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2364091 farmacologia 2364091 farmacologia Document Transcript

  • 1. Comprimidos: a) Quais as vantagens dos comprimidos? Precisão na dosagem, boa conservação, rapidez e economia na preparação, boa apresentação, reduzidovolume, fácil deglutição e múltiplas aplicações possíveis. b) Quais os tipos de comprimidos? Conforme a via de administração podemos considerar: comprimidos de absorção gastrointestinal (paraserem deglutidos e os comprimidos efervescentes), comprimidos sublinguais, comprimidos para implantação,comprimidos para aplicação local (bucais e vaginais) e comprimidos para preparação de soluções desinfectantes. 2. Distingue: a) Solução de suspensão e de emulsão. As soluções são formas farmacêuticas líquidas obtidas por dissolução de uma ou mais substânciasmedicamentosas num solvente apropriado. O seu aspecto é límpido e homogéneo. As suspensões são também formas farmacêuticas líquidas de aspecto turvo ou leitoso, constituídas peladispersão de um sólido insolúvel num veículo líquido ou semilíquido. As emulsões são formas farmacêuticas líquidas de aspecto leitoso ou cremoso, resultantes da dispersão deum líquido num outro líquido com o qual não seja miscível, geralmente à custa de um agente emulsivo. Umaemulsão tem por isso duas fases, uma aquosa e outra oleosa. b) Creme de pomada e de pasta. As pomadas são formas farmacêuticas semi-sólidas untuosas preparadas com excipientes gordurosos; Os cremes são também formas farmacêuticas semi-sólidas que são mais fluídos do que as pomadas e sãopreparados com excipientes emulsivos. As pastas são formas farmacêuticas semi-sólidas mais consistentes que as pomadas, pois contêm grandequantidade de pós insolúveis no excipiente. 3. Explique porque é que o espectro de acção do antibiótico varia ao longo do tempo e diga quais osfactores que o influenciam. O espectro de acção antibacteriano de um etiotrópico define-se na prática, pela gama de bactérias emrelação às quais as concentrações inibitórias mínimas (CIM) podem ser atingidas, no Homem, no local da infecçãoclínica. Assim, este varia ao longo do tempo, devido ao facto de bactérias consideradas sensíveis, passem a serresistentes aos antibióticos. Elas aprendem a defender-se dos antibióticos, mutando-se geneticamente e criandonovos inibidores dos antibióticos. Estes novos organismos “recém criados”, são mais resistentes e de fáciladaptação ao meio, sendo assim geneticamente superiores, quando comparados os seus genes com os nossos. Os factores que influenciam o espectro de acção dos antibióticos são: as causas que favorecem oestabelecimento de concentrações elevadas no local da infecção e as causas que impossibilitam que a CIM se atinjano foco infeccioso. Destas últimas, podemos ainda salientar, as causas farmacocinéticas (inactivação e excreçãomuito rápidas e acesso difícil ao local da infecção) e causas toxicológicas. 4. Quais os factores que influenciam a absorção dos fármacos e explique-os. Os factores que influenciam a absorção dos fármacos dependem da via e da forma farmacêutica queestamos a administrar, no entanto, há factores que são gerais, nomeadamente: • Área de absorção – a absorção é tanto maior, quanto maior é a área de absorção. Ex.: a enorme área deabsorção das vilosidades intestinais e dos alvéolos pulmonares; • Tempo de contacto – a absorção é tanto maior, quanto maior é o tempo de contacto da substânciamedicamentosa com a “parede” da estrutura absorvente; • Intimidade de contacto – quanto mais íntimo for o contacto da substância medicamentosa com asuperfície de absorção, mais completa e efectiva é essa absorção; • Intensidade de irrigação – quanto mais irrigada é a superfície absorvente, mais intensa e completa é aabsorção; • Espessura da estrutura absorvente – a absorção é tanto mais rápida, quanto menos espessa for aestrutura absorvente. 5. Quais os efeitos secundários do Paracetamol? Qual era o antagonista que utilizaria para travar aacção tóxica do fármaco e explique o que é que o antagonista faz. O Paracetamol é um derivado dos para-aminofenólicos e tem acção analgésica e antipirética. Os efeitos secundários do Paracetamol são: • Hipersensibilidade, meta-hemoglobinemia e anemia hemolítica; • Para doses superiores às terapêuticas (10 a 15g) causa necrose (morte rápida) hepática; • Usado cronicamente nas doses de 3 a 8g/dia, pode causar hepatite tóxica. No caso de uma intoxicação pelo Paracetamol, o antagonista a usar seria N-acetilcisteína.
  • O antagonista acelera algumas vias metabólicas do tóxico, faz bloqueio competitivo da via metabólica dotóxico, compete por receptores específicos, recupera ou supera a alteração funcional restaurando a funçãobloqueada pelo tóxico. 6. Diga em que situações recorrer ao vómito não é o melhor processo para evitar uma intoxicação. Na intoxicação por via digestiva, o uso do vómito não é tão eficiente com o uso de eméticos. Eméticos utilizados: • Xarope de ipeca – contra-indicado em intoxicações por antiméticos; • Apomorfina – contra-indicado em doentes intoxicados com depressores ou com respondência lenta e difícil; • Lavagem gástrica – fazer apenas quando as funções vitais são suficientes; • Aspiração gástrica – indicada apenas em caso de doente inconsciente; • Purgantes – aumenta o trânsito intestinal. 7. Define farmacodinâmica e receptor. Dê dois exemplos de fármacos que não sejam mediados porreceptores. Farmacodinâmica é o estudo dos efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e do seu mecanismo deacção. Estes estudos são muito importantes para a farmacologia uma vez que fornecem bases científicas para o usointerior desses fármacos com finalidade preventiva, diagnostica ou terapêutica. Assim sendo, a farmacodinâmica éuma das divisões da farmacologia. Receptores são componentes celulares onde se fixam os fármacos para assim poderem produzir os seusefeitos. Dois exemplos de fármacos que não são mediados por receptores são: o manitol (usado para aumentar aosmomidade de vários líquidos) e o 5-flúor-uracilo (antineoplásico). 8. Distinga vias entéricas de parentéricas e dê dois exemplos de cada uma delas. Distingaadministração local de sistémica. Vias entéricas são as vias de administração em que a absorção se faz em determinada área do tubodigestivo. Ex.: via sublingual, via oral e via retal. Vias parentéricas são as vias de administração em que a absorção se processa fora do tubo digestivo ouentão, a absorção não se processa. Ex.: via endovenosa, via intramuscular, via inalatória, via dórmica (percutânea)e via subcutânea. Quando um medicamento é aplicado/administrado no local ou estruturas celulares onde a sua ação se vaiexercer, diz-se que se aplicou uma administração local ou tópica. Por sua vez uma administração sistémica é aquela que consiste na administração do fármaco por diversasvias, mas depois este tem de chegar ao sangue para que assim seja distribuído pelos vários locais ou estruturascelulares onde vai actuar. 9. Defina placebo e diga as razões para o seu uso. Placebo são as substâncias usadas com a finalidade de efeito placebo (efeitos psicológicos, fisiológicos oupsicofisiológicos de qualquer medicamento que não são devidos à sua actividade farmacológica) e podem serinertes ou activas. As principais razões que procuram justificar o uso do placebo são: • Como instrumento psicológico no tratamento de certos sintomas de doenças psíquicas; • Em trabalhos experimentais quando se procura determinar o verdadeiro efeito do fármaco, procura-seexcluir o fenómeno de sugestão. 10. Diga quais são as ações adversas aos corticosteróides. As acções adversas aos corticosteróides podem ser divididas em dois grandes grupos: • Acção tóxica relacionada com doses elevadas e tratamentos prolongados (diabetes, úlcera péptica, atrofiamuscular, redistribuição dos depósitos de gordura, osteosporose, perturbações menstruais, acne e hirsutismo,cataratas, atraso no crescimento, alterações psíquicas e intervenção no processo imunológico); • Acções resultantes da suspensão abrupta do fármaco (insuficiência supra-renal aguda com recuperaçãofuncional lenta). É sobretudo a duração da terapêutica que torna o aparecimento de acções adversas mais provável. 11. Explique o que é que faria para que a excreção de um fármaco com substâncias ácidas fosse maisrápida, visto que ela está a ser muito lenta. Para a eliminação de um fármaco podem usar-se os seguintes procedimentos: • Depuração biliar – pode ser útil para aumentar a eliminação de fármacos com semi-vida biológica longa; • Excreção urinária – os diuréticos são úteis nalguns tipos de intoxicações. Pode aumentar-se a excreçãovariando o pH da urina; • Diálise – usa-se apenas quando o estado do doente é grave e não responde ao tratamento convencional ouquando há desequilíbrio hidroelectrolítico ou ácido-base; • Ventilação artificial. 12. Defina administração oral e administração sublingual.
  • A administração oral corresponde à via oral. Esta é a mais cómoda e mais frequentemente utilizada. Paraalém da comodidade permite que seja o doente a auto administrar o fármaco e ainda oferece para um gama maisampla de fármacos, uma absorção satisfatória. A preparação farmacêutica (sólida ou líquida) é deglutida, chegandoassim ao estômago. A absorção vai fazer-se então sobretudo através da mucosa do estômago e do intestinodelgado. A administração sublingual permite uma absorção mais rápida porque a superfície é muito irrigada porvasos sanguíneos, permitindo também a auto-administração. Há poucos fármacos para esta via porque o princípioactivo tem de ter características especiais, não pode ter mau sabor e deve ser lipossolúvel, uma vez que se vaidissolver na boca e também não deve ser irritante. Esta via é usada em casos de emergência, pois permite umaabsorção rápida de substâncias medicamentosas. 13. Que antagonista usaria para o tóxico Benzadiazepina? Justifique a sua resposta. Para o tóxico Benzadiazepina usaria o antagonista Flumazenil, que reverte os efeitos sedantes,anticonvulsionantes, músculo relaxantes e amnésicos destes fármacos. A duração do efeito do Flumazenil depende de vários factores: dose administrada, dose deBenzadiazepina previamente administrada, tempo que decorreu desde a toma de Benzadiazepina e da vida médiada Benzadiazepina utilizada. O Flumazenil possui uma acção competitiva no receptor actuando como antagonista puro. 14. Defina: a) Acumulação. A acumulação acontece quando um medicamento é administrado com intervalos muito curtos, e a novadose administrada ainda vai de encontro à administração anterior, que ainda não foi excretada (eliminada). b) Sinergismo. Sinergismo acontece quando há um aumento da rapidez, intensidade e duração de um fármaco,provocado por outro que é sinérgico deste. Existem dois tipos de sinergismo: sinergismo de adição, quando o efeito combinado dos medicamentos éa soma algébrica dos efeitos de cada um, e sinergismo de potenciação, quando o efeito combinado é superior àsoma algébrica dos efeitos previstos para cada fármaco dado isoladamente. O sinergismo de potenciação pode ainda ser directo quando os fármacos agem no mesmo sentido mas pormecanismos diferentes, ou indirectos quando há supressão duma função ou antagonista. c) Antidotismo. Antidotismo acontece quando um fármaco diminui o efeito de outro através de um contacto directo(fármaco-fármaco). d) Taquifilaxia. Taquifilaxia é uma forma de tolerância adquirida que se manifesta logo após as primeiras administrações. 15. Quais as medidas a tomar em caso de uma intoxicação cutânea por uma substância ácida? No caso de intoxicação cutânea, por uma substância ácida, deve-se usar uma substância que se opõe àacção do tóxico actuando sobre o próprio tóxico, como antagonista. Assim sendo, deve lavar-se a zona combicarbonato de sódio, se a zona afectada forem os olhos, deve-se lavar com soluções de bicarbonato de sódio a0,1%. 16. Define biodisponibilidade e bioequivalência. Qual a importância de cada uma? Biodisponibilidade significa, ou é utilizada para descrever a quantidade e velocidade de absorção dofármaco a partir da forma farmacêutica de apresentação. Bioequivalência consiste na utilização dos conhecimentos adquiridos pela biodisponibilidade, em estudoscomparativos de duas ou mais formulações diferentes, contendo no entanto, o mesmo princípio activo eadministradas na mesma dose. A importância de cada uma é enorme, a biodisponibilidade permite determinar a dose mais adequadapara uma determinada intensidade de acção. Os estudos da biodisponibilidade são de extrema importância para os doentes com disfunções cardíacas,hepáticas ou renais, porque nestes a farmacocinética está alterada. A bioequivalência permite identificar os fármacos ou produtos para os quais resultaram falhasterapêuticas e na prudência da selecção inicial do produto e no cuidado de alterações do produto, permite aindaverificar se um fármaco é ou não equivalente ao outro. 17. O que é afinidade de eficácia de um fármaco? Quando um fármaco tem a capacidade de se tirar sobre os receptores diz-se que tem afinidade. Quando um fármaco tem a capacidade de produzir um efeito após a fixação sobre os receptores diz-seque ele tem actividade intrínseca ou eficácia. 18. Distingue agonista de antagonista. Um agonista é um fármaco que possui tanto a capacidade de afinidade como a eficácia ou actividadeintrínseca, enquanto que um antagonista só possui afinidade.
  • 19. Mencione as teorias fundamentais que explicam a interacção fármaco-receptor. • Teoria da ocupação – a resposta é função da ocupação dos receptores; • Teoria da velocidade – a resposta é função da velocidade com que os receptores são ocupados; 20. Explica em que consiste antagonismo competitivo e não competitivo. Antagonismo competitivo é um antagonismo marcado por dois acontecimentos: • A força que os prende aos receptores é fraca, desfazendo-se com facilidade e o agonista pode removê-lopor competição – antagonismo competitivo em equilíbrio; • As ligações que prendem o antagonista aos receptores são tipo covalente (irreversível) – antagonismocompetitivo não em equilíbrio. Antagonismo não competitivo é o antagonismo que resulta de agonismo de sentido contrário e que sepode designar com antagonismo funcional, uma vez que há oposição de função. 21. Quais os sintomas que manifestam o salicilismo?- Salicilismo é uma intoxicação crónica, que provoca alterações no quadro neurológico e que se caracteriza por: • Zumbidos e surdez (sinais mais precoces); • Cefaleias, vertigens e tonturas; • Perturbações visuais, confusão mental e astenia; • Náuseas e vómitos. Numa intoxicação aguda surgem ainda outros sintomas, como modificações respiratórias, do equilíbrioácido-base e térmicas. É provocado pelo AAS. 22. Quais os efeitos laterais das Cefalosporinas? • Reacções alérgicas – são relativamente pouco tóxicas, sendo o risco de hipersensibilidade idêntico paratodas as cafalosporinas. Os fenómenos de hipersensibilidade manifestam-se através da urticária que pode evoluirpara dermatite esfoliativa. Excepcionalmente podem provocar uma reacção anafiláctica. Pode existir sensibilidadecruzada com as penicilinas; • Nefrotoxicidade – A cefaloridina é nefrotóxica. A cefalotina aumenta a nefrotoxicidade dosaminoglicosídeos quando usada cronicamente. Para além destes pode provocar ainda tromboflebites, quando administrada qualquer cafalosporina porvia endovenosa. FREQUÊNCIA 1. a) Definir efeito local e efeito sistémico. b) Definir vias entéricas e parentéricas. 2. a) Enunciar as vantagens dos comprimidos. b) Identificar os comprimidos segundo a via de administração. 3. Identificar o local de aplicação de enema, colírio, xarope e colutório. 4. Enunciar os factores de uma distribuição não uniforme. 5. a) Descrever a excreção dos fármacos por via renal. b) Exemplificar porque é que a excreção dos fármacos é influenciada pelo pH do filtrado glomerular. 6. Enunciar as regras no momento da administração dos fármacos. 7. a) Definir afinidade e actividade intrínseca. b) Enunciar os mecanismos de acção não mediados por receptores. 8. a) Definir acumulação. b) Qual a posologia a adoptar perante o fenómeno de acumulação. 9. Definir redistribuição, sensibilidade cruzada, idiossincrasia e efeito iatrogénico. 10. Identificar o espectro de acção e os efeitos laterais dos aminoglicosídeos. 11. Definir expansores plasmáticos e identificar líquidos que se possam utilizar. 12. Enunciar as consequências da hipercalémia e as preparações que dispomos para a regular.
  • OUTROS APONTAMENTOS Farmacologia – ciência que estuda os fármacos, ou seja, o estudo das propriedades físicas, químicas, efeitos etransformações dos fármacos. Droga – ingrediente ou substância simples de natureza animal, vegetal ou mineral que serve, em regra, àfabricação de outros produtos, estes de natureza medicinal ou química. Fármaco – tipo especial de droga, isto é, droga que pode ser utilizada para o tratamento, prevenção oudiagnóstico de doença. Medicamentos – substâncias que introduzidas no organismo ou aplicadas na sua superfície, modificam o seufuncionamento para melhor (efeito benéfico). Venenos ou tóxicos – substâncias que introduzidas no organismo ou aplicadas na sua superfície são capazesde provocar perturbações orgânicas ou funcionais. Efeito medicamentoso, farmacológico ou terapêutico – acção dos fármacos sobre os sistemas vivos. Reacções adversas, nocivas ou tóxicas – efeitos que podem agravar o estado do indivíduo ou fazer apareceroutras doenças. Efeitos secundários ou colaterais – reacções adversas que surgem com doses médias do medicamento (dosesterapêuticas). Efeitos tóxicos – reacções adversas que surgem por exagero da dosagem. Dose – quantidade de medicamento que vai ser administrada para produzir um efeito desejado. Doses terapêuticas – doses situadas entre a dose mínima (mínima dose susceptível de exercer acçãoterapêutica) e a dose máxima (dose do medicamento com a qual conseguimos obter efeito máximo e dosessuperiores podem provocar efeitos tóxicos). Margem terapêutica ou zona manejável – intervalo entre as doses mínimas e máximas englobando poistodas as doses terapêuticas. A Farmacologia abarca campos tão diversos que compreendem: a farmacognosia (origem e propriedadedos fármacos de origem natural), a farmacotecnia ou farmácia galénica (transforma as formas simples emformas farmacêuticas – medicamento pronto a ser utilizado), a farmacodinâmica (estuda os mecanismos deacção e os efeitos físico e biológicos no nosso organismo – o que acontece depois da administração do fármaco), afarmacocinética (transformações e percurso do medicamento à medida que passa pelo nosso organismo), afarmacologia molecular (responsável pela síntese química), a farmacogenética (associa ou justifica oaparecimento de efeitos diferentes em pessoas diferentes – através da genética) a farmacologia clínica (estudoda aplicação de determinados medicamentos nos seres humanos – área experimental para comprovar a eficácia dofármaco), a terapêutica ou farmacoterapia (aplicação dos fármacos disponíveis para o tratamento dedeterminadas doenças) e a toxicologia (estudo dos efeitos tóxicos, secundários, não desejados, pela administraçãode drogas). Idiosincrosia – alteração qualitativa do fármaco. Hipersensibilidade – alteração quantitativa do fármaco. DESENVOLVIMENTO DE NOVOS FÁRMACOS Novo fármaco – substância química de origem sintética, animal ou vegetal, ainda não administrada noHomem, ou mesmo quando já administrada, não tenha de todo a sua eficácia e segurança conhecida. Sãointroduzidos por: • Acaso (novo ou com novas indicações – novos efeitos; erro em laboratório); • Triagem empírica (aplicação repetitiva do fármaco); • Extracção de princípios activos de vegetais (fármacos para compensar falhas); • Modificação molecular de medicamentos conhecidos (alteração química dos fármacos); • Planeamento racional (planear antes de elaborar o fármaco). Efeito placebo – efeitos psicológicos, fisiológicos ou psicofisiológicos de qualquer medicamento que não sãodevidos à sua actividade farmacológica. Placebo – são as substâncias usadas com a finalidade de efeito placebo e podem ser inertes ou activas. Asprincipais razões que procuram justificar o uso do placebo são: • Como instrumento psicológico no tratamento de certos sintomas de doenças psíquicas;
  • • Em trabalhos experimentais quando se procura determinar o verdadeiro efeito do fármaco, procura-seexcluir o fenómeno de sugestão. Ensaios pré-clínicos – realizados em laboratório e em animais e incluem ensaios físico-químicos,farmacocinéticos, farmacodinâmicos (DE50 – Dose Efectiva – determinar a eficácia do medicamento) etoxicológicos (DL50 – Dose Letal para 50% da população, se for mais baixo, o fármaco corre riscos). ENSAIOS CLÍNICOS – DIVIDEM-SE EM 4 FASES: • Fase I – Primeiros ensaios em voluntários sadios para avaliação da segurança e toxicidade do fármaco; • Fase II – São os primeiros ensaios realizados num pequeno número de pacientes. O objectivo édeterminar a dose terapêutica e a formulação mais adequada; • Fase III – É semelhante à fase anterior mas o número de pacientes é significativamente maior. É avaliadaa eficácia e segurança do medicamento e a amostra maior permite a aprovação generalizada do medicamento; • Fase IV – Permite retirar informações adicionais que reflectem a realidade do médico frente à doença nohospital. Esta fase tem ainda outras finalidades como estabelecer novas indicações e esquema posológicos. Farmacovigilância – tem por objectivo descobrir com maior brevidade possível os efeitos adversoscausados e registar as suas características. TIPOS DE ENSAIOS CLÍNICOS Não controlados – administração do fármaco a um grupo de pacientes sem grande rigor de selecção dediagnóstico e sem grupo controlo. CONTROLADOS: • Abertos – Tanto o médico como o paciente sabem que é um ensaio clínico. O objectivo é identificarcaracterísticas do fármaco e os seus resultados devem ser posteriormente confirmados por ensaio controladocego; • Cegos: • Simples cego – Apenas os pacientes não sabem o medicamento que lhes é administrado; • Duplo cego – Tanto o médico como o paciente desconhecem o fármaco (ou placebo) que está a seradministrado. FORMAS FARMACÊUTICAS São produtos elaborados a partir das drogas de modo a poderem ser administrados no organismo. As formas farmacêuticas são, fundamentalmente, de 3 tipos, consoante o modo de obtenção: • Oficinais, constam da Farmacopeia; • Magistrais, executadas segundo fórmulas e indicações pormenorizadas fornecidas pelo médico; • Especialidades Farmacêuticas, que se encontram comercializadas e produzidas pela indústriafarmacêutica. FORMAS SÓLIDAS Pó – é constituído por um conjunto de partículas de dimensões variáveis mas com relativa homogeneidade.Podem classificar-se em simples ou compostos (mais do que uma substância) e podem servir para a obtenção deoutras formas farmacêuticas; Grânulos ou sacaretos granulados – são formas farmacêuticas com aspecto de pequenos grãos mais oumenos irregulares; Comprimidos – são formas farmacêuticas de forma discóide, cilíndrica ou lenticular, mas podendo terqualquer outra forma de dimensões e peso variáveis sem ou com revestimento (drageias), obtidos por compressãodirecta da substância medicamentosa, mas quase sempre necessitam de granulação prévia e adição de adjuvantesinócuos. Vantagens: • Precisão na dosagem; • Boa conservação; • Rapidez e economia na preparação; • Boa apresentação; • Reduzido volume; • Fácil deglutição;
  • • Múltiplas aplicações possíveis. Conforme a via de administração podemos considerar: • Comprimidos de absorção gastrointestinal (para serem deglutidos e os comprimidos efervescentes); • Comprimidos sublinguais; • Comprimidos para implantação; • Comprimidos para aplicação local (bucais e vaginais); • Comprimidos para preparação de soluções desinfectantes. Pílulas – são formas farmacêuticas de consistência firme de peso reduzido, destinadas a serem deglutidassem mastigar e de forma esférica; Drageias – são comprimidos revestidos, em que o revestimento destina-se a dar-lhes: • Melhor aspecto; • Evitar a desagregação no estômago; • Prolongar a acção do princípio activo; • Melhorar a conservação; • Evitar qualquer aroma ou sabor desagradável que possuam. Pastilhas – são geralmente achatadas e circulares ou alongadas, destinadas a dissolverem-se lentamente naboca e que são preparadas por moldagem de uma massa plástica constituída por um excipiente de mucilagens; Cápsulas – são formas farmacêuticas constituídas por invólucros gelatinosos de forma e dimensõesvariáveis contendo substâncias medicamentosas sólidas, líquidas ou pastosas. O acondicionamento nas cápsulas: • Evita cheiros ou sabores desagradáveis; • Permite uma rápida libertação; • Podem ter revestimento gastroresistente. Podem subdividir-se em: • Cápsulas duras – quando os invólucros são apenas constituídos por gelatina, possuem 2 opérculos queencaixam perfeitamente um no outro. Destinam-se a conter medicamentos sólidos; • Cápsulas moles – quando são formadas por gelatina adicionada de emolientes, apresentam-se como uminvólucro único destinando-se não só a conter medicamentos sólidos, mas principalmente líquidos ou pastosos. Supositórios – são formas farmacêuticas de forma cónica ou ovóide que fundem à temperatura corporal edestinados a serem introduzidos no recto; Óvulos – são formas farmacêuticas de consistência mole ou sólida de forma semelhante à dos supositórios edestinados a serem introduzidos na cavidade vaginal; Velas/Lápis – Nitrato de Prata, usado para cicatrização da ferida, queimando tecidos em crescimentoexcessivo; Papéis – são apenas embalagens de medicamentos. FORMAS SEMI-SÓLIDAS São preparações farmacêuticas de consistência mole destinadas a serem usadas externamente para acçãotópica ou geral e também com fins de lubrificação. Consoante o aspecto, consistência ou composição do excipientepodem classificar-se: • Pomadas – Quando são untuosas preparadas com excipientes gordurosos; • Cremes – Que são mais fluídos que as pomadas, preparados com excipientes emulsivos tipo água em óleoou óleo em água; • Pastas – Pomadas de maior consistência, espessas pois contém grande quantidade de pós insolúveis noexcipiente; • Geleias – O meio de dispersão é a água e gelatinas. Podemos incluir neste grupo as preparações para aplicação transdérmica (selos) que normalmente estãoimpregnadas de substâncias na forma semi-sólida que amolece à temperatura do corpo aderindo à pele para serabsorvida FORMAS LÍQUIDAS Soluções – são obtidas por dissolução de uma ou mais substâncias medicamentosas num solventeapropriado. O seu aspecto é límpido e homogéneo; Suspensões – são preparações de aspecto turvo ou leitoso, constituídas pela dispersão de um sólidoinsolúvel num veículo líquido ou semilíquido;
  • Emulsões – são preparações de aspecto leitoso ou cremoso, resultantes da dispersão de um líquido numoutro líquido com o qual não seja miscível, geralmente à custa de um agente emulsivo. Uma emulsão tem por issoduas fases, uma aquosa e outra oleosa. FORMAS FARMACÊUTICAS ESPECIAIS QUE USAM UM OU MAIS DOS SISTEMAS ANTERIORES OU FORMASDE ADMINISTRAÇÃO: • Gotas – solução, suspensão ou emulsão. Contidas no frasco conta-gotas. Permitem aumentar ou diminuira dose. Podem ser orais, auriculares ou oftálmicas (colírios); • Colutórios – soluções para aplicação na boca. Forma consistente para aderir à parede da boca, para efeitoantisséptico. Efeito local; • Loção – Emulsão para aplicação na superfície da pele, com ou sem fricção. Lubrificação e protecção senão contiverem princípio activo; • Xaropes – soluções ou suspensões, com aspecto viscoso porque são constituídos por elevada porção deaçúcar, sabor doce. Administradas às colheres; • Clisteres ou enemas – Administrados por via rectal. Bisnaga com cânula, Podem ser de limpeza(intestinal), ou ter princípio activo (purgantes) para acção local (antiinflamatórios) ou para serem absorvidos deigual modo aos supositórios; • Preparações injetáveis – solução, suspensão ou emulsão. Utilizadas na via parentérica (administraçãodirecta no tecido). Prontas a ser utilizadas ou preparações extemporâneas. CICLO GERAL DOS MEDICAMENTOS __ FARMACOCINÉTICA Pode haver a aplicação tópica ou local, e a aplicação sistémica (obriga a passagem do fármaco pormembranas). APLICAÇÃO SISTÉMICA Considera as vias Entéricas(fármaco absorvido no tubo digestivo) e Parentéricas (absorvido na pele ouintroduzido nos tecidos através de agulhas e outras técnicas). Fatores que influenciam a absorção dos medicamentos: • Área de absorção(>área>absorção) • Tempo de contacto(>tempo>absorção) • Intimidade de contacto(>intim.>absorção) • Intensidade de irrigação(>int.>absorção) • Espessura da área de absorção(<espessura>absorção) VIAS PARENTÉRICAS  Via endovenosa ou intravenosa- não há absorção o fármaco é colocado directamente no sangue, érápido, obriga a recorrer a terceiros especializados. Riscos: o Aparecimento de embolia (intupição de um canal_forma um caroço) o Possibilidade de reacções alérgicas(como reacções anafiláticas, choque) o Efeitos cardiovasculares(se a administração ñ for lenta pode causar lesões cardiovasculares, bem comopode afectar o cérebro) Vantagens: o Rápidos a actuar o Permite administração de fármacos que seriam destruídos por outras vias o Pode-se administrar grandes quantidades de líquidos o Pode ser usado para fármacos que poderiam provocar destruição das paredes musculares o Permite que chegue a dosagem mais precisa ao sangue (reduzindo as eliminações por outros factores)  Via intramuscular – administração num tecido muscular, é útil quando ñ se pode utilizar a via ora, aabsorção é idêntica à oral e dá-se entre 10 a30 minutos após a administração . dá-se sob a forma de suspensões(+dolorosas +viscosa – para absorção prolongada e por vezes ainda têm que sofrer transformação antes deexercerem efeito), sob forma de soluções para libertação imediata, e ainda sob a forma de soluções Depôt(deacção prolongada Desvantagens o Irritação, dor no local o Impossível a autoadministração, o Ñ permite a administração de grandes quantidades de líquidos
  •  Via inalatória – os pulmões têm grande superfície de absorção, é fino e muito vascularizado -- usam-seessencialmente fármacos para tratar doenças pulmonares . Utilizam aerossóis para libertar o PA  Vias subcutânea –administração na derme (dolorosa porque a pele é mais sensível a irritações)absorção mais lenta , maior possibilidade de autoadministração (pode ser utilizada na administração de formassólidas que duram anos sem mexer)  Via óssea , etc. VIAS ENTÉRICAS  Via sublingual—fármaco colocado debaixo da língua –é rápido, ñ necessita de terceiros, utilizados emsituações de emergência(comprimidos pequenos e sem sabor para ñ haver secreção salivar—comprometia aquantidade de fármaco que era absorvido)  Via oral--+cómoda, o doente deglute a forma farmacêutica. A absorção depende de vários factores : oPh(qualquer substância atravessa melhor a parede na forma não ionizada—ião tende a ligar-se a outros namembrana), caract. Do fármaco… Desvantagens o O tempo que vai da administração até que começa a fazer efeito o Ñ pode levar subst. Que sejam inactivadas por enzimas, sucos gástricos, etc. o Pode levar a irritação o Uma das primeiras passagens do fármaco é pelo fígado e algumas substâncias podem ser eliminadas nometabolismo, especialmente quando os fármacos têm grande facilidade em ser metabolizados  Via retal—tem capacidade de absorver por difusão simples, mas o espaço de absorção é menor, o que éum inconveniente Vantagens o cómoda para as crianças com alguma resistência a fármacos o ñ se sente o mau cheiro nem o mau sabor o ñ passa pela metabolização inicial do fígado DISTRIBUIÇÃO DO FÁRMACO PELO ORGÃNISMO Não é uniforme devido a ligações do fármaco a proteínas plasmáticas(a albumina é a essencial—esta ligaçãoñ é estável, ñ permanente, mas quando está ligada ñ exerce função- não passa a parede dos capilares—quando []do F no sangue é menor que no sangue, este liberta-se e passa para fora do sangue (para os metabolizadores) temque se ter a percentagem das ligações em conta a quando da dosagem),ou tecidulares(ñ é muito significativa, mastem que s ter em conta que alguns F exercem efeito ligados a estas proteínas), ligações a eritrócitos(os Flipossolúveis—ligam-se à gordura, sendo posteriormente libertados gradualmente-- e arranjos morfofuncionais(barreira hematocefálica—poucos F são capazes de chegar ao sistema nervoso central e por vezes para fazerchegar um F ao SN é preciso administrar níveis tóxicos, mas por outro lado protege o SN de acção de um tóxico--,barreira placentária) O fármaco tem que sair do sangue e ir para o meio extra ou intracelular dependendo do seu lugar deacção(há F que ficam retidos no sangue) REDISTRIBUIÇÃO—depois de um F chegar a um local—zonas de metabolização, depois de terminar a acçãofarmacêutica vai continuar a ser distribuído para os locais de maior afinidade, onde vai sendo eliminado. Biotransformação (metabolização) molécula sofre acção das enzimas e forma metabolitos (podem ou nãoter actividade farmacêutica)- são + hidrossolúveis(facilita a excreção) –tendem a ser ionizados – actividadeterapêutica pode permanecer ou ñ (há F que só os metabolitos são activos prodroga – a toxicidade dosmetabolitos também pode ser maior, geralmente ñ é) ocorre no fígado essencialmente e sofre reacções deoxidação redução e hidrólise. A velocidade de excreção é influenciada a intensidade de metabolização(ainsuficiência hepática pode levar ou á intoxicação ou à não acção. Ao administrar F em simultâneo podem seafectar a nível da metabolização Excreção as vias são a renal ( o rim é um órgão muito irrigado e muito permeável—eliminação rápida—asproteínas ligadas a F ñ são eliminados, metabolitos lipossolúveis são + facilmente excretados. Por exemplo o ác.Acetilsalicílico (ác. Fraco) para aumentar a basicidade da urina administra-se bicarbonato de sódio, facilita-se aeliminação. Para diminuir a basicidade da urina administram-se substâncias ácidas( ác. Ascorbico; a nível dosneferónios algum F é eliminado e há outro que é reabsorvido, as doenças existentes também podem afectar aeliminações.uma pessoa que toma um diurético também aumenta a eliminação de F) , biliar(as subst retidas sãolançadas no intestino sendo algum eliminado, mas pode voltar a ser absorvido e fazer efeito, porque ñ sofretransformação) e respiratória(excreta subst. Administradas por esta via e gases que circulem no sangue),secreções digestivas, glândulas lacrimais e sudoríparas, do trato genital.
  • Mecanismos de acção dos F—efeito terapêutico A maioria dos F tem que se ligar a receptores (o medicamento é criado para se ligar ao F, que se adapta aeste, o fármaco tem actividade intrínseca liga-se de acordo como modelo chave fechadura e exerce efeito e podeligar-se mas ñ exercer efeito no receptor diz-se que é extrínseco), da ligação resulta o efeito directo ou comformação de biomoléculas, outros ñ se ligam a nada . Agonista—subst. Que consegue exercer efeito, afinidade + actividade Antagonista—ligam-se ao receptor evitando que outros se liguem e exerçam efeito e pode sercompetitivo(competição pelos receptores da molécula, o que existir em maior quant. Liga-se + facilmente)e o ñcompetitivo(antagonismo funcional, ligam-se aos receptores provocando o efeito contrário) Medicamentos ñ mediados por receptores—há reacções químicas entre o F e outras subst. (ex. diuréticososmóticos- reduzem a reabsorção de água , anestésicos gasosos, expansores plasmáticos, subst. Utilizadas paraneutralizar o Ph e para acidificar ou alcalinizar a urina. Quelação—fenómeno que ocorre em determinados antídotos- ião liga-se ao catião impedindo que eles sesoltem ex. EDTA- ant. do chumbo O F também pode ser incorporado numa célula—alguns citotópicos anticancerisnos entram nas células INALAÇÕES/AEROSSÓIS Não são formas farmacêuticas, mas sim uma maneira de administrar medicamentos no estado gasoso oupartículas sólidas ou líquidas dispersas em gases, pela árvore respiratória. ANTI-INLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES Acção analgésica, antipirética e anti-inflamatória. MECANISMO DE ACÇÃO Na presença de um síndroma doloroso pode intervir-se de várias formas: • Actua-se sobre a causa quando esta for conhecida; • Suprime-se o processo patológico que é responsável pela dor; • Inibe-se a sensação dolorosa. CLASSIFICAÇÃO SALICILATOS Derivados do Ácido Salicílico, sendo mais usado o Éster Salicílico do Ácido Acético (AAS). Possuem todos o mesmo efeito farmacológico o que permite referi-los aos AAS: • Como analgésico – eficaz nas dores do tipo somático e pouco intensas; • Como antipirético – a sua acção resulta do abaixamento do ponto de regulação do centro termo-regulador; • Como anti-inflamatório – observa-se apenas para dores superiores; • Como anti-agregante plaquetário – interfere com a coagulação por dois mecanismos: inibição daagregação plaquetária e redução dos níveis de protombina. Efeitos colaterais O AAS produz acções metabólicas que dependem da dose: • Hipoglicémia, aumento da produção de corpos cetónicos e hiperglicémia; • Com doses elevadas produz alterações respiratórias, e alterações do equilíbrio ácido-base e electrolítico,que com as doses mais elevadas poderá surgir insuficiência renal em consequência do colapso cardiovascular edesidratação; • No rim: • Interfere com a eliminação do ácido úrico; • Efeitos renais dependentes da inibição da produção das PGs renais; • Irritação digestiva: • Pode traduzir-se apenas por mal-estar epigástrico, náuseas, vómitos, ou pode causar perdas de sangue; • Em 1% dos doentes surge úlcera péptica ao fim de 6 a 12 meses de tratamento; • Agressividade hepática: • Hepatotoxicidade que depende da dose (maior que 150 mg/ml); • Síndroma de Reye; • Efeitos de hipersensibilidade.
  • Farmacocinética Pode ser administrado por via oral, via parentérica e via rectal. Distribui-se por todos os tecidos e atravessa a barreira Placentária e Hematoencefálica. Liga-se às proteínas plasmáticas cerca de 80-90% (principalmente à Albumina). Elimina-se por via renal (a velocidade de eliminação depende do pH). Intoxicação aguda e crónica Na intoxicação crónica surge um quadro neurológico – salicílismo – que se caracteriza por: • Zumbidos e surdez são os sinais mais precoces; • Cefaleias, vertigens e tonturas; • Perturbações visuais, confusão mental e astenia; • Náuseas e vómitos. Na intoxicação aguda para além das alterações do Salicílismo surgem ainda modificações respiratórias, doequilíbrio ácido-base e térmicas. DIFLUNISAL Difere do AAS por ter uma vias média mais longa, menor incidência de efeitos laterais e por não causar,mesmo em doses elevadas, acidose metabólica e zumbidos. É destituído de efeitos antipiréticos. Pode causar hiperuricémia, logo nas primeiras doses. DERIVADOS DO ÁCIDO ANTRANÍLICO Ácido Mefenâmico, Ácido Flufenâmico, Ácido Niflúmico e a Glafenina. Têm sido progressivamente abandonados por não apresentarem vantagens ao AAS. O Etofenamato tem interesse no tratamento tópico em patologias inflamatórias superficiais, não devendoser utilizado quando a pele está inflamada ou ulcerada. DERIVADOS DO ÁCIDO ACÉTICO O principal é o Diclofenae. É rapidamente absorvido por via oral, a sua semi-vida é curta (4h). É intensamente metabolizado e os metabolitos são excretados pelo rim e pela bílis. Liga-se fortemente às proteínas plasmáticas (99%). Usa-se na dose de 75-200mg/dia, em 2 a 4 tomas. Os efeitos laterais são semelhantes aos dos AINEs, predominando a irritação digestiva e a elevação dastransaminases (reversível com a suspensão). DERIVADOS DO ÁCIDO PROPIÓNICO Ibuprofeno, Naproxeno, Flurbiprofeno, Cetoprofeno, Fenoprofeno, Fenbufeno e Oxaprosim. Acção semelhante à do AAS. São rapidamente absorvidos pelo tubo digestivo, ligam-se fortemente às proteínas plasmáticas (99%). Sãointensamente metabolizados e os metabolitos eliminados pelo rim. As semi-vidas plasmáticas são muito variáveis ( 2 a 4h para o Ibuprofeno e 13h para o Naproxeno). Os efeitos laterais são semelhantes aos dos salicilatos, embora pareçam menos frequentes. Diferem entre si: • Na potência; • Na duração do efeito; • Na toxicidade. DERIVADOS PIRAZOLÓNICOS Antipirina, Aminopirina, Dipirona e Fenilbutazona. Dada a elevada toxicidade destes fármacos apenas a Fenilbutazona foi usada em terapêutica e apenas emsituações bem seleccionadas. Recentemente foi retirada do mercado. DERIVADOS DO INDOLE E INDENO Indometacina:
  • • É muito bem absorvida por via digestiva, incluindo a via rectal; • Liga-se intensamente às proteínas plasmáticas (99%); • A metabolização dá-se no fígado, sendo a excreção por via urinária (60% + 10 a 20%) e por via biliar; • Efeitos secundários mais frequentes são os digestivos e os neurológicos; • Nas crianças dá-se uma redução das resistências às infecções. Sulmdae: • Menor incidência de efeitos digestivos e cefaleias; • Têm surgido efeitos tóxicos graves (depressão medular, hepatotoxicidade e sindrome paranóica). OXICAMS Paroxicam e Tenoxicam. São bem absorvidos no tubo digestivo, metabolizados no fígado, não se observando elevação dos níveisplasmáticos em doentes com IR. São lentamente eliminados, com semi-vida plasmática bastante longa (até 48h). Toxicidade semelhante à dos outros AINEs, embora a incidência de hemorragias digestivas seja mais elevada(idosos e doses maiores que 20mg/dia). DERIVADOS PARA-AMINOFENÓLICOS Paracetamol (acetaminofeno) e Fenacetina. Acção analgésica e antipirética semelhante à dos salicilatos, mas são destituídos de acção anti-inflamatória. Não interferem com a agregação plaquetária, não têm acções metabólicas e não modificam o equilíbrioácido-base ou a eliminação do Ácido Úrico. Estes fármacos são bem e rapidamente absorvidos por via oral. Ligam-se às proteínas plasmáticas numa % inferior a 50%. Estes fármacos são metabolizados pelas enzimas microssomáticas hepáticas. Os metabolitos são eliminados por via renal. A toxicidade é muito diferente dos salicilatos. Os efeitos laterais podem incluir: • Hipersensibilidade, meta-hemoglobinemia e anemia hemolítica; • O Paracetamol para doses muito superiores às terapêuticas (10 1 15g) produz necrose hepática; • O Paracetamol usado cronicamente nas doses de 3-8g/dia pode causar hepatite tóxica. NIMESULIDE Exerce uma actividade fraca de inibição de Prostaglandinas. Bem absorvido por via oral (pico plasmático em 2 a 3h), semi-vida de 3-5h e duração de acção de 6 a 8h. Excretado quase totalmente por via urinária. Os efeitos secundários incluem: pirose, náusea, gastralgia, erupção cutânea, sonolência, úlceras pépticase/ou hemorragias gastrointestinais.NORMAS GERAIS DE UTILIZAÇÃO DEANALGÉSICOS, ANTIPIRÉTICOS E ANTI-INFLAMATÓRIOS Associações não apresentam vantagens. Profilaxia da úlcera gastrointestinal: • Fármacos que administrados com AINEs previnem a lesão da mucosa em doentes de risco (antecedentesde úlcera péptica, idade avançada, etc.): • Inibidores da secreção ácida do estômago – antagonistas dos receptores H2 (Ranitidina), Omeprazol,Pantoprazol, etc.; • Sucralfato; • Misoprostol – é um análogo sintético das PGs, substituindo a nível gastrointestinal as PGs cuja síntese éinibida pelos AINEs. SELECÇÃO DE UM AINE Considerar criticamente se um AINE é o mais indicado para o problema específico e para o doente. Seleccionar o AINE mais indicado tendo em conta o diagnóstico, a segurança do fármaco, a presença dedoenças coexistentes e terapêutica concomitante. Explicar ao doente os objectivos, expectativas e riscos do tratamento.
  • Os riscos de toxicidade GI devem ser minimizados tomando os medicamentos com as refeições, em certosdoentes associando fármacos protectores da mucosa. Ter precauções extra em indivíduos idosos, grávidas, insuficientes renais, hipertensos, asmáticos, doentescom estados edematosos, estados hemorrágicos e doentes que vão sofrer intervenções cirúrgicas ou que tomemoutros fármacos. Se os resultados forem desapontadores tentar um AINE alternativo em vez da adição de outro. CORTICOSTERÓIDES Betametasona, Deflazacort, Dexametasona, Hidrocortisona, Metilprednisolona e Prednisolona. Os corticosteróides produzidos nas glândulas supra-renais têm múltiplos efeitos no organismo, de entreos quais: • Efeitos no metabolismo dos glúcidos, proteínas e lípidos; • Efeitos sobre o equilíbrio hidroelectrolítico; • Efeitos sobre as células sanguíneas, imunidade e inflamação; • Outros efeitos. As acções adversas aos corticosteróides podem ser divididas em dois grupos: • Acções tóxicas relacionadas com doses elevadas e tratamentos prolongados; • Acções resultantes da suspensão abrupta do fármaco. Usos terapêuticos: • Terapêutica substitutiva; • Estimulação da maturação pulmonar fetal; • Uso dos corticosteróides em patologia não endócrina: • Uso como anti-inflamatório; • Neoplasias; • Transplantações; • Como meio de diagnóstico. ACÇÕES TÓXICAS RELACIONADAS COM DOSES ELEVADAS E TRATAMENTO PROLONGADO • Diabetes; • Úlcera péptica; • Atrofia muscular; • Redistribuição dos depósitos de gordura; • Osteosporose; • Perturbações menstruais; • Acne e hirsutismo; • Cataratas; • Atraso no crescimento; • Alterações psíquicas; • Intervenção no processo imunológico. ACÇÕES ADVERSAS RESULTANTES DA SUSPENSÃO ABRUPTA DO FÁRMACO Insuficiência supra-renal aguda. Recuperação funcional das supra-renais é lenta (6 a 8 meses). Esquemas posológicos para diminuir este período de normalização USO COMO ANTI-IMFLAMATÓRIOS • Diminuem a permeabilidade vascular; • Aumentam a resistência vascular; • Potenciam a acção vasoconstritora da noradrenalina; • Diminuem a acção local da histamina; • Deprimem a migração de células inflamatórias; • Diminuem a agressão das toxinas às células. Desaparecem o edema e a dor local
  • Aplicação pode ser: • Sistémica; • Local. A decisão da administração de um corticosteróide nas afecções crónicas é grave, pis envolve riscos. O doente deve ser informado dos riscos e do perigo de um quadro de supressão brusca. Algumas patologias onde os corticosteróides estão indicados: • Artrite reumatóide; • Osteoartrite; • Doenças do colagénio; • Edema cerebral; • Acção antialérgica. ANTIBIÓTICOS FÁRMACOS ETIOTRÓPICOS. Tipo de acção: • Bactericida; • Bacteriostática. Espectro de acção: • Causas que impossibilitam que a CIM se atinja no foco infeccioso: a) Causas farmacocinéticas: • Inactivação e excreção muito rápidas; • Acesso difícil ao local da infecção. b) Causas toxicológicas. • Causas que favorecem o estabelecimento de concentrações elevadas no local da infecção. Mecanismo de acção dos antibióticos: • Inibição da síntese de enzimas – inibição da síntese da parede celular (Ex.: Penicilinas, Cefalosporinas,Cicloserina, Vancomicina e drogas imidazólicas); • Drogas que actuam directamente sobre a parede citoplasmática, alterando a sua permeabilidade(Ex.: Polixina, Anfotericina B e Nistatina); • Drogas que afectam a função dos ribossomas bacterianos, causando inibição da síntese proteica(Ex.: Cloranfenicol, Tetraciclinas, Eritromicina e Clindamicina); • Drogas que se ligam à subunidade 30s dos ribossomas – inibição da síntese proteica (Ex.:Aminoglicosídeos); • Drogas que afectam o metabolismo dos ácidos nucleicos (Ex.: Rifampicina, Quinolonas eMetronidazol); • Bloqueio de etapas metabólicas específicas essenciais (Ex.: Trimetoprim e Sulfonamidas); • Análogos dos ácidos nucleicos que se ligam a enzimas virais essenciais impedindo a replicação(Ex.: Aciclovir). RESISTÊNCIA BACTERIANA AOS ANTIBIÓTICOS O espectro de acção de um antibiótico ao longo do tempo. Mecanismos de resistência bacteriana aos AB: a) Inactivação enzimática dos antibióticos (Ex.: β-lactamases); b) Modificação do alvo do antibiótico; c) Impermeabilidade ao antibiótico; d) Bombas de efluxo. Soluções para contrariar o desenvolvimento de resistências: • Produção de novos compostos activos contra as estirpes resistentes; • Limitar o uso indiscriminado e irracional de AB; • Utilização de inibidores das enzimas bacterianas que inactivam AB. ANTIBIÓTICOS β-LACTÂMICOS PENICILINAS AROMÁTICAS OU BENZILPENICILINAS Activas contra cocos Gram + e Gram -, alguns bacilos Gram + e reduzido número de bacilos Gram -. Podem ser administrados por via IM, o sal sódico ou potássico.
  • Dada a rápida excreção, houve necessidade de preparar formas depôt: • Penicilina-G-procaínica; • Penicilina-G-benzatinica. As formas depôt de Penicilina-G-procaínica e de Penicilina-G-benzatinica destinam-se à terapêutica dasífilis e à profilaxia da febre reumática. Nas restantes patologias, onde estão indicadas, usam-se misturas de Penicilina Sódica ou Potássica eformas depôt. Usos terapêuticos mais frequentes – infecções estreptocócicas, como por exemplo faringites, amigdalites,sinusites, otites médias ou agudas, etc. ISOXAZOLPENICILINAS E METICILINA Embora a Meticilina não pertença ao grupo das Isoxazolpenicilinas o seu espectro de acção e interesseterapêutico são sobreponíveis. Caracterizam-se pela sua grande resistência à inactivação pelas β-lactamases dos estafilococos aureusresistentes às Benzilpenicilinas. Não são activas sobre bactérias Gram -. As Isoxazolpenicilinas não são inactivadas por ácidos  administração por via oral. A Meticilina não é absorvida por via oral. A Flucloxacilina é a Isoxazolpenicilina mais utilizada. O estafilococos aureus pode tronar-se resistente à Meticilina (meticilino-resistência). AMINOPENICILINAS Ampicilina, Bacampicilina, Amoxicilina, etc. Espectro mais alargado que as Benzilpenicilinas. São muito resistentes aos ácidos. A Ampicilina é mal absorvida por via oral. Amoxicilina é muitas vezes associada ao Ácido Clavulâncico (inibidor das β-lactamases). CARBOXIPENICILINAS Carbenicilina, Ticarcilina, etc. Espectro bastante amplo sobre cocos Gram + e bacilos Gram -. Não são absorvidas por via oral. UREIDOPENICILINAS Piperacilina, etc. São as penicilinas de mais amplo espectro (as primeiras penicilinas activas contra Klebsiella e sobre ageneralidade das estirpes de Pseudomonas aeruginosa). Não são absorvidas por via oral. Administrando-se por via IM e EV. Utilizam-se no tratamento empírico das infecções graves. A Piperacilina encontra-se disponível associada ao Tazobactam (inibidor enzimático). FARMACOCINÉTICA Absorção: • As Benzilpenicilinas são inactivadas no estômago. As restantes penicilinas, de uma forma geral, sãoresistentes aos ácidos. • A presença de alimentos prejudica a absorção de todas as penicilinas. • Não há absorção por via oral para a Ampicilina, Meticilina, Carboxipenicilinas, Ureidopenicilinas e para asAminopenicilinas. • A absorção dos sais hidrossolúveis, sódicos e potássicos das Benzilpenicilinas é rápida e praticamentecompleta por via IM. As formas depôt permitem intervalar mais as administrações. Excreção: • São essencialmente excretadas pelo rim. • Uma parte é excretada por via biliar (principalmente a Ampicilina, com cerca de 15%). TOXICIDADE E EFEITOS LATERAIS Reacções de hipersensibilidade alérgica – as reacções de hipersensibilidade às penicilinas são porordem decrescente de frequência: “rash” maculopapular, “rash” urticariforme, febre, broncospasmo, vaculite,drematite esfoliativa e anafilaxia. Efeitos por acção directa – têm uma acção irritante para os tecidos que se traduz por: flebite etromboflebite durante a administração por via EV; dor e reacções inflamatórias após administração IM; sintomasdispépticos quando se utiliza a via oral; com a Ampicilina é relativamente frequente o aparecimento de “rash”maculopapular de origem tóxica, não alérgica.
  • Efeitos devido aos catiões solúveis (sódio e potássio) ou aos compostos associados à penicilina Gnas formas depôt – a utilização de grandes doses de Penicilina G sódica e potássica pode levar a desequilíbrioselectrolíticos; Penicilina-G-procaínica em grandes doses pode causar uma reacção imediata com vertigens,cefaleias e alucinações que se devem à procaína; a procaína e a benzatina também podem causar reacçõesalérgicas. Efeitos devido à própria actividade antibacteriana – possibilidade de aparecimento de disbacteriosese superinfecções. CEFALOSPORINAS 1.ª GERAÇÃO Cefradina, Cefacetril, Cefazolina, Cefapirina, Cefalotina, Cefaloridina e Cefalexina. Bastante resistentes às β-lactamases. Resistentes aos ácidos. Aminopenicilinas Espectro idêntico ao das Aminopenicilinas (francamente eficazes contra bactérias Gram + emoderadamente eficazes contra Gram -). 2.ª GERAÇÃO Cefoxitina, Cefamandol, Cefuroxima e Cefaclor. São mais eficazes em infecções provocadas por gérmens produtores de β-lactamases e possuem umespectro de acção que abrange bactérias Gram – não abrangidas no espectro das de 1.ª Geração. A Cefoxitina é activa contra anaeróbios. 3.ª GERAÇÃO Cefotaxima, Cefoperazona, Cefixime, Ceftazidima, Ceftibuteno, Cefprozil, Ceftizoxima e Ceftriaxone. O espectro de acção inclui enterobacteriáceas e Pseudomonas resistentes às Cefalosporinas de 1.ª e 2.ªGeração. A Ceftazidima é a única activa contra Pseudomonas aeruginosa. FARMACOCINÉTICA Na sua grande maioria não são absorvidas por via oral. A Cefalexina, a Cefradina, o Cefradoxil, o Cefaclor,a Cefixime, a Cefuroxima, o Ceftibuteno, o Cefprozil são excepção sendo absorvidos por via oral. Atravessam facilmente a barreira placentária e mal a barreira hematoencefálica (10% das concentraçõesplasmáticas). A metabolização é reduzida ou nula. São excretadas por via renal (redução da dose na IRC excepto para o Ceftriaxone). O Ceftriaxone étambém eliminado por via biliar (redução da dose na IH). TOXICIDADE E EFEITOS LATERAIS Reacções alérgicas – são relativamente pouco tóxicas, sendo o risco de hipersensibilidade idêntico paratodas as Cefalosporinas; os fenómenos de hipersensibilidade manifestam-se através de urticária que pode evoluirpara dermatite esfoliativa; Excepcionalmente podem provocar uma reacção anafiláctica; Pode existir sensibilidadecruzada com as Penicilinas. Nefrotoxicidade – a Cefaloridina é nefrotóxica; a Cefalotina aumenta a nefrotoxicidade dosaminoglicosídeos quando usados concomitamente. Outras acções secundárias – a administração intravenosa de qualquer Cefalosporina pode provocartromboflebites. INIBIDORES DE β-LACTAMASES Ácido Clavulânico – com certa actividade antimicrobiana de largo espectro, mas tão moderada que nãotem significado; a actividade inibidora das β-lactamases é muito intensa e o espectro desta actividade inibidora évasto; os efeitos laterais em associação com a Amoxicilina são idênticos aos da Amoxicilina isolada, mas um poucomais elevados (náuseas, vómitos, diarreia e erupções cutâneas do tipo alérgico). Tazobactam – usado em associação à Piperacilina. AMINOGLICOSÍDEOS Estreptomicina, Neomicina, Amicacina, Tobramicina, Netilmicina, Gentamicina e Isepamicina. Activos contra bactérias Gram – aeróbias. As bactérias Gram + são pouco sensíveis. São inactivados em condições de anaerobiose. Por via oral a absorção é muito baixa. Usados por via IM e EV. Excreção renal e biliar. Efeitos secundários mais frequentes: • Ototoxicidade;
  • • Nefrotxicidade. Regras que condicionam o seu uso: • Pequena margem terapêutica; • Não devem ser usados profilacticamente; • Se for necessário deve reservar-se a Amicacina para as infecções resistentes aos outros Aminoglicosídeos. SULFAMIDAS Cotrimoxazol (Trimetoprim mais Sulfametoxazol, 5*1). Bem absorvidos por via oral. Entram facilmente no LCR. Efeitos laterais incluem anemia, leucopenia, trombocitopenia e intolerância na pele. Uso terapêutico mais frequente: • Infecções urinárias altas e baixas; • Infecções do aparelho respiratório; • Infecções genitais por gonococos; • Brucelose; • Febre tifóide. QUINOLONAS Norfloxacina, Ofloxacina, Ciprofloxacina e Levofloxavina. CLORANFENICOL Administrado por via oral e EV. Efeitos laterais: • Toxicidade hematológica (supressão da eritropoiese e aplasia medular); • Sindrome cinzento do recém-nascido; • Alterações gastrointestinais; • Reacções de hipersensibilidade. Utilização terapêutica: fármaco de 1.ª escolha na febre tifóide. TETRACICILINAS Absorção digestiva incompleta mas suficiente e que é prejudicada pela presença de iões metálicos. Efeitos laterais: • Efeitos digestivos; • Fototoxicidade; • Toxicidade renal. Utiliza-se essencialmente no tratamento da brucelose. CLINDAMICINA Atinge elevadas concentrações nas estruturas ósseas e articulares. A excreção dá-se por via biliar (90%). Toxicidade: colite pseudomembranosa istrogénica, diarreia ligeira ou violenta, reacções dehipersensibilidade, e sabor desagradável devido à eliminação pelas glândulas salivares. Tem um importante efeito bacteriano sobre bactérias anaeróbias. VANCOMICINA Absorção digestiva nula. Administra-se por via endovenosa. Toxicidade: • Ototoxicidade; • Tromboflebites; • Arrepios e hipertermia. Deve reservar-se ao tratamento de infecções provocadas por estafilococos meticilino-resistentes.Também se usa em infecções estafilococicas graves em doentes alérgicos aos β-lactamamicos e ainda em infecçõesgraves provocadas por clostridium dificille. METRONIDAZOL Atua exclusivamente em microorganismos anaeróbios. É rápida e totalmente absorvido por via oral. Toxicidade: náuseas, diarreia, polimeuropatia grave reversível e crises convulsivas MACRÓLIDOS Eritromicina, Claritromicina e Azitromicina. Óptimas alternativas às Penicilinas em infecções provocadas por estreptococos. São de 1.ª escolha em infecções provocadas por Legionella pneumoniae e por Mycoplsma pneumoniae.
  • SEDATIVOS, HIPNÓTICOS E TRANQUILIZANTES Sedação – frenação da excitação e da agitação psicomotora sem que haja indução do sono. Hipnótico – fármaco que induz o sono. Tranquilizante – fármaco com acção específica sobre a ansiedade e tensão emocional. BARBITÚRICOS Apenas se usa o Fenobarbital e o Tiopental. A acção central pode variar de intensidade, abrangendo a sedação, hipnose, anestesia geral, coma emorte; de acordo com a dose, via de administração, a existência ou não de tolerância e o estado de excitabilidadedo SNC. Possuem ainda efeito antiepilético e anticonvulsionante. Farmacocinética: • São administrados por via oral e por via endovenosa; • Distribuem-se preferencialmente por tecidos ricos em lípidos (tecido nervoso e numa fase tardiaacumulação no tecido adiposo); • São fármacos com características ácidas: • Se há alcalose aumenta a passagem dos Barbitúricos dos tecidos para o plasma; • A alcalinização da urina acelera a excreção. • Os Barbitúricos são metabolizados no fígado e excretados por via urinária. Usos terapêuticos: • Fenobarbital em determinadas formas de epilepsia; • Tiopental em anestesia geral. Toxicidade e efeitos laterais: • Depressão central excessiva, particularmente dos centros respiratório e vasomotor; • Aparecimento de respostas anormais; • Estabelecimento de dependência. Interacções: • São potencializados por outros depressores do SNC (álcool, tranquilizantes neurolépticos, analgésicosnarcóticos, etc.); • Como possuem efeito indutor de enzimas hepáticas, aceleram a biotransformação de outros fármacos(ex.: diminuem a duração de acção dos anticoagulantes). Contra-indicações: • Insuficiência respiratória grave; • Alterações comportamentais do tipo digestivo; • Lesões hepáticas graves. A administração crónica dos Barbitúricos leva a tolerância. Tratamento da intoxicação aguda: • Manter a circulação e respiração; • Facilitar a excreção. SEDATIVOS DE ORIGEM VEGETAL Valeriana officinalis. SEDATIVOS E HIPNÓTICOS DE ORIGEM SINTÉTICA (NÃO BENZODIAZEPÍNICOS) Hidrato de cloral. TRANQUILIZANTES BENZODIAZEPINAS O Diazepam é considerado o protótipo deste grupo de fármacos. Existem algumas indicações selectivas fora do campo do tratamento da ansiedade, nomeadamente nainsónia, na epilepsia e na anestesia geral. Principais Benzodiazepinas: • Usadas sobretudo como tranquilizantes: • De longa duração de acção – Clobazam, Clorazepato, Diazepam, Medasepam, Prazepam, etc.;
  • • De duração de acção intermediária – Bromazepam e Lorazepam; • De duração de acção curta – Alprazolam e Oxazepam; • Usadas sobretudo como hipnóticos: • De longa duração de acção – Flurazepam e Quazepam; • De duração de acção intermédia – Estazolam, Flunitrazepam, Lormetazepam e Nitrazepam; • De duração de acção curta – Brotizolam, Midazolam, Temazepam, Triazolam, Zolpidem e Zolpiclone; • Usados como antiepiléticos: Clonazepam, Diazepam e Nitrazepam; • Usados como pré-anestésicos: Diazepam, Flunitrazepam e Midazolam. Farmacocinética: • São fármacos lipossolúveis – quanto maior a lipossolubilidade mais rápido o início da acção; • São todas metabolizadas; • As características farmacocinéticas condicionam as suas aplicações terapêuticas: • Na pré-anestesia e no tratamento das convulsões há penetração rápida no SNC, usa-se o Midazolam e oDiazepam no pré-operatório e o Diazepam nas convulsões; • Os compostos de curta duração de acção são usados como hipnóticos quando não se pretendem efeitosdurante o dia; • Os compostos de acção intermédia ou longa são úteis quando a insónia se acompanha de ansiedadediurna; • Os compostos de absorção lenta (Oxazepam) são usados quando o doente se queixa do efeito inicialdemasiado intenso. Reacções adversas: • São em geral pouco intensas e incluem: sonolência, sensação de cansaço, inapetência e indiferença,reacções alérgicas, anemia hemolítica; ataxia e irregularidades menstruais para doses elevadas; • Nos idosos são mais frequentes podendo ainda observar-se confusão, incontinência, deterioração damemória, hipotermia e aumento paradoxal da ansiedade. Em doses elevadas podem provocar tolerância, habituação e dependência física. Nas intoxicações agudas administra-se Flumazenil (antídoto). Interacções potenciam os depressores do SNC (álcool e Barbitúricos). Usos terapêuticos: como tranquilizantes, como hipnóticos, em afecções em que há aumento datensão muscular, no tratamento de espasmos musculares, no tétano e como antiepiléticos. BUSPIRONA Bem absorvida por via oral, muito metabolizada no fígado e excretada por via renal. As reacções adversas mais frequentes são tonturas, cefaleias, náuseas e vómitos. Induz sonolência e baixa de atenção em menor grau do que as Benzodiazepinas; Não potencia os efeitos sedativos e hipnóticos do Etanol e os efeitos das Benzodiazepinas. Indicações terapêuticas: utiliza-se apenas como tranquilizante, não tem acção hipnótica, relaxantemuscular ou anticonvulsionante. A principal desvantagem é eficácia limitada sobretudo pela instalação lenta do efeito ansiolítico (às duassemanas de tratamento). MEPROBAMATO E OUTROS TRANQUILIZANTES DE MENORES ATITUDES PERANTE INSÓNIA DECLARADA Psicoterapia. Recomendação de hábitos higiénicos. Usar um hipnótico. ANTIPSICÓTICOS Fármacos indicados na terapêutica da esquizofrenia, psicoses orgânicas, fase maníaca da doençamaníaca-depressiva e outras doenças com sintomatologia do tipo psicótico. Estes fármacos têm como características comuns: • Acção antipsicótica, com marcado efeito supressivo sobre alucinações, ideação persecutória, agitação eagressividade; • Capacidade de provocar aquietação, neutralidade afectiva e emocional, redução de expressão corporal edas emoções, indiferença ao meio ambiente, menor lentidão de raciocínio com conservação da capacidadeintelectual; • A capacidade de interferirem com os sistemas dopaminérgicos límbico-hipotalâmico.
  • FENOTIAZINAS Clorpromazina, Levomepromazina, Tioridazina, Ciamemazina, Flufenazina, Prometazina, etc. Acções laterais: • Sedação com sonolência e cansaço; • Reacções de hipersensibilidade; • Efeitos extrapiramidais (os que surgem precocemente e são reversíveis distonias agudas e parkinsonisnoiatrogénico e as que surgem tardiamente – discinesia tardia; • Hipotensão ortostática; • Convulsões, manifestações endócrinas e oftalmológicas. São normalmente administradas por via oral, reservando-se a via parentérica às situações de urgência(EV muito lenta e IM irritante). O Decanoato de Flufenazina tem uma acção prolongada (2 a 3 semanas por via IM) – formas “depôt”. As Fenotiazinas são fortemente metabolizadas no organismo e têm ciclo enterohepático. BUTIROFENONAS Haloperidol, Metilperona, Droperidol e Trifluperidol. Têm uma farmacologia sobreponível à de algumas Fenotiazinas (Clorpromazina, Levomepromazina,Tioridazina e Flufenazina): • A mesma potência antipsicótica; • A mesma capacidade de combater as alucinações; • A mesma tendência para provocar efeitos extrapiramidais. As diferenças são sobretudo químicas, não provocando irritação local quando administradas por viaparentérica. A Metilperona possui marcada acção sedativa e raramente provoca efeitos extrapiramidais, por isso temsido usada em doentes idosos (com a vantagem da curta duração de acção). O Haldol pode apresentar-se na forma de éster – forma “depôt”. DIFENILBUTILPIPERIDINAS Pimozide, Penfluridol e Fluspirileno. São antipsicóticos de longa duração de acção úteis na prevenção de recidivas de episódios psicóticos emdoentes esquizofrénicos ambulatórios. DIBENZODIAZEPINAS Clozapina e Olanzapina. Considerável acção antipsicótica com reduzida tendência para induzir efeitos extrapiramidais. Os efeitos secundários mais frequentes são a sedação, hipotensão, taquicardia, hipersialorreia e tonturas. Em cerca de 1 a 2% dos doentes pode surgir agranulocitose que obriga à sua suspensão – vigilânciahematológica. BENZAMIDAS Sulpiride, Soltipride e Tiapride. Não possuem capacidade de rapidamente dominarem a sintomatologia psicótica alucinatória-delirante. LÍTIO Exerce efeito psicodepressor (tratamento da crise maníaca e na prevenção de novas crises na psicosemaníaca-depressiva). Deve proceder-se sistematicamente à determinação dos níveis plasmáticos, dada a sua toxicidade edificuldade de prever os efeitos secundários. Acções secundários: fadiga, ataxia, trémulo, perturbações digestivas e sede excessiva; para dosessuperiores a 2mg/l pode surgir coma, rigidez, trémulo marcado e convulsões. ANTIDEPRESSORES Usados isoladamente ou em associação com outros fármacos e/ou com um qualquer modelopsicoterapêutico. Permitem uma recuperação muito mais rápida e eficaz do processo depressivo. ANTIDEPRESSORES TRICÍCLICOS E ANÁLOGOS Amitriptilina, Imipramina, Trimipramina, Clomipramina, Doxepina, Dotiepina, Maprotilina, Mianserina,Viloxazina, Trazadona, Fluvoxamina, Fluoxetina, Sertralina. São bem absorvidos por via oral. A maior parte destes fármacos é de longa duração de acção pelo que podem ser administrados uma só vezao dia.
  • Acções laterais: secura da boca e gosto metálico, epigastralgias, obstipação, tonturas, taquicardia,palitações, visão enevoada e retenção urinária (cuidados especiais em doentes com hipertrofia prostática ouglaucoma). Podem ainda surgir arritmias cardíacas, diminuição da contractibilidade miocárdica, confusão mental,transição brusca do estado de depressão para o de mania em portadores de psicose maníaca-depressiva, aumentode peso (excepto com a Fluoxetina) e no início náuseas e vómitos. Há um abaixamento do limiar das convulsões (precaução em doentes epilépticos). INIBIDORES DA MONOAMINOXÍDASE (MAO) Moclobemide. Efeitos laterais: secura da boca, sensação de vertigem, trémulo, cansaço, sudorese, taquicardia e náuseas. ANTAGONISTAS E ANTÍDOTOS ANTAGONISTA – fármaco que se opõe à acção do tóxico; Este poderá ser específico ouinespecífico. Os mecanismos de acção são os seguintes: • Favorecendo a eliminação por aceleração da via metabólica do tóxico; • Por bloqueio competitivo da via metabólica do tóxico; • Competindo por receptores específicos; • Recuperando ou superando a alteração funcional, restaurando a função bloqueada pelo tóxico. ANTÍDOTO – substância que se opõe à acção do tóxico, actuando sobre o próprio tóxico. Podemactuar pelos seguintes mecanismos: • Ação directa sobre o tóxico; • Destruição do tóxico por neutralização, oxidação ou redução; • Bloqueio do tóxico por diluição, adsorção, absorção, insolubilizção, precipitação ou quelação; • Transformação em produtos menos tóxicos; • Transformação em complexos sem actividade. INTOXICAÇÕES POR VIA CUTÂNEA SUSBSTÂNCIA QUÍMICAS: As medidas gerais são as seguintes: • Limpeza e lavagem com pano ou papel, sem esfregar e lavando com água (excepto quando o tóxico é oÁcido Sulfúrico) ou com solução de Cloreto de Sódio isotónico; As medidas a tomar dependem da natureza do tóxico: • Ácidos – quando se trata de Ácido Sulfúrico lavar a zona com Bicarbonato de Sódio; os olhos lavam-secom solução de Bicarbonato de Sódio a 0,1%; • Bases – lavar a zona com Ácido Acético (vinagre) de concentração não superior a 1% ou de Ácido Cítrico;para os olhos utilizar uma solução de Ácido Acético a 1:1000; • Produtos orgânicos (Fenol, Cresol, gases asfixiantes, Halogéneos, etc.) – lavar a zona afectadaabundantemente com azeite, gasolina e posteriormente com água e sabão; • Fósforo elementar – Submergir em água para evitar o contacto com o ar e retirar os fragmentos comuma pinça; lavar a zona e mante-la húmida com dissolução de sulfato de cobre a 1%; • Sódio metálico – evitar o ar e a água, a zona lava-se com azeite; • Substâncias químicas de origem animal – pode haver ou não absorção; produz-se absorção no caso demordeduras e picadas de animais venenosos; as medidas que se tomam, de uma forma geral são: • Evitar absorção aplicando imediatamente sobre a zona areia, argila, farinha, pó de talco, etc., procurandoretirar antes o “espinho” ou os tentáculos; • Manter o membro em repouso e por gelo se não se fizer pressão para diminuir o fluxo sanguíneo; • Em caso de mordeduras faz-se uma incisão em forma de cruz e suga-se para extrair o veneno (no prazode 30 minutos), coloca-se um garrote acima da ferida aliviando um minuto de cada dez; • Para neutralizar o tóxico aplica-se sobre a zona água oxigenada, solução de Permanganato de Potássio ouvinagre; • Aplicam-se anti-histamicos e corticóides tópicos ou sistémicos; • Se existir soro específico deve administrar-se;
  • • Deve administra-se líquidos intravenosos e favorecer a diurese; • Pode ser necessário tratamento sintomático de dolores, insuficiência respiratória e circulatória, caimbras,convulsões, etc., e deve efectuar-se profilaxia antibiótica e antitetanica. INTOXICAÇÃO POR VIA RESPIRATÓRIA É frequente em intoxicações industriais. As medidas gerais consistem em: • Aplicar ventilação pulmonar (excepto em intoxicações por gases irritantes); • Manter o doente em repouso; • Devem administrar-se líquidos e facilitar a diurese; • Aplicar tratamento mais específico para cada tipo de intoxicação. INTOXICAÇÃO POR VIA DIGESTIVA Pode evitar-se absorção do tóxico recorrendo aos seguintes métodos: • Eliminação do tóxico não absorvido – está contra-indicada nas seguintes situações: • Ingestão de corrosivos ou cáusticos com ácidos e bases; • Doente em estado de coma ou inconsciente; • Em intoxicações por estimulantes do SNC; • Intoxicações por derivados do petróleo e detergentes. O vómito pode induzir-se mecanicamente mediante a estimulação da faringe posterior, mas esta técnicanão é tão efectiva como a administração de eméticos; os eméticos utilizados são: • Xarope de ipeca – a acção emética deve-se a uma acção central e a uma acção local; posteriormente àadministração do Xarope de ipeca pode administra-se carvão activado; está contra-indicada a sua administraçãoem intoxicações por antieméticos; • Apomorfina – actua no SNC; usa-se por via parental em dose única de 100mcg/Kg em adultos e70mcg/Kg para crianças; está contra-indicada em doentes intoxicados com depressores do SNC ou se apresentarespiração lenta e difícil; a acção da Apomorfina pode reverter-se com administração de Naloxona (antagonistaopiáceo); • Lavagem gástrica – realiza-se fazendo incubação endotraqueal; usa-se pequenas quantidades de líquidoe até que este saia claro; quando se termina o estômago pode ficar vazio ou pode administra-se um antídotoespecífico ou carvão activado; a lavagem também se pode efectuar com carvão activado em doses de 50g em500ml de água (no final cerca de 30g de carvão activado juntamente com um purgante); a lavagem gástrica só devefazer-se se as funções vitais são suficientes ou se aplicarem medidas de apoio; • Aspiração gástrica – está indicada apenas nalgumas situações em que a lavagem gástrica está contra-indicada (ex.: doente inconsciente); • Purgantes – minimizam a absorção, acelerando a passagem do tóxico pelo TGI com a rápida evacuaçãodo seu conteúdo; estão indicados nas seguintes situações: depois da ingestão de cápsulas ou comprimidos comrevestimento entérico, quando o tempo desde a ingestão é superior a uma hora e quando o tóxico é de absorçãolenta; os Purgantes mais usados são o Sulfato de Sódio e o Sulfato de Magnésio, nas doses de 250mg/Kg por viaoral ou 1ml/Kg de solução a 25% até 30g por dose; o efeito aparece após 30-60 minutos; • Destruição ou transformação química do tóxico não absorvido; • Bloqueio do tóxico não absorvido – adsorção/absorção: • Carvão ativado – adsorve as substâncias químicas à sua superfície de forma quase irreversível; a suaeficácia depende do tempo desde a ingestão do tóxico e da dose de carvão; em geral a dose a administrar deve serde 5 a 10 vezes o peso de tóxico ingerido, necessitando de doses maiores na presença de alimentos; • Precipitação – a solução de Sulfato de Magnésio utiliza-se para intoxicações por Bário porque o precipitana forma de Sulfato Insolúvel; • Eliminação do tóxico já absorvido – podem usar-se os seguintes procedimentos: • Depuração biliar – pode ser útil para aumentar a eliminação de fármacos com semi-vida biológica longa; • Excreção urinária – os diuréticos são úteis nalguns tipos de intoxicações; pode aumentar-se a excreçãovariando o pH da urina; • Diálise – usa-se apenas quando o estado do doente é grave e não responde ao tratamento convencionalou quando há desequilíbrio hidroelectrolítico ou ácido-base; • Ventilação artificial • Antagonismo e bloqueio de um tóxico absorvido.
  • ANTÍDOTOS INSOLUBILIZAÇÃO Bloqueio do tóxico por formação de sais insolúveis: • Gluconato de Cálcio – usado nas intoxicações com Oxalatos e com Flúor; usa-se em injecção EV de 10 a20ml de solução a 10%; • Cloreto de Sódio – usado no tratamento de intoxicações por sais de Prata; o tratamento consiste naadministração oral de solução de Cloreto de Sódio a 0,9%, após a ingestão de Nitrato de Prata. QUELAÇÃO Utiliza-se nas intoxicações por metais pesados. Factores que contribuem para a efectividade do quelante: elevada afinidade para o metal tóxico, baixatoxicidade, interacções mínimas com as moléculas biológicas essenciais, máxima capacidade de penetração nosdepósitos do metal, metabolização mínima e rápida metabolização metalquelante: • Dimercaprol – usado nas intoxicações com Mercúrio, Ouro e Arsénio, formando complexos estáveis quefavorecem a eliminação do metal; a concentração plasmática deve manter-se administrando doses fraccionadas erepetidas; administração faz-se por via IM profunda em solução a 10%; • Edetato Disédico Cálcico – forma quelatos com metais bivalentes e trivalentes; tem especial indicaçãonas intoxicações provocadas por Chumbo; as doses utilizadas são de 25mg/Kg/12h por via EV lenta (tempo dedifusão de 6h) em glicose a 5% ou Cloreto de Sódio a 0,9% durante 5 dias; • Penicilamina – é quelante para o Cobre, Mercúrio, Zinco e Chumbo, promovendo a sua excreção pelaurina; a dose diária recomendada é de 0,5 a 2g em adultos e de 20 a 25mg/Kg/dia nas crianças; • Desferroxamina – apresenta grande afinidade para o Ferro Férrico; é administrada por via parental;para eliminar o Ferro já absorvido administra-se uma dose única de 2g para adultos e de 1g para crianças,continuando com uma infusão lenta, no máximo de 15mg/Hg/h, após 4 a 6h; as soluções para infusão podempreparar-se com glicose a 5%, Cloreto de Sódio a 0,9% ou Lactato de Ringer; • Edetato Dicobalto – utilizado em intoxicações severas por Cianetos; as doses a administrar são de300mg por via EV, seguidas de administração de 50ml de glicose a 50%; se não há resposta num minutoadministra-se mais 300mg; após 5 minutos pode repetir-se a dose; TRANSFORMAÇÃO EM PRODUTOS MENOS TÓXICOS Tiossulfato de Sódio – é utilizado em intoxicações por Cianetos; as doses usadas nos adultos são de 50mlde uma solução a 25% por via EV repetida após 1-2h, em crianças é de 1,6ml/Kg EV de uma solução a 25%. Vitamina B12 – a Hidroxicobalamina é utilizada na intoxicação por Cianetos, conjuntamente comEdetato Dicobalto; FORMAÇÃO DE COMPLEXOS Antídoto da Digoxina – o antídoto da Digoxina é um fragmento de imunoglobulina específica daDigoxina (Fab); a dose de Fab necessária depende da quantidade de Digoxina no organismo; a capacidade defixação é de 1mg de Digoxina por cada 80mg de Fab (variando um pouco com preparação comercial); aadministração faz-se por perfusão intravenosa durante 30 minutos, após diluição em Cloreto de Sódio. Sulfato de Protamina – combina-se com a Heparina formando um complexo estável desprovido deactividade anticoagulante; deve administrar-se 1g de Protamina por cada 100 unidades de Heparina ou 0,5-0,75mg de Protamina por cada mg de Heparina. ANTAGONISTAS ACELERAÇÃO DE ALGUMA VIA METABÓLICA DO TÓXICO N-acetilcisteína – nas intoxicações por Paracetamol, além das medidas gerais de impedir absorção dofármaco, administra-se N-acetilcisteína; a N-acetilcisteína é bem tolerada por via oral e recomenda-se a suaadministração para concentrações plasmáticas de Paracetamol superiores a 150mcg/ml às 4h de ingestão e se
  • decorreram menos de 24h da ingestão; administra-se uma dose de carga de 140mg/Kg de uma solução a 20% porvia oral, seguida de 70mg/Kg cada 4h; o tratamento termina quando a concentração plasmática do Paracetamolindica baixo risco de hepatotoxicidade; pode recorrer-se à via endovenosa. BLOQUEIO COMPETITIVO DA VIA METABÓLICA DO TÓXICO Álcool Etílico – a intoxicação com Metanol trata-se com Álcool Etílico, já que inibe a conversão deMetanol em Ácido Fórmico; deve impedir-se a absorção do Metanol mediante lavagem gástrica com solução deBicarbonato de Sódio a 3,5% e depois administrar o Álcool Etílico por via oral com uma dose se carga de 0,6g/Kg(1,5ml/Kg de Whisky em 15 a 30 minutos); recomenda-se como dose de manutenção 0,2-0,3ml/Kg/h de Whiskyou similar; também se pode usar a perfusão endovenosa lenta de álcool diluído (66mg/Kg/dia). AÇÃO COMPETITIVA NO RECEPTOR ACTUANDO COMO ANTAGONISTA PURO Naloxona – é um potente antagonista opiáceo específico, desprovido de actividade agonista; actua porbloqueio competitivo sobre os receptores opiáceos; inicialmente administra-se uma dose de 400mcg de Naloxona(no adulto) por via subcutânea, IM ou EV, repetindo em intervalos de 2-3 minutos; em crianças a dose é de 5-10mcg/Kg repetindo aos 2-3 minutos; o principal efeito adverso na Naloxona é a produção de sindrome deabstinência. Naltrexona – é um antagonista opiáceo puro, que não provoca dependência, tem efeitos secundáriosmínimos, pode ser administrado por via oral e possui maior duração de acção; está contra-indicada em doentescom hepatite aguda ou com insuficiência hepática; a principal indicação é na desintoxicação de doentesdependentes da heroína ou outros opiáceos. Flumazenil – possui actividade antagonista competitiva sobre receptores benzodiazepinicos, que reverteos efeitos sedantes anticonvulsionantes, músculo relaxantes e amnésicos destes fármacos; a duração do efeito doFlumazenil depende de vários factores: • Da dose administrada; • Da dose de Benzodiazepina previamente administrada; • Do tempo que decorreu desde a toma de Benzodiazepina; • Da vida média da Benzodiazepina utilizada; A dose recomendada é de 200mcg por via EV em 15 segundos, se necessário 100mcg cada 60 segundosaté um máximo de 1-2mg; se o doente volta ao estado de inconsciência administra-se entre 100-400mcg/h eminfusão EV, ajustando a dose segundo a resposta; RESTAURAÇÃO DA FUNÇÃO ALTERADA PELO TÓXICO Folinato de Cálcio – utilizado nas intoxicações por Metotrexato, Trimetoprim e Pirimetamina; otratamento deve efectuar-se num período não superior a 4 horas após administração do tóxico. Obidoxima – utilizada nas intoxicações com compostos organofosforados; a Obidoxima administra-se emdoses de 250mg IM ou em perfusão EV lenta, podendo repetir-se às 2-4 horas; a dose máxima é de 5mg/Kg parapacientes adultos; em crianças deve administra-se doses de 4mg/Kg EV em doses únicas; o tratamento inicia-secom atropinização (2mg por via SC, IM ou EV e repetir em intervalos de 5 a 60 minutos), sendo pouco eficazquando já decorreram 36 horas a pós a exposição ao tóxico; Azul de Metileno – é utilizado para o tratamento de meta-hemoglobinemia produzida por outrosfármacos (ex.: Nitritos); administra-se por via EV em solução a 1% em doses de 1-4mg/Kg, diluído em 100ml desolução glicosada, em 5 minutos; pode repetir-se a dose após 1 hora. Sulfato de Magnésio – é utilizado nas intoxicações com Bário; por via EV contraria a estimulaçãomuscular produzida pelo Bário. Outros: • Heparina Sódica – reverte a hipercoagulação provocada por intoxicação com Ácido Aminocapróico; • Glucose – reverte a Hipoglicémia, consequência de intoxicação por Insulina ou antidiabéticos orais. EQUILÍBRIO HIDROELECTRLÍTICO Os distúrbios hidroelectrolíticos envolvem propriedades dos líquidos corporais – volume, osmolalidade,pH e concentração de iões específicos. • Composição dos líquidos corporais; • Pressão osmótica; • Distúrbios clínicos do volume da osmolalidade: • Contracção isotónica; • Contracção hipertónica;
  • • Contracção hipotónica; • Expansão isotónica; • Expansão hipertónica; • Expansão hipotónica; • Contracção volumétrica; • Distúrbios da osmolalidade; • Correcção do volume plasmático e sanguíneo; • Distúrbios ácido-base; • Distúrbios electrolíticos. AÇÕES NÃO MEDIADAS POR RECEPTORES As modalidades fundamentais dos mecanismos de acção farmacológica não mediada por receptores sãoas mencionadas a seguir: • Ações de natureza puramente física – dois exemplos ilustram-nas suficientemente; os diuréticososmóticos, como o Manitol, são filtrados pelos glomérulos renais, o que aumenta a osmolaridade da urina tubular;como, nestas condições, a reabsorção de água nos túbulos tem de fazer-se contra um gradiente osmótico maiselevado do que normalmente, a reabsorção aquosa é menor, surgindo assim o efeito diurético; os anestésicosgerais gasosos ou voláteis apresentam um elevado coeficiente de partilha óleo/água, pelo que se dissolvem naslipoproteínas das membranas das células nervosas, exercendo por esta via o seu efeito anestésico; a acçãoanestésica geral destes compostos não se coaduna com a teoria dos receptores, mas em contrapartida há umacorrelação perfeita entre o coeficiente de partilha e a potência anestésica; os expansores do plasma, como aPolivinil-pirrolidona, os purgativos osmóticos, como o Sulfato de Magnésio, o Cloreto de Etilo (na anestesia localpelo frio), são exemplos adicionais de fármacos que actuam por mecanismos físicos; • Ações de natureza química e inespecífica – embora mecanismos químicos e físicos estejam,naturalmente, envolvidos noutros tipos de mecanismos de acção, incluindo o da ligação a receptores, hámecanismos químicos simples e inespecíficos que explicam a acção de certos fármacos; é o caso, por exemplo, dosantiácidos utilizados para neutralizar a acidez gástrica, dos fármacos que acidificam ou alcalinizam a urina, etc.;actuam também por mecanismos químicos, embora de outro tipo, certos fármacos que destroem a matériaorgânica de forma inespecífica, como alguns germicidas desinfectantes; • Quelação – traduz-se pela interacção de um fármaco com um ião ou uma pequena molécula, com aformação de um complexo estável, um quelato; são exemplos importantes de fármacos que actuam por quelação oEDTA, antídoto do Chumbo, o Dimercaprol, antídoto do Arsénio, Mercúrio, Ouro, Antimónio e Bismuto, aPenicilamina, que forma um quelato com o Cobre, sendo útil no tratamento de uma doença rara, a doença deWilson, em que há um defeito da proteína que normalmente se liga ao cobre, a Ceruloplasmina, ocasionando-seassim uma perigosa acumulação progressiva do cobre nos tecidos, particularmente no fígado e no cérebro; • Incorporação em macromoléculas – um fármaco pode substituir-se a um metabólito normal, na síntesede um constituinte celular importante; é certo que, nesta síntese, intervêm enzimas, mas o fármaco actua peloproduto final da síntese em que ele se substitui ao metabólito normal e não por ele próprio; é o caso do 5-bromo-uracilo, estruturalmente parecido com a Timina, que pode substituir em proporção apreciável a Timina na síntesedo ADN, o que permite, por exemplo, aumentar a sensibilidade soa tecidos aos raios X e alterar, para fins deinvestigação, a mutagénese; outro exemplo é o do 5-flúor-uracilo, cujo efeito contrasta com o do anterior, podendoser usado como antineoplástico.