agrotóxicosmentado de intoxicação. Merecem destaque podem ser confundidos com outrosos familiares dos agricultores e os vizinhos problemas de saúde. Assim, a melhorde locais onde o agrotóxico é aplicado. Além forma para que o profissional de saúdedisso, toda a população tem a possibilidade possa concluir um diagnóstico corre-de sofrer intoxicação, através da ingestão de to de intoxicação por agrotóxico é es-água e alimentos contaminados, da utiliza- tar atento para o problema e fazer umção de domissanitários, etc. histórico ocupacional e ambiental com todos os pacientes que apresentarem Ou seja: os efeitos nocivos dos agrotó- sinais e sintomas sugestivos.xicos sobre a saúde não dizem respeito so- 9
  10. 10. 1. Prevalência das não ser relacionada ao agente causador no momento do diagnóstico. intoxicações no país O número de intoxicações por uso de Além disso, o câncer caracteriza-se agrotóxicos pode ser observado a partir por ser de origem multifatorial, e os me- de dados do Sistema Nacional de Infor- canismos que interferem na carcinogênese mações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). são muitos. Dentre estes fatores, a exposi- Este é um sistema coordenado pela Fun- ção aos agrotóxicos pode ser considerada dação Oswaldo Cruz, que consolida os da- como uma das condições potencialmente dos provenientes dos Centros de Controle associadas ao desenvolvimento do câncer, de Intoxicação. Em 2002, a Rede SINITOX por sua possível atuação como iniciadores contava com 33 Centros, localizados em 18 - substâncias capazes de alterar o DNA de estados brasileiros. De acordo com dados uma célula, podendo futuramente originar deste sistema, no ano de 2002, foram noti- o tumor - e/ou como promotores tumorais ficados no Brasil 7.838 casos de intoxica- - substâncias que estimulam a célula alte- ção humana por agrotóxicos, respondendo rada a se dividir de forma desorganizada por aproximadamente 10,4% de todos os (Koifman & Hatagima, 2003). casos de intoxicação notificados no país. Do total de intoxicações por agrotóxicos, A Agência Internacional de Pesquisa 71% referiam-se a intoxicações por produ- em Câncer (IARC) vem revisando diversos tos de uso agrícola e 29% por produtos de produtos, entre eles agrotóxicos, de acor- uso doméstico (FIOCRUZ, 2005). do com o potencial carcinogênico para a espécie humana. Subnotificação: O Ministério da Saúde estima que, para cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, há outros 50 não notificados, o que III. Classificação elevaria a contaminação para, aproxi- dos agrotóxicos madamente, 400.000 casos em 2002. Estes produtos podem ser agrupados 2. Agrotóxicos e câncer de diversas maneiras, e uma das mais uti- lizadas é a classificação segundo o grupo O câncer é uma doença que, em geral, químico a que pertencem e o tipo de ação demanda longo tempo entre a exposição ao (natureza da praga controlada). De acordo agente cancerígeno e o início dos sintomas com a Fundação Nacional de Saúde (FU- clínicos. Estabelecer o nexo causal entre a NASA, 1998), esta forma de classificar os exposição aos agrotóxicos potencialmente agrotóxicos é importante e pode ser útil cancerígenos e o desenvolvimento de cân- para o diagnóstico das intoxicações e para cer nem sempre é possível e, em muitos ca- a adoção de tratamento específico, como sos, a doença instalada pode simplesmente mostra o Quadro 1.10
  11. 11. Quadro 1 — Principais categorias de agrotóxicos quanto à sua ação e ao grupoquímico a que pertencem. Tipo de ação (Classe) Principais grupos químicos Exemplos (produtos/substâncias)1 Inseticidas Organofosforados Azodrin, Malathion, Parathion, Nuvacron, Tamaron, Hostation, Lorsban (controle de insetos, larvas e formigas) Carbamatos Carbaryl, Furadan, Lannate, Marshal Organoclorados² Aldrin, Endrin, DDT, BHC, Lindane Piretróides (sintéticos) Decis, Piredam, Karate, Cipermetrina Fungicidas Ditiocarbamatos Maneb, Mancozeb, Dithane, Thiram, Manzate (combate aos fungos) Brestan, Hokko Suzu Organoestânicos Dicarboximidas Orthocide, Captan Herbicidas Bipiridílios Gramoxone, Paraquat, Reglone, Diquat (combate à ervas daninhas) Glicina substituída Roundup, Glifosato Derivados do ácido fenoxiacético Tordon, 2,4-D, 2,4,5-T 3 Dinitrofenóis Bromofenoxim, Dinoseb, DNOC Pentaclorofenol Clorofen, Dowcide-G1 Alguns dos produtos/substâncias acima citados estão sendo reavaliados no aspecto toxicológico pela ANVISA ou já tiveram sua comercialização proibida no país.2 Seu uso tem sido progressivamente restringido ou mesmo proibido em vários países, inclusive no Brasil.3 A mistura de 2,4-D com 2,4,5-T representa o principal componente do agente laranja, utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnan.Fonte: FUNASA, 1998; Peres, 1999; ANVISA, 2005. Outras classes importantes de agrotó- de 70. No Brasil, somente em 1992, apósxicos compreendem: raticidas (combate aos intensas pressões sociais, foram banidos (oroedores), acaricidas (combate aos ácaros), BHC, o Aldrin, o Lindano, etc). As restriçõesnematicidas (combate aos nematóides) e à sua utilização originam-se da sua grandemolusquicidas (combate aos moluscos, ba- capacidade residual e de uma possível açãosicamente contra o caramujo da esquistos- carcinogênica (Nunes & Tajara, 1998).somose) (FUNASA, 1998). Vale ressaltar quemuitos agrotóxicos possuem mais de um tipo Principais característicasde ação. Por exemplo: o inseticida organo- São agrotóxicos de lenta degradação,fosforado “Parathion” é também utilizado com capacidade de acumulação nos seres vi-como acaricida; o inseticida carbamato “Fu- vos e no meio ambiente, podendo persistirradan” também possui ação de combate aos por até 30 anos no solo. São altamente lipos-nematóides (nematicida). solúveis e o homem pode ser contaminado não só por contato direto, mas também atra- vés da cadeia alimentar — ingestão de água e1. Inseticidas alimentos contaminados (Verdes et al, 1990; Reigart & Roberts, 1999).1.1. Organoclorados Por serem altamente lipofílicos, são se- Estes inseticidas foram utilizados por qüestrados pelos tecidos corporais com altovárias décadas na saúde pública para o teor lipídico (fígado, rins, sistema nervoso,controle de vetores de doenças endêmicas, tecido adiposo), onde ficam armazenados.como a malária (Matos et al, 2002), assimcomo na agricultura. O DDT (inseticida) foi São eliminados principalmente atravésbanido em vários países, a partir da década das vias digestiva e urinária. Outras vias de 11
  12. 12. excreção incluem a saliva, o suor e o leite número de intoxicações e por um grande materno. Por serem encontrados no leite ma- número de mortes por agrotóxicos no Brasil terno, representam um risco às crianças em (Trapé, 2005). fase de amamentação (Forget, 1991). Principais características Efeitos sobre a saúde humana A absorção se dá através da pele, sendo Intoxicação aguda: sintomas no siste- distribuídos nos tecidos do organismo pela ma nervoso central como irritabilida- corrente sangüínea e sofrem biotransforma- de, sensação de dormência na língua, ção, principalmente no fígado. A principal nos lábios e nos membros inferiores, via de eliminação é renal (Matos et al, 2002). desorientação, dor de cabeça persis- tente (que não cede aos analgésicos Os inseticidas organofosforados e carba- comuns), fraqueza, vertigem, náuseas, matos atuam na inibição de enzimas colines- vômitos, contrações musculares invo- terases, especialmente a acetilcolinesterase. luntárias, tremores, convulsões, coma Estas enzimas estão presentes na transmissão e morte. Em caso de inalação, podem de impulsos nervosos em diversos órgãos e ocorrer sintomas como tosse, rouqui- músculos e, assim, uma contaminação por dão, edema pulmonar, broncopneumo- estes agrotóxicos pode desencadear uma sé- nia e taquicardia (SVS, 1997; Matos et rie de efeitos (Trapé, 2005). al, 2002). Efeitos sobre a saúde humana Intoxicação crônica: alterações no sis- Ambos atuam não só no sistema nervo- tema nervoso, alterações sangüíneas so central, mas também nos glóbulos verme- diversas, como aplasia medular, lesões lhos, no plasma e em outros órgãos (FUNA- no fígado, arritmias cardíacas e lesões SA, 1998). na pele (SVS, 1997). Intoxicação aguda: os sinais e sintomas Carcinogênese: A Agência Internacio- começam a surgir poucas horas após a nal de Pesquisa de Câncer (IARC) clas- absorção do tóxico e podem alcançar sifica alguns organoclorados como per- tencentes ao grupo “2B” (possivelmente cancerígeno para a espécie humana). O DDT, por exemplo, pertence a este gru- po por estar associado ao desenvolvi- mento de câncer de fígado, de pulmão e linfomas em animais de laboratório. Outros organoclorados pertencentes ao grupo 2B são Clordane, Heptacloro, He- xaclorobenzeno, Mirex (IARC, 2005). 1.2. Organofosforados e Carbamatos São agrotóxicos amplamente utilizados na agricultura e, dentre os inseticidas, os or- ganofosforados são responsáveis pelo maior12
  13. 13. seu máximo, inclusive levando a óbi- timulantes do sistema nervoso central e, to, dentro de algumas horas ou pou- em doses altas, podem produzir lesões no cos dias (Almeida, 1996). Os principais sistema nervoso periférico (Matos et al, sinais e sintomas são: suor abundan- 2002; SVS, 1997). te, salivação intensa, lacrimejamen- to, fraqueza, tontura, dores e cólicas Efeitos sobre a saúde humana abdominais, visão turva e embaçada, Intoxicação aguda: os principais sinais pupilas contraídas – miose, vômitos, e sintomas incluem dormência nas pál- dificuldade respiratória, colapso, tre- pebras e nos lábios, irritação das con- mores musculares, convulsões (FUNA- juntivas e mucosas, espirros, coceira SA, 1998). intensa, manchas na pele, edema nas conjuntivas e nas pálpebras, excitação Intoxicação crônica: outros sinais e e convulsões. sintomas podem persistir por meses após a exposição como alterações neu- Intoxicação crônica: Segundo Matos et rológicas, comportamentais, cognitivas al (2002), não estão descritas evidên- e neuromusculares (Ecobichon, 1996). cias de toxicidade crônica com o uso de piretróides. Outros autores, como Carcinogênese: Alguns organofosfo- Trapé (2005), citam alguns efeitos de rados e carbamatos estão presentes na exposições de longo prazo: neurites revisão da IARC (2005): periféricas e alterações hematológicas • Diclorvós (organofosforado): grupo do tipo leucopenias. 2B (possivelmente cancerígeno para Carcinogênese: Os piretróides parecem o homem). não apresentar potencial cancerígeno • Malation, Paration (organofosfora- para humanos. Como exemplo, a IARC dos); Aldicarb, Carbaril, Zectran (car- classifica os agrotóxicos Deltametrina bamatos). Grupo 3: (não classificado e Permetrina no grupo 3 (não carcino- como carcinogênico para o homem). gênicos para o homem).1.3. Piretróides 2. Herbicidas Tiveram seu uso crescente nos últimos20 anos e, além da agropecuária, são tam- São usados no combate a ervas dani-bém muito utilizados em ambientes domés- nhas. Nas últimas duas décadas, esse grupoticos (Matos et al, 2002; Trapé, 2005), onde tem tido sua utilização crescente na agricul-seu uso abusivo vem causando aumento nos tura (FUNASA, 1998). Seus principais repre-casos de alergia em crianças e adultos (FU- sentantes são:NASA, 1998). Paraquat: comercializado com o nomePrincipais características de Gramoxone®; São facilmente absorvidos pelas vias Glifosato: Round-up®;digestiva, respiratória e cutânea. Os sinto- Pentaclorofenol;mas de intoxicação aguda ocorrem prin-cipalmente quando sua absorção se dá Derivados do ácido fenoxiacético: 2,4por via respiratória. São compostos es- diclorofenoxiacético (2,4 D) e 2,4,5 13
  14. 14. triclorofenoxiacético (2,4,5 T). A mis- 3. Derivados do ácido fenoxiacético tura de 2,4 D com 2,4,5 T representa Um dos principais produtos é o 2,4 D, o principal componente do agente la- muito usado no país em pastagens e plan- ranja, utilizado como desfolhante na tações de cana de açúcar. O 2,4,5 T tem uso Guerra do Vietnan. O nome comercial semelhante ao 2,4 D, apresentando uma dio- dessa mistura é Tordon. xina como impureza, responsável pelo sur- gimento de cloroacnes, abortamentos, além Dinitrofenóis: Dinoseb, DNOC. de efeitos teratogênicos e carcinogênicos. A presença de dioxinas como impure- Principais características zas nos herbicidas está associada ao de- Existem várias suspeitas de mutageni- senvolvimento de distúrbios reprodutivos cidade, teratogenicidade e carcinogenicida- e alguns tipos de câncer, como os linfomas de relacionados a estes produtos. Dentre os (Trapé, 2005). Foi relatado que o TCDD é o herbicidas, alguns grupos químicos mere- mais potente carcinogênico até hoje testa- cem atenção especial pelos efeitos adversos do para roedores. Estudos em animais for- à saúde, descritos a seguir. neceram evidências conclusivas de que o TCDD é um carcinógeno de múltiplos está- Efeitos de alguns herbicidas sobre gios, aumentando a incidência de tumores a saúde humana em locais distantes dos locais de tratamen- 1. Bipiridilos (Paraquat) to. Em fevereiro de 1997, a Agência Inter- Este produto é considerado como um nacional de Pesquisa do Câncer reavaliou dos agentes de maior toxicidade especí- as dibenzo-p-dioxinas policloradas, bem fica para os pulmões. Pode ser absorvido como os dibenzofuranos policlorados, por por ingestão, inalação ou contato com a representarem possíveis riscos carcinogê- pele. Provoca lesões hepáticas, renais e fi- nicos para os seres humanos. “Com base brose pulmonar irreversível, podendo le- nos mais recentes dados epidemiológicos, var à morte por insuficiência respiratória em populações humanas expostas, através em até duas semanas após a exposição, de bioensaios de carcinogenicidade experi- em casos graves. mental em animais de laboratório e evidên- cias de apoio sobre mecanismos relevantes Além disso, são relatados casos de de carcinogênese, a 2,3,7,8-tetraclorodi- ingestão acidental por crianças (pela co- benzo-p-dioxina (TCDD) foi avaliada como loração semelhante à dos refrigerantes à sendo carcinogênica para seres humanos base de cola) e casos de suicídio. (FUNA- — Grupo 1 da IARC (GREENPEACE, 2005). SA, 1998; Matos et al, 2002). O quadro de intoxicação aguda dos de- 2. Pentaclorofenol e Dinitrofenóis rivados do ácido fenoxiacético inclui: cefa- Os principais sintomas de intoxicação léia, tontura, fraqueza, náuseas, vômitos, aguda por estes produtos incluem dificul- dor abdominal, lesões hepáticas e renais. dade respiratória, hipertermia, fraqueza, Casos graves podem apresentar convulsões, convulsões e perda de consciência. O pen- coma e podem evoluir para óbito em 24 ho- taclorofenol possui em sua formulação ras. Os efeitos crônicos incluem neuropatia impurezas chamadas dioxinas, substân- periférica, disfunção hepática e maior ris- cias extremamente tóxicas, cancerígenas co de desenvolver linfomas tipo Hodgkin e e fetotóxicas (FUNASA, 1998). não-Hodgkin (Matos et al, 2002).14
  15. 15. • Carcinogênese dos herbicidas Manter as embalagens de agrotóxi- Estudos epidemiológicos demonstram cos adequadamente fechadas, em local diversas associações entre o uso de trancado, fora da casa e longe do al- agrotóxicos e câncer em humanos, in- cance de crianças e animais. cluindo linfoma não-Hodgkin e câncer de tireóide (Solomon, 2000). Não reutilizar as embalagens vazias. As embalagens vazias devem ser enca-IV. Recomendações minhadas aos estabelecimentos comer- ciais em que foram adquiridas, obser- para o uso de vando as instruções de rótulos e bulas. agrotóxicos V. Legislação Não comer, beber ou fumar durante o manuseio e aplicação do(s) produto(s). A Constituição Federal Brasileira1 atri- buiu ao Poder Público a obrigação de con- Utilizar equipamentos de proteção in- trolar as substâncias que comportem risco à dividual (EPI), conforme indicação do vida, à qualidade de vida e ao meio ambien- produto a ser utilizado. te, no que se inclui o controle dos produtos i. Caso não possua EPI, o agricultor fitossanitários. deve usar roupa destinada somente para aplicação ou manuseio. Indis- A Lei n° 7. 802, de 11 de julho de 1989, pensável o uso de luvas impermeá- relativa a produtos fitossanitários e outros veis e botas de borracha. produtos, instituiu a exigência de que os mesmos sejam previamente registrados para ii. Trocar e lavar as roupas de proteção fins de produção, importação, exportação, separadamente de outras roupas não comercialização e utilização, atendidas as contaminadas. diretrizes e exigência dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, da agri- iii.Tomar banho imediatamente após o cultura e do meio ambiente. Por este ins- contato com os agrotóxicos. tituto legal, os setores da saúde e do meio Não manusear os agrotóxicos com as ambiente possuem a prerrogativa legal de mãos desprotegidas. avaliar se suas diretrizes e exigências estão satisfatoriamente atendidas para a conces- Não desentupir bicos, orifícios e válvu- são de determinado registro, avaliando in- las dos equipamentos com a boca. tegralmente as possíveis repercussões que o Quando aplicar os agrotóxicos, obser- produto agrotóxico possa ter, e assegurando var a direção dos ventos (não aplicar à autoridade pública um nível adequado de contra o vento). Não aplicar os produ- informação sobre as características e nível tos na presença de ventos fortes. tóxico de cada produto comercializado no país, de modo a garantir a sua qualidade e Não aplicar os produtos nas horas mais minimizar seus riscos para a saúde humana quentes do dia. e para o meio ambiente. 15
  16. 16. De acordo com os termos da Lei, es- duto, assim como pode elevar a toxicidade pecialmente no que se refere às situações do agrotóxico, caso não haja um controle dentro das quais fica proibida a concessão das impurezas presentes. do registro, e que dizem respeito a aspec- tos relativos à periculosidade do produto A Portaria Interministerial2 nº 17, de 16 à saúde humana e/ou ao meio ambiente, de março de 2000, assinada pelos Ministros verifica-se que o registro constitui um pro- da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, cedimento básico de controle, destinado a da Saúde, do Meio Ambiente e pelo Chefe da impedir que produtos dotados de riscos Casa Civil da Presidência da República, cons- inaceitáveis sejam produzidos, importados, tituiu uma Comissão Interministerial com a exportados, comercializados ou utilizados. incumbência de, entre outros propósitos: Para efeito de verificação e avaliação I - harmonizar e racionalizar procedimen- das características toxicológicas, ecotoxico- tos no sentido de tornar ágeis e eficientes os lógicas e agronômicas dos produtos, e dos processos de registro, reavaliação e adapta- possíveis riscos ao ser humano e ao meio ção de registro de produtos agrotóxicos; ambiente, as autoridades governamentais competentes baseiam-se em dados e estu- II - apresentar proposta de procedimentos a dos apresentados pelas empresas, de acordo adotar com relação ao registro de produtos com normas e procedimentos estabelecidos, agrotóxicos similares; que foram fixados visando assegurar a qua- lidade e a confiabilidade dessas informações III - sugerir ajustes no Decreto nº 98.816, de e, conseqüentemente, a própria qualidade e 11 de janeiro de 1990, que regulamenta a Lei confiabilidade da avaliação. dos Agrotóxicos — nº 7.802, de 11 de julho de 1989. O estabelecimento de determinados pa- drões para os produtos é garantia de pro- O Decreto nº 4074, de 04 de janeiro de teção à saúde pública, ao consumidor e ao 2002, que regulamenta a Lei nº 7.802 de meio ambiente. A adoção do método de me- 2002, introduziu uma série de modificações nor rendimento ou menor qualidade pode no atual sistema de registro vigente no Bra- acarretar a perda de competitividade do pro- sil, com vistas a adequar a legislação nacio- 1 Dentre estas previsões constitucionais encontram-se o Ar- tigo 225, § 1º, inciso V estabelecendo que: “Todos têm di- reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e futuras gerações. §1º incumbe ao Poder Público: [....] V- controlar a produ- ção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e meio ambiente”, e o Artigo 196, que determina: “A saúde é Direito de todos e dever do Estado, garantida mediante políticas sociais e econômicas que visem à re- dução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. 2 Portaria Interministerial nº. 17 de 16/03/00, publicada no D. O.U. de 17 de março de 2000.16
  17. 17. o assessoramento aos Ministérios danal à normativa MERCOSUL, consagrando o Agricultura, Pecuária e Abastecimento,princípio do registro por equivalência, modi- da Saúde e do Meio Ambiente, incluí-ficando substancialmente o próprio modelo da a manifestação sobre concessão dede registro vigente até aqui, no que se refere registro para uso emergencial, pedidosà tramitação dos processos e à intervenção de terceiros para cancelamento ou im-dos órgãos envolvidos. pugnação de registro e a reavaliação de registro frente a novos dados indicati- No seu inciso VI, vê-se a criação do vos de existência de riscos;Comitê Técnico de Assessoramento paraAgrotóxicos (CTA), composto por repre- o estabelecimento das diretrizes a seremsentantes dos órgãos federais responsáveis observadas no SIA, o acompanhamentopelos setores de agricultura, saúde e meio e a supervisão das suas atividades.ambiente, com o qual se visa à harmoniza-ção do inter-relacionamento desses órgãosno que se refere aos procedimentos técnico-científicos e administrativos concernentes a VI. Sites de interesseagrotóxicos, seus componentes e afins. Sãode sua competência: http://www.anvisa.gov.br/ — Agência Na- cional de Vigilância Sanitária. a sistemática proposição de incorpora- ção de tecnologias de ponta nos proces- http://www.cetesb.sp.gov.br/ — Companhia sos de análise, controle e fiscalização, de Tecnologia de Saneamento Ambiental do bem como quando relacionadas a outras Estado de São Paulo. atividades cometidas aos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, http://www.epa.gov/ — U.S. Environmental da Saúde e do Meio Ambiente, pela Lei Protection Agency. nº 7.802, de 1989; a análise de propostas de edição e de http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/ alteração de atos normativos e a su- — Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários. gestão de ajustes e adequações consi- deradas cabíveis; http://www.fiocruz.br/sinitox/ — Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmaco- a elaboração de critérios para a dife- lógicas. renciação desses produtos em classes, em função de sua toxicidade, periculo- http://www.iarc.fr/ — International Agency sidade, utilização e modo de ação; for Research on Cancer. 17
  18. 18. VII. Bibliografia Agência Nacional de Vigilância Sanitária; International Agency for Research Cancer. Ministério da Saúde. Sistema de informa- Overall evaluations of carcinogenicity to ções sobre agrotóxicos (SIA). [citado em 07 humans. Lyon: IARC; 1987. [citado em 22 abr 2005]. Disponível em: http://www4.an- ago 2005]. Disponível em: http://www-cie. visa.gov.br/agrosia/asp/default.asp. iarc.fr/monoeval/crthall.html. Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Koifman S, Hatagima A. Exposição aos agro- Ministério da Saúde, Instituto Nacional de tóxicos e câncer ambiental. In Peres F, Mo- Controle da Qualidade em Saúde; Ministério reira JC, organizadores. É veneno ou é remé- da Saúde. Programa de análise de resíduos de dio? agrotóxicos, saúde e ambiente. Rio de agrotó xicos em alimentos (PARA): relató- Janeiro (RJ): FIOCRUZ; 2003. p.75-99. rio anual 04/06/2001-30/06/2002. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2003. [citado em Luscombe D. Dioxinas e furanos: efeitos so- 09 ago 2004]. Disponível em: http://www. bre a saúde humana. São Paulo: Greenpeace anvisa.gov.br/toxicologia/residuos/rel_anu- Brasil; 1999. [citado em 14 out 2005]. Dispo- al_2002.pdf. nível em: http://www.greenpeace.org.br/to- xicos/pdf/dioxina.doc. Almeida WF. Trabalho agrícola e sua relação com saúde/doença. In: MENDES, R. Patolo- Matos GB, Santana OAM, Nobre LCC. Intoxi- gia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu; cação por agrotóxico. In: Centro de Estudos 1996. p.487-544. da Saúde do Trabalhador. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde; Secreta- Centro Nacional de Epidemiologia. Funda- ria da Saúde do Estado. Manual de normas e ção Nacional de Saúde; Ministério da Saúde. procedimentos técnicos para a vigilância da Guia de vigilância epidemiológica. Brasília saúde do trabalhador. Salvador (BA): CESAT/ (DF): FUNASA; 1998. cap. 5.15. SESAB; 2002. p. 249-280. Ecobichon DJ. Toxic effects of pesticides. In: Meyer A, Chrisman J, Moreira JC, Koifman S. Klaassen CD, editor. Casarett and Doull’s to- Cancer mortality among agricultural workers xicology: the basic science of poisons. 5 ed. from Serrana Region, state of Rio de Janeiro, New York: McGraw-Hill; 1996. p. 643-689 Brazil. Environ Res. 2003 Nov;93(3):264-71. Forget G. Pesticides and the third world. Nunes MV, Tajara EH. Efeitos tardios dos Pesticides and the Third World. J Toxicol praguicidas organoclorados no homem. Rev Environ Health. 1991 Jan;32(1):11-31. Saude Publica. 1998 Aug;32(4):372-82. Fundação Oswaldo Cruz. Sistema nacional Peres F. É veneno ou é remédio? os desafios de informações tóxico-farmacológicas (SI- da comunicação rural sobre agrotóxicos [dis- NITOX). Rio de Janeiro: FIOCRUZ; 2002. sertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola Nacio- [citado em 26 ago 2005]. Disponível em nal de Saúde Pública, FIOCRUZ; 1999. http://www.cict.fiocruz.br/intoxicacoeshu- manas/index.htm. Peres F, Moreira JC, Dubois GS. Agrotóxi- cos, saúde e ambiente: uma introdução ao Garcia EG, Almeida WF. Exposição dos tra- tema. In Peres F, Moreira JC, organizadores. balhadores rurais aos agrotóxicos no Bra- É veneno ou é remédio? agrotóxicos, saúde sil. Rev Bras Saúde Ocupacional. 1991; e ambiente. Rio de Janeiro (RJ): FIOCRUZ; 19(72):7-11. 2003. p. 21-41.18
  19. 19. Reigart JR, Robert JR. Reconocimiento y Solomon G. Pesticides and human health: amanejo de los envenenamientos por pestici- resource for health care professionals. Cali-das. 5. ed. Washington, DC: EPA; 1999. [ci- fornia: Physicians for Social Responsabilitytado em: 05 set 2004]. Disponível em: http:// (PSR) and Californians for Pesticide Reformwww.epa.gov/pesticides/safety/healthcare. (CPR); 2000.Secretaria de Vigilância Sanitária; Ministério Verdes JAA, Companioni DR. Plaguicidasda Saúde. Manual de vigilância da saúde de organoclorados. México: Centro Panameri-populações expostas a agrotóxicos. Brasília cano de Ecología Humana Y Salud. Méxi-(DF): OPAS/MS; 1997. co: Mepetec;1990. 19
  20. 20. Amianto I. Introdução 1. Definição O amianto, também denominado asbes- Classificação to, é uma forma fibrosa dos silicatos mine- rais. Compõe-se de silicatos hidratados de A Agência Internacional de Pesquisa magnésio, ferro, cálcio e sódio. Divide-se em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde, classifica o amianto como defi- em dois grandes grupos: serpentinas, ou nitivamente carcinogênico para os huma- crisotila (asbesto branco) e anfibólios, ou nos, [(Grupo 1) (IARC, 1987)] em qualquer actinolita, amosita (asbesto marrom), anto- estágio de produção, transformação e uso. filita, crocidolita (asbesto azul), tremolita De acordo com a Organização Mundial de ou qualquer mistura que contenha um ou Saúde (OMS), não há nenhum limite seguro vários destes minerais. de exposição para o risco carcinogênico, de acordo com o Critério 203, publicado pelo Origem IPCS (International Programme on Chemical Fibra de origem mineral, derivada de ro- Safety)/WHO (Organização Mundial da Saú- de) (WHO, 1998). chas metamórficas eruptivas, que, por pro- cesso natural de recristalização, transforma- Propriedades físico-químicas se em material fibroso (Castro, 2003). As fibras de asbesto são flexíveis, não se dis- CAS solvem em água e resistem a altas temperaturas, [Registro 1332-21-4] ao fogo e à degradação por produtos químicos e biológicos. Garantem isolamento térmico, acús- Sinonímia tico, incombustibilidade, resistência mecânica e Serpentinas (crisotila ou amianto branco) durabilidade (ASTDR, 2001). Anfibólios (tremolita, actinolita, anto- filita, amosita e crocidolita) 2. Usos mais freqüentes O amianto foi inicialmente empregado para 1 Número de Registro CAS (Chemical Abstracts Service): reforço de utensílios de cerâmica. Com a revolu- numeração única atribuída pela Sociedade Americana de Química (American Chemical Society) a uma substância ou ção industrial, passou a ser utilizado como isolan- composto químico, utilizada internacionalmente. te térmico de máquinas e equipamentos.20
  21. 21. Devido às suas propriedades físico-químicas, para obtenção de isolamento térmico,o amianto tem sido muito empregado em diversos acústico e de calor.produtos,principalmenteemmateriaisdeconstru-ção e em situações que exijam o uso de materiaistermoresistentes (ASTDR, 2001). 3. Exposição ocupacional Na atualidade, é ainda muito utilizado como A exposição ocupacional é dada pela ina-matéria-prima na maioria das indústrias dos paí- lação das fibras de asbesto que causam lesõesses de economia periférica (Castro, 2003). nos pulmões e em outros órgãos. Muitas vezes as doenças aparecem depois de muitos anos de Sua aplicabilidade mais intensa se dá (Kar- exposição. A asbestose causa acúmulo de teci-jalainen, 1994; Castro, 2003) em: do conjuntivo, diminuindo a complacência pul- setor de fibrocimento: confecciona caixas monar e, conseqüentemente, as trocas gasosas, d’água, telhas onduladas e planas, tubu- podendo levar à morte (OSHA,2005). lações e divisórias, tintas, revestimentos e isolamentos térmicos e acústicos. Não há níveis seguros para a exposição, e o intenso uso, no Brasil, exige que a recuperação produtos de fricção: esta categoria in- clui guarnições de freios (lonas e pasti- do histórico de contato deva prever todas as si- lhas), juntas, gaxetas, revestimentos de tuações em que se fez necessário o isolamento discos de embreagem usados em car- acústico, térmico e a impermeabilização, pois o ros, caminhões, tratores, metrôs, trens e amianto pode estar presente em qualquer situ- guindastes. ação como isolante de caldeiras, fornos, isola- mento de salas, tetos ou cabines. produtos têxteis: tecidos especiais que oferecem resistência mecânica, quími- O Brasil é o quinto maior produtor de ca, isolantes térmicos elétricos e imper- meáveis. São utilizados em mangueiras, amianto e é auto-suficiente; 30% do exceden- forração de roupas e luvas especiais te da produção é exportado. O amianto bra- para as indústrias siderúrgicas, meta- sileiro é do tipo crisotila, com dimensões que lúrgicas e petroquímicas. o qualificam, principalmente, para a indústria do cimento-amianto. São produzidas cerca de filtros para líquidos de interesse comer- 237.000 toneladas por ano e exportadas, anu- cial: o amianto possui grande capaci- almente, 70.000 toneladas (Giannasi, 1997). dade filtrante, pois não é corrosível, e possui boa resistência bacteriana. papéis e papelões: misturados a resi- nas especiais e depois prensados, são II. Efeitos sobre produzidos laminados de papéis e pa- pelões usados em painéis acústicos e a saúde humana para o transporte de peças frágeis que necessitam proteção contra choques, A exposição ao amianto está relacionada à calor, umidade. ocorrência de asbestose, enfermidade que causa produtos de vedação: a partir de teci- inflamação pulmonar seguida de fibrose, além dos e papelões de amianto, são produ- de estar associada ao aparecimento de câncer zidas juntas para revestimento e veda- (pulmão e trato gastrointestinal) e mesotelioma ção, usados pela indústria automotiva (tumor raro e de difícil diagnóstico). 21
  22. 22. 1. Toxicologia A absorção de asbesto pelo organismo depende de alguns fatores: A ocorrência de placa pleural é consi- tamanho da fibra: basta respirar a poeira derada um marcador de exposição, estando de amianto que contenha fibras de tama- mais relacionada ao tempo de latência do nho suficientemente pequeno, que atinjam que à exposição. os alvéolos (3 micra de diâmetro e de 5 a 200 micra de comprimento), para que se As lesões mais precoces são encon- inicie o processo de adoecimento. tradas nos dutos alveolares e nas regiões concentração: quanto maior o número peribrônquicas, onde as fibras de asbesto de fibras de amianto em proporções atraem macrófagos alveolares. Os pulmões respiráveis presentes no ambiente, dos trabalhadores expostos ao asbesto maior será a probabilidade do indi- mostram lesão inflamatória e fibrótica das víduo em reter estas partículas. Se a pequenas vias áereas. exposição for freqüente, deve-se levar em conta o tipo de fibra. À medida da progressão da doença, o tempo de exposição: estudos demons- processo fibrótico torna-se extenso e, por fim, tram que o câncer de pulmão ou o me- envolve todo o pulmão, que perde, até mes- sotelioma se manifestam, em média, mo, sua arquitetura normal. Nos casos avan- após 15 anos de exposição, como ocorre çados, os pulmões tornam-se pequenos e rígi- com a maioria dos tumores sólidos. dos, com fibrose macroscopicamente visível. biopersistência: significa que para provo- car dano pulmonar a fibra deve penetrar A primeira anormalidade patológica e permanecer nos alvéolos, o que ocorre da asbestose é um acúmulo de células in- com mais facilidade se a fibra for do tipo flamatórias, principalmente macrófagos, anfibólio (rígida e pontiaguda) e com me- ao redor das fibras. Isso explica por que a nos facilidade, se a fibra for do tipo cri- exposição ao asbesto reduz o fluxo aéreo sotila (maleável e curva). Nos processos a baixos volumes pulmonares (Goldman de extração há proporções variáveis dos & Ausiello, 2005). diferentes tipos das fibras. susceptibilidade individual: está rela- Estudos recentes mostram que o desenvol- cionada com a atividade exercida no vimento da doença pode não estar diretamen- momento da exposição e a característi- te relacionado com o tempo de exposição e a cas individuais e genéticas. quantidade inalada. Doenças relacionadas ao asbesto (Goldman & Ausiello, 2005): 2. Agravos relacionados lesões pleurais benignas — período de com a exposição latência de 15 a 20 anos. Asbestose asbestose — período de latência de mais de 10 anos. Os trabalhadores que inalam repetidamen- te fibras de asbesto podem desenvolver lesões câncer de pulmão — período de latência que causarão cicatrizes no pulmão e na pleura. de mais de 30 anos. Esse tecido perde sua capacidade de contração mesoteliomas — período de latência de 30 e expansão (complacência) e, por conseguinte, a 40 anos. a respiração torna-se difícil. Pode haver dimi-22
  23. 23. nuição do fluxo sangüíneo nos pulmões e isso do 86 trabalhadores da indústria de fibrocimentocausa hipertrofia cardíaca. Essa enfermidade é com mais de 10 anos de exposição, que detectoudenominada asbestose: dificulta a respiração que 25% dos trabalhadores da região de Lemee tosse é um de seus sintomas. É considerada (SP) apresentavam asbestose. Outro grupo deuma doença grave e pode levar à morte. É uma pesquisadores de São Paulo, que reuniu profis-doença majoritariamente laboral, porém, com sionais do Ministério do Trabalho e Emprego, dea disseminação ambiental, pode afetar pessoas Universidades e Institutos de Pesquisa, realizouque vivem ou transitam em áreas com altos ní- um estudo que verificou 5% de prevalência deveis ambientais de asbesto (ASTDR, 2001). asbestose entre os trabalhadores ativos de indús- trias de fibrocimento. Rodel Speger, em 1995, es- Estudos epidemiológicos demonstram o tudando os efeitos do amianto do tipo anfibólioaumento do risco de asbestose em minera- observou que este tipo de asbesto oferece um ris-dores da fibra, fabricantes de barcos de fibra co 5 vezes maior para câncer de pulmão do quede amianto, e trabalhadores da indústria de outros tipos.cimento-amianto (IACR,1987). 2.2. Sinais clínicos da asbestose2.1. Prevalência da asbestose O quadro clínico caracteriza-se por no Brasil dispnéia de esforço, crepitações nas ba- Estima-se que a população brasileira ex- ses e baqueteamento digital, este em fasesposta diretamente seja de 500.000 pessoas (Al- tardias. O espessamento pleural, na formagranti, 2001), sendo 20.000 ligadas à exposição de placas ou espessamento pleural difuso,ocupacional em mineração e produção de ci- é a doença mais prevalente relacionadamento-amianto. Há uma porcentagem desco- ao asbesto.nhecida de trabalhadores engajados na constru-ção civil, atividade não regulada na exposiçãoao asbesto (Castro, 2003). 3. Carcinogênese Entre os vários segmentos da indústria, na O amianto é considerado uma substân-mineração são cerca de 25.000 trabalhadores cia de comprovado potencial cancerígenoexpostos. O setor de fibrocimento responde em quaisquer das suas formas ou em qual-por aproximadamente 85% do amianto utili- quer estágio de produção, transformação ezado em 30 fábricas, com aproximadamente 8 uso. De acordo com a Organização Mundialmil trabalhadores expostos (Castro,1996). de Saúde (OMS), a crisotila está relacionada a diversas formas de doença pulmonar (as- Estima-se que o pico do adoecimento no bestose, câncer pulmonar e mesotelioma deBrasil se dará entre 2005-2015, como ocor- pleura e peritônio) (Castro,2003).reu na Europa e nos Estados Unidos a partirdo final dos anos 60. Na indústria cimento- Há dois tipos de câncer produzidos pelaamianto, registrou-se uma prevalência de exposição a asbesto: câncer de pulmão e8,9 % de asbestose (Castro, 2003). mesotelioma. Este último caracteríza-se pelo desenvolvimento de tumor na pleura ou no Dados de prevalência de asbestose são escas- peritônio. Alguns estudos evidenciam quesos no Brasil. A revisão de Castro (1996) identifi- o asbesto pode aumentar as possibilidadesca um estudo feito por Costa em 1983, envolven- de câncer em outras partes do corpo como 23
  24. 24. estômago, intestino, esôfago, pâncreas e rins No Brasil, o limite de tolerância (LT) foi (ASTDR, 2001). Todavia, não há tipo histo- estabelecido pelo Ministério do Trabalho e lógico mais prevalente e observa-se maior Emprego na Portaria 3214, norma regula- prevalência nos casos de asbestose. mentadora 15, anexo 12, em 1991. Nesta, foi proibido o uso de fibras de anfibólios A exposição ao asbesto e o tabagismo (crocidolita, amosita, antofilita, tremolita). agem sinergicamente no desenvolvimento Para as fibras respiráveis de crisotila, esta- do câncer pulmonar (ASTDR, 2001). belece o limite de tolerância de 2,0 fibras/ cm3. Entende-se por “fibras respiráveis de As fibras de asbesto parecem causar não asbesto” aquelas com diâmetro inferior a só lesão tecidual através da estimulação dos 3 micrômetros, comprimento maior que 5 macrófagos alveolares para secretar mate- micrômetros e relação entre comprimento e riais citotóxicos, quimiostáticos de células diâmetro superior a 3:1. inflamatórias, mas também ao menos um fator que estimula a proliferação dos fibro- blastos. Devido à sua durabilidade, as fibras podem estimular repetidamente os macró- IV. Medidas fagos por vários anos, sem que sejam de- gradadas. Isto ajuda a explicar a contínua de controle progressão da doença induzida pelo asbesto após ser interrompida a exposição (Goldman A OMS e a OIT (Organização Internacio- & Ausiello, 2005). nal do Trabalho), reconhecendo o potencial de risco do amianto, recomendam que sejam utilizadas outras fibras, sempre que esta al- III. Limites ternativa existir. de tolerância O controle da exposição ao amianto deve seguir o estabelecido na Convenção/OIT nº 139/1974, que trata da Prevenção e Controle A OSHA (Occupational Safety & Health de Riscos Profissionais causados por Substân- Administration) estabelece o Limite de Ex- cias ou Agentes Cancerígenos, ratificada pelo posição Permitido (PEL) para todas as fibras Brasil em junho de 1990, e vigente desde ju- de asbesto maiores de 5 micra em 0,1 fibra/ nho de 1991, que determina: cm3, mesmo valor do Limite de Exposição Recomendado (REL) estabelecido pelo NIO- substituir substâncias e agentes can- SH (National Institute for Occupational Sa- cerígenos por outros não-cancerígenos fety and Health). ou menos nocivos. reduzir não só o número de trabalha- O Limite de Exposição (TLV-TWA) para dores expostos, bem como a duração e todas as formas de asbesto, adotado pela AC- os níveis de exposição ao mínimo com- GIH (American Conference of Governmental patível com a segurança. Industrial Hygenists) em 1998, é de 0,1 fibra/cm3 (até 1997 era de 0,5 fibra/cm3), prescrever medidas de proteção. com a observação de que o asbesto deve ser considerado carcinogênico humano. estabelecer sistema apropriado de registro.24
  25. 25. informar aos trabalhadores sobre os riscos e as medidas a serem aplicadas. V. Legislação garantir a realização dos exames mé- O amianto já foi proibido em 36 países dicos necessários para avaliar os efei- em todas as suas formas químicas e estrutu- tos da exposição. rais e teve sua utilização restrita em inúme- ros outros. A Comissão das ComunidadesAs medidas de controle ambiental visam Européias aprovou em 26/7/1999 a Direti-à eliminação ou à redução da exposição a va 1999/77/CE, que decidiu pela proibiçãoníveis próximos de zero por meio de total do uso do amianto em todos os países membros da União Européia, a partir de enclausuramento de processos e iso- janeiro de 2005. Na América Latina (Cas- lamento de setores de trabalho; tro, 2003), Argentina, Chile e El Salvador umidificação dos processos, onde haja proibiram o uso do amianto. produção de poeira; No Brasil, a partir de 1991, o Minis- normas de higiene e segurança rigo- tério do Trabalho e Emprego publicou no rosas, colocação de sistemas adequa- anexo 12 da Norma regulamentadora nº dos e eficientes de ventilação exaus- 15, que tora local e de ventilação geral; proíbe o uso de amianto do tipo anfi- bólio e de produtos que o contenham; monitoramento sistemático das con- centrações de fibras no ambiente; proíbe a pulverização (spray) de qual- quer amianto; mudanças na organização do traba- proíbe o trabalho de menores de 18 lho que permitam diminuir não só o anos nas áreas de produção; número de trabalhadores expostos, as empresas (públicas ou privadas) que bem como o tempo de exposição; produzem, utilizam ou comercializam limpeza a úmido ou lavagem com fibras de asbesto e as responsáveis água das superfícies do ambiente pela remoção de sistemas que contêm (bancadas, paredes, solo) ou limpeza ou podem liberar fibras de asbesto para o ambiente deverão ter seus esta- por sucção, para retirada de partícu- belecimentos cadastrados junto ao Mi- las antes do início das atividades; nistério do Trabalho e da Previdência medidas de limpeza geral dos am- Social/Instituto Nacional de Segurida- bientes de trabalho e facilidades para de Social, através de seu setor compe- tente em matéria de segurança e saúde higiene pessoal — recursos para ba- do trabalhador; nhos, lavagem das mãos, braços, ros- to e troca de vestuário; antes de iniciar os trabalhos de remoção e demolição, o empregador e/ou contra- equipamentos de proteção individual tado, em conjunto com a representação adequado, em bom estado de conser- dos trabalhadores, deverão elaborar um vação, devem ser fornecidos pelo em- plano de trabalho onde sejam especifica- pregador, como medida complemen- das as medidas a serem tomadas, inclusi- tar à proteção coletiva. ve as destinadas a: 25
  26. 26. 1. proporcionar toda a proteção ne- de, sobre as doenças relacionadas e so- cessária aos trabalhadores; bre as medidas de proteção e controle. 2. limitar o desprendimento da poeira A asbestose, o mesotelioma e o câncer de de asbesto no ar; pulmão que decorrem da exposição ao amianto são objeto de notificação nacional ao Ministério 3. prever a eliminação dos resíduos que da Saúde, de acordo com o regulamentado pela contenham asbesto. portaria 777/GM de 28 de abril de 2004, que determina que as fibras de amianto e dispõe sobre os procedimentos técnicos para a seus produtos sejam rotulados e acom- notificação compulsória de agravos à saúde do panhados de “instruções de uso”, com trabalhador em rede de serviços sentinela espe- informações sobre os riscos para a saú- cífica, no Sistema Único de Saúde (SUS).26
  27. 27. VI. BibliografiaAgencia para Substancias Tóxicas y el Re- Giannasi F, Thebaud-Mony A. Occupationalgistro de Enfermidades. Resumen de salud exposure to asbestos in Brazil. Int J Occup En-pública asbesto (Asbestos). Atlanta: ATSDR; viron Health. 1997 Apr;3(2):150-157.2001. [citado em 14 out 2005]. Disponível Goldman L, Ausiello DG. Tratado de medicinaem: http://www.atsdr.cdc.gov/es/phs/es_ interna. 22 ed. Rio de Janeiro (RJ):Elsevier;phs61.html#expos. 2005.Algranti E. Epidemiologia das doenças International Agency for Research on Can-ocupacionais respiratórias no Brasil. In: cer. Overall evaluations of carcinogenicity: anMenezes AMB. Epidemiologia das doenças updating of IARC monographs volumes 1 torespiratórias. Rio de Janeiro (RJ): Revinter; 42, supplement 7. Lyon: IARC; 1987.2001. p.119-143. International Agency for Research on Cancer.Castro H, Giannasi F, Novello C. A luta pelo Asbestos. In: Overall evaluations of carcino-banimento do amianto nas Américas: uma genicity: an updating of IARC monographsquestão de saúde pública. Cienc. saúde co- volumes 1 to 42, supplement 7. Lyon: IARC;letiva. 2003; 8(4):903-911. 1987. p.106-116.Castro HA. Pneumopatias profissionais In: Karjalainen A, Anttila S, Vanhala E, Vainio H.Pneumologia – Bethlema. 4 ed. São Paulo Asbestos exposure and the risk of lung cancer(SP): Atheneu; 1996. in a general urban population. Scand J Work Environ Health. 1994 Aug;20(4):243-50.Department of Labor. Occupational Safety& Health Administration. Washington, (DC): World Health Oganization. EnvironmentalOSHA; 2005. [citado em 14 out 2005]. Dis- health criteria 203: chrysotile asbesto. Gene-ponível em: http://www.osha.gov. va: WHO; 1998. 27
  28. 28. Sílica I. Introdução 1. Definição A palavra sílica refere-se aos compos- Sílica amorfa: Aerosil, Celite, Ludox, tos de dióxido de silício, representado pelo Silcron G-910 (Bon, 2003). símbolo SiO2. É um mineral duro e o mais abundante na crosta terrestre: encontra-se Classificação em rochas e areias. As três formas de sílica Segundo a IARC (International Agency cristalina são o quartzo, a trimidita e a for Research on Cancer/WHO) da Organi- cristobalita (NIOSH, 2002). zação Mundial de Saúde, a sílica cristalina está classificada como Grupo 1, reconheci- Origem damente cancerígena para seres humanos Mineral, biogênica ou sintética. (IARC,1997). CAS [Registro 14808-60-7] Propriedades físico-químicas Sua composição química corresponde ao Sinonímia dióxido de silício, que apresenta as seguintes Sílica cristalina: coesista, cristobalita, propriedades: é inerte, resistente a altas tempe- jasper, sílica microcristalina, quartzo, raturas e solúvel em ácido fluorídrico. quartzito, entre outros. Sílica amorfa: sílica coloidal, terra 2. Usos mais freqüentes diatomácia, diatomita, sílica “fumed” A sílica é largamente utilizada como pro- sílica fused, opala, sílica gel, sílica ví- duto final, subproduto ou matéria-prima em trea, entre outros. vários processos industriais. Os principais es- Nome comercial tão descritos no Quadro 1, a seguir. Sílica cristalina: BRGM, D&D, DQ12, Min-U-Sil, Sil-Co-Snowit.28
  29. 29. Quadro 1 – Setor econômico e atividade com exposição típica à sílica cristalina livre Setor Econômico Atividade Agricultura Aragem, colheita Beneficiamento de minério Marmoraria, lapidação e corte de pedra, moinho Indústria de cerâmica (tijolo, telha, porcelana, Mistura, moldagem, cobertura vitrificada ou esmaltada, olaria, refratários e vitrificados) rebarbação, carga de fornos e acabamento Indústria de cimento Processamento de matéria prima como argila, areia, pedras e terra diatomácea Construção civil Construção pesada (túnel e barragens). Corte, acabamento, escavação, alve- naria, jateamento, movimentação de terra, demolição Construção naval Jateamento, manutenção e limpeza Extração mineral Mineração de subsolo, lavra por explosivo, pefuração, corte, britagem, moagem, peneiramento e ensacamento, pedreiras Fundição Fundição da peça, retirada do molde, limpeza, alisamento. Instalação e reparo de fornos Indústria de mineral não metálico Cerâmica, vidros e fundições Limpeza com abrasivo Manutenção de materiais que utilizam jateamento com areia ou outro abrasivo contaminado com areia. Manipulação de jeans em indústria têxtil Matéria prima Indústrias que utilizam material contendo sílica (quartzito, feldspato, filito, granito, agalmatolito, bentonita, dolomita, argila e caulim), tais como: de cosmético, de tintas, de sabões, farmacêuticas, de inseticida, industrias que utilizam terra diatomácea. Serviços diversos Protéticos, cavadores de poços, artistas plásticos, reparo e manutenção de refratáriosFonte: IARC, 1997.3. Exposição ocupacional para a população brasileira formalmente registrada. Os resultados identificam que, A exposição ocupacional ocorre por meio em média, 5.447.828 trabalhadores (14,6%)de inalação de poeira contendo sílica livre cris- estão expostos à sílica por mais de 1% datalizada. O local de deposição das partículas no jornada semanal de trabalho. Acima desistema respiratório depende diretamente do ta- 30% da jornada semanal de trabalho sãomanho das mesmas (Fundacentro, 2001): 2.065.935 trabalhadores (5,6%) dividos inaláveis - partículas menores que 100µ; entre homens (prevalência média de 9,1%) torácicas - partículas menores que 25µ; e mulheres (0,6%) distribuídos conforme o respiráveis - partículas menores que 10µ. Quadro 2. O Brasil conta com poucos estudos de A prevalência média de 5,6% dosavaliação da exposição ocupacional com trabalhadores expostos no Brasil repre-metodologia confiável que sejam compa- senta uma taxa muito superior aos re-ráveis entre si. Os dados mais recentes são sultados de estudos similares realizadosde Ribeiro (2004), que estudou a freqüên- na Finlândia (3,8%), República Tchecacia da exposição à sílica, estimada por es- (3,4%), Áustria (3,1%), Estônia, Ale-pecialistas em higiene ocupacional através manha, Grécia e Irlanda (ao redor dede uma matriz de exposição ocupacional 3%) (Kauppinen, 1998) e na Costa Rica (2,1%) (Partanen, 2003). 29
  30. 30. Quadro 2. Prevalência de trabalhadores definitivamente expostos* à sílica por sexo e setor econômico. Brasil, 1985 a 2001 Setor Econômico Anos Homens % Expostos Mulheres % Expostas Ocupados Expostos Ocupadas Expostas Administração de serviços 1985 1.732.757 101.468 5,9 560.728 505 0,1 técnicos e pessoal 2001 2.978.415 70.522 2,4 1.318.303 1.505 0,1 Agricultura 1985 485.570 20.051 4,1 93.549 343 0,4 2001 1.759.537 74.984 4,3 295.320 582 0,2 Construção civil 1985 1.261.469 858.121 68,0 56.783 4.632 8,2 2001 2.103.613 1.432.309 68,1 124.246 15.589 12,6 Indústria de borracha, fumo e couro 1985 327.320 11.463 3,5 146.736 5.283 3,6 2001 218.399 5.287 2,4 99.491 3.101 3,1 Indústria de extração mineral 1985 179.110 118.302 66,1 10.427 1.784 17,1 2001 135.103 85.526 63,3 12.251 1.469 12,0 Indústria de mineral não metálico 1985 343.456 179.001 52,1 48.588 26.041 53,6 2001 330.666 186.954 56,5 40.239 17.373 43,2 Metalurgia 1985 666.018 168.590 25,3 78.077 16.919 21,7 2001 583.703 143.553 24,6 70.296 13.324 19,0 Outros setores 1985 11.982.403 12.022 0,1 6.992.765 657 0,0 2001 14.740.490 12.974 0,1 12.089.348 883 0,0 Total 1985 16.978.103 1.469.018 8,7 7.987.653 56.164 0,4 2001 22.849.926 2.012.109 8,8 14.049.494 53.826 0,7 Fonte: Ribeiro (2004). * Freqüência de exposição acima de 30% da jornada semanal de trabalho II. Efeitos sobre paredes bronquiolares. O organismo tenta reparar esses danos com a integração de um a saúde humana tecido conjuntivo fibroso, caracterizando a fibrose. Esta é responsável pela diminuição da complacência pulmonar, prejudicando o 1. Toxicologia processo de trocas gasosas. Os sintomas são Os efeitos tóxicos no organismo hu- tosse e falta de ar progressiva (Fundacen- mano dependem do tipo de exposição e do tro, 2002). tipo de resposta orgânica. A poeira de sí- lica cristalina, quando inalada, estimula a região traqueobronquial a produzir muco, 2. Agravos relacionados auxiliando a função ciliar na remoção das com a exposição partículas. As partículas que chegam aos alvéolos pulmonares estimulam a chegada Silicose de macrófagos e outras células de defesa como os leucócitos, todos com alta capa- Silicose é uma fibrose pulmonar difu- cidade fagocitária. Uma vez que as células sa, nodular, intersticial, causada por uma imunes não possuem mecanismos de diges- reação dos tecidos à inalação do pó de sí- tão desta substância tóxica, esta começa lica cristalina. Poderá tomar uma forma a se acumular nos alvéolos. Ademais, elas aguda em situações de exposição intensa, produzem quimiocinas como interleuci- mas normalmente aparece sob forma crô- nas, presentes em processos inflamatórios. nica, levando anos para se revelar. O aco- A sílica é muito reativa em meio aquoso, metimento pela silicose propicia o aumen- gerando radicais livres capazes de lesar as to do risco de câncer pulmonar e de outras30

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