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Agradecimentos                                    À Pontifícia Universidade Católica do Paraná.Aos professores membros da ...
ResumoRODRIGUEZ-AÑEZ, Ciro Romelio. Validação do questionário estilo de vidafantástico e construção de uma ferramenta para...
Sumário1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 13...
3.4.3 Antropometria e Testes Motores ................................................................ 523.4.3.1       Comp...
Lista de FigurasFigura 1: Teste de normalidade gráfico (Q-Q) da variável EVF ............................. 56Figura 2: Jan...
Lista de QuadrosQuadro 1: Classificação da intensidade da atividade física ................................... 33Quadro 2:...
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212 REVISÃO DE LITERATURA2.1 A atividade física no trabalho e no lazer na sociedade contemporânea   Os benefícios da ativi...
22pelos menos durante os feriados para compensar os efeitos daninhos da vidasedentária (USDHHS, 1996).   A modernização do...
23caminhada e a das mulheres. Esta pesquisa ainda apontou que o hábito deexercitar-se é maior entre os jovens (46% para a ...
24   Nos Estados Unidos, os dados mostram que, de fato, tem acontecido algumamudança positiva. O controle da pressão arter...
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26busca por acrescentar “anos de vida”, era deixada de lado a necessidade deacrescentar “vida aos anos”.   A expressão qua...
27gasto energético acima dos níveis de repouso (CASPERSEN, POWELL,CHRISTENSEN, 1985).   A atividade física pode ser catego...
28Previnem problemas posturais, articulares e lesões e são importantes para aqualidade de vida dos indivíduos, contudo, a ...
29este direcionado especificamente para a aptidão cardiorrespiratória e para acomposição corporal, muitas pessoas interpre...
30pode ser realizada numa sessão, de maneira acumulada, ou em vários intervalosdurando pelo menos 8 a 10 minutos. Tais dir...
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32específico de atividade. Por exemplo, a intensidade de prescrição para exercícioaeróbico geralmente é expresso em relaçã...
33em grandes estudos epidemiológicos (FLETCHER et al. 2001). Contudo, o consumode oxigênio pode ser estimado a partir da c...
34muscular envolvido, a avaliação de um grupo não proporciona informação da forçade um outro grupo muscular. Para uma aval...
35para a Fisiologia do Exercício (KATZMARZYK e CRAIG, 2002). Este procedimentoapresenta escores de referência, fundamentad...
36devido ao fato de que: a) as experiências dos indivíduos no trabalho sejam elasfísicas, emocionais ou de natureza social...
37qualidade de vida. Individualmente, a atividade física está associada a uma maiorcapacidade de trabalho físico e mental,...
38GLANZ, 1988) e o segundo, é que há uma causa recíproca entre indivíduos e seusambientes. Isto é, o comportamento influen...
39enfermeiros, médicos e outros promotores de saúde. O motivo para a sua grandeaceitação é seu apelo intuitivo: não trata ...
40interpessoais. Este ambiente interpessoal proporciona os meios, modelos, reforços erecursos com os quais as pessoas pode...
41ou procurará novos amigos que se interessem por exercício. Este tipo de mudançade comportamento ressalta quão importante...
42   Embora o progresso na área de medidas e avaliação da atividade física e dasaúde, ainda não existe um único método com...
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  1. 1. Pontifícia Universidade Católica do Paraná Centro de Teologia e Ciências Humanas Curso de Educação Física Ciro Romelio Rodriguez AñezVALIDAÇÃO DO QUESTIONÁRIO ESTILO DE VIDA FANTÁSTICO ECONSTRUÇÃO DE UMA FERRAMENTA PARA INTERPRETAR OS RESULTADOS E ORIENTAR PROGRAMAS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE Curitiba 2004
  2. 2. Rodriguez-Añez, Ciro RomelioR696v Validação do questionário estilo de vida fantástico e construção de uma2004 ferramenta para interpretar os resultados e orientar programas de promoção de saúde / Ciro Romelio Rodriguez Añez. -- 2004 [xi], 143 f. : il. ; 30 cm Tese (professor titular) – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2004 Inclui bibliografias 1. Aptidão física. 2. Estilo de vida. 3. Saúde e trabalho. 4. Estudantes universitários - Avaliação de riscos de saúde. 5. Qualidade de vida. I. Pontifica Universidade Católica do Paraná. II. Título. CDD-20.ed. 613.7 613.62
  3. 3. Ciro Romelio Rodriguez AñezVALIDAÇÃO DO QUESTIONÁRIO ESTILO DE VIDA FANTÁSTICO ECONSTRUÇÃO DE UMA FERRAMENTA PARA INTERPRETAR OS RESULTADOS E ORIENTAR PROGRAMAS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE Tese apresentada à Pontifícia Universidade Católica do Paraná Como requisito parcial para a obtenção do grau de Professor Titular Curitiba 2004
  4. 4. DedicatóriaA meus pais Ciro e Fiye pelo exemplo de vida e a formação que me outorgaram. A minha esposa Maria Cristina pelo amor, dedicação e apoio constante. A meus filhos Ciro e Cristiano pela alegria que acrescentam a minha vida.
  5. 5. Agradecimentos À Pontifícia Universidade Católica do Paraná.Aos professores membros da banca examinadora, Carlos Alberto Afonso, Marilda Aparecida Behrens e Marta Moraes Costa pelas contribuições e sugestões. A todos os amigos e colegas do Núcleo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho Humano.A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho.
  6. 6. ResumoRODRIGUEZ-AÑEZ, Ciro Romelio. Validação do questionário estilo de vidafantástico e construção de uma ferramenta para interpretar os resultados e orientarprogramas de promoção de saúde. Tese (professor titular) – Pontifícia UniversidadeCatólica do Paraná, PUCPR, Curitiba, 2004. Estilos de vida inadequados e aptidão física diminuída são motivos depreocupação, pois afetam a saúde e o bem-estar das pessoas. A principalconseqüência do estilo de vida inadequado está no aumento de risco para contrairdoenças e a diminuição da qualidade de vida. Este estudo teve dois objetivosprincipais, a tradução e validação do questionário Estilo de Vida Fantástico e aelaboração de uma ferramenta computacional que auxilia-se na interpretação dosresultados e na orientação de programas de promoção de saúde para estudantesuniversitários. O questionário Estilo de Vida Fantástico é um instrumento auto-administrado que faz parte bateria de testes denominada “Plano de Avaliação daAtividade Física, Aptidão e Estilo de Vida” proposta pela Sociedade Canadense paraa Fisiologia do Exercício (CSEF, 1998). Está constituído por 25 questões distribuídasem 9 domínios que são: família e amigos, atividade física, nutrição, tabaco e tóxicos,álcool, comportamento preventivo, tipo de comportamento, introspecção e trabalho.A amostra para a validação esteve constituída por 62 indivíduos, 34 do sexomasculino e 28 do sexo feminino estudantes universitários da UFSC. A tradução foirealizada com a avaliação de quatro especialistas da área fluentes na língua inglesa.A validade do instrumento medida pela sua consistência interna e externa foiconsiderada boa. A ferramenta desenvolvida foi denominada Sistema de Avaliaçãopara a Promoção do Estilo de Vida e da Aptidão Física (SAPEVAF) e mostrou seruma ferramenta eficiente para gerenciar os dados das avaliações, gerar relatóriosindividualizados e auxiliar no processo de orientação para o estilo de vida saudável epara a prática de atividades físicas. Conclui-se que o questionário possui uma boaconsistência interna e externa e é adequado para a avaliação do estilo de vida deestudantes universitários.Palavra-chave: Aptidão física, Estilo de vida, Saúde e trabalho, Estudantes universitários – Avaliação de riscos de saúde, Qualidade de vida.
  7. 7. Sumário1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 131.1 Justificativa .................................................................................................... 181.2 Proposição ..................................................................................................... 181.3 Objetivos ........................................................................................................ 181.3.1 Objetivo geral ............................................................................................. 181.3.2 Objetivos específicos .................................................................................. 181.4 Delimitação .................................................................................................... 191.5 Limitação ........................................................................................................ 191.6 Definição de termos ...................................................................................... 192 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................. 212.1 A atividade física no trabalho e no lazer na sociedade contemporânea .. 212.2 O estilo de vida como determinante da atividade física, da saúde e da qualidade de vida ................................................................................... 232.3 Atividade física, exercício e aptidão física .................................................. 362.4 Benefícios da atividade física para a saúde ................................................ 282.5 Mensuração da atividade física da aptidão e da intensidade .................... 302.6 Saúde bem-estar e qualidade de vida no trabalho ..................................... 352.7 Teorias e modelos de comportamentos relacionados à atividade física e à saúde ........................................................................................... 372.8 Os questionários e a avaliação do estilo de vida ....................................... 412.9 Seleção e administração de instrumentos de avaliação ............................ 443 METODOLOGIA ................................................................................................ 493.1 Tradução ........................................................................................................ 513.2 Validação ....................................................................................................... 513.3 População e amostra .................................................................................... 513.4 Elaboração de uma ferramenta computacional ......................................... 513.4.1 Dados de Identificação ............................................................................... 523.4.2 Critério de Classificação Econômica .......................................................... 52
  8. 8. 3.4.3 Antropometria e Testes Motores ................................................................ 523.4.3.1 Composição corporal ............................................................................ 523.4.3.2 Aptidão física ........................................................................................ 534 RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................... 544.1 Validação ........................................................................................................ 544.2 Sistema de avaliação para a promoção do estilo de vida e da aptidão física relacionada à saúde – Tutorial ........................................................ 634.3 Estratégias para a promoção do estilo de vida saudável com base nas teorias do comportamento ......................................................................... 745 CONCLUSÕES E SUGESTÕES ....................................................................... 79REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 81ANEXOS ............................................................................................................... 94
  9. 9. Lista de FigurasFigura 1: Teste de normalidade gráfico (Q-Q) da variável EVF ............................. 56Figura 2: Janela para a entrada de dados para a classificação econômica .......... 65Figura 3: Janela para a entrada de dados dos domínios “família e amigos, atividade física e nutrição” .................................................................... 66Figura 4: Janela para a entrada de dados dos domínios “tóxicos, álcool e sono” ..................................................................................................... 66Figura 5: Janela para a entrada de dados dos domínios “comportamento preventivo, introspecção e trabalho” ..................................................... 67Figura 6: Janela para a entrada de dados das variáveis antropométricas e dos testes motores ............................................................................... 67Figura 7: Relatório da avaliação da aptidão física ................................................. 69Figura 8: Janela para a procura de registros ......................................................... 70Figura 9: Relatório da avaliação do estilo de vida ................................................. 72Figura 10: Relatório da comparação das avaliações da aptidão física e do estilo de vida entre indivíduos .............................................................. 73Figura 11: Gráficos comparativos das variáveis entre avaliações ......................... 74
  10. 10. Lista de QuadrosQuadro 1: Classificação da intensidade da atividade física ................................... 33Quadro 2: Classificação da influência do estilo de vida na saúde ......................... 50Quadro 3: Características descritivas da amostra por gênero ............................... 54Quadro 4: Distribuição de freqüências e porcentagens de classificação por categorias do questionário do Estilo de Vida Fantástico em estudantes universitários .............................................................. 55Quadro 5: Análise de fidedignidade (escala alfa) para o Estilo de Vida Fantástico .......................................................................................... 57Quadro6: Análise da fidedignidade (escala alfa) para o Estilo de Vida Fantástico por domínios ..................................................................... 58Quadro 7: Dados da consistência externa teste-reteste do questionário Estilo de Vida Fantástico por itens ..................................................... 59Quadro 8: Dados da consistência externa teste-reteste do questionário Estilo de Vida Fantástico por domínios .............................................. 60Quadro 9: Reprodutibilidade teste-reteste do questionário Estilo de Vida Fantástico por meio da análise de variância (F) e da correlação intraclasse (R) .................................................................. 61Quadro 10: Classificação e reclassificação dos sujeitos da amostra por categorias do estilo de vida ............................................................... 61Quadro 11: Consistência de classificação em três grupos .................................... 62Quadro 12: Consistência de classificação em dois grupos ................................... 62
  11. 11. Lista de Abreviaturas, Siglas e SímbolosACSM – American College of Sport MedicineAFRS – Aptidão Física Relacionada à SaúdeAHA – American Heart AssociationANEP – Associação Nacional das Empresas de PesquisaCDC – Center for Disease Control and PreventionCSEP – Canadian Society for Exercise PhisiologyIEA – The International Ergonomic AssociationPMSC – Polícia Militar de Santa CatarinaSAPEVAF – Sistema de Avaliação para a Promoção do Estilo de Vida e da AptidãoFísicaSPSS – Statistical Package for Social SciencesUSA/CHPPH – United States Army Center for Health Promotion and PreventiveMedicineUSDHHS – United States Department of Health and Human ServicesWHO – World Health Organization
  12. 12. 131 INTRODUÇÃO São múltiplos os determinantes da saúde, estes determinantes podem seragrupados em 5 categorias e nelas se encontram as coisas que fazem as pessoasser e se manter saudáveis. A primeira categoria constitui o ambiente social eeconômico, aqui estão incluídos o salário, o emprego, o status social, a educação eos fatores sociais no local de trabalho. A segunda é o ambiente físico que são osfatores físicos do ambiente natural ou do ambiente construído pelo homem, comoclima e moradia. A terceira categoria considera as atitudes pessoais, ou seja, oscomportamentos das pessoas que criam riscos ou benefícios para a saúde. A quartacategoria representa as capacidades individuais como a genética, a fisiologia, acompetência pessoal, o senso de controle e as próprias habilidades do indivíduo. Epor último estão os serviços de promoção, manutenção e restauração de saúde(CSEF, 1998). Em princípio uma saúde ótima implica o preenchimento adequado destasnecessidades, sendo que alguns destes elementos não dependem inteiramente davontade dos indivíduos e sim de políticas públicas como saneamento, emprego emoradia, contudo outros elementos podem ser controlados pelos indivíduos como aprática de exercícios físicos, a adoção de comportamentos preventivos, o controle doestresse e a alimentação adequada entre outros. Nunca houve tanta e tão sólidaevidência dos efeitos do comportamento individual sobre a saúde (NAHAS, 2001,USDHHS, 1996, 1998). Apesar dos avanços da medicina e de toda a informaçãodisponível as pessoas não são tão saudáveis quanto poderiam ser. A alimentaçãoinadequada, o sedentarismo, o uso de cigarro e de drogas, o controle inadequado doestresse e a não adoção de condutas consideradas preventivas são elementos doestilo de vida que colocam em risco a saúde das pessoas. O estilo de vida é caracterizado por padrões de comportamento identificáveis quepodem ter um efeito profundo na saúde dos seres humanos e está relacionado comdiversos aspectos que refletem as atitudes, os valores e as oportunidades na vidadas pessoas (WHO, 1998). Wilson citado por MOCTEZUMA et al. (2003, p.212)define o estilo de vida como “o conjunto de decisões individuais que afetam a saúdee sobre as quais se tem algum grau de controle voluntário”. A atividade física e oshábitos alimentares são dois elementos do estilo de vida que desempenham um
  13. 13. 14papel significativo na promoção da saúde e na prevenção de doenças (BLAIR et al.1996). Além disso, outros elementos do estilo de vida são também importantes paraa saúde e o bem-estar, tais como evitar o uso de cigarros, possuir um bomrelacionamento com a família e amigos, evitar o consumo de álcool, prática de sexoseguro, controle do estresse, além da necessidade de se ter uma visão otimista epositiva da vida (CSEF, 1998). A aptidão física é um componente do estilo de vida que tem sido associado amenores níveis de risco para o desenvolvimento de doenças e morte por todas ascausas, principalmente quando considerado como indicador o consumo máximo deoxigênio (BLAIR et al. 1989; LEE e BLAIR, 2002a, 2002b). Recentemente, osepidemiologistas começaram a distinguir entre dois tipos de aptidão física: arelacionada à performance e a relacionada à saúde (KANAPIK et al. 1996). Aaptidão física relacionada à saúde (AFRS) se refere a um conjunto de habilidades ouatributos que são importantes para a prevenção e promoção da saúde(CASPERSEN, POWELL e CHRISTENSEN, 1985; PATE, 1983). A AFRS éentendida como sendo a capacidade de realizar as tarefas diárias com vigor semdemonstrar traços e características de esgotamento (PATE, 1988). Este conceitoderivou basicamente de estudos clínicos que evidenciaram maior incidência deproblemas de saúde entre adultos e idosos de vida sedentária (GLANER, 2002b). AAFRS inclui a aptidão cardiorrespiratória, força e resistência muscular, composiçãocorporal e flexibilidade (USDHHS, 1996). A mudança do paradigma do exercíciopara a aptidão física para outro paradigma o da atividade física para a AFRS ocorreudevido ao crescente número de estudos científicos demonstrando a redução damorbidade como resultado do aumento de moderadas quantidades e intensidadesde atividade física na vida das pessoas (DUNN et al. 1998). A atividade física quando na forma de exercício, desenvolve tanto a aptidão físicapara a performance quanto a AFRS. Contudo, a atividade física regular até mesmoquando em quantidade e intensidade insuficiente para promover alterações naaptidão para a performance, proporciona consideráveis benefícios para a saúde(CSEF, 1998). A atividade física regular está associada com a saúde e com aredução do risco de mortalidade por todas as causas (LEE, HSIEH,PAFFENBARGER, 1995; BLAIR, et al. 1995). Além dos efeitos na mortalidade aatividade física proporciona muitos benefícios para a saúde tais como a redução do
  14. 14. 15risco de doenças cardiovasculares, derrame, diabete não insulino dependente,câncer de cólon, osteoporose e depressão (KAHN, et al. 2002). Como se pode ver, o benefício de um estilo de vida adequado para a saúde epara a qualidade de vida está bem documentado na literatura (CSEF, 1998; BRAY,2003; BLAIR et al. 1996; SINGER, 1996). De maneira semelhante, a aptidão física,principalmente a relacionada à saúde constitui importante fator de proteção contradoenças crônicas degenerativas (USDHHS, 1996; BOUCHARD, 2003; ANPERSEN,et al. 2000; BERLIN e COLDITZ, 1990; NIEMAN, 1999). Embora as evidências positivas para a saúde com relação ao estilo de vida e àatividade física têm se observado que as pessoas não seguem um estilo de vidaadequado, os índices de inatividade física são elevados e as doenças crônicasdegenerativas constituem ainda a principal causa de morte (COLDITZ e MARIANE,2003). Os níveis de inatividade física no tempo de lazer na União Européia são de26,9% (MARTINEZ-GONZALEZ et al. 2001), nos Estados Unidos 29,9% (PRATT,MACERA e BLANTON, 1999) e no Brasil são estimados em 60% (Folha de SãoPaulo, 1997). Entre as causas para os baixos níveis de atividade física sãoapontadas, a modernização dos meios de produção e transporte e a substituição dasatividades físicas de lazer por atividades passivas como jogar videogame, ouvirmúsica ou simplesmente navegar na internet (GLANER, 2002a; PATE e ROSS,1999). No ambiente do trabalho, hoje em dia, a maior parte do trabalho pesado érealizado por máquinas, sendo que a carga de trabalho dos músculos tem sidotransferida para os órgãos dos sentidos (EDGINTON, 1997; GRANDJEAN, 1998). Devido à influência do estilo de vida e da atividade física na saúde das pessoaseste assunto constitui preocupação especial quando se trata de trabalhadores, poisbaixos níveis de saúde e bem-estar no trabalho podem provocar conseqüênciasnegativas tanto para o indivíduo quanto para a empresa. Trabalhadores com baixasaúde podem ser menos produtivos, apresentar menor capacidade de decisão eestão mais predispostos ao absenteísmo (DANNA e GRIFFIN, 1999). Para promover o estilo de vida e a atividade física nos mais diversos ambientes,modelos e teorias utilizados na pesquisa comportamental e nas ciências sociais têmsido utilizados para fundamentar o desenvolvimento de programas de intervenção.Alguns modelos são adequados para compreender o comportamento enquanto
  15. 15. 16outros são mais apropriados para desenvolver intervenções (USDHHS, 1996;GLANZ e RIMER, 1995; GLANZ, 1999). Neste sentido, Cox e Miles (1994) apontam o local de trabalho como o ambienteideal para se promover programas de promoção do estilo de vida e da atividadefísica, pois se pode atingir muitas pessoas ao mesmo tempo com custosrelativamente baixos e estimular a participação em grupos. A qualidade de vida assim como a saúde depende de uma série dedeterminantes complexos e de difícil mensuração. Contudo, esses determinantessão dependentes de um estilo de vida adequado, tendo a aptidão física comopotencializador (CSEF, 1998; USDHHS, 1996). Para quantificar qualidade de vida,saúde, estilo de vida, aptidão física e a própria atividade física existem diversosíndices e indicadores (longevidade, escolaridade, renda, pressão arterial, perfil lipídiosangüíneo, tabagismo, hábitos alimentares, testes de aptidão física e quantificaçãoda atividade física habitual). Contudo, alguns indicadores principalmente os queestão fundamentados em variáveis fisiológicas e os que permitem verificação direta,como a escolaridade comprovada de um determinado indivíduo, por exemplo, sãomais objetivos do que aqueles indicadores que medem comportamentos ou o que oindivíduo diz que faz (CORBIN, LINDSEY e WELK, 2000; MORROW et al. 2000;USDHHS, 1996; BAUMGARTNER e JACKSON, 1995). Para medir os componentesda AFRS existem técnicas laboratoriais e de campo. Estas últimas têm recebidomaior aceitação por serem práticas de baixo custo e por permitirem avaliar umgrande número de sujeitos em pouco tempo o que vem ao encontro das propostasde cunho epidemiológico (GLANER, 2002b). Das técnicas de campo, a bateria detestes físicos e medida de gordura corporal proposta pela Sociedade Canadensepara Fisiologia do Exercício denominada Plano Canadense de Avaliação daAtividade Física, Aptidão e Estilo de Vida, é a bateria de testes padronizadosrelacionados à saúde mais largamente utilizada no Canadá, tendo servido comoinstrumento para duas grandes pesquisas epidemiológicas “The Canada FitnessSurvey” em 1981 e a “Campbell’s Survey on Well-Being in Canada” em 1988(KATZMARZYK e CRAIG, 2002). Esta bateria passou a incluir em 1996 oquestionário denominado “Estilo de Vida Fantástico” que tem por objetivo mensuraros principais elementos que caracterizam o estilo de vida adequado para a saúde(CSEF, 1998). Originalmente este questionário foi desenvolvido no Departamento deMedicina Familiar da Universidade de McMaster no Canadá em 1984 por Wilson e
  16. 16. 17Ciliska com o objetivo de ser uma ferramenta para auxiliar os médicos a conhecer emedir o estilo de vida dos seus pacientes na atenção primária (MOCTEZUMA et al.2003). O instrumento consiste de um questionário padronizado com 25 questõesfechadas que exploram nove domínios sobre os componentes físicos, psicológicos esociais do estilo de vida. Existem várias versões do instrumento e tem sido aplicadoem estudantes (WILSON e CILISKA, 1984; KAMIEN e POWER, 1996),trabalhadores (SHARRATT et al. 1984), pacientes de clínica familiar (KASON eYLANKO, 1984), pacientes hipertensos (LÓPES-CARMONA et al. 2000) e pacientescom diabete tipo 2 (MOCTEZUMA et al. 2003). De maneira geral, os instrumentos que utilizam informações fornecidas pelosindivíduos (questionários, entrevistas e diários) são baratos, fáceis de aplicar e pode-se avaliar um grande número de pessoas o que os torna muito convenientes paraestudos epidemiológicos, pois fornecem respostas rápidas para algo quedemandaria muito tempo para ser avaliado de outra maneira. Contudo, para poderutilizar um questionário de maneira adequada há necessidade, em primeiro lugar, detraduzir o instrumento e verificar a sua adequação com a cultura das pessoas emque vai ser aplicado. Ainda é necessário testar as suas características psicométricaspara verificar se possui validade suficiente para se tirar conclusões dos seusresultados. (BARROS e NAHAS, 2000; REIS, PETROSKI e LOPES, 2000; HILL eHILL, 2000; GUTIERREZ, 2000; FLECK et al. 1999). Como o processo de interpretação dos resultados de uma bateria de testes podedespender muito tempo o uso da tecnologia pode ser um recurso de grande valiapara fornecer um retorno rápido e visualmente agradável para o avaliado. Contudo,embora a facilidade para o manejo de grandes quantidades de informaçãopropiciado pelo uso do computador a validade dos dados e a significância dasvariáveis também deve ser considerada. A seleção das variáveis e o método damedida são as questões mais importantes que os avaliadores físicos devemconsiderar em associação ao propósito do teste (FRANKS e WOOD, 1997). Nestesentido, o desenvolvimento de uma ferramenta computacional para a avaliação doestilo de vida e da aptidão física relacionada à saúde deve considerar a praticidadedos procedimentos de avaliação associada a uma validade e fidedignidadeadequadas para o uso em grandes grupos.
  17. 17. 181.1 Justificativa Desconhece-se no nosso meio, qualquer instrumento de medida que permitaavaliar o estilo de vida e a aptidão física dentro de uma perspectiva de promoção eeducação para a saúde. Portanto, justifica-se a realização deste estudo para validaro questionário Estilo de Vida Fantástico e elaborar um sistema de avaliação para apromoção do estilo de vida saudável e da aptidão física relacionada à saúde deestudantes universitários.1.2 Proposição Em consonância com a justificativa apresentada, a inexistência de trabalhos comestudantes universitários que relacionem a aptidão física e o estilo de vida à saúde,com base em critérios de referência, aliado ao fato de não existir um procedimentode avaliação com estas características, a seguinte proposição foi estabelecida.Traduzir e validar o questionário Estilo de Vida Fantástico e construir umaferramenta computacional para interpretar e gerar relatórios sobre o estilo de vida ea aptidão física relacionada à saúde de estudantes universitários que orientem aelaboração de programas de promoção e gestão da saúde.1.3 Objetivos1.3.1 Objetivo geral Validar o questionário Estilo de Vida Fantástico e construir uma ferramentacomputacional para interpretar os resultados do estilo de vida e da aptidão físicarelacionada à saúde de estudantes universitários para orientar programas depromoção de saúde.1.3.2 Objetivos específicos • Traduzir o questionário Estilo de Vida Fantástico. • Validar o questionário Estilo de Vida Fantástico.
  18. 18. 19 • Construir uma ferramenta computacional para a interpretação dos resultados da avaliação do estilo de vida e da aptidão física relacionada à saúde. • Sugerir estratégias para a promoção do estilo de vida saudável com base nas teorias do comportamento.1.4 Delimitação Este estudo está delimitado a estudantes universitários de ambos os sexos, poisconstituem um grupo com características muito peculiares com relação a faixa etáriae hábitos de vida. A utilização do questionário em outros grupos requer de validação.Contudo, a ferramenta computacional de avaliação pode ser utilizada desde quesejam utilizadas as referências adequadas.1.5 Limitação A limitação deste trabalho é a inerente aos trabalhos realizados com formuláriosque é a de ter a precisão das informações limitadas à veracidade e à recordação dosindivíduos.1.6 Definição de termos Atividade física. Qualquer movimento corporal, produzido pelos músculosesqueléticos, que resulte em gasto energético maior do que os níveis de repouso(CASPERSEN, POWELL e CHRISTENSEN. 1985). Aptidão física. É um conjunto de atributos que estão relacionados à saúde ou àperformance. Aptidão física relacionada à saúde compreende aqueles componentesda aptidão que apresentam relações com a saúde. Aptidão física relacionada àperformance envolve os componentes da aptidão que permitem ótima performanceno trabalho ou no esporte (CSEF, 1998). Estilo de vida. É a forma de vida baseada em padrões identificáveis decomportamento os quais são determinados pela interação de papeis entre ascaracterísticas pessoais do indivíduo e as condições de vida sócio-econômicas e
  19. 19. 20ambientais, o estilo de vida está relacionado com diversos aspectos que refletem asatitudes os valores e as oportunidades na vida das pessoas (WHO, 1998). Qualidade de vida. É a percepção do indivíduo de sua posição na vida nocontexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seusobjetivos, expectativas, padrões e preocupações (WHO, 1998). Saúde. É uma condição humana com dimensões física, social e psicológica,cada uma caracterizada por um contínuo de pólos positivos e negativos. Onde asaúde positiva estaria associada à capacidade de desfrutar da vida, tendo uma vidadinâmica e produtiva, confirmada pela percepção de bem-estar geral e não apenas aausência de doença, enquanto que saúde negativa estaria associada com o risco dedoenças, morbidade e no seu extremo máximo com a morte prematura(BOUCHARD et al. 1990).
  20. 20. 212 REVISÃO DE LITERATURA2.1 A atividade física no trabalho e no lazer na sociedade contemporânea Os benefícios da atividade física sempre foram exaltados na história ocidental,contudo, foi somente a partir da segunda metade do século XX que as evidênciascientíficas que suportam estes pressupostos começaram a se acumular (USDHHS,1996). Arqueólogos e antropólogos, estudando as sociedades pré-industriais quepermanecem intactas, confirmam que a atividade física não era apenas umanecessidade para a coleta de alimentos e para proporcionar abrigo e segurança. Aatividade física era desfrutada todos os dias como um componente integral daexpressão social, religiosa e cultural. As necessidades de subsistência eramtipicamente divididas em um ou dois dias de intenso exercício seguidos de um oudois dias de descanso e celebração. Durante os dias de descanso realizavam-secorridas de até 32 km visitando outras vilas, parentes e amigos ou negociar comoutras comunidades, onde dançavam e realizavam atividades culturais (EATON,SHOSTAK e KONNER, 1988). À medida que a Revolução da Agricultura permitiuque as pessoas passassem a viver em grandes grupos e cidades e a especializaçãodas ocupações reduziu a quantidade e intensidade de atividade física relacionada aotrabalho, vários curandeiros e filósofos começaram a reforçar que a vida longadepende da prevenção de doenças por meio de uma nutrição adequada e atividadefísica (USDHHS, 1996). Na Grécia Antiga, o reconhecimento de que uma quantidade apropriada deexercício físico é necessário para uma vida saudável data do século 5 a.C.(BERRYMAN, 1992). Numerosos estudiosos ao longo da história observaram que as pessoassedentárias parecem adoecer mais do que as pessoas ativas. Em 1713, BernardinoRamazzini, um médico italiano considerado o pai da medicina ocupacional, no seulivro “Doenças dos Trabalhadores” trata da inatividade crônica e a saúde. Nocapítulo intitulado “Os trabalhadores sedentários e suas doenças”, aponta queaqueles que trabalham sentados, os chamados trabalhadores de cadeira tais comosapateiros e alfaiates, sofrem de doenças particulares e que deveriam se exercitar
  21. 21. 22pelos menos durante os feriados para compensar os efeitos daninhos da vidasedentária (USDHHS, 1996). A modernização dos meios de produção e de transporte ocorrido durante a eraindustrial contribuiu para a redução das atividades físicas no trabalho e como meiode locomoção. Hoje em dia a maioria dos trabalhos pesados são executados pormáquinas e o computador está assumindo grande parte dos trabalhos no lar e noambiente ocupacional. Assim, a carga de trabalho dos músculos tem se transferidopara os órgãos dos sentidos e desta maneira, o homem passou a operar essasmáquinas com um mínimo de esforço físico. Estima-se que de cada quatrotrabalhadores nas nações industrializadas três desempenham atividades que exigemhabilidades na área da informática e que no mundo todo apenas um em cada quatropessoas realiza algum esforço físico no trabalho (EDGINTON, 1997; BARROS,1999; GRANDJEAN, 1998). Embora nos países industrializados se observe a tendência de diminuição dostrabalhos fisicamente pesados e sob condições ambientais extremas, nos países emdesenvolvimento, como é o caso do Brasil, esta situação não ocorre na mesmaproporção (GUIMARÃES e ANTUNES, Jr., 1998). A diminuição da atividade física não ocorreu somente devido às atividades detrabalho. O lazer também sofreu uma grande redução, devido principalmente, àtelevisão e à informática. Houve uma substituição gradativa da participação emjogos, danças e esportes por atividades passivas como jogar videogame, ouvirmúsica ou simplesmente navegar na internet (GLANER, 2002a; PATE e ROSS,1999; BARROS, 1999). Apesar dos benefícios para a saúde, o trabalho e a qualidade de vida associadaa uma vida mais ativa 26,9% dos Europeus não são ativos no tempo de lazer(MARTINEZ-GONZALEZ et al. 2001), nos Estados Unidos 29,9% dos americanosadultos relataram não realizar atividades físicas durante o seu tempo de lazer sendoque a prevalência é maior entre as mulheres e negros (PRATT, MACERA eBLANTON, 1999). Embora algumas limitações metodológicas, a folha de São Paulopublicou em 1997 uma pesquisa realizada em 98 municípios do país onde foramouvidas 2.054 pessoas com idade entre 18 e 60 anos. Segundo esta pesquisa, 60%dos brasileiros não pratica qualquer atividade física no tempo de lazer, sendo que omaior motivo alegado é a falta de tempo ou o excesso de trabalho. Entre os querealizam alguma atividade física, o futebol é a atividade preferida dos homens e a
  22. 22. 23caminhada e a das mulheres. Esta pesquisa ainda apontou que o hábito deexercitar-se é maior entre os jovens (46% para a faixa de idade entre 18 e 24 anos)e diminui com a idade a ponto de que apenas 34% das pessoas com idade entre 45e 60 anos realizam qualquer atividade física. O que chama a atenção é o fato de quemais da metade dos que declararam praticar algum tipo de atividade estão no grupodos chamados atletas de fim-de-semana (Folha de São Paulo, 1997). Num estudo que investigou 4.225 industriários do Estado de Santa Catarina,Barros (1999) constatou que 46,4% dos trabalhadores não fazem qualquer atividadefísica de lazer, sendo que a proporção de mulheres inativas é de 67,0% e aproporção de homens inativos 34,8%. Martins (2000), pesquisando professoresuniversitários, constatou que 10% podem ser considerados sedentários semnenhuma prática de atividade física no tempo de lazer e, excluindo 17,8% que foramconsiderados regularmente ativos, não se pode afirmar que os demais possuampadrões de prática suficientes para alcançar níveis ótimos de saúde.2.2 O estilo de vida como determinante da atividade física, da saúde e daqualidade de vida Para discutir as relações entre estilo de vida, atividade física, saúde e qualidadede vida torna-se necessário considerar as grandes mudanças ocorridas ao longo doséculo passado e que alteraram drasticamente a relação entre o homem e o meioambiente. Primeiramente, a expectativa de vida aumentou devido aos avanços namedicina e ao melhoramento do saneamento básico. O aumento da renda daspopulações e o avanço tecnológico possibilitaram maior conforto e cuidados com asaúde. Estas mudanças levaram a uma transição epidemiológica com alteração dasmaiores causas de morte e incapacidade de doenças infecto-contagiosas paradoenças do tipo crônico-degenerativas (USDHHS, 1996). Em segundo lugar, osfatores comportamentais, particularmente o uso de cigarros, padrões inadequadosde dieta e atividade física, consumo de álcool e comportamento com relação ao sexoseguro são os maiores contribuintes para a mortalidade (MCGINNIS e FOEGE,1993). Desta maneira, nos últimos 20 anos ocorreu um aumento no interesse dosprofissionais da saúde na prevenção das incapacidades e da morte por meio demudanças no estilo de vida e pela participação em programas de prevenção(GLANZ, LEWIS e RINEL, 1997).
  23. 23. 24 Nos Estados Unidos, os dados mostram que, de fato, tem acontecido algumamudança positiva. O controle da pressão arterial e os níveis de colesterolsanguíneos na população têm diminuído. Menos adultos estão usando cigarros evivendo um estilo de vida sedentário. A ingestão média diária de gordura tem caídode 36% para 34% do total da energia e o uso do cinto de segurança tem aumentadode 42% em 1988 para 67% em 1994. A proporção de mulheres com 40 anos oumais que tem feito o exame de mamas e mamografia mais do que dobrou entre 1989e 1994. Políticas e leis restringindo o uso de cigarros bem como programas para apromoção da saúde no local de trabalho têm aumentado muito (USDHHS, 1995). Defato, segundo Sobel apud (GLANZ, LEWIS e RIMER, 1997), a prevenção clínica e asintervenções comportamentais devem crescer em importância quando seu custo eefetividade forem demonstrados e reconhecidos. O estilo de vida é definido pela Organização Mundial da Saúde como “a forma(maneira) de vida baseada em padrões identificáveis de comportamento os quaissão determinados pela interação de papéis entre as características pessoais doindivíduo, interações sociais e as condições de vida sócio-econômicas e ambientais”(WHO, 1998, p.16). Estes padrões de comportamento são continuamenteinterpretados e testados em diferentes situações sociais e portanto, não são fixos,mas sujeitos à mudança. Os estilos de vida individuais caracterizados pelos seuspadrões identificáveis de comportamento, podem ter um efeito profundo na saúdedos seres humanos. Se a saúde vai ser objeto de intervenção possibilitando aosindivíduos melhorar seu estilo de vida, as ações devem ser direcionadas nãosomente ao indivíduo mas também às condições de vida e sociais que interagempara produzir e manter esses padrões de comportamento. Como vimos anteriormente, um dos efeitos do progresso da ciência foi adiminuição da atividade física no trabalho e no lazer. Este fato provocou sériosefeitos na saúde das pessoas, pois as causas de doença e morte passaram a sercada vez mais associadas aos fatores comportamentais. Estudos epidemiológicos transversais e pesquisas experimentais controladas têmdemonstrado que adultos fisicamente ativos comparados com seus semelhantessedentários, tendem a desenvolver e manter níveis mais altos de aptidão física(ACSM, 2000; FLETCHER et al. 2001). Pesquisas epidemiológicas têm demonstradoo efeito protetor da atividade física sobre os fatores de risco para doenças crônicas,incluindo doença cardíaca coronariana (WANNAMETHEE e SHAPER, 2001;
  24. 24. 25SESSO, PAFFENBARGER e LEE, 2000), derrame (LEE e BLAIR, 2002b), diabetesnão-insulino dependente (HU et al. 2001), osteoporose (NICHOLS et al. 1994;KOHRT et al. 1995), câncer (LEE e BLAIR, 2002a), ansiedade e depressão (FOX,1999; CAMACHO et al. 1991). Outros estudos epidemiológicos têm demonstrado que baixos níveis de atividadefísica habitual, e baixos níveis de aptidão física estão associados com o aumentodas taxas de mortalidade por todas as causas (PAFFENBARGER e LEE, 1996;BLAIR, et al. 1989). Os aumentos nos níveis de atividade física estão associadoscom a diminuição do risco de morte. Estima-se que nos Estados Unidos que 250.000mortes por ano, (aproximadamente 12% do total de mortes) são atribuíveis à falta deatividade física regular. As conclusões destes estudos epidemiológicos sãosustentadas por estudos experimentais que demonstram que o exercício melhora osfatores de risco para doença cardíaca coronariana e outros fatores relacionados àsaúde incluindo o perfil lipídeo, pressão sanguínea de repouso em pacienteshipertensos leves, composição corporal, tolerância à glicose, densidade óssea,função imunológica e função psicológica (PATE et al. 1995). Desta maneira, torna-se evidente a necessidade da atividade física comomecanismo protetor da saúde, não apenas física, mas também da saúde social epsicológica. Sendo a atividade física um elemento ou componente do estilo de vida,em programas de promoção de saúde, pode ser tratada de forma isolada ou dentrode um contexto maior. A Organização Mundial da Saúde define saúde “como o completo estado debem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ouenfermidade” (WHO, 1998, p.1). A Conferência Internacional de Consenso emAtividade Física, Aptidão Física e Saúde de 1988 definiu saúde como a condiçãohumana com dimensões física, social e psicológica, cada uma caracterizada por umcontínuo de pólos positivos e negativos, onde o pólo positivo estaria associado coma capacidade de desfrutar da vida e enfrentar os desafios e não apenas a ausênciade doença e em contraposição o pólo negativo estaria associado com a morbidadee, no seu extremo com a morte prematura (BOUCHARD et al. 1990). O conceito de saúde está intimamente ligado ao conceito de qualidade de vidaquando sugere controle da morbidade e prolongamento da vida útil e independentedos indivíduos (MARTINS, 2000). Segundo Fleck et al. (1999), muitas vezes, na
  25. 25. 26busca por acrescentar “anos de vida”, era deixada de lado a necessidade deacrescentar “vida aos anos”. A expressão qualidade de vida foi empregada pela primeira vez pelo presidentedos Estados Unidos, Lyndon Johnson, em 1964, ao declarar que “os objetivos nãopodem ser medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidosatravés da qualidade de vida que proporcionam às pessoas”. O interesse emconceitos como “padrão de vida” e “qualidade de vida” surge dos cientistas sociais,filósofos e políticos, preocupados com a progressiva desumanização produzida peloavanço tecnológico e da medicina. Desta maneira, refere-se a um movimento dentrodas ciências humanas e biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplosdo que o controle de sintomas, a diminuição da mortalidade ou o aumento daexpectativa de vida (FLECK, et al. 1999). Segundo WHO (1998, p.16), qualidade de vida é definida como “a percepção doindivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores em queele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.Este é um amplo conceito que incorpora de uma maneira complexa a saúde física dapessoa, estado psicológico, nível de independência, relacionamentos sociais,crenças pessoais e seu relacionamento com as características do meio ambiente. O termo qualidade de vida relacionada à saúde foi introduzido para capturarmelhor a influência que o status de saúde e os cuidados com a saúde têm naqualidade da vida diária. A qualidade de vida relacionada à saúde representa asatisfação geral de uma pessoa e inclui as dimensões: cognitiva, social, física,emocional, a produtividade pessoal e a intimidade. A atividade física tem umainfluência potencial na qualidade de vida relacionada à saúde com efeitos diretos naárea do bem-estar psicológico (auto-estima, humor e afeto), função física percebida(habilidade percebida para realizar atividades da vida diária), bem-estar físico(sintomas percebidos e o estado físico percebido como a dispnéia, dor, fadiga eenergia) e, numa extensão mais limitada, na função cognitiva (Kaplan e Busch apudUSDHHS, 1996).2.3 Atividade física, exercício e aptidão física A atividade física tem sido caracterizada como qualquer movimento corporalproduzido pela contração da musculatura esquelética que resulta num aumento do
  26. 26. 27gasto energético acima dos níveis de repouso (CASPERSEN, POWELL,CHRISTENSEN, 1985). A atividade física pode ser categorizada de várias maneiras incluindo o tipo,intensidade e propósito. Contudo, a atividade física de uma pessoa ou grupo éfreqüentemente categorizado de acordo com o contexto em que ocorre. Destamaneira, a atividade física pode ser categorizada como sendo do tipo: ocupacional,do lar, de lazer e de transporte. As atividades do lazer podem ser subdivididas emcategorias como esportes de competição, atividades recreacionais e exercício outreinamento (USDHHS, 1996). O exercício e a atividade física foram usados como sinônimos no passado, masagora, o termo exercício tem sido utilizado para designar uma subcategoria daatividade física com características definidas de planejamento, estrutura e repetiçãocom o objetivo do melhoramento ou da manutenção de um ou mais doscomponentes da aptidão física (CASPERSEN, POWELL, CHRISTENSEN, 1985). A aptidão física é considerada como a habilidade de realizar as tarefas diáriascom vigor e prontidão, sem fadiga, e com energia para desfrutar dos desafios dotempo de lazer e enfrentar as emergências. A aptidão física inclui a resistênciacardiorrespiratória, resistência muscular, força muscular, potência muscular,velocidade, flexibilidade, agilidade, equilíbrio, tempo de reação e composiçãocorporal. Como estes atributos diferem em importância para a performance atlética epara a saúde, tem sido feita uma distinção entre aptidão relacionada à performancee aptidão relacionada à saúde (CORBIN, LINDSEY e WELK, 2000; PATE, 1983;CASPERSEN, POWELL e CHRISTENSEN, 1985). O conceito de aptidão física relacionada à saúde deriva basicamente dasevidências de estudos que demonstraram a relação de alguns dos componentes daaptidão com problemas de saúde (GLANER, 2002b). São consideradoscomponentes da aptidão física relacionada à saúde: a aptidão cardiorrespiratória,força e resistência muscular, composição corporal e a flexibilidade (CORBIN,LINDSEY e WELK, 2000; NIEMAN, 1999; USDHHS, 1996). O componente cardiorrespiratório refere-se à capacidade de captar, transportar eutilizar oxigênio em atividades físicas. Baixos níveis deste componente estãoassociados com maior risco para o desenvolvimento de doenças crônicas (ACSM,1998, 2001; FLETCHER, 2001; BLAIR et al. 1996). A força, a resistência muscular ea flexibilidade são consideradas moduladores do sistema músculo-esquelético.
  27. 27. 28Previnem problemas posturais, articulares e lesões e são importantes para aqualidade de vida dos indivíduos, contudo, a associações entre baixos valores deaptidão músculo-esquelética com o aumento de risco de mortalidade têm sidolimitadas (FUJITA et al. 1995; RATANEN et al. 2000; KATMARZYK e CRAIG, 2002).O componente “composição corporal” refere-se mais especificamente à quantidadede gordura corporal e tem sido relacionado com o desenvolvimento de doençascrônicas e degenerativas (ACSM, 2001, BOUCHARD, 2003; NIEMAN, 1999).2.4 Benefícios da atividade física para a saúde As recomendações com relação à quantidade e intensidade de atividade físicapara se obter benefícios na aptidão física e na saúde inicialmente eram baseadasnas comparações sistemáticas do efeito de diferentes propostas de treinamento comexercícios (USDHHS, 1996). Entre os anos de 1960 e 1970 painéis e comitês de especialistas, sob osauspícios de organizações de saúde ou orientadas para o condicionamento,começaram a recomendar programas específicos de atividade física ou prescriçãode exercícios para melhorar a saúde e a capacidade de performance. Estasrecomendações foram baseadas na experiência clínica e nos dados científicosdisponíveis à época (CORBIN, LINDSEY e WELK, 2000; ACSM, 1998; FLETCHERet al. 2001). A revisão de Pollock, realizada em 1973, sobre o tipo de exercício necessáriopara melhorar a potência aeróbica e a composição corporal, formou a base para oposicionamento oficial do ACSM, de 1978, intitulado “A quantidade recomendada equalidade do exercício para o desenvolvimento e manutenção da aptidão física emadultos saudáveis”. Este posicionamento destacava que para os adultos saudáveisdesenvolverem e manterem a aptidão cardiorrespiratória e a composição saudávelnecessitavam se exercitar de 3 a 5 dias por semana, numa intensidade de 60 a 90%da freqüência cardíaca máxima (equivalente a 50 – 80% do consumo máximo deoxigênio ou da freqüência cardíaca de reserva), com duração de 15 a 60 minutos porsessão, utilizando grandes grupos musculares e realizando movimentos rítmicoscomo corrida, jogging, caminhada ou bicicleta (USDHHS, 1996). Entre os anos de 78 e 90, a maioria das recomendações de exercício para apopulação, em geral, foram feitas com base neste posicionamento. Mesmo sendo
  28. 28. 29este direcionado especificamente para a aptidão cardiorrespiratória e para acomposição corporal, muitas pessoas interpretaram estas recomendações comosendo para a promoção da saúde. Nos anos 70 havia muita informação disponívelcom relação aos benefícios dos exercícios vigorosos, principalmente pelosposicionamentos oficiais do ACSM (American College of Sport Medicine) e da AHA(American Heart Association). Como a compreensão do benefício dos exercíciosmenos vigorosos cresceu, novas recomendações surgiram e estes órgãos passarama recomendar o exercício regular de moderada intensidade como alternativa paraaqueles que não gostam dos exercícios físicos ou que se exercitam muito pouco(USDHHS, 1996). Em 1990, o ACSM atualizou seu posicionamento de 1978 acrescentando odesenvolvimento da força e da resistência muscular como objetivo. A recomendaçãode freqüência, intensidade e modo do exercício permaneceram semelhantes. Porém,a duração foi levemente aumentada de 15 a 60 para 20 a 60 minutos por sessão efoi sugerido o exercício de resistência de moderada intensidade para desenvolver emanter a força e resistência muscular (uma série de 8 a 12 repetições de 8 a 10diferentes exercícios pelo menos duas vezes por semana). Estas recomendações de1990 diferenciam-se das de 1978 porque reconhecem que as atividades demoderada intensidade podem proporcionar benefícios para a saúdeindependentemente de benefícios na aptidão cardiorrespiratória. Isto foi muitoimportante para entender que a quantidade e qualidade do exercício para se obterbenefícios relacionados à saúde pode ser diferente do que é recomendado parabenefícios na aptidão. Hoje em dia está claro que níveis de atividade física menoresdo que os recomendados pelos posicionamentos podem aumentar o risco de certasdoenças crônico-degenerativas. O ACSM reconhece os benefícios potenciais para asaúde do exercício regular realizado mais freqüentemente e com duração maior,mas de menor intensidade (ACSM, 1998; FLETCHER et al. 2001). Os estudos realizados entre 1970 e 1990 com pessoas de meia-idade, idosas ecom pacientes com baixa capacidade funcional demonstraram que podem serconseguidos significativos benefícios relacionados à saúde na capacidadecardiorrespiratória com exercícios de moderada intensidade. Como resultado destesachados, as recomendações do CDC e do ACSM passaram a indicar que todos osadultos deveriam realizar 30 ou mais minutos de atividade física de moderadaintensidade na maioria dos dias, preferencialmente todos os dias. Esta atividade
  29. 29. 30pode ser realizada numa sessão, de maneira acumulada, ou em vários intervalosdurando pelo menos 8 a 10 minutos. Tais diretrizes diferem significativamente dasprimeiras em três aspectos: a) reduzem a intensidade mínima de exercício de 60para 50% do consumo máximo de oxigênio em adultos saudáveis e para 40% empacientes ou pessoas com muito baixo condicionamento; b) aumenta a freqüênciadas sessões de exercícios de 3 para 5-7 dias por semana, dependendo daintensidade e da duração da sessão; e c) inclui a opção de acumular o mínimo de 30minutos por dia em múltiplas sessões com duração mínima de 8 a 10 minutos. As pessoas sedentárias podem aumentar os seus níveis de atividade física dediversas maneiras. A abordagem tradicional estruturada pelo ACSM, envolveconsiderações específicas levando em conta tipo, freqüência, intensidade e duraçãoda atividade. As atividades recomendadas incluem caminhada rápida, corrida,ciclismo, natação ou aulas de aeróbica. Mais recentemente, as recomendações deatividade física têm adotado a abordagem do estilo de vida para aumentar aatividade física. Este método envolve atividades comuns como caminhada, subirescadas (em vez de utilizar o elevador), realizar mais trabalho de casa e jardinageme procurar atividades recreacionais ativas. Os conhecimentos atuais indicam queambas as abordagens, a estruturada ou a do estilo de vida são benéficas para apessoa sedentária e que os interesses e oportunidades individuais devem serlevados em conta para se determinar a melhor. Benefícios adicionais para a saúdepodem ser obtidos pelo aumento do tempo da sessão de atividade de moderadaintensidade ou pela substituição por atividades mais vigorosas (U.S. Department ofHealth and Human Services, Public Health Service, Center for Disease Control andPrevention, National Center for Chronic Disease Prevention and Helth Promotion,Division of Nutritional and Physical Activity, 1999).2.5 Mensuração da atividade física da aptidão e da intensidade A mensuração da aptidão física iniciou em 1861 com Edward Hitchcok realizandoexaustivas mensurações antropométricas. Em 1880, Dudley Sargent daUniversidade de Harvard incorporou as medidas de força. Já no início dos anos de1900, o foco nas medidas corporais passou para os testes de capacidade detrabalho vital que incluíam medidas de pressão arterial, freqüência cardíaca e fadiga(USDHHS, 1996).
  30. 30. 31 A possibilidade de relacionar atividade física à saúde depende de medidasprecisas, válidas e reprodutíveis. As técnicas de medida têm evoluídoconsideravelmente com o passar dos anos, melhorando a sua validade e apoiando aafirmação de que a atividade física melhora a saúde (AINSWORTH, MONTOYE,LEON, 1994). Os instrumentos utilizados devem ser avaliados, não apenas pela sua eficáciana mensuração do status de um indivíduo, mas pela sua aplicabilidade comoinstrumento de pesquisa epidemiológica em larga escala. Estes instrumentos variamconsideravelmente em função do grupo etário em que podem ser aplicados, na suaaceitabilidade assim como no seu custo e na forma como afetam o comportamentoque eles pretendem medir. A mensuração da atividade física pode ser realizada combase em medidas auto-reportadas ou com base em medidas de monitoramentodireto. As técnicas utilizadas incluem diários, registros, recordatórios, históriaretrospectiva e auto-relatórios gerais. A informação obtida de questionários auto-reportados tem sido freqüentemente convertida em estimativas de gasto energéticoou em outra medida que possa ser utilizada para classificar as pessoas pelos seusníveis de atividade física (U.S. Department of Health and Human Services, PublicHealth Service, Center for Disease Control and Prevention, National Center forChronic Disease Prevention and Helth Promotion, Division of Nutritional and PhysicalActivity, 1999). As medidas de monitoramento direto constituem a melhor alternativa para amensuração da atividade física por meio de observações do comportamento cominterfases mecânicas ou eletrônicas ou por meio de medidas fisiológicas. Dentrodesta abordagem são utilizadas observações de comportamento, freqüênciacardíaca, sensores eletrônicos de movimento, pedômetros, acelerômetros, etc. Estaabordagem elimina o problema da memória fraca e do viés dos instrumentos auto-reportados, porém, eles próprios são limitados pelo seu alto custo e pelo esforço querepresentam para os participantes e para os pesquisadores. Conseqüentemente,têm sido utilizados em baixa escala e em estudos de caso, embora já tenham sidoutilizados em alguns estudos em larga escala (USDHHS, 1996). Os termos comuns utilizados para caracterizar a intensidade da atividade físicasão: baixo, moderado, vigoroso e extenuante. Uma forma de classificar a intensidadeda atividade física tem sido expressar a intensidade de maneira relativa, quesignifica um valor em relação à capacidade da pessoa para um determinado tipo
  31. 31. 32específico de atividade. Por exemplo, a intensidade de prescrição para exercícioaeróbico geralmente é expresso em relação ao condicionamento aeróbico medidode uma pessoa (ACSM, 2000). Devido ao fato da freqüência cardíaca durante o exercício estar altamenteassociada ao aumento no consumo de oxigênio, a percentagem de freqüênciacardíaca máxima é utilizado freqüentemente como alternativa para a estimativa dapercentagem do consumo máximo de oxigênio. A intensidade do exercício tambémpode ser expressa em termos absolutos como caminhar a 5 km/h ou trotar a 8 km/hou ainda em METs, onde um MET é aproximadamente 3,5 mlO2.kg.min. (U.S.Department of Health and Human Services, Public Health Service, Center forDisease Control and Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention andHelth Promotion, Division of Nutritional and Physical Activity, 1999). A maioria dos estudos de treinamento com exercícios usa a intensidade relativapara avaliar regimes específicos de exercício. Por outro lado, estudosobservacionais relacionando a atividade física à mortalidade e à morbidadegeralmente relatam a intensidade da atividade física em termos absolutos ouquantidade total de atividade física estimada, a partir de medidas compostas queincluem intensidade, freqüência e duração. Desta maneira, é muito difícil comparar aintensidade da atividade física que melhora os marcadores fisiológicos com aintensidade da atividade física que pode reduzir a mortalidade e a morbidade. Uma solução para esta terminologia seria a criação de categorias consistentesque igualassem varias medidas a um mesmo adjetivo. No Quadro 1 pode-seobservar as relações entre as intensidades relativas e absolutas para diversosgrupos etários e de acordo com vários critérios (USDHHS, 1996). A avaliação da aptidão física é uma das áreas melhor desenvolvidasprincipalmente devido ao fato que se fundamenta em medidas fisiológicas que temde boa a excelente precisão e fidedignidade. O maior foco da avaliação da aptidãofísica relacionada à saúde é a mensuração da resistência cardiorrespiratória, daaptidão muscular e da composição corporal (USDHHS, 1996). Aptidão cardiorrespiatória. O melhor critério da aptidão cardiorrespiratória é oconsumo máximo de oxigênio ou potência aeróbica (VO2max). O VO2max é maiscorretamente determinado pela mensuração da composição do ar expirado e dovolume respiratório durante exercício máximo. Porém, este procedimento érelativamente caro e requer técnicos especificamente treinados, o que limita seu uso
  32. 32. 33em grandes estudos epidemiológicos (FLETCHER et al. 2001). Contudo, o consumode oxigênio pode ser estimado a partir da carga de trabalho suportada duranteexercício máximo ou sub-máximo, sem a mensuração dos gases espirados. Taisprocedimentos requerem instrumentos precisamente calibrados e o seguimento deum protocolo específico, além da colaboração do participante (ACSM, 2000). Qualquer teste máximo para avaliar a aptidão cardiorrespiratória impõe aoavaliado uma carga de trabalho muito grande. Para reduzir esta carga, diversosprotocolos de exercícios sub-máximos têm sido desenvolvidos. Nestes protocolos, aresposta da freqüência cardíaca a uma determinada carga de trabalho é utilizadapara predizer o VO2max como os testes de banco ou pista (ACSM, 2000;FLETCHER et al. 2001)Quadro 1: Classificação da intensidade da atividade física. Exercício de resistência Exercício de força Intensidade relativa Intensidade absoluta (MET) em adultos Intensidade saudáveis (idade em anos) relativa*Intensidade % do %FCM TPE** Jovens Meia- Idosos Muito TPE % da VO2max (20-39) idade (65-79) idosos contração ou da FCR (40-64) (80 >) voluntária máximaMuito leve <25 <30 <9 <3.0 <2.5 <2.0 ≤1.25 <10 <30Leve 25-44 30-49 9-10 3.0-4.7 2.5-4.4 2.0-3.5 1.26-2.2 10-11 30-49Moderado 45-59 50-69 11-12 4.8-7.1 4.5-5.9 3.6-4.7 2.3-2.95 12-13 50-69Pesado 60-84 70-89 13-16 7.2-10.1 6.0-8.4 4.8-6.7 3.0-4.25 14-16 70-84Muito pesado ≥85 ≥90 >16 ≥10.2 ≥8.5 ≥6.8 ≥4.25 17-19 >85Máximo*** 100 100 20 12.0 10.0 8.0 5.0 20 100* Baseado em 8 a 12 repetições para uma pessoa abaixo de 50 anos e 10 a 15 repetições para uma pessoaacima de 50 anos.** Tabela de percepção de esforço de Borg com escala de 6 a 20 (Borg, 1982).*** Os valores máximos são a média de valores atingidos durante exercício máximo em adultos saudáveis. Aintensidade absoluta (METs) é o valor médio aproximado para homens. O valor médio para as mulheres éaproximadamente 1-2 METs menor do que do homem.Adaptado de (USDHHS, 1996) Aptidão muscular. As variáveis da aptidão muscular são a força muscular, aresistência muscular, a flexibilidade. A força muscular pode ser medida durantecontrações estáticas ou dinâmicas, devido ao fato de a força ser específica ao grupo
  33. 33. 34muscular envolvido, a avaliação de um grupo não proporciona informação da forçade um outro grupo muscular. Para uma avaliação mais ampla da força musculardevem ser incluídos grupos musculares grandes da parte superior, do tronco e daparte inferior do corpo (CORBIN, LINDSEY e WELK, 2000; ALLSEN, HARRISON eVANCE, 2001; GEORGE, FISHER e VEHRS, 1996). Flexibilidade. A flexibilidade é difícil de medir de uma forma precisa e confiável.Devido ao fato da flexibilidade ser específica a uma determinada articulação não háuma medida satisfatória como índice geral de flexibilidade de um indivíduo. Aavaliação da flexibilidade freqüentemente tem sido limitada ao teste de sentar ealcançar, o qual é considerado como indicador da flexibilidade da porção inferior dascostas e da parte posterior das pernas. O critério para avaliar a flexibilidade emlaboratório é a goniometria (JOHNSON e NELSON, 1986). Composição corporal. O método ideal para a determinação da gordura corporale da massa magra é a pesagem hidrostática. Contudo, este método não temprecisão em determinadas populações como em crianças e idosos, além de sermuito demorada para avaliar grandes populações (LOHMAN, 1986). Por essemotivo, as medidas antropométricas têm sido largamente utilizadas para calcular apercentagem de gordura corporal com vários graus de precisão e fidedignidade(WILMORE e BEHNKE, 1970). Na maioria dos estudos baseados em populaçõesque procuram estabelecer relações entre atividade física e o risco para morbidadeou mortalidade, a composição corporal tem sido estimada pela mensuração damassa corporal e da estatura e pelo cálculo do índice de massa corporal(Massa/Estatura2) (USDHHS, 1996). Os resultados sugerem que a distribuição dagordura corporal, especialmente o seu acúmulo na área abdominal e a gorduracorporal total, é fator de risco significativo para doenças cardiovasculares e para odiabetes. A magnitude desta gordura central pode ser calculada pela relação dacintura/quadril (HEYWARD e STOLARCZYK, 1996; BOUCHARD, 2003). Para medir os componentes da aptidão física relacionada à saúde existem váriastécnicas laboratoriais e de campo, sendo que estas últimas têm recebido maioraceitação por serem práticas de baixo custo e por permitirem medir um grandenúmero de sujeitos em pouco tempo (GLANER, 2002a). Das técnicas de campo paraadultos, a que tem recebido maior aceitação é a bateria de testes físicos do PlanoCanadense de Avaliação da Atividade Física, Aptidão e Estilo de Vida (TheCanadian Physical Activity, Fitness & Lifestyle Appraisal) da Sociedade Canadense
  34. 34. 35para a Fisiologia do Exercício (KATZMARZYK e CRAIG, 2002). Este procedimentoapresenta escores de referência, fundamentado em critérios, para cada componenteda aptidão que servem como parâmetro para verificar a adequação dos avaliadoscom relação à saúde. A realização de mensurações precisas e confiáveis é de grande utilidade para osavaliados e para os avaliadores que são os responsáveis pelas tomadas de decisão.Tradicionalmente, a interpretação dos escores obtidos nos testes tem sido baseadaem padrões normatizados que não tem uma relação direta com o status de saúdedos avaliados (GLANER, 2002a). Contudo, a partir da segunda metade da décadade 80 o uso de referências fundamentadas em critérios têm sido incorporadas porvárias baterias como: Prudential FITNESSGRAM, President’s National, President’sPresidential e Physical Best (MORROW et al. 2000; TRITSCHLER, 2000). Enquanto que os padrões referenciados a normas dizem respeito ao nível deperformance relativa em relação a um grupo definido, os padrões referenciados emcritérios dizem respeito a um nível em particular, que deve ser alcançado ouultrapassado para se atingir um determinado status. Os padrões adotados para avaliar os escores de um teste são bons quandolevam em consideração o contexto em que são utilizados. Desta maneira, ospadrões referenciados em normas são úteis quando o propósito é determinardiferenças individuais ou quando se quer saber a performance com relação a umgrupo. No entanto, quando o objetivo é saber se um indivíduo atinge ou não osvalores mínimos para “passar” ou “reprovar”, os padrões referenciados em critériosdevem ser considerados (GLANER, 2002a). A bateria adotada neste trabalho apresenta uma relação custo-benefício muitoboa: requer pouco tempo para avaliar um grupo, os procedimentos são conhecidos,demanda pouco material e os resultados podem ser conhecidos imediatamente como auxílio de um microcomputador.2.6 Saúde bem-estar e qualidade de vida no trabalho A saúde e o bem-estar no local de trabalho é um assunto que tem sido abordadona literatura, do ponto de vista físico (COOPER, KIRKALDY e BROWN, 1994),emocional, psicológico (CARTWRIGHT e COOPER, 1993), e mental (ANDERSON eGRUNERT, 1997). Danna e Griffing (1999), destacam a relevância deste assunto
  35. 35. 36devido ao fato de que: a) as experiências dos indivíduos no trabalho sejam elasfísicas, emocionais ou de natureza social afetam as pessoas tanto no local detrabalho quanto fora dele. O trabalho e a vida pessoal não são duas coisasseparadas, mas domínios inter-relacionados e entrelaçados com efeitos recíprocosum no outro; b) o crescente conhecimento dos elementos que constituem riscos nolocal de trabalho como as características do local de trabalho e a associação dotrabalho com a ergonomia básica; c) trabalhadores com baixa saúde podem sermenos produtivos, apresentam menor capacidade de decisão, estão maispredispostos para o absenteísmo, e apresentam freqüentemente menor contribuiçãopara a empresa. Pode-se considerar a qualidade de vida tanto numa perspectiva individual quantonuma perspectiva social. Dentro de uma perspectiva individual, pode-se avaliar ascondições de saúde e outros aspectos gerais da vida pessoal como satisfação com avida, pois o nível de satisfação pode ser refletido em escalas que avaliam a auto-estima. Pessoas que têm um estilo de vida mais ativo tendem a ter uma auto-estimae uma percepção de bem estar psicológico positivos. De qualquer maneira, deve-seconsiderar como pré-requisito ou componente fundamental para edificar a qualidadede vida, o atendimento das necessidades humanas básicas como o alimento, amoradia, a educação e o trabalho. Qualidade de vida é algo que envolve bem-estar,felicidade, sonhos, dignidade e cidadania. Dentro de uma perspectiva social,utilizam-se indicadores estatísticos que caracterizam o grau de qualidade de vida ounível de desenvolvimento humano. Alguns indicadores são: a expectativa de vida, osíndices de mortalidade e morbidade, os níveis de escolaridade, alfabetização, rendaper capita, desemprego, desnutrição e obesidade. A qualidade de vida também estápresente no trabalho. Segundo Albuquerque e França (1998) a qualidade de vida notrabalho (QVT) constitui um conjunto de ações, em nível empresarial, que envolvediagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas eestruturais, dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condiçõesplenas de desenvolvimento humano para seus empregados. Dentro desta ótica,duas realidades se interpõem e devem ser consideradas no estudo da qualidade devida: a realidade da vida social, familiar e de lazer e a realidade do trabalho, poisambas determinam a qualidade de vida e não apenas uma ou outra, isoladamente.No contexto das sociedades industrializadas e em desenvolvimento, o estilo de vidae, em particular a atividade física, tem sido cada vez mais, um fator decisivo na
  36. 36. 37qualidade de vida. Individualmente, a atividade física está associada a uma maiorcapacidade de trabalho físico e mental, entusiasmo para a vida e sensação de bem-estar. Socialmente, está associada a menores gastos com saúde, menor risco dedoenças crônico-degenerativas e redução da mortalidade precoce (U.S. Departmentof Health and Human Services, Public Health Service, Center for Disease Controland Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention and HelthPromotion, Division of Nutritional and Physical Activity, 1999). O local de trabalho tem sido considerado como um lugar efetivo para aprevenção primária ou secundária. Um grande número de pessoas pode ser atingidode maneira econômica e rápida, e além disso, existe a oportunidade para sedesenhar um ambiente e criar uma cultura de atividade física e estilo de vida quepermita aos empregados realizar escolhas prudentes com relação aocomportamento para a saúde (COX e MILES, 1994). O sucesso dos programas de promoção da saúde e de atividade física no futurodependerá da sua integração com estratégias empresariais de longo prazo.2.7 Teorias e modelos de comportamentos relacionados à atividade física e àsaúde Existem diversas teorias e modelos que tentam explicar o comportamento daspessoas com relação à saúde e servem como base de análise para programas deintervenção. A promoção de saúde e a educação para a saúde passamnecessariamente pela questão central que é o comportamento para a saúde dosindivíduos (GLANZ, LEWIS e RIMER, 1997). A educação para a saúde tem como objetivo proporcionar mudançascomportamentais nos indivíduos, grupos e grandes populações, a partir dasubstituição de comportamentos que são presumivelmente prejudiciais à saúde porcomportamentos que contribuam para a saúde presente e futura. A educação para asaúde não é realizada apenas em nível individual, mas também em nível comunitário(SIMONDS, 1976). Dentro de uma perspectiva ecológica, dois elementos são importantes paraidentificar os pontos que intervêm na promoção da saúde: O primeiro, são os cinconíveis de influência ou intervenção: 1) intrapessoal ou individual, 2) interpessoal, 3)institucional, 4) comunitário, e 5) público (MCLEROY, BIBEAU, STECKLER e
  37. 37. 38GLANZ, 1988) e o segundo, é que há uma causa recíproca entre indivíduos e seusambientes. Isto é, o comportamento influencia ambos e é influenciado pelo ambientesocial (STOKOL, 1992; GLANZ e RIMER, 1995). As teorias são um conjunto de conceitos, definições e proposições inter-relacionados que representam uma visão sistêmica de eventos ou situações atravésda específica relação entre variáveis para explicar um fenômeno. Muitas vezes ocomportamento para a saúde e os conceitos-guia para influenciá-lo são muitocomplexos para serem explicados por uma única teoria. Teorias e modelos explicamcomportamentos e sugerem maneiras de atingir mudanças comportamentais(GLANZ, LEWIS e RIMER, 1997). Entre os modelos e teorias que focam o comportamento individual as maisutilizadas têm sido: o Modelo de Crença na Saúde, a Teoria da Ação Estimulada, aTeoria do Comportamento Planejado, o Modelo Transteorético de Mudança deComportamento e as Teorias de Manejo do Estresse. As diferentes teorias sãoapropriadas para diferentes problemas e populações, algumas são mais fáceis deaplicar do que outras, mas cada uma tem feito importantes contribuições para oentendimento do comportamento para a saúde (RIMER, 1997). O Modelo de Crença na Saúde é um dos poucos modelos socio-psicológicosdesenvolvidos expressamente para entender o comportamento para a saúde. Oconceito-base deste modelo é o fato das pessoas não acreditarem na possibilidadede ter uma doença com ausência de sintomas. Ele é utilizado para compreenderporque as pessoas aderem ou não aos regimes de tratamento (STRECHER eROSENSTOCK, 1997). A Teoria da Ação Estimulada e a Teoria do Comportamento Planejadocompartilham com o Modelo de Crença na Saúde o fato de serem teorias deexpectativa de valores. Estas teorias cresceram da necessidade de se entender orelacionamento entre atitudes e comportamentos e assumem uma cadeia causal queliga as crenças comportamentais e as crenças normativas a comportamentos pormeio de atitudes e normas subjetivas, além de proporcionarem um método quesistematicamente, identifique aquelas questões que são mais importantes para asdecisões das pessoas em relação à realização de um comportamento específico(MONTAÑO, KASPRZYK e TAPLIN, 1997). O Modelo Transteorético é um dos modelos mais utilizados de comportamentopara a saúde, empregado não somente por educadores e psicólogos, mas por
  38. 38. 39enfermeiros, médicos e outros promotores de saúde. O motivo para a sua grandeaceitação é seu apelo intuitivo: não trata as pessoas como se fossem todas iguais epermite aos profissionais tratar os indivíduos como indivíduos. Está fundamentadoem estágios de mudança de comportamento, onde os profissionais devem aprendera atingir as pessoas no estágio onde elas se encontram. Por exemplo, se umfumante não consegue pensar em que o cigarro lhe está prejudicando, não hámotivo para proporcionar informação detalhada com relação ao processo de manejodo comportamento. Seria muito melhor aumentar a sua consciência lembrando-lheos danos pessoais associados ao fumo e os benefícios a serem adquiridosabandonando o cigarro. Algumas questões importantes com relação ao modelopermanecem. Por exemplo, devem ser os processos de mudança constantementemedidos? Quantos estágios realmente existem? (PROCHASKA, REDDING eEVERS, 1997). O Modelo Transacional de Manejo do Estresse procura entender os mecanismosque as pessoas usam para lidar com o estresse. Porque, por exemplo, algumaspessoas com câncer usam a doença como degrau para o desenvolvimento pessoalenquanto outras permanecem fechadas na sua amargura. Este modelo pode serespecialmente relevante para o estudo de comportamentos de alto risco (porexemplo, fumo e sexo não seguro) e populações em risco (por exemplo, aquelascom história familiar de câncer de mama e pacientes com câncer de mama). Osmodelos de manejo do estresse compartilham com os Modelos Transteorético,Modelo de Crença da Saúde, Teoria da Ação Motivada e a Teoria doComportamento Planejado uma ênfase no controle percebido que pode seramplamente definido como auto-eficácia (LERMAN, GLANZ, 1997). As teorias do comportamento intrapessoal ou individual têm muitas coisas emcomum. A auto-eficácia está embutida em cada uma delas. O conceito de prontidãoé o componente central do Modelo de Crença na Saúde e do Modelo Transteoréticode mudança de comportamento. As barreiras são vistas como inibidoras dasmudanças de comportamento. Algumas teorias são mais fáceis de aplicar do queoutras. As teorias que podem ser manipuladas têm uma maior aceitação, uma boaparte do amplo uso do Modelo de Crença na Saúde e do Modelo Transteorético éporque podem ser manipuladas (RIMER, 1997). Os Indivíduos são seres eminentemente sociais que derivam seu senso deeficácia pessoal do relacionamento com seus semelhantes por meio de intercâmbios
  39. 39. 40interpessoais. Este ambiente interpessoal proporciona os meios, modelos, reforços erecursos com os quais as pessoas podem aprender acerca de si próprios e podemafetar seus comportamentos para a saúde e o resultado de saúde. O pressupostobásico é que o ambiente interpessoal é crítico ao afetar e predizer o comportamentopara a saúde do indivíduo, e por sua vez, o resultado da saúde. Entre as teoriasmais utilizadas para compreender o comportamento interpessoal estão a TeoriaSocial Cognitiva (LEWIS, 1997). A Teoria Social Cognitiva considera ambos, as dinâmicas psicosociais queinfluenciam o comportamento para a saúde e os métodos para promover mudançasde comportamento. Enfatiza que o comportamento e a cognição de uma pessoaafetam o comportamento futuro. O comportamento humano é explicado em termosde uma tríade dinâmica e recíproca na qual comportamento, fatores pessoais einfluências ambientais, todas interagem. O comportamento de um indivíduo éunicamente determinado por essas interações. Entre os fatores pessoais cruciaisestão as capacidades dos indivíduos para simbolizar comportamentos, paraantecipar resultados de comportamentos, para aprender pela observação de outrosa ter confiança na performance de um comportamento (incluindo sobrepor qualquerbarreira para a performance do comportamento) para autodeterminar ou auto-regularcomportamento e para refletir e analisar experiências (BANDURA, 1986). Se as características de uma pessoa, ambiente ou comportamento mudam, asituação também muda e o comportamento, a situação e a pessoa devem serreavaliadas. Por exemplo, um homem pode ser tão avesso ao exercício que seusamigos esperam que ele mantenha uma vida sedentária pelo resto da vida. Ohomem tem reforçado sua expectativa em relação ao exercício, evitando qualquerambiente físico ou social no qual possa se esperar a realização de exercício(ginásios, quadras, etc.). Num determinado momento, um evento dramático podeocorrer na vida do homem e ele decide começar a se exercitar (a morte de umparente próximo, por exemplo). Contudo, o homem encontrará agora as expectativasdos seus amigos sedentários que podem pressioná-lo para que não se exercite.Para evitar essas pressões negativas, ele pode procurar por novos amigos (um novoambiente social) que valorizem o exercício e o ajudem no seu novo comportamento(efeito recíproco). Esta mudança, por sua vez, pode motivar aos amigos sedentáriospara começar a se exercitar também (um efeito recíproco para o amigo), e esseamigo então também mudará os hábitos de exercício de outros amigos sedentários
  40. 40. 41ou procurará novos amigos que se interessem por exercício. Este tipo de mudançade comportamento ressalta quão importante é para os profissionais evitar asimplicidade do pensamento de direção única de mudança. O determinismorecíproco pode ser usado para tirar vantagem no desenvolvimento de programasque não focam o comportamento isolado, mas focam a mudança no ambiente emvez do indivíduo (BARANOWSKI, PERRY e PARCEL, 1997). A compreensão do funcionamento de grupos, organizações, grandes instituiçõessociais e comunidades, são vitais para a melhora da saúde. O delineamento deiniciativas para promover a saúde para comunidades e populações-alvo e nãoapenas para um simples indivíduo é o coração da orientação da saúde pública. Obem-estar coletivo de comunidades pode ser nutrido pela criação de estruturas epolíticas que suportem estilos de vida saudáveis e reduzam ou eliminem os perigose constrangimentos no ambiente social e físico. As abordagens requerem acompreensão de como o sistema social opera, como as mudanças ocorrem dentro eentre sistemas e como as mudanças comunitárias e organizacionais influenciam nocomportamento e saúde das pessoas. Modelos em nível comunitário são estruturas para entender como os sistemassociais funcionam e mudam e como as comunidades e organizações podem serativadas. Elas complementam objetivos de mudanças de comportamentoindividualmente orientado objetivando incluir a reivindicação e desenvolvimento depolíticas. Quatro modelos para mudanças de comportamento em sistemas sociais ougrandes populações são os mais conhecidos: 1) Organização Comunitária eConstrução Comunitária; 2) Teoria de Difusão de Inovações; 3) Teorias de MudançaOrganizacional e 4) Teorias de Comunicação (GLANZ, 1997).2.8 Os questionários e a avaliação do estilo de vida Os questionários são freqüentemente utilizados em estudos que envolvemgrandes populações devido a sua aplicabilidade, baixo custo e por combinarinformações sobre ações que não são detectáveis por sensores de movimento oupor monitores de freqüência cardíaca. Todavia as medidas obtidas através dosquestionários apresentam algumas limitações quanto a sua qualidade, na maioriados casos, devido à imprecisão das respostas e pela falta de um processo deconstrução e validação adequado dos instrumentos (BARROS e NAHAS, 2000;REIS, PETROSKI e LOPES, 2000; SILVA, 2002).
  41. 41. 42 Embora o progresso na área de medidas e avaliação da atividade física e dasaúde, ainda não existe um único método com validade, fidedignidade e facilidadede aplicação, que possa ser empregado de forma ampla na população paraquantificar o nível de atividade física ou dos comportamentos que estão relacionadoscom a saúde das pessoas (REIS, 2003). Há tentativas para se construir instrumentos de abrangência universal como oQuestionário Internacional do Nível de Atividade Física (IPAQ), proposto pelaOrganização Mundial de Saúde, mas para que isto seja possível é necessário queinstrumento seja, traduzido, aculturado e validado nos locais onde se pretendeutilizar (PARDINI, et al. 2001; BARROS e NAHAS, 2000). Na última década houve uma proliferação de instrumentos para a avaliação dequalidade de vida e afins, a maioria desenvolvidos nos Estados Unidos. Tambémhouve um crescente interesse na tradução para aplicação em outras culturas destesinstrumentos. A aplicação transcultural da tradução de qualquer instrumento é umassunto bastante controverso. Alguns criticam a possibilidade de que o conceito dequalidade de vida possa não ser ligado à cultura. Contudo, alguns autores têmconsiderado num nível abstrato que existe um “universal cultural” de qualidade devida, isto é, que independe de nação, cultura ou época, é importante que as pessoasse sintam bem psicologicamente, possuam boas condições físicas e sintam-sesocialmente integradas e funcionalmente competentes (FLECK et al. 1999). A Organização Mundial de Saúde tem acumulado bastante experiência natradução de instrumentos de avaliação em saúde. Os passos sugeridos para atradução são os seguintes: 1) tradução por tradutor com entendimento detalhado doinstrumento, 2) revisão da tradução por um grupo bilíngüe composto porentrevistadores, médicos e antropólogos, 3) revisão por um grupo monolíngüerepresentativo da população na qual o instrumento vai ser aplicado, 4) revisão pelogrupo bilíngüe para incorporação das sugestões do grupo monolíngüe, 5)retrotradução por tradutor independente, 6) avaliação da retrotradução pelo grupobilíngüe. Qualquer diferença significativa é revisada interativamente (Sartorius eKuyken, citados por FLECK et al. 1999). Na busca de um instrumento que avalie qualidade de vida dentro de umaperspectiva genuinamente internacional, a Organização Mundial de Saúdedesenvolveu um projeto colaborativo multicêntrico. O resultado deste projeto foi a
  42. 42. 43elaboração do WHOQOL-100, um instrumento de avaliação de qualidade de vidacomposto por 100 itens (FLECK et al. 1999). Na avaliação do nível de estilo de vida de diversos grupos populacionais, sãoencontradas algumas dificuldades, dentre as quais: a) escassez de um métodopreciso que possa servir como critério de referência; b) cada instrumento parecemedir aspectos específicos do estilo de vida, ainda não bem definidos; c) dificuldadede generalizações de conclusões ou comparações, em função da utilização dediferentes definições operacionais para o estilo de vida; d) utilização de instrumentosque não passaram por um processo de validação, considerando principalmente asdiferenças culturais, étnicas, socioeconômicas e a idade do grupo que será estudado(NAHAS, 1996). O estilo de vida pode ser considerado uma variável latente. Variáveis latentessão atributos que não podem ser observados nem medidos de forma direta, mas quepodem ser definidos a partir de um conjunto de outras variáveis que podem sermedidas ou observadas e que medem alguma coisa comum a todas (HILL e HILL,2000). O estilo de vida ou a qualidade de vida das pessoas não pode ser medido deforma objetiva. Contudo, uma pessoa com estilo de vida adequado para a saúdefreqüentemente apresenta um conjunto de comportamentos relacionados, porexemplo: a) realiza exercícios físicos, b) não fuma, c) realiza sexo seguro, d) tem umbom relacionamento social, e) controla seu estresse. Esses comportamentos tendema estar correlacionados entre si, ou seja, é muito provável que as pessoas queapresentam elevado nível do componente atividade física apresentem altos níveistambém nos outros comportamentos. Então, quando duas ou mais variáveis estãorelacionadas porque medem algo em comum, este algo em comum recebe o nomede variável latente. As variáveis componentes que determinam uma variável latente podem sermedidas a partir de marcadores fisiológicos e de comportamento ou medidas a partirde perguntas de um questionário. Às perguntas do questionário dá-se o nometécnico de itens (HILL e HILL, 2000). Cada item do questionário deve contribuir para a formação da atitude oucomportamento que se pretende medir. Deve haver uma correlação relativamenteforte (0,4-0,7) entre cada item e o total e ainda a correlação deve ser significativa.Esta correlação é conhecida como correlação item-total que consiste na correlaçãoentre item e o total menos o valor para o item. Ainda deve-se verificar as correlações
  43. 43. 44entre os itens para proceder à eliminação dos componentes que não atendem aoscritérios de contribuição mínima para o comportamento que se pretende medir. Os instrumentos para coleta de informações sobre atividade física devem tercomo requisitos mínimos as medidas de validade e fidedignidade, a fáciladministração, e não interferir nos padrões habituais de comportamento (DISHMANe SUNHARD, 1988). Para que um instrumento seja considerado válido, é precisoque ele seja fidedigno, ou seja, se aplicado repetidas vezes num período de tempoem que o nível da atividade física não tenha mudado, os resultados devem sersemelhantes (BARROS e NAHAS 2000).2.9 Seleção e administração de instrumentos de avaliação Para poder conduzir uma avaliação de forma correta em primeiro lugar hánecessidade de se encontrar e selecionar um instrumento de qualidade. Do tipo deinstrumento escolhido e da forma como o mesmo foi aplicado depende a qualidadedos dados e das decisões que serão tomadas. O melhor teste não conseguiriafornecer dados com qualidade se aplicado de maneira incorreta (MOCTEZUMA et al.2003; THOMAS e NELSON, 2002; TRITSCHLER, 2003; GUTIERREZ, 2000;BARROS e NAHAS, 2000). Cada instrumento deve ser avaliado considerando a sua precisão e a suaaplicabilidade. Um instrumento altamente preciso, porém de difícil aplicabilidadepode ser inviável em pesquisas que envolvam grandes grupos populacionais. Doisgrandes aspectos que devem ser observados na escolha de instrumentos deavaliação são: a aplicabilidade administrativa e as qualidades psicométricas(TRITSCHLER, 2003). A aplicabilidade administrativa inicia pela identificação de quem foi o criador doteste, qual a população para a que foi desenvolvido, qual o objetivo e quais osprocedimentos recomendados para a administração. A aplicabilidade administrativaé avaliada comparando-se a semelhança entre as características do instrumento deavaliação e a sua intenção de utilização. Quanto maiores as semelhanças, maior aaplicabilidade administrativa. Contudo, não há uma regra para se avaliar aaplicabilidade administrativa de um instrumento e é o próprio pesquisador que devedecidir o que é ou não aplicável para uma situação particular (TRITSCHLER, 2003).
  44. 44. 45 Nas últimas décadas, um número considerável de questionários tem surgido paramensurar a saúde e seus aspectos (físico, mental e social) o que tem dado umimpulso à área do conhecimento que trata de novas formas para mensurar o estilo ea qualidade de vida dos indivíduos (GUTIERREZ, 2000). Muitos instrumentos utilizados para avaliar a percepção de saúde e qualidade devida têm a sua origem nos Estados Unidos e na Inglaterra, conseqüentementederivam da língua inglesa e há necessidade de tradução, aculturação e validaçãodesses instrumentos para serem utilizados em outros países e realidades. As qualidades psicométricas são a validade, a fidedignidade, a objetividade e aliberdade de tendências. Estas são qualidades básicas a serem observadas naescolha de um teste e é responsabilidade do autor o fornecimento destasinformações para os usuários em potencial. É desejável que o teste possua um grausignificativo em todas as qualidades. A validade é a qualidade mais importante, mascomo não há instrumento válido sem uma fidedignidade e objetividade significativastodos os elementos são relevantes (TRITSCHLER, 2003; THOMAS e NELSON,2002; BARROS e NAHAS, 2000). A validade, principal qualidade psicométrica de um instrumento de avaliação,refere-se à veracidade do instrumento para medir de forma acurada o atributo para oqual foi proposto, permitindo que sejam realizadas inferências significativas a partirdos resultados (TRITCHLER, 2003). Nenhum instrumento de avaliação é válido emtodas as circunstâncias. A validade, no entanto, pode ser avaliada em termosobjetivos para uma determinada população. A validação utiliza diferentes tipos deevidências para suportar os diferentes tipos de inferências que são feitas a partir dosresultados da avaliação. Há várias categorias de evidências para demonstrar avalidade dos instrumentos: validade de conteúdo, lógica ou de fase, validadepreditiva, validade concorrente e validade de construto (ROJAS e BARROS, 2003;HILL e HILL, 2000; TRITSCHLER, 2003). A validade de conteúdo demonstra o grau com que os itens ou questões de umteste são representativos do domínio que se está avaliando. Em outras palavrassignifica se as partes do instrumento se relacionam com a totalidade ou quãoimportantes são para a determinação do escore geral, pode ser demonstrada porevidências lógicas ou por evidências estatísticas. A validade é estabelecida se oteste classificar adequadamente a maioria dos indivíduos supostos proficientes comoproficientes e dos supostos não-proficientes como não-proficientes. Quando as

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