Apostila do estudo planejamento e avaliação

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Apostila do estudo planejamento e avaliação

  1. 1. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃOENCONTRO COM OS EDUCADORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO Açailândia – MA 2012
  2. 2. Planejamento no Contexto da Educação Infantil O Planejamento marca a intencionalidade do processo educativo. Aintencionalidade está presente nas escolhas e nos caminhos. Um planejamento quevise a qualidade social na Educação Infantil precisa levar em conta aintencionalidade na realização das propostas e, conseqüentemente, a elaboração doplanejamento. Essa elaboração tem implicadas concepções de criança, infância,Educação Infantil e do significado do próprio planejamento em si. É necessário entender o planejamento no cotidiano da instituição deEducação Infantil como um plano antes da ação e o pedagógico como algo quepermeia todas as ações para e com as crianças, levando em conta todos essesmomentos na elaboração do planejamento. Cada um desses momentos do cotidianopode ser tanto significativo para a criança como também significado por ela. Oimprevisto deve ser previsto e, estar aberto (a) para uma abelha que entra pelajanela, a chuva que cai, o sol que se esconde atrás das nuvens, o sentimento poruma avó que se foi, o brinquedo que quebrou. Se, por um lado, destaca-se a importância de levar em conta asmanifestações das crianças e os imprevistos do cotidiano, por outro lado, noprocesso de planejamento, há situações fechadas. O planejamento implica tanto aparticipação individual quanto a participação coletiva. A rotina tem grande importância na Educação Infantil, pois ela auxilia acriança a construir o conceito de tempo. É por meio da regularidade da rotina que acriança localiza-se no tempo, no espaço e nas atividades da instituição. É estemesmo aspecto que permite que a rotina se abra para o novo, para o diferente, semse tornar monótona, repetitiva. Uma rotina compreensível e claramente definida é, também, um fator desegurança. Serve para orientar as ações das crianças e dos professores e favorecea previsão de situações que possam vir a acontecer. As atividades de rotina sãoaquelas que devem ser realizadas diariamente, oportunizando as crianças odesenvolvimento e a manutenção de hábitos indispensáveis à preservação da saúdefísica e mental como, por exemplo, a organização, a higiene, o repouso, a 2
  3. 3. alimentação correta, o tempo e os espaços adequados, as atitudes, as atividades dodia, etc. Por caracterizar-se como facilitadora da aprendizagem, a rotina, entãonão deve transformar-se numa planilha diária de atividades, rígida e inflexível,exigindo a adaptação da criança a ela. A flexibilidade, portanto, é fundamental e acriança precisa aprender a lidar com o inesperado. A organização do tempo precisa ensejar alternativas diversas e,frequentemente, simultâneas de atividades mais ou menos movimentadas,individuais ou grupais, que exijam maior ou menor grau de concentração da atenção;determinar a hora do repouso, da alimentação, da higiene, a hora do brinquedo, darecreação, do jogo e do trabalho sério. Não podemos esquecer que as atividades organizadas contribuem, diretaou indiretamente, para a construção da autonomia: competências que perpassamtodas as vivências das crianças. Os alunos vão chegando e logo ficam curiosos paradefinir e conhecer o que ocorrerá no dia, por isso a importância da rotina e da salade aula possuir um quadro de rotinas. Com um quadro de rotinas é fácil determinaras ordens das tarefas junto com os alunos, principalmente na Educação Infantil. Na Educação Infantil o primeiro passo da rotina é a caracterização do diaem termos de calendário (Que dia é hoje? Em que mês estamos? Que dia foiontem? E que dia será amanhã? Se tiver alguma data especial o professor deveconversar sobre ela com seus alunos: data cívica ou aniversário de algum aluno -mesmo que tenha ocorrido num feriado ou fim de semana), tempo (a estação do anoé relembrada e verifica-se se algumas características estão presentes no dia. Ascondições climáticas são, então, registradas através de cartaz do tempo).Finalizada essa etapa, é iniciada a chamada interativa: o professor sugere ao grupoque observe e verifique quem está presente e quem faltou. Após nomearem osfaltantes, então começa a chamada propriamente dita, que pode ser realizada dediversas formas: preenchendo o quadro “Quantos somos?”, ou num quadro quepossua as fichas de todos os alunos (retira-se as fichas dos que estão faltando e emseguida conta-se quantos alunos estão presentes, podendo ser até um momentopara trabalhar com os nomes dos alunos), bonequinhos com o nome dos alunospara colocar num quadro específico (pode-se fazer como o exemplo anterior),entreoutros modelos. Qualquer que seja o modelo escolhido deve-se fazer a contagem 3
  4. 4. dos presentes, separar em grupos (meninos e meninas) e sua totalizaçãonovamente. Toda essa atividade de chamada interativa vai permitir a descoberta econsolidação de valores, além de ser muito agradável para a criança pelo seucaráter lúdico e participativo, valorizando a presença de cada um e permitindo,embora dentro da rotina, muitas variações. As atividades apresentadas para o dia devem constar no quadro derotina: atividade individual, em grupo, vídeo, informática, explicação e correção dodever de casa, jogos, etc. O tempo gasto em cada atividade é um elemento importante, por issoteve ser pensado desde o planejamento, para não colocar excesso de atividades. Na Educação Infantil a roda faz parte da rotina diária, podendo ocorrermais de uma vez ao dia se necessário para uma explicação de conteúdo,experiência onde os alunos possam ficar mais próximos, durante um jogo, entreoutras situações que o professor julgue necessária, pode ou não fazer parte darotina diária. A roda é um dos momentos de grande interação. Implica a expectativa dealgum fato relevante, pois algo de importante vai acontecer quando todos sentamnuma roda. Para o professor, é uma oportunidade de observar os alunos e asrelações entre eles: duplas ou trios que se sentam perto, conversam, trocam objetos,riem. Nos primeiros dias de aula, a proximidade da roda permite que os alunosse conheçam melhor, observando semelhanças e diferenças por meio de um jogo deidentificação iniciado pelo professor: “Tem criança com camisa azul”, “Tem criançacom bota”. Mesmo não sabendo ainda o nome dos colegas, as crianças se voltampara os indicadores, acompanhando a nomeação de cada um: “Davi vai mostrar suamochila nova”, “Quem está de blusa verde vai pegar a caixa de botões”. Todo ogrupo se envolve na adivinhação e às vezes descobre quem é o aluno. A “roda de novidade” deve fazer parte da rotina desde os primeiros diasde aula. No início, o professor traz os objetos para serem explorados, e os alunossão praticamente espectadores. Mas a roda evolui quando as crianças começam atrazer as novidades de casa – uma fruta, um brinquedo, uma revista, toquinhos demadeira, algumas fotos e até uma caixa cheia de tampinhas de refrigerante. O quefor significativo para a criança pode ir para a roda, desde que o dono queira. Uma 4
  5. 5. das possibilidades é criar a “caixa de novidades”. Na chegada, o aluno guarda oobjeto, que depois de exibido na roda volta para a caixa ou vaio para a mochila,conforme a criança desejar. A novidade pode desencadear várias atividades, como jogos, brincadeirase histórias, e faz a ponte entre a casa e a escola, permitindo identificações, além deincentivar o início das relações de interação e troca entre os alunos. A roda pode sero primeiro momento de centralização das atividades do dia. Nela se tem um espaçoprivilegiado no qual se pode desencadear a exploração de temas e oamadurecimento das idéias. Mas para isso é de grande importância a participaçãodos alunos por meio de comentários e discussões. No início do ano, é comum o professor estimular a participação dascrianças tentando fazer com que falem, façam comentários, manipulem brinquedos.Mas chega um momento em que começa uma avalanche: as crianças não escutam,só falam, e quase todas ao mesmo tempo. Os interesses se voltam para umdeterminado objeto, às vezes disputado no “vale-tudo”. Situações como essa podemrepresentar um desafio para o professor, na medida em que ele se vê obrigado arepensar atividades para torná-las mais adequadas aos movimentos do grupo.É hora de coordenar ações coletivas. Essa organização, na verdade, deve ser feitalogo no início do ano, e constituirá a estrutura de apoio das relações e daconvivência. Um dos instrumentos dessa estrutura são os “combinados”, os acordos dotipo “cada um tem sua vez de falar”, “brinquedo não vai para o pátio”, “não é pararabiscar nem rasgar os livros”. Temas como esses também podem ser discutidosnuma “roda de conversa”. Se, por exemplo, os alunos estão deixando as peças dosjogos de encaixe espalhadas, sem se preocupar em guardá-las nos lugares certos,pode-se conversar sobre a necessidade de organização para que não se percanenhuma peça. É fundamental que os combinados sejam expostos o ano inteiro na salade aula, seja através de cartaz ou de plaquinhas, para sempre que necessário oprofessor relembre a turma ou o aluno sobre o que foi combinado anteriormente. Equando precisar pode acrescentar novos combinados à lista que já está exposta, oucriar novas plaquinhas. Aos poucos, depois de muita repetição, as crianças vão seacostumando e acabam reproduzindo os “combinados”, sem a necessidade da 5
  6. 6. intervenção constante do professor. Eles podem, então, ser ampliados: agora ascrianças incorporam a necessidade de guardar direito os jogos e brinquedos, sabemesperar sua vez de falar, já podem conhecer a aplicar algumas regras deconvivência: “Não vale empurrar o colega, molhar o colega, jogar areia na cabeça docolega”. Com o tempo, os próprios alunos se empenham em criar novas regras, deacordo com a necessidade surgida na prática. Em todos os sentidos, agem de modocada vez mais independente, e cabe ao professor facilitar a construção dessaautonomia. Sugestão de rotina para a Educação Infantil: Acolhida: saudação, oração, guarda de material, músicas, etc. Quadro de rotina Rodinha (conversa sobre como eles estão, hora da novidade, etc.) Calendário (dia, mês, ano, aniversariantes, etc.) e tempo; Chamada interativa ou “Quantos somos?” Escolha do ajudante do dia; Retomar o dever de casa do dia anterior (cada um deverá mostrar o que fez, o que mais gostaram de fazer, etc. Caso algum aluno tenha feito de forma incorreta, retomar com ele num momento oportuno para que ele corrija ou refaça caso seja necessário) Atividade de sala (individual, grupo, desenho, informática, vídeo, jogos, brincadeiras, pintura, modelagem, etc.) Parquinho Lanche Escovação Atividades de sala Atividade para casa Hora da história Relaxamento com música Cabe aos docentes, planejar as atividades de modo a prover um diaprazeroso e significativo. As atividades diárias têm que considerar a possibilidadede, apesar da repetição, não fazer tudo sempre igual. Para desenvolver atividadesque se desdobrem entre si e permitam ao grupo viver a continuidade entre asexperiências, o planejamento é o maior aliado. As atividades diárias ligadas às 6
  7. 7. necessidades (alimento, repouso, dentre outras) são organizadoras do grupo. Àmedida em que se repetem diariamente, auxiliam a criança na construção da noçãoda passagem do tempo, bem como desenvolvem sua autoconfiança e autonomia. As atividades diárias ligadas às necessidades (alimento, repouso, dentreoutras) são organizadoras do grupo. À medida em que se repetem diariamente,auxiliam a criança na construção da noção da passagem do tempo, bem comodesenvolvem sua autoconfiança e autonomia. Nessas ações, as crianças se sentemcada vez mais confiantes no espaço, nos adultos que lhes apóiam e nelas mesmas.A brincadeira deve também fazer parte desse cotidiano, abrir muitos espaços para obrincar, e também que os próprios professores entrem na dança”.3.2 Modalidades Organizativas dos Conteúdos de Aprendizagens A aprendizagem não é um processo linear e ocorre com sucessivasreorganizações do conhecimento. Por isso, se o ensino estiver baseado emfragmentos de conhecimento correspondendo a intervalos de tempo iguais, estaráfadado ao fracasso. Esse problema tem se repetido em nossas escolas no que dizrespeito ao ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. Os professores propõema mesma atividade a todos os alunos e espera que todos a realizem no mesmotempo, para dar prosseguimento ao “planejamento”. Mas as crianças não aprendemno mesmo ritmo e, em poucas semanas, várias já não conseguem compreender aspropostas de atividade que o professor faz. Para criar condições a fim de flexibilizar o tempo e a retomada dosconteúdos, a autora Delia Lerner sugere que se ponha em ação diferentesmodalidades organizativas do ensino, que são: os projetos, as atividades habituais,as seqüências de atividades e as atividades independentes. Essas quatro diferentesmodalidades organizativas devem coexistir e se articular ao longo do trabalhopedagógico. As definições as especificidades de cada uma das modalidadesorganizativas são: ATIVIDADES PERMANENTES: são situações didáticas propostas comregularidade, com o objetivo de construir atitudes, criar hábitos. Devem serrealizadas regularmente ( todo dia, uma vez por semana ou a cada quinze dias ). 7
  8. 8. Normalmente, não estão ligadas a um projeto e, por isso, têm certa autonomia.Essas atividades servem para promover o gosto pela leitura e escrita e desenvolveratitudes e procedimentos que os leitores e escritores adquirem a partir de leitura eescrita. Sugestões: Roda de biblioteca ou de leitores; Conta-contos (com preparação prévia); Hora das curiosidades cientifícas; Hora das notícias; Leitura diária feita pelo professor dos diversos gêneros existentes; Pasta de textos e etc. SEQUÊNCIA DIDÁTICA: são situações didáticas articuladas com ordemcrescente de dificuldades. Cada passo permite que o próximo seja realizado. Osobjetivos são focar conteúdos mais específicos, com começo meio e fim, (porexemplo, a regularidade ortográfica). Em sua organização, é preciso prever essetempo e com distribuir as seqüências em meio às atividades permanentes em aosprojetos. É comum confundir essa modalidade com o que é feito no dia-a-dia. Aquestão é: hà continuidade? Se não, você está usando uma coleção de atividadecom a cara de seqüência Sugestões: A partir de textos de jornais; Ortografia; Observação de fenômenos; Estudo da temática ambiental etc. PROJETOS DIDÁTICOS: O Trabalho com projetos é uma forma deorganizar a proposta pedagógica que mobiliza crianças e adultos em torno de umaexperiência coletiva, com sentido e significado para o grupo e que integra diferenteslinguagens e conhecimentos em seu desenvolvimento. Todos devem se envolver, irpara além do conhecimento prontos, devem lidar com problemas concretos, envolvero pensamento e a imaginação; perguntar e duvidar Construção de zonas dedesenvolvimento proximal. O projeto é algo vivo e dinâmico Para o bom andamento de um projeto, épreciso que o(a) professor(a) organize: 8
  9. 9. Os objetivos O tempo O espaço As indagações das crianças As fontes de conhecimento e pesquisa As atividades e as crianças Os materiais A avaliação AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Avaliar na Educação Infantil consiste em um aspecto bastante amplo queprocura dar conta de todas as áreas do desenvolvimento. O conhecimento de umacriança é construído pela sua própria ação e por suas próprias ideias que sedesenvolvem numa direção: para maior coerência, maior riqueza e maior precisão.precisa resgatar o sentido essencial de acompanhamento de desenvolvimentoinfantil, de reflexão permanente sobre as crianças em seu cotidiano como elo dacontinuidade da ação pedagógica. Conforme o Parecer CNE/CEB nº 20/1009 de 11/11/2009 que aprova asDiretrizes Curriculares para Educação Infantil, “a observação sistemática, crítica ecriativa do comportamento de cada criança, de grupos de crianças, das brincadeirase interações entre as crianças no cotidiano, e a utilização de múltiplos registrosrealizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.), feitaao longo do período em diversificados momentos, são condições necessárias paracompreender como a criança se apropria de modos de agir, sentir e pensarculturalmente constituídos. Conhecer as preferências das crianças, a forma delasparticiparem nas atividades, seus parceiros prediletos para a realização dediferentes tipos de tarefas, suas narrativas, pode ajudar o professor a reorganizar asatividades de modo mais adequado ao alcance dos propósitos infantis e dasaprendizagens coletivamente trabalhadas. A documentação dessas observações e outros dados sobre a criançadevem acompanhá-la ao longo de sua trajetória da Educação Infantil e ser entregue 9
  10. 10. por ocasião de sua matrícula no Ensino Fundamental para garantir a continuidadedos processos educativos vividos pela criança. Diante disso, para que se efetive uma avaliação de acompanhamento eobservação constantes, torna-se fundamental o registro dessas observações. Nessesentido, a Rede Municipal de Ensino de Açailânida, propõe uma forma de avaliaçãoexpressa em registros e relatórios de avaliação que marcam cada fase dodesenvolvimento da criança, impedindo que aspectos importantes dessedesenvolvimento se percam ao longo de sua escolarização baseado nos seguintesobjetivos: Fundamentar o processo avaliativo dos professores da Educação Infantil em relação a seus alunos, a si próprio e a sua prática pedagógica, a fim de que possam compreender a avaliação como um processo contínuo e inclusivo e não como um fim, um instrumento que vise libertar e emancipar em vez de controlar e classificar; Proporcionar aos pais de alunos da Educação Infantil, uma visão do desenvolvimento de seus filhos, nas diversas áreas do conhecimento, por meio de um relatório que vai além da oralidade; Propor uma prática avaliativa, pautada em registros que caracterizem determinada fase do desenvolvimento da criança. Avaliar nesse contexto exige um olhar mais reflexivo sobre a criança, seucontexto sócio – cultural e suas manifestações decorrentes de seu desenvolvimento.Para a avaliação significativa é preciso respeitar a criança em sua individualidade eem suas sucessivas e gradativas conquistas do conhecimento nas mais diversasáreas. A partir de padrões de comportamento pré estabelecidos significa definir umideal de criança, onde se tende a classificar “bons” e “maus” alunos pelocomportamento. Na educação infantil é bastante comum se avaliar o aluno pelocomportamento que este apresenta no contexto escolar. Assim, o panorama daavaliação em educação infantil expressa um cenário de intensas interrogações eindefinições quanto a essa prática, pois envolve análises e reflexões referentes àprópria concepção de criança e das funções da educação infantil. Desta forma a avaliação passará a ser um elemento integrador naaprendizagem, devendo ser constante, concomitante ao desenvolvimento dasatividades. É comum observar-se na educação infantil a presença de um ideal de 10
  11. 11. criança, de uma concepção de que todas perpassam todas as fases dedesenvolvimento de forma progressiva, idêntica e no mesmo espaço de tempo.Assim, acaba-se por avaliar a criança de acordo com este ideal, emitindo-se juízo devalor sobre o seu comportamento e do que se espera dela em cada idade. Avaliar deve ser uma ação constante de acompanhamento desteprocesso, onde cada um tem suas características próprias e por isso seguediferentes ritmos de aprendizagem e desenvolvimento. Além disso, percebe-se que,na maioria das vezes, a avaliação no contexto da educação infantil acontece demaneira informal, através de conversa com os pais sobre o que vem acontecendocom a criança na escola. Porém, muitas vezes, as palavras se perdem e essa fasedo desenvolvimento da criança acaba sendo desfigurada e esquecida com o passardo tempo. Acredita-se que o registro constante facilita uma observação maisfundamentada sobre os progressivos avanços da criança que freqüenta a educaçãoinfantil, permitindo também aos pais observarem o desenvolvimento de seus filhos. Para que uma avaliação seja realmente significativa diante dos objetivoseducacionais propostos na Educação Infantil, é preciso considerar todas as fases dodesenvolvimento da criança e as características destas fases. Neste sentido épreciso levar em conta que nem todos os alunos vão atingir o mesmo rendimento enem terão as mesmas características em uma determinada idade. Assim o professordeverá ser capaz de compreender os processos e comportamentos infantis, evitandorelatórios avaliativos descontextualizados e classificatórios. Diante disso, a Rede Municipal de Ensino de Açailândia, emite relatóriosavaliativos que são realizados e entregue aos pais semestralmente, com base nosregistros diários do professor. A forma de entrega aos pais fica a critério de cadaUnidade de Ensino. O professor poderá fazer um relatório oral de cada aluno para os pais,porém é imprescindível que lhes seja entregue um relatório escrito e assinado peloprofessor regente e por outros professores que desenvolvem atividades com osalunos, (recreação, música, artes, biblioteca, etc.). Deste relatório devem constartambém os dados essenciais da escola. O referido relatório poderá ser devolvido ou não à escola. Caso este nãoseja devolvido à escola, deverá o professor conservar nos arquivos da UnidadeEscolar, uma cópia da avaliação de cada aluno. 11
  12. 12. Estes relatórios não podem se perder, constituindo a cada semestre e acada ano a história escolar do aluno, para que, os professores dos gruposposteriores, possam consultá-los sempre que sentirem necessidade. De onde a criança partiu? Quais foram suas conquistas? Que caminhos percorreu para fazer tais descobertas? Quais suas perguntas, dúvidas, comentários? Como reagiu diante de conflitos cognitivos e emocionais? Qual o papel do professor nestes determinados momentos? Em que áreas do conhecimento/desenvolvimento a criança apresenta avanços? Apresenta alguma área a ser melhor trabalhada? Como pode o professor intervir neste sentido? Qual a contribuição possível da família? Como os pais se referem ao desenvolvimento das crianças e ao trabalho da instituição? Como as crianças se referem sobre os seus próprios avanços e ao trabalho que desenvolvem? ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE AVALIAÇÃO De acordo com Hoffmann, (2000), os registros (relatórios de avaliação) emuitos pareceres reduzem-se a: Apontar aspectos atitudinais das crianças, com julgamento de valores sobre estas atitudes, pouco relevantes de fato sobre o seu desenvolvimento; Referir-se a crianças da mesma turma a respeito dos mesmos aspectos, numa mesma sequência e ainda comparando atitudes evidenciadas; Atender muito mais o interesse da família no sentido de poder controlar o trabalho desenvolvido com os seus filhos do que ser um instrumento de reflexão sobre o desenvolvimento da criança e com significado pedagógico para o professor ou para a instituição. Na realidade estes relatórios devem ser elaborados de maneira que: 12
  13. 13. ao mesmo tempo em que refaz e registra a história do seu processo dinâmico de construção de conhecimento, sugere, encaminha, aponta possibilidades da ação educativa para pais, educadores e para a própria criança. Diria até mesmo que apontar caminhos possíveis e necessários para trabalhar com ela é o essencial num relatório de avaliação, não como lições de atitudes à criança ou sugestão de procedimentos aos pais, mas sob a forma de atividades a oportunizar, materiais a lhe serem oferecidos, jogos, posturas pedagógicas alternativas na relação com ela (HOFFMANN, 2000, p. 53). Processos avaliativos embasados na comparação, a partir de padrõesconsiderados normais, perseguem a uniformidade de comportamento das crianças,negando a heterogeneidade normal dos indivíduos, concebendo-a como negativa einesperada. “O que se deve garantir em educação é o respeito às diferenças decada um” (HOFFMANN, 2000, p. 61). Os relatórios de avaliação alcançam seu significado primeiro, à medidaque ultrapassam a função burocrática para, expressar com objetividade e riqueza, ocaminhar de alunos e professores no processo educativo. O que lhe dá fundamentoé o cotidiano das crianças, acompanhado pelos professores por meio de anotações(registros) das descobertas, das falas, das conquistas que os alunos venhamfazendo nas diferentes áreas do desenvolvimento (HOFFMANN, 2000). É por meio do registro que o professor e todos os envolvidos no processo,têm a possibilidade de refletir sobre a ação pedagógica. Cada professor tem critérios próprios e seu olhar avaliativo é único eindividual, portanto, neste sentido, também seria uma incoerência padronizar roteirosavaliativos. Serão as próprias crianças que, na sua singular interação com o objetode conhecimento e com o educador, no seu próprio tempo e circunstâncias,construirão o conteúdo de cada relatório. Cabe, portanto ao educador realizar um relatório de avaliaçãotransparente em relação a uma postura pedagógica que privilegia o desenvolvimentoindividual dos alunos, deixando de lado palavras (querido, meigo, cordial, fraco,desinteressado, relaxado,...), que nada dizem a respeito da construção doconhecimento de cada criança, face às situações e atividades propostas: de seexpressar, concentração, sensibilidade, percepção, interações sociais, faz-de-conta,reconto de histórias, relatos de vivências cotidianas. 13

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